Notas Taquigráficas
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| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Fala da Presidência.) - Bom dia a todas e a todos. Sejam todos muito bem-vindos à nossa Comissão de Esporte do Senado Federal. Havendo número regimental, eu declaro aberta a 9ª Reunião da Comissão de Esporte da 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 57ª Legislatura, que se realiza nesta data, 23 de junho de 2026. Sras. e Srs. Senadores, autoridades, representantes do esporte brasileiro e todos que nos acompanham nesta reunião, bom dia a todos. Nossa reunião de hoje acontece em uma semana muito especial. Celebramos a Semana Nacional do Esporte, que é celebrada durante a semana do dia 23 de junho, Dia Nacional do Esporte e Dia Olímpico. É uma oportunidade de reafirmarmos o esporte como instrumento de inclusão social, saúde, cidadania, qualidade de vida e, é claro, desenvolvimento humano. Antes de registrar as conquistas recentes do esporte brasileiro, eu quero manifestar o pesar desta Comissão pelo grave acidente ocorrido no Ceará, na semana passada - acredito que todos tenham acompanhado -, envolvendo um ônibus que transportava uma equipe de basquete, uma equipe de jovens atletas, que resultou em sete óbitos. Às famílias, aos amigos, aos atletas, aos dirigentes e a toda a comunidade esportiva atingida por aquela tragédia eu deixo nossa solidariedade e, acima de tudo, o nosso respeito. Eu gostaria, antes até de iniciarmos, de pedir um minuto de silêncio em homenagem a esses atletas, inclusive teve um membro da comissão técnica que veio a falecer - assistente técnico. Então, eu gostaria de pedir um minuto de silêncio. (Faz-se um minuto de silêncio.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Para discursar.) - A voz é forte, né? Está desligado o áudio. Senhoras e senhores, mesmo em meio a este momento de tristeza, o esporte brasileiro também nos trouxe importantes motivos de orgulho nos últimos dias. |
| R | No futebol, a Seleção Brasileira masculina venceu o Haiti por 3 a 0, pela Copa do Mundo de 2026, com dois gols de Matheus Cunha e um gol do Vinicius Júnior, resultado que colocou o Brasil na liderança do grupo e encaminhou a classificação para a próxima fase da competição. Eu espero que também sejamos vitoriosos no jogo de amanhã, quarta-feira, contra a Escócia, e que possamos avançar na primeira posição do grupo. Na ginástica artística, a Rebeca Andrade confirmou o seu favoritismo e conquistou a medalha de ouro no salto, no Campeonato Pan-Americano, coroando o seu retorno, depois de dois anos, às competições internacionais. Desejo à Rebeca e a toda a nossa equipe de ginástica artística muito sucesso aí nesse novo ciclo. Ainda na ginástica artística, Diogo Soares comandou uma grande campanha brasileira no Pan-Americano, com duas medalhas de prata, reafirmando sua importância para a modalidade e para o esporte brasileiro. No tênis de mesa, Giulia Takahashi e Laura Watanabe conquistaram o título das duplas femininas no Campeonato Sul-Americano, em uma final brasileira que demonstra a força do país na modalidade. Ainda no tênis de mesa, o Hugo Calderano ficou com o vice-campeonato da WTT Star Contender de Ljubljana, na Eslovênia, competição que venceu em 2024 e 2025 e voltou a chegar à final agora em 2026. Do atletismo, o Brasil sagrou-se campeão do primeiro Campeonato Ibero-Americano Sub-20, resultado que mostra a qualidade da nossa geração no atletismo nacional. Ainda no atletismo, Vitoria Sena Alves voltou a fazer história ao bater o recorde brasileiro dos 100m com barreiras, em competição disputada na França. Na esgrima, o Brasil encerrou o Campeonato Pan-Americano, em Lima, com três medalhas de bronze. Guilherme Toldo conquistou o bronze no florete masculino individual, a equipe feminina de florete também subiu ao pódio, e a equipe masculina de espada garantiu a terceira medalha brasileira na competição. No boxe, Beatriz Ferreira conquistou o título da etapa de Guiyang da Copa do Mundo, reafirmando sua condição de uma das grandes referências mundiais da modalidade. No tênis, João Fonseca ficou com o vice-campeonato da dupla no ATP 500, em Halle, jogando ao lado do alemão Daniel Steiner. No vôlei feminino, a Seleção Brasileira perdeu para a Alemanha e teve encerrada a sua invencibilidade na Liga das Nações, mas segue entre as grandes equipes da competição e com grandes condições de reagir para os próximos desafios e etapas. No mountain bike, Alex Malacarne alcançou o 14º lugar da etapa de Lenzerheide, na Copa do Mundo, registrando o melhor resultado brasileiro na competição. No esporte paralímpico, também tivemos resultados muito importantes. No tiro esportivo paralímpico, Andreia Lima e Alexandre Galgani conquistaram medalhas de ouro na abertura do circuito nacional disputado no Rio de Janeiro. No atletismo e no para-atletismo, o Brasil conquistou três medalhas no FBK Games, na Holanda, com os pódios de Ana Azevedo, Wallison Fortes e Maria Clara Silva. Na bocha paralímpica, o Brasil conquistou seis medalhas no Challenger de Birmingham, nos Estados Unidos, com destaques para os atletas como Maciel Santos, Evani Calado, Evelyn Oliveira, Ivanildo Souza e José Chagas. |
| R | A delegação brasileira ainda manteve a invencibilidade e avançou nas semifinais da competição, reforçando a tradição e a qualidade da bocha paralímpica brasileira. Esses resultados, pessoal, mostram, mais uma vez... Eu gosto muito de reforçar: quem não acompanha muito a nossa Comissão, eu faço questão de, toda semana, semana a semana, a gente reforçar aqui, na Comissão, os resultados do nosso esporte, do esporte paralímpico, do esporte olímpico, porque é importante que a Casa e todos os brasileiros saibam que a gente tem acompanhado esse desenvolvimento e o quanto o que é tratado dentro desta Casa é importante, sejam as leis, sejam os orçamentos, tudo é muito importante para esses resultados. E, para além disso, é o que eu reforço muito da importância do esporte como a promoção da cidadania. Então, esse será um grande debate, e eu faço questão de reforçar, com aqueles que acompanham a nossa Comissão, a importância do esporte, não só na formação do alto rendimento. Nós sabemos que é uma grande pirâmide, e essa base precisa de muito incentivo, de oportunidades e, acima de tudo, de apoio. Então, é muito importante esse debate e é importante a gente estar sempre reforçando os nossos resultados. E esses resultados, mais uma vez, mostram a força do nosso esporte olímpico e paralímpico de base, escolar e de alto rendimento. Mostram também que cada conquista é fruto de investimento, formação esportiva, estrutura, dedicação dos atletas e suas comissões e as entidades, o trabalho dos treinadores e a atuação, mais uma vez reforçando, das entidades que sustentam o esporte brasileiro. Senhoras e senhores, na segunda parte da reunião de hoje, realizaremos audiência pública para debater, no contexto da Semana Nacional do Esporte, a importância do esporte na formação cidadã de crianças e adolescentes, seu papel no combate à evasão escolar e as propostas para o desenvolvimento do esporte para toda a vida. Também trataremos da relação entre a prática esportiva e saúde pública, inclusive do papel da atividade física como política pública preventiva em saúde. Esse é um tema de enorme importância. O esporte contribui para a formação integral da criança e do adolescente. Ensina disciplina, respeito, cooperação, responsabilidade, trabalho em equipe e, é claro, superação. E o mais importante: lidar com frustrações. Um atleta se forja, e mente forte se constrói mais perdendo do que ganhando. E qual que é a diferença do campeão? É que ele sabe que ele tem um outro dia, que ele terá outras oportunidades para fazer diferente, e essa é a força do esporte, que também é uma ferramenta poderosa de inclusão social, especialmente em comunidades em situação de vulnerabilidade, ao oferecer convivência saudável, pertencimento e novas perspectivas de futuro. Além disso, a prática esportiva fortalece o vínculo dos jovens com a escola, melhora o desempenho acadêmico e escolar e ajuda a reduzir a exposição à violência e a outras situações de risco. E, quando falamos de esporte para toda a vida, falamos também de saúde pública. Estimular atividade desde a infância até a terceira idade significa prevenir doenças, melhorar a qualidade de vida da população e contribuir para a sustentabilidade do sistema de saúde. Portanto, esta audiência pública representa uma oportunidade muito importante para aprofundarmos o debate sobre o esporte como instrumento de cidadania, inclusão, saúde e bem-estar. Desejo a todos uma excelente reunião e agradeço, desde já, a presença de todos os nossos convidados. Muito obrigada. (Palmas.) |
| R | A presente reunião será dividida em duas partes: a primeira, audiência pública interativa; e a segunda parte será deliberativa. Primeira parte, audiência pública. Esta audiência tem o objetivo de debater, no contexto da Semana Nacional do Esporte, promovida pelo Ministério do Esporte, pela Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados e pela Comissão de Esporte do Senado Federal, a importância do esporte na formação cidadã de crianças e adolescentes, abordando o papel do esporte no combate à evasão escolar, bem como discutir propostas para o desenvolvimento do esporte para toda a vida, destacando a relação entre prática esportiva e saúde pública, inclusive quanto ao papel da atividade física como política pública preventiva em saúde, em atenção ao Requerimento nº 8, de 2026, desta Comissão, e ao Requerimento 10, também desta Comissão... Gente, fechou o painel aqui. De vez em quando a gente lida... O que é isso? É uma surpresa? (Risos.) (Pausa.) Gente, perdão. Toquei aqui sem querer. (Pausa.) Eu bati aqui o apoio da cadeira, gente. Vamos ter que aguardar. A tecnologia nos ajuda muito, mas também a gente tem que aguardar o tempo dela, né? (Pausa.) Retornando, esta audiência atende aos Requerimentos nº 8, de 2026, desta Comissão, e nº 10, ambos de minha autoria. Participam dessa audiência os seguintes convidados: o Sr. Paulo Henrique Cordeiro, Ministro de Estado do Esporte; a Sra. Mariana de Abreu, Coordenadora-Geral de Esporte Educacional da Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte; o Sr. Paulo Afonso de Araújo, Chefe de Assessoria de Participação Social e Diversidade do Mesp também; o Sr. Sebástian Pereira, Gerente-Executivo de Educação e Fomento do Comitê Olímpico do Brasil (COB); o Sr. Marcio Atalla, Educador Físico, Especialista em atividade física, saúde e bem-estar; a Sra. Stéphanie Rizk, Doutora em Cardiologia da USP e Intensivista; o Sr. Kelvin Bakos, Fundador e Diretor do Instituto Athlon; o Sr. Felipe Pitaro, que é o membro do Conselho Deliberativo da Rede Esporte pela Mudança Social (Rems); o Sr. Robson Aguiar, Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE); a Sra. Eloisa de Souza, 2ª Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro (Cref1); a Sra. Márcia Ferreira Carneiro, Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física do Distrito Federal (Cref7); o Sr. Paulo Maciel, Presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC); e o Sr. Arialdo Boscolo, Presidente da Confederação Nacional dos Clubes (Fenaclubes). |
| R | Como temos 11 convidados, dividiremos esta audiência pública em duas mesas. Eu convido para tomar lugar à primeira mesa os seguintes convidados: Sra. Stéphanie Rizk, Doutora em Cardiologia da USP e Intensivista (Palmas.); Sr. Marcio Atalla, Educador Físico, Especialista em atividade física, saúde e bem-estar, que participará por videoconferência (Palmas.); Sr. Kelvin Bakos, que é o fundador e Diretor do Instituto Athlon; Sr. Felipe Pitaro, que é membro do Conselho Deliberativo da Rede Esporte pela Mudança Social (Rems) (Palmas.); e o Sr. Robson Aguiar, Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE) (Palmas.). Sejam todos muito bem-vindos. Antes de passar a palavra para os nossos convidados, eu comunico que esta reunião será interativa, transmitida ao vivo e aberta à participação dos interessados por meio do Portal e-Cidadania, na internet, no endereço senado.leg.br/ecidadania, ou pelo telefone 0800 0612211- 0800 0612211. O relatório completo, com todas as manifestações, estará disponível no portal, assim como as apresentações que forem utilizadas pelos nossos expositores. E, ao fim das exposições, a palavra será concedida aos Parlamentares inscritos para fazerem suas perguntas. Por sinal, tenho muitas a fazer por eles, viu, gente? A primeira mesa vai contar com os que estão aqui presentes, e eu vou passar a palavra para nossa primeira expositora, a Sra. Stéphanie Rizk, que é Doutora em Cardiologia pela USP e Intensivista. Bom dia, Doutora! Seja muito bem-vinda. A SRA. STÉPHANIE ITALA RIZK (Para expor.) - Bom dia. Obrigada pelo convite, Senadora Leila, na pessoa de quem cumprimento os demais presentes. Eu preparei uns eslaides. Se alguém puder projetar ali, eu acho que talvez eu fique mais à vontade em pé. Vou roubar essa água. De qualquer forma, enquanto projeta, vou me apresentar. Eu me chamo Stéphanie Rizk, sou Doutora em Cardiologia pela USP e sou Intensivista. Então vivo os dois mundos: o mundo do consultório, onde a gente vai lidar muito com as doenças crônicas; e vivo também o mundo da UTI, quando essa doença crônica a gente não conseguiu controlar e eventualmente esse paciente tem algum infarto, um AVC, que é em que essas principais doenças culminam, e vai parar na UTI. Então, realmente eu vivo as duas realidades. Além disso, vivo a realidade do SUS, porque eu também sou Professora do Incor. Então, lido com o serviço público de saúde e vivo também com o mundo particular, porque eu trabalho na Rede D'Or. Então realmente vivo os dois mundos todos os dias da minha vida. E, não sei se aqui também vale a pena falar, eu sou ex-atleta de canoa havaiana, para aumentar um pouquinho minha autoridade no tema. E vim falar então da atividade física e do esporte como política pública em prevenção de saúde. Vou começar com um número para vocês. Tem um pouquinho de delay, mas acho que vai. Serão 500 milhões de doentes a mais, e ninguém precisaria adoecer. Eu falo de uma estimativa da OMS: até 2030, se absolutamente nada acontecer, a gente vai ter 500 milhões de doentes a mais no nosso mundo. E o que isso custa? Custa 27 bilhões para os cofres públicos, quando eu falo de mundo. E o principal vilão é a pressão arterial alta, que é a hipertensão arterial, que é a metade dos pacientes que eu tenho no meu consultório. |
| R | "Ah, mudou a doença, mudou a urgência". O que é que aconteceu? A gente passa por uma transição epidemiológica, ou seja, antes, a gente lidava com infecção, com quadros mais agudos. Então, a gente parte de uma medicina reativa. O doente adoecia, e eu tratava. Isso mudou. A gente está passando por uma fase que a gente chama de medicina preditiva: eu tenho chance de prevenir essa doença. É uma doença que está sentada no escritório, uma doença que age silenciosamente, e isso aumenta, em mais da metade, as mortes cardiovasculares e 76% das mortes são por doenças crônicas, e doenças crônicas, meus queridos, são evitáveis. Pasmem com este número: em 670 cidades brasileiras, o câncer já lidera a causa de mortalidade, ou seja, isso representa 12% do país. E a projeção oficial é a de que, se realmente nada for feito - isso já é projeção -, em 2029, vai ser a causa número um de todo o Brasil. E câncer também se trata de uma doença - na maioria das vezes, não todas - prevenível. Será que o Brasil está preparado para isso? Antes de começar... Eu vou começar do início, da infância, porque é aqui que a gente constrói ou deixa de construir o que a gente vai colher no futuro, que é o adulto doente, que é aquele paciente que eu não quero no meu consultório. Olhem este dado: oito a cada dez meninas e quase oito dos meninos não atingem o mínimo recomendado pela OMS. Então, assim, a prevalência de inatividade é altíssima quando a gente fala do dado global. Isso é um estudo que inclui 1,6 milhão de adolescentes, e o Brasil foi incluído - são 146 países, e o Brasil está dentro dele. Foi publicado na revista The Lancet pela OMS esse estudo. E a tendência piora. O Brasil, infelizmente, caminha para o lado errado. Adolescentes ativos - e a gente fala de dez anos -: de 43%, a gente cai para 18% quando eu falo dos meninos e, de 27%, para 7,5% das meninas. Ou seja, 0,5% das meninas e 4% dos meninos cumprem as recomendações de atividade vigorosa. É muito pouco, gente. E é aqui que a gente tinha que atuar. E o mais interessante é que o acesso é desigual à educação física. Quando as meninas foram questionadas se elas tinham acesso à aula, na escola, de atividade física, 22% falaram que não, e os meninos, 19,7%. Saindo um pouco, agora, dessa área, indo para a escola. É evidência científica - não estou falando de achismo - que quem tem uma atividade física regular tem melhor desempenho acadêmico. Com a atividade física, fluxo de sangue vai para a cabeça, melhora a plasticidade sináptica, principalmente na criança, melhora a cognição, diminui a demência no futuro, melhora o absenteísmo, ou seja, essa criança é mais frequente, ela vai mais à escola, ela falta menos, ela tem mais vínculo com a escola, tem sensação de pertencimento, menor evasão. Noventa minutos de atividade moderada vigorosa trazem isso. Permanência vem com engajamento esportivo escolar. Então, assim, esporte é muito mais do que prevenção. Vocês vão ver que é tratamento e é o que o futuro que vai desenhar no nosso país. Saindo um pouquinho do esporte, indo para a parte de droga e criminalidade, o esporte protege contra a violência e o uso de drogas. O Escritório das Nações Unidas já tem um instrumento fortalecido que mostra que o esporte cria esse pertencimento, principalmente em território de vulnerabilidade, e reduz fator de risco, reduz a exposição à violência ou ao uso de drogas. Então, por que não incentivar o esporte, principalmente nessa idade, se vai melhorar o futuro desse paciente - espero que não seja paciente -, dessa criança quando adulta e ela vai ter menos acesso às drogas, vai ter maior engajamento, vai ter maior desempenho escolar? É disso que a gente precisa. E isso vem já... O Brasil tem uma Lei de Incentivo ao Esporte desde 2006 como instrumento federal para fomentar esse tipo de política. E, quando a gente passa agora, saindo um pouquinho dessa área - agora estou no meu papel de cardiologista -, vai para prevenção ao longo da vida, eu vou trazer alguns dados e todo mundo vai querer sair daqui, colocar um tênis e sair correndo. A inatividade física causa 9% de mortalidade no mundo. E, quando você pratica atividade física, você tem a chance de reduzir em até 30% doença cardiovascular, hipertensão, diabetes tipo 2, câncer, AVC, demência e depressão. Estou dando dados científicos das revistas The Lancet e Jama: 5,3 milhões de mortes são atribuídas ao sedentarismo. É muita gente que morre por não fazer atividade física. E a atividade física é barata, custo zero. |
| R | Isto ninguém fala: a gente tem propaganda contra o tabaco; alguém tem uma propaganda muito ativa a favor da atividade física? O sedentarismo, ou seja, baixa aptidão física, causa uma mortalidade cinco vezes maior do que diabetes, do que cigarro e do que doença coronariana. Vocês ouviram esse dado sobre o cigarro? Quem não faz atividade física o sedentarismo mata mais, cinco vezes mais. É muito mais, não é pouco mais o risco relativo de morte prematura. Outro dado interessante agora: pelo menos 2,5 horas por semana corta o risco de depressão em 25%. É endorfina natural. A gente não precisa procurar na farmácia, está no esporte, está na atividade física. E o dado mais interessante é que, com o mínimo de atividade física, você já tem um ganho. Aí atingindo um platô com cinco horas, mas você reduz em até 27% do risco de o paciente evoluir com depressão com atividade física. Em relação à cognição também, você reduz risco de demência, reduz risco de Alzheimer e reduz risco de declínio cognitivo. E esse é um dos dados mais interessantes que eu queria mostrar: qual é hoje o remédio mais prescrito nos nossos consultórios que a maioria provavelmente aqui está tomando? Estatina para baixar colesterol e anti-hipertensivo para melhorar a pressão arterial. Pasmem, uma metanálise - metanálise é quando a gente junta uns estudos de robustez que são publicados em boas revistas - fez uma análise de 305 estudos que analisaram 339 mil pacientes. E eles mostraram que o exercício regular é tão eficaz quanto estatina e anti-hipertensivo, ou seja, eu estou instituindo uma atividade física que não é paga, é gratuita, você começa com uma caminhada leve, você não precisa nem de algum aparelho para começar e você reduz - é não inferior, que a gente chama na medicina - a estatina e os anti-hipertensivos. E o que o exercício faz, então, nos vasos? Melhora a função endotelial, melhora como se fosse a fluidez do sangue, diminui a inflamação. Você já viu aquela pessoa que só bebe, que não dorme direito, que não faz atividade física, aquela meio vermelha, hiperemiada, meio inflamada? A atividade física joga tudo isso embora, diminui a inflamação sistêmica, melhora a sensibilidade à insulina, ou seja, previne o diabetes, melhora função cognitiva e memória de atenção, reduz o cortisol, melhora o sono, melhora o estresse. E por que melhora a função cognitiva? Foi o que eu falei da criança: melhora o fluxo de sangue, melhora a função mitocondrial, a plasticidade sináptica. Por que essas drogas hoje - Ozempic, Mounjaro, tirzepatida, retatrutida - estão fazendo tanto sucesso? Não só pelos benefícios cardiovasculares, porque diminuem, sim, mortalidade, mas em muitos desses casos, quando emagrece, às vezes o paciente deixa de tomar remédio para pressão, remédio como estatina, por quê? Para colesterol, por quê? Reduzindo, você diminui e tira todas essas doenças. Então, a atividade física com emagrecimento, não há nada de melhor na vida de um ser humano do que isso. Outro estudo interessantíssimo. Aqui eu estava falando do exercício físico como estratégia de prevenção. Agora eu vou falar como estratégia de tratamento. Um programa supervisionado de exercício, por três anos, em pacientes que tinham tumor intestinal e foram operados... E, olhe, um estudo importante no New England, que é a maior revista científica da medicina, publicado ano passado, Fase III, que incluiu quase 900 pacientes e envolveu 55 centros, mostrou que a sobrevida livre de doença do paciente que praticou exercício físico, quando a gente comparou com o que não, melhorou a vida em 6.4 pontos percentuais absolutos. Esse cara viveu mais. Então, aqui, o exercício físico tratou a doença. Eu tive uma melhora de sobrevida livre da doença e uma sobrevida global. E daí, quando eu falo da global, ele viveu ainda mais: 7.1 pontos percentuais. Então, aqui, deixa de ser prevenção e eu estou falando de tratamento, nível de evidência 1, que é o que a gente tem de maior robustez na medicina. Ou seja, melhora a sobrevida e reduz recorrência em câncer de colo. É hora de prescrever exercício com a mesma seriedade que a gente prescreve um fármaco. E eu falo isso porque muitas vezes o exercício físico não é patrocinado pelas grandes indústrias, né? Porque você tem aqui, eu tenho um grupo controle, eu quero provar que minha droga funciona. Então, bota o investimento, bota o dinheiro, e não é nem de maldade, ele quer mostrar que a droga dele funciona. Talvez falte investimento para você mostrar que um simples exercício físico às vezes protege tão mais ou quanto um remédio que às vezes custa muito caro. E ainda mais quando a gente fala de saúde pública, né, Senadora? |
| R | E a prescrição mais poderosa que custa R$0, essa é minha prescrição para todos aqui de maneira geral: adultos, 150 minutos por semana, atividade física moderada a vigorosa, custa nada, acessibilidade alta, universal, disponibilidade imediata. E efeito colateral só positivo. Diminui a mortalidade, aumenta a energia, diminui o estresse, aumenta a longevidade, melhora a saúde mental e melhora a cognição. Nenhum medicamento já criado tem um perfil custo-benefício igual a esse. E, no idoso, a atividade física é prescrição também, não recomendação. Um exercício regular interrompe esse ciclo. O que acontece? Leva à perda muscular e funcional. A partir dos 50 anos, se a pessoa não fizer nada, tem uma perda da massa muscular de 5% a 10%, ou seja, vem a sarcopenia. E músculo é órgão, é órgão periférico, é um órgão que produz hormônio que ajuda no coração. E daí vem queda e fratura. Por quê? Mais fraco, sarcopênico, não vai ter aquela força muscular na perna. Isso é uma coisa que a gente faz assim: "Ai, é muito idoso, não deixa subir de escada não, vai de elevador". Muito pelo contrário. Quando eu for idosa, eu quero morar no segundo andar e quero subir de escada todo dia. Quando vocês... Alguém já deve ter ouvido que nas blue zones, que são as zonas azuis do mundo, são aquelas regiões em que a população é mais longeva. E uma das coisas em comum... Tem várias teorias, mas uma delas é que eles andam muito e têm as pernas fortalecidas. A maioria mora em algum lugar mais íngreme, ou seja, eles andam mais. Então, assim, experimenta isso no dia a dia. Às vezes você não precisa automaticamente instituir uma atividade física, mas pare um quarteirão antes; evite um elevador, suba a escada. Então, assim, a gente tem que ser mais ativo. E queda e fratura interna, fratura de fêmur, pneumonia, uma das maiores causas de mortalidade nessa população. E perda da independência, que é tudo que a gente não quer. Aqui tem a limitação funcional, a dependência e piores qualidades de vida. Então, a dose recomendada hoje em paciente acima de 65 anos são 150 minutos - que não é muito, gente - de atividade aeróbica moderada, junto de duas vezes por semana, pelo menos, equilíbrio e força, justamente para evitar a queda. Indo para o terceiro eixo, talvez um dos mais importantes quando a gente fala de política pública, vamos falar do custo dessa inatividade para os nossos cofres e do retorno econômico: R$209 milhões por ano é o boleto do sedentarismo brasileiro. É caro, né? Um estudo da Federal Fluminense mostrou o impacto no SUS, o ano-base na ocasião foi 2017, e mostrou que 17,4% dos custos da internação por doença crônica são atribuíveis ao sedentarismo, ou seja, são doenças que seriam evitáveis. Então, está na nossa mão para mudar essa política. E, quando eu falo da desigualdade social, infelizmente, quem tem menor escolaridade também tem maior sedentarismo e, consequentemente, maior doença e por aí vai. O sedentarismo, infelizmente, também é desigual. E a OMS classifica a atividade física como a melhor compra em saúde pública, que seria o best buy quando a gente faz o benchmark, que, a cada 1 libra investida, você tem um retorno de 23 libras retornando em saúde. Então, investir em exercício e investir em esporte é investir, reduzir e ter retorno. Isso é investimento, assim, vale mais do que investir na Bolsa, vale mais do que deixar no CDI. Então, assim, isso é investimento. A gente tem que olhar como política pública, como um investimento. |
| R | A OMS trouxe a meta do Gappa, que tem como meta reduzir até 2030... Vocês se lembram daquele número dos 500 milhões que eu abri? Se até 2030 nada for feito, a gente vai ter 500 milhões de novos casos. Então, a meta é reduzir a inatividade em 15% até 2030. Só 40% dos países têm essa política nacional ativa e, apesar de 40% terem, menos de 20% têm um plano operacional realmente existente. E o Brasil sai na frente: este ano teve uma lei já sancionada no mês 4, a Lei 15.386, e está no ponto de virada. E, hoje, quero agradecer a importância dessa semana e, principalmente, dessa data, que realmente faz a diferença e vai fazer - e tem muito para ser feito nessa área. E o objetivo da lei é justamente incentivar a prática esportiva como instrumento, promover inclusão social, fortalecer a educação e elevar a qualidade de vida, que está altamente alinhada com o Gappa, da OMS. Eu acho que tem que clicar, porque saiu do PowerPoint. E daí eu venho com quatro - vamos ver se minha memória está boa; isso, quatro - encaminhamentos práticos ao Senado. O primeiro seria essa janela dupla, de agir neste momento, na infância e na adolescência, em que mais de 80% dos adolescentes não atingem o mínimo, que seria 90 minutos por dia - e isso é um tempo menor que uma novela, se a gente for parar para pensar -, gerando independência da vida funcional para vida adulta. Escalar o Programa Academia da Saúde: expandir o programa como guia de atividade física, manter um financiamento estável, com metas mensuráveis e alinhadas à OMS. Educação física escolar: pelo menos um mínimo de três sessões por semana, com qualidade, extracurricular, focada principalmente naqueles territórios de vulnerabilidade, onde a gente precisa ter inclusão e equidade. E os desiguais têm de ser vistos de maneira desigual, ou seja, eles têm que ser prioridade. Quem? A mulher, o idoso e o de menor escolaridade e baixa renda. Então, eu acredito que, além de uma política nacional, tem que ter uma política focada, que evite o aprofundamento das desigualdades em saúde, que é quando, lá na frente, a gente vai colher ou não esses frutos. E essa conversa não termina aqui. Eu me deixo à disposição para continuar. Agradeço a oportunidade de discutir um tema do qual eu sou tão entusiasta porque realmente faz diferença na vida das pessoas. E tem gente que fala: "Eu já tenho uns 70 anos, não vou começar agora". Pode começar! Faz diferença: você ganha musculatura, você melhora a cognição. Então, sempre é hora de começar, nunca ache que é tarde. Eu espero encontrar vocês mais na academia e menos nos consultórios. Muito obrigada. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Doutora, quero só perguntar o que a senhora... Na sua experiência, qual seria o impacto na nossa saúde pública, pragmaticamente falando, se nós estimulássemos a prática esportiva justamente entre as mulheres, os idosos e os de menor escolaridade? E, assim, eu fiquei estarrecida de ver que 80% de crianças e jovens do nosso país não alcançam a meta mínima recomendada pela OMS. Então, eu já vou fazer até uma provocação ao Governo Federal, porque, nessa Semana do Esporte, a gente tem que ter uma propaganda nacional - uma propaganda nacional, não só aqui, na nossa bolha -, falando sobre a importância disso. E eu agradeço muito à senhora por estar aqui conosco, porque a gente tem que fazer uma propaganda nacional justamente... E a senhora deu uma ótima dica e eu vou ficar em cima: a de termos, na semana do dia 23 de junho, todo ano, uma propaganda nacional de estímulo, porque muitas vezes a criança não faz por causa dos pais. Os pais, naquele dia a dia... Eu sou mãe, eu sei como é. Mas, claro, sou uma mãe atleta, então é muito diferente. Com seis meses, eu joguei meu filho já na piscina: "Ó, vamos embora, vamos nadar". Então, o menino, desde novo, tem na cultura, porque tudo é estímulo, tudo é você oportunizar. Então, também tem muitos pais que têm outras condições sociais e que podem estimular e não o fazem. Então, eu gostaria que a senhora falasse do impacto: qual seria o impacto se essa história fosse diferente? |
| R | A SRA. STÉPHANIE ITALA RIZK - Assim, eu falaria cinco vezes o impacto, porque hoje a gente tem dado para isso - assim, em relação a tudo -, porque, primeiro, se realmente algo não for feito, em 2030, não sei o que vai acontecer com os cofres públicos. Então, eu acredito, eu acho que tem impacto imediato, imediato mesmo. E a longo prazo, a gente vai diminuir em porcentagem a prevalência de hipertensão, de AVC, de diabetes, de obesidade. Vai ter impacto direto nos números e no cofre público também, porque é menos remédio que a gente vai precisar disponibilizar na farmácia popular. Então, às vezes, investir em atividade física vale tanto quanto a gente fornecer medicamento. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Porque é a área do Orçamento federal que mais se gasta. Imaginem o quanto que nós iríamos economizar e quanto iríamos investir em outras áreas se levássemos a questão do esporte e da promoção da saúde de forma séria, se fosse prioridade também do Governo. Doutora, muito obrigada. A SRA. STÉPHANIE ITALA RIZK - Imagina. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Gente, uma salva de palmas para a Dra. Stéphanie. (Palmas.) Obrigada. Obrigada, Dra. Stéphanie Rizk. A SRA. STÉPHANIE ITALA RIZK - Eu que agradeço. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Doutora em cardiologia pela USP e intensivista. Grata mesmo pela exposição. Agora, eu vou passar a palavra para o Sr. Marcio Atalla, Educador Físico, especialista em atividade física, saúde e bem-estar, que participará por videoconferência. Seja muito bem-vindo, Marcio. Bom dia. O SR. MARCIO ATALLA (Para expor. Por videoconferência.) - Bom dia, Senadora Leila. Bom dia a todos os demais, à Dra. Stéphanie. Ouvi atentamente tudo que a Dra. Stéphanie colocou aqui. Acho que nunca a gente teve - acho, não, tenho certeza - tanta informação sobre os benefícios que o movimento e que a atividade física podem proporcionar às pessoas. Então, hoje a gente sabe que esse benefício vai muito além de uma mudança de composição corporal; atinge a área cognitiva, pensando num país que está envelhecendo. Além de nos dar autonomia depois dos 60, 65 anos, faz com que a curva de declínio de cognição ao final da vida seja atenuada e, às vezes, não se manifeste. Então, doenças como Alzheimer vão ter uma prevalência menor. No aspecto emocional, a gente sabe a importância da atividade física. Eu poderia aqui ficar muito tempo falando sobre esses benefícios da atividade física, mas eu queria trazer duas experiências minhas: uma em 2016, de promoção de saúde pública, quando eu busquei dinheiro privado para fazer uma intervenção dentro de um município, de Jaguariúna, com mais de 50 mil habitantes, e a gente acabou publicando três artigos científicos em relação a isso. O que a gente procurou? Que fosse uma intervenção barata e replicável em todos os municípios do Brasil, usando estruturas que existem nos municípios - unidades básicas de saúde, escolas públicas, agentes de saúde sendo treinados, os médicos das prefeituras sendo treinados -, para que houvesse ali, dentro do município, uma intervenção de saúde pública, em que, claro, a atividade física, o movimento fosse muito valorizado, mas nunca esquecendo também que a gente tem outros pilares - tendo informação de uma alimentação melhor, de outras práticas do dia a dia que vão interferir na nossa saúde - que são importantes. Enfim, o resultado foi muito bom: mais de 41% da população, num espaço de um ano, aderiu a essas atividades físicas. E o que é mais interessante - eu quero trazer um dado aqui que eu ouvi ao final da fala da Dra. Stéphanie - em relação à hipertensão e à obesidade... |
| R | Quando a gente entrou em Jaguariúna, a cada cem pacientes nas unidades básicas de saúde que tinham hipertensão ou diabetes, só oito eram controlados, quer dizer, a pessoa ia à unidade básica de saúde, passava pelo enfermeiro, passava pelo médico, pegava o medicamento e, mesmo assim, a cada cem pessoas, só oito conseguiam controlar essa doença. Ao final desse ano, ali, onde a gente trabalhou com os enfermeiros de várias maneiras - e depois eu posso compartilhar esses trabalhos com vocês -, quarenta pessoas a cada cem controlavam hipertensão e obesidade. E por que esse é um dado relevante? Um ano depois, na Prefeitura de São Paulo, quando eu tive uma reunião com o Prefeito de São Paulo à época, ele falou que toda a verba da Secretaria de Esportes da cidade de São Paulo - toda a verba da Secretaria de Esportes da cidade de São Paulo - era menor do que o que a Prefeitura gastava com remédio, nas unidades básicas de saúde, de hipertensão e diabetes. Então, quando a gente pensa na promoção da saúde, é claro que, num primeiro momento, você vai ver um impacto pequeno, num primeiro momento, porque o grande custo da saúde, se a gente pensar numa pirâmide, está lá no topo, está no que a gente chama de estágio terciário, que é a pessoa que está já numa UTI ou que tem uma doença mais grave, e isso acaba consumindo muito dinheiro aí do poder público. Mas, se a gente pensar que a base da pirâmide está cada vez com um estilo de vida pior... E acabou de sair um estudo que mostra que 76% dos brasileiros - 76% dos brasileiros - não atingem o mínimo de movimento recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Quando a gente pega os números do Vigitel, que mostram que 68% da população estão acima do peso, obviamente, essa base da pirâmide vai evoluir para o setor secundário da pirâmide, que é já com alguma doença crônica, que é um diabetes, é uma hipertensão, é alguma doença que vai fazer com que o custo seja muito maior. Sem dúvida nenhuma, os países que conseguiram um avanço nisso tiveram uma política de saúde pública. Então, partindo de Jaguariúna... E aí eu compartilharei, ao final, também o link de um documentário, que ficou um tempo na Globoplay, em que eu viajo por vários países do mundo para mostrar as experiências que eles tiveram de saúde pública que fizeram realmente efeito. Enfim, fui para Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia, mas eu queria parar em Seul, que é na Coreia do Sul, que é uma cidade enorme, com muitas dificuldades, que conseguiu resolver esse problema. E aí, quando você pega o início dessa política de saúde pública em Seul, na década de 70, tanto o PIB da Coreia do Sul quanto muitos indicadores eram muito parecidos com os do Brasil. Quando você vê esse programa de saúde pública da Coreia do Sul que teve como pilar central a atividade física, você chega hoje a uma Coreia do Sul com menos de 5% da população com obesidade - o Brasil tem 30% -, com uma expectativa de vida lá nove anos acima da do Brasil. Mas isso eu acho que não é tão importante quanto a gente pensar em autonomia ao final da vida, dependência ao final da vida, porque isso custa muito, muito dinheiro. E aí, quando você vai para países que investiram numa política de saúde pública - e tem um estudo da Organização Mundial da Saúde do ano passado que olhou isso em mais de 120 países -, você tem, por exemplo, na Coreia do Sul, menos de três anos ao final da vida com algum tipo de dependência. Quando você vem para o Brasil, numa expectativa de vida de 76 anos, você tem os últimos 11 anos do brasileiro vividos com algum tipo de dependência. Então, você pode imaginar o custo que isso vai gerar para todo o país, né? |
| R | O fato é, para a gente conseguir que isso seja uma política de saúde pública, a gente tem que pensar muito nas atuações do município de uma maneira - a gente sabe que falta dinheiro em muitos dos municípios - de como tornar viável isso com a estrutura já existente. Então, ouvi a Leila falando de oportunizar, e isso é uma verdade. Lá em Jaguariúna, em todos os parques, não só parques, mas nas escolas municipais, nos fins de semana, você promovia atividades que faziam com que não só a criança, mas toda a família, a partir da criança, tivesse ali um centro para fazer essa atividade física. E é importante oportunizar também outros equipamentos públicos que possam ser utilizados para que, num médio prazo, a gente consiga fazer com que a maior parte da população faça, na maior parte dos dias, algum tipo de movimento, algum tipo de autocuidado, porque isso, sem dúvida nenhuma, vai ter um resultado no curto, no médio e no longo prazo. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Marcio, eu quero agradecer a sua participação e aproveitar a sua fala, porque o Brasil ele convive com níveis de sedentarismo altíssimos. E o que falta para que a atividade física passe a ser tratada efetivamente na sua... Nos seus estudos, inclusive eu quero que você passe realmente o link dos estudos e também dos vídeos aí do que você tem de informação; mas o que falta para que, no Brasil, a atividade física seja tratada efetivamente como uma política pública preventiva de saúde e com a mesma importância que nós damos hoje a doenças? O que falta para o Brasil chegar a esse nível de prioridade, de entendimento? O SR. MARCIO ATALLA (Por videoconferência.) - Eu acho que tem alguns pontos. O primeiro deles, sem dúvida nenhuma, é a escola. Então, quando a gente consegue colocar a educação física como um ponto importante, você já vai criando o hábito, você vai mostrando, desde pequeno, a importância dessa atividade física para a criança. O que a gente vê hoje, na verdade, é uma desvalorização da educação física dentro das escolas. Aí é uma coisa muito cultural, porque o pai também, muitas vezes, pensa: "Poxa, eu quero que o meu filho entre numa faculdade melhor". Então, a primeira coisa que vem à cabeça dele é: "Vou tirar uma aula de educação física e colocar uma de matemática, de ciências". E esse é um dos grandes erros. Nesse documentário a gente mostra que, na Finlândia, que é um modelo de escola mais exitoso hoje, ou que, mesmo na Coreia, que prima pela educação, a questão do movimento é fundamental, porque o movimento vai melhorar a cognição, a aprendizagem, memória. Então a chance, na verdade, acaba sendo até maior de essa criança evoluir. Tem um estudo muito legal feito em Chicago, em Illinois, em 2003, que mostrou uma escola americana onde, antes de começar a aula, eles tinham de 10 a 15 minutos de atividade física. E eles mediram o desempenho de matemática e ciências dessa escola, comparado com o de todas as outras escolas americanas, depois de um ano e dois anos. E os resultados foram muito, muito melhores. |
| R | Tem um outro ponto - e aí já para uma população que frequenta as unidades básicas de saúde - que seria algum tipo de premiação, até seguindo o modelo inglês, pay for performance, para aquelas pessoas que gerenciam a saúde das pessoas que frequentam, da população que frequenta as unidades básicas de saúde. Então, quando você tem ali um cuidado com uma população - a gente usou isso em Jaguariúna -, e aqueles enfermeiros e aqueles médicos são premiados de alguma maneira, de acordo com o sucesso no tratamento ou no controle dessas doenças crônicas, você vai criando toda uma cadeia que mostra esse incentivo. De verdade, acho que a informação hoje é para todo mundo. Todo mundo sabe desse benefício da atividade física, mas o meu ponto é que, realmente, eu começaria pelas escolas, porque isso é fundamental. É um projeto de país, não é uma coisa que a gente vai conseguir alcançar em um ano ou dois anos. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - É isso aí: a longo prazo, implementar a cultura. Obrigada, Márcio. Por favor, uma salva de palmas. Conseguimos! Foi uma luta para ter o Márcio com a gente aqui! (Palmas.) Muito obrigada! É bom falar contigo. O Márcio eu conheço há um longo tempo já. É um prazer, cara! O SR. MARCIO ATALLA (Por videoconferência.) - É um prazer! Vindo de você é uma ordem, não é um convite. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, amigão! Um beijo para você! Gente, eu quero anunciar aqui a participação do nosso Ministro do Esporte, o Paulo Henrique Cordeiro, que, além de tudo, é um grande amigo. Eu vou passar a palavra logo para o Ministro. Peço desculpas aos colegas que estão aqui à mesa, mas é porque o Ministro tem horário e tem a agenda dele. É uma semana intensa e ele vai ter atividades não só no Senado, mas na Câmara também, fora também as ações. E eu quero já fazer uma provocação a você: a Dra. Stéphanie, aqui da USP, deu uma aula para a gente da realidade que está acontecendo com relação ao sedentarismo e do quanto a saúde pública está sofrendo com essa falta de estímulo e de campanhas mais massivas sobre a atividade física. E aí eu quero te fazer uma provocação para que, nos próximos anos, a gente tenha a possibilidade - e aí também quero ouvir a sua opinião, Ministro -, e a oportunidade de ver propagandas mesmo, campanhas em nível nacional, capitaneadas pelo Governo Federal, pelo Ministério, sobre a promoção da atividade física. A Dra. Stéphanie foi muito assertiva ao fazer essa provocação, e eu acho muito importante o Governo Federal estar conosco não só tratando da semana nacional e a gente aqui conversando... A gente tem que expandir isso para o país mesmo, isso é muito importante, e só vai acontecer se o Governo Federal, o Ministério, estiverem conosco nessa empreitada. Então, quero agradecer a sua presença. Eu sei da sua agenda e vou passar a palavra para você. Muito obrigada por estar aqui, Ministro. Obrigada. O SR. PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO (Para expor.) - Bom dia a todos e todas. Eu quero agradecer o convite à minha querida amiga e Senadora Leila. Quero cumprimentar toda a mesa; o meu amigo e Presidente da CBDE, Robson; todos os presidentes de confederação; e o Paulo Maciel, que está aí, Presidente também de Federação. Enfim, cumprimento todos vocês, porque eu sei que é aqui que o esporte passa a acontecer. O esporte, Senadora Leila, não acontece a partir dos palácios, dos prédios de ministério, de órgãos governamentais, de secretarias estaduais, de secretarias municipais, mas o esporte ocorre a partir daqueles que fazem com que ele se movimente todos os dias. |
| R | Eu vim aqui... Peço desculpas, também, pela correria: hoje é o Dia Nacional do Esporte, para nossa felicidade, para nossa alegria, e nós estamos comemorando a Semana Nacional do Esporte. Então, é um momento bastante profícuo para que se discuta, em alto nível, o esporte no Brasil. É muito importante, Professora, trazer também para o cerne do debate a academia. Eu estudei em universidade pública e sempre achei muito distante o mundo da academia do mundo real das coisas. É inconcebível que, em um país que está entre as dez maiores economias do mundo, a economia se encontre como algo que paire acima do bem e do mal, em um nicho que não dialoga efetivamente com outros espaços, o que, para o esporte, é fundamental. Eu estou saindo daqui - estou abrindo esse parênteses para falar porque eu estou saindo daqui correndo, inclusive -,para assinar um ACT com a Universidade Federal do Paraná, onde eles estão fazendo um trabalho maravilhoso, que é um trabalho de mapeamento de todo o parque esportivo que nós temos no Brasil. E, a partir dessa radiografia, a partir dessa fotografia, é que, efetivamente, Senadora, se pode começar a trilhar o caminho da efetividade de políticas públicas com eficiência e reais. Por quê? A Senadora acabou de me provocar para tratar de uma campanha - uma campanha maravilhosa -, e desde já, conte com o meu apoio, conte com o apoio do Ministério do Esporte e do Governo, porque é muito simples, é matemático: a cada pessoa, Professora - estou falando empiricamente, mas isso é muito simples -, para cada pessoa que pratica esporte neste país, você tira das portas do SUS, de imediato, ele e qualquer outro que vier a praticar qualquer esporte. Isso é algo patente. Já falei várias vezes com o Ministro Padilha, falei sobre isso, pedi até... A gente sempre chora, e pedir não ofende, né? A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Fora do microfone.) - Sempre pedindo. O SR. PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO - E a gente já está celebrando algumas parcerias, inclusive para implementar academias de qualidade - não aquela academia mais antiga, mas academias de qualidade pelo Brasil afora, em uma parceria do Ministério do Esporte com o Ministério da Saúde. Por quê? Porque, se nós pegássemos um pouco do orçamento que nós temos para a saúde pública e alocássemos no esporte, eu tenho certeza de que o SUS diminuiria em seu tamanho, para regozijo de todo o povo brasileiro. Não adianta você ficar trabalhando só com saúde depois que a doença já acomete a pessoa. Não, nós temos que trabalhar é em saúde preventiva. E fazer publicizar esse tipo de situação é algo fundamental para que se avance, para que se construa a caminhada mais segura e com mais resultados. Então, eu sou entusiasta. Vou também lutar junto à Secom, Senadora Leila - já me comprometo -, para que a gente possa ter mais dotações e fazer com que esse tipo de política não só chegue à ponta com efetividade, mas que, principalmente, seja publicizado para chamar a atenção. Eu acabei de vir de um evento maravilhoso, um evento em que se homenagearam as heroínas da seleção brasileira feminina de 1988 e 1991, as pioneiras, não é? Assim, foi algo que me emocionou. Emocionou porque, em um país que tem mais de 200 milhões de habitantes - cerca de 50%, mulheres -, e que, no nível de estrutura democrática que hoje se tem, nós tivemos a infelicidade de ter uma proibição legal, a partir de um decreto-lei de 1941, do Presidente Getúlio Vargas, que proibiu a prática do futebol feminino. Mas trazer aquelas pioneiras e sentir a emoção, e sentir como o povo começa a encarar essas mudanças, é algo que me emocionou, me honrou, me deixou feliz, e eu queria dar muito mais publicidade para que esse tipo de evento chegue. |
| R | Nós vamos ter uma oportunidade ímpar, a partir de 2027, para a virada de chave. E o grande legado que se quer construir com a Copa de Futebol Feminino de 2027, Senadora, não é um legado de infraestrutura; isso nós já temos, não é? Parques com infraestrutura para o alto rendimento e em um nível superior ao de vários países do Norte desenvolvido, nós temos, mas a virada de chave e o legado que nós queremos deixar são o legado de mudança sociocultural da realidade do futebol feminino e, consequentemente, do esporte feminino em nosso país; é disso que nós precisamos. E, enquanto eu estiver no Ministério do Esporte - desde quando eu estava como Secretário Nacional de Esporte, Secretário Nacional da Sneaelis, e muitos que estão aqui me acompanham e veem a luta que a gente desbrava nesse sentido -, eu quero dizer que, enquanto nós estivermos à frente do esporte, à frente do Ministério do Esporte, nós vamos lutar incansavelmente para que o esporte brasileiro se desenvolva, e se desenvolva com qualidade em todos os espaços: no esporte amador, no esporte educacional, no esporte de base, no esporte universitário, até no alto rendimento, porque o esporte é muito mais do que essa prática, o esporte é uma mudança fática da realidade socioeconômica, Professora; é uma mudança de vida. É uma mudança que impulsiona para que as pessoas efetivamente transformem as suas realidades. E é nesse sentido que o Mesp, o Governo brasileiro e eu, à frente da gestão do Ministério do Esporte, temos a certeza de que contamos com a contribuição luxuosa de todas as senhoras e senhores que estão aqui, e de tantos outros que ocupam grande espaço, grande parte da sua vida com tempo de qualidade, abdicando até de uma convivência maior com a sua família e até do seu patrimônio para que o esporte aconteça. Contem com isso. É essa a nossa luta diária, essa é a nossa luta diuturna, e eu tenho certeza de que nós estamos caminhando bem, Senadora. A senhora é uma entusiasta, uma heroína, alguém que teve a sua realidade de vida transformada a partir do esporte. Eu era vizinho da Senadora - um orgulho imenso! -, eu era vizinho da Senadora na QSD, não é? Eu não me canso de falar, porque quem não esquece de onde veio sabe para onde caminhar, e eu vi a luta dela. Hoje ela é Leila, Senadora, e eu tenho certeza de que Deus vai abençoá-la, eu venho lhe dizendo isso, e ela terá o seu mandato renovado pelo povo do Distrito Federal. Não estou pedindo voto, só estou constatando uma certeza. (Palmas.) Estou acompanhando as pesquisas e fiquei imensamente feliz, mas eu vi; eu fui testemunha viva; eu fui testemunha ocular da luta da Senadora Leila. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Até porque eu não te deixo tranquilo no ministério. (Risos.) O SR. PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO - Não, a senhora sempre me deixa tranquilo, todos vocês. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Carne de pescoço. O SR. PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO - Então, eu não quero me alongar mais. Quero agradecer o espaço que me foi concedido, que me foi conferido, para que eu pudesse vir falar. |
| R | Todos que estão aqui sabem do meu entusiasmo pelo esporte e que, sempre que posso - e, às vezes, até quando não posso -, eu corro e vou lá presencialmente, mesmo que seja para levar algumas palavras de carinho para aqueles que lutam todos os dias pelo esporte brasileiro. Muito obrigado a todas e todos. E contem conosco sempre. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Muito bom, Ministro. Obrigada. O SR. PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO - E, Senadora, só quebrando o protocolo, infelizmente, eu vou ter que me ausentar, porque eu tenho que correr para assinar esse ACT, que é importante... A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Não, eu imaginei - eu imaginei. Vá lá... O SR. PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO - E, só lembrando o ACT, eu também tive uma reunião - eu me esqueci de falar - na ABDI, e, lá na ABDI, Professora, a gente também está fazendo mapa a partir do resultado econômico que a indústria do esporte traz para o Brasil, para o povo brasileiro. E eu quero somar esse mapeamento da Universidade Federal do Paraná com o da ABDI para que a gente possa avançar cada vez mais nesse sentido. E me desculpe aí pelo... A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Imagine, Ministro. Aqui você tem o tempo que você quiser. Inclusive, eu acho muito importante esse estudo, porque, nas exposições iniciais da Dra. Stéphanie e do Marcio Atalla, é justamente a falta de oportunidade que o Estado dá para os mais vulneráveis... Nós precisamos de equipamentos. Não dá para fazer uma atividade... Correr dá - não é, Doutora? -, beleza, pegue uma rua aí e saia correndo, mas nem todo mundo consegue por causa de lesões de joelho, de quadril - eu sei disso - e por várias outras situações. Então, equipamentos... Eu acho que é fundamental não só o Governo Federal, mas os governos municipais e estaduais se atentarem à oferta de equipamentos. Ontem mesmo, eu estava em Planaltina, inaugurando um ginásio, o primeiro de uma cidade que é pioneira - a cidade de Planaltina é centenária -, o primeiro ginásio poliesportivo. Graças a Deus, com o nosso mandato, fruto das nossas emendas, nós inauguramos o primeiro ginásio poliesportivo de Planaltina ontem. Então, claro, ali nós vamos oportunizar atividade física, vários campeonatos, mas é mais do que isso: é um espaço que agrega várias outras políticas fundamentais na área da educação, na área da cultura, porque lá vai ter festivais, vai ter feiras de ciência, vai ter atividade esportiva. A gente tem que se atentar mais a essa oferta e oportunizar esses equipamentos para que aqueles que não têm condições de pagar uma academia para fazer atividade possam fazer essa atividade ao ar livre, porque você está cuidando do coração, do corpo dele, enfim. Então, esta é uma preocupação que nós estamos tratando aqui, hoje, e que é fundamental: para além de tratar de alto rendimento, de toda essa cadeia esportiva que nós vivenciamos diariamente, é oportunizar atividade física para a nossa população, principalmente para as mulheres, os idosos e os mais vulneráveis. Ministro, eu quero lhe agradecer por você estar aqui, você sabe o quanto eu sou fã. E, gente, mais uma salva de palmas. (Palmas.) Muito obrigada. Você está liberadíssimo. Obrigada de coração! O SR. PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO - Muito obrigado mesmo! (Pausa.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Ministro. Grata pela presença, Ministro Paulo Henrique, Ministro do Esporte, grata pela palavra e pela exposição aqui. Boa agenda, porque a semana vai ser intensa para o nosso Ministro. Eu vou passar a palavra agora para o Kelvin Bakos, que é fundador e Diretor do Instituto Athlon. Seja muito bem-vindo, Kelvin. O SR. KELVIN BAKOS (Para expor.) - Obrigado. Exma. Sra. Senadora Leila Barros, muito obrigado pelo convite para estar aqui, nesta data tão especial. Na sua pessoa, cumprimento todas as autoridades aqui. |
| R | A tomar protocolo aqui, cumprimento a minha esposa Ruth, aqui presente, na pessoa da qual cumprimento todas as mulheres. Aos atletas do Instituto Athlon aqui presentes, atletas campeões, medalhistas paralímpicos, Edson Pinheiro, do atletismo... (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Bem-vindo, Edson! Seja bem-vindo! O SR. KELVIN BAKOS - Medalhista nos Jogos Rio 2016 e convocado agora para o mundial. O André Dantas, do golbol também, daqui, de Brasília... A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Sejam bem-vindos! O SR. KELVIN BAKOS - Ele foi medalhista em Paris, campeão mundial interclubes pelo nossa equipe do Instituto Athlon e agora, na semana passada, na China, foi medalhista de bronze no mundial, na China, com a Seleção Brasileira de Golbol. (Palmas.) É uma felicidade muito grande poder falar aqui do esporte para a pessoa com deficiência. É uma alegria poder transmitir aqui um pouco do que nós fundamos lá atrás, que foi o Instituto Athlon, que são as vitórias que ecoam além do pódio, ainda mais neste mês, em que nós estamos completando 15 anos da existência que começou lá atrás, em 2011, com apenas quatro pessoas com deficiências visuais que queriam praticar atividade física na parte competitiva. Lá nós começamos, como a maioria das associações, com uniforme emprestado, com vaquinha, com aquela luta... Até nossa primeira calça, Senadora, foi uma calça doada de médicos, com que nós fomos competir. E olhem onde nós estamos aqui: sendo convidados por esta Comissão. É uma felicidade muito grande. No ano passado, nós fomos campeões mundiais interclubes; nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, nós pudemos contribuir para o Brasil com 12 medalhas - com 12 medalhas nossos atletas contribuíram para a delegação paralímpica brasileira. Então, nossa missão, desde aqueles quatro atletas até hoje, continua, que é transformar a vida da pessoa com deficiência por meio do esporte. (Pausa.) Aqui é uma pequena trajetória. A nossa primeira participação em Jogos Paralímpicos foi até com o Edson, que conquistou a medalha de bronze no Rio 2016. Estivemos em Tóquio, em Paris, acumulando aí 15 medalhas em jogos. Aqui é um pouco das nossas modalidades para pessoas com deficiência. Hoje nós estamos desenvolvendo dez, entre elas, atletismo, natação, golbol masculino e feminino, vôlei sentado, ciclismo, bocha, judô, caratê, xadrez e halterofilismo. Essas modalidades abrangem hoje mais de 400 famílias que se envolvem com pessoas com deficiência. E a nossa entidade também oferece modalidades esportivas para pessoas sem deficiência, abrangendo um pouco mais de 300 famílias, a partir dos oito anos de idade. Então, a gente acredita muito nesse poder do esporte. Nós estamos hoje em 14 núcleos, sendo nove em São José dos Campos, estamos em Sorocaba, no Rio de Janeiro, em dois locais, e em São Paulo também com núcleo de alto rendimento do atletismo. Temos aí atendendo quatro deficiências: física, visual, intelectual e transtorno do espectro autista. |
| R | Ano passado, nós oferecemos um pouco mais de 2 mil atendimentos e mais de 800 mil aí, envolvendo toda a equipe multidisciplinar. As nossas conquistas, como eu coloquei até aí, fomos... Ano passado, foram 198 eventos dos quais participamos, nos quais pudemos proporcionar a participação à pessoa com deficiência. Até mesmo àqueles festivais nós levamos aquela criançada com autismo, com deficiência intelectual, tudo participando e podendo proporcionar o esporte. Foram três recordes mundiais que nós tivemos, destacando aqui a Sabrina Custódia, que foi medalhista no ciclismo e recordista, a primeira pessoa, mulher ou homem, do olímpico ou paraolímpico, no ciclismo a bater um recorde mundial, conquistando medalha de bronze. E pudemos oferecer aí um pouco... Foram 1.115 medalhas ao longo do ano passado. No ano passado, também nós fomos aí... Foi uma longa jornada, daquele grupinho de quatro pessoas até atingir o topo do mundo, da nossa entidade, que foi na Finlândia, em 2026 - o André está aqui e fez parte. A Sabrina, como também mencionado, fez a quebra do recorde mundial. E nós também temos a consciência de que o esporte tem que ser amplo. Nós estamos trabalhando muito nessa questão do ESG, da parte ambiental, da parte social, da parte da governança. Nós estamos trabalhando com a economia circular, através de material reciclado, como mochila... Então, todos os nossos hoje atendidos têm itens da parte sustentável, da parte do meio ambiente, como squeeze biodegradável, as suas mochilas... E, com certeza, não podemos deixar de fora o serviço social, cuja pauta vem aí ao encontro, porque nós estamos unindo o esporte, a parte ambiental, a social, como também fazendo o acompanhamento lá no núcleo familiar, como também o acompanhamento na parte escolar. Nós atendemos, hoje, a partir de 8 anos, e nosso atleta hoje mais velho tem 64 anos. Então, a gente pega toda essa faixa etária. Aí um pouquinho que... Nós fizemos uma troca de faixa bem inclusiva, levamos aí alguns personagens da Disney... E essas daqui são onde nós trabalhamos na gestão de modalidades do Atleta Cidadão, que é um programa em que hoje a gente desenvolve sete modalidades para a pessoa sem deficiência, um pouco mais de 260 jovens a partir de 6 anos. Para participar desse programa, obrigatoriamente tem que se estar matriculado na escola. Se ele não estiver matriculado, ele perde a vaga. Então, os profissionais - os psicólogos, os técnicos - fazem o acompanhamento da questão da evasão escolar, das notas... Então, tem toda uma equipe multidisciplinar que faz esse acompanhamento. |
| R | E, não distante disso, nós não poderíamos não olhar para onde nasceu o Athlon, as pessoas com deficiência, e nós conseguimos, este ano, implantar nas escolas, em São José dos Campos... Iniciamos com um embrião em três escolas e pensamos, a curto prazo, abranger mais, porque, hoje, os nossos treinamentos... Nós realizamos um acompanhamento dessa evasão, mas nós pensamos: "Por que não levar isso para dentro das escolas?". Então, para aquelas pessoas com deficiência que vão para a escola e que muitas vezes não têm a oportunidade - na grande maioria das vezes - de fazer uma prática da atividade física na escola ou, às vezes, a família também não leva para os nossos treinamentos ou outro local, nós falamos: "Vamos oferecer no contraturno escolar". Então, fizemos aí um programa juntamente com a prefeitura e, no contraturno escolar, iniciamos com o caratê para pessoas com deficiência intelectual, autismo - e deixamos muito aberto a todos os deficientes da escola -, o judô e o golbol também. São três escolas espalhadas pela cidade. Nós fizemos um centro de referência nessas escolas, é aberto para toda a rede municipal com mais de 67 escolas que podem participar. E nós vamos começar a ampliar isso aí para fazer esse acompanhamento... Evasão? Não, ele tem que estar na escola para praticar, porque a nossa ideia é que ele vá fazendo a parte educacional e esportiva para que, quando se forme, esteja no esporte. Por isso também, quero agradecer aqui ao Governo, porque, através da sua Lei de Incentivo ao Esporte, nos proporciona fazer tudo isso. Acho que sem o Governo... A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - E agora é permanente, graças a Deus. O SR. KELVIN BAKOS - Exatamente. Agradeço muito, Senadora, todo o apoio que você dá ao esporte, ao Paulo Maciel aqui, à Roseane, do CBCP. Para a gente é muito importante ter esse apoio. Sem esse apoio, nós não faríamos nada e não estaríamos aqui. E, para retratar isso, tem um vídeo bem rapidinho para encerrar a minha fala. Agradeço muito a oportunidade. (Pausa.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Enquanto eles estão ajustando o vídeo, Kelvin, eu queria perguntar a você: com toda a sua experiência no Instituto Athlon, quais são os desafios que a gente hoje tem para ampliar o acesso da pessoa com deficiência ao esporte, para que ele se torne mais inclusivo? Na sua experiência, quais são os maiores desafios? O SR. KELVIN BAKOS - Acho que o grande desafio aí é aquela barreira familiar. A gente pega aí a questão da superproteção, a gente pega a barreira familiar, há uma superproteção. A gente pega a questão da mobilidade, pois o acesso acaba sendo muito complexo. Nós sabemos que, na cidade em que nós estamos, tem um certo diferencial em transporte e tudo, mas mesmo assim é difícil. Nos contatos com as outras entidades, o acesso é muito complexo. O recurso tem chegado através das leis de incentivo e tudo, mas hoje essa quebra do paradigma de a família abrir e levar para o esporte - "meu filho tem deficiência, ele pode praticar, ele pode ser uma pessoa com deficiência praticando atividade física e ser um atleta", como aqui no exemplo de Edson e André - acho que é a principal barreira. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Kelvin. Vamos ao vídeo. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | O SR. KELVIN BAKOS - Obrigado a todos pela atenção, Senadora, muito obrigado pelo espaço. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Nós que agradecemos. Kevin, mande um abraço a todos do Instituto Athlon. Grata pela participação. Antes de passar para o próximo expositor, eu gostaria de registrar aqui a presença - e agradecer também - do Sr. Humberto Panzetti, que é o Presidente da Associação Brasileira de Secretários Municipais de Esporte e Lazer; do Lindberg Cury, Secretário da Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados; da Sra. Maria Paula Tavares, Relações Institucionais e Assessora da Presidência do Cref-1, Rio de Janeiro; do Edson Cavalcante Pinheiro, Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB); da Sra. Heloisy Pissinatii, da Confederação Brasileira de Ciclismo; do Ricardo Vidal, Assessor de Relações Institucionais da Confederação Brasileira de Atletismo; do Sr. Augusto Pompeu de Souza, Assessor Parlamentar institucional do TRF-1; da Sra. Simone Simon, Chefe de Gabinete da Confederação Brasileira do Desporto Escolar; do Sr. Marcelo de Lima, do Conselho Deliberativo da Rede Esporte pela Mudança Social (Rems); e do Sr. Ricardo Fantacini, que é do Eixo Estratégia Política e Advogado da Rede Esporte pela Mudança Social. Bom, agora eu vou passar a palavra para o Sr. Felipe Pitaro, que é membro do Conselho Deliberativo da Rede Esporte pela Mudança Social (Rems). Olá, seja muito bem-vindo, Felipe. O SR. FELIPE PITARO (Para expor.) - Obrigado, Senadora. Quero cumprimentar todas e todos da mesa e todas as pessoas presentes e dizer que hoje eu venho aqui representando a Rems, que é a Rede Esporte pela Mudança Social. A Rems é um movimento muito importante hoje no esporte brasileiro, esporte voltado ao desenvolvimento social, porque ela reúne alguns números que são bem relevantes hoje para a realidade, principalmente das organizações sociais que trabalham em prol do desenvolvimento pelo esporte. Em termos de números, hoje nós somos 143 organizações, com mais de 165 mil pessoas atendidas por ano, nas cinco regiões do Brasil, em 25 estados e mais de 270 municípios. Hoje as organizações que compõem a rede oferecem mais de 60 modalidades e comportam mais de 17,5 mil colaboradores, entre trabalhadores diretos, voluntários, estagiários, lideranças e pessoas ligadas ao esporte de uma maneira geral. E esse tipo de movimento é importante por alguns aspectos. Há uma tendência quase natural de as organizações sociais trabalharem nos seus contextos específicos de demandas e territórios, e isso faz, muitas vezes, com que essa metodologia que é criada, de trabalho comunitário e desenvolvimento, usando; usando, não, vivenciando o esporte como a ferramenta principal de diálogo com esses territórios não pode ficar isolada. E não pode ficar isolada porque as descobertas são importantes. Isso não é um conteúdo acadêmico, isso é um conteúdo que vem da prática, é um conteúdo empírico. E a construção de uma rede faz com que a gente tenha mais elementos para discutir os problemas sociais do Brasil, trabalhando o esporte como uma forma de intervenção. |
| R | Eu ouvi o Marcio falar sobre a questão da escola e queria começar por aí. Eu tive a felicidade e o desafio de ser professor da rede estadual do Rio de Janeiro, durante 15 anos, da disciplina Educação Física. E para que as senhoras e os senhores entendam a complexidade do trabalho da educação física hoje dentro da escola, eu comecei professor de Educação Física e terminei dando cinco disciplinas diferentes, sendo que só uma era ligada à educação física. Isso acontece porque há uma perda constante de espaço da educação física dentro das escolas, e não falo só de esporte, falo da brincadeira, do jogar, do tempo livre, da convivência, do resgate da cultura de rua que muitos de nós aqui trazemos na nossa história e que tanto a expansão imobiliária nas grandes cidades quanto o aumento assustador da violência vêm reduzindo em termos de oportunidade, vivência, experiência, atividades das quais a gente tem uma memória afetiva muito forte, que nos uniu, que nos constituiu enquanto sujeitos, enquanto grupos. Então, o primeiro lugar de vivência desse trabalho vem a ser a escola. E quando esse espaço não privilegia a educação física como área de conhecimento, como área de pertencimento, como o Marcio também nos disse, nós vamos abrindo mão para outros tipos de discussão que nos parecem mais úteis e importantes para uma melhoria de vida, nós vamos esquecendo que o corpo é presente na escola, que é a partir do corpo que se acessa o mundo, nós vamos deixando que isso se perca ao longo do tempo e esse corpo vai se tornando cada vez mais elemento utilitário: ele serve para trabalhar, ele serve para estudar, ele serve para a constituição das famílias, mas muito poucas vezes ele serve para o autocuidado, o autoprazer, o autodesenvolvimento, que é o que as práticas, em geral, de ludicidade e esporte nos permitem. Fora isso, a gente tem um outro problema, Senadora, muito grave, que é a questão da percepção do tempo. Durante muitos anos no Brasil, principalmente nas comunidades do Rio de Janeiro, o que determinava a dignidade da pessoa, a identidade dela, se era uma pessoa de bem ou não, era a carteira de trabalho. Então, o tempo dedicado ao trabalho, o tempo útil, o tempo em que produz riqueza ou sustentação ainda é o tempo mais importante. O tempo livre, o tempo de jogar, de brincar, de aproveitar - embora seja uma atividade extremamente séria brincar, jogar, praticar esporte - tem, me parece, um prazo de validade. A infância é muito privilegiada, nós temos muitos projetos de infância, mas, quando nós passamos ao elemento da juventude, nós já começamos um corte. Os cursos, as preparações, o primeiro emprego, a aprendizagem... E o esporte vai diminuindo. Quando nos tornamos adultos e adultas, mais ainda. E, quando a gente separa o tempo em classes sociais, a gente tem uma divisão do tempo ainda mais cruel. As longas jornadas de trabalho, o tempo dedicado ao transporte público, a necessidade de cuidado com a casa e com a família... Quando nós fazemos as campanhas, há um investimento, hoje, expressivo em esporte no Brasil. No ano passado, foi mais de R$1 bilhão investido na lei de incentivo, fora outras políticas que investem no esporte, mas a lei com muito destaque. Mas por que a gente ainda tem os dados que tem? Por que a gente ainda tem uma participação tão baixa? Porque há uma cultura de não aproveitamento desse tempo, porque há uma cultura de investimento realmente na sobrevivência ou em todos os elementos que levam a isso. Não sobra tempo muitas vezes. E nós ainda temos uma questão de gênero nessa discussão. Ainda temos as mulheres praticando menos esportes, porque elas ainda estão vinculadas a muitos cuidados parentais, familiares, domiciliares, aos quais os homens muitas vezes não estão tão comprometidos. |
| R | A gente está falando de cultura, a cultura da escola. Então, no espaço de pesquisa, educação e formação, nós temos o esporte como uma subcategoria de atividade ou de pesquisa e aprendizagem. Depois, nós temos uma percepção de tempo e utilidade do tempo voltada à geração de renda. Para aqueles que vão para o esporte de rendimento e podem ter uma perspectiva de futuro, o.k., é permitido o treinamento, é permitido o engajamento. Mas para aqueles que não se envolvem, o tempo do brincar, do jogar, do livre é um tempo comprometido, principalmente nas classes mais baixas. Nas classes mais altas, ele é um espaço de preparo para a vida. Então, ele é permitido, porque esse tempo é disponível para a formação do sujeito integral. Mas nós ainda não temos o mesmo tipo de direito e formação nas classes mais baixas, economicamente falando. Então, este é um ponto importante: nós pensarmos numa política de construção do esporte, da atividade física, do jogo e da brincadeira que venha da escola, da família. Hoje as igrejas têm um papel fundamental nessa organização social, de mobilização dos territórios. Então, são passos importantes para essa discussão nos projetos sociais, nos clubes, e nós precisamos da construção e da discussão desse tempo. E esse tempo só vai ser reconhecido se ele realmente for entendido e vivido como direito, e não como oportunidade, e não como a possibilidade ou a demanda para se fazer, porque, senão, de novo, a gente investe, investe, investe e muita coisa não vai à frente. Parece que a gente muitas vezes está girando em círculos e o objetivo central do nosso trabalho acaba não sendo atingido. O trabalho da Rems hoje é um trabalho importante porque ele vem gerando diversidade da prática, ele vem se espraiando pelo Brasil, principalmente em contextos em que a discussão do esporte ainda precisa de um investimento maior, como, por exemplo, na educação do campo, que é um território em que ainda falta uma discussão sobre o esporte mais forte, nos interiores onde as crianças e os adolescentes precisam, por exemplo, andar 5km, 6km, 7km para chegar às suas unidades escolares ou aos projetos. Nós precisamos da revitalização e realmente da intencionalidade da ocupação e da mobilização do espaço público. Eu venho de uma cidade onde o espaço público vem sendo cada vez mais diminuído pelos limites que a violência e que a criminalidade vêm impondo à população. O Rio de Janeiro vem se tornando cada vez mais refém dessa falta de espaço e liberdade para ir e vir e para estar no espaço. Inclusive, a gente tem uma máxima importante de que os projetos visam tirar as crianças da rua. Não, pelo contrário, a gente precisa devolver às pessoas a rua em condições de segurança. A maioria de nós brincou na rua; então, é como se algo da nossa vida e da nossa cultura tivesse sido roubado. A Rems vem também buscando uma integração. E aí o esporte precisa pensar, o campo esportivo precisa pensar em ser um campo de pertencimento, porque ele precisa se articular com a assistência social, porque ele precisa se articular com a educação - e educação aí não como ideia, não como plano, mas com a pedagogia, com todas as áreas de construção de conhecimento, incluindo o corpo, o movimento, o espaço como elementos de construção da racionalidade. Isso é fundamental, né? O esporte não é aquele espaço, a educação física não é o espaço de gastar energia e voltar para uma atividade séria, ele é uma atividade séria, né? Talvez seja a atividade mais séria com que as crianças e os adolescentes se envolvem durante os primeiros anos de sua vida. Então, a rede hoje tem um papel fundamental para a construção de uma cultura, para a construção desse espaço de debate e entendimento de que o esporte por si só não vai chegar a esse desenvolvimento humano e social que a gente pretende. Ele precisa ser uma política intersetorial, ele precisa ser uma política integrada entre todas as linhas e manifestações esportivas que, por exemplo, o Sistema Nacional do Esporte propõe. Nós precisamos de uma união em torno da construção de um método, de um pertencimento do cidadão brasileiro ao campo do esporte, ao campo da ludicidade, ao campo do brincar, né? E não de forma terapêutica, não de forma compensatória, não de forma a dar aquilo que a pessoa não tem, mas no exercício do direito, no exercício de uma das manifestações mais importantes de desenvolvimento humano que nós temos e que gera todo o nível de prevenção, de ganho econômico, como a Dra. Stéphanie falou aqui, como o próprio Marcio também falou, de inclusão. E inclusão no sentido não de incluir quem está fora, mas de incluir todos nós no mesmo modelo de discussão e vivência social. Então, quando a gente se une em rede para discutir esporte, a gente está falando sobre isso, né? A gente está falando sobre toda essa problemática de que ainda no Brasil colocam o esporte como uma não prioridade, muitas vezes, diante de tantos desafios que nós temos, né? Comer, morar, circular, viver. Mas se a gente entende que temos no esporte um campo de conhecimento, um campo de pertencimento e um campo de direito capaz de realmente promover mudança social, eu acho que a gente começa realmente a colocar o esporte - e repito, a brincadeira, a ludicidade, os jogos e a convivência - no lugar de destaque e de prioridade que de fato ele merece. |
| R | Então, para finalizar, eu creio que hoje o trabalho das organizações sociais é importante no sentido de chegar muitas vezes onde a política pública tem alguma dificuldade de chegar, mas ela chega junto, porque a Lei de Incentivo ao Esporte hoje é um diferencial, e há que se reconhecer aqui todo o esforço que foi feito para torná-la perene, no último ano, e isso é uma vitória realmente de uma articulação muito grande, porque é o principal mecanismo de fomento e desenvolvimento do esporte no Brasil hoje. Então, temos que reconhecer todo o esforço que foi feito e temos que reconhecer também todas as competências que estão sendo criadas. Espaços como esse têm que servir para que nós possamos trazer tudo que vem sendo construído e tudo que pode ser acessado para que a gente realmente consiga chegar ao objetivo maior, que é transformar o esporte numa política de desenvolvimento humano. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Excelente, Felipe. Você, na sua fala, colocou-me em vários momentos de reflexão aqui. Justamente esta questão: não é tirar a criança da rua, é dar a ela o direito de brincar na rua assim como a nossa geração - e de fato é isso. E tantas outras... tantos momentos aí da sua fala. Aí eu pergunto... Você que atua - a Rems - muito nesses territórios mais vulneráveis, queria que você falasse um pouquinho da sua visão - e, claro, foi excelente a sua fala. Qual é o poder transformador da atuação dessas organizações nesses territórios mais vulneráveis? O que você sente na prática, nesse dia a dia do esporte, da força do esporte como transformação, como uma ferramenta de transformação na vida desses jovens? |
| R | O SR. FELIPE PITARO - Senadora, acho que, primeiro, muitas vezes a gente ouve as nossas próprias organizações muitas vezes dizerem assim: "Olha, nós queremos chegar ao dia em que nós não sejamos mais necessários". Eu penso o contrário. Eu penso que, toda vez que a sociedade civil se organiza e atua, ela tem um poder de diálogo muito grande para qualificar aquilo que é público, aquilo que é de todos e todas, porque somos nós discutindo sobre nós mesmos. Então, as organizações sociais são um ponto de debate, de acolhimento e de segurança nesses territórios. Nós hoje temos uma capacidade de identificar, mapear as questões, discutir com a população e apresentar possibilidades de soluções que geram um nível de participação e protagonismo muito importante para esse público. Durante a pandemia de covid-19, muitas organizações relataram que descobriram, naquele momento, a importância de associar o esporte, por exemplo, a ações de assistência social e outras. E que bom que a gente... É ruim que descobrimos dessa forma, mas que bom que descobrimos. Então, a gente tem que entender que as organizações hoje têm o papel importante de qualificar o diálogo e fazer a mediação, muitas vezes, entre essa população e a política pública que está sendo incentivada nesses locais. Nós temos o papel de ouvir a população e desenhar projetos que, de fato, possam criar referência nesses territórios. E, principalmente, nós temos que ser capazes de ser transparentes para gerir os recursos que nós temos e aplicar esses recursos em ações que realmente são mensuráveis e têm efeito. Eu acho que esse é o ponto, sabe? Fazer atividades pela demanda não muda a realidade. A gente tem que, na verdade, criar a possibilidade de ter ali a diferença; criar referências de juventude; criar referências comunitárias que possam se espraiar para outros âmbitos daquele território; criar referências de ação que possam servir de base para a formação de novos profissionais. Então, eu acho que o nosso papel é colaborar. O nosso papel é criar referências e colaborar, de fato, para que a gente tenha um entendimento de como essas áreas vulneráveis funcionam, derrubando estigmas, criando a situação da oportunidade e, de fato, entendendo em que aqueles problemas consistem. Acho que essa é a nossa missão. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Entendendo a especificidade daquele território, como o senhor fala da igreja. O SR. FELIPE PITARO - Sim. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Nossa, olha, excelente! Eu acho que o barato da política é este: quando você tem o coração aberto e entende o seu propósito, você começa a ouvir. A todos vocês eu quero agradecer, porque quanto mais eu escuto, mais eu... Sou quase uma esponjinha, eu sou quase uma criança aqui dentro do Senado, porque quanto mais eu troco nessas audiências, mais parece que o olhar se abre. Nossa, quantas oportunidades surgem e quanto a gente pode avançar não só em termos de orçamento, mas em descobrir esses detalhes, essas minúcias. Muitas vezes o terceiro setor... Eu sou muito fã do terceiro setor. Eu sou particularmente muito fã, porque, como você falou, o terceiro setor muitas vezes é aquele braço, de repente, do Estado que não chegou àquela área. Ele está ali, cuidando daquele jovem, cuidando daquela família, dando aquela assistência que o Estado deveria dar. Então, quero só dizer a você, representante da Rems, o quanto que eu sou fã e reconheço em vocês o trabalho - esse trabalho fundamental, principalmente com os mais vulneráveis. Obrigada, viu, Felipe? Grata a todos da Rems. Obrigada. (Palmas.) É isso. Bom, eu quero continuar aqui citando os que estão aqui conosco. O David... É Baker? (Intervenção fora do microfone.) |
| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - David Baker. Não erro mais, cara. David Baker, Relações Institucionais da Confederação Brasileira de Vela; o Sr. José Carlos Pinheiro, Relações Institucionais do COB; a Sra. Nayce Samara Santos, Assessora de Comunicação do Cref7/DF; a Sra. Roseane Estrela - Rosinha, querida Rosinha -, Relações Institucionais da Confederação Brasileira de Clubes Paralímpicos; o Sr. André Cláudio Dantas, atleta; a Sra. Ruth Bakos, Fisioterapeuta; e o Sr. Rodrigo Rangel, Consultor Esportivo. Bom, eu vou passar a palavra agora para o Robson Aguiar, que é o Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE). Tanto foi citada aqui a questão da escola - né, Robson? -, todos nós sabemos que é um desafio. Seja muito bem-vindo, Cláudio. O Robson, na verdade, é um grande parceiro, inclusive, da Comissão, está sempre aqui conosco nas audiências. Obrigada. O SR. ROBSON AGUIAR (Para expor.) - Obrigado, Senadora Leila Barros, pelo convite e por sempre receber muito bem a CBDE aqui na Comissão. Quero saudar todos os amigos do esporte aqui, nosso querido Paulo Maciel, do CBC; Sebástian, do COB; e todos os outros membros da mesa que expuseram belíssimas falas aqui durante as suas apresentações. E, como a senhora falou, a gente vai aprendendo muito, e foi um aprendizado muito grande hoje. Eu vou falar um pouco sobre a CBDE (Confederação Brasileira do Desporto Escolar) e como que a gente contribui, de alguma forma, com a evasão escolar e a formação cidadã. (Pausa.) Enquanto eu espero, um abraço aos amigos "cageanos", também, que estão aqui. (Pausa.) Bem, Senadora, eu vou começar falando enquanto o pessoal prepara... A CBDE completou 26 anos agora, em 25 de maio. É uma entidade relativamente nova, mas que tem contribuído bastante já com o esporte escolar brasileiro. Hoje em dia, desde 2021, nós estamos organizando também os Jogos Escolares Brasileiros, um evento com mais de 5,4 mil atletas. Este ano será aqui em Brasília, em setembro, com mais de 9 mil participantes, ou seja, um evento enorme, é quase uma Olimpíada. Então, a gente tem essa responsabilidade. Nós temos a nossa missão, a nossa visão, os nossos valores de integridade, respeito, excelência, inclusão e transformação. O Dia Nacional do Esporte é um dia importante. Nós conseguimos aprovar o Dia Nacional do Esporte Escolar, dia 25 de maio, e agora nós temos o Dia Nacional do Esporte, que acredito que vai ser um dia que vai fazer a diferença daqui para a frente, porque as ações que vão acontecer durante essa semana, nos anos que vêm, serão de fundamental importância para o crescimento do esporte no Brasil. Mas, sobre a permanência, a evasão escolar, eu trouxe alguns dados aqui, que 40% dos jovens brasileiros não concluem o ensino básico na idade adequada devido a repetência, evasão e abandono escolar. E aí, as práticas esportivas despertam interesse e criam compromisso relacional do jovem com a escola. O esporte tem esse poder de manter o jovem na escola, exatamente porque ele cria o sentimento de pertencimento na escola. Para estar no time e participar dos campeonatos, se exige frequência escolar. Nos nossos campeonatos, só participa se estiver estudando. E os professores, na base, exigem as frequências escolares. Assim, o esporte protege a jornada educacional e contribui para a permanência e o sucesso dos atletas na escola. |
| R | A Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, da USP, diz que o esporte coletivo tem 92% de retenção dos alunos atletas; enquanto os clubes de inovação, tecnologia, oficinas de arte, de teatro, 70%; e sem atividade extracurricular, apenas 58% são retidos na escola. Ou seja, o esporte realmente contribui para que eles possam estar participando das atividades escolares, e isso é muito importante para que não haja a evasão escolar. Na área de ações de formação cidadã, a CBDE traz junto com as suas atividades, como os JEBs, por exemplo, algumas ações de formação cidadã, lembrando que o esporte, além de formar os cidadãos, traz muitos outros ensinamentos, como respeito às regras, convivência democrática, inclusão social, liderança, cooperação, ética, valorização da diversidade, que é importantíssimo, desenvolvimento socioemocional e essas ações que eu vou mostrar aqui nesse vídeo de um minuto e meio para vocês. (Procede-se à exibição de vídeo.) O SR. ROBSON AGUIAR - Esta foi uma ação que nós fizemos nos JEBs do ano passado: alunos e atletas de 12 a 14 anos já tendo o primeiro contato com as urnas eletrônicas. Então, é uma forma que a gente fez durante os JEBs para que eles pudessem ter esse primeiro contato, já que só teriam depois, a partir dos 16 anos. Então, a gente já fez esse primeiro contato, com uma parceria com o TRE, para dar mais transparência às eleições da Comissão de Atletas. No nosso mapa estratégico, nós temos pilares e objetivos. Temos os pilares de educação e cultura, gestão, desenvolvimento esportivo e inclusão esportiva. E, na inclusão esportiva, nós temos: "2. promover a equidade e inclusão em eventos esportivos do sistema CBDE". Na promoção dessa equidade, nós fizemos um ato durante os jogos escolares, em que, antes de 2021, 30% era a participação de meninas. A partir de 2021, nós exigimos que, para participar com a equipe masculina, o estado era obrigado a trazer a equipe feminina. |
| R | Tivemos muita reclamação nessa primeira ação nossa, mas, no primeiro ano, nós já batemos o nosso objetivo, que foi igualar. Hoje, nós temos 51% de meninas e 49% de meninos, e vejo que a grande maioria é de escola pública. Ações como essa, se você não as impuser, na medida em que você tem o poder de imposição, não muda nunca a política. Não vai mudar nunca, porque os professores relaxam na base e, aí, se você não forçar esse tipo de política, eles continuam relaxando e as meninas continuam ficando, e nós sabemos muito bem que as mulheres são a maioria da nossa população. Então, é uma ação que, realmente, a gente faz durante os JEBs e tem dado certo nessas últimas cinco edições. Aí é a timeline JEBs, que nós começamos em 2021, pós-pandemia. Naquele momento difícil, nós retomamos. Ainda usávamos máscara em 2021. Então, só para relembrar, foi uma ação de retomada dos eventos esportivos, e nós fomos ousados nisto aí: em outubro de 2021, organizar no Rio de Janeiro o 1º JEBs já pós-pandemia. Então, 2021 e 2022 no Rio, 2023 no DF, 2024 em Pernambuco, 2025 em Minas e, este ano, em setembro, teremos aqui, novamente, em Brasília, os Jogos Escolares Brasileiros Sub-14. São essas as modalidades. São 18 modalidades, tanto coletivas quanto individuais. Com isso, conseguimos, junto ao Ministério do Esporte, a inclusão dos Jogos Escolares Brasileiros como parte do Bolsa Atleta, ou seja, nossos atletas podem requerer o Bolsa Atleta federal. Temos mais de dois mil contemplados já no Bolsa Atleta federal, fora as Bolsas Atletas estaduais e municipais que temos no Brasil. Essas são algumas atividades do ano de 2025 que nós desenvolvemos - tem várias informações, eu vou deixar aí com vocês, para não tomar muito tempo -: desenvolvimento do esporte e ampliação de base, capilaridade nacional e internacional. Nós estamos em todas as 27 unidades federativas, com ações efetivas realmente. Nós temos um programa de apoio às federações, em que nós fazemos chegar na base, nas nossas federações, e eles para as suas competições escolares: material esportivo, pagamento de arbitragem, pagamento de recursos humanos, uniforme. Então, tem várias ações que o Programa de Apoio às Federações faz. E é o melhor programa que nós fizemos até agora, porque realmente chega na base e está todo o Brasil feliz com esse tipo de ação, porque você faz os recursos públicos chegarem na base. A Gymnasiade é a nossa Olimpíada Mundial Escolar, tem na faixa etária sub-14 e na sub-15. O Brasil tem se mantido entre os três melhores no ranking mundial de medalhas desde 2013, que foi aqui em Brasília, até 2025, que foi na Sérvia, no sub-15; ou seja, o trabalho que está sendo desenvolvido durante esses anos tem dado resultado no esporte escolar. |
| R | Nos Jogos Sul-Americanos, que acontecem todo o ano, para 12 a 14 anos, o Brasil tem se mantido em primeiro lugar no quadro geral de medalhas. Então, nós temos uma nação esportiva que entrega resultado. Nós precisamos de ações futuras para que isso possa continuar a ser desenvolvido e para que possamos chegar também às Olimpíadas com melhor ranqueamento. Da escola para a vida. A CBDE não forma apenas atletas, forma cidadãos fisicamente ativos que levam hábitos saudáveis para a vida adulta. Investir em esporte é investir em saúde, em redução do sedentarismo - como foi falado aqui -, em prevenção à obesidade infantil, a diabetes, à hipertensão e à saúde mental, ou seja, realmente bate com tudo o que foi falado pelos nossos palestrantes anteriores. Então, pessoal, investir no esporte escolar é uma política esportiva, e ela é, simultaneamente, uma política educacional, saúde pública e desenvolvimento social. Não podemos esquecer que o esporte escolar ou o esporte como um todo não pode se limitar apenas à área esportiva. E aí todo mundo fala - e a nossa Senadora é uma defensora disso - que tem que haver mais investimento no esporte. E nós temos muitos recursos na saúde e na educação que poderiam vir para o esporte, mas, infelizmente, nós não trocamos ainda a chave. A cultura brasileira ainda não foi modificada nesse sentido. Nós preferimos investir no que já acontece do que prevenir o que poderia ser prevenido. Então, essa é a minha fala. Senadora, muito obrigado pela oportunidade. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada. Robson, eu tenho uma pergunta que, enfim, fique à vontade também para responder. Eu estava ouvindo aqui os expositores, enfim, falando de oportunizar a prática da atividade física nas escolas, porque está se perdendo mais ainda esse espaço. Porque aqui nós estamos falando de atletas que já estão competindo - claro, alguns serão atletas, outros não serão. A gente já está fazendo a nossa, quer dizer, a CBDE já está cumprindo a sua função social, mas, você como professor, falando de escola, qual é o motivo que você enxerga de a gente estar perdendo mais espaço ainda na grade curricular, na grade horária das escolas? Oportunizar àqueles que não querem ser atletas, que não querem participar de jogos escolares, mas que têm esse direito, sim, à atividade física na escola... Qual é o principal motivo? O que você enxerga nessa perda de espaço da educação física na grade escolar? O SR. ROBSON AGUIAR - Senadora, eu acho que tem vários motivos. E aí há o crescimento populacional e a infraestrutura das cidades que não permite mais a garotada brincar na rua, tem vários fatores que levam a acontecer a falta da prática esportiva. Eventos como jogos escolares e a gimnasia, que são mundiais, são referências para que os alunos atletas se incentivem a participar de jogos escolares municipais e interclasse lá. Mas nós sabemos muito bem que nem todas as escolas têm infraestrutura esportiva. Como a senhora disse, Planaltina, que é aqui do lado, teve o primeiro ginásio poliesportivo inaugurado agora, imagine no interior do país. E nós sabemos que a escola seria o ponto ideal para que tudo isso acontecesse, porque nós temos todos os brasileiros, cidadãos, passando pela escola, mas nem todas têm infraestrutura esportiva. Então, para o atletismo, ainda temos, porque o atletismo você faz na rua: fica ali brincando, correndo, e você consegue. Mas, para uma natação, você não vai ter piscina, porque é uma manutenção alta. Quadras poliesportivas nas escolas: nas privadas, você ainda consegue, mas, nas públicas, agora que nós estamos começando a construir escolas públicas com quadras poliesportivas, ou seja, eu acho que é questão de tempo para o Brasil poder ter infraestrutura esportiva e incentivar, mas nada disso vai acontecer se o Ministério da Educação não tiver alinhado com o Ministério do Esporte, porque - desculpe falar aí - os professores que não são da área esportiva focam muito na área intelectual, acadêmica, e acabam esquecendo que o esporte contribui para... |
| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Fora do microfone.) - A parte cognitiva. O SR. ROBSON AGUIAR - ... a parte cognitiva da garotada. Então, eu acho que é questão de mudança de cultura mesmo. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, obrigada. Muito obrigada ao Robson, Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar. Grata pela participação. Gente, eu estou encerrando essa primeira mesa. Queria uma salva de palmas aqui para os nossos expositores. (Palmas.) Agradeço a cada um de vocês pela fala, pela participação e, acima de tudo, pela colaboração. Foi sensacional! Muito obrigada. (Palmas.) Agora vamos para a segunda mesa, que está bem adiantado o horário. Estou preocupada, estou quase levando uma dura aqui já do nosso secretário. Mas eu me empolgo, gente. Essas audiências públicas... Bom, eu agradeço a participação dos convidados que compuseram a primeira mesa. E agora eu solicito que se acomodem na primeira fileira de cadeiras do Plenário aqui, a fim de permitir a composição da segunda mesa da audiência pública pelos demais convidados. Eu convido agora para tomar assento a essa segunda mesa os seguintes convidados: o Sr. Sebástian Pereira, Gerente-Executivo de Educação e Fomento do Comitê Olímpico do Brasil (COB) (Palmas.) a Sra. Eloisa Vilela de Souza, 2ª Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro (Cref1), que participará por videoconferência (Palmas.) a Sra. Marcia Carneiro, Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física do Distrito Federal (Cref7) (Palmas.) a Sra. Mariana Ferreira de Abreu, Coordenadora-Geral de Esporte Educacional da Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do MEsp (Palmas.) o Sr. Paulo Afonso de Araújo Quermes, que é o Chefe de Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério do Esporte (MEsp) (Palmas.) o Sr. Paulo Maciel, Presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) (Palmas.) e Arialdo Boscolo, Presidente da Confederação Nacional de Clubes (Fenaclubes). (Palmas.) Gente, eu vou tentar ser mais rápida nessa segunda mesa, só pedindo desculpas aos nossos expositores. Já é meio-dia e me empolguei! Vou passar a palavra agora para o Sebástian, nosso grande atleta olímpico e Gerente-Executivo de Educação e Fomento do COB. Sebástian, seja muito bem-vindo. E agradeço, na sua pessoa, o Comitê Olímpico por vocês estarem presentes aqui. Obrigada. O SR. SEBÁSTIAN PEREIRA (Para expor.) - Bem, bom dia a todos. Bom dia, Senadora. Obrigado pelo convite. É um dia especial para a gente, porque a gente comemora o Dia Olímpico também. Como atleta olímpico, contemporâneo da Senadora, em 1996, é um orgulho muito grande ser um atleta olímpico e poder participar ainda do movimento olímpico, contribuindo com a nossa experiência, com a nossa história. Isso é fundamental. |
| R | E trazer a nossa experiência, o nosso conhecimento, a nossa sugestão e as nossas propostas para esse tema tão importante é fundamental, porque o Comitê Olímpico do Brasil tem muito claramente o seu objetivo: disseminar o movimento olímpico dentro do território nacional e, dentro do seu planejamento estratégico, buscar medalhas olímpicas. E isso é uma conjunção de fatores, é uma união de todo um sistema, e a gente, cada vez mais, vem se esforçando para que a gente consiga, de fato, se estabelecer dentro desse cenário como uma potência olímpica. E, quando a gente pensa em medalhas, a gente não pode se ausentar de falar também da formação, de falar também da participação do esporte dentro do cenário educacional. Eu, particularmente, sou um fã dessa área, adoro a área de desenvolvimento, adoro essa área. Quando a gente começa a discutir um pouquinho sobre o que a gente deve fazer mais para conseguir mais medalhas, não tem como a gente pensar em não mudar o cenário escolar principalmente. A gente precisa do esporte dentro da escola. A gente precisa do esporte como um primeiro momento de contato daquela criança que está iniciando a sua vida educacional e esportiva dentro da sala de aula. É possível fazer esporte dentro da sala de aula. A gente já vem fazendo e desenvolvendo um grande trabalho... Nós temos um grupo de trabalho dentro do Comitê Olímpico, em que a gente trouxe acadêmicos, pessoas da prática, treinadores de sucesso, atletas, para trazer as suas experiências: de que forma que a gente pode fazer melhor? Fazendo benchmarking pelo mundo, a gente viu vários exemplos do esporte dentro da sala de aula. Eu vou trazer um exemplo só aqui, que é muito emblemático. Em 1996, a Grã-Bretanha, sei lá, foi a 55ª no quadro geral de medalhas, se eu não estou errado, e eles tinham se candidatado a sediar os Jogos Olímpicos de 2012. Eles mudaram completamente o sistema educacional esportivo dentro do seu país, a exemplo dos seus países, e se transformaram, em 2008, no top três no quadro geral de medalhas dos Jogos Olímpicos, e a gente foi entender o porquê. Dentro da sala de aula, sem água, sem a quadra poliesportiva, sem um barco, sem qualquer equipamento, eles conseguiram trazer o esporte para dentro da sala de aula. A gente é muito criativo, e eles foram criativos e conseguiram trazer isso, impactando decisivamente a vida de toda e qualquer criança que pudesse e tivesse aprendendo com o esporte. Essa vivência - fisicamente falando em termos de desenvolvimento, pelo quanto o esporte pode ser benéfico para o desenvolvimento da pessoa, impactante, principalmente, no sentido de essa criança ter o esporte como um amor à primeira vista -, é fundamental. A gente, pensando em medalhas, sabe que 1% só desse grupo de jovens e atletas que aprende o esporte, pratica o esporte e vai chegar aos Jogos Olímpicos, aos campeonatos mundiais, vai chegar às medalhas; 99% não vão chegar. E é nesses 99% que a gente precisa realmente focar, para que a gente consiga impactar de forma decisiva, para que a gente consiga ter um mercado esportivo, uma cultura esportiva e seja de fato aquilo que essa nova gestão do Comitê Olímpico vem falando bastante, que é "Juntos por uma Nação Esportiva". |
| R | Se nós todos não nos unirmos para que a gente de fato consiga fazer essas oportunidades - e eu não estou falando só oportunidades de medalhas, mas oportunidades de trabalho, oportunidades de consumo, oportunidades de prática -, a gente vai continuar ainda tendo... Somente quando chegarmos aos nossos 50 anos, 60 anos: "Preciso começar a praticar alguma coisa, porque eu preciso evitar algum problema de saúde", e não é isso... Precisamos, desde cedo, nos conscientizar do quanto importante é para a nossa formação, para a nossa vida e para a nossa qualidade de vida a prática do esporte. Então, apesar de representar aqui o Comitê Olímpico do Brasil, eu sou... E eu agradeço muito ao Presidente La Porta; à Vice-Presidente, Yane Marques, que é uma medalhista olímpica; ao nosso Diretor-Geral, Emanuel, multimedalhista olímpico, por nos dar oportunidade de, mesmo enquanto Comitê Olímpico, pensando em medalhas, poder contribuir com esse tema e poder fazer propostas para que a gente possa impactar decisivamente, e principalmente unindo entidades esportivas e atores, para que a gente consiga trazer, cada vez mais, esse tema e a gente consiga, cada vez mais, ter amantes do esporte. Afinal, a gente sempre fala "Juntos por uma Nação Esportiva", e é isso que a gente busca todos os nossos dias, para que consigamos, de fato, nos transformar em uma potência olímpica. O tempo é curto, eu sei que é curto, poderia estar falando aqui de vários projetos, mas acho que essa é a mensagem que a gente gostaria de passar. Quero agradecer principalmente por estarmos aqui e estamos sempre à disposição para podermos... Gostaria de já pedir, para o segundo semestre, Senadora, um espaço em que a gente possa trazer, de fato, uma proposta do grupo de trabalho como resultado que a gente está criando. Há um ano, a gente vem estudando sobre isso, para que a gente consiga apresentar para todos e possa realmente trazer a união de todos para dentro dessa proposta. Obrigado. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada. Então, Sebástian, eu quero agradecer a sua presença e mandar um abraço ao Marco La Porta e à Yane, Vice-Presidente. Na verdade, é isto: o maior objetivo hoje de a gente tratar dessa questão do esporte é como as entidades também podem ajudar na promoção da atividade física, para além do alto rendimento - e nós fizemos parte dessa base, começamos na escola, nos projetos sociais, nas ruas. Você falou que 1% vai ser um atleta. E os outros 99%? Então, acho que o sistema esportivo também tem que se preocupar com esse acesso, porque eu acho que o maior legado - é isso, eu não gosto muito da palavra, mas o maior legado - que o sistema esportivo atual pode deixar para a sociedade brasileira é justamente o acesso à atividade física. Então, é importante que... E eu quero parabenizar, porque eu sei que o COB tem esse grupo de trabalho e que o COB quer... Quando se fala de uma nação esportiva, não é uma nação olímpica esportiva; é uma nação esportiva que tem acesso à atividade física, ao esporte, como nós entendemos e conhecemos o quanto ele impactou e impacta as nossas vidas. Então, quero parabenizar o COB nesse sentido e vamos ficar aguardando, então, os resultados desse grupo de trabalho. Nós daremos voz e fala ao COB para apresentar esse estudo para a gente. Obrigada. (Palmas.) Eu vou passar a palavra agora para a Sra. Eloisa Vilela de Souza, que é a 2ª Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro (CREF1), que participará por videoconferência. Seja muito bem-vinda, Sra. Eloisa. |
| R | A SRA. ELOISA VILELA DE SOUZA (Para expor. Por videoconferência.) - Bom dia a todos... Boa tarde, não é? Todos me ouvem bem? A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Sim. A SRA. ELOISA VILELA DE SOUZA (Por videoconferência.) - Eu vou iniciar minha fala agradecendo à Senadora Leila, principalmente pelo trabalho aí à frente desta Comissão, uma Comissão atuante na pauta do esporte e na pauta da educação física, que me traz aqui hoje. Eu falo hoje a partir de algumas vivências complementares que eu tenho como atleta de voleibol que fui - não como a Senadora Leila, mas tive a oportunidade e o privilégio de viver o esporte; não vivi do esporte, mas vivi o esporte. Atualmente sou profissional de educação física, atuo como personal training há mais de 15 anos e como professora na educação básica no Município de Resende, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Tenho a oportunidade aí de trabalhar com crianças, adolescentes, vivenciando o impacto real do esporte, da aula de Educação Física nessa formação humana. Hoje estou como Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física e quero cumprimentar aí a minha colega Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física da 7ª Região (Cref7), o Cref do DF, a Profa. Marcia. Quando a gente fala de esporte, a gente precisa ultrapassar um pouco a ideia restrita de esporte de competição ou de rendimento. O esporte, na sua essência, é uma das mais potentes ferramentas de formação do cidadão. Dentro da escola, trazendo um pouquinho para a minha prática, ele torna o espaço mais pedagógico, só que de uma forma viva. Os conceitos que a gente aprende pelo esporte, como ganhar, perder, vida em grupo, respeito, são parte do que a gente chama de formação integral. Isso a Organização Mundial de Saúde já reconhece como um componente essencial do desenvolvimento humano saudável. Trazendo a minha experiência como professora, eu posso dizer que o esporte transforma justamente esse espaço num ambiente de pertencimento do aluno e pode ser uma ferramenta no combate da evasão escolar. As atividades esportivas, talvez de contraturno, podem estar associadas na permanência do aluno nas escolas. Pensando assim, o esporte não é apenas uma atividade complementar, ele pode ser um fator de proteção social, mas a gente precisa avançar mais e compreender o esporte como um direito ao longo de toda a vida - eu acho que é o ponto de partida. A promoção do esporte e da atividade física precisa acompanhar o indivíduo desde a infância até a pessoa idosa. Dentro de uma lógica de saúde pública, quase metade da nossa população não realiza atividade física suficiente. Isso foi colocado aqui, hoje, várias vezes. Esse cenário contribui diretamente para o aumento de doenças, como hipertensão, diabetes, obesidade, essas cardiovasculares... A Dra. Stéphanie falou muito bem sobre isso. Por isso, a gente precisa mudar a forma como a gente encara a atividade física. Ela não pode ser vista apenas como lazer e recreação; ela tem que ser compreendida como uma política pública para a saúde, preventiva de doenças e altamente eficaz, baseada em evidências. Hoje a gente conseguiu visualizar essas evidências da questão da atividade física como uma saúde, saúde preventiva e saúde de tratamento. Cada pessoa fisicamente ativa representa um menor risco de adoecimento e, consequentemente, uma menor pressão no Sistema Único de Saúde do país. |
| R | E, nesse sentido, o papel do profissional de educação física é central para a saúde, o esporte, a educação, a ação social, a inclusão. Sem esse profissional, não existe política de atividade física segura, eficiente, sustentável ao longo de toda a vida. E o profissional de educação física tem que estar sempre se capacitando. E, nesse contexto, é importante a gente ressaltar que, só no ano de 2025, o Conselho Regional de Educação Física do Estado do Rio de Janeiro capacitou mais de 20 mil profissionais de educação física em diversas áreas da profissão, dentro da saúde, dentro do esporte, dentro do treinamento, para as pessoas idosas, aprendizagens motoras... E aí, com toda essa fala, eu queria trazer algumas propostas que eu acho que seriam o intuito maior dessas discussões. A primeira delas, que eu acho que foi falada por quase todos os palestrantes - se não todos -, é a valorização da educação física escolar. Ela é um componente essencial na formação integral. Ela já é um componente curricular obrigatório, previsto na Base Nacional Comum Curricular, do Ministério da Educação, mas essa valorização precisa existir de forma mais efetiva. Também a ampliação de programas de contraturno escolar, com atividades esportivas, sempre orientadas por profissionais habilitados, garantindo o acesso, mas também uma qualidade pedagógica e segurança. O fortalecimento de debates como este eu acho que é fundamental para trazer todos os olhares de todos os diversos ambientes dentro do contexto do esporte, do contexto da escola... Eu acho que é fundamental que tenha esses debates. E, talvez, o mais importante seja a integração efetiva entre saúde, educação e esporte, estratégias dentro do Ministério da Saúde, do Ministério do Esporte, do Ministério da Educação, para que a atividade física seja tratada como um eixo estruturante da promoção de saúde. Bom, encerrando a minha fala, eu tenho uma convicção de vida, que foi construída ao longo desses 15 anos de atuação, de que, quando uma criança entra numa quadra na escola... E aí falando bem da educação física escolar, porque é a base, é um direito garantido pela nossa Constituição. Essa criança está praticando um esporte? Ela está praticando um esporte, mas ela está aprendendo a viver em sociedade; ela está se tornando um cidadão; ela está formando hábitos saudáveis; ela está prevenindo doenças... Essa criança está motivando a família a se exercitar e, consequentemente, a ser mais saudável, física e mentalmente. E, assim, como sempre dito pelo Comitê Olímpico do Brasil, uma nação esportiva na essência... Eu quero muito agradecer à Senadora Leila pela oportunidade, pelo trabalho e à Comissão do Esporte, que é uma Comissão que acolhe a nossa pauta, que defende a pauta do esporte, da educação física, que está sempre de portas abertas para nós... E quero parabenizar a todos os palestrantes pela contribuição de cada um de vocês. Não existe saúde sem educação. A saúde parte da educação da população. Obrigada. (Palmas.) |
| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Profa. Eloisa Vilela de Souza, 2ª Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro (Cref1). Muito obrigada pela participação. Vou passar agora para a Sra. Marcia Ferreira Carneiro, Vice-Presidente do Conselho Regional de Educação Física aqui do DF (Cref7). Seja muito bem-vinda, Professora. A SRA. MARCIA FERREIRA CARDOSO CARNEIRO (Para expor.) - Obrigada. Boa tarde a todos. Gostaria de agradecer, em nome do Cref7 DF e do nosso Presidente Roberto Nóbrega, o convite para estarmos aqui hoje na nossa Casa - da Comissão de Esporte nós estamos sempre fazendo parte. Eu vou ser redundante, mas uma coisa que a gente realmente tem que reforçar é a importância da educação física nos anos iniciais. Nossas crianças hoje desaprenderam a brincar na rua. Então, a educação física escolar hoje não trabalha só as habilidades iniciais, mas, sim, a criança aprender a brincar, correr, pular... Antigamente a gente brincava de bete na rua, a gente brincava de vôlei... Hoje em dia, isso não existe. Então, a educação física nas séries iniciais é essencial para esse tipo de atividade. Aqui no DF, nós somos - eu digo assim - privilegiados. Dentro da Secretaria de Educação, nós temos a Educação com Movimento nos anos iniciais. E, no nosso contraturno, nós temos os CIDs, que são centros de treinamento esportivos paraolímpicos e olímpicos. A Senadora veio do CID de Taguatinga, e eu também, durante 30 anos na Secretaria de Educação, por 25 anos eu trabalhei no CID Paralímpico. Hoje, ouvindo falando sobre atletas femininos, quando começou a implantar isso, realmente para a gente, para o profissional, era complicado, mas por quê? O acesso. Nós do paraolímpico, além do acesso da criança ao local da modalidade... Um pai de um menino deixa, na cidade-satélite, até o filho ir sozinho, mas com a filha ele já fica mais receoso. Então, é aquilo que o senhor disse... Nós fomos motivados a trazer mais atletas, e isso é muito bom. E também, aqui no DF, nós temos os Centros Olímpicos e Paralímpicos com diversas modalidades. Tanto nos CIDs como na Educação com Movimento quanto nos Centros Olímpicos e Paralímpicos, o nosso atendimento é feito por profissionais de educação física de qualidade, que sempre estão se atualizando. Então, eu costumo dizer que nós aqui temos uma vivência, uma realidade privilegiada. Lógico, precisa melhorar? Precisa. Precisa ter centros olímpicos em outras cidades? Precisa, mas, se você compara com outros estados, nós somos realmente privilegiados. E, mesmo aqui no DF, você vê muita criança obesa - muita criança! Há poucos dias, até um garotinho com quem eu convivo na igreja... Eu passei um mês sem vê-lo, um mês depois ele engordou uns 5kg. Quando eu vi aquilo, eu disse assim: "Nossa, mas por que isso?". Perguntei à mãe se ele estava doente, porque às vezes alguma doença... "Não, não, é falta de exercício." Aí eu passei uma bronca na mãe e nele. A minha irmã estava comigo na hora e falou: "Mas o que você tem a ver com isso?! Ele nem é seu filho". (Soa a campainha.) |
| R | A SRA. MARCIA FERREIRA CARDOSO CARNEIRO - Eu disse assim: "Eu acho que isso é um problema da sociedade". Todos nós temos de falar, de cutucar. E o Cref7 - para finalizar, agradecendo mais uma vez a parceria - está sempre pronto a apoiar, a divulgar, a preparar tudo que for para a formação de um profissional de educação física mais habilitado, mais preparado e para uma sociedade bem-atendida. Muito obrigada à Senadora e a todos. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Professora, não deu o tempo, ainda tinha três minutos ali. Eu peço até desculpas à senhora. Falei: "Gente, que pressão!". (Risos.) Obrigada. Eu quero agradecer a sua participação. Realmente, o Distrito Federal, perto de outras regiões, de outros estados, é privilegiado. Nós temos 12 centros olímpicos - na época em que eu fui Secretária de Esportes, o último que nós inauguramos foi em Planaltina -, fora o trabalho dos InterCIDs também. Eu fui de Taguatinga, e à época o maior desafio era justamente ter meninas. Somos de uma geração... A galera que tem mais de 50 sabe que o grande obstáculo de as meninas participarem era a família, pois os pais não deixavam por questão de segurança, e hoje não é diferente. Quero dizer, sobre essa questão do estímulo à educação física na escola, que tem algo que me marcou muito numa Corrida de Reis kids. A Secretaria de Esportes aqui do DF promove a Corrida de Reis todo início de ano, que passou depois para meio do ano, quer dizer, perdeu-se aquela essência da iniciativa de ser a Corrida de Reis a primeira que estartava o calendário de corridas no Distrito Federal. Eu lembro que algo que me chamou mais atenção era como as meninas corriam, sem aquela coordenação de braços e pernas para a corrida. A gente sabe que, quando não se tem isso brincando com atividades lúdicas, lá na frente vão se tornar mulheres com problemas de quadril, problemas na coluna... A educação física não é só para promover, construir atletas. Há aquela ilusão, aquela loucura de achar que nós estamos querendo criar atletas. Não! É uma questão de saúde séria, porque hoje em dia as crianças - justamente pela limitação que já foi falada aqui de espaços públicos, de espaço para brincar, para ter atividade lúdica, seja na escola, seja na rua - estão absolutamente descoordenadas. E não é só a questão cardiovascular, não é a questão... Enfim, não são todas as outras questões que envolvem a questão cardiovascular, a saúde, mas é a questão motora, é uma questão de fisiologia. Então, a gente está condenado a ter pessoas adultas com sérios comprometimentos na saúde, na saúde óssea, na saúde física de um modo geral. Essa é uma questão que me preocupa, porque naquela época eu já identificava as meninas correndo sem nenhum tipo de coordenação, o que a gente sabe que é importante. Obrigada. Eu me empolguei aqui, porque isso foi um negócio que ficou na minha cabeça. Eu falei: "Gente, olhem a falta de coordenação das meninas!". É preocupante, porque os meninos ainda jogam futebol na rua, ainda brincam, e as meninas não. Elas estão ali presas e soltam para correr; quando correm daquele jeito, eu fico impressionada com aquilo. Enfim, fica aí a minha observação. Obrigada, Profa. Marcia. Eu vou passar a palavra... Por causa do andar da nossa audiência pública, eu vou ter que restringir de dez para cinco minutos e peço desculpas aos demais expositores. Vou passar a palavra agora para a Mariana Ferreira de Abreu, que é a Coordenadora-Geral de Esporte Educacional da Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte. |
| R | Seja bem-vinda, Mariana. A SRA. MARIANA FERREIRA CASSIANO DE ABREU (Para expor.) - Obrigada. Bom dia, Senadora. Bom dia à mesa. Bom dia, demais participantes. Por todas as falas que foram apresentadas aqui hoje, eu me senti muito representada, porque eu sou uma criança do interior de Minas Gerais e tive o privilégio de praticar atividades no centro poliesportivo da minha cidade, que, apesar de ser interior, tinha um, com cobertura inclusive. Então, eu tive acesso a bolas de qualidade... Eu me sinto privilegiada diante de toda a realidade que foi apresentada hoje. Acredito que eu estou feliz por ter sido até uma criança que brincou também na rua. Sra. Marcia, eu atuei muito tempo também na Secretaria de Educação, na Coordenação de Educação Física. Então, eu sei o que é o CID, sei o que é o Ginástica nas Quadras e sei o que é o Educação com Movimento também. Diante disso, eu tenho certeza de que é necessário também, além de toda a estrutura das escolas, a valorização dos professores de Educação Física. Eles precisam deixar de ser auxiliares das escolas para serem atuantes realmente. Como foi falado pela Eloisa, a educação física compõe o currículo. E muitas vezes a gente percebe que, na escola, o espaço da educação física é desvalorizado, é preterido em relação ao ensaio de uma festa junina, por exemplo. Então, a gente precisa deixar que o professor também passe a... "Ah, vá ali imprimir algumas atividades para mim, por favor." O professor não é um auxiliar da escola, da direção. Ele é um profissional que está ali para exercer o direito da criança. Tanto quanto a ler e a escrever, a criança também tem o direito à prática esportiva. Como a Senadora falou, a parte motora da criança, na educação infantil, é primordial para que cresça um adulto saudável. Hoje, estando como Coordenadora-Geral de Esporte Educacional no Ministério do Esporte, eu vejo que a nossa atuação é essencial, porque, na Snealis, especificamente, que é a Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social, nós somos responsáveis pelo papel estratégico da formulação, coordenação e implementação de políticas públicas para a execução da educação física. Eu até reforço também, Senadora, a questão das emendas parlamentares, de os Senadores disponibilizarem mais emendas para a gente poder executar as nossas ações, as nossas políticas e ampliar a nossa atividade. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Fora do microfone.) - Isso é um desafio. A SRA. MARIANA FERREIRA CASSIANO DE ABREU - É um desafio para todo o território nacional. O DF é privilegiado. Nós temos alguns estados privilegiados, mas a gente precisa ampliar para os estados que têm pouco acesso. Para não me estender, eu gostaria de convidar todos para participarem das demais atividades do Ministério do Esporte nesta semana e de agradecer a oportunidade. Obrigada. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Vamos aproveitar essa chamada da Mariana para colocar no site do Senado, na nossa Comissão, o calendário das atividades que serão realizadas em parceria com o Governo Federal, para que as pessoas possam ter acesso a essas atividades e acompanhar, inclusive todos nós aqui, que estamos nesta audiência pública. Obrigada, Mariana. Eu vou passar a palavra agora para o Paulo Afonso de Araújo Quermes, que é o Chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério do Esporte. Seja muito bem-vindo, Paulo. O SR. PAULO AFONSO DE ARAÚJO QUERMES (Para expor.) - Obrigado. Está funcionando? Muito obrigado, Senadora. (Pausa.) Acho que não está. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Não está, não. (Pausa.) |
| R | O SR. PAULO AFONSO DE ARAÚJO QUERMES - Agora sim. Uma boa tarde, Senadora. Boa tarde à mesa. Boa tarde a todos e todas. Para nós do Mesp, é uma alegria muito grande não só participarmos de diálogos como este, mas também podermos trazer algumas realidades que compõem o esporte no Brasil. Nós estamos, neste momento, finalizando uma pesquisa junto com a Universidade Federal do Paraná, que vai nos mostrar o Sistema Nacional do Esporte. Nós estamos, nas últimas três décadas, construindo um sistema muito robusto. Mas o que a pesquisa mostra? Que a robustez do nosso sistema, com as instituições, com a própria cultura que estamos construindo da importância do esporte para a vida toda, não se revela como política pública. O Brasil, nas últimas três décadas, não conseguiu investir 2% do PIB no esporte. Para vocês terem uma ideia, a pesquisa agora revela isto: o Paraguai investe 6% do PIB no esporte. E nós sabemos que, a cada R$1 investido, tem R$6 de retorno em saúde. Então, o Ministro sempre brinca e diz: "O maior orçamento do Brasil deveria ser do Ministério do Esporte para nós irmos, aos poucos, mudando essa realidade". Uma outra coisa que a pesquisa está revelando é que, do nosso sistema de ensino, Senadora, somente 45% das escolas do Brasil têm algum equipamento que possibilite a prática do esporte. É caótica ainda a nossa realidade. Nós temos muitos desafios pela frente. Vocês imaginem 45% com algum tipo de equipamento. Então, 55% das escolas do Brasil não oferecem... Além de toda essa questão cultural que vocês colocavam, nós temos essa dificuldade material, porque grande parte das escolas do Brasil não dispõe de equipamentos. Uma outra coisa importante que a pesquisa está revelando é que, de fato, há uma realidade em que, mesmo que nós estejamos fortalecendo o processo do esporte no Brasil, no ambiente escolar ainda há uma resistência muito grande. E aí eu diria - o meu tempo é muito pequeno - que hoje, na parceria com o MEC, nós chegamos com o PST a 92% dos municípios brasileiros. Na última avaliação que nós fizemos, o grande impasse, muitas vezes, para a não oferta de atividades físicas é dos outros professores, que muitas vezes dizem: "Não, o português é mais importante, a matemática é mais importante. Não vamos tirar tempo para o esporte". E, além da deficiência e muitas vezes de não ter o profissional de educação física, você tem essa cultura de que não é importante, que você muito bem retratou. Então, são muitos desafios. E eu diria para vocês que, no Mesp, hoje nós temos 21 programas, desde o esporte escolar até a maioridade, mas informo a vocês também que, nos últimos três anos, não conseguimos publicar um edital. Hoje todo o investimento que nós estamos fazendo é pela lei de incentivo. Recursos discricionários nós não tivemos, e o primeiro edital que nós fizemos dos nossos programas não conseguimos pagar porque foi tudo contingenciado e travado. Então, é uma realidade muito desafiadora a que nós temos hoje no esporte. Vocês imaginam um país... Eu, que estou na área de participação, recebo todos os dias demandas do Brasil todo, mas eu digo que eu só dou má notícia: "Não, não, não, não temos dinheiro". (Soa a campainha.) O SR. PAULO AFONSO DE ARAÚJO QUERMES - Então, é um desafio, tá? Obrigado, gente. (Palmas.) |
| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Na verdade, Paulo, o que você fala é a pura verdade. Muitas vezes fica aquela situação velada de se falar as barreiras. A barreira é também prioridade, nas escolas, dos gestores e de quem faz parte da direção da escola. Eu sei disso porque eu convivo aqui com os debates dentro da Casa. Essa questão do orçamento é algo que me preocupa demais. O esporte, por história mesmo, fica com o pires na mão o tempo todo, mendigando recursos, quando, aqui dentro, a gente trata de leis que querem retirar os recursos. E a falta de compreensão, do próprio Parlamentar, da importância de se tratar o esporte como uma pauta séria, uma pauta importante, uma pauta transversal necessária para uma sociedade próspera, para uma sociedade saudável. E a gente enfrenta uma resistência muito grande dentro da Casa. Mas como nós, por características, somos resilientes, eu tenho isso muito dentro da minha essência e estou tratando com todos aqui. Todos aqui, nós entendemos o esporte, sabemos da importância do esporte. A gente tem, por característica, essa resiliência, né? Mas a gente tem tido avanço. Em períodos mais difíceis, como essa questão econômica pesa, a geopolítica mundial também pesa, economicamente a gente vai ter as restrições e sempre vai se retirar de onde? Do esporte e de outras pautas que não são vistas como pautas essenciais, prioritárias. E aí é a grande sacada, a grande virada que eu acredito ainda que a gente vai viver nesses próximos anos, que é o entendimento, a compreensão. Por isso que nós temos que fazer esses debates. A Profa. Eloisa, na fala dela, foi muito assertiva: o debate! É necessário o tempo todo a gente estar trazendo para a Casa esses debates. Você vê que hoje não temos Parlamentares e é uma resistência, porque hoje é semipresidencial, a Casa está parada por causa das festas juninas, enfim, que estão rolando no país inteiro, ano eleitoral. Mas eu acredito muito nisso. É trazer este debate para a Casa, fazer... Porque além dos Parlamentares, existem as assessorias e elas acompanham também; os nossos servidores do Senado são fundamentais para o andamento dos trabalhos da Casa e o serviço dela. Então é uma coisa que vai de alguma forma ecoar e perpetuar. A gente tem que ter essa tranquilidade. Mas é algo que realmente se para vocês é revoltante, imagina para mim que estou aqui diariamente tratando dessa pauta e fazendo a defesa. Mas, enfim, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Eu tenho paciência e resiliência para saber que tudo a seu tempo. Tivemos avanços? Tivemos. Mas precisa-se de uma maior compreensão da Casa de que em tempos de guerra, em tempos de restrições econômicas, orçamentárias, retirar do esporte é algo que afeta todos, não só o esporte, mas inúmeras outras áreas: segurança, saúde e educação, como nós estamos tratando aqui. Obrigada, Paulo. Grata pela participação. Vou passar a palavra agora para o Paulo Maciel, que é o Presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC). Seja bem-vindo, Paulo. O SR. PAULO MACIEL (Para expor.) - Muito obrigado, Senadora Leila. É uma honra muito grande estar aqui mais uma vez, acompanhado aqui do Sebástian, você, que... Eu diria que o Ministro falou que não pode pedir voto para você, mas se você morasse no Rio de Janeiro, pode ficar certa de que eu votaria em você, porque o esporte precisa de pessoas como ela, não é, Stéphanie? Não é, Robson? A gente sofre muito aqui há muitos anos. A mudança que a gente está vendo, às vezes você não vê, Senadora, porque você está envolvida tanto; mas foi uma evolução muito grande depois da sua vinda, principalmente, aqui para o Senado. |
| R | Eu ouvi atentamente a Dra. Stéphanie, e aquilo é tudo. O que ela resumiu ali... Eu acho que o Brasil precisava, nas escolas, de uma palestra como a sua, para o pessoal entender exatamente o que é. O segmento clubístico, do qual eu sou Presidente - o Robson sabe muito disto -, faz sua parte nos esportes, principalmente no esporte competitivo. A gente faz junto com vocês essa parte importantíssima - os clubes. É o segmento que mais atua nos esportes olímpicos brasileiros. Se você for ver as estatísticas, você vai entender o que são os clubes, não é, Sebástian? A gente conversa e debate a importância dos clubes. Hoje nós temos já, depois desses movimentos de pessoas como a Senadora Leila aqui, mais de 2 mil clubes no Comitê Brasileiro de Clubes, fazendo esse trabalho importante, Dra. Stéphanie. Isso que você viu, nos clubes a gente já vê muito. Eu fui Presidente do Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro, e já via isso, observava que era outra saúde daquele pessoal que vivia ali dentro do clube praticando esporte. É realmente tudo que você falou. Eu até estava pensando aqui antes que, no primeiro encontro que tiver gigante, eu vou levar a Doutora para fazer uma palestra, Senadora - vou pedir aqui essa oportunidade. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Aliás, em todas as audiências, agora se prepare, Dra. Stéphanie. É muito importante a sua fala. O SR. PAULO MACIEL - Realmente... Eu estou aqui com o Arialdo Boscolo também, que atualmente é um voluntário, um lutador também pelo esporte, que acompanhei também, é Presidente da Confederação Nacional dos Clubes. A Senadora Leila sabe muito bem quem é o Arialdo, esse trabalho que a gente fez, essa contribuição para passar e formar atletas no Brasil todo, o que é difícil. Hoje, graças a Deus, eu já fico mais aliviado agora vendo um debate como esse, porque, dez anos atrás, você não tinha isso aqui. Praticamente do esporte, quando você chegava aqui, ninguém falava, Sebástian. E hoje a gente tem ex-atletas na administração do esporte dando essa contribuição gigante. Eu vou contribuir também, Senadora, com os minutos aqui que faltam, mas quero agradecer a todos. Vi e ouvi aqui a Dra. Stéphanie e fiquei realmente estarrecido com o que ela mostrou ali para a saúde brasileira. E o pessoal hoje tinha que entender a importância que é o esporte para a saúde. Muito obrigado a todos vocês. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Obrigada, Paulo. Nós que agradecemos. O Paulo também é atuante aqui na nossa Comissão. Parabéns pelo trabalho à frente do Comitê Brasileiro de Clubes. Obrigada, amigo. Vou passar a palavra agora para o Arialdo Boscolo, Presidente da Confederação Nacional dos Clubes (Fenaclubes). Seja bem-vindo, Arialdo. O SR. ARIALDO BOSCOLO (Para expor.) - Boa tarde a todas e a todos. Eu vou pedir realmente um pouquinho de atenção em vocês, talvez vá me estender um pouquinho mais do que os cinco minutos, mas eu acho que todos os que falaram aqui deram sua contribuição dos problemas que nós temos no esporte brasileiro. Eu prefiro ir para um caminho um pouco mais diferente. Eu queria fazer uma fala no sentido de homenagem à Senadora Leila Barros e, ao mesmo tempo, pedir a vocês todos que façam uma reflexão desta manhã. Nós tivemos neste Governo... Eu participei durante 20 anos - 20 anos - da discussão da Lei Geral do Esporte aqui no Congresso Nacional. E só aconteceu a publicação da Lei Geral do Esporte depois de o Senador Renan Calheiros, então Presidente do Senado, constituir uma Comissão de especialistas, sair da área parlamentar e fazer uma discussão de um projeto de lei. Sabe quem transformou essa lei, quem foi a Relatora que transformou essa lei? A Presidente desta Comissão. (Palmas.) |
| R | Nós tivemos uma evolução da Lei de Incentivo ao Esporte, também sancionada no Governo do Presidente Lula, no seu primeiro mandato. A Lei de Incentivo ao Esporte passou de 2% dos incentivos para 3% e, agora, passou para 4%. Sabe quem foi a Relatora dessa lei? A Senadora Leila Barros. (Palmas.) Nós tivemos a perenidade da Lei de Incentivo ao Esporte, que nem foi falado aqui, mais de R$1 bilhão, foi feito o maior investimento orçamentário no esporte. Sabe quem foi a Relatora dessa lei? A Senadora Leila Barros. (Palmas.) Eu ouvi o depoimento de todos, o que mais me impressionou, porque me tocou, porque fala do meu segmento, e eu represento... Até para explicar um pouquinho, sou um líder sindical. A Fenaclubes congrega todos os clubes e entidades de prática esportiva desde o instituto - que nem o Instituto Athlon, cujo Presidente eu ouvi, exatamente por isso ele me sensibilizou - até o Clube de Regatas do Flamengo, hoje um dos maiores clubes de futebol do Brasil, na luta justamente de leis que propiciam o fomento ao esporte brasileiro. E, quando eu vejo os números apresentados pelo Instituto Athlon, que atua no Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos e no Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), que faz o esporte olímpico, sabe quem constituiu e possibilitou os recursos para o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos? Foi um projeto de lei, e sabe quem foi a Relatora? A Senadora Leira Barros. (Palmas.) Nós acabamos de ter sancionada a Universidade do Esporte, que talvez vá discutir muito do que foi falado aqui, que precisa se aprofundar nos problemas do esporte, e sabe quem foi a Relatora da Universidade do Esporte? A Senadora Leira Barros. (Palmas.) Então, nós estamos aqui, na Semana Nacional do Esporte, em uma audiência pública, discutindo o esporte brasileiro. E quem foi que fez o requerimento da Semana Nacional do Esporte? A Senadora Leira Barros. Então, quero dizer o seguinte, gente: no início desta legislatura, nós conseguimos, aqui no Senado Federal, constituir esta Comissão... (Soa a campainha.) O SR. ARIALDO BOSCOLO - ... que é a Comissão de Esporte. Porém, agora, na virada, quase que foi extinta esta Comissão de Esporte. Sabe por quê? Pela falta de interesse de Parlamentares para com o esporte brasileiro, porque neste país tudo acontece quando se tem vontade política; quando não se tem vontade política, não acontece. Nestas duas últimas semanas, lutamos e conseguimos, felizmente, a adesão de 171 assinaturas de Parlamentares para discutir a PEC da imunidade tributária. E eu chamo a atenção de vocês todos que estão aqui, falou-se em clubes, falou-se em entidades, falou-se no terceiro setor, nós, além de não termos o orçamento... E o representante do Ministério do Esporte falou o quê? Que nós não conseguimos atingir. Estamos começando a nos comparar com o Paraguai. Pelo amor de Deus, gente! Pelo amor de Deus! |
| R | Nós estamos para fazer de novo... Temos aqui a PEC para ser votada no Senado Federal, e, graças a Deus o Presidente do Senado tem segurado a PEC, embora o Governo Lula queira votar, porque vai tirar recursos do esporte, vai tirar 30% dos recursos do esporte, das bets, que vão para a segurança pública. Ou seja, vão resolver o problema de segurança pública tirando dinheiro do esporte. É um absurdo, gente, o que está acontecendo aqui. Hoje, as entidades sem fins lucrativos têm isenção tributária. Na reforma tributária, nós vamos pagar imposto a partir de 1º de janeiro. Eu peço para vocês que tenham atenção nisso, porque, se nós não elegermos - se o Ministro não pode falar, eu posso -, se nós não reelegermos a Senadora Leila Barros, nós correremos um sério risco, um sério risco de termos comprometido o esporte brasileiro. Então, se vocês querem fazer alguma coisa, se perguntem a vocês, a cada uma das entidades que representam aqui, o que vocês estão fazendo aqui no Distrito Federal ou à distância em favor da Senadora Leila Barros. (Palmas.) Falo claramente: nós temos uma responsabilidade com o esporte brasileiro, e, para que a gente possa mudar esse cenário, nós temos que ter Parlamentares que tenham vontade política para fazer, colocar o dedo na ferida e resolver definitivamente o esporte brasileiro. Muito obrigado. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Ó, isso não foi combinado. (Risos.) Estou até sem graça aqui, mas obrigada, Arialdo, obrigada pela fala. O SR. PAULO MACIEL (Fora do microfone.) - Mas é verdade, Senadora, é verdade. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Sim, eu fico muito feliz com esse reconhecimento, mas eu reforço muito isto: eu que sou grata ao esporte, por tudo que o esporte fez na minha vida. (Manifestação de emoção.) Até me emociono, mas é isso. (Palmas.) O esporte mudou a minha vida, mudou a da minha família, enfim, eu estou aqui pelo esporte e eu abraço isso como uma causa de vida... (Intervenção fora do microfone.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - ... porque eu sei o que ele fez na minha vida e faz por tantos outros jovens. Cada um que está aqui faz pelo esporte porque sabe do impacto que o nosso trabalho - eu, como legisladora, e todos vocês aqui - faz por esses jovens, pelas crianças, pelos jovens, pelas famílias brasileiras. Então, eu quero agradecer esse carinho, esse reconhecimento e agradecer a vocês. Vocês têm sido grandes parceiros, né? O legislador pode ter toda a vontade de querer atuar, mas, se não fosse, hoje, a consciência do setor esportivo, da importância de o setor estar dentro desta Casa, com representatividade, não só parlamentar, mas institucional, nós também não teríamos avançado nessa pauta tão importante. Essa pauta não é importante para nós, ela já fez muito por nós. A gente pensa é nas futuras gerações, o trabalho que a gente tem, o compromisso que a gente tem com as futuras gerações. Nós passaremos; o esporte não, ele permanece. E qual é o legado que a gente vai deixar se a gente não procurar, neste momento da história, fortalecer uma pauta que é tão importante? Nós sabemos que é importante, mas precisamos convencer as pessoas que estão do lado, aqueles que decidem as leis, que decidem o futuro do nosso país, dessa importância. Por isso que não é só a Senadora Leila, não é só a atleta Leila, a cidadã Leila e tudo o que o esporte fez na vida dela, mas é todo o setor, o nosso setor, movido, mobilizado, Ministério do Esporte, todos nós, de tentar esse trabalho, esse trabalho de formiguinha, de consciência, dessa importância que o esporte tem na vida de cada brasileiro e brasileira. Eu conto é com vocês! Contem comigo, mas entendam: eu que sou muito grata ao esporte, por tudo o que ele fez na minha vida. Obrigada. (Palmas.) Ai, eu fico tão chateada quando eu choro. (Risos.) (Palmas.) |
| R | Mas é isso, porque, aqui dentro, se uma mulher chora, ela é muito desequilibrada: "Ah, é muito instável". Se um homem chora aqui dentro, ele é sensível - nós não. Por isso que a gente vai endurecendo, a gente precisa endurecer. Obrigada... (Intervenção fora do microfone.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) - Ah, não, isso eu não perco. Eu falo que eu posso estar há mil anos na política, mas eu nunca vou perder a capacidade de ser um ser empático, de me colocar no lugar do outro. E isto o esporte me ensinou muito: a estar do lado de um colega e saber que nem todo dia é dia, nem para ele e nem para mim. E a gente tem que seguir. Obrigada, pessoal. (Palmas.) Não, gente, não precisa bater palma para mim. Fiquem à vontade, nós somos todos amigos aqui. Olha só, eu quero muito agradecer a todos os expositores, à primeira mesa, à segunda mesa, à academia, ao pessoal da saúde que esteve aqui representado, ao pessoal dos clubes, do Ministério do Esporte, enfim, do COB, do movimento do nosso paradesporto. Eu quero agradecer a cada um e cada uma de vocês, é esse trabalho que a gente tem que realizar. E nos próximos anos, se Deus permitir, nós vamos continuar. E se não continuar, nós vamos estar junto aqui provocando quem estiver aqui tratando dessa pauta. Essa pauta é uma causa de vida para todos nós, porque a gente entende qual é a importância desta pauta para a sociedade - e eu quero agradecer. E nós faremos muito mais audiências, mais provocações, para que a gente consiga dar luz, dar luz à verdadeira função, à verdadeira missão do esporte para a nossa sociedade, tá bom? Muito obrigada, pessoal. Nada mais havendo a tratar, eu agradeço a presença de todos e declaro encerrada a presente reunião. Obrigada. Viva o Dia Nacional do Esporte! (Palmas.) (Iniciada às 10 horas e 12 minutos, a reunião é encerrada às 12 horas e 57 minutos.) |


