Discurso durante a 59ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Preocupação com a baixa participação do Brasil no turismo internacional.

Autor
Luiz Henrique (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/SC)
Nome completo: Luiz Henrique da Silveira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
TURISMO.:
  • Preocupação com a baixa participação do Brasil no turismo internacional.
Aparteantes
Cícero Lucena, Rodrigo Rollemberg.
Publicação
Publicação no DSF de 27/04/2013 - Página 21931
Assunto
Outros > TURISMO.
Indexação
  • REGISTRO, APREENSÃO, RELAÇÃO, SETOR, TURISMO, BRASIL, ANALISE, DADOS, ORIGEM, PESQUISA, AUTORIA, PROFESSOR, UNIVERSIDADE, ESTADO DE SANTA CATARINA (SC), DEFICIT, BALANÇA, SERVIÇOS TURISTICOS, AMBITO INTERNACIONAL, MOTIVO, REDUÇÃO, NUMERO, TURISTA, DESTINO, PAIS, COMENTARIO, ATUAÇÃO, ORADOR, REFERENCIA, CONSTRUÇÃO, TEATRO, LOCAL, JOINVILLE (SC), HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, MINISTERIO DO TURISMO.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Sr. Presidente. V. Exª que representa bem esta Casa, pelo seu trabalho, pela sua sensibilidade humana e social e pela sua capacidade de fazer projetos que têm levado este País ao desenvolvimento.

            Trago aqui, Srªs e Srs. Senadores, um assunto da maior preocupação, assunto que envolve o ansiado desenvolvimento do Brasil. Trago um dado alarmante. Diz respeito às contas do turismo nacional.

            Isso tem repercussão na geração de emprego, no nível de renda, nas possibilidades ou não de crescimento da justiça social no nosso País. O turismo é a grande arma de que se valem os países desenvolvidos para gerar caixa em seus tesouros e, com isso, propiciar a alavancagem da economia.

            O rombo na balança do turismo atingiu, em 2012, a fantástica cifra de US$15,6 bilhões e vem crescendo ano a ano de forma assustadora. Hoje, Sr. Presidente, Senador Paulo Paim, o déficit da balança do turismo já responde por 29% do déficit das transações correntes do País - vinte e nove por cento! O déficit dessas transações foi de US$54,2 bilhões no ano passado e, o que é mais preocupante, deverá alcançar US$67 bilhões em 2013. O mais preocupante, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, é que desde 2001 não acontece o que aconteceu no ano passado. Pela primeira vez, esse déficit nas transações correntes não será coberto pela entrada de recursos externos, o que acende a luz amarela no painel das nossas contas.

            Trago aqui alguns dados levantados pelo Professor Fernando Marcondes de Mattos, que, durante 20 anos, lecionou economia para os jovens catarinenses e brasileiros da Universidade de Santa Catarina, que foi Secretário de Planejamento e Fazenda por várias vezes e que é autor de diversas obras sobre economia.

            O Professor Marcondes nos mostra que o número de turistas internacionais em todo o mundo foi de 990 milhões em 2011 e deve ter superado a cifra de um bilhão em 2012. Ou seja, Presidente, um bilhão de pessoas têm viajado, nos últimos anos, pelo mundo. No entanto, o Brasil recebeu apenas 5 milhões, 670 mil turistas em 2011, uma desprezível participação de 0,54% no turismo internacional.

            Este País continente que tem uma diversidade natural extraordinária, que tem uma das 30 maiores diversidades culturais do mundo, este País que tem uma costa marítima do tamanho da muralha da China, com 7 mil e 200 quilômetros lineares, este País que tem a maior floresta tropical do mundo, este País que tem rios, lagos, cataratas, montanhas, este País que tem dois terços do seu território cobertos de verde, este País que tem os mais diversos climas, este País que tem belezas incomensuráveis responde por apenas 0,54% das viagens internacionais.

            A cifra é também irrisória. O Brasil obteve, com o turismo internacional, apenas 1 trilhão e 200 bilhões, ou melhor, o mundo obteve com o turismo a cifra de 1 trilhão e 200 bilhões, e o Brasil, apenas 6 bilhões e 5 milhões, uma minguada participação de 0,46% do total.

            É de se asseverar, Sr. Presidente, que 30% do número de turistas estrangeiros que vêm ao Brasil são constituídos de irmãos nossos que vêm da Argentina para frequentar principalmente as praias catarinenses. O Brasil deveria receber não menos de 10 milhões de turistas/ano.

            Aliás, ontem, quando sabatinamos o diplomata brasileiro que foi designado pela Presidente Dilma Rousseff para representar o nosso País na Tunísia, S. Exª afirmou que a Tunísia, mesmo com a conturbação oriunda da Primavera Árabe, mesmo com a instabilidade política que se instalou naquele país, a pequena Tunísia recebe mais turistas do que o Brasil, 6 milhões de turistas. Foi o que afirmou ontem S. Exª o futuro Embaixador do Brasil naquele país.

            O Brasil recebeu - retifico aqui -, em 2011, 5,4 milhões de turistas estrangeiros. No ano passado, teve um crescimento, foi para 5 milhões, 670 mil visitantes de outros países, quando deveria, pelo seu tamanho, pela sua importância, pelas suas belezas, pela sua arquitetura, pela sua gastronomia, por todo o conjunto que torna este País um destino importante do turismo internacional, deveria ter recebido no mínimo dez milhões de turistas por ano.

            O Sr. Rodrigo Rollemberg (Bloco/PSB - DF) - Senador Luiz Henrique.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - Pois não.

            O Sr. Rodrigo Rollemberg (Bloco/PSB - DF) - Eu quero cumprimentar V. Exª...

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - Com grande prazer, Senador Rodrigo Rollemberg.

            O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Senador Rodrigo Rollemberg, vou fazer questão de anunciar os alunos agora, porque são daqui, da sua base.

            Vocês estão ouvindo da tribuna o Senador Luiz Henrique, ex-Governador, Senador que tem uma história bonita, lutou sempre pela democracia e pela liberdade e se dedica às grandes causas. No plenário, o Senador Rodrigo Rollemberg, aqui de Brasília, que é, permitam-me dizer, um jovem que tem a experiência dos mais velhos e é uma referência também para nós todos aqui, no dia a dia do nosso trabalho.

            Estão aqui na galeria alunos do ensino fundamental da escola Seriös, de Brasília-DF, e alunos do ensino fundamental da escola Cor Jesu, Brasília-DF.

            Sejam todos bem-vindos.(Palmas.)

            As palmas são para vocês.

            O Sr. Rodrigo Rollemberg (Bloco/PSB - DF) - Muito obrigado, Senador Paulo Paim. Quero cumprimentar V. Exª, cumprimentar o Senador Luiz Henrique e cumprimentar os estudantes que nos honram com sua presença nesta Casa. Olhe que coincidência, Senador Luiz Henrique: V. Exª ocupa a tribuna na manhã de hoje para falar sobre turismo e eu iria, e irei, discorrer sobre a importância do turismo e algumas oportunidades que entendo que o Brasil deve utilizar melhor. Quando o Senador Paulo Paim registra a presença destes estudantes aqui nas galerias do Senado Federal, eu me recordo de que uma das grandes vocações do Distrito Federal, de Brasília, é o turismo cívico, é exatamente poder receber aqui na Casa estudantes de Brasília e de todo o Brasil que vêm visitar a nossa cidade. Eu tive a honra, como Secretário de Turismo do então Governador Cristovam Buarque, de procurar o Senador Sarney, que era o Presidente, e dizer-lhe da importância de abrir o plenário, a Casa, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados também, com o Presidente da Câmara, inclusive aos finais de semana, para a visita da população. O Senado já recebeu, depois disso, mais de 1 milhão de visitantes de Brasília e de todo o Brasil, desenvolvendo o turismo cívico, a exemplo do que faz muito bem Washington, a capital americana. Mas eu quero registrar, Sr. Presidente, a importância do discurso de S. Exa sobre o potencial do turismo no Brasil. De fato, o turismo é uma das alternativas mais inteligentes, sustentáveis, baratas e eficientes de gerar emprego, de gerar renda, de gerar oportunidades e de melhorar a qualidade de vida da nossa população. Nós temos o privilégio de viver em um País extraordinário, um País de uma diversidade natural fantástica. Basta ver os nossos biomas: a riqueza da Amazônia, a riqueza do Pantanal, a riqueza do Cerrado, com todas as suas cachoeiras, a aspereza e a beleza rude da Caatinga, a beleza dos Pampas, enfim, toda a diversidade natural brasileira. Mas, para além da diversidade natural, nós temos uma diversidade cultural extraordinária. Temos a contribuição que os povos da Europa levaram, no processo de migração, ao seu Estado, por exemplo. Nós temos as manifestações das populações indígenas, uma riqueza extraordinária. No ano passado, eu tive o prazer, o privilégio de assistir à cerimônia do Quarup, certamente o espetáculo mais bonito que tive a oportunidade de ver em toda a minha vida. Já tive a oportunidade de conhecer o Sairé, em Santarém, a disputa do boto tucuxi contra o boto cor-de-rosa, a exemplo do que temos em Parintins - a disputa do Boi Caprichoso contra o Boi Garantido -, o maracatu de Pernambuco, o samba do Rio de Janeiro. Enfim, a diversidade cultural brasileira é algo absolutamente extraordinário, e entendo que estamos aproveitando pouco o potencial que nós temos. Nós vamos realizar agora alguns grandes eventos, como a Copa do Mundo, a Copa das Confederações e as Olimpíadas, e eu temo que o legado a ser deixado seja muito menor do que poderia ser na qualificação profissional, na infraestrutura turística. Tomo por Brasília. Temos aqui um investimento altíssimo. Teremos, certamente, um belíssimo estádio, um estádio muito caro, mas não temos em contrapartida investimentos equivalentes, investimentos à altura na infraestrutura turística, na mobilidade urbana e muito menos na qualificação profissional, que seria um legado fantástico para a transformação efetiva de Brasília numa grande cidade turística. Portanto, quero cumprimentar V. Exª por trazer esse tema. É um tema que me entusiasma a defesa do turismo, porque a defesa do turismo é a própria defesa do Brasil. Mas não posso deixar, Senador Luiz Henrique, de registrar para o Plenário do Senado e para os brasileiros que nos ouvem um agradecimento em nome do povo de Brasília. Como representante do Distrito Federal, tenho a convicção de que posso fazê-lo, e o faço com a plenitude da alma, sabendo que expresso a opinião da população do Distrito Federal. Obrigado, Senador Luiz Henrique. Ontem, V. Exª e o Governo de Santa Catarina, o Estado de Santa Catarina, propiciaram, ofereceram um presente à população de Brasília, que foi a oportunidade de assistirmos à escola de dança do Balé Bolshoi. Que espetáculo fantástico! Que espetáculo maravilhoso! Fiquei realmente emocionado, ao final, ao ver aquela população toda, de pé, aplaudindo. E sei que ali, desde o início, houve a participação de uma pessoa que tem profundo compromisso com o País, que tem profunda sensibilidade cultural. E, antes mesmo de começar o espetáculo, ao assistir àquele vídeo com o depoimento daquelas crianças, já deu para perceber como a cultura é capaz de modificar a vida das pessoas e de abrir novos horizontes, não apenas horizontes materiais, mas também horizontes espirituais. Aquelas falas nos emocionaram profundamente. Quero registrar, meu prezado amigo Senador Luiz Henrique e Senador Paulo Paim, que tenho um compromisso com o Distrito Federal, que é o de lutar - um dia, faremos isso - para implantar um corpo de baile no Distrito Federal. V. Exª sabe que temos aqui o Teatro Nacional e a Orquestra do Teatro Nacional Claudio Santoro - que foi um grande maestro -, mas nós não temos um corpo de baile no Distrito Federal. E, ontem, depois de assistir àquele espetáculo grandioso, na companhia da minha esposa, que é Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, nós saímos dali pensando em quanto podemos transformar o Brasil através da cultura, na importância da cultura na transformação da vida das pessoas. Eu já tinha, meu prezado amigo Senador Luiz Henrique, profunda admiração por V. Exª, pela sua trajetória de homem público. Eu o acompanho, há muito tempo, fora desta Casa. V. Exª é um representante dos autênticos do PMDB. Há muitos anos, eu e toda a minha família o admiramos. E, desde ontem, minha admiração passou a ser maior, compreendendo a profunda sensibilidade de V. Exª, a sua refinada sensibilidade e o seu profundo compromisso com o Brasil. Muito obrigado, Senador Luiz Henrique. Eu lhe agradeço em nome da população de Brasília.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - Agradeço a V. Exª.

            Certamente, no futuro, por vontade majoritária do povo desta Capital, desta bela e querida Capital, desta obra fantástica de Juscelino Kubitschek, de Lúcio Costa e de Oscar Niemeyer, V. Exª terá a oportunidade de fazer com o turismo aquilo que o País fez com a agropecuária há 25 anos, quando criou a política baseada na Embrapa, que completa agora 20 anos.

            Por um gesto fantástico deste grande brasileiro que é Alysson Paulinelli, o Brasil pode sair da encruzilhada da baixa participação no turismo internacional com uma política de desenvolvimento turístico.

            V. Exª se referiu ao espetáculo do balé Dom Quixote propiciado aos brasilienses, ontem, pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. E eu posso afirmar, sem dúvida alguma, que o que fizemos na prefeitura municipal serve de laboratório para este País.

            Quando assumi o mandato pela segunda vez, a cidade estava deprimida. Foi exatamente naquele momento que a economia fez sua transição da intensidade de mão de obra para a intensidade de capital e de tecnologia. As empresas passaram a desempregar, passaram a empregar menos, passaram a substituir o processo de mão de obra por processos automatizados.

            Joinville havia sido um grande polo de atração de desempregados do Brasil todo, abrigando 30 milhões de irmãos nossos do Nordeste, que fizeram uma travessia e que são parte de uma diáspora social dolorosa neste País. Eles tiveram de migrar das suas cidades para o Rio de Janeiro, para São Paulo, para o Paraná, e acabaram em Joinville. Pois bem, no momento em que houve a transformação da indústria intensiva de mão de obra para a indústria intensiva de tecnologia e de automação, milhares ficaram desempregados, e nós criamos uma política de desenvolvimento baseada na estruturação dos serviços, na estruturação principalmente dos serviços gerados por aquilo que Domenico De Masi chama de organização do lazer.

            O que nós buscamos? Primeiro, buscamos construir uma casa que fosse rápida, que fosse ágil, que fosse eficaz na reprodução de eventos. E fomos buscar isso nos Estados Unidos, com o arquiteto Bill Marshall, que contratamos para colaborar no projeto. A mentalidade e a formulação das arenas de multiuso, o modelo do Madison Square Garden nós transplantamos para Joinville quando construímos o Centreventos Cau Hansen, uma casa que tem o maior palco do Brasil, com 900m², e que é um teatro para seis mil espectadores sentados. Aquela casa foi a grande estruturadora da política de desenvolvimento do turismo, do turismo, como V. Exª asseverou, alicerçado numa base cultural.

            O Sr. Cícero Lucena (Bloco/PSDB - PB) - Senador...

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - Já lhe concederei o aparte.

            Mas o que é que nós fizemos? Nós construímos a arena de multiuso, que, num dia, recebe ópera; em outro dia, futebol de salão. A arena tem versatilidade, pois, num dia, recebe a orquestra filarmônica, sinfônica; em outro dia, pode receber um espetáculo de voleibol ou de basquete. Quer dizer, é uma estrutura multifuncional que propicia eventos de forma muito intensa.

            Nós precisávamos ter uma casa de espetáculos capaz de ser um polo de eventos no País. Precisávamos mais, precisávamos seguir o exemplo de Bilbao, que levou uma filial do Museu Guggenheim. Precisávamos trazer para Joinville um grande ícone internacional da cultura e do turismo, do turismo cultural. Foi quando tivemos a felicidade de trazer de Moscou a melhor escola de dança do mundo, que é a Escola do Teatro Bolshoi.

            Mas não ficou só nisso, organizamos um convention bureau. Uma cidade que não tem um convention bureau, uma estrutura que vai buscar eventos, está na idade da pedra do turismo. Hoje, os eventos internacionais, feiras, congressos, convenções, são cada vez mais disputados. O mascate era aquele que ia vender vela, sabão, tecido, Município por Município deste País. O novo mascate é aquele que vai vender as cidades, são profissionais que frequentam as feiras e os congressos internacionais para vender sua cidade e procurar atrair turistas.

            Então, com este trinômio, o convention bureau, o Centreventos, com o seu teatro, com sua estrutura multifunção, e o ícone da cultura universal, que é a Escola do Teatro Bolshoi, nós alavancamos outros espaços culturais que já existiam na cidade, como o Festival de Dança, que criamos há 31 anos e que, hoje, é o maior festival de dança do mundo, reconhecido como tal pelo The Guinness Book of Records.

            Então, o que o Brasil precisa fazer é exatamente o que fizemos em Joinville, que era uma cidade que dormia às 20h, uma cidade que só gerava empregos na área industrial, uma cidade que não tinha restaurantes, não tinha hotéis e não tinha infraestrutura e que, hoje, não dorme. Joinville, hoje, é como Madri, como Barcelona. Lá há a rua da gastronomia, onde os restaurantes funcionam dia e noite. É uma cidade que se tornou alegre, que se tornou acolhedora.

            Pois bem, Senador Cícero Lucena, V. Exa, quando prefeito, investiu na Escola Bolshoi, enviando para lá suas crianças. Inclusive, há um paraibano que se formou na Escola Bolshoi, que para lá foi enviado por V. Exa e que, hoje, é o primeiro bailarino do Balé do Canadá. A Escola Bolshoi está produzindo bailarinos para o mundo todo. E, se Brasília resolver fazer um corpo de dança, há hoje, após 13 anos de funcionamento, bailarinos formados pela Escola Bolshoi em número suficiente para constituir aqui um corpo de baile e uma companhia de balé de qualidade internacional.

            Concedo um aparte ao ilustre Senador Cícero Lucena.

            O Sr. Cícero Lucena (Bloco/PSDB - PB) - Senador Luiz Henrique, ao ouvir o pronunciamento de V. Exa, bem como o do Senador Rollemberg, eu não posso deixar de dar meu testemunho vivo e de expressar meu reconhecimento e minha gratidão por esse trabalho, dizendo do quanto esse trabalho é maravilhoso, é importante, é justo socialmente. Culturalmente, ele é de uma contribuição imensurável, mas, na formação da cidadania, é um dos mais belos projetos deste País. V. Exa me deu a chance, como seu amigo e como prefeito da cidade de João Pessoa, de escancarar as portas desse projeto para as crianças da sua cidade, do seu Estado ou de localidades próximas. O projeto desenvolveu, Presidente Paulo Paim, um convite, uma visita para fazer parceria com cerca de seis Estados ou cidades no País. E eu me recordo, como se fosse hoje, de quando falei com o hoje Senador Luiz Henrique, o então prefeito, dizendo que João Pessoa tinha interesse em fazer essa parceria. A equipe técnica do Balé Bolshoi esteve em João Pessoa e disse quais eram as condições para que nós pudéssemos participar e que nós iríamos disputar com outras cidades para ser uma das cidades conveniadas. Eu me recordo disso pela nossa determinação e pela compreensão da dimensão desse projeto. Eu até brinquei com o corpo técnico e disse: “Quais são as outras cinco cidades? O que for preciso solicitar de João Pessoa nós vamos fazer”. E dou o testemunho do quanto isso foi importante. O processo de seleção foi feito em todas as escolas municipais e em todas as escolas estaduais na cidade de João Pessoa. Criamos o festival de dança na cidade de João Pessoa para que fosse feita a seleção. E quero lhe dizer que uma das crianças da primeira turma, que foi selecionada, para se ter ideia da oportunidade social, morava com a gente em um abrigo chamado Morada do Betinho, porque o seu pai era presidiário; a sua mãe, deficiente mental. E essa criança foi uma das escolhidas, formou-se na escola de balé Bolshoi e hoje está em João Pessoa, ensinando, inclusive, no Colégio Marista, e ensinando também no Teatro Santa Roza, na cidade de João Pessoa, além daqueles que tiveram oportunidade internacional, como V. Exª bem falou. Então, quero dar o testemunho da importância desse projeto. Alugamos uma casa em Joinville, mandamos uma professora para ser mãe adotiva dessas crianças, que, graças a Deus, tiveram uma nova chance em suas vidas. Espero que possa continuar. Inclusive, disputei a eleição para Prefeito. Quem ganhou foi o Luciano Cartaxo, e eu soube que ele pretende retomar esse projeto, que foi interrompido, para o qual terá todo o meu apoio. Tenho certeza de que, mais uma vez, Joinville vai abraçar o povo de João Pessoa como sempre abraçou. Então, Senador Luiz Henrique, quero dar, aqui, o meu testemunho junto com o meu agradecimento, com o meu sentimento de gratidão pela oportunidade que deu a esses jovens da minha querida cidade João Pessoa.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - V. Exª é homem público de grande visão e percebeu que, através da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, crianças paraibanas que não tinham horizonte na sua vida, como esse filho do ex-presidiário, poderiam transformar-se em artistas internacionais e em cidadãos do mundo, como o paraibano, ex-aluno da escola, brilhando no balé do Canadá; como a Bruna Cantanhede Gaglianone, brilhando na companhia de dança do Bolshoi da Rússia; como a baiana Mariana Gomes, igualmente no Bolshoi russo; como o paulista Erick, também no Bolshoi russo; como a joinvilense Luciana Voltolini, no American Ballet Theatre, no famoso ABT; como os bailarinos espalhados no Mazowsze, da Polônia; no balé de Boston; no balé de Miami; no balé de Düsseldorf; bailarinos espalhados pelo mundo todo. Esse é o grande patrimônio dessa escola.

            Mas eu quero voltar aqui ao eixo do meu discurso.

            Estive conversando ontem com o Ministro Gastão Vieira, que propiciou a presença do Bolshoi aqui, em Brasília. Para quê? Para comemorar dez anos de criação do Ministério do Turismo, que foi uma obra do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E o Ministro Gastão me entusiasmou pelos seus projetos, pela construção de arenas de multiuso, semelhantes àquela de Joinville, que nós construímos há quinze anos. Vai fazer agora quinze anos, inclusive no Nordeste. Se não me engano, uma também em João Pessoa.

            Pela obra estruturante de um novo plano de desenvolvimento do turismo, eu acredito que, através da obra de S. Exª, da sua equipe, que tem como Secretário Nacional de Políticas de Turismo um catarinense ilustre, que foi meu Secretário de Relações Internacionais, que é um homem de visão, o Prof. Vinícius Lummertz, eu tenho esperança e acredito que o Brasil possa virar o jogo da sua modesta participação no turismo internacional. E se o Brasil, em dez anos, triplicar o número de visitantes, inclusive aproveitando essa alavancagem da Copa do Mundo, das Olimpíadas e dos outros eventos que vão ocorrer na próxima década aqui, no nosso País, se o Brasil triplicar o número de turistas estrangeiros, o Brasil certamente quintuplicará o número de empregos, aumentará o nível de renda dos brasileiros e ombrear-se-á com outros países na senda do desenvolvimento.

            Agradeço, Sr. Presidente, pela tolerância no tempo que excedi e conclamo os brasileiros que nos ouvem, por meio da TV Senado, para meditar sobre isto: o turismo é não só a alavanca de emprego, de aumento do nível de renda; o turismo é, sobretudo, espaço para lazer, para alegria, para cultura, para melhoria das condições de vida de nosso povo.

            Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 27/04/2013 - Página 21931