11/02/2026 - 1ª - Grupo Parlamentar Brasil - Japão

Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC. Fala da Presidência.) - Boa tarde a todos.
Declaro aberta a 1ª Reunião do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, no Senado Federal, cuja pauta se destina à apresentação de relatos e propostas de cooperação entre o Brasil e o Japão, no contexto do programa GPI, ou seja, Green Partnership Initiative.
Até o momento, este grupo parlamentar, no Senado, conta com a presença, com a adesão de 19 Senadores. Informo aos Parlamentares que desejarem compor o grupo parlamentar que a adesão é feita de forma digital, através do sistema Sedol, e que nossa Secretaria se encontra à disposição para orientar os gabinetes de Senadores e Senadoras que queiram se juntar aos esforços deste grupo parlamentar.
Compõem a mesa, além deste que está presidindo a sessão, a Senadora Damares Alves, o Senador Astronauta Marcos Pontes, o Senador Sergio Moro, S. Exa. o Sr. Yasushi Noguchi, Embaixador do Japão no Brasil, e, por direito de merecimento, a Christiane.
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Onde está?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Deve estar resolvendo algum problema pendente do Senador Marcos Pontes. (Risos.) Eu gostaria de, muito brevemente, antes de passar a palavra para os nossos companheiros, acrescentar ao que tive a oportunidade de dizer informalmente no início, que a viagem foi muito bem programada pela Embaixada do Japão. E aí eu me dirijo a todos os servidores, tanto aos servidores daqui do Brasil quanto àqueles que nos recepcionaram e nos acompanharam lá no Japão.
E hoje, além de fazer uma síntese desta viagem, com os seus principais pontos a destacar, tanto durante a nossa presença em Tóquio quanto na visita a Hiroshima, que foi, realmente, uma visita extraordinariamente emocionante e marcante para nossa vida, eu gostaria de fazer um breve relato do que tem sido a Cooperação Brasil-Japão.
Nós estaremos... Ao prestar contas agora, eu já vou dar notícia de algumas providências.
Primeiro, já está pronto o requerimento, que eu já assinei e espero que o Deputado Nishimori também o assine, se possível hoje ou até a semana que vem, requerendo uma sessão do Congresso Nacional, ou seja, conjunta, Câmara dos Deputados e Senado, para celebrar os 130 anos completados no ano passado de relações formais, porque, como foi salientado pelo Senador Sergio Moro, muitas portas já se abriram e outras tantas se abrirão em termos de oportunidades para consolidar, Senadora Damares, aquela fraternidade a que V. Exa. se referiu ao dizer que já ficou com um pedaço do seu coração no Japão.
Então, esse é o primeiro dever. O segundo dever que nós combinamos com o Sr. Ministro das Relações Exteriores foi o de zelar pela tramitação do tratado que versa sobre regras penais, que se encontra na Câmara dos Deputados. É evidente que o grupo parlamentar no Senado tem que se dirigir ao grupo parlamentar da Câmara, o que já fizemos, para que, na primeira oportunidade, tanto a Comissão de Justiça quanto o Plenário da Câmara deliberem e permitam que a mensagem respectiva chegue ao Senado Federal, onde também trataremos, com diligência, do assunto.
O terceiro tópico vai ficar em aberto. Nós já temos um belo relatório de participações, de parcerias. E eu destaco: só no meu estado, nós já temos mais de 50 anos de parceria, em Santa Catarina, com o Japão, inicialmente na fruticultura e derivando também para a atividade do pequeno produtor rural, que é uma marca de Santa Catarina.
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A propósito, antecipando, nós visitamos uma estação de pesquisa, fabricação e produção de equipamentos próprios para a agricultura de pequeno porte. E, finalmente, um esforço concentrado para conseguirmos a melhor participação possível do Brasil no Green Partnership Initiative.
Esses foram os quatro deveres que nós assumimos lá no Japão. Mas queremos abrir aqui portas para outras parcerias. E aí, vou encerrar as minhas palavras dizendo: mudanças climáticas e suas consequências e defesa civil, associada especialmente a essas mudanças climáticas e a perturbações climáticas, desenham-se como um futuro de parceria com o Japão.
Isto posto, reservando-me o direito de fazer um breve comentário ao final, eu passo a palavra à nossa Senadora Damares Alves para abordar tanto aspectos do relatório quanto aspectos de sugestões para parcerias em outros ramos de atividade, além destes que eu mencionei.
Com a palavra a Sra. Vice-Presidente do nosso grupo parlamentar, Senadora Damares Alves.
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada, Presidente.
Eu cumprimento todos os presentes, nosso Embaixador, os colegas Senadores. É uma honra estar participando desta reunião.
Para a gente fazer uma apresentação da nossa visita ao Japão, nós precisaríamos de, no mínimo, 10 a 15 audiências públicas, porque nós vivemos, nos dias em que estivemos no Japão, algumas das mais incríveis e inéditas experiências, e nós tivemos a oportunidade de ter contato com temas diferentes.
Nós tínhamos um foco, que era a prevenção a desastres naturais: como o Japão tem enfrentado isso, como o Japão enfrentou e as lições que o Japão dá para o mundo nesta área. Mas nós tivemos a oportunidade de também lidar com outros temas, temas extremamente importantes. E nós precisaríamos de muito tempo para falar, né, Christiane? A gente teria aí dias para falar de tudo o que vivemos.
Mas o que nós trazemos dessa visita, como um relatório geral, é a parceria Brasil-Japão. Ela precisa existir e ser fortalecida cada vez mais. Somos nações tão diferentes, e nos amamos tanto! É impressionante o amor que o Japão tem pela minha nação brasileira, mas é impressionante também o amor que a nação brasileira tem pelo Japão.
Nós reconhecemos tudo o que ganhamos do Japão, e o Japão reconhece também - eu quero que volte à primeira imagem - toda a nossa colaboração.
Deixe-me dizer uma coisa, gente: é uma parceria de mão dupla. Nós ganhamos, e o Japão ganha com essa parceria.
Eu poderia ter trazido aqui inúmeras fotos, mas eu queria falar do coração. Nós temos encaminhamentos na área técnica, mas nós estivemos no Museu da Migração. E eu queria que vocês vissem essa foto. Era dessa forma que os japoneses chegavam no nosso país, vindos da Primeira Guerra, entre a Primeira e Segunda Guerra, e é exatamente dessa imagem que eu cresci ouvindo a minha mãe falando, de como os nossos imigrantes japoneses foram para a plantação de cana... E essa imagem me chamou muito a atenção porque eles foram para áreas de frio aqui no Brasil. E ali eram as luvas para proteger do frio e para proteger da cana, da palha da cana, mas eu queria chamar a atenção de vocês para os pés desses imigrantes. Imagine: em São Paulo, numa geada, em dias muito frios, esses nossos imigrantes trabalhando do jeito que vocês sabem que eles trabalharam, e às vezes sem sapato, enrolando o pé em sacolas plásticas, em plásticos, em pano. Enfrentaram todos os desafios na nossa nação para que o Brasil fosse a nação brasileira que é hoje no agro.
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Então, quando eu vi essa imagem, eu confesso para vocês que eu chorei. Eu chorei porque a minha mãe é filha de imigrantes e a minha mãe cresceu ao lado de uma colônia japonesa e o sonho da minha mãe era conhecer o Japão e a minha mãe nos ensinou como os japoneses cuidaram do agro e a revolução que os japoneses fizeram no agro do Brasil.
E, aí, a gente vai para esse museu... Quem for ao Japão precisa conhecê-lo, porque existem espaços específicos para falar da migração dos japoneses para o Brasil, como eles chegaram, a forma como chegaram, o que eles trouxeram para a nossa nação e como essa relação Brasil e Japão foi boa para o mundo. Deixe-me dizer uma coisa: essa relação Brasil e Japão não é boa apenas para as duas nações, é para o mundo.
Pode passar a próxima imagem.
E nós tivemos a honra de estar com grandes empresários que têm empresas no Brasil, empresas que todo o Brasil ama. Quem não ama a Toyota no Brasil? Quem que não ama a Panasonic no Brasil? Quem que não ama a Mitsubishi no Brasil? Mas nós estivemos com as pequenas empresas também que estão no Brasil, e aí, gente, nós descobrimos que um dos produtos mais vendidos nos últimos três meses no Japão - pense o orgulho - foi o açaí. Nosso açaí.
Então, observe que é uma parceria de mão dupla. Estar com astronautas japoneses e levar o nosso astronauta junto, e entender como essa parceria nesse projeto, nas nossas políticas espaciais com o Japão... Gente, eu conheci uma astronauta mulher. Vocês têm ideia da alegria que foi estar com uma astronauta mulher?
Mas também trago para vocês que, de todas as coisas grandes que eu vi no Japão, especialmente com relação ao enfrentamento aos desastres, por incrível que pareça... Isso aqui é muito incrível, viu, gente? Os estudantes japoneses nos receberam nas ruas de uma forma extraordinária. Esse é um encontro nosso quando nós fomos visitar um dos lugares a que a gente estava programado para ir, e esses estudantes também estavam visitando. Quando descobriram que nós éramos brasileiros, a reverência e a honra e o amor que eles têm pelo Brasil quando encontram um brasileiro, e quando encontraram os quatro mais incríveis Senadores do Brasil lá, juntos, ao mesmo tempo...
E aqui, os nossos encontros com empresários.
Mas eu queria focar...
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Se vocês têm mais alguma foto minha, podem passar. Eu tirei tanta foto...
Pode passar.
Eu tenho anos de fotografia...
Aí os nossos empresários, a nossa agência de parceria com o Brasil na área empresarial.
Pode passar.
Pode passar.
Mas eu queria...
As fotos do coração... Vocês precisam ir lá.
Pode passar.
Mas eu queria dizer para vocês o seguinte: que, apesar de um todo grande que eu vi no Japão, na área da tecnologia... E, aí, eu quero muito conversar com o Japão sobre o meu Distrito Federal, Embaixador.
O que é que eu trago para o meu Distrito Federal?
O meu DF não vai ter área para a gente plantar e competir com o Mato Grosso, competir com Tocantins, competir com Goiás. Nós não temos área territorial para isso.
O meu DF até é um grande polo turístico, fantástico, mas nós entendemos que o desenvolvimento do meu Distrito Federal, a independência econômica que meu DF pode alcançar está na área da tecnologia, e foi exatamente o que o Japão me ofertou nesses dias.
Tudo é tecnologia! Gente, quero falar para vocês: é tudo, tá? Até a forma de pegar a água tem tecnologia lá. Tudo; tudo é tecnologia.
E, aí, nós gostaríamos muito, como Distrito Federal, de ampliar a nossa discussão com o Japão: de que forma nós podemos trazer para o Distrito Federal, Embaixador, conversando com os empresários da área da tecnologia...
Eu tenho um sonho para o meu DF: o meu Distrito Federal pode ser o maior ponto... O maior polo de desenvolvimento tecnológico do Brasil pode estar no meu Distrito Federal. Eu creio que a gente pode ter aqui os maiores empresários na área da tecnologia.
O que é que eu vi no Japão? Um menino com um computador, no Japão - um computador! -, consegue gerar mais dinheiro que uma pessoa no Brasil com uma fazenda de milhares de hectares. Com um único computador!
Então, para o meu Distrito Federal, eu vou continuar muito a discussão com os empresários japoneses; vou lutar muito.
Nós temos, no Distrito Federal, Embaixador, uma geração que nós chamamos aqui no Brasil de nem-nem: são jovens que nem estão na escola nem estão no trabalho.
Há uma geração, no meu Distrito Federal, que precisa ser alcançada, e entendo que nós podemos trazer para os nossos jovens do Distrito Federal um polo de tecnologia avançada - mas de verdade; de verdade!
O que os jovens japoneses fazem, o que os empresários na área da tecnologia do Japão fazem é possível a gente, numa parceria, trazer para o Distrito Federal, e o meu DF ser o lugar mais rico do Brasil, o meu DF ser o lugar mais incrível para se morar.
Vocês podem ficar lá em São Paulo, Senador Marcos Pontes; pode ficar na sua Santa Catarina com suas praias; o Senador Moro, lá no Paraná, com o pinhão dele; mas o melhor lugar do Brasil vai ser o DF.
E, nesse plano de desenvolvimento tecnológico para o DF, nós saímos... Eu volto do Japão convencida de que o melhor parceiro para o meu Distrito Federal, para a gente buscar a redenção do meu DF, hoje, é o Japão. E vou continuar essa minha caminhada com a embaixada, com os empresários, na busca de a gente fazer cada vez mais parcerias na área da tecnologia.
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Por exemplo, é aqui no meu DF, no meu Entorno, que nós temos os minerais mais preciosos de que o Japão inclusive precisa. É aqui em Cristalina que está o minério da bateria de que vocês precisam lá. Então, a gente dá o minério, vocês dão a tecnologia, e a gente faz uma excelente parceria. Ficam ricos Brasil e Japão.
Outra coisa que eu aprendi com o japonês lá: nós não temos vergonha de querer ser ricos.
O Japão não tem vergonha de ser rico. Nós temos que parar com a hipocrisia. Eu fui para um país capitalista, que não tem vergonha de buscar prosperidade.
E eu queria muito que meu Brasil, que se diz capitalista, não tivesse vergonha de buscar prosperidade, porque todo brasileiro tem o direito à prosperidade. E eu aprendi isso lá no Japão.
Aprendi que é possível fazer a garantia de direitos humanos. Eu vi garantia de direitos humanos no Japão.
Eu vi mulher protegida, eu vi homem protegido, eu vi criança protegida, mas eu vi desenvolvimento junto. É possível ter desenvolvimento e direitos humanos juntos.
Então, Embaixador, nós vamos continuar trabalhando: Distrito Federal e Japão. Se os outros estados não quiserem mais vocês, venham todos para o DF. Temos muito a compartilhar.
Mas, para o Brasil, o que me chamou muito a atenção?
É tudo muito gigante lá, gente. Os outros Senadores vão falar sobre a questão da prevenção de desastres, mas, por incrível que pareça, eu parei num centro de pesquisa, do Japão, de tecnologia para o pequeno agricultor.
É incrível o que eles têm feito para os pequenos agricultores, e acho que as tecnologias...
Gente, quando a gente fala de irrigação no Brasil, a gente pensa em grandes instrumentos para irrigação para grandes áreas. Eu vi instrumento de irrigação para pequenas áreas, manipulado por uma única pessoa lá.
O que eu vi de tecnologia para o pequeno agricultor, para a agricultura familiar...
Se o Brasil entender o que eu vi lá, nós vamos dar um salto na agricultura familiar no Brasil.
Os grandes estão aí, gente. Os grandes... Eu não vou falar dos grandes, não vou falar da Toyota. Não vou. Não vou. Mas, quanto àquele centro de pesquisa para a tecnologia para o pequeno agricultor, para a agricultura familiar, se a gente pudesse, Senador Amin, trazer essa parceria...
Eu fico pensando nos nossos assentamentos no Brasil... Os nossos assentamentos dariam um salto em qualidade e em produção, que vocês não têm ideia. E é exatamente o que eles fizeram quando chegaram aqui, em 1959: eles trouxeram tecnologia da mais incrível.
Deixe-me dizer uma coisa para vocês - eu estou acabando, Senador...
A minha mãe dizia que, na roça do japonês, acontecia milagre. Na roça, aqui, onde se plantava pêssego, tinha uma época de geada em que o pêssego, do lado de cá, todo morria; mas, do lado de cá da cerca, os pêssegos dos japoneses não morriam. Sabem por quê? Porque os japoneses iam a cada pêssego e cobriam cada pêssego com uma sacolinha. Vocês têm ideia do que é isso?
Então, eles tinham uma paciência de...
Eles trouxeram uma tecnologia que era só cobrir o pêssego. O brasileiro não cobria. O japonês cobria o pêssego, e o pêssego deles dava certo.
Tecnologias tão simples, conhecimentos tão simples, com os quais eles revolucionaram a agricultura no Brasil.
E o que eu vi lá, o desenvolvimento de equipamentos e instrumentos para o pequeno agricultor, eu creio que, se a gente continuar, Embaixador, eu vou desafiá-los de a gente trazer a tecnologia para o pequeno agricultor, a pequena propriedade.
Se a gente trouxer 20% do que eu vi lá para a pequena propriedade, o Brasil será o maior celeiro do mundo, porque eu vi o Japão fazer isso.
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E, por fim, eu quero dizer para vocês que eu estive em Hiroshima - e todos nós vamos precisar falar sobre isso -, e, quando eu estive em Hiroshima, descobri que as nossas guerras no Brasil são guerras muito idiotas; que nós estamos perdendo tempo no Brasil com brigas muito idiotas.
Em Hiroshima, eu vi o que é a guerra; aquilo que eu vi é guerra.
Mas o que eu vi em Hiroshima? Uma cidade em que, num único dia, morreram 140 mil pessoas, e, ao longo dos meses, mais milhares de pessoas; uma cidade que, quando jogaram uma bomba, tinha 240 mil habitantes, e eu chego a Hiroshima hoje e encontro uma cidade com 1,2 milhão habitantes, 80 anos depois; eu chego a Hiroshima hoje, onde eu achei que só iria ver tristeza, e vi uma das mais lindas cidades do mundo!
O que eu vi em Hiroshima...
Eu acho que é uma das cidades que mais atrai turistas no mundo.
O que eu vi em Hiroshima, o que eles fizeram em 80 anos... Meu Deus! Eu queria muito que a gente fizesse, em 500 anos, o que eles fizeram em 80 anos em Hiroshima. Tudo com muito trabalho, tecnologia e dispostos a compartilhar com a gente.
Que Deus abençoe o Japão!
Arigatô - eu aprendi a falar arigatô.
Que Deus abençoe o Japão! (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Ao conceder a palavra ao Senador Sergio Moro, eu ainda gostaria de frisar uma deferência que eu quero que conste na ata deste grupo.
Foi a primeira vez que eu recebi este gesto de cortesia: o Ministro de Estado que nos recebeu fala e falou conosco em português.
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF) - Fantástico!
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Com a palavra o Senador Sergio Moro.
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF) - Senador, antes que o senhor fale, acabou de chegar o nosso Deputado Distrital Manzoni, nosso querido Deputado, e ele está aqui não é só porque foi convidado não; é porque o nosso DF tem uma comunidade japonesa, e o maior orgulho do DF é a nossa comunidade japonesa.
Deputado, seja bem-vindo à nossa reunião.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Aproveito, então, para registrar também a presença do Coronel Bombeiro Militar Pedro Aníbal Caixeta Júnior, Subcomandante do Corpo de Bombeiros Militar do DF, representando o Comandante-Geral Moisés Alves Barcelos.
Com a palavra o Senador Sergio Moro.
O SR. SERGIO MORO (Bloco/UNIÃO - PR) - Boa tarde a todos.
Novamente eu quero reiterar meus agradecimentos ao Embaixador Noguchi-san pelo convite que foi feito a essa comitiva, que foi também liderada pelo Senador Esperidião Amin, na qual eu tive a honra e a oportunidade de também estar junto com a Senadora Damares e o Senador Marcos Pontes.
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A viagem, para mim, foi muito enriquecedora, Embaixador, em vários aspectos, tanto por poder assistir in loco uma sociedade altamente desenvolvida, com uma economia tecnológica, mas, principalmente, por poder também ver, de perto, o que a gente já ouvia - mas é diferente quando se está no país -, a tradição do Japão de valorizar a honra e a tradição, mas também o avanço tecnológico. Então, tivemos ali diversas oportunidades.
Eu queria passar algumas fotos que eu separei, apenas para destacar alguns desses aspectos.
Eu começo por essa foto por conta exatamente dessa cultura de honra e tradição: é a estátua do Kusunoki Masashige, que fica na praça em frente ao Palácio do Imperador.
O Masashige foi um samurai do século XIV, que é considerado lá um símbolo de resiliência, de luta e de coragem e que defendeu, na época, o imperador japonês, inclusive participando de uma batalha na qual ele não tinha chances de ganhar, porque tinha um número muito inferior de soldados nessa batalha, mas, ainda assim, foi leal ao imperador e foi lutar o bom combate.
Esse aspecto é importante, porque a gente atribui muito o sucesso do Japão à inteligência do povo japonês, à criatividade, ao trabalho e à tecnologia, mas, no fundo, tudo isso é consequência de uma cultura que valoriza a honra e tradição, e talvez tenhamos aqui um símbolo muito relevante de onde vem o sucesso do Japão.
E não podemos deixar de fazer comparativos com o nosso país, a necessidade de a gente também valorizar esse tipo de cultura da integridade, da honestidade, da honra, no nosso país.
Eu tenho um histórico, Embaixador, de enfrentamento da corrupção no nosso país, assim como os meus colegas aqui também carregam esses valores. Muitas vezes, no entanto, nós temos visto, aqui no Brasil, escândalos de corrupção sem consequências, enquanto que, no Japão - não que não possa haver problemas pontuais também de desvios -, as consequências normalmente são severas, com renúncia imediata do cargo público, por conta da vergonha em decorrência da descoberta do escândalo, e, não raramente, até a prática do seppuku, o haraquiri, por parte do agente público que é surpreendido praticando alguma espécie de desvio.
Então, eu quis começar essa minha apresentação com, a meu ver, esse símbolo de honra e tradição do Japão, que tanto nos inspira e inspira todo mundo.
Passar para a próxima foto...
Aqui uma foto da frente da sede da Suprema Corte japonesa.
Nessas viagens culturais, é claro que tem o aspecto econômico, que é extremamente relevante, mas também nós aprendemos com outras instituições, o que, a meu ver, é bastante relevante.
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E a Suprema Corte japonesa foi criada ali em 1949 seguindo o modelo da Suprema Corte norte-americana. São 15 ministros - um número um pouco superior de ministros - nomeados pelo Imperador e pelo gabinete de ministros, vitalícios, que também, como a Suprema Corte norte-americana, tem o poder de revisão da constitucionalidade das leis.
Mas o que eu achei extremamente interessante, fiz até um vídeo sobre isso no Instagram... E, até sobre esses vídeos também, a meu ver, há um retrato do interesse da população brasileira sobre o tema e sobre o Japão: o meu último vídeo que eu fiz no Japão, falando um pouquinho sobre a minha experiência, teve 4 milhões de visualizações no Instagram, Senador Esperidião.
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC. Fora do microfone.) - São todos meus familiares. (Risos.)
O SR. SERGIO MORO (Bloco/UNIÃO - PR) - Olhe só! O pessoal está interessado...
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC. Fora do microfone.) - Toda a parentada.
O SR. SERGIO MORO (Bloco/UNIÃO - PR) - É verdade. O pessoal está interessado muito no Japão.
O que eu achei interessante aqui na configuração institucional da Suprema Corte japonesa é que existe uma espécie de recall popular. Após a posse do ministro, um ano depois, na primeira eleição legislativa subsequente - e tivemos uma agora, inclusive -, o cidadão japonês, quando ele é chamado a escolher o seu Parlamentar, o Deputado ou o equivalente deles ao Senador, também aprova ou desaprova a atuação do Ministro da Suprema Corte japonesa. E, depois, a cada dez anos, novamente, na eleição, ele é submetido à aprovação ou à desaprovação. E, se for desaprovado, ele perde o seu cargo. É uma forma de controle popular sobre a atuação dos Ministros da Suprema Corte japonesa num país sabidamente com uma democracia consolidada. Eu achei interessante esse aspecto, e talvez fosse algo que pudéssemos pensar aqui também para o nosso país, já que existe toda uma discussão sobre reforma do Judiciário no Brasil.
Pode passar para a próxima?
Nós fomos com vários objetivos, e também para reforçar essa iniciativa verde. Pode contar também com o meu apoio, Embaixador, para que o Brasil participe desse grande evento no Japão deste ano. Nós vamos endossar essa iniciativa.
Tivemos também ali como propósito conhecer algumas experiências do Japão na prevenção de desastres naturais. Infelizmente, a natureza nós não controlamos; infelizmente, nós ficamos sujeitos às intempéries e aos seus caprichos; mas uma coisa é nós não conseguirmos evitar a ocorrência de um evento extremo, seja climático seja natural, e outra coisa é nós não estarmos preparados para ele.
E aqui foi uma visita que fizemos na Região Metropolitana de Tóquio, que, como nos passaram, foi vítima de enchentes e inundações frequentes no passado, e encontraram uma solução definitiva que foi a construção de enormes câmaras subterrâneas com túneis. Quando há uma inundação, quando há uma chuva excessiva, essa água é vertida para essas câmaras subterrâneas, o que acaba prevenindo as consequências da inundação. E, depois, a água é direcionada, com o controle necessário, para a dispersão, sem afetar a população.
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Como aqui, no Brasil, nós temos problemas sérios nessa área - inclusive, infelizmente, há uma semana ou duas semanas, nós tivemos problemas sérios em Curitiba, na minha cidade, de inundação no centro, com prejuízos ao patrimônio do cidadão -, talvez seja aqui uma experiência na qual nós pudéssemos nos espelhar, conhecendo um pouco mais profundamente também a tecnologia envolvida na prevenção desses incidentes.
Isso é enorme. Se você visita lá - e é claro que a gente visitou porque não está sendo utilizado naquele momento, porque não tinha nenhuma inundação, nenhuma chuva -, é realmente impressionante a magnitude desse sistema de prevenção de enchentes ali para Tóquio.
Pode seguir a próxima?
Aqui é uma visita que fizemos também ao Museu da Migração em Yokohama, com muitas lembranças da migração japonesa.
Lembro aqui que nós temos, no meu estado, no Paraná, a segunda maior comunidade nikkei do Brasil. E eu tenho muita certeza de que... O Paraná é um estado acima da média, aqui no Brasil, nos indicadores sociais, nos indicadores econômicos. Hoje, ele é o quarto PIB nacional, é o quarto PIB até industrial e tem recebido investimentos relevantes de empresas japonesas, mas eu tenho certeza de que boa parte do sucesso econômico do Paraná decorre da contribuição que tivemos, lá no estado, da comunidade nikkei. Eu, em particular, nasci em Maringá, que tem uma grande parcela da comunidade nikkei, e tive vários colegas, no decorrer da minha carreira escolar e das minhas amizades de infância e adolescência, com essa origem, pessoas com as quais mantenho relacionamento até hoje.
Aqui foi uma leve lembrança dos esforços da migração japonesa para o desbravamento de terras.
Aqui é uma foto, no interior de São Paulo, de uma árvore, para ilustrar ali o esforço. O indivíduo com o machado sou eu, mas era só para posar para a foto. Eu não enfrentaria uma árvore desse tamanho, provavelmente. (Risos.) Próximo.
Esta foi outra experiência significativa: Hiroshima. Sobre Hiroshima, primeiro, tem-se que fazer a referência, como foi colocado pela Senadora Damares, da nossa emoção ao visitar uma cidade tão emblemática. É o símbolo da paz mundial. Ao final da Segunda Guerra Mundial, a bomba atômica vitimou ali, só naquele primeiro ano, cerca de 170 mil habitantes da cidade. Muitos morreram do impacto imediato, outros tantos morreram... Até o final daquele ano de 1945, foram 170 mil vítimas, aproximadamente. E nós tivemos um momento que talvez tenha sido um dos mais emocionantes, pelo menos, da viagem que foi o contato com uma sobrevivente, uma senhora de 93 anos, que tinha 12 anos ao tempo da bomba e que nos pôde relatar toda a sua experiência e o drama vivenciado. Embora seja uma tragédia, é claro, o mais impressionante é esta resiliência, com a reconfiguração do Japão: tendo praticamente boa parte destruída após a Segunda Guerra, sendo um país que sofreu uma derrota, ele, hoje, é o quarto PIB mundial. E Hiroshima é um símbolo dessa recuperação, como bem disse a Senadora Damares, com 1,2 milhão de habitantes, uma metrópole extremamente... E se vê pela riqueza, se vê pela pujança ali da população.
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Visitamos a chamada barreira Sabo, porque Hiroshima fica numa região de montanhas e tem várias habitações ao pé dos morros - o que lembra uma situação muito comum aqui no Brasil - e sofre muito com deslizamentos, inclusive com dois incidentes mais recentes: um em 2018 e outro em 2014, com grande número de vítimas. E uma solução encontrada foi a construção dessas barreiras Sabo, que são grandes construções no pé dos morros e nas vertentes onde normalmente ocorrem a fragilidade e a vulnerabilidade dos deslizamentos. Desde que foi colocada essa barreira que nós visitamos, exatamente no local onde teve o incidente em 2014, com dezenas de vítimas, mostrou-se uma solução definitiva para o problema.
Acho que pode passar para a foto seguinte.
Aqui dá para se ver melhor que existe o muro de contenção, mas existe também ali a área depois, para que possa ser utilizado para vazão da lama ou vazão da água em excesso. Então, é muito interessante, muito impressionante.
Fui informado de que em Petrópolis há uma parceria do Japão com o Brasil para a construção de uma barreira seguindo os mesmos moldes. E Petrópolis, infelizmente, é um dos locais no Brasil onde nós vimos várias tragédias acontecerem em deslizamento, mas eu creio que não existe estado no Brasil que não tenha problemas com deslizamentos, que ocorrem principalmente no período de chuvas intensas.
Pode seguir.
Opa! Não, então, volte. Acho que tinha mais uma foto, mas acabou não entrando aqui.
Para finalizar, apenas quero agradecer também...
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC. Fora do microfone.) - Uma foto com você lá em cima do morro?
O SR. SERGIO MORO (Bloco/UNIÃO - PR) - Hã? (Risos.) É que eu mandei umas fotos lá, acho que algumas não entraram pelo jeito, mas não tem problema.
Só para finalizar aqui, tivemos também contato relevante com a comunidade brasileira lá no Japão, que nos trouxe uma série de preocupações e dificuldades, algumas delas... Inclusive, há pedidos direcionados ao Governo brasileiro, como, por exemplo, poderem fazer a prova do Enem os jovens descendentes de brasileiros no Japão - aqueles que almejam, muitas vezes, voltar ao Brasil para estudar nas universidades.
Tivemos contatos com diversas startups formadas por empresas brasileiras e empresas japonesas com iniciativas muito interessantes, inclusive uma envolvendo a Sanepar - que é a estatal de saneamento do meu estado -, compostagem de resíduos de esgoto, mas há outras iniciativas também, aqui destacando a questão do açaí, que eu achei bem interessante.
Tivemos contato também com empresas japonesas com presença relevante no Brasil: a Mitsui, a Toyota, a Nissan.
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E creio que nós temos apenas a ganhar, Embaixador, com o aprofundamento das relações comerciais entre o Brasil e o Japão. São duas democracias consolidadas, são dois países com relações que, vamos dizer assim, são próximas, principalmente pela imigração japonesa. Então, temos muito em comum e temos todos a ganhar com a vinda de investimentos do Japão para o Brasil e com investimentos também do Brasil - quem sabe no próprio Japão? - ou essas parcerias econômicas.
Quero dizer que, como Senador do Paraná, fico totalmente à disposição para que nós possamos aprofundar essas relações.
E, para finalizar, agradeço igualmente a recepção que tivemos da Princesa Kako, em Tóquio. Foi uma experiência muito gratificante. Todos nós pudemos conversar um bom tempo com a Princesa, ressaltando aquele aspecto: economia forte, tecnologia avançada, mas o cerne mesmo é cultura, honra, tradição e honestidade.
Agradecendo, encerro aqui a minha fala.
E vamos aprofundar nossos relacionamentos.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Cumprimento o nobre Deputado Estadual por Goiás, que abrilhanta com a sua presença aqui, o Delegado Eduardo Prado. Seja muito bem-vindo.
Eu passo a palavra ao nosso Senador Astronauta Marcos Pontes.
O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco/PL - SP) - Obrigado, Presidente.
Antes de mais nada, gostaria de agradecer: agradecer a presença de todos; agradecer ao Embaixador; agradecer também aos membros do Ministério de Relações Exteriores no Japão, que nos receberam muito bem lá e nos acompanharam o tempo todo; e a todos aqueles que, de certa forma, colaboraram para que essa viagem acontecesse.
Eu me sinto muito feliz em poder participar - participar deste grupo, ter participado da viagem - e dar continuidade nessa cooperação, nessas parcerias, por algumas razões.
Uma delas é que o meu Estado de São Paulo - o estado que congrega o maior número de japoneses aqui no Brasil - recebeu grande parte da imigração japonesa, e eles contribuem, e muito, para o desenvolvimento do estado e também para o desenvolvimento social do Estado de São Paulo.
Também, no meu tempo na Nasa, entre 2001 e 2004, eu era responsável justamente pelos testes e integração do módulo japonês. Então, eu fui muitas vezes ao Japão naquela época, e agora, com 22 anos sem ir para lá, foi realmente muito bom retornar ao Japão e rever, inclusive rever, alguns amigos lá.
De forma geral, só para um apanhado do que nós fizemos lá, nós fomos a três cidades: Tóquio, Yokohama e Hiroshima. Nós tivemos um leilão de atum, de que a Senadora Damares gostou bastante. (Risos.)
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF. Fora do microfone.) - Quatro da manhã!
O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco/PL - SP) - Nós tivemos contato com empresas startups, contato com empresas grandes, mais ou menos como a CNI lá do Japão.
Nós tivemos uma visita ao Congresso.
Nós tivemos um contato com a comunidade brasileira também no Japão, o que foi bastante interessante.
Nós tivemos a visita ao Museu da Migração, como já foi mostrado em algumas fotos de lá.
Tivemos aquela visita a esse sistema de barragens, que é bastante interessante, e eu vou comentar sobre isso daqui a pouco.
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Tivemos contato com dois astronautas, a Naoko e o Koichi, que são amigos meus, com que eu tive o prazer de trabalhar na Nasa também, e foi interessante não só revê-los, mas também discutir um pouco a respeito de participação e cooperação de programa espacial.
Nós tivemos também uma palestra - aquela em Hiroshima - com a sobrevivente de lá. Foi extremamente emocionante, muito marcante, eu diria, para todos nós, aquela visita, assim como a visita ao museu ali na cidade, ao memorial às vítimas da bomba atômica - é ali é o museu.
Nós tivemos também uma visita àquele sistema de controle de enchentes, que é interessante. Em muitas cidades nós temos esses problemas, e é uma estrutura muito útil. Também a visita à Jica, para as parcerias que nós já temos e muitas outras que virão com o Japão. A visita à Princesa Kako também foi muito agradável. E a tecnologia do agro, tecnologias para pequenas propriedades no agro.
Eu queria só ressaltar, para não ocupar muito tempo, três pontos aqui: um, com relação a parcerias com tecnologia - sendo ex-Ministro de Ciência e Tecnologia, não poderia deixar de falar sobre isso, que é obviamente dentro da minha área; o segundo sobre espaço; e o terceiro sobre desastres naturais.
Então, com relação à questão das parcerias em tecnologia, nós temos a seguinte situação, que é importante nós pensarmos em relação à parceria dos dois países: o Brasil é um país grande, com recursos naturais enormes. Comparado com grande parte dos países do planeta, o Brasil talvez seja o país com maior capacidade disso. Isso inclui recursos naturais na biodiversidade, recursos minerais também, terras raras e muitas outras possibilidades. E nós temos uma população com mais de 200 milhões de pessoas, o que significa um potencial mercado bastante grande, que precisa ser desenvolvido, logicamente.
Então, essa parceria entre os dois países, eu diria que é uma parceria ganha-ganha e com potencial bastante grande no seguinte sentido: o Japão tem um território pequeno, com muito menos recursos naturais que o que nós temos aqui; por outro lado, ele tem tecnologia muito avançada. A soma disso significa que as dificuldades e as facilidades de um país compensam e conversam exatamente com as dificuldades e facilidades do outro. Ou seja, as dificuldades que nós temos no país é transformar os nossos recursos naturais em produtos com valor agregado mais alto, e, para isso, a tecnologia japonesa ajuda, e muito. E e isso é bom no desenvolvimento dos dois países, nos negócios dos dois países.
Por outro lado, o mercado e o tamanho do Japão, com o mercado muito grande aqui no Brasil, isso também ajuda os negócios do Japão a crescer esse mercado aqui no Brasil. Certamente, no período que nós temos atualmente com uma certa turbulência geopolítica, é bom você ter parceiros estáveis que possam trabalhar em conjunto e de forma sustentável. Então essa parceria é muito grande.
E, quando a gente chega com a tecnologia propriamente dita, nós temos vários setores que podem ser trabalhados. A tecnologia para o agronegócio certamente é uma tecnologia... Nós vimos, inclusive, algumas startups ali tratando desse assunto. Então é um tipo de tecnologia que nos interessa, e muito, nesse contato, pelo desenvolvimento das tecnologias de agricultura sustentável, por exemplo, e pelo tratamento ou utilização de alimentos produzidos também.
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Nós temos também outra área que é extremamente interessante em termos de tecnologia, que é a área de espaço; mas, no nosso contato que nós tivemos ali com as empresas, primeiro com as startups e depois com as empresas grandes, eu diria o seguinte: para que isso aí aconteça...
Então vai aqui a primeira proposta; eu gosto sempre de falar, mas tem que ter uma proposta por trás, senão fica sem sentido.
Com relação às parcerias com as startups nós temos dentro da estrutura de ciência, tecnologia e inovação aqui, no país, a Finep, por exemplo, que pode trabalhar com a Apex no desenvolvimento dessas parcerias entre startups japonesas e brasileiras, no desenvolvimento de tecnologias de interesse dos dois países. Portanto, está aí uma primeira possibilidade que nós podemos ter, a partir dessa aproximação Finep-Apex com as startups no Japão.
Com relação às empresas maiores, como a Toyota, a Mitsubishi e outras empresas que já têm trabalhado no Brasil há bastante tempo, nós estamos aqui num lugar muito interessante e importante para o desenvolvimento dos negócios dessas empresas no país, na continuidade e no crescimento desses negócios.
Eu digo isso porque nós estamos trabalhando neste momento, por exemplo, na reforma tributária, e sem dúvida nenhuma isso interessa a essas empresas. Nós temos algumas dificuldades, mas, certamente, o fato de se ter uma reforma tributária já é um primeiro passo muito importante, e, a partir daí, nós podemos aperfeiçoar os mecanismos dessa reforma tributária, inclusive o tratamento com importação, exportação e outros tributos, e como isso aí pode ser colocado para melhorar ou ajudar o desenvolvimento dessas empresas no país e as tecnologias e produtos que são associados a elas.
Com relação à parte de espaço, nós temos o Centro Espacial de Alcântara, agora completamente operacional, nós já temos a participação de empresas dos Estados Unidos, do Canadá e da Coreia do Sul - da República da Coreia -, e seria bastante interessante nós termos a participação de empresas do setor de espaço também do Japão aqui conosco, em termos de lançamento ou em termos de desenvolvimento de produtos e satélites ligados à área de espaço, como aplicações em espaço também. Então, aí é um campo muito grande que se abre. Eu conheço bem o programa japonês, porque eu trabalhei com eles lá também, e sem dúvida nenhuma eu vejo aí um dos ramos que nós podemos destacar dessa parceria no Brasil.
E, finalmente, com relação aos desastres naturais, há uma preocupação no mundo todo com as mudanças climáticas, e aqui, no Brasil, não é diferente. Nós temos visto um aumento dos incidentes e acidentes causados por desastres naturais em diversos estados - no meu estado, também no Estado de Santa Catarina, que sem dúvida nenhuma é muito atingido. E só tem uma maneira de se tratar isso: com um gerenciamento de riscos feito de forma planejada e de forma séria. Inclusive, tem um projeto de lei meu, que é o 5.002, de 2023, cujo Relator é o Senador Esperidião Amin, que trata justamente de gerenciamento de riscos. Esse projeto foi desenvolvido em parceria com o Cemaden e a Defesa Civil; mas não adianta só ficar no papel, ele precisa sair do papel e reverter isso aí em planos de prevenção, de preparação, de resposta e de recuperação. E isso só vai ser feito também com a experiência de quem tem tratado disso durante muito tempo; e o Japão tem muita experiência na recuperação, principalmente em situações muito mais graves, inclusive, do que a gente tem aqui, como terremotos e outras situações.
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Nós vimos ali algumas das infraestruturas que nós podemos ter aqui no Brasil, e a experiência do Japão na construção dessas infraestruturas é extremamente importante para nós. Ao mesmo tempo, nós temos aqui no Brasil uma estrutura, um sistema sobre o qual eu perguntei, durante a nossa visita ali naquela instituição que trata de prevenção de desastres naturais em Hiroshima, a respeito da centralização dos sinais, por exemplo, de encosta úmida, que pode causar deslizamento de terra ou enchentes.
Eu estou falando especificamente, aqui no Brasil, sobre o Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), que fica em São Paulo, em São José dos Campos, que é parte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. É uma organização que tem um resultado excelente no Brasil, que tem ajudado a proteger muitas vidas. E quem trabalha com segurança sabe que, quando você protege vidas, como o resultado é não morte, geralmente você não é muito visto, porque o pessoal vê é quando acontecem as mortes.
O trabalho deles é excelente. A gente tem dados de antes e de depois do trabalho do Cemaden, que trabalha justamente monitorando sensores, cerca de 5 mil, 6 mil sensores espalhados em regiões críticas no país. Ali, eles congregam as informações todas numa sala de controle - são duas salas de controle; quando eu era Ministro, eu criei a segunda sala -, e ali nós temos especialistas de altíssimo gabarito, trabalhando com a previsão de meteorologia. Eles trabalham juntos com a Defesa Civil, também na mesma sala de controle, e emitem alertas para as regiões quando há possibilidade de deslizamento de terra, de enchentes. Então, tudo isso é avisado, inclusive a possibilidade de secas - o outro lado também é importante.
Portanto, esse tipo de estrutura, quando eu conversei lá em Hiroshima, eles não tinham lá. Ou seja, eu acho que essa parceria do Cemaden, no Brasil, com o setor de prevenção de acidentes, de desastres naturais no Japão, seria bastante interessante para os dois países. O que nós ganhamos com isso? Justamente a parte da construção de infraestrutura para a prevenção dos desastres naturais. E o que o Japão tem a ganhar é justamente a experiência que nós temos no monitoramento disso. Sem dúvida nenhuma, isso seria bastante importante para os dois países.
De forma geral, é isso que eu gostaria de ressaltar aqui, de uma forma meio rápida. Em todas essas visitas, nós tivemos muitas coisas tratadas e muitos aspectos importantes. Eu acho que, em reuniões posteriores, a gente pode se aprofundar mais em aspectos mais específicos de cada setor e desenvolver protocolos de parceria e de cooperação que serão muito úteis, como eu falei, de novo, para o setor da indústria, do agronegócio, de desastres naturais, do espaço aqui, numa primeira vista, e de muitas outras coisas que virão.
Obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Agradecendo à Senadora Damares, ao Senador Sergio Moro e ao Senador Astronauta Marcos Pontes pela síntese muito bem apresentada, quero apenas acrescentar que nós também fomos recebidos no Senado, na Dieta, na Câmara Alta, e num momento muito peculiar: eleição. A eleição começou... Nós levamos a eleição para o Japão. (Risos.) Foi só nós chegarmos lá, começou a campanha, bem diferente da nossa, viu, Srs. Deputados? E já que tivemos o resultado da eleição, a primeira mulher Primeira-Ministra do Japão dissolveu a Câmara - vamos chamar a Câmara Baixa, a Câmara dos Deputados, a dieta, que são duas, e teve uma vitória estrondosa, porque, de 198 Deputados, passou para 316, não é isso? Em 456 Deputados, isso dá mais do que dois terços. Então, nós levamos a eleição e levamos a vitória da Primeira-Ministra. (Risos.) O que eu quero é que o senhor transmita os nossos cumprimentos, e também aceitamos os agradecimentos dela pelo fato de termos sido pés-quentes, como se diz.
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Com a palavra, o nosso Embaixador Yasushi Noguchi.
O SR. NOGUCHI YASUSHI - Muito obrigado, Sr. Senador Amin.
Boa tarde a todos. Estou muito honrado e feliz em acompanhar a apresentação das experiências vivenciadas na visita ao Japão pelos quatro Senadores participantes do programa de Green Partnership Initiative (GPI).
Gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos aos Senadores que aceitaram o convite para participar do programa de GPI: Senador Esperidião Amin, Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão do Senado Federal; Senadora Damares Alves, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão do Senado Federal; Senador Astronauta Marcos Pontes; e Senador Sergio Moro.
Da mesma forma, registro minha profunda gratidão aos assessores dos Senadores e à equipe do gabinete do Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão do Senado pelo valioso apoio, que possibilitou a realização desta reunião. Também quero agradecer à minha equipe, por ajudar essa delegação a visitar o Japão.
O Japão e o Brasil concordaram em intensificar a cooperação nas áreas ambientais e no enfrentamento às mudanças climáticas durante a Cúpula Japão-Brasil, realizada em Hiroshima, em maio de 2023.
No ano seguinte, em maio de 2024, durante a visita do então Primeiro-Ministro Kishida ao Brasil, foi lançada a Japan-Brazil Green Partnership Initiative, com o objetivo de promover ainda mais a cooperação entre os dois países nas áreas ambientais, no combate às mudanças climáticas e no desenvolvimento sustentável.
Nesse contexto, pela primeira vez, houve a visita ao Japão no âmbito do programa da GPI, realizada pelo convite à comitiva oficial do Senado Federal.
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Espero que este evento contribua para o fortalecimento da cooperação bilateral por meio do compartilhamento de experiências no Japão e de propostas de políticas públicas que foram apresentadas por cada Senador. Estou também muito animado para trabalharmos juntos.
Também, uma vez mais, quero reiterar meus agradecimentos ao apoio dos quatro Senadores. O Japão organizará e recepcionará a Green Expo, a exposição sustentável, que vai se realizar em 2027. Também gostaria de dar seguimento às sugestões que foram mostradas neste palco sobre como desenvolver recursos naturais. Sobretudo no Japão, agora estamos mais interessados em minerais importantes, como terra-rara - e o Brasil é conhecido por ser a segunda maior potência de terra-rara no mundo -, e também sobre como ajudar agricultores de pequenas e médias envergaduras e escalas.
Também fico muito feliz que os quatro Senadores visitaram Hiroshima, testemunhando a recuperação, a reconstrução de Hiroshima após a guerra, e também aprenderam sobre a tecnologia japonesa quanto a desastres naturais. Realmente, o Japão agora está colaborando com o Brasil para compartilhar nossa experiência em desastres naturais: no Estado do Rio de Janeiro, estão em construção barreiras para prevenir deslizamentos, para prevenir desastres naturais.
Também, empresas japonesas estão cada vez mais interessadas em negócios de descarbonização, usando biocombustível, como etanol, em combinação com motores japoneses.
Com esses projetos, gostaríamos de fortalecer ainda mais as relações entre Japão e Brasil. Dessa maneira, Japão e Brasil agora são mais e mais amigos.
Uma vez mais, quero agradecer a todos vocês presentes aqui. Que trabalhemos juntos de agora em diante.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. SERGIO MORO (Bloco/UNIÃO - PR. Fora do microfone.) - Uma foto minha lá que faltou, posso colocar?
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Atendendo a uma solicitação do Senador Sergio Moro, vamos fazer a repescagem da foto que foi censurada. (Risos.) Creio que pela Senadora... Foi fotografada por ele dentro do avião...
O SR. SERGIO MORO (Bloco/UNIÃO - PR) - Só para finalizar, foi a última visão que tivemos do Japão e retrata muito bem a grandiosidade daquele país. Deve ter havido algum lapso ali no encaminhamento das fotos, mas, assim como essa visão para mim foi magnífica, queria terminar minha apresentação e mostrá-la, ela retrata a grandiosidade daquele país. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Está aprovada a fotografia com a qual nós vamos concorrer no próximo concurso de melhor fotografia sobre o Japão lá. Vamos ganhar lá. (Risos.) Eu consulto se algum dos presentes deseja fazer alguma intervenção.
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF) - Presidente, enquanto alguém pensa em falar, a gente não pode deixar de registrar...
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Eu só dei repescagem para a fotografia, mais nada.
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A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF) - Mas é que nós seríamos injustos se não agradecêssemos à Embaixada do Brasil, que nos recebeu de forma extraordinária. Os diplomatas brasileiros - como nos recepcionaram, como cuidaram da gente, e a gente comeu comida brasileira com eles uma noite, foi muito bom - ficaram um pouquinho. Nós estamos com o melhor time de diplomatas fora do Brasil lá no Japão. Alguns eu já conhecia de outros eventos, de outros momentos, de outros países, mas o Brasil está de parabéns, e aqui eu preciso registrar isso. Parabéns pelo corpo de diplomatas e pelo cuidado que eles têm com o nosso povo no Japão.
A gente precisava fazer esse registro também.
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Está previsto ainda que...
Primeiro desejo registrar a presença do Sr. Francisco, Fábio Francisco Esteves, integrante do Conselho Nacional de Justiça, e concedo, por um prazo limitado... E vou explicar por que é limitado: nós temos... A senhora também vai? (Pausa.) Eu e a Senadora Damares temos um compromisso na Polícia Federal...
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF. Fora do microfone.) - Calma! (Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - ... mas nós estamos indo voluntariamente e temos certeza de que vamos poder sair, porque é uma missão do grupo de trabalho que a Comissão de Assuntos Econômicos está levando a termo.
Eu senti aí que um pessoal do Distrito Federal ficou contente quando soube que a senhora ia para a Polícia Federal; esse esclarecimento é necessário.
Por isso eu concedo à Sra. Juliana Gabrielle Isidorio da Silva, da Kenbridge Consultant - que vai falar sobre a viagem oficial realizada ao Japão também, por proposição do GPI -, um tempo limitado, em função da Polícia Federal. (Risos.) Portanto, motivo de força maior.
A SRA. JULIANA GABRIELLE ISIDORIO DA SILVA - Motivos de força maiores, né?
Então, primeiramente, boa tarde a todos.
Ah, está ligado? Está. Boa tarde a todos. Você pode colocar no eslaide dois?
Então, aqui a gente vai apresentar principalmente os objetivos principais da viagem ao Japão no âmbito da GPI, que foram muito bem abordados pelos Senadores.
Foram muito interessantes, por exemplo, os encontros com a Alteza Imperial a Princesa Kako; os encontros com a Jica, com os astronautas japoneses; as visitas, como à Keidanren e aos canais, que são a descarga subterrânea da área metropolitana, que vocês foram em Saitama, e à Organização Nacional de Pesquisa de Agricultura, como foi bem mostrado nas imagens e bem proposto pela Senadora Damares Alves; e, também em Hiroshima, a prevenção de desastres naturais, como bem apresentado pelo Senador Sergio Moro.
E também, no final, a introdução cultural, que era um dos principais objetivos, que é a Fundação Sasakawa para a Paz, a comunidade brasileira no Japão e o Museu de Migração de Yokohama, e também o Parque Memorial da Paz, onde vocês presenciaram os nomes das vítimas da bomba em Hiroshima.
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E isso foi o que a gente gostaria de apresentar como os principais objetivos da viagem ao Japão, que foram muito bem cobertos pelos Senadores.
Obrigada.
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF) - A senhora foi muito modesta.
Ela mostrou assim, gente, mas foram 18 agendas, está? A gente não tinha tempo de dormir não. Ela está mostrando assim, dessa forma, e 18 agendas que, quando eram 12h03, a gente tinha que estar lá 12h03, né?
Outra coisa que a gente aprendeu com eles: cumprir horário.
Mas foram 12 agendas, inclusive a gente poder ter a liberdade de ficar três horas com o Ministro conversando conosco.
Gente, foi tão rico, tão rico, que quem já soube que nós estivemos lá, por exemplo, o Prefeito da cidade de Alexânia, aqui do lado, que já soube que fui lá por conta de prevenção de acidentes naturais, já está correndo ao meu gabinete, porque quer falar com o Embaixador para troca de tecnologia, porque nós estamos enfrentando problema de erosão aqui na nossa região.
Então, assim, o Brasil acompanhou, porque a gente fez questão de mostrar.
Então, você mostrou de forma muito reduzida, mas cada item ali tem cinco, seis agendas diferentes.
E aí, Embaixador, o que foi muito interessante para nós, eu preciso dizer isso, a forma como os empresários nos viram...
Nós não fomos recebidos por qualquer representante da Toyota; foi o principal, era a diretoria principal.
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Foi realmente muito valorizado.
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco/REPUBLICANOS - DF) - Isso.
E eram tantos empresários conversando conosco, e foram divididos em grupos.
Então, nós estivemos com os que falam que são pequenos empresários, aí a gente pergunta quantos empregos eles geraram no Brasil: só 3 mil - pequeno, tá?
Aí, a gente falava com os grandes empresários, de milhares e milhares de empregos que geram no Brasil.
Então, a gente trabalhou com grupos de empresários diferentes, e com esse foco, realmente, de parceria.
Eu prometo que não vou falar mais nada, mas eu fui Ministra de Direitos Humanos, sou a Presidente desta Comissão de Direitos Humanos, e todo mundo sabe que eu trago muito coração, e eu precisava fazer um agradecimento especial ao Japão por não ter desistido do Brasil.
Eu fiz um vídeo, inclusive fiz um vídeo muito emocionante, bombou, milhões e milhões de acessos.
Quando a gente chega ao Museu da Imigração, a gente descobre o que nós fizemos com os nossos imigrantes japoneses aqui, durante o período da guerra, o que a nova geração não sabe.
Vocês sabem que, quando o Brasil se torna aliado dos Estados Unidos, disseram que os nossos imigrantes japoneses eram nossos inimigos, morando no Brasil, e nós tivemos campo de concentração no Brasil. Os nossos imigrantes foram mandados para campos de concentração.
Nós separamos famílias, tiveram seus bens tomados e ficaram isolados no Brasil.
Muita gente não sabe que o Brasil teve campo de concentração para os japoneses. Homens e mulheres que estavam produzindo no Brasil, que estavam trabalhando no Brasil, que estavam dedicando sua vida à nossa nação, e nós os mandamos para campo de concentração, Deputado.
E muitos deles foram levados lá para a cidade de Acará, no Pará.
A guerra acabou. Eles poderiam ter ido embora e nos abandonado. Eles ficaram. Eles não desistiram do Brasil. E a nação brasileira é o que é porque eles ficaram para nos ajudar a construir esta nação.
Então, nós saímos de lá com esse sentimento de gratidão.
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E este grupo de trabalho Brasil-Japão vai honrar vocês por não terem desistido do Brasil. Vocês tinham tudo para ter ido embora, mas ficaram. E fizeram de tal forma essa aliança de amizade, que hoje os nossos filhos querem ser japoneses, e os filhos de vocês também querem ser brasileiros. Os filhos de vocês também querem torcer pelo Corinthians - é Corinthians, tá? É Corinthians. (Risos.) Então, o que a gente fez nos últimos 80 anos? Somos a nação que somos, Deputado, por causa deles.
E nós também colaboramos muito com nossa mão de obra, porque depois, na década de 90, somos nós que vamos trabalhar lá.
Que coisa, né? Eles vêm para cá, em 90 vão para lá, daqui a pouco eles estão voltando para cá.
Que essa amizade dure por centenas e centenas de anos!
Obrigada por não terem desistido do Brasil.
E a gente vai continuar. Já temos um monte de propostas aqui para a gente continuar essas parcerias.
Aos empresários japoneses obrigada, por não terem desistido da minha nação. Obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - Agradeço à Senadora Damares por ter arrematado, de maneira tão nobre e com emoção, esse sentimento de dívida que nós temos, que confronta a cordialidade, a amizade, o apreço, o respeito com que o povo japonês nos recebe e nos recebeu.
E, em função dessa colocação de emoção, eu vou fazer duas observações.
O Sr. Embaixador já sabe disto: Florianópolis, a ilha de Santa Catarina, tem o privilégio, pouco conhecido por nós mesmos, de ter sido o primeiro ponto, o primeiro solo tocado por japoneses no Brasil, 90 anos antes de o navio chegar a Santos, em 1895.
Em 1804, a bordo do navio Nadezhda, russo, sob o comando de Langsdorff, chegou à ilha de Santa Catarina, direto da Rússia, um navio com quatro ex-sobreviventes arrozeiros do Japão, que se deslocaram lá do mar do Japão até o porto, perto de São Petersburgo, de onde saiu esse navio - foi uma sorte, porque isso não estava programado -, e eles ficaram 43 dias na ilha de Santa Catarina. Desenharam peixes, frutas, frutos.
Então, isso é um motivo de emoção, porque o Jardim Japonês está sendo construído agora, está sendo erguido agora na ilha de Santa Catarina. Eu espero que o Sr. Embaixador possa visitá-lo e também a Frei Rogério, onde nós temos uma comunidade de japoneses, que foi integrada por sete sobreviventes da bomba de Nagasaki - um deles, o meu grande amigo Kazumi Ogawa, que me fez assumir, comigo mesmo, o compromisso de sempre conduzir este bóton.
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E nós visitamos o Sino lá em Hiroshima.
Nessa comunidade, mora o Sr. Wataru Ogawa, que vai fazer 97 anos de idade e que tinha 16 anos quando - era um soldado japonês da unidade militar acantonada em Hiroshima - sobreveio a primeira bomba. Ele não estava na cidade, mas estava no território. A sua unidade militar foi deslocada para Nagasaki, e ele conviveu também com a segunda bomba. Ele está vivo, lúcido, usa apoio para se movimentar. Não se pode dizer que seja sobrevivente da bomba, porque eu não sei a qual distância ele estava, mas são exemplos de... Ele é o pai de um grande amigo meu chamado Naoki Ogawa.
São flashes de emoção nessa ligação. E, se nós formos analisar, a maior distância passando por dentro do globo terrestre é exatamente entre o Brasil e o Japão. E de Santa Catarina é um pouquinho mais, do Paraná é mais do que do Distrito Federal e do que de São Paulo, porque é mais ao sul - mais antagônico ainda. E há tantas afinidades, tantas afinidades espirituais, de valores, como salientou aqui o Senador Sergio Moro, de respeito à família, de consideração com os demais. Então, nós temos muita coisa por explorar em matéria de afinidades, parcerias e propostas construtivas, acima de tudo, para fazer melhor.
Eu saúdo esta audiência como sendo um exemplo de busca de mais afinidades e de mais oportunidades.
Que ela se estenda ao Estado de Goiás, que tem exemplos extraordinários. E vou dizer: eu acho que a indústria farmacológica de Goiás tem muito a ganhar com essa afinidade. As atividades econômicas de um gigante como é o Estado de Goiás estão aí - e o Distrito Federal, como já foi salientado pela Senadora Damares.
E concluo dizendo mais uma coisa para complementar, eu diria - não concluir, mas complementar -, o que o Senador Astronauta Marcos Pontes mencionou. Olhem a afinidade, a tecnologia e a ampla possibilidade de, seja a cana - olhe lá a cana que está na personagem que a senhora apresentou, que nós vimos lá no museu, a cana-de-açúcar -, seja o milho... O etanol vai ser o combustível básico do transporte marítimo, e qual é o país que tem mais chance do que nós? Temos parceiros, não digo concorrentes, como os Estados Unidos e a África, mas, na tecnologia, o Japão pode marcar presença e nos ajudar muito, porque é o combustível marítimo do presente, eu diria, ou do futuro imediato. E com um detalhe: as maiores rotas oceânicas de importação e de exportação que o Japão enfrenta - e nós também - vão exigir produtividade e sustentabilidade para o combustível. Isso vem a nosso favor.
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De igual sorte, essa visita que a Senadora não quis fazer, às 4h da manhã ao mercado... (Risos.)
Meu estado é o estado mais pescador do Brasil. Nós temos muito o que aprender com o Japão, porque pelo que nós assistimos lá, naquele gigante monumental - que é aquele mercado -, tem registro desde 1640. Aquilo é uma devoção, não é apenas uma atividade econômica que o povo respeita, que é venerada. O primeiro leilão de atum é uma festa. Um atum, Delegado, por US$1 milhão!
(Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco/PP - SC) - O delegado chega lá e faz uma batida para ver o que tem dentro desse atum, se ele não está transportando alguma coisa mágica. (Risos.)
Então, são tantas as oportunidades que nós temos de ampliar as nossas afinidades na segurança - nós não mencionamos aqui, mas na atividade do bombeiro, para reduzir danos. Que esta reunião seja apenas um marco inicial de uma retomada para, com mais força, celebrarmos a parceria!
E, finalmente, quero pedir uma salva de palmas para o auditório. Eu nunca vi uma sessão durar quase duas horas com tanta presença, inclusive dos que chegaram depois e só não se esconderam porque são pessoas muito grandes, como é o caso do Prefeito de Braço do Norte, que chegou aqui agora. Dá uma levantadinha. (Palmas.) Então, você não se atrasou, você foi o último visitante de uma grande plateia.
Parabéns a todos. (Palmas.) Cumprida a finalidade, agradeço a presença de todos e proponho também a dispensa de licitação... Aliás, a dispensa de leitura. (Risos.) Licitação é perigosa e, ultimamente, para quem vai para a Polícia Federal, é muito ruim. (Risos.) Proponho a dispensa da leitura e a aprovação da ata, que será composta pela lista de presença, pelo resultado da reunião e pelas notas taquigráficas, que eu quero que sejam disponibilizadas também à Embaixada do Japão. As Sras. e os Srs. Parlamentares que aprovarem permaneçam como se encontram.
(Pausa.) Aprovada. Cumprida a finalidade, agradeço a presença de todos e declaro encerrada, com muita satisfação e orgulho, a presente sessão. Muito obrigado.
(Palmas.)
(Iniciada às 14 horas e 14 minutos, a reunião é encerrada às 15 horas e 39 minutos.)