01/06/2021 - 14ª - CPI da Pandemia

Horário Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fala da Presidência.) – Bom dia!
Havendo número regimental, declaro aberta a 14ª Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito criada pelos Requerimentos 1.371 e 1.372, de 2021, para apurar as ações e omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19, bem como outras ações ou omissões cometidas por administradores públicos federais, estaduais e municipais no trato com a coisa pública, durante a vigência da calamidade originada pela pandemia do coronavírus.
A presente reunião destina-se ao depoimento da convidada Dra. Nise Yamaguchi.
Espero que Deus possa nos abençoar neste dia, porque já chegamos a quase 463 mil mortes no Brasil.
09:40
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O Senador Humberto Costa pediu uma questão de ordem.
Por favor, Senador.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Eu pedi a palavra pela ordem, Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Desculpa, Senador. Pela ordem.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Pela ordem.) – É do conhecimento de todos que, no dia de ontem, depois de consultar a Colômbia e a Argentina, a Conmebol consultou o Brasil sobre a possibilidade da realização da chamada Copa América aqui no nosso País, um evento futebolístico sem qualquer relevância. Não estamos falando de eliminatórias da Copa do Mundo, não estamos falando de Copa Libertadores da América; estamos falando de um evento que, diferentemente da Europa, que tem a Copa da Europa e que é muito importante, aqui no Brasil é algo... Aqui no Brasil não; aqui na América Latina, na América do Sul, é algo de pequena relevância.
A Colômbia e a Argentina, que têm situação de controle da pandemia, por incrível que pareça, melhor do que o Brasil, rejeitaram. E o Brasil aceitou promover esse evento, cujo protocolo, Presidente, tem exigências de oferta de serviços públicos que, nesse momento, o Brasil não tem condição de fazer. Por exemplo, virão delegações de atletas, de torcedores, de dirigentes, de gente da imprensa que vem cobrir, e isso significa que nós teremos que garantir, além de segurança, leitos hospitalares, atendimento à saúde, coisa que está faltando para a população brasileira nesse momento.
Por essa razão, nós ingressamos junto ao Supremo Tribunal Federal, com um pedido para que essa decisão, tampouco dotada de inteligência, não se realize. E como é um tema conexo a esta CPI, eu já vi que o Senador Randolfe muito corretamente apresentou um requerimento de convocação do Presidente da CBF, para que ele venha explicar por que é que o Brasil está decidindo assumir essa realização desse evento.
Veja que há outros países na América Latina que estão numa situação bem melhor do que a nossa. O Chile, por exemplo, já vacinou boa parte da sua população, mais de 60%, e não quis sediar, não é? E por que nós, que estamos entrando agora, infelizmente, na terceira onda, vamos agora sediar um campeonato ridículo, que não tem qualquer valor para a nossa tradição futebolística? Existem insinuações de que é porque o Governo quer agradar um dos compradores dos direitos de exibição dessa copa, mas eu queria aqui registrar não só o meu protesto, mas me associar ao Senador Randolfe para que essa CPI venha discutir.
Felizmente, alguns Governadores, inclusive do meu Estado – a Governadora do Rio Grande do Norte também –, já disseram que não querem esse futebol, esse jogo lá, no Estado deles, porque como explicar à população que nós vamos estar realizando um ato de circo num momento em que falta pão e falta saúde para a nossa população?
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Então, eu queria fazer esse registro. Sei que não estou sozinho com essa preocupação e espero que nós possamos torná-la tema daqui, porque é algo conexo ao que estamos fazendo neste momento.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Presidente, pra contraditar. Presidente...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Sr. Presidente, eu tinha solicitado a palavra para V. Exa.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu vou já passar a palavra para V. Exa., Senador Otto Alencar.
Ontem, eu estava dando uma entrevista à CNN, quando fui perguntado sobre essa questão. Num primeiro momento, como está tendo campeonato todo final de semana, todos os dias, praticamente... Aqui tem copa Brasil, copa do campeonato brasileiro, então... Mas depois eu fui raciocinar: realmente, é sem lógica fazer um negócio agora, um evento internacional. Não temos o que comemorar – nós não temos o que comemorar. Aliás, nós temos é que lamentar.
Então, naquele primeiro momento, como nós temos uma prática, desde o primeiro... Primeiro, campeonato estaduais, campeonato do Nordeste, Copa Norte, Copa Verde e outros campeonatos aqui... Mas depois, você, fazendo uma autocrítica e raciocinando, você vai comemorar o quê? Tá bom, se o Brasil for campeão da Copa América vai mudar o que neste momento para a gente? O que significa isso?
Então, eu tenho que concordar com V. Exa., Senador Humberto, e com o Senador Randolfe em relação a essa posição.
Senador Otto.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só... Senador Otto, Senador Marcos Rogério, Senador Alessandro e Senador Eduardo Girão.
Senador.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA. Pela ordem.) – Presidente, é claro e, naturalmente, todos nós devemos partir do ato do Presidente do Senado Federal, Senador Rodrigo Pacheco, quando publicou as ações que deveriam ser realizadas nesta Comissão Parlamentar de Inquérito desde a crise do Amazonas, tanto quanto o repasse de recursos federais para Estados e Municípios, ou seja, não está contida dentro desse ato a possibilidade de convocação do Presidente da Confederação Brasileira de Esportes. Isso pode ser decidido, naturalmente, se V. Exa. levar àquele que é soberano nessas decisões, que é o Plenário da Comissão Parlamentar de Inquérito, ouvindo, claro, todos os Senadores, inclusive os que podem discordar dessa posição.
Mas, Sr. Presidente, o que eu acho fora do normal é que ontem, quando o Ministro Ramos deu a entrevista... E ele não foi afirmativo, dizendo que o Governo teria tomado essa decisão. Também ninguém ouviu ainda a manifestação do Presidente da República. É bom que ele se manifeste como Chefe do Poder, Presidente do Brasil.
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Mas quem deveria ter sido ouvido ontem era a autoridade sanitária do País, que é o Ministro da Saúde, o Dr. Marcelo Queiroga – ele que deveria ser ouvido. Se, por acaso, houver insistência do Governo, junto com a CBF, de trazer de forma errada, equivocada, antissanitária, numa irresponsabilidade sanitária sem precedentes, trazer a Copa América, que já estão chamando de cepa América aqui no Brasil, é importante que, ao contrário de chamar – não discordando do meu prezado amigo Humberto – o presidente da CBF, se chame terça-feira próxima o Ministro Marcelo Queiroga. Ele vai ter que vir aqui e dizer: "Olha, eu tenho condições de estabelecer barreiras sanitárias por terra entre Brasil e Uruguai, Brasil e Argentina, Brasil e Paraguai, Brasil e Bolívia, Brasil e Colômbia, Brasil e Venezuela, Brasil e Suriname, Guiana, Guiana Francesa, todos esses países que fazem fronteira de terra com o Brasil" – só não faz, na América, o Equador e o Chile. E terá que dizer também: "Eu tenho condições de colocar barreiras sanitárias nos aeroportos, fazer exame, teste PCR, em todos que vão entrar no Brasil, fazer nos portos, para que não chegue aqui uma cepa estranha de outro país".
Já estamos com a segunda, poderemos ter uma terceira onda, e o Brasil poderá passar a uma condição de total descontrole na questão da disseminação da Covid-19, Sr. Presidente. É um momento difícil, já existe uma saturação muito grande de equipamentos de proteção individual, falta de kit de intubação, de insumos, saturação dos profissionais de saúde. É lamentável, por exemplo, um médico dar um plantão e, no final do plantão de oito, dez horas, assinar dez atestados de óbitos dentro do hospital. A situação chegou a esse nível.
O que o Brasil precisa realmente é trabalhar essas vacinas, vacinar e imunizar o povo. Eu sou totalmente contra a Copa América. Gosto muito de futebol, defendo o futebol, é uma atividade que gera muitos empregos em vários setores da nossa economia, mas, se tiver que convocar alguém, se o Governo, se o Presidente da República determinar, em acordo com a CBF, quem deve ser chamado na próxima terça-feira, para explicar se tem essas condições de segurança sanitária, é o próprio Ministro da Saúde, o Dr. Marcelo Queiroga.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu só vou pedir... Eu vou dar a palavra aos Senadores que quiserem se manifestar, mas eu queria pedir para a gente ser bastante rápido, porque a Dra. Nise já está aí aguardando, como convidada nossa, para falar aqui na CPI.
Eu vou passar a palavra ao Senador Marcos Rogério.
Senador Marcos Rogério com a palavra.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO. Para questão de ordem.) – Sr. Presidente, primeiro uma manifestação muito sucinta em relação ao que foi levantado pelo Senador Humberto e, acho, outros Senadores.
Essa hipótese de se fazer a convocação em razão de fatos que estão acontecendo ou que vão acontecer tornaria a CPI em uma CPI ilegal, porque CPI só pode ser instalada para investigar fato determinado. Nesse caso, nós passaríamos a investigar fato indeterminado. Eu estou suscitando isso porque vicia a atuação da CPI fato determinado do passado. Quando você tem uma situação que está acontecendo ou por acontecer, isso não entra no rol do fato determinado.
Mas a questão de ordem que eu queria apresentar a V. Exa., Sr. Presidente, é com base no art. 412, incisos IV e XI, do Regimento Interno.
09:52
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Novamente, apesar das reiteradas solicitações que fazemos a esta Comissão, foi divulgada uma nova pauta, e com significantes modificações. Ontem, estava convocada uma reunião para o dia de amanhã com o objetivo de ouvirmos especialistas.
Ocorre que V. Exa., sem qualquer aviso, consulta ou justificativa, pelo menos até este momento, sumariamente adiou a reunião e convocou uma nova, objetivando a convocação de nova depoente.
É preciso deixar claro, Sr. Presidente, que os trabalhos da Comissão precisam ser transparentes e os Senadores precisam de previsibilidade para a prática dos atos na Comissão. Ademais, essa é uma forma desrespeitosa com nossos depoentes. O Dr. Paulo Porto, por exemplo, foi convidado, em 27 de maio, por meio do Ofício 1.133, de 2021, e foi informado, ontem, às 22h24, informalmente, por meio de mensagem de WhatsApp, de cancelamento de sua oitiva. Isso após ter sido liberado oficialmente pelo Exército, desmarcado cirurgias, pagado passagem e hotel.
Não podemos tratar os depoentes dessa forma. Deve-se haver organização e respeito a cada um que é convocado, convidado para comparecer a esta Comissão Parlamentar de Inquérito.
Ora, acredito que as reiteradas mudanças de pauta, a grande maioria fora do prazo regimental e sem que os membros da Comissão sequer sejam consultados sobre tais alterações, violam frontalmente o exercício regular do mandato dos Parlamentares e são passíveis de nulidade, à luz do 412, incisos IV e XI, do Regimento Interno do Senado Federal.
É nesse sentido, Sr. Presidente, com todo o respeito, que não peço nada além do cumprimento do Regimento, que é a norma que orienta o trabalho desta CPI.
Ontem, após receber a mensagem de WhatsApp, especialmente do Dr. Paulo, que fez essas observações, que considero pertinentes, em razão da intempestividade da decisão que levou à mudança da pauta da próxima reunião, que será amanhã.
Portanto, é a questão de ordem que apresento a V. Exa.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para responder questão de ordem.) – Senador Marcos Rogério, a reunião de quarta-feira seria para discutir quem é a favor ou contra a cloroquina.
No entendimento da Mesa, nós não temos aqui que fazer audiência pública, nós estamos investigando, e não é na audiência pública que nós vamos descobrir se a cloroquina é a favor ou contra. Aliás, vai ficar até 1 a 0 para quem é a favor da cloroquina, porque hoje a Dra. Yamaguchi vem aqui defender a cloroquina. Fica 1 a 0, estão ganhando aquelas pessoas que defendem a cloroquina – não só o Senador, mas qualquer outra pessoa –, porque não é interesse desta Comissão... E nós ontem publicamos a pauta de quarta-feira. Não irá acontecer novamente de a gente desconvocar alguém, mas, como a CPI é muito dinâmica e entendemos que nós temos menos de 60 dias para fazer as investigações necessárias, quem tem que discutir se cloroquina é bom ou não não é Senador, que é leigo na matéria – nós somos leigos; eu sou leigo nessa matéria –; quem tem que discutir isso é a ciência e não esta Comissão Parlamentar de Inquérito. Por isso da desconvocação, mas não acontecerá de novo uma outra desconvocação sem ser avisado.
Eu peço desculpas ao Dr. Paulo, peço desculpas às pessoas que estavam convidadas, mas essa decisão foi tomada baseada no tempo, e nós queremos terminar a CPI em 90 dias, não queremos prorrogar CPI.
Por isso...
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O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Mas V. Exa...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Por isso, peço desculpas ao Dr. Paulo e aos outros três convidados, aos que foram convidados, mas, com certeza absoluta, eu acho que a Dra. Yamaguchi hoje dará um show defendendo a cloroquina aqui muito mais do que qualquer outro especialista, porque ela vem defendendo isso junto ao Governo Federal há mais tempo do que qualquer um dos outros médicos. Por isso, as minhas escusas aos convidados.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Mas V. Exa... Só para entender a posição de V. Exa.: V. Exa. está comunicando à Comissão que essa desconvocação ou esse desconvite feito com relação ao Dr. Paulo e aos demais que estariam amanhã foi para a data de amanhã ou significa que está desconsiderando o que nós aprovamos?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não. Nós podemos discutir. No caso de ter um fato novo, nós podemos discutir, mas acontece, Senador Marcos Rogério, e aí, com todas as desculpas, que V. Exa. sabe que uma investigação – até porque V. Exa. já participou de outras investigações – é um negócio dinâmico. E tem uma coisa em que eu tenho atendido muito V. Exa., que é a questão de pautar requerimentos ou de convocação ou de informação 48 horas antes. Eu tenho feito essa... Tenho cedido a isso, e o senhor sabe muito bem que tem uma coisa que pode acontecer agora, no depoimento, que nós precisamos saber amanhã e ter o requerimento aprovado hoje. E eu tenho feito isso ao consenso, não porque seja uma obrigação minha fazê-lo. Não vejo necessidade nenhuma de estar pautando requerimento de Senador dois dias antes para votar, mas tenho feito isso, atendendo a um pedido para que a gente tenha um bom relacionamento aqui e não fique uma coisa de queda de braço. Não é uma queda de braço isso. Nós temos o mesmo objetivo: apurar.
Agora mesmo, por exemplo, a pedido do Senador Eduardo Girão, foi feito o apensamento da convocação de investigação de gestores estaduais e municipais. O erro não foi, na quarta-feira passada, a convocação de Governadores, foi quando se apensou, lá atrás, o requerimento do Senador Eduardo Girão, que era muito claro em investigar. Então, não há... Eu estou vendo aí as pessoas dizendo: "Não, não podia convocar". Sim, mas teriam que ter reclamado lá atrás, não é agora. Lá atrás, quando o Senador Girão fez o requerimento e teve 45 assinaturas, inclusive a minha assinatura, estava muito claro o requerimento, e o Presidente disse que todos os fatos relacionados a isso poderiam ser investigados. E aí eu sofro algumas críticas: "Ah, está convocando Governador, e não pode". Recebi uma carta dos Governadores para trocar "convocados" por "convidados". Mas isso não era agora. Isso aí, para mim, já passou. No dia em que assinaram a CPI do Senador Girão, deveriam ter prestado atenção no que ele estava pedindo. Se não prestaram atenção, não é culpa minha.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Por isso que essa questão de ordem de V. Exa. eu...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente, só para contribuir, V. Exa. me permite?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pois não, Senadora Eliziane.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA. Pela ordem.) – É só para contribuir, Senador Marcos Rogério.
Primeiro, parabenizar o senhor, Sr. Presidente. Acho que o senhor está numa linha muito correta do que é uma CPI. Eu já participei de várias CPIs, já presidi CPI, já fui Relatora de CPI, e, de fato, a gente corre contra o tempo, não é fácil, não é simples. Eu acho que a postura de V. Exa. está correta.
Agora, eu queria dar uma sugestão, até para atender o que o Senador Marcos quer: os nomes que foram apresentados para quarta-feira não foram nomes citados, não vêm como testemunha, seria apenas uma audiência pública, e nós temos aqui, Presidente, uma Comissão...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Foi aprovado.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – ... uma Comissão, que é muito bem presidida pelo Senador Confúcio, que faz exatamente várias audiências públicas. Eu acho que esses convidados poderiam ser ouvidos nessa Comissão e talvez solicitado à Taquigrafia desta Comissão para anexar aos trabalhos da CPI. Acho que seria uma forma de a gente atender a preocupação que o colega Marcos Rogério apresenta e seguir na linha que V. Exa., com muita sabedoria, conduz aqui os trabalhos da Comissão.
10:00
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O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente, eu só queria lembrar que esses convidados não estão vindo por vontade deste ou daqueles Senadores; estariam vindo à Comissão, porque nós aprovamos requerimentos nesse sentido. Não é nenhum apelo pessoal de um ou de outro Senador; foram requerimentos aprovados, inclusive, com o voto dos dois lados na CPI.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Tem dezenas de requerimentos aprovados já.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu quero passar a palavra ao Senador Alessandro, por favor.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Pela ordem.) – Obrigado, Sr. Presidente.
Com muita brevidade, primeiro, parabéns pela compreensão do que é um trabalho de investigação. É dinâmico mesmo, V. Exa. vai no bom caminho.
Meu Estado, Sergipe, além do drama de mais de 5 mil mortes, além do drama de ser o pior quadro de desemprego do Brasil, sofreu, na última semana, com um incêndio no Hospital, em Aracaju, Nestor Piva. A área de atendimento à Covid pegou fogo, tivemos quatro mortos, três pessoas em estado grave. E eu apresentei – peço a compreensão dos colegas e de V. Exa. –, para aprovação, um pedido de informações, uma vez que a verba aplicada no combate à Covid, neste caso, é federal, para que a gente possa ter ciência completa do que aconteceu. Peço o entendimento e a aprovação.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Se houver unanimidade, sem problema nenhum, Senador.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Luis Carlos Heinze. Primeiro seria o Senador Eduardo Girão.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – O.k.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE. Fora do microfone.) – Pode ser primeiro. Depois eu falo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Luis Carlos Heinze, por favor.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS. Pela ordem.) – O senhor está desconvocando os dois depoentes que viriam amanhã, de um lado e de outro? Ou está transferindo a data?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Nós vamos amanhã ouvir a Dra. Luana.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Sim, o.k.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Sim, posteriormente nós iremos ouvir... Mas eu não acho que nós temos que fazer audiência pública, não temos que fazer audiência pública.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Não, audiência da Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não. Mas audiência da CPI, audiência pública é meio complicado, porque...
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Não é audiência pública, eles foram convidados.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador, eu irei atender à solicitação de V. Exa. no momento oportuno, sim, com certeza. Nós temos tempo para fazê-lo. Mas eu acho que amanhã o depoimento da Dra. Luana é muito importante. É muito mais importante do que a gente estar discutindo se cloroquina é bom ou não para a saúde.
Senador Eduardo Girão, por favor.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE. Pela ordem.) – Presidente Omar Aziz, demais colegas aqui presentes neste início de semana aqui dos nossos trabalhos na CPI, eu queria só fazer uma ponderação com o senhor, Presidente, com relação à questão de ordem, que já foi indeferida, do Senador Marcos Rogério, mas por uma questão não apenas de respeito com os convidados – que inclusive já estão aqui; tem convidado que já comprou passagem e já está aqui, em Brasília –, mas também em respeito conosco, Senadores, porque muitos aqui trabalharam no final de semana fazendo perguntas, elaborando, pesquisando sobre os depoentes, que estava combinado que viriam, não apenas a Dra. Nise Yamaguchi, que está confirmada para hoje, mas também os outros depoentes amanhã, na audiência pública que havia sido acordada.
Então, eu queria solicitar ao senhor se vai realmente desmarcar, que marque um dia para que a gente possa ouvir, porque é um assunto que interessa à população brasileira. Não se trata de ser contra medicamento A ou B ou a favor, é algo que transcende isso, que é a questão do tratamento precoce. E a verdade precisa... A gente precisa ouvir quem entende do assunto, até porque nós não somos especialistas para a gente tirar uma conclusão, e comparar Municípios que o aplicaram e que não o aplicaram, enfim.
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Eu queria também, Presidente, só para concluir... O assunto que foi suscitado pelo meu colega Humberto Costa, que é desportista como eu também... Eu fui Presidente de um clube, o Fortaleza, e digo para o senhor o seguinte: a gente não pode politizar um tema desses; eu acho que é um equívoco nosso. Concordo com o que foi dito pelo Senador Marcos Rogério: não é um fato determinado desta CPI.
Essa questão do futebol... Nós já temos o Campeonato Brasileiro, que aconteceu no último domingo, os campeonatos regionais e campeonatos estaduais, que já terminaram. A própria Conmebol realiza a Sul-Americana aqui no Brasil, e já tem jogos – nesta semana, vai ter; na semana passada, teve. Então, assim, eu acho que a gente não pode ter dois pesos e duas medidas.
Eu dou um depoimento aqui no aspecto da psicologia também. O futebol é, muitas vezes, o único lazer que o brasileiro tem no momento de hoje. Muitas cidades têm o lockdown, muitas cidades estão... As pessoas... Existem estudos... Eu acho que, se a gente puder trazer aqui o médico da CBF, se quiser entender um pouco do assunto, isso é importante. Existem estudos que mostram a questão até da imunidade – até da imunidade –, porque a autoestima, com o futebol, com você demonstrando alegria, com você demonstrando... E tem que separar as coisas! É momento de tristeza, sim, com o que a gente vive no País. Mas você vai tirar a única alegria que deixa as pessoas em casa? O cara, para assistir a um jogo de futebol, vai assistir com a família, em casa, ficando até em casa.
Então, não vejo motivos para se interromper algo que a gente devia celebrar. No Brasil, a vinda da Copa América, que não é qualquer torneio, que é um torneio tradicional... Que a gente possa, de alguma forma, não interromper isso, porque gera emprego, gera também turismo no futuro, porque vai mostrar o Brasil durante as transmissões.
Então, eu não vejo, sinceramente, como politizar, num momento como este, uma conquista que transcende questão de Governo. Sabe, eu acho que o futebol está acontecendo, é realidade. Os atletas são testados, a comissão técnica é testada, a arbitragem é testada. Não tem público no estádio!
Nós tivemos a Fórmula Indy agora em outro país, nos Estados Unidos, e a final da copa Euro, da Euro, e a Champions League também. Lá teve público, porque pode ter público! Aqui, não pode, eu concordo. Mas vai se deixar de fazer uma transmissão, uma coisa controlada? Um estádio com 50 mil lugares, em que só vai ter 300 pessoas, com todo mundo testado, controlado. Não vejo problema se tiver barreira sanitária, se tiver realmente algo para controlar.
Muito obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu vou convidar... Eu determino à Secretaria que conduza a Dra. Nise Yamaguchi...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... à mesa, para dar início ao seu depoimento.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Sr. Presidente, um minuto aí, só um minuto!
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Eu tinha pedido a palavra por um minuto.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho!
Eu vou pedir para a convidada entrar, porque ela já está aguardando ali há muito tempo.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pois não!
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA. Pela ordem.) – Olha, Sr. Presidente, os jornais agora mostram a quarta onda da pandemia. Especialistas avaliam a chance de um novo pico de mortes no Rio Grande do Sul. Nós estamos agora, no Brasil, entrando na terceira, mas, no Rio Grande do Sul, segundo O Globo, como está aqui agora, há a possibilidade de se entrar na quarta onda. Então, veja a gravidade do problema que vive este País neste momento para receber uma Copa América!
10:08
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O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Doutor, Professor, Senador Rogério Carvalho.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Eu queria só, Presidente, divulgar...
(Interrupção do som.)
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE. Pela ordem.) – Eu queria só divulgar um dado que a LAI passou sobre a política de comunicação do Governo, e, portanto, há necessidade de a gente ouvir novamente o Sr. Fabio Wajngarten. A LAI divulgou que, na divulgação com vacina, o Governo gastou R$5 milhões, R$19,5 milhões para divulgar o tratamento precoce, R$30 milhões pra defender a volta ao trabalho, o que mostra claramente que a pandemia foi conduzida no sentido de promover a expansão do contágio natural entre todos os brasileiros e brasileiras. E nós estamos colhendo os frutos que são os mais fúnebres, que são 462 mil mortes de brasileiros e brasileiras, com a possibilidade, como disse aqui o nosso amigo, o Senador Dr. Otto... Estamos aí com a quarta onda e a terceira no Brasil em início por conta dessa sandice que é defender o contágio natural para a produção de imunidade de rebanho.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Havendo número regimental, coloco em votação Ata da 13ª Reunião, solicitando a dispensa de sua leitura.
Os Srs. Senadores que aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovada.
Doutora...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sr. Presidente, apenas o requerimento que foi solicitado.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Cadê o requerimento? (Pausa.)
Tá, eu vou já colocar em votação, Senador.
Dra. Nise Yamaguchi, V. Sa. é convidada desta Comissão. E, por essa razão, não está obrigada a prestar compromisso de dizer a verdade, mas pode fazer se assim desejar. E, pelo que eu conversei com seus colegas, todos me disseram que a senhora é uma pessoa muito honesta em tudo que a senhora faz, inclusive que tem uma sensibilidade muito grande com seus pacientes, ao ponto de até tocar piano pra eles. Quer dizer, a gente fica muito feliz em saber dessa sua ligação e da sua sensibilidade, porque, como oncologista, a senhora deve ter visto aí milhares de pessoas sofrendo com uma doença tão difícil de ser tratada. Por isso, eu vou perguntar e V. Sa. vai responder se quiser, mas, pelo que me informaram, a senhora não é de não ter opinião e não falar aquilo que pensa. Então, eu fico muito tranquilo com a sua presença aqui.
V. Sa. gostaria de prestar esse compromisso, Doutora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com certeza.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tá bom.
V. Sa. promete, sob a palavra de honra, nos termos do art. 203 do Código de Processo Penal, dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A partir desse momento, V. Sa. está sob o compromisso de dizer a verdade nos termos do art. 203 do Código do Processo Penal.
Muito obrigado, Dra. Nise.
Senador Renan Calheiros, com a palavra, por favor.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O senhor não vai dar uma...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ah, não. Só um minutinho. Desculpa.
A senhora fique à vontade. Desculpa, desculpa.
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Bom dia.
Eu cumprimento os Exmos. Srs. Senadores dirigentes desta Mesa; Sr. Presidente desta Comissão, Senador Omar Aziz, a quem agradeço o convite para aqui participar. Ser convidada para esta Casa é uma honra e um privilégio para esclarecermos todas as necessidades dos pacientes deste País enorme, que tanto me acolheu e aos meus pais – eu nasci aqui.
E eu queria também cumprimentar o Sr. Relator, o Senador Renan Calheiros. O Senador Renan Calheiros foi Presidente do Senado no ano em que nós conseguimos passar a convenção-quadro contra o tabaco, que foi um grande efeito de um grande número de pessoas, com quem eu trabalhei diretamente, para que a gente conseguisse que o Brasil estivesse na Organização Mundial da Saúde. E, a partir dali, eu me tornei uma grande voluntária dessa causa, participando junto com o Senador – depois – José Serra, em São Paulo, junto do Brasil, de grupos para fazer a implantação da convenção-quadro, que o Senador Humberto Costa muito bem lembra, nos conselhos junto do Inca, nós trabalhávamos para fazer a implantação da convenção-quadro contra o tabaco.
Também queria cumprimentar o Sr. Vice-Presidente – não o estou vendo...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Fora do microfone.) – Está chegando.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fora do microfone.) – Está chegando.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... Senador Randolfe Rodrigues, a quem vou saudar no momento em que ele chegar.
Gostaria também de cumprimentar os Exmos. Srs. Senadores e Senadoras componentes desta Comissão, aqui presentes fisicamente e virtualmente, e ao povo brasileiro, que é representado nesta Casa.
Aqui estou, senhores e senhoras, por causa das vítimas do momento que nós estamos vivendo, agradecendo a Deus pela oportunidade de ser médica nesses quase 40 anos, em que eu tratei de mais de 15 mil pacientes com câncer diretamente. Neste momento extremamente grave da nossa situação nacional e mundial, eu quero declarar aqui o meu sentimento a todas as famílias que perderam seus entes queridos; a todos aqueles que estão hoje com a síndrome pós-Covid, que é um dos maiores problemas que a nossa saúde pública vai ter que lidar nos próximos anos. E aí vem o meu objetivo de estar contribuindo por essa causa.
Além do tabagismo, nesta Casa nós fizemos, em fevereiro de 2020, antes de toda essa questão da pandemia, a organização de uma audiência pública pelas vacinas de HPV, com a Senadora Maria do Carmo, uma querida, que trabalha também pelas crianças com deficiências – eu mesma trabalho no HC, voluntariamente, no setor de pediatria também; sou oncologista, mas de adultos.
Também estivemos aqui, junto com o Senador Tuma, falando sobre PET-CT e criando novos algoritmos para que nós pudéssemos ter acesso. Aqui homenageio o Senador Romeu Tuma.
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Estive aqui também nessa área, mas fazendo a Frente Parlamentar de Cancerologia, no Governo Fernando Henrique Cardoso, junto com a Deputada Teté Bezerra, e nós tivemos mais de 250 Deputados e Senadores presentes nessa nossa iniciativa que pretendia defender os direitos dos pacientes com câncer. Até, Senador Otto, a Dra. Lair Ribeiro esteve conosco, querida, Presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia mais tarde, mas nós homenageamos aqueles que nos antecedem. E a Sociedade Brasileira de Cancerologia, da qual eu sou Vice-Presidente até hoje e Diretora Científica, ela é sediada na Bahia, é uma das sociedades mais antigas da América Latina.
Eu saúdo também todos aqueles que foram os meus professores no mundo. Em Houston, o Prof. Reuben Lotan; o Prof. Wang Hong, com quem eu fiz minha tese de doutorado em Biologia Molecular em Câncer de Pulmão; e também queria saudar o Dr. Peter Boyle com quem eu trabalho até hoje. Ele já está com um problema de AVC bastante grave, mas nós criamos a World Prevention Alliance, em Lyon, que trabalha com países de baixa e média renda, inclusive com países da África, com relação à melhoria do sistema de saúde.
Eu tive a oportunidade de dar aulas no mundo inteiro com relação a parcerias púbico-privadas, com relação até ao que o Solla fez de parceria público-privada do hospital da Bahia. Nós estivemos também no Banco Mundial, tanto em Washington quanto eu estive dando aula na The Rockefeller University, na Harvard, com relação a isso.
Tive a oportunidade também de fazer uma formação ampla em pesquisa clínica e fóruns de pesquisa com a Anvisa, com o então Gonzalo Vecina, que criou a Anvisa em 1999. Nós tivemos a oportunidade de convidá-lo para fazer parte da discussão de regras em relação à pesquisa clínica, desenvolvimento de rapidez, agilidade para que as indústrias pudessem fazer as suas pesquisas, e também as universidades. Eu mesma fui autora de um estudo sobre a diferença de pesquisa entre a pesquisa da indústria, a pesquisa de universidades, a importância de haver sempre a declaração de conflitos de interesses com relação ao desenvolvimento das medicações. Tivemos a vivência de colaborar com as lideranças da sociedade nessa implantação, juntamente com o Senador Suplicy. O Senador Suplicy foi o chefe da relação internacional e eu fiz aqui várias audiências públicas.
Eu quero dizer que eu tive a oportunidade de colaborar também no Governo Lula como representante do gabinete do Ministro da Saúde, em São Paulo. Dizem que eu participei diretamente na formação desse gabinete, mas não foi. Quem diria que seria eu? Nós somos todos. O que eu quero dizer é que nós somos um Brasil, nós somos um Brasil, nós somos 240 milhões de pessoas que precisam de todos nós. Não existe nada fora do Brasil que se compare ao amor que nós temos neste País. É um País de pessoas de bem, pessoas que buscam o melhor de si mesmas para poder contribuir. Então, quando eu fui representante do gabinete do Ministro da Saúde, do José Gomes Temporão, e depois do Alexandre Padilha, em São Paulo, nós tivemos alguns desafios enormes, um deles foi a crise do H1N1.
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Na ocasião, eu fiz parte da criação do Comitê de Crise, em que o David Uip, inclusive, foi convidado. Nós pegamos o Tamiflu, que tinha sido usado na gripe aviária, e disponibilizamos através do Exército para o Brasil inteiro para ser usado nos três primeiros dias de infecção para que, mesmo não existindo nada em bula, ele pudesse ser utilizado e saneasse aquele momento tão grave.
Eu trabalhei com aids nos anos 80. Eu ia para o Memorial Sloan Kettering, em Nova York, e eu mesma dava soro aos meus pacientes nos prontos-socorros porque ninguém tinha coragem de chegar perto dos pacientes.
Fiz uma das primeiras ONGs de aids e, durante 15 anos, eu coordenei, no HC, a parte... No Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, onde tive a oportunidade de me formar e depois voltar quando eu fiquei na Alemanha e na Suíça trabalhando com pacientes terminais em algumas clínicas lá na Floresta Negra, com humanização em medicina, através da medicina antroposófica, e onde eu tive a oportunidade de conhecer os Prêmios Nobel Karl Landsteiner e Susumu Tonegawa, que faziam trabalhos em imunologia, daí nasceu o meu amor pela imunologia. Fiz a residência de imunologia do Hospital das Clínicas, fui uma das primeiras residentes, o primeiro congresso de imunologia de tumores do Brasil e ainda, durante 15 anos, pesquisas clínicas na área de câncer e aids, tendo inclusive publicado um pequeno abstract, um resumo de trabalho com Robert Gallo, na Sociedade Americana de Oncologia Clínica.
Por que isso? Porque a vontade de buscar novos horizontes e novos tratamentos fez parte da minha vida. Quando eu fui convidada para fazer alguma exposição sobre quais eram os tratamentos que existiam, eu tinha lido uma resolução, a Nota Informativa nº 6, do Ministério da Saúde, onde no dia... Deixa eu ver aqui... No dia 27 de março de 2020 havia a Nota Informativa nº 5 e, nessa nota nº 6, já se falava da cloroquina e da hidroxicloroquina no, então, grupo do Dr. Mandetta com o Dr. Denizar Vianna. O Dr. Denizar Vianna assinou essa nota informativa falando de tratamentos em pacientes moderados e graves.
Eu já tinha a informação de que era importante tratar os pacientes precocemente, como, finalmente, agora, houve a admissão de que é melhor que não se trate os pacientes com doenças moderadas e graves. Nesse mesmo dia em que eu tive um almoço na Presidência da República com diversas pessoas – eu nunca tive encontros privados com o Presidente Bolsonaro, mas eu tive um almoço com diversos integrantes –, eu conversei sobre a importância desse tratamento precoce inicial.
Havia também já uma resolução da Anvisa, datada do dia 17 de março de 2020, assinada pelo, então, Diretor-Presidente Substituto Antonio Barra Torres, que discutia sobre a inclusão, no Capítulo II, item V, sobre a inclusão de nova indicação terapêutica ou ampliação de uso relacionado ao tratamento, prevenção e controle de complicações decorrentes da Covid-19, porque estávamos em um momento de pandemia.
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Baseada nessa resolução e nessa situação em que eu entendia que era importante fazermos a ampliação dos tratamentos de acordo com o julgamento do médico e a autonomia do paciente, eu procurei também receber... Eu fui chamada no Conselho Federal de Medicina e, no dia 16 ou 17 daquele mesmo mês de abril, saiu a resolução da nota técnica. Eu fui sabatinada durante três horas no Conselho Federal de Medicina, a pedido do então Ministro da Saúde e do Presidente do Conselho Federal de Medicina, que entendiam que o conselho seria o ambiente correto para discutir essa questão técnica.
Eu estive algumas vezes na Secretaria de Ciência e Tecnologia para ver se seria na Conitec, mas nós chegamos à conclusão, na época, de que o melhor seria submeter ao conselho de pares científicos. Então, eu estive no conselho e saímos com a nota técnica. Então, eu avisei o Dr. Barra de que não haveria necessidade de se estabelecer nenhuma discussão a mais com relação a esse momento da Resolução 348, mas, sim, que nós poderíamos seguir com a autonomia do médico e com a independência do paciente.
Então, tudo isso é para dizer para os senhores que eu estou à disposição, Senador Renan Calheiros e Senador Omar Aziz, do nosso País. Eu não estou aqui para defender um governo, eu estou aqui para defender o povo brasileiro com relação às ações que eu considero importantes.
Tenho sido conhecida pela minha defesa em prol do tratamento imediato. Isso é baseado em ciência, não é? E uma ciência bastante profunda – estou terminando –, em que nós já temos artigos científicos publicados, endossados por notas técnicas para a Procuradoria-Geral da União, com uma discussão dos artigos negativos, porque existem vários propondo que não funciona, mas a maioria dos artigos negativos que aqui estão são feitos em pacientes moderados e graves, não nos pacientes iniciais. Então, eu trouxe os artigos que embasam a propositura da SBI, da Sociedade Brasileira de Infectologia, dizendo que nada funciona, mostrando em cada um deles que existem questões referentes a pacientes mais graves. Também em alguns o número de pacientes foi insuficiente para dar a resposta que se propunha, assim como em metanálises, que são o conjunto de estudos que vão fazendo um número suficiente para a sua análise. Se você escolhe os artigos positivos, você vai ter uma metanálise positiva; se não, negativa.
Trouxe também os artigos que embasam não só a hidroxicloroquina como a ivermectina, já em grupos internacionais.
O que eu quero dizer é que essa eterna discussão entre cientistas vai ocorrer sempre. Em todo congresso o debate é isto: é cada um colocando a sua opinião. O que a gente não pode é impedir os médicos de expressar a sua opinião, baseado naquilo que já está publicado. Então, existe ciência. A ciência caminha dos dois lados.
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O importante é que nós tenhamos paz e composição, porque o grande inimigo comum é o vírus. O grande inimigo comum é a mortalidade. Se a gente puder diminuir essa mortalidade através de isolamento social, de máscaras, de cuidados com os nossos idosos, de fazermos as vacinas eficientes e seguras... Não é? O Supremo Tribunal Federal já disse que ela não é compulsória, pode ser obrigatória de acordo com o Ministério da Saúde se o julgamento técnico-científico – do qual eu não participo, eu não participo dessa discussão a nível das vacinas... Eu também não sou chamada para essas discussões técnicas, nem da Conitec, eu sou uma colaboradora eventual de qualquer governo que precisar de mim, do Brasil e do mundo. Já fiz fóruns no Chile, no México, na Áustria, no Canadá, acabei recebendo prêmios internacionais por causa desse meu trabalho internacional. Então, o meu objetivo é que a gente possa servir e, em nome dos meus pacientes que acreditam em mim... Porque imagina você ter um médico que depois o mundo inteiro desacredita, e alguém que você cuidou, da sua família, essa pessoa pensa: meu Deus, em quem eu confiei naquele momento?
Então, em prol dessa confiança é que nós procuramos o Senador Omar Aziz pra conversarmos nesse sentido. Eu queria até me antecipar e colocar os dados científicos antes da discussão política, porque a política confere novos rumos, e a discussão é dos senhores. O meu objetivo é estar aqui como perita técnica – como perita técnica, como médica e como convidada.
Muito obrigada.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Pela ordem.) – Sr. Presidente, apenas, pela ordem, para reiterar que a condição da depoente aqui é de depoente. V. Exa. foi convidada como testemunha, não como perita médica. Apenas para deixar claro esse esclarecimento e não gerar mais desinformação para o cidadão brasileiro.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – O.k. A Dra. Nise Yamaguchi irá responder às perguntas dos Senadores e ela... Tenho certeza de que o conhecimento dela é muito profundo.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PI) – Sr. Presidente, só para esclarecer: ela está como convidada, não é?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho, Senador. Sim, Senador, já foi dito isso pra ela.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PI) – Ah, está certo.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Fora do microfone.) – Já foi esclarecido.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Fora do microfone.) – Não, ela foi convocada.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, convidada.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PI) – Convidada, Senador.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Fora do microfone.) – Ela prestou compromisso de dizer a verdade.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Sim, mas veja bem...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Não, ela prestou compromisso.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PI) – Isso é uma faculdade.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Deixe explicar uma coisa: eu disse à Dra. Nise que ela estava como convidada, mas, se... Pelo que eu ouvi falar da Dra. Nise, de colegas dela que a respeitam muito, ela me disse, esses colegas disseram: "Omar, a Dra. Nise é uma pessoa verdadeira e com uma sensibilidade muito grande e que não irá à CPI pra esconder absolutamente nada". Foi o que eles me disseram, e eu creio nessas pessoas que me falaram, porque são colegas que trabalham com a Dra. Nise, conhecem o comportamento dela em relação a isso e me disseram até uma coisa muito bacana: que, como médica, ela toca piano para os seus pacientes, e isso é uma sensibilidade que nos deixa bastante motivos, porque ter essa relação entre paciente e médico hoje é muito importante.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Aí eu disse: "A senhora quer fazer o juramento?". Ela disse: "Quero". Aí ela fez o juramento, Senador Alessandro.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Perfeito. É apenas pra esclarecer, porque foram aprovadas convocações...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas esse é um convite.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – ... da Dra. Nise e convites, então...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas, em respeito à Dra. Nise, primeiro foi o convite.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Perfeito.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Caso, mais tarde, nós não estivermos satisfeitos com o depoimento, com esse convite, o depoimento... Creio que, pelo que me falaram da Dra. Nise, ela não vai chegar aqui e... Ela tem uma história, e não está aqui para esconder nada de ninguém nem defender ninguém. Ela defende aquilo que ela pensa, e a gente tem que respeitar.
Então, nesse caso, caso haja, por parte de algum Senador não satisfeito com as respostas... Sim, aí a gente faria uma convocação.
Já a Dra. Nise...
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A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Só pra ficar registrado, Presidente, ela fez o compromisso nos mesmos moldes de testemunha, de não mentir.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ela sabe. Ela sabe. Ela sabe, Senadora Eliziane. Ela sabe.
A senhora quer concluir?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Então, eu quero concluir, agradecendo o fato de que, além de estar aqui como convidada, falando a verdade sempre, eu quero contribuir, mas também homenageando, neste momento, a questão de eu não ter nenhum partido político e estar aqui sem conflitos de interesse, realmente querendo contribuir. Não existem ganhos pessoais, e eu quero dizer que eu me compadeço, sensibilizada, por cada vítima da pandemia, e eu acredito que nós podemos nos unir em uma nova etapa de enfrentamento dessa doença juntos, porque cada vida conta muito.
Se nós pudermos utilizar todo o conhecimento científico disponível no momento, estimularmos, através desta Casa, a pesquisa clínica, a pesquisa científica de novas vacinas, a utilização prática de todos aqueles elementos que nós temos, eu acredito que a gente consiga realmente vencer essa doença, porque o que cura não são os remédios, é a própria pessoa, é o sistema imunológico de casa pessoa. E as medicações servem para otimizar o sistema imunológico, melhoram aquilo que a pessoa tem de base e, inclusive, fazem parte da diminuição de carga viral e de replicação viral, que é muito importante. E, quanto mais cedo nós conseguimos fazer com que a pessoa se recupere – e daí vale a pena todos já se cuidarem neste momento –, a gente tem a chance de ter menos pessoas sofrendo das consequências.
Então, muito obrigada. Desejo a todos que a gente possa esclarecer todos os pontos. Estou à disposição não só neste como em todos os outros momentos da minha parceria com o bem-estar comum.
Muito obrigada, senhores.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Obrigado, Dra. Nise.
Eu irei passar a palavra ao Sr. Relator.
O Senador Renan Calheiros com a palavra, por favor.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Como Relator.) – Sr. Presidente Senador Omar Aziz, Sr. Vice-Presidente Senador Randolfe Rodrigues, Srs. Senadores, Sras. Senadoras, antes de efetivamente iniciarmos as perguntas, eu gostaria de dar duas palavras apenas sobre um assunto que é correlato e foi tratado aqui por alguns Senadores.
É inacreditável que o Governo Federal queira sediar a Copa América, aqui no Brasil, no exato momento em que a pandemia se agrava e enchem, como nunca, os nossos cemitérios, as nossas UTIs. E a terceira onda começa a chegar.
Seria, Sr. Presidente, Srs. Senadores, transformar essa copa em campeonato da morte. Já que nós não podemos fazer um apelo ao Presidente da República, já que nós não podemos fazer um apelo ao Ministro da Saúde, já que nós não podemos fazer um apelo à CBF, que tem se transformado em negacionista e até irresponsável por querer patrocinar esse evento, eu quero, nestas poucas palavras, Presidente Omar, me dirigir à seleção brasileira, aos seus jogadores, ao seu treinador, ao Neymar.
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Neymar, eu queria dirigir uma palavra a você: não concorde com a realização dessa Copa América no Brasil. Não concorde! Não é esse o campeonato que nós precisamos agora disputar. Nós precisamos disputar o campeonato da vacinação! É esse campeonato, Neymar, que nós precisamos disputar, ganhar, e você precisa marcar gols para que esse placar seja alterado. No campeonato da vacinação, o Brasil ocupa um dos últimos lugares – um dos últimos lugares –, enquanto que, no campeonato da morte, nós somos campeões, o segundo país em número de mortes de brasileiros. Não se permita entrar em campo nessa Copa América, Neymar, enquanto os seus amigos, seus parentes e seus conhecidos continuam a morrer e a vacina não chega ao nosso País.
Eu agradeço, Presidente, a presença da Dra. Nise Yamaguchi e quero dizer da satisfação de tê-la aqui na Comissão Parlamentar de Inquérito. A minha expectativa e a de todos, inclusive dos amigos mais próximos da Dra. Nise Yamaguchi, é de que nós tenhamos aqui um depoimento significativo, verdadeiro e que possa colaborar efetivamente para o aprofundamento dos nossos trabalhos.
Em primeiro lugar, eu peço que se exiba o vídeo n° 1, por favor.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Dra. Nise, nós vamos procurar fazer perguntas diretas, objetivas, para, inclusive, não cansar a senhora. Esta investigação é investigação parlamentar, aqui nós somos todos iguais, cada um tem um tempo pré-definido para fazer perguntas, e muitas vezes o depoimento delonga em desfavor da própria depoente. Eu espero que hoje não aconteça.
V. Sa. mantém essa posição de defesa da imunidade de rebanho?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Antes eu quero esclarecer o que que é imunidade de rebanho.
Imunidade de rebanho é um fato. Ela acontece quando você tem uma grande quantidade de pessoas imunizadas, ou que tenham tido contato com o vírus, ou que tenham uma imunidade natural já previamente adquirida pelo contato com outros vírus. Então, o que acontece é que esse fato, que é a imunidade de rebanho, acontece de diversas maneiras.
Nós tivemos no começo somente uma...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE. Pela ordem.) – Uma questão importante, Presidente, de checagem... Uma questão importante de checagem, Dra. Nise: um vírus não produz imunidade, ser acometido por um vírus não produz necessariamente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu não estou dizendo...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – A senhora disse isso agora. A senhora disse agora. Por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, quando eu disse...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – As pessoas que estão nos ouvindo não podem ser...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente, Presidente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Desculpe, eu tenho que esclarecer o seguinte...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – É importante isso...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Desculpe, Senador, eu gostaria de concluir...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Eu queria pedir a V. Exa...
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PI. Pela ordem.) – Não vai poder responder, Presidente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu só gostaria de completar a minha...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Senador Marcos Rogério, Senador Marcos Rogério...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O senhor me desculpe, eu gostaria de...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Por favor, Dra. Nise, só um minuto. Pode responder...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O senhor me desculpe, eu preciso completar...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Sr. Senador... Por favor, Dra. Nise. Por favor, Dra. Nise.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Por favor, Dra. Nise. Por favor, Marcos Rogério.
Eu estou levantando uma questão: eu sou médico, como ela é médica, e nós não podemos nos escudar por uma profissão milenar pra desinformar a população, sob nenhuma hipótese, porque isso é contra os princípios fundamentais que nos fazem ser médicos, é a defesa da vida. E a senhora disse uma frase aí, a senhora disse uma frase aí que não é correta. Não existe imunidade pra um vírus quando você é contaminado por outro vírus, por favor.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E eu fiz, modéstia à parte, Presidente, uma pergunta direta.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Renan...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA. Pela ordem.) – Senador Omar...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – ... pela tese da Dra. Nise, ia faltar rebanho.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É, eu fiz uma pergunta direta. A senhora mantém essa posição de defesa? É isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu quero dizer o seguinte...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador, Senador...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Sim ou não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador, Senador...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Acabou de sair...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Renan, doutora, senão eu vou falar aqui que nem o pernambucano que ficou conhecido: desse jeito, o Brasil está lascado mesmo.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente, o apelo que...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Espere aí, só um minutinho, Senador Marcos Rogério.
Eu vou fazer um apelo aos Srs. Senadores, vou fazer um apelo aos Srs. Senadores: todos têm o direito de falar na hora deles. Tudo que a Dra. Nise falar aqui é só anotar e, na hora certa, questioná-la. É isso que eu vou pedir ao senhores, senão vai haver um debate entre profissionais de saúde, que têm muito mais conhecimento do que eu e V. Exa., Senador Marcos Rogério, que nós não teremos.
Então, eu tenho certeza, Senador Rogério Carvalho, Senador Otto Alencar e Senador Humberto Costa, de que, como profissionais de saúde, terão mais condições do que nós aqui, para debatermos.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO. Pela ordem.) – O apelo que ia fazer é justamente nesse sentido, Sr. Presidente, que respeitasse a depoente e, no momento oportuno...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Sim, sim.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... que se façam os questionamentos.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu pediria isso.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Quem veio dar depoimento aqui foi a Dra. Nise.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu pediria isso.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – A gente também precisa ser respeitado...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – A condição dos Senadores desta Comissão, Sr. Presidente, é condição de Senador.
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Fala toda hora!
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Aqui dentro parece que tem pais da ciência, arautos da verdade. Não dá!
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Tem bedel de Senador, não pode ter pai da ciência?
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Então, vamos ouvir a depoente e, no momento certo, questiona.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente, por favor... Sr. Presidente, vamos ouvir a médica, a depoente. Pelo amor de Deus!
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um pouquinho, só um pouquinho. Olha só, é uma coisa tão séria para que a gente perca tempo! Eu vou dizer uma coisa: nós vamos ter muita divergência durante o depoimento da Dra. Nise, mas eu espero que, na hora certa, os Senadores que tenham alguma pergunta contestem, no momento certo. Eu pediria o apoio de todos os Senadores e Senadoras neste momento.
Senador Renan Calheiros, por favor.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Dra. Nise Yamaguchi, repetindo, precisamente, aqui nós estabelecemos uma metodologia, cada Senador procura colocar a sua, para que avance, para que produza o depoimento. Eu já disse e queria repetir: a presença de V. Sa. aqui é muito importante para todos nós e para esta Comissão, mas nós gostaríamos que V. Sa. se circunscrevesse a responder à pergunta objetivamente, como estamos tentando fazer. A pergunta foi a seguinte: V. Sa. mantém essa posição de defesa da imunidade de rebanho?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu quero dizer o seguinte, que a resposta não é simples, porque a imunidade de rebanho tem sido declarada como ir para as ruas, fazer a convivência normal e isso gerar uma imunidade absoluta. O que eu estou dizendo é que a imunidade de rebanho, ela é um fato. Ela não deve ser interpretada. A partir de um determinado momento, a comunidade adquiriria uma imunidade. Entretanto, não se previa nessa época, Senador Alexandre... Alessandro...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Rogério.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Dr. Rogério, não se previa, não se previa...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE. Para interpelar.) – A senhora também não trabalhou com o Dr. Alexandre Padilha? Porque a senhora disse que...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Trabalhei um ano. Trabalhei um ano.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Ele disse que a senhora foi exonerada. Está me dizendo aqui...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Eu pedi, eu pedi para voltar à universidade de onde eu tinha sido emprestada, né? Então, nós trabalhamos durante um ano. E na época, inclusive, discutimos várias questões de saúde pública, ajudei na questão do tabaco, como sempre.
Bom, e, aí, voltando à resposta, que eu acho que é uma coisa bastante objetiva, a questão dessa, desse momento em que nós teríamos uma melhoria dessa situação não previa tantas interfaces tão complexas que é difícil dizer qual é o valor das mutações virais que ocorreram, qual é o valor das situações graves que ocorreram com relação a falas que existiam com relação a um prognóstico, na época, de milhões de casos, não é? Então, a gente precisa deixar claro, Senador, que as opiniões, elas são circunstanciais com relação àquela necessidade.
Nesse momento, a imunidade de rebanho, ela é um fato que deve ser alcançado pelas vacinas e que, por exemplo, a revista Nature disse que os pacientes que tiveram o vírus vão ter uma imunidade humoral, que seja de anticorpos, imunidade celular também, que vai conferir uma defesa maior. E o SARS-CoV-1 já tinha vacinas, já tinha tentativas de vacinas e já teve também a imunidade mensurada 15 anos depois e estava presente. Então, nesse caso, algumas das viroses, elas trazem uma imunidade detalhada, mas no futuro. É difícil dizer realmente o número de casos que vai ter a necessidade, neste momento, para que a gente adquira essa imunidade.
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Dra. Nise, nós não perguntamos, infelizmente, sobre isso. Eu reproduzi...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A imunidade de rebanho.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu reproduzi, veiculei declarações da senhora, em oportunidades diferentes, e perguntei: a senhora mantém essa posição? É uma pergunta objetiva, sim ou não.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Estou dizendo o seguinte, que, na resolução daquela época – isso foi em junho do ano passado – nós tínhamos uma realidade diferente, nós imaginávamos que uma segunda onda e uma terceira onda viriam com os mesmos vírus. Se viessem com os mesmos vírus, nós teríamos, sim, uma imunidade. Então, para aquele momento, a discussão era pertinente. A própria Organização Mundial da Saúde não sabia se deveria fazer lockdowns absolutos, lockdowns horizontais...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então a senhora mantém a posição, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu não. Eu digo que para aquele momento, sim, era pertinente essa discussão. Para este momento, são novos algoritmos que vão ter que entrar.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, a senhora retira o que falou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Também não, Senador. Eu estou dizendo que, para aquele momento, era bastante conveniente e necessária a discussão.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Está difícil!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós tínhamos uma proposição de que haveria...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Doutora, a senhora vai ter que manter ou não manter.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Eu devo dizer que para aquele momento eu mantinha, sim, a posição...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Até porque...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... para este momento, nós estamos discutindo.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Até porque só não muda de opinião quem não as tem. Convencido que está errado, muda-se de opinião.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, pelo contrário. Quero deixar bem claro que imunidade de rebanho não é a forma como você adquire. A imunidade de rebanho é um fato.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, naquele momento, V. Sa. esperava que a infecção natural levasse a população à imunidade, era isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, era infecção natural e vacinal. Eu citei ali que as vacinas também fariam parte dessa imunidade de rebanho. Está ali claro, no meu depoimento, que eu falava que as vacinas também fariam parte desse momento. E mais: o tratamento precoce e imediato também seria parte, que é o que eu preconizo, que a gente não abra mão...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Seria necessário estruturar o enfrentamento da pandemia com base naquelas premissas que a senhora defendeu?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Veja, eu acho que cada Estado tentou estruturar...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Sobretudo agora, depois da segunda onda, depois do final do ano?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Cada Estado tentou estruturar à sua maneira, de acordo com as características da sua população. Então, o que a Organização Mundial da Saúde diz é que grandes tempos de fechamentos são detrimentais para a saúde da população. Aí, não se trata de economia, trata-se da saúde da população em geral, porque você tem mais sofrimento, mais pobreza, mais fome etc.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Suas posições a respeito da imunidade de rebanho foram levadas ao Presidente da República?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, nunca discuti imunidade de rebanho com ele.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nunca discutiu.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Na realidade, eu tive poucos encontros. O que eu tenho são posições públicas que são bastante detalhadas e que são muito bem estruturadas, baseadas na ciência que eu tenho daquele momento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Havia outros defensores dessa tese dentro do gabinete paralelo que V. Sa. integrava?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu desconheço um gabinete paralelo e muito menos que eu integre qualquer gabinete paralelo. Sou uma colaboradora eventual e participo, junto com os ministros de saúde... Deixei para bem claro para o senhor que eu participo como médica, cientista chamada para opinar em comissões técnicas, em reuniões governamentais, reuniões específicas com setores do Ministério da Saúde. Faço questão de trabalhar com as regulamentações, inclusive com a Anvisa, com o Parlamento, sempre contribuí com todos.
10:52
R
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu peço, por favor, para exibir o vídeo 2, por favor, rapidamente.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Como V. Sa. percebe, já está demonstrada a existência de um aconselhamento paralelo ao Ministério da Saúde.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Senador, desculpa...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu estou formulando a pergunta. Por favor... A senhora vai ter o tempo que precisar para responder.
É usado pelo Presidente da República para tomar decisões sobre a pandemia.
Como V. Sa., como membro desse gabinete, analisa essas declarações que vimos nos vídeos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso responder? É minha vez? (Pausa.)
Bom, Sr. Senador, eu quero deixar mais uma vez claro que eu não participo de nenhum gabinete paralelo. Eu entendo que o Governo é um só e que as minhas conversas que ocorrem com relação à parte técnica do Ministério da Saúde com os técnicos, porque isso... Eu conversei com os técnicos sobre dosagens da cloroquina, que não poderiam ser muito altas, porque havia saído recentemente um artigo com as doses tóxicas utilizadas num estudo de Manaus. Eu tomei o cuidado, então, de esclarecer que as doses deveriam ser mais baixas. Isso...
Senador, realmente, eu tenho que caracterizar isto muito bem: que isso foi feito dentro do ambiente técnico do Ministério da Saúde, com que eu tive a oportunidade de conversar diversas vezes, e que, na realidade, eu sempre fui muito bem recebida por todos os governos com que eu estive colaborando cientificamente. As sociedades médicas têm reuniões constantes com os dirigentes. Inclusive, o Ministro na época, o Pazuello, abriu o meu Congresso de Cancerologia, onde esteve o Prêmio Nobel de Medicina Honjo falando, em setembro. O Almirante Barra também fez as saudações iniciais. A relação é bastante técnica e bastante amistosa há muitos anos com todos os setores. Isso, de forma alguma, caracteriza que eu estaria agindo fora do meu papel de consultora eventual do ministério ou do paciente com câncer ou paciente com Covid dentro do Brasil. E, aqui, tanto na Câmara quanto no Senado, sempre participei com essa função.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Como a senhora sabe – e não estou dizendo isso para desmenti-la; releve –, nós já temos provas fortes e evidências também da participação de algumas pessoas no gabinete paralelo, em circunstâncias variadas, colhidas aqui nesta Comissão Parlamentar de Inquérito. Por exemplo, nós já sabemos da participação do Vereador Carlos Bolsonaro, do Deputado Osmar Terra, do Luciano Azevedo, do Carlos Wizard, do Arthur Weintraub, no aconselhamento do Presidente da República, e da senhora também. Além desses e de si própria, V. Sa. poderia nos informar o nome de outras pessoas que participam desse gabinete?
10:56
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sr. Senador, eu reitero a importância de caracterizar que eu desconheço a existência de um gabinete paralelo, caso ele exista.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Tudo bem. Chamemos como queiramos chamar...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, eu não teria nem como enunciar...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora lembra do nome...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... pessoas que participem. Eu não tenho como, porque...
Eu não entendo aonde o senhor deseja chegar, porque, na realidade, eu só participo como consultora individual – e individual. Tudo aquilo que eu faço através de sociedades médicas... Nós temos mais de 10 mil médicos trabalhando pelo tratamento inicial dos pacientes. Todos os momentos em que eu posso dar palestras, dar educação, eu faço isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, a senhora não conhece...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, eu não tenho...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... ou não lembra o nome...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... outros nomes, não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... de mais alguém que participou dessa consultoria?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu não tenho...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Desse assessoramento?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A minha consultoria é pontual...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Desse gabinete paralelo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu nunca participei de gabinete paralelo. O senhor me desculpe.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor... Vamos ao próximo vídeo, por favor.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. desconfiava de antemão da eficácia das vacinas contra a Covid? Ainda mantém essa posição exibida agora no vídeo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu discuti a formulação das vacinas. E, como nós estamos vendo, algumas vacinas talvez precisem de três ou quatro doses realmente.
Eu sou imunologista, não é?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu sei, mas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E, como imunologista, eu trabalhei...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... eu estou fazendo uma pergunta concreta.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu trabalhei na questão da imunidade das pessoas há 40 anos. Então, eu sei que existe, claro, um desejo grande de que a gente consiga vacinar as pessoas através de uma partícula, mas, se essa partícula começa a se mutar, a gente vai ter que rever essa tecnologia. E, se tem um vírus inteiro, ele também vai se mutar. Então, o vírus que estava sendo testado naquele momento e para o qual, nessa época, ainda não tinha nenhuma regulação – então eu era contra uma obrigatoriedade –, ele talvez fosse precisar, como o percentual que foi declarado mais tarde – essa fala foi anterior – era menor do que 60%...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu queria que a senhora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... então os pacientes teriam...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... tivesse certeza de que nós não estamos a constrangendo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu tenho certeza. Eu estou...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nós estamos fazendo um interrogatório direto...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... exibindo declarações da senhora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E a senhora está tendo...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A oportunidade de esclarecer ao Brasil. Eu acho que isso...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... de esclarecer, e infelizmente não tem esclarecido.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O que eu diria...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Dra. Nise...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Porque eu estou fazendo perguntas objetivas.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Dra. Nise, eu sei que a senhora é uma pessoa competente, seu currículo é muito bom, mas não é uma... A senhora não tem que dar uma aula, a senhora tem que responder...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – ... se é a favor ou contra.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas ele me pergunta...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Com todo respeito à senhora. A senhora... Eu vi seu currículo, mas as coisas têm que ser mais afirmativas, para esclarecimento, só isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Tá, o senhor me desculpe...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Com todo respeito, até porque a senhora é minha colega...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho como...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – É uma senhora... Nós temos todo respeito, mas é uma coisa...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Obrigada.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – ... que tem que ser afirmativa, só isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Suas preocupações...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Desculpe. Eu não respondi à questão ainda.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A questão...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É "sim" ou "não".
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Afirmativo ou negativo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Na ocasião, eu dizia que o desenvolvimento das vacinas... Elas deveriam ser condicionais. Os registros são condicionais, como são até hoje. Eles são condicionais, de acordo com o desenvolvimento da tecnologia, do conhecimento... A gente vai ter agora a mudança de tecnologia de uma vacina, da CoronaVac para a ButanVac. A gente está tendo o desenvolvimento de novas... Por exemplo, a população... Crianças não foram testadas; grávidas não foram testadas; e nem idosos demais foram testados. Então, essas populações, quando você vai para uso indiscriminado, você tem que avaliar com muito mais cuidado, não é? Então, nós temos... Tem um número de crianças, sim, que está sendo testado agora, em que houve algumas características, mas nessa época nós tínhamos mais perguntas do que respostas. Então...
11:00
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Suas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... as vacinas vão ser, sim, submetidas a novos desenvolvimentos. E o Brasil, inclusive, tem excelentes vacinas em andamento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Suas preocupações a respeito da segurança e da eficácia dos imunizantes contra a Covid foram levadas ao Presidente da República?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Eu nunca conversei sobre vacinas com o Presidente, porque eu sou uma pessoa que tenho o cuidado... Primeiro, que nós não nos encontramos muitas vezes depois dessa questão de as vacinas serem uma coisa tão importante. E eu vi que nós tínhamos um corpo técnico dentro do ministério extremamente imbuído de trabalhar com níveis internacionais. Então, eu continuei, sim, acolhendo informações de todos os níveis, tanto nacionais quanto internacionais.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, mediante sua resposta, eu vou perguntar pelo contrário: V. Sa. apoia as considerações do Presidente sobre as vacinas?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não estou aqui para apoiar ou desapoiar nenhuma conduta de nenhuma pessoa, porque isso é uma coisa do foro individual. Eu estou aqui para declarar cientificamente a minha posição. E o que as pessoas fazem com a minha posição é de foro individual.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, a senhora não apoia?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho uma opinião... Aliás, opinião, que não se dá...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não tem opinião?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Desculpe. Opinião a gente não dá; a gente tem que dar evidências científicas. Então, neste momento...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mas a pergunta é: a senhora concorda ou não concorda com as posições...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não conheço...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... reiteradas e públicas dele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O senhor me desculpe. Eu não conheço todas as opiniões do Presidente sobre o assunto.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Tá, então eu vou colocar algumas para ouvir a senhora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas... (Risos.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor, coloque o próximo vídeo.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu vou tentar fazer uma formulação, na medida em que V. Sa. pediu, para que nós tenhamos uma manifestação científica também da senhora – seria o caso, e seria muito bom para esta Comissão Parlamentar de Inquérito.
11:04
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O Governo Federal postergou, como a senhora sabe, a compra de vacinas tanto da Pfizer – e esta Comissão já apurou sobejamente essas questões – quanto as do Instituto Butantan e da Covax Facility, como vimos fartamente aqui nesta Comissão Parlamentar de Inquérito, na linha do que V. Sa. sugeriu para que eu perguntasse. Essa foi uma decisão acertada?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, eu devo dizer que a forma como as pessoas interpretam qualquer opinião que eu tenha dado, qualquer conhecimento, eu estou dentro do meu conhecimento técnico.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Tecnicamente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – As produtoras de vacina têm uma cláusula com que elas têm trabalhado no mundo, e que não é simples, que é a questão da ausência de responsabilidade. Nós temos uma responsabilidade compartilhada, o médico que aplica – então, é importante você ter também a percepção da responsabilidade –, das pessoas que estão envolvidas e do Governo. Então, isso é uma questão que se refere ao Governo brasileiro, eu não participo dessa discussão.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, mas eu perguntei cientificamente, tecnicamente, foi uma decisão acertada?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Cientificamente existem... Eu não tenho como dizer porque isso não é uma decisão científica, isso é uma decisão política, é uma decisão econômica, é uma decisão que tem muitas coisas que eu desconheço. Inclusive, no tocante à minha parte, que é a parte de imunologia, os estudos científicos das vacinas estão acontecendo. Ainda não foram liberados de vários daqueles a que foram dadas as autorizações temporárias...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não foi essa a pergunta.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu estou dizendo o seguinte...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Sim, mas não foi essa, objetivamente, a pergunta.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que isso contextualiza o fato de que a opinião de cada um com relação à fala que eu tiver é uma decisão de cada pessoa. Eu não estou aqui nem para julgar, nem para emitir pareceres ou opiniões a respeito de outras pessoas. Eu deixei isto bem claro: a minha opinião é técnica, e eu vou me manter nessa posição, Senador.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, só pra deixar claro aqui nos anais da CPI, V. Sa. não considera essas posições nem acertadas nem erradas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não considero que elas tenham algo a ver com a minha posição, porque eu estou aqui para falar da minha posição.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, eu vou facilitar a sua resposta, para a senhora ficar mais à vontade para responder.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu não...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, como V. Sa. avalia as consequências do atraso da aquisição de vacinas pelo Governo Federal?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Veja, eu não participei de nenhuma discussão, então eu não sei o que houve com relação a essas discussões, se houve atraso. Eu ouço pela mídia, ouço pelas questões, mas eu não tenho como avaliar essa questão. Então, como eu não sei tudo aquilo que aconteceu...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. não conhece o descaso, o atraso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não conheço os fatores que forem envolvidos nas discussões técnicas entre os pares.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Sim, mas eu perguntei sobre as consequências. Que consequências esse atraso causou ao Brasil na sua avaliação técnico-científica?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Olha, eu não sei se houve atraso, desculpe, eu não tenho informação com relação ao ponto inicial da partida...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não houve atraso...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que seria assim: quanto foi de atraso, quanto foi de consideração entre as partes, de contratos entre as partes. Como eu não participo dessa discussão e fiz questão de me abster de qualquer opinião – o senhor não vai ouvir a minha opinião em nenhum momento, por mais que eu tenha sido procurada pela mídia, porque eu queria ressaltar ainda...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, eu vou especificar para a senhora tentar responder. Eu estou tentando me esforçar para facilitar a resposta, qualquer resposta.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, eu considero que o atraso que existe no início do tratamento é o que tem determinado tantos mortos e tantas questões nesse momento. Não só isso, não é, como nesse momento a gente tem também um problema de diagnóstico, nós temos problemas com relação a toda essa questão.
11:08
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Nós somos um País em que temos vacinado bastante gente, mas eu não sei dizer para o senhor se o conjunto de ações vai ser alguma coisa... Então, eu quero dizer o seguinte, que esse conjunto de vacinas, distanciamento social, uso de máscara, etc., é o que vai contribuir para melhorar, e aí, onde a gente tem que atuar, cada um atua na sua área. Eu não estou atuando nem em distribuição de vacina, nem em regulação de vacina, nem em distribuição.
Então, eu estou aqui...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É, mas eu não estou...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... trabalhando...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu não estou pedindo...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
Obrigada, então.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... as respostas de V. Sa. nessa condição...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Excelente, ótimo.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... de quem atuou, de quem negociou...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, ótimo.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... de quem vendeu, de quem...
Eu estou perguntando...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Por isso...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... do ponto de vista técnico, qual é a avaliação que V. Sa. faz.
Eu vou fazer uma outra pergunta na mesma direção.
V. Sa. entende que o sucesso da tese de imunidade de rebanho por transmissão do vírus foi um dos fundamentos para essa demora na vacinação?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – De forma alguma, não imagino isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não imagina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não imagino.
Eu entendo que a questão de nós estarmos discutindo as vacinas é algo excelente. Nós já estivemos fazendo parte de várias comunicações, de vários debates sobre a eficiência e segurança das vacinas, sobre esse apoio ao registro da vacina condicional...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Só para deixar consolidado, a senhora entende que a tese da imunização de rebanho, defendida pela senhora, pelo Presidente da República, pelo Osmar Terra...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, a imunização de rebanho não é uma tese defendida por mim, é uma realidade.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mas eu acabei de exibir um vídeo...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ela existe.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... da senhora defendendo...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, ela existe, a imunização de rebanho existe a partir de determinado nível de vacinas, de pacientes que recebem...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, mas, Dra. Nise, desculpa, eu não quero aqui...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É que eu não posso responder...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu sei, não...
V. Exa. tem... V. Sa., em algumas perguntas, a senhora pode dizer "sim" ou "não".
Eu não creio que, quando a senhora dá um diagnóstico para um paciente, a senhora passe duas horas para explicar que a pessoa tem...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Passo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... uma doença grave e tal.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E responder "sim" ou "não".
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora... Muito objetiva.
Eu queria, Senador Renan...
A senhora esteve com o Presidente da República quantas vezes?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Olha, em vários momentos...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, vários momentos, assim, a senhora pode dizer uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, umas quatro vezes, cinco vezes.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Umas quatro vezes a senhora esteve com o Presidente da República.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Na realidade, assim, nós estivemos...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só a senhora e ele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, em nenhum momento eu e ele isoladamente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Quem estava com a senhora, a senhora lembra?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós tivemos uma reunião com os Médicos pela Vida, que vieram de todos os lugares do Brasil, e nós participamos. Tive as reuniões com relação à questão de células-tronco, nós estávamos discutindo sobre algumas coisas, mas muito en passant porque, inclusive, tinha outras pessoas que estavam junto e nós tivemos uma primeira reunião em relação a essa questão em que eu deixava bem claro que eu tinha vindo contribuir como voluntária.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora diz que fez parte de uma comissão, não é?
Uma comissão...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi pontual.
Eu fiz uma reunião...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, tudo bem, só pontual.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... com o Comitê de Crise...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Essa comissão, Dra. Nise...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... institucional...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Quem era desse Comitê de Crise?
Quem?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Era coordenado... Era um Comitê de Crise interministerial regulamentado e presidido pelo General Braga Netto, onde eu participei, inclusive, com o Ministro da Saúde, a presença do Ministro da Saúde e do Presidente da Anvisa, mostrando que não era...
11:12
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora foi designada formalmente? Teve algum ato publicado com relação à oficialização da sua participação? Isso pode ajudar...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu fui uma colaboradora eventual desse momento somente.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não teve formalização...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não fiz parte...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... da sua presença no Gabinete de Crise?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu fui convidada.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ah, não teve... Não teve... O.k.
Pode exibir o vídeo próximo, por favor? (Pausa.)
Nós temos aproveitado essa prática, porque nós estamos tendo muita dificuldade com os depoentes que negam os fatos, negam as suas falas. Não é o caso da senhora, evidentemente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ah, obrigada!
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Esse seu posicionamento foi levado ao Presidente da República?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – De forma alguma.
Esse dado foi dado pelo Governador de Nova York. Eles fizeram um estudo mostrando que os pacientes vinham de casa e que o lockdown somente não resolveria o problema. Então, isso foi discutido... A própria Organização Mundial de Saúde depois disse que era algo que é de extrema situação. O lockdown serve também para dar estrutura, foi utilizado no Brasil para dar estrutura. Ele isoladamente não resolve a questão da contaminação, porque as pessoas se contaminam também em casa.
Então, nós precisamos, sim, de medidas conjuntas; em nenhum momento, medidas isoladas.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Chega-nos – e isso nos ajuda aqui – uma informação do grupo de checagem que colabora com o aprofundamento desta investigação que, no dia 15/05, a senhora teve um encontro com o Presidente da República. A senhora confirma ou não confirma este fato? Sozinha com ele.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não me recordo. Em que situação foi? Porque realmente não me recordo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora disse que teve quatro reuniões com ele. A senhora não se recorda?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sozinha, não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Se fossem cem reuniões, tudo bem.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu nunca tive reunião sozinha.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A CPI levantou que no dia 15/05 a senhora esteve com ele. A senhora não se recorda?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu não me... Sozinha eu nunca estive com ele. Nunca estive com ele sozinha.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Sr. Relator, o senhor poderia agregar sobre a visita dela no Ministério da Saúde, quantas vezes ela esteve no ministério?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Quantas vezes a senhora a esteve no Ministério da Saúde? Só para agregar, a pedido do Senador Rogério Carvalho.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Olha, o Ministério da Saúde é uma casa onde eu já trabalhei bastante, então, assim...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, doutora. Quantas vezes a senhora esteve?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Inúmeras vezes...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas agora, pós-pandemia?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... só que em vários governos.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não. Agora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Em vários governos. Nessa vez eu estive conversando com o Ministro...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – E no gabinete do Ministro, com o Ministro da Saúde.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu estive numa reunião em que o Ministro Pazuello não pôde participar totalmente, ele deixou alguns assistentes. E ele queria conversar sobre a minha relação com as sociedades médicas e com relação à interface com as sociedades médicas.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Sr. Presidente, por favor, só para colaborar: Dra. Nise, dispense os bordados, os floreios. Dispense... A senhora quer explicar demais, usar adminículos. Explica... Explica... Responde ao Senador, até para não ficar... Senão a gente fica rodeando o toco, e a senhora dá informações de conversas que não foram pedidas. Então, eu quero ajudar a senhora...
11:16
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Obrigada.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – ... seja mais econômica nas suas respostas, para que a gente consiga... Senão a senhora... Pergunta, a senhora quer descrever tudo. A gente não quer aula, a gente quer que a senhora seja positiva: "foi", "não foi", "não sei".
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É, exatamente.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Então, é só pra ajudar, porque senão a gente vai ficar muito tempo aqui, em respeito ao seu currículo; se a senhora ficar falando, nós ficamos dois dias aqui, porque a senhora tem conteúdo. A gente sabe que a senhora tem conteúdo. Então, por favor, só pra contribuir, dispensa os adminículos, os floreios, pra responder mais objetivamente. A senhora daí não dá nem tanta brecha para o Senador Renan ficar insistindo em algumas perguntas que só ele quer, muitas vezes. Então, a senhora se poupe disso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu agradeço a sua fala, Senador. E, na realidade, a questão é que eu não posso, às vezes, dizer, em cima de uma afirmação, que eu faço isso ou aquilo, porque as afirmações...
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Mas daí diga que não. Diga que não, diga que não concorda e pronto, acabou.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mas eu não perguntei isso, não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – A senhora mora em São Paulo, é isso, doutora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Eu moro em São Paulo, mas eu tenho CRM aqui em Brasília também.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas a senhora tem residência em São Paulo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Residência certa, sim.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora tem residência aqui em Brasília?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Aqui em Brasília eu fico no hotel.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – E a senhora veio várias vezes a Brasília desde o início da pandemia, não é isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, inclusive eu tenho amigos também.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – E as passagens são pagas todas pela senhora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Teve uma passagem paga pelo Ministério da Saúde para uma reunião que eu fiz, onde eu vim dar aula sobre imunologia, e eu estive dois dias.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas pós-pandemia, a senhora esteve em Brasília quantas vezes, Dra. Nise?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ah, eu já estive... Eu atendo, como eu falei, atendo pacientes e tenho inclusive...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não, não. Eu perguntei pra senhora: a senhora veio a Brasília pra tratar sobre pandemia quantas vezes?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu estive em audiências públicas, reuniões...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tudo com o Governo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... inúmeras vezes, Senador.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tudo pago pela senhora, com seu...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim. Sim.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Passagem paga, hospedagem, tudo pago pela senhora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Por mim, é.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – O.k.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Apenas uma vez foi pago pelo Governo.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Esta Comissão Parlamentar de Inquérito também já levantou – e temos isso na nossa sala de cofre – que a senhora esteve, em visitas não oficiais, no Ministério da Saúde no dia 6 de abril – e tem aqui com quem a senhora falou –, no dia 10 de junho, no dia 12 de junho, no dia 2 de julho, no dia 30 de dezembro. A senhora confirma essas datas?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu preciso checar com os meus assessores.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu vou...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente, o senhor...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu vou passar essas datas para a senhora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... me passa as datas, por favor.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Em seguida, checaremos, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Dia 6 eu posso já lhe adiantar que estive conversando com o Dr. Denizar Vianna exatamente sobre a questão da necessidade, em relação à portaria que ele já tinha feito, da inclusão de fazermos tratamentos precoces. Isso foi uma discussão que eu tive no dia 6. Então, desse com certeza eu me recordo.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor, rapidamente, o vídeo sete.
Obrigado, doutora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Depois eu vejo os outros e passo para o senhor.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor, é muito importante.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Deixe só...
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Esse aí foi um evento que aconteceu na Câmara dos Deputados. V. Sa. mantém o entendimento que externou na Câmara de que o tratamento precoce com hidroxicloroquina é tão importante quanto a vacinação, que acabamos de ouvir?
11:20
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu disse o seguinte: que não é o único tratamento. Aliás, vacina não é tratamento; vacina é prevenção. Tratamento é tratamento, aos primeiros sintomas. Então, uma coisa é a vacina para prevenção, e a outra coisa é o tratamento inicial, que se chama precoce, aos primeiros sintomas. Então, um não compete com o outro.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O que a senhora... Desculpe, Dra. Nise, o que a senhora afirmou, eu poderia pedir para repetir o vídeo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Pode colocar.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... repetir o vídeo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso, que um é tratamento, e só as vacinas, elas não são tratamento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não há dúvida com relação a isso. A dúvida não é essa, não.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É: não se deve vacinar aleatoriamente, dizendo que a única saída é a vacinação, porque o tratamento precoce é tratamento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, a senhora mantém o que afirmou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A vacina não deve ser vista como tratamento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Que o tratamento precoce é tão importante quanto a vacina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu digo que uma coisa é o tratamento...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, retira o que falou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, também não. Eu digo o seguinte: tratamento é tratamento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, repete de novo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Vacinação é vacinação.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Repete de novo, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Prevenção é prevenção.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Fora do microfone.) – ... o sinal da TV Senado caiu... É bom ver se confirma isso ou não.
(Intervenções fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, somente caracterizando o tratamento...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Repete o vídeo, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Pois não.
Vacinação aleatória obrigatória...
(Procede-se à exibição de vídeo.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É uma pergunta objetiva: a senhora confirma isso e acha realmente tão importante o tratamento precoce quanto a vacinação?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Porque a senhora afirmou.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu considero que, sim, são situações semelhantes. A questão: uma é pra prevenção...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Está bom. Então...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que é a vacina.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então nós já nos consideramos com a...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Deixa eu caracterizar. Eu considero...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... com a pergunta...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que a vacina é prevenção, e o tratamento é tratamento, e que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não é? Então, eu estou dizendo que não se deve falar aleatoriamente da vacina obrigatória se por acaso...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Sobre isso, uma pergunta novamente objetiva, Dra. Nise.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente. Objetivamente, existem dois lados: a medicina da prevenção, que é a vacina, e aí a medicina do tratamento, que é o tratamento. Então, são coisas diferentes.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Uma pergunta...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Só não se deve dizer que é a única saída.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fazendo soar a campainha.) – Só um minutinho, Senador – só um minutinho.
Eu vou pedir para os assessores... Olha, tem muito assessor conversando com os...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E, como a vacina não trata o que já está infectado...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu pediria...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... então, a ideia é o tratamento precoce.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho, Dra. Nise. Só um minutinho.
Eu pediria para as pessoas que estão acompanhando e os assessores, para a gente poder... Porque a Dra. Nise, com essa voz calma, tranquila, ela é convincente, porque quem grita não consegue convencer ninguém. Quem fala baixo, de uma forma bastante calma, parece que passa mais credibilidade. Na realidade, a quem está nos vendo neste momento, eu peço que desconsidere as questões que ela diz aqui em relação à vacina – desconsidere o que ela está dizendo em relação à vacina. Ela não está certa. Eu não sou médico, não sou... Mas vacina, desde que a gente se tem por gente, vacina sempre preveniu. É melhor prevenir do que remediar.
Isso é histórico, Dra. Nise.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito, concordo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Isso é histórico, não é de hoje.
Então, a sua voz calma, a sua forma de falar convence as pessoas, como se a senhora estivesse falando a verdade. Infelizmente, Dra. Nise, o que os seus colegas me falaram eu retiro completamente, eles estão totalmente equivocados em relação à senhora: a senhora está omitindo aqui muita coisa. E eu sou Presidente da Comissão, Dr. Marcos Rogério, e eu estou alertando que a senhora será convocada novamente para cá, não mais convidada.
11:24
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu queria fazer uma outra pergunta na linha do que foi colocado pelo Presidente Omar Aziz.
A difusão da informação, como acabamos de ver, feita por V. Sa., de que há um tratamento eficaz contra a Covid-19 estimula as pessoas a abandonar as medidas não farmacológicas de prevenção à doença?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – De forma alguma, elas são concomitantes e se somam.
Então, quero reiterar, Senador Omar Aziz, a importância de falar que a prevenção – concordo plenamente com o senhor – é muito importante, que as vacinas são muito importantes e resolveram grandes pandemias...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora não disse isso, Dra. Nise!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Falei sim!
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, a senhora disse o seguinte: que não precisa vacinar aleatoriamente...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nem obrigatoriamente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Compulsoriamente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tem que vacinar todos os brasileiros, Dra. Nise! Por favor!
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Essa é a copa que precisa ser feita!
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pelo amor de Deus, Dra. Nise!
Sabe o que é? Não escutem o que ela está dizendo. Todos os brasileiros precisam de duas vacinas, duas!
E esta CPI foi criada para isto: para quem perdeu parente, para quem perdeu irmão, para quem perdeu pai, para quem perdeu mãe!
E a senhora não conseguiu salvar os seus pacientes todos. A senhora me desculpe, mas essa voz calma convence as pessoas que estão nos vendo. Então, quem está nos vendo neste momento: não acreditem nela, tem que vacinar; a vacina salva; tratamento precoce não salva!
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Presidente, eu queria só prestar um esclarecimento.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente! Presidente!
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – O Prefeito de Nova York, assim como o Prefeito de Milão, pediu desculpas por ter dito bobagem e de ter sido contra o lockdown. Porque ela falou que em Nova York as pessoas ficaram em casa, mas tanto o Prefeito de Nova York quanto o de Milão foram contra o lockdown no início e, aí, vivemos o pandemônio da pandemia.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – O Primeiro-Ministro inglês só foi a favor do lockdown depois que ele pegou a Covid e quase morre.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não seria o caso de a senhora pedir desculpas pelo que disse e que nós estamos exibindo aqui fartamente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom, eu tenho várias falas aí que eu vou ter que responder. A primeira é a seguinte...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu devo deixar bem claro que vacinas aleatórias e indiscriminadas...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Marcos Rogério, V. Exa. quer...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ...elas têm que ser revistas.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ...que o povo brasileiro se vacine.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Claro, Sr. Presidente!
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu sei, o senhor já me disse isso. Agora, falar em vacina aleatoriamente... Aleatoriamente é aleatório...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Compulsória. Não.
A questão é a seguinte: nós temos que seguir regras, e foram seguidas as regras espartanamente. O ministério – eu deixei bem claro –, o Ministério da Saúde, junto com a sua comissão de vacinas, seguiu regras para vacinar. Eles não saíram vacinando todo mundo ao mesmo tempo e do mesmo jeito. É isso que eu deixei bem claro.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas não tem vacina, doutora!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, mas não é só isso...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – O Senador Renan perguntou...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não é isso que nós estamos discutindo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ...seguiram regras com relação... Assim como...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nós estamos querendo saber do enfrentamento à pandemia e do seu papel.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Estamos utilizando as suas próprias falas para embasar o que eu estou perguntando.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, sobre isto: V. Sa. já discutiu o tratamento precoce contra Covid com o Presidente da República em alguma oportunidade?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu tive a oportunidade, no início, de receber dele a informação de que existia um tratamento que estava sendo discutido na França e nos Estados Unidos...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ah, então essa informação é muito importante.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi essa reunião...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Foi o Presidente que lhe deu a notícia da existência do tratamento precoce?
11:28
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu já tinha essa informação prévia...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ah, sim, mas ele falou...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... e ele me falou que existia, nessa reunião...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E, em quantas oportunidades, V. Sa. conversou com ele sobre esse assunto?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi uma oportunidade em que a gente conversou sobre o momento em que nós estávamos passando. Foi o momento inicial em que eu expliquei que nós precisávamos de dados científicos. Por isso que eu ia conversar com o Conselho Federal de Medicina pra validar a possibilidade do paciente de receber o medicamento e do médico de prescrever. Então, isso foi bastante importante pra mim, porque eu pude participar de discussões técnicas com o Conselho Federal de Medicina que ratificaram...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Sobre a eficácia disso...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sr. Relator, Sr. Presidente, só uma questão de ordem.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pois não.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A eficácia da medicamentação é uma questão que já está bastante categorizada e a gente já tem...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu queria perguntar sobre a eficácia.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O senhor me perguntou da eficácia.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu não fiz a pergunta ainda.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Pois não.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Pela ordem.) – Sr. Relator, só apresentar uma questão de ordem para vocês.
Como disse e alertei no começo dos riscos de se ouvir a Dra. Nise como convidada e não como testemunha.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Sim.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Ela já afirmou aqui que mal falava com o Presidente da República, que nunca esteve com ele sozinho. Em junho de 2020, foi publicado um vídeo onde ela anuncia publicamente as seguintes palavras: "Mandei mensagem para ele, ele não precisava me sondar, sondar pra ser Ministra. Ele me conhece e a gente se fala o tempo todo".
Então, a questão de ordem objetivamente, Sr. Presidente, é pela suspensão ou encerramento da sessão, para que ela seja reconvocada como testemunha, como deve ser.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Vamos colocar em votação.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – De acordo, de acordo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para responder questão de ordem.) – Eu acolho o seu pedido...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – De acordo, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... e vamos colocar em votação.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Vamos colocar em votação.
Só um minutinho.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu só quero fazer uma pergunta...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Sr. Presidente... Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho.
Senador Marcos Rogério, eu não vou passar o dia aqui...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... e ninguém vai passar o dia aqui pra que a gente fique ouvindo a Dra. Nise dizer que aleatoriamente as pessoas possam se vacinar. Veja bem, eu não vou fazer propaganda enganosa para a população brasileira. Eu tenho responsabilidade aqui e a responsabilidade é grande.
Eu vou fazer uma pergunta.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente... Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho. Só um minutinho.
Eu vou já lhe dar a palavra, Senador Marcos Rogério. Eu lhe dou a palavra em um minuto. Só uma pergunta.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O Marcos Rogério não está com a palavra, não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Quem está com a palavra é o Relator.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – Só um minutinho, Senador Renan.
A senhora teve alguma reunião no Ministério da Saúde junto com seus irmãos e o Ministro?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Não, eles foram me buscar, porque eu estava lá conversando com o secretário...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eles moram em Brasília?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eles vieram me acompanhar, porque eu tinha problema de joelho na ocasião.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ah, está bom. Eu vou pedir para as empresas aéreas...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Ela não está conseguindo concluir um raciocínio.
Eu queria pedir aos senhores assim, com todo o respeito... Vocês sabem o lado em que eu estou, mas, quem está acompanhando, o que a gente percebe é que existe uma ansiedade muito grande pelas respostas da depoente, da convidada. Eu peço só a vocês que a gente tenha um grau de tranquilidade...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senadora Leila...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – ... porque existe uma ansiedade muito grande.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Leila, é porque você chegou agora.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Desculpa, eu estou vendo isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Você chegou agora.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Não, eu não cheguei agora, não. Eu estou acompanhando, Presidente, dentro do meu gabinete, desde o primeiro momento.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ah, no seu gabinete.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Mas eu estava lá...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Eu estava lá assistindo e tive a impressão, Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora chegou...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nós estamos falando aqui com toda a educação...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... com todo o respeito, com todo o carinho.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Respeito em tempo nenhum com a depoente.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Ela, toda hora, está sendo interrompida.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não, é porque ela não está respondendo.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Então, vamos encerrar.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É esse o problema.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Vamos encerrar. Encerremos.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente, o apelo que eu faço a V. Exa...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Sr. Presidente, tem a questão de ordem do Senador Alessandro.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Muito ruim.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Presidente, existe uma questão de ordem do Senador Alessandro.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Eu sugiro a V. Exa...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ela precisa ir ao banheiro. Vamos suspender por...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente Omar Aziz...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Melhor, melhor. Façamos.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Não, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pediu. Espere aí, só um minutinho.
A doutora pediu para ir ao banheiro. Você dá licença e a deixa ir ao banheiro? Pode falar.
11:32
R
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Não, Sr. Presidente. O que quero, o que eu quero suscitar, Sr. Presidente, é que não cabe a quem não possui conhecimento técnico questionar as opiniões de uma cientista com mais de 40 anos de trabalho prestado, de respeito da sociedade.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Cabe questionar. Cabe questionar quem é contra a vacina.
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Estamos questionando fatos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Cabe questionar quem é contra a vacina.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Estão expondo... Estão expondo vídeos...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Estamos questionando fatos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Cabe questionar quem é contra a vacina.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Estão expondo vídeos recortados. Estão expondo vídeos recortados...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Alguém vir aqui desinformar sobre vacina...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... não permitem à depoente falar...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Alguém vir aqui desinformar sobre vacina...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Querem respostas objetivas: é "sim", é "não".
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A gente não vai matar gente nesta CPI, não.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Com todo o respeito... Com todo o respeito....
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A gente não vai matar gente nesta CPI, não...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Estão faltando com o respeito à depoente...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Desinformar sobre vacina não pode, não.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... à história dela, à biografia dela, à ciência dela.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Desinformar sobre vacina, não.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Me parece que os cientistas aqui são o Presidente...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Vir matar gente aqui, não!
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... e alguns Senadores.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Isto aqui está transmitido para milhões de pessoas.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Me parece que trouxeram a depoente aqui...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Vir aqui falar contra a vacina, não.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... para fazer espetáculo.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Vir aqui falar contra vacina, não!
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Isso não é respeitoso, Sr. Presidente.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Deixem a depoente falar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Falar contra vacina, aqui, não.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Exa. está xingando o Presidente.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente, eu peço calma aos nossos colegas aí.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Xingando o Presidente, chamando o Presidente de cientista.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente...
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Sr. Presidente...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Eu peço calma... Presidente...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – São os pais da ciência.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente, eu peço pela ordem...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Qualquer cientista que vem aqui...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Ninguém pode falar de ninguém aqui. Ninguém... Ninguém pode falar de ninguém.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... não pode se manifestar. O depoente aqui é a Dra. Nise.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A tua ciência é contra a vacina.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Tem muita gente aqui que já deu de cientista e de médico sem ser.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Todos nós somos a favor de vacina, todos nós, inclusive ela.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Tu, não. Está aqui pregando contra a vacina.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Agora, o que tem aqui é uma tentativa muito clara de indução. Isso é desrespeitoso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – É claro. Pessoa que é contra a vacina fica claro aqui...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente...
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Vamos acalmar, Presidente.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente... Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pois não, Senador. Pois não, Senador.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Por favor, eu só queria o direito de... Eu acho que os ânimos se exaltaram demais. Vamos ter calma. A Senadora Leila falou. Estou aqui desde o início, conversei antes com a Dra. Nise Yamaguchi. Ninguém a tratou aqui de forma descortês, todo mundo tratou muito bem...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Pelo contrário.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Não é descortês... Eu fui citada.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Um minutinho. Um minutinho, Senadora.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Não é descortês, Senador Otto. Ela não concluiu nem... Desculpa, gente, eu estou vendo lá da TV. É um direito meu falar. Eu vou falar aqui como Senadora também. Eu vi isso. Essa foi a minha percepção. E, se ela está aqui sendo convidada para passar o raciocínio dela, é só isso que eu estou pedindo. Eu não estou dizendo quem está certo ou errado, mas, na qualidade de... Já deixa a pessoa tensa, ela não consegue concluir o raciocínio nem uma vez, porque sempre tem um: "Mas você não fez isso, não fez aquilo?". É só pedir paciência. Se não dá para termos, neste momento, calma, que façamos o convite então para que ela venha mesmo depor. Só isso.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Sr. Presidente, me dê agora a palavra. Presidente...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente... Sr. Presidente...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente, eu aceitei ser interrompido pela Senadora Leila e quantas vezes ela quiser pode me interromper.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Obrigada. Desculpa.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não tem nenhum problema. Eu apenas... O que foi questionado aqui é que as afirmações dos vídeos não correspondiam ao que ela falava.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Pois é. Então, era só isso. Quer dizer, ela... Antes o Omar conversou com os colegas dela de São Paulo. Ela falou que viria aqui para falar a verdade. Só que o que está saindo nos vídeos, Senadora Leila, não corresponde ao que ela está dizendo.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Senador Otto...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – O questionamento é só esse, porque ela falar uma coisa no vídeo e não confirmar o que falou não deixa de ser faltar com a verdade. É só isso que estou falando, tanto que eu a tratei ali com toda a educação, com todo o respeito. Como sempre, todos nós fizemos isso. Agora...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador, independente... Só um minutinho.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Presidente Omar...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Otto, um minutinho.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Se isso é uma Comissão Parlamentar de Inquérito...
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Presidente Omar, por favor.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Está bom. Está bom. Senador...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – ... exige a verdade, mais nada do que a verdade.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – É só para concluir aqui. É só... É só pedir...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Otto Alencar, V. Exa. concluiu?
Eu só vou pedir aos Senadores e Senadoras, nós estamos aqui – são 11h15 – há uma hora e quinze. O Senador Renan deve ter feito umas dez perguntas para ela, mostrando vídeos, e a Dra. Nise cria uma versão para cada vídeo desse. É isso que está acontecendo. O que aconteceu agora? Por que a gente até se exaltar? É porque ela disse que a pessoa tinha que tomar a vacina aleatoriamente, pessoal, quando a gente está lutando para ter vacina para todos os brasileiros. Essa é uma luta não só de situação ou oposição, independente de todos os brasileiros.
11:36
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E ela, como médica, Senador Jorginho, como uma profissional conhecida, cientista, quando ela passa a opinião para a população, pode parecer... É lógico que ela, como médica... As pessoas vão crer mais nela do que em qualquer um de nós aqui. Irão crer mais nela do que em qualquer um de nós. Então, Senadora Leila, a colocação dela, a que as pessoas estão assistindo, em relação a tratamento precoce e a vacina aleatoriamente... Depois ela quis corrigir dizendo: "Não, o cronograma de que eu participei no Ministério da Saúde...". Primeiro ela disse que teve quatro reuniões, agora já foram mais de dez, pela contagem nossa aqui. E agora, com a quebra e o pedido de informações das linhas aéreas que vêm de São Paulo para cá, nós vamos saber quantas vezes ela realmente veio a Brasília e fazer o quê.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Sr. Presidente...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Porque a questão é o seguinte, o que nós pedimos a ela, eu pedi a ela... Ela não tem o que esconder de nós, ela é médica, ela defende aquilo que ela quiser.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Sr. Presidente, por favor.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente, eu queria só que o senhor assegurasse, até para manter a ordem.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Presidente... Posso falar, Presidente? Sr. Presidente, é o seguinte...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Então, só dê a ordem de fala, Presidente, para a gente manter aqui o ritmo sem muita turbulência.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Faz horas que estou pedindo, Presidente, por favor.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Jorginho.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Fora do microfone.) – Mas ele já falou.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – V. Exa. me assegura a fala?
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Não, não falei nada.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tem uma questão de ordem do Senador Jorginho e, logo em seguida, a Senadora Eliziane, por favor.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – E depois o Senador Humberto.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Pela ordem.) – Muito bem. Eu quero dizer o seguinte: essa minha contribuição anteriormente foi até para ajudar, de forma didática, nas explicações dela. É uma mulher que tem muito conteúdo, é uma médica, com um currículo extenso, até para contribuir com ela. Eu quero dizer o seguinte: essas entrevistas muitas vezes a gente... Se voltar atrás no tempo, algumas coisas que a gente afirmou em determinados momentos... Porque evolui, tudo evolui, é uma doença que ninguém conhece, no início, enfim... Então, não tem essa de que ela está faltando com a verdade. Ela veio aqui para contribuir de forma educada, ela fala baixo, é pelo estilo dela. E eu gostaria de pedir que cada um de nós a deixássemos ouvir... E reforço o pedido, que ela economize muita explicação, responda mais, porque para cada pergunta ela tem uma justificativa técnica da ciência, científica, mas nós não estamos tratando disso agora. Então, é para que a gente ganhe mais tempo. É por isso que eu quero ajudar a senhora a encurtar a resposta, para não dar outras conotações de que falou lá e não falou aqui. É só para contribuir.
É essa a minha participação, Sr. Presidente.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente...
A SRA. PRESIDENTE (Eliziane Gama. Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Pois não. Com a palavra a Senadora.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – ... eu queria... É rapidão aqui, Presidente.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Presidente, eu estou com a palavra, com todo respeito aos companheiros e às companheiras.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA. Pela ordem.) – Colocar o seguinte, Relator e Presidente: nesta CPI, nós temos prazo, nós temos objeto e nós temos foco. A gente não pode, Presidente, nesta Comissão... Da mesma forma que V. Exa. suspendeu a reunião, os convocados de quarta-feira, a gente não pode fazer aqui, ter uma manhã inteira com convites, Presidente, porque a gente realmente acaba perdendo muito tempo e a gente não é seguro, a gente acaba ficando sem uma segurança, porque a convidada é convidada, ela não é nem investigava e nem testemunha. Então, a gente fica, do ponto de vista legal, aqui no limbo. Então, eu pediria a V. Exa. que a gente, daqui para frente, realmente, não tivesse mais convites, mas, sim, convocações, ou na condição de testemunha ou na condição de investigado.
11:40
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Quero finalizar aqui, Presidente, fazendo uma colocação sobre a questão das interrupções. Eu acho que, de fato, a convocada ou, melhor dizendo, a convidada, a depoente precisa ser mais direta nas respostas. Esse é um fato, é uma observação com que, realmente, eu até concordo. Agora, só lembro, acerca das interrupções, que é a primeira vez nesta CPI que alguém da base do Governo interrompe a depoente, como foi o caso aqui do Senador, meu colega da base do Governo, o Jorginho, que faz a interrupção. Isso realmente não é uma rotina, não é normal quando se trata da presença masculina. E aí eu faço...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Era isso que eu ia falar.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – ... uma referência, colega Leila: eu acho que a gente precisa ter efetividade...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Tivemos outros aqui que mentiram!
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – ... senão a gente não vai chegar a lugar nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Então, vamos fazer o seguinte...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Muito obrigada.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Desculpa! Desculpa por falar isso, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu vou ouvir...
O Senador Renan Calheiros com a palavra.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Fora do microfone.) – Com relação a mim, eu não carrego essa culpa, não.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Olha só, eu não estou questionando aqui, até porque...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Eu queria até parabenizá-lo.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Presidente, o senhor tem uma questão de ordem sobre a mesa.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – V. Exa. está tendo a mesma conduta que teve em relação aos demais.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Olha só...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Fora do microfone.) – Com relação a mim, eu não...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Senador...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Fora do microfone.) – Procurei tratar da melhor forma possível...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Gente, posso só falar por que cheguei aqui? Eu estava aqui desde manhã acompanhando vocês...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor! E trato muito bem as mulheres. Trato muito bem as mulheres!
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Sim, sim! Senador, o que estou querendo dizer? Olha só: cheguei de manhã...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Com toda a certeza, Relator.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – ... e acompanhei, desde o início, do gabinete. Nós não estamos questionado isso. Eu só estou falando que hoje ela está tentando concluir o raciocínio. Se ela está mentindo ou não, a gente sabe! Entendeu? Ninguém aqui... Todo mundo já estudou, acompanhou, sabe das declarações que já foram feitas no passado. É só uma questão de ela finalizar o raciocínio. É só isso. É só isso que eu questionei. Está bom? É isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Perfeito! Perfeito, Leila! Perfeito, Eliziane!
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Fora do microfone.) – Vamos continuar, então!
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Vamos continuar!
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Só por respeito ao Regimento, tem uma questão de ordem...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Eu queria exatamente falar sobre isso.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – ... apresentada ao Sr. Presidente.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Eu queria falar exatamente sobre isso.
Eu queria, com todo o respeito aqui, me contrapor à questão de ordem do nosso companheiro Alessandro.
Nós dispomos de muito pouco tempo para trabalhar nesta CPI. Todos nós sabemos aqui a relevância, a importância dos conselhos, das orientações, da influência da Dra. Nise sobre o Presidente da República.
Que V. Exa. faça as perguntas! Se ela não responder, diga: "Não respondeu". E pronto! E o nosso juízo vai ser feito. O que ela está dizendo ali comprova exatamente o que tem na cabeça do Presidente da República.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Exatamente!
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Então, vamos ouvir. Para nós é importante ouvir.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Vamos ouvir.
Dra. Nise...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente, eu acho que a Dra. Nise deve continuar como convidada e não ser chamada como testemunha.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Renan, conclua. Senador Renan...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Dra. Nise...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... não irei acatar o seu encaminhamento e...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Dra. Nise, objetivando novamente, releve a veemência. Seria muito importante se nós objetivássemos tanto as perguntas do meu lado, é claro, e depois as do lado dos demais Senadores e Senadoras, quanto as respostas de V. Sa.
Na sua avaliação, por que há a profusão de medicamentos do tratamento precoce da hidroxicloroquina e de outros e até mesmo da produção do próprio Exército, que chegou a produzir 3 milhões de medicamentos? As farmácias do Brasil viveram praticamente, nesses últimos meses, de venda dos produtos do tratamento precoce. Eles infestaram as farmácias e dominaram o mercado. Por que, depois de tudo isso, nós não tivemos consequência nenhuma, e o Brasil chegou ao lugar de campeão? Como, tecnicamente, a senhora avalia por que isso tudo aconteceu?
11:44
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Senador, agradeço as suas palavras, dizendo que eu vou ter a oportunidade de colocar... Quero só deixar bem claro que o tratamento precoce não compete com o preventivo das vacinas. Mais uma vez deixar isso bem claro.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mas uma vez...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A outra coisa... Desculpe.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora os comparou há pouco.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Agora, a questão da eficiência desses medicamentos... Por exemplo, no Amapá, nós temos um dos menores índices do mundo de mortalidade. Exatamente eles utilizam essas medidas conjuntas. Então, nós temos que, cada vez mais, juntarmos forças.
Cuba, por exemplo, utiliza, desde fevereiro do ano passado...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não? Não utiliza mais?
(Intervenções fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom, de qualquer forma, eles enviaram um manual...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Por favor...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... e a gente teve acesso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A outra coisa...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que a gente queria dizer...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Vamos atender...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... é o seguinte... O senhor me perguntou, já que houve...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Deixem a Doutora falar. A opinião nossa não vai mudar.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Agradeço às Senadoras também a gentileza de me colocarem aqui na condição de mulher e de poder ser ouvida, não é? Eu tenho uma voz assim... Há 40 anos, eu trato de pacientes com câncer e aids, e são pacientes muito delicados. Então, eu tento explicar, realmente, tudo. Desculpe se eu acabo sendo prolixa. Não é minha intenção.
O que eu quero dizer nesse momento é que eu não acompanho os ganhos, etc., de quaisquer coisas. O ministério... O Exército sempre produziu cloroquina e hidroxicloroquina em outras situações, assim como, na época do Tamiflu, ele produziu Tamiflu e distribuiu.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Para outras doenças.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, são coisas que fazem parte aí das questões mais administrativas.
Não sei se eu respondi. O senhor considera que eu respondi?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Infelizmente, eu estou dizendo aqui para o Presidente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Desculpe.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Infelizmente a senhora não respondeu.
Eu pedi uma avaliação da senhora de o porquê, no seu entender técnico, depois da profusão de medicamentos do tratamento precoce colocados no Brasil, através do setor público, como política pública, da qual V. Sa. participou e priorizou, do domínio da industrialização, do processo comercial – as farmácias passaram a viver em torno disso nos últimos meses no Brasil –, por que isso, de uma forma geral, regra geral, não afetou na diminuição de morte no nosso País, que é campeão? Infelizmente, até hoje já morreram 462.966 pessoas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós temos vários Estados onde o tratamento precoce foi instalado...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu não quero...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... e a morte diminuiu.
O que nós temos nesse momento... Eu trato os meus pacientes de forma individual e eles se beneficiam. Então, é uma questão que nós estamos aqui discutindo com relação à profusão de medicamentos. Não são muitos. São em torno de 10 ou 12 que são utilizados com uma melhoria do sistema clínico das pessoas.
Então, eu acredito, se eu respondi essa pergunta...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A pergunta foi o seguinte: o que é que houve no seu entendimento? Porque esse tratamento não teve eficácia e o Brasil é campeão mundial de mortes.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Claro que teve eficácia. Inclusive, é possível que pudesse...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, poderia ter morrido muito mais gente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É possível que sim.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... ainda do que morreu?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós não sabemos, mas houve um anúncio, inclusive, das universidades europeias de que nós teríamos milhões de mortes até abril do ano passado. E, na época, já estavam utilizando, nos protocolos do Ministério da Saúde... Em vários serviços, eles utilizavam na época. Então, não dá para o senhor ter uma medida exata do benefício que foi dos medicamentos e dos tratamentos iniciais.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, uma outra pergunta mais direta, Dra. Nise: V. Sa. considera que houve conspiração empresarial e política para que os brasileiros não tenham acesso a um tratamento precoce? Uma pergunta direta.
11:48
R
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Sim ou não?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu considero que houve uma conspiração política sim. Não houve... Houve múltiplas ações contra o tratamento precoce no Brasil. Várias procuradorias entraram com ações contra prefeituras que queriam fazer o tratamento precoce, e nós entendemos que isso... Houve a perseguição até de médicos que estavam prescrevendo os medicamentos, excluindo a autonomia do médico ou a soberania do médico...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, isso é outra discussão.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então houve, sim, uma perseguição política...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E empresarial?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Empresarial, eu não consigo ter...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Está bem.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... exatos dados.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora tem notícia de alguém ou alguma empresa que se beneficiou do aumento das vendas de cloroquina, ivermectina e outros medicamentos no Brasil?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que todas as empresas que produzem produtos para as doenças que estão neste momento estão fazendo a sua parte, que é produção. Muitos deles têm lucros pequenos, porque não têm mais patente; são produtos que são considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde e são produtos essenciais, por isso eles são feitos sem patentes. Eles não têm lucratividade alta. Faz parte desses produtos eles serem oferecidos às pessoas a preços baixos.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. já recebeu – e respeitosamente pergunto, claro –, direta ou indiretamente, alguma vantagem de empresa que fabrica ou comercializa cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina ou outro medicamento usado no tratamento precoce?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Como V. Sa. avalia as recomendações de hidroxicloroquina e ivermectina pelo aplicativo TrateCov, lançado em...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... lançado em janeiro, para uso experimental naquela população em Manaus, num dos...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não acompanhei.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... num dos piores momentos da... A senhora não ouviu falar?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não; eu não acompanhei os remédios, doses exatas, o que foi apresentado nesse aplicativo. Eu não tive acesso a ele.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Tá, muito obrigado.
Por favor, pode exibir o vídeo seguinte?
Nós estamos nos encaminhando para o final.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, foi V. Sa. que minutou o decreto para mudar a bula da cloroquina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – De forma alguma. Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mentiu para a Comissão...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Eu devo dizer para o senhor o seguinte... Posso esclarecer?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Pode, claro!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, está bom.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nós estamos aqui, gentilmente, querendo ouvi-la.
11:52
R
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não fiz nenhuma minuta. Inclusive, eu não conhecia esse papel que estava... Essa é a reunião – a que ele se refere – do dia 6 de abril de 2020, que ocorreu lá no Palácio do Planalto, com a presença do Almirante Barras, do Ministro Mandetta, estava bastante cheia a sala – eu não conheço as pessoas estavam –, e eu descobri, ao final da reunião, onde nós discutimos uma série de itens, eles me pediram para conversar sobre a questão da hidroxicloroquina, e eu estava conversando sobre essa Resolução 348, de 17 de março de 2020, assinada pelo Almirante Barra Torres, que falava sobre a inclusão de nova indicação terapêutica ou ampliação de uso relacionado ao tratamento, prevenção e controle de complicações decorrentes da Covid-19. Eu estava também discutindo a Nota Informativa nº 6, do Ministério da Saúde, que falava sobre a presença da cloroquina e hidroxicloroquina no site do Ministério recomendando sobre utilização de cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes moderados e graves...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não foi a senhora que minutou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Inclusive, depois da reunião, eu descobri que eles estavam se referindo a uma minuta, e essa minuta jamais falava de bula, ela falava sobre a possibilidade de haver uma disponibilização de medicamento... Posso, posso...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Presidente...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sr. Presidente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso ler os dois artigos da minuta?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não, eu não estou perguntando isso.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Apenas para o senhor novamente ....
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso ler os dois artigos da minuta?
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Não, não, quem está interrompendo é o advogado, eu estou pedindo novamente para o senhor novamente reiterar para o advogado que...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Advogado não pode participar dessa forma.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Ele está ditando respostas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E entregando por escrito.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, de forma alguma.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E não é a resposta, porque, se fosse a resposta, tudo bem; se fosse a resposta, tudo bem, mas não é nem a resposta, é uma divagação sobre o tema.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu vim assessorada pelo meu advogado, Senador, porque, na realidade, eu queria colocar aqui a disponibilização daquilo que estava nesse momento sendo discutido, que era o medicamento, e não a bula, não a inserção da bula. Inclusive, que essa adesão ao tratamento do medicamento deveria ser acordada entre médico e paciente que desejarem voluntariamente, de livre espontânea vontade, fazerem parte. Então, eu não participei...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A pergunta foi específica: a senhora minutou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não minutei.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então de quem foi a ideia, já que V. Sa. foi quem defendeu...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não houve minuta de bula, Sr. Senador, é isso o que eu estou querendo dizer.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não, não é isso o que estou perguntando.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não participei de nenhuma minuta.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora, desculpe, a senhora já disse que não minutou.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não minutei.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não minutou.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não minutei. Inclusive, esse papel que estava em cima da mesa só falava sobre dispensação de medicamentos.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não, não perguntamos sobre isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não minutei.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora minutou ou não minutou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não minutei, não tenho essa prerrogativa.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então de quem foi essa ideia, já que V. Sa. estava na reunião e foi quem precipitou a tomada de decisão do gabinete paralelo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não houve. Esse não era um gabinete paralelo, era um gabinete oficial...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Como, se a senhora não era oficialmente indicada para participar de nada?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O Ministro Braga... Eu fui convidada, existe a posição de convidada científica para a reunião. Então, eu fui convidada para uma reunião oficial, dentro da Presidência, da Casa Civil, com a presença do Ministro da Saúde e do Presidente da Anvisa. Então, isso não caracteriza um gabinete paralelo, isso caracteriza a presença oficial.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Além dos dois...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então... E nessa situação não houve minuta de bula, eu não minutei nenhuma minuta de bula e nem discuti. Eu estive discutindo, sim, a resolução, em caráter excepcional, da Vigilância Sanitária.
11:56
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Objetivamente, a senhora não sabe quem foi o responsável pela ideia da mudança?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não existiu ideia de mudança de bula por minuta e nem por decreto.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, o Presidente da Anvisa mentiu?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que ele, pelo menos, deveria, então, apresentar a minuta, porque, nesse momento, não houve minuta de mudança de bula.
Eu estou explicando para o senhor que depois eu tive acesso ao que era a mudança de situação baseada na RDC, que era simplesmente a discussão se a gente conseguiria ter medicamento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, de quem foi a ideia da mudança da bula? Foi da senhora ou não?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não existiu...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora não minutou, mas de quem foi a ideia?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não houve mudança de bula...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, que não houve eu sei, da tentativa?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, mudança de bula ocorre de acordo com as entidades que produzem os medicamentos.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Isso nós sabemos.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eles oferecem uma série de dados...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não é esse o fato...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O que eu faço, como médica, é discutir se a quantidade de dados que nós temos são suficientes para caracterizar uma mudança...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não é isso, é que...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu tenho, inclusive, uma cópia do documento que estava na mesa.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não é isso que nós perguntamos.
Infelizmente, Dra. Nise...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E faço questão de deixar isso aqui, porque eu recebi...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... depois...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Dra. Nise, deixa eu só lhe explicar uma coisa...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O senhor me desculpe...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu fiz uma pergunta objetiva.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato, eu não minutei...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O Presidente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... nenhuma bula, nenhuma mudança de bula.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O Presidente da Anvisa disse que foi ríspido com a senhora, que tentou introduzir na conversa a mudança por decreto da bula.
Ele contou um fato. Eu estou perguntando à senhora sobre esse fato.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Olha...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora nega que não minutou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E não houve nenhuma tentativa de decreto de mudança de bula nessa ocasião.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nós estamos partindo do fato consumado, da declaração dele e do...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, mas não existe...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... e do outro Ministro.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas uma declaração não significa que houve.
A minha verdade e os fatos são que não houve mudança de bula.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Renan...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... e nem decreto de mudança de bula.
Inclusive, eu coloco à disposição aqui o que estava em cima da mesa, que era simplesmente disponibilizar um medicamento...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, mas a senhora tem esse documento?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, sim.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Ora, Sr. Presidente, ela está tentando falar isso há meia hora, vocês não estão entendendo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Ela está oferecendo o documento tem meia hora...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, mas só um minutinho.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu estou dizendo que era...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho, Marcos Rogério.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – E o Relator dizendo que não quer.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Marcos Rogério, ela não pode ter esse documento, sabe por quê? Porque o Presidente da Anvisa disse aqui para a gente o seguinte, que o Ministro Braga Netto, na hora em que ele discordou, ele pegou o papel e rasgou.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Estava em cima da mesa.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Se ela tem esse documento, é porque ela fez ele novamente.
Está entendendo?
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente, vejam V. Exas., a um outro que veio presume-se como verdade absoluta, aí o depoimento de uma médica de 40 anos de experiência aí é mentira?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso esclarecer?
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – V. Exas. são agora julgadores de quem está falando a verdade ou a mentira?
(Tumulto no recinto.)
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Olha, respeitosamente, forçação de barra pura.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Sr. Presidente, o senhor assegure a palavra...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso esclarecer, Sr. Senador?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nós não estamos querendo discutir esses aspectos...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu preciso esclarecer.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... que, em boa hora, V. Sa. tem trazido. As perguntas são objetivas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nós já temos os fatos.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não houve minuta de mudança de bula.
Não houve decreto de mudança de bula.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Além da senhora, do Mandetta e do Barra Torres, quem participou da conversa?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, estava lá o Ministro Barra, estava o Ministro Mandetta, assessores do Ministro Mandetta estavam ali presentes, eu não conheço todo mundo, e o Dr. Luciano Azevedo que estava trabalhando nessa minuta de disponibilizar o medicamento de difosfato de cloroquina. Não era uma mudança de bula, dispensação de medicamento de difosfato de cloroquina.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, a senhora está dizendo, desculpa se eu entendi errado...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que houve um equívoco.
Eu acho que houve um equívoco, porque não existia um decreto de mudança de bula na mesa.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora está dizendo que coube a iniciativa ao Luciano Azevedo?
Quem é Luciano Azevedo?
12:00
R
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, ele não teve nenhuma iniciativa de mudança de bula em nenhum momento, gente. É isso que eu estou tentando dizer.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, quem defendeu a publicação do decreto...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas não houve...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... referido aqui pelo Presidente da Anvisa e pelo Mandetta?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não houve... Não houve nenhuma declaração de decreto de mudança de bula. Isso tanto não houve, não foi estudado, não participei. Não houve nenhuma mudança de bula por decreto. Isso jamais aconteceria. Eu sou especialista em regulação. Eu trabalhei em vários governos. Então, isso não existe.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu queria só que a senhora soubesse, seu advogado e os Senadores, Presidente e todos que estão nos assistindo que a documentação das reuniões, entregue pela Casa Civil, mostra que tal reunião ocorreu no dia 6 de abril de 2020, na Casa Civil, com o assunto: hidroxicloroquina. E realmente contou com a participação de todas as pessoas que foram aqui citadas nesta Comissão Parlamentar de Inquérito e também da senhora.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – O Dr. Luciano é o quê? Ele é especialista em quê?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Ele é um anestesista...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Anestesista.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que trabalha...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Que entende de cloroquina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele foi médico do Exército, me parece.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ah, sim, médico do Exército. Tá.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Da Marinha e ele fazia...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tá bom. O.k.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas o que eu queria dizer para o senhor é o seguinte...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Anestesista...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu recebi... Quando eu vi que existia esse decreto...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Infectologia.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... essa minuta de decreto, eu pedi a ele, que estava do meu lado, que me mandasse. Eu recebi essa disponibilização e eu a entrego... Peço licença, Senador... Presidente da Mesa, peço licença para entregar, então, aquilo que foi nesse dia discutido, que não tinha nada a ver com mudança de bula. Simplesmente era um rascunho de como poderia ser disponibilizada uma medicação que estava em falta e sendo, nesse momento, uma dispensação de medicamentos e a adesão a tratamento de acordo com um consentimento livre e esclarecido e com notificações no site da Anvisa.
Então, na realidade, essa minuta não tinha nada a ver com determinação de bula da cloroquina.
Sr. Presidente, posso distribuir a cópia da minuta? Inclusive, eu tenho aqui a transcrição juramentada desse momento, porque eu fiquei bastante surpresa com a discussão da minuta e eu pedi para que me fosse enviado – e foi enviada. E não tem nada a ver com bula, tem a ver simplesmente com disponibilização da medicação num momento de pandemia. Então, isso tem que ficar bem claro.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Sem problema nenhum, doutora. Está bom.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E foi baseado nisso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tá bom, a senhora já explicou.
Dra. Nise, o certo é nós trazermos aqui o Presidente da Anvisa e fazermos uma acareação com a senhora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Porque ele disse que, inclusive aqui, ele falou, e todos os Senadores...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Acho excelente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho, Dra. Nise.
Ele disse que até foi indelicado com a senhora, foi muito indelicado. E ele disse aqui: "Até perdi a cabeça e fui indelicado". Isso todos nós ouvimos aqui. Então, se ele foi indelicado, é porque alguma coisa propuseram que ele, pelos princípios dele, não aceitou. Então, o certo é a gente fazer uma acareação. Eu não vou... O que foi falado aqui, tanto pelo Ministro Mandetta, ex-Ministro Mandetta, quanto pelo Dr. Barra Torres, Contra-Almirante da Marinha, aqui, é que ele, de pronto, não aceitou o que estava em cima da mesa, e o Ministro Braga Netto rasgou lá o documento e disse: "Não, então esquece, esquece". Foi isso que ele disse aqui para a gente. Os dois falaram a mesma coisa.
Mas a gente pode fazer isso. Vamos esperar.
Tinha lá nesse dia o Dr. Otavio Berwanger, que é cardiologista, nessa reunião com a senhora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não me recordo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas a senhora o conhece?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não conheço.
12:04
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O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não é? O.k.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Fora do microfone.) – Retomando, Presidente, eu queria... Como todos sabem, nós estamos contando...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Obrigado, Leila.
Nós estamos contando com a participação de várias equipes de checagem, do Senado Federal e privadas, porque esta Comissão também vai precisar, sim, da checagem dos fatos da iniciativa privada, que acaba sendo uma chancela a mais para dar credibilidade ao aprofundamento dos nossos trabalhos. E, por dever de ofício, antes de fazer as últimas perguntas, eu queria comunicar que internautas acabam de nos informar que não é verdade que o Amapá tem uma das menores taxas de mortalidade do mundo, graças ao tratamento precoce. Há 58 países com taxa inferior, e, se considerarmos o número de pessoas que estão morrendo por Covid em relação à população, o Amapá é o sexto Estado com o maior número de mortes a cada grupo de 100 mil habitantes no Brasil, 121,1.
Por favor, o próximo vídeo.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Pode repetir, por favor? Esse vídeo é muito curto.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho, antes de repetir. Eu pedi para distribuir para os Senadores da Comissão...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Tá, por favor, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... o que a Dra. Yamaguchi me entregou aqui sobre esse decreto, para vocês terem acesso.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Esse vídeo é muito importante, peço a atenção de todos.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu vou fazer as perguntas.
12:08
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Nesse vídeo, a senhora informa, mais uma vez, que não existe diferença entre o Ministro da Saúde e o Presidente da República e que já estava definida a priorização e os programas de políticas públicas a partir dos medicamentos do chamado tratamento precoce.
Esse vídeo, Srs. Senadores, Sr. Presidente Randolfe Rodrigues, é de dois dias antes do fim da gestão do Ministro Teich. Dois dias depois, a agenda presidencial, enviada a esta Comissão Parlamentar de Inquérito, indica que V. Sa. teve uma reunião a sós com o Presidente da República. No mesmo dia, o Ministro Teich pediu demissão, apesar do que a senhora falou, e declarou aqui que o fez porque não concordava com o Presidente da República acerca do uso de cloroquina para Covid.
Eu pergunto: em longa entrevista concedia ao portal UOL, em 18 de maio de 2020, V. Sa. afirmou que aceitaria assumir o Ministério da Saúde. Na mesma semana, a imprensa reportou que V. Sa. se reuniu novamente com o Presidente da República, em 21/05/2020. O Presidente da República, perguntando agora, objetivamente, tratou da ocupação do cargo de Ministro com V. Sa.?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nunca.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Em algum momento, V. Sa. foi convidada pelo Presidente da República para essa função...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... ou alguma outra função no âmbito do Ministério da Saúde?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Em nenhum momento ele a convidou, nem para ministra, nem para cargo nenhum no Ministério da Saúde?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Reportagens dos jornais Correio Braziliense e O Estado de S. Paulo também afirmam que V. Sa. confirmou, por meio de sua assessoria, ter sido convidada, no início de abril de 2020, para integrar o Gabinete de Crise do Planalto, criado para monitorar o avanço do coronavírus no Brasil.
Pergunto: V. Sa. aceitou esse convite?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, foi somente aquela reunião, onde eu participei desse Comitê de Crise, e depois não houve necessidade. Eles não formalizaram; fui uma colaboradora eventual.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, V. Exa. participou...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Daquela reunião, no dia 6.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... mas não aceitou o convite. É isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não houve um convite formal para o Gabinete de Crise. Eu participei... Houve um convite para participar daquela reunião pontual. Então, eu fiz parte dessa discussão daquele dia, com relação a isso. E outra coisa: reitero que o Presidente nunca me convidou para ser Ministra da Saúde.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, só para me convencer, em função do que V. Exa. acaba de dizer e para poder passar adiante: V. Sa. não foi convidada, não aceitou o convite...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não fui convidada.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Há algum ato, há algum ato administrativo editado para materializar essa indicação ao referido comitê? Pergunto novamente; já fiz essa pergunta no início.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Houve um convite pontual, científico para eu participar daquele dia. Eu nunca fui convidada para fazer o gabinete de crise temporal, dentro do tempo. E também nunca fui convidada para ser Ministra da Saúde. Foram ilações que toda a imprensa fez.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A Casa Civil enviou a esta Comissão Parlamentar de Inquérito a relação de reuniões realizadas no âmbito da Presidência da República para tratar de assuntos relacionados à pandemia. Encontramos, nessa documentação, pelo menos, seis registros – seis registros – de sua participação em reuniões com autoridades, sendo cinco vezes no Palácio do Planalto e uma vez na Casa Civil.
12:12
R
Pergunto: como eram feitos os convites para essas reuniões, por favor?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foram feitos convites espontâneos. Com relação à reunião, eu tive...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Como eram feitos? Qual era o meio utilizado? Eram telefonemas? Eram e-mails? Como eram feitos esses convites precisamente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Olha, eram comunicações telefônicas, comunicações entre as pessoas interessadas. Eu realmente nunca tive uma formalização de participação em comitê de crise nenhum.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, o que eu estou perguntando não é sobre a formalização agora, já perguntamos anteriormente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, não houve uma formalização.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Qual era o meio utilizado para fazer os convites à senhora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eles me convidavam através dos meus contatos. Inclusive, eu tive algumas reuniões que foram feitas na mesma medida em que eu estava conversando, no mesmo dia, com relação à pandemia e também com relação a toda a necessidade naquele momento de uso de máscaras no ministério – no gabinete da Presidência da República eu cheguei a conversar sobre isso – e tive também algumas reuniões pontuais com relação à presença ali no gabinete da Presidência da República.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, objetivando e retomando...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não eram convites formais.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não eram convites... Eram feitos por que meio? Por telefone? Por rede social?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Por telefone... Eu não me lembro exatamente, mas alguns por telefone, outros por e-mail...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Sr. Relator, só perguntar: Dra. Nise, que dia foi essa reunião?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não tenho aqui as datas das reuniões.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então eram muitas por telefone.
Quem lhe convidava exatamente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foram reuniões diferentes, não é?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não é das reuniões que eu estou perguntando. Eu estou perguntando... A senhora disse que era convidada por telefone, por WhatsApp. Eu estou perguntando precisamente – se a senhora puder me responder, será muito bom – quem a convidava, quem é que tomava a iniciativa de fazer o contato, o convite, com V. Sa.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu tenho vários assessores, telefonistas, secretárias. Então, eu recebi alguns convites para participar de reuniões...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Dos seus assessores?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, foi.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E quem falava com seus assessores?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A secretária...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – De quem?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Secretária de cada setor.
Numa das vezes foi através da Secretaria da Casa... Eu acho que era da Segov, onde estavam ali os secretários do Ministro Ramos, tinha...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, era pelo gabinete do Ministro Ramos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, dali foi um dos convites. Eu participei de reuniões com relação à discussão da... Com a Deputada Alê Silva, sobre a questão de Minas, que eles estavam muito preocupados com Minas Gerais.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Alguma vez alguém a convidou em nome do Presidente da República? A senhora nos ajuda a lembrar?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Em nome do Presidente da República... Eu tenho da secretária dele, que fez a agenda oficial.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Secretária. A senhora lembra o nome dela?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não tenho aqui, mas...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Se a senhora puder nos informar depois...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso... Posso informar depois. Vou procurar me informar, porque são dados de mais de um ano, eu preciso dar...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Está bem, está ótimo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Renan, eu não entendi uma coisa aqui: a senhora era contactada através das suas secretárias ou através das secretárias dos ministros?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, ela respondeu já, ela disse que...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, Senador, eu não disse que ela não respondeu...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Das secretárias dos ministros e das minhas...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... eu disse que eu não entendi.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ah, entendi. Por favor.
12:16
R
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu não entendi como eram os convites feitos à senhora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu recebi convites das secretárias, também recebi convites através da minha secretária, agenda, e da minha assessora, que fazia a parte de agendamento.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas a sua secretária, quando recebia, disse: "Eu recebi um convite de fulano de tal", deve ter sido.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato, do Presidente da República, para uma reunião, como foram essas quatro reuniões. Eu recebi convites, mas não eram convites oficiais.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E os convites do Ministério da Saúde, a senhora os recebia por que meios? Pelos mesmos meios?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Os convites do Ministério da Saúde eram feitos com relação ao próprio Ministro da Saúde, o Ministro Pazuello – devo ter recebido um convite –, recebi um convite da Secretaria da Ciência e Tecnologia para discutir a questão das... Na época nós estávamos falando dos reagentes de Covid. Nós tivemos também uma reunião feita com o Dr. Denizar. Com o Dr. Denizar, eu conversei com ele sobre a questão da bula da cloroquina, por causa de... Eu fiz e-mails depois com ele também sobre isso. Então, foram alguns convites por e-mails, outros informais, que foram feitos através dessa relação.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Por favor, meu Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – Foi distribuída aos Senadores e Senadoras uma ata notarial em que o Dr. Luciano Dias Azevedo, Campinas, Amazonas, repassa para a Dra. Nise Yamaguchi esse documento aqui de que tiraram cópia. Então, inicia com ele? É isso que eu entendi?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Na realidade não deve ter sido. Esse documento não é de bula. Deixei bem claro isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não é sobre isso. Não é bula. Esse WhatsApp que ele passa, com que a senhora foi ao cartório para tirar e dizer que era verdadeiro, ele passou isso a troco de quê?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Porque, ao final da reunião, eu soube que estavam discutindo aquela questão de ser colocada em bula ou não. Eu falei: "Isso não é a bula", e eu queria entender o que estava acontecendo. Eu pedi para que ele me enviasse, e não era nada. Era uma questão simplesmente com relação à prescrição de medicamentos.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Obrigado.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não tinha nada.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Precisamente, eu já estou caminhando para o final e eu queria objetivamente fazer algumas perguntas.
V. Sa. tratou também com pessoas do Ministério da Saúde, incluindo alguns ministros do Governo Bolsonaro. Com quais pessoas V. Sa. tratou no Ministério da Saúde em algumas oportunidades?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu conversei...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. esteve, em algumas oportunidades, inclusive com alguns ministros, diferentes ministros...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... e com outras pessoas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu estive com o Dr. Elcio...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O Dr. Elcio...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que era o Secretário Executivo, estive com o Ministro Pazuello também e estive com o Denizar Vianna, que era o Secretário Executivo do Decit, e com o Dr. Hélio Angotti, uma vez, para falar sobre essa questão de células-tronco e vacinas celulares.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, V. Sa. teve reuniões com Eduardo Pazuello, com membros da sua equipe também?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não?
12:20
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ah, sim: com o Ministro Eduardo Pazuello, foi uma reunião pontual, né?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Com a médica Mayra Pinheiro?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A médica Mayra Pinheiro foi uma reunião na secretaria dela. Realmente aconteceu.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Teve mais de uma reunião ou foi apenas essa?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Que eu tenha me lembrado, foi essa reunião com a Mayra Pinheiro. Teve uma reunião em que estavam vários assessores do Ministro Pazuello, que foi on-line, com discussão de protocolos de...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, depois dessa reunião teve uma outra on-line, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Remota.
O que foi discutido nessas ocasiões?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O Ministro Pazuello, ele queria entender por que é que eu discutia a questão do tratamento precoce. E ele fez uma colocação com relação à educação e à importância de que a gente pudesse discutir também a relação com as sociedades médicas. Então, eu me dispus a fazer... Como eu sou de várias sociedades médicas, eu me dispus a fazer o contato com sociedades médicas.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Doutora, também respeitosamente eu lhe pergunto – até já foi ensaiada essa pergunta aqui anteriormente –: por que, então, seus irmãos Charles e Greice Yamaguchi realizaram reuniões no ministério, como noticiado ontem?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu acho que foi um engano. Eles vieram me trazer. Eles só entraram no ministério para me trazer, porque eles estavam dirigindo o carro e...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eles não saíram do carro?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eles vieram ao ministério para me ajudar. Eu tenho um problema de joelho. Então, eles vieram me ajudar com relação a... Eu entrei para a reunião, e eles não entraram na reunião.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Tá.
Como era a sua relação com pessoas do Ministério da Economia?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Do Ministério da Economia? Eu encontrei uma vez o Dr. Paulo Guedes numa reunião de jurisprudência, juízes aqui em Brasília, mas eu não tive nunca nenhuma reunião direta com o Ministério da Economia.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. ainda mantém contatos com autoridades federais?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu sou de uma rede de governança que é voluntária. Então, eu tenho relações constantes com todos. Eu sou uma pessoa que tem contatos com todos os itens, com todas as agências, com as sociedades civis organizadas. Então, eu tenho contatos federais, sim, mas são pontuais.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. já tratou de assuntos relacionados à pandemia ou a qualquer outra questão com o Vereador Carlos Bolsonaro?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nunca. Nem conheço exatamente o Vereador Carlos Bolsonaro.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nunca tratou e não o conhece?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Ele pode ter estado em uma dessas reuniões em que tinha muita gente. Eu não tenho contato com ele.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ah, mas esteve em reuniões?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não sei.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É importante que a senhora dê esse... Não esteve em nenhuma reunião de que a senhora participou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Que eu soubesse, não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Participou de reuniões com a presença dele? 'Não".
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não que eu saiba.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Remotamente também?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Também não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Qual é o seu relacionamento com o Deputado Osmar Terra?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É de cordialidade. O Deputado Osmar Terra, ele é Ministro da Saúde anterior...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não. Saúde, não.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele foi Ministro da Saúde anterior. Não?
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ah, da Economia. Ministro de Estado.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ministro de Estado.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E é uma relação cordial.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Já esteve com ele em muitas oportunidades?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele estava presente naquela reunião da Presidência da República. Foi a primeira vez que eu o conheci...
12:24
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Na reunião da bula?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, no almoço que nós tivemos.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ah, no almoço.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Eu não o conheci, não tive oportunidade de conversar muito. Eu vi que ele estava também naquela reunião dos Médicos Pela Vida que vieram. Ele esteve presente, mas eu não tenho nada que o desabone, pelo contrário. É uma pessoa extremamente...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não é isso que eu estou perguntando. Eu queria saber, se a senhora pudesse nos informar, que assuntos discutiu com ele nesses encontros?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foram poucos. Ele era uma pessoa bastante ativa e tinha vários contatos nessas reuniões; ele conversava comigo muito pouco, inclusive.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O Osmar Terra tratou da condução da pandemia diretamente com o Presidente da República...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não tenho conhecimento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... tal como V. Sa.?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tratei da condução da pandemia com o Presidente da República.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, nós já falamos aqui de encontros que a senhora reconheceu. Ele tratou também desses assuntos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não tenho conhecimento, Senador.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – Doutora, me desculpa. Eu fui Governador e outros aqui já exerceram funções. É impossível você receber numa pandemia uma médica para a gente tratar sobre piquenique. A senhora nunca tratou da doença com o Presidente, sobre medicação, nada?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Não, eu já esclareci que a minha primeira reunião com ele foi exatamente para tratar... Eles queriam saber a minha opinião com relação...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, eu estou perguntando sobre o Presidente Jair Messias Bolsonaro.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato, o Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Porque eu, por exemplo, sou leigo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Quando eu me reúno com uma médica... A senhora esteve no meu gabinete...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Por isso mesmo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... e a senhora me explicou várias coisas, eu ouvi a senhora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Está certo? A senhora deve ter ficado com o Presidente e não foram tratar sobre futebol, sobre Copa América. (Risos.)
A senhora pode rir, mas estou falando sério. A senhora deve ter falado para ele: "Presidente..." Ele deve ter lhe perguntado – eu, como Presidente, perguntaria –: "Dra. Nise, o que a senhora acha dessa doença?". Esta pergunta ele deve ter-lhe feito: "O que a gente pode fazer para não perder vidas no Brasil? Qual é o seu aconselhamento nisso?". Com certeza, qualquer gestor faria isso com uma especialista, está certo? Não foi tratar sobre a participação da Senadora Leila, que nos deu muita alegria jogando vôlei pelo Brasil. Isso ele não tratou com a senhora, tratou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, mas teve uma...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não tratou. Não tratou.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Deixe-me esclarecer. Ele, na realidade, veio nessa ocasião, na primeira ocasião, ele queria saber o que tinha de dados científicos da hidroxicloroquina, e, conforme eu coloquei para o senhor, eu fiz essa reunião a seguir com o Conselho Federal de Medicina para caracterizar o que tinha de científico. A dúvida dele era com relação ao tipo de possibilidade com relação ao que estava acontecendo no mundo. Ele estava curioso para saber por que o Brasil e a França estavam em contato e queriam também discutir a questão da disponibilidade do medicamento em relação a esse momento tão difícil.
O que eu disse para ele é que os médicos estavam divididos e que existia uma discussão com relação à parte científica do medicamento. E que isso era o que a gente deveria estar fazendo. Mas foi essa reunião com mais pessoas, inclusive na mesa nós tínhamos muitas pessoas.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E ela, inclusive, anunciou também no ministério.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tinha algum outro especialista nessa reunião?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só a senhora?
12:28
R
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Tinha o Osmar Terra também, que foi quem, inclusive, juntamente com as outras pessoas, conversou.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Doutora, estou caminhando para concluir.
A senhora sabe... Há outros médicos que atuaram, nas conversas e no aconselhamento, com o Presidente da República. A senhora tem conhecimento...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... de outros médicos que conversaram com o...?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fora do microfone.) – Ela acabou de falar do Osmar Terra.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, o Osmar, esse nós já temos listado.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu só soube...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Há outros médicos que conversavam com o Presidente da República?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu soube, pela mídia, que o Presidente da Associação Médica Brasileira tinha estado com ele, que o Presidente do Conselho Federal de Medicina esteve com ele...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Certo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que todos os médicos do Hospital Albert Einstein e do Hospital Sírio-Libanês estiveram com ele e também...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Todos os médicos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Todos os... Vários médicos. Foi o que vi na mídia. Eu não tive contato com essas pessoas ali dentro, não é? Na realidade...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O Dr. Luciano Dias Azevedo é um deles, dos que conversam com o Presidente sobre esse assunto?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não sei.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora não sabe?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fora do microfone.) – Mas foi esse que encaminhou para a senhora a minuta?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – E a senhora não sabe se ele conversa...
Há outra pergunta: V. Sa. conhece o Sr. Carlos Wizard?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Conheci durante uma reunião sobre um conselho científico independente que ocorreu, mais ou menos, em agosto do ano passado.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Independente de quem?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É um conselho científico independente. A gente se reunia em discussões sobre...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Fora do microfone.) – Ele é médico ou não?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, ele é uma pessoa que trabalhou com o Dr. Pazuello em Roraima. Eles faziam ações sociais.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fora do microfone.) – Lá em Roraima? O Carlos Wizard?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. trabalhou com ele no delineamento de estratégias nacionais de condução da pandemia?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – De forma alguma.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Já participou de reuniões com ele, presenciais ou remotas, ou não?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, tive essa reunião...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Quantas? Quantas?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A gente participou dessa reunião com relação à discussão dos tratamentos precoces. Mas ele era uma pessoa muito ocupada. Então, nós participamos somente duas vezes de reuniões presenciais.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. conhece Arthur Weintraub?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, conheci. Ele estava lá na diretoria do... Não era diretoria. Ele estava lá na reunião dos Médicos Pela Vida, onde ele fez...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Esteve com ele só nessa oportunidade?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, ele esteve comigo também nessa reunião da Presidência da República. Ele participou de diversas colocações com relação a esse momento...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ótimo!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... nessa cerimônia. E ele esteve também discutindo, naquele dia, a possibilidade de que os médicos prescrevessem os medicamentos. Nessa cerimônia, foi bastante bem colocado... O Dr. Arthur Weintraub está, me parece, fora do Brasil, não é?
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É, mas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não vi ele participando de nada depois.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – V. Sa. trabalhou com ele no delineamento dessas estratégias?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Eu participava com o grupo...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu vou fazer a última pergunta.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu participava com o grupo de Médicos Pela Vida.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Faço a última pergunta, e será uma pergunta rápida, objetiva.
Por favor, peça para veicular o vídeo.
12:32
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(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O Hospital Israelita Albert Einstein anunciou que V. Sa. foi afastada da entidade por conta de declarações que faziam paralelos entre a atual pandemia e as barbáries cometidas pelos nazistas contra judeus. V. Sa. se arrepende?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu cito aqui um trecho do livro do Viktor Frankl falando que, no holocausto, "ela experimenta a si mesma somente como partícula de uma massa enorme, e sua existência se reduz ao nível de existência num rebanho". Como isso foi esclarecido com o Albert Einstein, essa suspensão nunca ocorreu de efetivo. A comunidade judaica me deu apoio, inclusive da associação...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Foi anunciada pelo hospital, é isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, mas eles não deram...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Nunca ocorreu?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não deram efeito, tanto é que eu continuo atendendo os meus pacientes até hoje. E eles esclareceram, em nota à CNN, essa semana, que eu continuava atendendo os meus pacientes. Ininterruptamente eu atendi os pacientes esse período todo.
E foi esclarecido, porque o Viktor Frankl foi uma pessoa que ficou no campo de concentração e que fez essa menção especificamente nesse trecho.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A senhora não se arrepende dessa declaração que fez?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Claro que a gente não quer comparar... O holocausto é incomparável com qualquer outro sofrimento da humanidade.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não, eu estou...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu somente coloquei o texto.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mas eu falo da declaração. A senhora não se arrepende?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que ela deu bastante margem a uma preocupação de que... A minha irmã, por exemplo, é judia. Eu tenho... O Professor Zelenko é judeu. Toda a minha comunidade... Eu faço jejum. Então, assim, o hospital reviu isso, e não houve nenhum dado a mais... Eu continuo atendendo.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu sei...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, Senador, eu diria o seguinte...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não é isso que eu perguntei, doutora, por favor...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu sinto muito...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... releve o...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... pelos judeus, mas eu não posso dizer que me arrependo.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu perguntei até pra criar oportunidade pra que V. Sa...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Claro.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – ... se arrependesse da declaração.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Ela já pediu desculpa.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Na verdade, é isso.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Ela já pediu desculpa pública, inclusive, sobre isso.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Aqui ainda não.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Já passou...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Aqui ainda não.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Já passou...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas eu pedi desculpas públicas...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ah, então tá.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E eu não gostaria de ser mal...
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – É assunto superado isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Senador, eu deixo bem claro que eu não gostaria de ser mal interpretada. E isso foi baseado num livro do Viktor Frankl.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Estou sabendo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Doutora... Doutora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E não houve nenhuma consequência.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu pessoalmente tenho conhecimento...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Estou satisfeito, Presidente, por favor.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... das coisas que aconteceram.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – E esse é um ponto que já foi bem esclarecido junto à comunidade judaica, inclusive.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – Eu só não entendi a questão do medo. A senhora falava isso em relação à pandemia em que sentido? Isso que eu queria entender. Não sobre holocausto, não; em relação ao medo. Qual era o sentido dessa explicação?
12:36
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – As pessoas estão neste momento com alterações imunológicas graves decorrentes do medo. Inclusive, com a psiconeuroendocrinoimunologia, a gente tem...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fora do microfone.) – Como é que é o nome?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – As alterações psicológicas levam a uma diminuição da imunidade, e o medo é algo que é bastante detrimental, e as pessoas estão isoladas em casa...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Obrigado. Entendi agora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... na pandemia. Então, foi nesse contexto.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Isso é que eu queria... Era o contexto só.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi nesse contexto.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não em relação à comparação, nada disso...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nada disso. Exato.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... pelo amor de Deus! Até porque eu mesmo aqui alertei ao Senador Renan que essa questão já tinha sido esclarecida...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Já foi esclarecida.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, mas eu só queria saber, em relação ao medo, qual era o contexto da coisa.
Senador... Primeiro, o Senador...
Obrigado, Senador Renan.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Tasso, depois Senadora Eliziane, depois Senador Humberto Costa, Senador Eduardo Girão, Senador Otto Alencar... Senador Marcos Rogério, Senador Otto Alencar, Senador Jorginho Mello e Senador Randolfe Rodrigues.
Por favor, com a palavra o Senador Tasso Jereissati, remotamente.
Por 15 minutos, Senador.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE. Para interpelar. Por videoconferência.) – Boa tarde, Senador Omar; boa tarde, Sras. Senadoras; Dra. Nise, boa tarde.
Bom, temos aí, que o Senador Renan mostrou, um vídeo do Dr. Carlos Wizard, que declara – essa parte do vídeo não foi mostrada – que faz parte de um conselho, que coordena um conselho independente criado depois que ele passou um mês em Brasília trabalhando junto com o Ministro Pazuello. E o Ministro Pazuello o teria convidado, inclusive, para assumir uma das secretarias. Então, ele criou esse conselho, com vários médicos especialistas. E, ao lado dele, nessa mesma entrevista, está a senhora, em que dá essa declaração aí sobre essa comparação. Mas ele deixa muito claro que faz, que está formando um conselho, em que ele tem contato com o Ministério da Saúde constante, para dar posições científicas sobre a questão da saúde. Por exemplo, durante o ministério do Ministro Mandetta, a senhora teve reuniões com o Ministério da Saúde, com o Governo Federal, com todas essas autoridades que foram relatadas aqui?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Tive reuniões, sim, com entidades federais. E o Dr. Carlos Wizard, nessa época do Mandetta, eu não o conheci nem me consta que ele tenha tido qualquer atuação nesse sentido.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Mas a senhora tinha reuniões, não com o Wizard, mas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Pontuais.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – ... com entidades... Isso.
No Ministério Teich também?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O Teich ficou muito pouco tempo, não é? Então... Praticamente, eu tinha um contato direto com ele mesmo. Ele era meu colega da oncologia, e nós tínhamos contato, mas nós não falávamos sobre essa questão da cloroquina na época. Eu sempre tive o cuidado de ser bastante cuidadosa, não é? Mas com o Teich eu não me lembro de ter marcado nenhuma reunião específica. Ele estava muito ocupado. Mas ele é meu amigo de... Trabalhamos juntos, até em termos de governança, de saúde pública. Eu o convidei...
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Agora, no entanto...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... para um congresso...
12:40
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O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – No entanto, pelo que nós sabemos, e nessas reuniões com o Osmar Terra e outros, dentro da própria Secretaria da Saúde e chegando até ao próprio Presidente da República, a senhora tinha posições opostas às dos ministros, os dois ministros médicos, e a senhora tinha opiniões e, de uma maneira ou de outra, influenciou ou na demissão do Ministro Mandetta ou na renúncia do Ministro Teich.
A senhora considera razoável, durante uma pandemia, ficar fazendo palestras ou conversas, ou dando opiniões e conselhos no intestino do Governo, que atrapalhe a política pública do ministro incumbente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu nego que eu tenha tido qualquer função em relação...
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Não. Não é função.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... à deposição do Dr. Mandetta, é uma afirmação que o senhor fez, eu nego, que eu tenha qualquer tipo de inserção.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Não, não. Dra. Nise...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O que eu fiz foi pontualmente, cientificamente colaborar em pontos necessários naquele momento quando me foi perguntado.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Eu não falei função, a senhora teve opiniões constantes. Não falei em função, não afirmei. Afirmei, como a senhora afirmou, que teve várias reuniões no Ministério da Saúde...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Uhum.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – ... e com outras pessoas, no gabinete, no Planalto, em que dava opiniões contra as orientações dos ministros de então, ou Mandetta ou Teich.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu sustento as minhas opiniões científicas. Elas são coerentes, são baseadas nesses artigos que eu vou deixar aqui em referência para os senhores. Existem dados científicos publicados, e eu, como cientista, eu tenho que colocar exatamente a minha posição, que é pública. Eu fiz parte de documentos públicos, exatamente audiências públicas aqui nesta Casa, na outra, e foram pouquíssimas as reuniões individuais que eu fiz com qualquer pessoa do ministério. As minhas posições são públicas, são todas registradas, como a senhor está vendo, por diversas mídias, mídias sociais, etc.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – São públicas, eu sei que são públicas, mas são privadas dentro de gabinetes das mais altas autoridades do País, que contradiziam as orientações dos ministros incumbentes, seja Mandetta ou Teich.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nunca conversei com o Ministro Mandetta, mas conversei com o Dr. Denizar Vianna, que era seu Secretário de Ciência e Tecnologia, que eu considero uma pessoa extremamente gabaritada. Inclusive, foi a única conversa que eu tive dentro do Ministério da Saúde, na época do Ministro Mandetta, foi com o seu Secretário de Ciência e Tecnologia, e fui muito bem recebida, porque é parte do debate científico a contraposição de ideias.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Pois é , é parte...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, isso é uma coisa totalmente habitual dentro do papel que a gente exerce de liderança científica.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Mas, doutora, entendi. O que não é parte...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, assim, eu gostaria só de deixar bem claro. Desculpe, Senador.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – O que não é parte do debate científico, na minha opinião, é ter dois ministros, seguidos, da Saúde, durante uma pandemia terrível...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E difícil...
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – ... e a senhora estar como conselheira informal, dando às mais altas autoridades do Governo opiniões – entre aspas –, científicas que contrariavam a política pública do ministério, causando uma enorme confusão e falta de definição e de clareza na opinião pública brasileira em seu comportamento. Isso fica confirmado agora com essa outra opinião sobre o medo. A senhora disse claramente, e eu entendi desta maneira, que a população não podia ficar com medo, podia ir para a rua, podia sair, porque o medo era prejudicial.
12:44
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não posso colocar...
Desculpa. Não posso colocar palavras.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Como é? Eu não entendi.
Foi nesse sentido que a senhora fez essa comparação com o medo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Ou qual é a comparação do medo à época do holocausto com o medo agora na pandemia?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É o medo que as pessoas têm de ficar doentes, do isolamento, de elas estarem com uma doença que é uma doença bastante grave. Então, é esse o medo a que me refiro.
Mas eu queria somente esclarecer, Senador, duas questões. Uma delas é que tanto o Ministério da Saúde já colocava a cloroquina na sua portaria, que o Ministro Mandetta já tinha colocado... Então, não são contraposições. Com relação a EPIs, uso de máscaras, eu fui bastante proativa inclusive, fiz a disseminação nas minhas redes sociais, de uma portaria, de uma nota da Sociedade Brasileira de Infectologia à época com relação às máscaras. Então, assim, não são contraposições, são coisas que vão ocorrendo na discussão técnica.
E o Ministro Teich é um excelente gestor, é uma pessoa do mais alto gabarito, um oncologista de bastante experiência. Ele foi quem trouxe as vacinas da AstraZeneca para o Brasil, ele tem uma experiência internacional, é uma pessoa da mais nossa alta consideração. Então, ele realmente é uma pessoa que tem essa grande bagagem de experiência, e eu acho que foi assim uma experiência importante...
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Durante o Ministério do Teich, que a senhora tem em tão alta consideração, ou o do Mandetta, que a senhora teve várias e várias reuniões com o Ministério da Saúde, como a senhora disse....
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – No Mandetta, não. No Mandetta, só uma reunião, no dia 6.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Mas no Planalto sim, mas no Planalto sim.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, uma.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Alguma vez teve reuniões com a presença dos dois ministros, ou do Mandetta ou do Mansueto... Ou do Teich?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Tive a presença do Ministro Mandetta, no dia 6 de abril, nessa reunião na Casa Civil.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – E, nessa reunião, concordaram em tudo ou houve discordância?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Foi nessa reunião que ele interpretou como sendo uma bula por decreto e eu deixei bem claro que eu jamais escreveria uma bula por decreto e não seria essa a minha função. Eu discuti a RDC, da Anvisa, que era uma nota informativa, onde eles falavam sobre a inserção de medicamentos em época de pandemia. Isso é uma RDC da Anvisa, prévia à minha visita, inclusive.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Eu só quero lembrar à senhora que tanto o Ministro Mandetta quanto o Presidente da Anvisa estiveram nesta, dois depoimentos, sob juramento nesta Comissão.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
12:48
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O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – A senhora está fazendo uma acusação muito grave: que os dois mentiram nesta Comissão. É muito grave...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não estou dizendo que mentiram, estou dizendo...
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – ... a acusação.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perdão.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – A senhora tem consciência do que a senhora está acusando os dois, não é? Porque mentir sob juramento nesta Comissão tem penalidades graves.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não acho que eles tenham mentido, eu acho que eles tenham se equivocado, porque acharam que a gente quisesse fazer um decreto da bula, e não foi isso que aconteceu.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – E por que que o Ministro...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Simplesmente estou esclarecendo.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Por que que o Ministro declarou, com toda a clareza, e o Presidente da Anvisa foi rude com a senhora, se a senhora explicou para eles, com toda clareza, que não era o que eles estavam pensando?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu não entendi, até aquele momento, que havia uma discussão sobre um decreto. Eu simplesmente estava conversando sobre a questão da cloroquina e a questão da resolução de excepcionalidade. Então, eu não discuti exceção em bula por decreto em nenhum momento, nem o Dr. Luciano Azevedo, que estava ali do lado, também não discutiu exceção em bula por decreto em nenhum momento.
Eu acho que foi um equívoco. Não digo uma mentira, de forma alguma. Eu estou dizendo que foi um equívoco de informação. Não houve isso.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Bom, isso está claro. Agora, a senhora não teve nenhuma reunião com a presença do Ministro Mandetta, discutindo com ele diretamente – a não ser essa reunião com o Mandetta –, nem com o Teich, mas com o Ministro Pazuello teve várias?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu tive duas reuniões com o Ministro Pazuello, uma presencial e outra virtual, muito rápidas, exatamente discutindo os tratamentos que estavam sendo feitos e, numa delas, ele estava querendo conversar com as outras sociedades médicas. E eu me dispus a trazer as outras sociedades médicas para uma reunião com ele, eventualmente.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Quer dizer, foi o único ministro que a senhora aconselhou diretamente, informalmente, o único que não era médico.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Quero deixar bem claro que não é um aconselhamento, é uma interlocução. O Ministro Teich é uma pessoa amiga; ele só não teve tempo de ficar. E o Dr. Pazuello, o Ministro Pazuello ficou um pouco mais nessa época, como interino; depois, como ministro. Mas eu não tive muitos contatos, eu realmente não tive muitos contatos.
O SR. TASSO JEREISSATI (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PSDB - CE) – Eu vou terminar, Presidente Omar.
Eu só queria informar que foi dito aqui pelo Ministro Teich, por exemplo, que teve que pedir demissão porque tinha perdido a autonomia e não concordava com tratamentos precoces, hidroxicloroquina e outras teorias mais sobre afastamento social.
É só isso.
Obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Muitíssimo obrigado, Senador Tasso Jereissati.
Na sequência, a Senadora Eliziane Gama, representando aqui a Bancada Feminina.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA. Para interpelar.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, Sr. Relator...
Dra. Nise, eu tenho aqui um tuíte feito na sua rede social, exatamente do dia 16 agora, de abril de 2021, em que a senhora fala o seguinte: "Bulas por decreto não existem. Existe, sim, evidência científica acumulada e de credibilidade, sustentando condutas de médicos maravilhosos no mundo todo, que cuidam da vida". Está aqui esse tuíte feito pela senhora.
12:52
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Eu pergunto, acerca desses médicos maravilhosos, o Dr. Luciano Dias Azevedo... A senhora consideraria ele contemplado no seu Twitter?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Olha, eu tenho, assim, médicos de todas as redes – não é? –, que estão trabalhando pelo tratamento precoce. Eu considero que ele é um médico que vem lutando pelo tratamento precoce, que foi orientando... A questão de médicos que estão lutando pela vida, acho que sim, ele é uma anestesista, tanto quanto eu saiba – tenho pouco contato direto com ele –, que é bastante ativo. Ele inclusive trata de pacientes em UTI; então, ele luta pela vida sim.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Esse documento que a senhora entregou aqui pra gente, uma minuta de um decreto acerca da cloroquina, que a senhora fala que não seria... que seria este o documento, e não o que foi falado aqui, tanto pelo Presidente da Anvisa quanto pelo Ministro Mandetta, acerca da mudança da bula de cloroquina... Essa minuta, essa que a senhora entregou pra gente, quem fez ela foi esse médico?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não sei quem fez, eu não tenho noção de quem tenha feito essa minuta. Na realidade, eu pedi a minuta que eu vi que estava sendo distribuída.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Dra. Nise, assim, é muito estranho pra gente, por exemplo, a senhora dizer que não se tratava da mudança da bula, porque a fala de quem esteve aqui conosco foi de duas pessoas que têm grande conhecimento técnico, tanto o Presidente da Anvisa quanto o ex-Ministro Mandetta. E o Presidente da Anvisa, aliás, quando ele falou aqui, ele deixou claro, inclusive deu sistematicamente o roteiro para se mudar uma bula e afirmou que houve, inclusive, animosidade naquele momento, quando da sua defesa. A senhora não acha muito estranho, por exemplo, que esses dois técnicos falem com tanta evidência e com tanta efetividade diante de um documento que a senhora apresenta aqui, que é um outro?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho muito estranho, inclusive eu achei muito estranho que, na manhã em que foi feito o depoimento do Dr. Barra Torres, saiu no jornal O Globo a mensagem de que ele falaria na CPI a meu respeito e que falaria também que eu estava relacionada a um gabinete paralelo no ministério, na Presidência da República. Eu achei muito estranho, realmente, eu imagino que deva ter havido um equívoco nesse momento, porque na manhã antes da CPI saiu essa matéria e ainda teve essa fala em cima de uma coisa que não existiu.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Mas a senhora estava na reunião?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu estava na reunião, como reiteradamente caracterizo, eu estive na reunião, a RDC era da Anvisa, que falava sobre essa questão que eu estava discutindo e sobre a nota informativa do Ministério da Saúde da cloroquina.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Doutora, qual era a sua função no Governo Federal?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A minha função é consultora eventual. Eu sou...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Ou seja, a senhora era uma voluntária, a senhora era informal. Isso não é aconselhamento paralelo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, isso é uma consultora eventual, que faz parte, inclusive, de regulamentação específica pra técnicos, pessoas técnicas.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Mas, formalmente, a senhora não tinha nenhuma função, ou seja: a senhora não integrava o Governo, dava aconselhamento informal, voluntário, e isso não é orientação paralela?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, isso é uma orientação científica a partir do contexto que eu tenho, como eu já fiz em vários governos, como eu coloquei.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Mas essa orientação científica, Dra. Nise... Por exemplo, o TCU tem entendimento de que nenhuma política pública do Governo Federal...
Dr. Humberto... Secretário... Senador, é só porque V. Exa. está exatamente na minha direção.
12:56
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Dra. Nise, o TCU já tem entendimento nessa linha, ou seja, nenhuma política pública do Governo pode ser feita sem que haja uma sustentação em cima de entidades científicas. Não é de médicos maravilhosos, não é pessoas individuais; é em cima de entidades científicas, e as entidades científicas, todas elas, nos últimos meses, de forma muito clara, mostraram, lá, num primeiro momento, por exemplo, a orientação do uso indiscriminado, com uma condenação do uso indiscriminado, por exemplo, desse medicamento, e depois baniram a aplicação desse documento, desse medicamento, ou seja, essas entidades não podem, não poderiam ser levadas em consideração nesse debate, nessas conversas junto aos técnicos do Ministério da Saúde?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acredito que essas entidades foram ouvidas, sim, doutora. Inclusive, eles foram bastante ouvidos por vários comitês, e a oportunidade de que haja debates... Inclusive, eu sou de uma dessas entidades que a senhora citou: sou da Associação Médica Brasileira, sou delegada da Associação Paulista de Medicina. Dentro da Associação Paulista de Medicina, que é parte da Associação Médica Brasileira, houve uma discussão de que nós não concordávamos com uma posição de uma diretoria; a gente gostaria de discutir mais amplamente essa questão.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Elas eram... Certo, doutora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, assim: as associações médicas existem como representações de classe. Eu estive no Conselho Federal de Medicina, discutindo com os meus pares. Saiu uma nota técnica, uma resolução. Então, eu estou presente, como eu expliquei, desde cinco governos anteriores, participando ativamente daquilo que eu posso, como pessoa que pretende contribuir. Agora, a gente condenar quem quer contribuir com o Brasil é bastante difícil.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Agora, doutora, só vou lembrar que...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A gente faz parte desse contexto.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – ... todas essas entidades – e o meu tempo aqui, realmente, é muito pouco –, todas elas, na verdade, condenam hoje... Aliás, eu queria até lhe fazer uma pergunta acerca da questão do uso da cloroquina. Hoje, por exemplo, essas entidades orientam o não uso da cloroquina. Na verdade, apresentam até o banimento desse uso.
Eu pergunto à senhora quais os países hoje, no mundo, ainda orientam o uso da cloroquina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, nós temos, nessas entidades, a questão: não é o banimento somente das medicações precoces; existe uma discussão ampla com relação a diretrizes, a headlines baseadas em dados, conforme eu coloquei, de lideranças mais avançadas.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – A senhora conhece algum país que ainda está orientando?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Que ainda utiliza a hidroxicloroquina? Utiliza, por exemplo, nas prerrogativas. Aqui, nós temos o México, temos a Venezuela, temos...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Nos mesmos moldes que a senhora orienta aqui, no Brasil?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Em doenças precoces.
Eu tive uma reunião, inclusive, com o Canadá, para nós fazermos uma discussão de custo e eficiência, porque, como os pacientes usam menos hospitais e usam menos UTIs, então, existe um interesse por parte de pessoas que estão na regulação do Canadá, por exemplo, em estudar os nossos casos e discutirmos a evolução dessas prerrogativas.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Dra. Nise, a senhora já se vacinou?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu já tive Covid, e eu não posso me vacinar, porque eu tenho uma doença autoimune.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – A senhora não vai se vacinar?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Como eu expliquei, até para esclarecer aquela questão da vacinação obrigatória e aleatória, existem pessoas que não podem se vacinar, principalmente aquelas que têm vasculites – como é o meu caso, eu tenho uma síndrome de Raynaud –, outras pessoas que têm doenças maiores, hepáticas ou renais que sejam situações graves.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Doutora, é porque o meu tempo realmente é muito curto.
13:00
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Acerca das suas reuniões. A senhora lembra o dia em que o Ministro Teich pediu a saída do ministério? A senhora lembra o período, o dia, o momento?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, eu estava para conversar com o Presidente, por uma agenda de uma semana antes que foi marcada – vou até encaminhar à diretoria o convite dessa agenda – e que para mim foi uma surpresa...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Que foi exatamente na data?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi uma surpresa para mim, inclusive ele me encontrou na recepção, na antessala, e ele me falou, depois que ele tinha pedido... Mas antes ele me explicou tudo que ele vinha pensando a nível de saúde pública mundial, sobre a experiência dele na Inglaterra. Então, em nenhum momento nós conversamos sobre... E também houve essa confusão...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Essa reunião, doutora, foi a reunião do dia 15 de abril. Foi isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu tenho que confirmar.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – E nessa reunião... Eu estou com ela aqui. Inclusive, na agenda presidencial, em todas as agendas de que o Presidente na verdade participa, ele fala o detalhamento, algumas, inclusive, com a sua participação. Mas, especificamente nessa do dia 15, consta apenas a sua presença. A senhora levou mais alguém com a senhora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu fui sozinha realmente.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Mas no começo aqui do seu...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas tinha mais gente, viu? Eu nunca tive reuniões sozinha, ele estava lá com os assessores dele.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Não, assessores dele, a assessoria dele.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, inclusive o Ministro Braga Netto tinha estado antes. Eles saíram junto com o Ministro Teich. Então, assim, era uma reunião para conversarmos sobre essa questão da... No momento estava faltando... Eu estava preocupada porque estavam faltando medicações no Brasil.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Nessa do dia 15, então, a senhora também não esteve só?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Havia mais pessoas.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Havia a presença de técnicos, Ministro da Saúde...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não, nesse dia não. Eu já tive outras reuniões em que estava a secretária...
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Dra. Nise, essa viagem que a senhora fez de São Paulo para Brasília para participar, enfim, para estar aqui presente, que foi custeada pelo Governo Federal, com pagamento das passagens, inclusive aqui passagens entre... Passagens: duas de 1.119,35, outra de 1.202,35 e teve diárias de R$665, num total de R$3.057. Nessa sua vinda custeada pelo Governo Federal, a senhora veio para cumprir qual agenda?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi dentro do Ministério da Saúde, portanto não é um governo paralelo. Eu fui convidada como cientista para fazer o vídeo de uma aula, que foi gravada, em relação à imunologia dos pacientes com Covid. Inclusive, eu fiz uma devolução de R$224 por causa de uma diária que eu não utilizei, porque eu fui com antecedência para São Paulo. Então, foi dentro de um convite do Ministério da Saúde.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Doutora, tem um tuíte seu, que a senhora faz acerca da receita da cloroquina. A senhora coloca, inclusive, de forma muito detalhada no seu Twitter...
Vou tentar aqui pegar o tuíte onde a senhora faz uma colocação detalhada da receita, ou seja, da orientação técnica acerca da cloroquina.
Dias depois... Não... Na verdade, dias depois, nós tivemos a condenação, digamos assim, e a suspensão, por exemplo, da venda da hidroxicloroquina, a não ser que fosse mediante receita médica apresentada. A senhora falou agora há pouco acerca da imunidade de rebanho – naquele momento era, agora não orienta mais. Acerca dessa orientação também, dessa receita que a senhora coloca na internet, na rede social: a senhora se arrepende de ter feito isso?
13:04
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu coloquei a receita que já existia nos sites do ministério com relação à hidroxicloroquina, as doses que eles estavam utilizando. E, na realidade, a hidroxicloroquina já tinha sido condicionada à venda por prescrição médica desde o início da pandemia. Então, anterior a isso, já sempre havia uma prescrição médica, e foi a Anvisa que fez a exigência de que a hidroxicloroquina fosse colocada sempre com receita médica, o que eu, inclusive, caracterizei como importante, porque eu acho que havia a necessidade tanto do consentimento informado, para que pudessem ser utilizados naquela fase.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Então, a senhora não se arrepende do Twitter?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele foi colocado de acordo com as regras que já existiam.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Dra. Nise, a gente percebe que a senhora tem uma certa relação com o Presidente na orientação, enfim, e aqui nós temos, por exemplo, uma matéria do Estadão – eu peço só que a minha assessoria me dê aqui essa publicação – onde tem um gasto da ordem de R$18,4 milhões de gastos de passagens do Presidente da República nesse período de pandemia.
A senhora em algum momento, por exemplo, orientou o Presidente nessas viagens a visitar, pelo menos, um hospital no Brasil?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Não é meu papel. Não é meu papel fazer esse tipo de aconselhamento.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Dra. Nise, a senhora é a favor do tratamento precoce de um medicamento que não tem comprovação científica da sua eficácia; a senhora fez a defesa, por exemplo, da imunidade do rebanho; a senhora diz que a vacina não pode ser colocada de forma aleatória, ou seja, a senhora defende exatamente o que o Presidente da República defende.
A senhora se considera uma pessoa influente no Governo do Presidente Bolsonaro?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Olha, eu não fiz essas colocações por causa do Presidente; eu fiz essas colocações baseadas no conhecimento que a gente tem em cada época e de conhecimento que existe em cada momento da ciência. Então, eu não tenho esse grau de influência, exceto pelas minhas colocações, que são públicas, acadêmicas e baseadas em dados científicos.
Então, a senhora anunciou que eu faço indicação de um tratamento que não tem comprovação científica. Eu estou aqui, desde o início da minha palestra, eu comecei a minha fala dizendo que existem evidências científicas, sim. Então, essa é uma questão importante no meu entender. Já que existem evidências científicas, a gente precisa poder estar disponibilizando esse conhecimento através de reuniões, através de ciência, através de congressos, através de discussões, e elas são totalmente publicadas.
Agora, eu não sou favorável a todas as questões de acordo com o que o Presidente vai fazendo. Cada um vai tomando as suas decisões de acordo com o seu próprio julgamento.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Para finalizar, Dra. Nise, a senhora falou que participou, inclusive, do Governo do ex-Presidente Lula na equipe técnica do SUS, não é? Hoje, qual é a avaliação que a senhora faz do atual Governo, comparativamente com o Governo que a senhora integrou, com a sua fala anterior, acerca das ações do atual Ministério da Saúde, do enfrentamento da pandemia, dos protocolos que foram apresentados, das orientações? De forma geral, a senhora considera que o Governo brasileiro, que o Ministério da Saúde agiu e tem agido corretamente no enfrentamento da pandemia no Brasil?
13:08
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sra. Senadora, não estou aqui para analisar como o Ministério está se comportando durante essa pandemia. Eu estou aqui para dizer que cientificamente nós estamos precisando abraçar determinadas áreas. Quando trabalhei no Ministério da Saúde, nós tínhamos uma coisa muito importante, que era a saúde básica, Saúde da Família. Eu acho que a Saúde da Família precisa de mais verbas, ela precisa, inclusive, ser mais utilizada, porque é exatamente na rede básica que a gente pode fazer o tratamento imediato. Então, essa é a minha função.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Muito obrigada, Presidente.
Eu queria só falar aqui ao senhor que é fundamental, Presidente, que a Dra. Nise volte a este Plenário na condição ou de testemunha ou de investigada, para o êxito e para o bom sucesso dos trabalhos da Comissão. E só para registrar aqui o nome do jornalista que fez a matéria, que fez levantamento aí do volume de 18,4 milhões, foi o jornalista Guilherme Amado.
Muito obrigada, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Obrigado, Senadora Eliziane. (Pausa.)
Obrigado, Senadora Eliziane.
Então, o Senador Humberto Costa é o próximo inscrito.
V. Exa. tem 15 minutos, com a tolerância desta Presidência. A depoente está à sua disposição.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Para interpelar.) – Bem, antes de começar a minha arguição, eu queria dar duas informações. Uma importante: a Organização Mundial de Saúde hoje aprovou a utilização da vacina CoronaVac. Ela deve passar a ser parte do Covax Facility, e isso lhe dá uma credibilidade importante.
Segunda: eu quero – sem querer ser indelicado, Dra. Nise – atender aqui a um pedido do Ministro Temporão, que informa que V. Sa., de fato, participou do Governo, mas participava como representante do Ministério da Saúde em São Paulo, não participou de nenhum grupo que lidou com a epidemia da H1N1. Foi o que ele pediu que fosse aqui informado.
A terceira questão é que eu vejo que V. Sa. tem posições, assim, muito claras, e a minha expectativa era que V. Sa. seria a primeira pessoa que iria chegar aqui para dizer, de fato, o que é que pensa. Porque os outros que vieram aqui... É sempre assim: quem foi que mandou fazer a cloroquina? "Não sei, eu não sei." O senhor defende imunidade de rebanho? "Não, não, eu não defendo..." Eu pensei que a senhora, pelas coisas que já falou na imprensa, na mídia, a senhora iria chegar aqui e ser muito assertiva.
Eu acho que nós vamos ter que esperar para ver se o Deputado Osmar Terra vem aqui... Eu acho que era o ministro desse gabinete paralelo, viu? Acho que o ministro desse gabinete paralelo era o Deputado Osmar Terra. Eu espero que ele venha aqui e diga tudo o que ele já disse sobre imunidade de rebanho, sobre o que é a pandemia da Covid-19.
Mas, veja, a senhora foi contra o isolamento social; falou, inclusive, se eu entendi bem, que ele provocaria problemas psicológicos talvez até mais graves do que o próprio risco de adquirir o vírus. A senhora defendeu a imunidade de rebanho por transmissão do vírus. A senhora sustenta o uso de medicamentos sem eficácia comprovada. A senhora é cética com as vacinas contra a Covid-19 – foi mostrado ali, não adianta a senhora dizer que não – e afirmou que não era possível vacinar idosos e pessoas com baixa imunidade, que são, na verdade, o público-alvo principal do plano de vacinação.
13:12
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A senhora trouxe aqui uma informação importante, que teve uma reunião com o Sr. Arthur Weintraub, 24 de agosto. É importante, Relator, investigar adequadamente, porque essas reuniões de que nós temos registros aqui não tiveram a participação só dessas pessoas. Os assessores, como esse Sr. Arthur Weintraub, provavelmente aqueles outros que a gente de vez em quando ouve aqui e a turma do "gabinete do ódio" devem ter sido participantes também dessas reuniões desse gabinete paralelo.
Eu não vou repetir as perguntas que foram feitas, mas eu quero fazer algumas perguntas. Agora, eu queria pedir à senhora que me respondesse sucintamente, "sim" ou "não".
Primeiro, Dra. Nise, ao longo da pandemia, a comunidade científica internacional descartou a estratégia de uso da cloroquina depois de várias pesquisas que falharam em demonstrar a eficácia desses medicamentos e em prevenir a Covid-19 ou mesmo em atenuar os sintomas da doença. Ainda assim, a senhora continua defendendo o tratamento precoce à base de cloroquina? Sim ou não?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor. Fora do microfone.) – Sim.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – A senhora sabe quem é esse cidadão aqui? Toda semana ele é citado aqui. É um cientista francês chamado Didier Raoult. Toda semana é falado desse cidadão aqui. Esse cidadão foi um dos primeiros a fazer uma pesquisa com cloroquina com 48 pessoas. Disse que tinha dado um resultado, foi processado pelo colégio médico da França e depois revelou que, de fato, o tratamento não traz vantagens em relação às mortes por Covid-19. E outras afirmações que ele fez também. Então, não são apenas a OMS e outras instituições que fizeram investigações. Até os que defendiam essa tese mudaram de opinião.
A senhora fez parte do chamado gabinete de crise, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu participei de uma reunião do gabinete de crise.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Não, mas o que foi dito é que a senhora foi convidada a fazer parte do gabinete de crise.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu participei de uma reunião.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Eu pergunto, eu entendo que gabinete de crise é para discutir a crise, o que estava acontecendo, todas as saídas. Nesse gabinete de crise falaram do número de pessoas mortas? Do número de pessoas infectadas? Alguém deu esse informe naquele momento? "No dia de hoje tem tantas mil pessoas que morreram e tal..." Foi dada essa informação lá? Sim ou não?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nessa reunião de que participei, não.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Não. Falaram nessa reunião sobre necessidade de isolamento social, lockdown?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não foi discutido isso.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Falaram sobre utilização de máscara?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não foi discutido. Na minha reunião, não.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Falaram sobre aquisição de vacina?
13:16
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não existia essa prerrogativa nessa época. Foi em abril de 2020. Então, não se falava ainda na aquisição de vacinas.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Eu não sei que gabinete de crise era esse de Bolsonaro, não, porque tudo que se tinha que falar e discutir como medida não se falava. Esse gabinete era o gabinete, na verdade, da cloroquina! Enquanto o Brasil estava discutindo todas essas medidas a que eu estava me referindo aqui agora, o Presidente da República, na verdade, não era aconselhado sobre coisas que eram tão importantes, tão evidentes. Isso reforça, inclusive, o aspecto de que havia um paralelismo entre essas reuniões, entre esse agrupamento, entre esse gabinete de crise, não é?
Lá se discutiu alguma vez esta tese da imunidade de rebanho?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O senhor me desculpa! Eu participei de uma reunião. E quando... A única coisa que eu soube é que estava com um problema com os EPIs. Então eles estavam com bastante problema para a importação de insumos de UTIs. Foi isso que o Dr. Mandetta, nessa reunião, falou. Então, assim, eu só participei dessa reunião. Então, eu não tenho como colocar para o senhor tudo que foi discutido nos gabinetes de crise.
Eu só queria reiterar uma coisa, Senador, se o senhor me permite.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Hã, hã!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu tenho aqui uma declaração do Dr. Temporão, que é meu amigo, uma pessoa querida. Mas eu trabalhei entre 2007 e 2010. Então, durante esse período, eu ia a São Paulo. Trabalhei, sim, com relação a toda a representação do gabinete no Estado de São Paulo, numa época bastante grave, que foi a da H1N1. Inclusive, quando houve o início da pandemia, eu estive com o Secretário de Saúde, procurando o Secretário de Saúde, lá no Estado de São Paulo, o Dr. Henrique Germann, exatamente falando a ele que poderia conversar também se fosse necessário.
E, aqui, nessa discussão, eu estava... Como representante do gabinete em São Paulo, eu trabalhei junto à comunidade científica das universidades do Estado, contribuindo com a interlocução com o Ministério da Saúde em Programas de Educação Continuada.
Então, isso...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Sim, mas o...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Realmente, eu estive trabalhando durante esse período e chamei até... Fiz a ligação, na ocasião, para o Dr. David Uip, que veio ajudar a gente, eu estando, talvez, na secretaria desse grupo no ministério.
Então, é somente para caracterizar, para a gente deixar bem clara a situação.
E há outra coisa com relação a essas reuniões: eu não participei de nenhuma outra reunião. Eu só fui convidada para essa reunião do gabinete de crise, que eu chamo de gabinete de crise, porque eu confesso que não sei se é o nome exato, porque era uma reunião interministerial, presidida pelo presidente... Pelo Braga Netto, com a presença do Ministro da Saúde e com a presença do outro, do Presidente da Anvisa, o Dr. Barra.
E, além disso, estive participando, realmente, dessa interlocução com a sociedade como um todo, esclarecendo a sociedade como um todo.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Entendi. Eu não sou advogado do...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, não tenho nenhuma...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – ... do ex-Ministro Temporão. Apenas transmiti o que ele disse.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... interferência com relação...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Ele reconheceu que a senhora trabalhou lá...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, exatamente!
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – ... no escritório de São Paulo, mas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foram quatro anos. Eu tenho aqui...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – ... disse que a senhora não fazia parte do comitê...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, mas eu fiz sim.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – ... de crise da H1N1.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A crise era de todos. Nós trabalhamos todos juntos.
13:20
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O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Mas veja, na Câmara... Eu queria ouvir. Na Câmara dos Deputados, V. Sa. disse o seguinte: "Nós estamos discutindo a validade das vacinas, porque elas não têm segurança imediata, de médio e longo prazos, totalmente definida, e elas não têm eficácia. Além da eficácia, temos que ver quais são as eficácias tardias, quanto tempo dura a imunidade que a pessoa possa adquirir. Se estão dizendo que a imunidade que a pessoa adquire com grandes quantidades de vírus pode não ser suficiente, que dirá com a vacina que eventualmente precisa ser aplicada em três ou quatro doses".
Pelo que eu entendi, V. Sa. estava dizendo que a imunidade que é obtida pelo fato de contrair a doença, contrair o vírus, é maior do que aquela conferida pela vacina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, isso está...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Em breves palavras, porque eu tenho tão pouco tempo, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Então, deixa eu só esclarecer: nessa reunião, eu disse que não devíamos... Era uma reunião prévia ainda a toda a submissão de documentos. Eu falei que nós precisávamos estudar as toxicidades tardias e a longo prazo, por isso que não dava ainda pra fazer um registro absoluto de todas as vacinas. E as vacinas precisariam ser submetidas à avaliação, inclusive algumas teriam que ter talvez mais do que duas injeções, talvez com tempo diferenciado. Foi essa a discussão que eu tive...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – O.k.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... com relação às vacinas.
Agora, somente com imunologista... Eu sou pró-vacina. Eu quero que as vacinas sejam eficazes e seguras. E estou acompanhando exatamente isso.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – O.k.
Olha, eu queria fazer uma pergunta à senhora. Na verdade, quando a senhora disse que, na Suécia, começaram com a tese da imunidade de rebanho, mas não deu certo porque não houve o tratamento, quer dizer, seria esse tratamento precoce. Quer dizer, os suecos desconheciam a existência da cloroquina. Talvez, se tivessem juntado as duas coisas, teria dado certo. Mas, tudo bem, vamos pegar aqui no Brasil.
No Brasil, do mês de março de 2020 ao mês de março de 2021, foram vendidos 52 milhões de comprimidos do chamado kit dos quatro medicamentos só em farmácias privadas – nós não estamos falando do SUS –, fora o SUS. Só hidroxicloroquina foram vendidos 32 milhões de comprimidos, 13 milhões de caixas. Quando a Folha de S.Paulo fez recentemente, pelo Datafolha, uma pesquisa, dia 11 e 12 de maio, as pessoas pesquisadas, 23% da população brasileira tomou algum dos medicamentos do kit de tratamento precoce da Covid-19.
Eu pergunto à senhora: se o Brasil fabricou tanto medicamento, vendeu tanto medicamento e tanta gente tomou esse medicamento, não era para o número de pessoas mortas, que são 463 mil quase, ser um número bem menor? Isso não é a maior confirmação de que a senhora e mais um grupo de pessoas cometeram uma gigantesca ilegalidade ao defender que as pessoas utilizassem um medicamento que não tinha...? Não é que não tem comprovação feita; é que tem comprovação que não serve para o atendimento da Covid-19. Transformaram em política pública a utilização de um medicamento que não tem reconhecimento por parte da Anvisa daquela indicação, que falam tanto aí, off-label.
Me responda, não era para o Brasil ser um dos que tivesse menos gente morta...
13:24
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ministro...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – ... por conta da utilização de tanta cloroquina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom, Min... Senador Humberto Costa – Exmo. Senador Humberto Costa –, eu entendo o seu posicionamento, só que nós não temos o número de curados que se beneficiaram desse tratamento e, inclusive, de todos os que morreram, quantos não fizeram o tratamento precocemente. Então, assim, esse dado acaba não sendo possível de se avaliar, porque falava-se em milhões de casos de mortos até abril, maio, junho do ano passado. Isso foi um dado que a própria Oxford, que a própria Sociedade Europeia fez.
Agora, nós temos tido a vantagem de termos muitos pacientes que se beneficiaram. Inclusive, eu mesma trato de pacientes pessoalmente, e não trato somente com cloroquina – quero deixar bem claro isso. Eu já tive mais de 450 casos tratados pela minha equipe. A gente utiliza tratamento personalizado de precisão, que é feito com uma diferença, de acordo com as necessidades do paciente, de acordo com as suas comorbidades etc. Então, a gente tem realmente uma eficácia comprovada, através da Henry Ford Foundation; a ivermectina tem vários grupos fazendo trabalhos...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Pois bem...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, eu só queria deixar bem claro que existem...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – Só que a Organização Mundial da Saúde, a FDA americana se colocaram claramente contra esse tipo de tratamento. E o Brasil, que tem apenas 2,7% da população mundial, tem 13% das mortes por Covid.
Eu vou concluir, Sr. Presidente, dizendo que, diferentemente do que muita gente aqui achou, eu acho que foi muito produtiva a vinda da Dra. Yamaguchi. Para mim fica muito evidente que ela sempre foi uma voz importante para a construção dessa concepção profundamente equivocada que o Presidente da República tem e que conduziu o Brasil a essa tragédia sanitária, econômica, política e social.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Obrigado, Senador Humberto.
Próximo, Senador Eduardo Girão.
V. Exa. tem 15 minutos, com a tolerância desta Presidência. A Dra. Nise está à sua disposição.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE. Para interpelar.) – Muitíssimo obrigado, Presidente Randolfe Rodrigues, demais colegas aqui presentes.
Seja muito bem-vinda, Dra. Nise Yamaguchi. Eu a queria cumprimentá-la pela postura. Muitas vezes, um ambiente hostil, a senhora sendo constrangida, mas sem elevar um milímetro a voz. A força da verdade não permite que a gente precise elevar a voz, porque ela é muito forte.
Assim como a Dra. Mayra Pinheiro trouxe para cá vários estudos – foi até um carrinho que ela trouxe, com estudos randomizados, duplo-cego, metanálise – sobre a questão do tratamento precoce, a senhora também trouxe, mas eu não sei se a Comissão... Pelo que eu entendi, a Comissão não vai nem receber, porque eu acho que não interessa esse debate. Inclusive, uma sessão de oitiva amanhã, audiência pública, trazendo cientistas e médicos renomados contra e cientistas e médicos renomados a favor do tratamento precoce, para a gente ouvir, poder tirar um pouco a conclusão, foi, de forma estranha, simplesmente cancelada, não é?
13:28
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Então, a busca pela verdade fica prejudicada, e o Dr. Francisco Cardoso, o Dr. Paulo Porto também, estão a postos pra serem ouvidos. Se, eventualmente, os outros não quiseram comparecer, quem perde com isso é a população, que quer saber a verdade sobre isso.
Eu queria também fazer aqui rapidamente uma simples correção numa fala que foi feita aqui pelo nosso Presidente, há pouco, dizendo que o ministro, o Primeiro-Ministro inglês só decretou o lockdown depois de ter ficado doente, de ter sido infectado pelo coronavírus, e a cronologia não bate. O lockdown foi decretado no dia 23 de março, e ele, no dia 27 de março, foi infectado, testou positivo para o coronavírus. Então, é bom que a gente possa, de alguma forma, restabelecer aí os fatos verdadeiros.
Dra. Nise, eu queria começar com uma pergunta para a senhora. Em entrevista, há cerca de um ano, para o Jornal da Gazeta, a senhora disse que os ministros estavam preocupados em enfrentar a crise, e não em sair da crise. O que a senhora quis dizer com isso?
Eu aproveito e já emendo uma pergunta: a senhora disse que não foi convidada para ser, embora tenha ido várias vezes ao Planalto, aqui, vindo a Brasília, não foi convidada para ser Ministra. Se a senhora tivesse sido convidada e aceitado essa missão, o que a senhora faria diferente dos ministros até agora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Veja, Sr. Senador, eu queria agradecer aí a sua pergunta. Na realidade, talvez eu não tenha sido convidada para ser Ministra porque, no primeiro momento em que eu cheguei ao ministério, que eu cheguei para a reunião com o Presidente, eu deixei bem claro que eu tenho uma clínica muito extensa, eu tenho mais de 15 mil pacientes que dependem de mim. Então, eu estar fazendo essas atividades que me roubam o tempo dos meus pacientes, além das minhas pesquisas... A gente descobriu agora uma IgA secretora de leite materno... Eu estive aqui... Até algumas das reuniões, Sr. Relator, em que eu estive aqui em Brasília, foram no hospital infantil para fazer técnicas de tratamentos com células tronco, nós estávamos discutindo essa questão. Então, eu deixei bem claro que eu teria dificuldades de fazer qualquer coisa que não fosse a minha atividade mãe.
Quando eu coloquei que o enfrentamento estava precisando desfocar somente daquela que era a emergência, apesar de eu estar contribuindo várias vezes com essa com essa necessidade... Nós estivemos preocupados realmente ali, em São Paulo, com a falta de leitos e faltas de locais, eu estive na Prefeitura de São Paulo conversando com o Secretário de Saúde, o Edson, e a subsecretária, a pedido do Eduardo Jorge e outras pessoas, porque eu estava preocupada com isso também... Então, assim, eu traria uma visão mais educacional em relação aos médicos e atendimentos, em ambulatórios e, realmente, numa fase mais preliminar.
13:32
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Eu continuo achando – desculpem, eu sou insistente neste ponto, mas eu continuo achando – que é um ponto importante você poder tratar... Eu trato de pacientes com câncer, e pacientes com câncer você não deixa evoluir para tratar depois porque as toxicidades são maiores.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Perfeito, perfeito.
A senhora considera, como eu e tenho certeza que todos aqui também, que os médicos e estudiosos, como a senhora, e os profissionais de saúde que arriscam diariamente as suas vidas, que se privam da convivência com seus familiares e têm trabalhado até a exaustão deveriam ser considerados verdadeiros heróis e que eles merecem o maior respeito da população, especialmente de nós, Senadores da República?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com certeza.
Eu acho que todos esses médicos que estão nas UTIs, nos hospitais, nos prontos-socorros são maravilhosos, respondendo à Senadora, são pessoas que se dedicam e se expõem diariamente a toda essa questão e, principalmente, lutam pelo bem-estar da população.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Algumas pessoas argumentam que, utilizando ou não o tratamento precoce, somente 15% terão consequências graves.
Qual a sua opinião sobre estes mais de 14 mil médicos hoje no Brasil e outros tantos no exterior que mesmo sendo perseguidos e censurados por muitos afirmam que têm obtido milhares de excelentes resultados, muito acima do prognóstico normal da doença, ou seja, acima dos 15%?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Porque, veja, quando o paciente é tratado precocemente – como eu tive 340 pacientes que eu tratei precocemente, e um paciente somente que teve uma evolução fatal, porque ele já tinha um problema sério de idade e de problemas de comorbidade –, então a gente sabe que isso faz a diferença.
A gente fala que só 15% vão evoluir para situações graves: é muito! Gente, por que a gente vai esperar que as pessoas evoluam para situações graves? Cada vida conta muito.
Então, eu estou aqui lutando, até, assim, de uma forma estoica para conscientizar cientificamente, porque cada vida conta e muito.
A gente não pode dizer tanto faz, não é?
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Perfeito.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Já que é uma coisa muito séria isso.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – A senhora tratou 300 pessoas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, foram 500 pessoas com a minha equipe...
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Quinhentas pessoas? E um morreu?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas 340 eram doenças precoces.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Precoces, certo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu tenho também pacientes em UTIs, pacientes internados, pacientes com doenças moderadas, etc.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Porque eu já ouvi de alguns desses médicos afirmarem que já trataram mais de mil pessoas e tiveram somente três óbitos.
Eu fiz várias...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que, assim, cada um tem a sua visão do assunto.
No meu caso, eu sou uma pessoa que trabalha bastante com câncer, essa é a minha área principal. Eu estou contribuindo com a área da Covid porque eu sou imunologista e porque eu vejo a necessidade de esclarecimento da população.
Agora, eu tenho, na maior parte do meu tempo, atendido os meus pacientes oncológicos, que são muitos e que precisam de mim o tempo todo.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Perfeito, perfeito.
Será que muita gente não está buscando a perigosíssima automedicação, tomando doses equivocadas sem os indispensáveis cuidados e exames médicos, justamente porque os Municípios não têm oferecido esses centros Covid de tratamento precoce ou impedido esses médicos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, eu acho que a gente precisa de todos.
A gente precisa educar os médicos, a gente precisa educar a população, é muito importante que a gente tenha tratamentos disponíveis e acessíveis, não é?
13:36
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O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Perfeito.
A senhora já falou aí de alguns países que adotam o tratamento precoce, citou alguns nomes.
Eu faço uma pergunta inversa agora: que nações proíbem a autonomia do médico e do paciente, especialmente em tempos de pandemia e falta de tratamentos, leitos de UTI e, sobretudo, de vacinas?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Em nenhum país do mundo, que eu saiba, há a proibição da autonomia do médico e da soberania do médico...
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – A senhora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ...com relação a isso.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Perfeito.
A senhora, como médica, tem defendido que o melhor entendimento da Covid-19 pelos médicos levou a uma redução de casos graves e da mortalidade relacionada à infecção em relação ao início da pandemia devido à introdução de tratamentos adequados pela classe médica para cada fase da infecção e da adoção do tratamento a partir dos primeiros sintomas. A senhora poderia nos explicar, de forma bem didática, conceitualmente e na prática, como o tratamento precoce pode trazer benefícios no combate à Covid?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O tratamento precoce age principalmente na fase de proliferação viral. Ele faz uma ligação uma ligação com o receptor ACE2 e com outro receptor que é dependente de uma conexão com o vírus para que ele entre na célula e se multiplique. Então, é exatamente nessa fase inicial, nos primeiros dias, que a gente deve iniciar o tratamento.
E os estudos, infelizmente, Senador Humberto, em que houve a apresentação são estudos que falam de doenças moderadas e graves. O estudo precoce do Brasil vai ser apresentado em dezembro – que é randomizado, prospectivo e duplo-cego, que é o braço 5 do Coalizão – e também só utiliza hidroxicloroquina, não utiliza o conjunto de medicações.
Então, somente esclarecendo, eu sou a favor do distanciamento social, do uso de máscara, das vacinas que possam ser eficientes e mensuráveis com relação aos seus efeitos colaterais e sou a favor também do tratamento precoce. São todos juntos. Nós estamos frente a uma cepa nova, e a gente não pode abrir mão, inclusive, Senador Renan, das medicações que são úteis em cada fase. Então, não dá para tratar tudo do mesmo jeito. A gente tem que individualizar o tratamento.
Essa é a minha posição.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Uma ação não anula a outra, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não anula a outra.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Vacina, uso de máscara, distanciamento físico, tratamento precoce.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Uma ação não anula a outra.
Uma posição, Dra. Nise, do Conitec, há mais tempo, poderia ter evitado controvérsias em torno do tratamento precoce?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A minha impressão é que o Conitec não foi acessado para a discussão de tratamentos precoces porque estava muito atento à questão dos testes, à questão dos EPIs, à questão dos respiradores. Eles estavam todos trabalhando, dentro da Secretaria de Ciência e Tecnologia, com esses outros problemas, que eram demandas enormes, imediatas e emergenciais.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Perfeito.
A senhora acredita que a politização... E aí eu faço uma crítica pública ao Presidente da República, porque eu acho que não é papel de líder mostrar medicamento. Isso é um papel da ciência, de cientistas, que estão divididos sobre o tratamento precoce, é fato. Mas isso pode ter gerado uma politização?
Eu acho que gerou. Eu acho que se ele disser hoje que água faz bem, daqui a pouco vai ter um monte de gente dizendo que água já não se deve mais tomar.
13:40
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Eu pergunto uma coisa pra senhora: a senhora acredita que essa politização de medidas e tratamento de combate à pandemia contribuíram para a rejeição a medicamentos de baixo custo que já vêm sendo usados há muitos anos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Veja, eu acho que a política é sempre necessária e é por isso que esta Casa existe. Então, o que a gente deve ter é a política adequada, onde os pares possam discutir, em que não exista autocracia em termos de definição, e por isso mesmo eu seria totalmente contrária a uma bula autocrática. Eu sou absolutamente a favor da conversa e do debate. Então, eu acredito que existem níveis de politização que são necessários pra disponibilização, e isso vai mudar, certamente, esse tipo de discussão política correta. O que não pode é demonizar quem prescreve e nem pegar os remédios e caçar os remédios nos lugares onde eles precisam ser utilizados. Então, é nesse sentido que eu acho que a gente precisa rever os conceitos e apoiar uma integração maior, para que a gente possa utilizar todos os tratamentos.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Tá, mais uma pergunta bem objetiva pra senhora: o gesto do Presidente, mostrando o medicamento, a senhora não acha que pode, por melhor que sejam as intenções dele...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não estou aqui pra falar de gesto nenhum e nem de julgar. Eu estou aqui pra falar da parte científica. Desculpe.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Não, tudo bem, mas eu acredito que isso, de alguma forma, turvou um pouco e politizou esse...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A politização do vírus é negativa, sem dúvida.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – A politização é negativa, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Dos dois lados, não é?
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – No estudo realizado no Amazonas sobre o uso da cloroquina, o que deu errado, levando à morte de alguns pacientes ali naquele caso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Veja, esse estudo foi citado inclusive no documento da Sociedade Brasileira de Infectologia como um dos motivos pelos quais os efeitos cardiológicos são problemáticos com relação à cloroquina, porque foi usada uma dose muito alta, com 600mg de cloroquina base, duas vezes por dia, por dez dias, que é uma dose, realmente, considerada extremamente tóxica. Isso acabou dando margem também, na mesma ocasião em que foi publicado, para alterações em vários centros mundiais, que acabaram levando essa toxicidade como sendo algo verdadeiro da medicação hidroxicloroquina em baixas doses. O New York Times, inclusive, confundiu, falando que o estudo do Amazonas de hidroxicloroquina tinha matado gente, e não era verdade: era cloroquina numa dose alta. Então, deu margem a essa confusão mundial e acabou sendo citado aqui, inclusive no material oferecido à Procuradoria da República, como sendo um dos motivos pelos quais não se deveria usar a cloroquina. Então, a gente acredita que tem evidências científicas bastante robustas de que é uma droga segura e eficiente, usada há mais de 70 anos – a cloroquina, a hidroxicloroquina, um pouco menos –, mas considerados pela Organização Mundial de Saúde como remédios essenciais.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – E aquela questão da nebulização da cloroquina, de que saiu até matéria na imprensa, mostrando que foi administrada por uma médica e a pessoa veio a óbito? Essa questão da nebulização, o que a senhora pensa sobre isso?
13:44
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Até conversamos com o Senador Omar Aziz, que estava preocupado com isso, e ele não soube me explicar se essa pessoa que veio a óbito foi por causa dessa medicação ou se tinha outras concomitâncias. Eu também não tive acesso aos dados técnicos e científicos dessa pessoa. Esses dados de utilização off-label de medicação ou da própria medicação estão sendo discutidos exatamente em vários fóruns de pesquisa. Então, está sendo feita uma pesquisa dessa área. E eu acredito que nós vamos ter melhores respostas no futuro.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – O.k. Eu estou satisfeito, Presidente Randolfe Rodrigues.
Muito obrigado, Dra. Nise.
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Muitíssimo obrigado, Senador Eduardo Girão.
Próximo, Senador Marcos Rogério. V. Exa. tem 15 minutos, com a tolerância desta Presidência. A Dra. Nise está à sua disposição.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO. Para interpelar.) – Muito obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores. Cumprimento a Dra. Nise Yamaguchi, que comparece a esta Comissão para melhorar a nossa compreensão acerca desse desafio.
Inicialmente, eu quero cumprimentá-la pela robustez de seu currículo. V. Sa. não é uma especialista de gabinete ou de meras literaturas. Está aqui o currículo apresentado. São 40 anos de vida acadêmica, com especializações em diversas áreas que não vou aqui nominar, assim como não vou nominar todos os estudos científicos, artigos científicos publicados no Brasil e em diversos outros países, inclusive as premiações que a senhora já recebeu. Também não farei referências aos livros e capítulos de livros publicados, porque a lista é considerável. Quero fazer referência apenas a um dos muitos títulos que a senhora tem, que é o Doutorado em Pneumologia, realizado entre 1998 e 2002, ou seja, a senhora tem quase 20 anos atuando como Doutora em Pneumologia.
E o que é Pneumologia? É justamente a especialidade médica que se dedica ao estudo das doenças das vias respiratórias, incluindo traqueia, brônquios, pulmões e estruturas correlatas. Ou seja, a senhora é doutora justamente na principal área relacionada ao tratamento da Covid-19, que, como sabemos, é uma síndrome respiratória causada pelo SARS-CoV-2.
Portanto, quero manifestar minha gratidão a V. Sa. como brasileira notável que é, por estar dedicando boa parte do seu tempo para estudar e tratar pacientes com Covid-19, contribuindo com o País para esse enfrentamento.
Tenha certeza de que o Brasil, especialmente os pacientes de Covid-19 e seus familiares, dentre os quais me incluo, são gratos à senhora e a milhares de outros profissionais de saúde que prestam serviços nessa área e que são merecedores de nosso profundo respeito e consideração. Suas especializações, e especialmente o Doutorado em Pneumologia, nos dão uma sensação de segurança. Não estamos diante de palpiteiras sem formação na área, nem mesmo diante de uma profissional médica de especialidade alheia ao tratamento específico.
13:48
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Todas as especialidades são importantes, mas, em tempos de ciência tão avançada e tão defendida aqui nesta CPI, precisamos saber o lugar de cada uma delas. Ninguém que tenha um problema pulmonar ou vascular grave vai procurar tratamento com ginecologista ou ortopedista; assim como quem tem um problema cardíaco não procura um psiquiatra, e assim por diante.
Cumprimento, portanto, V. Sa. por ser uma profissional preparada e espero que vossa passagem, aqui nesta CPI, não sirva para deixar quaisquer dúvidas sobre seu histórico e capacidade. Aliás, para evitar isso, quero começar dizendo que fiz questão de solicitar à minha assessoria que recuperasse o vídeo com a íntegra de vossa fala em audiência na Câmara dos Deputados, porque recortes de falas, todos sabemos, não servem para formar convicção ou juízo de valor, assim como não se dão respostas técnicas com um mero sim ou não.
Embora tenha sido dito aqui, de forma distorcida, que V. Sa. se posicionou contrária à vacina, dizendo que as pessoas poderiam se vacinar aleatoriamente, constatei no vídeo que a fala é justamente em sentido contrário. Para quem quiser conferir a íntegra, trata-se de vídeo de reunião ocorrida no dia 28 de outubro de 2020, quando se discutiam os processos de testagem das vacinas. E a senhora disse na ocasião que estava defendendo a necessidade de não se fazer vacinação aleatória, sem a realização dos testes necessários. Uma das expressões da senhora na ocasião foi que, abro aspas, "precisamos trabalhar um programa nacional de vacinação", fecho aspas, mas disse também que era preciso seguir os protocolos internacionais de aprovação das vacinas.
Outro dado importante e que não é apenas a senhora que diz, mas é praticamente unanimidade: não podemos passar à população a impressão de que as vacinas resolvem todo o problema da pandemia, porque só serão conhecidos os resultados das vacinas algum tempo depois de serem aplicadas todas as doses necessárias. Será que alguém pensa ou defende alguma coisa diferente?
Por tudo isso, quero dizer que mantenho o meu respeito ao seu histórico profissional e aproveito para dizer às pessoas que nos acompanham que a senhora nada disse contra as vacinas. Pelo contrário, falou a favor, mas alertava sobre o risco de precipitações, de distribuição aleatória de vacinas sem seguir todos os protocolos científicos e obter a devida aprovação. Nisso V. Sa. estava defendendo o interesse nacional e, por isso, quero cumprimentá-la.
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Outras considerações que quero fazer sobre o tal gabinete paralelo. Veja, agradecer a V. Sa., porque não é de hoje que a senhora ajuda o País com o seu conhecimento técnico, inclusive nos Governos Fernando Henrique Cardoso e Lula. E não apenas no Executivo, mas especialmente também junto ao Legislativo e ao próprio Judiciário em algumas situações, como no envio de informações técnicas ao Supremo Tribunal Federal. Pena que somente agora isso seja considerado gabinete paralelo.
Sobre o tal decreto para a mudança de bula de remédio, incrível que tanto se falou aqui sobre isso e, quando chega cópia do documento, não se deu nenhum valor, porque, como já vinha afirmando há semanas, isso não passava de uma falácia. Além de não ter valor jurídico algum, a minuta fala tão somente de disponibilização dos medicamentos para uso conforme critério médico e autorização do paciente, como já acontece por todo o País, com Estados e Municípios que mantêm esse protocolo, como já trouxe documentos a esta Comissão.
Sobre a imunidade de rebanho, quero dizer que, embora a senhora não tenha tido condições de expor totalmente seus pensamentos, pelo exposto, pude compreender que V. Sa. jamais falou sobre exposição sistemática de pessoas ao vírus, mas sobre um fato em constatação, diante da grande quantidade de pessoas imunizadas em função do inevitável contato com o vírus. Não houve autoinfecção no Brasil. Sabemos que não foram poucas as pessoas que, mesmo adotando um rigoroso isolamento, terminaram sendo afetadas pela doença.
De qualquer sorte, sabemos que imunidade de rebanho é um conceito complexo, que não pode ser respondido com um mero "sim" ou "não". É uma pena que falemos tanto que valorizamos a ciência e, quando temos a oportunidade de ouvir exposições técnicas em profundidade, pedimos "sim" ou "não". Se realmente queremos discutir temas científicos, precisamos, antes de tudo, ter paciência para ouvir, ouvir exposições com todo conteúdo indispensável para a formação de juízo de convicção.
Feitas essas breves considerações, quero ouvi-la um pouco mais sobre o tratamento precoce, mas em uma perspectiva que considero que não tem sido abordada o suficiente.
Primeiro, o Brasil inteiro tem milhares, talvez milhões de depoimentos de pessoas que foram tratadas logo no início da doença e que tiveram boa recuperação, mas tem um dado extremamente preocupante. Tenho recebido diariamente muitos depoimentos de pessoas que passaram pela Covid-19, não buscaram tratamento logo no início dos sintomas e hoje experimentam gravíssimas consequências, sequelas as mais distintas, não somente relacionadas ao sistema respiratório; outros que são parentes de pessoas que também não receberam o tratamento precoce e, quando foram atendidas, já estavam em estado grave e não resistiram à doença. Essas não sobreviveram para contar a história, ainda que com sequelas da doença. Mesmo assim, ainda existem Estados e Municípios que mantêm orientações no mesmo sentido. Temos protocolos que recomendam aguardar oito, dez, doze e até quatorze dias com sintomas para que se procure um médico, procurar médicos somente com falta de ar.
13:56
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Trouxe aqui, semana passada, informações dos primeiros estudos que começam a surgir das consequências nefastas dessa política negacionista, suicida, que muitos praticaram e, até hoje, muitos ainda defendem. A pergunta que faço é a seguinte: a senhora tem conhecimento desses estudos? Pela sua vasta experiência, que nível de complicação e que resultados, em termos de sequelas e mortes, essa negação do tratamento precoce pode ter causado no Brasil?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Senador, eu agradeço as suas perguntas e a sua fala. Eu entendo que o momento é um momento de junção de esforços em todas as áreas. Agradeço a compreensão de que eu atuo sempre, tecnicamente, como consultora eventual de todos os setores científicos. E, certamente, a questão das estatísticas que os estudos têm demonstrado de benefícios do tratamento precoce, nos diversos estudos já aqui bem caracterizados, inclusive nas metanálises, faz com que, ao se utilizar esses medicamentos, a gente tenha uma diminuição significativa do número de mortos e do número de pacientes graves.
O que eu devo dizer com relação a isso é que os tratamentos que são feitos na fase inicial da doença, eles têm a chance de estar evitando que os pacientes sejam hospitalizados e que sejam colocados em UTI, e mesmo que tenham uma evolução bastante grave. Esse número que o senhor deseja, sabermos quantos pacientes estariam curados, nós podemos dizer que o Brasil é um dos países que mais tem curados do mundo, é um dos países que tem muitos níveis de curados. Quando a gente fala mais do mundo ou menos do mundo sempre chega alguém para dizer que não é bem assim. Então, vamos relativizar e dizer que nós temos muitos pacientes curados.
O que a gente tem nesse momento é uma discussão muito mais na tentativa de demonização de um tratamento. O senhor colocou muito bem que a imunidade de rebanho não é que eu tenha, em algum momento, dito que as pessoas não precisassem fazer o isolamento social. O isolamento social é necessário, o uso de máscara, o distanciamento social, mas existem fases em que isto é necessário: que haja um fechamento maior ou um fechamento menor, o que foi julgado, de acordo com a pandemia, pelas pessoas locais.
Então, em última análise, a questão da participação em todos os Governos é algo que é bastante comum, e o cientista está habituado a ser solicitado. Eu tenho que, depois, localizar as datas em que eu visitei, porque, como eu estou sempre aqui também atendendo a pacientes, também fazendo as partes de pesquisas, também estruturando as questões das novas estratégias nas áreas de câncer, eu não tenho todas as datas em que eu estive. Eu vou procurar depois e trazer para os senhores.
14:00
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O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – O.k.
Há uma flagrante estratégia política em torno da criminalização do uso da cloroquina, por ter sido mencionada pelo Presidente da República, enquanto há um silêncio absoluto em relação a dezenas de outros medicamentos, todos sem comprovação científica para tratamento da Covid-19 e que milhares de médicos do setor público e também do setor privado fazem uso todos os dias para a mesma finalidade.
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Senador Marcos Rogério, vou acrescentar dois minutos para que V. Exa. possa concluir. Por gentileza.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Agradeço a V. Exa.
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Já concluiu o tempo, dei mais dois minutos e estou concedendo mais dois minutos para a conclusão de V. Exa.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Eu lhe agradeço.
Muitos deles, aliás, com possibilidade de reações adversas muito mais graves que aquelas relacionadas à cloroquina.
E agora há uma outra estratégia, quer dizer que uns são a favor da cloroquina e que outros são a favor da vacina, o que é uma grande hipocrisia. Queria ver se ofereciam vacina para pacientes já com falta de ar. Pergunto: a senhora tem conhecimento dos demais medicamentos que costumam compor os protocolos de tratamento da Covid-19 nas áreas pública e privada? E que tipo de paralelo pode ser feito entre eles e a cloroquina, no que diz respeito a possíveis reações adversas? Essas duas perguntas e, deixando claro mais uma vez, eu defendo a autoridade do médico para administrar medicamento ao paciente. Não faço defesa de medicamento A ou medicamento B, defendo o ato médico.
Gostaria que V. Sa. fizesse essa correlação.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
Eu concordo totalmente que o tratamento precisa ser determinado pelo ato médico. É feito um cuidado especial com relação ao paciente que tem uma saúde dependente do setor público e outro do setor privado. Nós sabemos que o paciente do setor privado tem acesso a mais estratégias, ele vai lidar melhor com a UTI etc., e no público nós temos uma carência maior. Daí a necessidade de se estruturarem os tratamentos com relação aos pacientes públicos também. Eu acredito que nós tenhamos já dados científicos suficientes para ratificarmos, nas unidades básicas e ambulatoriais, tratamentos que sejam válidos para a população.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Sr. Presidente, quero agradecer a contribuição da Dra. Nise e apenas fazer um registro, dois registros. Um: a OMS publicou a autorização emergencial para a CoronaVac. E, segundo, em relação à questão dos efeitos adversos, nós temos, no protocolo Covid espalhado Brasil afora, é bom que as pessoas leiam – por isso que eu perguntei à Dra. Nise – os efeitos adversos em relação a todos os medicamentos, todos têm, incluindo alguns anticoncepcionais, o próprio Viagra tem efeito adverso, até o café que a gente toma tem também.
Agradeço as contribuições de V. Sa.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas nenhum desses remédios que V. Exa. citou é remédio que a pessoa obrigatoriamente ia tomar.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Não, eu tenho a lista completa dos medicamentos que são usados para Covid e todos têm.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Precisa informar à população, Presidente, que...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Uma coisa é uma coisa... A cloroquina, por exemplo, que é o quinino... V. Exa. é da região e a doutora sabe. O quinino deixa o cara verde depois de tomar. Não é a malária; a malária dá o efeito de febre e tudo mais. O que dá o efeito da cor esverdeada, com que a pessoa fica depois de tomar, é o quinino, que é um medicamento – não é respeitado pelo Presidente, que esteve em São Gabriel da Cachoeira – dos povos tradicionais do meu Estado. E eu falo com muita honra, com isso, que respeito muito os povos tradicionais, que, infelizmente, o líder maior da nossa Nação não respeita. E vai lá e faz uma brincadeira comigo, pedindo: "Olha, por que não convoca os índios aqui, que me deram chá disto, chá disso?". Tem um chá bom também lá que é o chá de chocalho, que o cara pode tomar, e, talvez, fique bom, mas não bom da Covid, bom do juízo.
14:04
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Eu tenho uma pergunta aqui, Senador Jorginho.
A senhora fez... A senhora tratou 400 pessoas. Na época, a senhora disse para mim que eram umas 300...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Presidente, não é a minha vez agora?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – É sim.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ah, é! Otto Alencar!
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Pois não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Depois eu faço a pergunta.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Pois não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Otto Alencar, por favor...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA. Para interpelar.) – Dra. Nise Yamaguchi, primeiro... A primeira pergunta que eu quero fazer para a senhora é se a senhora, para utilizar hidroxicloroquina em pacientes, fez exames pré-clínicos e clínicos. E, se fez, tem os nomes, os exames que foram confirmados, de que os doentes estavam com a doença? A senhora acompanhou e tem os exames depois do tratamento? Deixaram ou não sequelas? A senhora fez exames pré-clínicos e clínicos com hidroxicloroquina?
Por exemplo, a senhora usa Jakavi para um câncer até raro chamado mielofibrose? Se a senhora usou, a senhora fez e acompanhou exames pré-clínicos? Ou seja, para a oncologia, a senhora usa exames pré-clínicos e clínicos e, para o caso de Covid, não usa? Se a senhora usou e fez os exames pré-clínicos, eu quero conhecer todos os nomes, se a senhora fez os exames pré-clínicos in vitro ou em camundongos, e as quatro fases do exame clínico da hidroxicloroquina em pacientes.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – A hidroxicloroquina tem sido utilizada há mais de 80 anos sem necessidade de exames clínicos.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Para outras doenças, minha senhora!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu gostaria...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Para outras doenças!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu sempre peço...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não para a Covid-19! É usada para malária, para lúpus, para artrite reumatoide...
A senhora usa, por exemplo, o Jakavi para mielofribrose? A senhora testou? A senhora leu os exames pré-clínicos? Deve ter lido para usar! E a senhora é oncologista.
Agora, se vem me dizer que é uma droga usada há tanto tempo sem fazer exames pré-clínicos e clínicos, não é correto! A senhora está errada. A senhora apostou numa droga que podia dar certo ou não. Essa é a grande realidade. E a ciência, doutora, por mais que a senhora seja formada e tenha curso, não admite isso. Isso é apostar no escuro: querer testar uma droga para ver se dá certo ou dá errado.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Se a senhora me fornecer os dados todos dos pacientes de que a senhora falou há pouco – são trezentos e tantos pacientes –, com nome, com o diagnóstico de certeza de que estavam com Covid, com o tratamento, com as sequelas que ficaram, com os exames de laboratório...
14:08
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, os D-dímeros...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora tem o D-dímero dos exames que a senhora fez? Dos pacientes? Não tem.
Tem exame de tomografia do pulmão? Ou ressonância? Não tem. Fez para acompanhar? Ficou sequela? Ficou fibrose pulmonar?
Como é que a senhora, com a responsabilidade que tem, diz que tratou trezentos e setenta e tantos doentes, sem comprovar os doentes, sem mostrar os exames?
Doutora, eu fui professor tanto como a senhora. Eu tenho serviços de trabalhos prestados e feitos que eu posso levar à senhora doente por doente, endereço por endereço, que eu tratei. Isso é leviano, Doutora. Não dá para dizer, aleatoriamente, como a senhora falou – aleatoriamente – da vacina, que tratou e não tem a comprovação.
E vou rebater a senhora onde a senhora trabalhou: no Hospital Einstein, em que não trabalha mais; a senhora pode internar doente, mas o seu contrato foi cancelado. Vou lhe passar aqui o trabalho feito no Hospital Einstein por vários infectologistas – porque a senhora não é infectologista; é oncologista, imunologista – de vários pacientes tratados, acompanhados, onde está provado que não tem efeito absolutamente nenhum a hidroxicloroquina nem em pacientes leves ou moderados. Hospital Einstein, onde a senhora trabalhou. A senhora não tem mais contrato no Einstein. A senhora pode internar o doente, porque é um hospital que, para quem trabalhou lá, fica aberto. Se a senhora quiser internar um doente com câncer de oncologia, alguma coisa, pode internar e tratar. Então, aqui está o trabalho feito no Einstein, publicado em julho do ano passado – julho do ano passado. A senhora devia ter... A não ser que a senhora agora, que trabalhou no Einstein, pode dizer assim: "Olha, eu não trabalho mais lá e tal... Não concordo". Mas aqui está o trabalho. Posso passar às mãos da senhora, eu tenho cópia. Inclusive, estava em inglês; foi traduzido para o português. A senhora pode ler ou quem quiser ler, perfeitamente.
Então, a minha discussão com a senhora é a seguinte: a senhora, para usar qualquer medicação em oncologia, a senhora vai ler que essa medicação foi testada, teve exame pré-clínico e clínico. A senhora sabe que são quatro fases do exame pré-clínico em voluntários. As pessoas têm que ser voluntárias para usar a medicação. A senhora não pode pegar uma medicação que é usada para artrite reumatoide, para malária, para lúpus, de repente aplicar e dizer, "apliquei em trezentos e tantos pacientes e deu bom resultado", sem comprovar. Isso, do ponto de vista científico, não é honesto, Dra. Nise Yamaguchi. É uma coisa que eu poderia... Eu jamais faria isso. Na posição, no currículo de V. Sa., eu jamais faria isso, porque eu não tinha como comprovar essa situação.
Portanto, é fundamental que se façam os exames todos para comprovar como foi a evolução do paciente com a medicação; o que aconteceu do ponto de vista farmacológico, farmacodinâmico, farmacocinético; como a droga se desenvolveu dentro do organismo do paciente; e quais os efeitos da droga.
Bom, se o advogado vai ficar... Vai ficar ensinando... O senhor também é médico? Deve ter feito um cursinho rápido também para ajudar a doutora.
(Intervenção fora do microfone.)
14:12
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O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Então, o que eu quero saber da senhora é que a senhora me apresente o trabalho da senhora, com o endereço dos pacientes, para checar CPF, onde mora, onde não mora. Porque o trabalho aqui do Hospital Einstein é completo e conclui que não tem eficácia nem para casos leves nem para moderados – o hospital em que a senhora trabalhou e não trabalha mais; a senhora pode internar, mas o seu contrato foi cancelado lá no Hospital Einstein. Eu peguei, estava em inglês, traduzi para o português e posso lhe passar a hora em que a senhora quiser.
Mas esse é um caso que, na minha opinião, está claramente certo de que a hidroxicloroquina não funciona. Até porque a senhora deve saber, por exemplo, qual é a diferença entre um protozoário e um vírus. A senhora sabe qual é a diferença, doutora?
Dra. Nise, eu estou perguntando à senhora. A senhora sabe qual é a diferença entre um protozoário e um vírus? Pode dizer?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu vou responder todas as suas perguntas.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora sabe dizer o que é a diferença entre um protozoário e um vírus?
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Por favor, estou lhe perguntando.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Está na hora de eu lhe perguntar.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pela ordem o quê?
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Estou perguntando, senhora.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ele está perguntando à Dra. Nise, para ela lhe responder, se ela sabe...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Eu estou perguntando a ela.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... a diferença entre um protozoário...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sr. Senador...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... e um vírus. É isso.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, só estou perguntando: diga, do ponto de vista científico, o que é um protozoário e o que é um vírus. Qual é a composição de um e de outro, a senhora sabe?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Diga.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... vamos começar pela discussão que o senhor colocou.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não. Não, primeiro, a senhora vai me responder agora o que é um protozoário e um vírus, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente. Nós temos aqui uma...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Senhora, a senhora defina, do ponto de vista orgânico, do que é um protozoário e um vírus. Por favor! A senhora é médica formada. Se elogiou tanto o currículo da senhora... Me diga, por favor, o que é um protozoário e o que é um vírus; a diferença entre um e outro. Só isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Os protozoários são organismos celulares, e os vírus são organismos que têm um conteúdo de DNA ou RNA. No caso do Covid, nós temos...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, senhora. Não, senhora. Não, senhora, espere um pouco.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... é um caso...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, senhora. Não, senhora, tenha paciência.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, o senhor tem definições diferentes.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não é bem assim. Não é bem assim, não. Não é bem assim, não.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O que eu quero dizer para o senhor...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não é bem assim, não. Não é bem assim, não. A senhora não é infectologista, é... Se transformou de uma hora para outra, como muitos no Brasil se transformaram em infectologistas. E não é assim. Os protozoários são organismos mono ou unicelulares, e os vírus são organismos que têm uma proteção proteica, capsídeo, e internamente o ácido nucleico, completamente diferente do que a senhora falou aí. A senhora não soube explicar o que é um vírus. Vírus não são nem considerados seres vivos. Portanto, uma medicação para protozoário nunca cabe... Sempre, nunca cabe para vírus.
Por exemplo, doutora: quando surgiu o H1N1, a gripe H1N1, a ciência foi atrás de um medicamento antiprotozoário ou antiviral? Me diga, responda!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, foi um antiviral.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Antiviral. Pois bem, não foi antiprotozoário.
A ciência agora está buscando para o coronavírus... Aliás, a senhora sabe a que família, a que grupo pertence o Covid-19?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ao coronaviridae.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Hein?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele é um coronavírus.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Mas a que grupo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele pertence a...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora não sabe, infelizmente. A senhora não sabe nada de infectologia. Nem estudou, doutora! A senhora foi aleatória mesmo, superficial. O Covid-19 é da família dos betacoronavírus.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, é um coronavírus.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora não disse. A primeira manifestação, doutora... Me perdoe, eu não queria nem constranger a senhora, porque eu vi logo do começo que a senhora sabia oncologia e imunologia, mas não tinha nada de conhecimento de infectologia. Já vi logo do começo. Eu não queria nem falar isso. Estava na dúvida se eu vinha lhe questionar ou não, para não deixar a senhora, como se diz na gíria, em saia justa.
14:16
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu gostaria também de lhe responder.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora sabe quando foi que aconteceu a primeira manifestação do coronavírus no mundo? O primeiro caso no mundo, a senhora sabe a data?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sei.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – E que tipo de coronavírus foi?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Diga o número, diga; diga o ano. Pode pegar os livros aí, porque a senhora não tem na cabeça, certamente não leu, não estudou. E, doutora, de médico audiovisual, este Plenário está cansado; de alguém que ouviu, e viu, e não leu, e não se aprofundou, e não tem estudado. E eu falo com a senhora porque eu tenho, desde que começou essa doença, lido tudo sobre essa matéria. Tudo! E não preciso pegar e olhar aqui o que eu estou lendo e o que eu estou vendo, não. Não preciso ler para ver, não.
A senhora nem sabe quando começou a primeira manifestação do coronavírus no mundo e como foi essa manifestação. Então, a senhora não podia, de jeito nenhum, estar debatendo um assunto que não era do seu domínio. Isso não é honesto, doutora. A Medicina, a ciência querem honestidade, querem a verdade, integralidade, capacidade intelectual, científica para dissertar a respeito de uma doença tão grave como essa que muitos médicos infectologistas ainda não dominam. Então, eu quero dizer à senhora, a senhora não sabe quando foi o que aconteceu a primeira manifestação e como aconteceu. A senhora sabe a data?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Muito bem, o senhor tem perguntas e respostas.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Pode pegar o livro aí, pegue o livro e diga.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, deixa eu colocar algumas coisas. Esse estudo que o senhor colocou...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, a senhora tem que me responder quando foi que aconteceu a primeira manifestação.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu sei que o senhor gosta de datas.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora não tem.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Na realidade, isso...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora não conhece, a senhora não estava preparada para ser... Participar do gabinete paralelo quanto tantos de quantos participaram...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ainda bem, não é?
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Sobretudo curiosos, advogados e empresários, o Wizard, não sei quem lá, tanta gente aí, uma Arca de Noé tratando da ciência no Brasil, só que não tinha Noé na arca para conduzir a arca.
Pois é, vou ensinar a senhora. A primeira manifestação do coronavírus no mundo foi em 1964. Se manifestava como gripezinha, resfriado que as crianças tinham, e depois logo passava. Depois, com a mutação virótica – o vírus tem, certo, muitas mutações, já está agora na P1, pode ter uma outra que venha... Tem a mutação indiana. Depois disso, tem sete tipos de coronavírus que dão doença pulmonar, manifestação pulmonar, a pneumonia virótica...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Doutora, eu estou falando com a senhora, preste atenção, por favor. Tem sete tipos de grupos, alfa, beta. Tem... O primeiro SARS-CoV, doutora, que aconteceu foi na região da China, em Hong Kong. A senhora sabe em que ano foi que aconteceu isso? Não sabe, eu vou ensinar: 2003. A primeira manifestação do SARS-CoV foi em 2003, e eu estou falando com uma doutora, que deveria entender isso – infelizmente a senhora, como colocou naquela frase que o Renan botou ali, a senhora foi aleatória, simplória, não se aprofundou na matéria. A primeira manifestação do SARS-CoV foi em 2003, doutora, em Hong Kong, na China, e ele causou a síndrome respiratória, como causou e está causando aqui no Brasil, aguda. Não teve tratamento. Sabe qual foi o tratamento? Isolamento, máscara, isolamento físico para as pessoas. Ninguém usou, em 2003, em Hong Kong – pode pegar, entra na internet para a senhora aprender –, hidroxicloroquina, nenhum medicamento. Sabe por quê? Porque vírus não se evita com nenhum medicamento. Os vírus, quando causam a doença, para a pessoa não ter a doença, só pode ser através de vacina para dar imunidade à pessoa. O vírus penetra mesmo tomando medicamentos. Então, em 2003, teve a primeira crise aguda com pneumonia virótica em Hong Kong. Em 2013, na China também.
14:20
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Depois teve a segunda manifestação do MERS-CoV na Ásia menor, na Arábia Saudita, doutora, e as mulheres, inclusive, tinham menos doença porque usam a burca e não se contaminaram tanto. Foi a síndrome aguda respiratória do Oriente, também não se usou hidroxicloroquina. Foi isolamento físico, as pessoas ficavam isoladas e o que se conteve porque, apesar desse MERS-CoV ser grave e até levar mais, ser mais letal do que o atual, não se disseminava com tanta facilidade.
E agora veio o Cov-19, que além de ser letal, de ter grande letalidade, ele também se dissemina com muita facilidade.
E, em nenhum desses casos atrás, 2003, lá em Hong Kong, ou em 2013, se usou nenhuma medicação para conter as duas manifestações do coronavírus. Em nenhuma delas se usou, absolutamente, em nenhum momento.
A medicina está atrás agora – e vou explicar à senhora – de um antiviral, como se conseguiu o Tamiflu para controlar o coronavírus.
A senhora sabe qual é o laboratório que está cuidando disso no mundo hoje? Qual é o estudo mais avançado? Laboratório de Boston, que é o Molnupiravir, e um outro laboratório israelense, de Israel, que está usando o MesenCure, na busca de encontrar um antiviral, não um antiprotozoário.
Há uma diferença muito grande entre o vírus e o protozoário. Nem toda medicação que serve ao protozoário serve para o vírus, está certo?
Como é que a senhora poderia dizer, como disse ali, doutora, que iria ter imunidade de rebanho, a senhora iria comprovar imunidade de rebanho com que exame? Qual exame e quantos exames a senhora teria disponíveis neste País, que já tem 17 milhões de contaminados? A senhora iria ter 17 milhões de exames para comprovar que o paciente teve a doença? E eu pergunto à senhora: qual é o exame de escolha que se deve fazer para mostrar se o paciente desenvolveu imunidade ou não?
A senhora vai dizer qual exame... Só dizer, não precisa explicar.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Anticorpos neutralizantes, não é?
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Como?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Anticorpos neutralizantes, mas eu preciso responder às suas perguntas.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, não quero...
Primeiro a senhora tem que me responder: qual o exame de escolha para identificar se o paciente desenvolveu imunidade celular ou não? Porque a imunidade tem que ser celular. A senhora sabe que tem que ser celular, não é? O agressor chega, a célula está defendida e não entra.
Qual é o exame que se pode fazer para comprovar que o paciente que teve a doença desenvolveu a imunidade celular?
E se o Brasil tem condição para comprovar que teve imunidade de rebanho, capacidade de ter 18 ou 19 milhões de exames para isso?
Qual é o exame, doutora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não estou dizendo que a imunidade de rebanho é algo que a gente deva...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Eu estou perguntando...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... se caracterizar...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, a senhora...
Diga qual é o exame, por favor?
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E a imunidade de rebanho, a imunidade celular...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, doutora, me responda qual é o exame.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – .... são testes celulares para se avaliar se, por acaso, a pessoa já tem imunidade...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, não, não, não.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – .... e tem os seus anticorpos neutralizantes também.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não, não, não, não. A senhora vai dizer qual é o exame que prova que o doente está com imunidade ou não. A senhora vai ter que dizer, por favor.
Qual é o exame que, em se fazendo, comprova que o paciente tem imunidade celular ou não? Diga o nome. (Pausa.)
A senhora não sabe, doutora.
É o exame para identificar anticorpos neutralizantes, doutora!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas eu expliquei para o senhor.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora não sabia, doutora!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Neutralizantes.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora tinha que ser oncologista e imunologista, mas tinha que entrar em infectologia.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Agora, o senhor me dá licença?
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Por favor!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu preciso responder a uma série de acusações que o senhor me fez.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Eu não queria constranger a senhora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É; e eu preciso responder.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Mas a senhora não sabe responder a absolutamente nada.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas, espera, estou aqui ouvindo...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho, Senador...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora tergiversou em tudo. Não soube dizer o que é o vírus, o que é um protozoário.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Otto...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO (Fora do microfone.) – Sr. Presidente, deixa ela responder, Sr. Presidente.
Levou o tempo todinho...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Nem todos os pacientes...
Espera aí! O advogado vai falar agora?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Para concluir, Senador Otto, que já ultrapassamos bastante o seu tempo.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não; ela não soube responder nada que eu perguntei.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Agora ela vai responder a V. Exa..
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Eu fiz um testezinho simples com ela. Qualquer menino de segundo ano, terceiro ano... Eu fui professor de Química por muitos anos, de Biologia. Isso é bê a bá! É bê a bá!
A senhora não sabe, a senhora jogou no escuro com um grupo de pessoas que não entendia absolutamente nada da doença, inclusive, chamou o Ministro Pazuello para um seminário. Meu Deus do Céu! O que o Pazuello vai dizer em um seminário? Ele não sabia por que chamava Covid-19! Eu perguntei e ele não sabia. Eu disse: "É porque surgiu em 19". Ele não sabia, doutora! Brincadeira com a saúde do povo brasileiro! A senhora brincou com a saúde do povo brasileiro falando em imunidade de rebanho, em hidroxicloroquina, em tratamento precoce. Uma receita no Ministério da Saúde, de forma institucional, para as pessoas tomarem o remédio.
Eu vou perguntar à senhora aqui também de novo – fácil de responder. A pessoa tem arritmia: a senhora, para dar hidroxicloroquina, faz eletrocardiograma? Faz?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Faz um ecocardiograma?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Como é que o Ministério da Saúde....
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Se tem arritmia, sim.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Como é que o Ministério da Saúde deixou a receita no site para o povo brasileiro todo tomar, doutora?
A senhora sabia...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não só isso, Senador Otto.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – A senhora sabia que a arritmia – aí é cardiologia, a senhora não deve saber também –, para quem toma uma medicação, a arritmia é dosidependente?
A senhora sabe o que é dosidependente? É uma doença que você tem, você toma o remédio e o remédio, quanto mais você toma, vai exigir que você tome mais. É como antibiótico quando se tem resistência. A arritmia é dosidependente!
A senhora pode começar a hidroxicloroquina com uma dose lenta na arritmia e, depois, vai precisar de mais. Por quê? Porque é uma enfermidade idiossincrática pela natureza dela. A pessoa que tem também a arritmia pode receber uma medicação e ter uma reação à medicação.
E mais: eu pergunto à senhora: se a pessoa tem arritmia e tem o espaço QT longo, ela pode usar a hidroxicloroquina?
Doutora, estou perguntando.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não pode, não.
E como é que dá receita para o povo todo, para o Brasil todo?
A senhora sabe quantas pessoas morreram, doutora? Eu falo isso com o meu coração cortado, doloroso. Eu perdi um colega meu, desavisado, o Dr. Gilmar Calazans Lima, que não sabia que tinha arritmia, tomou hidroxicloroquina, tinha um espaço QT longo e morreu – parada cardíaca e respiratória. A senhora contribuiu, pra botar no "testcov", hidroxicloroquina pro Brasil tomar. O Presidente da República levantou a caixa: "Toma aqui!".
14:28
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Que o médico receite – ele assume, ele tem CRM, ele assume –, ele toma, ele faz a receita é dele: "Eu vou assumir, eu vou responder no meu Conselho...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – ... eu vou responder por isso". Mas fazer uma coisa dessa natureza?
A senhora maculou a sua imagem tomando essa iniciativa, que eu sei que foi... Pode ser até... Não sei direito... Foi por um momento de querer ajudar, mas também de querer ser Ministra da Saúde e não conseguiu.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Com a palavra a Dra. Yamaguchi.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A Dra. Yamaguchi, assim que terminar de falar, ela pediu...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... ela pediu para que a gente suspendesse a reunião por 20 minutos, e, depois, voltaríamos com o Jorginho – o Senador Jorginho e o Senador Randolfe.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Muito bem, o estudo Coalizão a que o senhor se refere, Senador...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Excelentíssimo Senador, o estudo Coalizão a que o senhor se refere, do Hospital Albert Einstein, foi feito com pacientes... Em que eles tinham pacientes internados, todos internados. A maioria... Eram 667 pacientes submetidos à randomização; 504 pacientes confirmaram a Covid e foram incluídos, em comparação com o tratamento original. E entre os pacientes hospitalizados com Covid-19, leve a moderada, que eles consideraram leve, mas todos estavam hospitalizados. Esse não é o paciente leve que nós preconizamos. Eles, inclusive, dizem o seguinte: que, nesse caso, existia uma... No final dessa fala, desse... Na conclusão... Estava procurando, estava procurando exatamente esse artigo... Ele diz o seguinte: que um total de 18 pacientes morreram no hospital durante o ensaio; 5 pacientes designados pra receber hidroxicloroquina mais azitromicina, 7 no grupo de hidroxicloroquina isolada, e 6 no grupo controle. Não houve nenhum... Não houve diferença significativa entre os grupos quanto aos resultados secundários e complicações tromboembólicas ou renal aguda.
E eles, inclusive, finalizam dizendo o seguinte: que muito provavelmente eles deveriam ter incluído pacientes em fases mais iniciais, que é o que agora, nessa Fase V, vai ser, vai ter registro.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Apresentar os nomes, os endereços, os CPFs...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não é? Então, o que...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – ... o exame que constatou a doença, o exame final...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, existe nesse...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – ...a tomografia, o D-dímero, tudo que se faz com paciente internado...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso é dentro de um estudo, Senador.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Isso é aleatório, isso é "ouvir falar e falei"...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O Senador... Senador, os estudos que são feitos, prospectivos, randomizados duplo-cegos, eles fazem todas essas avaliações.
Na área clínica, o paciente recebe antes o diagnóstico clínico. O diagnóstico clínico é suficiente pra você iniciar o tratamento porque não dá tempo de se receber o diagnóstico mais tardio. Tanto é que os estudos...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... tanto é que os estudos que foram feitos...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA. Fora do microfone.) – Nomes, endereços, exames laboratoriais...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Tanto é que... Eu posso responder, Senador? Desculpe, eu posso responder?
Então, o que acontece é o seguinte...
(Intervenção fora do microfone.)
14:32
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Esses pacientes que foram submetidos a esses estudos estão dentro de estudos onde você faz todos os exames. Nos outros pacientes clínicos, você tem avaliações clínicas, avaliações laboratoriais, avaliações que ocorrem em termos de tratamentos e com relação às toxicidades. Então, na realidade, a discussão com relação aos tratamentos iniciais, eles passam por essa dificuldade.
Nós temos aqui um estudo relacionado pela associação de perspectiva de pacientes com tratamentos preventivos, em que, no Canadá e nos Estados Unidos, eles não tiveram os resultados em 60% dos casos, porque isso não era possível.
Nós temos também a questão relacionada à utilização inicial de hidroxicloroquina em pacientes, na época da Mers, não é? E a gente...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – (Fora do microfone.) ... Eu não vim debater com a senhora nome de laboratórios. Eu debati com a senhora ciência. A senhora não soube me responder isso. Eu posso botar um mundo de laboratórios que são contra.
A senhora conhece Cochrane?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – São quatrocentos e tantos cientistas que são contra a hidroxicloroquina.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Senador...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Eu quero mostrar à senhora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Senador, eu gostaria de poder responder.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Eu queria o trabalho da senhora com os nomes dos pacientes, com exames confirmados, com o tratamento, com o resultado...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não estou falando...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Então, eu queria o endereço, onde foi que a senhora pegou em São Paulo...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Otto, nós vamos ter que trazer aqui...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Ela está tergiversando, ela não consegue...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Uma coisa é pesquisa, e a outra coisa é...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Foi feita uma pesquisa, feita com pessoas acima de uma idade, na Prevent Senior. Na Prevent Senior foi feita essa pesquisa e nós vamos trazer a Prevent Senior para saber...
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – O quê, Presidente?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A Prevent Senior. É onde a Dra. Yamaguchi trabalhou. Aí nós vamos pedir todo o trabalho que foi feito lá, que deve ser um trabalho muito aprofundado.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Na realidade, eu acho que o senhor não está desejando que eu responda.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Não sabe responder nada. A senhora sabe onde aconteceu o primeiro caso de Covid-19?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Otto, só para concluir, por favor.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Para mim, já está concluído, porque ela vai fazer a mesma coisa que fez antes: tergiversar e tal, e não responder.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE. Pela ordem.) – Presidente, pela ordem. Presidente Omar Aziz, urgentemente. Eu sei que o senhor vai encerrar.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Não, não, não vou encerrar.
Eu só vou suspender para a doutora...
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Mas antes de suspender...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pois não, Senador Eduardo.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE. Pela ordem.) – Eu acompanhei aqui pacientemente as perguntas do Senador Omar; perdão, do Senador Otto Alencar. Fiz aqui, respirei, porque a gente tem o direito de divergir, cada um de nós tem o direito de divergir, mas a gente precisa tratar as pessoas com o mínimo de humanidade.
Eu espero que haja essa reflexão aqui, que isso não ocorra, porque constrange. Eu vi colegas aqui constrangidos com isso.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Não, deixa eu... Eu lhe ouvi, amigo, eu lhe ouvi, eu lhe ouvi, mas o que o senhor fez aqui, o que o senhor fez aqui, não tinha absolutamente nada a ver.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA. Fora do microfone.) – Nada a ver?
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Não, as perguntas que o senhor fez... Não, as perguntas que o senhor fez, o objetivo, pelo menos para mim, ficou muito claro. Não sei se o sentimento das pessoas.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Presidente, vamos suspender a reunião e vamos...
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Não, não, é só para concluir. Por favor, Senador. É só para concluir. Eu vou, em um minuto.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – O senhor está desqualificando o colega.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Não, não, não, não. Eu estou apenas dizendo que....
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Sr. Presidente, eu não posso discutir ciência aqui, não?
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Presidente, só um minuto, por favor!
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fazendo soar a campainha.) – Está suspensa por 20 minutos.
V. Exa., na volta...
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Não, rapidamente, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Por 20 minutos.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – Presidente, não faça isso. Não faça isso, Presidente.
O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA) – Ó, Girão, com todo o respeito que eu lhe tenho, eu não lhe devo norma de comportamento.
(Suspensa às 14 horas e 37 minutos, a reunião é reaberta às 14 horas e 51 minutos.)
14:48
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O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Pela...
(Interrupção do som.)
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – ... Senador Jorginho Mello, V. Exa. dispõe de 15 minutos.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para interpelar.) – Muito bem. Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs. Senadores, Sra. Relatora, Dra. Nise. Aqui Dra. Nise, primeiro eu quero cumprimentar V. Sa. pelo seu currículo invejável, que todos nós tivemos a oportunidade de poder acompanhar e entregue até pelo pessoal que lhe acompanha. Eu quero... Eu vou falar pouco para permitir que a senhora possa dar os devidos encaminhamentos.
Numa entrevista... (Pausa.)
Sr. Presidente, eu peço que desconte o meu tempo para... Deu um acidente doméstico ali... (Pausa.)
A senhora deu uma entrevista em julho do ano passado, em que a senhora fez a seguinte afirmação: "Essa história de que não tem cura para o novo coronavírus não é verdade. Tem. É o próprio sistema imunológico quando ativado adequadamente. A terceira fase é um temporal total, que aí não adianta mais você tratar o vírus, porque não segura mais. É isso que a gente tem que evitar. Quando começa a tratar o paciente precocemente, porque você pega naquela fase em que ainda está tentando se replicar, e acaba com ele. Então o paciente fica com a imunidade. Ele não pega, ele não pega mais e ele não contamina mais".
14:52
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Eu pergunto para a senhora: por quê? Em que base? Para defender o tratamento, a senhora teve de ter uma base inicial. A que a senhora atribui essa demonização do tratamento precoce? O que a senhora acha que causou essa reação tão grande?
Eu queria que a senhora fosse respondendo para a gente ir ganhando tempo, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Perfeito.
Bom, na realidade, existem ações antivirais da hidroxicloroquina e na ivermectina in vitro e também em cultura de células. Essas ações, que a gente chama de reações básicas, ocorrem nos testes das medicações.
Isso, inclusive, foi garantido em alguns testes in vitro que foram feitos aqui no Ministério da Ciência e Tecnologia, em Brasília, onde eles colocaram comparação de ivermectina e hidroxicloroquina in vitro, mostrando uma ação clara antiviral, de diminuição de cópias, de formação de cópias de RNA vírus.
Existiria também, em algum momento, a necessidade de que os estudos feitos pelas diversas entidades internacionais entrassem num acordo com relação à validade, porque, em algumas áreas – e foi o que eu coloquei –, especialistas divergem com relação à validade dos estudos. Alguns consideram que aqueles estudos, que um determinado grupo acha válidos, outro não acha válidos.
Então, foi mencionado aqui a Cochrane. A Cochrane é uma das grandes instituições, que, inclusive, faz revisões. Cientistas da Cochrane fizeram parte de discussões com relação... E nós tivemos uma reunião com o responsável pela Cochrane aqui, e o estudo que foi apresentado tinha também uma tendência com relação a pacientes mais graves e internados, pacientes moderados.
Houve um estudo da Nature que colocou, inclusive, pacientes que tinham tomado, no braço controle, o tratamento.
Então, essa divergência entre especialistas é saudável se ela não é levada numa coisa chamada "uma disputa de posicionamentos".
Nós temos que construir paradigmas e temos a possibilidade de discutir um a um. Foi isso que eu fiz com esta discussão aqui e com relação aos estudos que já foram publicados.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Muito bem.
A senhora acredita tanto... E eu quero dar oportunidade à senhora de reforçar isso para as pessoas que estão nos vendo. A senhora tem confiança nesse tratamento a ponto de se tratar e tratar pessoas da sua família?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Eu queria que a senhora explicasse um pouquinho como foi isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom. Eu mesma tive a Covid no momento em que eu estava trabalhando quase 20 horas por dia e atendendo nos hospitais, inclusive no Albert Einstein. Uma determinada família toda pegou a Covid, eu fui fazer o teste e já fui positiva e me tratei. Fui tratada pela equipe clínica com as medicações e evoluí bem da parte do Covid, tive uma infecção a posteriori. A infecção foi tratada com os antibióticos, mas eu fiquei completamente sem efeitos colaterais. Existem pessoas próximas, funcionários, pessoas próximas que foram tratadas também.
14:56
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Claro que toda essa situação é uma situação de exceção. O Brasil está, neste momento, com um número de pacientes bastante grande. Ele precisa de tratamentos complementares. Os estudos científicos estão, cada vez mais, se avolumando e, certamente, ao término deste período, nós vamos ter mais dados que vão estar trazendo mais informações.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Muito bem.
O Presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro, em entrevista ao Estadão, em 26 de março de 2021, disse o seguinte: "Essa ideia de que a ciência já concluiu que essas drogas não têm efeito não é 100% verdadeira". Pergunta: eu queria que a senhora comentasse essa afirmação do Presidente do Conselho Federal de Medicina.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, exatamente por isso que o Conselho permitiu que os médicos avaliassem os estudos pelos quais eles estavam se pautando e tivessem essa oportunidade de avaliação com a sistemática e a autonomia de estarem decidindo as melhores condutas.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Mais uma pergunta, depois eu vou deixar o tempo para a senhora fazer as suas considerações.
Sabe-se que, quando Agnaldo Timóteo e o Nelson Sargento, entre outros, tomaram duas doses da vacina, vieram a falecer de Covid... O que a senhora pensa sobre isso? A eficiência das vacinas podem ser mensuradas pela quantidade de anticorpos existentes, estabelecidos no exame do IGG?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É muito difícil estabelecer a sequência, se o efeito deletério ou letal ocorreu por conta da vacina. É por isso que não dá...
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA. Para interpelar.) – A senhora me dá um instantinho?
Senador Jorginho Mello, não é o IGG que dá a imunidade, é a pesquisa de anticorpos neutralizantes. Não é isso, doutora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Exato.
Agora, o fato das vacinas estarem neste momento sendo avaliadas, é que é muito difícil você saber a temporalidade, assim como é difícil você saber todas as questões fora de estudos clínicos. Então, assim, uma coisa que tem que ficar bem clara é a assistência direta do paciente, a vacina que é feita de uma forma ampla dentro do Brasil e que segue regras institucionais.
Existe uma comissão que avalia quais são os pacientes que vão ser vacinados, e você precisa ter os dados de exceções. Então, toxicidades absolutas. É difícil, fora de estudo clínico, você ter todos os dados dos pacientes para saber se esse caso que evoluiu para óbito teve eventualmente alguma sincronicidade com a vacina. É por isso que os estudos são necessários. Uma coisa é assistência clinica aos pacientes nas diversas situações, e a outra é a avaliação desse momento da pesquisa.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Eu fiz IGG e IGM diversas vezes recomendado pela médica que cuida de nós aqui no Senado. Evoluiu agora para esse exame... Como é? Exame neutralizante...
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Pesquisa de anticorpos neutralizantes.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas anticorpos, são anticorpos, não são células.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Anticorpos neutralizantes, porque a imunidade é celular.
15:00
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O anticorpo é a imunidade humoral, a imunidade de anticorpos. Então, você não consegue ter certeza. Por exemplo, uma das coisas que as pessoas erram é fazer mesmo os anticorpos neutralizantes após a vacina para terem certeza se estão imunizados. Por quê? Porque você pode ter níveis de resposta celular – não é, Senador Otto? –, que a gente não consegue medir ainda. Então, são poucas... Por isso é que às vezes a gente não sabe o que o senhor está querendo responder. Nesse caso, a imunidade celular pode ser feita sem você saber como medir. Por isso é que, ao longo de anos de SARS-CoV-1, por exemplo, ou Mers, onde se utilizou hidroxicloroquina, sim, nessa fase, em que os legionários franceses faziam parte desses grupos, houve a necessidade de se avaliar os anticorpos e se descobriu, Senador Otto, que existem anticorpos até hoje. Anos depois, esses anticorpos existem ou as imunidades celulares. E você, eventualmente, pode não conseguir medir naquele momento.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Muito bem. Eu quero deixar o tempo para que a senhora...
Quanto falta, Presidente?
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Três minutos.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para depor.) – Seis, sete minutos.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Três minutos.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Não, não, eu tenho desconto ali que a ...
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Não. Três minutos.
O SR. JORGINHO MELLO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Eu quero deixar para que a senhora possa fazer as considerações que a senhora achar necessárias.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Três minutos.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, eu acho assim que a CPI teve vários itens que são absolutamente importantes para a humanidade. Eu quero salientar novamente que a imunidade de rebanho é uma coisa que existe a partir de um determinado número de pacientes vacinados e pacientes... E não é algo que a gente sempre explica, não é?
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Ainda temos 11 Senadores para falar.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E também dizer o seguinte: que a minha atuação em todos os governos é de contribuição. E eu não pretendo estar assim associada a uma situação única, não é? Nós estamos aqui trabalhando em prol de um país.
Muito obrigada pelo seu tempo.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Senador Randolfe Rodrigues, V. Exa. tem 15 minutos, com a tolerância devida, como sempre V. Exa. faz quando assume aqui a Presidência.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Muitíssimo obrigado, Senador Otto.
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – Depois o Senador ...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Muito obrigado, Senador Otto, mais uma vez...
O SR. PRESIDENTE (Otto Alencar. PSD - BA) – ... Rogério Carvalho; depois o nobre Senador Marcos do Val, pelo sistema remoto; depois a Senadora Leila Barros; o nobre Senador Luis Carlos Heinze, representante do Rio Grande do Sul; Senador Alessandro Vieira; depois o Senador não membro Fabiano Contarato; meu estimado amigo, querido amigo Jorge Kajuru; depois a Senadora Zenaide Maia; e, por último inscrito, o Senador Roberto Rocha.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP. Para interpelar.) – Muitíssimo obrigado, Senador Otto Alencar, Presidente eventual desta Comissão Parlamentar de Inquérito; Dra. Nise, meus cumprimentos, meus respeitos a V. Sa.
Me permita, Dra. Nise, iniciar fazendo uma retificação. A senhora fez uma citação do Amapá. Eu sou de lá, com muito orgulho. Eu gostaria, inclusive, que a citação que V. Sa. tivesse feito correspondesse à verdade. Lamentavelmente, proporcionalmente, o Amapá não é um dos Estados em que menos se morre por Covid-19 em nosso País e muito menos no planeta. Os dados do nosso Estado apontam que por 100 mil habitantes nossa taxa de mortalidade é de 121.1. Aliás, é uma taxa de mortalidade muito ruim que assemelhava-se, em janeiro deste ano, à mesma taxa de mortalidade do Peru, 123.3, que é o quarto país que mais matava por Covid-19 no planeta.
15:04
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Hoje nós temos 1.696 amapaenses que perderam a vida, e eu sei o drama da pandemia lá. Eu perdi amigos lá. Eu vi. Eu vi e vivi unidades básicas de saúde lotadas, colapso de oxigênio, todas as autoridades buscando de tudo para socorrer vidas. Então, o senhor me permita fazer esse registro, fazer essa retificação por ser representante dos amapaenses nesta Casa e por saber quão grande foi o drama lá vivido pelos meus conterrâneos.
Dito isso, passo direto, então, às perguntas.
A senhora conhece o Dr. Carlos Wizard? A senhora já trabalhou com ele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Posso responder à primeira questão?
Bom, eu sinto muito, então, pelos amapaenses. Agradeço a sua retificação, já que o senhor tem uma convivência direta e a gente tem acesso aos números e às informações dos bravos e valorosos médicos que foram homenageados, inclusive no ano passado, por essa ação que foi feita ali.
Com relação ao Carlos Wizard, eu o conheço, sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Só deixar claro aqui, Dra. Nise: a senhora prestou uma informação que não corresponde à verdade.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Eu gostaria, eu rogava a Deus...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – ... para muitos conterrâneos meus estarem vivos.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Agradeço a retificação...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas a informação não corresponde à verdade.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... e endosso a retificação, já que o senhor tem informações fidedignas, locais e que são bastante...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não só locais, são da ciência. A Agência Lupa, inclusive quando a senhora estava falando, retificou.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas, vamos ao Dr. Carlos Wizard.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
Conheço o Dr. Carlos Wizard, sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A senhora já trabalhou com ele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho trabalho com ele. Na realidade, são ações com um grupo de médicos que trabalham... Não trabalham, é uma discussão científica em relação à pandemia.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Esse trabalho científico já chegou a assessorar o Governo em algum momento?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Esse trabalho científico é um trabalho de... Olha, se a gente pensar que esse grupo trabalha fazendo levantamentos de dados, etc., ele faz dados voluntários, sim. Eu acho que, nesse sentido, ele tem oferecido informações técnicas e científicas ao Governo de uma maneira espontânea e científica, como, por exemplo, expliquei, todas as sociedades médicas que estiveram visitando e que fazem parte até de comitês oficiais do Ministério da Saúde.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas esse trabalho científico, esse conselho científico eram comitês ou eram pessoas?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, são pessoas. É um comitê científico independente. Ele não tem nenhuma ação vinculada.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Perfeito.
Com a sua permissão, vamos ver um vídeo aqui, que eu acho que ilustra o que a senhora está falando.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele pretendia ser um conselho científico no Ministério da Saúde, mas isso nunca aconteceu.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Vamos ver o vídeo. Vamos ver o vídeo.
Só um minutinho. A senhora está...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi nessa época, inclusive, que a gente pensou em fazer isso exatamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Volte um pouquinho.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Temos volume? Temos som, não? Pode voltar desde o começo?
(Procede-se à exibição de vídeo.)
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso mesmo.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Vamos só ver desde o início, é que houve um problema técnico ali.
15:08
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(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Somente, Dra. Nise, tem um segundo vídeo. Vamos lá ao segundo vídeo, que é o Sr. Carlos Wizard novamente. Vamos lá!
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A senhora pode... No primeiro vídeo, o Dr. Carlos Wizard fala: "Passei um mês ajudando em um conselho científico independente...". A senhora, inclusive, está...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Ele falou que ele passou um mês ajudando o... Eu não o conhecia. Eu o conheci nesse dia em que nós estivemos fazendo essa...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas não é isso que ele fala no vídeo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Ele fala exatamente isso. Ele fala que...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – "Passei um mês aqui ajudando... Conheci a Dra. Nise e outros..."
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E aí ele resolveu juntar essas pessoas. E eu o conheci pela primeira vez, pessoalmente, nesse dia, e a gente discutiu a formação desse conselho científico independente porque a gente não queria ter vínculos com o Ministério da Saúde ou com qualquer ação. A gente queria oferecer o conhecimento de uma forma organizada, sem que houvesse um vínculo oficial. Pensou-se até em colocar esses dados de uma maneira mais ampla. E o que a gente teve foi um conselho consultivo independente... Aliás, várias das pessoas acabaram não ficando, porque, antes de ele começar mesmo, acabou havendo uma perseguição tão grande da mídia que a gente acabou dissolvendo esse grupo pra isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – E os voluntários que a senhora fala no segundo vídeo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – São dez mil médicos no Brasil inteiro, que inclusive foram recebidos aí pelo Dr. Arthur Weintraub e o Presidente da República, em Brasília, e eu não faço parte da direção, e que o Dr. Carlos Wizard citou.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Só um minutinho, Dra. Nise. Eu peço a atenção da Presidência e do Sr. Relator. Eu acho que a Dra. Nise está prestando uma informação muito importante. São dez mil médicos do Brasil inteiro, foram recebidos pelo Presidente da República e pelo Sr. Arthur Weintraub.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Lá no Palácio, no dia, acho, 15 de abril, dia 16 de abril.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Dezesseis de abril de 2020?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, acho que é. Eu não tenho a data exata, mas em que foi discutida. A Dra. Raíssa estava lá também, a Dra. Luciana, vários médicos, discutindo o tratamento precoce. Nesse dia foi público, inclusive. Por isso que a gente não tem um grupo fechado.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Só por curiosidade: o que o Sr. Arthur Weintraub tinha a ver? Qual era a correlação, a participação dele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, nesse momento, ele estava ali juntando as informações para que a gente pudesse ter nesse grupo, naquele dia, o tratamento precoce. Eles fizeram um evento.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Sr. Relator.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Como Relator.) – Foi ele que a levou pela primeira vez para o Palácio do Planalto?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Quem me trouxe foi o Presidente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – É, mas só para nós entendermos: qual o papel do Sr. Arthur Weintraub nesse contexto? Por que ele organizou essa recepção? Qual a ideia? Qual o papel dele?
15:12
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Parece-me que... Nessa recepção, eu fui convidada pelos outros médicos. Eu não fui convidada por ele especificamente, mas por outros médicos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas a senhora que declinou aqui o nome dele. Então... A senhora falou especificamente ainda há pouco.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, é que foram os que se apresentaram ali no dia. Houve uma apresentação, e eles colocaram exatamente a questão do tratamento precoce, da importância disso... Houve a presença de outros médicos... Foi um evento público.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – E esse evento foi articulado a partir desse encontro aí com o Sr. Carlos Wizard?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. O Carlos Wizard...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – São momentos distintos.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – São distintos. O que eu quero dizer é que eu conheci o Dr. Carlos Wizard nessa ocasião, e nós fizemos parte dessa discussão de formatação de um grupo científico independente, criamos a possibilidade...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A ocasião do vídeo, que a senhora diz que o conheceu, quando foi?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi nessa ocasião dessa entrevista do JB. Então, foi, eu acredito... Eu sou ruim em datas. Vocês me desculpem.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Perfeitamente. Fique à vontade.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Tenho uma dislexia em datas e nomes. Então, eu sou ruim em datas, mas foi na data exata dessa entrevista.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então, naquela data a senhora o conhece.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – No segundo vídeo, a senhora disse "reunimos dez mil médicos a partir de uma mobilização do Sr. Carlos Wizard".
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, os dez mil médicos já existiam mobilizados no Brasil inteiro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas a senhora cita o Sr. Carlos Wizard no segundo vídeo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, ele era uma das pessoas que apoiaram essa ideia, porque esses médicos trabalham de forma totalmente voluntária.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas, se essa mobilização de dez mil médicos já existia, como a senhora conheceu o Sr. Carlos Wizard naquele vídeo depois?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Aquele vídeo depois foi em uma referência ao trabalho voluntário que a gente estava fazendo. Nós tínhamos um trabalho voluntário, mas eu só o conheci pessoalmente no dia dessa...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Pronto!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, exatamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A senhora... Ótimo, começa a ficar mais claro. A senhora tinha um trabalho voluntário com o Sr. Carlos Wizard que ajudou na mobilização desses dez mil médicos.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, os dez mil médicos já existiam. Nós só nos comunicamos com eles através de várias pessoas.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – E qual o papel do Sr. Carlos Wizard na mobilização que a senhora fala no segundo vídeo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele foi uma pessoa que tinha um interesse real no assunto. Ele ajudava cientificamente nós...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas por que o interesse do Sr. Carlos Wizard?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom, ele era um empreendedor social. Ele via as pessoas morrendo. Teve pessoas da família que eu tratei, inclusive.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas a senhora disse que esse encontro foi em abril.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, esse encontro aqui... Eu não tenho as datas. O senhor me desculpe.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Tá. Mas, então, a senhora tinha essa articulação, tinha esse contato com ele, ele mobilizou esses dez mil médicos com a senhora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não foi ele que mobilizou.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A senhora mobilizou e contou com o apoio dele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nem só eu. (Risos.)
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não, tudo bem.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu entrei como convidada. O senhor me desculpe.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas contou com o apoio dele. Contou com o apoio dele.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu entrei como convidada, e ele também...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – E depois, somente depois, o conheceu pessoalmente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Somente depois eu o conheci pessoalmente. E, nessa ocasião em que eu o conheci pessoalmente, eu fiquei bastante...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O vídeo é de julho de 2020, o da TV Brasil.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então, o vídeo...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
Obrigada.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O vídeo é de julho de 2020.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então, o encontro que contou com – eu vou citar assim – a participação do Sr. Carlos Wizard, a articulação, o apoio...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não foi articulação...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – ... aconteceu em abril.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ...esse encontro que nós fizemos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Qual foi o papel do Sr. Carlos Wizard nesse encontro?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ele teve... Nesse encontro, ele foi um frequentador pacífico. Ele ficou na... Ele não participou da articulação.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Desculpe-me, Dra. Nise, mas não é isso que a senhora fala no segundo vídeo. A senhora diz "depois, conheci o Sr. Carlos Wizard...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu falo que...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – ... nós nos mobilizamos..."
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Isso. Nós fizemos o movimento dos médicos do conselho científico independente. Esse conselho científico independente é um número restrito de médicos que licitou, Dr. Zeballos, Dr...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas isso é em junho?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Esse...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O primeiro encontro, que falo do segundo vídeo, foi anteriormente, como a senhora mesma disse, foi em abril?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Esse... Não. Desculpe, eu não tenho essa data.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas a senhora acabou de dizer isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu não tenho a data exata. Nós tivemos...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então, não foi em abril? É porque a senhora disse que foi em abril ainda há pouco.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho datas exatas. Eu tenho o seguinte, nós nos encontramos nesse dia que foi a data...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Eu só quero entender porque eu não estou conseguindo. Eu estou tentando ver uma sequência lógica. Veja.
Teve um encontro com dez mil médicos com o Presidente da República e teve algum tipo de participação do Sr. Carlos Wizard e esse encontro foi sediado inclusive pelo senhor... O Sr. Arthur Weintraub foi um dos que fez a recepção desse encontro, como a senhora mesma acabou de relatar. Esse encontro foi anterior ou posterior à senhora ter conhecido pessoalmente o Sr. Carlos Wizard?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi posterior.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então, não foi anterior mais? Foi posterior?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Na realidade, eu não tenho as datas exatas. Agora... Foi posterior.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não, perfeito. Mas já está esclarecido. Já está esclarecido...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não está esclarecido. Eu tive dois encontros. Um deles foi com esse grupo de médicos, que já estavam se organizando e que fizeram um encontro com o Presidente da República...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não, tudo bem, Dra. Nise. Mas veja, de um intervalo de tempo para outro, não passa só um mês, tem um tempo maior.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – De dois meses aproximadamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – É, dois meses... O outro vídeo foi em julho, então passa dois a três meses. Então, já é um tempo maior do descrito.
A cerimônia no Palácio... Obrigado, Ana está declinando aqui para mim. Foi 24 de agosto. Então, primeiro teve em julho, depois em agosto. Então, aí já são dois meses. Não é um mês somente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas eu quero, só para concluir no meu tempo, Presidente...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Só deixar bem claro, Senador, que...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não, para mim, já está esclarecido.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, para mim não está. Existe o seguinte. Eu não quero aqui... Aquilo que é a organização de um conselho científico independente, que faz com que a gente tenha a oportunidade de debate entre nós é uma coisa que foi realmente um debate e que nós gostaríamos até de fazer parte de uma coisa maior...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Dra. Nise, eu não vou polemizar com a senhora. O vídeo per si fala que tinha um conselho que foi montado junto ao Ministério da Saúde. É o que o Sr. Carlos Wizard fala no vídeo. Acabou de ser confrontado...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Inicialmente, seria do ministério, mas não foi. Ele foi independente. Foi isso que ele deixou bem claro ali...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Perfeito. Não, não é isso que ele deixa claro, mas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, vamos ver o vídeo novamente. Isso, um conselho independente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não, prossigamos porque o meu tempo está concluindo. Então, prossigamos.
A senhora disse aqui que não tem intimidade, não conhece o Presidente da República. Nunca esteve com ele.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, conheço. Estive lá no Palácio, falei aqui claramente. Tenho oportunidade de vê-lo...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Encontrou com ele frequentemente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, vi nos eventos. Nesses eventos públicos e algumas vezes dentro do Palácio.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Algumas vezes? Assim, pessoalmente, conversando com ele a senhora nunca esteve?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Diretamente nós estivemos conversando com grupos de pessoas em determinadas circunstâncias.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Com ele? Com o Presidente da República? Com o Presidente da República a senhora esteve?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente. Exatamente. Exatamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Quantas vezes?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foram em torno de quatro, cinco vezes, incluindo essa vez que teve essa oportunidade de, dentro dessa esfera dos médicos que estavam lá, então nós tivemos uma recepção dentro dessa relação mais ampla.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Perfeito. Vamos colocar aí o último vídeo. Eu vou já concluir, Presidente. Rapidamente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E também... Isso.
(Procede-se à exibição de vídeo. )
15:20
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O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Perfeito. Não, perfeito.
(Procede-se à exibição de vídeo. )
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então, bom, aí no vídeo seguinte, me parece que a senhora se refere a ele, enfim, me parece aí que há um...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Existiu uma situação diferente, que é a situação médica. Eu expliquei a situação pública. Essa questão médica, que é em relação à questão do zinco ou da azitromicina etc., eu acionei o médico da Presidência da República, para saber se ele poderia tomar essas medicações. Então uma coisa é a médica.
Uma vez também, eu acompanhei a parte médica.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas a senhora é a médica do Presidente da República?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não sou médica, essa aí foi uma relação com o médico que ele tem. Ele tem médicos diretamente. Então foi somente isso que aconteceu.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas no outro vídeo, a senhora disse que fala sempre com ele.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É. Sim, eu estive conversando com ele diversas vezes.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Fala sempre.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, é uma força de expressão.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Que a senhora chegou a mandar uma mensagem para ele, dizendo que "não precisava me sondar, ele me conhece, a gente se fala o tempo todo."
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Essa mensagem não foi uma mensagem direta. Essa mensagem foi...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então, seu contato com o Presidente da República é frequente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Se o senhor pode dizer que é frequente frente a essas questões, sim. Com relação a uma frequência física, pessoal, de contatos, não.
Essa mensagem, eu passei para pessoas que estavam me sondando, falando assim, "você quer ser ministra, você quer?" Falei, não, se ele quiser, ele me pergunta.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Obrigado, Dra. Nise.
A última pergunta, Dra. Nise.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Tanto é que ele nunca me perguntou. Eu deixei bem claro...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sr. Presidente, eu peço para observar o horário, por conta da... (Ininteligível.)
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A última pergunta, só concluindo. A última pergunta.
A senhora disse o seguinte... A senhora pode me informar por que resolveu registrar em cartório? E aí faço a última pergunta de fato. Veja, no documento registrado em cartório, ao final, a senhora levanta a seguinte preocupação...
Eu queria pedir a atenção dos colegas e do Sr. Relator.
No documento que a Dra. Nise entregou aqui, que é exatamente o documento do decreto que, dito pela Dra. Nise, não é alteração da bula da hidroxicloroquina, mas é um decreto de receituário de medicamento. A senhora fez um registro em cartório para garantir a veracidade do documento, enfim, das mensagens que foram trocadas.
Na última mensagem que a senhora troca aqui com o emissário, que é o Dr. Luciano, a senhora diz o seguinte: "Oi, Luciano, esse decreto não pode ser feito assim, porque não é assim que regulamenta a pesquisa clínica."
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – "Tem normas próprias, exporia muito o Presidente."
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com certeza. Nunca se faz um decreto para fazer nem pesquisa clínica e nem bula. E imagina colocar isso na mão... Tanto é que isso nunca foi para a mão do Presidente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então por que esse decreto esteve no debate com a senhora e com o...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu expliquei, não tinha sentido, não tinha sentido essa...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, só um minutinho. Dra. Nise, a senhora fala que exporia o Presidente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Claro.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Se o Presidente não está envolvido em nada, por que é que vai expor o Presidente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Porque imagina um decreto que faz acesso a medicação, que o Presidente assina. É um absurdo isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas por que então? Se a senhora achava isso desse decreto?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas eu só achei isso depois, porque eu não tive acesso a ele antes, e o que eu queria saber era...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas o Presidente da Anvisa disse que a senhora estava nessa reunião, onde estava esse decreto lá.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu estava... Não, mas eu não tive acesso ao decreto, tanto é que eu registrei o horário em que eu recebi isso, que foi às 8 da noite.
Explicando claramente, em primeiro lugar, isso foi originado pela acusação que eu recebi de colocar decreto em bula.
15:24
R
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – E quem fez esse decreto?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não sei, porque não fui eu que fiz. O que aconteceu...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas é do WhatsApp do Dr. Luciano?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Exatamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então foi ele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não sei se ele que fez.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A senhora está se referindo a ele aqui no último.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – "Oi, Luciano. Esse decreto não pode ser feito assim".
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Então?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas acontece que eu não sei se ele que fez.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora deu essa resposta para ele no mesmo dia em que a senhora respondeu...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, na mesma hora. Porque é assim...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não. Aí tem um negócio... Veja bem, o que está aqui é 20h54. E ela recebeu isso... Em cima está apagado o horário. E aí tem que ver se essa mensagem foi dada no mesmo dia.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi imediata. Eu falei assim: isso não pode ser assim. Porque, na realidade, o que aconteceu? Me chamaram, falaram que existia um decreto em cima da mesa com relação à bula e eu tenho certeza...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Doutora, esse diálogo foi no seu WhatsApp?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – A senhora poderia dispor, voluntariamente, para a Comissão Parlamentar de Inquérito, ao Presidente, para só certificar o horário?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com certeza.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Agradecemos a V. Sa.
Eu só quero reiterar que a senhora, ao final, diz: "Oi, Luciano. Esse decreto não pode ser feito assim". Eu acredito que o Sr. Luciano deve comparecer a esta Comissão Parlamentar de Inquérito, Sr. Presidente, Sr. Relator.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Fora do microfone.) – Diferentemente do que foi colocado pela manhã.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Diferentemente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – E mais: que papel é esse? Dois depoentes aqui falaram que estava na mesa e a Dr. Nise Yamaguchi estava presente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O papel existe. Está aqui.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não é esse. Até porque ela mesma diz. Na mesma hora em que ela responde, o Dr. Luciano deveria ter dito: olha, aquele papel de decreto que o Braga Netto apresentou à Anvisa e ao Mandetta, que a Dra. Nise estava nessa reunião e tinha mais um médico que estava sentado, não estava falando. Eu não sei se era o Dr. Luciano ou outro médico. Nessa reunião foi tratado disso, não foi Dra. Nise?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, da bula não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Então, nunca houve, em cima da mesa, nenhum...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, na realidade, assim, houve... Desculpe, eu não entendi a pergunta.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – O Dr. Mandetta e o Dr. Barra Torres estiveram aqui na CPI. Os dois disseram a mesma coisa em relação a um decreto que se colocaria na bula da cloroquina. O Mandetta falou isso e o... E a senhora ouviu, os dois falaram aqui, a senhora ouviu que a senhora estava presente na sala nesse dia, a senhora estava presente. Eles dois confirmaram a sua presença. A senhora não estava presente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Nesse dia estava, já falei que sim. Só que não existia decreto de bula nenhuma.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não tinha papel nenhum na mesa?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Tinha papel na mesa, mas não tinha decreto de bula.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, mas sim...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, isso é o que tem que ficar claro.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Para interpelar.) – Sr. Presidente, o senhor me permite só para um esclarecimento?
A Dra. Nise já referiu a que a proposta, a minuta de decreto que estava apresentada, era referente e inspirada na RDC 348. Não foi isso, Dra. Nise?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Isso.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A RDC 348...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não era não. A minuta não foi relacionada a isso. A minha discussão sim. Eu conversei com a...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A senhora pode explicar para a Comissão do que tratava a RDC 348?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
A RDC 348, que eu discuti, tratava da introdução de medicamentos em época de Covid, tratava de insumos estratégicos e de todas as outras questões.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Pós-registro.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – É a chamada mudança de bula. É por isso que a gente chama.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Agora, isso não é escrever num decreto de bula. Então, isso tem que ficar bem claro. Então, a discussão que existia era se a quantidade de dados que nós tínhamos era suficiente.
15:28
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O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Como Relator.) – Então, a senhora sabia do decreto?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, eu trouxe o decreto para...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Como Relator.) – Ah, isso é que é muito importante. Sabia do decreto.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu trouxe o decreto...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Como Relator.) – Sabia do decreto. É muito importante.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Exatamente.
Eu trouxe o decreto para perguntar se havia dados suficientes pra que a gente pudesse fazer essa questão com relação à hidroxicloroquina e à medida que fossem surgindo dados...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Isso é muito importante. Eu sabia...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... porque jamais seria, e isso é uma coisa que é uma pergunta dentro de uma discussão, e aí jamais seria feito um decreto em cima de mudança de bula, assim como eu considero que não se fazem decretos em relação a pesquisa clínica, entende?
Então, a minha preocupação é, simplesmente, seguir as formalidades e os ritos. A primeira coisa: você pergunta para as pessoas se existem dados suficientes, oferece os dados científicos e técnicos e aí depois é que você parte para a solicitação pra que os empresários envolvidos na produção dos remédios façam a solicitação, etc. Mas essa inserção em bula ocorre sempre por uma relação de pares, por uma reunião do colegiado, por um parlatório, uma série de ritos que eu conheço profundamente e com o qual, inclusive, o Almirante Barra se colocou.
Agora, esse evento que o Ministro Pazuello abriu, ele só abriu um evento como autoridade da Sociedade Brasileira de Cancerologia, jamais discutindo tecnicamente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – Só a participação, a senhora receber uma proposta de mudança em relação à bula, isso já, pra mim, é uma coisa muito séria.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Não, mas não é proposta de bula.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, era uma proposta sim.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não é.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Rogério Carvalho com a palavra, por favor.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE. Para interpelar.) – Presidente, eu queria, primeiro, trazer aqui uma informação em que aquele que é o principal defensor do uso da cloroquina, o Didier Raoult, pede desculpas em carta publicada no International Journal of Antimicrobial Agents, a mesma revista que publicou o artigo original.
A equipe consertou seus dados e admitiu que não houve comprovação de "100% de cura", como divulgaram anteriormente. "A necessidade de oxigenoterapia, transferência para UTI e óbitos não teve diferenças significativas entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, e nos pacientes do controle, que receberam apenas o tratamento padrão", escrevem.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Isso foi quando eles fizeram...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Isso, isso...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – A senhora vai depois ver. A carta é uma publicação...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Exato. Eu conheço.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – ... uma publicação universal. A senhora pode receber depois.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Pacientes avançados, não é, que ele teve?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Não. Não. Pacientes, independentemente dos que receberam e dos que não receberam.
A primeira questão, isso aqui é uma afirmação: nós estamos diante de uma pandemia e, portanto, de uma questão de saúde pública, uma emergência global. E, diante de uma emergência global, a gente precisa ficar atento como o vírus nessa, o SARS-CoV-2, que provoca a doença Covid-19, era para todos um tanto quanto ou bastante desconhecido quanto à velocidade com que ele se transmitia, ou seja, o modo, se era mais ou menos contagioso, se ele era leve ou pesado, como chamam no jargão epidemiológico, ou seja, se ele era altamente transmissível ou não, e o grau de letalidade.
15:32
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Depois disso, quando isso ficou claro, o que tinha que se fazer e o que se sabe em epidemiologia, em vigilância epidemiológica, é que você deve isolar o contaminado ou o infectado, melhor, do não infectado. Então, o mundo inteiro passou a adotar medidas não farmacológicas, como estão sendo chamadas, de isolamento social. Ainda não tinha o uso de máscaras, isso não tinha vacina, portanto, essas eram as medidas necessárias.
Acontece que o mundo reagiu à possibilidade do isolamento em massa, setores da economia global reagiram de forma muito pouco comprometida com a vida. E, nos Estados Unidos, o Elon Musk, o dono da Oracle e outras personalidades que viram o risco das ações de suas respectivas empresas desabarem iniciaram o debate da cloroquina em cima de estudos que não foram estudos, como descreveu o Dr. Otto Alencar, estudos que a ciência aponta como aqueles...
E veja, Dra. Nise, tem as ciências humanas, as ciências naturais... Nas ciências naturais não existe espaço para dúvida quando você valida um estudo. Quando você valida um estudo, e esse estudo, estatisticamente e preenchendo todos os requisitos, passa a ter... Ele não é um instrumento de disputa ideológica, ele é um estudo muito mais afirmativo. Tanto é que, para um medicamento ir para a prateleira, ele passa por vários testes. E o que está em discussão aqui não é se a cloroquina é segura ou se a cloroquina não é segura; o que está em discussão aqui é: a cloroquina tem ou não eficácia para proteger a vida? Porque em saúde pública, Dra. Nise, a proteção, a prevenção, a cura, a reabilitação e a promoção da saúde é o que devem estar na frente de quem faz a saúde pública.
15:36
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A prevenção, naquele momento: só medidas de isolamento social, medidas de restrição de circulação, para evitar o contato e o contágio, porque não tinha vacina. Medidas protetivas eram por exemplo não indicar medicamentos que gerassem, na população, a falsa ideia de que ela poderia se expor à doença, ao contágio, porque elas estavam protegidas, por exemplo. E promoção, neste caso, era o Governo, em torno de todas as medidas que o mundo tinha adotado e que tinham produzido algum efeito, fazer campanhas maciças de informação, baseado na acumulação empírica até aquele momento. A cura, a gente sabe que não ia ter cura, mas a gente sabe que uma coisa é como eu trato a pandemia, outra coisa é como eu trato a doença. A doença causada por vírus, a gente faz tratamento compensatório de equilíbrio, para dar condição ao corpo de responder à invasão do agente infeccioso. No caso da pandemia, a gente tem que fazer vigilância e adotar medidas protetivas. A única medida de prevenção e, portanto, protetiva, era o isolamento social e depois o uso de máscaras.
Mas o que foi criado nos Estados Unidos, Sr. Relator? A tese da hidroxicloroquina. Ela não foi gestada no Brasil; ela foi gestada nos Estados Unidos, defendida pelo Sr. Elon Musk, pelo dono da Oracle e outros empresários que tinham muito, muito recurso em bolsa de valores, assumida pelo Trump. Em março, vai o Presidente do Brasil aos Estados Unidos e volta com a ideia de que a hidroxicloroquina salva vidas. E aí entra em campo um time, um time que defende a imunidade de rebanho.
Eu sou sanitarista, eu fiz Medicina na Universidade Federal de Sergipe, com muito orgulho; residência em Medicina Preventiva e Social na Unicamp; mestrado e doutorado em Saúde Pública na Unicamp; e sou concursado do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Médico fiscal, o quinto médico fiscal concursado deste País. Hoje eu sou Senador, estou aqui e quero dizer uma coisa para a senhora: o que o conselho tem feito é orientado a uma das práticas, a uma prática em que incorre o erro médico. O erro médico ou é por imprudência, imperícia ou negligência. Nós estamos diante de uma imprudência sanitária patrocinada pelo Conselho Federal de Medicina, que deve ser convocado para esta CPI como testemunha, porque, ao dizer que uma substância sem comprovação científica, aliás, com comprovação científica de que não tem eficácia contra a doença em nenhuma etapa, inclusive dito pelos próprios fabricantes, estamos diante de um crime ético, de uma gravidade gravíssima que é a da imprudência. E qual é a imprudência, Sr. Relator, Sr. Presidente? É orientar o Brasil, é prescrever, pelo Presidente da República, um medicamento sem eficácia comprovada em nenhuma etapa.
15:40
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E essa prescrição passa a sensação para todos os brasileiros de que estariam completamente protegidos, e que, portanto, podem ter e defender que as pessoas se exponham, que não usem máscaras, porque quanto mais rápido, e isso foi dito pelo dono da Rede de Hambúrguer Madeiro, ele disse claramente que quanto mais rápido vai morrer cinco mil pessoas, quanto mais rápido, melhor para o Brasil... Foi isso que foi dito pelo Osmar Terra, que, em 12 semanas, iria morrer menos gente do que morreria com H1N1, que a epidemia iria embora, e que as pessoas poderiam se expor.
Então, nós estamos falando de uma coisa muito grave em saúde pública, nós estamos falando de vários crimes contra a saúde pública, porque enganamos o povo brasileiro dizendo que tinha uma droga que prevenia, que impedia que as pessoas morressem, que impedia que as pessoas chegassem ao oxigênio, à UTI e à morte. Isso é o que foi vendido ao Brasil, Sr. Presidente.
E eu quero aqui, Sr. Presidente, dizer que essas pessoas que defenderam isso, em um ano e dois meses, que enfrentaram Governadores... Por isso, eu acho que a gente tem que convidar Governador pra vir aqui, mas mais pra falar, sabe sobre o quê, Sr. Presidente? Pra falar sobre as dificuldades que enfrentaram pra lidar com o boicote na adoção de medidas sanitárias efetivas para impedir a expansão da pandemia; o boicote que enfrentaram do Governo central na compra de vacinas, está aí o caso da Sputnik; o boicote que recebeu o Butantan e que nós deixamos de ter 100 milhões de doses e salvar milhares de vida até este momento; o boicote que sofremos com relação à Pfizer, que desde março que fez a fase três do teste clínico no Brasil e que poderia ter milhões de doses já à disposição do povo brasileiro.
Esse boicote todo tem um nome: a imunidade de rebanho adquirida naturalmente pelo contágio de brasileiros e brasileiras. Sim, isso foi dito aqui pela Dra. Mayra Brito. Sim, isso foi dito pelo Deputado Osmar Terra. Sim, isso foi dito pelo Arthur Weintraub. Sim, isso foi dito pelo Carlos Wizard. Sim, isso foi dito por um monte de desalmados, que não têm respeito pela vida! Sim, o papel que a senhora está fazendo aqui, com todo o respeito, é um papel que, a mim, como médico, é difícil de suportar: colocar esse escudo de uma profissão milenar para defender o indefensável, que é expor a vida de milhões e milhões de brasileiros à própria sorte, largar à própria sorte.
E eu queria pra concluir... Eu fico emocionado, porque é muito duro: são 462.966 mortos. Eu tive parente que morreu. Todos tiveram parente que morreu. Porque a gente ficou envolvido por teorias, por interesses menores abaixo do interesse maior, que é proteger o maior bem e único bem que, de fato, a gente carrega, que é a própria vida e a existência.
15:44
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Coloque pra mim um esquema, que eu peço a liberdade aos meus pares da CPI pra apresentar aqui. Eu apresento aqui um organograma do tal do gabinete paralelo. Não estou dizendo que é isso, mas acho que estamos caminhando pra isso, Sr. Relator. Chamamos de núcleo negacionista.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Não tem nada a ver com PowerPoint.
Chamamos de núcleo negacionista.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Agora você é o...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Espera aí, espera aí... Sem esculhambação, Presidente.
A situação é séria.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, vamos lá.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Nós chamamos de núcleo negacionista, mas eu dizia núcleo teórico da imunidade natural de rebanho, porque eles não são negacionistas. Eles têm uma teoria nefasta, fúnebre, de expor à própria sorte os brasileiros com relação à doença. Aqui tem esse núcleo teórico: o Carlos Wizard; a Dra. Nise, que participou; o Paolo Zanotto; o Luciano Azevedo; o Ricardo Barros, que falou de teoria de imunidade de rebanho; e o Osmar Terra.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fora do microfone.) – E tem o Arthur.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – O núcleo operacional: o ex-Ministro Pazuello, Arthur Weintraub, Mayra Pinheiro e Ernesto Araújo, que esteve aqui com a gente. E o núcleo da comunicação do gabinete do ódio: Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Felipe Martins e Fabio Wajngarten.
Senhoras e senhores, eu quero dizer que é uma pena um país com a academia que a gente tem, com as universidades que a gente tem e a potência em saúde pública que nós representamos para o mundo estar passando pelo vexame que nós estamos passando neste momento. É um vexame – um vexame! –, porque este País foi referência na Aids, foi referência no aleitamento materno, maior programa de imunização do mundo. Esse País já foi uma potência em saúde pública.
Por isso, Sr. Presidente, fica aqui a minha manifestação de indignação com toda essa construção nefasta e fúnebre que está acontecendo na condução deste Governo e dos seus assessores formais e informais que levam o País ao luto.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Muito obrigado.
Senador Luis Carlos Heinze.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso responder, Senador?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu acho que ele fez...
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso responder?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Manifestação...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ele não fez pergunta.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É que eu fui citada, não é? Eu fui citada, eu gostaria de responder, porque eu não posso deixar isso passar assim...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pois não... Pode, pode, sim. Fique à vontade.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, é uma questão... O senhor me desculpe. Eu preciso... Eu fui citada de uma forma bastante veemente, eu acho que devo me posicionar.
A primeira coisa, Senador: eu entendo a sua indignação e eu entendo o seu background, a sua relação com a saúde pública. É bastante bem estruturada. Tudo passa pelo começo, que é entender que a hidroxicloroquina não funciona, porque, se a hidroxicloroquina e os tratamentos iniciais não funcionam, aí realmente o senhor teria razão. O que acontece é que essas medicações têm sido bastante eficientes em tratar pacientes precoces.
15:48
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E não dá para misturar todos os casos em todos os níveis conforme tem sido colocado.
A outra questão é com relação a essa...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Dra. Nise, a senhora vai me desculpar, mas eu vou dizer uma coisa para a senhora que a Dra. Mayra disse aqui.
A Dra. Mayra disse aqui que, se 80% têm a doença na forma leve, se esses 80% se contaminam, nesses 80%, tomando ou não hidroxicloroquina, o resultado é o mesmo e vai parecer eficiente. Pelo amor de Deus!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, porém...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – Não vamos insistir nisso, porque...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... para aqueles pacientes...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - SE) – ... isso significa mais vidas perdidas!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Acontece que, exatamente para aqueles outros 20% que não têm uma evolução benéfica ou 15%, o tratamento inicial é bastante importante para diminuir o número de pacientes que vão evoluir para doenças mais graves. Isso posto, essa discussão que nós estamos tendo com relação à academia, à parte científica, etc., este é o ponto central dessa avaliação, que é a gente dizer que existe ou não um tratamento eficiente. E todos os esforços deveriam ser feitos para que a gente conseguisse cientificamente estar em conjunto com as pessoas e fazendo a diferença.
E a outra questão. Eu tenho que colocar o meu repúdio a esta situação em que estou colocada ali, dentro de um gabinete de exceção. Eu estou me sentindo aqui bastante agredida nesse sentido, porque eu estou como colaboradora eventual de várias ações de uma relação direta com a situação clínica dos nossos pacientes e eu gostaria de ter, portanto, Senador, a necessária avaliação com relação a essa posição. Então, para mim, neste momento, é bastante importante que... O Governo é um só, o País é um só. Nós precisamos estar nos relacionando entre os diversos partidos a partir de uma coerência e um conjunto de ações. Então, eu não acho que a gente possa ser colocado como alguém que atrapalha uma situação, quando a gente está trabalhando cientificamente e tecnicamente para a evolução dos conhecimentos. Então, é somente posicionando essa situação, para que a gente possa caracterizar muito bem essa situação.
Muito obrigada.
Obrigada, Presidente, por ter concedido...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – Eu vou passar ao Senador Luis Carlos Heinze.
Dra. Nise Yamaguchi, a senhora já fez palestra remunerada para algum órgão estatal?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Nenhum?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora veio todas as vezes a Brasília com recursos próprios? A senhora disse...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, teve...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só uma vez...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Teve...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só uma vez...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Teve o episódio em que eu fiz aulas de imunologia e em que eu fui...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas a senhora recebeu por isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não recebi.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não é? Muito obrigado. É só para saber...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nunca recebi nenhuma remuneração por órgão estatal para dar aulas...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – É porque a gente vê a sua vontade em querer acertar. Isso é louvável!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente! Obrigada!
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Isso é louvável! Só que, até agora, a senhora não conseguiu comprovar... E a senhora afirmou agora que os tratamentos davam resultado, mas não tem cientificamente nada comprovado.
Eu sempre digo que não vou discutir... Teoricamente, eu não entendo absolutamente nada. Não entro na discussão técnica que um médico pode ter com a senhora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu só faço questionamento. Respeito a ciência.
Doutor... Professor... Desculpe, Senador Luis Carlos Heinze.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS. Para interpelar.) – Sr. Presidente, colegas Senadoras e Senadores, Dra. Nise, é um prazer estar com a senhora aqui. Desculpe alguns aborrecimentos – faz parte do jogo. Primeiro, Senador Randolfe, quando a gente fala em letalidade, eu estou citando o número, que foi citado aqui, da letalidade do Governo do Estado do Amapá – certo? Fala de 1.50. Esse é o Boletim Epidemiológico do dia 22 de maio. Não peguei o desta semana, mas o da semana passada, que nós retiramos ali.
15:52
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Depois, o Senador Otto Alencar, outro dia, na semana passada, fez uma colocação de que, como a Covid é um vírus, não tinha tratamento para vírus, Dra. Nise. Só estou trazendo aqui: "Cientista brasileiro descobre que pode proteger fetos contra zika vírus". O Prof. Alysson Muotri é professor da Universidade Federal da Califórnia. Está aqui! Então, está colocado aqui que também combate vírus. Chikungunya, que V. Sa. também sabe, é um vírus e é combatido com hidroxicloroquina. Portanto, não tem por que dizer que não tem eficiência nenhuma o tratamento.
Senador Humberto Costa, V. Exa. falou em Didier Raoult, e cito de novo ele. Aqui está: "nunca mudou a sua opinião sobre a hidroxicloroquina". Ele fez uma correção em um erro secundário num dos seus artigos, e, assim mesmo, após a correção, publicou novos estudos e reitera que o tratamento com hidroxicloroquina é eficaz.
"Estudos em exatos 10.429 pacientes demonstra a eficácia da hidroxicloroquina para tratar pacientes e evitar o avanço da Covid-19"
No twitter desta semana, 27 de maio, ele respondeu à fake news que V. Exa. falou aqui. Então, a resposta dele, no twitter particular dele. Eu não tenho na mão aqui, mas aqui está o trabalho dele revisando isso. Revisado, é um cientista que não se pode desmoralizar.
Dra. Nise, vamos aos trabalhos. Foi falado aqui em pesquisas. Vários Senadores falaram aqui em pesquisas, e quero chamar, Senador Otto, bem a atenção: pesquisas... O caso do Coalizão, que foi citado aqui, é uma das tantas pesquisas – Coalizão, que V. Exa. deve ter aí... V. Sa. citou, Dra. Nise, que tem pesquisas que atestam a eficiência da hidroxicloroquina em pacientes leves e moderados e que, quando foi em pacientes graves, não tem eficiência. E, infelizmente, é isso que foi o que... A Organização Mundial da Saúde pegou pacientes graves, como foi aquele estudo criminoso – repito: criminoso – realizado em Manaus, publicado na revista Jama. Então, entendam bem: pacientes graves. Esse é o ponto para o qual eu quero chamar a atenção.
E, depois, o caso do Coalizão também... Uma pergunta que deixo ao Grupo Coalizão que responda. Eles estão fazendo uma pesquisa com pacientes leves e moderados desde o ano passado. Estão recrutando, Senado Jorginho Mello, pacientes. Por que eles não acham, Senador Marcos Rogério, pacientes leves e moderados? Será que não existem no Estado de São Paulo ou em qualquer Estado, como no meu Estado também, o Rio Grande do Sul? Em vários Estados, eles estão fazendo isso. Então, parece que eles não têm interesse nessa questão. Só estou citando aqui para a gente poder pontuar e esclarecer essa questão.
15:56
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Então, Dra. Nise, veja o seguinte: eu já falei, na semana passada, da pesquisa em Harvard, uma universidade respeitadíssima, e essa pesquisa foi publicada na revista The Lancet, em que houve a retratação. Agora eu pergunto: quem pagou essa pesquisa, Senador Omar Aziz? Foi um escritório lá de uma moça – nem citei o nome dela outro dia e aí já saiu no Twitter que eu tinha citado o nome de uma atriz pornô. Não citei o nome da atriz pornô, só citei que era uma empresa de uma atriz pornô.
Senador Marcos Rogério, quem pagou essa pesquisa?
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO. Fora do microfone.) – Quem?
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Não sei, isso é que eu quero saber. Como é que essa moça tem interesse em fazer uma pesquisa sobre hidroxicloroquina? Qual é o interesse dela em cima dessa pesquisa?
Isso tudo foi feito junto com esses pacientes graves do Coalizão e tantos outros – Dra. Nise tem ali –, inúmeros casos, para criminalizar esse tratamento. É bem claro isso.
Existem segundas intenções. Quando eu vi o Senador Renan lhe perguntar, Dra. Nise: a senhora tem interesse em hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina, ivermectina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Tenho...
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Como se tivesse recebendo propina para poder recomendar esse tratamento.
Agora, e a big pharma, Senador? A big pharma: será que não foram eles que financiaram o trabalho em Harvard, Senador Marco Rogério? Alguém financia. Com que intenção? Com que interesse? Pra criminalizar um tratamento barato que em qualquer lugar se pode fazer e se adotar, o tratamento com ivermectina, que hoje o mundo inteiro reverencia, com azitromicina, com cloroquina, hidroxicloroquina, vitaminas, sei lá, esse tratamento que o Estado do Senador Randolfe utiliza.
Se tem essa baixa letalidade é porque utilizam esse tratamento. E eu gostaria que o Brasil pudesse adotar esse tratamento, que vários outros Estados pudessem adotar esse tratamento também.
Por exemplo, o Rio de Janeiro...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mas não tem baixa letalidade.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Como é?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Letalidade é o número de óbitos...
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Está aqui, doutor.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – ... entre os que adoecem.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Está aqui, doutor.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Mortalidade é outra coisa.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Não, letalidade. Estou falando letalidade. É o dado do seu Estado. Estou pegando aqui o boletim do seu Estado que me passaram aqui.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O boletim do meu Estado coloca em sexto o número de óbitos.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Está aqui: relatório epidemiológico do dia 22 de maio.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Coloca em sexto o número de óbitos no Brasil. Compare com os outros Estados da Federação. Está aí o boletim do Estado, faça a comparação com os outros.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Está aqui. Está aqui: taxa de letalidade.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Compare com os outros Estados do País.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Está aqui.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O número de óbitos comparado com a população.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – É de 1,50, enquanto o Rio de Janeiro é de 5,9.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O senhor, com isso, desrespeita, inclusive, os amapaenses que morreram. Faça isso não!
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Não, está aqui...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não desrespeite os meus conterrâneos que morreram. Não faça isso!
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Eu não estou desrespeitando.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Está porque esse dado está errado.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Esse dado é do Governo do Estado. Então, o errado é o Governo do Estado de V. Exa.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Está errado. Mas está errado.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Mas eu recebi dados dele.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Não me surpreendo se o Governo do meu Estado estiver errado também, a propósito.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Eu estou colocando aqui dados do Estado de V. Exa.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Que está errado. Qualquer comparação científica no Ministério da Saúde mostra que nós não somos um dos Estados onde menos se morre por Covid.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Eu estou falando de dados que eu recebi do Governo do Estado do Amapá.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Errados. O senhor está falando de dados errados!
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Bom, vou buscar e, na semana que vem, nós conversamos. Amanhã podemos conversar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Quando o senhor quiser.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Então, Dra. Nise, eu só quero fazer essa colocação – entendam bem o que estou falando: tem outros interesses, e os interesses são da big pharma. Grandes interesses em cima dessa questão, seja por vacinas, seja por medicamentos caríssimos de que o pessoal está falando.
Mais um ponto para o qual eu quero chamar a atenção das senhoras e dos senhores: o Reino Unido não preconiza o tratamento precoce – os Estados Unidos também não. Inclusive, neste último final de semana, houve um protesto lá.
E o que diziam lá os cartazes, Senador Marcos Rogério? "Nós não queremos lockdown – protestos nas ruas de Londres – e nós queremos o tratamento com cloroquina, com hidroxicloroquina e azitromicina". Protestos, cartazes que o pessoal fez agora, nesse final de semana, lá na Inglaterra.
16:00
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Preste atenção: nos Estados Unidos, a letalidade é 1,79, e já se vacinou 85% da sua população. No Reino Unido, a letalidade é 2,86 e já se vacinou 89% da sua população. Na China, que vacinou apenas 36%, a letalidade é 0,5%. Na Índia, que vacinou 14% da população, a letalidade, Senador Marcos Rogério, é apenas 1,14%.
Então, este é um ponto importante que eu gostaria que ficasse registrado nos Anais desta Comissão: aqui estão países que vacinaram e que não adotam o tratamento precoce, e estão países que vacinaram muito menos e adotam o tratamento. É o caso da Índia, especificamente, que recentemente teve um surto, um problema sério numa província, e que voltou a adotar, com urgência, esse tratamento.
Então, a nossa insistência, o grande debate de hoje aqui é que o Brasil precisa da vacina, sim, e o Brasil precisa também do tratamento precoce. É isto que nós estamos colocando: a necessidade de nós trabalharmos, com urgência, as vacinas e também o tratamento precoce. Esse é o ponto importante que nós precisamos ter.
E temos dados de quase 100 milhões de doses que já foram liberados e 67, 68 milhões de doses aplicadas no Brasil, que, claro, não tem o mesmo percentual do Reino Unido, mas, em números de doses aplicadas, nós somos o quarto país do mundo. Então, esse é o ponto importante. E o Brasil também já comprou 662 milhões de doses de vacina. E o Brasil também, Senador Marcos Rogério, já tem hoje empenhado em torno de 28 a 29 bilhões. Para mais de 500 milhões de doses já estão empenhados recursos para o pagamento dessas compras que foram feitas.
E também esclarecendo aqui à Comissão o que foi falado aqui pelo Butantan, que nós já poderíamos ter comprado 45 milhões de doses de vacina no mês de dezembro, não é real. Repito o que disse e vou reafirmar – e que as empresas de checagem e de rechecagem chequem o que eu estou dizendo: se a documentação entregue na Anvisa pelo Butantan, Senadora Eliziane, foi em 30 de novembro – a primeira documentação foi em 30 de novembro –, a documentação solicitando a autorização emergencial saiu em 8 de janeiro, a Anvisa não demorou e, uma ou duas semanas depois, autorizou, como é que eles podiam entregar 45 milhões de doses no mês de dezembro? Mentiu quem falou. Mentiu.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sr. Presidente, só pela ordem, para repor a verdade. O Diretor Presidente da Anvisa esteve aqui, meu amigo, Senador Heinze...
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Sim.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – ... e explicou, com toda a clareza, que, para compra, não é necessário registro ou autorização.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Precisa, precisa.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Registro e autorização são necessários para a aplicação.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Não, precisa.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senão o Brasil não teria comprado a AstraZeneca.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Precisa.
Não, a AstraZeneca é outra situação.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Fez compra das outras vacinas, Senador Heinze.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – A AstraZeneca...
Deixe-me responder.
A SRA. ELIZIANE GAMA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - MA) – Iniciou a compra das outras sem nenhuma autorização.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – A AstraZeneca foi um acordo de compra tecnológica. O Brasil, através da Fiocruz, com a Fiocruz, o Governo brasileiro, houve uma entrega tecnológica diferente da compra de vacina, que foi o caso do Butantan. Então, esse é o caso bem claro.
Da mesma forma, a Pfizer falava que podia ter entregue vacina. A diferença do que foi comprado, até 30 de junho, para o que era para ter sido entregue é de 3 milhões de doses – vinte milhões para dezessete milhões, o que foi efetivamente realizado.
Então, só para fazer essas colocações, nós entendemos, Dra. Nise, que precisamos do tratamento precoce e precisamos da vacinação. É imperiosa a vacinação e vamos continuar trabalhando a vacinação. E precisamos também do tratamento precoce.
16:04
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A constatação é esta: que existem grandes interesses contra o tratamento precoce. Se 28, 29 países do mundo adotam esse procedimento, por que é que nós não podemos adotar? Por que é que nós temos que criminalizar? V. Exa. está sendo execrada nesta Comissão porque preconiza esse tratamento junto com... São 14, 15 mil médicos – 14, 15 mil médicos – que se juntaram no Brasil, via WhatsApp, e que tiveram coragem, enfrentando Ministério Público, enfrentando pressões de Governo, como é o caso da Dra. Raissa.
Repito o caso da Dra. Raissa, lá no Estado da Bahia, na cidade de Porto Seguro. Ela perdeu o emprego no hospital público da cidade de Porto Seguro. Por quê? Porque adota esse tratamento. Qual é a letalidade de Porto Seguro? É 0,8%.
Cito o caso de Serrana, que também foi citado aqui. "Ah, Serrana vacinou toda a população." O.k. A letalidade é 1,95. A letalidade de Porto Seguro... Em Porto Feliz, cidade de São Paulo, a letalidade é 1,14 e não tem esse número de pessoas vacinadas. Por quê? Porque o Prefeito Cássio Prado, médico, desde o ano passado, peleja com esse tratamento.
Assim como eles, dezenas, centenas de outros Municípios brasileiros adotam esse procedimento. Então, é importante que nós deixemos bem claro isso. Vamos parar de criminalizar aqueles que querem reduzir o número de mortes no Brasil. Eu me alio a essa gente. Não quero saber se a doutora é de direita ou de esquerda. Inclusive, Dr. Omar Aziz, Senador, a Dra. Nise nem votou no Bolsonaro.
A senhora pode até responder em quem votou, Dra. Nise?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Fora do microfone.) – Não. O voto é secreto.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Em quem a senhora votou para Presidente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O voto é secreto.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – O voto é secreto.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O voto é secreto.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – O voto é secreto.
O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) – Não. Se ela quiser dizer, ela pode dizer. Quer falar, Dra. Nise?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Na realidade, eu trabalhava junto com o Dr. Eduardo Jorge, desde antes, e a gente trabalhava pelas ações sociais.
Mas eu queria responder o seguinte: eu deixo aqui ao Ministério Público Federal um documento de todas as evidências científicas que são favoráveis ao tratamento da hidroxicloroquina. São mais de cem artigos mostrando a evidência da hidroxicloroquina. Um documento do Ministério Público Federal de Goiás totalmente elencado, inclusive com críticas aos críticos do tratamento precoce e com críticas aos principais estudos que elencam a não atividade. Então, esse é o ponto principal de tudo que nós estamos discutindo, que é exatamente a eficiência do tratamento precoce em torno do qual todos devemos nos juntar.
Então, isto que se está tentando fazer aqui, que é a demonização do tratamento precoce e das pessoas que participam dessa iniciativa, infelizmente é uma coisa muito séria e muito grave. E eu acredito que a gente deva se levantar veementemente para defender a nossa honra, porque o que existe, neste momento, é uma tentativa de destruição de um tratamento que tem salvado vidas no Brasil e que tem sido muito necessário. E, a partir do momento em que os senhores tiverem a oportunidade de receber as informações técnicas e científicas sem vieses, nós vamos ter outra visão para o Brasil e para a humanidade.
Eu participo de um grupo que está estudando economia da saúde, health economics, mostrando que, além de o paciente ter uma diminuição de efeitos colaterais da Covid, ele também tem um benefício real por diminuir bastante o número de internações e a morte. E cada vida conta.
16:08
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Então, senhores e senhoras, eu realmente me coloco aqui à disposição para que a gente possa discutir...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Sr. Presidente, apenas para...
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... discutir esta questão.
E coloco aqui, Sr. Senador, o documento da Procuradoria-Geral da República sobre a eficiência dos tratamentos precoces.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu gostaria de colocar em votação o Requerimento nº 716, do Senador Alessandro Vieira, que requisita informações a diversos órgãos em relação ao incêndio ocorrido no Hospital Nestor Piva, de Aracaju, que resultou na morte de quatro pessoas e em vários feridos.
Ele faz referência à Prefeitura Municipal de Aracaju, ao Centro Médico do Trabalhador, ao Corpo de Bombeiros Militar, ao Instituto Médico Legal, ao Ministério Público Estadual e à Polícia Civil.
Os Srs. Senadores que o aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado.
Com a palavra o Senador Alessandro Vieira.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Para interpelar.) – Muito obrigado, Sr. Presidente.
Dra. Nise, boa tarde.
Registro a evidente qualificação do seu currículo, o seu histórico de bons serviços prestados dentro da sua especialidade.
A senhora citou, durante a sua fala, tangencialmente, a obra do Viktor Frankl. E eu faço duas referências apenas à obra desse autor tão relevante. "Pode-se tirar tudo de um ser humano menos a liberdade de escolher a sua atitude em qualquer circunstância, escolher o seu próprio caminho". Ele disse outra coisa também muito importante: "a coragem da confissão eleva o valor do testemunho".
Faço esses dois registros porque a senhora se apresenta, aqui, na condição de cientista, especialista médica, ainda que, na minha vontade, fosse apenas como testemunha.
Como cientista e especialista médica, a senhora seguramente concorda que existe uma hierarquia ou escala de evidências científicas no tocante a sua qualidade e aceitação.
Perfeito.
A senhora pode verbalizar no microfone.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Sim.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Ótimo.
Dentro dessa escala de qualidade, eu solicitei ao Professor Paulo Martins Filho, da Universidade Federal de Sergipe, que analisasse 2.807 estudos no mundo todo com base nas diversas bases de dados científicos, aquelas de maior validade.
A senhora, certamente, como especialista, reconhece também que revistas científicas e publicações científicas têm diversas gradações de qualificação, aceitação e credibilidade. Correto?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sem dúvida.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Perfeito.
O estudo do Dr. Paulo, para não tomar muito tempo de todos nós, chega a 14 estudos internacionais da mais alta qualidade, que cuidam da questão da cloroquina e da hidroxicloroquina, em todas as fases – pré-contato, pós-contato, leves, graves. Nenhum deles recomenda o uso. Absolutamente nenhum deles.
Então, pergunto a V. Sa. qual é a motivação para uma cientista, uma médica como a senhora manter uma opinião, que fazia sentido em abril de 2020, hoje, já em junho de 2021?
Os estudos que a senhora traz e apresenta, estou vendo uma pilha de papel, me lembram da sua antecessora, Dra. Mayra Pinheiro, que gosta também de material impresso. Pilhas de papel não substituem as publicações.
Alguma dessas publicações impressas está publicada numa revista, num estudo dessa qualidade referida?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sem dúvida, Sr. Senador.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Pois não.
A senhora pode indicar?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É por isso que eu disponibilizo aqui os estudos: a Henry Ford Foundation, que fez o estudo da hidroxicloroquina.
Nós temos também diversos estudos com relação...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Doutora, a senhora pode indicar a publicação científica? (Pausa.)
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só a publicação científica, Doutora. (Pausa.)
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Nenhuma delas corresponde ao padrão científico referido.
16:12
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A gente está falando de estudos, Doutora, para facilitar o seu trabalho. Eu estou pedindo a V. Sa. estudos que tenham revisão sistemática, com ou sem metanálise, qualificadas, feitas por instituições sérias, publicadas em revistas sérias. Eu gostaria que a senhora pudesse me indicar alguma delas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente. Nós temos uma série, principalmente do Henry Ford Foundation, mostrando que essa publicação, com revisão sistemática da literatura, traz uma informação com relação aos dados, nos Estados Unidos, da utilização da hidroxicloroquina nessas instituições.
Uma outra solução, que foi da organização desses estudos, mostra que a hidroxicloroquina e a cloroquina são opções terapêuticas bastante importantes...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A senhora está com um pouco de dificuldade... Eu vou pedir ao Presidente que, depois, aguarde o envio desse estudo não identificado pelos seus colegas especialistas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso. Eu já estou entregando aqui para o senhor.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Não, a senhora está entregando uma pilha de papel, que significa muito pouco para a CPI, porque efetivamente não corresponde àquilo que os seus colegas cientistas, médicos especialistas, referendam como conhecimento de alta qualidade.
Lembre bem, Doutora, a gente não está tratando aqui da autonomia do médico. O médico, no seu trato com o paciente, tem autonomia. Nós sabemos disso. Nenhuma discussão nesse sentido há na CPI. Há, sim, a discussão da política pública que foi traçada, aparentemente, com base em evidências científicas de baixa qualidade ou insuficientes.
Como a gente está com dificuldade para essa resposta, vamos passar para a segunda pergunta. A senhora consegue esclarecer à CPI qual seria a motivação de todos os órgãos de regulação dos países mais desenvolvidos terem rejeitado esse tratamento, a partir do mês de abril de 2020? E, depois, sequencialmente, vários foram... Num primeiro momento, há uma discussão, como sempre acontece numa pandemia, porque nenhum país sério imagina deixar seu cidadão morrendo asfixiado. Nenhum país sério imagina que vai deixar sua economia definhar. Todos procuram soluções rápidas e baratas. Só que muito rapidamente isso aconteceu, sob o ponto de vista de revisão. A senhora, respondendo ao Senador Renan Calheiros, citou que, na ciência... Ele perguntava sobre um dos vídeos que a senhora editou e publicou, a senhora dizia que era com base no conhecimento daquela época. E tem meu respeito, porque efetivamente, em abril, talvez em maio de 2020, existia ainda uma discussão consistente sobre esse tema; mas daí em diante você vai tendo todos os órgãos, todos os países mudando sua orientação e passando a investir incisivamente em compra de vacinas.
Então, eu pergunto a V. Sa., existe alguma justificativa para essa conduta desses países todos, desses organismos todos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Veja, as vacinas são necessárias e o investimento relacionado às vacinas é extremamente importante.
O que ocorre em relação a essas medicações reposicionadas e de baixo custo é que elas precisam também ser aprovadas em estudos grandes, multicêntricos, e isso está sendo feito. O que ocorre nessas metanálises, que juntam conhecimento... Eu vi a sua fala com relação ao colega, excelente colega, mas existe também uma necessidade de avaliação com relação aos estudos em doenças precoces.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Doutora, a senhora me permita interrompê-la, só por conta da limitação de tempo que nós temos.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, o motivo pelo qual as indústrias e os países...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A pergunta que lhe faço é bastante objetiva. Por que países como Israel, Estados Unidos, União Europeia, todos eles abriram mão do uso desse remédio milagroso? A senhora consegue explicar isso? Fora da teoria conspiratória que se apresenta aqui, cotidianamente, de que existe um complô global para matar gente para vender vacina ou coisa que o valha. É isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não entendi.
Qual é essa teoria? Desculpe.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A teoria que é defendida, diuturnamente, pelas pessoas com as quais a senhora se reúne e não necessariamente lembra da reunião.
16:16
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Posso citar o Arthur Weintraub, posso recitar o Carlos Wizard, essa turma toda que defende que existe um complô global segundo o qual as pessoas estão morrendo...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É... Não. Desconheço essa questão. O que eu acho é que...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Então, a senhora consegue me apontar algum motivo racional para não usar remédio e deixar as pessoas morrendo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Existem vários países que estão realmente neste momento discutindo a questão da hidroxicloroquina. E não só a hidroxicloroquina como a ivermectina, que é uma outra medicação muito importante. E o que a gente tem é que os estudos que estão se acumulando de informações estão demonstrando a eficácia e vão ser submetidos de novo aos organismos regulatórios.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Doutora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O FDA americano...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sim. FDA americano que suspendeu, em junho, a indicação. Correto?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ...ele tem uma área relacionada a evidências de mundo real. E essa área de evidências de mundo real, ela está recebendo informações de todo o mundo com relação aos dados de tratamentos, inclusive, tratamentos precoces. O Canadá está fazendo a mesma coisa.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Doutora, o Canadá e os Estados Unidos deixaram de recomendar esses medicamentos no início do ano passado, só para reposicionar, porque as pessoas ficam ouvindo e realmente é muito difícil. O tema é árido. Eu não sou especialista.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas o senhor tem dados.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Mas me dou ao trabalho de buscar especialistas.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com certeza. E, inclusive...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – E acredito que é possível traçar uma boa linha de raciocínio lógico.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exato.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Qual é o raciocínio lógico que aponta para Canadá e Estados Unidos deixarem de usar um medicamento e a gente continuar defendendo o uso desse medicamento hoje, mais de um ano depois?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, eles estão baseados nesse momento nos dados anteriores, inclusive...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Doutora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ...nos dados do nosso artigo, do Amazonas, está lá, dando as negativas. E foi um dos motivos principais da recusa...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Doutora essa é mais... A senhora me permita...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ...naquele momento.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Eu sinto muito de ter que interromper. Não gostaria de ter esse tipo de conduta.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Foi isso que aconteceu.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Mas o estudo a que a senhora se refere foi objeto de avaliação no Conselho Federal de Medicina, foi objeto de avaliação no Ministério Público Federal e todos os procedimentos foram arquivados porque o procedimento de pesquisa foi considerado válido.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É que a dose era alta e a toxicidade era muito alta.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – É profundamente... É porque in vitro só funcionava com dose alta. Certamente a senhora tem essa informação.
Me permita, por favor, trazer os fatos para o que eles são de realidade. O Brasil não merece mais desinformação. Eu não citei o Viktor Frankl à toa ou para ilustrar uma fala. É porque eu tenho a expectativa de que uma pessoa que tem a sua formação, a sua inclinação humanitária, em algum momento faça um juízo de revisão de consciência, porque é inacreditável que um profissional médico de alta qualificação rejeite todas as orientações das grandes instituições científicas, das grandes entidades de regulação, dos países que são referência em saúde e continue persistindo em falas que são, infelizmente, lastreadas apenas em artigos de menor qualificação.
Eu pergunto: a senhora tem algum tipo de vinculação política com o Governo?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A sua irmã foi candidata à Deputada pelo partido do Governo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ela foi.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Perfeito.
Ela acompanhou a senhora nessas reuniões?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ela tem ideias próprias.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Fico feliz em sabê-lo. Espero que isso ajude o Governo em algum ponto.
Ainda sobre a questão que a senhora apresentou aqui da famosa reunião para mudar a bula, que não era para mudar a bula.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ótimo! Está bem claro, não é?
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Isso!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – E que...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Isso! Já entendi perfeitamente. E achei o jogo de palavras bastante interessante.
Tive o cuidado, evidentemente, de entrar em contato com o Almirante Barra...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Claro!
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – ... com o ex-Ministro Mandetta, que estavam presentes nessa mesma reunião e que, sentados aí onde a senhora está, disseram, com toda a clareza, que o objetivo daquela reunião era apresentar um documento, um decreto a ser assinado pelo Presidente da República... Está no documento que a senhora apresentou, inclusive.
16:20
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O documento que a senhora trouxe à CPI – e que está na ata notarial que a senhora junta – é um documento cujo objetivo era colher a assinatura do Presidente da República. O que esse documento pretendia fazer era garantir a dispensação de medicamentos fora daquilo que era originalmente previsto no seu registro. Esse é o fato. A senhora trouxe um documento nesse sentido.
Então, esse jogo de palavras para dizer que "não, não era para alterar a bula", era para ter um documento oficial do Presidente que passasse por cima da Anvisa, passasse por cima do Ministério, passasse por cima de todos e disponibilizasse um caminhão de cloroquina ou hidroxicloroquina para as pessoas, quando não existia, já naquele momento, nenhuma evidência que desce lastro a isso.
A senhora não confirma que o documento era destinado a ser colhida a assinatura do Presidente da República e alterar a política e a distribuição desse medicamento?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não participei da consecução desse documento.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Mas a senhora leu o documento. A senhora juntou até uma ata notarial sobre ele.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente. Eu recebi depois a questão do documento, e ele não pretendia...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – O documento está datado de 6 de abril, se eu não estiver enganado.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas eu não participei dele.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A senhora, inclusive, faz uma ressalva no documento. Na ata notarial que a senhora juntou, a senhora faz uma ressalva de que iria expor o Presidente e que não era o formato.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Que não é pesquisa clínica. É óbvio, isso não é pesquisa clínica, isso não deve ser feito jamais.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Mas, ainda assim, a senhora participou de uma reunião onde o Dr. Luciano Dias, que espero que já esteja convocado – e, pelo amor de Deus, Presidente, como testemunha –, para que a gente possa ouvi-lo com o rigor que a lei exige. E a senhora participa dessa reunião, conduzida pelo hoje Ministro da Defesa, então Ministro da Casa Civil, General Braga Netto, com o objetivo específico de viabilizar ou facilitar a dispensação desse remédio. Não foi esse o motivo da reunião?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não sei se esse era o objetivo real da reunião. Eu participei da reunião como convidada para discutir as ações da hidroxicloroquina e não para a mudança de bula por decreto.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A senhora recebeu previamente aquele documento do Dr. Luciano?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Recebi depois o documento, exatamente, aliás, era um draft que garante que não é a mudança em bula.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador Alessandro, o contra-almirante disse que foi até ríspido, coisa que ele depois até ficou chateado, porque ele foi muito ríspido quando viu esse documento trocando a bula da cloroquina, e ele disse que a senhora estava na sala. A senhora não estava na sala?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu estava na sala, mas eu não tinha acesso ao documento.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não, não. Eu não falei isso. A senhora estava na sala?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Estava na sala.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu não disse que a senhora teve acesso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora estava na sala. Ele foi ríspido?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não achei que ele foi ríspido, tanto é que ele depois...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ele é um contra-almirante.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, ele realmente não foi ríspido.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ele é um contra-almirante, ele não ia aqui jogar a carreira dele fora para inventar uma história.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – A senhora estava na sala. Bom, qual foi a posição dele naquele momento em que ele viu o documento? A senhora lembra?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Não, ele simplesmente falou que seguia o que Dr. Mandetta tinha falado, que não estaria nesse momento fazendo modificações na indicação da hidroxicloroquina.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Mas, se não tinha nenhum documento lá, Dra. Nise...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... de onde surgiu essa conversa de mudança?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Nós conversamos naquele dia sobre a RDC.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ah então tá. Está bom.
Senador Alessandro, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu fiz essa discussão com ele sobre a RDC. Exatamente.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE. Fora do microfone.) – Então houve uma discussão para a mudança?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, houve uma discussão, para a discussão. E foi claro, foi claro que eles achavam que não era a hora. E eu avisei que, então, através das novas regulamentações, realmente não havia necessidade. Mais tarde, a gente reconversou sobre isso.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Então ocorreu?
16:24
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, a reunião ocorreu, a reunião teve um debate sobre a questão da hidroxicloroquina e das suas indicações. Tanto o Ministro quanto o Barra Neto achavam que não era a hora. Então, ficou de, eventualmente, a gente ter reuniões. Eu até me dispus a mandar mais tarde uma solicitação de reunião, que a gente não precisou fazer porque aconteceu uma sequência que o paciente poderia receber com o consentimento informado através da legislação pelo direito do médico de prescrever. Então, não seria o caso ainda, com os dados que existiam, de se fazer qualquer solicitação, mesmo com relação às ações que o Ministério da Saúde quisesse. Eu aceitei. Ele foi extremamente comigo – eu não percebi nenhuma indisposição –, ele foi extremamente correto, ele me deu até a possibilidade de eu marcar com ele reuniões para poder discutir esse assunto. Então, eu não vejo nenhuma irregularidade em você, dentro de um gabinete da Presidência, da Casa Civil, com o Ministro Braga Netto, com o Ministro da Saúde, com o Almirante Barra, que isso não é um gabinete paralelo, isso é um gabinete de informação do Governo...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Só para ajudar a senhora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... e eu participei dessa solicitação para conversarmos. Então, de forma alguma isso se pauta por uma relação externa. Inclusive, eu tomei o cuidado de conversar com o assessor do Ministro Mandetta antes de ir pra reunião, através do Dr. Denizar Vianna, explicando exatamente essa preocupação com esse momento em que nós estávamos dentro da pandemia. Então, é tudo dentro de um Governo, que é um Governo único.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Dra. Nise, esse Governo lembra muito mais um governo esquizofrênico, mas eu não vou fazer como alguns colegas que tentam dar diagnóstico, receitar.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom, desculpe. Eu quero deixar bem claro que a minha participação é interna.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Não é a minha especialidade. Então, certamente não é um Governo que tem postura única.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ela não é uma participação externa.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Me permita só lhe dar uma informação, partindo da premissa de que a senhora não saiba e não da premissa de que a senhora está mentindo deliberadamente: o Arthur Weintraub, com quem a senhora tem contato e que fez esse chamamento inicial, anunciou, com toda a clareza, numa live com o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, que, se o problema era não constar na bula, o.k., vamos mudar a bula, não tem problema.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Bom, aí é uma questão que eu não tenho como discutir.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Perfeito.
E só para encerrar, Sr. Presidente, efetivamente, eu quero dizer que ainda tenho a expectativa de que a senhora, em algum momento, consiga fazer a volta e recuperar a credibilidade que a senhora merece pelo seu histórico, mas continuo dizendo com clareza: é inaceitável um profissional de alta qualidade rejeitar os estudos técnicos de entidades qualificadas e tentar valorizar ou divulgar estudos que foram encerrados, como é o caso do estudo da Henry Ford, por exemplo. A senhora sabe que esse estudo foi descontinuado porque ele não gerou os resultados que a senhora está dizendo. A senhora tem consciência disso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, na realidade, eu quero dizer o seguinte: eu estou neste momento...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – A senhora tem consciência de que esse estudo que a senhora citou pra CPI como lastro científico foi descontinuado pela própria entidade porque ele não gerou nenhum tipo de resultado que indicasse proveito no uso da hidroxicloroquina?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não foi essa a informação que eu tive.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Qual foi a informação que a senhora teve?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A informação que eu tive é que ele foi publicado, ele tem um lastro científico, sim, e ele tem uma evolução benéfica dos pacientes. Foi essa informação que eu tive, baseada...
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Eu vou pedir a juntada do documento posterior...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas, assim, foi essa a informação que eu tive dentro das informações...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho. A senhora disse que foi publicado, mas a senhora não leu a publicação.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Eu li a publicação.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Então, foi publicado.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim. Ele foi publicado e ele teve uma evolução benéfica. E a gente tem aqui uma importante contribuição.
16:28
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O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Esse estudo começou em abril de 2020, foi encerrado em dezembro de 2020, encerrado por não demonstrar evidências suficientes. Isso pode ser encontrado em vários documentos e foi formalmente comunicado aos órgãos americanos, salvo engano, em 21/12/2020. Nós não conseguimos encontrar nenhum outro tipo de estudo na Fundação Henry Ford.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Essa informação eu não tinha.
O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Pois é. Ela é de dezembro do ano passado. Então, da mesma forma como é também do final do ano, do começo do ano a informação de que o estudo feito pelo Instituto de Medicina Tropical do Amazonas, em nenhum fórum onde ele foi questionado, houve apontamento de irregularidade ou crime. E a gente está vendo aqui, diariamente, acusações reproduzindo informações que já são sabidamente falsas por quem reproduz.
Eu tenho que confessar para a senhora que isso me assusta, porque eu não consigo compreender como uma profissional da saúde se dispõe a uma exposição deste tamanho, não sei que nível de vontade, enfim, de ter esse acesso ou de vaidade, não sei, que coloca um profissional com a qualidade que a senhora tem numa situação como esta. Eu profundamente lamento e desejo que a senhora consiga retomar o seu rumo.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Qualquer acusação contra os profissionais do Instituto de Medicina Tropical e da Fiocruz do Amazonas é de uma irresponsabilidade tamanha, porque eu os conheço. Fui Governador no meu Estado e me orgulho muito do trabalho que o Instituto de Medicina Tropical faz e a Fiocruz faz no meu Estado, porque lá nós temos doenças e o mundo todo vai atrás do conhecimento deles, porque eles pesquisam de fato e não têm a irresponsabilidade de publicar qualquer coisa sem antes pesquisar bastante. Por isso, fora o conhecimento técnico e científico que eles têm, é de um respeito grande. Não creio que alguém faria um teste simplesmente para matar pessoas só para dizer que a cloroquina não serviria. Isso é uma brincadeira que se levantou de uma forma tão vil, tão cruel, contra pais de família, contra profissionais, porque a gente tem que ressaltar isto, o trabalho que eles fazem. E eles continuam perseguindo, ameaçados por gangues travestidas de pessoas honestas, do bem, como se fossem pessoas que irão para o céu quando forem a óbito. Não vão; vão tudo para o inferno, porque eles só conseguem fazer o mal, e um mal muito grande, propagando mentira, propagando inverdades contra famílias de bem e profissionais que são respeitados no mundo todo. Volto a repetir: os profissionais do Instituto de Medicina Tropical do meu Estado, de que me orgulho muito, o Estado do Amazonas, são profissionais de altíssima qualidade. Não é qualquer profissional que conhece doenças tropicais como o Instituto de Medicina Tropical do Amazonas conhece no mundo. Só para deixar isso bem claro.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Como Relator.) – Dra. Nise, no dia 20 de outubro – rapidamente, Presidente –, o Ministro Fábio Faria publicou, no seu Twitter pessoal: "Vivemos em um país democrático, governado por um Presidente que luta pela liberdade do povo. Isso significa que nós, brasileiros, temos o direito de escolha. Ninguém pode impor vacina, sobretudo porque sabemos que as vacinas seguras costumam demandar tempo. Na minha casa não entra [vacina]".
A senhora conversou com o Ministro Fábio em algum momento, o conhece, já esteve com ele?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Não conhece?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Tá. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Com a palavra a Senadora Leila Barros, por quinze minutos. Da Bancada Feminina.
16:32
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A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF. Para interpelar.) – Obrigada, Sr. Presidente.
Bom, antes de iniciar as minhas perguntas, eu gostaria de esclarecer algo que os meus colegas Senadores e Senadoras e todos que acompanham o meu trabalho aqui na Casa já sabem. Eu tenho um lado nesta CPI e o meu lado é claro, é a ciência. Eu defendo incondicionalmente e estou entre aqueles Parlamentares que aqui na Casa acreditam e têm muita esperança na vacina. E é o que a gente tem feito aqui, né, Fabiano, todos que nos ouvem: diuturnamente, trabalhado para que essa vacina consiga chegar a todos os brasileiros da forma mais rápida possível e de forma eficiente.
Mais cedo eu fiz uma intervenção aqui, Sr. Presidente, Sr. Relator. Eu só gostaria de esclarecer que a minha intervenção não foi para defender nem A, nem B. Eu simplesmente quis garantir aqui o direito da palavra da depoente. Apenas nesse sentido, mas não em defender nem A, nem B, porque, mais uma vez, digo a todos aqui que eu tenho um lado e esse lado, é claro, é a ciência.
Dra. Nise, eu me sinto contemplada pela maioria dos questionamentos que os meus colegas fizeram hoje para a senhora, mas eu gostaria de saber da senhora algumas opiniões.
A senhora deu uma entrevista à CNN no dia 17/5/2020, logo após a saída do Ministro Teich. A senhora falou várias vezes sobre a importância da comunicação em uma pandemia, defendendo a transparência e criticando a polarização da crise.
Eu gostaria de perguntar para a senhora: o que a senhora achou das mudanças nos critérios de contagem de contaminação e óbitos por Covid-19 promovidas pelo então Ministro Pazuello, que comandava o Ministério da Saúde àquela época, que acabaram levando os principais veículos de comunicação a criar um consórcio para manter a população informada? O que a senhora achou sobre essa contagem e, depois, o cancelamento da transparência nos dados para toda a população?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Eu não tive nenhuma avaliação mais específica da forma como isso foi feito. Então, eu não tenho dados, não tenho elementos para avaliar tecnicamente o que aconteceu.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Tá, mas a senhora não acha, como o Ministério da Saúde, enfim, é o ministério que comanda a saúde do País, era o que deveria dar diretrizes, planejar. Em vez de dar transparência, ele cancela essa informação para a população e aí entra um consórcio de comunicação, que tem que passar diariamente esses números. A senhora acha correto esse tipo de postura vindo de um ministério?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho como julgar, Senadora, porque eu não tive acesso a toda a estratégia, a toda a estrutura de mensuração de dados, o que estava acontecendo de banco de dados, de informações que chegavam, etc. Então, eu não tenho como avaliar.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Eu aproveito para perguntar à senhora também o que a senhora acha do isolamento social, do uso de máscara e do álcool gel. O que a senhora acha?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Acho absolutamente necessário o isolamento social, o uso de máscara e álcool gel. Estimulo bastante, inclusive, em todos os pacientes essa orientação.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Não seria importante que a comunicação do Governo Federal fosse mais clara na defesa dessas medidas de prevenção?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Pelo que eu entendi, pelo menos assim naquilo que eu vi, já que eu não tinha participação, e reitero, não tinha nenhuma participação nessas decisões, havia uma... Inclusive, desde o Ministro Mandetta havia a determinação de que isso fosse feito. Sempre ele usava máscara, sempre ele usava álcool gel, sempre ele usava isolamento. Então me parece que o ministério veio fazendo essa orientação. Agora, eu não tenho, como eu falei, condições de avaliar o que o ministério fazia ou deixava de fazer, porque eu não estava lá dentro e nem tinha ascensão sobre as decisões dos ministros nesse tocante.
16:36
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A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – O que a senhora acha da promoção de aglomeração na conjuntura atual, com média, aproximadamente, de duas mil mortes diárias e a retomada da lotação das UTIs? O que a senhora acha? A que se deve isso?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós temos um problema sério. Eu acho que nós temos, nesse momento, a geração de uma resistência. As UTIs estão lotadas. Eu acho que a gente precisa aumentar... Houve uma necessidade de aumentar a rede de hospitais. Isso eu acho bastante importante. Acho importante também o treinamento que foi feito para todo o Ministério da Saúde e os intensivistas, porque muitas pessoas não sabiam como fazer esses procedimentos.
Agora, neste momento, cada unidade do Estado está decidindo tecnicamente com relação às suas decisões, porque é uma coisa muito regionalizada. As áreas... Por exemplo, em São Paulo, nós temos uma contagem com relação a essa aglomeração que é feita diariamente e o Governo do Estado é quem decide como é que deve ser feito.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Como colaboradora eventual no enfrentamento da Covid-19 e o seu currículo profissional, como a senhora avalia a gestão do Governo Federal?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Senadora...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Quais os erros e o que poderia ser feito...
Então não vamos comentar, mas o que a senhora acha que poderia ter sido feito e que não ocorreu? A senhora, como cientista, que colaborou eventualmente, dentro do Governo dando as suas orientações, as suas sugestões, o que a senhora acha que poderia ter sido feito? O que erramos e o que podemos fazer de agora para frente?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Senadora, eu agradeço porque a senhora é a primeira Senadora que nessa CPI fala que eu sou colaboradora eventual. Eu realmente estou nessa posição. E eu acho que nós devemos fazer uma união de forças entre Prefeitos... Eu trabalho inclusive com o conselho de secretários estaduais de saúde. Eu quero que haja maior eficiência.
Nós tínhamos até discutido como nós poderíamos ajudar todos os Estados do Brasil com relação à melhoria dos seus leitos, à melhoria do seu sistema. Então, eu acho que o momento exige uma integração de forças e não essa demonização...
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Perfeito. Mas a senhora acha que o Governo Federal tem... Assim, uma coisa é a ideia da senhora, é a sua sugestão, como eu pedi, obviamente; outra coisa é perguntar à senhora: isso a senhora acha que desde o início da pandemia tem tentado ser feito?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que esta Casa tem sido muito sensível nisso. Eu participei de audiências públicas, inclusive com o Senador Girão, falando de tratamentos precoces, em que tínhamos pessoas a favor e pessoas contra. Então, esse debate bastante ético e bastante transparente.
A questão das vacinas obrigatórias. Em outubro, eu participei também de discussões. Acho que esse momento é um momento de avaliação de todas essas forças e com certeza, juntando os cientistas, os médicos... Os médicos de beira de leito, todos eles que estão trabalhando dia e noite em prol do tratamento imediato, do tratamento intermediário, em cada faze da epidemia, porque nós temos que saber tratar em cada fase. E é isso que eu estou me esforçando tanto para fazer com que o Brasil compreenda que nós precisamos ter tudo: nós precisamos ter prevenção através das vacinas, que não é tratamento; nós precisamos ter tratamento; nós precisamos ter diagnóstico; nós precisamos ter estrutura. O Brasil precisa de mais estrutura em saúde, inclusive de verbas dentro do orçamento pra saúde básica, porque a saúde básica está carente disso.
16:40
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A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Doutora, deixa eu falar: eu falei colaboradora eventual porque a senhora, desde o início, tem citado aqui que a senhora se trata, dentro desse trabalho, dentro dessa relação com o Governo, como uma colaboradora eventual. Então, eu estou citando isso...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Obrigada.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – ... não porque eu tenha me convencido, mas eu estou replicando o que a senhora falou.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Obrigada.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – E, com relação à união de forças, a senhora falou muito bem. Esta Casa aqui tem trabalhado diuturnamente para que isso aconteça.
Eu pergunto à senhora, a senhora acha que... A senhora falou muito bem, a senhora trabalhou como colaboradora eventual, tem gastado muita energia. A pergunta que fica para todos nós: o Governo quer isso também, esse diálogo? Somos nós ou o Governo que politizou esse debate?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que não existe quem politizou. Nós temos neste momento um diálogo que é necessário. E esse diálogo, que é necessário, ele parte de qualquer uma das partes que deseja estabelecer. Eu sou uma pessoa que vim aqui espontaneamente para dialogar e eu queria exatamente poder promover uma discussão mais ampla.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Perfeito.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É claro que existem pessoas que avaliam os mesmos estudos científicos, isso é comum na academia. Por exemplo, The Lancet, que teve aquele estudo que foi retraído, é uma revista de pares, muito respeitada por todos nós. Porém, teve esse problema com relação a esse estudo. Então, os estudos têm tido uma dificuldade com relação à colocação dentro desse panorama – não é? –, e a gente tem que validar aquilo que cada um produz de essência e de evolução. Por isso que eu acho que nesse momento o que a gente precisa é tratar mais todas as fases e as etapas, a prevenção com as vacinas, tratamento precoce, tratamento intermediário com corticoides e, de preferência, tentar não ser dentro de hospitais, porque nós estamos com os hospitais lotados. Trazendo essa esfera para cá nós podemos liberar ali, que são os hospitais e os tratamentos pós-Covid.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF) – Obrigada, doutora.
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Obrigada, Senadora Leila.
A Senadora Leila é a última inscrita como suplente. Então, passamos para os não membros.
Senador Fabiano Contarato, V. Exa. tem 15 minutos. A Dra. Nise está à sua disposição.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES. Para interpelar.) – Obrigado, Sr. Presidente.
Obrigado pelo comparecimento. Mais uma vez, eu quero alertar a depoente de que V. Sa. fez um compromisso de dizer a verdade. E, em nome da ciência...
O SR. PRESIDENTE (Randolfe Rodrigues. Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Senador Fabiano, só um rápido esclarecimento. É que a Dra. Nise está como convidada.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito. Mas eu só queria, independente de qualquer embasamento legal, eu acho que o freio moral e ético da gente fala muito mais alto – né?
Então, inicialmente, eu quero esclarecer à senhora que há uma diferença gritante entre ciência e Medicina. Um médico pode ser um cientista, mas nem todo médico é um cientista. Ciência se faz no laboratório, com pesquisa, com publicações em revistas que são credenciadas para tal. E toda a fala da senhora, com todo respeito, vem se fundamentando não em cima da ciência. O médico jamais pode usar o paciente como cobaia para um tratamento que ele quer.
16:44
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Um levantamento realizado pelo UOL demonstrou que nove das dez cidades que distribuíram o kit Covid tiveram taxa de mortalidade maiores do que as médias estaduais. A razão disso é muito simples: além dos efeitos adversos do kit Covid, as pessoas que tomaram essa medicação acham que estão imunes, consequentemente elas não cumprem com as regras de distanciamento, não utilizam máscara; obviamente contraem e são acometidas pelo Covid.
Ao menos a senhora reconhece que os remédios do kit Covid não tem efeito preventivo? Ao menos isso, pela consciência moral da senhora!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Eu não sei de quais kits Covid, porque existem vários que são chamados de kits Covid. O que nós temos é que as diversas cidades, elas são analisadas de acordo com taxa de vacinação, taxa de utilização de medicações, taxa de distanciamento social, taxa de utilização...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Mais nove em dez das cidades tiveram um nível maior.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – São muitas cidades que nós temos no Brasil que utilizam tratamentos imediatos. Então, eu não tenho condições de avaliar com o senhor, nem que kit Covid que é, nem que tipo de cidade, porque é um conjunto de coisas dentro da cidade que determina como é que ela vai evoluir.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Mas ciência não se faz no laboratório da senhora, né? Não se faz em consultório médico. Ciência se faz no laboratório.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com certeza.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A senhora não pode utilizar o paciente como cobaia. Sua utilização de medicação sem comprovação científica está ferindo a ciência.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Por favor. Nós temos que respeitar a ciência.
E aqui eu quero fazer outra colocação. A despeito da discussão sobre a autonomia dos médicos, o que vimos foi uma política pública do Governo Federal de produzir e disseminar o uso da cloroquina. O Tribunal de Contas da União já sinalizou a irregularidade de incluir no SUS – o Tribunal de Contas –, irregularidade de incluir no SUS medicamentos que não haviam sido aprovados pela Anvisa ou Conitec.
A senhora acredita que o Governo deveria poder distribuir medicamentos sem autorização dos órgãos públicos?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Que eu saiba são medicamentos que já têm autorização de utilização no mercado nacional...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Não pela Anvisa nem pelo Conitec. Não para a Covid.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eles são medicamentos disponíveis. Nós temos todas... Desculpa, o senhor quer terminar?
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Não... Eu estou permitindo, mas a senhora está fazendo uma informação equivocada. Essa medicação não tem autorização da Anvisa nem da Conitec para tratamento de Covid. Então, por favor, a população brasileira está ouvindo isso!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não... Deixe-me colocar exatamente o que eu estou dizendo: são remédios regulamentados pela Anvisa para a utilização no mercado nacional para o uso...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Pode ser para protozoário, mas não pra vírus.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente. Desculpe, deixa eu completar a minha análise: 80% dos pacientes recebem, por exemplo, dipirona quando vão para o hospital. Essa dipirona não está na bula que ela é pra Covid, mas ela é utilizada para Covid. Nós temos pacientes que vão também e que recebem paracetamol, e paracetamol não tem na bula...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Me perdoe, eu vou interromper a senhora, Sr. Presidente, vou interromper porque não consigo admitir que a senhora afirme que não precisa se passar pela Anvisa e Conitec.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não. Eu não estou dizendo que não precise.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – O Governo pode distribuir uma medicação pra tratamento de Covid se ela não passou com a aprovação na Anvisa e Conitec?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Cerca de... Na regulamentação do próprio Governo nas medicações...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Por isso que eles queriam mudar a bula da cloroquina.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. É que as medicações cardiológicas, por exemplo, do próprio Governo, têm várias indicações que não são diretamente ligadas nem à Conitec nem à Anvisa.
16:48
R
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Outra coisa...
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu participei... Somente deixa eu esclarecer uma coisa: eu participei da Associação Médica Brasileira, dos primeiros projetos diretrizes. Então, não é à toa que eu fico discutindo a indicação dos remédios nas diversas patologias. Nessa colocação em que eu participei dos projetos diretrizes da AMB, uma boa parte dos medicamentos, como em toda a Medicina, não está dentro de nível A de evidência, não está necessariamente seguindo tudo isso. Para isso é que nós temos o reposicionamento, e eu considero bastante correto esse momento de discussão dentro de Conitec, dentro de todos níveis, dentro de Anvisa, que é o que eu quis dizer. Em situações de excepcionalidade...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Tá...
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... isso é realmente garantido...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Eu entendi. Eu entendi.
Agora, aqui, hoje a senhora afirmou que o Ministério Público Federal de Goiás teria sido favorável a esse tipo de medicação. O Ministério Público Federal não faz isso, basta checar o site do Ministério Público, ele analisa o aspecto jurídico.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não... Eu falei que o Ministério...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Um grupo de médicos que estavam, que são favoráveis à utilização da medicação sem nenhuma comprovação científica remeteu isso, mas isso não quer dizer que é o posicionamento do Ministério Público Federal.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Claro. Eu disse que o Ministério Público de Goiás recebeu uma nota técnica com relação – e eu disponibilizei essa nota técnica –, com relação aos benefícios...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A nota técnica do médico, não é do Ministério Público Federal.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Então, a senhora não pode falar que foi o Ministério Público Federal de Goiás que está tendo esse posicionamento...
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – ... que isso não é verdade.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não é esse o meu objetivo.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu disse que o Ministério Público de Goiás teve a nota técnica que foi....
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... favorável à medicação...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Em diversos momentos...
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... assim como eles também receberam...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... as notas desfavoráveis, e essa, isso...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Basta checar o site...
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – ... do Ministério Público Federal que a senhora vai ver que não tem essa orientação.
Em diversos momentos a senhora defendeu o distanciamento social como ferramenta de enfrentamento da pandemia. A senhora ainda defende políticas de distanciamento social?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Há cenários em que o lockdown em determinadas regiões pode ser necessário? Sim ou não?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Houve momentos em que, de acordo com a sua avaliação científica, deveria ter sido decretado lockdown ou medida semelhante em alguma região do Brasil? Por favor, seja sincera.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, sim.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Onde?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – São Paulo, por exemplo, teve lockdowns bastante direcionados, de acordo com as características. Rio de Janeiro também teve lockdown.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós tivemos na Bahia, tivemos no Ceará, tivemos em vários lugares.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
A senhora recomendou, a senhora recomendou a algum agente público do Governo Federal que fossem decretadas medidas de distanciamento social em algum momento da pandemia?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu nunca participei desse tipo de orientação.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A prática do Presidente da República repetidamente de causar aglomerações e não utilizar máscara é condizente com as recomendações científicas?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho indicação das avaliações do Presidente, não vim aqui pra fazer nenhuma opinião, já deixei isso bem claro.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A senhora recomendaria que o Presidente da República seguisse na atual rotina de viajar todo o País, expondo a população?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não tenho ascendência sobre decisões do Presidente da República.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A senhora manifestou opinião sobre possíveis candidatos, ao governo, de Ministro de Saúde, diretamente ao Presidente da República?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – De forma alguma.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A senhora informou aqui... Essa pergunta eu acho muito importante. A senhora informou aqui que a imunidade de rebanho poderia acontecer sem muitos traumas. Quantas mortes configuram um trauma na opinião da senhora? Nós temos 462.966. A senhora falou que a imunidade de rebanho poderia acontecer sem muitos traumas.
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com vacinas...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Quantas mortes?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com vacinas...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Mas quantas mortes?
O SR. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Com vacinas e com tratamento precoce, a ideia não é da imunidade de rebanho com mortes. É pelo contrário. Eu já expliquei que eu não estou estimulando as pessoas a saírem na rua, que a imunidade de rebanho é um fato. Ela é adquirida a partir de um determinado momento, com o número de pessoas que pegaram a doença ou que fazem a vacina...
16:52
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O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Eu só queria saber da senhora o quanto vale uma vida humana...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É toda...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – ... porque nós temos aqui: 462.966...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente. Concordo plenamente.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Falar que este Governo agiu de forma contundente para assegurar o principal bem jurídico que é a vida humana, o respeito à integridade física e à saúde, nos termos dos arts. 6º e 196, é escarnecer da população brasileira! Foi violado o principal bem jurídico. E volto a afirmar nesta CPI: a digital do Presidente da República e do alto escalão desse Presidente está nessas mortes aí!
A senhora acredita que há inconsistência no número de mortes e infectados divulgados pelo Ministério da Saúde?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu acho que o Ministério da Saúde tem feito um trabalho hercúleo, porque eles recebem dados de todo o Brasil, que vêm de várias indicações. Então, nós... Eu não tenho condições de avaliar essa questão, já respondi à Senadora também sobre essa questão. Eu não tenho condições de avaliar o que o Ministério da Saúde faz com relação a número de mortos ou dados que são passados a ele pelos Estados e pelas prefeituras.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Mas a senhora afirmou, no Jornal da Record, no dia 29 de maio, que haveria contabilidade de mortes de outras doenças no número de total de mortes por Covid.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Existem muitas... Não houve a necessidade de você caracterizar que o Covid era do Covid...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Quem teria interesse em aumentar o número de mortes que ocorreu?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não. Não é aumentar o número. Eu nunca defini isso. O que eu disse é que nós temos hoje pacientes com síndromes gripais que também têm o quadro e que também passam... O próprio H1N1, etc. Mas nós não temos condições de fazer diagnóstico desses casos.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Quais os Estados no Brasil, quais Estados da Federação que foram eficazes no uso do tratamento precoce?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Veja: eu achava que o Amapá tinha sido eficaz, mas o Senador disse que não foi. Eu vou ter que acreditar nele. Eu acho que não tem Estados que adquiriram ou que fizeram os tratamentos... Nós temos Municípios...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que realmente são bastante...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Senador...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Já vou terminar...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não... O único Município foi aquele que vacinou que é o Município de Serrana...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... no interior de São Paulo. Lá não houve cloroquina, não houve nada. Teve vacina! E aí a reportagem que apareceu no final de semana mostra claramente que isso, sim, é feito com milhares de pessoas e deu resultado. O resto é...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito, Presidente.
A senhora tem conhecimento de pesquisa científica reconhecida pela OMS sobre o tratamento precoce? Olhe bem: pesquisa científica reconhecida pela Organização Mundial de Saúde sobre tratamento precoce?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – A OMS, inclusive, está fazendo avaliações e reavaliações bastante frequentes...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A resposta é "sim" ou "não". Ela não tem!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ela não tem ainda, mas...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Então, responda, por favor, seja...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim. Perfeito...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Vamos ser éticos...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ela não reconhece.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Ela não tem.
A senhora já se reuniu com técnicos do Ministério da Saúde para debater o tema?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – E como a senhora avalia a recomendação da Organização Mundial da Saúde?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu trabalhei para a Organização Mundial da Saúde principalmente na área de controle de tabaco. Eu respeito bastante a Organização Mundial da Saúde, mas ela teve muitas dificuldades entre avaliação inicial da pandemia, detectar se passava de pessoas para pessoas, se passava de animais para pessoas, se podia fazer aglomeração na época do Ano-Novo ou do Carnaval...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
16:56
R
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, nós estamos, inclusive, trabalhando em conjunto com um grupo para trazer uma nova evolução para a própria Organização Mundial de Saúde.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Perfeito.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, nós estamos criando um grupo de trabalho para isso.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Foi dito aqui, depoente, que empresas de vacina se eximem, no caso da cloroquina... Se eximem, né? Mas, no caso da cloroquina, quem se responsabiliza pela utilização?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É o médico que prescreve, ele é que tem que se responsabilizar.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Sem embasamento científico?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – No caso, eu estou dizendo que nós temos embasamento científico.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Que não é publicado e não é reconhecido.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, mas é publicada em várias revistas.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Mas não é daquelas que são reconhecidas pela ciência.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Desculpe, mas é reconhecida, sim.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Existe um abismo entre a Medicina e a ciência.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim, se não fosse reconhecido pela ciência, não teria sido publicado. Então, a ciência, como o senhor mesmo colocou...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Não é. Se fosse, estaria recomendado pelo Organização Mundial de Saúde, teria passado pela Anvisa e pela Conitec.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Por favor, respeite a ciência.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Posso? Posso...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Não, a senhora está faltando... A senhora está respondendo de forma equivocada.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – A senhora está falando que quem se responsabiliza pela utilização da hidroxicloroquina no tratamento ao combate à Covid é o médico, mas, se ele assim o faz, ele está agindo exacerbando o poder da medicina dele, porque ele está utilizando a medicação sem nenhuma comprovação científica. Isso não sou eu quem está falando; é o mundo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós voltamos...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A recomendação é em ambiente hospitalar. É bem diferente.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós voltamos...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Onde tem um acompanhamento...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... se a pessoa tem arritmia, qualquer outro tipo de coisa, mas em unidade básica de saúde, ainda existe uma distribuição enorme nas unidades básicas de saúde do Brasil todo.
No meu Estado, na cidade de Manaus, eles dão o kit Covid e dão para a pessoa tomar e não perguntam se o cara tem problemas de coração, se tem problema no fígado, se ele tem problema. É isso o que está acontecendo, Senador Contarato, e a doutora sabe.
Quando é em ambiente hospitalar é diferente, é o medicamento que é utilizado em ambiente hospitalar, agora com acompanhamento.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, ele é utilizado há 70 anos...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – É prescrito, mas tem um acompanhamento.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Agora, só para concluir, Sr. Presidente, em reposta ao Senador Humberto Costa, a senhora afirmou que já tratou de mais de 400 pacientes com Covid, afirmou também que cada paciente tem um atendimento especializado e um tratamento específico. Considerando essa afirmação, a senhora acha adequado um político, um político sugerir, em rede nacional, a utilização de uma droga para toda e qualquer pessoa? Porque isso é muito sério. Eu vejo colegas, eu vejo políticos que estão defendendo isso. Ora, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É. Eu acho importante que a gente caracterize bem a minha fala, não é? Com relação à utilização de medicações que são fora da bula, mas que são medicações de necessidade, considerado um dos remédios mais seguros pela própria Associação Americana de Cardiologia até um ano e meio atrás, ele é um dos remédios essenciais da Organização Mundial de Saúde e ele, inclusive, é utilizado em todos os países da África e mesmo aqui no Norte do Brasil. Eu não quero dizer que a gente não deva ter cuidados com pacientes que tenham já sabidamente problemas cardiológicos. São cinco dias, é diferente da utilização de longo prazo, que é feita com pacientes com lúpus, com outras doenças.
Sr. Senador, em relação à sua pergunta da importância de nós estarmos discutindo esses procedimentos dentro de ambientes maiores, dentro da própria Organização Mundial de Saúde, eu sou totalmente favorável, tanto é que eu aceitei estar coordenando, junto com esse grupo de cientistas mundiais, um trabalho de avaliação do que está acontecendo em vários países, para a gente estar discutindo com a Organização Mundial de Saúde.
Eu acho que é o nosso órgão de referência. Eu sempre trabalhei com a Opas, onde inclusive está o Dr. Jarbas Barbosa, que já esteve com o Presidente da Anvisa, nós já trabalhamos juntos. Então, eu quero salientar que eu sou uma pessoa que busca os órgãos nacionais e internacionais para isso. Então...
17:00
R
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Tem que buscar na ciência!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Agora, a senhora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Agora, tudo isso vai estar sendo cada vez mais debatido e cada vez mais colocado.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Mas a pergunta é simples: se um político vem aqui, em rede nacional, fala e difunde a utilização de medicação sem comprovação científica, isso é muito grave.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas eu estou dizendo para o senhor que já existem comprovações científicas. É essa minha posição que diverge de toda...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Que não é baseada na ciência, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Que é baseada em ciência, sim.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Não é.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Ciência é uma coisa...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora não conseguiu dar o nome de um publicação, doutora.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Nenhuma publicação, senhora.
O raciocínio é lógico. Se eu falo para mil pessoas, use hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, que você vai ficar imune ao Covid; se uma morrer, as 999 vão entender que elas foram salvas pela ivermectina, e vai flexibilizar. E não é isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, nós não queremos...
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Ciência se faz em laboratório, por seus pares, com publicação.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Nós não queremos imunizar, nós queremos tratar.
O SR. FABIANO CONTARATO (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - ES) – Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu tenho ainda o Senador Jorge Kajuru. (Pausa.)
Não está.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL. Como Relator.) – Presidente, na esteira aqui do que o... Só uma perguntinha como consequência. Veja, Presidente, o quanto significa o acompanhamento diário on-line que nós estamos recebendo da população brasileira. E a participação dessas agências de checagem. A cada momento, nós recebemos uma informação, ou de agência, ou de corporações, ou de entidades.
Eu acabo de receber uma nota da Sociedade Brasileira de Reumatologia, porque, como todos lembram, a Dra. Nise Yamaguchi, ao responder a uma pergunta feita pela Senadora Eliziane, disse que não tomou vacina porque estava impedida, teria algum problema de comorbidade. A Sociedade diz o seguinte: "A Comissão de Doenças Endêmicas [...] da Sociedade Brasileira de Reumatologia, [endêmicas e infecciosas da SBR] esclarece à população que pacientes com doenças reumáticas (DR), incluindo artrite reumatoide, espondiloartrites, artrite psoriásica, lúpus [...], esclerose sistêmica [...] miopatias inflamatórias e vasculites não representam, por si sós, qualquer contraindicação para receber qualquer vacina contra a Covid."
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Senador, nós tivemos agora vários casos de trombose e vasculites com uso de vacinas. Tanto é que houve uma suspensão de vacinas lá na Europa, e vários países não estão fazendo. Então, existe, sim, uma questão bastante séria com relação ao posicionamento generalizado. Eu já deixei bem claro que posicionamento generalizado tem que...
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Então, a senhora está desautorizando a Sociedade Brasileira de Reumatologia?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, eu acho que cada um tem uma alteração individual,...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Para concluir.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... e a Sociedade Brasileira de Reumatologia sabe muito bem...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Pois não, Senador Marcos Rogério.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – ... que está havendo uma vasculite e uma inflamação importante. Eu não entendo como que neste momento...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Vou passar a palavra à Senadora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Quem é, a sociedade inteira, é o presidente que determina isso?
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – ... Zenaide Maia, por favor.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Porque há tromboses e há vasculites sérias.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – É uma nota extensa.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Tá ok.
Senador Marcos Rogério.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Só para informar, Sr. Presidente, nossa sessão do Congresso Nacional...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Vou ouvir só a Senadora Zenaide e encerro.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... já teve início. E faço uma ponderação.
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RN. Por videoconferência.) – Não, mas eu quero falar.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Só um minutinho, a senhora vai falar, Senadora.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Faço uma ponderação, Sr. Presidente, que, assim, todos nós defendemos o papel do médico.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Sim.
17:04
R
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Então, o que está sendo colocado para a Dr. Nise, neste momento, é a confrontação, justamente, daquilo que nós defendemos, que é a autonomia do médico para orientar o paciente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – Sim, pois é!
Baseado nisso aí, eu vou fazer-lhe uma pergunta à senhora, que é médica, e ao Dr. Humberto, que também é médico.
A senhora passou, no mínimo, seis anos para se formar, para se graduar em Medicina. Alguns anos ficou em residência e alguns outros muitos anos fazendo especialização. A senhora prescreve medicamentos, com certeza. Como é que a senhora chama um cabra que nunca passou na porta de uma faculdade e que prescreve remédio. Como é o nome de um cabra desse para a senhora?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Na realidade...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, só quero saber o nome. No meu Estado é charlatão. No seu, eu não sei qual é. Como é que se chama alguém que nunca frequentou uma faculdade, como a senhora frequentou. A senhora frequentou. A senhora pode prescrever o remédio, porque a senhora estudou para isso.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Obrigada. Porque estão dizendo não pode.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – E se esforçou para isso. Mas eu estou vendo charlatão prescrever remédio na internet.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas o senhor sabe que estão dizendo que eu não posso nem prescrever o que eu prescrevo, que eu tenho que tomar vacina, quando eu tenho vasculite, que as tromboses que estão ocorrendo não podem...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, doutora... Não, doutora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu estou aqui sendo colocada em cheque com relação às minhas condutas médicas.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não, não, Doutora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Então, assim, existe aí uma questão....
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, doutora. Longe de mim questionar a senhora.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Mas eu estou sendo questionada. O Dr. Renan acabou de dizer que eu não poderia, que a Sociedade Brasileira de Reumatologia...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Ah, Senadora... Deixem de falta de respeito.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu tenho que..."Você tem que vacinar".
(Tumulto no recinto.)
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – O tempo todo constrangendo a convidada, Presidente. Eu, se fosse ela, na condição de convidada, já tinha levando e ido embora para casa faz tempo.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não entendo isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não. Aí eu convoco ela de novo.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Não... V. Exa., se tem requerimento, convoque. Mas, se fosse eu, na condição dela, passando pelo que ela passou aqui, já teria saído e ido embora...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Aí a gente convoca de novo.
Senadora Zenaide, por favor.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – ... diante do total desrespeito.
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RN. Para interpelar. Por videoconferência.) – Sr. Presidente, nossa colega, minha colega médica – colega médica –, quero deixar claro aqui para a Dr. Nise que nós não estamos julgando o seu currículo, que, por sinal, é excelente.
Mas, Dra. Nise, por favor, a senhora diz que é de um conselho científico independente e que não aconselha o Ministério da Saúde. Não é um gabinete paralelo, mas a senhora se reúne no gabinete civil. E outra coisa, Dra. Nise: como é que a senhora, como médica, quer dizer, como mulher e cientista... A senhora conhece esse grupo que tem 32 entidades científicas e que diz que não é para fazer uso desse medicamento, que o mundo todo tem, pelo menos, Dra. Nise, 30 estudos científicos que provam que não tem eficácia. Vamos acabar! Povo brasileiro que está nos ouvindo, não existe demonização desse tratamento! A ciência é que prova que ele não serve.
Por isso, Sr. Presidente Omar Aziz, Sr. Relator e todos que fazem parte desta CPI, nós não podemos convidar uma médica que é conceituada, como ela diz, todo mundo a conhece, para fazer propaganda de um medicamento com uso preventivo. E ela usa tanta expertise que veio dizer que pode usar, sim, sem estar na bula, porque a Novalgina ou dipirona, que a gente sabe que está lá na bula que pode ser para dor ou febre, que faz parte da maioria dos sintomas iniciais de qualquer virose, da maioria das doenças... É diferente, Dra. Nise?
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Por favor, a senhora é mulher, teve a oportunidade de se formar, isso orgulha a nós mulheres, mas a senhora está fazendo um desserviço a esta Nação quando a senhora diz que os médicos podem prescrever, têm autonomia... Eu sou médica, mas não foi isso que eu aprendi na faculdade de Medicina, não – e me pós-graduei em doenças infectocontagiosas. Não! Como eu vou sair prescrevendo medicamento que não tem eficácia para aquela determinada doença?!
Lembro à senhora que, quando vocês não conseguiram, esse gabinete paralelo... E isso é um gabinete paralelo! Na hora em que a senhora disse que era conselho científico independente, só era independente do Ministério da Saúde, da Anvisa ou do Conitec? Porque a senhora se reunia com o Governo. A senhora, no início, disse que tinham sido poucas vezes, mas a gente já viu aqui que foram várias vezes. Então, como não conseguiram modificar a bula incluindo a cloroquina... E a senhora não pode estar enganando o povo brasileiro, sendo que a cloroquina já é conhecida, sim, há 70 anos, mas ela tem eficácia pra malária e pra, por exemplo, lúpus eritematoso... Está vendo aí? O Senador Renan terminou de dizer que a sociedade, a sociedade...
E me diga uma coisa: os cientistas do Butantan, da Fiocruz, do Instituto Evandro Chagas estão mentindo quando dizem que esse medicamento não tem...?
E outra coisa. A senhora dá a entender tratamento precoce... Tratamento precoce... Primeiro, é um diagnóstico, e a senhora botou o tratamento antes. Um diagnóstico, como a gente defendeu aqui, o máximo de testagem. E esse cuidado de ir para o médico precocemente: sim, tem que ir, pra ver os sintomas e acompanhar o doente. Eu sou a favor de ir ao médico, mas não de incluir medicamento sem eficácia terapêutica. Isso é um desserviço pra sociedade brasileira! Não é possível, gente!
Eu esperava que a senhora viesse... Quando eu vi aqui o currículo da senhora, me enchi de orgulho como mulher – e toda a Bancada Feminina. E a senhora vem aqui não sei por qual motivo.
Não conseguiu legalizar o uso da cloroquina, aí resolveu terceirizar para os médicos brasileiros assumirem essa responsabilidade. Atenção, colegas médicos, não assumam essa responsabilidade, porque, se nós médicos não respeitarmos a ciência, quem vai respeitar, gente? Por favor, doutores!
A senhora perdeu a oportunidade de dizer que, um ano atrás, talvez, inicialmente, não tinha vacina, quando começou, mas, hoje, a senhora está aqui insistindo em dizer ao povo brasileiro que a autonomia médica está acima da ciência! E não está!
E a senhora não... Eu pergunto assim... De repente... A senhora é uma oncologista famosa, é uma imunologista, uma pneumologista, que, de repente, se associa a um conselho científico. Tudo bem, mas por que resolveu fazer ciência de uma hora pra outra?
Eu estou falando tudo, porque eu estou vendo que a senhora não está respondendo.
Minha preocupação, Senador Omar, parabenizando-o pela Presidência, Senador Renan e todos os colegas: nós temos que dizer ao Brasil que um médico não pode prescrever aquilo que ele quer. Ele não pode sair fazendo ciência!
E esse uso da dipirona, eu digo à senhora, me deixou muito indignada, porque a senhora sabe que na dipirona está lá dizendo dor e febre. A senhora quer dizer que é a mesma coisa de usar cloroquina?!
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E, Dra. Nise, eu não estou preocupada só com os efeitos colaterais. O mais grave efeito colateral é a senhora dar esperança a esse povo de que, tratado precocemente com esses medicamentos que estão aí – cloroquina, hidroxicloroquina... A senhora falou até em corticoide, nada contra o corticoide, mas a hora certa de fazer não é chegar, botar dentro de um saquinho e entregar ao paciente.
E quero dizer o seguinte: acho que a gente tem que evitar esse tipo... Eu não sou membro – me desculpem, Presidente e todos os membros –, mas nós não podemos trazer aqui médicos ou pessoas da saúde que venham aqui fazer um desserviço. A gente, com quase meio milhão...
Outra coisa: quando a senhora fala que o remédio fez efeito, a senhora sabe que mais de 80% vão evoluir bem, graças a Deus, independente de qualquer coisa.
E a única pergunta que eu vou fazer à senhora é a seguinte. Teve uma determinada hora aí que a senhora disse que o tratamento precoce era essencial principalmente para o SUS, porque as pessoas do particular iam ter uma estrutura hospitalar melhor. Dra. Nise, o SUS, os pacientes do SUS e os trabalhadores merecem respeito. A senhora disse aqui, durante um momento. Isso me doeu, porque eu sou médica da universidade, do serviço público, e todos nós aqui ficamos nessa defesa do SUS. A senhora...
Eu quero finalizar dizendo o seguinte: Brasil, por favor, a vacina é que resolve, as medidas não farmacêuticas... Nada... Talvez daqui a dez anos, a gente descubra, mas a gente sabe que não é comum ter medicamentos para se tratarem viroses inicialmente.
E eu queria dizer aqui que... Apesar de todos acharem deselegante a conduta do Senador Otto, eu queria dizer que, como médico, ele deve ter ficado indignado como eu, e o que ele quis provar é o seguinte: que ela quer provar um medicamente sem ter o conhecimento científico.
Parabenizo a senhora pelo currículo, mas acho que a senhora deve ao Brasil dizer que fez experiência, sim, com cloroquina antes do advento das vacinas, mas que, atualmente, é lutar por vacina e não por imunidade de rebanho – é muito cruel!
Brasil, precisamos de vacinas, sim! Vamos obedecer à ciência, sim!
E parece que Deus está nos ajudando – ouviu, Omar? –, porque há essa experiência de Serrana, em São Paulo, para provar que, quando se vacinam 75% da população efetivamente, a gente tem a imunidade humana e não de rebanho, querendo que morram as pessoas.
Eu não vou nem perguntar nada, Omar, porque, se ela quiser responder isso...
E, por favor, não venha dizer que ninguém está demonizando nada, porque é a ciência que está provando. Não é possível que todos os cientistas estejam mentindo. Não é possível!
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Obrigado, Senadora.
Dra. Yamaguchi...
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Pela ordem.) – Presidente, só para fazer um esclarecimento aqui.
É até desagradável, mas o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde pede à CPI que informe, em face da afirmativa da Dra. Nise Yamaguchi, que ela não prestou serviços ao Conass, não é sua empregada ou consultora, bem como não compareceu à sua assembleia geral ou compõe suas câmaras técnicas. Infelizmente, eles que pediram para fazer...
17:16
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A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Perfeito. Então, deixe-me esclarecer...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Dra. Yamaguchi, com a palavra.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Eu não compareço às câmaras técnicas, não sou... Mas eu tenho um apreço especial a todos os secretários de saúde. Inclusive com algumas questões que são colocadas a respeito de como fazer para melhorar a disponibilidade de leitos, a gente teve essa discussão. Mas não sou realmente... Assim como eu não sou de nenhum órgão diretivo.
Queria responder à Senadora, à Sra. Senadora, com todo respeito a toda a sua questão.
Quando a gente atinge 75% de imunidade pela vacina, essa é considerada imunidade de rebanho. Considero importante... A gente fala que é uma questão de humanização. E talvez isso retire a grande discussão que está havendo, quando a gente coloca a imunidade rebanho como negativa. Ela é extremamente bem-vinda, ela vem através... Como eu citei lá atrás, na audiência pública, ela vem através de ações importantes de imunidade prévia, de vacinas, de tratamento precoce. Então, é esse conjunto de coisas que pode chegar a essa área de 75% de imunidade. E, a partir daquele momento, Senador, somente, Senador Aziz e Senador Renan, esclarecendo, usando a importante informação do Município de Serrano, é que a imunidade de rebanho está sendo alcançada. E isso é um dado importante do conjunto de ações naquela cidade. Então, mais uma vez, a importância de se fazerem as diversas ações, associações entre todos os tratamentos.
Então, eu quero dizer... Eu sei que está chegando ao final, mas eu quero dizer que, assim, esta oportunidade de esclarecer as questões das medicações em tempo inicial, que existem dados científicos, que as sociedades discutem as questões técnicas, que nós todos somos pessoas que estão todos procurando o bem deste País... Tem que ficar bem claro. E que aquela contribuição que nós pudermos dar... E eu estou dando a nível ministerial, participei de reunião no gabinete com pessoas de dentro do ministério, de dentro do Executivo, do Legislativo, do jurídico... Então, assim, é um privilégio e uma honra para mim continuar contribuindo. Eu espero, com a graça divina, que eu tenha forças pra continuar contribuindo sempre, tanto a nível nacional quanto a nível internacional, porque este objetivo meu é realmente que a gente possa utilizar os dados científicos de forma correta, fazer com que a gente tenha essa oportunidade de trabalhar os conceitos de uma forma bastante ampla e, de certa forma... Inclusive, eu procurei pessoas de vários setores. E isso me deixa muito tranquila com a minha consciência, porque, ao trabalhar na saúde pública, você fala de um partido sanitário – foi o que eu aprendi com o então Ministro Temporão, que falava de partido sanitário. Então, nós estamos aqui em prol do bem da Nação, do bem das pessoas, onde todos são necessários, todos nós, todos aqueles que podem fazer parte e que podem contribuir da sua maneira.
17:20
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As pessoas não podem morrer... Se a gente retirar a chance das pessoas de se tratarem com os tratamentos que existem, reposicionados, de uma forma arbitrária, perseguindo os médicos, perseguindo as pessoas, a gente vai perder a chance de juntar forças.
Então, o meu objetivo é criar estratégias possíveis, científicas, técnicas. Por isso que eu estou discutindo dentro do departamento da Associação Paulista de Medicina, dentro dos diversos fóruns onde eu posso... Vou realizar um congresso para isso. E nós temos que fazer isso. Médicos têm que debater e têm que contribuir. Essa é a nossa função.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Obrigado.
Agora, a senhora não me respondeu. Entre os seus colegas – e eu não estou brincando, Dra. Nise –, vocês devem conversar entre médicos, e aquelas pessoas...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Sim. Com certeza.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM. Para interpelar.) – ... e aquelas pessoas que não são profissionais da área de saúde, não são médicos e prescrevem remédios, como é que vocês médicos as chamam?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI (Para expor.) – Nós queremos o seguinte...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Não, não, doutora... Por favor, doutora!
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Eu não chamo ninguém de nada.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – A senhora não chama ninguém de nada, não, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Então, qualquer pessoa pode prescrever qualquer remédio que está tudo normal, não é?
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Não, não é isso.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Doutora, doutora, doutora...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – É, nós estamos aqui trabalhando em prol da Medicina.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Os seus colegas a estão vendo neste momento...
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – Exatamente.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – E eles têm nome para quem prescreve a medicação sem estudar.
A SRA. NISE HITOMI YAMAGUCHI – O senhor não pode...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Eu, agradecendo a Deus, nada mais a tratar...
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Isso, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Omar Aziz. PSD - AM) – Convido para a próxima reunião a ser realizada amanhã, às 9h30, para ouvirmos a Dra. Luana Araújo. Eu irei fazer esta pergunta à Dra. Luana: quem prescreve remédio como é chamado? Com certeza.
Declaro encerrada a presente reunião.
(Iniciada às 9 horas e 40 minutos, a reunião é encerrada às 17 horas e 23 minutos.)