Pronunciamento de Roberto Cavalcanti em 31/08/2009
Discurso durante a 145ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Destaque para a importância da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Federal de Campina Grande.
- Autor
- Roberto Cavalcanti (PRB - REPUBLICANOS/PB)
- Nome completo: Roberto Cavalcanti Ribeiro
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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ENSINO SUPERIOR.
POLITICA CIENTIFICA E TECNOLOGICA.:
- Destaque para a importância da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Federal de Campina Grande.
- Publicação
- Publicação no DSF de 01/09/2009 - Página 39924
- Assunto
- Outros > ENSINO SUPERIOR. POLITICA CIENTIFICA E TECNOLOGICA.
- Indexação
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- REGISTRO, HISTORIA, ENSINO SUPERIOR, ESTADO DA PARAIBA (PB), EVOLUÇÃO, FACULDADE, UNIVERSIDADE FEDERAL, UNIVERSIDADE ESTADUAL.
- SAUDAÇÃO, DESMEMBRAMENTO, UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA (UFPB), UNIVERSIDADE FEDERAL, MUNICIPIO, CAMPINA GRANDE (PB), ESTADO DA PARAIBA (PB), INCENTIVO, DESENVOLVIMENTO TECNOLOGICO, REGIÃO METROPOLITANA, ENTIDADE, PESQUISA, APRESENTAÇÃO, DADOS, HOMENAGEM, CONTRIBUIÇÃO, EX-CHEFE, REITORIA, PRESIDENTE, CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO E TECNOLOGICO (CNPQ), PROMOÇÃO, PARCERIA, FORMAÇÃO, QUADRO DE PESSOAL, PESQUISADOR.
- LEITURA, TRECHO, ENTREVISTA, REITOR, UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA (UFPB), PUBLICAÇÃO, JORNAL, O NORTE, ESTADO DA PARAIBA (PB), AVALIAÇÃO, DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO, COMENTARIO, ORADOR, CRESCIMENTO, RENDA, AMBITO ESTADUAL.
O SR. ROBERTO CAVALCANTI (Bloco/PRB - PB. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - V. Exª merece, Senador.
Sr. Presidente Eduardo Suplicy, Srªs e Srs. Senadores, o Estado do Paraíba, entre suas numerosas instituições de ensino superior, ostenta duas que se tornaram respeitadíssimas em todo o Brasil e até no exterior. São a Universidade Federal da Paraíba e a Universidade Federal de Campina Grande.
A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que antes se chamava Universidade da Paraíba, é uma instituição de ensino superior autárquica, que se dedica ao ensino, à pesquisa e à extensão, possuindo campi em João Pessoa, Areia e Bananeiras.
Em 2002, o seu desmembramento deu origem à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), cujos campi se localizam em Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras.
O ponto de partida, a primeira escola de nível superior paraibana foi a Escola de Agronomia do Nordeste, na cidade de Areia, num tempo em que as tendências profissionais se voltavam para a Medicina, o Direito e o sacerdócio, como carreiras ou projetos de vida.
Porém, foi na década de 1950 que se instalou a proposta de “integração do desenvolvimento técnico e industrial do Estado”, que fez de Campina Grande o novo foco científico e cultural da Paraíba.
Surgiu, então, a Escola Politécnica, que recebeu, desde o início, o respaldo do setor dos negócios financeiros e comerciais da região. A escola acabou por ser dotada do melhor equipamento existente à época.
A década de 50 do século passado viu também a criação de várias escolas isoladas, que acabaram por compor a Universidade Estadual.
A evolução foi tão notável que, em 1955, existiam onze escolas de ensino superior no Estado, o que ensejou a criação da Universidade da Paraíba.
Em 13 de dezembro de 1960, ocorreu a federalização por meio da Lei nº 3.835 e a consequente mudança de denominação para Universidade Federal da Paraíba.
O desmembramento para a criação da Universidade Federal de Campina Grande deu-se por meio da Lei nº 10.419, de 9 de abril de 2002.
Sr. Presidente, Srªs Senadoras, Srs. Senadores, é fácil constatar o acerto da criação da Universidade Federal de Campina Grande, cujo prestígio só tem feito crescer no meio acadêmico e junto à sociedade tanto no Brasil como no exterior.
Hoje, a cidade de Campina Grande apresenta-se como um polo tecnológico de grande importância. Isso lhe valeu a implantação da Rede Metropolitana de Campina Grande - Metro-CG.
A importância de Campina Grande nesse setor foi ressaltada pelo Presidente da Rede Nacional de Pesquisa, RNP, Nelson Simões da Silva, quando participou da inauguração da Rede no dia 26 de junho de 2009.
Campina Grande foi a 11ª cidade brasileira a receber essa infraestrutura, portanto, à frente da maioria das capitais.
A Metro-CG integra o Projeto de Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa - Redecomep -, favorecendo aplicações avançadas que apresentam grande demanda por transmissão de dados. É gerenciada pela Fundação Parque Tecnológico da Paraíba e integra as seguintes instituições: Parque Tecnológico, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifet) e Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa) de Campina Grande.
Com relação à Metro-CG, a Drª Alana Abrantes, Diretora do Hospital Universitário Alcides Carneiro, ressaltou a importância da utilização das fibras óticas, que agilizam a comunicação e favorecem a execução de determinadas atividades, como os exames emergenciais. E o Reitor da UFCG, Thompson Mariz, declarou que a integração de Campina Grande na Redecomep confirma não somente o potencial tecnológico da cidade, mas também o reconhecimento nacional que a universidade obteve com sua produção acadêmica e na área da pesquisa.
Sr. Presidente, Srªs Senadoras, Srs. Senadores, Campina Grande é muito mais que a famosa cidade do maior São João do Brasil, amplamente conhecida por sua monumental temporada junina de festas. Ela é um dos 74 polos tecnológicos do País, mapeados pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).
Para integrar esse seleto rol, apresenta números impressionantes: uma centena de empresas de Tecnologia da Informação, cerca de mil empregos gerados e o maior número proporcional de PhDs do Brasil, na casa de seis centenas.
O polo de Campina Grande é responsável, nos últimos anos, pela exportação de software e hardware, que vão de bancos de dados de alta complexidade às mais simples recicladoras de cartuchos, para 43 países.
Entre os clientes, encontramos nomes do peso da Hewlett Packard (HP), Nokia, Petrobras e até Interpol.
O avanço tecnológico se deveu a uma conjugação de esforços da universidade, das empresas e da entidade que faz a ponte entre as duas partes, a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba.
Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, uma figura que tem tudo a ver com o desenvolvimento de Campina Grande no campo tecnológico é Lynaldo Cavalcante de Albuquerque, que foi reitor, há quatro décadas, do antigo campus campinense da Universidade Federal e depois presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Sua grande contribuição foi a de atrair cabeças e fazer parcerias com pessoas de universidades do exterior.
Sabe-se que os pesquisadores da UFCG estão entre os poucos do Brasil a se debruçarem sobre a computação quântica.
Por isso, tornaram-se referência na chamada “computação nas nuvens” (a possibilidade de utilizar os softwares por meio da Internet), uma das áreas mais complexas e promissoras da tecnologia.
Campina Grande se destacou como precursora em cursos como Ciência da Computação e Engenharia Eletrônica e isso se refletiu, sem sombra de dúvida, no desenvolvimento tecnológico e econômico da cidade. O polo já responde por 20% da economia do Município e estabelece um salário médio de R$2,9 mil para a população - o dobro do da região.
Uma cidade quente do semi-árido nordestino dá uma demonstração inequívoca da sua evolução tecnológica, saindo da base da agricultura, da base da indústria, para avançar na tecnologia de ponta, exportando essa tecnologia para um grande número de países.
O Estado da Paraíba demonstra sua força com as duas universidades federais nela sediadas, e creio que é interessante reproduzir o que disse o Reitor da Universidade Federal da Paraíba, Rômulo Polari, em entrevista ao jornal O Norte, em 27 de agosto de 2006.
“A UFPB tem uma história de progresso. Talvez no Nordeste e no Norte do País, a Universidade Federal da Paraíba e a Universidade Federal sejam as duas mais progressistas.
São as que mais avançaram em termos de aumento de cursos de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado, além de linhas em projeto de pesquisa.
Hoje, a Universidade Federal da Paraíba, mesmo com o desmembramento dos seus campi, que passaram a formar a UFCG, tem um corpo docente de 1.400 professores e cerca de 700 doutores.
Já temos um percentual maior do que 50% do quadro docente com titulação de Doutor.
No quadro de mestrado, temos algo mais do que 35%. E 85% do corpo docente da Universidade Federal da Paraíba já é composto por professores mestres e doutores.
Isso até atesta um nível de excelência no padrão nacional.”
Sr. Presidente, para um Estado que ocupa apenas a 24ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Unidades da Federação brasileira, a Paraíba apresenta um contraste impressionante em sua capacitação tecnológica. Assim, não é de estranhar que, no quesito renda da população, o Estado já ascende para a 19ª posição (à frente de Pernambuco, da Bahia e do Ceará: respectivamente os 22º, 23º e 24º colocados), o que certamente é ajudado pela sua produção avançada de tecnologia.
Sobressai, então, o encaminhamento acertado de uma vocação, para demonstrar a possibilidade de desenvolvimento econômico e social de uma sociedade ainda carente, mas cujo crescimento é notável.
Agradeço, Sr. Presidente, pela consideração e pelo tempo.