Discurso durante a 108ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Defesa de um Estado mais eficiente.

Preocupação com denúncias de que agências dos Correios em todo o país estariam retendo doações para o Rio Grande do Sul. Manifestação favorável à instalação de uma CPI para investigar os Correios.

Apelo à Presidência do Senado Federal pela adoção de posicionamento em favor das prerrogativas dos Senadores.

Reflexão sobre a necessidade de uma postura proba pelos candidatos a cargos eletivos.

Autor
Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Organização do Estado:
  • Defesa de um Estado mais eficiente.
Calamidade Pública e Emergência Social:
  • Preocupação com denúncias de que agências dos Correios em todo o país estariam retendo doações para o Rio Grande do Sul. Manifestação favorável à instalação de uma CPI para investigar os Correios.
Atuação do Senado Federal:
  • Apelo à Presidência do Senado Federal pela adoção de posicionamento em favor das prerrogativas dos Senadores.
Eleições:
  • Reflexão sobre a necessidade de uma postura proba pelos candidatos a cargos eletivos.
Publicação
Publicação no DSF de 07/08/2024 - Página 47
Assuntos
Organização do Estado
Política Social > Proteção Social > Calamidade Pública e Emergência Social
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
Jurídico > Direito Eleitoral > Eleições
Indexação
  • DEFESA, EFICIENCIA, ESTADO, REDUÇÃO, COBRANÇA, TAXA, FAVORECIMENTO, POPULAÇÃO.
  • PREOCUPAÇÃO, DENUNCIA, AGENCIA, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS (ECT), RETENÇÃO, DOAÇÃO, DESTINAÇÃO, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (RS), DEFESA, INSTALAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), OBJETIVO, INVESTIGAÇÃO, ASSUNTO.
  • SOLICITAÇÃO, PRESIDENCIA, SENADO, ADOÇÃO, POSIÇÃO, FAVORECIMENTO, PRERROGATIVA DE FUNÇÃO, SENADOR.
  • COMENTARIO, NECESSIDADE, POSIÇÃO, PROBIDADE, GRUPO, CANDIDATO, CARGO ELETIVO.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Sr. Presidente, boa noite. Boa noite, Senadora Soraya Thronicke também, a todos os servidores desta Casa aqui, à população que acompanha a gente pela TV Senado.

    Só um minuto.

    Quero deixar sempre meu mandato à disposição. Quero mandar um abraço aqui para o Filipe Cortez, que está aqui também, divinopolitano, um jovem que está engajado na política, não é, Filipe? Que Deus te abençoe aí. Contem com a gente aí, comigo, com meu mandato, para a gente poder estar sempre em parceria para nossa querida Divinópolis, está bom? Que Deus te abençoe e te dê todo o sucesso este ano aí. Conta comigo, meu irmão. Estamos juntos.

    Eu queria aqui falar sobre essa questão do Estado. Gente, eu sempre questiono o Estado aqui, mas o que eu espero do Estado é que o Estado seja eficiente, é que o Estado não seja injusto com a população.

    A gente vê lá em Minas Gerais – e não é só em Minas Gerais, não, é em vários estados também –, lá em Minas Gerais tem uma taxa de licenciamento que eu até consegui, com um projeto de lei como Deputado Estadual, de R$130 cair para R$20. A taxa de licenciamento, para vocês terem noção, é um papel moeda que, quando você para na blitz, você é obrigado a mostrar. Mas, hoje, você o faz pelo telefone; então, quando você para numa blitz, você mostra pelo telefone. Quer dizer, não tem mais prestação de serviço do estado, você mesmo faz esse serviço, e o estado, lá em Minas Gerais, ainda cobrando R$130. O meu projeto de lei era para acabar, mas o Governador, não sei por quê, ainda cobra R$20. Mas eu consegui ainda tirar R$100, não é? E tirar R$2 bilhões do caixa do estado e colocar no bolso da população.

    A mesma situação que a gente vê com a questão de tratamento de esgoto, em que não é só em Minas Gerais, é em todo o Brasil também. Cobra-se uma taxa de tratamento de esgoto, que não tem. É só ver aí a situação que está, quantos, a população brasileira que não tem saneamento básico, tem esgoto a céu aberto. E lá na sua conta de água, você vai pegar a sua conta de água e vai ver lá, está escrito lá: taxa de tratamento de esgoto.

    Que Estado é esse, que, na lógica, deveria ser para servir ao seu povo, e é o povo sendo escravo do Estado? Esse Estado, eu não quero não. Eu quero um Estado eficiente. Eu quero um Estado que cuida da saúde, da educação e da segurança. Eu quero um Estado que faça pelo povo. Não é o povo fazer pelo seu estado, não. É isso que eu quero, que eu espero de um Estado.

    E eu queria aqui, população, mostrar para vocês isto aqui, olha. Isto aqui é uma carteira do Senado. Vocês podem ter certeza de que eu jamais vou usar uma carteira desta aqui para dar carteirada, para ir a um estádio de futebol e pedir para entrar, ou para ir a qualquer lugar. Eu acho que nós temos esta carteira de Senador aqui é para fazermos a nossa prerrogativa de fiscalizar, de legislar, de te representar.

    E falando em fiscalizar, na semana passada, eu estive no Correio, lá em Minas Gerais, lá no galpão, que estava lotado de doações do Rio Grande do Sul, porque eu recebi uma denúncia de um servidor do Correio, que não quis se identificar, e eu não vou fazer isso em respeito a ele. Ele falou, "Cleitinho, vai lá, porque desde quando chegou, em maio e junho, está lá até hoje e não sai". Eu simplesmente fui lá fazer a minha atribuição de fiscalizar. Inclusive, o servidor do Correio que estava lá, "não, sua prerrogativa é essa mesmo, você tem que fazer isso, sim. Pode entrar, só não filma".

    Eu peguei e filmei para mostrar que as doações estavam lá. Até para quê? Por que eu fiz isso? Para poder me blindar, para não falar que eu estava fazendo fake news, porque o Governo pegou e mandou me investigar uma primeira vez por questão de fake news. Agora os Correios fizeram a mesma coisa, mandaram a Polícia Federal me investigar.

    A Polícia Federal tem tanta coisa para fazer, gente, tantas situações no Brasil para poder investigar. E vocês, dos Correios, mandaram a Polícia Federal me investigar por que eu fui lá no galpão mostrar as doações que estão lá, do Rio Grande do Sul, que vocês não entregaram até agora! E não é só lá em Minas Gerais não, já tem imprensa aqui do DF mandando para nós que o galpão dos Correios aqui no DF também estão cheios! Lá na Bahia, um Deputado Estadual também mostrou que está cheio de doações. Será que a Polícia Federal não deveria investigar os Correios? Não é ao contrário, não? Por que até agora vocês não entregaram? Que eficiência é essa de vocês? Fala aqui para a gente. Tanta coisa... E o meu respeito à Polícia Federal.

    Outra coisa, gente, quem não deve, não teme. Eu tenho o maior respeito, o maior carinho pela Polícia Federal, não tenho problema nenhum. Vai investigar o quê? O que a Polícia Federal vai investigar se no meu próprio vídeo eu mostro tudo? Eu simplesmente entro, na educação, e mostro o galpão lotado de doações do Rio Grande do Sul, que não deveriam estar nos Correios, mas deveriam estar no Rio Grande do Sul. Então, na lógica, a Polícia Federal tem que investigar vocês, Correios.

    Ah, Correios falando em investigar, acho que eu estou querendo abrir uma CPI de vocês aqui, porque olha aqui: "Correios colocam balancete econômico sob sigilo para esconder prejuízo de R$800 milhões". Eu acho que deveriam investigar os Correios, são vocês que deveriam estar sendo investigados.

    Vou repetir: "Correios colocam balancete econômico sob sigilo para esconder prejuízo de R$800 milhões".

    Eis alguns valores aqui. Sabe o que me chama a atenção, gente? Os Correios são engraçados, não é? Estão dando sigilo aqui para mostrar o prejuízo, mas olha isso aqui, que beleza! "No festival Lollapalooza, em 2024, os Correios gastaram R$6 milhões". Mas espera aí, não está no prejuízo e vocês estão gastando ainda R$6 milhões aqui com o evento Lollapalooza?

    Eu estou achando que nós deveríamos fazer uma CPI de vocês aqui e começar a convocá-los, até para vocês falarem por que todos os galpões dos Correios ainda não entregaram? Não fizeram ainda, não é? Não foram entregar lá no Rio Grande do Sul. E para isso aqui também, não é?

    Ah, só tem outra coisa aqui também: "O Ministério Público Federal indiciou, nessa última quinta-feira, a Presidência e membros da alta cúpula dos Correios ao inquérito já aberto pela Polícia Federal para investigar as agências piratas dentro da estatal". A informação foi confirmada ao Mais Brasília pelo Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios.

    Então, deixa a Polícia Federal investigar vocês, são vocês que têm que ser investigados. Eu não fiz nada, não! O meu vídeo mostra tudo, está aí no YouTube para todo mundo ver, desde a hora em que eu cheguei aos Correios e desde a hora em que eu saí, está lá para todo mundo ver.

    Então, já é a segunda vez, na terceira vez eu vou ter que pedir música no Fantástico.

    E eu peço ao Presidente do Senado aqui para se posicionar, porque aqui estão querendo é calar a boca do Senador, porque a nossa prerrogativa é essa, então, pode fechar esta Casa aqui, para que serve essa carteira aqui? Cadê? Aqui, olha que beleza. Para que serve isso aqui? É para dar carteirada? É para poder ir lá no Mineirão ver Cruzeiro e Atlético agora no sábado? É para isso aqui que serve?

    Eu estou aqui para fazer a minha função de fiscalizar e legislar. Então, vou pedir humildemente ao Presidente Pacheco também que possa notificar os Correios aqui. Eu estou fazendo a minha prerrogativa de fiscalizar, eu não fiz nada de errado! No caso, quem tem que ser investigados aqui são vocês que não entregaram as doações até hoje. Por que vocês não tomam vergonha na cara e tiram aquela quantidade de doações que eu mostrei lá no vídeo e levam para o Rio Grande do Sul? Porque senão esta Casa aqui pode fechar, porque a prerrogativa maior de um Parlamentar, tanto de Deputado Federal, de Estadual, de Senador, é a prerrogativa de fiscalização.

    Eu estou fiscalizando – fiscalizando! Eu tenho atribuição para isso. Eu fui eleito para isso. E vocês vêm encher o saco, em vez de estar fazendo o trabalho de vocês? Eu vou voltar aí, se vocês não entregarem, porque eu não tenho medo de vocês, não. Não tenho medo nenhum de vocês. Fica a dica aqui.

    Queria aqui finalizar a minha fala, Presidente, porque acabaram as convenções agora. A partir de semana que vem, começam as eleições.

    Eu queria deixar esta reflexão aqui, para toda a população brasileira, e, em especial, a todos os pré-candidatos a Vereadores, a Prefeitos, porque eu já fui Vereador, e hoje eu estou como Senador. Então, vale para toda a classe política do Brasil.

    E eu quero aqui que você, patrão, você, povo brasileiro, preste atenção no que eu vou te falar. O povo brasileiro, gente, um desempregado, para poder arrumar um emprego, tem que fazer um currículo. Para fazer esse currículo, ele tem que pagar. Se ele for a uma entrevista de emprego: se for no carro dele, tem que pôr gasolina; mas se pegar um ônibus, ele tem que pagar a passagenzinha; se pegar um Uber, ele tem que pagar o Uber; se pegar um táxi, ele tem que pagar o táxi.

    Ah, meu amigo... Na política é diferente! Para as V. Exas. aqui, antes mesmo de entrarem no cargo, quando começam a campanha, já cai na conta deles dinheiro para poder fazer campanha. E sabe que dinheiro cai na conta deles? Dinheiro do povo, do pagador de impostos. Este ano tem R$5 bilhões para gastarem. Então, antes mesmo de eles serem contratados por você, através do voto, na hora em que eles começam a te pedir, na campanha, já tem dinheiro no bolso deles.

    E olhe para você como é, político? Esse cidadão, além de te dar dinheiro agora, na hora em que chega a eleição, no domingo, ele sai de casa e vai lá votar em você, ele tira uma parte do tempo dele para ir lá votar em V. Exa. – vai lá e vota, te dá um voto de confiança. E você é eleito.

    E aí, eleito, em janeiro você começa a receber um salário gordo, que eu tenho aqui – eu tenho que ajoelhar e agradecer a Deus –, rigorosamente em dia. E quem paga esse salário é o povo. E aí, tem mais. Além do salário – ah, meu amigo –, tem os benefícios. Para Vereador, tem uns, tem outros; mas para Deputados Federais, Estaduais, Senadores, nós temos aqui o direito a auxílio-paletó, auxílio-moradia, tem auxílio-saúde, tem indenização para auxílio-alimentação. Olhe, para você ver a quantidade de coisas que um político tem.

    Então, eu deixo essa reflexão aqui para a população brasileira. Que Deputado, Senador ou Vereador ganha um salário mínimo? Olha aí quanto é o salário de Senador? Hoje eu estou recebendo R$30 mil líquidos. Eu tenho que ajoelhar e agradecer a Deus. Sabe por que eu estou falando isso? Porque a minha vida mudou. E mudou para melhor.

    Então, eu quero falar para vocês que são pré-candidatos a Vereadores e Prefeitos: se a sua vida vai mudar, o que custa fazer a vida do povo melhorar? Se a minha vida mudou, o que custa eu fazer a vida do povo melhorar? Então, fica aqui essa reflexão. Agora, na situação em que está o Rio Grande do Sul, na situação em que ficou, este ano tem eleição, e vai ter R$5 bilhões para o político gastar. E muitas vezes gasta errado, desvia esse dinheiro, rouba esse dinheiro do povo. E depois é eleito e continua roubando.

    Então, fica aqui, para você ter consciência, se você ganhar a eleição: olha a nobreza que é um cidadão ir lá, sair da casa dele, votar em você, te dar esse voto de confiança, depois pagar seu salário, para você, no mínimo, trabalhar para ele. No mínimo, servir a ele, e não roubar dele. Não vou falar roubar, gente, como corrupção, não, porque isto para mim é obrigação: você ser honesto. Agora, o mínimo que você tem que fazer...

    E eu quero falar isto aqui para você que vai sair para a rua agora para apoiar algum candidato ou vai para a rede social para defender um candidato: nenhum candidato vai mudar a sua vida, meu irmão! Coloca isso no seu coração. O único que foi perfeito nessa terra foi Jesus Cristo, que morreu crucificado por nós.

    Nenhum político é perfeito, tire do seu coração. Pare de ficar, às vezes, levantando a bandeira para algum político. Sabe por quê? Porque político nenhum vai mudar sua vida. Quem vai mudar sua vida de verdade é você, que vai trabalhar, vai ralar, vai pagar imposto – 50% de tudo o que você consome é imposto. Então, valorize você, valorize o seu voto.

    Na hora que você votar nele, você cobra dele, você vai para cima dele. É a sua obrigação fazer isso como cidadão brasileiro, como patrão, porque nós somos empregados, e eu tenho que ser cobrado de vocês. Porque o mínimo que o político – ele não vai mudar a sua vida –, mas o mínimo que o político tem que fazer é não atrapalhar a sua vida. E é para isso que eu estou aqui todos os dias, tentando fazer de tudo para não atrapalhar a sua vida, tentando de todas as maneiras diminuir o imposto para você pagar, as taxas abusivas...

(Soa a campainha.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Para não deixar o sistema político te roubar. É isso o que um político tem que fazer de verdade.

    Então, para você, político, que vai ser candidato agora, eu falo o seguinte: tome vergonha na cara e faça pelo povo e para o povo.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 07/08/2024 - Página 47