Discurso durante a 104ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Considerações acerca da tentativa de assassinato do candidato à presidência dos EUA, Sr. Donald Trump. Registro de manifestação ocorrida na Avenida Paulista, no dia 14 de julho, em favor de pautas conservadoras.

Autor
Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Assuntos Internacionais, Atividade Política:
  • Considerações acerca da tentativa de assassinato do candidato à presidência dos EUA, Sr. Donald Trump. Registro de manifestação ocorrida na Avenida Paulista, no dia 14 de julho, em favor de pautas conservadoras.
Publicação
Publicação no DSF de 17/07/2024 - Página 12
Assuntos
Outros > Assuntos Internacionais
Outros > Atividade Política
Indexação
  • ANALISE, ATENTADO, VIDA, DONALD TRUMP, CANDIDATO, ELEIÇÕES, PRESIDENCIA DA REPUBLICA, PAIS ESTRANGEIRO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA).
  • PRESENÇA, REGISTRO, ORADOR, MANIFESTAÇÃO COLETIVA, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), CRITICA, ATUAÇÃO, SENADO, CAMARA DOS DEPUTADOS, DEFESA, ANISTIA, PRESO POLITICO, PARTICIPAÇÃO, DEPREDAÇÃO, PREDIO, CONGRESSO NACIONAL, PROTESTO, JANEIRO.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar. Por videoconferência.) – Paz e bem, Presidente, meu querido amigo Senador Veneziano Vital do Rêgo, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, funcionários da Casa, assessores, brasileiras e brasileiros que estão nos acompanhando com o trabalho fantástico da equipe da TV Senado, da Rádio Senado e da Agência Senado.

    Sr. Presidente, eu não poderia deixar de começar esta sessão... Até porque ontem, mais uma vez – eu já perdi as contas –, saí frustrado – me preparei, fiz discurso, aliás, tem vários pendentes – por sessões que não ocorreram.

    Quero pedir ao senhor, que é Vice-Presidente, por quem eu tenho a maior consideração, que converse com o nosso Presidente Pacheco. Não podemos terminar os 200 anos do Senado Federal com uma decisão que eu considero uma decisão infeliz, de que só membros da Mesa possam abrir sessão. Isso nunca ocorreu. Já conversei com Senadores que passaram por aí em muitos mandados. Isso nunca ocorreu no Senado, e a gente não pode deixar isso prevalecer, porque a única coisa que sobra para a oposição, acredite, muitas vezes, é o parlar, e o Parlamento é isso.

    Ontem eu tinha muitos assuntos do final de semana que ocorreram, e vou falar um pouco sobre eles aqui, mas fui tirado de tempo. Acredito que outros colegas também. Então, faço esse desagravo e peço que se modifique... Isso é uma assinatura numa resolução que não tem cabimento nos 200 anos do Senado.

    Sr. Presidente, em 13/7, 13 de julho, sábado, aconteceu uma tentativa de assassinato do Presidente dos Estados Unidos e, mais uma vez, um milagre ocorreu. Assim, por 2mm, por um movimento de segundos, de fração de segundos, aconteceu ali um livramento da morte de um candidato a Presidente dos Estados Unidos.

    Eu fico decepcionado com a mídia brasileira, uma grande parte da mídia. A gente não pode generalizar, mas é, assim, algo assustador como a militância tem tomado, em muitos casos, com raras exceções, uma torcida dentro da redação, uma manipulação de informações. Então, é triste isso, porque, se fosse do outro lado, Deus nos livre, se fosse um candidato democrata, o mundo teria caído. Vamos combinar: era "fascista, terrorista"... A gente já viu esse filme, não é? Então, o ódio está tomando conta, inclusive, de profissionais que não têm esse... De políticos, cujos nomes eu não vou citar aqui para não deixar mais famosos. Políticos fazendo chacota, desacreditando de algo que todo mundo viu.

    Então, é aquela velha história: nós podemos ser adversários no campo da política, mas jamais inimigos. Poxa! Está na hora de serenidade, gente! Está na hora de responsabilidade! Nós somos irmãos, filhos do mesmo Deus. São surreais os comentários que a gente vê de pessoas incentivando esse tipo de situação. Nós não podemos compactuar com isso, nem de um lado, nem de outro. Jamais a violência é um caminho para nada na vida.

    E também eu confesso que achei muito estranha a questão de, em pouco tempo depois, já se dizer que seria um lobo solitário, enquanto as imagens mostram. É por isso que querem controlar as mídias sociais. Tem projetos no Senado e na Câmara nesse sentido. O último, agora, está anexo ao marco da inteligência artificial – trechos do PL da censura. E isso justamente para que a não democratização das informações não deixe acontecer o que a gente viu nesse final de semana, que foram dezenas de pessoas, minutos antes, vários minutos antes, dizendo: "Ó, tem um cara subindo no telhado ali". Estavam avisando a polícia. É muito estranho isso ter acontecido e, depois, rapidamente, as forças de segurança dizendo: "Ah, não! Foi um lobo solitário". E querendo já justificar alguma coisa. É muito estranho! Espero que se encontre realmente o que está por trás disso tudo.

    E também manifesto a minha solidariedade total às vítimas que perderam a vida, inclusive um bombeiro, que estava protegendo a família, perdeu a sua vida. Então, pelo restabelecimento pronto do candidato a Presidente, Trump, com quem eu tenho discordâncias, confesso, tenho discordâncias, mas é legítima a sua candidatura, e a gente tem que respeitar as posições das pessoas. Isso é democracia, isso é tolerância e é isso que a gente tem que fazer.

    Até porque, Presidente, vai acontecer um impacto no Brasil. Com essa eleição, a gente sabe que vai acontecer um impacto na nossa nação, e forte, porque poderosos de plantão estão sabendo que o Brasil está... A ditadura da toga em que a gente vive, com a anuência de outros Poderes da República, ou o alinhamento, como quer que seja, o sistema apodrecido está sendo denunciado, está sendo denunciado internacionalmente.

    Então, com essa mudança, essa troca na Presidência dos Estados Unidos, além de ser uma alternância de poder, muito importante para qualquer democracia, eu quero dizer também, Presidente, que essa mudança vai propiciar, no Brasil, também que muita coisa seja clareada: quem está abusando da Constituição do Brasil, quem está abusando da democracia do nosso país, quem está desrespeitando os direitos individuais e coletivos, o ordenamento jurídico, os pactos que o Brasil assinou. Eu acredito que vai chegar a hora. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura, não é? Então é muito importante que a gente tenha essa serenidade.

    Por falar nisso, no dia 14 de julho, no domingo, anteontem, eu fui para a Paulista. Estive na Avenida Paulista, numa manifestação linda, de arrepiar. Depois desci, conversei com as pessoas, e percebi, com muita tristeza, que a Casa onde atuo, que a nossa Casa está mais desmoralizada do que nunca. E eu vejo uma legitimidade no que as pessoas falam, de coração, sem ódio, sem nenhum tipo de ressentimento, mas pela justiça. São brasileiros que dizem, com legitimidade, que o Senado está agachado, está no chão para abusos de alguns Ministros do STF. A gente tem visto isso.

    Eu também alertei as pessoas, na minha fala, de que a Câmara dos Deputados também tem culpa no cartório. Inclusive muitas pautas que nós aprovamos no Senado... Podem falar de tudo do Senado, mas algumas pautas, como a PEC do fim do foro privilegiado, a PEC do fim das decisões monocráticas, a questão da PEC antidrogas, muitas medidas que nós tomamos no Senado estão paradas lá na Câmara dos Deputados. Então, há a cobrança da população, que é legítima no Senado, e nós estamos trabalhando para conscientizar os colegas das barbaridades que estão acontecendo no país, mas a Câmara também... Tenho alertado a população, e alertei, de que a Câmara precisa ser cobrada, de forma ordeira, pacífica, respeitosa.

    Outra pauta muito forte que surgiu lá foi a questão da anistia, Presidente, para as pessoas que estão com seus direitos desrespeitados. Inclusive tem aqui, ó, a Debora, mãe dessas duas crianças, que até sem denúncia, pouco tempo atrás, estava presa há 14 meses. Nós temos vários casos, como o do Silvinei Vasques, a quem estive lá visitando, o do Felipe Martins também. Então, o Brasil está cheio de máculas por essa irresponsabilidade – omissão no Senado; e irresponsabilidade de alguns ministros, movidos pelo ódio, hoje, no Brasil, pela vingança, pela revanche.

    Então, Sr. Presidente, a anistia de que se fala no Congresso brasileiro não é esta, a anistia que deveria ser feita, que é a de pessoas que estavam com Bíblias, com bandeiras na mão, que nem sequer entraram, muitas delas...

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Por videoconferência.) – ... dentro dos prédios públicos, e estão aí com 15, 17 anos de condenação. É absurdo o que a gente está vendo: milhares de brasileiros, presos políticos. Mas a anistia de que se fala no Congresso, para minha tristeza, é a anistia de partido político. Isso é que é uma coisa surreal. Além da queda, o coice, como a gente diz no Nordeste.

     Eu acredito que a censura também está incomodando muito, e eu percebi nos brasileiros. E nós vamos precisar, sim; o Brasil precisa de atos assim todos os meses. As grandes mudanças desse país foram através das ruas. Então, parabéns aos brasileiros, que foram a um evento includente, um evento sem personalismo, sem idolatria a ninguém, um evento suprapartidário, e assim tem que continuar.

    Parabéns aos organizadores – Marco Antônio Costa; Keven e Samantha, do Space Liberdade – e a todos os que organizaram esse evento fantástico, Sr. Presidente.

    Eu quero desejar uma ótima semana a todos.

    Que Deus abençoe esta Casa e que tenhamos, cada vez mais, uma tomada de consciência entre todos nós, para que possamos colocar a cabeça no travesseiro, passar por este tempo sombrio, este tempo de trevas que a gente vive no Brasil.

    Que a gente possa fazer a nossa parte sobre a reforma tributária – um terror, essa reforma tributária, injusta completamente, cheia de privilégios. Vai aumentar a carga tributária. Eu ouvi isto nas ruas, Sr. Presidente: as pessoas clamando contra essa reforma tributária também. E que a gente possa fazer o nosso papel, para que, cada vez mais, o Brasil volte a ter democracia, porque hoje nós não temos democracia.

    Que o Brasil volte a ter o respeito à Constituição e ao direito de todos os cidadãos.

    Continuarei nas ruas e irei aonde quer que seja para que a gente possa gritar, clamar, de forma ordeira, pacífica, porque isso é democracia.

    Pago do meu bolso, não gastei um centavo. Passei mais tempo dentro do avião, saindo de Fortaleza, indo para a Paulista, voltando, do que em São Paulo, mas valeu a pena, porque isso é o sentimento de a gente dar voz a uma sociedade que não se sente representada, infelizmente.

    Um grande abraço, Sr. Presidente. Deus abençoe o senhor.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 17/07/2024 - Página 12