Notas Taquigráficas
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| R | O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP. Fala da Presidência.) - Bom dia. Bom dia a todos. Declaro aberta a 1ª Reunião, de 2026, da Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica, cuja pauta destina-se a - é um item único aqui - realizar audiência pública com o tema "Educação Profissional e Tecnológica como pilar de desenvolvimento nacional: fundamentos, diagnósticos e modelos internacionais". Até o momento, esta frente parlamentar conta com a adesão de 39 Senadores. Meu objetivo é chegar a 81 Senadores. A razão é óbvia, não é? Isso aí é uma coisa que junta, é completamente apartidária, é suprapartidária, na verdade. É importante a gente ter a participação de todo mundo, tanto que o Vice-Presidente da frente - eu sou do PL - é o Paulo Paim, do PT. Já fizemos dessa forma para dar a mensagem logo de cara do que nós queremos dizer com isso. Informo aos Senadores que desejarem compor a frente parlamentar que a adesão é feita de forma digital, através do sistema Sedol. Nossa Secretaria encontra-se à disposição para auxiliar os Senadores e as Senadoras que desejam se juntar aos esforços desta frente parlamentar. Também comunico que esta reunião será interativa, transmitida ao vivo e aberta à participação dos interessados por meio do Portal e-Cidadania, na internet, no endereço senado.leg.br/ecidadania, tudo junto - de novo, no senado.leg.br/ecidadania -, ou pelo telefone 0800 0612211 - de novo, 0800 0612211. Eu tenho aqui uma fala, mas, do jeito que eu gosto desse tema, provavelmente eu vou pular bastante coisa aqui. Mas o que é que acontece? Primeiro, eu gostaria de agradecer a presença de todos vocês que estão aqui e àqueles que estão nos acompanhando também pela TV Senado, pelas redes. Eu espero que eles participem, porque esse é um assunto que interessa a todos nós, em todos os níveis, vamos chamar assim, e por várias perspectivas, no país inteiro. Para quem não sabe, eu sou Embaixador Mundial da WorldSkills International. Quem trabalha com a parte de ensino profissionalizante conhece essa organização. É uma organização que congrega aí dezenas de países, praticamente 200 países, quase 200 países, praticamente a totalidade dos países, com a participação em diversas olimpíadas. Essas olimpíadas trazem jovens desses países todos para competir também em mais de cem modalidades. E ali você vê, conhecendo esses jovens, todo o esforço que é feito para que eles chegassem ali, naquele nível profissional de competição. E cada um deles é disputado - vou colocar uma linguagem... - a tapa entre as empresas, porque são muito bons. Agora, eu lembro que, um tempo atrás, eu dei partida num processo lá na WorldSkills, porque a WorldSkills International tem esta finalidade de criar essas competições, o que é bom para chamar a atenção do assunto, é bom para promover esses profissionais, é bom para as empresas que participam... São eventos enormes. Nós já tivemos aqui no Brasil também uma etapa dela. |
| R | Mas o que me preocupava era o seguinte, eu falava assim: "Venha cá, a gente está tratando do topo da formação desses jovens. E aqueles que não têm condições? E aqueles que moram em países com piores condições sociais? E aqueles que moram na periferia, como eu nasci na periferia também? O que a gente está fazendo por eles?". Então, eu dei uma forçada de barra lá, vamos dizer assim, e a gente criou... Aliás, fez-se o estatuto aqui no Brasil, e depois foi criada na Espanha a WorldSkills Foundation. E até, no videozinho que eles fizeram, ficou bacana que colocaram uma bicicleta em que a roda de trás, a que propulsiona a bicicleta, era a WorldSkills International; e, de repente, aquele símbolo da WorldSkills - que tem, mais ou menos, várias cores assim, saindo, não é? - sai e vai lá para a roda da frente da bicicleta, girando, e é a WorldSkills Foundation. Com qual ideia? Justamente ajudar, por meio do poder econômico dos países que têm tudo já formado, assim como das empresas grandes, os países que mais precisam, as localidades que mais precisam, para criar escolas de formação profissional e poder treinar os jovens que estão nas condições piores ali, para que eles possam também ter uma profissão. Isso aí muda a vida. Então, sobre essa questão de mudar a vida, diga-se de passagem, eu posso falar de experiência pessoal aqui. Uma das razões pelas quais a gente criou essa frente foi justamente a minha experiência, a experiência do Paulo Paim também, que seguiu a mesma trajetória, que é a seguinte. Eu nasci... Onde você nasceu? Eu nasci na periferia. Meu pai era servente de serviços gerais do Instituto Brasileiro do Café - aquele cara que limpa o chão, corta a grama, faz café, o que se chama de faxineiro também. E a gente não tinha a mínima condição de eu entrar numa escola cara, de fazer nada disso, mas eu queria voar. Eu ia para o aeroclube, via os aviões, tinha aquela vontade de ser piloto, mas não tinha dinheiro para pagar hora de voo. Aí os pilotos de lá falaram assim: "Pô, vá para a Força Aérea, na Força Aérea você pode ter uma carreira, pode voar, etc.", mas eu tinha que passar no vestibular. E, além disso, para eu passar no vestibular, o pessoal falava: "Vá fazer um cursinho, um cursinho caro", mas eu não tinha nem dinheiro, nem tempo. Por que eu não tinha tempo? Porque, ao mesmo tempo - eu tinha 14 anos nessa época aí -, eu consegui entrar no Senai. Tinha uma escola Senai dentro da Rede Ferroviária Federal, chamava-se Centro de Formação Profissional Engenheiro Aurélio Ibiapina; a gente chamava de "escolinha do Senai", era dentro da Rede Ferroviária Federal que tinha lá em Bauru, pujante na época. Tinha uma congregação ali de várias ferrovias: tinha a Rede Ferroviária Federal, tinha a Fepasa, tinha a Noroeste, a Sorocabana, essas ferrovias todas se encontravam ali; tinha as oficinas da Rede Ferroviária, que eram bem grandes, muita gente trabalhava lá. E a escola era dentro da Rede. Eu fiz curso de eletricista, e aquele curso me permitiu... Então, de manhã, eu estudava no Senai ali dentro; à tarde, eu trabalhava na Rede Ferroviária Federal, basicamente só comia um sanduíche, meu almoço era um sanduíche de mortadela geralmente. Aí abriam o portão, tinha um portão pelo qual a gente passava dali para as oficinas da Rede, era bem grande, muita gente trabalhava lá. Eu trabalhava à tarde, como eletricista aprendiz da Rede, e ganhava meio salário mínimo. Com aquele meio salário mínimo, eu pagava o curso noturno do Liceu Noroeste, que era a única escola que tinha o curso profissionalizante de eletrônica que eu queria fazer. Então, eu mesmo pagava o meu curso. |
| R | Eu saía de casa às seis da manhã, ia para o Senai, ficava lá, depois à tarde na Rede Ferroviária, voltava às 6h da tarde, tomava banho, jantava, literalmente corria para o colégio, chegava ao colégio e fazia curso de eletrônica. Com isso, quando terminei o ensino médio, eu tinha, na verdade, quatro cursos profissionalizantes, porque eu também fiz um curso de eletricidade, de eletrônica e também de ensaios não destrutivos, um para ultrassom industrial e outro para raio-X industrial. Ou seja, eu foquei em fazer cursos profissionalizantes, porque eu vi daquela forma uma maneira em que eu poderia sair daquela situação de estar ali na periferia. Muitos dos meus amigos daquela época não estão mais hoje aqui porque foram para o lado errado, vamos dizer assim, e quem vai para esse lado geralmente vive pouco, não é? A vida não é... Têm aquela ilusão na hora, os caras vão lá, têm os... Vamos dizer assim, a imagem que eles têm daqueles caras que andam com carro de luxo, com um monte de coisa pendurada, com um monte de mulher, aquela coisa toda, esse tipo de ídolo não é o ídolo que a gente quer para nossa juventude. E aí eu estava fora daquilo, porque eu não ficava lá, eu ficava no trabalho e pensando em outras coisas, fazendo do meu futuro um futuro mais sólido. Por que eu contei essa história toda? Porque, dessa mesma forma como eu estive lá, tem um monte... Se você olhar a quantidade de jovens no Brasil que estão numa situação semelhante, que podem ser, entre aspas, "resgatados", isolados da criminalidade, isolados daquela má influência, por causa de um curso profissionalizante e começarem a ganhar a vida de uma forma, são muitos. Eu garanto. O que eu acredito realmente, e esta é a essência disto aqui que a gente faz, é que se a gente conseguir... Se nós conseguirmos - vou falar um português melhor - aumentar o número de oferta para cursos profissionalizantes no Brasil para essa juventude e motivá-los para fazer os cursos, porque tem esse outro lado, tem que motivá-los para fazerem os cursos, eu garanto que, em dez anos, não precisa ser muito, não, acho que em uns dez anos a gente reduz todos os níveis que a gente vê de criminalidade, uso de drogas e tanta tranqueira que acontece com a nossa juventude, porque muitas vezes eles estão com a cabeça desocupada ou estão com más influências. Então, se a gente conseguir fazer isso, a gente cumpriu uma função social muito grande, através de cursos profissionalizantes e tecnológicos. E você sabe que as empresas precisam muito de técnicos, vão precisar cada vez mais. A gente tem uma evolução tecnológica que precisa de técnicos bem formados - agora com a inteligência artificial entrando e entrando em todos os domínios, inclusive em máquinas CNC, etc. Então, essas formações são muito importantes. O Brasil ainda tem uma quantidade em percentual de jovens no ensino médio muito baixa, no ensino profissionalizante, e a gente precisa aumentar isso. Se a gente pegar países de referência, como Coreia do Sul, alguns países nórdicos, que vão muito bem na WorldSkills, diga-se de passagem, vai-se ver o nível deles lá de 40% acima. O nosso ainda está na faixa dos 10%, no máximo 15%. Então, a gente precisa aumentar muito isso. Então, essa é a nossa função. Eu vejo esta frente com essa função. Eu agradeço muito a todos vocês por poderem participar com as organizações aqui, contribuir com o seu conhecimento, passar o conhecimento para a população, para que ela perceba isso, para os pais, principalmente, perceberem a chance que têm de trazerem os seus filhos. Quando eu falo filhos, entenda filhos e filhas, homens e mulheres - a gente precisa da participação das mulheres, obviamente -, na área técnica, para que eles tenham uma formação. Acho que isso aí muda a vida. Então, como eu falei, muda a vida. |
| R | A partir de lá, eu, sim, passei na prova da Força Aérea, fui fazer minha carreira como piloto, como engenheiro, mas tudo começou... Eu costumo dizer que eu decolei na pista do Senai, nas asas da Força Aérea, para realizar os meus sonhos. É isso que eu quero para os nossos jovens. Então, a gente tem aqui uma função muito importante. E este Senado, este Congresso têm a obrigação de ajudar nisso aí. Ajudar como? Através de leis, através da destinação correta de recursos, porque, se você olhar todos os países desenvolvidos no planeta, todos eles, sem exceção, eu repito muito isso aqui - às vezes uma coisa você repete bastante e a pessoa acaba começando a entender -, o que todos os países desenvolvidos têm em comum? Não é local geográfico, não é língua, não é religião, não é cultura, nada disso. O que eles têm em comum é um investimento focado e consistente - não é um investimento gigante, é um investimento consistente - em educação focada em resultados, e educação profissionalizante é, em essência, isso; e em ciência, tecnologia e inovação. Eu não falo isso porque eu era Ministro dessa área, não, mas porque isso é fato no planeta, basta pesquisar um pouquinho. Então, educação focada em resultados; ciência, tecnologia e inovação, para transformar ideias em nota fiscal e em emprego, ou seja, utilização prática daquilo; empreendedorismo - desde o começo, a gente ensinar os nossos jovens com empreendedorismo -; e ambiente de negócio favorável, redução de imposto, uma melhor maneira de tratar as nossas empresas, o setor privado deste país, de forma que as empresas possam ter lucro, as empresas possam contratar gente, as empresas possam produzir, ter margem para produzir, ter, vamos dizer assim, atratividade para trazer empresas de outros países para virem para cá investir no Brasil. Para isso, a gente precisa dessas coisas. Então, esse é o nosso objetivo aqui. De novo, eu agradeço muito a todos por estarem aqui conosco. E vamos combinar como é que vai funcionar aqui. Vai funcionar da seguinte forma: eu vou passar a palavra para cada um dos palestrantes... Eu chamo de palestrantes, às vezes eu falo "debatedores". Aqui não tem debate. Para os nossos palestrantes, então, eu vou passar a palavra. Nós temos aqui... Tem alguém de forma remota? (Pausa.) Não; então, vai estar todo mundo aqui. Nós estamos esperando mais dois; então, vou deixá-los por último. Vou passar a palavra para cada um. O tempo básico é de dez minutos para falar; então, à medida que vai falando, o relógio ali vai contando os dez minutos, decrescendo, e, quando chega um minuto do final, o sistema toca automaticamente. Não sou eu, não... (Risos.) O sistema toca automaticamente e faz um negócio assim, olhe... (Soa a campainha.) O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - ... para lembrar que falta um minuto. Antigamente - não sei se tem ainda -, aos 15 segundos, entrava a voz de uma mulher... Tem ainda? (Pausa.) Aparece uma voz feminina muito insistente falando "15 segundos" - o pessoal até assusta com ela, não sabe de onde está vindo aquela voz -, mas aí é para terminar. Mas não precisa ficar tão focado, pode terminar a ideia, porque hoje é segunda-feira, um dia mais tranquilo aqui. Se fosse terça-feira - terça e quarta - era mais complicado, mas segunda-feira é um dia mais tranquilo, mas também não extrapolem tanto o tempo. (Risos.) Só tentem ficar por ali para respeitar o tempo dos outros. Então, a ideia é essa, sabe? E, no final, à medida que a gente recebe perguntas da população, a gente vai imprimindo e passando as perguntas para vocês. Se quiserem na própria fala já responder alguma coisa, é bom, para nortear alguma resposta, senão, lá no final, depois que falar todo mundo, eu vou passar a palavra de novo para cada um, por dois minutos para considerações finais, e, se quiserem responder algumas perguntas, citar ali as pessoas, fiquem à vontade. Essa é a hora de a gente responder para a população, que eu acho que tem muita curiosidade também sobre o tema. |
| R | Então, de novo, muito obrigado a todos e àqueles que já antecipadamente... àqueles que nos acompanham aí também. Já tem aqui umas perguntas. Dá para imprimir e passar para eles também? Ah, já está. Aliás, deixe-me já falar então aqui. Essas aqui são as perguntas enviadas aqui. Eduardo, de Rondônia: "Há algum modelo internacional que tenha sido aplicado em um país com proporções continentais?". Eu sei responder, mas vou deixar vocês responderem. Arthur, do Acre: "Como ampliar a educação técnica na saúde e levar qualificação profissional às regiões mais afastadas da Amazônia?". Letícia, de São Paulo: "Quais são as metas para obrigar que as plataformas de ensino superior tenham acessibilidade digital com Libras e audiodescrição?". Renan, de Pernambuco: "Como ampliar a educação profissional e tecnológica sem aumentar a desigualdade no acesso à qualificação e ao mercado de trabalho?". Boa pergunta. Isso é uma coisa importante, realmente. Então, a gente vai fazendo a seguinte sequência aqui, né? Primeiro vai falar a Sra. Roberta Diniz. Aliás, obrigado pela participação. A SRA. ROBERTA DINIZ - Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Só anunciando aqui. Estão presentes aqui conosco: a Sra. Roberta Diniz, que é a Gerente Executiva de Desenvolvimento Profissional do Sest Senat, do transporte. Depois, o Sr. Antonio Henrique Borges Paula, Diretor de Relações Institucionais do Senac Nacional. Depois, a Sra. Marilza Machado Gomes, Especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai. Vê que eu estava falando bastante do Senai aqui também. Sem desmerecer nenhum outro, porque todo mundo faz um papel muito importante. (Risos.) Depois, a Sra. Maria Cristina Ferreira, Diretora de Educação Formal e Infraestrutura do Senar. E depois, o Professor, que acabou de chegar - bem-vindos, fiquem à vontade - o Prof. Augusto Lins de Albuquerque Neto e o Engenheiro José Juarez Guerra. Obrigado aí pela participação. Então, sem mais falação minha aqui, eu passo a palavra à Sra. Roberta Diniz, Gerente Executiva do Desenvolvimento Profissional do Sest Senat. Obrigado. A SRA. ROBERTA DINIZ (Para expor.) - Bom dia, Senador. Quero dizer que, como o senhor, somos apaixonados pela educação profissional e, se deixar, a gente fala mesmo, viu? (Risos.) Como o senhor falou, eu sou Roberta, estou aqui representando especificamente o Sest Senat, mas também todo o Sistema Transporte, que é composto também pela CNT e pelo ITL. Hoje falo em nome do Sest Senat, que é quem cuida da parte de educação profissional dentro do nosso sistema. O Sistema Transporte hoje é composto por mais de 161 empresas e responsável por gerar mais de 3 milhões de empregos diretamente. A gente acompanha diretamente esses empregos. A gente foi convidado para falar dessa pauta e a gente não pode deixar de parabenizá-lo, viu, Senador? Porque a gente está num cenário no qual, quando a gente fala de educação profissional e tecnológica no Brasil, a gente lembra muito de produtividade, competitividade, inovação, inclusão social, desenvolvimento econômico, mas a gente não pode esquecer que a gente está falando de pessoas, né? São trabalhadores que precisam estar olhando para esse futuro. Como o senhor falou, a gente tem que ficar batendo na tecla. A gente passou por um movimento muito forte de educação superior no país, que é muito importante, e acabou esquecendo um pouquinho de como a educação profissional pode oportunizar o que a gente mais precisa, que são empregos diretos, né? Uma média, hoje... A gente tem até uma pergunta sobre modelos internacionais aqui. Países que são ligados à OCDE lideram indicadores de produtividade e inovação, como a Alemanha, Coreia do Sul, Canadá, Finlândia, Japão e Suíça, e eles investem muito fortemente em educação profissional, na integração entre a educação e o setor produtivo, e na formação técnica alinhada às demandas econômicas. |
| R | Eu trouxe ali um dado de que hoje, dos países que compõem a OCDE, 32% dos estudantes estão matriculados na educação profissional, enquanto no Brasil, apenas 8% dos estudantes estão matriculados. Isso gera para a gente um desafio. A gente olha e fala, "meu Deus, que desafio grande!". Mas a gente também entende que isso daí é um potencial de expansão muito forte para a educação profissional e tecnológica como pilar de desenvolvimento nacional. Eu trouxe ali que o fortalecimento de competências é o que vai levar esse aluno para o mercado de trabalho e vai ampliar a empregabilidade. Na Alemanha, eles têm modelos dualizados que integram a formação técnica com a prática, e isso contribui diretamente para consolidação de um mercado competitivo, altamente competitivo. Muitos conhecem aí o modelo da Coreia do Sul, que é um exemplo, né? Em poucas décadas, ela saiu de um cenário de pobreza extrema para se tornar uma das economias mais industrializadas e tecnológicas, apoiando-se fortemente em investimentos educacionais e na formação técnica da sua força de trabalho. O que a gente vê é que países com maior qualificação técnica e maior integração entre a educação e o setor produtivo apresentam os melhores indicadores de produtividade, inovação e desenvolvimento sustentável. Pais e mães que estão aí nos ouvindo, incentivem seus filhos a fazerem EF. Vamos bater nessa tecla, né, Senador? Aqui eu peço emprestado um pouquinho o Mapa do Trabalho Industrial dos meus colegas do Observatório Nacional da Indústria. Está ali a projeção de emprego. Não é a Roberta, não é a Cristina, não é a Marilza que está dizendo, o Antônio, os demais colegas que estão na mesa, são os dados. Até 2027, o Brasil vai gerar 38 milhões de empregos. Quando a gente olha... Aí eu preciso puxar um pouquinho a sardinha aqui para o meu lado. Quando a gente olha lá para o primeiro da fila, logística e transporte vão gerar, até 2027, 8 milhões de postos de trabalho. Como a gente vai fazer para ocupar essas vagas? Esse eixo estratégico de desenvolvimento nacional precisa ser cuidado. E aí a gente se depara com a escassez de talentos, viu, Senador? Quando a gente olha lá para transporte e logística gerando mais de 8 milhões de empregos, a gente chega ali com o primeiro, 91% da escassez de talentos. Nos principais setores da economia, 91% está ligado a transporte, logística e automotivo. Esses dados aí têm que ficar na tela por um bom tempo, porque a gente pensa, né? Com tanta vaga de emprego, hoje mais de 50% das empresas de transporte têm vagas em aberto; não encontra profissional para entrar. O Sest Senat atua fortemente em projetos. A gente fala aqui muito da educação profissional, mas a gente tem programas e soluções educacionais para atração, que foi uma coisa que o senhor falou, muito forte. A gente tem que dar um jeito de atrair esses jovens para dentro desse setor. A nossa força de trabalho está cada vez mais envelhecendo dentro do setor de transporte, então a gente também tem que pensar nisso. Mas está aí. O cenário é desafiador, mas a gente tem uma possibilidade de expansão muito grande. E a gente tem aí a nossa janela de oportunidades. Eu não podia deixar de vir para uma audiência sem falar de como as políticas públicas são importantes para a gente avançar nisso. Há pouco estávamos eu, Marilza, Cristina, Antônio, falando aqui de como o Sistema S precisa se unir para a gente poder sair na frente com possibilidades e com investimento, unir, colaboração, para a gente trazer mais resultados para esse setor. Mas eu também não posso deixar de trazer como as políticas públicas são importantes. Eu trago ali - caso quem esteja escutando aí de casa não conheça - o novo ensino médio, que amplia as possibilidades de integração entre a educação básica e a qualificação para o trabalho, desde 2024; o novo Fundeb, que reconhece a complexidade e a importância dessa modalidade para o desenvolvimento do país; Juros por Educação, que renegocia as dívidas com a União mediante investimentos em cursos técnicos. |
| R | E o novo plano, o novo PNE, que trouxe uma meta estratégica em que 50% de matrículas do ensino médio devem ser na formação técnica, mas a gente entende que isso não é apenas uma meta educacional, é uma meta econômica, social e produtiva para o nosso país. Eu trago mais um pouquinho, para quem não conhece o Sest Senat: a gente tem mais de 174 unidades operacionais espalhadas pelo país; a gente impacta mais de 5 mil municípios. Quem está assistindo e não conhece uma unidade do Sest Senat, eu convido a pesquisar www.sestsenat.org.br e conheça as nossas unidades, a nossa estrutura. Ela não está focada só em educação profissional, viu, Senador? A gente entende o ser humano com o cuidado integral. O senhor falou muito bem que a parte social do Sest é muito forte. Todos os nossos trabalhadores do setor de transporte têm 100% de gratuidade, então a política do Sest Senat é dar gratuidade para o trabalhador e para os seus dependentes. E é importante ressaltar que o Sest Senat não está aqui só para o trabalhador do transporte. A gente também está aberto às comunidades em que a gente está inserido. A gente tem uma plataforma de educação à distância com mais de 190 cursos. Então, convido-os a conhecer, porque a gente entende que o Sest Senat precisa atuar como vetor de desenvolvimento nacional, impactando lá aquela logística que está gerando aquele tanto de emprego - abastecimento, segurança viária, mobilidade, produtividade e competitividade econômica. No ano de 2025, a gente fez mais de 21 milhões de atendimentos que geram mais de 67 milhões de horas de capacitação profissional: 11 milhões foram em saúde e qualidade de vida - nossas unidades todas têm odontologia, fisioterapia, nutrição, psicologia, atividade de esporte e lazer e cultura - olhando esse ser humano de forma integral; e mais de 10 milhões de horas de atendimentos em capacitação profissional, com mais de 3 mil matrículas somente no ano de 2025, e esses números vêm crescendo ano a ano. Falando então um pouquinho também da oportunidade histórica de ampliação para a educação profissional e tecnológica, a gente precisa de ter, nesse planejamento a longo prazo, integração - como eu falei há pouco - entre o Estado e o setor produtivo e os outros do Sistema S, como a gente estava aqui conversando: fortalecimento das instituições de educação profissional e tecnológica, valorização da formação técnica, atualização permanente dos currículos e compromisso com a educação conectada às transformações do século XXI. O desafio da educação profissional, Senador, deixou de ser apenas educacional e passou a ser um desafio de competitividade nacional. O crescimento depende de profissionais qualificados, o ganho de produtividade acontece com a formação técnica alinhada às novas tecnologias, e, para um desenvolvimento econômico sustentável a gente precisa investir, de forma estruturada, em educação profissional e tecnológica. O Sest Senat está à disposição. A gente vai participar dos demais dias do ciclo de debate, porque a gente entende que é muito importante a gente estar aqui junto. Mais uma vez, queremos parabenizar o senhor e dizer que o desenvolvimento acontece quando o país investe nas pessoas que movimentam sua economia. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Muito obrigado. Excelente a apresentação. A Sra. Roberta Diniz, Gerente Executiva de Desenvolvimento Profissional do Sest Senat. E só uma coisa muito rápida para não interferir no tempo também, mas falou uma coisa que eu vivo batendo na tecla aqui da necessidade do nosso país quanto à política de Estado, né? A gente tem que ter. Você falou da Coreia do Sul... Quando eu era Ministro de Ciência e Tecnologia, eu fiz um acordo com a Coreia do Sul. Eu fui lá, conversei com eles com a maior humildade. Eu chegava e falava assim: olha, eu preciso aprender o que vocês fizeram na área de ciência, tecnologia e inovação, porque eu quero ver e adaptar, para que eu faça e repita essa metodologia, as técnicas lá no Brasil, na minha área, do ministério. |
| R | Eles foram extremamente solícitos, no momento que eu falei isso... "não, aqui, o que se precisar..." Aí, abriram lá, me colocaram em contato com uma organização que se chama Stepi, que trabalha diretamente... como se fosse uma secretaria estratégica, uma secretaria de assuntos estratégicos do Governo lá da Coreia do Sul, da República da Coreia. Eu sou também o Presidente - atualmente aqui - do Grupo Brasil-Coreia. Nós colocamos os consultores nossos do ministério com os consultores deles, eles passaram toda a informação completamente aberta. A gente fez um levantamento aqui, uma análise do que nós tínhamos aqui, compararam com o que eles tinham lá e como eles fizeram, trouxeram um relatório de compliance, vamos chamar assim, de tudo que estava acontecendo. Olha, eu segui aquilo, não dá para terminar, porque infelizmente quatro anos é muito pouco para você conseguir fazer uma coisa funcionar. Portanto, políticas dessa natureza, como educação, ciência, tecnologia, essas políticas têm que ser de Estado, elas têm que prosseguir, não importa quem está de plantão, como na linguagem militar, quem está de serviço lá no Planalto, está de serviço aqui, porque, na verdade, isso é um serviço para a população, a gente presta um serviço durante um período, mas o Brasil precisa ter o trabalho alinhado, composto. É igual o juro composto, quando você vai colocando dinheiro um pouquinho no banco, um pouquinho no banco, ele começa a crescer. É a mesma coisa aqui, a gente vai depositando a contribuição de cada um que vai prestando serviço aqui ou no Planalto, seja onde for, isso aí vai aumentando para o país, é disso que a gente precisa. O que a gente não pode é a cada quatro anos fazer uma guinada para um lado, para o outro, perde-se dinheiro, perde-se recurso, perde-se tempo, perde-se gente, não dá. Então, essa questão da política de Estado é extremamente importante. Outra coisa é ter o marketing. Realmente foi feito muito marketing para o ensino superior, que é importante, sem dúvida nenhuma, é importante, mas não adianta nada o cara se formar PhD em nanotecnologia e ter que - nada contra Uber - ficar dirigindo Uber. Tem que ter emprego, tem que ter emprego, tem que abrir... Você vê quantos postos de trabalho nós temos esperando. Esse aí, o setor de tecnologia de informação e comunicação, por exemplo, a Brasscom costuma apresentar, a última vez que eu vi eram, se não me engano, 300 mil ou 400 mil vagas abertas. A gente até colocou lá no ministério um programa chamado MCTI Futuro, para dar a formação gratuita, curta e longa, para o pessoal se formar programador etc. E não é só jovem, não, pode ser para um pessoal mais velho que queira mudar de área. Sobra vaga... A gente precisa ter um marketing para falar para o pessoal: "Olha, é assim que muda a vida", e a gente precisa engajar os pais aí nessa conversa, para que eles percebam que é uma maneira muito boa de os seus filhos decolarem para a vida. Bom, vamos seguir, que eu falo muito, tem que tomar cuidado aqui, quando o assunto é bom, o assunto é importante, né... Então, passo a palavra agora para o Sr. Antônio Henrique Borges Paula, Diretor de Relações Institucionais do Senac Nacional. O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - Bom dia a todos. Eu queria, Senador, primeiro, parabenizá-lo por essa brilhante iniciativa de constituir essa frente parlamentar em favor da educação profissional e tecnológica. Tenho certeza de que, com os 39 Senadores já engajados, você vai chegar muito rapidamente aos 81 Senadores. E aqui represento o sistema comércio, bens, serviços e turismo. Depois da fala da Roberta aí, representando o transporte, eu venho trazer um abraço do nosso Presidente do sistema, José Roberto Tadros, que é seu fã, e um grande abraço do nosso Diretor-Geral, o Marcus Vinicius. |
| R | Eu tinha trazido uma apresentação, mas está com uma distorção ali. Se me permitir, eu vou falar, não vou me ater à apresentação... Não, vai, coloque lá, deixe-me ver se ela volta. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP. Fora do microfone.) - Deixe aberta lá. O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - É, deixe aberta, deixe-me ver se ela... A sua fala, Senador, é uma música para os nossos ouvidos. Eu estava vendo, no início deste ano, no encontro de Davos, um documento: The Future of Jobs Report. Não sei se vocês tiveram acesso a esse documento, que foi lançado no fórum de Davos e fazia uma projeção de que, até 2030, vão ser 78 milhões de novos postos de trabalho. E, além desses 78 milhões de novos postos de trabalho, eles mostravam que 59% de toda a força de trabalho global vai precisar - aí a gente fala - do reskilling ou upskilling. Imaginem vocês! Ou seja, o sistema produtivo muda de forma muito rápida, e aí há a importância da educação profissional. E nós do Senac, nesse início - a gente também vai participar nos três dias, Senador, com muito entusiasmo; é uma primeira reunião da frente -, eu trago aqui alguns números e alguma coisa do que nós estamos ofertando. O Senac comemora, fez 80 anos de idade agora, em janeiro deste ano, e foram mais de 80 milhões de vidas transformadas através da educação profissional. E uma coisa que eu acho muito interessante é que a educação profissional tem dois pontos essenciais, que, inclusive, estão previstos na Constituição brasileira: que é o direito à educação e o direito ao trabalho. Então, há essa junção. Depois da Roberta, estou aqui no comércio de bens, serviços e turismo, em que também estamos vivendo um apagão de mão de obra, apesar de todo o esforço nosso, de todos os trabalhos. Há os números aqui, por exemplo, de 2025, 1,5 milhão de matrículas, 2 milhões de atendimentos, mais de 251 milhões de horas-aulas. Você imagine: 80 milhões de vidas transformadas é muito pouco pelas necessidades do Brasil, muito pouco! E, no nosso setor, nesse dinamismo dele, a gente tem encontrado por todo esse esforço... O Senai vai falar daqui a pouco, a indústria; depois temos também a agricultura aqui; somados com os institutos federais. Você imagine - a Roberta trouxe os números, junto com o Senai, aqui -, há em torno de 14% dos jovens brasileiros com acesso à educação profissional; quando você olha na OCDE, chegam a 44%; alguns países acima de 50%. Quer dizer, quanto nós precisamos avançar nessa oferta, aumentar essa oferta? Como muito bem colocado por V. Exa. num dos itens que mencionou aqui: para aumentar a oferta, como vamos fazer? Aí, se você observar, no nosso caso no que diz respeito à inclusão social, desde que foi criado o nosso programa de gratuidade, foram 7,2 milhões de alunos atendidos, 153 milhões de horas-aulas, 800 mil matrículas, 4,86 bilhões só no ano passado. Você imagine: o setor empresarial tem essa capacidade e esse desafio. São empresários, como o nosso Presidente está... Se a gente não funcionar, vamos ser demitidos; temos que trazer resultados. E a ideia é sempre fazer mais com menos - mais com menos, mais com menos! Então é uma luta constante. Então, se você olhar os nossos números, a gente acaba ofertando mais gratuidade até do que é previsto por lei, porque alguns produtos que a gente cobra de jovens mais afortunados a gente transfere para a gratuidade. Então, é um desafio grande que a gente tem aí: como aumentarmos a oferta. |
| R | No caso do Aprendizagem, foram 46 milhões de horas-aulas gratuitas, 187 mil matrículas em 2024. E tem sido, Senador, uma questão interessante. Apesar da lei, da obrigatoriedade, a gente tem descoberto, neste momento do apagão, que Aprendizagem tem dado resultado. Exemplo: uma rede de restaurantes no Rio de Janeiro, de comidas japonesas, a cota de aprendizagem seria 1; ele resolveu, num projeto conosco, fazer uma experiência... Eu vou falar o nome do restaurante: Gurumê, a rede Gurumê. Aí pegaram 30 jovens, filhos de funcionários, e os levaram para fazer Aprendizagem. Foram todos empregados, e o dono do restaurante, muito contente, feliz. O que a gente percebe, na sua fala, além de aumentar a oferta, é a questão da divulgação do mundo da educação profissional. Eu não sei o que ocorreu, mas parece que foi tirado do jovem a possibilidade de sonhar, de se imaginar como você falou aqui, o que nos deixou todos emocionados. Eu não sabia da sua trajetória, como jovem, procurando a educação profissional através do Senai... (Intervenção fora do microfone.) O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - Aprendiz! E, naquilo ali, você já começa a sonhar com uma ocupação, com uma profissão, porque várias dessas ocupações e profissões os jovens não sabem! E aquele estudo de que eu falava... Algumas nem existem ainda! Então, como também a gente pode conseguir levar a esses jovens essa possibilidade de sonhar com uma ocupação, uma profissão, seja na formação inicial continuada, seja na formação tecnológica ou superior? O tempo está indo rápido. Estou vendo que tem só três minutos. Além disso tudo - você como Ministro da Ciência e Tecnologia -, nós sabemos da importância da inovação, da pesquisa e do desenvolvimento, para o nosso comércio ser competitivo, para o nosso setor ser competitivo. Então, hoje, a gente está com 74 hubs de inovação, 18 núcleos de pesquisa aplicada, 2 CATIs e ICT, com perspectiva de crescimento rápido. Aquelas questões que o Eduardo coloca, de Rondônia, do Acre... Hoje, o Senac tem uma estrutura gigante. A gente até brinca: onde tem Senac, tem Sistema Comércio. São mais de 2.241 municípios atendidos, com 711 unidades operativas. Nós estamos falando de centros de educação profissional, estamos falando de Empresa Pedagógica... Inclusive, aqui na Casa, aqui embaixo, no Senado, nós temos um restaurante-escola, atendendo os senhores, na formação na área de gastronomia. Unidades de ensino superior são 31. E, para aquelas regiões nas quais você tem uma demanda que não justifica a construção de um prédio, de uma estrutura, a gente tem a modalidade de carreta-escola e, na Região Amazônica, de um barco-escola, que vai até as regiões ribeirinhas, faz o atendimento e volta. E há também a nossa Rede EAD, com 362 polos. É um portfólio de mais de mil títulos de cursos, uma coisa muito dinâmica, com mais de 29 segmentos profissionais. É um modelo pedagógico com uma marca formativa no qual se trabalham hard skills dentro do domínio científico, comunicação, visão crítica, autonomia digital, atitude sustentável, atitude empreendedora, que você colocou também como ponto de destaque aqui, que entendemos que tem que permear todo o processo da educação profissional... E há uma série de outras questões, como o Senac Empresas. |
| R | Eu vou passar um vídeo - é um minuto, estou vendo que eu tenho um minuto ainda - e depois queria fazer um convite. Pode passar. (Procede-se à exibição de vídeo.) O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - Que pena. Já aproveitando e fazendo o convite, nesse espírito da divulgação do mundo da educação profissional, nos dias 15 e 16 de maio agora - ou seja, sexta e sábado -, o Brasil inteiro para e nós fazemos a Semana S do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Então, é uma mobilização gigante. Todos os que estão aí... Eu vou convidar o Eduardo, de Rondônia - vai ter lá em Rondônia -; vai ter, Arthur, no Acre; a Letícia, que fez a pergunta de São Paulo, e o Renan, de Pernambuco, vai ter também a Semana S lá, nos dias 15 e 16. Coloquem na agenda, entrem no site também, tentem. E gostaria muito de contar com a presença de todos, para que vocês possam vir a conhecer o mundo da educação profissional e nessa área que aqui eu estou representando, comércio de bens, serviços e turismo, que é uma das áreas que mais emprega no nosso país, quando a gente fala do setor terciário - e a gente já está avançando no quaternário e no quinário, principalmente na agenda do turismo, que diz respeito às experiências que as pessoas podem ter, seja numa loja, num restaurante, numa viagem, e o valor que essa experiência pode gerar. Enfim, gostaria de convidar todos e aproveitar aqui esta oportunidade, Senador, para, mais uma vez, parabenizá-lo por esta belíssima iniciativa. E conte conosco, vamos estar juntos, de mãos dadas, para transformar a vida de um número gigante de novos jovens. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Excelente. Muito obrigado, Sr. Antônio Henrique Borges Paula, Diretor de Relações Institucionais do Senac Nacional. Eu queria só colocar alguma coisinha também, que, ouvindo aqui, a gente vê uma cultura, não, mas uma narrativa que a gente tem que encerrar no país, que não pode acontecer, que é aquela assim: o nós contra eles, basicamente eu sou o funcionário contra o empresário. Não existe isso, todo mundo trabalha junto. Se não se juntar tudo isso, a gente não consegue se desenvolver. Nós precisamos ter essa conexão, porque, através da empresa... Eu entrei lá para trabalhar na Rede Ferroviária. Eu ia ser contra? Lógico que não. Aquilo ali foi a maneira como eu consegui. Então, a gente tem que pensar no nosso setor produtivo como uma maneira de se alavancar socialmente no país, e isso é importante. Aqueles que têm o tino empresarial é importante incentivar também que participem: sejam empresários. A gente está aqui na luta. A gente precisa reduzir imposto, melhorar o setor, melhorar o ambiente de negócio do país, mas a gente precisa que as pessoas se envolvam com isso aí. "Ah, eu não quero ser funcionário", então empregue, tenha funcionários para fazer. A gente precisa ter essa participação. É o primeiro ponto que eu acho importante: é acabar com esse negócio de nós contra eles. Não existe esse tipo de coisa. Isso é uma bobagem que só prejudica o país e prejudica as pessoas e todos nós ao mesmo tempo. |
| R | Outra coisa: falando especificamente sobre o comércio, que está em todo lugar, é aquela pequena... Eu não sei o número certo, mas certamente um percentual muito alto dos empregos do país são ligados às micro e pequenas empresas, que estão ali; o comércio faz parte disso aí. Toda cidade tem o seu comércio. Uma preocupação que eu tenho é como levar... Eu estava falando isto - eu sou Presidente do Conselho Superior de Inteligência Artificial da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) -: nós precisamos achar uma maneira de levar as tecnologias para as menores empresas, para melhorar a produtividade, a efetividade da empresa, a eficiência como um todo, a logística e assim por diante, e a inteligência artificial, sem dúvida nenhuma, é uma ferramenta muito boa para isso. Uma das maneiras de a gente levar isso é justamente através da aprendizagem industrial, do ensino técnico, porque são esses alunos que vão levar lá... "Olha, ele trabalha no comércio, na esquina lá do bar do Seu João", e ele fala assim: "Poxa, eu posso usar a inteligência artificial para melhorar esse negócio; eu aprendi a fazer isso aqui". E usa, faz mudar essas coisas. Então, a gente precisa levar isso para dentro das pequenas empresas. Quero lembrar que agora tem reforma tributária; está acontecendo. Eu estou vendo as cidades um tanto, vamos dizer assim, ainda não preparadas para isso, os municípios, os Prefeitos... É preciso estar preparado, porque vai mudar a cultura, a maneira, principalmente na questão de anteriormente - ou de até agora - do pagamento de imposto: de na origem para pagamento de imposto no destino. Isso significa que as cidades vão ter que arranjar maneiras de as pessoas gastarem mais na cidade. O comércio é uma das maneiras, o turismo também, e assim por diante. Para fazer isso, você precisa aumentar os negócios nesses setores; para isso, a gente precisa de pessoas trabalhando, precisa movimentar a economia. A economia tem que girar: a pessoa ganha dinheiro num lugar, gasta ali no outro; as cidades têm que ter isso aí. Não dá para ficar na expectativa de que vai ficar só com ajuda de fundo de participação, só com... Não! Tem que ter, realmente... Então, é um ponto... Toda vez que eu vejo o comércio - e o comércio está espalhado em todo lugar -, eu penso nisso aí. Na sequência, eu passo a palavra à Sra. Marilza Machado Gomes, Especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai, para os seus dez minutos. A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - Bom dia a todos. Senador Marcos Pontes, muito obrigada pelo convite. O senhor até brincou aí do tempo, né? Realmente, é um tema apaixonante; todos aqui somos aguerridos na defesa da educação profissional. Enfim, vou controlar ali para que o tempo seja a contento, digamos assim. Quero agradecer o convite para estar aqui, para o Senai estar representado neste debate, nesta reflexão na Frente em Favor da Educação Profissional e Tecnológica, em nome do Diretor Leone, e quero parabenizá-los. Sem dúvida, acho que... Acho, não; com certeza, a educação profissional vem em um momento muito forte de crescimento e de amadurecimento no país. Nós temos um arcabouço, na própria política desenhada aqui por este Congresso, que vem alterando legislações, seja a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, seja a nova configuração do Plano Nacional de Educação, seja o Sistema Nacional de Educação... Quer dizer, nós temos aí um arcabouço muito forte, estruturante da educação profissional e tecnológica. Então, acho que isso também nos traz um pouco mais de responsabilidade, porque ela, somada a esse arcabouço - os juros por educação -, vai trazer aí um horizonte de crescimento muito forte. E isso precisa ser feito com muita responsabilidade. |
| R | E a gente entendeu que valeria a pena trazer um pouco, muito rapidamente, de contexto, somando aqui com os meus colegas - cada um já trouxe um pouco também -, e, depois, nesse processo, dialogar com a realidade, com o próprio modelo Senai, no que bebe dos outros países. E o senhor conheceu de dentro, o que é muito bom. Existe, com certeza, esse cenário internacional que todos aqui conhecem e que são mudanças que estão impactando muito diretamente a realidade das pessoas, dos setores produtivos, da sociedade, e a gente precisa constantemente estar atento a isto no âmbito da educação profissional: mudança tecnológica, transição verde, mudança demográfica, a fragmentação e também a alteração geopolítica que o mundo passa; e essas incertezas econômicas, que são desafios que diretamente influenciam a educação profissional e o desenho da educação profissional e tecnológica; desdobrado no que o senhor até citou também, a inteligência artificial, no caso da indústria, mas também de todos os setores; o processo de digitalização dos processos; e a consciência em relação à responsabilidade sobre o impacto das mudanças climáticas e a responsabilidade de todas as empresas e de todos nós como cidadãos em relação à sustentabilidade. Tudo isso interfere numa nova forma como a gente dialoga, acessa a aprendizagem, os conhecimentos, as informações, trazendo para as instituições educacionais um novo desafio, que é pensar qual é essa nova forma de aprender e de desenvolver aprendizagens. Isso tem impactado... São alguns números da perspectiva também do Fórum Econômico Mundial - sem sombra de dúvida, é uma excelente referência como fonte -, no que diz respeito a 23%, quer dizer, quase um quinto vai sofrer alterações em termos dos perfis profissionais já, porque tudo agora é muito próximo em termos de impacto. A própria substituição das atividades humanas por atividades automatizadas ou tecnológicas, e também a combinação disso, que é outro desafio. Aqui ela já trouxe, vou passar, mas só trazendo que, em termos da escassez de talentos para o Brasil, é de 81% o número de empresários que aponta isso como um dos grandes problemas que se tem. E uma pesquisa recente que a CNI fez no ano passado junto com o Senai, ali no canto à esquerda, diz: "A gente tem que ser produtivo o tempo todo, parece que se parar um pouco já está atrasado". Então, essa ansiedade, essa característica que a gente vê na juventude, que também quer ser autônoma, não quer emprego precarizado, "Não, CLT, não!", tem um pouco até dessa configuração. Mas, quando você aprofunda, ele quer estabilidade, ele quer um salário bom, ele quer os benefícios, então tem até um cenário contraditório ao qual a gente precisa estar atento para poder entender melhor. Quer voz ativa, quer reconhecimento, desenvolvimento, liderança... Quem de nós não os quer, não é? |
| R | A gente tem também um outro elemento, que é pensar nesses que estão fora da escola. Por que eles estão fora da escola? O que os atrairia? Num percentual maior ainda, em relação às mulheres. A gente vai desperdiçando esses talentos, essas pessoas, essa formação. Temos melhorado, mas ainda está bem ruim, com 24% nesse grupo. Aí os meus colegas - tanto a Roberta quanto o Antônio - falam sobre o nosso país, sobre como a gente ainda vem melhorando em relação a esse percentual de jovens que fazem ensino médio e também têm acesso à educação profissional, mas a gente está atrás até... O senhor citou alguns países, mas nós vamos trazer aqui que até na América Latina a gente está atrás de Chile, Colômbia e Costa Rica. Então, a gente precisa ponderar sobre isso. Já melhorou um pouco esse indicador, mas a gente ainda não tem esse comparativo internacional. E aí, quando a gente olha um pouquinho do ensino superior também - porque a educação profissional também vai para lá -, a gente vê uma concentração de 34% em administração e em direito, mas 16% nas carreiras Stem, que são as carreiras mais do núcleo duro da produtividade, da indústria, da geração de PIB, da agregação de valor, e a média da OCDE em 2025. Então, a gente precisa repensar a nossa política de estímulo à ciência, como o senhor bem conheceu, tantas ações tentou emplacar e comentou sobre isso. São questões em que os outros países investem, e o Brasil ainda é muito frágil nessa promoção do conhecimento dessas áreas de Stem nos jovens da educação básica. Então, o ensino de ciências ainda é muito a matéria, é o conteúdo, e não a área ou o que ela significa em termos de potencial de formação, de trabalho e de futuro - muito pouco. Enfim, aí é a contradição entre vagas abertas e o que a gente tem de formação. Então, o que a gente vê como consequência nessa carência de profissionais são empresas que ficam mais limitadas em termos de inovação, de produtividade, com esse desalinhamento entre oferta e demanda, que traz o que o senhor também comentou. Isso impacta não só em termos das empresas, mas em termos também do próprio país, porque as pessoas ficam mais dependentes da assistência social, porque elas precisam ter complementação de renda. Então, na perspectiva da empresa, do país e das pessoas, não é uma combinação muito positiva ou nada positiva, digamos assim. E um pouco aí de reflexão: a gente tem esse gap de empregabilidade, que comentamos aqui rapidamente, com essa ruptura; e o talento é desperdiçado, um balde ali furado, em que a gente vai perdendo as pessoas, os jovens, os trabalhadores ao longo do processo. E como a gente faz, então, para reverter esse cenário? A gente tem que pensar em caminhos que tenham realmente uma política de educação profissional que pense não só naqueles que são jovens e que estão na escola, porque, muitas vezes, é a isso que é ligada a educação profissional: ao curso técnico. É entender que a educação profissional é bem mais ampla do que isso e inclusive precisa de estratégias.... (Soa a campainha.) A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - ... e políticas de qualificação e requalificação - sabia que a campanha ia bater. Desculpem, só mais um... Vou tentar ser rápida. Então, um dos pontos mais centrais disso que a gente conhece e vê em todos os países em que a educação profissional dá resultado é, de fato, ter uma formação que atenda a demanda do setor produtivo. É isso que assegura qualidade, empregabilidade e todas as consequências que ela traz. Isso aconteceu e acontece em países desde pequenos, como a Austrália, Nova Zelândia, Singapura, com essa característica de, de fato, o setor produtivo apoiar até a indicação da política pública em relação ao que ela financia da educação profissional, sem subordinação. Não vamos entrar nessa discussão, mas ela sinaliza onde vão ter vagas de emprego e onde o cenário é mais positivo. |
| R | (Soa a campainha.) A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - Agora eu vou rapidamente passar pela experiência do Senai, que foi criado em 1942. É o primeiro Serviço Nacional de Aprendizagem, que começa lá desde os primórdios ali da indústria até hoje, cada vez mais com a máquina assumindo a Indústria 4.0. Nesse processo, o que a gente tem como marca é justamente uma educação profissional alinhada à necessidade da indústria, com aprendizagem significativa, competências que são aquelas demandadas pelo setor industrial. Portanto, a gente tem indicadores de empregabilidade muito positivos. Associado a isso, também o braço de inovação e produtividade com prestação de serviços. O Senai também tem vários institutos de tecnologia, de inovação espalhados pelo país afora. Dentro desse alinhamento, nós temos um círculo virtuoso da metodologia Senai de Educação Profissional, que começa com uma série de instrumentos que captam da indústria quais são essas tendências, essas demandas. A Roberta até citou o mapa da indústria, que traz esse levantamento para todos os setores, mas cada um de nós - Senac e Senar também têm o seu - tem isso de uma forma estruturada, com monitoramento, com avaliações permanentes, tanto de aprendizagem como do sistema de avaliação, muito estruturados, com mais de dez anos. Foi o que, inclusive, nos levou a ter um assento no Pisa-VET da OCDE, que está sendo estruturada, que é a Avaliação Internacional de Educação Profissional Tecnológica. Temos aí, nestes 42 anos, mais de 95 milhões de trabalhadores beneficiados; anualmente, 3,2 milhões de pessoas foram atendidas no ano passado; 515 unidades fixas mais as móveis, mais docentes e grupos. (Soa a campainha.) A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - Temos aí já a primeira universidade, o Cimatec, muito conhecido de todos na Bahia. O nosso novo Diretor-Geral veio de lá, era Reitor. Temos aí uma atuação com muitos parceiros internacionais e até esse reconhecimento justamente por esse alinhamento que temos. Tanto um reconhecimento que vem por parte das empresas, dos ex-alunos e do que a gente traz para o cenário nacional, que é o nosso principal público, mas também por todo o processo que vem nesse olhar, em termos de alinhamento, da transformação digital que o Senai fez não só de incorporação de tecnologia, mas a mudança da cultura, da ferramenta, dos processos de aprendizagem acabou nos levando a esses reconhecimentos como boa prática em várias publicações... (Soa a campainha.) A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - ... mudando de uma escola de curso para uma escola de carreira, que é o que a gente estava falando: para cada perfil, para cada situação, para cada idade, nós temos um desenho específico de formação que faz a diferença. |
| R | Terminando, aprendizagem profissional é um tema que está na nossa gênesis, né? Empresa, aprendiz e o Serviço Nacional de Aprendizagem são as instituições que têm a primazia. E, nesse caso aí, nós temos o reconhecimento por parte da indústria. Recente publicação de uma pesquisa na América Latina, com recorte nacional, diz, inclusive, que o Jovem Aprendiz é a política mais conhecida que o próprio Enem, chamando atenção, isso é de novembro de 2025. Então, no Congresso, temos aí esse desafio de assegurar a aprendizagem de qualidade também, que é um debate importante que está nesta Casa do Senado, e a gente precisa cuidar para que ela siga... (Soa a campainha.) A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - ... sendo uma ocupação. Muito obrigada e desculpa aí passar tão rápido, mas queria dar tempo. (Risos.) O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Depois da decolagem, passa rápido. (Risos.) Olha, muito obrigado, Sra. Marilza Machado Gomes, Especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai. Teve uma coisa que você chamou a atenção, e é importante a gente ver isto: essa contradição que a gente tem no Brasil. Tem tanta gente em estado de pobreza, muitas vezes passando fome até, e, por outro lado, tem um monte de emprego sobrando. Tem algo errado nessa equação, essa equação não fecha. Tem que ver o que está nesse meio aqui. Como é que a gente faz para transformar? E é aí que vem a função dessa frente, a função deste Congresso, a função dos três Poderes lá - do Executivo também e, logicamente, do próprio Judiciário -, em ajudar nesse tema. Eles têm que trabalhar para ajudar e não para prejudicar. Então, veja, nunca teve um momento tão fácil, eu diria assim, para se conseguir emprego. Você tem a tecnologia decolando em uma série de áreas. É relativamente fácil, hoje, você buscar conhecimento, as possibilidades de você criar uma empresa, por exemplo, de inteligência artificial. Não é a mesma coisa que você criar uma empresa de química para fazer remédio, porque precisa de um investimento inicial gigante, um capex muito grande. Não, você precisa de um investimento inicial menor. Você tem sistemas de apoio a serem desenvolvidos, você tem todos os... Ou seja, é difícil você imaginar o que está acontecendo nesse meio do caminho. A gente precisa curar o Brasil, na verdade, dessa... E muito vai... Porque eu vejo, assim, que não é a questão só de ter um sonho. "Ah, eu tenho um sonho de ser..." Como eu vi ali, "eu quero ter sucesso na vida". Primeiro, o que é sucesso? Ah, sei lá, ter dinheiro, ter saúde, ter um relacionamento bom, tem uma série de fatores contribuintes, vamos chamar assim, para o sucesso. Mas como é que você chega a essas coisas? É o trabalho do dia a dia, é aprender no dia a dia, é fazer aquele pouquinho em cada dia. Na verdade, como eu vejo, não é realizar um objetivo. Deixe-me ver como é que eu começo a explicar isso. Não é realizar um objetivo; é você se transformar para aquele objetivo. E é aí que vem... A pessoa não sai da onde ela está para aqui, para cima, sem se transformar. A pessoa que vive aqui hoje, nesse meio, nessas condições, tem que se transformar naquela outra pessoa que vive naquele outro meio. Aí é o sucesso de verdade. Você não faz isso de um dia para o outro. E a formação, a aprendizagem faz parte disso, aprender faz parte disso, né? Bom, vamos para a frente. Eu passo a palavra agora à Sra. Maria Cristina Ferreira, Diretora de Educação Formal e Infraestrutura do Senar. Obrigado. |
| R | A SRA. MARIA CRISTINA FERREIRA - Bom dia, Senador. Muito obrigada pelo convite. É uma honra estar aqui, nesta mesa repleta de especialistas em educação profissional. O Senar é uma instituição do Sistema S, como os demais companheiros que temos aqui. Estamos a não tanto tempo fazendo educação profissional, há trinta e poucos anos apenas, mas procuramos entender muito bem, como a Marilza comentou há pouco inclusive, o setor que nós representamos. Então, em nome do nosso Diretor-Geral, o Daniel Carrara, agradeço o convite. O Sistema CNA Senar, que nós representamos, inclusive publicou agora, recentemente, uma edição, juntamente com a Cepea, um boletim sobre o mercado de trabalho no agro. Hoje nós estamos respondendo por 26,3% da população ocupada no setor. Estamos com 28 milhões de vagas e oportunidades de emprego no país. É um setor também que tem a tecnologia chegando ao campo. Nós temos a agricultura de precisão, nós temos a pecuária de precisão demandando urgentemente profissionais qualificados. A mão de obra no campo deixa apenas de ser aquela mão de obra para lida para ser uma mão de obra com profissionais que entendam da capacidade e da tecnologia que também no campo está se atualizando muito. E ela não chega apenas para o grande produtor, ela chega para o pequeno produtor inclusive. Então, o Senar, nessa perspectiva, toma o cuidado de organizar ofertas de cursos de formação inicial, continuada e de formação técnica que atendam o setor de fato e proporcionem essa qualidade de formação do ponto de vista de... O senhor falava muito isso no início, não é? A educação profissional técnica é uma oportunidade de formar reais profissionais, tanto que, ao final de um curso técnico, o aluno que chega lá na fase final obtém um diploma, porque é uma profissão reconhecida pelo mercado de trabalho. E a gente trabalha há muitos anos - Marilza e eu inclusive trabalhamos com a reforma da educação profissional no MEC - para trabalhar uma forma de as pessoas reconhecerem isto, como não é necessário exclusivamente chegar ao nível superior para que você se torne um profissional com valor e merecimento necessários para reconhecimento e atuação neste país. Então, no Senar, nós tomamos o cuidado de valorizar esse profissional. E a forma como trabalhamos, desde a construção do perfil de profissional em que a gente se baseia para elaborar um curso, já tem essa origem: organizamos currículos que vão atender o setor que a gente representa, vamos formar profissionais que vão ter um retorno, principalmente para sua propriedade - aí é porque nós atendemos prioritariamente, claro, o produtor ou o trabalhador rural, mas a população geral também. |
| R | E aí a gente observa que, inclusive por esses dados que eu mencionei anteriormente, nós temos conseguido aumentar o empreendedorismo no campo. O produtor deixa de olhar para a sua propriedade apenas - como a gente chama de "para dentro da porteira", para o cuidado de entender ali do processo de produção -, para entender a sua propriedade como um negócio rural. Isso valoriza a forma como ele reconhece o seu trabalho e comercializa o seu produto, criando um ciclo mais harmônico. Ao mesmo tempo, há um cuidado da interação com a comunidade: a comunidade entender de onde vem o leite, de onde vem o queijo, de onde vem a origem do alimento, não é? Essa troca é fundamental para a gente valorizar cada vez mais o trabalho no campo. Então, o Senar tem uma formação técnica um pouco mais recente, em que a gente conseguiu observar nos últimos dez anos que a gente chegou mais próximo das pessoas no interior deste país, através da educação profissional técnica à distância. Então, tomamos todo um cuidado de levar a formação à distância, respeitando aí o que a legislação nos pede, mas que para nós também é essencial, que é a indissociabilidade entre teoria e prática. Para nós é fundamental a mão na massa literalmente. Para que ele entenda o processo de produção, agrícola ou de manejo animal, ele precisa necessariamente desse aspecto. Então, ao longo desses dez anos, construímos um processo educacional que valoriza essa formação, tanto do ponto de vista teórico, em que a gente usa de plataforma... Mas o cuidar da plataforma educacional é para ela ser capaz de ser acessada lá no interior deste país. E a gente está nas cinco regiões, não é? Hoje nós estamos com 310 polos em todo o país, nas cinco regiões, estamos no Acre, estamos em Rondônia, estamos no Amapá, estamos em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, da mesma forma. Em todos os cursos, levados de maneira igual, a gente valoriza, na formação prática, por exemplo, a realidade local. Então, o aluno tem acesso a um conteúdo pleno, teórico, e aí com uma equipe robusta de tutores à distância, monitoria, tutor presencial, conteúdo, vídeo, podcast, mas tudo acessível com a capacidade da conectividade - a gente sabe dos limites de conectividade no campo, não é? Então, todo esse material é produzido e elaborado para proporcionar uma real formação profunda que vai - e aí eu gostei das falas tanto do nosso colega Antônio quanto da Marilza, e a Roberta mencionou isso, não é? - transformar a vida das pessoas no campo. O público que normalmente nós mais atendemos são adultos. Temos procurado conquistar, como o senhor menciona aí, os jovens, até para reter o jovem no campo, porque o campo, de novo, está trazendo novas e mais oportunidades de emprego. Mas o que a gente observa muito hoje, Senador, é que as pessoas que estão no campo entenderam isso e também estão procurando se profissionalizar. E aí o nosso grande volume de pessoas, a grande maior parte das pessoas que hoje fazem a formação técnica no campo, são pessoas entre 25 e 35 anos, adultos, que estão entendendo a importância de terem uma formação. Eu tenho um vídeo para exemplificar um pouco dessa minha fala, que eu gostaria de passar e que traz aí alunos nossos do Estado do Piauí. |
| R | (Procede-se à exibição de vídeo.) A SRA. MARIA CRISTINA FERREIRA - Obrigada. A gente está inclusive com um processo seletivo em andamento para a entrada de novos alunos. Obrigada, Senador. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Olhe, eu que agradeço. Parabéns pela apresentação. Para quem estava acompanhando, já viu ali as datas. Também pode entrar em contato com o Senar e-Tec. Há alguns pontos aqui também com relação à questão técnico e engenheiro. Eu sou engenheiro, eu me formei lá no ITA, que é ótimo, mas eu acho que eu sou um muito melhor engenheiro porque eu tive um curso técnico, porque você tem a mão na massa, você sabe quão difícil é fazer uma coisa ou qual o melhor processo. Às vezes um engenheiro, sem essa experiência prática, pensa num sistema e, de repente, se esquece de deixar um espaço para você, ao fazer a manutenção, poder acessá-lo. Como é que eu vou fazer? Eu vou ter que tirar metade do equipamento para fazer aquilo lá. Para ter uma ideia, na própria estação espacial nós tivemos esse problema. Só um comentário aqui, vou contar história. No interior, a gente gosta de contar história. Os nós da estação são aqueles módulos que têm seis conexões que conectam elementos de vários pontos. E dá para se notar... Eles não são um módulo em que está previsto ter laboratórios, elementos de laboratório, mas eles são um ponto de passagem. Então, você tem o nó 1, por exemplo, conectando o laboratório americano, conectando alguns PMAs, ajustes de pressão, etc. Com isso, você obviamente imagina que vai passar muita cablagem, muito sistema - tem sistema de hidrogênio, tem sistema de oxigênio, tem água passando, refrigeração. |
| R | Como é que passa tanta fiação por dentro daquilo lá? Aí você fala: "Eu tenho...". Para engenheiro: "Ah, eu tenho lá aquele sistema de... Você faz com CAD, faz com isso, você desenha tudo ali". Ótimo, só que não dá para se confiar só nisso, porque o que aconteceu na prática - e foi no nó 2 esse negócio - é que depois que foi feito, durante a montagem já do nó... Ninguém percebeu isso durante as reuniões técnicas todas. Durante a montagem real, do hardware real, aí começaram a notar: "Espere aí, como é que a gente vai colocar esse negócio lá? Não passa, simplesmente não tem espaço para passar tanta cablagem nesse ponto". Você vê uma coisa básica, mas aparece. Por que eu estou falando isso? Porque o técnico é aquele que sabe, que está ali, vê na prática. Você sabe como é que funciona, como é que... Então, quando você é um engenheiro, mas já teve experiência prática, é outra história. E tem que ver o seguinte também: as empresas, de forma geral, precisam muito mais de técnicos do que de engenheiros. Nada contra a minha profissão, mas você precisa de dois, três engenheiros ali e você precisa de muitos bons técnicos que vão resolver o problema no nível lá. Então, e tem muitos países desses aí que foram citados em que o técnico ganha muito mais do que o engenheiro. E isso aí aqui também, entendeu? O dono de uma empresa, muitas vezes, precisa de um técnico, paga muito mais para o técnico do que para o engenheiro novinho que chegou lá e ainda não sabe nada. Você precisa ter o técnico. Então, está aí a primeira dica para o pessoal que queira fazer curso técnico. A segunda coisa é como que as coisas são conectadas, não é? Você vê, a gente tem aqui a parte de logística, transporte, que carrega... Vamos pensar num cenário assim: o transporte carregando bens que foram produzidos na agricultura, pelo agro, pela pecuária lá no interior. Mas, para que a pecuária funcione, precisa-se de sistemas de tecnologia que são indústria, a indústria que fabrica esses sistemas conectados. Mas esse negócio tem que ser vendido em algum lugar. Aí entra o comércio, entra... Então, você vê que tudo é interligado à formação. É um sistema, realmente. E, dependendo do gosto da pessoa: "Ah, eu gosto mais de ficar no verde. Eu gosto de ficar mais perto da natureza". Então, trabalha no agro, não é? "Não, eu gosto do movimento das pessoas, de estar no comércio, ficar ali, naquele movimento. Eu gosto de me concentrar e fazer um sistema funcionar". Que nem esse é mais ou menos o meu perfil, assim, na indústria. (Risos.) Eu gosto de ver a movimentação das coisas, estar lá. Às vezes, as pessoas não se tocam com a complexidade que é a logística de você passar... Eu fui visitar o Porto de Houston, por exemplo. Eu nunca tinha ido visitar por dentro de um porto, ver como é que funcionava. É um negócio extremamente complexo ali de fazer tudo isso funcionar. E, ainda sobre o agro, nós tivemos aqui, eu que presidi uma audiência pública falando sobre reaproveitamento ou extensão de aproveitamento de poços de petróleo. E aí foi falado a respeito lá do Texas, por exemplo, nas propriedades lá: o cara entra na propriedade, tem lá um cavalo para puxar óleo ali. E, é o agricultor, a empresa, aquilo é uma empresa. Ele fica olhando lá: "O preço vai subir, eu vou produzir mais". Produz uma quantidade x de barris ali, aí o vizinho produz tanto. E isso aí complementa todo esse sistema. Então, é importante a gente ter isso funcionando e precisa de gente para trabalhar. É aonde eu vou chegar: precisa de gente para trabalhar ou empreender no meio. Eu passo a palavra agora ao Prof. Augusto Lins de Albuquerque Neto, para a sua apresentação de dez minutos ou um pouquinho mais. Fique à vontade. |
| R | O SR. AUGUSTO LINS DE ALBUQUERQUE NETO - Gostaria de cumprimentar o Senador Astronauta Marcos Pontes, cumprimentar a todos e agradecer a oportunidade de estar aqui para falar da educação profissional e tecnológica como pilar de desenvolvimento nacional no tema desta audiência, que é sobre os seus fundamentos diagnóstico e modelos internacionais. Tentarei falar a respeito disso no tempo que me foi dado. Para mim, causa muito orgulho estar aqui e satisfação também. Gostaria de dizer que me agrada essa ideia de uma frente parlamentar no Senado, órgão tão importante, para lutar por uma causa comum como esta, que é a EPT. Uma causa que me diz respeito há quase 50 anos, primeiro como aluno, depois como trabalhador, depois como docente da EPT, gestor da EPT e cá estamos nós. Um dos fundamentos da EPT é a própria Constituição, que preconiza, vejam só, o direito à profissionalização como dever da família, da sociedade e do Estado, com absoluta prioridade. A realidade, a gente sabe que não é bem essa. E aí está, eu acho, um grande espaço para esta frente trabalhar. Vejam uma situação quando você, por exemplo, não cumpre uma das metas de matrícula em cursos técnicos do PNE, o que pode causar: por exemplo, a diminuição das oportunidades de acesso à formalização da profissionalização para amplas massas de jovens. Isso eu sei que está no radar da frente desde a sua constituição e eu acho que deve estar daqui para a frente no nosso radar também. Um dos outros fundamentos da EPT é a própria história que vem desde longe, é muito longa a história da EPT, vem desde a antiguidade. Aqui a gente tem um pequeno recorte e vejam só como o Brasil entrou atrasado nisso. A coisa começou a andar mais ali por volta do final do século XVIII, com a criação dos liceus, a Poli aqui de São Paulo, Rio, enfim. Formalmente as escolas de aprendizes de artífices foram criadas só em 1909, que depois se tornaram escolas técnicas federais em 1959. E daí vocês têm alguns marcos: o Senai; o Sistema S, a partir de 1942; lá em São Paulo, em 1969, o Centro Paula Souza, responsável pela rede fabulosa de formação de tecnólogos; até chegarmos ao segundo ciclo do nosso PNE. Outros fundamentos que a gente tem que buscar para a EPT, até para a gente contribuir para o seu incremento, é no espaço, no espaço global. A gente falou um pouco do tempo, agora vamos falar um pouco do espaço. E a gente não pode ficar restrito aqui só ao país. Então, ampliando, para buscar referenciais e bons referenciais, aí está uma ideia. Alemanha, Singapura, Japão, Coreia do Sul, por quê? São detentores de alta tecnologia, o que reflete na sua EPT local, e possuem indicadores bastante interessantes. Você pega, por exemplo, o Japão, que tem um fabuloso número de formandos na área de, que a gente poderia chamar, ensino superior de tecnologia, com bastante inserção no mercado de trabalho. Há estatísticas no Japão que demonstram que esse tipo de egresso da EPT de lá tem mais inserção, por exemplo, do que os doutores de lá, mais inserção do que quem só faz evidentemente ensino médio - muito mais inserção. |
| R | Cada um, então, tem o seu destaque. Singapura se destaca bastante também nesse aspecto do ensino superior tecnológico, da integração entre o ensino secundário, o técnico, o tecnológico e a universidade, com o aproveitamento, inclusive, de créditos, para estimular, inclusive, que as pessoas estudem nos níveis mais abaixo, com perspectivas de aproveitar isso lá em cima e assim sucessivamente. Vejam só os PIBs per capita desses países e comparem com o nosso. Acho que é válido supor que há uma correlação entre o PIB per capita de um país e o que se faz em EPT em relação a este país. Isso é muito importante para a nossa reflexão. Vamos falar um pouquinho mais aqui sobre a Alemanha. E, quando se fala em Alemanha, não se pode esquecer do paradigma do Sistema Dual, que é concreto, não é simplesmente jogar o aluno dentro da empresa. É concreto porque, na prática, o aluno passa, considerando a semana de estudos, um a dois dias na escola profissional, tendo a teoria, e três a quatro dias por semana na empresa, com a assistência de um instrutor qualificado, e a certificação é nacional, tem avaliação de processo, que é avaliação intermediária, tem avaliação final, certo? A participação da empresa é intensa, como já disse. A participação de câmaras setoriais é importante, porque elas participam da avaliação. O papel do Estado é de organizador do processo, fomentador, e entrega para a ponta a realização. Vamos falar um pouquinho mais agora também sobre a Coreia do Sul. A Coreia é um exemplo importantíssimo, já foi trazido aqui pelo Senador, mas vale a pena sempre dar uma olhada. Em 70 anos, eles foram - digamos assim - do inferno ao céu, devido às guerras e por aí vai... Já resolveram o problema da escolaridade básica universal desde 2012. Primeiro lugar no Pisa em matemática, mas não somente, em literatura e em ciências. São 245 mil matrículas no técnico secundário, numa população de cerca de 50 milhões de habitantes, não é pouca coisa isso. De fato, a EPT é o motor do crescimento da Coreia, juntamente com a educação em geral, e isso desde os anos 60, certo? Eles têm um sistema lá chamado Meister High School, inspirado no Sistema Dual alemão, que faz, basicamente, o que se faz na Alemanha em termos de formação profissional. Evidentemente que eles têm outras dimensões em EPT, que contempla também o tecnológico, a integração, como a gente tem comentado aqui. Voltando aqui para o Brasil - e ficando no Brasil daqui até o final da minha apresentação -, eu acho que é preciso olhar com atenção as atividades econômicas todas, com um pouco mais de atenção, sim, à questão da indústria, que é a que mais necessita de mão de obra altamente qualificada para resolver problemas que são, dependendo da indústria, mais complexos. Ela é também importante quando se olha não só os empregos, mas quando se olha a arrecadação, tributos federais, as exportações, tanto quando você olha o quadro geral da indústria quanto quando se olha o quadro geral da indústria de transformação. Mas a EPT não atende só às atividades econômicas, ela atende ao indivíduo trazendo mais empregabilidade, por exemplo; à família, com maior mobilidade social; à comunidade, elevando a renda local; ao setor produtivo, aumentando a produtividade, trazendo inovação; à nação como um todo, contribuindo para a soberania tecnológica, entre outras dimensões. |
| R | Caminhando para o final e pensando no que fazer, dispomos de uma estrutura formidável que contempla o país todo, ali tem uma distribuição com escolas na área rural, na área urbana, um número considerável de matrículas, quando se consideram todos os cursos, inclusive os cursos de curta duração, que não podem ser esquecidos, porque eles ajudam na formação continuada. E, quando a pessoa está envelhecendo, quando a população está envelhecendo cada vez mais, é preciso pensar que vai ficar mais tempo no mercado de trabalho. Os nossos países de referência estão enfrentando esse tipo de problema. Como? Investindo mais na formação continuada, para dar mais condição para as pessoas permanecerem mais tempo no mercado de trabalho. (Soa a campainha.) O SR. AUGUSTO LINS DE ALBUQUERQUE NETO - Um diagnóstico. Desafios: Informalidade beirando 40%, baixa qualificação, déficit de acesso, com base no que a gente trouxe aqui e, evidentemente, com base no que a gente conhece e em outras coisas que já foram trazidas. Possíveis oportunidades priorizadas para um primeiro diálogo entre nós, uma reflexão: demanda latente em vários setores; uma base de consumo formidável, dada a nossa pujança na economia, o que oferece oportunidade de serviços técnicos em vários setores, incluindo a indústria; e uma infraestrutura latente, com capacidade de expansão, conforme foi visto. O que fazer? Algumas propostas, com destaque para ampliação de matrícula; adoção do modelo dual, quando necessário e, se for o caso, com todos os cuidados; proteção da carga horária, para melhorar a qualidade; modernização da infraestrutura, até com a possibilidade de redução tributária... (Soa a campainha.) O SR. AUGUSTO LINS DE ALBUQUERQUE NETO - ... avaliação e mérito, para manter a qualidade e avançar. Integração macroeconômica. Quando se pensar em política pública para a educação profissional, não se esquecer de que há uma contribuição da educação profissional e tecnológica, como vimos, através de tributos e outras dimensões, para o país, para a família, para o indivíduo. Então, é preciso pensar nisso à hora de traçar uma política pública, certo? Fechando, não devemos nos esquecer dos modelos referenciais internacionais, não devemos fechar os olhos para as atividades econômicas que mais importam, não podemos ficar parados, porque isso tem custo alto para a sociedade como um todo. Creio que o papel do Parlamento é muitíssimo importante nessa linha de fazer com que, como na Coreia, por exemplo, a EPT seja, de fato, uma política de Estado. Muito obrigado. Fico à disposição. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Muito obrigado ao Prof. Augusto Lins de Albuquerque Neto pela sua apresentação, com a qual concordo 100%. Nós citamos em vários pontos isso aí, a política de Estado é essencial, tem coisas em que a gente não pode ficar nessa dependência, seja lá quem for que esteja de serviço. A gente precisa colocar uma coisa para o Brasil para ter um sentido e seguir todo mundo, obrigatoriamente seguir. Mas a gente vai chegar lá, a gente vai chegar lá. Eu passo a palavra agora ao engenheiro José Juarez Guerra, nos seus dez minutos. Obrigado. O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Bom dia a todo mundo. Queria parabenizar o Senador pela iniciativa desse trabalho que, para mim, é uma coisa que eu venho buscando há muito tempo: assim, como participar mais. |
| R | Então, quando eu fui convidado para participar desse trabalho, eu fiquei muito, muito feliz. O Prof. Spada me convidou, que você conhece tanto, né? Amigo nosso em comum, né? Inclusive, estivemos jantando uma vez, eu, você e ele. Depois eu te conto, você vai lembrar. Naquela época, você andava de macacão ainda, da Nasa, visitando as escolas, aquela festa, né? Muito legal. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP. Fora do microfone.) - Tem que fazer mais ainda. (Risos.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Vamos, vamos. E eu fiquei muito feliz de poder participar, trazer minha contribuição, não só como engenheiro, mas como empresário. Diferentemente do Senador, eu tomei outro caminho, tomei o lado empresarial. Mas já com meus 42 anos de idade, é um pouco diferente, né? Então eu falei, "poxa, se eu tenho essa possibilidade de levar lá, mostrar o que eu estou fazendo"... o Roberto falou isto para mim, o Spada falou assim, "vai lá e fala o que você está fazendo". Eu falei, "eu vou falar o que eu estou fazendo". Como é que eu arrumei tanto tempo para fazer tanta coisa? Não sabia que eu tinha condições de fazer tanta coisa. Tudo ao mesmo tempo agora. Então, vou contando assim, e vocês vão falando para mim, se eu estiver atrapalhando, vocês me tiram daqui, tá? (Risos.) Tenho dez minutos para fazer a coisa. Então, foi assim, eu sou engenheiro eletricista, mas se você procurar no meu currículo, está escrito assim, a primeira coisa está escrita assim, "eletricista formado pelo Senai de São Paulo". Então esse é o meu maior orgulho. E depois vem que eu sou técnico, depois vem que eu sou engenheiro, depois quantas línguas que eu falo, por aí. Então, lá nos idos de 1972, eu entrei na escola do Senai lá do Ipiranga, e foi aí que deu o start para eu começar a entender o que era a vida. Porque no Senai se aprende fazendo, o Senai ensina para a vida. Mas eu não quero aqui fazer apologia do Senai, eu quero dizer que para mim a educação profissional é uma ferramenta de transformação social. E essa ferramenta é poderosíssima. E eu quero ver como é que a gente consegue, no final da minha palavra aqui, traçar alguns mecanismos, como é que a gente consegue, como se diz em italiano, trascinare; trascinare é puxar; trascinare... Então eu quero ver como é que a gente consegue puxar para cima as empresas para vir trabalhar junto com a gente. Então, eu acho que estou realizando um sonho meu de poder estar com a gente tão capacitada e falar nesse nível que eu estou aqui. Roberto Mange, que era suíço, depois se naturalizou, e o Roberto Simonsen, que era brasileiro, os dois tinham o sonho de começar lá, em 1942... O Mange entrou com a parte pedagógica e o Simonsen com a liderança dele, empresarial - e também foi Senador. Ele viabilizou o Senai. E para quê? Exatamente para poder ajudar, naquela época, a formar mão de obra para a indústria, que estava engatinhando no Brasil, nos anos 70, anos atrás, mais ou menos. Estava engatinhando. Mas lá, quando eles fizeram isso, não foi só isso que eles fizeram. Eles viabilizaram o sustento para o crescimento econômico do país, conectaram o trabalho e a educação, justamente para reduzir as desigualdades. Aí já começou a vir... Mas aí, Senador... |
| R | Eu queria tentar segurar um pouco a emoção, porque eu vou falando e vai vindo de dentro, assim... (Manifestação de emoção.) Eu queria saber como é que é possível um menino de Bauru sair de lá, de pai e mãe humildes, assim como eu, ir para o ITA, depois ir para a Nasa e levar o nosso país lá à Lua? Fale para mim como é possível. Como é possível um menino que nem eu, filho de pedreiro - meu pai tinha o 3º ano primário -, de família humilde, italiana, vinda da Itália, com 42 anos, depois de uma trajetória importante estudando no Senai, primeiro técnico, depois engenheiro, ir à Itália e convencer os italianos a virem aqui abrir uma empresa, gerar emprego e renda no nosso país? Diferentemente do senhor, eu fui para o lado empresarial. Eu faço parte da Fiesp - não da Fiesp diretamente: eu sou Vice-Presidente da Abinee, junto com o Barbato, que o senhor deve conhecer -, do grupo de transformação digital, sou Conselheiro lá, com as pequenas e médias indústrias. Eu faço esse trabalho lá também, e eu pergunto assim: como é que se faz isso aí? Como é que se consegue fazer isso? Isso não foi obra do acaso, não foi sorte; foi a oportunidade que foi dada de a gente se formar eletricista, depois técnico, depois engenheiro, e isso me deu a possibilidade de ir lá e conversar com eles. Se eu não tivesse isso, eu não teria conseguido trazer os italianos para cá. Dez anos depois, fui para a Argentina, abri uma filial na Argentina; dez anos depois, fui para o Uruguai, abri uma filial no Uruguai; eu tomo conta da América Latina inteira - eu e meus dois filhos, porque é uma empresa familiar, como a Itália sabe... A Itália tem bastante empresa familiar; nós também somos uma empresa familiar. Agora, tudo isso só foi possível porque foi isto que aconteceu: aprender uma profissão, porque o Senai não forma somente um profissional, ele desenvolve a pessoa. Eu, quando abri a empresa, fui buscar nas fileiras do Senai, nas escolas técnicas - eu vou falar o nome do Senai muito aqui, porque é umbilical, é um negócio, assim, incrível! - do Senai, todos os meus funcionários, para poderem trabalhar na nossa empresa. Então, se você for lá hoje, você vai ver lá que eu pergunto: "Você passou pelo Senai, né? Você passou pelo Senai!". Realmente, é a formação técnica, é isso que o Prof. Augusto acabou de falar, colocar aqui, é isso que vocês três, e o Sr. Antônio também falou aqui: está tudo ligado, e a gente precisa levar isso para a frente. Agora, já à época eu sentia problema na mão de obra, e continuo sentindo agora. E vou dizer: na Argentina está a mesma coisa, viu, Presidente Senador? Na Argentina está a mesma coisa, e nos outros países da América Latina... Eu tenho visitado o Sena, da Colômbia, o Senati, do Peru, o lá do Chile também; sou apoiador das Olimpíadas do Conhecimento - você esteve lá naquela época, você esteve junto -, tanto da do Brasil quanto das estaduais; a Olimpíada do Conhecimento das Américas, eu também apoio, né? |
| R | Então, eu fui assertivo em realmente buscar esse pessoal para poder ajudar a gente a construir a empresa e fazê-la chegar aonde nós chegamos. Não quero nem posso ficar fazendo propaganda aqui, mas nós somos a primeira do Brasil. Como é que você faz 19 filiais, você é a quarta no mundo, com uma inflação como a da Argentina, com uma moeda como a nossa, você ganhar da Suécia e estar no quarto do ranking mundial? Quer dizer, isso aí tudo, eu tenho orgulho de ter estudado educação profissional, de ter feito a minha trajetória através disso aí. Eu tenho no meu escritório, Senador e presentes aqui... (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - ... um recorte que eu fiz de um jornal do Henrique Meirelles, já quando ele estava acho que na primeira fase em que ele foi Presidente do Banco Central, em que diz assim: "Um dos gargalos mais sérios e objetivos que o Brasil pode enfrentar nos próximos anos é a mão de obra treinada em todos os níveis". Está lá atrás da minha mesa, um pedacinho assim pequenininho de jornal. Sempre uso essa frase para dizer: a gente tem que melhorar isso, como a gente consegue tirar essa pedra da frente. É por isso que eu vim aqui, para conversar com vocês sobre como a gente fazer. A gente tem que fortalecer as parcerias, atualizar a formação técnica, investir em laboratórios, aproximar o ensino da indústria. (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Aí começa, Professor, a conversa mesmo, porque o que eu mais tenho vontade é de que as empresas comecem a estar mais perto das escolas. Estamos no cenário aqui falando, eu ajudo a participar dos planos de curso, vários planos de curso. Se não for eu, eu mando alguém da minha empresa. "Poxa, você deve ter 500 funcionários..." Nós temos 50 famílias aqui e mais 20 na Argentina. Não tem um monte. "Mas como é que você encontra tempo de fazer tudo isso aí?" Bom, hoje, depois que nós crescemos, meu filho cuida da Argentina, minha filha cuida do Brasil. E eu vou fazer isso aqui que eu gosto, que é a educação profissional. (Risos.) Eu tive uma reunião com o Presidente da companhia sexta-feira, foi isso aí: "Você está fazendo o que você gosta, né?". Então, cara, você tem ideia... Você fala: "Pô, Juarez, você faz isso em São Paulo? Por que você é de São Paulo..." Não, a gente apoia, a gente está treinando o pessoal do Acre, do Amapá, de Fortaleza, Ceará, do Rio Grande do Sul, todos os estados do Sul. (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - A gente tem feito esse treinamento, tem levado as tecnologias, que eu acho que a empresa tem que fazer isso, ela tem que disponibilizar. Nós criamos hoje uma plataforma que eu chamo Didatikos, feeding for education, exatamente onde se concentra tudo isso aí e leva esse material. Então, Senador, eu queria encerrar aqui dizendo que eu queria diminuir esse degrau. Nós temos que criar mecanismo para diminuir esse degrau entre a indústria e o ensino, porque tem que lapidar, a indústria tem que lapidar... Porque, às vezes, a escola entrega, mas a gente não consegue colocar a pessoa, porque tem essa... É por causa da distância. Nós temos o que fazer. Quando eu estudei lá em Ipiranga, eu ficava seis meses na escola e seis meses na Volkswagen. E foi aí que eu dei o salto e fui para a frente. |
| R | Eu não sei se eu pulei um pouco, mas é isso que eu queria falar. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Obrigado. O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Eu também tenho bastante contato com o Paula Souza, com o Instituto Federal de Educação, eu os apoio. Nós do ensino à distância participamos bastante lá; nós temos dois ou três vídeos que nós fizemos apoiados pelo Senai - se entrar na plataforma do Senai, você vai ver os vídeos que nós colocamos lá -, levando a nossa tecnologia, diminuindo essa distância, dando apoio aos professores. Temos que poder apoiar os professores, fazer com que eles cresçam. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Sem dúvida! O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Desculpe-me, mas é isso aí. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Obrigado. Olha, muito obrigado ao engenheiro José Juarez Guerra pelos seus comentários, história. Parabéns! Você vê que é uma coisa interessante: a gente tem aqui uma conjunção do Sistema S com uma parte pedagógica, na parte da educação, com o exemplo prático da empresa. Eu acho que é justamente essa junção de fatores que faz com que a gente possa ter chances no nosso país de realmente sair. Por isso que eu acredito tanto nessa frente, por essa conjunção, sabe? A única maneira de se fazer isso é com essa conjunção de fatores, a gente trazer... Logicamente, a gente vai trazer também o pessoal do Governo, da parte do Executivo, vai trazer... Porque, com isso, a gente consegue achar as soluções, o caminho: como é para a gente sair lá da periferia e conseguir chegar aqui, como a gente faz esse caminho? Eu falei aqui, um pouco antes, eu vou repetir aqui essa contradição que nós temos hoje de tantos empregos, tantas oportunidades, de um lado, e tanta gente precisando e parada, do outro, passando fome muitas vezes, pobreza, uma série de coisas, sendo que não precisa, não precisaria estar naquela situação, na dependência de bolsa, na dependência de Governo - não precisa estar nessa situação! Pode ter seu emprego, dignidade, crescer, fazer o que quiser, ser empresário, ter recurso e tudo isso. O caminho está aberto, é questão de começar a andar para chegar. Agora a gente tem que ajudar a manter essa estrada aberta. É como eu digo: Legislativo, Executivo, a política de forma geral, espalhada nos três níveis da Federação, a gente precisa realmente ter essa possibilidade! E, quando eu vejo, nas escolas, uma coisa que foi falada também aqui, com que concordo 100%: a escola profissionalizante, dentro da sua cultura - e eu lembro-me muito bem dos meus professores na época falando disso -, não é só o conhecimento, é a competência como um todo. Tem o conhecimento, sem dúvida nenhuma, você precisa saber o que vai fazer; tem a habilidade, você precisa saber como fazer aquilo; mas a parte da atitude também é muito importante, como encarar a vida e como usar aquele conhecimento. Aliás, muitas vezes as pessoas não vão para a frente, porque não sabem que podem ir para a frente, por incrível que pareça, não sabem que podem ir para a frente! E o conhecimento abre a cabeça, você falar assim: "Cara, se você tem esse conhecimento, você consegue fazer. Olhe quanta oportunidade que tem!". E, aí, de repente a pessoa abre o olho, em vez de ficar olhando só para o chão, achando que: "Eu sou um coitado, eu não vou conseguir fazer nada!". Mas de repente ela levanta e olha: "Não, eu posso fazer um monte de coisa". Eu acho que a educação tem esse sentido de fazer a pessoa levantar a cabeça, olhar para a frente e conseguir ver o que pode fazer, inclusive. Então, eu vejo aí uma oportunidade e tanto que a gente tem de trabalhar junto e usar esta frente para ajudar a fazer resolver, porque cada Senador aqui - eu não vejo isso só do ponto de vista do Legislativo; lógico que a gente está aqui, pode fazer leis, pode modificar leis, pode modificar uma série de coisas no sentido do arcabouço legal, mas não só isso -, cada um desses tem uma influência no seu estado, conhece o Governador, conhece os Prefeitos, conhece as instituições internacionais também, no meu caso e no de outros aqui. A gente tem que ajudar a fazer funcionar isso aí. É essa oferta da influência positiva em troca do desenvolvimento, não é em troca de benesses ou qualquer corrupção - a gente tem vergonha de ver muita coisa assim -; é ao contrário, é ver essa influência sendo usada de forma positiva, que tem que ser feita. |
| R | Bom, eu vou retornar a palavra para todos aqui, um a um, para as considerações finais, mas queria só relembrar aqui as perguntas que foram feitas. Eduardo, de Rondônia: "Há algum modelo internacional que tenha sido aplicado em um país com proporções continentais?". Até já foram respondidas algumas coisas, só estou relembrando. O Arthur, do Acre: "Como ampliar a educação técnica na saúde e levar qualificação profissional às regiões mais afastadas da Amazônia?". Letícia, de São Paulo: "Quais são as metas para obrigar que as plataformas de ensino superior tenham acessibilidade digital com Libras e autodescrição?". E há outras coisas também, lembrando que não é só isso, não. A gente tem... Eu estava conversando, esta semana, sobre autismo e outras coisas. A gente precisa ter um foco aí para resolver ou ajudar a resolver esse problema. O Renan, de Pernambuco: "Como ampliar a educação profissional e tecnológica sem aumentar a desigualdade no acesso à qualificação [...]?". Eu acho que é o contrário, é ampliar para reduzir. É justamente isso que ajuda, como foi falado nos exemplos aqui locais. Agora, para as considerações finais, como a gente combinou no início, eu vou retornar a palavra para todos, iniciando pela Sra. Roberta Diniz, que é Gerente Executiva de Desenvolvimento Profissional do Sest Senat, para dois minutos de considerações finais e se quiser responder algumas das perguntas. Obrigado. A SRA. ROBERTA DINIZ - Sim, claro. E me chamou muita atenção a pergunta da Letícia, de São Paulo. Apesar de o Sest Senat não ter educação superior, o que ela comenta aqui, a gente precisa falar do acesso das pessoas com deficiência a isso de que a gente está falando aqui. Hoje, nós temos mais de 12 milhões de pessoas com deficiência em idade produtiva no Brasil. O Sest Senat tem programas específicos, a gente tem um rol grande de mais de 30 cursos acessíveis em Libras, com autodescrição, mas aqui eu quero falar especificamente para o José Juarez, ele como empresário. Recentemente, a gente viu lá o dado de logística. Para uma empresa de logística muito forte aqui no país - acho que posso falar, é o Mercado Livre -, a gente entregou de uma vez só 968 pessoas com deficiência, o que ajudou a empresa a cumprir as cotas de acessibilidade, mas a gente entregou para essa empresa pessoas capacitadas, aptas em educação profissional, formadas em educação profissional, em algum curso, como curso de Assistente de Operação Logística, e aí foram variados... (Soa a campainha.) A SRA. ROBERTA DINIZ - Esse pessoal a gente também precisa olhar. Tem vaga? Eu acho que a Letícia estava muito preocupada com isso, quando ela fez essa pergunta. Então, quando a gente for pensar em políticas públicas, a gente tem que pensar nas pessoas com deficiência, o que é muito importante para ajudar a manter esse quadro mais resolutivo. E, novamente, quero parabenizar o senhor, Senador, agradecer e falar dessa paixão. A gente também fica muito feliz mesmo de estar aqui falando sobre educação profissional, porque a gente sabe, como o senhor falou, que a gente quer dar essa possibilidade para as pessoas terem liberdade econômica, acesso ao trabalho, que é o que dá dignidade para as pessoas deste país. Muito obrigada. Parabéns! O Sest Senat está à disposição. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Eu é que agradeço. Eu agradeço muito à Sra. Roberta Diniz, Gerente Executiva de Desenvolvimento Profissional do Sest Senat. |
| R | Nesta semana, a gente acabou de votar aqui, eu aprovei duas coisas ligadas à inclusão, o que é importante também dentro desse contexto - inclusão digital, no caso. Nós aprovamos um dos meus projetos - eu sou o autor - de inclusão para pessoas com mais idade - eu não gosto de terceira idade; pessoas que já têm mais experiência -, porque eles acabam sendo vítimas de estarem desconectadas do mundo digital e acabam sendo vítimas de fraudes e outras coisas, além de sair da possibilidade de trabalhar no setor. E tem muita coisa que pode ser oferecida. A gente tem mais experiência, a gente está mais velho, já viveu muito, então precisa ter a ferramenta agora. Inclusão digital é extremamente importante. Eu aproveito também um, como Relator do Jader Barbalho, aqui, de inclusão digital para ribeirinhos, quilombolas e indígenas. E a gente precisa ir também para o lado das pessoas com deficiência, para trazer isso aí, para trazer todo mundo para dentro, para poder usar inteligência artificial, com o que existe de ferramentas digitais. Então, é importante isso aí. Eu passo a palavra, então, para as suas considerações finais, de dois minutos, para o Sr. Antônio Henrique Borges Paula, Diretor de Relações Institucionais do Senac Nacional. O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - Senador, mais uma vez, quero parabenizá-lo pela iniciativa - é um prazer imenso - e agradecer, mais uma vez, o convite. Podemos estar com vocês nessa construção desse trabalho que já faz parte da história do país. Acho que este momento em que se instala a Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica já é um marco que já está constando nos Anais desta Casa e, de uma forma geral, da história do nosso país. E, reforçando a sua fala, Senador, se nós olharmos no caso do Senac, comércio de bens, serviços e turismo, a nossa administração superior é toda feita por empresários. Então, você tem empresários que estão à frente dela, divididos nas câmaras setoriais - tem a Câmara de Turismo, a Câmara de Farmácia. E aí, já respondendo, porque eu tinha passado rápido nas respostas, o Arthur, em relação à saúde... (Soa a campainha.) O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - ... nós temos um trabalho da saúde integral tanto na formação inicial e continuada, como na tecnológica e superior. E chegamos - viu, Arthur? - lá. Basta entrar no site. Fico à disposição para entender o nível de escolaridade dele, para saber se ele pode entrar na formação inicial e continuada, tecnológica ou superior, mas temos todos esses níveis na área da saúde. E quero dizer, Senador, dessa satisfação de ir junto. De mãos dadas com você, podemos estar construindo aí os próximos passos dessa reviravolta, dessa mudança não só no aumento do número de vagas, mas na questão de divulgar essa possibilidade dessas ocupações que existem. Também eu queria dizer, Senador, que, no ano que vem, em 2027, nós acertamos com o Sena - um pouco antes, acertando também com os nossos companheiros da agricultura... (Soa a campainha.) O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - ... e do transporte - e vamos trazer para o Brasil uma reunião da OIT/Cinterfor, que trabalha com todas as instituições de educação profissional da América e Europa. Acertamos aqui. Já queria deixar aqui que constasse em ata desta frente parlamentar que acredito que em... vai ser em junho de 2027. Nós estamos em 2026, falta... (Intervenção fora do microfone.) O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - Não, mais do que isso; vai ser o nosso conferencista, vai ser o nosso mestre maior - né, Juarez? Nossa Senhora, seria uma honra imensa. Então, como vocês falaram, o Sena, da Colômbia, o Infocap, todas essas instituições vão estar juntas. E esse benchmarking é muito importante. E, para fechar, a nossa satisfação como Senac, Senador, é termos conseguido muitas medalhas no WorldSkills. |
| R | Temos vários alunos, inclusive formados aqui nesta Casa, que vão estar agora em Xangai, e você, como embaixador da WorldSkills, temos a certeza e a esperança que vamos trazer muitas medalhas para o Brasil, o que mostra... (Soa a campainha.) O SR. ANTÔNIO HENRIQUE BORGES PAULA - ... que a qualidade da nossa educação profissional está equiparada com as melhores escolas do planeta. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Aliás, é muito bacana você ver a bandeira do Brasil lá na WorldSkills. Nos países onde está... Você ver o Brasil lá no primeiro lugar, segundo lugar, isso é muito bacana. Bom, eu passo a palavra agora à Sra. Marilza Machado Gomes, Especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai, para suas considerações finais também. A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - Bom, vou começar comentando da WorldSkills, que realmente dá um orgulho quando vê a bandeira do Brasil lá, especialmente que fica ali nos asiáticos, China, Índia, Singapura, Japão. Então é muito bom ver o Brasil... Eu queria destacar, neste momento final, que tem os relatos - já temos dois aqui presentes e tantos outros que estão ouvindo - que a educação profissional, especialmente a formação técnica na idade da juventude, faz efetivamente a diferença. Tem estudos do Inep, do Ministério da Educação, o Senai também tem alguns, do Instituto Itaú Educação e Trabalho, que demonstram efetivamente como a trajetória de quem é um egresso da educação profissional técnica interfere numa melhor projeção de carreira, tanto em termos de acesso a cargos de gestão como também em termos... (Soa a campainha.) A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - ... de remuneração. Para além disso, nós temos também os próprios resultados nos indicadores educacionais, em que os alunos que fazem ensino médio e educação profissional também têm melhores rendimentos de aprendizagem e mais facilidade de acessar a continuidade no nível da educação superior. Então, a gente é apaixonado porque, realmente, a educação profissional comprovadamente transforma, abre essa visão em termos de construir uma proposta de futuro mais efetiva, e isso não é só pessoal, é para o país, para a empresa, produtividade, PIB, ou seja, todos nós somos beneficiados. Nesse processo, a gente precisa ficar bastante atento, Senador, quando o senhor fala dessa influência também positiva aqui do Senado, no sentido de que possamos acompanhar o desenvolvimento dos juros por educação, que vai trazer uma expansão muito forte em relação... (Soa a campainha.) A SRA. MARILZA MACHADO GOMES - ... às matrículas da educação profissional, para que ela realmente seja uma formação de qualidade, voltada às ocupações, que chegue a todos, como a gente vê na fala da Letícia, do Renan e também do Arthur, pela preocupação dele em relação ao acesso digital. Então essa capilaridade, essa qualidade, precisa demarcar essa expansão. Acho que é esse aí o recado que eu deixo em nome do Senai e, certamente, o Senai, assim como os outros aqui, todas as redes de educação profissional estamos à disposição. Muito obrigada e parabéns por essa frente importantíssima. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Olha, eu que agradeço. Parabéns, parabéns ao Sistema S... Diga-se de passagem, às vezes a gente ouve umas coisas meio estranhas, que a gente "tem que retirar recursos do Sistema S". Eu falo assim: "Espera aí, gente, vocês estão...". É igual a você estar no meio de uma corrida e falar: "Deixe-me reduzir o motor". Não faz sentido. Isso é só um comentário que me passou pela cabeça. (Risos.) A SRA. ROBERTA DINIZ (Fora do microfone.) - O que não acontece, né? O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - É, pois é. Coisa que está funcionando... A gente tem que nivelar por cima, tem que ir para cima, nunca para baixo, não é? |
| R | Eu passo, então, a palavra, para as considerações finais, à Sra. Maria Cristina Ferreira, Diretora de Educação Formal e Infraestrutura do Senar. A SRA. MARIA CRISTINA FERREIRA - Obrigada, Senador. Fazendo minhas as palavras dos colegas que falaram anteriormente: é um prazer estar aqui. Em nome do Sistema CNA-Senar, agradeço à frente parlamentar por assumir esse papel em cuidar de algo que é tão caro para todos nós, porque é de uma educação profissional técnica e tecnológica de qualidade que este país precisa. Como o senhor comentou, tivemos aqui a mesa composta por exemplos. Além da fala do senhor, que claramente trouxe no seu depoimento pessoal o valor da educação profissional, tivemos, na fala do Sr. José Juarez, também isso, e de que maneira o Sistema S tem um compromisso com o retorno, para as categorias econômicas que nós representamos, de profissionais que vão fazer a diferença. (Soa a campainha.) A SRA. MARIA CRISTINA FERREIRA - Nós queremos trazer transformação através da educação profissional e temos essa finalidade institucional, mas, como tivemos, inclusive, na fala do Prof. Augusto: "Precisamos aí, não somos exclusivos". É uma área educacional que tem um caráter de diversidade muito estratégico, você tem n oportunidades aqui de formar profissionais. Ninguém concorre com ninguém. É um setor com um campo imenso e que integra... (Intervenção fora do microfone.) A SRA. MARIA CRISTINA FERREIRA - Exatamente, é muito vasto, e com as habilidades que o jovem tanto tem, de cada um adequar a sua habilidade a uma profissão de que o setor representado por nós precisa tanto. O campo - como o Prof. Augusto inclusive trouxe na fala dele, ali nos números dele - e o agronegócio também, assim como todas as áreas, precisam de profissionais qualificados urgentemente para atuar no setor. (Soa a campainha.) A SRA. MARIA CRISTINA FERREIRA - Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Muito obrigado. Obrigado à Sra. Maria Cristina Ferreira, Diretora de Educação Formal e Infraestrutura do Senar. Agora eu passo a palavra ao Prof. Augusto Lins de Albuquerque Neto, para as suas considerações finais também. O SR. AUGUSTO LINS DE ALBUQUERQUE NETO - Obrigado, Senador Astronauta Marcos Pontes. Eu gostaria novamente de parabenizá-lo, desta vez é pela audiência em si, que já é prática concreta e certamente sairão frutos daqui. Que saiam muitos mais, até porque tem muito a ser feito, como foi exposto. Gostaria também de parabenizar todos os que aqui falaram. Ouvi com muita atenção e gostei demais. A preocupação com o aumento quantitativo, pari passu, com o aumento qualitativo é parte da nossa frente comum aqui. Isso é muito importante e, certamente, as pessoas do Sistema S, quando falam disso, falam com muito lugar de fala, porque a gente sabe que as escolas do Sistema S, de um modo geral, se não todas, trabalham com muita qualidade. Muito obrigado. Bom dia! O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Muito obrigado. Obrigado ao Prof. Augusto Lins de Albuquerque Neto. Obrigado pela participação, obrigado pelas ideias. Obviamente eu espero contar aí ainda com... Isso vai... Este é só o começo, é só a partida. A gente tem muita coisa a fazer. Eu passo a palavra, então, ao Engenheiro José Juarez Guerra, para suas considerações finais, em dois minutos. O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Obrigado, Senador. Mais uma vez, quero parabenizar o senhor e todos que estão aqui pelo trabalho, por esta frente parlamentar, que realmente vai mudar - vai mudar. Dentro de pouco tempo, a gente vai começar a sentir isso mudar. |
| R | Marilza, você começou falando das Olimpíadas. Então, eu vou também falar. Já em 2002, quando eu apoiei a Olimpíada em 2002, lá no CTGas, eu percebi, Senador, que a competência técnica a gente tem, a gente sabe o que fazer. Eu, como empresário, estava ali, fui entregar a medalha e participar; não só entregar a medalha, mas participar do processo. Quando eu olhei, falei: poxa, do que esses meninos precisam? Os dois que ganharam foram os dois do Rio Grande do Sul. Os dois trouxeram medalha de ouro para o Brasil e entraram até no carro dos bombeiros lá em Caxias. Eu falei: do que esses meninos precisam? (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Eles precisam de um diferencial. E o que eu posso fazer? Eu? Eu? De agora para a frente, não posso fazer nada a não ser ajudá-los a falarem outra língua. Pois bem, eu paguei o curso de inglês para esses dois meninos durante um ano. E não foi qualquer curso de inglês, foi um curso de inglês bom. Quando eu cheguei no meu RH, no ano passado e no ano retrasado... E o menino foi de Bauru, na Ocupação 18, que é eletroeletrônica, eu falei para as meninas: escuta, vamos procurar um curso de inglês para o Felipe - não lembro o nome dele. E ela falou: "pois não". Você vai procurar o melhor curso de inglês que a gente pode pagar lá em Bauru. E o menino fez. Depois, no meio da conversa, eu ligava para ele, falando inglês com ele. Queria ver. E este ano também, o Juan, que vai lá representar o Brasil, o nosso país, está fazendo o curso de inglês. (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Esteve lá na minha firma esses dias, fazendo treinamento, e eu falei com ele em inglês. Então, qual é o diferencial? Quando você está lá na Olimpíada, vem o cara e traduz para um que não sabe direito o que é. Até chegar no menino, cortou um espaço. Então, o curso de inglês eu acho que vai ajudar muito eles a trazer... Vamos lá, democratizar mais o conhecimento. A gente precisa ajudar quem está longe. Nós lá de São Paulo, de São Paulo para baixo, Rio, Minas, nós temos acesso a tudo, cara! Então, eu tenho entrado bastante nisso. A gente fez treinamento com o pessoal do Acre, mandei material. Aliás, eu doei muito material, professor, muito. E eu não sei nem quanto doei. Incentivo eu não tive nenhum. Não sei se eu não soube ter acesso, mas eu nunca tive. Mas é uma coisa, talvez, para pensar: como a gente pode ajudar as empresas? (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - Muitas vezes, o cara fala assim: "não vou doar nada, não; eu não vou doar nada, para que eu vou doar isso aí? E vou pagar imposto ainda, eu produzo e ainda pago imposto para doar". Não estou falando de tirar ICMS, não. Estou falando de como a gente pode criar mecanismos para poder diminuir, para poder ajudar, sim. A outra coisa é como engajar mais as empresas, porque, se as empresas não tiverem essa consciência, e eu não sei se é marketing, professor... Eu adoro quando me chamam de professor, Marilza, eu adoro. Juro mesmo. Em vez de falar engenheiro, doutor, eu gosto que me chamem de professor. Então, democratizar. E como engajar as empresas? Antigamente, estava na academia o conhecimento. Hoje, Augusto, são as empresas que detêm o conhecimento. Se a empresa não fizer o papel dela de levar, de se aproximar das escolas técnicas e levar, escutar... (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - É isso aqui que eu tenho, como é que eu vou poder... Não, tem que ser... Nós estamos criando um curso agora com o Centro Paula Souza... |
| R | (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ JUAREZ GUERRA - ... sobre automação predial e também um outro sobre automação industrial para pequena e microempresa, com produto nosso, doado e capitaneado junto com os planos de curso, porque eu não sou pedagogo, eu não sei fazer essas coisas, mas aí a gente se apoia e vai. Para encerrar, Senador, eu queria realmente parabenizar. Espero ter contribuído um pouco com a minha experiência, com o meu entusiasmo nesse processo. Conte comigo, e o Spada sabe que ele pode contar. O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco/PL - SP) - Obrigado, obrigado, obrigado. Obrigado, Sr. José Juarez Guerra, empresário aqui conosco. Foi um depoimento importante da influência de um curso profissionalizante para transformar não só a sua vida e a da sua família, mas também a vida de tanta gente que hoje trabalha. Ou seja, isso é basicamente plantar semente, e as sementes têm um resultado muito grande. Aliás, sobre infraestrutura, só uma questão - eu me lembro disto aí do ministério, lembrando que eu fui Ministro das Comunicações também -: a gente colocou lá recursos na Região Norte para fazer conexão via fibra ótica pelo leito dos rios, chamava-se Norte Conectado. Aproveitei recursos que sobraram da implementação de TV digital para colocar essa infraestrutura lá. E o plano, eu vejo, foi continuado. Como plano de Estado, política de Estado, têm que ser feitas essas coisas. A gente fala muito de desenvolvimento sustentável, desenvolvimento econômico, social, preservação ambiental. Excelente 100%, mas precisa de coisa pragmática. Engenheiro gosta de coisa pragmática, que funciona na prática. Não adianta só o blá-blá-blá, que não resolve nada; precisa ter coisa prática. E a coisa prática significa assim: você quer que aquela região seja preservada, lembrando que tem mais de 20 milhões de pessoas que moram naquela região? Você precisa prover a essas pessoas uma maneira que elas tenham o desenvolvimento econômico, para causar o desenvolvimento social e ajudar a preservar o meio ambiente. Não adianta você fechar... achar que aquilo é só um auge, fechar e nada é feito lá. Você precisa ter o desenvolvimento econômico e social com o sentido de preservação ambiental junto. Imagina a seguinte situação: um garoto - eu falo garoto, mas pode ser uma menina, uma pessoa jovem lá - que tenha energia, que tenha conexão com a internet - esse é o esforço a gente levar não só isso aí, mas também com satélites; agora tem mais satélites podendo participar -, seja ou por 4G, 5G nas regiões onde tem as antenas... O fato é: energia, conexão, conhecimento. Se a gente consegue isso, um garoto, uma garota, que está lá no meio da Amazônia, consegue produzir de casa softwares, consegue trabalhar numa empresa sei lá de onde, de Singapura, e ganhar dinheiro ali. Aí, sim, você está falando que a pessoa está ganhando dinheiro com a floresta em pé, e dentro da cabeça dela: "eu vou preservar esse negócio que está do lado", porque ela tem conhecimento para fazer isso aqui. A gente muda a realidade, mas a gente precisa ter esse tipo de infraestrutura e o pensamento estruturado, vamos dizer, pragmático, para fazer isso aí funcionar. Só a coisa radical, como, por exemplo, "não, fecha, isso aqui não tem como", não funciona. Você precisa pensar na aplicação prática daquilo lá. |
| R | Então, a participação das empresas, a participação da infraestrutura. Eu gostaria de ver, por exemplo, escolas de formação técnica regionais que fossem apoiadas pelo setor público, com a parceria direta do setor privado, já formando ali naquela região os profissionais que vão ser necessários para aquela vocação regional, já com emprego, usando inclusive equipamentos das empresas que trabalham ali, já são treinados naquilo lá. É possível fazer? É possível, sim. A gente precisa abrir caminho aqui na legislação. A parte do Executivo é fazer a coordenação de tudo isso aí, a parte do privado é ter a boa vontade de participar, saber que faz bem também para as empresas terem profissionais bem-formados; é tudo uma conjunção. Eu acho que o que a gente está fazendo aqui é justamente isto, uma conjunção, trazer empresas. E tudo começa com vontade de fazer - vontade de fazer. Eu acho que aqui todo mundo tem, claro, muita vontade de fazer, mas a gente precisa contaminar positivamente o restante dos Senadores, contaminar, fazer esse vírus positivo se espalhar pelo Brasil, para a gente ter aqui um país que realmente tenha formação profissional, formação tecnológica e profissionais que possam vencer na vida pelo conhecimento. Gente, eu quero agradecer muito a presença de cada um, agradecer àqueles que nos acompanharam, mandaram as perguntas, agradecer à nossa Mesa aqui pelo trabalho sempre muito profissional, isso é muito importante. E antes de encerrar, eu proponho a dispensa da leitura e aprovação da ata, que será composta pela lista de presença, pelo resultado da reunião e pelas notas taquigráficas. As Sras. e os Srs. Parlamentares que aprovarem permaneçam como se encontram. (Pausa.) Está aprovada a ata. Eu agradeço a presença de todos e declaro encerrada esta sessão. Obrigado, gente. (Iniciada às 10 horas e 22 minutos, a reunião é encerrada às 12 horas e 36 minutos.) |


