Pronunciamento de Teresa Leitão em 27/03/2025
Discurso durante a 14ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, premiação que, instituída pela Resolução nº 2, de 2001, é destinada a agraciar pessoas que no país tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero.
- Autor
- Teresa Leitão (PT - Partido dos Trabalhadores/PE)
- Nome completo: Maria Teresa Leitão de Melo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Homenagem,
Mulheres:
- Sessão Especial destinada a entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, premiação que, instituída pela Resolução nº 2, de 2001, é destinada a agraciar pessoas que no país tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero.
- Publicação
- Publicação no DSF de 28/03/2025 - Página 14
- Assuntos
- Honorífico > Homenagem
- Política Social > Proteção Social > Mulheres
- Indexação
-
- SESSÃO ESPECIAL, HOMENAGEM, ENTREGA, DIPLOMA, MULHER, CIDADÃO, BERTHA LUTZ, CONTRIBUIÇÃO, LUTA, DIREITO, MINISTERIO DAS MULHERES IGUALDADE RACIAL DA JUVENTUDE E DOS DIREITO HUMANOS, IGUALDADE, GENERO.
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Para discursar.) – Bom dia a todas e a todos.
Cumprimento a Senadora Leila Barros, Líder da Bancada Feminina e ora presidindo esta sessão; cumprimento a Senadora Soraya Thronicke, Vice-Líder da Bancada Feminina; cumprimento a Senadora Eliziane Gama, Senadora bastante influente aqui da nossa bancada; cumprimento, com muita satisfação, a Dra. Delaíde Alves Miranda Arantes, Sra. Ministra do Tribunal Superior do Trabalho; e vou fazer um cumprimento à Ludmila, que está secretariando esta sessão – é você, Ludmila! (Palmas.)
Sabe por que eu estou fazendo esse destaque? Os Senadores e Senadoras sabem disso. Essa tarefa é executada por Danilo, Secretário-Geral da Mesa, mas hoje a mesa é toda das mulheres. Então, nada mais justo, Ludmila, do que ter você aqui conosco. (Palmas.)
Cumprimento todas as autoridades e representações que atenderam ao nosso convite; colegas Senadoras, Senadores, Deputados e Deputadas; e, nas pessoas de Ideli Salvatti, ex-Senadora de Santa Catarina, e Liana Cirne, Vereadora do Recife, da minha querida cidade, eu quero saudar toda esta plenária potente, bonita e representativa de todo o nosso país. Sejam muito bem-vindas ao nosso Plenário do Senado Federal.
"Não se nasce mulher, torna-se mulher." Essa frase de Simone de Beauvoir, dita pela primeira vez em 1949, expressa uma condição que as mulheres vivem na pele diariamente, do nascimento à morte, em todo o mundo.
Nós nos tornamos mulheres – mulheres, aqui, no sentido de uma construção histórica, política, econômica e social que foi definida, em grande parte, pelos homens. Os papéis que a imensa maioria de nós desempenhamos ao longo da história foram concebidos como funções acessórias aos papéis desempenhados pelos homens.
É claro que isso mudou e, felizmente, vem mudando ainda mais – e precisa mudar ainda muito mais –, tudo graças à luta de incontáveis guerreiras do passado, como Bertha Lutz, que dá nome a esta homenagem, e do presente, como as 19 mulheres, já citadas aqui, que hoje recebem o Diploma Bertha Lutz 2025.
A Juíza Ruth Ginsburg – integrante da Suprema Corte dos Estados Unidos até sua morte, em 2020, e ferrenha defensora dos direitos da mulher – dizia: "A verdadeira mudança, a mudança duradoura, acontece um passo de cada vez", com determinação e com resiliência. Eu aprecio bastante essa ideia.
Conquistas feitas a partir de discretas ações diárias, na maioria das vezes anônimas, que vão se acumulando com o tempo e deságuam em mudanças consistentes – o direito ao voto, aqui lembrado pela Senadora Soraya. Só não podemos parar, minhas queridas. Não podemos permitir que nos calem, prezadas companheiras. Temos que ocupar o nosso lugar sem precisar pedir licença.
As vidas das 19 mulheres hoje homenageadas são plenas de gestos transformadores. Demonstram a constância de propósito na luta das mulheres por igualdade, liberdade e emancipação em qualquer campo em que atuem ou atuaram.
Com alegria, saúdo todas as agraciadas, dizendo que o Senado da República e a Bancada Feminina as recebem com honra e com muito respeito.
É com esse respeito e com meu carinho e admiração que, nas minhas palavras finais, neste momento, celebro a vida, a luta e a obra de Conceição Evaristo, que tive a imensa honra de indicar – e a recebo no dia de hoje neste Senado – para o prêmio, para o Diploma Bertha Lutz, com apoio unânime, assim como todas as outras o tiveram, de todas as Senadoras da Bancada Feminina. (Palmas.) De origem humilde, na periferia de Belo Horizonte, Conceição Evaristo alcançou a glória literária sem perder o contato e a empatia com os mais vulneráveis, especialmente mulheres negras e pobres, o coração de tantas comunidades no Brasil. Foi assim que ela adentrou a Academia Mineira de Letras como a primeira mulher negra a ter assento naquela imensa e tão importante representação pela produção literária que o Estado de Minas Gerais dedica a todo o Brasil. Parabéns, Conceição! (Palmas.)
Seja em versos, seja em prosa, as palavras de Conceição Evaristo são a melhor representação nas letras brasileiras da sofrida vivência das mulheres negras no país – em que, infelizmente, ainda nos vemos às voltas com as mazelas do racismo, do patriarcado, da desigualdade econômica, mas, ainda assim, nos trazem a possibilidade e a esperança da redenção pela arte e pela educação. Vejo muitas educadoras também agraciadas.
Minhas queridas companheiras – permitam-me assim chamá-las –, o trabalho de cada uma de vocês nos inspira, nos pequenos e grandes gestos, dia após dia, no trabalho pela emancipação feminina. Não se nasce mulher, torna-se mulher. E tornar-se mulher hoje é uma tarefa um pouco menos sofrida graças ao trabalho, à determinação e ao esforço constante de cada uma de vocês.
O meu muito obrigada, nossos parabéns, com fé na luta, regando nossos sonhos e alimentando nossa esperança; como dizia o mestre Paulo Freire, não a esperança vã, mas a esperança do verbo esperançar, que se move, que mobiliza, que nos junta e nos reúne na construção de um mundo justo, fraterno, solidário, em que todas as mulheres tenham direitos e sejam felizes.
Muito obrigada.