Pronunciamento de Confúcio Moura em 18/11/2025
Discurso proferido da Presidência durante a 172ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Considerações sobre a 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém-PA, com críticas às declarações sobre a cidade feitas pelo Primeiro-Ministro alemão, Sr. Friedrich Merz. Defesa de práticas de desenvolvimento sustentável que conciliem preservação ambiental, combate à pobreza e incentivo à bioeconomia na Região Amazônica.
- Autor
- Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
- Nome completo: Confúcio Aires Moura
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Resumo por assunto
-
Assuntos Internacionais,
Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Mudanças Climáticas:
- Considerações sobre a 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém-PA, com críticas às declarações sobre a cidade feitas pelo Primeiro-Ministro alemão, Sr. Friedrich Merz. Defesa de práticas de desenvolvimento sustentável que conciliem preservação ambiental, combate à pobreza e incentivo à bioeconomia na Região Amazônica.
- Publicação
- Publicação no DSF de 19/11/2025 - Página 23
- Assuntos
- Outros > Assuntos Internacionais
- Política Social > Proteção Social > Desenvolvimento Social e Combate à Fome
- Meio Ambiente > Mudanças Climáticas
- Indexação
-
- ELOGIO, GOVERNO FEDERAL, GOVERNO ESTADUAL, GOVERNADOR, HELDER BARBALHO, ESTADO DO PARA (PA), ORGANIZAÇÃO, CONFERENCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MUDANÇA DO CLIMA (COP), BELEM (PA), CRITICA, DECLARAÇÃO, CHANCELER, ALEMANHA, FRIEDRICH MERZ, DISCRIMINAÇÃO.
- NECESSIDADE, COMBATE, POBREZA, AMAZONIA, COMUNIDADE RIBEIRINHA, DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL.
O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar - Presidente.) – Muito bem.
Eu consulto se a Senadora Zenaide está colocada à distância, remotamente, para o seu pronunciamento.
Senadora Zenaide? (Pausa.)
Senador Laércio está presente? Senador Laércio, de Sergipe? (Pausa.)
Senador Laércio não está. Não estando o Senador Laércio, vou dar mais um tempinho para que tanto o Senador Laércio quanto Zenaide possam se recolocar, enquanto eu falarei aqui umas pequenas palavras, aqui mesmo desta posição.
Nas minhas palavras hoje praticamente improvisadas, quero saudar todos os presentes, o pessoal das galerias, os Senadores presentes, quero falar sobre a COP 30, essa conferência que se realiza em Belém do Pará.
Honra-nos muito ter a sede aqui numa capital da Amazônia Legal, que é o Estado do Pará, realizar uma conferência de amplitude internacional. E, logicamente, em Belém, o Governador Helder Barbalho fez um esforço fantástico, assim como o próprio Governo brasileiro, para poder adaptar, num prazo muito curto, os ambientes para recepcionar todas as autoridades, os técnicos e também os políticos que compareceram à COP 30.
Nós sabemos que a Amazônia é um dos estados que padece da maior desigualdade, nem vou falar internacional, mas nacional. Se analisarmos os indicadores dos estados amazônicos, nós vamos verificar o disparate cruel e injustificado dessa desigualdade. A falta de saneamento é visível. Os bairros periféricos, as palafitas... Há realmente bairros muito pobres e insalubres; muito esgoto é colocado nos rios, assim, a céu aberto, isso é visível. Então, o esforço para mostrar a Amazônia tal qual ela é, sem esconder nada, acho que se justificou para que o pessoal possa comparar dois indicadores fantásticos, que são a pobreza e a preservação ambiental. A pobreza não combina com um meio ambiente seguro e vice-versa. Para que haja uma preservação ambiental adequada, há necessidade realmente de que o homem da Amazônia seja mais bem comparado, em termos de qualificação, em termos de trabalho e em termos de renda. Se ele não tem nada disso, ele obrigatoriamente, não porque queira, é forçado às vezes a agredir o meio ambiente para sua própria sobrevivência.
E esse conceito de desenvolvimento – nós falamos de desenvolvimento sustentável – é o que nós desejamos também, ou seja, que a população, que o homem da Amazônia consiga ter prosperidade, consiga ser inovador, consiga ser mais bem qualificado, mas justamente estão faltando esses meios propiciadores desse crescimento para a população da Amazônia. Então, esse "pobrismo" amazônico crônico, principalmente dos extrativistas, dos indígenas, dos ribeirinhos, dos quilombolas, esse "pobrismo" do extrativismo tradicional, de carregar as sacolas, os cestos de castanha e outros produtos da floresta na cabeça, ou em burros, ou em jumentos, é diferente do conceito do desenvolvimento europeu. É diferente. Lá tem inovação, tem alta tecnologia, tem uma prosperidade, e, sobretudo, em grande parte, às custas dos países que foram colonizados por eles: os africanos, os latinos, explorados e colonizados por séculos para enriquecer países e reinados europeus.
Mas nós temos... Eu acredito que, se formos esperar dinheiro estrangeiro para resolvermos as nossas mazelas ambientais, para realmente evitar o desmatamento, as queimadas e a contaminação dos rios, nós teremos que fazer primeiro o nosso esforço local através dos estados, através do Governo Federal; fazer a criação de alguns fundos importantes que venham a financiar a floresta em pé.
O Brasil somos todos nós. E um dos fatores de que eu sempre falo aqui quase que diariamente é que nós poderíamos começar a preservar o meio ambiente através da educação de qualidade, oferecendo às populações da Amazônia uma educação de alto nível, através da pesquisa científica, para identificar a riqueza florestal, a sua biodiversidade, catalogar esses dados cientificamente. Há um esforço já das universidades do Pará, das universidades do Amazonas e de outras universidades menores, dos estados menores da região, em pesquisar a produção da floresta, não só a exploração madeireira, mas também os outros insumos importantes, cosméticos, medicamentos e tantos outros importantes.
O Brasil soberano depende de nós mesmos, e essa soberania... Nós só vamos melhorar, equilibrar e realmente bater no peito com orgulho se nós fizermos o nosso dever de casa real a partir dos próprios governos e de todas as suas instâncias federativas.
Já fiz aqui, muitas vezes, discursos sobre bioeconomia. A bioeconomia é justamente a exploração dos recursos naturais de uma maneira organizada, pesquisada, vendida, comercializada, apresentada. Então, são muito importantes as riquezas que nós temos a partir dos recursos naturais.
O clima não depende de ideologia. O clima está acima de princípios de direita e de esquerda, de centro, de extremistas ou não. O clima é uma realidade que atormenta o mundo inteiro. Nós estamos vendo aí agora. Ontem mesmo, o Senador Sergio Moro, que, por acaso, está aqui agora, falou sobre a cidade paranaense que foi vitimada por um tufão, com muitas mortes e um prejuízo econômico particular daquelas famílias. O clima está acima dos nossos desejos. Então o aumento da temperatura é real, todos nós estamos vendo: seca demais, chuva demais, vento demais. E essas coisas todas acontecendo no mundo inteiro, especialmente no Brasil, onde estamos experimentando tudo isso.
E tudo culminou. O despropósito da fala do Ministro Friedrich Merz, do Primeiro–Ministro, o Chanceler alemão, que falou que a maior alegria e a felicidade dos jornalistas e da comitiva alemã que esteve em Belém foi ter saído de lá. Todos comemoraram.
Ele perguntou: "Levante a mão quem quer ficar por aqui". Segundo ele, ninguém levantou a mão. Então, isso demonstra que o atual Ministro, o Chanceler alemão, se esqueceu da história alemã. Ele se esqueceu das barbaridades que cometeram, e ele foi injusto com o Brasil, porque nós recebemos muitos alemães foragidos, refugiados. Muitos alemães, nas fases tristes, na miséria alemã, foram acolhidos aqui, e estão hoje, especialmente, no Sul do país. Então, ele, realmente, foi preconceituoso, foi deselegante, antidiplomático; não mereceria ocupar um cargo de primeiro-ministro de um país tão desenvolvido como é hoje a Alemanha.
Respeito a Alemanha pela sua música, respeito a Alemanha pelos seus cientistas, respeito a Alemanha por seu esforço capitalista, por tudo isso, mas não respeito o Primeiro-Ministro pela sua fala realmente preconceituosa contra... Ele já veio para cá sabendo dos nossos indicadores, sabendo que ele estaria em Belém do Pará, que é um estado, realmente, que fez um esforço... O Helder Barbalho fez um esforço gigantesco – e o prefeito de Belém –, tirando de onde não tem para recepcionar da melhor maneira possível toda essa comitiva internacional e nacional.
Então, o meu discurso é este, para realmente parabenizar essa COP. E com os resultados, sejam muitos ou sejam poucos, nós temos que fazer o nosso dever de casa, porque quem ama verdadeiramente o Brasil somos nós brasileiros.
Tem mais alguém? (Pausa.)
Senador Sergio Moro com a palavra.