09/07/2025 - 14ª - Comissão de Esporte

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Horário

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A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Fala da Presidência.) - Havendo número regimental, declaro aberta a 14ª Reunião da Comissão de Esporte da 3ª Sessão Legislativa Ordinária da 57ª Legislatura, que se realiza nesta data, 9 de julho de 2025.
Sras. e Srs. Senadores, membros desta Comissão, demais presentes e todos que nos acompanham pelo sistema de comunicação do Senado Federal, bom dia.
É com imensa satisfação que abrimos esta reunião para debater um tema de profunda relevância para o esporte brasileiro que é a igualdade de gênero, com especial atenção aos desafios enfrentados pelas mulheres atletas e à construção de políticas públicas que assegurem o fortalecimento da presença feminina no esporte de alto rendimento. Falar sobre igualdade de gênero no esporte é reconhecer que, apesar dos avanços, ainda temos um longo caminho a percorrer para garantir às mulheres as mesmas oportunidades, visibilidade e estrutura que historicamente têm sido concedidas aos homens. É por isso que esta audiência é tão especial.
Temos conosco mulheres de trajetórias notáveis, que trilharam e ainda trilham jornadas de resistência e excelência em suas respectivas modalidades, mulheres que enfrentam ou enfrentaram preconceitos, desigualdades salariais, falta de apoio estrutural e mesmo a invisibilidade na cobertura esportiva e, ainda assim, seguem sendo inspiração para milhares de jovens brasileiras que sonham em conquistar um espaço no esporte. Suas vozes são fundamentais para que possamos formular políticas mais justas, eficientes e transformadoras.
Quero também aproveitar esta sessão para destacar os recentes feitos que enchem de orgulho o esporte nacional, demonstrando que o Brasil continua forte e competitivo em diversas frentes, com destaque, inclusive, para a atuação de nossas mulheres, nossas atletas.
Começo pelo futebol, em que acompanhamos a participação dos clubes brasileiros no Mundial de Clubes da FIFA. O Fluminense fez história, lutou com bravura contra o Chelsea, da Inglaterra, e acabou eliminado. Fato é que o time tricolor carioca terminou entre os quatro melhores do mundo.
Também merece registro o desempenho do Brasil no vôlei feminino - eu acho que é o sub-26, não é, Jacqueline? - que disputou agora e que ficou no pódio...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Ah, é! A Valeskinha, é verdade.
O time garantiu o seu lugar no pódio agora na Copa América, ao vencer o Chile por 3 sets a 0. Inclusive, nesta madrugada, aqui no Brasil, a Seleção Feminina de Vôlei principal venceu a equipe da Bulgária por 3 sets a 1 e já assegurou sua classificação para a fase final da Liga das Nações.
Ainda no campo das conquistas femininas, registro com satisfação o desempenho da Seleção Feminina de Basquete Feminino, que chegou à final da Copa América e conquistou a medalha de prata, após enfrentar a forte equipe dos Estados Unidos. É uma campanha que evidencia o renascimento da modalidade e reforça a importância de continuarmos investindo no basquete feminino, fortalecendo as categorias de base e oferecendo condições adequadas para o desenvolvimento das atletas.
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Outros esportes também merecem ser celebrados nesta manhã. O Brasil conquistou quatro medalhas de ouro na Copa do Mundo de Boxe, realizada no Cazaquistão, resultado que demonstra a crescente força da nossa equipe na modalidade e a importância dos investimentos técnicos e estruturados para os nossos atletas.
No atletismo, mais uma vez, o Alison dos Santos brilhou ao vencer o campeão olímpico e conquistar a medalha de ouro na Diamond League, reforçando o seu nome entre os grandes do esporte mundial. Não posso deixar de registrar um feito extraordinário que muito nos honra, especialmente nós, do Distrito Federal: a Polícia Civil daqui, do DF, teve um desempenho histórico nos Jogos Mundiais dos Policiais e Bombeiros - inclusive a nossa Polícia Legislativa; nós tivemos representação lá, Portinho -, com a conquista de mais de 200 medalhas, incluindo 90 de ouro. Entre os destaques, estão a agente Marília Rêgo Borges, da 29ª Delegacia de Polícia do Riacho Fundo. A Marília conquistou cinco medalhas no atletismo, três de ouro e duas de bronze, em sua primeira participação no mundial. Sua história, marcada por dedicação, superação e amor ao esporte, nos enche de orgulho e reforça como o esporte pode e deve estar presente em todas as esferas da vida pública, inclusive nas instituições de segurança.
Antes de encerrar, é preciso registrar que, no próximo final de semana, aqui, em Brasília, nós teremos a Street League Skateboarding - é isso, não é, skateboarding? -, a ser realizada na Esplanada dos Ministérios, no sábado, dia 12, e domingo, dia 13 de julho, marcando a primeira vez em que a Capital Federal recebe uma etapa oficial da principal liga de skate street. Num formato inédito, o Brasil será The Best Tricks, no qual os esqueitistas de elite, como a Rayssa Leal - ó que legal, a Rayssa Leal, o Felipe Gustavo e convidados internacionais -, terão sete tentativas para executar manobras e garantir as melhores notas. Vamos torcer aí para os nossos brasileiros. O evento será totalmente gratuito e aberto ao público, transformando o coração de Brasília em uma grande arena urbana, com atividades e ativações interativas, música ao vivo, food trucks e atrações para todas as idades. Além de celebrar o esqueite como espetáculo esportivo, essa etapa reforça o potencial de Brasília no turismo esportivo, movimentando a economia local e promovendo práticas sustentáveis, em sintonia com os objetivos do Governo local, principalmente da Secretaria de Turismo do DF.
Senhoras e senhores, o momento é de celebração, mas também de reflexão. Celebrar os feitos dos nossos atletas e nossas atletas é reconhecer seu valor. Refletir sobre a desigualdade de gênero é assumir o compromisso com um futuro mais justo, inclusivo e igualitário. Que este debate de hoje sirva para nos fortalecer como legisladores e como sociedade. Que possamos sair desta reunião mais conscientes da urgência de políticas públicas voltadas à valorização do esporte feminino e à construção de um cenário esportivo verdadeiramente democrático, diverso e representativo.
Declaro, assim, aberta esta tão importante sessão da Comissão de Esporte do Senado Federal, renovando o meu compromisso pessoal e institucional com o avanço da igualdade de gênero no nosso esporte brasileiro.
Vamos à audiência.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Se me permite, Senadora...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Pois não, Senador Portinho. Bom dia!
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Bom dia!
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - E parabéns; semana passada foi seu aniversário.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Muito obrigado, Senadora.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Saúde, amigo - saúde.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Muito obrigado. Saúde é o que mais importa.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - É isso aí.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ. Pela ordem.) - Não sei se foi dito; cheguei um pouquinho após o início. Gostaria de registrar o feito do clube Fluminense na Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos. Clube que eu tive a honra, o orgulho - eu tenho - de ter defendido, até dias antes de assumir este Senado Federal.
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A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Olha...
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Embora não seja o meu clube do coração, defendi com muito afinco e torci pelo Fluminense.
Infelizmente, não foi possível avançar, mas a gente não pode deixar de registrar, com satisfação, que o Fluminense está entre os quatro maiores clubes do mundo na atualidade. Está entre os quatro maiores clubes o clube do meu Estado do Rio de Janeiro.
Faço também o registro da bela...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Pode falar, Senador Portinho. (Risos.)
Todo mundo sabe que você é flamenguista. Eu também.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Eu iria dizer isso agora, fazendo...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Mas, em campo, torcendo, é Brasil, somos o Brasil. Sempre.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - É Brasil.
E quero fazer um registro também da bela participação dos outros clubes, os outros dois do meu estado - além do Fluminense -, Botafogo e Flamengo, também foram longe, levaram emoção ao torcedor, fizeram a gente torcer, fizeram a gente ver que o futebol brasileiro está num nível mundial, muito bem posicionado, assim como o Palmeiras, clube que eu também defendi, como advogado... Além do Flamengo, do qual fui vice jurídico, o Palmeiras, clube que eu defendi como advogado, que também foi longe e tem o seu mérito e está entre os grandes do mundo.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Agora, vamos lá: a torcida foi um espetáculo à parte. Das quatro equipes, não é?
Assim, o brasileiro, onde ele está, onde ele está torcendo, ele realmente tem uma energia diferenciada - isso eu falei até na última audiência -, mas foi impressionante o calor, o trabalho, o apoio das torcidas dos quatro times brasileiros.
Às torcidas também os nossos parabéns. Foram incríveis!
Bom, a primeira parte da nossa reunião de hoje vai ser deliberativa, e vai ser muito rápida. Nós vamos ler alguns requerimentos aqui, antes de chamarmos as nossas expositoras.
A presente reunião é destinada à deliberação de requerimentos apresentados à Comissão.
1ª PARTE
ITEM 1
REQUERIMENTO DA COMISSÃO DE ESPORTE N° 28, DE 2025
- Não terminativo -
Requer, nos termos do art. 58, § 2º, II, da Constituição Federal e do art. 93, II, do Regimento Interno do Senado Federal, a inclusão de convidados na Audiência Pública objeto do REQ n° 27/2025.
Autoria: Senador Carlos Portinho (PL/RJ)
Eu concedo a palavra ao Senador Carlos Portinho, autor do requerimento.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ. Para encaminhar.) - Muito obrigado.
E, aproveitando, Senadora Leila, faço o anúncio de que, no dia 16, teremos audiência pública, aqui nesta Comissão, das mais importantes, certamente...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Certamente.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - ... para a gente poder enfrentar os vetos.
O que tem acontecido é que, com as sessões do Congresso - justamente pela falta de debate -, a gente não tem avançado ou para manter, ou para derrubar, ou, pelo menos...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Os vetos da Lei Geral do Esporte.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Da Lei Geral do Esporte.
É uma lei que, durante décadas, tramitou aqui e que, na gestão, nessa última legislatura, tendo à frente a Senadora Leila, Senador Kajuru, Senador Romário, eu dando a minha contribuição...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Você também.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - ... nós aprovamos, com um número grande de emendas e um número também grande de vetos, que foram dados pelo atual Presidente.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Aprovamos, e com o apoio das duas Casas.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Das duas Casas, sem dúvida, e traz questões importantes, fundamentais para a performance esportiva, como, por exemplo... Vou dar apenas um exemplo: o benefício à importação de equipamentos.
Os nossos atletas são os melhores do mundo, mas precisamos ter equipamentos que façam frente ao desenvolvimento tecnológico que o mundo vive.
Então, essa é uma audiência pública fundamental, no próximo dia 16.
O COB estará presente, junto com outros atores desse setor, mas eu gostaria, com base nesse Requerimento 27, de 2025, da CEsp, que sejam incluídos os seguintes convidados: o Exmo. Sr. Ministro da Fazenda - inclusive esse é um tema que eu suscitei, como exemplo, como pertinente ao Ministério da Fazenda -; e a Sra. Fabiana Bentes, representante do instituto Sou do Esporte.
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O instituto Sou do Esporte, num belo evento no Rio, apresentou o PIB do Esporte, e isso valoriza ainda mais o esporte brasileiro. O que ele move da nossa economia, descobrimos, por exemplo, que é muito mais do que a cultura, que é tão importante quanto. Mas é para gente entender a força do esporte brasileiro, como motor do desenvolvimento também econômico do país, o que ele gera de riqueza para o país e o que pode o Estado devolver para o esporte. E, por isso, até pedi para que seja iniciada a próxima audiência pública - lógico, após a participação do Ministro do Esporte, que eu espero que esteja presente, e do Ministro da Fazenda, para que a gente tenha um bom debate -, para que também seja aberta com a exibição do que é, do que foi o estudo do PIB do Esporte, porque nos dá um norte para gente entender melhor.
E, Senadora Leila, se me permite um requerimento extrapauta...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Pois não.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - ... o Confef, o representante do Conselho Federal de Educação Física, pediu para participar, porque tem temas que são afeitos à...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Está na pauta, Senador.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Isso. Ah, está na pauta? Eu ia pedir extrapauta.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Está, nós inserimos na pauta, tá?
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Não, então vou ficar só no primeiro, no Requerimento 28, de 2025, que pede para incluir o Ministério da Fazenda e a representante do instituto Sou do Esporte para apresentar o PIB; e aguardo o próximo requerimento, então, para eu poder me manifestar.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Inclusive, é importante ressaltar os números da questão do PIB do Esporte, que são números muito relevantes. Isso se deve muito também a outra questão que está sendo tratada aqui no Congresso, que é a perenização da Lei de Incentivo ao Esporte.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Exatamente. Esse é outro tema fundamental ao qual estamos alerta, toda a comunidade está alerta - a comunidade esportiva -, porque é fundamental. Se tratamos de números, de economia, certamente a Lei de Incentivo contribui muito para esses números tão relevantes do PIB do Esporte no nosso país.
Bom, a votação será simbólica.
Em votação o requerimento.
As Sras. Senadoras e os Srs. Senadores que concordam com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado o requerimento.
1ª PARTE
ITEM 2
REQUERIMENTO DA COMISSÃO DE ESPORTE N° 29, DE 2025
- Não terminativo -
Requer, nos termos do art. 58, § 2º, II, da Constituição Federal e do art. 93, II, do Regimento Interno do Senado Federal, a inclusão de convidado na Audiência Pública objeto do REQ n° 27/2025.
Autoria: Senadora Leila Barros (PDT/DF)
Autoria desta Presidência.
A votação será simbólica. (Pausa.)
Eu estou pedindo que na audiência seja incluído o seguinte convidado: o representante do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos. Acho que, enfim, foi um representante que nós, por falta de atenção, inclusive de toda a equipe, tivemos... e que nós agora estamos corrigindo, tá? É isso. É importantíssimo termos aqui o representante do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos.
Então, a votação será simbólica.
Em votação o requerimento.
As Sras. Senadoras e os Srs. Senadores que concordam com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado o requerimento.
Eu vou para o item 5, para o seu.
1ª PARTE
ITEM 5
REQUERIMENTO DA COMISSÃO DE ESPORTE N° 32, DE 2025
- Não terminativo -
Requer, nos termos do art. 58, § 2º, II, da Constituição Federal e do art. 93, II, do Regimento Interno do Senado Federal, que na Audiência Pública objeto do REQ 27/2025 - CEsp seja incluído como convidado o Conselho Federal de Educação Física.
Autoria: Senador Carlos Portinho (PL/RJ)
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Concedo a palavra ao Senador Carlos Portinho, autor do requerimento.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ. Para encaminhar.) - É importante a representatividade do Conselho Federal de Educação Física, e eu também tive o cuidado, Senadora Leila, de entender sobre quais vetos estariam ligados, naturalmente, à atividade, e tem uns três ou quatro que eles me passaram, que são fundamentais. Eles me procuraram no evento do PIB do Esporte, pediram para participar e, recentemente, esta semana, justificaram quais vetos, o que eu perguntei, teria ligação. Então, em razão disso, eu peço que seja incluído o seguinte convidado: o representante do Conselho Federal de Educação Física (Confef).
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Perfeito, Senador Portinho.
Só para dar meu bom dia aqui ao nosso Vice-Presidente da Comissão de Esporte, Senador Chico Rodrigues. Seja muito bem-vindo, Senador.
A votação do requerimento apresentado pelo Senador Carlos Portinho será simbólica.
Em votação o requerimento.
As Sras. Senadoras e os Srs. Senadores que concordam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Requerimento aprovado.
Vamos para o item 3. Faltam mais dois, meninas.
1ª PARTE
ITEM 3
REQUERIMENTO DA COMISSÃO DE ESPORTE N° 30, DE 2025
- Não terminativo -
Requer, nos termos do art. 222 do Regimento Interno do Senado Federal, inserção em ata de voto de louvor à ex-atleta olímpica Wanda dos Santos, segunda brasileira negra a representar o Brasil em Jogos Olímpicos, por reconhecimento a sua trajetória e conquistas no esporte nacional e internacional.
Autoria: Senadora Leila Barros (PDT/DF)
A autoria é desta Presidência.
Vou à justificação.
A Wanda dos Santos foi a segunda mulher negra a representar o Brasil em Jogos Olímpicos, participou das edições de Helsinque, em 1952, e Roma, em 1960, tendo quebrado o recorde sul-americano nos 80 metros com barreira, em 1952. Além disso, conquistou quatro medalhas em Jogos Pan-Americanos: bronze no salto, em Buenos Aires, em 1951; bronze nos 80 metros com barreira, na Cidade do México, em 1955; e, nessa mesma modalidade, foi prata em Chicago, em 1959; e bronze, em São Paulo, em 1963. Também foi a maior medalhista do Troféu Brasil, criado em 1945, conquistando 48 ouros na competição, entre 1946 e 1966, em diversas modalidades.
Wanda dos Santos nos deixou, já falado pelo Wlamir aqui, Presidente da Confederação de Atletismo, que está aqui presente, nos deixou no dia 30 de junho de 2025, aos 93 anos, em São Paulo, e deixa uma marca na história do atletismo brasileiro. Por sua trajetória de superação e inspiração, especialmente no contexto de resistência racial e de gênero, requeiro o apoio desta Comissão no sentido da aprovação deste voto de louvor em homenagem à nossa querida Wanda dos Santos.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Eu fui pesquisar, fiquei curioso, Senadora Leila, para saber qual foi a primeira mulher negra brasileira a participar de uma Olimpíada, e me diz aqui o Google, mãe dos burros, que foi Melânia Luz a primeira, também no atletismo. Então, veja que o atletismo é pioneiro na participação...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Das mulheres.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - ... das mulheres negras nas Olimpíadas. E o seu registro tem todo o meu apoio com relação à Wanda.
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A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Senador Carlos Portinho.
A votação será simbólica.
Em votação o requerimento.
As Sras. Senadoras e os Srs. Senadores que concordam com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado o requerimento.
Agora, finalizo o nosso quarto item.
1ª PARTE
ITEM 4
REQUERIMENTO DA COMISSÃO DE ESPORTE N° 31, DE 2025
- Não terminativo -
Requer, nos termos do art. 58, § 2º, II, da Constituição Federal e do art. 93, II, do Regimento Interno do Senado Federal, que seja incluído representante do Comitê Paralímpico Brasileiro - CPB como convidado na Audiência Pública objeto do REQ 25/2025 - CEsp.
Autoria: Senadora Leila Barros (PDT/DF)
A votação será simbólica.
Em votação o requerimento.
As Sras. Senadoras e os Srs. Senadores que concordam com o requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado o requerimento.
O SR. CARLOS PORTINHO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) - Senadora Leila, eu vou fazer a indelicadeza e pedir licença, é que eu estou na discussão do Código Eleitoral lá, eu vim aqui para prestigiar e aprovar os requerimentos.
Tenho certeza de que vai ser muito profícua esta audiência pública, estará no YouTube, e eu poderei assistir hoje à noite, para me inteirar.
Muito obrigado, Senadora.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - E temos as assessorias aí também.
Obrigada.
Terça e quarta aqui nós sabemos o caos que é, não é, Senador Carlos Portinho? Ainda mais o Código Eleitoral.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Muito importante, principalmente para nós mulheres, a garantia dos 20% das cadeiras. Estou torcendo para a Bancada Feminina estar fazendo um bom trabalho lá.
É isso aí. Vamos à luta!
Bom, agora nós vamos para a segunda parte da nossa sessão, que é a audiência pública interativa.
Esta parte destina-se à realização de audiência pública com o objetivo de debater a igualdade de gênero no esporte brasileiro, com foco nos desafios enfrentados pelas mulheres atletas e na construção de políticas públicas de apoio à presença feminina no esporte de alto rendimento.
Isso é em atenção ao Requerimento nº 25, CEsp, e ao Requerimento nº 31, CEsp, de minha autoria.
Eu convido para tomar lugar à mesa as seguintes convidadas.
A Sra. Iziane Castro Marques, Secretária Nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte. (Palmas.) (Pausa.)
A Sra. Yane Marques, Vice-Presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB). (Palmas.)
A Sra. Soraya Nobre, Gestora Esportiva da área Mulher no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil (COB). (Palmas.)
A Sra. Valeska dos Santos Menezes, representante dos Atletas de Alto Rendimento na Comissão Mulher no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil (COB). (Palmas.)
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É conhecida como Valeskinha. (Risos.) De Valeskinha não tem nada, mas é Valeskinha.

Seja bem-vinda, Valeska! (Pausa.)
A Sra. Jacqueline Silva, ex-jogadora de vôlei, atleta de vôlei de praia e medalhista olímpica, campeã olímpica.
Seja muito bem-vinda, Jacque! (Palmas.) (Pausa.)
A Sra. Joanna Maranhão, ex-nadadora olímpica, que participará por videoconferência. (Palmas.)
A Sra. Daiane dos Santos, ex-ginasta e medalhista olímpica, que também participará por videoconferência.
E a Sra. Verônica Hipólito, atleta paralímpica, que participará por videoconferência.
As três que estão participando por videoconferência, sejam bem-vindas! (Palmas.) (Pausa.)
Informo também que foi convidado o Ministério das Mulheres, que não indicou representante.
Antes de passar a palavra para as nossas convidadas, eu comunico que esta reunião será interativa, transmitida ao vivo e aberta à participação dos interessados por meio do Portal e-Cidadania, na internet, no endereço senado.leg.br/ecidadania, ou pelo telefone 0800 0612211 - 0800 0612211.
O relatório completo, com todas as manifestações, estará disponível no portal, assim como as apresentações que forem utilizadas pelas nossas expositoras.
Na exposição inicial, cada convidada poderá fazer o uso da palavra por até dez minutos, mas, por favor, fiquem à vontade.
Ao fim das exposições, a palavra será concedida aos Parlamentares inscritos para fazerem suas perguntas ou comentários, assim como aos nossos internautas e participantes desta audiência pública.
Eu já vou começando, tá? Vou passar a palavra para a senhora...
Primeiro, meninas, quero agradecer a presença de todas vocês. É uma honra. Conheço todas aqui bem, principalmente as que foram atletas. É uma honra estar aqui no Senado Federal e ter este momento com vocês, até porque eu passo muito das minhas experiências, das minhas vivências como ex-atleta, mas eu sempre falo que nós não somos ex-atletas. A gente sai do esporte, mas ele não sai da gente.
A SRA. JACQUELINE SILVA (Fora do microfone.) - Pós-atletas.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - É, exatamente. Nós somos pós-atletas, porque está em nós, a gente leva para a vida.
É um prazer estar com todas vocês aqui nesta audiência pública.
Eu vou passar a palavra para a Iziane Castro Marques, Secretária Nacional de Excelência Esportiva, representante de Ministério do Esporte. (Pausa.)
A SRA. IZIANE CASTRO MARQUES (Para expor.) - Bom dia.
Eu também gostaria de agradecer o convite, Senadora, e parabenizar a iniciativa desta audiência que trata de um tema essencial para o futuro do esporte brasileiro. Também é uma honra aqui integrar esta audiência pública que reúne mulheres protagonistas da história do esporte brasileiro.
Hoje, como mulher primeiramente, atleta olímpica e gestora pública, conheço de perto os obstáculos enfrentados por tantas mulheres que lutam para ocupar esses espaços no esporte. Trago um olhar que combina experiência prática com responsabilidade de gestão pública.
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O debate sobre igualdade de gênero no esporte é, antes de tudo, um debate sobre acesso, permanência e reconhecimento. As mulheres atletas seguem enfrentando desafios como a disparidade nos investimentos, a invisibilidade midiática, o preconceito de gênero e a escassez de representatividade nos espaços de decisão. Essas barreiras estruturais precisam ser enfrentadas com políticas públicas robustas, intersetoriais e com escuta ativa das atletas e gestoras esportivas, uma vez que essa realidade ainda é marcada por desigualdade salarial, escassez de patrocínio, invisibilidade midiática - como eu já falei -, ausência de estrutura adequada e descontinuidade de carreira, especialmente para mulheres que se tornam mães. Essas barreiras são históricas e exigem respostas institucionais.
Na Secretaria Nacional de Excelência Esportiva, temos atuado para ampliar e qualificar programas, como o Bolsa Atleta, que hoje inclui as gestantes e puérperas no programa; e o Revelar Talentos, assegurando o incentivo à presença feminina no alto rendimento, valorizando as diferentes fases da carreira esportiva, da base à transição. Temos buscado também garantir que o esporte seja, de fato, um direito de todas, com acesso à infraestrutura, apoio à maternidade, acompanhamento multidisciplinar e estímulo ao protagonismo feminino na gestão esportiva.
Além disso, na secretaria, o fortalecimento desses programas garante condições concretas de permanência dessas mulheres no esporte, e a articulação com as outras pastas e entidades esportivas para assegurar essa transversalidade de políticas de equidade de gênero é essencial.
Também estamos avançando na construção de diretrizes para a transição de carreira das atletas, promovendo formação, inclusão no mercado de trabalho e representação feminina na gestão esportiva. O programa está finalizado, a gente deve colocar em andamento ainda neste ano, e temos essa pauta ainda muito forte em relação, principalmente, ao pós-carreira das atletas mulheres. Então, é fundamental garantir que as mulheres estejam não apenas nas quadras, piscinas e pistas, enfim, mas também nas comissões técnicas, nos conselhos deliberativos e nos espaços de decisão.
Quanto a isso, eu gostaria de ressaltar e até agradecer também aqui ao Ministro André Fufuca, que me deu a oportunidade de estar neste cargo hoje. Eu falo que eu tenho o privilégio de me sentar em uma cadeira na qual eu posso falar sobre políticas públicas, fazer políticas públicas pelas quais eu vivi, desde a base, passando pelo alto rendimento e terminando na transição de carreira; e não só eu, nós temos mulheres também na gestão pública do esporte de rendimento, no Ministério do Esporte; na Sneaelis, com a Diretoria de Incentivo ao Esporte, é uma mulher que está à frente dessa pasta tão importante; nós temos uma mulher à frente da certificação da Lei Pelé; nós temos uma mulher Presidente do Controle de Dopagem, que é a Presidência da ABCD, que está aqui presente, gostaria de nomeá-la aqui, a Adriana Taboza. Então, isso mostra também o que é, de fato, oportunizar mulheres em cargos decisórios e de gestão, graças ao Ministro André Fufuca.
Então, essa transformação que queremos no esporte passa necessariamente pela valorização e trajetória dessas mulheres.
Que esta audiência pública seja mais do que um momento de escuta, que seja um ponto de partida para ações concretas que garantam igualdade de condições, reconhecimento e dignidade para todas as atletas brasileiras!
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Sabemos que ainda há muito a avançar, e, por isso, espaços como este são fundamentais para fortalecer a construção coletiva de soluções.
E aqui eu gostaria de também parabenizar a presença de presidentes de confederações, de representantes também de confederações, de homens aqui presentes, porque a gente fala sobre igualdade, mas, para se ter primeiramente a equidade que as mulheres precisam, a gente precisa dialogar com aqueles que estão no poder, e nós bem sabemos que, nesse nosso espaço aqui, nós dialogamos o tempo todo com homens, e não com mulheres. Eu reiteradamente sou a única mulher nesse espaço, em diálogo constantes, em reuniões, em mesas, em debates, e isso precisa mudar. A gente entende a contextualização histórica do nosso país e dessa construção contínua, mas também a gente sabe que é necessário assegurar esses espaços para as mulheres.
E, finalizando aqui, eu gostaria de me colocar à disposição, para atuar em conjunto com o Senado, com os comitês esportivos, com as confederações e com todas as mulheres que, diariamente, constroem o esporte brasileiro com excelência, coragem e resistência.
Obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada.
Vou aproveitar também e cumprimentar e registrar a presença da Adriana Taboza, que comanda a ABCD, que é a nossa Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem. Seja muito bem-vinda, Adriana!
Eu vou passar a palavra agora...
Obrigada à Iziane pela fala e participação.
Nós vamos ter perguntas depois; então, eu vou deixar todas vocês falarem e depois a gente passa para as perguntas, os questionamentos.
Quero registrar também a presença aqui da nossa Vice-Líder da Bancada Feminina, nossa querida Senadora Teresa Leitão.
Bom dia, Teresa. Quer fazer uso da palavra?
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Não? À vontade.
Então, eu vou passar agora para a Sra. Joanna Maranhão, que é ex-nadadora olímpica, que participará por videoconferência.
Seja bem-vinda, Joanna!
A SRA. JOANNA MARANHÃO (Para expor. Por videoconferência.) - Bom dia.
Obrigada, Senadora.
Espero que todo mundo esteja me ouvindo bem.
Eu queria agradecer imensamente pelo convite para fazer parte, mesmo de longe. É um prazer imenso, essa mesa riquíssima aí...
Tentando fazer um bom uso desses dez minutos aqui, eu vou tentar dar um pouco de continuidade ao que Iziane falou, e eu tenho certeza de que as próximas falas também serão falas que me contemplarão.
Eu queria trazer a atenção um pouco para uma outra questão, que atravessa a minha própria existência. Pessoas que são ativistas pelo direito da infância sabem que eu abertamente falei sobre a violência sexual que eu vivi aos nove anos de idade, dentro do esporte. E, como a maioria das vítimas, a gente não tem conhecimento sobre nossos direitos, até que tipo de palavra se usa para descrever. Então, eu guardei isso dentro de mim por muitos anos e, quando eu estive pronta para falar, não existia respaldo legal para que eu pudesse denunciar. No meu tempo, apareceram outras vítimas, inclusive continuam aparecendo vítimas até hoje, e aí eu acabei entrando nessa luta para tentar mudar a legislação brasileira.
Hoje existe a Lei Joanna Maranhão, que dobra o tempo de prescrição, para que vítimas de violência sexual possam denunciar essas violações, mas a gente, infelizmente, ainda está muito longe de um ambiente esportivo seguro.
Quando a gente fala sobre igualdade de gênero dentro do esporte, a gente precisa pensar que esse ambiente tem que ser seguro para essas mulheres, e um ambiente seguro passa por um ambiente livre de assédio, assédio moral, violência psicológica, física, sexual, exploração econômica de todo tipo.
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Eu acabei me tornando pesquisadora e ativista e hoje moro fora do Brasil, porque eu atuo nessa área de esporte seguro. E, como pesquisadora, eu fiz uma pesquisa em que perto de mil atletas brasileiros de elite, profissionais, responderam sobre as suas experiências antes dos 18 anos de idade. Infelizmente, 63% desse grupo relatou ter vivido alguma experiência de violência sexual dentro do esporte. Se a gente juntar todas as violências - psicológica, física e sexual -, sobe para 93%. Quando a gente vai olhar quais são os riscos associados, a gente percebe que mulheres reportaram mais incidências de violência psicológica e sexual, o que significa que ser mulher no esporte brasileiro é um fator de risco. Então, a gente precisa pensar de forma holística, para que exista espaço para mais mulheres, para que mais de nós estejamos presentes, mas esse ambiente precisa ser seguro.
Existem algumas formas de se fazer isso e política pública é extremamente importante. Alguns países, como Canadá, Austrália, Alemanha - que é onde eu moro hoje -, Estados Unidos, têm o que eles chamam de agências de esporte seguro, que são agências governamentais, financiadas pelo governo, responsáveis por investigar casos de violência de toda a natureza para todas as pessoas dentro do esporte; punir esses abusadores; e criar um banco de dados para que a gente saiba quem são essas pessoas que estão perpetuando essas violências, para que elas não tenham mais espaço dentro do esporte. E que sejam também órgãos reguladores, né?
No sistema esportivo dentro do Brasil, a gente depende do Estado brasileiro, e de um Estado brasileiro forte, que praticamente financia tudo dentro do esporte de rendimento do Brasil. Então, nada mais normal que esse Estado brasileiro que financie fiscalize também se os clubes, as federações, as confederações e os Comitês Olímpico e Paralímpico estão tendo ações efetivas de prevenção, de combate e de punição à violência, principalmente violência sexual.
Então, era mais isso o que eu estava querendo falar, era esse assunto em que eu estava querendo tocar, porque eu acho que é extremamente importante. Não existe nenhuma outra agência como essa na América do Sul, né? E a gente sabe que, no continente americano, a gente, em termos de performance, só fica atrás dos Estados Unidos e Canadá. Então seria muito interessante que o Brasil aí puxasse a frente nessa questão de uma agência de esporte seguro, para que a gente possa tornar esse ambiente mais seguro para mulheres.
Obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Nós que agradecemos, Joanna. Grata pela sugestão. Nós vamos entrar em contato com você para ouvir um pouco da sua pesquisa e ver como, em termos legislativos, nós podemos contribuir com o Governo Federal, enfim, com o próprio COB também, nessa questão da agência de esporte seguro, que é bem interessante. E esses dados são estarrecedores, inclusive, os que você trouxe na sua pesquisa.
Eu vou passar a palavra agora para a Sra. Yane Marques, que é Vice-Presidente do Comitê Olímpico do Brasil.
Seja muito bem-vinda, Yane!
A SRA. YANE MARQUES (Para expor.) - Obrigada, Senadora Leila. Obrigada, Senador Chico Rodrigues. Estamos nos conhecendo hoje, a gente já trocou umas figurinhas aqui. Muito bom.
É legal demais esse espaço. Parabenizo pela iniciativa, por jogar esse tema à mesa para a gente discutir, conversar, se municiar de tantas novidades e informações.
Quero saudar minhas amigas aqui de profissão, de missão; meus amigos também, o Presidente da confederação, Wlamir, que está sempre aqui, o Hugo. Reforço sua fala, Izi, da importância de esses homens estarem junto com a gente nessa militância, que é puxada, é difícil. Adriana, é muito bom ter você aqui também, querida. E uma saudação bem especial a uma conterrânea minha aqui, a Teresa, Senadora, que chegou há pouco. Muito bom vê-la, viu? Prazer gigante. A gente está junto aqui nessa missão.
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Pessoal, nós fomos eleitos para o COB, eu, La Porta e um timaço, no ano passado. A gente assumiu neste ano o Comitê Olímpico do Brasil, em janeiro, explicitamente com uma decisão e um desejo de dar atenção a essa causa, um compromisso com a comunidade esportiva, na verdade, sobre a pauta da equidade de gênero.
E, mais que isso, a gente valoriza muito esses debates, essas discussões, esses contrapontos, as experiências, as histórias, que são muito importantes para a gente se municiar de informação, tratar nas nossas decisões internas de forma mais assertiva, mas a gente quer muito liderar pelo exemplo.
A gente vai ter uma apresentação linda aqui de Soraya, da área Mulher no Esporte, que preparou tudo com muito carinho, muitos números, conteúdos, coisas importantíssimas, para vocês tomarem conhecimento do que a gente lá no Comitê Olímpico do Brasil está fazendo, desenvolvendo, jogando luz a essa temática da mulher no esporte, programas de apoio às confederações, às mulheres treinadoras, às comissões, trazendo para dentro do COB discussões muito amadurecidas sobre essa temática. E essa apresentação vai ser muito rica.
A gente valoriza demais esse assunto. Eu trago uma fala institucional, obviamente, como Vice-Presidente eleita no Comitê Olímpico do Brasil, e agradecendo demais o voto de confiança que nos foi dado, mas a minha história como Vice-Presidente do COB não se desconecta da minha história de mulher atleta, sertaneja, nordestina, mãe. Eu trago uma carga até cultural, talvez, histórica, de muita luta, de muitos desafios nessa temática de a mulher ocupar espaços, ineditismos.
Em 111 anos do Comitê Olímpico do Brasil, a gente teve, pela primeira vez na história, um baita voto de confiança da comunidade esportiva. Todos os presidentes de confederação, atletas presentes, representantes do Comitê Olímpico Internacional me trouxeram para uma cadeira em que uma mulher nunca se sentou na história do Comitê Olímpico do Brasil - a primeira mulher Vice-Presidente do COB.
Eu sei o tamanho da responsabilidade que está sobre os meus ombros, mas eu sei que essa porta que a gente abre precisa ser ultrapassada por tantas outras mulheres. Está aqui Leila, que não me deixa mentir. Os desafios são muito grandes quando a gente assume esses espaços majoritariamente masculinizados ainda, mas a gente os está conquistando, aos poucos, com muito trabalho, com muita responsabilidade, muito compromisso. E esse movimento... É muito legal eu falar isso, porque esse é um movimento que está acontecendo mundialmente. A gente teve agora, pela primeira vez na história também, no Comitê Olímpico Internacional, uma mulher eleita Presidente.
Como a Izi falou, a Adriana também pela primeira vez Presidente, a gente tem tantos outros exemplos acontecendo, as confederações trazendo mulheres nas suas composições de chapa, confiando que a gente está, sim, à disposição, pronta para trazer a nossa história, a nossa vida, o nosso bem-querer cuidar do esporte, que a gente viveu a vida toda e para que a gente se entregou.
Eu vivi uma vida em função do esporte, tanta coisa que eu aprendi e que agora, na condição de gestora, eu quero devolver esse compromisso, essa dedicação, essa responsabilidade, essa sensibilidade que nós mulheres temos naturalmente e que a gente precisa saber muito bem aplicar e trazer para o bem do esporte no Brasil.
A gente está sempre aqui presente, o COB está sempre presente aqui nessas discussões tão diversas; hoje, nesta superimportante.
Eu nem lhe mandei um beijo, Joanna, de longe, mas queridíssima conterrânea também; Verônica está aí; Daiane; tanta gente importante e de peso, trazendo suas histórias.
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E reforço aqui o nosso compromisso do Comitê Olímpico do Brasil com essa temática, que nos importa, nos interessa. A gente tem jogado muita luz sobre esse assunto. Eu falei no meu discurso de posse, quando eu entrei, primeira mulher Vice-Presidente do COB, que eu abri a porta, quebrei a maçaneta e ninguém bota mais. Agora é ladeira abaixo... Ou acima, né? (Risos.)
Que a gente possa, cada vez mais, conquistar esses espaços que a gente merece, a gente faz por onde!
Queria aproveitar a oportunidade também para agradecer a todos vocês, Senadores, e a todo mundo que está aqui, que faz parte dessas discussões. A gente está sempre presente, tantas pautas importantes.
O Senador Portinho falou dos benefícios para a importação dos equipamentos esportivos, importantíssimos, tanta particularidade, modalidades para as quais a gente não consegue adquirir equipamentos aqui, que a gente precisa importar, legado olímpico, Lei de Incentivo ao Esporte - de que hoje vai ter a votação do relatório à tarde, que a gente consiga aprovar esse primeiro momento -, todos os recursos oriundos das bets, são assuntos que trazem a gente do COB aqui, e hoje o que me traz aqui é uma temática tão importante, que me apetece, que me encoraja todo dia, saber que a gente está avançando, crescendo, amadurecendo de uma forma muito sólida.
Quero aproveitar que também chegou o Emanuel, nosso Diretor-Geral... Bem-vindo, meu amigo! Estamos fazendo um trabalho muito legal lá, com muita sintonia, muito bem-intencionados.
Então, é isso, minha gente. Queria agradecer, mais uma vez, o espaço. Estamos sempre aqui à disposição. Acho que o COB está aqui direto, a gente tem um assessor parlamentar, o Pinheiro, que está aqui. Quando a gente... Eu, o Presidente, o Emanuel estamos sempre muito bem acompanhados, informados diariamente de tudo que está acontecendo, e isso é uma demonstração de que tudo o que ocorre aqui nos importa e que a gente quer participar de perto.
Muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Inclusive, eu quero parabenizar também, Yane... Desculpe, já ia falando Iziane. Também quero parabenizar o COB, porque eu estou, aqui no Senado, há seis anos, e realmente a gente vê que houve uma mudança até comportamental do esporte nessa presença. Talvez, eu acho que o que tem facilitado também é a questão de termos hoje uma Comissão. Isso facilitou, porque são portas abertas a todo o setor esportivo.
Mesmo assim, nos últimos anos, a gente sentia essa dificuldade, a gente cobrava muito do esporte e hoje a gente vê, na figura do assessor, do Zé Carlos aqui, do Pinheiro; a mesma coisa é o representante institucional do Exército, das Forças Armadas aqui, o nosso Coronel Augusto Perez; o Hugo Parisi também, seja muito bem-vindo; o Emanuel Rego, que é meu esposo; Ricardo Vidal também, que representa a Confederação de Atletismo. A gente realmente tem visto uma mudança de comportamento do esporte, e isso é fundamental para que vocês possam até acompanhar o que está acontecendo na Casa.
Inclusive, eu fiquei incomodada, fiquei em alerta com a fala da Joanna sobre essa questão da agência. Então, na Seção III da Lei Geral do Esporte, "Da Autoridade Nacional para Prevenção e Combate à Violência e à Discriminação do Esporte", no art. 182, que eu pedi para buscar, eu falei assim: "Não, temos a previsão disso na Lei do Esporte, que é a Anesporte".
Art. 182. Fica criada, no âmbito do órgão do Poder Executivo federal responsável pela área do esporte, a Autoridade Nacional para Prevenção e Combate à Violência e Discriminação no Esporte, com o objetivo de formular e executar políticas públicas contra [...] [qualquer tipo de] violência, [seja] o racismo, a xenofobia e a intolerância no esporte.
Pasmem, foi vetado. Então, nós vamos ter que rever isso também, é outro tema que nós vamos ter que trabalhar.
(Intervenção fora do microfone.)
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A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Pois é.
Bom, obrigada, Yane, pela sua participação. Eu vou passar a palavra agora, porque também quero ouvir... A Yane deu um alerta a respeito do trabalho e da fala da Soraya Nobre, que é a Gestora Esportiva da área Mulher no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil.
Seja bem-vinda, Soraya!
A SRA. SORAYA NOBRE (Para expor.) - Oi. Bom, gente, eu vou tomar a liberdade de ficar em pé. Gosto de gesticular, acho que fica mais fácil.
Bom dia a todos e todas.
Agradeço a esta Casa, Senadora Leila, pela oportunidade de trazer um pouco para vocês do que a gente vem fazendo no COB. Acho que, como a Yane falou, com o marco de ser a primeira Vice-Presidente mulher, eu acho que a gente começa com um pontapé para não parar mais, né?
Muito além disso...
Acho que passou um vídeo ali a mais.
Eu acho que, muito além disso, também vindo das diretrizes que o Comitê Olímpico Internacional está trazendo.
Deixe-me parar aqui, porque está...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Está dando um delay.
A SRA. SORAYA NOBRE - É que tem um vídeo ali.
Foi? Está ótimo.
Eu acho que tem muito do que o COI está trazendo para os comitês olímpicos nacionais, né? Então, a área foi criada em 2021, com a Isabel Swan, medalhista olímpica, atual Vice-Prefeita da cidade de Niterói, lá no Rio. E, desde então, a gente vem desenvolvendo ações de equidade de gênero, com o propósito maior da igualdade de gênero, e aí servindo de exemplo para as nossas confederações, para as federações e também para outros comitês olímpicos nacionais.
Então, não sei se eu posso dar o.k. ali na apresentação... (Pausa.) Está bom.

Então, a ideia aqui - só enquanto a gente arruma aqui - é a gente mostrar para vocês um pouquinho das nossas ações hoje no COB, que a gente vem desenvolvendo desde 2001, na criação da área, tá?
Vamos lá, deixe-me ver se vai passar aqui. (Pausa.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Vou aproveitar também e registrar a presença do David Baker, que é o relações institucionais da nossa Confederação Brasileira de Vela.
Seja muito bem-vindo, David! Bem-vindo, David! (Pausa.)
A SRA. SORAYA NOBRE - Bom, voltando aqui. Acho que agora foi, né? Vamos lá.
Bom, então, primeiramente, a ideia inicial da área é a gente entender, fazer um diagnóstico muito importante sobre de qual mulher a gente está falando, né? Então, assim, nós temos aqui realidades diferentes quanto a de onde viemos, para onde vamos, mas a gente sabe que nem toda mulher tem a oportunidade que a gente teve, né? Então, esse é um detalhe muito importante que a gente traz para a área para justamente fazer esse diagnóstico e entender de que mulher a gente está falando, ou seja, em que posição essa mulher está, em que contexto social essa mulher está e, principalmente, quais são as barreiras enfrentadas por essas mulheres, né?
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A gente fala muito sobre oportunizar - a Secretária Iziane trouxe isso muito bem -, realmente sobre essa oportunidade, mas como é que a gente mantém essa mulher em cargos de liderança, como atleta, como treinadora, ou seja, qual é esse universo, para a gente oportunizá-lo, e como mantê-las lá também? Então, muito da nossa área passa por isso.
E aí, como eu disse anteriormente, o Comitê Olímpico Internacional (COI) lança as diretrizes estratégicas - na Agenda 2025 do COI - na busca da equidade de gênero. Só para fazer uma breve explicação, equidade de gênero... A gente está falando de ações que chegam à igualdade de gênero. Então, a nossa área desenvolve ações de equidade de gênero com o propósito maior da igualdade de gênero.
A gente está falando de cinco pilares ali, que são: a participação; a liderança; o esporte seguro - a Joanna trouxe isso muito bem -; a representação; e a alocação de recursos. A participação é a gente dar mais acesso e oportunidades de participação em competições. Aí eu estou falando de toda a esfera. A gente está falando de atleta, de novo, até treinadoras, de árbitras, de gestoras, de liderança - melhor distribuição dos cargos, de acordo com as influências, etc. Esporte seguro é a promoção do ambiente seguro para a prática de atividades físicas, livre de assédio, livre de todo tipo de abuso. Na representação, a gente está falando de como a gente fala das mulheres na mídia. A gente tem um documento, que eu vou mostrar para vocês, que foi um documento traduzido também do COI e que outros comitês olímpicos nacionais de língua portuguesa estão usando o nosso documento. Isso é um marco para a gente também. E a alocação de recursos é justamente distribuir recursos específicos para projetos voltados para o feminino. A gente sabe que esse ainda é um passo necessário de se dar, é um trabalho que a gente faz muito junto com as confederações, inclusive. Eu vou mostrar para vocês também o PDEF, um pouquinho, lá na frente, que é justamente isto: a gente realocar recursos para esses projetos específicos, voltados ao escopo do desenvolvimento feminino.
E aí, trazendo para vocês, isso saiu agora em abril de 2025. Foi uma notícia muito legal que chegou até a gente. O COI, todo ano, lança o relatório de boas práticas e nós tivemos duas ações nossas, do COB, mencionadas nesse relatório, que é o Programa Mira, de que eu vou falar depois um pouquinho para vocês ali na frente, e o PDEF, que é o Programa de Desenvolvimento do Esporte Feminino, que entra na realocação de recursos. Isso, para a gente, foi, assim, uma afirmação de que a gente realmente está no caminho - ter duas bandeirinhas do Brasil ali no relatório traz para a gente essa certeza - e, principalmente, que a gente pode servir como exemplo para outros comitês.
A gente tem um relacionamento muito próximo com o COI. A gente tem reuniões, a gente marca em cima mesmo. E eles também têm isso com a gente. Então, essa relação muito próxima faz a gente caminhar. E é importante também servir como exemplo não só para o Brasil, mas para fora do Brasil.
E aí a nossa área tem dois objetivos principais, que são: a promoção da equidade e a performance esportiva. Quando a gente fala sobre promoção da equidade, a gente está falando de governança. No COB hoje, por exemplo, nós temos a política de equidade, que trata sobre ações de governança dentro do COB, que serve como exemplo também para as confederações nacionais. A gente tem uma comunicação específica. A nossa área de comunicação trabalha juntamente a isso.
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E aí, quando a gente está falando de performance esportiva, a gente está falando de pesquisa e capacitação, obviamente, de todas essas mulheres e também dos projetos esportivos, como mencionei anteriormente, que atingem todo este cenário: atletas, treinadoras, árbitras e gestoras também.
E aí a gente cria - a Valeskinha está aqui -, em 2022, a Comissão Mulher no Esporte, que tem uma atribuição de corroborar com a nossa área. É muito legal a gente falar isso, porque o que a gente vê, nos comitês olímpicos nacionais, geralmente, é que existe a comissão, mas não existe a área Mulher no Esporte. E, no Brasil, a gente tem isso. A diferença é que a área foi criada para pensar em estratégias específicas para a área, e também temos pessoas contratadas para pensar nisso o tempo inteiro e trocar com toda a diretoria. A Yane, desde que chegou, está com a gente 100%. A gente conversa, a gente faz reunião - não é, Yane? - bate na sala dela lá: "Me dê dez minutinhos para gente conversar?". Então, é muito importante ter dentro do COB hoje uma área que trate disso.
Em paralelo, nós temos a comissão. A comissão é formada por 15 pessoas hoje. Somos 12 colaboradores do COB e 3 membras externas. A Valeskinha é uma delas, representando atletas de alto rendimento, e, daqui a pouquinho, ela vai falar também. E a importância da comissão é atuar junto com a área, trazendo todas essas informações para a gente melhorar, para a gente caminhar em paralelo.
No COB, hoje, a gente tem o Instituto Olímpico Brasileiro (IOB). E, dentro do IOB, temos cursos gratuitos, de fácil acesso, que tratam sobre equidade de gênero e temas ligados à equidade de gênero. Então, trouxe aqui para vocês um pouquinho do que a gente tem hoje. O curso de Ginecologia do Esporte foi o último que foi lançado no ano passado. Tem uma versão para jovens e uma versão adulta, justamente por essa acessibilidade da linguagem, para facilitar nesse sentido. E o mais interessante é que todos e todas que participam das missões do COB são obrigados a fazer os cursos, são obrigados a mostrar lá o certificado, para poderem estar numa missão do COB.
Então, a gente movimenta e encoraja as confederações, os clubes, etc., todos vocês, todos e todas, a acessarem o IOB e a fazerem os cursos. Não são cursos longos, mas são de muita valia, de muita informação. E alguns cursos são em parceria com a ONU Mulheres. A gente tem hoje um convênio com a ONU Mulheres e a gente traz muita informação delas também. Essa troca é muito rica.
Aqui são algumas publicações que a gente fez desde 2025. A gente tem o Modelo de Desenvolvimento, que fala de uma parte do feminino; a Igualdade e Inclusão da Mulher no Esporte, que é o mapeamento das confederações e algumas federações internacionais, de quais ações que essas organizações e entidades estão fazendo ou não, relacionadas ao esporte feminino. A gente tem duas cartilhas, uma é Mempodera, que fala sobre saúde menstrual, e a cartilha de equidade de gênero. A gente distribui essas cartilhas nos Jogos da Juventude, inclusive, para os atletas. A gente está falando de quatro mil e alguma coisa de atletas, então, é um número bem grande.
E, por último, deixei para falar para vocês, daquele documento Diretrizes de Representação, que eu mencionei lá na frente. É um documento do COI, que fala sobre representatividade na mídia. A gente fez a tradução desse documento em português, e agora ele serve de exemplo para outros países de língua portuguesa. A gente disponibilizou para o COI. Enfim, mais uma vez, sendo exemplo para fora do Brasil também.
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Para o Programa de Desenvolvimento do Esporte Feminino, que é um programa cujo objetivo é dar suporte financeiro às confederações, infelizmente, a gente tem um número limitado de recursos, e a ideia, claro, é sempre aumentar. E aí a gente lança um edital em que as confederações se candidatam, expõem os seus programas ali e passam por uma banca avaliadora interna no COB.
A gente vem crescendo, como vocês podem ver ali nos números: em 2023, foram R$600 mil; aumentamos, em 2024; e, neste ano, em 2025, a gente está com R$2,45 milhões destinados a projetos de escopo feminino. Saímos de oito, no primeiro ano do programa, em 2023, para dezoito, neste ano. Então, assim, foi um aumento considerável, e a ideia é a gente continuar contribuindo muito em parceria com as confederações. No COB, sempre a gente dá a ferramenta e trabalha em conjunto com as confederações, e elas executam em parceria com a gente.
Então, esse programa foi um dos citados nas boas práticas do COI e realmente, para a gente, ele é de grande valia, sim - a gente vê realmente resultados saindo daí, muito com o Mira também, de que eu vou falar para vocês -, e atinge não só atletas, de novo, como também todo o cenário do esporte feminino: treinadoras, árbitras, gestoras e por aí vai.
Trago para vocês aqui a resolução dos 30% de participação de mulheres em jogos internacionais. A gente lançou essa resolução no ano passado para oportunizar, mais uma vez, e criar cenários em que mulheres estejam participando, dentro das comissões técnicas, de competições e assim por diante. Só para vocês terem uma ideia, aqueles números ali - COB e confederações -, 23%, nas confederações, é a porcentagem de mulheres naqueles jogos, ali dentro da delegação da confederação, e 44,1% - eu estou pegando ali o último, que foi Paris -, porcentagem de mulheres na missão do COB. Então, a gente chegou quase aos 50%, mas a gente precisa galgar e caminhar um pouquinho. Quando a gente fala sobre treinadoras, que é outro ponto que eu vou trazer para vocês, a gente está falando de 13% só, em Paris. Então, é um número muito baixo, e a gente precisa trabalhar para aumentá-lo.
Bom, vamos lá.
Mira, cuja sigla significa Mentoria Individualizada para Reflexão e Ação, também é um programa que dá muito orgulho para a gente e é voltado para treinadoras. A gente está indo para a segunda edição, neste ano. No ano passado, a gente teve a primeira edição, com dez participantes, dez treinadoras; neste ano, a gente irá para 21 treinadoras; então, a gente já teve um aumento - 75 treinadoras se inscreveram no edital. A ideia é a gente crescer, e, no ano que vem, a coisa aumentar mais.
Neste ano, a gente está muito focado na melhoria do desenvolvimento dessa metodologia do programa. O programa consiste em mentoria para essas treinadoras e em dar a elas capacitação para chegarem aos seus clubes, às suas confederações mais capacitadas; não que não o sejam - só deixando bem claro: muitas o são -, a gente só maximiza isso. Então, o Mira é um projeto muito bacana e é mais um que está lá nas boas práticas do COI.
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Eu trouxe um vídeo aqui resumido para vocês. Vamos ver se vai passar aqui... Vamos lá!
(Procede-se à exibição de vídeo.)
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A SRA. SORAYA NOBRE - Esse foi o programa do ano passado. Vocês conseguem ver que é um misto, a gente teve a Fofão no nosso grupo e, por exemplo, a Gabriele, ex-atleta virando a chave agora. Tem as treinadoras que estão fazendo a transição de carreira e treinadoras que já foram a Olimpíada. Então, é um cenário muito interessante, e essa troca é muito rica, no presencial principalmente. O programa dura oito meses, e o presencial é muito rico, como que se gera empatia nesse presencial, essa troca entre elas.
Agora a gente está indo, na semana que vem, para o primeiro presencial deste ano, lá no Rio, no CT; então, a gente está bem empolgado com essa nova turma.
Eu só gostaria de exibir o último vídeo para ilustrar o que a gente fez neste ano. Eu acho que foi o grande evento depois da posse do Presidente La Porta, o Fórum Mulher no Esporte - a Senadora Leila estava lá, a Secretária Iziane estava lá -, que trouxe para a gente esse trabalho em conjunto, ou seja, todas as forças que a gente precisa para seguir. Então, a gente falou no fórum desde liderança entre mulheres até performance esportiva para mulheres. Foram cinco mesas de fórum, um dia muito rico, em que a gente pôde contar com a presença de mulheres incríveis. Eu particularmente não sou atleta olímpica, sou atleta de escola, tive bolsa, deu tudo certo, mas eu não vejo a minha vida sem esporte desde então. Estar ao lado dessas mulheres para mim é uma honra de verdade, poder trabalhar todos os dias com vocês para mim é uma honra, é muito inspirador estar no COB todo dia. Vocês podem ter certeza, eu trabalho do lado da Natália Falavigna: "Vamos almoçar, Natália Falavigna?". É assim...
Queria trazer o vídeo do fórum. No ano que vem, se tudo der certo, teremos outro, não é, VP? Vamos lá.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
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A SRA. SORAYA NOBRE - É isso, pessoal.
Muito obrigada.
Estamos à disposição de todos e de todas. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Ai, que luta! Vamos embora.
Excelente apresentação, Soraya. Muito obrigada. Bem esclarecedora, não é, Senador Chico?
Senadora Teresa, por favor, com a palavra.
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Para interpelar.) - Bom dia a todas.
Senador Chico, o senhor está cumprindo a cota; então, se sinta cumprimentado. (Risos.)
Quero cumprimentar todas as que estão na mesa, além dos demais representantes aqui do esporte.
Eu estava presidindo uma sessão da CCT e não pude chegar logo, mas vim por dois motivos. O primeiro é porque se trata de um assunto relacionado ao espaço da mulher que, assim como disse Leila no vídeo - e acho que ela encarna isso na Presidência desta Comissão -, é dificultado pelo modelo de sociedade que a gente tem, em todas as áreas.
Somente neste ano... Aliás, no ano passado, nós aprovamos um projeto de lei enviado pelo Governo do Presidente Lula de igualdade salarial entre homens e mulheres. No serviço público isso existe, embora as magistradas, por exemplo, tenham muito mais dificuldade de subir na pirâmide do que os homens, não é? E, pasmem, na Câmara dos Deputados, seis ou sete Deputadas votaram contra. Quando chegou aqui ao Senado, nós nos unimos, não é, Leila? Nós praticamente exigimos que todas as Senadoras votassem a favor e conseguimos. Aqui nenhuma mulher votou contra esse projeto, que é um projeto em curso ainda. Ele está pronto e acabado como lei, mas tem o processo de implementação, que não é fácil. Não é fácil, a gente sabe disso.
Na política, é parecido. Agora mesmo estava sendo votado, na CCJ, o Código Eleitoral, que nos diminui. A gente tem que escolher entre a cruz e a espada: ou 20% de cadeiras asseguradas ou 30% de cota. Aí fica uma situação muito... O Senador é muito experiente e nós somos de partidos, tanto o senhor, quanto eu e Leila, que priorizam a presença da mulher na política. No meu partido, todas as representações são paritárias, todas as representações de dirigentes e de eventos são paritárias, mas a gente sabe como as mulheres lutam onde quer que estejam.
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Então, o esporte, Yane, tem uma peculiaridade muito importante para as mulheres. Eu digo que, nos esportes coletivos, é ainda maior, porque, no esporte individual, a gente vê... Hoje uma brasileira vai voltar para Wimbledon no tênis, depois de não sei quantos anos, na década de 70, quando Maria Esther Bueno esteve por lá. Então, vai ter uma mulher tenista brasileira. Veja quanto tempo a gente passou para ter outra mulher lá nas quadras, numa das mais famosas do tênis.
Então, eu acho que vocês fazem um trabalho com essa perspectiva da presença coletiva da mulher. Não é fácil uma mulher sozinha chegar aonde Joanna Maranhão chegou, aonde outras atletas chegaram, aonde Yane mesmo, que era a nossa pentatleta, que muito honrou Pernambuco, aí mundo afora. Eu observei muito no vídeo, a perspectiva coletiva, ou seja, o esporte coletivo para a mulher é um desafio talvez até maior, Leila. E a gente tem esta perspectiva de que o direito da mulher tem que ser coletivo, de que "Eu estou aqui porque algumas vieram antes de mim e eu tenho obrigação de abrir espaço para outras que virão", aí se torna, eu acho, mais desafiador. Não é porque a gente compete mulheres com mulheres, mas é porque, comparando o que o futebol oferece aos homens com o que o futebol oferece às mulheres, o que o voleibol oferece aos homens com o que o voleibol oferece às mulheres, em termos de condições de prática esportiva, que, como a gente aqui diz, condições de exercício na política, no mundo do trabalho, a gente diz condições de exercício profissional... Então, não é diferente para vocês.
Eu quero parabenizar a todas pela ocupação desse espaço. Não desistam. Vejam que Leila, na Presidência da Comissão de Esporte, que é o melhor lugar que ela poderia estar, simboliza muito isto: a sua vida esportiva, o seu acesso na política, e um espaço na Casa Legislativa, assim como eu faço na Comissão de Educação, por dever de ofício, por identidade de trajetória, para que as mulheres que estão no esporte vejam em Leila essa perspectiva. A política é o espaço para resolver essas coisas, ou pelo menos para encaminhar.
A gente recebe vocês aqui com essa alegria e esta confiança de que essa aliança da política com o esporte, no contexto de uma política de igualdade de gênero no esporte, é uma saída estratégica para as mulheres que são esportivas e para nós que ficamos nas arquibancadas torcendo por vocês, como eu. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Muito bom. Obrigada, Senadora.
Acredito que os desafios são os mesmos, né? Eu estive no esporte por uma vida. Dos 54 anos que eu vou fazer agora em setembro, pelo menos 22 foram dedicados ao esporte, e seis agora na política.
Como eu falei ali, as angústias são as mesmas, os problemas, os desafios, é claro que cada um dentro das suas perspectivas, como você falou. Mas é engraçado que eles são os mesmos.
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Eu agradeço muito o esporte pela capacidade que eu tenho de lidar com as diferenças, porque o esporte, principalmente coletivo, ensina muito a gente: você não precisa amar, mas você precisa respeitar. Nessa perspectiva, esse ensinamento eu acho que é o maior de todos, Senadora Teresa, Senador Chico, que eu trago para a política. Sei das nossas dificuldades de diálogo, da polarização, dos inúmeros desafios que nós temos como agentes políticos, mas certamente esta habilidade foi o esporte que me deu: saber que o trato e o respeito têm que ser iguais para todos, desde o melhor amigo àquele que pode ser o seu pior adversário. Essa é a realidade.
Obrigada pela participação.
Eu vou passar a palavra agora, para participação por videoconferência - até pedindo desculpa aos presentes por causa do horário lá e da dificuldade de internet aqui -, para a Sra. Verônica Hipólito, que é atleta paralímpica.
Seja muito bem-vinda, Verônica!
A SRA. VERÔNICA HIPÓLITO (Para expor. Por videoconferência.) - Muitíssimo obrigada, Senadora Leila, Senador Chico, Senadora Teresa.
Eu quero aqui dar bom dia e cumprimentar todas que estão aqui hoje, então: Joanna, Daiane, Yane, Iziane, Soraya, Valeska, Jacqueline. Eu tenho muito orgulho de cumprimentar todas vocês, porque vocês sabem que, além de grandes atletas para o nosso Brasil, vocês são grandes ídolas para mim. Eu fico muito feliz ao pôr a palavra no feminino. Eu quero dar bom dia a todas, ídolas, porque no nosso país a gente sabe como é difícil o ambiente esportivo para mulheres, é disso que a gente está falando.
Eu quero agradecer principalmente a minha participação hoje, porque todas as vezes, Senadora Leila, em que fazem mesas sobre o esporte, fazem mesas sobre mulheres no esporte, normalmente mulheres do movimento paralímpico e paradesportivo são esquecidas. Então, sempre há uma grande conversa no nosso movimento sobre o quanto parece que a gente tem que lutar contra o machismo e tem que lutar também contra o capacitismo, como se ser uma mulher com deficiência não fosse uma mulher, fosse uma coisa. Então, eu quero muito agradecer o espaço hoje para estar conversando aqui com vocês.
Para começar, eu quero falar sobre dois sonhos que eu sempre tive. O primeiro sonho era ser medalhista em todas as grandes competições, Parapan-Americanos, mundiais, Paralimpíadas. O segundo grande sonho, que não anulava o primeiro, era ser uma Diretora, Vice-Presidente, Presidente dentro do movimento paralímpico. O meu primeiro sonho eu cumpri. Conquistei sete medalhas em Parapan-Americanos, conquistei três medalhas em mundiais e conquistei três medalhas em Jogos Paralímpicos.
A minha primeira medalha foi uma medalha de prata aos 19 anos, se eu não me engano, porque tem muito tempo e minha memória já está começando a falhar. Eu lembro que eu ganhei aquela medalha de prata e eu ficava pensando assim: "O que eu vou falar? Tem tanta coisa para eu dizer, tem tantas pessoas que eu quero agradecer!". A primeira pergunta que me fizeram ao vivo foi se o tamanho dos meus shorts não incomodaria o meu pai ou o meu parceiro na época. Então, quando a gente fala de ambiente esportivo seguro para as mulheres, a gente também está falando de uma cobertura midiática segura e comprometida com nós mulheres.
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E aí obviamente, por conta desse caso, mas não somente por conta dele, o meu segundo sonho começou a ser colocado ali no cantinho, começou a ser engavetado, não somente por essa fala, mas por muitas outras que nós sempre escutamos: o tamanho dos nossos shorts, do nosso top, se tem bojo, se não tem, o jeito que a gente corre, quando nós choramos, quando nós ficamos irritadas, ou quando a gente fica alegre por algum resultado ou até mesmo quando o nosso resultado é bom demais. (Falha no áudio.)
Frequentemente as mulheres quando fazem um grande resultado, seja na modalidade que for, seja no movimento olímpico ou paralímpico, sempre tem alguém falando que é doping. A gente sabe disso, Daiane, Joanna. Todas nós sabemos disso.
Mas ele também foi engavetado porque eu não via outras mulheres e, como eu não via, por que eu seria? Por que eu teria espaço? E aí eu tenho muita alegria de falar hoje que até mesmo por conta da política de inclusão e de igualdade - que eu gosto muito de falar que é equidade, que a gente tem com o nosso Presidente Mizael Conrado -, hoje eu consigo ver mais mulheres líderes lá no Comitê Paralímpico Brasileiro.
Por ver a Yane conquistando e se tornando a Vice-Presidente do COB, eu consigo me ver. Por ver a Joanna sendo pesquisadora, eu consigo me ver terminando a faculdade e me tornando uma pesquisadora também. E, até por isso, eu espero ser um dia uma líder dentro do Comitê Paralímpico Brasileiro, uma líder dentro do movimento esportivo, mas, se eu não for a primeira, eu não me importo, eu espero que tenham muitas outras. E, se for a primeira, a segunda, a décima, a quinquagésima, que tenham muitas outras, porque aquilo que a minha mãe, porque ela foi do esporte (Falha no áudio.) ... e a gente sabe que esse é um cenário que infelizmente aconteceu em 1960 e acontece em 2025, que eu brinco que é uma coisa extremamente cringe, fora de moda, porque já passou disso, já está claro que o feminismo não é somente sobre mulheres, mas sobre todas e todos nós. Ela sempre me disse que cada coisa que a gente faz não seja mais um passo em nossas vidas, mas que seja o primeiro passo. E é por isso que eu sempre falo que vocês são minhas ídolas, não somente por questão das medalhas - e isso já é um grande motivo -, mas também por vocês me inspirarem e me incentivarem, direta ou indiretamente, a continuar.

E aí eu quero trazer alguns dados. E eu brinco que não são dados cujas fontes são vozes da minha cabeça - Joanna, pode ficar tranquila com isso -, mas eu estou falando de Unesco, de OMS, de ONU, estou falando da Women's Sports Foundation, estou falando do IPC (Comitê Paralímpico Internacional). Estou falando dos principais polos de pesquisa que existem no mundo.
Então, quando a gente fala de esporte para as mulheres - eu tenho que pegar minha colinha -, 70% das meninas que praticam relatam melhora na confiança e na autoestima; essas mesmas meninas e mulheres que participam têm 20% a mais de chances de se destacarem academicamente; reduz em mais de 30% a ansiedade e depressão, e eu não estou falando somente em jovens, mas em pessoas de todas as idades; e também a gente está falando que inspira cerca de 80% do público feminino a atingirem as suas metas, os seus sonhos, em qualquer área que seja.
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São dados muito bons e que eu acho que são subnotificados, porque o esporte melhora muito mais a saúde, a produtividade, a segurança, a educação de todas as pessoas. O esporte nunca foi custo, o esporte sempre foi investimento: a FGV tem uma pesquisa que traz que, a cada US$1 investido no esporte, a gente tem 220% de ganho na saúde, mais de 200% em educação, mais de 400% em segurança, e assim vai.
Apesar de todos esses dados positivos, as meninas são cerca de 40% menos ativas do que os meninos. Apesar de todos esses dados de mulheres nos ambientes esportivos, a gente está falando que elas ganham 40% (Falha no áudio.) ... elas representam apenas (Falha no áudio.) ... Eu também acho que esses (Falha no áudio.) ... subnotificados, porque é muito (Falha no áudio.) ... Em 2025, para mim, isso é um ultraje, isso é um absurdo.

Eu consigo me ver hoje por conta das mulheres que trabalharam muito para que nós estivéssemos aqui, para que nós pudéssemos estar aqui. (Falha no áudio.)...
De fato, eu fico pensando: o que é que falta? Se a gente tem todos esses dados positivos sobre como o esporte melhora para todas, o que é que falta para a gente criar um ambiente mais seguro? O que é que falta para a gente conseguir ter centros em que a gente consiga ter uma segurança maior das mulheres?
Eu fui descobrir que eu fui violentada sexualmente dentro do esporte somente dez anos após, porque para mim era uma coisa natural e para as minhas amigas do esporte também era uma coisa natural. Infelizmente, muitas não estão aqui para contar a história.
Então, eu queria trazer que eu acredito muito que a gente tem muito o que fazer, e eu não consigo encontrar onde está toda essa dificuldade para a gente fazer. Objetivamente, é isto: a gente pode falar sobre toda a questão histórica - beleza! -, mas nós já temos números, nós já temos pesquisas, nós já temos relatos. O que é que falta? E eu deixo essa minha pergunta, porque eu não tenho uma resposta.
Eu posso responder que hoje eu sou muito feliz de falar que a Seleção Paralímpica que esteve nos Jogos Paralímpicos de Paris, em 2024, foi representada...
Calma, eu só vou utilizar mais 50 minutos. (Risos.)
Eu tenho muito orgulho de falar que 45,8% foram representados por mulheres. Eu tenho muito orgulho de falar que eu tenho certeza de que, em 2028, a gente pode estar falando de mais de 50% da Seleção Brasileira ser representada por mulheres, mas eu não sei para onde elas vão depois. Elas não conseguem ainda se enxergar como eu tenho a honra de poder me enxergar, por conta de vocês.
Para encerrar a minha fala - pode parecer que não é algo diretamente ligado ao esporte, quando a gente fala desse momento de mulheres, mas é -: hoje é a votação, na Comissão Especial, do Projeto de Lei Complementar 234/24, que amplia e também torna permanente a Lei de Incentivo ao Esporte, que hoje basicamente só é a maior e mais importante política pública de acesso e fomento ao esporte, só é a maior e melhor política pública para todas as manifestações esportivas, e, se ela acaba, o esporte acaba. E, se o esporte acaba, talvez reste uma coisinha ou outra pontual, mas isso vai ser muito mais para homem do que para mulher - se tiver alguma mulher.
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Então, eu gostaria muito de deixar como a minha fala final que eu espero que ele seja pautado, votado, aprovado e já levado também ao Plenário para que seja aprovado, porque eu não sei como eu vou dizer para as mais de 700 crianças e adolescentes atendidas no meu projeto - sendo, dessas, 52% mulheres e 80% pessoas com deficiência - que a gente tem até 2026, que em 2027 eu não sei como vai estar. Eu não sei como eu vou falar hoje à tarde, no treino, para as minhas colegas de seleção e para a galerinha da base, que eu não tive a resposta hoje e que eu não sei o que vai ser, amanhã, do esporte.
Mas, acima de tudo, eu quero agradecer, mais uma vez, por este momento. Eu quero agradecer por terem se lembrado do movimento paralímpico. E eu quero agradecer, mais uma vez, a cada uma de vocês por vocês terem continuado, porque, novamente, foi por conta de cada uma de vocês - Joanna, Daiane, Iziane, Soraya, Jacqueline, Valeska, Leila, Teresa, e posso falar dos nossos amigos que, como a Teresa disse, estão em cotas hoje, o Chico e o nosso grande amigo Wlamir também, da CBAT - que eu estou aqui, e eu espero que um dia eu possa ser assim como vocês e que a próxima mesa que a gente possa ter seja como trazer ainda mais mulheres, porque a gente já vai estar em 60% de mulheres praticantes, no nosso país, e com um ambiente muito mais seguro.
Muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Muito bom.
Excelente - excelente, Verônica. Excelente participação, e fico grata pelo seu depoimento, por nos...
Jovem, uma jovem ainda, cheia de inspirações, de sonhos, assim como nós lá atrás - né, mulherada?
E é isso. Que bom que a gente inspira e, certamente, Verônica, você vai inspirar outras gerações.
É isso. Essa é a nossa missão.
Muito bons o depoimento e a fala.
Obrigada.
Eu vou passar a palavra agora para Valeska dos Santos Menezes, representante dos atletas de alto rendimento na Comissão Mulher no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
Seja bem-vinda, Valeskinha!
A SRA. VALESKA DOS SANTOS MENEZES (Para expor.) - Obrigada.
Bom dia a todos e a todas.
É mais fácil jogar do que estar aqui representando, mas vamos lá. Como jogadora, a gente adora um conflito - uma Cuba, uma Rússia -; então, aqui não vai ser diferente.
Gostaria de agradecer a presença de todas as autoridades aqui presentes; atletas; representantes da sociedade civil; à nossa Parlamentar autora do requerimento, Senadora Leila Barros; ao nosso Vice Chico Rodrigues; e a toda essa mesa de peso, atletas que inspiram e orgulham todas nós.
É uma honra compartilhar este espaço também com a minha VP, a Yane Marques, que só inspira, cada vez mais, a gente a conquistar um espaço dentro do que a gente, às vezes, achava que era impossível. E agora nós estamos tornando isso, ela está tornando isso totalmente possível, né? Uma coisa que talvez fosse imaginária e agora é palpável, é tocável.
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Eu estou emocionada, porque eu vou falar da minha mãe. (Manifestação de emoção.) (Palmas.)
Como a Leila, voleibolista - a gente é chorona -, a minha mãe, Aída dos Santos, teve que competir várias vezes para mostrar o potencial dela e conquistar uma vaga para as Olimpíadas de 1964. Então, a gente já vê equidade há muito tempo.
Eu tenho isso na minha família, que passou por isso, e eu consegui aproveitar o legado dela e dar continuidade. Ela ficou em quarto lugar em 1964. A marca veio a ser quebrada em 1996, pela Leila, aqui, com o nosso bronze; pela Jackie Silva, com o nosso ouro; entre outras do basquete, com o nosso bronze também. E, 44 anos depois, a Maurren consegue, no esporte individual, trazer o nosso ouro. E, nesse mesmo ano, eu estava lá, representando o voleibol e trouxe nossa primeira medalha olímpica no esporte indoor de vôlei, porque a Jackie já tinha já tinha trazido essa medalha para nós. Então, eu me emociono, porque eu vejo o quanto a luta e as falas dela ainda repercutem agora, enquanto nós ainda estamos lutando por uma coisa que já vem de muito anos atrás. O grito da Jackie, na época, em relação à equidade, em relação a ter o repasse de verba pelo uniforme, já que os meninos haviam recebido e as meninas, não, né? Ela é um orgulho ali, para mostrar que, realmente, nós podemos ter voz, nós podemos ter presença, peitar algumas coisas e conquistar.
Conquistamos algumas coisas no voleibol. Hoje em dia, o feminino ganha mais do que o masculino na Superliga, mas isso com lutas, como a Leila veio ser nossa visionária em várias políticas públicas, enfim. Mas isso só veio a ocorrer no âmbito internacional em 2018, quando foi criada a VNL, porque, até então, no Grand Prix, acho que nós ganhávamos de premiação R$150 mil, enquanto, no masculino, era R$1,5 milhão. Então, a renda de R$1,5 milhão era dividida no feminino para primeiro, segundo, terceiro, MVP, melhor isso, melhor aquilo, melhor aquilo outro, enquanto, no masculino, somente o campeão levava o valor que era destinado para todas nós.
E, graças a Deus e por várias pessoas à minha frente e antes de mim, que tiveram voz, como a Jackie, como a Leila está tendo agora, nossa Senadora, como a Yane, como a Iziane, nós conseguimos inverter essa situação, e, aqui, pelo menos no Brasil, no feminino ganha-se mais do que o masculino. Porém, em alguns outros esportes, como o basquete, isso não ocorre. Um jogador da prateleira do meio da NBB recebe mais ou menos R$20 mil, enquanto, no feminino, na NBF, está em torno de R$3 mil, R$5 mil. A gente está batalhando para isso, como no esqueite, que, como é um esporte masculino ainda, mesmo a Rayssa sendo a nossa fadinha, ganhando lindamente e fazendo as pistas, ainda é um esporte masculino, e nós sabemos que o masculino ainda recebe premiações melhores que o feminino, entre outros. A gente pode citar isso não só dentro do esporte, como foi falado entre outras que já tiveram a fala aqui. Infelizmente, ainda tem essa disparidade não só dentro do esporte, como fora. Se a gente for ver em números, a gente recebe ainda 40% a menos. Se a gente for botar em igualdade de gênero e raça, isso ainda piora um pouco mais: se é mulher negra, a gente ainda desce um pouco mais. Então, a luta é grande, estamos dando o nosso pontapé inicial e o esporte ainda precisa melhorar muito essa parte de equidade em relação às outras modalidades.

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No vôlei, conseguimos conquistar isso. Tem alguns outros esportes - eu estava conversando com a Yane - que também têm essa equidade, já, em relação a homens e mulheres, mas são pouquíssimos, não é? O handebol, mesmo tendo conquistado em 2013... Hoje em dia a gente o vê como um esporte amador no Brasil, o investimento é pouquíssimo. A Verônica trouxe a fala dos paralímpicos, e a gente sabe que tem 60% menos de investimento em relação a eles. Falta ainda bastante estrutura, como ela veio falar.
Eu, como atleta que ainda está em transição, mas que ainda está atuando, vejo isso, e ainda é muito triste. A gente vê a conquista por um outro lado, mas a gente ainda vê que em alguns lados ainda está estacionado.
Acho que a minha fala, a minha luta é esta de mostrar o lado do esporte, por dentro do esporte, de quem faz o espetáculo, de quem está ali. Acho que a gente ainda precisa mexer em muitas coisas, que temos que aprovar muitas coisas, mas que a gente já está feliz porque está no caminho certo e a gente começou bem. A gente sabe que o esporte...
E quanto à equidade, a gente não quer que... O que a gente quer é que seja igual para todos, por uma questão de mérito. Não é que eu quero que você dê para mim porque eu sou mulher - não! Eu quero conquistar por mérito. Se eu sou capaz, eu quero receber por eu ser capaz. Se eu sou capaz, eu quero estar num cargo, como treinadora, por eu ser capaz, e não simplesmente porque agora a lei obriga a ter uma mulher.
É legal isso, é uma vitória nossa, mas eu acho legal eles provarem que você está lá porque você é uma pessoa capaz, porque você realmente está instruída, você conhece, você possui conhecimento dentro daquele espectro em que você está, e que você está ali porque você é valorizada, e não porque você é obrigada a estar ali porque você precisa fazer parte daquele número que ali está - mas é uma vitória nossa. Infelizmente, a gente tem que entrar de alguma forma, tem que começar de alguma forma, e essa é a forma como nós iremos começar.
Para finalizar, eu queria agradecer, mais uma vez, por estar aqui, pelo presente de estar aqui falando para vocês sobre o esporte do voleibol, entre outros. Acho que todas nós aqui começamos desde novas no esporte, praticamos várias modalidades até enfim chegar a uma que brilhou nos nossos olhos, aqueceu o nosso coração - no meu caso, foi o vôlei.
Queria falar que no esporte ninguém vence sozinho, como aqui também ninguém vai vencer sozinho. Então, acho que o legal é esta união, é esta mesa, é este debate, é esta discussão e é ver o quanto estamos elevando, o quanto nós estamos movimentando, o quanto nós estamos questionando e deixando a pensar. Acho que o legal é isto: é o pensar para que novas pessoas que venham possam trazer respostas, para que novas pessoas que venham entrar possam ter as soluções, para que nós possamos ter voz e força para ganhar em alguns movimentos, conseguindo, sim, votar as emendas para o esporte e fazendo com que os votos que não estão positivos passem a ser positivos.
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Então, mais uma vez, agradeço a todos. Estamos aqui para isto, para ajudar. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Valeska. Eu quero deixar um beijo para a sua mãe, uma mulher incrível, encantadora e uma grande inspiração não só para você, mas para todas nós, a Aída dos Santos. Ela sempre foi uma mulher carinhosa com todas nós, de uma energia maravilhosa mesmo. É até um ato falho meu não ter falado da Aída olhando para você. A sua mãe sempre foi uma referência para todas nós.
Eu só vou deixar uma coisa muito clara. Depois que eu estou um tempo como atleta e agora na vida pública... Recentemente, nós aprovamos a garantia de 30% de cotas para as mulheres no conselho das estatais. Eu vou dar para vocês um exemplo claro. Um colega chegou para mim e falou assim: "Ah, vocês só lutam por cota". Aí eu virei para esse Senador e falei assim: "É uma pena. Realmente eu vou ter que lutar por cota porque se eu depender da sua boa vontade, se eu depender da sua sensibilidade para entender que mulher estuda tanto quanto, que mulher se dedica tanto quanto e que tem capacidade tanto quanto qualquer homem para estar num conselho, se eu depender disso, não vou estar viva".
Nós estamos no século XXI e, infelizmente, é a única forma de garantir - o Senador Chico sabe do que eu estou falando -, senão nós não vamos conseguir. Então, nós temos que trabalhar. É por isso... É nessas horas que eu vejo o porquê da minha existência e da minha estada aqui dentro do Congresso Nacional: é pela minha experiência de vida, por tudo que eu vivi, como Valeskinha falou.
Nós ganhamos o Grand Prix: eu ganhei 50 mil como a melhor, como MVP; e o masculino ganhou 150 mil. Quer dizer, aquilo sempre nos incomodou. Jacque está aqui, vai falar da história dela, todas nós a conhecemos, e ela foi uma grande referência para nós nesse sentido.
É isso, é sobre isso. É por isso que precisamos ter mulheres vice-presidentes, quem sabe uma presidente, um dia, de um comitê olímpico; é por isso que precisamos ter Senadoras; que precisamos ter mulheres juízas, ministras; que precisamos ter mulheres nos espaços de poder, porque, se não tivermos essa representatividade, nós não abriremos espaço para as outras, para as próximas, porque nós passamos. Como nós passamos no esporte, vamos passar em todos os lugares em que nós estivermos, mas nós temos a obrigação, por onde chegamos e por que chegamos, pelas outras. É assim que eu me enxergo quando eu estou no Senado Federal, porque eu estou Senadora. Eu sou atleta, eu falo para todo mundo, mas eu estou Senadora. E, enquanto eu ficar aqui, enquanto eu exigir o nosso lugar de direito, que seja por cotas, por enquanto, será por cotas, porque é assim que faz sentido eu estar aqui, abrindo mão da minha família, abrindo mão de estar com o meu marido, com o meu filho, aguentando o que a gente aguenta diariamente, não só por ser política, mas também por ser mulher na política. Tem que ter um sentido. Para mim, o que vale a pena, nesse sentido, é justamente essa luta.
Então, você é uma referência, todas nós somos e a cota é necessária sim. Se dependermos - desculpe-me falar - do corporativismo, nós nunca teremos lugar de fala e de espaço.
Vou passar a palavra então...
Obrigada pela participação. É uma DR aqui. Não é, gente? Estamos num divã.
Vou passar a palavra agora para...
Obrigada, Valeskinha. Mais uma vez um beijo para a sua mãe, Aída dos Santos.
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Vou passar a palavra agora para a Jacque Silva, Jacqueline Silva, ex-atleta, pós-atleta do vôlei de praia e campeã olímpica do vôlei de praia. É a primeira medalhista da modalidade. É uma grande referência para nós. Foi uma grande jogadora na quadra e, por inúmeras situações, teve que migrar para a praia - e quem ganhou foi a praia, não é? (Risos.) E muito.

Mas é isso, Jacque. É um prazer ter você aqui conosco.
A SRA. JACQUELINE SILVA (Para expor.) - É um prazer.
Senadora Leila, não existe ex-atleta, hein, somos atletas.
Não, e essa coisa do "apenas cotas", né? São sempre essas frasezinhas, essas coisinhas que determinam a forma como os homens pensam das mulheres, infelizmente.
Mas assim...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Não generalizando, não é? Temos vários homens aqui. Eu tenho um companheiro maravilhoso. Ele que me aguenta, Jacque. Todo dia, chegando em casa, estressada. Então, se não fossem esses homens também...
A SRA. JACQUELINE SILVA - Mas eles aprendem, não é? Eles aprendem.
É porque, assim, as lágrimas da Valeskinha são importantes, porque mulher chora. Eu acho isso tão importante, porque entra num outro lugar, o da sensibilidade, que existe e que é legal ter, essa empatia, sensibilidade, essas coisas, e continua... Somos pessoas fortes, apesar de lágrimas rolarem.
É muito importante estar aqui hoje escutando vários depoimentos e pesquisas de pessoas que viveram e vivenciam situações do dia a dia da luta da mulher no esporte. Para mim o esporte é um reflexo da vida, da sociedade, do Brasil. Ele não diferencia em nada. Só que, assim, no meu ponto de vista, o esporte tem uma força absurda e que é muito pouco usada. Eu acho que nós, atletas, mesmo, não temos ainda a consciência da força do esporte. O esporte é educação. Tudo que está sendo falado aqui hoje é sobre educação, é sobre como usar o esporte para educar. Ele ainda não chegou nesse lugar, ainda não existe oficialmente esse lugar no Brasil, o que é uma grande pena, o que faz com que as pessoas que trabalham no esporte e que vivenciam o esporte não consigam enxergar o potencial do esporte.
Você vê que a cultura não reconhece o poder da cultura, e o poder do esporte é maior do que o da cultura. Vamos dizer que é como se eu me sentasse aqui e eu fosse a Fernanda Montenegro. Eu acho que no esporte eu posso isso. (Risos.) Mas, então, preste atenção em como seria isso. E é o que é, não é? Imagine só, Daiane, Rebeca... Preste atenção nisso, olhe o potencial, olha o alcance que essas pessoas têm de influência, de influenciar crianças, jovens, gerações, mudança de comportamento. A gente reconhece o esporte nesse lugar.

Quando eu falo "eu não sou ex-atleta", é porque eu sou atleta. Graças a Deus, eu sou atleta! Eu pratico voleibol até hoje, eu jogo voleibol.
Emanuel, vamos bater uma bola?! Eu te convido para bater uma bola. Vamos? Entendeu?
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Porque isso está dentro de mim: é como eu falo, é como eu ando, é a minha maneira de ser. Por quê? Porque eu aprendi ali dentro, eu aprendi com o voleibol, o voleibol é coletivo. No voleibol, a gente recebe e dá. Se não fizer isso, você não joga vôlei. Então, você tem que aprender a receber e aprender a dar, passar a bola - passar a bola bem, né? Não adianta passar a bola mal. (Risos.) Passa a bola lá no... não adianta.

Mas isso são as lições, né? O cair, o levantar, essas coisas, cada um no seu quadrado; você reconhecer as regras. Poxa, a coisa mais importante do esporte é saber respeitar as regras. São coisas que constroem uma sociedade, essa é a importância do esporte.
Eu tenho um projeto que se chama Atletas Inteligentes, porque eu acho que tem uma inteligência mesmo no esporte. Não é qualquer um que vai lá e joga, qualquer um que faz, não. Você conhece o seu corpo, a sua consciência corporal, você fortalece a sua mente, você cria uma força.
A Senadora não chegou nessa posição aqui, nessa luta aqui à toa, ela tem essa resistência. É uma resistência, isso você conquista dentro do esporte. Insistência, persistência são qualidades que você alcança, que você aprende dentro do esporte.
Então, assim, quando você vê um depoimento da Verônica, eu me emociono; da Joana Maranhão, eu me emociono, porque elas, dentro de situações de vida... Assim como eu também tive uma situação que me fez chegar a ser campeã olímpica: eu fui brigar com uma entidade da qual eu não tinha ideia, eu era muito jovem e não sabia. Eu não tinha dentro de mim... Eu não sabia que o homem era maior do que a mulher, que tinha diferença. Eu não tinha... Eu achava que não. Eu jogava bem vôlei, eu gostava da maneira como eu fazia, achava aquilo muito bom, eu me empenhava para ser a melhor. Então, eu não conseguia ver os homens melhores do que eu, era natural para mim. Até a hora que eu fui falar sobre isso. E nessa hora, assim, anos atrás - são quantos anos? Décadas? Nossa Senhora! -, aquilo foi...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. JACQUELINE SILVA - É.
Agora, eu seria vanguarda, mas naquela época eu fui expulsa, eu fui cortada, foi horrível, quase morri.
E, por sorte - é tão engraçada a vida -, que é exatamente nessas horas que, para quem não para, quem insiste, quem continua, a vida vai... as estradas vão se abrindo, as portas vão se abrindo, e aí você vai, sei lá, e vê que existem outros lugares que respeitam, que reconhecem o seu trabalho, e aí você vai conquistando.
Eu consegui, graças a Deus, encontrar uma nova modalidade, que foi o voleibol de praia. E era uma modalidade que não tinha... Olha que interessante, era uma modalidade que crescia pelos atletas; foram os atletas que desenvolveram. Não existiam dirigentes, não existiam treinadores - era muito engraçado - nem juízes. Eram os atletas que viravam... Eles eram os juízes, eles eram os dirigentes, os técnicos, eles eram tudo. Então, era incrível, porque aquilo foi criado na sua essência.

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Então, eu tive a sorte. Quando eu cheguei lá, eu falei: "Meu Deus, isso não pode estar acontecendo. Como assim?". Eu nem achava que isso era possível, e foi ali que eu encontrei um palco, um lugar em que eu podia me expressar da melhor forma. E a mulher... Olhem, isso foi nos Estados Unidos, eu era uma estrangeira e, por esse lado, eu tenho que agradecer muito, porque eles tinham um reconhecimento pelo meu trabalho, muito grande. Em hora nenhuma eu fui uma adversária, uma inimiga deles; pelo contrário.
Mas eu falo isso porque em cada uma dessas falas, em todas - maravilhosas - existe ali um... Passaram por alguma experiência muito ruim que foi transformada numa coisa muito boa. Isso aí é a força da mulher. A mulher tem isso. Talvez isso assuste muito os homens, muitas vezes, e faça com que tenham certas opiniões, algumas falas indelicadas, porque reconhecer essa força da mulher muitas vezes é difícil, mas é importante que isso aconteça.
Hoje, eu acho importante, porque existe uma coisa que acontece e que me deixa muito triste e revoltada: o Brasil é o país que mais mata mulheres. Talvez... Eu não sei se é o primeiro, o segundo... Tanto faz, entendeu? E isso é muito triste - mulheres, gays, pessoas trans. Isso tudo é porque não existe um reconhecimento do ser humano. Então, eu acho que, quando o esporte vem lutando por um espaço e um reconhecimento da mulher, ele está, ao mesmo tempo, colocando, dando luz às mulheres, de uma forma geral.
Na hora em que reconhecerem as mulheres no esporte, vai ser muito mais fácil reconhecer a mulher em qualquer outro lugar dentro da sociedade do Brasil. Mulheres... qualquer gênero.
Então, eu gostaria de agradecer por esse convite maravilhoso e, no que eu puder ajudar nesse sentido, eu me coloco à disposição.
Senadora Leila, acho muito bom chegar aqui e encontrar uma mesa incrível: Valeskinha; Yane querida - é importante uma Vice-Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro ser uma mulher -; a Secretária nacional, Iziane; aqui a Soraya, que é gestora esportiva, que demonstra e mostra os dados das mulheres no esporte, crescendo; e nós aqui, todo mundo aqui presente, mulheres, principalmente. É muito bom para mim. E esse é um ambiente difícil de entrar. Vou dizer para vocês, desde a hora em que eu passo por ali, eu fico sempre pensando: "Puxa, que coisa difícil que é aqui dentro". (Risos.) É muito difícil! Mas é muito importante existirem vocês. Então, eu agradeço.

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Senador Chico, acho muito bom você ser o único homem na mesa. É legal. (Risos.)
Está bom. É sobre isso. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Muito bom, Jacque. O prazer é nosso de tê-la aqui conosco e, assim como você, todas as mulheres aqui presentes.
Eu vou dar uma acelerada nas nossas expositoras. Eu vou passar a palavra para a Daiane dos Santos, ex-ginasta e medalhista olímpica, que vai participar por videoconferência. Na sequência, eu passo a palavra para o nosso Vice-Presidente Chico Rodrigues.
Bom dia, Daiane... Bom dia, não! Boa tarde já!
A SRA. DAIANE DOS SANTOS (Para expor. Por videoconferência.) - Boa tarde a todas e a todos. Na pessoa da Senadora Leila, eu agradeço, parabenizo e cumprimento as autoridades aqui presentes. Agradeço a inspiração de todas essas mulheres maravilhosas. Tenho gratidão de poder estar aqui ouvindo cada uma de vocês, colegas do esporte, e toda a sociedade civil.
Quero dizer que hoje, aqui, o meu papel é muito mais de ouvir do que de falar. Quero demonstrar a minha gratidão de poder estar aqui ouvindo sobre um tema tão importante, de um contexto geral que vai para além do esporte. Tudo o que foi dito aqui vai além das quadras, das piscinas, dos ginásios, além do esporte coletivo ou individual, da massificação, do treinamento, do alto rendimento, e é importante num contexto como um todo.
Quero lembrar que a igualdade de gênero está ali entre os 17 Objetivos Sustentáveis da ONU, é o quinto Objetivo Sustentável da ONU. E o esporte, como foi demonstrado aqui, é um grande potencializador para que isso possa acontecer até a meta de 2030. Acho que tudo o que foi falado, o que foi demonstrado com excelência exímia, por cada uma que se colocou aqui, demonstrou a importância e a relevância do esporte para essa pauta magnífica e extraordinária para as mulheres e para o mundo num contexto geral.
Eu acho que esta foi uma manhã de reflexão para a gente entender... Eu acho que a gente teve dois momentos que para mim foram muito importantes, muito especiais. Vou citar a emoção da Valeska, da Valeskinha, quando deu o seu relato falando da D. Aída dos Santos, essa mulher brilhante, essa guerreira, que é uma referência para todas as mulheres, mas a cito aqui como uma mulher negra neste país, que tem 56% de sua nação negra, mas que ainda são muito subjugadas. E, é claro, da Verônica, que foi incrível ao trazer o seu relato de um poder e de uma bravura extrema, em cada palavra, em cada fala, que resumiu muito do que a gente viu hoje nessa manhã: que nós temos resultados, nós temos projetos, nós temos a bravura da mulher, nós temos a presença delas, nós temos a inspiração. Mas o que nós não temos é tudo isso, agora, cada vez mais presente, fora do papel e colocado no dia a dia dessa mulher.
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Então, essa pergunta, que foi a pergunta que a Verônica fez, é: como? O que mais falta? O que precisamos fazer? Essa pergunta ecoa dentro de cada uma de nós todos os dias. Todos os dias, como mulheres, essa pergunta ecoa: o que mais precisamos fazer para que um dia a gente não precise das cotas, de porcentagem? E hoje, como a Senadora Leila citou muito bem, é uma necessidade. E que bom que a gente tem hoje essa porcentagem que faz com que a gente tenha presença, mesmo que seja obrigatória, de mulheres em todas as áreas! O nosso sonho, um dia, é que a gente não precise e que, de forma orgânica, espontânea, empática, nós tenhamos essas mulheres maravilhosas nos lugares que são de direito de cada um, de cada uma de nós, como cidadã e cidadão. Esse é o meu maior desejo, como atleta, ou ex-atleta, enfim, mas como mulher de uma sociedade que nos priva tanto e que nos cobra muito.
Então, eu acho que fico aqui com a grande pergunta: o que nos falta? O que nos falta?
A gente teve grandes exemplos de tudo que tem sido feito e do que estamos fazendo, cada uma na sua área, cada um no seu local, nos locais que atingimos, onde estamos, seja nos locais de trabalho, seja nos locais onde estamos como pessoas, numa grande sociedade. E, através da sororidade feminina, esperamos dividir uma com a outra e nos colocar nesse lugar de uma com a outra, ou pela empatia dos homens de se colocarem no nosso lugar, desejamos poder ter isso no futuro.
É óbvio que a gente já andou bastante, mas, infelizmente, ainda com passos de bebê (Falha no áudio.)
Espero que um dia a gente possa correr para alcançar esse lugar mais alto do pódio que a gente deseja tanto para essa igualdade de gênero, que se torna cada vez mais próxima, mas ainda muito distante pelo que a gente viu e ouviu nesta manhã deste dia 9 de julho, nesta manhã de quinta-feira que se estendeu um pouquinho para esta tarde.
Mais uma vez, eu quero agradecer esta oportunidade de estar aqui, de ouvir vocês, maravilhosas mulheres que me inspiram e que me fortalecem para todo dia lutar e fazer com que isso seja cada vez mais real não só nas nossas vidas como atletas, mas também nas nossas vidas como mulheres e meninas de todo o Brasil e de todo o mundo.
Agradeço a cada uma.
Muito obrigada.
Espero que tenha sido uma manhã reflexiva e poderosa e que a gente possa levar isso a cada dia, a cada momento da nossa trajetória a partir de agora e sempre. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Daiane.
E, na verdade, o que a Daiane nos traz, e todas vocês com as suas falas, é justamente o intuito desta audiência pública: dar luz às nossas realidades, principalmente às mulheres, é claro, do esporte.
A gente está encerrando a nossa audiência pública e, infelizmente, a gente não tem tanto tempo disponível ainda, porque hoje ainda é quarta-feira, temos sessão plenária, temos outras Comissões, mas, rapidamente, eu vou dar para cada uma de vocês de dois a três minutos para as considerações finais.
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Mas, antes, eu gostaria de só sinalizar, eu tive uma provocação da ex-atleta do futsal, a Mara De Ros, que teve a ideia de propor um projeto de lei que institui o Dia Nacional da Mulher no Esporte. E esse dia foi escolhido como o dia 27 de julho.
(Intervenção fora do microfone.)
E, assim, para agora, não vai dar, né? O processo legislativo aqui, Iziane, é lento, mas a gente já colocou o projeto debaixo do braço, e vamos ser o Relator.
E aí, eu gostaria de que, nas considerações finais de vocês, vocês passassem essa impressão do motivo, do porquê da mulher no esporte. Não é só para ser atleta; eu acho que é promoção da saúde, promoção da cidadania... A gente sabe da importância da mulher no esporte na sua ampla abrangência. E eu acho muito bacana, nas considerações finais de vocês, vocês falarem do porquê da mulher no esporte, do porquê da nossa importância no esporte, que é algo que, para mim, é muito claro. Então, eu tenho certeza de que, pelas trajetórias de vocês, ninguém melhor do que vocês para falarem, nas considerações finais, sobre o porquê da existência dessa força, dessa nossa resistência, o porquê de estarmos no esporte.
Eu vou passar a palavra para o Senador Chico Rodrigues e vou para as considerações finais, mais uma vez agradecendo, em nome do Senado Federal, a participação de todas vocês aqui nesta audiência pública.
Senador Chico Rodrigues.
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para interpelar.) - Boa tarde a todos e a todas.
Eu quero primeiramente cumprimentar a Presidente Leila Barros pela condução desta Comissão. Ela tem dado uma dinâmica magnífica na Comissão de Esporte; tem realizado audiências públicas que têm dado uma visibilidade enorme ao esporte nacional. Pelo seu estilo e pelo seu jeito jeitoso de conduzir esta Comissão, sem abrir mão da sua história e da sua reação dura muitas vezes - não apenas aqui na Comissão, mas também nas discussões do Senado -, ela demonstra exatamente que trouxe, na bagagem do esporte, essa força, essa determinação e, acima de tudo, este compromisso com o esporte brasileiro - com todos os esportes brasileiros. Aqui, ela encarna, exatamente na função de Presidente, todos os esportes brasileiros, com ganhos e conquistas.
Eu acompanhei aqui durante toda a audiência pública e vou citar nominalmente para não ser injusto. Mas quero, antes, nas pessoas de todos os atletas que estão aqui e dos que estão nos assistindo, na pessoa do Emanuel, cumprimentar a todos que têm participado desta audiência pública, que é uma construção.
Uma audiência pública é como se fosse uma caixa de ressonância dessas demandas reprimidas, que vêm hoje, inclusive, neste tema que foi convocado pela Senadora Leila: a igualdade de gêneros no esporte brasileiro. E aqui, as mulheres protagonizam.
Aliás, gente, eu me lembro - eu me lembro, eu era pequeno e ouvia já nos corredores da vida - de uma música lá atrás em que se questionava por que a mulher não tinha oportunidade, por que a mulher não era forte, etc. E tinha um cara chamado Erasmo Carlos, que dizia:

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Dizem que a mulher é o sexo frágil
Mas que mentira absurda!
Eu que faço parte da [...] [vida] de uma delas
Sei que a força está com elas
E a força está com vocês! A gente vê exatamente essa determinação no esporte. Recentemente, estávamos naquela eliminatória, assistindo lá no Maracanãzinho à Seleção Brasileira de Vôlei. As meninas têm uma energia gigantesca! A cada ponto, elas batem, elas até xingam muitas vezes, chamam daquela palavra que todo brasileiro chama ali, não é? Então, isso aí mostra que vocês, que protagonizaram lá atrás... Inclusive, eu achei aqui um gesto sensacional quando a Valeskinha se referiu à sua mãe, Aída dos Santos, que é uma marca no esporte brasileiro, e a ela se referiu exatamente porque eu acho que, a partir daquele ponto de inflexão na vida do esporte, ficou uma marca registrada na mente e no coração de todos os brasileiros para a história.
Eu queria cumprimentar a Joanna Maranhão, que, assim como a Yane, a minha conterrânea pernambucana... Apesar de eu ser Senador de Roraima, não posso negar minha origem: a minha origem é onde trabalhei muitos anos, muitos anos, com o Marco Maciel, na sua equipe. Enfim, então, tem um DNA, não é? A Joanna fez breves comentários, mas trouxe dados aqui relevantíssimos, como pesquisadora. Está na Alemanha, mas a vida está no Brasil.
Eu teria algumas perguntas para fazer para cada uma delas, mas, em função do adiantado da hora, como falou a Presidente Leila, e porque eu vou abrir a sessão hoje, como membro da Mesa, às 14h, eu vou me adiantar e depois nós mandamos as perguntas para elas.
Quero cumprimentar também a Soraya Nobre, que falou aqui com muita clareza, com muito conhecimento e com um amor diferente ao esporte, como bem ela disse; a Valeska, que, na verdade, nos tocou muito fortemente. Quando a gente fala da mãe, porque a mãe... Eu digo sempre, Valeska, que mãe nunca devia morrer. A minha já está lá no plano de Deus, mas enfim. É a grande referência da sua vida, como a nossa mãe é a nossa grande referência.
Cumprimento a Jacqueline, porque, como ela disse, a vida é sinuosa, cheia de altos e baixos; a Leila, que, com muita propriedade, disse que saiu do esporte de quadra para ir para o esporte de areia, e foi um grande presente para o Brasil, porque se tornou grande medalhista olímpica, fazendo com que cada partida daquelas sacudisse o sentimento e a alegria do coração verde e amarelo de cada um de nós; a Iziane também, que, na Secretaria de Esportes, foi muito bem escolhida pelo Ministro, mostra que precisava de alguém que pudesse acompanhar a inserção feminina no esporte de alto rendimento no Brasil; a Daiane dos Santos, que acabou de falar, trazendo para a gente as lembranças dos seus saltos desconcertantes, que resultavam sempre em uma medalha cravada no seu peito para... e que depois teve tantas seguidoras, está tendo tantas seguidoras;
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a Verônica Hipólito, que, com a sua clareza, a sua transparência, a sua forma de expressão, os seus sonhos, não deixou nada no escuro, ela deixou aqui para nós uma manifestação da sua vontade e dos seus sonhos, que, oxalá, com certeza, irá conquistar; e a Yane Marques, Vice-Presidente do COB, como já disse também minha conterrânea, trocamos figurinhas aqui durante a audiência pública, e eu sinto que a Yane tem realmente esse sentimento do mundo do esporte. E isso deve estar levando exatamente ao Comitê Olímpico Brasileiro, Emanuel, uma força gigantesca para que nessa questão que trata tanto da igualdade de gêneros no esporte, possa haver um nivelamento, uma equidade, um equilíbrio, porque a mulher e o homem são seres semelhantes. Não existe diferença, a não ser biológica, entre os dois. Mas, muitas vezes, as mulheres têm proporcionado mais alegria para o coração dos brasileiros do que os homens. Infelizmente, como ontem à tarde, saímos da competição, mas, enfim - se o Flamengo estivesse até eu teria sofrido mais ontem, mas já tinha ficado atrás antes.
Eu quero dizer, Leila, para encerrar a minha participação, que, veja, um atleta se manifesta de uma forma muito franca, e nós aqui somos movidos também por projetos que vêm do povo, que vêm da manifestação silenciosa das pessoas, e os transformamos em lei.
Eu vi quando você falou que a Mara... Não! O Dia Nacional do Esporte, a menina do futebol de salão...
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - A Mara De Ros.
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) - A Mara De Ros fez essa proposta de que nós tivéssemos o dia nacional da mulher no esporte. Tem dia de tudo neste Brasil. Às vezes, a gente até procura assim...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) - Então, isso aí é de uma importância enorme, porque todas as atletas nesse dia, e em todos os dias do ano, vão se sentir, na verdade, prestigiadas, vendo que elas fazem a diferença também.
Então, eu quero aqui parabenizar a todas vocês pela manifestação clara, transparente, com conhecimento, com a clareza de uma janela sem vidros, nesta Comissão, nesta audiência pública, por indicação da Senadora Leila Barros, por trazerem tantas informações preciosas para nós.
E eu tenho o prazer, na verdade, e a alegria de ser o Vice-Presidente desta Comissão com a Leila. Em outros momentos, se fosse alguém que não tem essa bagagem, essa vivência do esporte, talvez não tivesse esse brilho e essa contribuição para o Senado e para o Brasil, o que é mais importante, que a Presidente Senadora Leila Barros tem.
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Então, parabéns a todas vocês.
Nós nos orgulhamos de todas vocês como representantes do esporte brasileiro, seja em qual modalidade for.
Obrigado. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - O Senador Chico Rodrigues é um decano aqui na Casa, membro da nossa Mesa Diretora. Então, assim, eu que tenho a honra de tê-lo como Vice-Presidente acompanhando aqui a nossa Comissão. Realmente é um prazer tê-lo aqui conosco.
Eu quero, de forma muito especial, também registrar a presença da Eloisa Vilela, Vice-Presidente do Cref1, Rio de Janeiro.
Tem algumas perguntas...
Meninas, rapidamente, é porque eu acho que, por delicadeza, eu tenho que ler. É muito rápido. São algumas que o pessoal da nossa Secretaria encaminhou:
Da Raissa, do Mato Grosso: "Quais políticas públicas podem fortalecer a presença feminina no esporte de alto rendimento e enfrentar desigualdades e falta de apoio?".
De Paulo, de São Paulo: "Os repasses de verbas para o desporto nas cidades, obrigam a equiparação de gênero na atuação da educação esportiva de base formativa?".
De Raphael, do Espírito Santo: "O incentivo fiscal para empresas que apoiem a presença feminina no esporte é viável do ponto de vista econômico e social? Como apoiar?".
De José, do Paraná: "Porque não usar faculdades públicas para acompanhar atletas? [Profissionais] alunos poderiam ajudar [atuar juntos e se beneficiar]".
De Janary, de Tocantins: "Quais iniciativas pra valorizar mulheres no esporte feminino? Incentivos fiscais às medalhistas, jogadoras e patrocinadores? E as [mulheres] trans?".
E comentários finais com o Wendel, do Espírito Santo: "O fator para salários e condições de treino está ligado ao patrocínio [o que, por sua vez, exige o que estamos fazendo aqui] e necessita de audiência e incentivo fiscal".
Quero agradecer aos que encaminharam. Temos mais algumas que serão encaminhadas aqui às nossas expositoras.
Eu vou passar a palavra, para as considerações finais, à Sra. Iziane Marques, que é da Secretaria Nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte.
Iziane, eu vou te dar dois minutos.
A SRA. IZIANE CASTRO MARQUES (Para expor.) - Bom, eu queria primeiramente agradecer essa oportunidade. Acho que este momento é importantíssimo para realmente ecoar as nossas vozes, as vozes de tantas mulheres que se sentem reprimidas, que não têm oportunidade de falar aos quatro cantos o que realmente acontece nesse nosso mundo.
E Senador Chico, eu vou ter que discordar do senhor: somos muito diferentes e não é só em questões biológicas. Eu acho que é por isso que essa nossa diferença nos complementa e é por isso que a gente precisa realmente ter essas pessoas, essas mulheres em lugares diferentes da sociedade, porque é só com essa sociedade plural, diversa, é que a gente consegue falar com cada um dos seres humanos desse mundo, desse planeta, do nosso grande país.
(Soa a campainha.)
A SRA. IZIANE CASTRO MARQUES - Eu gosto muito de uma frase que fala: "Nada para nós sem nós", é porque é só com a nossa visão de quem realmente nasceu e passou por todo esse calvário da vida de uma mulher no esporte e também fora dele, porque a gente sabe que na nossa sociedade não é fácil, é que a gente pode entender as lutas, as dores e construir uma política pública que realmente atenda à necessidade de quem vive essas dores. Então é essencial a presença de homens nessas pautas. E essa luta conjunta, sim, é importantíssima.
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Também parabenizo a Senadora pela Lei das Cotas, porque, enquanto a gente tiver necessidade de ocupar esses espaços, seja por imposição, ou apenas por nossas capacidades, nós precisamos estar lá, até que a gente realmente chegue em uma sociedade igualitária para homens e mulheres.
Então, obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Nada.
Vou passar a palavra agora, mais uma vez - obrigada, Iziane -, para a Daiane dos Santos.
Ela está online, por videoconferência.
Daiane.
A SRA. DAIANE DOS SANTOS (Para expor. Por videoconferência.) - Gostaria só, mais uma vez, de agradecer. Obrigada pelo espaço, por esta audiência pública, por esse tema tão importante para a sociedade como um todo, e aqui, diretamente, para o esporte.
Acho que tivemos falas muito poderosas, reflexões que espero que ecoem a cada dia, dentro e fora de nós e, principalmente, que a gente possa colocar em prática tudo isso que foi dito aqui, as melhorias... E que a gente possa realmente atingir essa igualdade de gênero que a gente tanto deseja, por que a gente tem trabalhado e lutado tanto, com a mão de muita gente, com as mãos de todos nós juntos.
Muito obrigada, mais uma vez, pela oportunidade de estar aqui, de ouvir e de poder, singelamente, colaborar. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Daiane. Até a próxima.
Vou passar a palavra, agora, para a Soraya Nobre, que é Gestora Esportiva da área Mulher no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil.
A SRA. SORAYA NOBRE (Para expor.) - Obrigada, Senadora Leila, mais uma vez, pela oportunidade, por estar aqui com vocês, mulheres incríveis, realmente.
Bom, acho que a minha fala é um pouco do que vocês falaram, de a gente entender o esporte como ferramenta de transformação mesmo.
Lá no COB, hoje, a gente tem em torno de 340 e alguma coisa, de colaboradores, no total, onde o número maior é de mulheres.
Então, nós temos três diretorias, a Diretoria de Esportes, liderada pelo Emanuel que está aqui, a Diretoria de Comunicação e Marketing e a de Operações. Então, em nem todas essas diretorias, a gente está falando de mulheres que são formadas em Educação Física. Por exemplo, nós temos advogadas e administradoras que trabalham com esporte.
Então, é isso. O nosso ecossistema atinge muitas e diversas mulheres, como a Secretária Iziane trouxe.
(Soa a campainha.)
A SRA. SORAYA NOBRE - Então, quero só agradecer por esta oportunidade, por estar aqui, por somarmos realmente forças para a gente caminhar. Obrigada.
Obrigada, Senadora, mais uma vez.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Nós que agradecemos, Soraya.
Gente, uma salva de palmas. Sua apresentação foi excelente. (Palmas.)
Vou passar agora a palavra para a Jacque Silva, a Jacque do vôlei de praia. Mais uma vez, agradeço, Jacque.
A SRA. JACQUELINE SILVA (Para expor.) - Quero agradecer, por fazer parte, hoje, de um dia importantíssimo, por ter tido essa oportunidade de poder aprender com tantas atletas incríveis, com essas experiências todas. E contando com vocês, vamos unir forças.
E a todos vocês também aqui presentes, espero que as nossas palavras não sejam sempre uma palavra das nossas lutas, das nossas dificuldades, porque somos mais do que isso. Somos pessoas que têm muita força e que compreendem as dificuldades, mas como um degrau para o crescimento.
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Muito obrigada, Jacque.
Vou passar agora a palavra para a Valeska, Valeska dos Santos Menezes, que é representante dos atletas de alto rendimento na Comissão Mulher no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil.
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Vá lá, Valeskinha.
A SRA. VALESKA DOS SANTOS MENEZES (Para expor.) - Bem, agradeço-lhe, mais uma vez; dessa vez, sem choro.
Escrevi algumas coisas. Eu acho legal a gente está aqui garantindo as condições justas para que todos tenham a mesma chance de competir. Premiar o esforço, o treino e a dedicação é entender que talento não tem cor, não tem gênero, não tem classe social; tem, sim, as oportunidades.
Então, que nós continuemos aqui a promover pesquisas, conversas, debates, políticas públicas para que possamos, mais uma vez, dar passos, como os estamos dando aqui neste dia de hoje tão importante.
Então, mais uma vez agradeço à Senadora Leila por esta iniciativa.
Como a Jacque falou, no que precisar, estamos aqui para avançar mais e o mais rápido possível. Pode contar com a nossa presença. Com certeza, estaremos aqui. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - E, para finalizar, a nossa Vice-Presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Iziane Marques.
A SRA. IZIANE CASTRO MARQUES (Para expor.) - Obrigada, Leila. Obrigada, minha gente.
Como se diz lá em Recife, foi arretado, não foi, não? Foi muito massa! Foi incrível! Assim, obrigada por vocês ouvirem esse nosso grito; a gente deu um grito hoje aqui.
Agradeço demais a participação a todos os homens que estavam aqui, que nos ouviram, que estão nos dando as mãos nessa militância, nessa luta, nesse jogo.
Reforço a provocação para que outras mulheres se encorajem, se preparem, estejam prontas para enfrentar esses desafios e ocupar os espaços que nos cabem, para que a gente possa ter essa oportunidade com muita propriedade, com muita seriedade, com muito compromisso, com muita responsabilidade, porque é isso que faz a gente se sentar nessas cadeiras em que a gente nunca tinha sentado.
Então, é isso.
Agradeço-lhes, mais uma vez.
Estou muito feliz por estar aqui representando o Comitê Olímpico do Brasil, que, assim, é uma coisa muito gigante, é uma responsabilidade muito grande. Eu faço isso com carinho, e é uma realização danada poder devolver um pouquinho para o esporte a transformação...
(Soa a campainha.)
A SRA. IZIANE CASTRO MARQUES - ... que ele fez na minha vida.
Eita! Esse sino dá um susto, e falta um minuto ainda.
Mas é isto: só lhe agradeço mesmo, minha gente. Muito obrigada.
Foi muito legal, foi rica a reunião. Que a gente possa dar continuidade a esses papos, a essa conversa.
Valeu! (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - E por que celebrar, no dia 27 de julho, a participação da mulher? Primeiro, pelos nossos feitos; segundo, para mostrar para as demais mulheres e para as meninas que estão vindo que elas podem estar onde elas quiserem e que o esporte também é um caminho para elas.
Então, por isso, nós vamos celebrar e trabalhar muito para que esse dia seja garantido, como tantos outros que nós pautamos aqui, mas esse é fundamental. Desde cedo que a mulher enxergue o esporte também como um caminho de promoção de saúde, de cidadania, de educação, de transformação e por que não o de uma atleta, de uma atleta de alto rendimento, de uma campeã olímpica, de uma gestora, de uma técnica, o que ela quiser ser.
E a luta continua - viu, pessoal? Vamos dar sempre visibilidade ao esporte feminino e ao esporte do Brasil nesta Comissão. Aqui vocês têm casa e portas abertas.
Muito obrigada a todos.
Nada mais havendo a tratar, eu agradeço a presença de todas e de todos e declaro encerrada a presente reunião.
Até mais. Até a próxima quarta. (Palmas.)
(Iniciada às 10 horas e 20 minutos, a reunião é encerrada às 12 horas e 51 minutos.)