Fala da Presidência durante a 102ª Sessão Especial, no Senado Federal

Abertura da Sessão Especial destinada a comemorar o bicentenário de nascimento de Anita Garibaldi.

Autor
Esperidião Amin (PP - Progressistas/SC)
Nome completo: Esperidião Amin Helou Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Fala da Presidência
Resumo por assunto
Homenagem:
  • Abertura da Sessão Especial destinada a comemorar o bicentenário de nascimento de Anita Garibaldi.
Publicação
Publicação no DSF de 31/08/2021 - Página 8
Assunto
Honorífico > Homenagem
Matérias referenciadas
Indexação
  • ABERTURA, SESSÃO ESPECIAL, COMEMORAÇÃO, ANIVERSARIO DE NASCIMENTO, ANITA GARIBALDE, COMENTARIO, HISTORIA.

    O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - SC. Fala da Presidência.) – Declaro aberta a sessão.

    Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

    A presente sessão especial remota foi convocada nos termos do Ato da Comissão Diretora nº 8, que regulamenta o funcionamento das sessões e reuniões remotas e semipresenciais no Senado Federal e a utilização do Sistema de Deliberação Remota.

    Esta sessão é destinada a comemorar o bicentenário de nascimento de Anita Garibaldi.

    A Presidência informa que esta sessão terá a participação dos seguintes convidados, independentemente de eventuais outras presenças: Sr. Edson Lemos, Presidente da Fundação Catarinense de Cultura, representando o Governador Carlos Moisés da Silva; Sra. Daniela Reinehr, Vice-Governadora do Estado; Deputada Federal Angela Amin, Deputada Federal e Coordenadora do Fórum Parlamentar, ou seja, a Bancada Federal de Santa Catarina; Sr. Prefeito da cidade de Laguna, Samir Azmi Ibrahim Muhammad Ahmad; Sr. Prefeito de Tubarão, nosso querido amigo de jornadas garibaldinas, Joares Ponticelli, que, em 1999, participou da celebração do sesquicentenário da morte de Anita Garibaldi; Sr. Adílcio Cadorin, Diretor do Instituto Cultural Anita Garibaldi; Sra. Lélia Pereira Nunes, representando a historiografia de Santa Catarina e a Academia Catarinense de Letras.

    Não contaremos, e faço questão de registrar, com a presença do jornalista e escritor Moacir Pereira, Presidente da Academia Catarinense de Letras, infelizmente, que está vencendo, terminando de vencer a covid-19. Todos nós lamentamos muito não poder contar com ele, e aproveito para desejar integral restabelecimento o mais breve possível. Teremos a presença, também, do Sr. Augusto César Zeferino, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Santa Catarina, e do Sr. Salomão Antonio Ribas Júnior, ex-Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, membro da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do nosso Estado.

    Convido todos a, em posição de respeito, acompanharmos a execução do Hino Nacional Brasileiro.

(Procede-se à execução do Hino Nacional.)

    O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - SC) – Senhoras e senhores que nos honram com sua presença, remota ou presencial, nesta sessão, que faz justiça ao que representa, para Santa Catarina e para o Brasil, Anita Garibaldi, tenho o dever de, dando por iniciado efetivamente o conteúdo desta sessão, dizer que Anita Garibaldi é uma figura singular para o Brasil – e para Santa Catarina de uma maneira muito especial.

    Essa singularidade pode ser expressa pela disputa intelectual e literária sobre o local onde nasceu. É uma disputa saudável que só as figuras muito ilustres conseguem produzir. Ao tempo em que saúdo a presença do querido amigo Senador Nelsinho Trad, Líder da Bancada do PSD, seria mais ou menos como, no seu Estado, disputar ter nascido em Campo Grande, porque, se não tiver nascido em Campo Grande, Nelsinho Trad vai arrumar uma forma de trazer os melhores talentos para sua cidade.

    Transcendendo a este papel, ao colocar o amor como parceiro da luta e da liberdade, Ana Maria de Jesus Ribeiro fez-se Anita. Combateu as batalhas dos farroupilhas, da República Juliana, que tinha como capital a nossa querida Laguna; esteve ao lado dos uruguaios, na resistência a Rosas; casou-se com Giuseppe Garibaldi, no Uruguai, logo após a saída do Brasil. Com a legião italiana de Garibaldi, cruzou o oceano para lançar-se em mais uma batalha à guerra pela unificação italiana.

    Ao transferir-se para a Itália, em 1847, dois anos antes de sua morte, Anita fez com que a história entre estes dois países, Brasil e Itália, mais uma vez confluísse.

    Ela é um dos raros personagens históricos que está inscrito no panteão dos heróis nacionais de dois países: Brasil e Itália. E todos nós sabemos da longa história da Itália, pois ela transacionou dois mundos, desafiou os padrões que fortaleciam as diferenças de gênero, como mulher, como mãe, como guerreira, estabeleceu pontes entre culturas, para morrer, heroicamente, no outro lado do oceano, consagrando-se como heroína de dois mundos.

    Anita teve cinco filhos, um brasileiro, três uruguaios e um italiano. O seu percurso familiar cinge-se com o papel que desempenhou na história destes três países. Lutou bravamente, ao lado dos farrapos, na retirada da Laguna. Garibaldi, ao descrever os feitos heroicos da corajosa revolucionária no episódio, reconhecia nela a imagem do soldado-mulher, que desafiava as convenções sociais ao adotar condutas não previstas, então, para a condição feminina.

    Segundo ele:

Na missão de transportar as armas até a orla e no seu retorno à embarcação, ela talvez tenha realizado 20 vezes o trajeto, cruzando invariavelmente sob o fogo inimigo dentro de uma pequena barca com dois remadores [...]. Ela, porém, de pé à popa da barca, no encruzamento dos tiros, surgia, ereta, calma e altaneira como uma estátua de Palas, recoberta pela sombra da mão de Deus, que naquela hora repousava sobre mim.

    São palavras de Giuseppe Garibaldi.

    Anita Garibaldi inscreveu seu lugar no panteão dos heróis nacionais, ao lado de personagens femininas destacadas na história nacional como mulheres que estavam à frente de seu tempo. Por isso, muitas vezes assumiam a feição de mulheres virago, participando ativamente do espaço público, o espaço masculino por excelência.

    Heroína de dois mundos, Anita Garibaldi, com seu exemplo de vida, aparecia, sobretudo, como a precursora de papéis que as mulheres aspiravam para si, colocando em questão séculos de tradições misóginas, que restringiam e impediam – e ainda impedem – a participação delas no espaço público da humanidade.

    Homenageando o bicentenário do nascimento de Anita Garibaldi, o Senado Federal homenageia todas as mulheres brasileiras, verdadeiras heroínas que batalham incessantemente, muitas vezes, para trazer alimento para os filhos, na batalha cotidiana pela sobrevivência sua e dos seus.

    Esta Casa homenageia, também, as muitas mães e irmãos, mães, irmãos e irmãs que faleceram sendo heroínas, particularmente nos hospitais, os dolorosos campos de batalha da pandemia, e ela, muitas vezes, esteve nessa azáfama.

    Finalmente, quero registrar dois sentimentos que me orgulham muito neste momento. Deus me deu saúde para participar, em 1985, da celebração dos 150 anos da Revolução Farroupilha e da República Juliana, junto com os Governadores Jair Soares e José Richa, e nos deu a alegria, que eu compartilho com o Prefeito de Tubarão, de termos participado, em 1999, do sesquicentenário da morte de Anita Garibaldi, com o resgate de um discurso de um ilustre lagunense, grande historiador, Osvaldo Rodrigues Cabral, brindado no discurso de então de Joares Carlos Ponticelli.

    E, finalmente, tenho a ventura de estar aqui representando o Senado Federal – e agradeço ao Presidente Rodrigo Pacheco e aos Senadores que subscreveram o requerimento –, celebrando o bicentenário de Anita Garibaldi, Heroína de Dois Mundos e do Estado de Santa Catarina, duas mulheres que são sempre referência nas nossas vidas.

    Muito obrigado.

    Assistiremos agora a um breve vídeo institucional: Santa Catarina no mundo. Visita à estátua de Anita Garibaldi no Janículo.

(Procede-se à exibição de vídeo.)

    O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - SC) – Agradeço aos produtores desse pequeno documentário, Sr. Marcos Bayer e José Carlos Soares.

    Concedo a palavra ao Sr. Edson Lemos, que aqui representa o Governador Carlos Moisés da Silva.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 31/08/2021 - Página 8