Pronunciamento de Confúcio Moura em 06/10/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 128ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
- Autor
- Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
- Nome completo: Confúcio Aires Moura
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar - Presidente.) – Perfeito, Zenaide. Um abraço para você. Parabéns pelo pronunciamento.
Bem, não tendo mais oradores, eu vou usar a palavra neste momento.
Eu queria saudar a todos, cumprimentar todos os candidatos – todos, mas são todos – do Brasil que se candidataram nesse pleito recentemente passado: estaduais, distritais, federais, homens, mulheres, candidatos, candidatos ao Senado, vou abraçar todos por essa grande manifestação democrática.
Estou vendo a Zenaide lá na tela, e senti muito, Zenaide. Acompanhei sua vida aí, estava torcendo demais para você, mas o povo sabe o que faz, e você é uma grande Senadora, querida, extraordinária pessoa.
Quero saudar, e cumprimentar, e desejar boa sorte ao Governador eleito do meu Estado de Rondônia, Marcos Rogério, Senador atual. Foi muito bem votado, ganhou no primeiro turno. Quero desejar a ele que governe o Estado de Rondônia, ele é jovem, conhece o estado, nasceu no Estado de Rondônia e tem condição de fazer um grande governo, um governo para todos, um governo para todos. Isso é fundamental.
Quero saudar os dois eleitos Senadores, que são o Bruno Scheid e o Fernando Máximo. Foram eleitos legitimamente, com expressivas votações no Estado de Rondônia.
Quero saudar o terceiro Deputado Federal mais votado do país, que é lá de Rondônia, o Deputado Lucio Mosquini, meu amigo querido. Domingo mesmo fui visitá-lo lá no Município de Jaru. Até ele se surpreendeu com a extraordinária votação que teve. Relativamente, ele foi o terceiro mais votado do país. A votação não foi grande absolutamente comparada com a de outros, de São Paulo e Minas, mas para Rondônia foi extraordinária a votação: foi de 16,5% dos votos válidos do estado.
Fiquei bem entristecido e chateado com a derrota do brilhante Senador Esperidião Amin, que dava tanto brilho, e daria tanto brilho, ao Senado com seus discursos, com sua inteligência e sua memória raríssima. Inteligente, altamente cortês e de um relacionamento aqui com todos os nossos colegas, de esquerda, de direita, de centro, ele conseguia navegar tranquilamente.
Também, da mesma forma, quero estender esse meu sentimento à Leila do Vôlei, uma Senadora extraordinária. Infelizmente o Distrito Federal, desta vez, não a prestigiou o suficiente para ser eleita, embora tenha tido uma excelente votação.
Eu torci muito, muito, muito por dois candidatos aqui do Distrito Federal para a Câmara Federal. Sabem por quê? Porque eles são defensores da educação, ardorosos. Seria uma maravilha, com qualquer que fosse o Presidente eleito, ter Cristovam Buarque e Márcia Abrahão aqui na Câmara Federal. Ela, ex-Reitora da UnB; ele, também, ex-Governador do Distrito Federal, ex-Senador, ex-Reitor da Universidade nacional de Brasília, e não tiveram sucesso eleitoral este ano.
Fico triste porque agora a Dorinha, a Senadora Dorinha, se for eleita lá no Tocantins, será um braço forte da educação que a gente vai perder.
O Senador Flávio Arns, fantástico, extraordinário, defensor da educação, também não foi candidato, não participou do pleito.
E, assim, nós ficamos desfalcados de bravos, autênticos, valentes defensores da educação brasileira, que são essas pessoas que eu acabei de citar.
Eu quero avisar um recado à Profa. Márcia Abrahão: que não desanime, não, por favor. Eu quero que ela continue se candidatando para que possa ser eleita no futuro e volte a defender, arduamente, com unhas e dentes, as universidades e a educação brasileira.
Saúdo o candidato, jovem candidato, professor lá de Rondônia, foi candidato a Governador pelo meu partido, Pedro Abib, que não foi vitorioso, mas marcou a presença do nosso partido na disputa eleitoral. Saiu-se muito bem em todos os debates e apresentações, e realmente é um líder do futuro. É jovem, tem trinta e poucos anos; tem tempo suficiente para se preparar melhor e se jogar já na preparação para as futuras disputas eleitorais.
Quero, assim, fazer um comentário geral sobre o Partido Liberal. O Partido Liberal, esse novo liberal – que surgiu praticamente, renascido, de fusão de vários partidos em 2018 e 2019, que serviu de berço para o Presidente Bolsonaro se candidatar – é um partido fantástico. É um partido de direita, partido conservador. E o Partido Liberal, na história do Brasil, nunca foi extremista – nunca foi. Ele sempre foi da defesa da liberalidade econômica, da livre iniciativa, da abertura de oportunidades para todos, que todos pudessem crescer, ter oportunidades importantes no Brasil. Não cabe ao Partido Liberal ser taxado, no momento, de ser um partido extremista de direita, radical de direita, raivoso de direita – não cabe –, porque vou mostrar para vocês a história do Partido Liberal no Brasil. Não vou entrar no Partido Liberal no mundo, mas vou falar do Brasil.
O Partido Liberal surgiu no Império brasileiro, surgiu durante a década de 30, de 1830 – olha bem, no Império! – como oposição ao Partido Conservador. O Partido Liberal fazia oposição à monarquia, ao Pedro I e ao Pedro II, e ele defendia maior descentralização de poder, tirar um pouco de poder do Império. Então, ele realmente formou as duas grandes forças políticas do período imperial até a Proclamação da República, o Partido Liberal e o Partido Conservador brasileiro. Ele, na Primeira República, depois da proclamação, desapareceu. Desapareceu ali com o Deodoro e ressurgiu em 1903, o Partido Liberal. Teve uma atuação discreta, muito discretinha ali, não apareceu quase nada e foi vegetando na política nacional, que era dominada pela política de São Paulo e Minas, café com leite. Isso foi até 1930.
Na Segunda República, de 1945 a 1965, após o Estado Novo, o Partido Liberal foi novamente recriado em 1945, mas não teve muita expressividade também. Ele foi tocando até o regime militar, e desapareceu em 1964, 1965.
Com a Nova República, em 1985, o Partido Liberal reapareceu novamente. Na década de 90, eu fui colega do Álvaro Valle, o Paim também foi. Nós fomos colegas do Álvaro Valle, lá na Câmara dos Deputados. Ele era do Partido Liberal do Rio de Janeiro. Era um professor maravilhoso, uma pessoa fantástica, não é, Paim?
O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) – Perfeito.
O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – Um homem extraordinário. O Álvaro Valle era um homem elegante e conduziu o Partido Liberal sem nenhum fanatismo. Ele defendia suas ideias liberais com brilho. O Álvaro Valle – eu conheci o Álvaro Valle – era uma figura decentíssima. Ele era o Presidente do partido e tinha os seguidores dele no Brasil. E assim foi.
Agora, eu torço, já que agora nós teremos no Congresso Nacional em maioria o Partido Liberal. Eu contei aqui a história do Partido Liberal para vocês. O Partido Liberal não é novo, não. Ele é do Império, e olha a história. Então, não cabe agora, eu sei que agora o grande foco dessa disputa eleitoral foram realmente esses abusos do Supremo Tribunal Federal e outros temas que realmente são importantes. Logicamente, isso aqui dá para fazer uma belíssima correção e fazer uma reforma do Judiciário. Eu louvo que isso seja feito, sem nenhum radicalismo – é muito importante que se seja feito. Mas que isso não seja a pauta, somente essa pauta dominante do Brasil. Vai lá, faz um impeachment de um Ministro, faz uma mudança, uma definição, por exemplo, de mandato de Ministro do Supremo Tribunal Federal, dá uma ajustada geral na questão criminal aqui, tira dali e se acomode. Mas o Partido Liberal é fantástico. É grandioso. E ele realmente não pode ficar, ser batido somente com essa pauta extremamente única. Isso é cansativo.
Eu sou um homem de centro. Eu navego muito bem com todo mundo. Aqui no Senado, eu sou amigo, não tem aqui uma pessoa com quem eu não tenha uma ótima cordialidade. Mas eu sou de centro. Eu posso tranquilamente apoiar uma pauta de direita, mas não da extrema direita. Eu posso também apoiar uma pauta de esquerda tranquilamente, eu navego muito bem. Mas, extremo, não, nem extrema esquerda, nem extrema direita; não é comigo. Não é comigo, não venha que não tem.
Mas, quanto ao partido – essa liberdade, essa modernização das instituições, essa proposta de que todos os homens sejam livres, os valores; que premia o mérito, que fornece oportunidades para desenvolver o potencial de todas as pessoas –, é fundamental que os partidos trabalhem por essa pauta. As instituições independentes são pautas liberais, bonitas, maravilhosas, e isso deve ser continuado.
Essa questão de guerrear, essa questão do conflito, da provocação, da luta de boxe, do golpe baixo, aí não. Isso não cabe à nova política brasileira, não. O Brasil é tão complexo, tão difícil para governar, mas tão difícil para governar, mas tão difícil para governar, que vocês vão ver, isso aqui é um balanço, um balanço de indicadores. Uma hora você conserta o desemprego, na outra, agora, você desconserta a inflação, puxa a inflação, o juro sobe. É uma cama de gato terrível, é um cipoal de arranha-gato terrível para você tirar no peito isso tudo.
Então tem que ter uma ginástica de começar a política, fazendo o básico bem-feito, fazendo a coisa básica bem-feita, para que fique para muito tempo – para muito tempo. E conserta daqui, conserta dali – uma coisa de cada vez –, e reforma da previdência daqui, e ajeita Bolsa Família dacolá, e vai tocando as estradas dali, e a pesquisa dacolá. Não pode nenhum governo de direita, conservador ou esquerda, no mundo da tecnologia, do avanço, da inteligência artificial, de tudo isso, ser contra a pesquisa científica, contra o pesquisador brasileiro, contra o professor. Isso não se justifica em nenhum partido do mundo, quanto mais do Brasil, que tem uma educação esculhambada, principalmente no ensino fundamental.
Então é isto, futuro Congresso Nacional; é isto, povo brasileiro, o que nós temos que fazer: o certo, o básico, bem-feito, uma coisa de cada vez.
Olha, eu não estou vendo mais ninguém interessado em falar. Eu já falei bastante. Acho que falei o que tinha e o que não tinha. E tem muita gente inscrita aqui. Então, não tendo mais inscritos para esse tempo disponibilizado, a Presidência suspende a sessão deliberativa, que será reaberta para apreciação das matérias constantes da Ordem do Dia, já anunciada e lida por mim, que é a PEC 221.
Esta sessão está suspensa.
(A sessão é suspensa às 15 horas e 01 minuto e reaberta às 16 horas e 36 minutos, sob a Presidência do Sr. Davi Alcolumbre, Presidente.)