Discurso durante a 41ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Satisfação com a celebração do aniversário de 77 anos de S. Exa..

Reflexão sobre a necessidade de se incentivar o turismo na Amazônia entre os brasileiros como forma de promover o conhecimento sobre suas riquezas naturais e culturais. Apelo para mais recursos com vistas à proteção ambiental e desenvolvimento do potencial econômico da região..

Autor
Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
Nome completo: Confúcio Aires Moura
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Homenagem:
  • Satisfação com a celebração do aniversário de 77 anos de S. Exa..
Economia e Desenvolvimento, Meio Ambiente, Turismo:
  • Reflexão sobre a necessidade de se incentivar o turismo na Amazônia entre os brasileiros como forma de promover o conhecimento sobre suas riquezas naturais e culturais. Apelo para mais recursos com vistas à proteção ambiental e desenvolvimento do potencial econômico da região..
Publicação
Publicação no DSF de 17/05/2025 - Página 10
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Economia e Desenvolvimento
Meio Ambiente
Economia e Desenvolvimento > Indústria, Comércio e Serviços > Turismo
Indexação
  • AGRADECIMENTO, HOMENAGEM, ANIVERSARIO, ORADOR.
  • INCENTIVO, TURISMO, REGIÃO AMAZONICA, CULTURA, BIODIVERSIDADE, IMPORTANCIA, PESQUISA CIENTIFICA, MEDICINA, ATIVIDADE ECONOMICA, CRITICA, AUSENCIA, INVESTIMENTO, SUPERINTENDENCIA DO DESENVOLVIMENTO DA AMAZONIA (SUDAM), SUPERINTENDENCIA DA ZONA FRANCA DE MANAUS (SUFRAMA), REIVINDICAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO, FUNDO FINANCEIRO, DESENVOLVIMENTO ECONOMICO, ZONA FRANCA, SOLICITAÇÃO, POLITICAS PUBLICAS, MUDANÇA CLIMATICA, QUEIMADA, DESASTRE, MEIO AMBIENTE.

    O SR. CONFÚCIO MOURA (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar.) – Presidente, servidores do Senado, meios de comunicação da Casa, ontem, de fato, a gente fez uma comemoração de aniversário no gabinete. Foi um bolo, aquelas coisinhas, comes e bebes, ainda bem que eles não colocaram as velinhas para soprar, porque eu estou fazendo 77 anos, e soprar 77 velas não é fácil. (Risos.)

    Então, foi uma sabedoria muito grande dos colegas me pouparem desse sopro multiplicado.

    A gente fica, assim, preocupado quando faz aniversário. Primeiro, a gente fica preocupado, porque vai ficando velho, ano a ano, vai envelhecendo, envelhecendo. Por outro lado, você fica satisfeito, porque você vai conquistando uma quantidade enorme de amigos, de pessoas com quem você se relaciona.

    E isso é muito bom na nossa existência, ser cercado de gente amiga, companheira, tranquila. Mesmo no Parlamento, na minha vida política, que já é longa, eu até hoje eu não tenho inimigo. Eu não tenho nenhum inimigo. Assim, eu não tenho inimigo assim, não tenho uma pessoa com quem já tenha disputado uma eleição, que naquele calor das campanhas... Eu não tenho inimigos. Todos eles com quem eu disputei eleições são meus amigos. A gente conversa tranquilamente, abraça, não tenho inimizades com nenhum.

    Então, eu acumulei essa qualidade, assim, de um bom relacionamento, de respeito aos adversários, de nunca ofender a honra das pessoas, nunca ofender a família dos adversários. Com isso, a gente tem angariado essa respeitabilidade, e isso é muito bom.

    Eu quero agradecer a todas as mensagens sobre a data do aniversário. Muito obrigado a todos que lembraram de mim.

    Bem, mas eu sou da Região Norte, represento aqui o Estado de Rondônia, que é um estado da Amazônia. Então, lógico que cada um de nós fala mais do seu estado. E hoje eu quero falar sobre a Amazônia, e quero dizer que o brasileiro não conhece a Amazônia, não conhece.

    Grande parte da classe média brasileira conhece Paris, conhece Londres, conhece Orlando, conhece Miami, conhece bastante coisa; conhece o México, algumas áreas turísticas do México, mas não conhece a Amazônia, não conhece dois terços do território brasileiro.

    Isso é uma pena, porque a Amazônia também é um local importantíssimo para o turismo, para visitação. Vocês querem conhecer belezas? Podem conhecer as diferenças, a mestiçagem do Pará, de Belém, para você verificar que até o sotaque do nativo paraense é especial. Ele tem um chiadinho na fala, tem um sotaque que se confunde um pouco com o carioca, sabe? Mas o de Belém é um pouco diferente. E também conhecer os rios, conhecer as praias, conhecer a floresta, conhecer a diversidade, conhecer as belezas, conhecer a fauna, conhecer os rios e os peixes. É uma região esplendorosa, muito bonita. Então, é uma necessidade que realmente se faça um investimento para que os brasileiros a conheçam.

    Mário de Andrade, por exemplo, e o Ariano Suassuna nunca saíram do Brasil. Ariano Suassuna falou: "Não! O que eu vou fazer fora? O que vou fazer em Orlando? Pegar aquelas filas imensas para subir em roda gigante, voar de tirolesa daqui para acolá. Não! Eu vou visitar o sertão, vou cultivar a arte, vou incentivar a cultura nordestina". E assim foi.

    Mário de Andrade também. Mário de Andrade não saiu do Brasil, escreveu muitos livros, a sua brasilidade na literatura é fantástica: Macunaíma e tudo o mais. Mário de Andrade retratou sempre as cores do Brasil de todos os lados, o Brasil profundo, o Brasil litorâneo, de tudo isso ele falou.

    Mas é fundamental que realmente o brasileiro conheça a Amazônia, para até poder fazer a defesa da Amazônia. É importante conhecer a Amazônia até para defender as questões climáticas, a questão da importância dos rios, das águas, a importância da evaporação, a importância da sociobiodiversidade. Enfim, conhecer a Amazônia, assim, é importante.

    Certo dia eu estava lá em Macapá, no Amapá, em uma dessas viagens de Governadores, de encontros, tudo isso. Eu levanto cedo para fazer caminhada e estava subindo... É maravilhoso! O Rio Amazonas, em Macapá, beira a cidade, e tem um calçadão à beira do rio. Lindo! É lindo você olhar aquele rio-mar atravessando ali. E eu, cedinho, às 5h, subindo o rio, subindo ali. Passei pelo Forte São José, que é muito bonito, e subi o rio. Aí, eu vi um movimento – era uma sexta-feira –, um movimento bem grande, assim, na beira do rio, de gente. Eu falei: devem ser os jovens saindo das boates, curtindo a cachaça e fazendo o maior alvoroço de final de festa. Aí eu passei para o outro lado da avenida, para não incomodar e também não ser incomodado, e subi a rua.

    Chegando lá na frente, eu perguntei: "o que é aquele movimento ali embaixo?". Falaram: "não, doutor, ali é a feira do açaí". Aí eu voltei, entrei lá no meio.

    Rapaz, é um negócio fantástico. Todos aqueles ribeirinhos, extrativistas da beira do Amazonas, do outro lado, até do Pará, vão levar o açaí para ser vendido, comercializado às margens do Rio Amazonas, na cidade de Macapá.

    Tem uma unidade de peso, um balaiozinho, que eles chamam de paneiro. Então, a pessoa fala: "Eu quero cinco paneiros de açaí." Ele mete o balaio lá, o paneiro, vende aquilo, e a pessoa sai, leva aquilo em carro, leva na cabeça e leva para lanchonetes, leva para vender, leva para exportar e para tudo o que eles fazem.

    Estou falando no açaí, porque o açaí... você anda aqui em Brasília, anda lá em Fortaleza, lá em Goiânia, lá em São Paulo, em tudo que é canto, em qualquer quarteirão, você vê lá uma franquia do açaí. E é interessante isso.

    De onde vem o açaí? O que é o açaí? É uma fruta de que todo mundo gosta, exótica, maravilhosa, o sorvete, o próprio creme dele. Eles fazem com leite condensado, colocam não sei mais o quê e fica uma coisa bem energética mesmo.

    O açaí entrou no Brasil pelas academias de ginástica. As academias começaram, o pessoal malhava e tomava o açaí, aquilo foi pegando. Daí a pouco, foi entrando a indústria, foi entrando o comércio, e deu no que deu. É o mundo todo consumindo açaí.

    E onde é produzido? No Pará, na Região Norte brasileira, principalmente no Estado do Amapá e em outros estados. Nosso estado também produz muito açaí. E assim vai.

    Para vocês observarem que é uma riqueza, uma riqueza brasileira que é significativa, que movimenta dinheiro, movimenta a economia. Isso é muito importante e vem de lá. Hoje, já estão se plantando muitas lavouras do açaí.

    E não é só ele, estou dando um exemplo, um exemplo só de um produto da Amazônia que é muito consumido, muito comercializado e muito conhecido no mundo.

    E eu pergunto a vocês: qual foi o Governo de estado, Prefeito ou Presidente da República que fez propaganda do açaí? Nenhum. Ninguém fez. Isso foi o boca a boca. Não tem propaganda, ninguém fez propaganda. O açaí foi sozinho, na marra, entrando mundo afora.

    A gente faz propaganda de soja, faz propaganda de tudo, do agro, faz de boi, de leite, de queijo e tudo mais, mas de açaí, não. Açaí, não.

    Esse é um exemplo só, só um exemplo de como a Amazônia é rica. Fora isso, o peixe.

    Lá em Rondônia, tem lá o Vale do Cuniã. O Vale do Cuniã é interessante. É uma região de alagados. Tem os ribeirinhos que moram e que não querem sair de lá. E tem jacaré para caramba. Tem superpopulação de jacaré nos lagos de Cuniã.

    À noite, os olhos dos jacarés brilham assim como fossem lanternas, muito.

    O próprio Ibama, junto com as comunidades, fez manejo, o abate do jacaré. Tem em frigorífico. Aí tiram uma parte do lombo do jacaré, que é comercializado em Porto Velho, em alguns mercados e em alguns pontos de feira. É uma carne muito gostosa, é mais consistente que o peixe, a do jacaré do Vale do Cuniã, lá em Rondônia, que, realmente, tem todo o manejo, toda a supervisão, toda a coordenação do Ibama, não é?

    Assim, estou dando alguns exemplos para vocês. E o pirarucu? O peixe da Amazônia? O pirarucu é chamado, também, de bacalhau da Amazônia. É um peixe extraordinário.

    Eu fui criador de peixe em cativeiro. O meu pirarucu, eu abatia com 15kg, mas se deixar solto, lá na natureza, ele vai a 200kg, 150kg, 100kg. É um megapeixe.

    Os indígenas, os ribeirinhos, não comem o pirarucu. Eles não gostam do peixe de couro, eles gostam do peixe de escama. Então, o pirarucu tem uma superpopulação tomando conta. Aí tem que fazer esse manejo adequado do pirarucu. O couro do pirarucu dá para fazer bolsas maravilhosas, dá para fazer sapato, fazer cintos...

    Estou dando alguns poucos exemplos, aqui para vocês, de como a Amazônia pode ser aproveitada. Nós chamamos isso de bioeconomia: Como podemos converter essas riquezas, que são naturais por lá? Eu dei três exemplos aqui, ou quatro, mas tem infinitos. Tem a pesquisa científica da floresta, a madeira, toda a diversidade de frutos, os microrganismos do solo...

    Olha, a Amazônia, a floresta tem uma internet debaixo da terra. A floresta tem uma internet, uma rede de conversa entre as raízes e as árvores. As raízes vão conversando e, quando uma árvore sofre, está ameaçada, com doença, ou outra coisa, a outra árvore abastece aquela doente. Ela protege, através das suas raízes. Há um subterrâneo emaranhado, uma teia de aranha subterrânea. A gente pensa que são só aquelas raízes apicais, aquelas grandes raízes de sustentação, mas tem umas raízes, radículas, que vão campeando e engrenando uma com a outra árvore. Elas se engrenam e se protegem. É um equilíbrio incrível, não é?

    Então, a gente precisa estudar mais a Amazônia. Precisamos ter mais pesquisas, precisamos valorizar.

    Lá atrás, no Fernando Henrique, ele criou o CBA (Centro de Bionegócios da Amazônia), em Manaus. Fez um prédio bonito e contratou até algumas pessoas. Isso foi nos anos 90.

    E esse CBA veio passando, passando, veio morrendo, morrendo, morrendo... Era um centro, era a Embrapa da Amazônia. Era o centro de pesquisa, de biotecnologia, da Amazônia. Mas faltou, assim, a prioridade do Governo de colocar: Vamos pegar o CBA, o Centro de Bionegócios, e dar a ele um encorpamento de pesquisa científica, para que tudo isso que estou falando aqui, e muito mais, que não estou falando, pudesse ser estudado profundamente.

    As características médicas, a medicina tradicional dos indígenas, dos povos, dos quilombolas, porque eles estão lá, e não têm médico – hoje já tem mais médico andando por lá, aqui e acolá, mas não tinha médico. Era a pajelança, aquele conhecimento ancestral, eram os chás, os unguentos, era o óleo de copaíba, cicatrizante, e tudo o mais que eles iam usando ali dentro. Tem que estudar essas drogas e esses componentes bioquímicos da floresta. Então, tudo isso é fundamental.

    Então, a gente precisa, sim, ter um olhar muito especial para a Amazônia. A gente fala assim: "Mas tem feito muito".

    Tem, por exemplo, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A Sudam está tão esvaziada. Antigamente, era um prédio bonito, cheio de gente; hoje, você vai lá, e é aquele prediozão mal-arrumado, que não resolve quase nada, não representa quase nada para a Amazônia, não faz nada, assim, significativo para a Amazônia. É uma pena, né?

    Tem também os fundos constitucionais que ajudam muito, ajudam muito. Principalmente a agricultura familiar, eles ajudam muito, mas a gente precisa de mais.

    Temos também a Suframa, em Manaus, que precisa também descentralizar. As empresas incentivadas podem fazer investimentos em pesquisa, porque elas têm esse dinheiro, está lá, contratualmente arrumado. As empresas incentivadas na Zona Franca de Manaus podem fazer investimentos em pesquisa científica, mas hoje elas pegam esse dinheiro e fazem investimentos em pesquisa para beneficiar elas mesmas ou de interesse delas mesmas.

    Eu acho que aí agora tem que entrar o Ministério do Planejamento, a Simone Tebet, ou, então, o nosso Presidente Alckmin, justamente para dar um tranco nessa condição e dar uma abertura nesses investimentos, fazer investimentos na Amazônia Ocidental de uma maneira justa, descentralizada, como foi feito lá atrás. Dos anos 90 para os anos 2000, quando José Serra era Ministro do Planejamento, ele deu uma travada lá. Ele colocou como Superintendente o Dr. Maurício Vasconcelos, que é realmente um ótimo gestor, e deu uma travada na coisa: descentralizou o recurso para as universidades do Acre, de Rondônia, do Amapá e de Roraima e passou a distribuir esse dinheiro para outros centros de pesquisa. Depois, com o tempo, foram contingenciando recurso, foram esfriando, foram contendo recurso e trazendo o dinheiro, que é das taxas da Suframa, dos incentivos fiscais, para cá, para o Tesouro, para fazer superávit primário. De uma região carente, você contingenciar recurso da pobreza? Você contingenciar recurso de pobre, de desabrigado, de índios, de ribeirinhos, de extrativistas, de gente pobre, que não tem esgoto? Não tem, não tem, não tem! Os piores indicadores do Brasil estão lá na Região Norte brasileira, e ainda contingencia recurso! Esse recurso não representa nada, absolutamente nada.

    Então, é fundamental esse olhar para a Amazônia, esse olhar para a questão ambiental, para a preservação das águas, dos rios maravilhosos. Vocês estão vendo aí todo ano o fogo. Neste ano passado, lá em Porto Velho – eu sou de lá –, ficaram 40 dias sem pousar um avião por causa de fumaça; 40 dias sem pousar um avião por causa do fumaceiro. E a quantidade de doença... Cobriu a cidade completamente e aí invadiu o estado todo de fumaça das queimadas, né? Então, aquilo tudo foi muito dramático, foi muito difícil aquele fumaceiro.

    Então, nós temos, assim, as situações climáticas do fogo e da estiagem. Tem época em que seca até o Rio Amazonas, o Rio Solimões, o Rio Negro, o Rio Madeira, que é o que passa lá por Porto Velho; eles são realmente atingidos por seca. Outra coisa, neste ano, foi a enchente, que, lá no Acre, invadiu tudo; e, lá em Rondônia também, chegou a um nível altíssimo a enchente. Então, está oscilando demais. Uma hora, é seca demais; outra hora, é chuva demais; outra hora, é fogo demais; e a coisa vai assim.

    Então, a Região Amazônica precisa, realmente, de uma política de proteção, é um ecossistema frágil, e a gente tem que proteger a Amazônia e zelar por ela, porque ela, realmente, faz um bem, um bem universal. A Amazônia provoca coisas que a gente não sabe.

    Eu falei aqui para vocês da extraordinária capilaridade da comunicação das raízes, da conversa. Parece que as árvores não conversam? As árvores conversam; as árvores têm sentimento. Elas sofrem, ficam alegres e uma ajuda a outra. Há um sistema de cooperação impressionante...

(Soa a campainha.)

    O SR. CONFÚCIO MOURA (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – ... impressionante entre a floresta, com essa comunicação maravilhosa. Então, tem tanta coisa fantástica, se a gente for olhar direitinho.

    Eu estava vendo, agora, no jornal – em mais um minutinho eu encerro aqui, Sr. Presidente – uma cidadã brasileira que morou na França por muitos anos, ganhou dinheiro e aposentou. E ela veio para o Brasil, agora, e declarou, para a Folha de S.Paulo ou O Estado de S. Paulo – eu li nesta semana –: não, eu vou trabalhar para recuperar uma região degradada; vou recuperar a Mata Atlântica em uma fazenda. Comprou a fazenda e está plantando árvores da Mata Atlântica.

    Ela quer recuperar tudo, inclusive, em uma pastagem degradada, seca, sem nada, ela falou: aqui vai ter água, aqui vão se recuperar todas as nascentes, aqui vai ter os rios do passado, os igarapés do passado; e nós vamos recuperar isso aqui. Já tem três anos que ela está plantando e já tem milhares, já tem uma coordenação muito boa, e aquele SOS Mata Atlântica a está ajudando.

    E o Sebastião Salgado comprou uma fazenda em Minas Gerais, que foi do pai dele, que a tinha vendido; aí, ele comprou a fazenda. E, em vez de plantar soja, milho ou criar gado, ele recuperou a Mata Atlântica. Hoje, é uma referência. Já está lá a floresta composta.

    Essas RPPNs, que são reservas privadas, a pessoa compra com dinheiro, mas doa aquele bem público para a natureza, sendo dela, mas ninguém toca naquela propriedade.

    Então, são esses avanços, são essas coisas fantásticas, são esses bens comuns que a gente tem que, realmente, ir semeando, semeando, senão nós vamos destruir. Nós não somos donos do mundo; nós somos passageiros do mundo.

    Depois da Revolução Industrial é que houve esse solapamento, essa destruição por causa da indústria, do dinheiro, do ganho, do lucro, do capitalismo pesado, não é? E isso não é ruim, é bom, foi ótimo e necessário, mas tudo demais sobra.

    Então, Sr. Presidente, eu falei aqui, basicamente, sobre a Amazônia e fiz uma viagem; eu delirei, aqui, nas minhas palavras, sobre a importância ambiental, a importância das águas, a importância do clima, a importância de tudo isso a que a gente, muitas vezes, não dá bola. Parece que a gente se preocupa só com o que acontece com os outros, mas com a gente, não; mas nós somos um pedaço do mundo também.

    É só isso, Sr. Presidente, muito obrigado.

    O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Muito bem.

    Olhem, é aniversário dele, do Senador Confúcio Moura, mas quem ganhou o presente fomos nós, depois dessa verdadeira aula que ele deu aqui do bioma Amazônia, falando sobre a sua terra também, Rondônia, quer dizer, homenageando, no dia do seu aniversário, o seu estado, o seu amado estado.

    Então, mais uma vez, Senador Confúcio, muito obrigado por trazer esse tema à tona, com tanta... Muita coisa aí eu aprendi hoje com o seu discurso, eu não sabia. O senhor, pelo conhecimento de ter sido Governador duas vezes, Senador, Presidente de Comissões importantes desta Casa e uma referência em educação, que é o futuro do Brasil, essa temática tão importante...

    Parabéns!

    O SR. CONFÚCIO MOURA (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – Muito obrigado.

    O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Muito obrigado.

    Feliz aniversário.

    O SR. CONFÚCIO MOURA (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 17/05/2025 - Página 10