Pela ordem durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Solicitação de voto de repúdio à Conmebol e seu presidente, Alejandro Domínguez, pela postura complacente diante de atos de racismo no futebol.

Autor
Carlos Portinho (PL - Partido Liberal/RJ)
Nome completo: Carlos Francisco Portinho
Casa
Senado Federal
Tipo
Pela ordem
Resumo por assunto
Assuntos Internacionais, Desporto e Lazer, Direitos e Garantias:
  • Solicitação de voto de repúdio à Conmebol e seu presidente, Alejandro Domínguez, pela postura complacente diante de atos de racismo no futebol.
Publicação
Publicação no DSF de 19/03/2025 - Página 100
Assuntos
Outros > Assuntos Internacionais
Política Social > Desporto e Lazer
Jurídico > Direitos e Garantias
Indexação
  • SOLICITAÇÃO, VOTO, REPUDIO, PRESIDENTE, CONFEDERAÇÃO, AMERICA DO SUL, FUTEBOL, INSUFICIENCIA, PUNIÇÃO, ATLETA PROFISSIONAL, CRIME, RACISMO.

    O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ. Pela ordem.) – Acordamos hoje estupefatos com a declaração do Sr. Alejandro Guillermo Domínguez Wilson-Smith, Presidente da Conmebol.

    O meu requerimento, nos termos do art. 222 do Regimento Interno do Senado, é a inserção, na ata, de voto de repúdio à Confederação Sul-Americana de Futebol e ao seu Presidente, Alejandro Guillermo Domínguez Wilson-Smith, em razão da postura complacente e inaceitável – inaceitável! – da entidade diante de reiterados atos de racismo no futebol sul-americano e das declarações ofensivas, desrespeitosas e inapropriadas do seu Presidente, que contrariam os princípios da igualdade e do respeito do esporte.

    Na justificativa, eu digo que é com profundo pesar e indignação que este Senado manifesta o seu repúdio às recentes ações e declarações da Conmebol e de seu Presidente, Alejandro Domínguez. A luta contra o racismo exige medidas firmes e exemplares de homens corajosos...

(Soa a campainha.)

    O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – ... e a aplicação de uma multa irrisória à agremiação Cerro Porteño, após ato de racismo contra o atleta Luighi, do Palmeiras, na competição Sub-20 da Libertadores, demonstra uma postura leniente e conivente com práticas discriminatórias.

    A multa que a Conmebol aplicou ao clube paraguaio no valor de US$50 mil é irrisória; e determinou ainda a realização de uma competição, prestem atenção – uma conscientização, aliás –, contra o racismo em suas redes sociais. Essa recente decisão da Conmebol de aplicar uma sanção pecuniária irrisória ao clube envolvido em mais um caso grave, gravíssimo, de injúria racial contra um jogador brasileiro da equipe Sub-20 do Palmeiras demonstra a falta de compromisso efetivo ao combate ao racismo. Torcedores do clube adversário direcionaram ofensas racistas ao atleta Luighi, chamando-o de macaco, evidenciando um padrão de intolerância que se repete sem que medidas punitivas sejam adequadas e aplicadas pela Conmebol.

    Além disso, o Presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, ao ser questionado sobre a possibilidade de clubes brasileiros deixarem a Libertadores, logo ele que é Presidente da Conmebol e que inclusive sancionou o Club Cerro Porteño, pedindo que ele fizesse nas suas redes um trabalho de conscientização contra o racismo, imagine, ele afirmou, o Presidente da Conmebol, hoje: "Isso seria como o Tarzan sem a Chita", utilizando uma analogia absurda e ofensiva. A declaração do Presidente da Conmebol comparando a ausência de clubes brasileiros na Libertadores com Tarzan sem Chita é não apenas desrespeitosa, mas também reforça estereótipos raciais que deveriam ser combatidos veementemente. Tal postura é incompatível com os valores de igualdade e respeito que o esporte deve promover.

    Dessa feita, o posicionamento do Presidente Alejandro Domínguez, minimizando o impacto dessas práticas e desconsiderando o esforço global para erradicar o racismo no esporte, reforça a necessidade de uma resposta contundente por parte de instituições da sociedade. A luta contra a discriminação racial exige ações firmes e exemplares, e não medidas brandas que apenas perpetuam e estimulam esse cenário vergonhoso.

    Diante desses fatos, concluindo, é imperativo que o Senado Federal manifeste seu repúdio à omissão da Conmebol e à postura do seu Presidente, Alejandro Domínguez, pela falta de medidas eficazes de combate ao racismo e por declarações que contrariam os valores de igualdade e respeito que o esporte deve promover, como inclusive exige a FIFA, que é a entidade maior do futebol mundial.

    Requer-se, por fim, que esta moção de repúdio seja enviada à Conmebol, mencionada nesta nota e também seja traduzida para o inglês e encaminhada ao board da Conmebol e da FIFA, solicitando que, em alinhamento com os seus próprios princípios, tomem as devidas providências e promovam o impedimento imediato do Presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez. A continuidade da sua gestão representa um obstáculo à implementação de políticas efetivas de combate ao racismo, contrariando os compromissos assumidos por essas entidades na defesa dos direitos humanos e da equidade no esporte.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 19/03/2025 - Página 100