Notas Taquigráficas
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| R | O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS. Fala da Presidência.) - Bom dia. Declaro aberta a reunião de instalação da Frente Parlamentar pela Paz Mundial, cuja pauta destina-se a: item 1 - instalar a Frente Parlamentar da 57ª Legislatura, item 2 - deliberar sobre o estatuto da Frente Parlamentar, item 3 - eleger a Comissão Executiva. Até o momento, esta Frente Parlamentar conta com a adesão de oito Senadores. Informamos aos Parlamentares que desejarem compor a Frente Parlamentar que a adesão é feita de forma digital e que a nossa Secretaria se encontra à disposição para orientar os gabinetes dos Senadores e Senadoras que queiram se juntar aos esforços desta Frente. Hoje, quinta-feira, é um dia de muito movimento nos estados e não tem sequer votação no Plenário, então, a maioria dos Senadores se encontram nos estados, mas sempre é bom que tenha dois Senadores, e dois estão aqui. Compõe a mesa o Senador Paulo Paim e o ex-Senador, mas, conforme o nosso Regimento, é como se fosse Senador titular, o Dr. Ulisses Riedel de Resende. O Dr. Ulisses Riedel de Resende, ex-Senador pelo Distrito Federal, é Presidente honorário e fundador da União Planetária. Instalada a Frente Parlamentar da 57ª Legislatura, passamos ao segundo item da pauta, qual seja a aprovação do estatuto da Frente Parlamentar. Informo que a proposta de estatuto foi enviada previamente a todos os membros por e-mail. Aqueles que quiserem uma cópia física da proposta poderão solicitá-la junto à nossa Secretaria. Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir, vamos à votação. Os que concordam com o estatuto, permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Isso aqui está que nem minha assembleia: quando eu era dirigente sindical, era mais ou menos assim, aprovava tudo, mas não tinha que chamar. Se ninguém quer discutir, ninguém quer discutir, não é? Vamos lá. Vamos em frente. Passamos agora à eleição da Comissão Executiva da Frente Parlamentar. Neste momento, coloco em deliberação a proposta de composição da Comissão Executiva com os seguintes nomes: Presidente: Senador Paulo Paim; Vice-Presidente: Senador Flávio Arns; Segundo Vice-Presidente: Senador Eduardo Girão. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE. Fora do microfone.) - Presente. |
| R | O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Olha aqui, viu? Quem disse que ele não vinha? (Risos.) Pode se sentar aqui ao nosso lado, Senador Eduardo Girão. Em discussão... Pelo que percebo, com a presença dos três aqui, o Flávio Arns não se encontra porque está com problema de saúde... (Pausa.) Isso, ele marcou presença remotamente, mas só não está aqui por problema de saúde. Ele foi o autor, inclusive, do projeto da frente, apresentado por todos, e vocês aí, em acordo... eu fui o Relator. Então, seja bem-vindo. O Senador Flávio Arns teve o cuidado de registrar a presença, e o Senador Girão já está aqui, conforme se comprometeu nas conversas que tivemos nesta semana. Em discussão essa composição que está aqui na mesa - o Senador Flávio Arns, que registrou a presença. (Pausa.) Não havendo quem queira discutir, em votação. (Pausa.) Os que concordarem permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovada a composição desta Comissão: Presidente, Senador Paulo Paim; Vice-Presidente, Senador Flávio Arns e Segundo Vice-Presidente, Senador Eduardo Girão. Palmas aos meus colegas e a vocês, do plenário, porque todos aqui contribuíram para este momento acontecer. (Palmas.) Neste momento, nós passaremos aos pronunciamentos, tanto o meu - eu sou o Paulo Paim, por isso eu disse "meu" -, Paulo Paim, como o do Dr. Ulisses e o do Senador Girão, o.k.? (Pausa.) Senhoras e senhores, estamos aqui na Comissão de Direitos Humanos do Senado da República para participar da instalação da Frente Parlamentar pela Paz Mundial do Senado, instalação que já se deu e, neste momento, eu passo à fala da Presidência. Essa iniciativa nasce com um propósito muito claro: unir esforços para construir caminhos e fortalecer ações que promovam a paz entre os povos. Essa frente se propõe a articular projetos, incentivar políticas públicas e apoiar iniciativas que valorizem o diálogo, o respeito às diferenças e as soluções pacíficas dos conflitos. Mas eu digo também que, mais do que uma estrutura institucional, ela precisa ser um compromisso humanitário. O mundo vive um momento de profunda dor, são mais de cem conflitos em curso. Guerras que atingem regiões como Ucrânia, Palestina, Gaza, Israel, Irã, o envolvimento dos Estados Unidos, o Iêmen, Síria, Mianmar e tantos países da África - claro que não vamos aqui citar os cem. Há também guerras internas que acontecem em países, irmãos matando irmãos. E, como sempre, quem mais sofre são os mais vulneráveis: crianças, idosos, mulheres. A violência está em todos os cantos dos países, como também aqui no Brasil. |
| R | O feminicídio é cruel. Mulheres são assassinadas todos os dias. O tráfico e as milícias invadem as comunidades; professores e alunos não têm mais segurança nas escolas; idosos são agredidos, na maioria das vezes, pelas estatísticas que temos, pelos próprios familiares; religiões sofrem preconceitos. Diante disso, é de se perguntar: o que está faltando? Eu tomo a ousadia de dizer, porque esse é o eixo do meu pronunciamento, vocês vão ver, pois, para mim, é a palavra mágica: falta amor. (Palmas.) Pode parecer simples demais, pode parecer até ingênuo, mas não é. Falar de amor aqui neste Parlamento é falar de coragem, é falar da base de tudo aquilo que sustenta os direitos humanos. O filósofo André Comte já perguntou, e a pergunta dele é: Afinal, o que é o amor? E talvez a resposta não esteja nas palavras, mas na prática. Essa simples palavra de quatro letras é aquilo que nos impele, que nos encaminha, na verdade, a aceitar ou a não aceitar a injustiça. Na verdade, é a não aceitar a injustiça. É aquilo que nos move a cuidar, a proteger, a incluir. Sem amor não existe paz, não existe justiça, não existe dignidade, não existe solidariedade. Esse sentimento é tão nobre que caminha junto com os direitos humanos. Eles ultrapassam fronteiras, vencem barreiras, aproximam pessoas. São forças que promovem liberdade, igualdade e vida. Quando a gente defende o direito de cada pessoa amar, sem preconceito, sem discriminação, a gente está defendendo a própria essência da humanidade. Eu acredito profundamente que ele, o amor, gera uma força transformadora, ele desafia o ódio, ele enfrenta a intolerância, ele constrói pontes onde antes só existiam muros. Se quisermos, de fato, construir uma cultura de paz, precisamos colocar essa energia no centro das nossas decisões, das nossas leis, das nossas atitudes. Se os direitos humanos fossem plenamente respeitados, nós não veríamos guerras, nós não veríamos fome, nós não veríamos desigualdade, nem racismo e preconceito. Por isso, eu digo: vamos em frente com esse sentimento que deve estar conosco por toda vida, sem limite de idade. Que a Frente Parlamentar pela Paz Mundial seja mais do que um espaço de debate, que ela seja um espaço de humanidade. Que a gente leve a cada canto deste país - e Oxalá a outros encontros fora daqui, no mundo - uma palavra de respeito, um gesto de fraternidade, um compromisso verdadeiro com a vida, porque promover o amor é promover a paz. E é disso que o mundo mais precisa hoje. |
| R | Falo a vocês, jovens que estão aqui. Eu achei muito bonito quando vocês pediam para ser convidados. Vocês fizeram o pedido, os alunos da Escola Verde, de Santos, São Paulo. De imediato, a equipe que nos assessora disse: "há uma escola que quer vir aqui; pode ser na abertura? Pode, com palmas ainda, e devem. (Palmas.) Vocês são o nosso futuro. Vocês significam mais do que ninguém a palavra amor! Promover o amor é promover a paz. É disso que o mundo mais precisa hoje. Falo aos jovens, como ensinou o Marco Aurélio, Imperador de Roma, um dos principais filósofos do estoicismo. Ele disse, há quase dois mil anos, abro aspas: "é preciso ver o mundo como um poeta, como um artista". Eu só me meto a escrever poesia, não sei se leio, mas escrevo. Portanto, aos jovens que aqui estão e a todos os jovens do Brasil, eu digo: não deixem que lhes roubem esse olhar que eu vejo aqui, neste momento, de vocês. O Brasil não está apenas no pensamento. O Brasil é gente, é cor, é diversidade, é resistência, é o suor de quem acorda cedo, é a esperança de quem insiste, é a coragem de quem não se rende. Somos muitos brasis dentro de um só, e é justamente essa pluralidade que nos faz forte. Ver o mundo como um poeta e artista é entender que nada está acabado, que o futuro não está escrito, que a história continua sendo construída todos os dias, e o futuro depende de cada um de nós. Não há transformação sem caminhada. E um poeta já disse: o caminho, a gente faz caminhando - poeta argentino. Não há justiça sem persistência. Não há esperança sem coragem. Não há paz sem amor. Acreditem no Brasil como uma obra em construção, uma obra coletiva que exige compromisso, solidariedade e humanidade. Aqui eu termino. Acreditem na vida, acreditem em vocês, acreditem no amor, busquem a paz, sigam em frente com a certeza de que o amanhã começa agora. Vida longa à Frente Parlamentar pela Paz! Que ela seja eterna, até porque o amor nunca morre. (Palmas.) Agora é com vocês. Neste momento, eu passo a palavra ao Senador Eduardo Girão e ao Senador Flávio Arns, se ele estiver à distância. Senador, é com o senhor. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Muito obrigado, Presidente, Senador Paulo Paim. Quero cumprimentá-lo por esse desafio que o senhor prontamente encarou desde o momento em que essa ideia começou a reluzir aqui no Senado Federal, trazida pelo ex-Senador - meu amigo, meu irmão - Ulisses Riedel. |
| R | Eu quero aproveitar, Ulisses, e cumprimentar a sua família aqui presente, nossa querida Vanda - que honra ter você aqui conosco! -, também a Janinha (a Janaína), duas idealistas da primeira hora, pessoas que me inspiram... Onde nós tivemos a oportunidade de juntos trabalhar - 20 anos atrás? - lá em Fortaleza e em Teresina, no Fórum Mundial Espiritual, que foi uma semente deste momento a que a gente está chegando agora, que a gente está tendo o privilégio, está tendo a benção de conseguir realizar. Parece até um passo pequeno para muita gente. "Pô! O que é que o Senado?... Tanta coisa para resolver, escândalo hoje, Polícia Federal na porta de Senador da República... Por que o Senado não está falando sobre isso, e não... Está fazendo uma sessão aqui sobre paz?". Mas esse aqui é o assunto principal, não que os outros não sejam importantes - são fundamentais e nós vamos cuidar -, mas aqui é o destino do Brasil que está em jogo, o coração do mundo, a pátria do Evangelho. E, como o Senador Paulo Paim foi muito feliz no seu discurso, colocando a palavra central do amor, que é o que está faltando... Parece que o orgulho e o egoísmo tomaram conta da humanidade, e a gente está vendo essas guerras todas, conflitos. Hoje, um dia emblemático, não foi combinado isso: a instalação dessa frente. Olhem que nome bonito: "FPPaz" (Frente Parlamentar pela Paz)! É a Frente mais bonita que tem, o nome mais emblemático que tem aqui. O Presidente do Brasil está hoje, se não agora, daqui a poucos instantes, mas nesta data, junto com o Presidente da maior potência do mundo, e eu tenho certeza de que o assunto "paz" deve entrar na pauta, não tenho a menor dúvida. Então, como a gente sabe que nada acontece por acaso, não existe coincidência, daqui eu tenho certeza, Ulisses, com essas pessoas que estão aqui, que são comprometidas com a paz, com os alunos da Escola Verde, de Santos - que sejam muito bem-vindos; estão aqui conosco -, muitas ideias práticas, articulações, encontros vão servir para desarmar os espíritos, porque é isso que a gente precisa: desarmar os espíritos. E outra coisa interessante também é o seguinte: nós temos, no Evangelho de Cristo, duas passagens do Sermão da Montanha destinadas à paz. Olhem a importância desse evento! A primeira diz o seguinte: "Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra". Mas o outro é ainda mais forte, dedicado à paz: "Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus". |
| R | É uma audiência (Palmas.) extremamente emblemática, porque não é abstrato o termo "paz". Muito pelo contrário! Eu aprendi isso nesta vida e aprendi muito com você, Ulisses. Parece uma coisa abstrata: paz. Paz é o quê? É tranquilidade? Não! Senador Paulo Paim deu a senha: a paz não é a ausência de violência, a paz não é a tranquilidade; a antítese da paz não é o mal. Paz é ação, paz é justiça social, tanto que está... (Palmas.) Se vocês pegarem o Dicionário Aurélio, "paz" é um verbo; existe o verbo "pazear": eu pazeio, tu pazeias, ele pazeia, nós pazeamos, vós pazeais, eles pazeiam. É ação - verbo transitivo indireto, se eu não me engano. Então, é algo que a gente precisa realmente praticar, e eu fico muito feliz de colocar um tijolinho neste momento em que a gente está chegando aqui. Eu quero agradecer à Tallita do nosso gabinete, a toda a nossa equipe, quero agradecer ao pessoal aqui, que nós tivemos a oportunidade de visitar, Ulisses, o pessoal que faz parte do... Como é que chama o nome, Paim? Você foi, eu acho, um dos fundadores aqui da universidade do Parlamento, né? Parla... que é um instituto aqui do Senado Federal... (Intervenção fora do microfone.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - ILB (Instituto Legislativo Brasileiro), exatamente, que já abraçou de cara quando nós tivemos a oportunidade de visitar e conversar sobre essa iniciativa. E, para encerrar, eu gostaria de lembrar uma menina baixinha. Já passou para o mundo espiritual, mas ela, num evento em que estavam reunidos primeiros-ministros de vários países, presidentes, quando foi receber o Prêmio Nobel da Paz, numa expectativa enorme do discurso dela - veio lá da Índia -, Madre Teresa de Calcutá teve a coragem de se posicionar com o que ela chamou de o "princípio da violência". A frase dela é o seguinte - fica especialmente para os jovens, que vão levar essa bandeira para a frente -, Madre Teresa de Calcutá, Prêmio Nobel da Paz, disse o seguinte: é impossível que haja paz no mundo enquanto existir o aborto, porque o aborto é uma guerra contra as crianças. Se uma sociedade permite que uma mãe mate seu próprio filho no ventre, como é que vai evitar que as pessoas se matem umas às outras nas ruas? Isso é coerência, e eu quero dedicar, de minha parte, esta sessão a essa grande pacifista humanista chamado Madre Teresa de Calcutá. |
| R | Muita paz a todos. Parabéns. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Vamos em frente. Na qualidade de Presidente eleito dessa frente parlamentar, e em conformidade com o disposto pelo art. 12, inciso XIX, do estatuto aprovado hoje, designo, então, o Sr. Ulisses Riedel de Resende, que foi Constituinte comigo, para exercer a função de Secretário-Executivo da frente parlamentar. Vai falar agora, pelo tempo de entender adequado (Palmas.), o Dr. Ulisses Riedel de Resende, Ex-Senador pelo DF, Fundador e Presidente Honorário da União Planetária, o grande mentor dessa proposta que hoje estamos tornando realidade. O SR. ULISSES RIEDEL DE RESENDE - Presidente Paim, amigo Girão e amigo Paim, eu tenho o privilégio de ter nos dois amigos meus de 40 anos. É um privilégio. Junto com eles e junto com Flávio Arns, foi possível articular essa frente. E vejo especialmente nas palavras dos dois hoje, a força que nós vamos poder ter nesse trabalho. Eu vejo que milhões de pessoas estão desesperadas, esperando que seja feita alguma coisa para que o mundo possa viver em paz e viver com felicidade diante de um planeta encantado que o Criador fez. Um planeta extremamente belo, extremamente lindo. Basta ver aqui o dia de hoje, que dia belíssimo. E milhões de pessoas, se não bilhões de pessoas, estão como que aguardando, "como é que é possível, nesse planeta encantado, nós vivermos com tantos problemas?". E não só pessoas, instituições também, muitas e muitas instituições e eu até aqui vejo os representantes de algumas delas. Mas por que isso perdura e é difícil esse passo? Na verdade, o que estava faltando era um poder maior, porque para as coisas acontecerem é preciso sonhar, é preciso querer, é preciso saber fazer, mas é preciso poder e ousar. Hoje, eu vejo que o movimento, ao se instalar aqui no Senado Federal, ganha poder. |
| R | Uma coisa é uma instituição, um jornal, uma televisão buscar fazer alguma coisa; outra coisa é um Poder da República atuando, e um Poder que tem um valor expressivo. Nós temos os três Poderes - o Executivo, o Legislativo e o Judiciário -, mas o Legislativo é a voz do povo. O povo fala, inclusive nas audiências públicas, dentro do Legislativo, dentro desta Casa. E o Legislativo, o Senado Federal, a Câmara Alta, tem um poder espetacular para fazer com que as coisas aconteçam - com que as coisas aconteçam. Eu tenho certeza de que todos nós que aqui estamos, com o apoio expressivo de Paim, de Girão, de Flávio Arns e dos outros Senadores que já se integraram ao grupo, vamos ter força para mudar a mentalidade. Olhem bem essa expressão, que é uma expressão-chave. Porque como é que se consegue ter um mundo de paz? Com uma mentalidade de paz, com uma mentalidade de pacificadores. Eu vou citar um exemplo que, para mim, é muito claro para mostrar a realidade disso. Hoje, se qualquer pessoa, algum Parlamentar, qualquer pessoa fizer um elogio à escravidão e até disser que nós só vamos ter solução adequada para os problemas com o retorno da escravidão, essa pessoa vai ser ridicularizada - vai ser ridicularizada. Se for alguém que tenha um cargo, um Parlamentar, vão pedir a cassação dele - é um doente mental. Só um doente mental pode trazer, aqui, uma proposta como essa do restabelecimento da escravidão. Mas a escravidão faz parte da história do país de uma forma pungente - por quatro séculos, século XVI, século XVII, século XVIII e século XIX - e com uma crueldade, inclusive com marcação a ferro dos escravizados; mas, hoje, se alguém falar em escravidão, vai ser ridicularizado. O que é que mudou? Mudou-se a mentalidade. E as ideias são mais poderosas que as espadas, são mais poderosas que os fuzis e que os canhões, são mais poderosas que todas as armas do mundo, especialmente quando é uma ideia revestida de amor, que é aquele sentimento mais nobre, que é a própria criação do mundo - a própria criação do mundo. O mundo se fez com onipotência, com o poder, com onisciência, com o saber, mas com onipresença, que é a presença da consciência cósmica em cada partícula - em cada partícula. E, então, este poder que o Senado está agora trazendo, para que a gente mude a mentalidade, é um poder divino, é um poder efetivo e real, que vai fazer a diferença. |
| R | Eu estive estudando um pouco a história da humanidade e vi que sempre nós tivemos vanguardas, sempre muitos problemas e vanguardas, mas as vanguardas nunca venceram pelas armas; sempre venceram pelas ideias, pelas ideias cheias de luz, cheias de amor. (Palmas.) Nós podemos pegar o exemplo marcante dos iluministas. Quantos eram os iluministas? Voltaire, Diderot, D'Alembert... A gente já fica com dificuldade de achar os nomes todos, mas era uma dúzia deles. Com o poder das ideias, das ideias lastradas na dignidade humana, no amor humano e na correção da atuação humana, eles derrubaram mil anos de obscurantismo e fizeram um mundo novo, sem armas, com as ideias. Nós precisamos, com o poder do Senado, fazer um processo educativo muito forte - muito forte -, desde o nível básico, nível médio, ao nível superior, de compreender que a paz não só é algo inerente à vida, faz parte da manifestação cósmica, mas também é boa para todos - é boa para todos -; enquanto as guerras, as violências, os desentendimentos sempre são perturbadores. Nós precisamos mudar a mentalidade. Da mesma forma que a mentalidade de hoje não aceita a escravidão, não aceita mais a submissão das mulheres, que era outra realidade de toda a história da humanidade, temos que construir a mentalidade de que relações humanas não aceitam violência, não aceitam guerras, não aceitam competições. E aí nós temos que, nesse trabalho nosso, buscar bem fundo o que é democracia. Democracia tem que ser algo ético. Nós não podemos ter democracia para uns e ter outros abandonados. A democracia tem que ser um processo de justiça social; tem que ser um processo de encontrar o atendimento a toda a coletividade pelo princípio do amor, do amor universal, que deve ser a nossa bandeira. A nossa bandeira tem que ser a do amor universal. Eu estou muito confiante de que, junto com todos que vão fazer parte da frente, com as instituições, os amigos e a sociedade civil, nós poderemos fazer um trabalho intenso - intenso - de mudar a mentalidade. Uma coisa que é preciso é não discutir as guerras, porque as guerras são sempre odiosas e não há o que se discutir a respeito delas. Aqueles que estão em guerra estão todos errados. Nós temos que discutir a paz, e aqui... Ainda mais eu vendo aqui, na minha presença, o Mário Brasil, Diretor do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) da Universidade de Brasília, que instituiu, na Universidade de Brasília, uma nova disciplina, chamada Ciência da Paz - Ciência da Paz. (Palmas.) |
| R | E é fácil compreender que ela pode e deve ser examinada cientificamente, porque é visível que as guerras são um resultado de comportamentos, e a paz é também um resultado de comportamentos. Se é um resultado de comportamentos, é fácil examinar cientificamente quais os comportamentos que nos levam à violência, que nos levam à guerra, e quais os que nos levam à paz e ao entendimento. E eu aqui vejo também a Jaqueline Moll, que é uma doutora da área específica da educação integral e que trabalha ativamente, especialmente dentro dessa disciplina da Ciência da Paz, e que vai ser uma pessoa para trazer muitas luzes para nós, para esse trabalho que temos que fazer. Portanto, eu vejo com confiança, e eu acho que é um item importante: a gente tem que acreditar. Só fez o impossível quem tentou fazê-lo, só isso. Se a gente: "Não, não tem jeito..."; se achar que não tem jeito, não tem jeito. Tem que achar que tem jeito. Pode não ser de hoje para amanhã, mesmo porque na natureza não há saltos. Na natureza, o dia, a noite, o movimento dos astros é tudo harmônico, é tudo numa paz divina. Será através de uma atuação forte, harmoniosa, de mudança de mentalidade em todos os níveis da sociedade, e buscando as parcerias com pessoas e instituições que tenham simpatia com essa mudança de uma mentalidade, para superar este momento difícil que a humanidade vive - tão difícil que poderia, sem uma mudança de mentalidade, levar à própria destruição da humanidade. Então, é com esse espírito que eu, com alegria, primeiro agradeço à frente por me colocar como Secretário-Executivo dela. Vou precisar - vamos precisar - muito de todos vocês, especialmente do amor de todos vocês, da confiança de todos vocês - de que é preciso e de que vai dar certo. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS. Fora do microfone.) - Essa unidade aqui, aqui é unidade mesmo: direita, centro e esquerda. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE. Fora do microfone.) - É isso aí. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - É centro. (Fora do microfone.) Eu, brincando aqui, dizia: isso aqui é unidade pela paz. Eu boto o Ulisses numa posição mais de centro, como mediador, o Girão não tem problema nenhum de assumir a posição dele mais à direita e eu, à esquerda. Estamos aqui com um objetivo único. Então, que haja união, sem essa guerra ideológica, para avançarmos com a paz para todos. (Palmas.) |
| R | O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Tem até um fato interessante, Senador Paulo Paim, porque eu estava vendo ali na lista dos nossos Senadores, e o Humberto Costa - seu colega de partido, meu amigo também - e eu fizemos juntos... Foi interessante, porque ele disse: "Fica como Presidente, Girão", aí eu disse: "Não, pode ficar você", e ficou aquela coisa de irmão mesmo, numa frente que está tirando a paz das pessoas - e Paim também é um adepto dessa causa -, nessa questão de jogatina, de bets, de casa de aposta... (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS. Fora do microfone.) - Estamos juntos. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Isso está destruindo, né? O senhor fez um discurso sobre isso. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS. Fora do microfone.) - Estamos juntos. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - O endividamento em massa dos brasileiros, infelizmente, acontecendo; casamentos desfeitos, famílias, empregos perdidos, suicídios; está uma febre, infelizmente, uma pandemia que nós estamos vivendo no Brasil. E, recentemente, o Senador Humberto Costa assumiu a presidência dessa frente, a frente parlamentar contra a jogatina, e eu assumi a vice-presidência. Então, isso é muito importante. E ele, que é um adepto da causa animal - porque eu sei que você sabe que ele é vegetariano desde que nasceu... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Já fui almoçar com ele. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Já foi almoçar, né? (Risos.) Para a jovialidade desse garoto aqui, uma das receitas é essa. O SR. ULISSES RIEDEL DE RESENDE - Eu tenho 92 anos de idade, estou aqui em plena forma, cheio de entusiasmo pelo futuro e acredito que uma boa parte disso se deve ao fato de que eu tive o privilégio de nascer filho de pais naturistas e, por amor aos animais - não pelo aspecto de que é saudável ou não, mas por amor aos animais -, me ensinaram a ser vegetariano. Então, eu nunca provei nenhum tipo de carne, nem vermelha, nem peixe, nem galinha, nem frango, nem frutos do mar, e estou aqui em perfeita forma. E tenho... (Palmas.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - E Ulisses, nós tivemos uma vitória esta semana, que é bom celebrar, de um projeto nosso que foi para a Câmara e foi aprovado, da paz ambiental. Qual foi? Proibir... Sabe como é que é feito o foie gras? O SR. ULISSES RIEDEL DE RESENDE - É horrível - é horrível. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Você enfia um tubo no estômago do pato e do ganso e coloca alimento de uma forma forçada - crueldade! É um processo anticivilizatório. Nós conseguimos - no Brasil, aqui, Câmara e Senado - aprovar esse projeto logo quando eu entrei aqui; e a Câmara acabou de aprovar, está indo para o Presidente. É bom até o Paim... Assim, pela abertura, se puder sancionar - eu acredito que vai ser sancionado, e o Brasil entra para um rol de países que proíbem essa prática cruel para fazer um alimento. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Já que entramos na causa animal, o pessoal já está aqui me cutucando: "Fala do Estatuto dos Cães e Gatos, que foi aprovado aqui na Comissão de Direitos Humanos". Uma construção feita lá no Rio Grande do Sul, na época daquelas enchentes - passamos agora pelo segundo ano desde que aconteceu o fato. Eu, reunido lá com os militantes, ativistas dessa causa, e eles me propuseram que eu apresentasse o estatuto dos animais nessa ótica. Eu disse para eles: "Não". É que nem eu chegar aqui e eu dizer que a ideia dessa frente foi minha ou foi do Girão. Não, foi do Ulysses Guimarães essa ideia. |
| R | Aí combinei com eles, eles apresentaram nesta Comissão o boneco primeiro, a proposta primeira do estatuto, eu assumi a relatoria, aprovamos aqui já, por unanimidade, já foi para a Comissão que tem poder terminativo, e o Senador Relator é o... Do estatuto? (Pausa.) Não, foi aqui, agora foi para outra Comissão. É o Contarato, pronto. Já lembrei, viu? Eu tenho falha de memória, mas estou lembrando mais do que a equipe aí. O Senador Contarato é o Relator, e, com certeza, nós vamos aprovar o estatuto, que foi construído pela sociedade. Eu só fui o Relator. Tenho certeza de que vai cumprir um papel fundamental. E dizem que eu sou o homem do estatuto, Estatuto do Idoso, da Igualdade Racial, da Pessoa com Deficiência, da Juventude. Agora eu sou autor do estatuto dos animais. (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Não, de nós todos, de nós todos. (Palmas.) Se vocês me permitirem, eu recebi uma lista aqui de autoridades que já estão presentes: - Simone Benck, Reitora da UnDF; - Mário Lima Brasil, Diretor do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da UnB; - Hoeck, me disseram aqui na hora de eu pronunciar, viu? É "Huck" mesmo a pronúncia, me disseram. "Huck", não é? Estou certo? Está escrito aqui diferente, mas é "Huck", porque me explicaram aqui, por isso que eu estou acertando, senão eu teria errado. Hoeck Miranda, representante da Comunidade Fé Bahá'i, essa, eu recebi inúmeras vezes aqui; - Melissa Tamaciro, publicitária; - Ademar Kyotoshi, creio eu; Monge Sato, está aqui conosco; e - os alunos da Escola Verde de Santos, São Paulo, que estão ocupando duas salas, esta e uma outra aqui ao lado. E parte dos alunos que estão aqui apresentaram uma pergunta para a mesa, se não me engano, é isso? (Pausa.) Ah, é depois da reunião? Eu achei que eles queriam que a mesa respondesse. Tudo bem, tudo bem. Eu pergunto, sabemos que todo mundo tem esse compromisso, o objetivo desta atividade foi concluído, que era eleger esta Frente Parlamentar pela Paz, e daqui para a frente, claro, nós vamos nos reunir, com todos os membros, que vou citar aqui: Leila Barros, Flávio Arns, Paulo Paim, Teresa Leitão, Eduardo Girão, Weverton, Mara Gabrilli, Humberto Costa e outros que vão se somar, com certeza, para termos um plano de trabalho, uma pauta coletiva. Bom, vamos ver aqui, são quase 11h. Se tivesse, no plenário, um representante dos alunos que quisesse fazer uma fala sobre esse tema, eu daria a palavra com muita satisfação. E aqui, das autoridades que estão aqui presentes, se alguns quisessem usar a palavra, eu também, pelo menos um ou dois... Seria simbólico para este momento. Um falando pela juventude.... Teríamos, então, dois inscritos falando aqui pelas autoridades; três, pela juventude - para falar da paz. (Pausa.) Pronto, como é o teu nome? Pode levantar. É contigo mesmo, o microfone é teu, e dê o nome. Isso, levante o microfone. Pode falar de pé ou sentado, fique à vontade. O SR. CÁSSIO - Boa tarde a todos. Eu sou aluno da Escola Verde, meu nome é Cássio, tenho 18 anos. E uma coisa que eu quero dizer é sobre a paz. Eu acho bem importante, porque vocês, em vários momentos, falaram tanto da questão do aborto, tanto da questão da escravidão, ou trabalho análogo à escravidão, e... (Pausa.) |
| R | Meu nome é Cássio. E eu acho que, correlacionando todos esses temas, tópicos que vocês disseram... Perdão, estou nervoso. (Risos.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Tudo bem. Vai tranquilo! O SR. CÁSSIO - ... eu acho que o tema do aborto em quesito, com a nova geração, acho que é uma coisa a ser bem pensada, porque, da forma que o senhor... Perdão, qual é o seu nome mesmo? O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE. Fora do microfone.) - Eduardo Girão. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Senador Eduardo Girão. O SR. CÁSSIO - Conforme o Senador Eduardo Girão falou numa hora, deu a entender que essa é uma guerra com a qual a nova geração deve se preocupar. De fato, ela deve se preocupar, mas acho que esse é um peso que muitos ainda não entendem. Eu acho que as leis ou outros projetos devem pensar melhor sobre essa questão em específico. E, sobre um outro assunto, outro tópico que vocês trouxeram - acho que o Senador, não sei, o Ulisses o trouxe -, sobre o trabalho análogo à escravidão, sobre a abolição da escravidão, acho que esse é um tema muito importante também a ser pensado e a ser visto também de outros pontos de vista. Por exemplo, para muitos jovens hoje em dia - e, querendo ou não, várias pesquisas apontam isso -, mesmo com vários projetos para muitos jovens conseguirem um estudo potente, vamos dizer assim, para serem capazes de pensar por si sós, é importante eles saberem sobre a escravidão, essas coisas. E, também, uma coisa sobre o aborto. Eu acho que é bem importante a gente pensar nisso, porque eu estava aqui conversando com alguns colegas e a gente chegou num ponto em que a gente deve pensar no caso de uma mulher. Se uma mulher é estuprada, ela deveria, de fato, carregar esse ser? Porque teve pesquisas dizendo, às vezes, que esse ser nem concebe a vida em si mesmo e eu acho que isso é uma coisa a se pensar sobre, porque acho que várias mulheres, se algum dia fossem ou forem - sei lá, não quero causar problema - estupradas, acho que muitas não gostariam de carregar esse ser em si, porque essa vai ser uma memória dolorosa da vida delas. Acho que isso é uma coisa bem importante de se pontuar, porque eu como filho de uma mulher e irmão de duas mulheres acho que é bem importante a gente visar esse ponto também, de não só "Ah, o aborto é uma coisa criminosa"... Beleza, pode ser considerada criminosa em vários países, só que também tem que se pensar pelo ponto da mulher. A saúde da mulher também está em jogo. Bom, eu acho que todos esses temas... (Palmas.) Só para finalizar, rapidinho, porque eu estou pegando muito tempo, acho que esses três pontos batem de frente com o quesito da paz, porque, querendo ou não, acabam sendo coisas que, por exemplo, a escravidão já foi abolida. Beleza, só que só recentemente, pela ONU, isso foi reconhecido que foi um dos maiores crimes já cometidos pelos seres humanos em relação inter-racial. Eu acho que isso é importante de se colocar. |
| R | E, também, eu acho que a gente deve procurar outras maneiras porque, querendo ou não, a gente já tentou fazer leis, projetos, e a gente está vendo que não está dando certo, não está tendo tanta eficiência; acho que é melhor, assim dizer, nesse quesito de trazer paz ou não, e também no quesito - eu sei que vocês não puxaram, mas eu vou puxar agora - feminicídio, que é uma coisa que está sendo trazida bastante nos últimos anos, até nos últimos meses, que cada vez mais vai sendo posta a jogo, realmente, quais são os dados disso... É uma coisa que eu penso bastante porque, qualquer dia desses, pode ser - como eu falei, eu tenho três mulheres em casa e tenho mulheres como amigas também... Eu acho que é uma coisa a gente se pensar também, porque é uma coisa que bate bastante de frente com a paz. E eu acho que, se a gente - eu não lembro quem falou -, mas que, durante a guerra - eu não sei se eu entendi muito bem... Durante a guerra, é muito difícil ter um diálogo, pois se está sempre naquela visão de ódio, o mais poderoso querendo dar, vamos dizer, o xeque-mate no outro. E eu acho que essas coisas todas... acaba que uma força, como aprendi na física, uma força anula a outra. Então, eu acho que é bem importante a gente pensar, primeiro, numa maneira, numa redução desses pontos, para a gente conseguir pensar, depois, de uma maneira muito mais eficiente para a paz reinar melhor, por exemplo, aqui em Brasília, em Santos, em São Paulo, em outros lugares. Muito obrigado, era isso. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Muito bem. Nós combinamos, aqui na mesa... Como temos ainda um, dois, três, quatro, cinco, seis inscritos - além do Cássio, que já falou, não é, Cássio? -, nós vamos, no encerramento, dar a palavra para o nosso Vice-Presidente e para o nosso Secretário-Geral, e eu dou o encaminhamento final. Mas é importante o debate. O debate sempre é produtivo e vocês colocam um ponto de vista; depois, eles encerram e eu dou o encaminhamento dessa nossa reunião. Estão inscritos aqui, vou conferir para depois não dar problema de eu não ter chamado, vamos ver: Mário Brasil - está certo? O.k. -; Marcos Resende - o.k.? -; Jaqueline Moll - Jaqueline? O Ulisses botou o nome dela aqui. Agora você vai, hein? O chefe mandou. (Risos.) É o nosso chefe aqui. É meu também, eu o considero meu chefe também, viu? Secretário-Executivo. Ele tem poder aqui -; o Hoeck está aqui também; - esse aqui é do cartão - Wílon Wander - o.k.? -; o Monge Sato - seis -; e, por fim, pessoal, porque aí nós temos que encerrar, o Roberto Olivella. O.k.? (Pausa.) |
| R | Nós dois, na verdade, então (Risos.), porque eu a acompanhei, e ele corrigiu. O.k. Passamos a palavra agora, então, por cinco minutos, pessoal, para o Sr. Mário Brasil, da UnB. O SR. MÁRIO LIMA BRASIL - Eu gostaria de cumprimentar a mesa, na pessoa do seu Presidente, o Senador Paulo Paim; gostaria de cumprimentar todos que estão aqui, principalmente a juventude, que é fundamental para a paz. Eu acredito que a paz - falando em nome da Universidade de Brasília e do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, que foi o centro que criou a disciplina Ciência da Paz - precisa ser estudada e precisa ser vivida. Nós temos um encontro que acontece todas as segundas-feiras, no Beijódromo, que é o Memorial Darcy Ribeiro, e nesse encontro nós dissemos uma frase que ficou muito emblemática. Essa frase é uma pergunta: "O que há de paz no que você faz?". Isso eu acho que é uma pergunta que nós temos que fazer toda vez que acordamos, e também "O que há de paz no que você fez?", quando você vai dormir, porque exatamente a paz começa dentro de nós mesmos. Nós temos várias guerras, não só as visíveis, mas também as invisíveis. Nós temos uma guerra profunda do Homo sapiens com o Homo technologicus, porque todo dia nós estamos enfrentando essa guerra. Nós temos uma guerra profunda, também, de gênero, uma guerra - eu vou simbolizar mais ainda - não contra o gênero mulher, mas contra a energia feminina, e eu acho a energia feminina fundamental para este momento da humanidade. (Palmas.) A energia masculina já foi importante no processo primitivo da nossa evolução. Hoje, eu acredito que uma grande causa dos nossos conflitos e das guerras é exatamente essa energia masculina, representada principalmente pelos homens, mas não só pelos homens. Não veem que é preciso agora, neste momento, para que a humanidade evolua e dê um salto civilizatório, a energia feminina. E o que fazemos nós hoje? Atacamos isso - e podemos ver isso pelos índices de feminicídio. |
| R | Temos uma guerra também acontecendo diariamente contra o simbolismo do que vem a ser a mãe; e a mãe nossa, hoje, simbólica, é o nosso planeta, é a natureza. E nós estamos numa guerra permanente com a natureza. Já passaram os cinco minutos? Estou contando aqui. (Risos.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Você tem um minuto, pelo que estou vendo lá. O SR. MÁRIO LIMA BRASIL - Tá. Então, eu acredito que a outra guerra que nós temos também - e aí eu já vou começando a concluir - é a guerra pelo poder, que é o que está acontecendo hoje no mundo, a guerra visível, digamos assim. Então, eu acho que a criação desta frente parlamentar e de todas as frentes que seja possível serem criadas: no caso da nossa disciplina, é uma frente; esse encontro agora é uma frente; a União Planetária é uma frente, e todas as outras instituições que estão sendo criadas são pequenas gotas, é verdade - são pequenas gotas. Mas eu gostaria de terminar exatamente deixando uma frase de uma mulher, de uma força feminina, que simbolizou muito essa paz, Madre Teresa de Calcutá. Na sua fragilidade, um repórter arrogante perguntou a ela: "Mas você, tão frágil, tão pequena, o que acha que vai conseguir fazendo essas pequenas caridades? Isso é só uma gota". E ela respondeu da seguinte forma: "Sim, é uma gota no oceano, você tem razão. Mas eu tenho certeza de que, depois de todas essas ações, o oceano vai ser uma gota maior". Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Muito bem. Esse foi Mário Brasil, que falou pela UnB. Só para registro, tanto no meu pronunciamento como também no dos outros dois, foi falado do feminicídio. Só para registro, nós falamos do feminicídio. Eu garanto aqui uma cópia do meu pronunciamento por escrito, porque um dos pontos é o feminicídio. E também quero falar, Mário Brasil, da importância, na tua fala, da questão das mulheres. Veja que, na nossa frente temos ali a Mara Gabrilli e temos também a Leila Barros... (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - E a Teresa Leitão. Temos três mulheres que ajudarão muito essa frente parlamentar. Eu concordo plenamente com você, mais do que nunca é fundamental a presença das mulheres. Eu cheguei a apresentar um projeto aqui no Congresso, dizendo que toda audiência pública tinha que ser meio a meio: metade mulher; metade homem. E veja o que eu vou dizer, e eu vim dessa área, do movimento sindical: a maior dificuldade é termos a quantidade suficiente de mulheres para estar nos debates. Mas eu concordo plenamente, as mulheres são a luz. Está aí o Dia das Mães, que é nesse domingo. Vamos dar uma salva de palmas para todas as mães adotantes, mães solo, todas as mães, porque mãe não é só aquela que gera. (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Eu vou passar agora para o Marcos Resende, da Sociedade Teosófica. Em seguida vai ser você, Wílon, que ficou preocupado. Foi o primeiro a levantar a mão, e eu talvez não tenha visto. (Intervenção fora do microfone.) (Risos.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Então, vamos lá. Marcos Resende, da Sociedade Teosófica. Em seguida, o Wílon Wander. O SR. MARCOS RESENDE - Bom dia a todos. Cumprimento a mesa. Eu gostaria de dizer que esse encontro, esse evento, essa iniciativa tem uma importância muito maior do que a gente possa imaginar, porque Platão já dizia que as ideias governam o mundo. Dr. Ulisses colocou muito bem que durante quatro séculos se aceitou a escravidão, e hoje é uma coisa inaceitável, porque a mentalidade mudou. Se a gente olhar a questão do estado de uma sociedade, todos os países não aceitam que você vá resolver o seu problema na violência, em você matar o outro porque tem uma divergência. Quem agir assim vai sofrer a sanção do Estado, vai para a prisão, vai responder a um processo. Por que no plano internacional alguns líderes com uma mentalidade do século passado acham que as divergências entre os países podem ser resolvidas na base da matança? Isso é inaceitável! Essa é uma mentalidade velha, do século passado, que vai mudar. (Palmas.) Vai mudar porque hoje o mundo é interconectado e, no século passado, não era. Hoje, o que acontece lá você está sabendo instantaneamente. E iniciativas como essa são iniciativas corajosas de romper com esse passado, para que os líderes mundiais, os governantes dos países sejam tão civilizados quanto a sociedade já tenta ser, não aceitando a violência. Então eu vejo que esse evento vai reverberar, como bem colocou o Senador Girão. Hoje o Presidente do Brasil está lá, encontrando o Presidente americano. O Brasil é um país pacifista, tanto que, lá na Assembleia da ONU, é o Presidente brasileiro que fala primeiro, porque, na época da organização da ONU, o Brasil foi um dos mais ativos para a criação da própria ONU. Só que a ONU hoje está muito fragilizada, sem poder nenhum. Então, algum novo acordo tem que surgir, uma nova ordem mundial, para que o mundo não aceite mais que se resolvam as diferenças na base da matança. Então, a energia que se coloca aqui no plano mental reverbera no mundo das ideias. E conforme o Dr. Ulisses colocou, acreditando e realmente tendo a coragem de, em um ambiente como esse, falar de paz, falar dessas necessárias transformações, isso reverbera muito e tem o efeito de transformar a mentalidade coletiva. Era só essa a contribuição que eu queria dar. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Marcos Resende, Sociedade Teosófica. Passo a palavra agora, conforme solicitado, para o Sr. Wílon Wander Lopes, Vice-Presidente da União Planetária. (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Só ajuste o microfone aí de pé. Pronto. |
| R | O SR. WÍLON WANDER LOPES - Senador Paulo Paim, Presidente, Senador Flávio Arns, que, infelizmente, não está presente, mas tenho certeza de que está muito atento a isto aqui, Senador Girão e demais presentes, meu querido amigo que ocupou a tribuna, da Universidade Brasília, fui Presidente da Federação dos Estudantes da Universidade Brasília especialmente quando ela foi invadida para acabar com a Universidade de Brasília... Eu estou, Presidente Paulo Paim, em Brasília desde 1959. A primeira preocupação que eu pessoalmente tive foi exatamente ver que vinha para Brasília gente de todo o Brasil, do Pará, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, como é o meu caso, do Amazonas, e que essas pessoas não se entendiam, porque vinham de lugares diferentes. Então, era preciso fazer isto que está sendo feito aqui hoje: reunir as pessoas para construir esta maravilha que foi a maior obra dos brasileiros, Brasília! (Palmas.) Foi assim, Senadores, unindo as pessoas que temos esta obra maravilhosa que é Brasília, que temos este Senado com os três Poderes funcionando na nossa Brasília. Inclusive, eu sou servidor aposentado do Senado, depois de ser demitido por ter lutado pela representação política no Distrito Federal e por um absurdo que muito pouca gente aqui sabe. No movimento militar, tiraram Brasília como capital da República, sabiam disso? Consultem as Constituições de 1967 e de 1969. Para que houvesse a mudança da capital federal para outro lugar, Senador Paulo Paim, colocaram lá, nas Constituições de 1967 e de 1969 que a capital do Brasil era o Distrito Federal. Um absurdo! Lutei contra isso e fui demitido do Senado. Depois, eu consegui, na anistia, Senador Paulo Paim, a minha aposentadoria por esta Casa que já foi o Poder Legislativo do Distrito Federal. Por isso, mais um motivo para que nós aqui nos reunamos para resolver este problema tão sério, quando o Presidente Trump faz uma guerra, em que está gastando bilhões de dólares, contra a vontade dos americanos - e quer o título de Nobel da Paz... Precisamos ter cuidado com isso. Eu sou idealista, mas sou principalmente uma pessoa muito prática. Tem gente ganhando para não ter paz! Tem indústria armamentista que fatura o que já se disse muitas vezes em muitos lugares: só o dinheiro que a indústria armamentista fatura daria para matar a fome de todo mundo! |
| R | Desculpe a ênfase, mas é que me magoa, aos 81 anos... Eu quero sair desse mundo, quando sair... num mundo tranquilo, num mundo em que haja amor. Também há muita gente contra o amor. Por exemplo, esse movimento violento que vocês estão vendo aí, de todas as televisões, rádios, falarem que os homens estão contra as mulheres, feminicídio, essa coisa toda. Tem gente ganhando dinheiro para isso! Se destruírem a família, em vez de ter, por exemplo, numa casa, um almoço em que se gasta R$50, para cinco pessoas, vai ter gente ganhando dinheiro, porque vão ter cinco pessoas em locais diferentes pagando pelo almoço. Então, essa questão prática, essa questão de inteligência, de lógica, nós temos que colocar aqui, Senador Paulo Paim, como as nossas preocupações. Tem gente muito inteligente, como o tal Vorcaro, que todos aqui agora conhecem, que usaram dinheiro, sexo e amor para fazer essa coisa, esse escândalo doido que está aí. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Um minuto. Cinco já foram. Eu dei mais dois. O SR. WÍLON WANDER LOPES (Fora do microfone.) - Somos animais racionais, mas a racionalidade que Deus nos deu... Em vez de fazer o que Deus recomendou, que é amar o próximo como a si mesmo, nós fizemos bomba nuclear com essa inteligência que Deus nos deu, de maneira tal que o idiota que apertar um botão destrói toda a Terra, inclusive o idiota que apertou o botão. Isso é racionalidade? Então, Senador Paulo Paim, o sistema, o chamado sistema... E nós falamos aqui em poder, na luta pelo poder. Não é à toa que nós estamos num Poder, e Brasília - infelizmente, a minha cidade, a cidade que eu ajudei a construir - está com uma imagem horrível no Brasil, porque infelizmente, quando se fala desses escândalos, GDF, BRB, Master, Vorcaro e tal, a palavra que vem sempre junto é "Brasília". Então, eu queria, finalmente, dizer, Senador Paulo Paim, para me desculpar por essa ênfase, mas que aos 81 anos, como disse, eu estou preocupado em deixar um mundo pior do que eu encontrei. Eu queria sair desse mundo, mas quando sair - pela morte, que é uma coisa que vai acontecer com todo mundo -, que esse mundo ficasse melhor. Estou vendo que está ficando pior. Estou frustrado com isso. Por isso, essa minha ênfase aqui. |
| R | Finalmente, eu queria dizer que é muito preocupante a questão que nós temos também que analisar, que, à medida que esse movimento aqui começar a crescer, muita gente vai vir e procurar fazer com que nós mesmos, que estamos aqui unidos, comecemos - com uma ideia aqui, outra ideia ali, uma ideia vermelha para cá, uma ideia azul para lá - a nos dividir. Cuidado com isso! Nós precisamos, Senador Paulo Paim, seguir o seu exemplo de vida, inclusive: unir, unir, união pelas coisas boas, pelo amor, pela felicidade. Nós estamos nesse mundo aqui, se usarmos da nossa inteligência de animais racionais, para seguir o exemplo dos animais que vivem de uma maneira assim maravilhosa, e nós, que somos racionais, ficamos aí nos envolvendo nessa guerra. É agora o final para cada um sentir no bolso que nós estamos falando aqui de amor, e o tal do dinheiro é sempre contra o amor. A guerra que está se realizando - Estados Unidos e Irã -, nós estamos pagando: eu, você, ele! Mas que loucura esse cara está dizendo! Na hora em que a gasolina passa de R$6 para R$6,50, esses R$0,50 que saem do nosso bolso são para manter a guerra do Irã! Alguém tem dúvida disso? O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Concluindo, companheiro. O SR. WÍLON WANDER LOPES - Muito obrigado, Senador Paulo Paim; muito obrigado, Ulisses; muito obrigado, Senador Girão. Que coisa maravilhosa que o Senado da República, instalado na nossa Brasília... Inclusive, cuida da imagem do Senado, que não está bem, cuida da imagem dos três Poderes, que não está bem, fazendo esse trabalho aqui, que - eu tenho absoluta certeza -, se nós nos unirmos com inteligência, nós vamos conseguir o nosso objetivo. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Muito bem! Esse foi o Sr. Wílon Wander Lopes, Vice-Presidente da União Planetária. Passamos a palavra de imediato a Jaqueline Moll, União Planetária. A SRA. JAQUELINE MOLL - Bom dia! É uma alegria muito grande estar aqui de novo. Estivemos há poucos dias num debate já da Frente pela Paz. Eu venho lá no Rio Grande do Sul, da Universidade Federal, estive no MEC muitos anos e estou de volta à Brasília, a convite do Ulisses, que é esse homem extraordinário, que não nos deixa esquecer as coisas que são importantes, e que tem nos ajudado a fazer essa construção, que, inclusive, é de uma mudança de paradigma: de um paradigma racional, frio, que vê as coisas de forma utilitária, para um paradigma que nos conecta à vida e aos compromissos, sobretudo com os jovens. Eu acho que o grande presente, querido Ulisses, dessa manhã é ter esses jovens que se manifestaram - tivemos uma manifestação representando o conjunto -, porque é para eles. Rapidamente, eu quero cumprir os cinco minutos - esse é o problema de um professor quando começa a falar, cinco minutos é pouco! -, mas eu quero falar de outro Paulo, querido Senador Paulo Paim, lá da nossa Querência; quero falar de Paulo Freire, esse pedagogo do amor, tão atacado... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Paulo Freire! A SRA. JAQUELINE MOLL - ... tão desconhecido. (Palmas.) E eu poderia usar muitas frases dele, muitas ideias, que eu acho que é preciso entender: é o maior pedagogo reverenciado no mundo hoje. Grandes universidades... A gente chega à universidade da cidade de Los Angeles, tem uma imagem imensa do Paulo Freire. O Paulo Freire não pode ser reduzido a nenhum tipo de caricatura. Ele dizia, entre tantas outras coisas, que não há futuro se o presente não for transformado. E não tem outro jeito de transformar o presente, senão por processos educativos. |
| R | Naquele outro dia que aqui estivemos, eu já mencionava o Manifesto de Sevilha, da Unesco, que comprova, lá nos anos 80... Federico Mayor, que era o Presidente da Unesco, pede um estudo, pede uma equipe multidisciplinar, e muitos cientistas do mundo afirmam que nós não nascemos violentos, a violência não está na nossa genética, nós aprendemos a violência. E aí eu me lembrava do Mandela naquele dia, se a gente aprende a odiar, a gente tem que aprender a amar, e tem que ter coragem. Se paz é verbo, amor também tem que ser verbo. Isso a gente tem que exercitar, sobretudo com as crianças e jovens, porque a maior preocupação é que mundo a gente está apresentando para eles. Quando eles ligam a televisão ou entram nas redes, são crimes, estupros, feminicídio. Como é que a gente... Que mundo a gente está apresentando para vocês? Eles merecem outra coisa. Nós criamos, além da Ciência da Paz, nossa disciplina que já está no terceiro semestre - temos vários alunos aqui da disciplina Ciência da Paz conosco hoje, três semestres junto com a Profa. Nair Bicalho, que também esteve aqui no outro dia, proposição do Ulisses também para a universidade -, nós criamos e estamos trabalhando em uma rede de instituições educativas por uma ciência da paz e, para usar a expressão do Darcy Ribeiro, por "fazimentos pela paz". A paz não é só uma ideia, né? A paz é um exercício cotidiano de viver bem consigo mesmo, com os outros e de ter compromisso com a verdade. Aí a gente pode falar um pouco da pedagogia das virtudes. Quer dizer, como é que a gente segue pelo mundo sem um código básico de conduta ética, inclusive para ensinar para as crianças e jovens? As pessoas mentem descaradamente. Nós temos que ensinar para os meninos e meninas o compromisso com a verdade, o compromisso com a ideia de fazermos esse mundo em que todas as pessoas caibam - a insígnia dos fóruns mundiais, dos quais Porto Alegre foi a grande cidade há décadas -, mas essa ideia de que o mundo tem que ser para todos, a dignidade humana, essa ideia de... Como é que se pode matar quatro mulheres por dia no Brasil? É importante que se fale de feminicídio. É falta de amor, sem dúvida é falta de amor. Mas, ao mesmo tempo, nós estamos destruindo a natureza, porque nós destruímos as matrizes da vida. Esse modelo, nós temos que superar, inclusive de ciência, que é utilitário e que também utiliza as pessoas, porque nós temos que conseguir enfrentar o 6x1 no trabalho. Se a gente quer que as famílias vivam de outro modo, os pais e mães têm que ter mais tempo com seus filhos, porque há formas de escravidão modernas, embora a escravidão não esteja na lei. Então, nós estamos todos metidos num grande trabalho e voltaremos aqui muitas vezes, porque o Senado da República tem um papel muito importante. Sempre que penso no Senado, penso em Darcy Ribeiro, e ele dizia que a nossa grande capacidade é a capacidade de reinventar o mundo em que a gente está, e a capacidade de reinventar o Brasil passa também por esta Comissão. Muito obrigada, Senador Paim, Senador Girão e Ulisses. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Bela lembrança do Darcy Ribeiro. Eu só vou fazer uma ligação de como... O Darcy foi de fato um homem que fazia a diferença. |
| R | E, quando ele falece, assume - eu tenho a foto bem grande lá no meu gabinete, deste tamanho - o Abdias, o Abdias do Nascimento. Eles se completavam. O Abdias do Nascimento era suplente dele. O Abdias escreveu também a história, na linha do que foi falado; e tu deste o gancho aí do Mandela, que usou aquela frase: as crianças não nascem odiando, são ensinadas a odiar. É isso que você... Elas podem ser ensinadas a amar. Parabéns pela fala. (Palmas.) Agora, eu passo a palavra para o Huck. É o centroavante lá do Atlético? (Risos.) Hoeck, da Comunidade Fé Bahá'í. O SR. HOECK MIRANDA - Sou muito ruim de futebol, particularmente. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Ele é disputado lá. Querem levá-lo para outro time. O SR. HOECK MIRANDA - Senador, na sua pessoa, gostaria de cumprimentar toda a Mesa e agradecer esta oportunidade de poder falar em nome da Comunidade Bahá'í de Brasília. Os ensinamentos bahá'ís pregam que chegou o momento de a humanidade se unir. Em uma das citações, ela diz o seguinte: "O tabernáculo da unidade foi erguido; não vos considereis uns aos outros como estranhos". O tabernáculo era aquela estrutura na qual os judeus guardavam a Arca da Aliança e pelo deserto a carregavam; e se dirigiam ao Ser Supremo através do tabernáculo, que era o símbolo da presença do Ser Supremo, guiando aquele povo. Então, o tabernáculo é algo sagrado; o tabernáculo foi erguido. "Não vos considereis uns aos outros como estranhos." Então, Senador, eu me sinto profundamente emocionado, porque penso na unidade mundial desde os 19 anos, depois de ter feito um curso da História da Civilização, com o único professor negro que eu tive em toda a minha vida, que me marcou profundamente. Eu me tornei bahá'í porque acredito na unidade mundial. E, como esta celebração de hoje é da Frente Parlamentar pela Paz Mundial, seria muito importante que esta frente parlamentar se unisse com outras frentes parlamentares no mundo inteiro. (Palmas.) Como o Dr. Ulisses mencionou um poder... Para o Poder Legislativo é muito importante fazer as leis, e todo o universo é organizado com leis, tanto no mundo material quanto no mundo espiritual. Então, elaborar leis é um projeto muito especial, que necessita de pessoas especiais. E nós, como membros da sociedade civil, depositamos em cada um dos senhores - Senadores, Deputados, Vereadores - muita esperança. E nós não podemos ver esse sistema sendo destruído, seja o Poder Legislativo, o Executivo ou o Judiciário, porque o mundo precisa de ordem. Todo o universo é muito bem-ordenado através de uma sabedoria suprema. Então, nós precisamos disso. |
| R | E aí, Senador, eu tenho certeza de que os senhores, como o Dr. Ulisses Riedel muito bem colocou e o senhor também enfatizou, terão que recorrer à sociedade civil organizada, a instituições como o Ceam. Eu tenho a honra de estar aqui sentado ao lado do Prof. Mário Brasil e tive a honra de ter uma proposta de trabalho, como professor voluntário no Ceam, para implantar a disciplina Espiritualidade. Quando nós falamos de amor, nós estamos falando de uma característica da espiritualidade humana que todos têm. Pode não manifestar o amor, mas ele é parte da nossa natureza, porque somos seres perfeitos de materialidade e espiritualidade, e o amor faz parte das nossas fortalezas, qualidades e virtudes. Então, o senhor enfatizou muito o amor, e desejamos que esse amor seja, realmente, a nossa estrela-guia. Gostaria, seguindo a linha do que o Senador Eduardo Girão levantou, de mencionar palavras sagradas, do que Jesus falou 2 mil anos atrás, quando apontou em direção ao futuro da humanidade - isso está em João 10:16 - e disse: "Haverá um [...] rebanho e um [...] pastor". Como nós vamos conseguir a paz enquanto existir qualquer tipo de desunião no mundo, seja de raça, de nacionalidade, de religião, social, econômica, política? Nós já fomos alertados há 2 mil anos de que o futuro da humanidade é um futuro de unidade: "Haverá um [...] rebanho e um [...] pastor". Então, Senador, eu desejo ao senhor e a toda a constituição desta frente parlamentar: unam-se com todos os países do mundo, não importem as ideologias, não importem as religiões. Eu vejo, por exemplo, muito ataque à religião islâmica na internet, ataques terríveis, e, no entanto, a revelação de Deus a Mohammed é extraordinária. Estudei o Alcorão, publiquei um livro sobre o Alcorão - O Alcorão e a Unidade das Religiões - e vejo que esses ataques nos afastam da comunidade islâmica, nos afastam dos povos árabes desnecessariamente. Precisamos, como um país pacífico, estar com relações perfeitas, amigáveis e amorosas com todos os países do mundo. Muito obrigado pela oportunidade. Vida longa, como disse o Dr. Ulisses, à Comissão! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Muito bem, Hoeck, que falou pela Comunidade Fé Bahá'í. Parabéns pela fala! A sua proposta ficou registrada, de que o sonho seria nós conseguirmos unificar todas as frentes parlamentares pela paz do mundo. Parabéns pela sua iniciativa de propor. (Palmas.) Eu passo a palavra, neste momento, ao Monge Budista Sato. Sabiam que eu leio bastante sobre Buda? Eu gosto dessa história, é uma história bonita. É com o senhor. O SR. KYOTOSHI SATO - Antes de mais nada, queria cumprimentar essa plateia tão significativa e também a Mesa, recordando com muita saudade o Senador Paulo Paim, que eu conheço desde a primeira legislatura. |
| R | Este ano, era meu desejo que o Dr. Ulisses retornasse dignamente a esta Casa, mas hoje entendo as razões dele, que não são apenas de idade. Disse que tem 90 anos - disse publicamente -; certamente, mais de 70 anos voltados à causa pública e certamente ele vai continuar nesta função tão importante. Ele continua como minha referência de homem público por excelência. Parabéns a todos vocês, à Mesa e à decisão do Dr. Ulisses de continuar na causa pública, como homem público por excelência que é. Muito obrigado a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Parabéns ao Monge Sato, budista, que com poucas palavras disse tudo. Homenageou toda a Mesa e reforçou, claro, Ulisses, que é o nosso mentor da proposta. Fez muito bem. Parabéns! Eu passo a palavra, neste momento, a Roberto Olivella, Presidente da Confederação Nacional das Oscips/BR. O SR. ROBERTO OLIVELLA - Olha, é um imenso prazer estar aqui com todos vocês... Não sei se está ligado. (Fora do microfone.) É um imenso prazer estar aqui com vocês hoje; estou muito emocionado. Estou olhando o meu bichinho ali, que eu amo de paixão, Ulisses Riedel, e eu tenho aqui hoje umas referências. Eu estou me sentindo um laboratório de tudo que vocês falaram aqui. Estou muito emocionado. Um pouquinho só de história: primeiro, eu sou filho de uma mãe analfabeta, de uma família de trabalhadores rurais sem terra do interior do Estado do Rio de Janeiro. Essa mulher se alfabetizou com 45 anos de idade e, quando ela se alfabetizou, ela conheceu o kardecismo, e os primeiros livrinhos dela foram o Pentateuco do Kardec. E pegou esse moleque aqui - sem pai, criado na rua, sem referenciais - e me botava para estudar o Pentateuco - Kardec. Eu sinto que ela está aqui presente, emocionada como eu. Depois, eu cheguei no Rio de Janeiro - vindo da roça, do interior - e fui morar na favela do Santo Cristo, desempregado. Lá eu tive a felicidade de entrar em uma empresa, por concurso, chamada Metrô do Rio de Janeiro - eu sou um metroviário. E lá eu tive uma outra felicidade - porque Ele é tão justo que, quando se tiram coisas essenciais de um, Ele dá outras oportunidades -: de conhecer um sindicalista metalúrgico de Niterói; um negro, que pegou esse menino completamente despolitizado e desprotegido e acolheu e politizou: Geraldo Cândido da Silva, Presidente do Sindicato dos Metroviários. (Palmas.) Eu o chamo de Geraldinho. Ele frequentava a minha casinha e eu frequentava a casinha dele, e me politizou. Virou Senador da República um período, Geraldo Cândido da Silva. |
| R | E aí, num determinado momento, nós éramos uma categoria de 5 mil funcionários. Um dia - e eu sou hiperativo, falava com todos -, acabei sendo eleito Diretor do Sindicato dos Metroviários; transformamos a associação em sindicato e eu fui o Diretor eleito. E me deram uma missão: preparar um acordo coletivo para uma empresa dominada pela elite da direita que veio da Petrobras - o SNI estava lá dentro e eu não sabia. "Como é que eu vou fazer isso?". Aí, o Geraldo falou assim, o Geraldinho, nosso Presidente: "Você vai a Brasília conhecer o nosso mentor na área sindical". Eu falei: "Quem é esse cara?". "Ulisses Riedel - tem quarenta e poucos anos isso, amigo, companheiro -, o Ulisses Riedel". Falei: "Rapaz, eu vou a Brasília falar com ele?". "Você vai". "Vou de quê?" - achei que era de avião. "Nós não temos dinheiro, você vai de ônibus". Rapaz... Enfim, conheci essa figurinha, foi amor à primeira vista. Ele me ensinou o que eu precisava, voltei, conseguimos uma negociação célebre na história do metrô do Rio de Janeiro. Vencemos, conseguimos um acordo, pela primeira vez na história do metrô do Rio de Janeiro. Papai do Céu, sempre, para aqueles que procuram a luz, oferece a luz. A partir daí, do sindicalismo, eu comecei a conhecer a história desse senhor que está aí no meio, que para nós é o Paim - nosso companheiro, o Paim. (Intervenção fora do microfone.) O SR. ROBERTO OLIVELLA - Pronto. E aí, acompanhamos sempre a sua trajetória, Senador. Você é um símbolo para nós. Muito bem. Comecei com o Pentateuco, com os valores, a mãezinha aqui do lado, coladinha, muito bem. Aí, eu vinha conversar com esse moço aqui, e ele dizia assim para mim: "Você conhece a teosofia?". Aí, conheci a teosofia. "Você conhece o vegetarianismo?". Aí, conheci o vegetarianismo. Então, é para dizer para vocês a importância... Eu estou me sentindo uma mãe solo, perseguida, sozinha, uma guerreira... Eu tive uma mãe de leite que me criou, uma negra que me criou. Então, assim, na minha vida... E aí, Senadores, nós, hoje, estamos na seguinte situação: o Presidente Lula baixou a LCP 224, de 2025, que vai obrigar que 900 mil OSCs corram para se certificar como Oscips, para ficarem livres dos maiores tributos do mundo, que são os tributos do Brasil; serão Oscips. Eu sou Presidente da confederação das Oscips. Falou-se aqui em terceiro setor; nós precisamos nos unir, porque eu estou sentindo uma energia poderosa aqui, eu não estou conseguindo nem segurar a onda. Então, eu queria dizer o seguinte: vamos conversar, porque nós somos um instrumento estratégico de organização dessas 900 mil OSCs que vão correr, desesperadas, para ficarem livres dos poderosos tributos - somente se certificando como Oscips para ficarem isentas. Eu vim aqui com essa missão, porque o meu contrato espiritual passa em direção aos desvalidos, aos vulneráveis - principalmente os que estão nas pontas, como milhões de comunitários. Nós precisamos resgatar isso, organizar isso e estruturar isso. Então, eu vim aqui com essa missão; não tinha pretensão de falar, eu vim em amor ao meu patrono. Nós montamos uma cooperativa, Senadores, chamada Multicoop, que fez sucesso no mundo, pequenininha. Fomos para a Eco Rio 92 com um projeto com a UFRGS, que arrebentou, e nós andamos por 42 países. Imagina um filho de uma família de analfabetos no interior da área rural chegar a Genebra, Suíça, para ganhar um prêmio, graças a esse mocinho aqui maravilhoso, que falou: "estrutura a multimater, porque eles têm que ter uma cooperativa-mãe." Aí nós criamos a Multicoop. Foi premiada em agosto de 1992, diretamente pelo Boutros Boutros-Ghali, como a primeira cooperativa ambiental e ecológica do planeta. Ela está viva, a resgatamos no passado para operar uma central nacional de cooperativas da economia ecológica. |
| R | O Ulisses Riedel - comigo - implantou a primeira Federação das Oscips aqui em Brasília. Ele é fundador, nosso Diretor Internacional até hoje. E agora nós estamos resgatando-a como um instrumento estratégico de quase 1 milhão de OSCs que vão se certificar como Oscips para ficarem livres dos poderosos tributos. Eu faço um apelo, porque eu estou com 73 anos. Eu, às vezes, acho que eu estou velho demais, mas eu lembro sempre dele, 92, estou com 73, e falei: rapaz, ainda tenho alguma coisa para deixar. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Tem fôlego ainda. O SR. ROBERTO OLIVELLA - Não, um legado. Então, eu queria colocar isso disponível totalmente, para a gente trazer a questão da paz; da mulher, porque eu tive uma mãe guerreira, como já contei; a questão dos afrodescendentes, nós temos representantes dos afrodescendentes na confederação; indígenas, nós temos três diretores indígenas, que são líderes. É só isso. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Muito bem, Roberto Olivella, Presidente da Confederação Nacional das Oscips. E só para lembrar, porque só se fala do Ulisses, eu também tenho que falar uma coisinha do Ulisses. O Ulisses foi o criador do Diap (Departamento Intersindical da Assessoria Parlamentar), para nos ajudar aqui dentro, inclusive na Constituinte, não é, Ulisses? O trabalho de vocês foi brilhante - brilhante, brilhante! (Palmas.) Eu quero registrar a presença de Elza Miranda, representante da Unipaz, que está aqui no plenário conosco. Palmas para você. (Palmas.) Agora vamos para as considerações finais. Passo a palavra para o Senador Girão. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Muito obrigado, Presidente Paulo Paim. Olha, que momento rico, proveitoso que a gente está ouvindo aqui, depois dessa... O senhor foi muito feliz quando abriu a palavra para alguns se manifestarem aqui. Eu só tenho que parabenizá-lo. E antes de fazer umas considerações, só dar uma pincelada em alguma fala, tenho uma questão prática muito importante: eu e o Senador Paulo Paim não vamos concorrer à reeleição. É algo já decidido, e já tem uma missão para o senhor, meu secretário-geral, porque essa semente precisa ser regada, não é? Eu tenho certeza de que outros que virão ou que ficarão aqui vão dar sequência, mas é muito importante, e eu já me coloco à disposição para a Vice-Presidência, a segunda Vice-Presidência. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Flávio Arns é o primeiro. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - É, então já me coloco à disposição para, se tiver necessidade, para que não haja solução, por uma questão de continuidade, que você pode já fazer as adequações, porque... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Eu quero só dizer que ele já falou isso no Plenário comigo, inclusive. (Palmas.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Falei ontem, anteontem. E quero dizer - olha que bacana isto aqui - a gente pode ter divergências. Isso faz parte do ser humano, a democracia é isso. Divergência de posicionamento, mas o respeito é a regra da boa convivência. Falou-se em futebol aqui, ele fez a brincadeira do Hulk com o senhor, não é? E eu venho do futebol, fui Presidente do Fortaleza Esporte Clube. E a primeira atitude que eu fiz, como Presidente, foi visitar o meu principal adversário, que antes se chamava de rival, que é o Ceará. Eu fui à sede me apresentar e construir ações pela paz, porque existiam cinco a seis mortes por clássico. Um estava com a camisa de um time e o outro estava com outra, e matavam por isso. Isso em 2017. E nós conseguimos, com algumas atitudes, zerar isso, desarmando os espíritos. |
| R | Uma frase que eu sempre repito é a seguinte: nós podemos ser adversários... É como na política o futebol. Eu, por exemplo, tenho pensamentos antagônicos aqui a propostas do Paim e ele os tem em relação às minhas, mas a gente se respeita. E a gente acaba aprendendo e vai buscando um consenso em algumas situações. E aprovamos, por unanimidade, projetos inimagináveis. Então, nós podemos ser adversários, jamais inimigos. (Palmas.) Afinal, nós somos irmãos, filhos do mesmo Deus. E a sua mãezinha, de quem o senhor falou, Sr. Roberto... Eu tive o privilégio... Um dos poucos projetos que eu aprovei aqui foi o do Dia Nacional do Espiritismo. Um projeto de autoria nossa, que já foi sancionado e já virou lei, dia 18 de abril. E acolho todas as religiões. É fundamental, como o senhor colocou - eu me preocupo -, em relação a alguns discursos sobre o islamismo... A gente tem que acolher. A gente tem que, a humanidade... Isso é a beleza da humanidade. Uma vez eu me perdi lá na Palestina e fui muito bem tratado pelos palestinos. Eu me perdi. Fiquei lá. O ônibus foi, eu fiquei e fui muito bem acolhido. Então, acho que isso é importante nesse momento em que a gente vive. Cássio, quero lhe dar os parabéns pelas suas palavras. Essa é uma dúvida que existe, é um assunto até polêmico, mas, da mesma forma como o Ulisses colocou aqui, que a escravidão... E tem até a Lei do Ventre Livre, quando a gente fala de aborto. Olha a similaridade dos temas que você colocou. Da mesma forma que a escravidão, é algo inimaginável a gente voltar no tempo e defender uma sandice dessas, que em quatro séculos foi permitida... E o meu estado, o Estado do Ceará foi o primeiro a libertar os escravos - por isso que nós somos Terra da Luz -, cinco anos antes da Lei Áurea. Nós temos esse assunto e eu não tenho dúvida de que nós vamos ver, antes de quatro séculos - se Deus quiser! -, que o aborto não vai mais ser permitido na humanidade. Sabe por quê? E aí eu agradeço a sua pergunta, porque nós temos aqui o que é o aborto. É importante a gente saber. E aí tem a lei, que a gente respeita, que diz que mulheres que foram estupradas têm o direito de fazer a interrupção. Isso aí é algo que a humanidade vai debatendo e faz parte do processo. Mas está aqui: isso aqui é uma criança com 11 semanas de gestação. Não dá para ver aí atrás, mas tem o fígado, tem os rins. A diferença dela para nós é o tempo só. Esse é o período em que é feito o aborto. (Intervenção fora do microfone.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Hã? (Intervenção fora do microfone.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco/NOVO - CE) - Aí é que está o detalhe. Não sou eu que estou falando, é a ciência que diz isso. A ciência diz que tem, sim, o fígado formado e os rins formados. Não, a gente não vai, numa audiência de paz, absolutamente, discutir. |
| R | Agora, eu peço, inclusive, a vocês, que são estudiosos, e eu acho muito bonito isso, que a gente possa ver... Tem uma revista chamada British Psychiatry Journal, que mostra, exatamente, que não é a vida desse bebê que está em risco com o aborto; a saúde da mulher fica com consequências, sequelas emocionais, psicológicas, mentais e físicas para o resto da vida, a partir da prática do aborto - são duas vidas -, inclusive, o índice maior de depressão, o índice maior de envolvimento com álcool e drogas e o suicídio! Então, esse é um assunto que a gente precisa tirar de baixo do tapete e debater, respeitando as opiniões, claro, sempre, mas isso é o despertar que a gente precisa nesse milênio. Então, eu quero parabenizar todos que aqui estiveram e dizer que nós temos um grande desafio nessa Frente Parlamentar da Paz para não deixar, absolutamente, ideologia, Ulisses, tomar conta, seja em qual setor, ou na educação ou na questão de processos legislativos... Eu acho que o que nos une é exatamente a beleza da vida, a beleza em defesa de direitos e de princípios. Deus abençoe a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Muito bem, muito bem, Senador Girão. É como disse o Senador Girão: a gente tem divergências, cada um pensa de um jeito, mas o debate sempre é salutar. Mas permita-me, Senador Girão, que eu diga isso aqui no Plenário: todo mundo sabe que eu sou um militante da causa do povo negro, ninguém tem dúvida quanto a isso. E, por duas vezes, inclusive nesta Comissão e no Plenário... Porque política de cotas não existia antes da Constituinte, o Senador Girão tinha uma opção diferente da minha. Eu fiz todo o movimento no Plenário, aqui na Comissão, para aprovar a política de cotas, tanto na universidade como no serviço público. Está lá, no meu currículo, que trabalhei muito e conseguimos acertar. E o Senador Girão, que tinha um pensamento diferente: "Olha, Paim, a forma de eu te ajudar é: no Plenário, eu posso votar contra, mas não vou pedir verificação de quórum"; e não pediu. Você estava lá, você é um dos poucos que estava lá que era contra, não é? Se ele pedisse verificação, ia cair a sessão, ia cair, e ele não pediu a verificação. A mesma coisa aqui, nesta Comissão. Então, podemos divergir em alguns temas, mas temos também respeito um pelo outro. (Palmas.) Esse exemplo das cotas mostra que você, de uma forma ou de outra, é bom; pelo menos, não obstruiu para que a sessão não acontecesse. Vamos em frente. Agora, quem vai fazer o pronunciamento final, como foi na última sessão que nós tivemos aqui, é o mentor dessa proposta, para quem eu passo a palavra, então, o Dr. Ulisses Riedel de Resende, ex-Senador pelo DF, fundador e Presidente Honorário da União Planetária. Tive o orgulho de ser Constituinte junto com ele. (Palmas.) O SR. ULISSES RIEDEL DE RESENDE - Não preciso dizer que eu estou extremamente feliz - extremamente feliz - de ver o acolhimento de uma proposta importantíssima para a humanidade, para o Brasil e para a humanidade. Primeiro, o privilégio de ter uma amizade de 40 anos com essas duas grandes personalidades que estão aqui, por vieses diferentes. |
| R | Com Eduardo Girão: nós fizemos uma amizade forte, profunda, no 1º Fórum Espiritual Mundial, que foi feito em 2006; depois, sob o patrocínio dele, o apoio dele, nós fizemos o segundo em Teresina, no Piauí, mas ele era a pessoa-chave. De lá para cá, nossa amizade é uma amizade que está no plano espiritual, sobretudo, e, por isso, uma amizade absolutamente verdadeira, correta, de amor recíproco. Lembro-me de que Eduardo Girão, muitos anos atrás, me mandou um documento, pedindo que eu o examinasse, sobre uma proposta de um estatuto mundial para a humanidade, com viés espiritual, que é alguma coisa que um dia a gente vai ter que, realmente, construir. Nós temos a ONU, que é uma bênção para a humanidade, mas é preciso que esse trabalho da ONU seja banhado de espiritualidade, que é o que falta na humanidade. Quando eu falo "espiritualidade" - alguém pode não entender bem -, eu estou falando de humanismo, de sensibilidade, de amor ao próximo, de respeito ao próximo; isso é que é realmente a visão espiritual. Aí entra a ética. Vejam que Paim acaba de relatar um fato em que houve um comportamento ético acima de tudo, acima das divergências de opinião. Isso é muito lindo e é isso que nós precisamos criar na humanidade. Com Paulo Paim, a minha amizade começou quando ele nem era Senador ainda, ele era... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS. Fora do microfone.) - Sindicalista. O SR. ULISSES RIEDEL DE RESENDE - ... sindicalista, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, lá no Rio Grande do Sul. E eu já o admirei pela sua combatividade, pela sua clareza, pela sua humanidade, pela sua dignidade - pela sua dignidade -, e passei, desde então, a ser um admirador dele. Olhem o dado: vocês estão vendo o único Parlamentar, creio eu, que está aqui no Congresso há 40 anos seguidos, porque há uns que entraram, saíram... Ele há 40 anos está aqui dentro do Congresso Nacional - é o único! - (Palmas.), num trabalho, como ele diz, de uma posição de esquerda, mas numa postura de dignidade, de relação com todos. É algo espetacular! Então, eu senti, quando pensamos em criar esta frente, que essas duas figuras importantes, destacadas, seriam base para a gente fazer esse trabalho. Quando procuramos por eles, imediatamente lembrarmos de Flávio Arns, que é um político também, um Senador, pelo Paraná, e que é de uma história de dignidade, de espiritualidade, mas de visão social muito bonita. Então eu vejo que... Eu sinto como somos protegidos num trabalho de alto significado. |
| R | É claro que, se nós não formos diligentes, ativos, prestativos, poderá se transformar numa frente só simbólica, mas eu prometo a vocês que, pelo menos da minha parte, eu vou dar todo o meu empenho, todo o meu esforço para que seja uma realidade, porque eu acredito muito nisto que eu falei a vocês: na mudança da mentalidade. Nós podemos fazer grandes transformações mudando a mentalidade e mudando a mentalidade de uma forma que a gente não precise criticar, se opor àquele que pensa diferente. Pelo contrário, respeitar, bater palmas para ele: "Você pensa diferente? Muito bom que pense de forma diferente, mas nós temos que atuar juntos". E atuar juntos para quê? Para que vivamos num mundo de paz, de amor, de felicidade, de fraternidade, de solidariedade entre todos. Então, eu tenho convicção de que, com o apoio efetivo do Senado Federal e com as parcerias que vamos buscar, com as parcerias que vamos buscar com Parlamentos de outros países, com as pessoas importantes no mundo que trabalham pela paz mundial... Eu quero mencionar aqui um país que é o Cazaquistão, lá do outro lado do mundo. O Cazaquistão herdou da União Soviética, quando houve o seu desmembramento, centenas de ogivas nucleares. Os países procuram ter uma ogiva! Ele herdou e mandou desativar todas. Ele disse: "Jamais usarei uma bomba nuclear contra quem quer que seja. Portanto, não preciso delas. Sejam desativadas". Ele faz, a cada três anos, um grande encontro com as lideranças mais importantes do mundo no aspecto educacional, artístico, político e religioso - religioso - para uma postura pela paz mundial. A União Planetária tem participado desses encontros e temos tido a honra de nos aproximar de um país que está comprometido com a paz mundial. O Brasil já é comprometido na sua Constituição, faz parte da sua Constituição a declaração de ser um país pacifista e que buscará sempre resolver as coisas de uma forma pacífica. O que estou ressaltando do Cazaquistão é o fato de que ele trabalha pela divulgação da paz mundial de uma forma efetiva. É importante a gente ter clareza de que a paz é uma construção - e uma construção que os que tiverem interesse de nela estar, porque nós vamos abrir espaço para que a sociedade civil esteja junto conosco, especialmente com as suas entidades - que depende de alguns fatores. E talvez o principal deles seja esse que esses dois irmãos aqui ressaltaram muito, que é o amor; é o amor, o amor universal - amor universal. Nós precisamos de virtudes, nós precisamos de um mundo virtuoso. O Estatuto da União Planetária diz que o seu objetivo é contribuir - e ele fala contribuir porque sabe que não vai fazer sozinho, é uma tarefa da humanidade inteira - com a edificação de um novo modelo civilizatório virtuoso. |
| R | É isso. (Palmas.) Por isso que, quando eu fui fazer a minha primeira palestra lá no Cazaquistão, eu falei sobre cidadania planetária, a conquista coletiva da amorosidade universal. E há um dado curioso. A União Planetária lançou um movimento chamado Pedagogia das Virtudes, porque uma coisa é a gente saber que existem virtudes, outra é como desenvolver as virtudes. Nesse trabalho, foram feitos 40 grandes seminários no Brasil, fora do Brasil, na América Central, na Espanha, na Universidade de Salamanca. E chegou a chamar atenção do Vaticano, por isso o Vaticano nos convidou para ir lá no Vaticano para explicar o que era a Pedagogia das Virtudes. E é realmente um ponto central, porque é preciso que a gente, mesmo com a nossa imperfeição - porque somos imperfeitos, todos nós -, busque desenvolver as virtudes. Lá no hinduísmo eles falam nisso através do Bhagavad Gita, que é o livro sagrado deles que aponta as iogas - a Bhakti Yoga, Jnana Yoga, Karma Yoga - como o desenvolvimento de virtudes. E eu queria concluir aqui me dirigindo aos jovens, lembrando a vocês que cada geração tem uma responsabilidade. Eu vejo que a geração dos nossos bisavós e tataravós foi a vanguarda de trabalhar contra a escravidão. Ela não caiu simplesmente do céu, ela veio em razão de lideranças, de vanguardas que não usavam armas, usavam a palavra, usavam a virtude de mostrar que era indigno da humanidade a escravidão, e eles conseguiram o êxito. Vemos que os êxitos sempre foram feitos pela prevalência do bem e das ideias do bem. Acho que os meus pais, os meus avós e até nós mesmos da geração atual trabalhamos muito para acabar com aquela situação das mulheres abandonadas num segundo plano. Basta lembrar para mim que a minha mãe - portanto, não pode estar muito longe - queria entrar numa faculdade e não podia entrar porque mulher não entrava em faculdade. As faculdades eram fechadas para elas. Hoje, nós temos, em todas as faculdades, uma maioria de mulheres. Aqui na UnB, onde temos 55 mil alunos, mais da metade são mulheres. Temos 4 mil professores, metade deles são professoras, e a reitoria é uma reitoria feminina. |
| R | E então eu lembro que vocês, a geração de vocês - da mesma forma que as gerações anteriores têm trabalhado para ser vanguarda da mudança dos valores equivocados, que cabe a vocês -, na minha perspectiva, a perspectiva de vocês está no reconhecimento da unidade da vida, da unidade da fraternidade humana, de que somos todos irmãos, de que somos todos filhos do mesmo Pai. Isso é imprescindível, independentemente de religião, de cor, de tudo, sem diferença nenhuma. Nós precisamos criar uma civilização de amorosidade, de amor universal! E é nisso que nós, aqui dentro da frente, trabalharemos, mas certamente a juventude tem a possibilidade de exercer um papel extraordinário nesse sentido. Muito obrigado a todos. Precisamos estar juntos, precisamos de unidade, precisamos de força, mas a força não é a força da violência. É a força do caráter, é a força da dignidade e é a força de estarmos juntos, porque a presença faz um papel importante. A presença de vocês aqui hoje, de todos vocês, é que faz a beleza desta reunião. Eu quero agradecer também ao Presidente Alcolumbre, Presidente do Senado. Fomos à casa dele conversar com ele, e ele diligenciou. Ele poderia travar, poderia deixar para depois. Ele diligenciou para que ocorresse a formação desta frente. Por isso, então, eu deixo o meu muito obrigado a todos. Vamos em frente, juntos! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Muito bem, muito bem. Eu tinha anotado aqui, por questão de justiça. Eu sempre tive uma relação muito boa com todos os Presidentes do Congresso. Na primeira vez que cheguei aqui, o Presidente Sarney, da República antes, aqui Presidente, me convidou para ser Vice dele. Fui Vice do Presidente Sarney, fui Vice-Presidente do Senado, o primeiro negro Vice-Presidente do Senado. Dali para a frente, continuou uma boa relação. Do Tebet, pai da Simone Tebet, eu tenho as mais belas lembranças dele. Numa época em que a juventude do Rio Grande do Sul, os universitários me provocaram positivamente para eu conseguir levar o Presidente do Senado ao Rio Grande do Sul. Fui lá falar com ele. Ele me olhou e disse: "para quando, Paim?". Eu disse: "na semana que vem". E ele disse: "avisa lá que eu vou". E fizemos um grande evento - o pai da Simone Tebet - lá na universidade. Ele fez uma belíssima palestra, enaltecendo, claro, a democracia. E teve um outro também, de que eu vou falar rapidamente, o Renan Calheiros. Numa oportunidade, nós estávamos num embate muito grande, todo ano era debate de salário mínimo, quem dava mais, quem dava menos, quem apresentava a melhor proposta, quem ganhava mais votos, aquela folia toda. Daí, conversando com o Renan, resolvemos criar uma Comissão Especial. Eu presidi essa Comissão, e viajamos o Brasil todo. Aí formulamos a política de salário mínimo mais PIB, que, felizmente, está até hoje, e o salário mínimo agora tem aumento real. Como é o nome do menino, aquele lá que falou antes? Aquele que está me olhando lá. Cássio. Eu me lembrei de você, Cássio. |
| R | Com o Rodrigo Pacheco, ex-Presidente desta Casa, eu aprovei em relação ao povo negro, Cássio, desde feriado nacional, lei de injúria, os que passaram nesse período aqui - cotas e muito mais - tudo eu fui autor ou fui Relator. Podem pesquisar que vão achar lá. Mas o ano em que eu mais aprovei propostas em defesa do povo negro foi na Presidência do Rodrigo Pacheco. Eu quero aqui dar uma salva de palmas a ele pelo compromisso que ele assumiu com a vida. (Palmas.) Ele me ajudou muito para aprovar essas políticas todas. E o Davi Alcolumbre foi isso. Esse aqui me liga e me diz - mas a ideia foi dele, viu? -: "Paim, se tu marcar uma audiência com o Presidente do Senado, eu vou". E foi junto a tua neta, né? O SR. ULISSES RIEDEL DE RESENDE (Fora do microfone.) - Sim, Thaís. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - A Thaís. A Thaís foi junto. Ela ali foi junto também. Isso, a Janaína. A Janaína, que está ali atrás, foi junto também. Aí liguei para o Davi: "Davi, eu estou com um problema". Ele: "Fala, Paim". Ele sempre diz que eu nunca peço nada para ele. E não peço mesmo. Digo: "Davi, eu vou te pedir uma coisa. Tem um Constituinte, amigo meu...", falei do Ulisses Riedel e tal, e tal, e tal. E falei na tua neta também, isso é verdade. "Está bom, Paim. Então, vão lá na minha casa, leve-o e vamos discutir essa história da paz mundial". Saímos de lá, sinal verde assegurado, e ele colocou em votação no Plenário o projeto do Flávio Arns, que foi o autor, e eu fui indicado como Relator. Então, são lembranças pequenas, mas que fazem justiça, né? E hoje nós estamos aqui, a frente está instalada. Eu tenho certeza de que será uma frente parlamentar que vai ser muito bem-vista, não só no Brasil, mas fora do Brasil também, pelas figuras que estão aqui, mas principalmente você. Quero dizer que principalmente você. Contem conosco. Eu saio do Parlamento, mas não saio da vida pública, da política, do bom debate, da construção, daquilo que é o nosso sonho de um mundo melhor para todos. Mesmo quando eu não estiver aqui, que não estarei mais a partir do fim do ano... Até agradeço muito, recebi uma bela homenagem, no Plenário do Senado, do Movimento Sindical e, sou obrigado a dizer, da Damares, que preside aqui, e do Girão. Os dois, numa sessão que não era mais a sessão de homenagem, pediram a palavra e fizeram uma bela homenagem, que está circulando em todos os canais aí. Então, eu saio daqui com muito carinho, com muita gratidão. Agradeço aos alunos todos que vieram aqui hoje também e estão acompanhando na outra sala. E essa Frente Parlamentar pela Paz Mundial... É como eu disse na minha fala. Eu disse "vida longa", mas disse também que ela será eterna, porque ela representa o amor e o amor nunca morre. Uma salva de palmas a vocês. (Palmas.) Está encerrado. Só tenho que ler aqui, ainda, antes de encerrar. Proponho a dispensa da leitura e a aprovação da ata, composta pela lista de presença, pelo resultado da reunião e pelas notas taquigráficas. Os alunos aí que querem que eu responda para eles sobre o mundo do trabalho, eu vou gravar com eles aqui no final. As Sras. e os Srs. Parlamentares que aprovam este momento aqui apresentado na leitura e que já está circulando nas notas taquigráficas permaneçam com se encontram. (Pausa.) Aprovado. Cumprida a finalidade, que era a instalação da Comissão, agradeço pela presença e declaro encerrada esta reunião. Mas vou gravar sobre a pergunta que me pediram. Valeu, pessoal. Uma salva de palmas a todos aí. (Palmas.) (Iniciada às 10 horas e 02 minutos, a reunião é encerrada às 12 horas e 14 minutos.) |


