Notas Taquigráficas
| Horário | Texto com revisão |
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| R | O SR. PRESIDENTE (Antonio Anastasia. Bloco Oposição/PSDB - MG) - Bom dia, senhoras e senhores. Declaro aberta a 5ª Reunião da Comissão Temporária criada pelo Requerimento nº 1.305, de 2015, destinada a avaliar a Política Nacional de Segurança de Barragens, bem como o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens. Conforme convocação, esta reunião se destina à apresentação do relatório final dos trabalhos da Comissão pelo eminente Relator, Senador Ricardo Ferraço. Dessa forma, sem mais delongas, concedo a palavra ao eminente Relator, Senador Ricardo Ferraço, para apresentar o seu relatório. Com a palavra o Relator. |
| R | O SR. RICARDO FERRAÇO (Bloco Oposição/PSDB - ES) - Muito obrigado, Sr. Presidente. Antes de iniciarmos o nosso relatório, Sr. Presidente - nós estamos nos encaminhando para o final dos nossos trabalhos -, eu gostaria de agradecer a V. Exª a designação para que nós pudéssemos fazer esta relatoria. Gostaria de agradecer também a todos os profissionais e técnicos do Senado da República, técnicos extremamente qualificados, que foram fundamentais na conclusão deste trabalho, que exigiu muita pesquisa e muita literatura não apenas do histórico brasileiro, mas também do Direito comparado, de experiências internacionais, considerando a gravidade e a complexidade deste tema. De forma especial, ao Dr. Bustamante e ao Dr. Gustavo, que não mediram esforços para nos ajudar na conclusão deste relatório, Sr. Presidente, de que nós vamos fazer aqui uma leitura muito sintética. Ao fazer a leitura sintética, vamos dar vista coletiva, como é o protocolo e o padrão de uma Comissão Especial como esta, publicar nos órgãos do Senado, no Diário do Senado Federal, no site, para que a sociedade brasileira e todos que tenham interesse possam conhecer. Eventualmente, até a próxima reunião, faremos os ajustes que se fizerem necessários, visando ao aperfeiçoamento, à retificação de algum ponto que possa contribuir para a atualização deste marco legal, a Política Nacional de Barragens, que foi criada pela Lei nº 12.334, de 2010, assim como o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens. O foco e escopo desta Comissão é o acidente ocorrido com o rompimento das barragens de rejeitos de minérios nos Municípios de Mariana, Estado de V. Exª, Presidente, que trouxe grandes consequências para o Estado de Minas Gerais, grandes consequências para a bacia hidrográfica do Rio Doce, mas também consequências para o Estado do Espírito Santo, todos os nossos Municípios até a foz do Rio Doce, com graves consequências ambientais. Portanto, Sr. Presidente, ao fazer esta rápida leitura do nosso relatório, que tem mais de 146 páginas, na etapa final - portanto, um documento muito denso -, procuramos fazer todo o histórico das atividades, procuramos fazer uma introdução contextualizando o tema, pesquisas mundo afora sobre barragens. Fizemos também uma análise muito detida relacionada ao desastre em si de Mariana, com a descrição do acidente, com as causas do acidente, com suas consequências, com a legislação sobre segurança de barragens em outras regiões do mundo, sobre a legislação da segurança de barragens no Brasil; uma avaliação muito detalhada sobre a Lei nº 12.334; a normatização das barragens de rejeitos de mineração; a avaliação da segurança de barragens de rejeitos de mineração no Brasil, uma avaliação muito contextualizada sobre isso. |
| R | Fizemos também, Sr. Presidente, uma análise do desempenho do Departamento Nacional de Produção Mineral, que tem, de acordo com a Lei nº 12.334, a responsabilidade de fazer a fiscalização. Analisamos questões conjunturais e estruturais desse importante órgão, os meios humanos e materiais de que dispõem esse órgão. Não apenas os meios humanos e materiais, mas também os recursos financeiros que deveriam estar sendo disponibilizados, para que o DNPM pudesse cumprir com rigor sua responsabilidade, aperfeiçoamentos na política nacional. Fizemos conclusões e, ao fim, estamos propondo um aperfeiçoamento do Marco Legal 12.334, que submeto a V. Exª e também aos demais Senadores que compõem esta Comissão. O nosso foco foi olhar a legislação, identificar aperfeiçoamentos possíveis e necessários, para que, de forma preventiva, possamos evitar que acidentes como esse que ocorreu em Mariana possam se repetir, considerando a extensa existência de barragens para todos os tipos de atividade, não apenas de rejeito. Sr. Presidente, ao fazer este resumo sintético, estamos submetendo não apenas ao conjunto das Srªs e dos Srs. Senadores, mas também ao conjunto da sociedade, técnicos, analistas, pesquisadores, para que, nesse período, desejando - este, pelo menos, é o nosso desejo, é o meu desejo -, possam fazer críticas, apresentar contribuições que venham, eventualmente, sanar algum eventual equívoco, ou alguma observação que possa dar ao nosso País um marco legal muito adequado à complexidade do tema. Portanto, Sr. Presidente, apresento meu relatório e solicito a V. Exª que dê vista coletiva para que possamos, ao publicizar, atrair as necessárias e importantes contribuições em forma de críticas, e até, se eventualmente houver, algum tipo de elogio a este extenso trabalho que foi feito por esta Comissão, mas, sobretudo, pelos aplicados e dedicados profissionais do Senado da República, sobretudo os nossos consultores - já citei aqui o Dr. Bustamante, o Dr. Gustavo -, um conjunto de pesquisadores, profissionais, técnicos nos ajudaram aqui no enfrentamento e no entendimento desta questão. Obtivemos muitas contribuições que foram absolutamente vitais, não apenas da academia, mas também das pessoas e das entidades que lidam concretamente, na vida real, com esse tema. Então, entregamos a V. Exª o nosso relatório e solicito vista coletiva, para que até a próxima reunião - que não sei quando será, mas quero crer que talvez nos próximos 10 dias - possamos receber críticas e contribuições ao nosso trabalho. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Antonio Anastasia. Bloco Oposição/PSDB - MG) - Muito obrigado, Senador Ricardo Ferraço. Antes de conceder a vista, permito-me fazer aqui uma rápida consideração. Em primeiro lugar, cumprimento V. Exª pelo trabalho, não só alentado, mas também certamente profundo, denso, como disse V. Exª. Lembro, inclusive, a iniciativa de V. Exª na criação desta Comissão, no momento em que todos nós do Brasil vivenciamos a tragédia de Mariana, que atingiu fortemente meu Estado, Minas Gerais, seu leste, a Bacia do Rio Doce, por consequência também o vosso Estado, nosso Estado-irmão do Espírito Santo, mas que demonstrou, na realidade, o risco potencial na questão das barragens de resíduos de mineração, não só em Minas, que é um Estado minerador por essência até na sua denominação, mas também em outras unidades da Federação. |
| R | Tudo isso foi levantado com muito esmero e muito cuidado pelo eminente Relator. Assistimos aqui nas exposições das autoridades, dos especialistas, dos professores, como V. Exª disse, a ponderações muito lúcidas, que foram aqui consideradas em vosso relatório. Então, tenho certeza de que esse trabalho será de muita relevância para a questão da proteção da sociedade brasileira como um todo e, ao mesmo tempo, é claro, também permitindo o desenvolvimento da questão relativa à segurança das barragens de modo especial. Corroboro com V. Exª os cumprimentos permanentes ao corpo técnico do Senado Federal, da Consultoria, pelo trabalho sempre dedicado, esmerado, realizado. Da mesma forma a Secretaria-Geral, através das comissões especiais, que dá todo o apoio a realização dessas comissões e da Comissão Especial de Barragens também, aqui, hoje, objeto dessa nossa reunião. E desse modo, eminente Relator, eu cumprimento-o. Seguindo, conforme determina o nosso rito e objetivo desta reunião, após ser tornado público, como V. Exª acaba de fazer, na forma do Regimento concedo vista coletiva do relatório apresentado. Marcaremos oportunamente a nova reunião para a sua discussão e aprovação. E, é claro, teremos também, por consequência, no relatório, como já consta nas suas conclusões, o projeto de lei que será o objeto concreto e a contribuição desta Comissão no aperfeiçoamento legislativo do tema no Brasil, que era o objetivo precípuo desde sua criação, conforme a sua iniciativa ainda no ano passado. Não havendo nada mais a tratar, agradeço a presença de todos e declaro encerrada a presente reunião.
(Iniciada às 9 horas e 45 minutos, a reunião é encerrada às 9 horas e 56 minutos.) |

