Pronunciamento de Davi Alcolumbre em 03/09/2026
Presidência durante a 120ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Críticas à intensificação de ataques pessoais e da disseminação de informações falsas nas redes sociais, especialmente no contexto eleitoral, e defesa de que divergências políticas sejam tratadas por meio do debate de ideias e propostas. Destaque para a responsabilidade institucional decorrente de seu cargo e, ao final. Registro do andamento de matérias legislativas já votadas pelo Senado.
- Autor
- Davi Alcolumbre (UNIÃO - União Brasil/AP)
- Nome completo: David Samuel Alcolumbre Tobelem
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Presidência
- Resumo por assunto
-
Atuação do Senado Federal,
Eleições e Partidos Políticos:
- Críticas à intensificação de ataques pessoais e da disseminação de informações falsas nas redes sociais, especialmente no contexto eleitoral, e defesa de que divergências políticas sejam tratadas por meio do debate de ideias e propostas. Destaque para a responsabilidade institucional decorrente de seu cargo e, ao final. Registro do andamento de matérias legislativas já votadas pelo Senado.
- Publicação
- Publicação no DSF de 04/09/2026 - Página 25
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Outros > Eleições e Partidos Políticos
- Indexação
-
- CRITICA, ATAQUE, ORADOR, PROPAGAÇÃO, NOTICIA FALSA, POLARIZAÇÃO POLITICA, INTERNET, MIDIA SOCIAL, AMEAÇA, DEMOCRACIA, ENFASE, ELEIÇÕES, DEFESA, DEBATE, PROPOSTA, DESTAQUE, RESPONSABILIDADE, CARGO, PRESIDENTE, SENADO.
O SR. PRESIDENTE (Davi Alcolumbre. Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - AP) – Obrigado, Senadora Damares, minha Ministra querida. Permita-me a partir da sua fala... eu, às vezes, penso muito em fazer as minhas manifestações do alto da cadeira da Presidência do Senado Federal, porque existe uma questão institucional que é muito maior do que só os meus desejos como cidadão brasileiro, mas também como Senador da República.
Todos os dias eu falo desta cadeira que eu gostaria muito que no nosso país, em vez de nós estarmos comemorando quem agride mais as pessoas – o que infelizmente é o que nós estamos vivendo hoje –, era para nós estarmos comemorando quem reconhece as pessoas que fazem a diferença na vida das outras pessoas com a responsabilidade de um mandato de Senador da República, ou de Deputado Federal, ou de Deputado Estadual, ou de Vereador, ou de Prefeito, ou de Governador, ou de Presidente.
As coisas estão muito difíceis no Brasil. E muitas das vezes, Damares, eu escuto agressões, ofensas, todos os dias, e o desejo do cidadão Davi era ir à tribuna e falar as verdades que estas pessoas que agridem a gente mereciam ouvir.
Uma vez, Tereza Cristina, minha Ministra querida, eu tive a oportunidade de conviver com você como Ministra do Brasil e eu, Presidente do Senado. Eu tive a oportunidade de conviver com a Damares como Ministra do Brasil e eu, Presidente do Senado, no Governo passado. Neste Governo, eu tive a oportunidade de conviver com o Ministro Camilo Santana, que é meu colega Senador, que está aqui hoje. Está impossível o que nós estamos vivendo hoje. As pessoas estão felizes de ofender as outras.
E, muitas das vezes, Senador Nelsinho, eu abro os jornais ou as redes sociais e me deparo com agressões inimagináveis contra a minha conduta ou a minha postura. Está muito cômodo as pessoas, atrás de um telefone celular ou de um robô, de uma fake news, de uma mentira, ofenderem as pessoas sem avaliar o que nós fazemos pelo Brasil todos os dias aqui.
Eu já falei uma vez aqui, em forma de desabafo, parte das ofensas que eu sofro todos os dias.
Eu queria cumprimentar V. Exa., Senadora Damares, pela coragem, porque V. Exa. defende as suas bandeiras com convicção.
Seria tão bom se, no Brasil, a gente pudesse apenas discordar das pessoas, o que não seria pouca coisa, porque geralmente, quando a gente não tem o direito de discordar de ninguém, a gente está sob regimes totalitários ou autoritários, sem poder ter um telefone celular para ofender a história de alguém. Só que a gente vive numa ditadura, numa democracia com característica de ditadura na rede social. É muita ofensa! É muita agressão! E a gente não consegue se defender.
Uma vez, eu ouvi uma história de um rei que disse para uma pessoa: "Olhe, você está falando isso da minha família. Você vai subir em cima daquela torre, e eu vou rasgar um travesseiro de penas. Se você conseguir juntar esse travesseiro de penas, você não vai para a pena de morte pelo que você está falando da minha história e da minha família". Não tem como juntar mais depois que se abre um travesseiro de penas no vento. É igual à rede social. Ninguém nunca mais, Paim, vai juntar, porque também ninguém consegue juntar um travesseiro rasgado com penas.
As pessoas falam aqui o que querem, o que acham que é verdade. Às vezes, chegaram a um grupo e só fazem encaminhar, e deixam as outras falarem mal das outras pessoas sem eu saber se ela tem pai, se ela tem mãe, se ela tem irmão, se ela tem filho, se ela tem família, se ela tem amigos...
Então, infelizmente, uma Senadora da República ter que subir na tribuna para falar que vai me elogiar e que vai se preparar, porque as pessoas estão fiscalizando quem vai elogiar o Davi, é a coisa mais dramática que eu poderia ouvir como Presidente do Congresso Nacional, chefe de um Poder do meu país, de um país com 215 milhões de pessoas, em que as pessoas de bem estão com medo de falar as verdades ou defender as outras pessoas de bem. Está prevalecendo só o ódio, e não o amor. Estão prevalecendo a raiva e a agressão, e não a fraternidade e a compreensão.
Está impossível o que nós estamos vivendo no Brasil, só que piorou agora. Não piorou agora porque piorou agora, mas porque o mundo está doido. Os problemas da humanidade são gravíssimos, tem muita gente com muito poder no planeta Terra que, de manhã, fala uma coisa, de tarde, fala que vai destruir a nação e, de noite, fala que não vai mais destruir. Agora as coisas contaminaram as pessoas, e as pessoas estão se dando o direito de fazerem o que acham que devem fazer e não pensam na vida das outras pessoas.
E como eles são minoria, mas são minoria do ódio, de um lado e do outro lado, a maioria está espremida no meio, assim, sem poder ir à tribuna falar de uma lei tão importante para o Brasil ou, se for votar e for elogiar o Davi, ter que fazer um argumento de dizer que pode falar mal. Mas os nossos colegas Senadores talvez todos pudessem e pretendessem elogiar, mas também, às vezes, estão com medo de serem agredidos.
Mas na minha condição de Presidente do Senado, eu vou tentar, da melhor maneira possível, sempre ter o discernimento da minha fala, porque a minha fala é muito forte. Nós somos três Chefes de Poder neste país e eu sou o Chefe de um Poder, que é o Poder da legitimidade do voto popular, que conhece a verdadeira realidade do Brasil. E muitas das vezes quem está aqui no Poder central não sabe a realidade do extremo norte do Amapá ou do extremo sul do Rio Grande do Sul, mas o Senador Paim sabe, e eu sei do Amapá, como todos sabemos aqui das nossas realidades do Nordeste ou do Centro-Oeste, ou do Sul ou do Sudeste.
Então, eu fico todo dia aqui me penitenciando e me policiando e pensando do que é que eu vou falar, na condição de Presidente do Senado Federal. Se eu não fosse Senador da República, Presidente do Senado Federal, ou se eu fosse só mais um Senador, colega de vocês, eu ia falar muita coisa naquele microfone ali, inclusive para colegas nossos que se acham no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas, para o assessor do lado estar filmando ele na rede social, para ele ganhar curtida na rede social e talvez para querer ganhar a eleição no dia 4 de outubro, porque, se não fosse no processo eleitoral, ele não colocava o assessor para filmar ele ali, para agredir outro colega dele. Ele ganhou a eleição, teve voto, eu também ganhei a eleição, mas ele bota ali a rede socialzinha dele, filmando o rostinho dele, ofendendo outro colega Senador que é Presidente do Congresso. E aquilo ele já distribui no mundo e diz agora, no programa eleitoral – vou ver muito isto: "Votem em mim que eu tive coragem de agredir e ofender o Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre". E nem me esperou ontem, para eu descer da minha cadeira de Presidente do Senado, para conversar com ele.
Mas tudo tem tempo, tudo tem hora aqui.
Então, é muito difícil, Damares, o que nós estamos vivendo. É muito difícil. Eu estou falando sempre isso aqui. Isso aqui está impossível. E o que estão fazendo com a honra das pessoas é inimaginável. Vamos contestar minha opinião, vamos discordar; proponha uma saída diferente da que eu falei, faça eu me convencer de que eu estava errado, e, se eu não me convencer de que eu estava errado, eu vou continuar com a minha posição, mas não me ofenda! Não precisa me agredir, só discorde, e tente convencer a maioria de que está certo.
Mas está só piorando e a piora disso vai só se agravar, porque, infelizmente, alguém quer ganhar a eleição no dia 4, ofendendo os outros. E eu gostaria de ver uma proposta do que ele pensa para o futuro da educação do Brasil, que ele poderia propor para votar essa lei que nós votamos hoje. Não esqueceu essa lei, não vai pedir essa lei, não; ou propor para o Brasil ter discernimento da sua posição geográfica, estratégica e logística e uma nova matriz modal para o Brasil, para baratear o custo do transporte, para tirar as carretas das estradas, para os portos funcionarem melhor, para a nossa agricultura ser fortalecida, para melhorar o ambiente dos fertilizantes, dos insumos que têm que vir da Rússia.
Não, não tem proposta para o Brasil. Tem proposta para a eleição.
O que vão votar em mim na rede social? Não é a proposta; é a agressão. Porque a pessoa está gostando aqui e manda no grupo, nem leu o que estava falando.
Então, está muito difícil. Permitam-me fazer apenas essa ponderação aqui para que fique registrado, porque ninguém tem o direito de subjugar ninguém e de ofender tanto as outras pessoas. E todo mundo tem o direito de discordar. Eu quero só ter o meu direito de discordar. E eu nunca ofendi ninguém aqui, na minha condição de Senador ou de Presidente do Senado.
Senador Paulo Paim, V. Exa. está inscrito.
A medida provisória já foi votada, o PLP também já foi votado, e nós estamos aguardando apenas que chegue, na Secretaria-Geral da Mesa, o processado. (Pausa.)
Para fazer uso da palavra, pela lista de oradores inscritos, concedo a palavra ao Senador Paulo Paim.