Autor
Mozarildo Cavalcanti (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro/RR)
Data
29/04/2011
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB - RR. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Senador Roberto Requião, eu vou falar hoje sobre um tema que me é muito caro e que entendo que foi, é e sempre será do interesse dos homens de bem, dos homens de bons costumes, que é a Maçonaria. Quero falar especificamente sobre o Grande Oriente do Distrito Federal, mas às pessoas que nos ouvem pela Rádio Senado e nos acompanham pela TV Senado, principalmente àqueles não maçons, quero esclarecer que a Maçonaria no Brasil tem três potências ou três correntes, que são: o Grande Oriente do Brasil, o mais antigo, fundado em 17 de junho de 1822; as Grandes Lojas, e os Grandes Orientes Independentes, que estão sob a sigla da Confederação Maçônica do Brasil. Como disse, quero falar especificamente sobre o Grande Oriente do Distrito Federal, que é subordinado ao Grande Oriente do Brasil.

            O Grande Oriente do Distrito Federal realizou, na semana de 21 de abril último, os festejos comemorativos de seu aniversário de fundação.

            A história da Maçonaria, em Brasília é um manancial de informações preciosas e de elucidação de fatos importantes ocorridos ao longo dessas quatro décadas de vida e de serviços da Arte Real no Distrito Federal.

            A data de 21 de abril nos lembra Tiradentes, Tancredo Neves e Brasília, que foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960. E nos lembra também a criação do Grande Oriente do Distrito Federal, no dia 21 de abril de 1971. Portanto, há 40 anos, conforme nos recorda, neste abril de 2011, a família maçônica brasiliense teve a criação do seu Grande Oriente do Distrito Federal , um marco histórico nos propósitos de servir e de evolução humana, que a Maçonaria tem consubstanciado por meio dos ideais de igualdade de direitos, liberdade de pensamento e fraternidade universal, fundamentos basilares dos objetivos maçônicos desde as mais priscas eras.

            Vale trazer à memória que a caminhada dos maçons em prol de Brasília vem de tempos bem mais remotos que 1971.

            Quando as obras da construção da nova Capital do Brasil se iniciavam no planalto goiano, em 1957, os maçons fincaram suas bandeiras na primeira hora. Em 14 de maio de 1957, fundou-se a Loja Maçônica Estrela de Brasília, o primeiro templo maçônico brasiliense de culto a Deus, que nós, maçons, denominamos de Grande Arquiteto do Universo.

            Poderíamos também evocar a interação da Maçonaria com Brasília e o movimento de interiorização da Capital nas ações dos Maçons Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes; Hipólito José da Costa, José Bonifácio, Rui Barbosa, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Lauro Müller e outros.

            Mas o que importa no momento é destacar o episódio de 1971, quando foi oficialmente criado o Grande Oriente do Distrito Federal, para congregar as Lojas Maçônicas no Distrito Federal, em número de 13.

            Todavia, convém advertir que, para os maçons chegarem a essa decisão de 1971, alguns passos anteriores tiveram que ser dados para a criação do Grande Oriente do Distrito Federal.

            O mais significativo deles ocorreu em 1966. Visitava Brasília o Soberano Grão-Mestre Álvaro Palmeira. E aqui quero explicar que, quando dizemos Soberano Grão-Mestre, na verdade é o Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil para todo o Brasil. Então, visitava Brasília o Grão-Mestre Álvaro Palmeira, a convite da Universidade de Brasília, para proferir uma palestra sobre a educação no Brasil.

            No encontro com os maçons brasilienses, Palmeira manifestou a importância e a necessidade de Brasília ter o seu Oriente Maçônico para melhor administrar o trabalho das Lojas e dos obreiros. Contudo, uma dificuldade se apresentava: para a implantação de um Oriente Maçônico seria necessário um quórum de treze lojas e, no Distrito Federal, só existiam na época oito, exatamente no ano de 1966.

            Nessas tratativas com o Soberano Grão-Mestre Álvaro Palmeira, com a participação de uma plêiade de maçons atuantes e dedicados, foi plantada a semente. E um marco também fincado, com a criação do Conselho de Veneráveis do Distrito Federal, formado pelos presidentes das oito lojas existentes e com o propósito de caminhar para a formação do Grande Oriente do Distrito Federal.

            Passados alguns anos, em 1971, Brasília possuía treze Lojas Maçônicas instaladas.

            Na data do aniversário de 11 anos de Brasília, em 1971, nasceu, portanto, o Grande Oriente do Distrito Federal, com o ideal de congregar as Lojas Maçônicas e todos os maçons que viviam no território da nova Capital do Brasil.

            O dia 21 de abril é significativo para a Maçonaria por lembrar Tiradentes, seu obreiro e mártir da Independência pátria e o primeiro a propor a interiorização da capital do Brasil no ano de 1789.

            As Lojas, em número de 13, firmam um documento conjunto criando o Grande Oriente do Distrito Federal e assumem o compromisso de mantê-lo como organismo administrativo e incentivador de toda a ação dos obreiros da Arte Real no Distrito Federal.

            Desse momento tão representativo, participaram, pela ordem alfabética, as treze Lojas nominadas a seguir e que constituíram, portanto, o Grande Oriente do Distrito Federal aqui em Brasília: Abrigo da Virtude, Acácia do Planalto, Águia do Planalto, Atalaia de Brasília, Aurora de Brasília, Brigadeiro Proença, Duque de Caxias, Estrela de Brasília, Fraternidade e Justiça II, Gonçalves Lêdo, Luz e Fraternidade, Sete de Setembro e União e Silêncio.

            .A partir de então, as providências visaram à consolidação do grande passo de 21 de abril de 1971. O templo da Aurora de Brasília foi escolhido para sede do Grande Oriente do Distrito Federal. E, em 21 de junho, o Conselho Federal reconheceu a criação do nosso Grande Oriente do Distrito Federal. E o Soberano Grão-Mestre Moacyr Dinamarco autorizou, em 26 de abril de 1972, a instalação do Grande Oriente brasiliense.

            É, então, eleito o primeiro Grão-Mestre do Distrito Federal, o maçom Celso Clarismundo da Fonseca, empossado em 18 de novembro de 1972.

            Ao longo do tempo, de 1972 até meados de 1978, o Grande Oriente do Distrito Federal teve também momentos difíceis, algo natural, onde ideias se convergem no campo político-administrativo, ocorridos em consequência de discordâncias com o processo eletivo. Os obreiros em geral mantiveram-se unidos.

            A transferência da administração do Grande Oriente do Brasil - o Grande Oriente do Brasil é a instituição que dirige, portanto, o Grande Oriente em todo o País - do Rio de Janeiro para Brasília, transferência, portanto, da sede do Grande Oriente do Brasil do Rio de Janeiro para Brasília, no ano de 1978, fortaleceu muito as colunas dos maçons brasilienses e o prestígio da Ordem no Distrito Federal. O autor da façanha dessa transferência foi um maçom goiano e Senador da República, o soberano Grão-Mestre Osíris Teixeira.

            Na década dos anos 80, duas entidades paramaçônicas foram fundadas no Distrito Federal e, pelo trabalho que desenvolveram, deram grande projeção às ações da Ordem na Capital Federal. São elas: a Ação Paramaçônica Juvenil, a APJ, fundada em 1983, e a Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, em 1985.

            A Ação Paramaçônica Juvenil foi regulamentada e passou a funcionar em 1985, quando o soberano Grão-Mestre Jair Assis Ribeiro a instalou e deu-lhe condições de funcionalidade.

            A Academia Maçônica de Letras nasceu de forma original, em 1985, com um propósito especialíssimo: congregar maçons dedicados ao saber intelectual membros das duas obediências: do Grande Oriente do Brasil - aqui representado pelo Grande Oriente do Distrito Federal - e das Sereníssimas Grandes Lojas, num intuito da integração maçônica pelos seus pensadores mais destacados.

            Hoje, em 2011, os maçons brasilienses comemoram quarenta anos de fundação do Grande Oriente do Distrito Federal. Vive a maçonaria brasiliense um momento feliz! É Grão-Mestre o maçom Jafé Torres, tendo como Adjunto Lucas Francisco Galdeano, recentemente reeleitos para um novo período, até 2015.

            Ambos, com apoio representativo das Lojas Maçônicas por meio de seus veneráveis mestres e obreiros, vêm realizando um trabalho significativo de integração das lojas, dos maçons e de seus familiares, bem assim de dinamização das atividades mediante projetos de elevado interesse social e filantrópico para a comunidade brasiliense.

            Um amplo programa de trabalho antecedeu o horizonte hoje vivido nos quarenta anos do Grande Oriente do Distrito Federal, agora em 2011. A partir de junho de 2007, quando assumiram o Grão-Mestre Jafé Torres e seu Adjunto Francisco Galdeano, com o apoio imprescindível dos veneráveis mestres, traçaram um plano de metas que hoje pode ser medido pelas realizações alcançadas nesse período.

            Merece ser relembrada a reestruturação administrativa do Grande Oriente do Distrito Federal e a informatização de todos os procedimentos, inclusive com instalação de computação em todas as 73 lojas hoje existentes no Grande Oriente do Distrito Federal e o ingresso na Internet. Tivemos a implantação e circulação da revista AoZenyte, com edições mensais (já na 12ª edição) e tiragem de dez mil exemplares com sessenta páginas; reforma geral da fachada do edifício-sede; implantação do templo nobre e reforma dos três templos instalados no edifício-sede para abrigar 22 oficinas maçônicas; criação da Loja Maçônica Desembargador Francisco Murilo Pinto, em homenagem ao Grão-Mestre Geral de tantos méritos, inclusive autor do Compasso para o Futuro; revitalização do Baile do Maçom e realização do Almoço Natalino da Família Maçônica do Distrito Federal, a partir de 2007; homenagens ao Dia do Maçom em sessão conjunta do Congresso Nacional e também na Câmara Legislativa do Distrito Federal; preocupação com o ensino de base; presença da Maçonaria em eventos da sociedade; realização anual de vários festivais a partir de 2008; promoções sociais que ajudam a maior interação e convívio da família maçônica, pois são eventos que têm tido a participação de mais de mil maçons, familiares e da sociedade brasiliense em geral.

            Isso sem esquecer atos públicos de grande repercussão, como a homenagem às Forças Armadas, à qual estiveram presentes mais de mil maçons e os representantes do Exército, Marinha e Aeronáutica; o abraço dos maçons do Grande Oriente do Distrito Federal, liderados pelo Grão Mestre Jafé Torres, ao edifício-sede do Supremo Tribunal Federal, contra a intervenção federal em Brasília e a favor da autonomia política de Brasília; a campanha da lei da Ficha Limpa, que teve apoio unânime da maçonaria; e também ações sociais, como o Natal da Fraternidade, em parceria com a Fundação Maçônica Gonçalves Lêdo. Também é digna de nota a atividade O Peixe e a Arte de Pescar - Ética e Cidadania na Sociedade Brasileira, fórum realizado por meio do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados e envolvendo entidades sócio-filantrópicas. 

            É muito importante também ressaltar, Sr. Presidente, que o Grande Oriente do Brasil de um modo geral, mas aqui no Distrito Federal em especial, tem se empenhado na área da educação - essa informação é relevante para V. Exª, que é Presidente da Comissão de Educação -, inclusive estabelecendo parceria com o Governo do Distrito Federal, tendo implantado um programa de inclusão digital que já tem a participação de cerca de cem mil jovens de diversos níveis, mas especialmente jovens carentes.

            No âmbito das entidades paramaçônicas, cito o apoio às associações filantrópicas juvenis, o fortalecimento da Fraternidade Feminina e o incentivo à Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal.

            Aqui é bom que se explique, principalmente para os não maçons, o que é a Fraternidade Feminina. É uma instituição ligada à maçonaria composta pelas esposas dos maçons e que se ocupa não só de ajudar as ações da maçonaria interna corporis, mas principalmente de articular ações sociais na área da educação, da saúde, da assistência ao idoso e das creches.

            No dia 19 de abril, no Palácio Maçônico, realizou-se a Sessão Magna Pública Comemorativa dos 40 anos do Grande Oriente do Distrito Federal, com entrega de diplomas e medalhas alusivas a quarenta agraciados, autoridades dos diversos poderes da República e do Distrito Federal, dentre elas o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Antonio Cezar Peluso; o Vice-Governador do Distrito Federal, que é maçom, Nelson Tadeu Filippelli; o Vice-Presidente do Superior Tribunal de Justiça, também maçom, Ministro Félix Fischer; o Ministro do Superior Tribunal de Justiça, também maçom, José de Jesus Filho; o Desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, também maçom, Lécio Resende da Silva; este Senador da República - tive também a honra de receber essa comenda -; e o Deputado Federal Mauro Ribeiro Lopes, entre outros.

            Também foram agraciadas todas as Lojas Maçônicas que fizeram parte das treze que fundaram o Grande Oriente do Distrito Federal.

            Daí a propriedade do pensamento do Grão-Mestre Jafé Torres: “O êxito da nossa administração está no fortalecimento das bases, das nossas Lojas, pois sem elas não chegaríamos a lugar nenhum. A par disso, o bom entendimento com os Poderes Legislativo e Judiciário, somando-se a motivação ao bom relacionamento dos irmãos, cunhadas e sobrinhos” - cunhadas são as esposas dos nossos irmãos maçons, e sobrinhos, os filhos dos maçons.

            Vive a Maçonaria brasiliense um momento feliz no 40º aniversário de criação do Grande Oriente do Distrito Federal.

            A Maçonaria continua crescendo e atuando no Distrito Federal graças ao muito que fizeram os heróis e pedreiros-livres do passado e graças, também, aos nossos historiadores, como os irmãos José Castellani, José Adirson Vasconcelos, Willian Dalbio e outros, que trazem até nós, pelo registro correto da memória maçônica, as vidas e os nomes que ficam de forma permanente ligados ao passado, ao presente e ao futuro de incontáveis gerações.

            Quero, para finalizar, Senador Requião, dizer que a Maçonaria precisa, neste século XXI, realmente se sintonizar com os tempos em que vivemos. E a Maçonaria do Grande Oriente do Distrito Federal tem feito isso por meio da divulgação de suas atividades e de tudo o que é feito pelo Grande Oriente pela Internet e por meio de revistas editadas pelo Grande Oriente.

            O tempo em que a maçonaria precisava se esconder já passou. O tempo em que ela foi perseguida pelos reis, pela Igreja e por outros grandes e poderosos já passou. A maçonaria vive um momento em que precisa, de fato, sintonizar-se com o século XXI, modernizar-se, mostrar para a sociedade o que faz - e só faz o bem, mas faz de forma que não é perceptível pela sociedade.

            Ao dar os parabéns ao Grande Oriente do Distrito Federal, quero dizer que espero que todos os Grandes Orientes estaduais, o Grande Oriente do Brasil, as grandes lojas, a Comab, possam estar unidos e atuantes para passarmos a ser protagonistas da história atual e, portanto, partícipes da construção de um futuro para o País, que não fiquemos apenas rememorando os gloriosos feitos do passado.

            Eu quero, ao terminar, cumprimentar o Grão-Mestre Jafé Torres e o Grão-Mestre Adjunto Lucas Galdeano, que realmente têm feito uma revolução no Grande Oriente do Distrito Federal, tanto que o número de maçons aqui no Distrito Federal foi multiplicado por quase cinco em relação ao que era quando os dois assumiram o comando do Grande Oriente do Distrito Federal.

            Finalizo, portanto, dando os parabéns a todos aqueles que fazem o Grande Oriente do Distrito Federal e pedindo a V. Exª que transcreva todo o material que li - algumas partes pulei e comentei.

            Muito obrigado.

 

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SEGUE, NA ÍNTEGRA, PRONUNCIAMENTO DO SR. SENADOR MOZARILDO CAVALCANTI

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            O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB - RR. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores,


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