Pronunciamento de Plínio Valério em 25/03/2025
Discurso durante a 12ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Manifestação a favor da pavimentação da BR-319 e críticas aos órgãos de controle ambiental por, supostamente, dificultarem a obra, impedindo a interligação do Estado do Amazonas com o restante do país e a chegada de suprimentos na região.
- Autor
- Plínio Valério (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/AM)
- Nome completo: Francisco Plínio Valério Tomaz
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Desenvolvimento Regional,
Meio Ambiente,
Transporte Terrestre:
- Manifestação a favor da pavimentação da BR-319 e críticas aos órgãos de controle ambiental por, supostamente, dificultarem a obra, impedindo a interligação do Estado do Amazonas com o restante do país e a chegada de suprimentos na região.
- Publicação
- Publicação no DSF de 26/03/2025 - Página 26
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento > Desenvolvimento Regional
- Meio Ambiente
- Infraestrutura > Viação e Transportes > Transporte Terrestre
- Indexação
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- APOIO, PAVIMENTAÇÃO, RODOVIA, ESTADO DO AMAZONAS (AM), INFRAESTRUTURA, TRANSPORTE RODOVIARIO, ABASTECIMENTO, PANDEMIA, NOVO CORONAVIRUS (COVID-19), MORTE, POPULAÇÃO, CRITICA, MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA.
O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM. Para discursar.) – Presidente Veneziano, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, esse imbróglio todo, essa confusão em que o Presidente Davi me colocou tem uma razão e um motivo: eu vou falar para o brasileiro e para a brasileira o que significa para nós a BR-319, por que nós temos problemas sérios com o Ministério do Meio Ambiente, com o Ibama, com a Funai e com as ONGs ambientalistas.
Como autor da CPI das ONGs, Presidente da CPI das ONGs, tive que fazer um relatório daquilo que a gente apurou.
Eu me detenho, Presidente Veneziano, à importância da BR-319, quando a falta de infraestrutura se torna uma sentença de morte.
A pandemia de covid-19 teve um impacto devastador no meu estado, o Amazonas, expondo fragilidades estruturais e logísticas que agravaram a crise sanitária da região. Desde o primeiro caso, registrado em 13 de março de 2020, até maio de 2023, foram notificados 650.356 casos positivos, sendo 324.765 em Manaus e 325.591 no interior; o número total de óbitos atingiu 14.548, 9.993 em Manaus e 4.534 nos demais municípios, segundo o boletim oficial da FVS.
A primeira morte ocorreu em 24 de março de 2020, em Parintins, envolvendo um paciente de 49 anos com hipertensão arterial sistêmica. No mês seguinte, o estado enfrentou um aumento exponencial de casos e mortes, levando ao colapso do sistema de saúde funerário. Em 2020, Manaus precisou abrir valas comuns, porque a assistência funerária, os cemitérios não podiam dar conta. Valas comuns, como se fazia na idade média. Por aí vocês podem perceber um pouco por que todas as vezes que eu falo em BR-319 não tenho como disfarçar a minha indignação.
Essa situação evidenciou as limitações da produção local e a necessidade de transportar oxigênio por longas distâncias, tornando a infraestrutura logística um fator crítico. A falta de estrutura logística, eu já disse, agravou ainda mais a situação. Manaus, com cerca de 2,3 milhões de habitantes, não possui ligação terrestre asfaltada com o restante do país, tornando-se dependente do transporte aéreo e fluvial. Durante a crise, o transporte de oxigênio foi dificultado pela baixa navegabilidade dos rios, especialmente em tempo de estiagem, que é o tempo da seca.
Imaginem os senhores e imaginem as senhoras que não tomaram ciência disso porque a grande mídia não dá – quer queiram, quer não, há, sim, um tratamento diferenciado para pior para nós –, imagine você o que é um cidadão comum ou um Senador da República saber, presenciar, ver vídeos de pessoas morrendo asfixiadas e caminhões transportando oxigênio atolados na BR-319, sem avançar. Uma coisa que chegaria em um dia levava três, quatro, cinco dias, causando, sim, a falta de oxigênio, vários e vários óbitos.
A indignação da gente também vem quando a gente mostra a hipocrisia dessa gente, porque não nos permitem asfaltar o trecho do meio. É uma BR que já existe. A BR já existe há décadas, décadas e décadas. Estamos falando de quatro décadas no mínimo. Mas o meio não tem asfalto, deteriorou com o passar do tempo. E o Ministério do Meio Ambiente não deixa – não deixa! –, porque o Brasil, através do seu ministério, do Ibama, da Funai, acha que nós queremos uma estrada para passear de carro. Mesmo que fosse! E não é o caso. Na cheia, no inverno, não se trafega, caminhões atolam – e Manaus é abastecida por via terrestre; deveria ser, para não ser via fluvial –, e no tempo da estiagem, da seca, é a poeira e os buracos. Assim vivemos nós.
Você, brasileiro, você, brasileira, saiba que eu não tenho o direito, como amazonense, de chegar até os senhores. Por via terrestre, não se sai de Manaus a não ser, sim, para o outro lado, para o Norte. Você sai para a Venezuela. Aí é asfalto bonito. Você vai para a Venezuela. Para a Venezuela, pode ir, mas para o resto do Brasil, não.
Daí, Presidente Humberto, a indignação da gente. Não nos dão o direito, não obedecem ao preceito constitucional que diz que todos são iguais, que as regiões são iguais. Os preceitos constitucionais não são cumpridos. E é impossível para mim subir a esta tribuna ou falar, em qualquer lugar, quando falo da BR-319, e não ficar indignado. A imagem das pessoas morrendo asfixiadas e a imagem dos caminhões atolados, transportando oxigênio sem poder ir para a frente não saem da nossa mente.
Saibam os senhores e saibam as senhoras que até hoje eu conto os ossos dos mortos, amigos meus. A gente vai descobrindo que fulano morreu, que fulana morreu. E, com isso, com o protesto, a gente quer evitar... Se asfaltarem a estrada, nós não vamos mais ter problema de colapsar, de medicamentos, de alimentos, porque por via fluvial demora e é caro, e, por via aérea, nem pensar – nem pensar. Daí sempre a gente estar criticando o Ibama, a Funai, o Ministério do Meio Ambiente, o ICMBio, por aí afora.
A pandemia evidenciou que a falta de infraestrutura adequada pode ter consequências letais, teve e terá enquanto não reconhecerem o nosso direito, enquanto não reconhecerem o direito de um povo que teima em ser reconhecido como brasileiro, de um povo que quer ser brasileiro, mas um povo que quer também os direitos dos brasileiros.
Depois daquele negócio que aconteceu aqui, Presidente Humberto, em que o Presidente Davi me expôs, sem nenhuma necessidade, e os lacradores de plantão fizeram o que têm que fazer... Cada um tem que fazer o que acha que deve fazer. Eu faço o que acho que devo, e eu acho que devo sempre estar aqui na tribuna. E, haja blog, haja site, haja instigar, haja perguntar se eu quero me defender. E eu quero deixar aqui claro, em alto e bom tom: meu nome é Plínio Valério, Senador do PSDB do Amazonas. Eu não fui eleito para me defender; eu fui eleito para defender o Amazonas, e é isso o que acabo de fazer e que eu vou fazer amanhã.
Obrigado, Presidente.