Notas Taquigráficas
| Horário | Texto com revisão |
|---|---|
| R | O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS. Fala da Presidência.) - Havendo número regimental, declaro aberta a 35ª Reunião da Comissão de Educação e Cultura da 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 57ª Legislatura, que se realiza nesta data, 20 de agosto de 2026. Objetivo e diretriz da reunião. A presente reunião destina-se à realização de audiência pública... Em todas as audiências públicas o ritual é esse, e vocês hoje são os Senadores e as Senadoras. A presente reunião destina-se à realização de audiência pública com o objetivo de debater o tema "Democracia nas redes sociais: como construir um debate saudável", em atenção ao Requerimento nº 37, de 2026, de minha autoria. Convido a tomar lugar à mesa - teremos convidados aqui, painelistas, e teremos alguns à distância - os seguintes convidados: o Sr. Tadeu Sposito, Coordenador das Redes Sociais do Senado Federal. (Palmas.) Parabéns pelo trabalho que a equipe toda e você estão fazendo. É uma alegria vê-lo aqui. Convido a Sra. Sara Reis, Coordenadora do Senado Verifica. (Palmas.) Esse é muito importante também. O Verifica é para ver se é verdade ou é mentira. Parabéns, coordenadora. Convidamos a Sra. Gabriela de Almeida, Pesquisadora e Especialista em Tecnologia e Sociedade. (Palmas.) |
| R | Convidamos a Sra. Maria Laura Soares e Silva, Jovem Senadora do Estado do Rio de Janeiro, que vai participar aqui da mesa dos debates com direito à palavra. (Palmas.) Seja bem-vinda. Se depender de mim, todos vocês falarão, viu? Vamos só ver como é que a gente toca aqui. Ninguém vai ficar de fora. Não dá para botar todos na mesa. Escolhemos dois. Não sei por quê, não sei qual é o motivo de também estar aqui à mesa... Mas eu estou elogiando, não estou criticando, não. Foi um gesto da equipe toda que está aqui com vocês. Consultados alguns jovens também, falaram comigo e eu disse: "Não há problema nenhum". Convido também, porque esteve no meu gabinete, como vocês estiveram nos gabinetes de outros Senadores, a Srta. Lara Schuquel Dauinheimer, Jovem Senadora do Estado do Rio Grande do Sul. (Palmas.) Participam de forma remota o Sr. Frederico Franco Alvim, representante da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral - uma salva de palmas; embora à distância, é muito importante -, que está representando aqui o Tribunal Superior Eleitoral (Palmas.); a Sra. Patrícia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta (Palmas.); e o Sr. Samuel Barros, Professor do Departamento de Ciência Política da UFBA, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Palmas.). Antes de passar a palavra, quando eu farei um pronunciamento em nome da Presidência, eu comunico a todos que esta reunião será interativa, transmitida ao vivo e aberta à participação dos interessados por meio do Portal e-Cidadania, na internet, no endereço senado.leg.br/ecidadania, ou pelo telefone 0800 0612211. O relatório completo, com todas as manifestações, estará disponível no portal, assim como as apresentações que forem utilizadas pelos expositores. Na exposição inicial, cada convidado poderá fazer uso da palavra por dez minutos. Ao fim das exposições, a palavra será concedida aos Parlamentares inscritos para fazerem suas perguntas ou comentários. Os Parlamentares são vocês que estão no Plenário. Se batemos palmas para os convidados, palmas para os Parlamentares. (Palmas.) Estão todos os 27 aqui. É quórum absoluto. Isso não é todo dia que acontece na Casa. A fala inicial, eu a faço em nome da Presidência. Quero iniciar cumprimentando o Presidente da Comissão de Educação e Cultura, o Senador Camilo Santana, ex-Ministro da Educação. A Teresa Leitão, que a presidia até pouco tempo, a cede para o Camilo, porque ela virou Líder do Governo. Então, reafirmando, cumprimentamos o Presidente da Comissão de Educação e Cultura, o Senador Camilo Santana, pelo belo trabalho que realizou à frente do Ministério da Educação - agora ele está aqui no Senado, à disposição da Casa - e pela dedicação com que faz o trabalho nesta Comissão, como se Ministro fosse, com a mesma competência e a mesma qualidade. |
| R | Então, reafirmando, cumprimentamos o Presidente da Comissão de Educação e Cultura, o Senador Camilo Santana, pelo belo trabalho que realizou à frente do Ministério da Educação - agora ele está aqui no Senado, à disposição da Casa - e pela dedicação com que faz o trabalho nesta Comissão, como se ministro fosse, com a mesma competência, a mesma qualidade. Cumprimento também a Senadora Teresa Leitão, que presidiu este Colegiado por um longo tempo, mas deixou porque teve que assumir a Liderança do Governo. E quero também agradecer à Teresa Leitão, que apoiou o requerimento desta audiência pública, como também o Presidente Camilo Santana, em exercício, com a participação dos nossos Senadores e Senadoras jovens. Registro ainda, na pessoa da Secretária Andréia, meu agradecimento a todos os servidores e servidoras desta Comissão e desta Casa. Uma salva de palmas a eles pelo trabalho que exercem com toda essa competência. (Palmas.) Quem conhece o dia a dia desta Casa sabe que ninguém faz nada sozinho. Cada audiência, cada sessão, cada debate é fruto de muitas mãos. É um belíssimo trabalho coletivo, que eu acompanho aqui em três mandatos como Senador. Aos nossos convidados também ficam aqui meus aplausos - a todos eles, a todos os convidados. (Palmas.) Aos representantes das instituições públicas, da sociedade civil e da academia, que vão contribuir muito para este debate. Deixo o meu abraço fraterno a todos que estão aqui conosco presencialmente na Comissão e também àqueles que nos acompanham pela TV Senado, pela Rádio Senado e pelos demais canais de comunicação da Casa. É claro que eu quero também, com muito carinho, um carinho especial, dizer que vocês, Jovens Senadores e Senadoras, são o sujeito dessa história. Vocês é que emocionam a todos quando falam que a juventude chegou, está aí e quer participar ativamente. Vocês estão mostrando isso. Jovens, com alegria, ao reencontrar vocês, sei que estou vivendo intensamente cada momento desse programa junto com vocês e toda a equipe que organiza. Eu falo um pouco aqui, e um pouco eu improviso, não pensem que é só papel. E o improviso faz com que eu saia do texto. Eu tenho certeza de que essa semana ficará para sempre na memória, no coração e na alma de cada um de vocês. Quero muito ouvir essa juventude. Não só eu que quero; nós queremos ouvir muito essa juventude. O olhar de vocês será de extrema importância para a audiência de hoje, para darmos luz a este debate nas redes sociais. Vamos tratar de um dos maiores desafios do nosso tempo: a democracia nas redes sociais. Como se construir um debate saudável, honesto, que é legítimo. E vocês já começaram a conversa antes mesmo de chegar aqui no Senado. Começaram pelas redações que escreveram. Começaram pelas reflexões, pelos caminhos que os trouxeram aqui, no dia a dia das suas vidas. Foram essas cartinhas que levaram cada um de vocês ao primeiro lugar do programa em seus estados e no DF. Olha, não é pouca coisa. Eu queria viajar no tempo e que, no meu tempo, tivesse um Programa Jovem Senador e que eu botasse uma medalha de primeiro lugar no meu estado, de todos que fizeram redações. E foram milhões que, nesses 14 anos, fizeram. Então, medalha de primeiro lugar! O Brasil não ganhou a Copa do Mundo, mas vocês ganharam a Copa do Brasil como os jovens em primeiro lugar. (Palmas.) Muitos de vocês tocaram num ponto que é central: democracia não é pensar igual. E eu quero dizer que eu concordo. |
| R | Não queremos redes em que todos pensem da mesma forma. Isso não seria democracia. Defendemos a liberdade de expressão, que é um direito fundamental, mas liberdade de expressão não é licença de mentir, ameaçar, perseguir, odiar e até matar, como eu falei na abertura, discriminar ou atacar a dignidade de alguém. A democracia é o coração da própria liberdade, é o coração da vida. Sem democracia, não há liberdade; sem liberdade, não há democracia. O que precisamos é de um ambiente em que as pessoas possam debater, divergir, defender suas posições, sem transformar o outro num inimigo. Eu mesmo, a oposição aqui dentro, para mim... Eu me dou com todos. Eles não são meus inimigos. Pensamos diferente e, no debate, nós vamos construindo o bom caminho - assim eu espero. É um desafio que fica ainda maior com a chegada da inteligência artificial. Vocês sabem o potencial da inteligência artificial. A inteligência artificial já é capaz de criar imagens de fatos que nunca aconteceram, reproduzir a voz de alguém dizendo palavras que jamais foram pronunciadas - isso é inteligência artificial, que ela venha para o bem, não para o mal -, fabricar vídeos cada vez mais difíceis de entender ou saber se é realidade ou não. A mentira sempre existiu. Agora, com a tecnologia, ela ganhou velocidade, ganhou alcance, ganhou força. A mentira, infelizmente, eu digo; não é a tecnologia, à qual sou totalmente favorável. Mas nós todos sabemos que a mentira não pode ser o eixo desse debate e não pode ocupar o mesmo lugar de um fato que é verdadeiro. Por isso, quando falamos de democracia nas redes, falamos também de responsabilidade: responsabilidade das plataformas, responsabilidade das instituições, responsabilidade de quem produz uma informação, de quem recebe e também de quem compartilha - tem que ver o que compartilhar -, responsabilidade de todos nós. Não basta ter a informação ao alcance da mão, precisamos ser cidadãos digitais. É urgente saber, compreender, questionar, verificar, conhecer a fonte e distinguir o que é confiável do conteúdo que pode ser enganoso. E, com a inteligência artificial, devemos desconfiar até daquilo que os nossos próprios olhos e ouvidos parecem confirmar. Por isso, considero a educação midiática uma das grandes alfabetizações do nosso século. E quero deixar aqui uma coisa muito clara: educação midiática não trata de dizer às pessoas no que devem ou não acreditar. Eu diria que, ao contrário, é dar condições para que cada um pense com a sua própria cabeça, questione, escolha e forme livremente a sua convicção - que eu tenho certeza de que será do bem e não do mal -, para que não seja conduzido somente para o interesse do algoritmo, onde muita gente ganha dinheiro com isso, para que não seja levado pelo medo, pelo ódio, pela desinformação, para que preserve uma das liberdades mais importantes que temos: a liberdade do pensar. Porque, afinal, que liberdade de escolha existe quando alguém decide acreditando em uma mentira? É essa batalha que nós todos haveremos de travar. Essa batalha não começa hoje nesta audiência, ela já vem de uma longa caminhada. Quero reconhecer aqui, por exemplo, o Senado Verifica. Sei que tem outros que fazem esse trabalho belíssimo que vocês receberam aí. |
| R | O Senado Verifica é uma iniciativa desta Casa que checa conteúdos, enfrenta a desinformação e ajuda a esclarecer o que é fato e o que é fake. Vocês têm aqui todos os caminhos para consultar, no momento que entenderem necessário, lá do seu estado, de onde vocês estiverem. Termino dizendo: reconheço também a atuação do Tribunal Superior Eleitoral, das organizações da sociedade civil, das universidades e de todos que vêm contribuindo para esse esforço, como nossos convidados que estão aqui e à distância. Esse trabalho está longe de terminar; ainda temos muitos e muitos desafios pela frente. Agora, fica aqui uma promessa minha... Eu falo demais, mas todo político fala demais, porque o instrumento do político é a voz! Se ele não falar, ninguém vai saber quem ele é. Levem essa mensagem junto: tem que falar mesmo, mas tem que saber escutar! Lembrem-se do discurso primeiro que eu fiz: escutem mais do que falem. E hoje eu prometo fazer isto: escutar, escutar e escutar. Quero ouvir nossos convidados; quero ouvir vocês, Jovens Senadores e Senadoras. Somente reunindo diferentes experiências, gerações e olhares, conseguiremos encontrar os melhores caminhos. Eu sempre digo que um poeta espanhol falou que o caminho a gente só faz caminhando - e vocês vão ter que caminhar, como eu e todos nós que estamos aqui caminhamos. Eu tenho muita esperança, como eu disse naquele discurso inicial, na juventude. Tenho muita esperança na juventude e, por isso, estou saindo do mandato para passar o bastão para os mais jovens - mas também estava na hora, né? Depois de 40 anos e com 76... (Intervenção fora do microfone.) (Risos.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Enfim, pessoal, eu tenho muita esperança na juventude, esperança que vocês ajudem a fazer da rede um espaço mais humano, mais responsável, verdadeiro e democrático. E aí, com essas palavras, "verdadeiro", "democrático", e com a palavra "esperança", da esperança num mundo melhor para todos, eu concluo a minha fala. Muito obrigado a todos. (Palmas.) Prometi não falar muito, mas já falei muito! Agora eu encerro; agora é com vocês. Então, vamos, de imediato... Deixe-me ver como está aqui a minha... (Pausa.) Aqui. Agora eu vou chamar cada um dos expositores para que usem da palavra pelo tempo de dez minutos. Concedo a palavra ao Sr. Frederico Franco Alvim, representante da Assessoria Especial de Enfrentamento - é uma palavra boa, mesmo, essa - à Desinformação. Ele aqui representa o Tribunal Superior Eleitoral. O SR. FREDERICO FRANCO ALVIM (Para expor. Por videoconferência.) - Bom dia, Senador. Muito obrigado. Bom dia a todos e todas. Conseguem ver os meus eslaides? Só para confirmar. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Estamos ouvindo-o, mas não o estamos vendo na tela. O SR. FREDERICO FRANCO ALVIM (Por videoconferência.) - Não está aparecendo? (Pausa.) Ainda não? O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Você não. O SR. FREDERICO FRANCO ALVIM (Por videoconferência.) - Pessoal da técnica aí, por favor, se puderem me incluir... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Está sendo ajustado aqui, em seguida poderemos vê-lo. O SR. FREDERICO FRANCO ALVIM (Por videoconferência.) - Está joia, mas me interessa mais que vejam os eslaides, porque eu tenho alguns números para apresentar. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - O.k. (Pausa.) O.k., o senhor pode começar, por favor. |
| R | O SR. FREDERICO FRANCO ALVIM (Por videoconferência.) - Muito obrigado. Bom dia a todos e todas. Quero trazer uma discussão sobre letramento midiático. Para mim, o mais importante é a gente entender que, para tentar uma transformação social positiva, de que o país tanto precisa, a gente tem que ter em mente que não se dispute a implementação de uma pedagogia democrática no limbo; a gente precisa ter muito claro o contexto em que essa pedagogia poderia ser aplicada. E eu começarei fazendo alguns alertas. Estou trazendo dados aqui da pesquisa do Barômetro mundial de Confiança da Edelman, do ano passado, com dados de um recorte estritamente do Brasil. O que se verificou nessa pesquisa é que hoje basicamente um terço da população brasileira percebe o ativismo hostil como um meio viável para promover mudanças. Em conexão com essa percepção, no Brasil, 18% das pessoas acreditam que é lícito, normal e aceitável a gente atacar outras pessoas no ambiente online; 20% das pessoas acreditam que é válido espalhar a desinformação intencionalmente; 17% das pessoas acreditam que ameaçar ou cometer violência de ameaça física, simbólica ou patrimonial também está tudo dentro do jogo; e também 17% das pessoas acreditam que é normal e aceitável, para buscar mudanças, destruir o patrimônio público ou privado. Chama a atenção o fato de que esses números são ainda maiores. Eu vinha falando da média da população quando a gente fala da população jovem. Entre as pessoas de 18 a 34 anos, o índice não é de 31%; 40%, ou seja, quase metade da população acredita que essas atitudes são aceitáveis. A questão é: como é que a gente chega aqui? Tudo tem a ver, obviamente, com o entorno social que é muito moldado pelo tipo de informação que a gente consome. Nós que somos mais velhos estávamos acostumados, antes da internet, com o sistema em que a difusão de ideias e opiniões vinha da mídia profissional, vinha de uma fonte que tinha uma curadoria profissional, que não dava vez e voz para pessoas com pensamentos extremistas, para pessoas que defendiam teorias conspiratórias. Para chegar à mídia você tinha que passar no portão e só saíam dali aquelas informações que tinham sido verificadas por uma verificação de fatos e por uma verificação de fontes. Não obstante, quando a gente entra no tempo da internet, a gente tem uma mudança, e o ecossistema de produção de informações já não está só nessa mídia profissional que tem um cuidado com aquilo que difunde, mas em diversas outras instâncias que trazem para a gente interpretações da realidade que não são objetivas e que não passaram por um processo que buscasse alguma garantia de qualidade na comunicação. Temos também o fato de que hoje milhões e milhões de informações são publicadas nas redes sociais, mas os algoritmos das redes sociais distribuem aquilo que efetivamente vai chegar para as pessoas. E, como os algoritmos são desenhados para maximizar o engajamento, o que o algoritmo quer é que a gente mantenha contato e interaja com esses conteúdos para que eles possam extrair dados das nossas interações que são vendidos a anunciantes privados e políticos, o fato é que a gente também tem dentro das redes sociais uma realidade deturpada, porque a realidade, a complexidade da realidade não cabe num fio de rede social. Os algoritmos maximizam uma comunicação mal-humorada, que faz com que a gente consuma informação não usando a parte racional do nosso cérebro, mas especificamente aquela parte mais movida por paixões, a parte irracional. Os algoritmos maximizam uma comunicação mal-humorada, que faz com que a gente consuma informação não usando a parte racional do nosso cérebro, mas especificamente aquela parte mais movida por paixões, a parte irracional. |
| R | Dados recentes de uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet, publicada dois meses atrás, mostram que hoje, no Brasil, as redes sociais são a principal fonte de informação para mais de 70% das pessoas e que só 34% das pessoas consomem informações na mídia tradicional, ou seja, 34% das pessoas garantem no mínimo uma dieta informativa saudável, ao tempo que quase três quartos das pessoas estão consumindo informações não verificadas. Obviamente, nós temos apostado em jornalismo de verificação de fatos, em um trabalho de letramento midiático, mas a nossa aposta é pouco eficaz. Na medida em que a gente está tentando publicar informações corretas, a gente posta e reza para que as pessoas, tendo contato com aquelas informações, automaticamente, de uma maneira quase mágica, aprendam a pensar, mas o fato é que não estamos levando em consideração que as pessoas consomem informações, buscam interpretações da realidade em locais que têm uma visão de mundo mais consentânea com as suas próprias visões e, no Brasil, de acordo com dados do próprio CGI, 36% das pessoas se esquecem de verificar, 33% não têm tempo, 33% não têm interesse. Obviamente que, quando a gente percebe que os jovens também são os menos engajados em práticas de verificação, fica claro, em conexão com aqueles dados de polarização, que o público jovem deveria estar no horizonte prioritário dessas práticas de letramento informacional. Não obstante, os jovens são também mais expostos a essas questões por um fenômeno pernicioso que está ligado à redução daquilo que a gente chama de vigilância epistêmica. A gente que é mais velho, que tem mais dificuldade em transitar em meios digitais, presta mais atenção naquilo que a gente está lendo e naquilo que a gente está compartilhando. Como para os jovens tudo é muito simples, fácil e familiar, eles percorrem esses conteúdos prestando menos atenção e, portanto, eles estão mais fadados ao erro, a acreditar que é verdade aquilo que é mentira ou acreditar que é mentira aquilo que é verdade, quando lidam com conteúdos digitais. O grande problema é que a polarização, ao gerar esse estado de mau humor e essa precondição negativa para a gente dialogar com pessoas que pensam de maneira diferente, alimenta o ressentimento. A base daquela hostilidade que a gente discutiu na primeira tela vem da polarização, mas nós já superamos o estado de polarização e entramos agora naquilo que se chama de estado de insularidade, de isolamento. A gente praticamente passa a não confiar não só nas instituições, aquela desconfiança vertical, mas a alimentar cada vez mais uma desconfiança horizontal arraigada entre a própria cidadania. Aqui no Brasil, nós perdemos oito pontos de confiança em apenas um ano - estou trazendo dados do Barômetro de Edelman de 2026 -, de maneira que hoje, no Brasil, nós, que vínhamos, já há muito tempo, perdendo confiança nas instituições, em tribunais, na imprensa profissional, na academia, nos cientistas, etc., mas agora também já não temos confiança nos nossos vizinhos. A gente hoje está se desenvolvendo dentro de uma sociedade em que a gente só confia nas pessoas que espelham a nossa cosmovisão. Com isso, a gente se afasta ainda mais, e esse é um cenário que retroalimenta a perspectiva de polarização. No Brasil, hoje, sete em cada dez pessoas têm uma mentalidade insular: 72% das pessoas só confiam nas pessoas que têm o seu mesmo pensamento. E, por isso, para concluir a minha fala, é especialmente importante a gente pensar que o letramento midiático, essa educação para a gente usar as redes de forma responsável, compartilhando conteúdos com consciência, continua sendo uma medida necessária, mas insuficiente. A gente teria que trabalhar, na minha visão, num letramento holístico. Além de letramento midiático, é a gente trabalhar com letramento informacional para que as pessoas aprendam a diferenciar uma fonte confiável de uma fonte não confiável, aprendam a distinguir um argumento honesto de uma argumentação falaciosa, aprendam a saber se uma pessoa que se posiciona como uma autoridade especialista merece, de fato, esse título, aprendam quando a gente está lidando com uma afirmação de fato ou quando a gente está simplesmente tendo contato com uma opinião subjetiva. A gente precisa também trabalhar num letramento algorítmico para entender que rede social não é espelho da realidade, que enquetes e plataformas digitais podem ser forjadas e são enviesadas quando aplicadas em portais de nicho, mas o mais importante, na minha visão, é o letramento socioemocional, porque nós temos investido muito tempo e muita energia em tentar fazer as pessoas perceberem quando é que alguém tenta enganá-las, esquecendo que a maior parte do problema está em processos internos. E, portanto, a gente precisa também compreender o que são heurísticas, compreender o que são vieses cognitivos, compreender pressão de grupo para a gente ter uma dimensão maior não só de como é que nos enganam, mas de como é que a gente se autoengana cotidianamente. |
| R | É urgente trabalhar numa educação para cultura democrática, que tenha uma pedagogia para civilidade, mas a gente só vai ter sucesso também se tiver a exata dimensão de que essa comunicação não é uma comunicação voltada para mente racional das pessoas, é uma comunicação prioritariamente centrada na nossa parte passional. E, por isso, ela tem que ser toda moldada - aqui eu estou falando de conteúdo, vou encerrar falando de forma - para uma comunicação adaptada para contextos de alta polarização. Ninguém consegue mudar a mente de ninguém. O máximo que a gente pode fazer é dar ferramentas para que essas pessoas possam reavaliar a solidez, a validade e a percepção, e a solidez das suas próprias percepções... Recebi o aviso de 60 segundos, já vou encerrar... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Mas pode ficar tranquilo para concluir o pensamento. Se precisar de mais dois, vai ter mais dois ou mais três. O SR. FREDERICO FRANCO ALVIM (Por videoconferência.) - Obrigado. São apenas alguns segundos mesmo, Senador. O fundamental aqui, para encerrar a minha exposição, é que a gente precisa adaptar metodologias de comunicação que nos permitam falar com o sentimento das pessoas, para que as pessoas consigam efetivamente ter elementos para reavaliar essa postura de hostilidade. |
| R | E aqui, felizmente, temos uma nova vertente da educação surgindo, baseada em psicologia do comportamento, entre outras questões, em que a gente pode trabalhar, por exemplo, frame de consequências concretas, porque a gente não vai fazer ninguém abrir os olhos, por exemplo, para o problema da desinformação, com argumentos teóricos, abstratos, irracionais, mas, quando a gente, coletivamente, senta para refletir sobre episódios trágicos que decorreram dessas questões, a gente consegue dimensionar essas questões de uma maneira muito melhor. Muito obrigado e um bom dia a todos e a todas. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Obrigado, gratidão. Nós é que aqui estamos dizendo isso para você, pela exposição. Muito obrigado ao Sr. Frederico Franco Alvim, representante da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral. Pela qualidade já do primeiro expositor, eu fico muito feliz só em saber que a TV Senado e a Rádio Senado estão transmitindo esta audiência para todo o Brasil. Eu diria que vai ser uma aula magna sobre o tema, pela qualidade dos expositores e também de vocês, Jovens Senadores e Senadoras. Passo a palavra de imediato à Sra. Patrícia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta. A SRA. PATRÍCIA BLANCO (Para expor. Por videoconferência.) - Olá, bom dia, Senador. Todos me ouvem? O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Bom dia. Seja bem-vinda. Estamos ouvindo-a. A SRA. PATRÍCIA BLANCO (Por videoconferência.) - Muito obrigada pelo convite. É sempre uma alegria poder revê-lo, mesmo que à distância, e também ouvi-lo nessa defesa tão intransigente da educação midiática como forma de melhorarmos o ambiente informacional, principalmente visando à construção da cidadania. Eu queria também cumprimentar, na pessoa da Jovem Senadora Maria Clara, todos os demais Jovens Senadores e Senadoras que estão aí nos acompanhando e dizer que é uma alegria ver tantos jovens envolvidos nessa temática e, principalmente, na defesa da democracia, né? A gente precisa estar sempre atentos e atentas para essa defesa. Eu vou compartilhar a minha tela aqui. Também aproveito para cumprimentar os meus colegas expositores, na pessoa da Gabriela de Almeida - é um prazer revê-la também -, e também para dizer que a fala do Frederico se alinha muito com o que eu vou trazer aqui. Eu vou compartilhar a minha tela, para que a gente possa mostrar um pouquinho o que a gente tem feito aqui no Instituto Palavra Aberta de combate à desinformação, mas principalmente visando... Desculpa. Ai, meu Deus, fiz uma besteira aqui. A apresentação dos eslaides... Eu não sei se todos já veem a minha apresentação. (Pausa.) Se puderem me confirmar, eu agradeço. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Está indo bem a apresentação. Estamos todos lendo aqui. A SRA. PATRÍCIA BLANCO (Por videoconferência.) - Então está ótimo. Muito rapidamente, eu gosto sempre de trazer que o ambiente informacional que a gente vive hoje, repleto de desinformação em todas as suas formas, desde as chamadas fake news, ou mesmo conteúdos fora de contexto, ou informações fabricadas... elas não são novidade, mas elas ganham um novo espaço, vêm ganhando um novo espaço de atenção por conta da mudança no formato dos sistemas comunicacionais e na forma como nós nos relacionamos com os conteúdos que são produzidos por todos. |
| R | Nós temos aqui diversas questões que eu gosto sempre de trazer. Na medida em que a produção de conteúdo ficou mais acessível para todos, todos nós passamos a ser não só consumidores, mas também produtores e disseminadores de informação. Temos aqui as tecnologias cada vez mais acessíveis; o baixo letramento informacional da sociedade; o viés de confirmação, como bem colocou o Frederico, que são as emoções que influenciam aquilo que nós acreditamos e o que nós compartilhamos; e também o papel das plataformas, que acabam vigiando, ou privilegiando, ou direcionando conteúdos que a gente tem que engajar ou engaja. Uma outra questão aqui que eu gosto sempre de trazer é lembrar que, se é fake, não pode ser news, porque fake news são inverdades, fabricações, mentiras, conteúdo produzido com o objetivo mesmo de causar desconfiança ou de desestruturar a credibilidade de instituições - acho que a pesquisa da Edelman Trust Barometer é muito clara nesse sentido -, e uma notícia é equilibrada, é objetiva, deve apresentar evidências, citar especialistas e assim por diante. Mas o que eu queria trazer, já entrando no tema da nossa conversa aqui, é que a reconstrução desse espaço, ou de um espaço de diálogo saudável e democrático, tanto nas redes sociais, na internet, quanto no nosso dia a dia, exige mais do que combater a desinformação, esse ambiente de desinformação em que a gente vive, em que parece que a gente é inundado todos os dias quando a gente recebe informações o tempo todo. Ela demanda uma mudança estrutural na forma como nós nos comportamos e interagimos com esse ecossistema e nesse ecossistema. Aí, Senador, o senhor falou muito sobre a questão da educação midiática, e eu sou uma fiel escudeira e acredito muito na educação midiática como uma forma de construir e de desenvolver habilidades para que o cidadão possa de fato exercer plenamente a sua liberdade de expressão, a sua atuação no ambiente informacional, de forma ética e responsável, e saiba acessar e analisar criticamente as informações, produzir conteúdo com responsabilidade - e aqui a gente tem tantos jovens que têm já essa habilidade de produzir conteúdo - e entender melhor qual é o seu papel nesse ambiente de avalanche informacional. A educação midiática, muito rapidamente - a gente chama de mandala do EducaMídia, que é o programa de educação midiática do Instituto Palavra Aberta, o qual eu presido -, trabalha com três grandes eixos: o eixo ler, que é do letramento da informação e da análise crítica da mídia; o eixo escrever, da autoexpressão e da fluência digital, e aqui a gente trabalha também questões relacionadas à habilidade, na fluência digital, até de como entender como os mecanismos acabam afetando a forma como a gente acredita, a forma como a gente se estabelece nesse universo digital; e o terceiro eixo, que para mim talvez seja o mais importante, é o eixo do participar, que trata muito da questão da cidadania digital e da participação cívica. |
| R | Aqui a gente atua muito nesse desenvolvimento das habilidades socioemocionais de entender qual é o meu papel neste ambiente. Se eu aprendo a ler criticamente uma informação, a escrever corretamente, a participar desse ambiente democrático, promovendo a minha autoexpressão, eu também aprendo a não disseminar discurso de ódio, a não passar desinformação e a participar desse ambiente de forma responsável. A gente entende, aqui no EducaMídia, que a verdadeira inclusão digital está nas habilidades e não apenas no acesso - então é preciso ir além do acesso - e que a educação midiática é hoje um direito fundamental do cidadão para que ele construa autonomia e criticidade, com foco na segurança, na equidade para a coletividade e na participação cidadã desse universo democrático. E, para isso, nós lançamos já, em 2022, no âmbito do EducaMídia, o programa #FakeToFora - Quem vota se informa, visando ao combate à desinformação no período eleitoral para jovens no ensino médio, principalmente jovens que vão votar pela primeira vez, porque a gente entende que a educação midiática hoje é um guarda-chuva, em que a gente pode atuar também na educação cidadã, na educação para a democracia, no letramento algorítmico, no letramento da inteligência artificial e principalmente no letramento para que haja de fato essa participação cidadã. O #FakeToFora é uma trilha com já 11 conteúdos. Ela está disponível no faketofora.org.br. Ela tem aqui 11 conteúdos. São trilhas mesmo, com planos de aula, nos quais a gente convida o professor a oferecer para os alunos essa noção, esse entendimento do que é democracia, do que é a Constituição brasileira, os três Poderes, o papel de cada um deles, do Congresso Nacional, do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. A gente tem um módulo muito interessante sobre o processo eleitoral, sobre a urna eletrônica e o funcionamento dela, uma vez que a urna eletrônica é atingida sempre nos processos eleitorais, por desinformação, por questionamentos... Então, a gente traz aqui uma explicação clara, objetiva, direta, para que o jovem possa entender. E os resultados, coletivo de checagem e assim por diante. Vou só concluir aqui, passar um pouquinho mais rápido... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Fique tranquila que você tem mais três minutos. A SRA. PATRÍCIA BLANCO (Por videoconferência.) - Está ótimo, muito obrigada. Então, a gente busca incentivar os jovens à prática cotidiana do entendimento do que é a leitura crítica da informação, a checagem dessa informação e como esse jovem pode atuar, entendendo qual é o propósito, qual é o contexto, qual é a audiência, para quem que foi criado aquele conteúdo, a execução, entendendo o seu papel nesse processo de se tornar um embaixador do combate à desinformação, atuando principalmente para fora dos muros da escola. Nós incentivamos que esse jovem, na medida em que ele aprende, que desenvolve essas competências, se torne um influenciador de boas práticas para auxiliar as suas comunidades, para auxiliar as suas famílias, o seu entorno na prática da defesa da democracia a partir do combate à desinformação no período eleitoral. |
| R | Nós temos um prêmio - e aqui eu queria convidar a todos -, o Prêmio #FakeTôFora 2026. Ele é voltado para professores que criem coletivos de checagem, grupos de checagem dentro das escolas, para fazer com que esse jovem se torne de fato um protagonista, para incentivar que ele seja esse ator atuante na sociedade neste momento. E o que a gente entende, Senador, é que existe, sim, um espaço muito grande para que o jovem se torne um protagonista contra a desinformação. E, ao desenvolver as habilidades críticas necessárias, há uma mudança de fato, uma mudança cultural, que permite que a gente possa construir de fato um debate saudável nas redes sociais. E, aqui, só um ponto. Eu gosto sempre de trazer alguns resumos. Como a gente pode construir um debate saudável? Substituir esse espírito bélico pelo debate de ideias, promovendo a pluralidade, a diversidade, que são avanços necessários da nossa sociedade; desarmar o engajamento baseado em emoções extremas, aqui combatendo de fato aqueles cliques, fazendo desacelerar aqueles cliques que têm a intenção de causar mais dano e que estão por trás dos conteúdos digitais; valorizar o jornalismo profissional, a partir da formação de audiências críticas; promover o protagonismo jovem, com o exemplo prático que a gente tem com o #FakeTôFora; e fortalecer a educação midiática como ferramenta de cidadania. Deixo aqui os meus contatos. Para quem tiver interesse em conhecer mais a fundo o #FakeTôFora, o EducaMídia, o Palavra Aberta, fica meu e-mail e agradeço mais uma vez a possibilidade de conversar aqui com vocês, de falar nesta audiência pública, que eu julgo de extrema importância e tão necessária para o momento atual. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Sra. Patrícia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta. Eu gostei daquele símbolo ali, #FakeTôFora. Vocês conseguem repetir comigo? Todo o Brasil vai ouvir: #FakeTôFora. A SRA. PATRÍCIA BLANCO (Por videoconferência.) - #FakeTôFora. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - #FakeTôFora. (Manifestação da plateia.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Valeu. Vamos em frente. A SRA. PATRÍCIA BLANCO (Por videoconferência.) - Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Agora passaremos a palavra para dois expositores do Senado. Eles combinaram: eles vão ter dez minutos cada um, mas o total dá vinte. Quem quiser falar cinco, falar oito ou falar doze fala, desde que fique dentro do limite e com o limite ainda meu, porque eu dou um pouco mais sempre. Então, dividirão a palavra pelo tempo de vinte minutos os seguintes expositores do Senado: o Sr. Tadeu Sposito, Coordenador das Redes Sociais do Senado Federal; e a Sra. Sara Reis, Coordenadora do Senado Verifica. O SR. TADEU SPOSITO (Para expor.) - Bom dia, Senador. Bom dia a todos que compõem a mesa aqui comigo. Bom dia, Jovens Senadoras, Jovens Senadores, professoras e professores, todo mundo que está acompanhando na TV Senado, Rádio Senado, mídias sociais, enfim. Senador, primeiro, não posso deixar de dizer que é uma honra estar em uma audiência pública presidida pelo senhor, uma grande oportunidade que eu tenho aqui e no âmbito do Programa Jovem Senador, que também é algo que mexe muito comigo e de que eu gosto muito. (Palmas.) Inclusive estou acompanhando esses meninos e meninas durante a semana inteira. |
| R | E por que eu estou aqui hoje? Porque, à frente do setor que cuida dos perfis oficiais do Senado Federal, em todas as plataformas, a principal função nossa, o nosso trabalho é justamente promover o debate democrático, é levar a cidadãos, a brasileiras e brasileiros, em qualquer parte, informação sobre o Senado, mostrar a atividade dos Parlamentares de um jeito que as pessoas entendam e, mais do que isso, de um jeito que elas saibam como aquilo impacta na vida delas, mostrar que o Senado não está desconectado da realidade e que, sim, ele mexe com a vida de todas e todos nós. E por que é tão importante a gente disputar esse espaço? Ou seja: por que é tão importante a gente estar nesses ambientes digitais? Aqui trago alguns números. O Frederico já trouxe um que é sensacional, no sentido de que mostra o quão alarmante... Diz que 75% quase das pessoas se informam por mídias sociais. Quer dizer: a gente não pode negligenciar esse espaço. São 150 milhões de brasileiras e brasileiros com perfis nessa plataforma, quase 99% das pessoas que têm acesso à internet neste país estão nas plataformas de mídia social e, gente, usando, em média, 20 horas semanais de rede social. É bastante tempo. Portanto, é lá que a gente está consumindo informação, é lá que a gente está exercendo boa parte da nossa cidadania e das nossas vidas. E como são esses ambientes? Vocês, Jovens Senadoras, Jovens Senadores, como são muito jovens, talvez não tenham vivido isso, mas, quando tudo começou, as redes eram muito mais sociais do que são hoje. O que a gente percebe é que essas plataformas migram de um modelo que antes era muito mais relacional, ou seja, a gente via as coisas das pessoas que a gente conhecia: via nossos amigos, nossos parentes, as pessoas que a gente seguia, e estão mudando para um modelo cada vez mais midiático, ou seja, a lógica é: a gente vê coisas semelhantes àquelas que a gente consome ou àquelas com as quais a gente interage. E olhem que dado alarmante a respeito disso: só 17% do tempo consumido no Facebook e 7% do tempo que você consome no Instagram são de conteúdo que vem dos seus amigos ou das pessoas que você segue; todo o resto é relacionado ao seu consumo de mídia. E esse consumo de mídia, ou seja, essa mídia que é entregue para você, ela é feita por recomendação de um algorítimo, que leva em conta todas as suas interações ali, para entregar para você aquilo que vai mantê-lo ali, afinal de contas, o que essas plataformas querem é a sua atenção, o seu clique num anúncio, o seu dinheiro, para impulsionar um conteúdo sobre o seu negócio, e elas são arquitetadas de um jeito que mexe com as nossas emoções. Não sei se acontece com vocês, mas, quando você posta aquela foto linda na sua rede social, você volta ali pelo menos dez minutos depois para ver se alguém curtiu, não volta? Para ver se tem um comentário. Uma curtida é uma recompensa emocional que você recebe ali, e a gente vicia nisso. Então, esses ambientes são feitos para que a gente fique o máximo de tempo possível e consuma conteúdo ali. Eu iria falar "pode passar", mas eu que estou passando. (Risos.) E esses algorítimos, o que é que eles entregam para a gente? Aquilo que mexe com a gente, ou seja, aquilo que desperta emoções positivas, mas muito frequentemente negativas, e aquela indignação é poderosa para fazer com que você engaje, para que você comente, para que você dê visibilidade para um conteúdo, e também para aquilo que reforça a sua visão de mundo. |
| R | E aí eu trouxe alguns pensadores importantes que estão aqui com a gente, que são trechos das redações dos nossos jovens Senadores. Então, esses algoritmos entregam conteúdos alinhados a interesses individuais e criam um ciclo de repetição informacional - isso está na redação da Maria Grasielle, da Paraíba. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS. Fora do microfone.) - Muito bem! O SR. TADEU SPOSITO - E qual é uma das consequências disso? Isso leva à cristalização de bolhas ideológicas, onde o debate público é substituído por câmaras de eco - isso foi o que a Marília, do Ceará, colocou na redação. (Palmas.) Então, a gente está ali interagindo com aqueles e aquelas que têm mais ou menos a nossa visão de mundo, e muito menos um debate do contraditório, que é mais ou menos o que o Maycon, de Rondônia, colocou na redação dele. Como consequência, o direito ao debate democrático que pressupõe o confronto de ideias, ou seja, a gente precisa ser exposto a opiniões divergentes à nossa para que a gente aprenda, para que a gente construa algo. E isso é substituído por um monólogo coletivo. É quase como todo mundo estar falando, e não necessariamente estar todo mundo se escutando. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Maycon. (Palmas.) O SR. TADEU SPOSITO - Gente, infelizmente, para as plataformas digitais, tanto faz se o conteúdo é verdade, porque o objetivo das empresas por trás das redes sociais - o objetivo, a meta delas - não é fortalecer democracias ao redor do mundo; é ganhar dinheiro, como toda empresa privada. E aí eu trago um dado que a Lara, aqui do Rio Grande do Sul, ressaltou na redação dela: conteúdos falsos têm 70% mais chance de viralizar do que notícias verdadeiras, e as notícias falsas se espalham seis vezes mais rápido do que as notícias verdadeiras. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS. Fora do microfone.) - Muito bem! (Palmas.) O SR. TADEU SPOSITO - E qual é o tipo de conteúdo que se sobressai nessas plataformas? Aquele que é raso e rápido, ou seja, aquele que não é muito aprofundado, que não é muito reflexivo. Gente, não dá para falar sobre qualquer coisa de modo aprofundado e reflexivo em 40 segundos, em um minuto. Às vezes a gente vai precisar de mais tempo, e não é esse o tempo das plataformas. E, como colocou a Lívia, do Espírito Santo, na redação dela, o ser humano privilegia esses estímulos rápidos, evitando conteúdos que exijam um maior esforço cognitivo. (Palmas.) Nós, seres humanos, somos um pouquinho preguiçosos para pensar, essa é uma característica da espécie. Então a gente tem que lutar um pouco contra isso, para que haja, de fato, o debate construtivo. E aí, gente, nessas plataformas, a gente está tendo a democracia ou é sabor democracia? Porque o que acontece nessas plataformas? Todo mundo pode falar, mas será que todo mundo é ouvido? Gente, quando, há muitos e muitos anos, eu estava lá na escola de jornalismo, me formando, estudando, a gente ouvia ali que no Brasil a gente tem quatro ou cinco grandes empresas que controlam a mídia, portanto, que controlam aquele assunto que ganha ou não visibilidade. E aí, quando começa a surgir a internet, também vem uma visão que hoje se prova um tanto ingênua, que é pensar que, já que não há essas empresas no meio do caminho, todo mundo tem voz. Só que a gente substituiu essas quatro ou cinco empresas por quatro ou cinco big techs que controlam o fluxo de informação em nível mundial, tá? |
| R | Esses algoritmos definem a visibilidade de bilhões de vozes que passam por esses critérios privados e obscuros, porque não há transparência. Não existe, lá no site da Meta, do X ou de qualquer plataforma, um botãozinho "Entenda o nosso algoritmo e os nossos critérios de distribuição". Ao contrário, isso é mantido em segredo ou, enfim, em sigilo. Então, quando a gente tinha essas quatro ou cinco empresas, pelo menos a gente tinha o jornalismo profissional. Então, você tem ali o jornalista profissional, que vai fazer uma checagem. No modelo de rede social, a gente jogou a checagem para a ponta, é responsabilidade do público agora ver se aquilo é verdadeiro ou não. E aí eu trouxe o que, inclusive, a Patrícia mencionou na apresentação dela: um desses mecanismos psicológicos que favorecem a desinformação é o viés de confirmação, que é essa tendência de a gente ser muito menos criterioso e rigoroso com aquilo que confirma os nossos valores e visões de mundo. Se você recebe um negócio que tem tudo a ver com o que você pensa, você tende a compartilhar com muito mais facilidade. Se você recebe algo que é absolutamente contrário às suas ideias, o que você vai fazer? Você vai checar, vai ver se aquilo é verdadeiro, "não, não pode ser", vai tentar desmontar o argumento. Esses são alguns dos mecanismos psicológicos que fazem com que isso aconteça. E aí, indo para a parte propositiva, o que a gente pode fazer para garantir um debate mais saudável nesses ambientes? Primeiro, gente, acho que é importante a gente discutir um pouco de transparência algorítmica, que as plataformas compartilhem com a sociedade que está ali quais são os critérios, o que faz com que um vídeo tenha 10 milhões de views e outro tenha 100 visualizações. E isso, gente, dificilmente vai surgir de forma espontânea de uma empresa. De algum modo, isso tem que ser induzido ou exigido pelo Estado, que são justamente os debates acerca de regulamentar, de trazer regras para essas plataformas. Sobre educação midiática contínua, que foi o tema das pessoas que me precederam e que vai continuar sendo o tema aqui, eu não vou me alongar, porque já passei do tempo. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Está indo muito bem. Não passou, não. Vamos tocando, que está bonito. O SR. TADEU SPOSITO - Obrigado, Senador. Claro que a gente tem o compromisso individual com a checagem, cada uma e cada um de nós. É evidente que a gente não pode confiar só no indivíduo, deixar tudo nas costas do indivíduo para que as coisas funcionem bem, mas é importante que cada uma e cada um de nós assuma sua responsabilidade de, antes de compartilhar, antes de publicar, dar aquela conferida em fonte oficial. E, por fim... Não por fim, mas, enfim, por fim dessa minha listinha aqui: ferramentas institucionais que podem ser nossas aliadas, ferramentas como o Senado Verifica, que vai ser apresentado pela minha amiga Sara Reis. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Palmas para a exposição brilhante, como todas as que a antecederam. (Palmas.) A SRA. SARA REIS (Para expor.) - Bom, pessoal, bom dia. Senador Paulo Paim, estou muito emocionada de estar aqui hoje com o senhor. O Senador Paulo Paim foi o primeiro Senador que eu entrevistei quando eu era estagiária, quando eu entrei aqui como estagiária. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Deu sorte. Está aqui hoje. A SRA. SARA REIS - Dei sorte. Estou aqui hoje. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Palmas para ela, não é? (Palmas.) Entrou como estagiária e hoje está aqui fazendo palestra para nós. A SRA. SARA REIS - Eu era uma jovem como vocês. Depois de 22 anos, agora estou aqui no Senado Verifica. Quero cumprimentar também meus colegas expositores, cumprimentar vocês, Jovens Senadoras e Jovens Senadores, convidados, todo mundo que está aqui presente e a minha equipe do Senado Verifica, que também está aqui, a Aline e a Lídia. Obrigada por estarem aqui. Bom, vamos passar aqui. (Pausa.) |
| R | Bom, pessoal, quando a gente fala de desinformação, a gente fica assim: "Mas é possível a gente conceituar desinformação? Desinformação é tudo? Desinformação é uma apuração errada?". O que seria essa desinformação de que a gente tanto fala? Hoje, desde a pandemia da covid-19, tem muitos acadêmicos se dedicando a pesquisar esse assunto. E sobre o que a gente já tem algum consenso é que a desinformação parte de uma intenção de prejudicar as pessoas, ela é uma informação fabricada, manipulada, com intenção de causar danos, porque, às vezes, as pessoas podem falar coisas erradas, elas podem apurar de forma errada, mas quando a gente tem uma intenção por trás disso, a gente está falando em desinformação. Mas, no meio de tudo isso, a gente também tem conteúdos misturados, verdade, fato, fake, opinião, sátira, meme, como é que a gente diferencia isso tudo, se a gente está aqui na telinha do celular e não foi educado para estar nesse aparelhinho aqui? E a gente tem hoje uma autora muito relevante, a Raquel Recuero, que fala que a desinformação, pessoal, não é mais aquela notícia ali publicada, que parece uma notícia, mas não é, que é uma fake, a desinformação é um sistema. A gente está vivendo hoje um fenômeno sistêmico, porque é a plataforma, é a notícia que foi publicada, é a forma como a gente está lidando sem estar alfabetizado para estar ali. É um problema sistêmico e, para problemas sistêmicos, a gente também precisa de um debate sistêmico. É como se ela fosse a bola, o juiz, os jogadores, o campo de futebol, tudo isso contribui para o problema da desinformação. E tem uma questão que tem acontecido muito, e eu também quero chamar a atenção de vocês. Quando vocês pegam o celular e ouvem uma influenciadora falando: "Olha, eu tomei a canetinha e isso funcionou para eu emagrecer. Eu tomei uma canetinha e engravidei", isso é um relato pessoal ou é uma evidência científica? Então, é relato pessoal - né, Senador? Mas hoje, Senador, o relato pessoal está sendo confundido com evidências. As pessoas não estão questionando esse influenciador, de onde ele tirou essa informação? Pessoal, vá ao comentário: "Eu quero saber a fonte original, por favor, me informe a fonte original, de onde você tirou essa informação?". Não confiem porque vocês acham que são melhores amigos daquele influenciador ou da influenciadora. Fiquei sabendo aqui que teve uma pessoa que achou que tinha direito de ver a cabine do piloto, se ficasse por último no avião, porque isso estava no TikTok, imagina? Então, pessoal, não dá para confiar. E como é que funciona a dinâmica da desinformação? A gente tem esse conteúdo desinformativo sendo impulsionado por algoritmos que vão maximizar esse engajamento e esse alcance; temos os agentes, que são pessoas, perfis falsos, influenciadores espalhando aquela desinformação; a gente tem os usuários, que acabam amplificando aquilo porque comentam, porque interagem com o conteúdo; e a gente tem os danos, que são o quê? Confusão, polarização, a gente perde a confiança. E perder a confiança é muito ruim para a nossa democracia. |
| R | A desinformação não usa qualquer coisa, ela tem uma gramática, existem táticas por quem espalha a desinformação. Então, geralmente vem acompanhada daquela linguagem sensacionalista, "isso é urgente", "isso é absurdo", "ação urgente", "compartilhe agora". Ela mexe com esse emocional, ela faz com que a gente não pare para pensar. Fontes genéricas, "estudos mostram", "especialistas afirmam", "segundo Harvard"... Gente, "segundo Harvard"? Tem um monte de coisa falando que Harvard falou e que não tem nenhum fundamento. Informação escondida: "Eles não querem que você saiba, mas o Congresso aprovou de madrugada um projeto que vai taxar quem tem mais de dois filhos", é o tipo de desinformação que a gente tem que desmentir lá no Senado Verifica. O Congresso, gente, tudo que o Senado e a Câmara fazem está no portal, está transmitido pela TV Senado e pela TV Câmara, tem nota taquigráfica. Não se preocupem, não vai ter votação de madrugada sem uma publicidade do que está acontecendo aqui. Existe também uma técnica de divisão, nós contra eles, é igual a um fla-flu. A gente está sempre... A gente é um grupo e há o outro. E essa apropriação para simular autoridade, credibilidade, igual a um médico... Drauzio Varella é uma das personalidades que é mais vítima de deepfake. E, falando em deepfake, não acreditem nos olhos, não acreditem no que vocês estão vendo, não achem que "não, eu sei discernir o que é uma inteligência artificial do que não é", nós não temos essa capacidade mais. A IA evoluiu, a gente está passando por realismo enganoso, credibilidade falsa, que usa essa questão. Paolla Oliveira, usam a atriz, usam uma imagem de uma pessoa famosa para nos enganar. Então ver para crer, Senador, não basta mais. A gente tinha a IA de seis dedos, as pessoas faziam ali seis dedos, mas isso já não acontece mais. (Soa a campainha.) A SRA. SARA REIS - O Senado Verifica foi criado em 2020. A gente já completou agora seis anos e nós somos o serviço oficial de combate à desinformação. A Casa entendeu ali na pandemia que a gente precisava enfrentar a desinformação, as pessoas não sabiam o que o Congresso estava aprovando e as coisas estavam chegando de forma deturpada, manipulada para elas. A gente trabalha com uma equipe especializada de jornalistas, trabalha com toda a checagem de fatos, a identificação, os documentos oficiais, e a gente também trabalha de forma integrada com outros setores, outras áreas técnicas. A partir do momento em que a gente recebe a dúvida do cidadão, as pessoas mandam pelo nosso WhatsApp, de forma individual, e a gente vai lá e fala: "Secretaria-Geral da Mesa, isso aqui aconteceu mesmo?"; "Olha, Consultoria Legislativa, isso aqui foi aprovado mesmo?". Então, a gente tem esse trabalho de forma integrada. A gente classifica os conteúdos como "fato", "fake" e "impreciso". Fato, o que é verdade mesmo, está 100% certo; fake, isso não aconteceu; e o impreciso é aquele "calma lá", muita calma nessa hora, que tem que estar ali misturando uma coisa verdadeira e algo que é falso, uma coisa fora de contexto, por exemplo. |
| R | Além da checagem, desde setembro, o Senado Verifica passou a produzir também conteúdos com foco em educação midiática, e a gente está superfeliz porque hoje nós fazemos parte também do Mapa Brasileiro da Educação Midiática. E tem mais, pessoal: véspera de eleição, as coisas ficam ainda piores, e o Senado Federal - fiquei muito feliz aqui de ver o meu colega Frederico Alvim -, nós somos parceiros do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral. Então, se vocês também tiverem dúvidas sobre a eleição, se vocês receberem conteúdos enganosos sobre a eleição, vocês podem falar com o Senado Verifica. E aí, como verificar? Vá à fonte original. Se é uma autoridade, vá ao perfil oficial daquela autoridade. Se é uma proposta aprovada, vocês têm que ir ao perfil do Senado Federal, lá no site da Câmara dos Deputados. Pesquise no buscador. Vocês não vivem fazendo pesquisas aí no Google? Gente, vá lá e pesquise: "Isso aconteceu mesmo? É verdade que fulano falou isso?". Porque, se aquilo é fato, vocês vão ver aquela publicação em vários sites. Então, isso já é um indicativo de que aquilo ali aconteceu. Se você não achou nada, muito cuidado, que aquilo ali tem grandes chances de ser mentira. Não confie nos seus olhos nem na IA. A gente não pode confiar na nossa avaliação nem confiar que a IA vai nos dar uma fonte correta da informação. A IA alucina. Questione quem enviou e publicou. Se o amigo publicou lá no grupo, questione o seu amigo: "Venha cá, quem lhe mandou isso aqui? De onde você recebeu isso aqui?". Não podemos confundir a confiança que a gente tem nas pessoas da nossa família, nos nossos amigos com a confiança na informação, são coisas diferentes. Confira a data. Gente, vocês recebem as coisas, e às vezes não vai lá e vê a data. E é uma foto que está com outra data; aquilo aconteceu há cinco anos e você está achando que aconteceu agora. E outra coisa, vamos parar de ler título e achar que a gente entendeu tudo? Para a gente entender, a gente tem que ler, a gente tem que ver tudo, a gente tem que assistir até o final. Então, a gente vem nessa história, Senador, do clickbait, que são aqueles títulos para engajar, que não são reais, e a gente acha que já sabe tudo pelo título. E qual é a saída, para a gente finalizar? A saída está na redação de vocês. A gente pegou aqui alguns trechos e eu queria que o Senador visse. A Kauane Maria Cabral - não é do Paraná, é do Piauí, tá, pessoal? Tem um erro aí - diz: "Cabe ao Congresso Nacional legislar sobre a transparência dos sistemas de recomendação". O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Vamos bater palmas de novo. (Palmas.) A SRA. SARA REIS - A Lara, do Rio Grande do Sul: "Devem ser desenvolvidos programas permanentes de letramento digital". O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem. (Palmas.) A SRA. SARA REIS - E a gente tem aqui no Senado um projeto que prevê a educação midiática de forma obrigatória nas escolas. "Instituir um programa nacional de educação midiática nas instituições de ensino". É a Maria Laura Soares, do Rio de Janeiro. (Palmas.) |
| R | "Promover programas que visem a conscientizar a população sobre a importância do respeito mútuo ao participar de debates online". Gustavo de Souza, Minas Gerais. (Palmas.) E a Lorena, do Mato Grosso do Sul... Lorena, obrigada. Eu aprendi uma coisa nova com você. "O Congresso Nacional deve regulamentar o friction design, pausas deliberadas antes do compartilhamento, mecanismo capaz de desacelerar a viralização impulsiva". (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Lorena. A SRA. SARA REIS - Então, Senador, imagine se hoje a gente tivesse esse mecanismo em que, antes de compartilhar, a plataforma questionasse ou fizesse você parar ali para refletir o que você está compartilhando... Vou deixar aqui no telão, pessoal, o QR code. Falem com a gente, através do nosso QR code. Estamos no WhatsApp e também temos toda a publicação no nosso portal. Obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Sra. Sara Reis, Coordenadora do Senado Verifica, e ela e o Sr. Tadeu Sposito, coordenador das redes sociais do Senado, jogaram com 20 minutos, e, com isso, eles falaram 25. O SR. TADEU SPOSITO - Ficou bom, né? O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Ficou bem, ficou bem no limite, viu? Parabéns a ambos. E me permitam que eu diga: parabéns por terem interagido com o Plenário, porque às vezes a gente, que está aqui na frente - alguém prepara o palanque, e a gente só fala, né? -, a gente fala muito da nossa visão, e eles conseguiram puxar para a tela a visão de cinco, seis, meninos e meninas que deram contribuição para este debate. Então, vocês todos estão de parabéns pelas contribuições que já estão dando. Todas. (Palmas.) Agora passamos a palavra para a Sra. Gabriela de Almeida, pesquisadora e especialista em tecnologia e sociedade. A SRA. GABRIELA DE ALMEIDA (Para expor.) - Bom dia, todos e todas. Quero agradecer, em especial, inicialmente, ao Senador pelo convite. Também é um prazer conhecê-lo, realmente é uma honra, assim como a Sara, e agradecer também o convite da Comissão de Educação e Cultura, a presença de todos vocês... Eu fiquei muito feliz de ver jovens aqui. Então, a participação dos jovens do Programa Jovem Senador também é riquíssima, superimportante, para estar nessa discussão, não só como ouvintes, mas também na mesa. Isso é raro e é superimportante. Também gostaria de cumprimentar os colegas que também participam desta audiência pública, a Patrícia e os demais colegas, é um prazer estar aqui discutindo esse tema tão relevante com vocês. Eu fiz aqui uma fala e tentei... Eu costumo me empolgar muito com esse assunto, porque eu fico muito empolgada e feliz de poder discutir, debater e trazer para este espaço político essa conversa. Então, vou tentar me guiar aqui, para a gente não se perder tanto. Esse tema me acompanha, Senador, há muitos anos, em diferentes lugares. Eu sou jornalista de formação, hoje sou Chefe de Comunicação da CGU, mas é algo que, enquanto pesquisadora, atravessa minha vida e minha jornada como pesquisadora, como jornalista, trabalhando ali com desinformação e violência política, mas também um trabalho com influenciadores, para promover a influência responsável e, mais recentemente, ouvindo adolescentes e jovens sobre a experiência que eles têm nas plataformas na internet, e aí conversa muito com o que a senhora trouxe. Eu acho interessante também que nossa fala, todas as falas estão em diálogo, assim, todo mundo está contribuindo um pouco. Parece que a gente vai elevando o nível. Então, quando a Sara trouxe ali as experiências também, as gerações de vocês, e trouxe também, por exemplo, a questão do design, que faz com que a gente fique, a importância... O design tem ali algo que freia a gente para a gente não compartilhar. |
| R | Esse trabalho que eu fiz com os jovens também tem uma parte muito importante disso. Quando a gente olha para a experiência que o jovem tem na internet, nas plataformas, a gente consegue pensar em saídas. E, talvez, justamente por ter chegado a essa discussão, por tantos caminhos diferentes que me trouxeram até aqui, eu queria propor uma mudança na pergunta que está convidando a gente a pensar e estar aqui hoje, né? Quando a gente fala em como construir um debate saudável nas redes sociais, promover a democracia, a gente pode ser levado a pensar que a gente está falando só de comportamento, e do comportamento individual de cada um e de cada uma: como a gente pode fazer com que as pessoas sejam mais educadas, mais gentis, menos hostis, menos agressivas, mais responsáveis. Isso tudo importa, obviamente. A gente tem que ter realmente um papel cidadão. E a gente tem que ter responsabilidade pelo que a gente publica, a forma como a gente age nas redes sociais. Mas a gente também tem que entender que tem muito mais. A democracia nunca significou a ausência de conflito - o Senador falou isso na sua fala inicial. O conflito não é um problema. A divergência de ideias não é um problema. É importante que a gente saiba debater de forma saudável. A gente tem ideias diferentes, a gente vai continuar tendo ideias diferentes, mas a gente tem que saber conviver. E o radicalismo e esses algoritmos que os colegas também trouxeram fazem com que a gente tenha perdido a capacidade de dialogar, porque aumenta esse radicalismo, a gente cria ali muros que muitas vezes são intransponíveis. Então, uma democracia de fato saudável comporta a divergência, a disputa, a crítica, a indignação, o dissenso. Tudo isso faz parte de uma democracia. Então, para mim, um debate saudável não é um debate sem conflito. Ele realmente é um debate em que o conflito pode acontecer sem que a gente tenha a necessidade de querer eliminar o outro, porque eu acho que isso que é o risco da radicalização. (Palmas.) Obrigada. Quando a gente entra num lugar de raiva, de ódio, como os colegas... Eu fico muito feliz, porque eu participei de muitos debates e eventos sobre desinformação nos últimos oito anos, e é o primeiro em que eu vejo que todos os palestrantes falaram sobre as emoções, porque é isso que move realmente, é isso que faz com que a gente compartilhe, com que o conteúdo viralize. Quanto mais a gente se indigna... E quem fabrica desinformação, fake news, sabe muito bem como operar, como manipular essas nossas emoções. A gente fica muito feliz quando vê um gatinho, um bebê fofinho, e aí a gente "ai, que fofinho", curte também. Mas o que indigna mais, o que faz com que a gente tenha muita raiva é o que realmente move as pessoas de uma maneira ainda mais visceral. A gente manda para as pessoas para que elas saibam o que está acontecendo. Então, hoje, a gente está, em 2026, falando sobre as emoções. É importantíssimo... Então, a gente pensar nesse lado também socioemocional, Senadora, é superimportante, desenvolver isso dentro também do pacote de educação midiática que a gente está promovendo, esse diálogo que a gente tem feito sobre a distinção de como a gente precisa viver hoje um ambiente informacional em que possa existir conflito, porque ele existe, e também tirar essa ideia de que é um comportamento individual, do indivíduo. A gente está colocando muito na conta do cidadão comum toda a responsabilidade, que é muito maior, que envolve megaempresas, empresas que são riquíssimas, que não têm compromisso com o usuário; têm compromisso com o mercado. Então, a gente precisa olhar... Porque as plataformas não são espaços neutros. Elas realmente têm um ganho. Quando a gente pensa em uma plataforma como essa.... Um colega trouxe que a gente fica 29 horas por semana em plataformas de redes sociais. E a gente não paga nada. |
| R | Quando a gente não paga nada por um serviço em que a gente fica tanto tempo, o preço que a gente está pagando são os nossos dados, é a nossa atenção. E isso é muito caro. O que a gente tem feito com o nosso tempo e com a nossa atenção? A gente pode começar a pensar sobre isso agora. Essa forma de operar que as plataformas têm escolhe muito bem o que ganha visibilidade, o que é mais importante, o que desaparece, o que não vai aparecer para você de jeito nenhum. Na palestra anterior falaram que 7% somente dos conteúdos que chegam para a gente no Instagram são dos nossos amigos, o resto é de pessoas que você nem segue, não conhece. Então, isso tem um porquê. Se vocês... não vou falar para vocês fazerem isso agora, mas eu peço que depois da audiência pública vocês comparem a abinha Explorar de vocês no Instagram. Vocês vão ter abas completamente diferentes, porque aparece para vocês de acordo com o que vocês consomem, mas também muito mais com o que eles gostariam que você consumisse, o que faria com que você ficasse mais tempo na plataforma. Então, comparar a abinha Explorar, o Para Você do TikTok, é importante para a gente entender como são esses mecanismos de manipulação e como o algoritmo é construído também realmente para reter a nossa atenção. Quando a gente fala sobre construir uma democracia nas redes sociais, fortalecer a democracia, a gente tem que discutir não apenas o que as pessoas dizem, mas em que condições elas estão sendo levadas a falar, ouvir e reagir. Então, que condições são essas? Qual é realmente o escopo que elas têm? Recentemente, eu tive a oportunidade de participar da elaboração de um guia, Senador, que eu convido inclusive o senhor ao lançamento. Será na terça-feira, dia 25, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. É um guia chamado "A gente usa, a gente decide". É um guia de apoio à implementação do ECA Digital a partir da experiência do usuário jovem. É um guia que foi construído pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, o IEPS. Então, a gente fez esse guia, e a parte mais importante dele foi realmente a gente olhar para os jovens e escutá-los. Conversamos com 24 jovens, a gente falou com adolescentes de 14 a 20 anos, de diferentes regiões do Brasil, e eles não participaram apenas como fonte. A gente não ficou escutando só eles, "como é que vocês acham... como é que é a experiência de vocês nas redes sociais?". Não, foi um trabalho de coparticipação, cocriação. Eles também fizeram, analisaram as informações que foram trocadas, falaram das suas experiências e ouviram também - a escuta é muito importante - como outros jovens do Brasil têm experienciado questões que são urgentes. A gente falou sobre bets, e aí uma colega trouxe assim, "por exemplo, na minha escola, a gente teve uma situação: a diretora proibiu o celular muito antes de ter virado uma regra oficial, porque ela já via que era um problema na escola, na retenção da atenção, um problema maior. E porque ela também via uma questão de vícios em apostas entre os jovens". E ela falou, "e depois a gente tem notado que tem jovens que começaram a apostar pelo relógio, porque descobriram que tem como apostar pelo relógio". Então, tem que entender o que está acontecendo com esses jovens para a gente poder buscar saídas que realmente contemplem a realidade deles. Assim, essa escuta com eles e com elas foi muito importante para a gente entender o que eles estão querendo nos dizer e que precisam coparticipar dessa construção, inclusive da implementação de algo tão importante como o ECA Digital. Portanto, quando a gente fala sobre o que os jovens pensam sobre redes sociais, frequentemente a gente entra em um lugar comum de pensar que o jovem está... "Ah, é só tempo de tela o problema, né? Ah, e quantas horas ele está online ou não?". E quando a gente pergunta para os jovens mesmo, eles falam outras coisas para a gente. Não é só tempo de tela. Tempo de tela é uma coisa que eles comentam, obviamente, mas tem muito mais. Eles falam muito da arquitetura da plataforma, de como a plataforma tem um design que foi feito para reter sua atenção, para manipular; falam de mecanismos desenhados para dificultar que você vá embora. |
| R | Muitos citaram também, inclusive, isto: você não conseguia sair, tirar a sua conta. Então, ele sentiu uma dificuldade vendo também que isso é um impedimento. Falaram da opacidade algorítmica, da comparação permanente, que é algo muito importante para a gente falar quando a gente pensa que tem filtros, que a gente está ali se comparando o tempo inteiro; da publicidade que nem sempre parece publicidade, não é, Sara? Você falou dos influenciadores, que é um tema também que eu vou citar, mas a importância é deixar muito claro o que é publicidade e o que não é. E há a sensação de que eles precisam estar presentes o tempo inteiro. O famoso Fomo, não é? E aí, é como se, se você não entrasse, não estivesse naquele chat, naquele grupo ou naquele servidor do Discord, enfim, você estivesse perdendo algo, assim, imperdível. Você fica com aquele sentimento de ansiedade. Então, essas foram algumas respostas. E isso muda muito a conversa. A gente tem que, em vez de pensar por que o jovem não larga o celular, por que esse menino não larga esse telefone, pensar qual é o ambiente que a gente construiu, que as plataformas construíram para que seja tão difícil para esse jovem largar o celular. Quando a gente desloca a pergunta, a gente consegue buscar saídas que são coletivas também, não é? A gente pode perguntar assim, por exemplo: que tipo de comportamento a arquitetura das plataformas, a forma como elas são criadas, está recompensando essa forma de a gente se comportar? Se a indignação gera clique, se o confronto gera permanência, se a simplificação gera compartilhamento e se a radicalização mantém a atenção, existe um problema democrático que não pode ser resolvido apenas com apelos individuais à civilidade. Não basta virar para vocês e falar: "Por favor, se comportem bem. Por favor, não compartilhem" se a gente tem um problema que é muito maior. A gente tem que ter responsabilidade individual, mas é um problema maior. Durante algum tempo, Senador, eu trabalhei na Redes Cordiais, que é uma organização de educação midiática. E a gente trabalhava com o conceito que a gente chama de influência responsável. E influenciar hoje é exercer poder. A gente não pode ter uma pessoa que tem centenas de milhares de seguidores, que tem um poder de alcance... (Soa a campainha.) A SRA. GABRIELA DE ALMEIDA - ... - eu vou terminar - muito maior do que qualquer um de nós que está aqui nesta mesa hoje, inclusive o Sr. Senador, porque eles têm uma forma de alcançar as pessoas. Eles utilizam muitas vezes esses mecanismos de atenção, sensacionalismo e tudo mais. Então, como é que essas pessoas que têm esse poder de influência tão grande estão se comportando nas redes? A gente tem que ter um olhar crítico também para o nosso consumo de influenciadores, olhar para quem a gente está seguindo e falar: "Como essa pessoa me afeta? O conteúdo dela me deixa como? Eu fico com mais vontade de comprar no Tik Tok Shop? Eu fico com mais ansiedade, com tristeza, com raiva? Eu me comparo?". Então, esse olhar crítico também é importante para a gente pensar, porque o poder que eles exercem implica uma responsabilidade. Nas escutas que a gente fez com o guia, isso apareceu de diversas maneiras. Eles trouxeram muito como os influenciadores aparecem como referências também, porque a gente tem pessoas que exercem uma influência responsável sim, mas também são pessoas que podem causar essa comparação, um incentivo muito grande ao consumo e também produtores de imaginários sobre o que é um corpo perfeito, o que é o sucesso. E aí se promove, consequentemente, um sofrimento em saúde mental. Então, essa responsabilidade precisa muito ser desenvolvida e estimulada por todos nós. Eu vou falar de uma outra dimensão que eu considero importante, que colegas trouxeram também e que, desde o início, o Senador pontuou, que é a educação midiática, a gente promover ali o desenvolvimento do pensamento crítico. As escolas têm feito um trabalho fundamental, mas esse é um pacto que tem que ser coletivo, tem que estar em todos os espaços, nas escolas, nas casas. |
| R | A gente teve umas perguntas aqui que mandaram pelo Portal e-Cidadania, que era perguntando muito sobre o papel dos pais nesse combate, no apoio ali aos jovens. Os pais são responsáveis, as pessoas que estão responsáveis pela criança e pelo adolescente também são responsáveis, mas é um pacto coletivo de fato. É como a vacina, gente: realmente todos nós temos que ser responsáveis por isso. Então, a educação midiática também é compreender como a informação chega até nós, como os colegas trouxeram. Por que eu estou vendo isso? Por que isso chamou a minha atenção? Aquelas perguntas que eu trouxe mais cedo para a gente pensar... Quando a gente começa a se perguntar, a gente começa a consumir aquilo de uma maneira crítica. A gente desenvolveu o pensamento crítico sobre o que a gente está vendo, lendo, enfim. E aí é preciso pensar também em quem produziu essa informação, qual é a intenção. Quando a gente pensa sobre a intenção por trás dela, isso também é superimportante. E eu quero acrescentar uma última dimensão, que vem da minha pesquisa acadêmica. Eu fiz uma dissertação de mestrado na UnB que era sobre desinformação e discurso de ódio. Eu olhava como a família da Marielle Franco enfrentou a desinformação sobre ela e a violência política. E aí eu encontrei algo... A gente fica muito, às vezes, preso ali no: "Ah, foram criadas muitas fake news sobre ela, um discurso de ódio absurdo, um volume grande" - até hoje são criadas essas peças mentirosas. Mas a família... Para além do desmentir e do enfrentamento, criou-se ali uma rede de apoio, que foi a criação do Instituto Marielle Franco, uma saída coletiva. Então, é isso que eu falo quando a gente pensa em enfrentar a desinformação: tem que ser um pacto coletivo. Para a gente ter um debate saudável nas redes, tem que ter um pacto coletivo. O amor como prática política não é um amor romântico, gente. É Bell Hooks: a gente falar sobre como são as ações, como é a prática coletiva de a gente poder falar, inclusive, com nossos pares. A gente está tendo um problema grande agora do sarampo em São Paulo, uma volta brutal do sarampo. E é um dever nosso, enquanto cidadãos, olhar para esse problema e falar com nossos pares. Então, esse é o amor como prática política. Estou encerrando aqui a minha fala, mas a gente precisa pensar em como a gente pode realmente, de fato, ter uma experiência individual melhor. Quando a gente pede ali para os jovens recomendações de como eles gostariam de ter uma internet melhor, eles falam que o ideal seria que não tivesse mecanismos de retenção, que denúncias realmente funcionassem, menos competição social, algoritmos orientados ao bem-estar, educação midiática, transparência no uso de inteligência artificial, combate à desinformação, diversidade e equilíbrio de ideias e debates saudáveis. Então, os jovens pedem para participar da construção de uma internet melhor. Então, estar aqui com vocês hoje também é importante para a gente ver que isso está acontecendo: vocês estão aqui, nesta discussão tão importante, porque vocês querem também uma internet melhor. Muito obrigada, Senador. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, muito bem, Sra. Gabriela de Almeida, pela sua exposição, a senhora que é pesquisadora e especialista em tecnologia e sociedade. O papo está muito gostoso, por isso que eu vou dando um minuto, um minuto, um minuto. Ninguém aqui falou menos que 14 minutos, mais ou menos. Acho que você falou menos, você não falou tanto. Mas daí ela recuperou - ela recuperou. Vamos em frente então. Quanto menos eu falar, mais eu estou ajudando o Plenário para dar a oportunidade de todos falarem, até depois, se nós entrarmos no debate. Eu passo a palavra agora ao Sr. Samuel Barros, Professor do Departamento de Ciência Política da UFBA, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. A palavra é sua, por dez minutos, com uma tolerância de minuto em minuto. O SR. SAMUEL BARROS (Para expor.) - Senador Paulo Paim, muitíssimo obrigado. É uma enorme satisfação poder participar desta sessão. Eu tenho uma enorme admiração e agradecimento à contribuição que o senhor deu a esta República, de modo que estar aqui participando justamente com o senhor e com os demais colegas que compõem a banca, mas também com os jovens Senadores, é uma enorme satisfação para mim. |
| R | Falo desde a Universidade Federal da Bahia, desde o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, onde temos desenvolvido uma série de reflexões sobre estes assuntos. Minha fala é elaborada a partir de reflexões minhas e dos meus colegas pesquisadores dos campos da comunicação e da ciência política. Bom, vamos lá. A democracia é um regime que preza pela participação da cidadania. Alguns acham que é suficiente votar, outros tantos acham que o importante é o engajamento dos cidadãos na produção de soluções para a comunidade política. Em todo caso, todo mundo entende que as plataformas de redes sociais são relevantes para a experiência democrática contemporânea e que, ao mesmo tempo em que oferecem novas possibilidades de participação, podem fomentar a polarização, a fragmentação de agendas e o autoritarismo. A cidadania em movimento, atualmente especialmente nas redes digitais, trabalha na identificação de questões que demandam ação do Estado na forma de políticas públicas ou de problemas que demandem ação da própria sociedade. Os problemas são muitos e suplantam a capacidade do Estado e da sociedade. Por isso, também, a sociedade precisa estabelecer prioridades. As soluções propostas e implementadas, contudo, podem trazer mais malefícios do que benefícios, não obstante as boas intenções declaradas pelos seus... (Falha no áudio.) As soluções também podem ser ineficientes e consumir recursos escassos. Precisamos ter atenção. Um entendimento da democracia como sendo um regime sustentado pela troca pública de argumentos orientados para a solução de problemas coletivos implica entender que o debate deve acontecer não apenas na identificação dos problemas a serem resolvidos, isto é, na formação da agenda da sociedade e do Estado, mas também - e quem sabe isso seja mais importante - no debate quanto às soluções que são mais adequadas para cada um dos problemas que enfrentamos. Em relação aos problemas enfrentados relacionados às plataformas de redes sociais não é diferente. Nós alcançamos relativo consenso no diagnóstico de que as plataformas de redes sociais e seus muitos usos podem ser um problema para várias facetas da experiência democrática. Sabemos também que o problema é complexo. Não se vê no horizonte uma única solução capaz de abordar as muitas dificuldades que a vida social tem enfrentado nestes tempos de plataformização das relações sociais. As pessoas precisam entender como as plataformas funcionam. Para isso, universidade, jornalismo e iniciativas de educação podem ter um papel importante. Precisamos criar condições para que cada cidadão tenha uma compreensão mínima do funcionamento das plataformas. Essa é uma condição para a cidadania nos nossos dias. Não precisamos de didatismo exacerbado nessas iniciativas, devo dizer. Quando iniciativas de educação não respeitam o que as pessoas já sabem - e as pessoas já sabem muito - tendem a ser ineficazes, porque chatas. Saber o porquê de as plataformas serem desenhadas com certas características e não com outras, entender minimamente o funcionamento dos algoritmos de visibilidade e ranqueamento, por exemplo, é um direito de todo cidadão. Não podemos esquecer que as plataformas são um negócio de seus donos e são usadas por muitos para ganhar dinheiro. Os conteúdos precisam chamar a atenção em um ambiente de muita disputa. Os produtores de conteúdo e as plataformas fazem de um tudo para garantir a atenção dos usuários. Em suma, as plataformas não são neutras, suas características produzem efeitos na vida social. |
| R | A universidade tem um papel principalmente na produção de explicações sustentadas na empiria para evitar a mistificação sobre como funcionam as plataformas. A verdade é que muita gente produz explicações sobre as plataformas baseadas meramente no impressionismo. Precisamos superar o primeiro susto e produzir conhecimento qualificado. Já sabemos também que algumas práticas, tanto das plataformas quanto dos usuários, precisam ser reguladas. A dificuldade é produzir entendimentos compartilhados por todos quanto às práticas que deveriam ser proibidas, bem como estabelecer a estratégia adequada para implementar tal proibição. A complexidade das políticas de regulação é maior porque as proibições precisam dialogar com a preservação dos direitos individuais e coletivos já estabelecidos. Nesse terreno, não temos solução fácil, mas precisamos tocar a conversa na expectativa de que entendimentos mínimos sejam produzidos no percurso. O próprio acúmulo da história e da experiência social nos ajuda a entender que certas práticas deveriam ser proibidas. Aqui, a compreensão com precisão da ação das plataformas é um dificultador para que se promova a regulação. Não por acaso, as plataformas são reticentes em criar condições favoráveis para a pesquisa acadêmica. Os novos usos das inteligências artificiais são uma nova camada de complexidade. O contexto político brasileiro, em que muitos atores parecem dispostos a ações contra a democracia e as instituições, implica uma dificuldade extra para um debate sobre como deveriam ser as plataformas de redes sociais. A dificuldade política, porém, aponta para a necessidade de mais conversa - e não o contrário. Não se trata de achar que o diálogo resolve tudo, mas é suficiente que se produzam entendimentos básicos sobre como deve ser um ambiente digital democraticamente estabelecido. É verdade que o Brasil já fez movimentos importantes no sentido de proteção das crianças com o ECA Digital. Muito ainda precisa ser feito, é verdade, mas, de novo, reafirmo: a dificuldade do desafio histórico que temos pela frente não deve nos furtar da necessidade de nos engajarmos nesse trabalho - que é individual e coletivo ao mesmo tempo - de produzirmos um ambiente digital democraticamente saudável. (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - É com o senhor ainda, o senhor tem cinco minutos. O SR. SAMUEL BARROS (Por videoconferência.) - Eu agradeço, já foi suficiente. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Ah, tá. Meus parabéns aí, viu? Meus parabéns pela fala. (Palmas.) Sr. Samuel Barros, Professor do Departamento de Ciência Política da UFBA, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, parabéns pela fala. De imediato, vamos passar a palavra para o Rio de Janeiro. E alguém vai dizer: "O Rio de Janeiro fala?" (Risos.). Calma aí, é só para descontrair um pouquinho! Passamos a palavra, neste momento, à Sra. Maria Laura Soares e Silva, Jovem Senadora do querido Estado do Rio de Janeiro. A palavra é sua. (Palmas.) A SRA. MARIA LAURA SOARES E SILVA (Para expor.) - Bom, primeiramente, quero agradecer ao Senador pela oportunidade e a todos aqueles que estão compondo a mesa. É uma honra estar sentada aqui, ao lado de pessoas tão incríveis. |
| R | Também gostaria de agradecer aos meus amigos Senadores, que estão aqui representando cada um o seu estado; aos professores que vieram nos acompanhar; a toda a equipe do Senado e às pessoas que estão nos assistindo neste momento. Falar sobre esse tema, bem, é uma coisa sobre a qual todo mundo aqui já possui um certo conhecimento, até porque fizemos uma redação abordando esse tema e foram diversas redações, milhares, e estamos aqui como os vencedores representando o nosso estado, através de uma redação que abordou esse tema. E muitos aqui têm diversas perspectivas e opiniões sobre como construir um ambiente digital que possa ser democrático e respeitoso. Algo que eu abordei muito na minha redação é que, de forma bem particular, eu acredito que nós não devemos repelir o poder das redes sociais e da tecnologia, até porque isso já está inserido na sociedade. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS. Fora do microfone.) - Muito bem! De fato! (Palmas.) A SRA. MARIA LAURA SOARES E SILVA - Acho que negar isso seria construir um pensamento ignorante, porque nós estamos avançando para uma sociedade cada vez mais digital. A tecnologia tem avançado cada vez mais. A inteligência artificial, em questão de dois, três anos, avançou de forma inexplicável. Em 2022, 2023, como foi citado aqui antes, uma imagem de IA tinha seis dedos, por exemplo, e hoje é um realismo surreal, onde você nem consegue mais identificar o que é verdade e o que não é. E eu acredito que algo que foi citado e que me fez pensar muito, até pelo especialista Frederico Alvim, é a questão de como nós, a juventude, consumimos muito o conteúdo no meio digital. A maioria de nós, da juventude em si, não consome notícias em portais oficiais, em sites jornalísticos, não consome matéria, notícia real. Às vezes, um vídeo de 60 segundos nos traz mais informações, nem sempre boas, do que um artigo, por exemplo, porque nós consumimos mais isso. Não, claro, desmerecendo os artigos, porque eles são verídicos, mas é uma coisa que está presente no nosso cotidiano. Acredito que poucos de nós... Talvez aqui até uma maior porcentagem, mas no cotidiano não é comum que nós, a juventude, estejamos a todo momento consumindo artigos jornalísticos, lendo os portais oficiais, consumindo conteúdo oficial. É muito mais fácil, muito mais prático e muito mais habituado no nosso cotidiano vermos um vídeo no TikTok, um post no Instagram, um comentário no Twitter ou algo do tipo. E eu acredito de verdade que a nossa comunicação está avançando para uma situação em que, futuramente, os maiores meios de comunicação que utilizaremos serão os que estão inseridos nas plataformas digitais, no meio digital. E eu acho que é por isso que os portais oficiais, os canais de notícia verídicos precisam se adaptar a essa nova geração, porque nós somos uma nova geração. Como o especialista Frederico Alvim citou, as antigas gerações tinham muito esse tipo de consumo voltado ao meio jornalístico tradicional, digamos assim. Já essa nova geração não está totalmente inserida nesse meio. |
| R | E eu acho que é extremamente necessário que os órgãos públicos e os canais de mídia estejam habituados a esse novo consumo de informação jornalística não repelindo o poder do meio digital, mas, sim, se inserindo, se integrando nisso, porque estamos avançando para uma era cada vez mais digital, cada vez mais tecnológica. E repelir isso, como eu disse, seria alimentar um pensamento ignorante, porque agora isso já está inserido no nosso cotidiano, não vai ter como a sociedade inteira desinstalar todas as plataformas digitais, nós regredirmos 40 anos, quando ninguém utilizava as mídias. Isso só vai aumentar cada vez - cada vez mais -, gradualmente. Por isso eu acho necessário nós nos adaptarmos a esses novos meios de comunicação, nós termos noção do poder da tecnologia, do poder da inteligência artificial e utilizarmos isso de forma consciente e de forma democrática, é claro. Uma coisa que eu achei interessante foi um comentário, no Portal e-Cidadania, de uma pessoa chamada Karolina, de Minas Gerais. Ela perguntou como que nós jovens estamos nos adaptando às notícias verídicas. Eu vou até ler aqui a pergunta dela, deixe-me encontrá-la aqui, um minutinho. Ela disse: "A desinformação digital infelizmente é uma realidade. Nossos jovens precisam ser instruídos nesse meio". Eu concordo totalmente com ela, porque de fato nós precisamos estar inseridos em um meio onde a informação real, a informação verídica possa ser a única utilizada. Não podemos dar palco para o sensacionalismo, para as fake news. Temos que combater isso o máximo possível, mitigar esses danos. Agora estamos entrando em um período eleitoral, e não é novidade para ninguém que essa época é quando as notícias falsas mais se espalham e mais possuem engajamento nos meios digitais. Nós vimos isso nas eleições anteriores, como que isso causou um grande impacto. Como que isso vai continuar na sociedade nos próximos anos? Como nós iremos nos adaptar a isso? A educação midiática é uma forma de combatermos essa desinformação, até porque eu acredito que a educação é a maior ferramenta de transformação social existente. E acredito que todos aqui possuem talvez o mesmo pensamento, porque estamos aqui graças à educação. E eu acho que utilizar a educação como ferramenta de combate a fake news, a notícias maliciosas e até mesmo conteúdo sensacionalista é uma das formas mais inteligentes de combatermos todo esse sensacionalismo, toda essa desinformação presente. (Palmas.) Bom, para não estender muito a minha fala, irei finalizar dizendo: é necessário nos adaptarmos às mudanças e avanços tecnológicos de modo consciente, pois assim podemos construir um ambiente digital, democrático e respeitoso para todos. Muito obrigada pela atenção. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Meus cumprimentos à nossa Jovem Senadora, Srta. Maria Laura Soares e Silva, Jovem Senadora do Estado do Rio de Janeiro. Preparem-se os painelistas, porque, na hora final, eu vou dar uma nota para cada um, e as duas estão disputando para serem as melhores já. Eu tenho certeza com a fala da Maria. E agora com a palavra a Sra. Lara Schuquel Dauinheimer - consegui pronunciar -, Jovem Senadora pelo Estado do Rio Grande do Sul. A SRA. LARA SCHUQUEL DAUINHEIMER (Para expor.) - Bom dia a todos aqui presentes, aos que nos acompanham pela TV Senado. |
| R | Eu cumprimento todos que acompanham a nossa mesa. É uma grande honra poder estar aqui, poder discursar e principalmente poder representar a juventude gaúcha que está nos acompanhando - muitos. E, apesar de os discursos hoje que foram apresentados talvez parecerem seguirem todos o mesmo viés e talvez falarem repetidamente sobre alguns eixos, essas são problemáticas que infelizmente estamos vivenciando no nosso cotidiano e que foram normalizadas e muitas vezes romantizadas. Em especial, temos as relações sociais com a transformação que nós tivemos, como o comportamento humano e social vem se transformando com a transformação das redes sociais, o embate que isso tem com o pensamento crítico, o nosso consentimento, o posicionamento ideológico e a nossa opinião própria, o que é fundamentado muitas vezes em conteúdos sem embasamento científico ou embasamento realmente verdadeiro. Através dessas desinformações, dos discursos de ódio, das notícias distorcidas, de sensacionalismos, de fake news e das influências, às vezes, de muitas pessoas sem embasamento e sem conteúdos aprofundados, nós temos um cenário digital enfraquecido, que infelizmente vem enfraquecendo também a nossa democracia. Na minha redação, eu falei um pouco sobre como há a disseminação dos conteúdos sem um embasamento real e concreto e também como nós não nos preocupamos com isso, como o nosso comportamento vem se conformando com esse cenário, e não há realmente uma transformação social, não há a busca social pela nossa transformação. A educação midiática é um dos meios que eu acredito serem mais cruciais para essa transformação e... (Pausa.) Perdão. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS. Fora do microfone.) - Está indo bem, está indo bem! (Palmas.) (Intervenção fora do microfone.) (Risos.) A SRA. LARA SCHUQUEL DAUINHEIMER - É um pouco nervosismo por estar aqui. As redes sociais ampliaram nossa participação social, nossa participação política e vêm transformando realmente o nosso comportamento, mas não há um acompanhamento com a educação - esse foi um dos principais eixos de que eu tratei na minha redação. Tive o prazer de poder ler alguma das redações que estavam expostas - podemos ter o privilégio de ter nossas redações expostas aqui no Senado -, e, em todas elas, houve a crítica à polarização que há nas redes sociais e à falta de análise crítica que nós temos. Não é por conformidade, não é por acaso que em todas as redações praticamente esses eixos foram tratados. É um cenário que, infelizmente, vimos vivenciando cada vez mais. E, como a Maria Laura disse, nós precisamos nos adaptar e nos transformar quanto a isso, precisamos buscar utilizar dessa ferramenta que é muito crucial para nós a nosso favor e não para disseminação de discursos de ódio, de fake news, de notícias sensacionalistas e distorcidas. No meu formulário de intenção legislativa, por exemplo, e no de Marília também, nós falamos um pouco sobre conteúdos que vêm se agravando, como, por exemplo, a misoginia - em que nós estamos trabalhando um formulário de lei -, em que há os discursos de ódio contra a mulher explicitamente, sem medo de ter uma condenação por isso, de ter um julgamento. Há a crença de que as redes sociais são uma terra sem lei, em que não há parâmetros do que é real, do que é falso, do que é bom de ser falado, de ser discursado, ou não. |
| R | Então, este é um cenário que exige muito a nossa preocupação juvenil, pois obviamente nós somos mais ingressados nisso, mas também uma reflexão político-social contra esse parâmetro. Então, resumindo um pouco, essa é a minha opinião. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Parabéns pela exposição, Jovem Senadora Lara Schuquel Dauinheimer, do Rio Grande do Sul. Eu quero dizer que as duas foram muito bem. Agora, que os outros convidados me perdoem, eu vou dar nota em primeiro lugar para elas. Eu vou dar nota dez para as duas. (Palmas.) Estou orgulhoso, viu? Agora, quanto aos outros convidados, eu vou criar uma expectativa e vou dar essa nota no final. Estou bem metido a professor. Não tem os "profs." aí? Estou metido a professor aqui. Os "profs." estão aí, não? (Pausa.) Estão aí. Então, uma salva de palmas para os "profs." aí. (Palmas.) Eu provoquei essa notinha pensando em vocês, viu? Agora nós estamos nos preparando para o encaminhamento final, pelo que eu sei do nosso horário, mas aqui eu tenho mania - é mania minha, viu? -, em toda Comissão, de abrir a palavra, para que algumas pessoas do plenário falem. O George está me olhando já: "Paim, nós temos programação". Posso abrir aqui, George, para quantas? Porque eu tenho tempo, tem que dar um parâmetro para mim. (Pausa.) Como eu dou uma tolerância, eu vou jogar em seis. (Risos.) Então, vamos lá. Eu peço seis inscrições. Vocês podem perguntar para a mesa, podem dizer o que estão pensando e perguntem para as convidadas nossas aqui - todas, inclusive as colegas de vocês que estão na mesa. Eu vou pedir que rapidamente seis levantem o braço. Fala o nome, para nós registrarmos aqui, e o estado. Então, nome, estado e professor, só para registro. Vai ser chamado depois. Ela pede, a assessoria... Você fala ali no microfone dela. Isso, só para registro. A SRA. ANA CLARICE GOMES DE OLIVEIRA LIMA (Para expor.) - Ana Clarice, Estado do Maranhão. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - "Prof."? A SRA. ANA CLARICE GOMES DE OLIVEIRA LIMA (Fora do microfone.) - Professora. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem. Agora, quem mais? (Pausa.) Viu ali? Aquele ali é do DF, eu estou sabendo. Fala aí no microfone teu nome. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES (Para expor.) - Calebe Fernandes, Jovem Senador do Distrito Federal. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Perfeito. Temos um. "Prof."? O SR. NELSON GONÇALVES MACHADO (Para expor. Fora do microfone.) - Prof. Nelson, representando o Estado de Sergipe. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Só um? Três. Quem mais? A SRA. RITA DE CÁSSIA MEDEIROS DA SILVA (Para expor.) - Jovem Senadora Rita de Cássia, representando o Estado do Rio Grande do Norte. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, quatro. Eu vou lá ganhar o Título de Cidadão, viu? Você tem que estar lá, vai ser agora. Eu pedi para ser na época da praia, eu já vou estar aposentado. Eu vou lá ganhar o título da Assembleia. Quem mais? (Pausa.) Ninguém mais quer falar? (Pausa.) Se não falar, eu vou convocar, hein? (Risos.) |
| R | Então, bem na minha frente, tem uma aqui. Como é teu nome? Bote aí. Pode falar. A SRA. TAVINE PIETRA DE ALMEIDA LARA (Para expor.) - Tavine Lara, Jovem Senadora do Estado de Santa Catarina. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Ó, viu? Está aí, olhem, da Região Sul. Vão dizer que sou bairrista e não tem nada a ver. (Risos.) Escolham aí alguém mais, pessoal. Tem uma aí. (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Mais uma. Isso... Muito bem! A SRA. MARIA CLARA DA SILVA OLIVEIRA (Para expor.) - Maria Clara, do Estado de Alagoas. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Está bem. E, como eu sou bem amplo... Eu sou da frente ampla, viu? Frente ampla pelo Brasil. É uma proposta que eu escrevi 20 anos atrás, mais ou menos. Então, temos a prof... Tá. (Pausa.) Só falta uma. Ou um. Eles estão dizendo que não falta nenhum, mas eu estou insistindo que só falta uma. Ó, viu? Eu sabia que você iria falar... (Risos.) Agora deu. Ela ali... Eu achei que uma das duas iria falar, pelo olhar que tinha aqui. A SRA. IOLANDA PAIVA FAVACHO RIBEIRO (Para expor.) - Iolanda Paiva, Estado do Pará. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Tá. Muito bem. Vamos lá agora... Entre os inscritos aqui, no primeiro lugar está a Profa. Ana Clarisse. (Pausa.) É do Maranhão é? A SRA. ANA CLARICE GOMES DE OLIVEIRA LIMA - Sim, Maranhão. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Maranhão. Na hora em que for falar, levantem e já digam o nome e o estado. A SRA. ANA CLARICE GOMES DE OLIVEIRA LIMA (Para expor.) - Está certo. Ana Clarisse, do Maranhão, professora da Ana Brícia. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - O.k. Vou perguntar ao meu chefe, aí, o meu orientador: Jorge, quantos minutos cada uma? (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Dois? Então, é três, três, três... (Risos.) Ele sabia que eu iria dar mais um. Então, ele é... O que que é também... Ele é meio orientador total aqui. Três minutos. A SRA. ANA CLARISSE - Na pessoa do Senador Paulo Paim, pelo qual eu tenho grande estima, uma grande admiração - ele sempre está muito solícito aqui no programa -, quero dar bom-dia a todos. Quero falar deste momento ímpar na minha vida profissional, na minha vida pessoal, de estar participando de uma Comissão de Educação e Cultura aqui, falando justamente sobre as redes sociais, um assunto muito relevante, retratado aqui nas demais redações, 27 redações de cada estado. E é um orgulho para mim estar participando desse programa, como professora orientadora, pela segunda vez consecutiva, porque isso é um grande orgulho para mim, representar o Cemarp, a minha escola, representar o Maranhão, e através da educação, porque a educação transforma a vida de todo mundo, como transformou a minha. Sou professora da escola pública e vim de uma escola pública. A educação midiática é necessária, necessária, e implementada - como sugestão, até na parte diversificada - como um componente curricular mesmo, porque nós tivemos formações maravilhosas - ontem foi com a Sara, com o Tadeu - e percebemos como ela é necessária, porque os olhos enganam: nem tudo que reluz é ouro. Nós podemos ver isso nitidamente presente na sociedade, todos os dias, e é um turbilhão, é um bombardeio de informações. Lá, no Maranhão, nós temos uma disciplina de letramento em língua portuguesa, sou professora, tem o letramento em matemática, e por que não letramento digital, né? Isso já fica como uma sugestão aí, porque já está em tramitação para votação. Espero muito que dê certo, que seja aprovado, porque cada vez mais que nós investirmos em políticas públicas... (Soa a campainha.) |
| R | A SRA. ANA CLARICE GOMES DE OLIVEIRA LIMA - ... cada vez mais que investirmos na educação, com certeza vai frutificar. Um exemplo claro disso é o Programa Jovem Senador. O Programa Jovem Senador é um programa que transforma vidas através da educação. (Palmas.) Eu sou, assim, uma apaixonada por esse programa, e essa temática não poderia ter sido melhor, principalmente no período em que estamos vivendo. Parabéns! E também quero agradecer ao Senado Verifica, uma das políticas públicas daqui, que é justamente voltada para o combate à desinformação, o combate à ignorância. Meu muito obrigada! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Disciplinada! Ficou exatamente nos três minutos. Parabéns pela fala e pelo horário. Você ficou exatamente nos três minutos. Vamos de imediato para o Calebe Fernandes, aqui do DF. Três minutos também, Calebe. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES (Para expor.) - Boa tarde a todos. Muito obrigado pela oportunidade de estar falando aqui. Eu gostaria de fazer uma pergunta para o senhor, Senador. Eu posso fazer uma pergunta para o senhor? O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Eu vou, inclusive, botar o teu tempo de volta. (Risos.) Volta ali os três minutos de novo. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Eu queria fazer uma pergunta para o senhor, Senador Paim. Eu queria saber qual é o seu sonho para o futuro da tecnologia no Brasil. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Vou tomar nota. Podes ir falando, porque senão eu vou pegar o teu tempo. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Porque eu, vindo de uma geração que tem a tecnologia tão presente na vida, acredito que ela é uma parte fundamental hoje para a sociedade - eu não acho; eu tenho certeza disso. E, desde que eu escrevi a minha redação para o Jovem Senador, eu venho amadurecendo muito nesse tópico, porque, além de entender como funciona, eu comecei a passar a estudar tecnologia da informação e inteligência artificial, e eu concordo muito com o que a Maria Laura falou. Eu acho que a gente não deve reprimir o uso das redes sociais no Brasil, mas a gente deve ser uma potência no uso dela. A gente tem que ser exemplo para as outras nações de como se deve usar uma rede social de forma bem-sucedida. Eu queria saber do senhor qual é o seu sonho. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Quer que eu fale agora ou fale no final? O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Pode ser agora. Era isso que eu queria falar. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Não foi combinada comigo essa pergunta, né? Quero deixar bem claro aí. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Não foi combinada. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Ele me deu o gancho que eu queria que alguém desse, mas não combinei com ele. O que eu não gosto é de mentira. Então, aqui entre nós, não tem mentira. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Não foi combinado. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Deixe-me falar. Inclusive, como alguns já falaram desse tema, eu venho do movimento sindical e sempre falei para todos: não adianta combater. A automação, a IA, que está aí, a alta tecnologia, a robótica, a cibernética, enfim, isso é irreversível. E por isso eu sou apaixonado, desde a Constituinte, pela redução da jornada sem redução de salário, porque reduzir a jornada é o caminho do mundo, é o caminho, não tem volta, porque, quanto mais avança a tecnologia, mais a máquina vai substituindo o homem. E para não argumentar, para não dizer todos os argumentos que eu gostaria de dar aqui - eu falo 20 minutos quase todo dia na tribuna sobre esse tema, viu? -, eu só vou dar aquilo que é um exemplo quando vou falar, inclusive, para os empresários. Eu digo o seguinte: eu era sindicalista, recém-formado, dirigente da Central Única dos Trabalhadores - era Secretário-Geral e Vice, em seguida Vice -, daí virei Constituinte. Eu fui para a França, a convite dos sindicalistas da França, para conhecer como é que estava este debate da jornada lá - o que significa tecnologia. Tecnologia, a gente não pode imaginar que elimina empregos. Ela é geradora de emprego, mas tem que ver a compensação também para o trabalhador. E daí os sindicalistas me levaram na beira de um dos rios principais lá. Eu disse: "Mas o que tem a ver redução de jornada, automação, tecnologia com esse rio?". "Mas está vendo aqui do lado, Paim? Isso aqui é um museu." Eu disse: "Sim, é um museu. E daí? Tudo bem". "Agora você vai entrar dentro do museu." Até ali eu estou tateando ainda. Cheguei dentro do museu, vi um monte de máquina quebrada, mas um monte de máquinas quebradas de anos diferentes. Eu disse assim: "Mas por que vocês quebraram as máquinas?". Aí eles me disseram: "É aqui que eu vou te dar a resposta. Nós, quando começou a robotização, a tecnologia mais moderna, cada máquina que vinha substituía no mínimo dez homens". No mínimo dez. A máquina precisava de um operador e não precisava dos dez manualmente. Aí eles me disseram o seguinte: "Nós aprendemos que é um erro, é um equívoco" - o que vocês falaram também - "ser contra o avanço" - inclusive da IA. Que a IA venha para atender também o social, e não só para enriquecer os mais ricos. |
| R | A gente aprendeu e descobriu que o caminho era um caminho que os mais velhos já tinham dito e nós não queríamos entender, que é redução de jornada sem redução de salário como forma de gerar emprego. A França hoje é um dos países que tem menos emprego, e a jornada lá não é de 40 horas, é de 36 horas. E tem muitas empresas que já estão nas 32, são lá 4x3. Então, quando eu falo isso, neste momento aqui, agora... Eu sei que o Davi Alcolumbre, o Presidente da Casa, cumpriu o acordo conosco. Ele disse que a partir do momento em que o Presidente Lula dialogasse com ele, ele iria botar na pauta. Ele botou na pauta, já está na CCJ a proposta que veio da Câmara. Para se ter uma ideia, lá na Câmara, só 19 votaram contra. Isso é um exemplo típico para o aprendizado também de vocês, que serão os políticos do amanhã, cada um no seu espaço: de 513, só 19 votaram contra. Isso significa que 97% votaram a favor e 3%, contra. O Davi botou, encaminhou para a CCJ. Falei com o Otto Alencar, Presidente da CCJ, meu amigo, meu parceiro da Bahia - viu, quem é da Bahia aqui? O Otto Alencar é uma referência para todos nós e já falou publicamente que ele vai botar na CCJ em votação, e ele tem voto garantido para apoiar a proposta de 5x2, e não a proposta de hoje, que é 6x1, que obriga a trabalhar praticamente toda a semana. Vida longa, redução da jornada, sem redução de salário. (Palmas.) O Senado há de fazer a sua parte. Eu não combinei com você, eu não ia falar sobre isso - não ia falar -, mas é uma bandeira que vocês podem levar para o debate dos seus estados: como é que está aqui, como está acontecendo e que vai ser votada provavelmente durante a convocação de 31/8 a 4/9. Não estou aqui dizendo se vai ser aprovada ou não, mas sei que o Senado há de cumprir a sua parte. É com você agora. Vou retomar o seu tempo, hein? |
| R | Porque você deu o seu tempo para mim, mas valeu a pena, viu? Eu gostei. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Eu concordo, Senador. (Soa a campainha.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Nada, três minutos. O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Eu concordo, Senador. A tecnologia não veio para prejudicar os seres humanos, ela veio para somar com eles. E eu me lembro de que, quando a Revolução Industrial veio, todos acharam que eles iam ser trocados por máquinas, mas isso não aconteceu. O que aconteceu foi que foram gerados novos empregos, novas oportunidades, novos cargos. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem. Muito bem. (Palmas.) O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Eu acredito que a revolução da IA vai ser a mesma coisa e, mais do que isso, não só para trocar os empregos que existem, mas para melhorar a qualidade de vida do ser humano, tirar os seres humanos do trabalho braçal, tirar os seres humanos dos trabalhos massivos, maçantes, estressantes e deixar isso para as máquinas, enquanto os seres humanos coordenam tudo por trás, pensam e fazem aquilo que deveriam fazer, que é desfrutar da vida e melhorar o mundo. Esta é a minha visão sobre a tecnologia para o futuro: eu não acredito que a tecnologia e a inteligência artificial venham para destruir o mundo, mas sim, para melhorar. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Por isso é que eu acredito na juventude, viu? Um depoimento vindo da juventude se somando aos mais velhos e apontando o caminho do amanhã só enriquece esta Casa, inclusive, viu? Eu vou usar a sua fala, viu? Posso? O SR. CALEBE FERNANDES FREIRE VAREJÃO GOMES - Pode. Pode. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Valeu. Obrigado, viu? Vamos em frente. Ana Clarice, do Maranhão. (Pausa.) Ah, tá. O Prof. Nelson, exatamente. De Sergipe, não é? Prof. Nelson, por favor. O SR. NELSON GONÇALVES MACHADO (Para expor.) - É uma honra estar com você, é uma honra estar neste espaço, sendo presidido pelo senhor, Senador. Estar ao lado de professores e alunos neste espaço também é muito gratificante. É uma alegria muito grande estar com colegas, amigos e categoria, todos juntos. Passamos, nesses dias, por várias atividades, o que provocou várias reflexões, e agora os pesquisadores trouxeram aqui mais algumas, não é? Nesse sentido, vou tentar organizar mais ou menos isso aí para ver se a gente consegue pensar alguma coisa. A ideia é que a chegada das redes sociais e as várias possibilidades do uso dos espaços digitais nos demandam um conjunto de desafios antigos. Não necessariamente são coisas novas, mas juntas geram, renovam os desafios. A raiz do problema talvez não sejam as redes sociais, como foi dito, mas sim, o contexto em que as redes sociais ganharam espaço na vida cotidiana do cidadão brasileiro. Essa constatação reforça a urgência de várias atividades e várias propostas que foram feitas aqui: o letramento digital, informacional, psicossocial. Mas também nos chama a atenção para algo que para mim seria talvez até mais importante e que a Profa. Gabriela falou, que é a necessidade de fortalecer a participação cívica. Nesse sentido, o programa de que nós estamos fazendo parte, o Jovem Senador, age nesse duplo combate, luta nesse duplo front. |
| R | E aqui eu aproveito para agradecer a oportunidade de fazer parte, bem como também de parabenizar o programa por ter se colocado para além de uma participação e ação política, mas de realmente uma ação institucional, que já dura aí pelo menos 14 anos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Já tem mais um minuto agora. O SR. NELSON GONÇALVES MACHADO - Isso fortalece a democracia. Não tenha dúvida de que cada um de nós, de alguma forma, de algum jeito, está sendo tocado, mexido; a cabeça está sendo direcionada; perspectivas diferentes são abertas diante desse evento. E aí minha questão fica muito... Eu hoje trabalho numa cidade chamada Umbaúba, no Estado de Sergipe, que tem 24 mil habitantes. E aí fica a questão: e nas cidades onde a política acontece de uma forma muito sensível, muito cotidiana... E a gente tem a premissa de que a democracia se aprende fazendo democracia na democracia, por isso que essa vivência é tão rica. E aí fica um pouco a tentativa de colocar quais seriam os estímulos, os incentivos possíveis para que as prefeituras tenham esse espaço também. (Soa a campainha.) O SR. NELSON GONÇALVES MACHADO - Sei que vários estados, várias prefeituras já fazem, mas também para que todas possam ter essa ação, cada uma de acordo com sua realidade. Por que não o ILB, em que a gente teve acesso a professores e aulas, pudesse coordenar uma ação fora a fora? Não somente disponibilizar cursos virtuais que existem, que são muito bons, mas também já coordenar mesmo uma ação para os municípios onde as pessoas moram, que são os pequenos municípios no nosso Brasilzão grandão. Então, muito obrigado. É uma honra e uma alegria estar aqui. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Show, show, show, Prof. Nelson, de Sergipe. E pode crer que a sua sugestão pode avançar, porque muitas vezes... Eu vou dar um exemplo aqui, que é bom para vocês: nesses 40 anos que eu tenho aqui, eu apresentei mais de mil projetos. E apresentei, entre autoria e relatoria, no fim, que viraram leis em torno de 150. E alguém me perguntou, numa palestra que eu fazia: "Mas quem é que te manda tanto projeto que tu apresentas?". Eu digo: é o povo, meu amigo, é a voz do povo. O povo se comunica, manda cartinha, manda isso, manda aquilo, manda uma sugestão como essa, e eu encaminho. Para quem? Para os consultores do Senado. E lá, quando eu estava na Câmara - lá foram quatro mandatos -, eu encaminhava para lá. E eles formulavam. Assim nasceu, para ter uma ideia... Não pensem que foi o Paim que inventou o Estatuto do Idoso. Veio uma propostinha do Rio de Janeiro, de um senhor que já faleceu. O Estatuto da Pessoa com Deficiência veio de um grupo de pessoas com deficiência. Um deles inclusive se tornou o meu chefe de gabinete, porque ele viajava - deficiente visual - para fazer palestra sobre o estatuto nos estados. Dou o nome dele aqui para vocês entenderem que não é mentira: Santos Fagundes. O Estatuto da Igualdade Racial - em um segundo - eu recebi das mãos da Winnie Mandela quando eu fui à África do Sul com uma comitiva - Benedita, Paim, Caó e Edmilson, eram esses quatro - exigir a libertação do Mandela. Eu recebi da mão dela a Carta da Liberdade do povo sul-africano e aqui transformamos no Estatuto de Igualdade Racial. Vou parar por aqui, senão vocês não falam, só eu que falo. Deixem-me seguir o ciclo e vamos embora. Agora é Rita de Cássia Medeiros da Silva, Jovem Senadora do Rio Grande do Norte. A SRA. RITA DE CÁSSIA MEDEIROS DA SILVA (Para expor.) - Bom dia a todos. Quero cumprimentar todos aqui presentes e parabenizar todos os Jovens Senadores, porque eu ainda não tive como parabenizar todos. |
| R | Bom, em primeiro lugar, eu quero dizer que, pessoalmente, eu me sinto muito triste que uma ferramenta tão útil e tão boa, com alcance tão abrangente, ainda seja utilizada de maneira má e até mesmo hedionda em diversas situações. E, como já citado aqui pela nossa Jovem Senadora Maria Laura e por outros aqui presentes, não se deve combater a tecnologia, mas aliar-se a ela da maneira correta, utilizando-a para disseminar a verdade e para distribuir o acesso a todas as pessoas do nosso Brasil e do mundo, de maneira que todos nós tenhamos um acesso igualitário a informações, a - perdão, eu esqueci a palavra - tudo, que tenhamos um acesso igualitário a processos, a informações, a ações. E eu espero verdadeiramente que, com todo o Brasil representado de maneira maravilhosa aqui pelos Senadores, consultores, pelos Jovens Senadores e professores, a discussão que estamos tendo hoje aqui não fique presa na barreira teórica, não se mantenha só na teoria, que sejam desenvolvidos programas e políticas para realmente promover a democracia dentro do ambiente digital. Que isso não seja um trabalho em vão, que sejamos fortes o suficiente para desenvolver soluções verdadeiras, soluções práticas e implementá-las no Brasil e que não se prendam novamente somente no âmbito nacional, que sejamos pioneiros nesse caso e inspiração em nível global... (Soa a campainha.) A SRA. RITA DE CÁSSIA MEDEIROS DA SILVA - ... de maneira que todo mundo, no futuro, possa ser democrático também no ambiente digital, uma vez que esse é o ambiente mais comum para nós nos dias atuais. É isso. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Rita de Cássia Medeiros da Silva, Jovem Senadora, que fortaleceu a ideia de que nós não somos contra a tecnologia, em hipótese nenhuma, ninguém aqui é contra, nós queremos que ela avance e avance para todos e que o resultado, no final, seja para que o povo brasileiro seja beneficiado e não alguns somente. Em frente, Tavine Pietra de Almeida Lara, Jovem Senadora de Santa Catarina. A SRA. TAVINE PIETRA DE ALMEIDA LARA (Para expor.) - Primeiro, muito obrigada pela oportunidade de falar. Eu gostaria mais de trazer uma reflexão: as redes sociais estão apenas dando novas ferramentas para a democracia ou estão também mudando a forma como nós entendemos o que é participar dela? Porque nós vemos muita democracia acontecendo nas redes sociais, campanhas, propagandas, notícias, enfim, mas, de longe, por serem postagens curtas, nós não conseguimos entender como ela funciona. Essa semana foi algo que mudou completamente a minha mente, porque eu imaginava algo completamente diferente, e o que eu percebo é que aqui nós estamos realmente fazendo uma democracia, é algo que as outras pessoas não têm noção. Então, há muitos discursos de ódio, muita polarização política também, justamente porque eu acredito que as pessoas não entendam realmente o que é essa democracia. |
| R | E, além disso, as redes sociais criam muitos canais de falas para nós, então, também nos cabe aprender a falar tanto quanto aprender a ouvir opiniões que não concordam com as nossas, opiniões de pessoas que não são do mesmo partido, que não defendem as mesmas coisas, entender e buscar melhorar, argumentar em cima disso, em vez de disseminar um ódio que não é necessário. É isso. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - (Fora do microfone.) ... humanitárias, né? Sim ao amor, não ao ódio. É isso? Maria Clara da Silva Oliveira, Jovem Senadora de Alagoas. Está certo? A SRA. MARIA CLARA DA SILVA OLIVEIRA (Para expor.) - Boa tarde a todos. Primeiramente, eu queria agradecer pela oportunidade de expressar a minha opinião e queria parabenizar todos, porque todos aqui têm um pensamento incrível. Eu queria dizer que a tecnologia em si é incrível, ainda mais porque ela aproxima as pessoas e permite que causas importantes ganhem espaço mais rápido, que chegue a informação mais rápido, mas o problema é como a gente está usando essa ferramenta. Como a Tavine bem colocou, as redes sociais, hoje em dia, viraram uma disputa de "lacração" e busca por curtida, em que o algoritmo lucra promovendo a raiva e dividindo as pessoas em bolhas. Na minha redação, eu abordei muito os filtros de bolhas virtuais, pelos quais o algoritmo acaba enviando apenas postagens com base na minha opinião. A gente vive numa democracia, onde é preciso as pessoas discordarem, porque, quando discordam de você, a reação imediata das pessoas é atacar e espalhar desinformação ou tratar como inimigo, e isso não é um debate democrático; é só uma briga, mesmo. A tecnologia, como bem pontuado, veio para somar, não veio para dividir, para excluir, porque o debate só vai ser saudável quando a gente aprender a discutir ideias sem atacar pessoas, usando a internet para entender o outro e não só para vencer a discussão. Enquanto a gente não aprender a escutar a opinião do outro de forma saudável, a gente nunca vai viver uma democracia. Então, é preciso discordar, porque a gente vive numa democracia. (Soa a campainha.) A SRA. MARIA CLARA DA SILVA OLIVEIRA - É isso. Obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Maria Clara da Silva Oliveira, Jovem Senadora. Na tua fala... Porque eu não tenho fala final, viu? Eu aproveito para dizer, porque eu estou ouvindo todos vocês aqui: sim à paz e não à guerra, porque as guerras que existem são mais pela política de ódio e da avareza de alguns países, que acham que eles têm que ser o xerife do mundo. Não serão. Não à guerra e sim à paz. Iolanda Paiva Favacho Ribeiro, Jovem Senadora do Pará. A SRA. IOLANDA PAIVA FAVACHO RIBEIRO (Para expor.) - Bom dia a todos! Eu estou muito feliz por estar aqui hoje. Eu cumprimento a Mesa Diretora; só pessoas incríveis. Tenho uma estima muito grande pelo senhor e pelas minhas colegas Jovens Senadoras. Na verdade, eu queria fazer um comentário. Durante a nossa semana de vivência legislativa, o que mais nos foi questionado foi: os debates nas redes sociais, os discursos de ódio, a polarização realmente podem fragilizar os princípios da nossa democracia? Eu acredito que a resposta seja "sim", porque isso foi muito bem exemplificado pelo 8 de janeiro. O dia 8 de janeiro foi inicialmente impulsionado pelos discursos de ódio nas redes sociais, e a democracia foi, de fato, violada na vida real. O senhor destacou a redução da jornada de trabalho sem reduzir o salário. Eu acredito que essa seja uma pauta que deve ser colocada nas redes sociais, uma pauta que, de fato, valorize a vida do trabalhador, que melhore as condições de vida dos brasileiros, não discursos que tentam questionar os princípios da nossa democracia, que querem sempre incitar o ódio. Eu acho que isso deve ser retirado de circulação, princípios que tentam ferir a nossa democracia, e as pautas que são mais relevantes para o povo brasileiro devem ser colocadas em discussão. |
| R | E o tema desse ano foi muito pertinente. Eu acredito que nós vivemos em um mundo cada vez mais conectado. Todos nós sabemos disso, nós abrimos o celular, nós somos bombardeados por diversas notícias, algumas não são sequer verificadas. E nós temos que pensar que não foram milhares de redações, foram milhares de estudantes que efetivamente escreveram e, de certa forma, refletiram sobre o tema da democracia, sobre o uso indiscriminado de discursos de ódio nas redes sociais. (Soa a campainha.) A SRA. IOLANDA PAIVA FAVACHO RIBEIRO - E eu acredito que seja assim que se educa uma geração inteira, justamente colocando esses jovens para refletir sobre a nossa democracia, sobre os nossos princípios e sobre o uso das redes sociais. Muito obrigada a todos, viu? (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Iolanda Paiva Favacho Ribeiro, Jovem Senadora. Com isso, nós contemplamos o Plenário e agora, neste momento, já combinei com o Jorge... Ele vai dizer: "Combinou quando comigo?". Está na mesa, estou aqui. O Jorge sabe que eu faria isso. Eu vou deixar agora a oportunidade para que haja as considerações finais dos que estão na mesa, que poderão usar de três a cinco minutos. Quem usar cinco é cinco, três é três, e daí nós encerramos. Certo? Vamos seguir a lista? (Pausa.) Está bom. Então, de imediato, passo a palavra para o Sr. Tadeu Sposito, Coordenador das Redes Sociais do Senado Federal. Teve dois convidados que tiveram que se retirar, então ficaram só um, dois, três, quatro, cinco. O SR. TADEU SPOSITO (Para expor.) - Bom, gente, para encerrar, então, minha participação nesta audiência pública, quero mais uma vez agradecer à Comissão de Educação e Cultura, ao Senador Paulo Paim, ao Programa Jovem Senador, a todos e todas que estão aqui, e algumas considerações sobre o que todo mundo disse por aqui. Acho que estamos seguindo uma certa consonância, a gente tem que entender que tecnologia é ferramenta; ferramenta não é boa nem ruim. Bons ou ruins podem ser os usos que a gente faz delas, então a gente pode fazer bom uso ou mau uso de qualquer ferramenta. E, para começar, a gente discutir isso aqui é muito importante, acho que o debate foi muito produtivo. Para o professor que mencionou que mais programas como esse seriam muito interessantes, vou dar uma pequena sugestão aí porque, nas minhas andanças por aí, junto com o programa Interlegis, que é o programa do Senado Federal que presta apoio a câmaras municipais e assembleias legislativas, encontrei muitos programas de vereadores mirins, deputados mirins ou deputados por um dia. Tem várias assembleias legislativas e câmaras municipais que têm iniciativas semelhantes e até mesmo inspiradas no Jovem Senador. Eu acho que essa também pode ser uma provocação que pode ser feita nos municípios de vocês aos Vereadores e Vereadoras, até porque são eles que estão mais perto do cidadão no dia a dia, embora os Senadores, Deputados Federais, Estaduais também. É interessante, pode ser um caminho. |
| R | Sei que posso falar pela Sara também, a gente também tem vontade de desenvolver coisas... Eu trabalho com o Interlegis, fazendo coisas em câmaras municipais e assembleias legislativas, mas ia adorar que esses braços do ILB que vão para as pontas do Brasil também trabalhassem com escolas, universidades. Gostaria muito que isso acontecesse. Acho bom que essa ideia vá para a frente, que seja encaminhada. E, para que a Maria Grasielli, que está com fome aqui na minha frente - não fique brava -, eu vou encerrar a minha participação por hoje. Obrigado. (Risos.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Uma salva de palmas para o Sr. Tadeu Sposito, Coordenador das Redes Sociais do Senado Federal. (Palmas.) Deixe-me só dizer isso, porque tinham mandado para mim aqui um recado falando o que você falou, de forma improvisada, exatamente o que a equipe me mandou. Eles estiveram no meu gabinete essa semana, estiveram lá uma hora falando comigo. Foi exatamente essa fala. Então, não vou repetir aqui. Eu me propus, inclusive, uma vez aposentado, lá no Rio Grande do Sul, ajudá-los pelo número de municípios que não foram contemplados. Segundo eles, a maioria dos municípios não foram contemplados, porque não há uma sintonia ainda. Seria um belo trabalho. Parabéns! Então, ficam aqui nossos elogios ao ILB e ao programa Interlegis, que fazem essa ponte, que pode ser aprimorada a partir da tua sugestão própria. (Palmas.) Vamos de imediato, agora, à Sra. Sara Reis, Coordenadora do Senado Verifica. A SRA. SARA REIS (Para expor.) - Olá, pessoal. Boa tarde. Já estamos chegando, né? Já passamos do bom dia. Eu quero agradecer mais uma vez a oportunidade de estar representando o Senado Verifica aqui; também agradecer à minha gestora, Ester Monteiro, que é a responsável, que foi quem começou o Senado Verifica - quando tudo era mato, ela que estava lá, capinando o lote, e hoje é a minha gestora da assessoria de imprensa do Senado. Senador, eu fiquei muito reflexiva e bem impressionada, porque eu li as redações de vocês e eu estou, assim, muito feliz de ver tantas pessoas que falam tão bem, tantas pessoas que escrevem bem, tantas pessoas que estão informadas, os autores que vocês usaram, as palavras que vocês usaram... Assim, eu fiquei muito orgulhosa da juventude que a gente tem no nosso país. E a desinformação - para vocês verem, a gente está lidando com guerras no mundo - foi apontada como o maior risco global da atualidade. E isso já vem sendo apontado desde 2023 pelo Fórum Econômico Mundial. Então, não é uma simples notícia da tia do zap, é uma coisa muito mais complexa. E a gente recebeu uma pergunta da Priscila, de Minas Gerais. Ela fala assim: "Como cobrar transparência das redes contra fake news sem ferir a liberdade de expressão dos jovens?". E aí, Senador, esses dias eu estava vendo no Instagram e vi uma fala da Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, explicando o que é liberdade de expressão. Pessoal, a gente não pode confundir liberdade de expressão com crime. A gente não pode falar o que a gente quer na rede social, porque, senão, a gente pode ser, sim, responsabilizado sobre o que está falando. Então, a internet não pode tudo. |
| R | E como é que a gente garante isso? A gente precisa estar bem informado. Eu estou lidando com uma sociedade em que 47% das pessoas evitam se informar por meio de notícias. Como vamos garantir uma liberdade de expressão se as pessoas não querem se informar? Como vamos garantir uma liberdade de expressão quando as pessoas leem um título que é exagerado, que é um clickbait, que foi feito para você clicar, e acham que sabem tudo sobre aquele assunto? Então, é a reflexão que eu trago para vocês. A gente tem que garantir a liberdade de expressão, mas, para garantir a liberdade de expressão, a gente tem que saber se informar. E saber se informar envolve ir à fonte original, buscar o que realmente, de fato, aconteceu. Então, eu deixo aqui este recado para vocês: tenham autonomia. E aí eu dialogo ali com o que o Caleb falou: não temos que temer a tecnologia, mas, para usar a tecnologia, a gente tem que ter autonomia; e, para ter autonomia, a gente precisa aprender a usar a tecnologia a nosso favor. E é esse o meu recado, Senador. Mais uma vez, obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - E brilhante também, como todos os nossos convidados, foi a Sra. Sara Reis, Coordenadora do Senado Verifica. Com a palavra a Sra. Gabriela de Almeida, Pesquisadora e Especialista em Tecnologia e Sociedade. A SRA. GABRIELA DE ALMEIDA (Para expor.) - Obrigada... O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Tocaram no seu tema: tecnologia... A SRA. GABRIELA DE ALMEIDA - Pois é, adorei essa conversa, acho que foi muito rica. E eu queria também, inclusive, dialogar com a fala da Sara de agora e com a que o Senador trouxe mais cedo, porque grande parte desse dado de as pessoas não quererem se informar tem uma ligação muito direta com a exaustão. Você trabalha uma longa jornada, fica muito tempo em um transporte público... Isso leva você, naturalmente, a ficar... Você está cansado, não tem acesso ao lazer... Então, a gente tem que pensar também no acesso, no uso das redes sociais, da plataforma, no uso intensivo, olhando para essas políticas que vão fazer com que o trabalhador, o cidadão tenha uma qualidade de vida melhor. Então, isso também está muito relacionado. O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, muito bem. (Palmas.) A SRA. GABRIELA DE ALMEIDA - E eu queria parabenizar esse programa brilhante, que eu conhecia por alto, mas eu não tinha ainda tido contato com Jovens Senadores. Então, esse diálogo de vocês, esse processo dessa imersão que vocês têm é importantíssimo para a gente poder, realmente, promover a democracia. E enfrentar a desinformação, gente, é muito difícil. Vocês perceberam que é muito complexo. Promover um ambiente digital saudável é muito complexo e exige, realmente, um trabalho coletivo. E aí a gente que está aqui pesquisando, trabalhando, às vezes, ali checando as notícias, tentando ajudar a enfrentar, se sente um pouco enxugando gelo, mas eu falo muito que, se eu plantar uma sementinha em uma pessoa, eu estou feliz. E aí o que vocês tiveram com este Programa Jovem Senador é um grande trabalho de promoção da democracia e também de enfrentamento à desinformação e de promoção de um ambiente digital mais saudável. Mil alunos no Brasil pensando, discutindo, refletindo, escrevendo sobre isso se tornam multiplicadores. Então, é importante a gente sempre reverenciar projetos como esse. Então, eu queria agradecer e também pedir que vocês voltem para os seus estados e pensem em como vocês podem atuar com isso no dia a dia de vocês. Talvez a proposta da Patrícia, do Palavra Aberta, de criar clubes de checagem, em que as escolas possam também utilizar essas ferramentas para promover essa discussão, também seja muito útil. E eu deixo a pergunta do Caleb, ali do DF, que é meu parceiro aqui também - eu moro em Brasília -, para que cada um e cada uma saiam daqui hoje e pensem: qual é o futuro que vocês querem? |
| R | Qual é o sonho que vocês têm para o futuro da tecnologia no Brasil? E vamos falar de presente também: o que a gente quer para o hoje? Está bom? Obrigada, gente, e até a próxima. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, muito bem, Sra. Gabriela de Almeida, Pesquisadora e Especialista em tecnologia e sociedade, que fortaleceu que a tecnologia, a própria IA - eu falo muito da IA aqui dentro do Congresso - tem que vir para o bem comum e não só... Teve um debate que eu fiz em que um especialista em IA me disse o seguinte - eu tenho que dar este registro -: "Paim, eu fui convidado a fazer uma palestra e explicar como se aplica a IA naquela empresa. A empresa tinha 200 empregados. E eu tenho registrado isso. Eu reduzi para 20 empregados, mas convenci os empresários de que não era demitir só as pessoas. Vamos tentar colocá-los em outro sistema, aproveitando a tecnologia". Ele conseguiu sair mais ou menos ainda, mas é um dado concreto, a IA naquela empresa fez com que ele reduzisse. Se isso é verdade, só tem um jeito: reduzir a jornada, sem redução de salário, gerando mais empregos. Vamos lá. Agora eu passo a palavra para o Sr. Samuel Barros, Professor de Ciência Política da UFBA, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. O SR. SAMUEL BARROS (Para expor. Por videoconferência.) - Gente, muitíssimo obrigado; Senador, muitíssimo obrigado. Foi uma satisfação estar aqui com vocês. Quero parabenizar os Jovens Senadores pelo engajamento nessa iniciativa. Aprendi muito com vocês aqui, nesses momentos. Acho que é importante dizer que a academia brasileira tem produzido conhecimento sobre esses assuntos. Acho que é importante que a gente tenha estes momentos de debate, de diálogo. Acho que muito a gente já conseguiu explicar e entender sobre o funcionamento dessas novas tecnologias digitais, que são tão importantes e tão relevantes para a democracia que a gente está construindo. Então, quero agradecer por isso e dizer da importância de nós continuarmos na investigação. É uma investigação baseada em empiria, em pesquisa bem-feita, de modo que a gente consiga subsidiar o entendimento coletivo, o entendimento social, o entendimento dos fazedores de políticas públicas sobre quais são os caminhos que nós devemos seguir daqui para a frente. Então, é isso. Um abraço. É uma satisfação estar com vocês. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Cumprimento o Sr. Samuel Barros, que é Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Por fim, com a palavra, Maria Laura Soares e Silva, Jovem Senadora do Estado do Rio de Janeiro. A SRA. MARIA LAURA SOARES E SILVA (Para expor.) - Finalizando, só tenho a agradecer a oportunidade ao Senador Paulo Paim, a todas as autoridades e especialistas aqui presentes nesta mesa. Foi uma honra compor esta mesa com vocês e com a minha amiga Lara, Jovem Senadora, e estar presente com todos os meus colegas que fazem parte do Programa Jovem Senador e os professores, além de todos aqueles que estão trabalhando conosco e que estão nos dando suporte aqui no Senado. Obrigada pelo trabalho e atenção de todos vocês. Finalizando, só gostaria de enfatizar isto: como este debate é rico. Hoje, o que nós vivemos aqui, nesta Comissão de Educação e Cultura, é uma prova da democracia no nosso país, ouvindo opiniões e pensamentos diferentes e respeitando uns aos outros. É isso que diferencia a liberdade de expressão do conteúdo malicioso, do desrespeito. |
| R | Acho que isso é algo que a gente tem que enfatizar e voltar para os nossos estados com esse pensamento, para sermos influenciadores do bem. Acho importante reforçar como programas voltados à educação midiática são necessários, programas como o Senado Verifica - não é mesmo? -, e implementarmos outros programas como esse, porque é o que eu disse: não podemos repelir o avanço tecnológico; devemos nos integrar, cada vez mais, a ele, de forma consciente e respeitosa, é claro. Gostaria de finalizar, novamente agradecendo por esse debate, por essa construção tão rica que foi hoje. É uma honra estar aqui com vocês, com todos vocês. E espero que todos nós possamos voltar para os nossos estados, aqueles que nós representamos com tanto orgulho - eu, representando o Estado do Rio de Janeiro, a minha cidade, Areal -, e possamos voltar mais informados e mais preparados para podermos influenciar outras pessoas quanto a como é importante discutirmos e debatermos, de forma democrática, sobre os avanços da tecnologia na sociedade. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, muito bem, Maria Laura Soares e Silva, Jovem Senadora do Estado do Rio de Janeiro. Parabéns, fala brilhante, como todas as outras, na mesma linha; afirmativa positiva... Não contra a tecnologia, mas no caminho em que ela contemple a todos, né? Passo a palavra, neste momento, à Lara Schuquel Dauinheimer, Jovem Senadora do Estado do Rio Grande do Sul. A SRA. LARA SCHUQUEL DAUINHEIMER (Para expor.) - Cumprimento novamente a todos os presentes. Peço perdão pelo embaralhamento das minhas ideias que eu tive antes. Eu gostaria de pontuar, primeiramente e especialmente, que a diversidade de opiniões que nós tivemos aqui e os meios que podem transformar esse cenário digital hoje exemplificam o que é uma democracia realmente, e esse Programa Jovem Senador tem sido uma experiência maravilhosa para que nós possamos aprender como a política realmente funciona na prática e como ela não é fundamentada apenas no pensamento pessoal, e sim na coletividade, em prol do nosso país. Quanto ao ambiente digital, eu acredito ser algo que possa ser transformador para o nosso país, tanto na nossa participação política quanto nos conhecimentos que nós podemos adquirir com isso, e a educação deve estar alinhada ao ambiente digital, possibilitando que nós possamos ter um pensamento mais crítico quanto ao nosso uso e usar esse meio a nosso favor. Eu quero fazer um agradecimento em especial a todos os presentes, obviamente, mas à Comissão de Educação e Cultura, a todos que fazem parte dela, ao Senador Paulo Paim, por poder nos dar essa oportunidade, e a todos que fazem parte da equipe do Jovem Senador, que vêm nos explicando e compartilhando o conhecimento que vocês têm. Tem sido uma experiência muito rica. Agradeço a todos os jovens também, pela troca de opiniões que nós tivemos. E é isso. Então, muito obrigada pela atenção de vocês. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT, PT) - RS) - Muito bem, Lara Schuquel Dauinheimer. As duas fizeram uma fala final que deu um brilho especial ao Plenário, porque as duas fecharam em nome de vocês todos. Eu queria muito, muito, agradecer, em nome da Comissão, em nome do Senado, em nome do Presidente da Casa, o Davi Alcolumbre, e de todos os ex-Presidentes, porque todos, todos sempre ajudaram muito esse Programa Jovem Senador, os consultores... Enfim, quero dizer que cumprimos nossa missão. A fome está pegando vocês e está pegando a mim também, viu? (Risos.) |
| R | E eu tenho diabetes ainda. Não posso ficar muito tempo sem comer alguma coisa. Mas nós nos encontraremos novamente amanhã, na despedida. Eu fiz questão de ficar de plantão em Brasília esta semana, que não tem atividade presencial. O Plenário ficou à disposição de vocês. E é com muita alegria que eu vou falar amanhã lá. Amanhã vocês vão ouvir a minha fala. E, aqui, eu diria já que fica dez para todos os painelistas - não me esqueci da nota -, dez para o Plenário e nove para mim, porque eu tenho sempre que aprender um pouquinho, e eu aprendi bastante hoje. Uma salva de palmas a todos vocês. (Palmas.) Está encerrada a sessão. (Iniciada às 10 horas e 14 minutos, a reunião é encerrada às 12 horas e 56 minutos.) |


