Pronunciamento de Plínio Valério em 25/11/2025
Discurso durante a 175ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Manifestação crítica ao suposto fracasso da COP 30, com destaque para os gastos financeiros e os impactos ambientais com a realização do evento. Indignação contra a atuação de ONGs e países estrangeiros para, em tese, restringir o uso de recursos naturais brasileiros sob pretextos ambientais. Críticas à aquisição de minas estratégicas de nióbio e terras-raras por empresas chinesas. Rejeição ao isolamento das comunidades indígenas, defendendo que os povos originários anseiam por políticas públicas, infraestrutura e desenvolvimento, e não apenas pela demarcação de terras sem assistência.
- Autor
- Plínio Valério (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/AM)
- Nome completo: Francisco Plínio Valério Tomaz
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Desenvolvimento Regional,
Meio Ambiente,
Mineração,
População Indígena:
- Manifestação crítica ao suposto fracasso da COP 30, com destaque para os gastos financeiros e os impactos ambientais com a realização do evento. Indignação contra a atuação de ONGs e países estrangeiros para, em tese, restringir o uso de recursos naturais brasileiros sob pretextos ambientais. Críticas à aquisição de minas estratégicas de nióbio e terras-raras por empresas chinesas. Rejeição ao isolamento das comunidades indígenas, defendendo que os povos originários anseiam por políticas públicas, infraestrutura e desenvolvimento, e não apenas pela demarcação de terras sem assistência.
- Aparteantes
- Jorge Seif.
- Publicação
- Publicação no DSF de 26/11/2025 - Página 18
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento > Desenvolvimento Regional
- Meio Ambiente
- Infraestrutura > Minas e Energia > Mineração
- Política Social > Proteção Social > População Indígena
- Indexação
-
- CRITICA, CONFERENCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MUDANÇA DO CLIMA (COP), BELEM (PA), GASTOS PUBLICOS, DANOS, MEIO AMBIENTE, DESMATAMENTO.
- DENUNCIA, FUNDO AMAZONIA, DESPESA, VIAGEM, REMUNERAÇÃO.
- QUESTIONAMENTO, AQUECIMENTO GLOBAL, MUDANÇA CLIMATICA.
- CRITICA, AQUISIÇÃO, MINAS, TERRAS RARAS, EMPRESA ESTRANGEIRA, CHINA.
- CRITICA, ISOLAMENTO, COMUNIDADE INDIGENA, INDIO, NECESSIDADE, DESENVOLVIMENTO, INFRAESTRUTURA.
O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM. Para discursar.) – Sr. Presidente, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, quero saudar a turma. Estou vendo daqui a palavra "luta". Isso é muito bom! Lutar sempre, sempre!
Presidente, as chamas que destruíram pavilhões da COP 30 proporcionam uma imagem precisa de sua herança: o fogo do fracasso. Eu não comemoro, mas também não me surpreendo. As 30 edições anteriores da COP foram apenas isto, farra midiática que produz muita conversa fiada, mas nada de concreto.
O melhor exemplo aconteceu há dez anos – há dez anos –, com a COP de Paris, aquela que estabeleceu o princípio de as nações ricas ajudarem financeiramente a manter a cobertura vegetal das nações mais pobres. Nunca rendeu um tostão.
Agora não seria diferente. Deixou apenas a impressão de um país necessitado, que, mesmo assim, torra dinheiro – estão falando aí que o Brasil gastou mais de 5 bilhões com a COP – e, por paradoxal que pareça, destruiu parte da Floresta Amazônica para abrir caminho para as estrelas da COP – eu falo daquela floresta de 13km, 14km em Belém, que foi derrubada para que fizessem duas pistas para os palestrantes saírem do hotel para o local da COP.
No final, não houve acordo algum e a contribuição brasileira limitou-se a um plano de descarbonização que nem sequer tem aplicação obrigatória. O tal Fundo Florestas Tropicais para Sempre, na sigla TFFF, nem sequer foi levado em consideração.
Só não podemos dizer que a COP 30 passou inteiramente em branco porque, durante sua realização, um fundo alemão anunciou doação direta a uma ONG lá no meu estado, que opera na Região Amazônica, e governos como a Suíça prometeram contribuições ao Fundo Amazônia de R$33 milhões.
Na verdade, o destino acaba sendo o mesmo: a ONG beneficiada pelos alemães destina, oficialmente, em seus balanços, 80% para viagens e remuneração de operadores, o que é também a marca do destino das verbas do Fundo Amazônia. Isso nós mostramos na CPI das ONGs. As ONGs ambientalistas recebem cem: gastam 80 com elas mesmas e 20 deveriam chegar na ponta.
Presidente, Senadoras, Senadores, a COP não trouxe qualquer decisão relevante, como esperavam os brasileiros do Governo Federal que promoveram isso e a seita ambientalista. Estava certíssimo o Presidente Lula – e, quando eu concordei com o Presidente Lula, muitos se admiraram, porque normalmente a gente discorda, Amin – quando ele fez críticas ao Chanceler alemão, debochou, dizendo que tudo se resolveria em um barzinho. A COP é exatamente isto: a COP é festa, bebida, comida, foguete, balões, confetes.
O SR. ESPERIDIÃO AMIN (Bloco Parlamentar Aliança/PP - SC) – E não ficou em hotel, hein? (Risos.)
O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Isso. E não ficou em hotel.
A COP é divertimento. A COP é deslumbramento. A COP é enganação. A COP é hipocrisia. Eles vieram para nos ditar normas, de novo, nos deixar deveres ambientais que eles não cumprem – que eles não cumprem. A Noruega explora petróleo e não quer que o Brasil explore petróleo na costa do Amapá. E a Noruega é quem dá dinheiro para o Fundo Amazônia.
Pois não, Senador Seif.
O Sr. Jorge Seif (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para apartear.) – Hoje em dia, nós temos o ChatGPT... Essa garotada que está aqui nos visitando, eu os saúdo.
A Noruega capta petróleo a menos de 10km da costa deles. A nossa, não sei, 200km, 300km para fora. E, mesmo assim, nós que somos os grandes vilões do meio ambiente.
O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Quanto ao potássio, que querem impedir a gente de explorar no Amazonas – e o Brasil depende do potássio –, uma mina lá no meu estado daria 25% do que o Brasil precisa de potássio. Parte dele é comprado do Canadá. E sabe onde ele é extraído? Terras indígenas, pagando royalty para os indígenas. Os indígenas ganham dinheiro com os recursos naturais. Os nossos aqui são proibidos de plantar, inclusive.
A COP não é exatamente um barzinho, mas, guardadas as devidas proporções, serve para a mesma finalidade: um encontro social em que a turma se diverte com muita conversa-fiada. O problema está apenas no tipo de conversa-fiada. Na COP, como em todos os eventos de viés ambientalista, firmam-se dogmas pretensamente científicos e passa-se a tratá-los como verdade absoluta. Graças à difusão desses dogmas, consegue-se impor ações a governos e conduzir a doações absurdas a ONGs que aproveitam para torrar dinheiro consigo mesmas. Os cientistas – eu não falo dos pseudocientistas, eu falo dos cientistas que rejeitam esses dogmas – sofrem a pecha de "negacionistas", quando, em geral, estão apenas falando a verdade. E todo esse processo acaba evoluindo para um grau especial de hipocrisia, o "santuarismo", que pretende o imobilismo de áreas inteiras – e é por isso que se veem manifestações indígenas, de seres humanos que não querem ver-se condenados eternamente a viver apenas dos frutos que caem das árvores.
Os indígenas que eu conheço – e eu ando muito nas aldeias do Amazonas – não querem – não querem – viver isolados. Querem o que todos nós queremos, desejam o que todos nós desejamos e têm por direito tudo o que nós temos de direito: escola, transporte, educação, alimento.
Estava na COP uma dessas entidades, o Greenpeace, famoso Greenpeace, que já ameaçou atividades econômicas na Amazônia, alegando, com fotos, que lá havia uma barreira de corais – aquela lá, Seif, que é perto do Amapá – para impedir tudo isso. Inventam mentiras. A narrativa é muito, muito, muito forte.
Qualificada especialista da Petrobras, Sylvia Anjos justificou a tese de fake news científica, falando do Greenpeace. Isso, porém, já atrapalhou investimentos.
O conceituado geólogo Luís Ercilio Faria Junior, Professor da Universidade Federal do Pará, mostra que estudos sobre a plataforma continental da Região Norte demonstram que aquilo não tem nada a ver com corais, sendo apenas rochas carbonáticas. E, por aí afora, essa narrativa.
O Greenpeace, olhem só, tem um equipamento que monitora a Amazônia em tempo real. Agora está monitorando.
Houve uma operação covarde da Polícia Federal e Guarda Nacional em Humaitá e Manicoré. Explodiram flutuantes de famílias que praticam o extrativismo mineral há décadas, herdaram dos avós e dos pais. Eles foram lá e explodiram, porque prejudica o meio ambiente. Provocaram fogo, fumaça, poluíram o leito do rio.
Chegaram na COP, dizendo que explodiram dragas. Mentira, não foram dragas, porque draga é do narcotráfico. E do narcotráfico essa gente tem medo. Eles enfrentam pessoas humildes. A única arma que tem nesses flutuantes é uma faca, para tratar o peixe que comem todos os dias.
Esse Professor e geólogo Luís Ercilio dá números para provar o que diz. O planeta Terra, a globosfera, tem 570 milhões de quilômetros quadrados. Deles, 360 milhões são os oceanos; e 150 milhões, os continentes. A Amazônia brasileira tem pouco mais de 5 milhões de quilômetros quadrados. E a Amazônia total, envolvendo aí a Venezuela, a Colômbia e o Peru, tem 6 milhões de hectares.
Portanto, deixe-me falar uma coisa, e é bom passar isso aqui para vocês. A Amazônia, de que tanto falam, que tanto querem defender – porque, se não defender a Amazônia, prejudica o mundo –, é 1% do território terrestre, da Terra, da planície da Terra – da planície, não –, da ocupação que a Terra faz nesse planeta. Um por cento.
E aqui eu digo, e vou emendar minha fala para que não cortem: se a Amazônia toda fosse queimada, não afetava o clima no mundo. Não vai ser nunca, porque nós não vamos deixar. Nós, amazônidas, não vamos deixar. Nós, brasileiros, não vamos deixar queimar a Amazônia, e não eles. Eles não têm exemplo nenhum para nos dar. Um por cento é a Amazônia. Não vai salvar planeta algum.
Agora, estão nos condenando a uma pobreza eterna, quando não nos permitem explorar os nossos recursos naturais.
Presidente, peço mais um pouco só de tempo, para que eu possa concluir, porque são dados, e preciso da sua...
(Soa a campainha.)
O SR. PLÍNIO VALÉRIO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Então, o Deserto do Saara...
Olha só, a Amazônia toda tem 6 milhões de quilômetros quadrados. Só o Deserto do Saara tem 9 milhões de quilômetros quadrados, é mais do que a superfície brasileira. Pior ainda está em atribuir ao país responsabilidade pelas emissões de CO2: "Ah, porque muito CO2 na atmosfera vai prejudicar...".
Olha só o que diz o especialista Luís Ercilio: isso é "conta de padaria". Hoje, o CO2 corresponde a 0,003% da atmosfera. Exagerar seu peso no aquecimento global, para ele, é conversa de quem tem o que ganhar com isso, ou seja, de nos impor algo que apresentam como verdade.
E, na CPI das ONGs, nós mostramos que os primeiros a faturarem com isso são os santuaristas, os trombeteiros do apocalipse ambiental: "O mundo vai acabar se a Amazônia aquecer 0,5%". E os brasileiros acreditam, porque a narrativa é muito forte: a GloboNews está aí, a CNN está aí, todos eles estão aí para pregar isso, para apregoar, porque estão todos equipados para isso.
Observem, é conversa de quem tem a ganhar. A CPI mostrou tudo isso.
Aliás, já vêm ganhando, historicamente, os conglomerados europeus que exploram recursos naturais. O Seif falou. A Noruega é quem manda mais dinheiro para o Fundo Amazônia, e a Noruega está explorando, no mar, seu petróleo, a 5 mil metros de profundidade. E nós não podemos explorar o petróleo da Amapá? Os índios do Canadá estão explorando o potássio que vem para cá. Há pouco, foi comprada uma mina no meu estado. Os chineses compraram uma mina, uma mina que tem urânio, que tem nióbio, que tem terras-raras, e ninguém disse nada. Eu entrei com uma ação na Justiça Federal. E sabe o que acontece, Presidente Izalci, que está presidindo agora a sessão? Essa empresa chinesa que comprou a Mina de Pitinga não tem escritório no Brasil, não tem sequer endereço no Brasil. E a gente está abrindo mão dos minérios das chamadas terras-raras – incluindo aí o lítio, que serve para as baterias. Sem lítio não vai ter carro elétrico. E a gente está abrindo mão disso o tempo todo. E a gente tem que lutar por salário, tem que lutar por equiparação salarial, sempre lutando. Os trabalhadores sempre lutando, e a gente abrindo mão de riquezas para eles, os chineses, para eles, os estrangeiros.
Presidente, não quero abusar da sua boa vontade. Só vou finalizar.
Se COP fosse bom, se COP servisse para realizar alguma coisa, não precisaria de 30 – já é a 30ª, e não fazem nada. Eu citei a de Paris, que não serviu para nada. Não foi à toa que a China não veio, que os Estados Unidos não vieram, que a Inglaterra não mandou representantes. É porque não acreditam mais nessa história de COP. Sabe por quê? Porque esses ambientalistas querem impedir, querem que os países parem de produzir, de explorar petróleo, combustíveis fósseis, querem pregar uma transição energética, que nos manieta, que nos escraviza, em que não podemos usar nada.
Portanto, vou aproveitar essa plateia que está aí, boa, de lutadores e de lutadoras. Deixe-me dizer uma coisa para vocês: quando vocês ouvirem que os índios estão querendo mais terra, é mentira. Índio não quer mais terra, eles têm terra suficiente; eles querem políticas públicas, porque a agenda global que manipula o Ministério do Meio Ambiente – a seita da Marina Silva que é manipulada por isso – quer nos isolar. Quando eles delimitam uma terra indígena, eles os abandonam, não levam nada para eles, para que eles saiam.
Se terra resolvesse o problema dos indígenas... Olhem para mim, quem está dizendo é um Senador do Amazonas: Manaus, nossa capital, tem mais de 50 mil índios vivendo em condições sub-humanas, invadindo terras. Todos eles vieram de reservas indígenas, porque foram abandonados, jogados ao relento, vão para Manaus e invadem terra. Outro dia apanharam, a polícia chegou lá batendo e eu tive que ir lá para tentar ajudá-los. Os índios são 40, 50 mil em Manaus, vivendo em condições sub-humanas, e eles vieram das reservas indígenas.
Portanto, eu gostaria de passar isto para vocês: é muita balela, é muita mentira, é muita hipocrisia. E a missão de combater os hipócritas, em nome do Amazonas, me foi concedida por Deus, de estar hoje na tribuna do Senado, de beira de barranco no Senado da República, para dizer para os brasileiros, para dizer para as brasileiras: não acreditem neles, eles não querem o nosso bem; eles querem, como já se dizia antigamente, os nossos bens. E já levaram, já levaram os bens, as informações, o nosso conhecimento. Agora eles querem nos isolar. Sabe para quê? Para que nossos recursos naturais fiquem intocados e sirvam para eles no futuro, para as futuras gerações deles e não para as nossas.
Enquanto Senador eu estiver, não vão condenar o meu povo a uma pobreza eterna, porque eu vou estar aqui sempre protestando, é o que acabei de fazer.
Obrigado, Presidente.