Agraciados em 2015

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Alceu Collares
Alceu Collares

Alceu de Deus Collares foi o primeiro governador negro do Rio Grande do Sul, onde exerceu o mandato de 1991 a 1994. Antes, de 1986 a 1988, também foi protagonista da história política gaúcha ao ser eleito e exercer o cargo de prefeito de Porto Alegre, a primeira eleição para capitais após a democratização do país.

Nascido em Bagé, e advogado por formação, entrou na carreira política em 1964 ao se eleger vereador por Porto Alegre. Foi ainda deputado federal por cinco mandatos.

Na condição de governador teve como um dos principais focos de sua administração a educação e iniciou, no Estado, a implantação do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP).

Atualmente compõe o Conselho de Administração da empresa Itaipu Binacional.


Frei David
Frei David

Mineiro de Nanuque, Frei David Raimundo Santos cursou ao mesmo tempo duas faculdades do Instituto Teológico e Filosófico Franciscano – a de Filosofia e a de Teologia. Na área acadêmica, tem mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo. Ordenou-se sacerdote em 16 de julho de 1983.

Há mais de 20 anos, dedica-se intensamente a trabalhos populares, sobretudo na área da educação para afrodescendentes e carentes.

É referência nacional na discussão e implantação de políticas afirmativas para afrodescendentes nas universidades públicas, nos serviços públicos e nas empresas privadas.

Participa ativamente de encontros relativos à temática dos negros, principalmente no interior da Igreja Católica. Entre outros eventos internacionais, esteve no 7º Congresso dos Negros Católicos dos Estados Unidos, em 1992.


Fundação Cultural Palmares
Fundação Cultural Palmares

A Fundação Cultural Palmares, criada pelo Governo Federal em 1988 e vinculada ao Ministério da Cultura, é uma instituição típica das conquistas alcançadas pelo Brasil no processo de fortalecimento da democracia.

Ela materializou reivindicações de um segmento expressivo da sociedade – os afrodescendentes - e se tornou instrumento para que direitos seculares pudessem ser agendados e valorizados no contexto das políticas públicas, particularmente na área da cultura.

Com a Fundação, novos olhares do ponto de vista do Estado se afirmaram, abrindo espaços para ressaltar ainda mais as manifestações culturais e artísticas negras brasileiras como patrimônio nacional.

Destaque importante: em seus 28 anos de existência, a FCP emitiu quase 2.500 certificações para as comunidades quilombolas, onde os afrodescendentes mantiveram suas tradições.


José Vicente
José Vicente

Filho de agricultores empobrecidos e nascido no município de Marília, interior de São Paulo, José Vicente inscreveu o seu nome com muita força na afirmação da cultura afrodescendente no Brasil. Depois de anos de experiência como advogado criminalista, concebeu e criou a Faculdade Zumbi dos Palmares, na capital paulista, a única instituição de ensino do país com maioria de estudantes negros.

Ofertando vários cursos em áreas como Administração, Direito, Publicidade, Pedagogia e Tecnologia de Transporte Terrestre, a faculdade, que tem José Vicente como reitor, possui aproximadamente dois mil alunos, dos quais 90% se declaram negros. As mensalidades da escola são consideradas acessíveis e um contingente grande de alunos é beneficiado com bolsas patrocinadas por empresas privadas.

Detentor da titulação de doutor em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba, José Vicente fundou o Instituto Afro-brasileiro de Ensino Superior e participa de vários conselhos nas esferas privada e pública. Integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES).


Mari Baiocchi
Mari Baiocchi

Mari de Nasaré Baiocchi, natural da Cidade de Goiás, antiga capital do Estado, foi por muitos anos pesquisadora e professora titular da Universidade Federal de Goiás, pela qual se aposentou. Doutora em Ciências Humanas - Antropologia pela Universidade de São Paulo, tornou-se mundialmente conhecida por valorizar a cultura afrodescendente, particularmente por meio dos amplos e sistemáticos estudos que fez com um dos mais antigos quilombos do país, os Kalungas, localizado em uma área isolada e distante cerca de 300 quilômetros de Brasília.

A comunidade Kalunga reúne uma população de aproximadamente três mil pessoas e enfrenta sérias dificuldades que demandam constantes intervenções do poder público para que possa se manter e se reproduzir como modelo societário. A professora Mari Baiocchi, ao longo dos anos, tem sido uma colaboradora incansável e imprescindível dessa saga, como estudiosa e como cidadã.

A tese doutoral da professora, Negros de Cedro, publicada pela Editora Ática e Instituto Nacional do Livro, foi agraciada com o Prêmio Destaque e Citação de Relevância de Obra para Compreensão das Relações Raciais em Países em Desenvolvimento/Ineditismo de Obra, patrocinado pela Unesco. É autora de várias outras obras sobre os Kalungas e temas de interesse antropológico e histórico. 


Carlos da Silva Santos homenageado in memoriam
Carlos da Silva Santos

Sindicalista, jornalista e parlamentar, Carlos da Silva Santos tornou-se o primeiro negro a ser eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 1967. Investido no cargo, exerceu interinamente a função de governador de Estado.

Na esfera parlamentar, foi eleito deputado federal por dois mandatos – de 1975 a 1978 e de 1979 a 1982.

Bacharel em Letras e em Direito, Santos teve intensa participação no movimento sindical na tradição trabalhista criada por Getúlio Vargas, fundando em Rio Grande o Sindicato dos Operários Metalúrgicos. Foi membro dos Círculos Operários Católicos.

Como jornalista, chefiou a redação do jornal Rio Grande e exerceu a função de correspondente do Diário de Notícias de Porto Alegre e do Diário da Noite, este do Rio de Janeiro. Faleceu em Porto Alegre, no ano de 1989.


Linduarte Noronha homenageado in memoriam
Linduarte Noronha

Parece que algumas pessoas vêm ao mundo para alterar rumos da sociedade. Linduarte Noronha, nascido em Ferreiros, Pernambuco, e depois definitivamente radicado em João Pessoa, capital paraibana, foi uma delas.

É autor do documentário Aruanda, de 1960, reconhecido como um marco do cinema nacional e precursor do movimento Cinema Novo, cujo principal expoente, depois, foi Glauber Rocha. O filme, com abordagens e linguagens absolutamente novas, conta a história de um quilombo, do Talhado, na Paraíba, liderado pelo ex-escravo Zé Bento.

Recebe in memoriam a Comenda Senador Abdias Nascimento por disseminar, com o documentário Aruanda, informações e fatos relevantes da cultura afro-brasileira.

Foi jornalista, crítico de cinema, professor universitário e cineasta. Faleceu em janeiro de 2012, no Rio de Janeiro.