Notas Taquigráficas
| Horário | Texto com revisão |
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| R | O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG. Fala da Presidência.) - Havendo número regimental, declaro aberta a 82ª Reunião da Comissão de Educação e Cultura, da 1ª Sessão Legislativa Ordinária, da 57ª Legislatura, que se realiza nesta data, 31 de outubro de 2023. Os objetivos e diretrizes da reunião: a presente reunião destina-se à realização de audiência pública com o objetivo de instruir o Projeto de Lei 5.636, que institui o Dia de Celebração da Amizade Brasil-Israel, em atenção ao Requerimento 72, de 2023, de minha autoria. Convido para tomar lugar à mesa o Sr. Daniel Zohar Zonshine, Embaixador de Israel no Brasil. (Palmas.) O Rabino Rav Sany, Diretor da Makom Moema e da Makom Jardins. (Palmas.) Participam de forma remota: a Sra. Ruth Goldberg, Presidente do Instituto Brasil-Israel; o Sr. Sebastian Watenberg, Diretor da Confederação Israelita do Brasil (Conib); o Sr. André Lajst, Presidente Executivo do StandWithUs Brasil. Informo também que foi convidado o Sr. Celso Lafer, ex-Ministro de Estado das Relações Exteriores, que não pôde comparecer a esta audiência e que justificou a ausência. Antes de passar a palavra e darmos início à nossa sessão, comunico que esta reunião será interativa, transmitida ao vivo e aberta à participação dos interessados, por meio do Portal e-Cidadania, na internet, no endereço senado.leg.br/ecidadania, ou pelo telefone 0800 0612211. O relatório completo, com todas as manifestações, estará disponível no portal, assim como as apresentações que forem utilizadas pelos expositores. Na exposição inicial, cada convidado poderá fazer uso da palavra por até 15 minutos. Ao fim das exposições, a palavra será concedida aos Parlamentares inscritos, para fazerem suas perguntas ou comentários. Proponho, inicialmente, que façamos um minuto de silêncio por todas as vítimas e, principalmente, pelas pessoas sequestradas durante a operação e que estão em Gaza. (Faz-se um minuto de silêncio.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado a todos. Ainda em posição de respeito, nós vamos ouvir o Hino de Israel. |
| R | (Procede-se à execução do Hino de Israel.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Por favor, tomem os assentos. Agradeço. Para a abertura dos nossos trabalhos, eu passo a palavra ao Sr. Daniel Zohar Zonshine, Embaixador de Israel no Brasil. O SR. DANIEL ZOHAR ZONSHINE (Para expor.) - Muito obrigado, Senador, e muito boa tarde para todos vocês. Esta audiência foi marcada há muito tempo, mas hoje tem maior significativa, relevância. Esses dias são difíceis para Israel, que foi surpreendido, há três semanas e meia, e atacado pela organização terrorista Hamas. Recebemos demonstrações de solidariedade de muitos no Brasil: do Parlamento, do Poder Executivo, das lideranças religiosas, das lideranças judaicas, da sociedade civil e de muitos outros, daqueles que conhecem Israel e daqueles que não conhecem Israel. |
| R | A amizade entre o nosso povo soube, sabe e saberá superar obstáculos quando necessário. Compartilhamos valores que são fortes e suficientes para superar esses obstáculos. As relações entre Brasil e Israel, oficialmente, começaram no início de 1949, alguns meses depois do surgimento do Estado de Israel. Antes disso ainda, tivemos o envolvimento do Brasil, na forma do Diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, que foi Presidente da sessão que votou sobre a partilha da Palestina, na época, para Israel e o Estado Árabe. Há forte vínculo cultural e social entre as nossas comunidades. Temos comunidades brasileiras em Israel e comunidades judaicas aqui em Brasília que são fortes e são um ponto entre as duas sociedades e os dois povos. Contribuições entre em Israel e Brasil estão em todas as áreas da vida, desde a parte comercial, a parte da agricultura - temos aqui o nosso Adido de Agricultura, que chegou para trazer tecnologias e metodologias para o Brasil para compartilhar outras tecnologias -, o turismo e muitas outras áreas. Ainda temos muito a fazer. A comunidade judaica, nesse sentido, é uma ponte também para ajudar nestes laços econômicos e comerciais. Há 13 anos, já temos também o Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul. O Brasil é um membro importante deste acordo, e, neste comércio, no ano passado, chegamos a até US$4 bilhões de troca em comércio. Além disso, há um número que eu não conheço, mas que é bastante significativo, de serviços, e há muita informação e muito conhecimento de Israel que chega ao Brasil e vice-versa. Temos relações a nível político, cultural, científico e religioso entre os dois países. Nesses dias difíceis que mencionei, recebemos solidariedade e vimos, por pesquisas, que 80% do povo brasileiro apoia Israel neste conflito, nesta guerra que não queremos e não começamos. Acho que é uma prova muito clara desta amizade que existe entre o povo de Israel e o povo brasileiro. Espero que essa iniciativa de que hoje falamos dê frutos, porque a amizade já existe. Agora, temos que marcar um dia para celebrar esta amizade. Espero que possamos, realmente, celebrar a amizade em dias menos difíceis para Israel e para a nossa amizade. Então, muito obrigado por isso. (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado ao Embaixador Daniel Zonshine. Quero citar também a presença da Embaixatriz de Israel, Sra. Liora Zonshine. Muito bem-vinda! (Palmas.) Do Vice-Chefe da Missão de Israel, Yonatan Gonen. Bem-vindo! (Palmas.) Do Porta-Voz da Embaixada, Or Keren. (Palmas.) E do nosso querido amigo Fischer, que é o nosso Adido de Agricultura, sempre aqui. Muito agradecido. (Palmas.) Com a palavra o Rabino Rav Sany, Diretor do Makom Moema e o Makom Jardins. O SR. RAV SANY (Para expor.) - Boa tarde a todos! Shalom! Excelentíssimas autoridades, Embaixador de Israel, Daniel Zonshine, Senador Carlos Viana, todas autoridades aqui presentes, hoje é um dia especial, um dia em que, pelas mãos do Senador, nós idealizamos um laço de celebração de amizade entre Brasil e Israel, e este é um momento para refletirmos sobre a parceria duradoura entre essas duas nações e para reforçarmos ainda mais os laços que unem os dois países com amizade e cooperação mútua. A história dos dois países já é uma história de conexão. Os judeus estão aqui desde 1500, Senador. Quando o Brasil foi descoberto, judeus que vinham de Portugal, fugindo da Inquisição, ajudaram a construir o nosso Brasil. Inclusive, o primeiro escriba, ou, podemos chamar, o primeiro assessor de imprensa e comunicação, Pero Vaz de Caminha, era judeu. E já na criação do moderno Estado de Israel, a espinha dorsal da segurança do povo judeu, o Brasil teve uma participação significativa pelas mãos de Oswaldo Aranha, que presidiu a sessão, em 1947, que dividia a região, Senador, em dois Estados, sendo que os judeus aceitaram a partilha, mas o outro lado não aceitou. Se tivessem aceitado, nós não estaríamos, hoje, de manhã, nos emocionando, nos sensibilizando e clamando pelo terror do ataque de 7 de outubro. Esse mesmo Oswaldo Aranha salvou a minha família do holocausto, quando meu tio-avô fugiu para o Brasil. Quando ele percebeu que, na Alemanha, quebravam as lojas dos judeus, quando percebeu que os judeus já estavam começando a ser perseguidos, ele falou para o meu bisavô "eu vou embora daqui". E meu bisavô falou "não, mas eu sou alemão, e eu lutei pela Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Fica! Fica!". |
| R | Mas o mal do antissemitismo se alastrou, por intermédio de uma comunicação cruel e um discurso de ódio que fez com que 6 milhões de judeus fossem brutalmente assassinados. Meu tio-avô chega ao Brasil e começa a sobreviver vendendo gravatas nas casas de jogo: "Sua gravata está suja? Compre a minha"; lavava a suja, vendia no dia seguinte. Até que ele teve coragem e foi até a sede, ao Palácio do Governo, e se agarrou nas pernas desse Oswaldo Aranha, brasileiro. E esse Oswaldo Aranha falou: "O que é que ele quer? O que é que ele quer?". E ele não falava português, mas a língua do coração todo mundo entende. E ele falou: "Quero os vistos para a minha família". "Dê os vistos para o rapaz". Por debaixo das cartas, dos selos das cartas, ele trouxe meu bisavô, minha bisavó, meu avô, minhas tias-avós. Brasil e Israel, então, compartilham de uma história de relações amigáveis, marcadas por laços culturais, econômicos e diplomáticos. E essa amizade é construída sobre os alicerces da compreensão, do respeito pelas diferenças. Sim, o Brasil é um polo multicultural onde todas as culturas convivem em paz, onde os imigrantes são muito bem recebidos. Os nossos países, Brasil e Israel, têm colaborado em diversas áreas, desde a agricultura à tecnologia de ponta na área da ciência, na área da educação. E essa amizade se estende para além das fronteiras dos Governos, chegando aos corações do povo brasileiro. Como o Embaixador bem citou, o povo brasileiro está apoiando Israel nessa defensiva. O povo brasileiro está conseguindo diferenciar entre o amor à vida, entre um país democrático que luta pela sua sobrevivência e o terror e o ódio, ódio esse maior do que o amor pelo seu próprio povo, porque se escondem através dessas pessoas inocentes, quando Israel, o único país do mundo que avisa que vai atacar, um ataque defensivo para neutralizar o terrorismo. Mísseis esses que saem de baixo de hospitais, e eles não permitem que essa população evacue a região. Quem é responsável por essas mortes se não o Hamas, um movimento terrorista, Senador? E, neste momento, neste Dia de Amizade entre Brasil-Israel, eu gostaria de aproveitar este momento para exigir do Governo brasileiro, exigir como um amigo que quer o bem, exigir que o Brasil reconheça a organização Hamas como uma organização terrorista - e não somente seus atos. O terrorismo tem que ser chamado de terrorismo. Sua essência, seus hábitos o caracterizam como tal. No estatuto do Hamas você encontra a pregação da aniquilação do povo judeu, do Estado de Israel. Quem apoia o Hamas está apoiando o antissemitismo. Urge, Senador - você é um grande amante do povo judeu; eu sinto que o seu gabinete, junto com a embaixada, é o gabinete de Israel no Brasil -, urge a necessidade dessa cobrança, para que o Governo Federal reconheça o óbvio, e pressione, e se envolva como sempre esteve caminhando ao lado de Israel para a libertação dos reféns. Urge a necessidade de que o Governo brasileiro se envolva, pressione, como todo país democrático, pela libertação de mais de 244 reféns, entre eles idosos, crianças, bebês, mulheres grávidas, pessoas com deficiência física. |
| R | Este é um momento de união, este é um momento em que o mundo precisa se abraçar e apoiar a liberdade, este é um momento em que os países democráticos precisam entender que, se o posicionamento não for objetivo, se o posicionamento não for a favor da vida, para que o terrorismo seja aniquilado da face da Terra, para que a liberdade, para que os países possam compartilhar uns com os outros o que existe de melhor dentro de cada povo, dentro de cada nação, assim como Israel está se defendendo de uma guerra que não começou, como bem disse o Embaixador Daniel Zonshine... Faço votos de que todos esses reféns sejam libertados o quanto antes. Faço votos de que Israel tenha sucesso nessa sua missão defensiva contra o Hamas e não contra o povo palestino. E faço votos, Senador, para que essa sua iniciativa seja concretizada e que o Brasil continue trilhando seu caminho de diplomacia, continue trilhando seu caminho de paz e continue trilhando seu caminho na luta pelos direitos humanos. Ossê shalom bimromáv, aquele que faz a paz lá em cima, nas alturas, hu iaassê shalom alênu, tenho certeza de que ele fará a paz aqui na Terra, veal col Israel veimru amen, sobre todo o povo de Israel, e digamos amém. Muito obrigado, Senador. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Agradeço ao Rabino Rav Sany, Diretor do Makom Moema e Makom Jardins, por ter relembrado que a história do Brasil passa principalmente pela chegada dos judeus em 1500, entre os quais inclusive minha família. O senhor está citando uma parte da história que para nós é muito importante. Com a palavra a Sra. Ruth Goldberg, Presidente do Instituto Brasil-Israel, que vai participar de forma remota conosco. Agradeço a presenta, Sra. Ruth. A senhora está com a palavra. A SRA. RUTH GOLDBERG (Para expor. Por videoconferência.) - Muito obrigada a todos e a todas, ilustres Senadores e Senadoras, Embaixador de Israel, convidados aqui presentes, amigos da mesa. Boa tarde mais uma vez. Agradeço pelo convite e cumprimentos pela meritória iniciativa ao Senador Carlos Viana, pela autoria do Dia da Celebração da Amizade Brasil-Israel. Essa iniciativa trata certamente de exercer a tradição brasileira de reforçar a amizade do Brasil com todos os povos, fazendo com que o nosso país possa servir de exemplo como território onde os princípios da paz e da cooperação permitem uma convivência harmoniosa entre diferentes culturas e tradições. |
| R | Eu estou aqui nesta tarde representando o Instituto Brasil-Israel, uma organização da sociedade civil fundada há seis anos, com sede na cidade de São Paulo e atuação nacional, que tem como objetivo a produção e disseminação de conteúdo qualificado sobre Israel, suas especifidades históricas, demográficas, sociais, culturais, políticas e econômicas, bem como para combater as crescentes e as várias formas de manifestações antissemitas e antissionistas expressas em nosso país. Desde o período da colonização, como já foi dito, mulheres e homens de origem judaica participaram ativamente da criação da nossa cultura, da sociedade, da economia e da política. Essa presença pode, inclusive, ser atestada, além dos fatos citados anteriormente, com a inauguração, no ano de 1637, da Sinagoga Kahal Zur Israel - a primeira das Américas, fundada na cidade de Recife. Cabe mencionar também que no período mais sombrio da história recente, nos idos dos anos 1940, o Embaixador Luiz Martins de Souza Dantas e a funcionária do Itamaraty Aracy de Carvalho ajudaram milhares de judeus europeus a escapar da perseguição do nazifascismo. Graças a sua bravura e heroísmo, ambos foram incluídos no rol dos Justos entre as Nações, uma homenagem concedida pelo Museu do Holocausto, o Yad Vashem, localizado na cidade de Jerusalém, em Israel. A amizade do Brasil com o Estado de Israel nasce da própria origem daquela nação, quando da sua criação, em 1948, presidida a Assembleia-Geral da ONU pelo brasileiro Oswaldo Aranha, como já citado aqui. A riqueza e a diversidade da relação construída entre os brasileiros e os israelenses desde aquela data dão sustentação e legitimidade à cooperação mútua que existe entre os nossos países. A colaboração entre Brasil e Israel transcende fronteiras e abrange campos diversos, como agricultura, tecnologia, educação, artes, cultura. Somos parceiros comerciais cada vez mais importantes e temos ainda muito a explorar de todo o potencial produtivo e de consumo de nossos mercados nacionais, Brasil e Israel. Portanto, Brasil e Israel têm se demonstrado à altura dos principais desafios globais da atualidade. Especialmente, quero lembrar o combate à mudança do clima, a promoção do desenvolvimento sustentável, o acesso massivo à tecnologia e a melhoria da qualidade da educação e da saúde para todos e para todas. Temos, portanto, muito a celebrar e bastante a construir, em especial nas áreas de educação, saúde, ciência e tecnologia. Atualmente, para conhecimento de todos, estima-se que vivam no Brasil algo perto de 110 mil judeus, inseridos nos diversos estados da nossa nação e contribuindo também em diversas áreas do conhecimento e de desenvolvimento do nosso país. |
| R | Neste momento atual, a iniciativa liderada pela Comissão de Educação e Cultura do Senado é ainda mais importante, pela guerra que envolve Israel e cujo desdobramento humanitário e geopolítico desafia as nossas consciências, impõe o aumento da nossa solidariedade para com as populações civis brutalmente envolvidas e a empatia com a dor de todos. Quero expressar a nossa solidariedade às vítimas e a seus familiares, inocentes, pela violência à qual estão sendo submetidos desde o dia 7 de outubro, quando atos de violência extrema deram início a uma desestabilização de proporções locais e regionais inimagináveis. Conclamo que a voz do equilíbrio e do entendimento prevaleçam e que a paz se faça presente. Agradeço a esta Comissão e a iniciativa, pela importante decisão de criarmos um dia para comemorar a celebração da amizade Brasil e Israel. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado à Sra. Ruth Goldberg, Presidente do Instituto Brasil-Israel, que participou conosco. Quero saudar a presença da Deputada Federal Carla Zambelli. Seja muito bem-vinda, Deputada, à nossa audiência. Inclusive convido-a a estar à frente conosco aqui na mesa. (Palmas.) Representando as nossas mulheres no Legislativo. Com a palavra, nós vamos chamar o Sr. Sebastian Watenberg, Diretor da Confederação Israelita do Brasil (Conib), que também está de forma remota. Sr. Sebastian Watenberg, seja muito bem-vindo. O SR. SEBASTIAN WATENBERG (Para expor. Por videoconferência.) - Boa tarde a todos. É um prazer enorme participar desta solenidade, que busca a criação do dia da celebração da amizade Brasil-Israel. Eu, Senador, lembro a última vez que estivemos juntos. Foi por um motivo mais festivo, foi por ocasião do lançamento da exposição sobre a inovação em Israel no Senado, que foi iniciativa sua. E eu espero que a gente possa se encontrar em outras vezes, em momentos festivos, e não tenhamos que ter momentos de lembrança como este que estamos tendo agora e a necessidade de fazer referência ao momento que hoje vive Israel, iniciado no dia 7 de outubro, quando o grupo terrorista Hamas iniciou uma série de ataques brutais contra o Estado de Israel. Eu referi, há pouco tempo, num evento, que se os telefones celulares com essas câmeras que nós temos hoje existissem na época do holocausto, na época dos pogroms na Rússia, na época da inquisição, provavelmente as imagens que a gente veria seriam muito similares às imagens que nós vimos no dia 7 de outubro. E são imagens fortes, um trauma pesado, que vai demorar muito tempo a sarar na sociedade israelense e no mundo como um todo. Ainda ontem, eu via o relato de um médico que comentava sobre um bebê que foi achado dentro de um forno e que lá foi queimado. E nós sabemos qual foi a última vez, ao longo da história, em que nós achamos judeus dentro de fornos, queimados, não é? E lá atrás, nós dissemos, como comunidade judaica, nunca mais, não é? E esse "nunca mais", nós não conseguimos cumprir, e ele foi visto novamente no dia 7 de outubro. E é necessário que a gente reforce, mais uma vez, que ainda assim, nós vamos continuar buscando esse "nunca mais", buscando também uma solução pacífica para o conflito. Mas nós só vamos encontrar uma solução pacífica para o conflito no dia em que nós não tivermos mais o Hamas, no dia em que o grupo terrorista for extinto, da forma como se pretende no momento. |
| R | Isso vai, certamente, custar muitas vidas, tanto do lado palestino quanto do lado israelense, vidas com as quais nós somos solidários, com as famílias que sofrem. Nós não queremos, de nenhuma forma, a morte de inocentes de nenhum dos lados, mas talvez seja esse, infelizmente, o custo da paz. Um preço alto. Eu espero que, ao fim e ao cabo, a gente consiga a solução tão almejada por nós, como comunidade judaica, de termos dois estados para dois povos que consigam conviver de forma harmoniosa, lado a lado, e que a gente possa instaurar uma nova época, uma nova era no convívio entre a comunidade judaica e a comunidade palestina. Os Acordos de Abraão, que têm poucos anos, nos mostraram que é possível, que com boa vontade e empenho é possível superar as barreiras que nos afastam, focar nos aspectos que nos unem e, assim, conseguirmos um futuro de coexistência bom para ambas as partes. Repito, não haverá paz enquanto o Hamas existir. Saúdo a sua abertura quando se refere ao fato de que é primordial que o Governo brasileiro declare que o Hamas é um grupo terrorista. Não considerar um grupo terrorista o Hamas é mais ou menos como pegarmos uma facção criminosa e, por acharmos que ela tem um braço financeiro, dizermos que não é uma facção criminosa, mas uma instituição financeira. É mais ou menos o tipo de comparação de quem pensa que o Hamas não é um grupo terrorista. O Hamas é um grupo terrorista e precisa ser assim reconhecido não só pelo Governo brasileiro, mas pelo mundo todo. Também acho que perdemos uma boa oportunidade, ao longo deste mês, no Conselho de Segurança, de conseguirmos, ao menos, levar a pauta adiante, pauta que, certamente, legitimaria também muito mais as ações do Brasil dentro do Conselho de Segurança e dentro das Nações Unidas na busca por ser um intermediador qualificado do conflito e alguém que possa se colocar como um país capaz de reunir as partes e buscar um novo futuro. Feito esse comentário inicial, gostaria de saudar, então, o Dia da Celebração da Amizade Brasil-Israel. Eu não vou repetir a função do Oswaldo Aranha, mas, como gaúcho e bairrista, preciso lembrar que Oswaldo Aranha era gaúcho. Não seria justo se um gaúcho, na sessão, não lembrasse a origem do Oswaldo Aranha. Mais do que isso - uma referência que poucos têm -, Oswaldo Aranha foi Parlamentar, ainda que por pouco tempo, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Então, além da sua brilhante carreira, ele foi um Parlamentar do nosso Estado, alguém que, na Assembleia Legislativa, foi homenageado com um belo retrato de Portinari. O atual Vice-Governador Gabriel Souza, quando Presidente da Assembleia Legislativa, fez questão de colocá-lo em destaque. Ainda fazendo uma referência ao papel do Oswaldo Aranha - e não só na criação do Estado de Israel, mas um pouco antes -, ele teve um papel ainda mais importante, do ponto de vista da história do Brasil e do futuro que a partir dali sobreveio. Eu quero lembrar que, na época do Governo Getúlio Vargas, havia um desejo dele de se aliar ao Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial, de lutar ao lado da Itália, da Alemanha e do Japão. |
| R | E foi Oswaldo Aranha, pela sua articulação, pela sua experiência, convívio e proximidade com os americanos, quem colocou o Brasil no lado certo da história, lutando ao lado dos aliados e impediu, não sabemos nós, a tragédia que poderia ter acontecido com este país se nós tivéssemos lutado ao lado do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. E essa mesma função que teve Oswaldo Aranha também seria importante que tivesse agora o nosso Governo, colocando o Brasil do lado certo, porque o lado certo é o do Brasil que condena o terrorismo, do Brasil que não aceita passar qualquer tipo de pano, para usar uma expressão popular, com qualquer atividade terrorista. Então, é isso que a gente deseja. Para além disso, é importante mencionar que a celebração da amizade Brasil-Israel, ao contrário do que muitos podem querer colocar, não significa, em absoluto, estabelecimento de qualquer tipo de inimizade com qualquer outra população, seja palestina, seja árabe, seja de outros países muçulmanos. Ao contrário, o Brasil deve se aproximar de todas as nações e também de Israel, porque, como falamos todo o tempo aqui nesta reunião, há laços históricos profundos com a comunidade judaica e, de certa forma, Israel tem a maioria da sua população formada por uma comunidade judaica e, portanto, esses laços devem ser estreitados sem que isso signifique, certamente, prejuízo a qualquer outro tipo de relação. A nossa relação comercial, como o Embaixador bem colocou, já completa 13 anos de um acordo de livre comércio e um comércio que nos últimos anos aumentou em cinco vezes, ou seja, nossa relação comercial, nossa balança já tem aproximadamente US$5 bilhões de transações entre os dois países - evidentemente, um número não tão significativo para um país do tamanho do Brasil, mas é muito significativo para um país do tamanho de Israel ter laços comerciais dessa magnitude. Então, há muito o que o Brasil pode aproveitar dessa relação, desse desenvolvimento tecnológico que acontece em Israel, porque Israel é um país pequeno e que precisa de mercado, e o mercado de que Israel precisa está no Brasil. O Brasil pode ser o grande mercado no qual Israel pode escalar seus produtos, produtos tantos dos quais vimos a exposição que o senhor promoveu há alguns meses, e em muitas outras oportunidades, na área de desenvolvimento tecnológico e, como a Ruth mencionou também, na área de educação, porque inovação e tecnologia nada mais são do que o produto da educação. Um país que não tem uma educação de qualidade, uma população bem-educada não consegue gerar riqueza e não consegue gerar inovação e desenvolvimento tecnológico. E Israel é um dos países com maior grau de escolaridade entre a população, o que certamente deixa claro a importância que tem o papel da educação no desenvolvimento de uma nação. Eu queria lembrar da importância, também, do turismo brasileiro, que é extremamente profícuo em Israel. Grandes caravanas de brasileiros visitam, todos os anos, Israel. Então, também existe, como o Embaixador mencionou, uma parceria muito grande na área do turismo. E, por fim, para encerrar a minha participação nesta reunião, gostaria, mais uma vez, de dizer que nós nos solidarizamos com todas as vítimas, que nós queremos um futuro de paz, que nós queremos ver dois Estados para dois povos que possam conviver lado a lado desde que haja, evidentemente, condições para a criação desses dois estados e que os próximos eventos, os próximos encontros de celebração da amizade Brasil-Israel possam tratar exclusivamente de pautas positivas e que nós não tenhamos que voltar a referir o terror em nossos encontros. |
| R | Muito obrigado a todos e uma boa tarde. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado ao Sr. Sebastian Watenberg. E espero mesmo, Sr. Sebastian, que nós possamos nos reunir aqui em outros momentos para que a gente celebre a amizade e principalmente o crescimento e o intercâmbio entre os países. Para reforçar a necessidade de que o Brasil declare o Hamas um grupo terrorista e que influencie o Conselho de Segurança na ONU, eu cito aos senhores e senhoras que eu sou membro, como Parlamentar brasileiro, de um grupo de 35 países, represento o Brasil nas reuniões. São 35 países que têm uma legislação comum no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Duas vezes por ano nos reunimos nos Estados Unidos. A última reunião, inclusive, foi em Londres. Enquanto nós não tivermos uma declaração como essa, as legislações vão permitir que o Hamas continue sendo um grupo de negócios lucrando com a morte de pessoas. Daí a importância de que o Conselho de Segurança faça o reconhecimento e que o Brasil, como parte, inclusive, dessa ponte... Há uma investigação já há bastante tempo de que o Brasil, pela comunidade que tem ligação em alguns pontos com o Hamas, especialmente no Sul, seria um dos locais onde o grupo faria investimentos e tiraria recursos para suas operações. Então, há a necessidade de que o Brasil tenha esse posicionamento. E nós vamos continuar cobrando do Governo brasileiro que siga o óbvio, como disse aqui o Rabino Sany. Eu quero chamar para a sua palavra... Antes, eu quero convidar quem está nos assistindo para que participe pelo Portal e-Cidadania, no endereço senado.leg.br/e-cidadania, ou pelo telefone 0800 0612211. Esta é uma audiência pública para a criação do Dia da Amizade Brasil-Israel. Já tenho aqui duas perguntas da Nathália Pinheiro, do Rio de Janeiro, e do João Henry, do Paraná, que estão aqui participando conosco, e eu convido a todos que nos acompanham pelas redes sociais do Senado Federal a também enviar a sua pergunta. O Sr. André Lajst, Presidente-Executivo da StandWithUs Brasil, participa de forma remota conosco e tem sido muito ativo nesses últimos meses de debates sobre a questão, inclusive de como a mídia internacional tem delineado e divulgado o lado do conflito, sempre voltada para a questão de não entender o terrorismo como terrorismo. Sr. André Lajst, uma boa tarde. O senhor tem a palavra. O SR. ANDRÉ LAJST (Para expor. Por videoconferência.) - Obrigado, Senador. Obrigado, Senador Carlos Viana pelo convite. Cumprimento o senhor e todos os presentes, cumprimento o Embaixador Daniel Zonshine, o Vice-Embaixador Yonatan Gonen e todos os presentes. Obrigado pelas palavras. Eu vou tentar ser breve no meu comentário. Acredito que faço das palavras de todos que falaram antes de mim as minhas palavras. Concordo em gênero, número e grau com todos que falaram a respeito da necessidade da criação desse dia da amizade entre Brasil e Israel. Queria fazer duas provocações interessantes de pensamento que a gente poderia tirar deste momento de dor que passamos e de angústia de não sabermos onde e quando estará a luz no fim deste túnel. |
| R | Todos que são amantes da paz e da coexistência na região do Oriente Médio precisam saber separar a justa causa palestina da injusta causa do Hamas. Este ponto de equilíbrio é a chave para retomarmos laços de amizade naquela região e podermos saber identificar os que são os discursos de ódio e os que são discursos legítimos de solidariedade para ambos os povos aqui no Brasil e no mundo inteiro. O Hamas não representa a justa causa palestina porque o Brasil reconhece a existência de Israel e do Estado palestino desde 2010 em fronteiras definidas por guerras que acabaram se definindo através de acordos de cessar-fogo. Faço, então, aqui um apelo como cientista político, como cidadão brasileiro, mas também como judeu israelense: a injusta causa do Hamas jamais pode ser colocada no lugar da justa causa palestina. Enquanto a sociedade e aqueles radicais tentam transformar a injusta causa do Hamas na causa palestina isso apenas prejudicará... (Falha no áudio.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Estamos... Sr. André, nós estamos... O SR. ANDRÉ LAJST (Por videoconferência.) - ... vai acabar causando... (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Vamos. Retornou o sinal. O SR. ANDRÉ LAJST (Por videoconferência.) - Desculpe. E vai acabar, então, causando cada vez mais discórdias, discursos de ódio e violência verbal e também física no nosso país. O que eu gostaria de também trazer em relação ao que está acontecendo, que nos entristece e nos enluta a todos, conforme o Sebastian falou antes de mim, a Ruth falou antes de mim e o Rav Sany falou antes de mim, nenhum de nós aqui deseja a morte de pessoas e somos solidários com as mortes dos civis - claro, dos dois lados -; não tem como ser indiferente. É óbvio que precisamos sempre nos ater ao que está realmente acontecendo de forma factível. Israel está lutando uma guerra contra o Hamas, mas essa não é uma guerra entre Israel e palestinos, não é uma guerra entre judeus e muçulmanos, não é uma guerra entre judeus e árabes; é uma guerra entre a democracia e grupos ligados a um país financiador de terrorismo, que é a República Islâmica do Irã. É uma guerra da civilização, do mundo livre contra o mundo não livre; é a guerra entre a civilização, a democracia e aqueles que buscam a escuridão, a transformação e a opressão do seu povo e dos outros povos da região para voltarem para a idade média. É por isso que é muito importante que a guerra que Israel está lutando agora; não é uma guerra que Israel buscou, mas Israel tem obrigação de vencer não apenas pela paz na região, mas pela paz no mundo inteiro. A mensagem que ficaria caso Israel perdesse a guerra e o Hamas continuasse existindo na Faixa de Gaza reverberaria em todos os cantos do Oriente Médio, incentivaria outros grupos terroristas a cometerem ações iguais e parecidas como as que o Hamas cometeu no dia 7 de outubro, e essa é uma mensagem muito ruim para quem ama a democracia, a liberdade, os direitos humanos para todos os povos da região. Por isso, Israel precisa vencer essa guerra contra o Hamas, a favor dos palestinos, a favor de Israel e a favor da liberdade e da paz no mundo inteiro. Obrigado a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado e parabéns ao Sr. André Lajst, Presidente-Executivo da StandWithUs Brasil, que participou conosco de forma remota. Vou passar a palavra à Deputada Federal Carla Zambelli - se não estiver funcionando, Carla, a gente passa para o lado de cá, o.k.? - para as suas considerações. Seja muito bem-vinda. |
| R | A SRA. CARLA ZAMBELLI (PL - SP. Para expor.) - Obrigada, Senador - Senador que eu conheci em viagens, inclusive para fora do Brasil e Israel. Nós fomos lá agradecer em 2018 a nossa eleição. Obrigada por estar aqui, Embaixador Daniel Zonshine. Obrigada, Rabino Sany. Para vocês terem uma ideia, hoje na CREDN, na Comissão de Relações Exteriores, havia na pauta o PDL 62, de 2022, de um Deputado petista que queria sustar, nos termos do art. 49. V, da Constituição Federal, a aplicação da Portaria nº 770, de 2019, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante o Governo Bolsonaro. Quando você entra nessa Portaria 770, incrivelmente sobre o que ela dispõe? Dispõe sobre o impedimento de ingresso, a repatriação e a deportação de pessoa perigosa ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal. Então, imaginem só que tem um Deputado do PT querendo suspender uma portaria que traz aos brasileiros segurança. Isso é muito grave, muito grave. Ela foi colocada em 2022, ou seja, não foi necessariamente agora, mas qual é o interesse do Partido dos Trabalhadores em abrir as portas para as pessoas perigosas e que tiveram ações que não condizem com a nossa Constituição Federal? Que tipo de partido é esse que quer trazer o perigo para as portas das pessoas aqui no Brasil? Eu acho que é algo em que a gente tem que pensar bastante. E aí a gente vê o Lula dizendo que não pode considerar Hamas uma organização terrorista porque a ONU não o considera assim. Eu não vou dar a aula que o André deu para a gente - inclusive eu republiquei, o André fez um vídeo maravilhoso contestando essa fala do Lula -, mas eu queria falar uma outra coisa que o André não falou nesse vídeo. Ele explica quais são as organizações terroristas que a ONU considera e dá outras explicações. Mas nós fomos Presidente da Comissão de Segurança da ONU até hoje. Então, até ontem o Lula poderia ter feito uma resolução, mas não de cessar-fogo, como ele fez, porque a gente sabe que Israel até poderia cessar fogo, mas o Hamas jamais. O Hamas jamais respeitaria uma resolução da ONU de cessar-fogo. A gente sabe disso. Terroristas não respeitam nenhum tipo de regra ou de lei, nem de moral ou de ética. A gente sabe o que iria acontecer, por isso o veto dos Estados Unidos protegendo o Estado de Israel. Mas eles poderiam, sim, ter feito uma resolução considerando o Hamas um grupo terrorista. Por que não fizeram? Porque não acreditam. No fundo, nós brasileiros sabemos que através de uma portaria como essa... Vocês podem olhar depois o PDL 62, de 2022, do Deputado Carlos Veras do PT, tentando derrubar uma portaria que nos protege. Então, pessoas como essa não estão preocupadas com a nossa segurança. Pessoas como essa não estão preocupadas com a segurança também do povo russo-israelita, que ontem estiveram no aeroporto e foram... A gente viu aquele vídeo, eu demoro a acreditar que aquilo esteja acontecendo de verdade. Parece uma realidade paralela, Rabino. Há casas sendo marcadas na Austrália com a estrela de Davi... Na Alemanha. Não só a estrela de Davi foi marcada também na Austrália, mas também gritavam "gás aos judeus" em pleno 2023. Quer dizer, que tipo de história a gente vai contar para os nossos filhos? |
| R | E, aqui no Brasil, não interessa se a pessoa votou com A ou com B, não interessa, o que importa é você, seja lá em quem você tenha votado. Esse tipo de discurso, essa tentativa de derrubar uma portaria que nos traz segurança de pessoas perigosas fora do Brasil, esse discurso de que Hamas não é terrorista, esse discurso tentando se fazer pró-Palestina, mas, na verdade, é pró-Hamas, falando que Israel tinha matado milhões de inocentes, quando, na verdade, foi um pouco menos ainda do que já tinham sido mortos em Israel, do que Hamas já tinha matado em Israel. Existe uma grande diferença, uma abismal diferença entre reagir a um ataque e provocar um ataque. Israel nunca provocou ataque nenhum, Israel só se defende. Durante toda a história, ele só se defendeu, em todas as guerras, desde a guerra logo em seguida da formação do Estado do Israel, até a Guerra dos Seis Dias e a Guerra de Yom Kippur. Nas três guerras, ele só se defendeu e ganhou, como vai ganhar essa, Embaixador. Vai ganhar essa, porque o bem vai vencer... (Intervenção fora do microfone.) A SRA. CARLA ZAMBELLI (PL - SP) - Shalom. Ele vai fazer um favor não para o Estado de Israel, mas para o mundo. Israel vai proteger o mundo do Hamas e, principalmente, o povo palestino, Carlos Viana, principalmente o povo que hoje é feito de escudo pelo estado de Hamas, principalmente o povo que recebia água, medicamento e comida pelos portais de amizade entre Israel e a Faixa de Gaza, que foi destruído no dia 7/10, que foi bombardeado no dia 7/10. Eles aproveitaram um portal humanitário, no qual recebiam comida, alimentação, medicamentos e água para poder atacar Israel por terra, atacaram por ar, por mar e por terra, mas por terra usaram esse tipo de coisa, um portal em que recebiam ajuda, no qual o povo palestino era ajudado. Então, não venham me dizer que nossas autoridades não sabem o que é o terrorismo. Não há como, numa época em 2023, não saber que isso aqui é terrorismo, que sequestrar mais de 200 pessoas não é terrorismo. Quase 240 pessoas ainda estão sequestradas, bebês de 3 meses e até senhoras de 85 anos sequestrados. Nós não sabemos se todos estão vivos ou mortos. Quando a gente pergunta para as famílias: "A sua filha, a sua mãe, está viva ou está morta?". Ele falou: "Não interessa, eu só quero o corpo; se estiver morto, eu quero o corpo". E a gente chegar ao ponto de ver um senhor dar graças a Deus porque a filha dele morreu e não está sendo estuprada nas mãos dos terroristas, porque eles estupraram mulheres antes e depois de morrerem, porque eles mutilaram mulheres ao lado dos corpos dos seus maridos e dos seus filhos. Aquela família que foi assassinada, um virado de frente para o outro, quando eles iam comer, fazer a alimentação do Shabat, logo depois do Shabat, iam comer juntos os quatro e torturaram as crianças, torturaram os pais na frente das crianças e vice-versa, arrancaram o olho de um deles, dedos de outros... E vem me dizer que isso não é terrorismo, que você tem dúvida, que você precisa da ONU para dizer se é terrorismo ou não? Quer dizer, então, que nós não temos personalidade? O povo brasileiro não tem personalidade? A maioria do povo brasileiro, então, votou num homem que não sabe representar o pensamento do brasileiro? Nós temos que pressionar as autoridades brasileiras, pressionar o Itamaraty, pressionar o Lula, para que ele possa declarar Hamas um Estado terrorista. (Palmas.) |
| R | Também queria dizer, Carlos, que vou pedir a sua ajuda depois, quando chegar aqui ao Senado, porque nós estamos apresentando dois projetos de lei: um para que o dia 9 de novembro seja considerado o dia de combate ao antissemitismo e ao fascismo e outro para que o dia 7 de outubro, o dia nacional do direito de o Estado de Israel existir. Esse é um projeto que vai passar pela Câmara, e, quando chegar ao Senado, eu espero, de verdade, que você seja o Relator para que a gente possa ter um relatório que condiga com a realidade. Parabéns pela amizade entre Brasil e Israel! Esta audiência já estava marcada antes de tudo acontecer, mas, de qualquer forma, nasceu lá atrás - eu acho que foi na nossa viagem -, o carinho que você sente por Israel e que todos nós sentimos. Aproveito para mandar um abraço para as minhas primas e para os meus tios que estão ainda em Israel, continuam e vão continuar em Israel, moram lá, são casados, têm filhos - minha tia tem três netos -, e continuam lá em Israel com muita esperança de que tudo isso acabe. E, se Deus quiser, vai acabar, com a vitória de Israel. Então, pode ter certeza, Embaixador, de que esse grupo aqui pró-Israel pode não ser maioria, mas ele é forte, ele é resiliente e ele vai continuar batalhando e pressionando todas as autoridades até que façam jus ao que é correto: declarar o Estado de Israel um Estado de direito, um Estado democrático e declarar o Hamas um Estado terrorista, e que vocês possam combater esse monstro da face da terra, pelo bem de toda a nação e de todas as nações do mundo. Obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado, Deputada Federal Carla Zambelli. Estivemos em Israel, em 2018, logo depois da eleição - eu, no meu primeiro mandato; e ela, também -, e fomos recebidos na Knesset, numa sala, inclusive um debate muito interessante; foi uma viagem muito agradável, já ali naquele primeiro momento. Vamos para as perguntas aqui do e-Cidadania, as participações, antes de darmos encaminhamento à fase final desta audiência pública. A Nathalia Pinheiro manda uma pergunta aqui, Embaixador: "Qual é a importância de celebrar a amizade entre Brasil e Israel?". O SR. DANIEL ZOHAR ZONSHINE (Para expor.) - Cada ano, temos um aniversário - não é? - e o celebramos. Acho que essa amizade tem que ser marcada, lembrada. Na vida política, tem diferenças de opiniões, mas uma coisa que sempre fica, uma coisa que é básica deve receber também atenção e, desta maneira, marcar um dia para celebrar isso. Acho que 75 anos de amizade, desde a criação do Estado de Israel, já é tempo para marcar, para dar um dia especial para essa amizade, para celebrar e para lembrar que as coisas que já fizemos e que podemos fazer juntos são muitas. Então, um dia, durante o ano, vale a pena também mencionar isso e celebrar esta ocasião. O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG. Para interpelar.) - Obrigado. Rabino, qual é a opinião do senhor? Qual é a importância de celebrar a amizade entre Brasil e Israel? O SR. RAV SANY (Para expor.) - Recordar a história, se espelhar na diplomacia que o Brasil sempre possuía, possui e, com a nossa pressão, vai continuar possuindo. |
| R | A amizade entre Brasil e Israel faz com que haja gratidão do povo judeu pelo Brasil, a gratidão dos judeus que aqui foram muito bem recebidos, a gratidão da minha família, pessoalmente, que foi salva pelas mãos do brasileiro Oswaldo Aranha, que disponibilizou os vistos, mas não só o Estado judeu, o Estado de Israel existir hoje é uma espinha dorsal para a segurança, não só dos judeus dos quatro cantos do mundo, como também de toda a humanidade, sendo um polo de segurança, de tecnologia, de ciência, de inovação, de valores e de espiritualidade. Então, a celebração da amizade entre os dois países só enfatiza o que nós presenciamos, vivenciamos, para que isso jamais seja esquecido, para que esse dia seja um reflexo da lembrança do passado, para que ele seja vivenciado e espelhado para o futuro. O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Muito obrigado, Rabino Rav Sany. Essa próxima pergunta eu vou passar para a Sra. Ruth Goldberg, os comentários, e para o Sr. Sebastian Watenberg também. A Sra. Ruth, inclusive, comentou sobre a criação da Kahal Zur Israel e foi tão profícua, vamos dizer assim, que, ao saírem do Brasil, quando Portugal retoma o controle do Estado pernambucano, eles se mudam e abrem a primeira sinagoga em Nova York. Então, os judeus brasileiros fundaram a Nova Amsterdã, fundaram Manhattan. São prósperos com uma assinatura brasileira muito importante. Há, inclusive, literaturas muito vastas sobre esse assunto. Sra. Ruth, o João Henry, do Paraná, faz um comentário e gostaria que a senhora o também comentasse: "O Brasil foi um dos líderes e signatário da ONU da fundação de Israel e o povo judeu tem sido um amigo inconteste [...] [dos brasileiros]". A senhora concorda? A SRA. RUTH GOLDBERG (Para expor. Por videoconferência.) - Se o povo judeu tem sido amigo? Quer dizer, os judeus que aqui moram têm sido amigos? Sim, somos amigos, porque compartilhamos os mesmos valores, os valores da democracia, o respeito aos direitos humanos, a valorização, inclusive, da diversidade. Então, há, sim, uma aliança de propósitos e valores entre, o que a gente pode chamar, os judeus e os brasileiros. Igualmente com relação ao Estado de Israel e aos israelenses. A sociedade israelense é uma sociedade bastante pujante. A democracia no país é vibrante, haja vista, antes desses episódios, desse triste episódio que a gente ainda está tentando compreender e elaborar... Vamos lembrar que durante dez meses seguidos, a sociedade civil israelense, no direito de lutar pelas suas posições, como é próprio de um país democrático, saía às ruas para questionar aquilo que concordava ou que deixava de concordar. Então, quero dizer que são muito vibrantes e pujantes o exercício democrático e a força da sociedade civil israelense, assim como aqui no Brasil. Eu faço, sim, esse paralelo. Espero ter respondido. O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado pela colocação. Sr. Sebastian Watenberg, qual é a opinião do senhor sobre o comentário aqui do João Henry, do Paraná? O SR. SEBASTIAN WATENBERG (Por videoconferência.) - Desculpe, Senador, o mesmo comentário da Ruth? O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Sim, gostaria que o senhor também fizesse um comentário. "O Brasil foi um dos líderes e signatário na ONU da fundação de Israel e o povo judeu tem sido amigo inconteste [...] [dos brasileiros]". O senhor concorda? |
| R | O SR. SEBASTIAN WATENBERG (Para expor. Por videoconferência.) - Sim, concordo e digo mais: referiu-se à imigração, digamos, nos anos de 1500, e nós tivemos depois, em 1904, aqui no Rio Grande do Sul, a primeira imigração organizada de judeus para o Brasil. Dentro do Rio Grande do Sul, a história da comunidade judaica também se confunde com a história do desenvolvimento do estado. Essa comunidade judaica, que aqui chegou, em 1904, com uma mão na frente e a outra atrás, em Philippson - onde hoje é o Município de Itaara, ao lado de Santa Maria -, e, depois, em 1914, na cidade de Erechim, que ainda não existia como Erechim, era Quatro Irmãos, era Erebango, trabalhou pelo desenvolvimento do Brasil e acabou indo para São Paulo, para o Rio de Janeiro, enfim, aí se espalhando e sempre buscando educar a comunidade e participar da sociedade brasileira contribuindo positivamente. Então, nós temos aí inúmeras figuras da comunidade que contribuíram ao longo da história com o Brasil, e, sem dúvida, isso reforça os laços de uma comunidade que veio para cá sem futuro, sem perspectiva e acabou construindo uma comunidade muito profícua, em todas as áreas, muito diversa e muito integrada à sociedade brasileira. Eu diria que os judeus brasileiros se sentem muito integrados à comunidade brasileira e muito seguros de morar no Brasil, uma sensação que, infelizmente, os judeus europeus não podem compartilhar hoje em dia. Então, sim, há uma enorme amizade. E repito: é fundamental que nós celebremos a relação Brasil-Israel e que nós intensifiquemos a relação Brasil-Israel porque, de certa forma, também é uma forma de continuar aprofundando essa relação com a comunidade judaica que se confunde, repito, mais uma vez, com a formação do próprio Estado brasileiro e com o desenvolvimento do Estado brasileiro. O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado ao Sr. Sebastian Watenberg pelos comentários. Nós vamos caminhar para o encerramento desta audiência pública. Vou dar a palavra final ao Embaixador de Israel, Daniel Zohar Zonshine, para as suas últimas observações. O SR. DANIEL ZOHAR ZONSHINE (Para expor.) - Muito obrigado, Senador. Acho que vimos hoje aqui, mais uma vez, que necessitamos de mais uma prova dessa amizade entre o Brasil e Israel, entre o povo do Brasil e o povo de Israel, o povo representado aqui no Parlamento e acho que também em outros braços do Brasil. Isso merece, a meu ver, um dia como está nessa proposta para celebrar, e o dia 12 de abril é um dia que nós achamos bom. Vamos ter muitas razões e oportunidades para marcar essa amizade, seja em cooperação entre Brasil e Israel, seja entre a sociedade do Brasil e a de Israel, seja entre a economia do Brasil e a de Israel, e celebrar isso quando temos oportunidades certas. Então, quero agradecer esta iniciativa e espero, durante os próximos dois anos, antes de terminar a minha missão aqui, podermos assinar e celebrar esse dia de amizade todos nós juntos. Obrigado. (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado, Embaixador. Para as considerações finais, o Rabino Rav Sany. O SR. RAV SANY (Para expor.) - Muito obrigado, Senador, pelo seu posicionamento e a todos os Parlamentares que não estão se calando diante do absurdo que é um país como Israel ainda ter que justificar para o mundo o seu direito de existir, ainda ter que se defender por se defender. E, depois de todas as imagens que eles fizeram questão de mostrar dos ataques terroristas do movimento terrorista Hamas, ainda existir grupos que apoiam o Hamas... Como o André bem falou, você pode apoiar a causa palestina, deve apoiar a causa palestina, condenando o Hamas. Só assim haverá paz. Só assim nós poderemos livrar o mundo do mal do terrorismo. Só assim nós poderemos celebrar um mundo onde a luz de Israel será compartilhada cada vez mais e cada país poderá quebrar todas as barreiras do egoísmo e compartilhar com a sua população e com o mundo o que existe de melhor. Este é o propósito maior da existência da humanidade: trazer a paz e um significado e um propósito maior para a existência das nossas vidas. Muito obrigado. Esse dia será um polo, um holofote de luz para que esses pensamentos sejam interiorizados, vivenciados e praticados. Muito obrigado, Senador. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Carlos Viana. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MG) - Obrigado, Rabino. Vou agradecer a presença de todos aqui. Ao Daniel Zohar Zonshine, Embaixador de Israel, muito obrigado; e à Embaixatriz, sua esposa. Ao Rabino Rav Sany, Diretor do Makom Moema e Makom Jardins, obrigado. À Sra. Ruth Goldberg, Presidente do Instituto Brasil-Israel, obrigado pela gentileza da participação. Agradeço ao Sr. Sebastian Watenberg, Diretor da Confederação Israelita do Brasil. Obrigado ao André Lajst, Presidente-Executivo do StandWithUs Brasil. Também ao Vice-Chefe da Missão de Israel, Yonatan Gonen, obrigado. Ao porta-voz da embaixada, o Sr. Or Keren, muito agradecido também. Senhores, obrigado a cada um pela presença. Não havendo mais nada a tratar, agradeço e declaro encerrada a presente reunião. (Iniciada às 14 horas e 28 minutos, a reunião é encerrada às 15 horas e 38 minutos.) |

