Notas Taquigráficas
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| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muito bom dia a todos, neste dia tão especial, em que nós vamos discutir um assunto que promove, na verdade, um trabalho de caridade gigantesco pelo Brasil, que é a instituição do Dia Nacional do Espiritismo, sabendo desse imenso trabalho de muita dedicação que é desenvolvido pelos espíritas do Brasil inteiro, que conseguem abrigar, conseguem acolher todas as pessoas, de diferentes religiões, com o objetivo de se unir em prol do bem do próximo. Neste momento que o Brasil vive, Senador Flávio Arns, eu fico aqui muito feliz com a sua presença. V. Exa. é o Vice-Presidente desta Comissão, a Comissão de Educação, uma Comissão importantíssima desta Casa. Eu tive, desde o primeiro momento que o conheci, uma sintonia muito grande com V. Exa., um homem sensível, extremamente humano, comprometido com o bem. E nós vivemos um momento no Brasil que precisa de muita serenidade, um momento emblemático da história do nosso País; mas eu tenho muita fé - muita fé - de que tudo vai dar certo, porque Jesus é que está no comando. Então, eu não tenho receio nenhum de que o destino desta Nação é o destino de uma construção pacífica, pela ética, pela verdade, pela humanidade. E eu acredito que nós estamos aqui hoje discutindo um assunto que acho que vai fluir naturalmente sobre a doutrina espírita, uma doutrina que tem acalentado o coração de muita gente, que tem levado consolo, esperança, um sentimento de fraternidade muito grande e que procura descortinar essa relação entre o mundo material e o mundo espiritual. Eu sou muito inspirado por essa doutrina, sou grato por ela, porque a minha vida se transformou a partir do conhecimento do espiritismo. |
| R | Então, havendo número regimental, eu declaro aberta a 22ª Reunião, Extraordinária, da Comissão de Educação, Cultura e Esporte da 1ª Legislatura Ordinária da 56ª Legislatura. A presente reunião, como eu falei aqui, tem por finalidade debater a importância de se instituir o Dia Nacional do Espiritismo, porque seria importante nós termos, no nosso calendário brasileiro, o Dia Nacional do Espiritismo, em atendimento ao Requerimento nº 50, de 2019, desta Comissão de Educação, de autoria minha, obviamente contando com o apoio aqui de todos os colegas desta Comissão. A audiência pública será realizada em caráter interativo, ou seja, com a possibilidade de participação popular. E eu já tive informações de que muita gente está nos assistindo. Dessa forma, os cidadãos que queiram encaminhar comentários ou perguntas, podem fazê-lo por meio do Portal e-Cidadania, no endereço www.senado.leg.br/ecidadania ou pelo número de telefone 0800-6112211. Nós vamos ter duas rodadas aqui. O nosso horário vai no máximo até 11h, a gente tem que encerrar, porque vai começar a reunião deliberativa da Comissão de Educação. Nós vamos ter duas Mesas aqui, dois momentos. Eu queria, neste exato momento, agradecer também a toda a Mesa, que, com muita dedicação, com muito carinho, cuidado, programou esta audiência para hoje. Agradeço à TV Senado por sempre estar atenta e com muita determinação em informar à população o que está acontecendo aqui. E eu vou chamar, para a gente iniciar essa conversa, eu vou iniciar aqui chamando o Presidente da Federação Espírita Brasileira, que é uma entidade centenária, Jorge Godinho Nery, Presidente da Federação Espírita Brasileira, que é sediada aqui em Brasília. Seja muito bem-vindo, Godinho. Eu gostaria de chamar também aqui neste momento a Daniela Migliari, que é da Comunhão Espirita de Brasília, uma entidade também aqui que tem uma folha de serviços prestados sensacional. Muito obrigado, Daniela, pela sua participação conosco neste momento. E também da Comunhão Espírita eu queria chamar o Jefferson Rodrigues Bellomo, que vai nos presentear aqui com a sua palestra. Então, ratificando aí para quem quiser nos enviar algumas perguntas, sempre há. Olha, já chegou aqui! Rapaz, já chegou! |
| R | Eu vou aqui, ao longo da audiência pública, ler algumas perguntas. Eu acho que nós estamos vivendo muitos assuntos hoje no mundo, não apenas no Brasil, que seria bom a gente ter essa sensibilidade, essa visão espírita; assuntos importantes, como essa questão das drogas, que tem invadido as famílias pelas capitais, pelo interior do Brasil, essa questão também de arma de fogo. Nós agora vamos debater, inclusive amanhã na CCJ, essa decisão aí, um decreto presidencial sobre a liberação do porte de arma de fogo. São assuntos que tocam na questão da vida. O aborto também, porque foi resgatada a PEC da vida no início desta Legislatura, e nós devemos debater na CCJ. São tantos assuntos importantes. Suicídio, que é uma chaga hoje da humanidade. Eu acho que o vazio existencial, o desespero, muitas questões têm levado as pessoas a tirar a vida, achando que é solução, e é importante essa visão para esclarecer quem está nos assistindo e passando por algum momento de dificuldade. Eu passei por um momento de depressão - eu passei. A síndrome do pânico foi algo que me... Há uma passagem, Senador Flávio Arns, que diz o seguinte: a dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. E eu, no auge da minha carreira, com dinheiro, com família, com tudo, mas eu só queria saber de trabalhar, trabalhar, trabalhar, deixava a família em terceiro lugar, os amigos em quarto lugar, e eu fui acometido - foi um presente que Deus me deu - da síndrome do pânico. Eu achava que ia morrer; tinha certeza de que ia morrer com 29 anos. E o chão se abriu para mim. Entrei numa depressão profunda. E foi ali que eu acordei para a vida; foi a partir daquela sacudida que eu pude acordar um pouco para a vida e me tornar um pouco mais sensível a algumas situações, atento aos valores importantes da vida, aos princípios e não ao material. Eu comecei a me descobrir espiritualmente e me salvou ali, porque a minha vida estava sem sentido. Eu sou muito grato, porque aquilo que aconteceu para mim, através da reencarnação, foi que me trouxe muitas explicações sobre dúvidas que eu tinha desde a infância. E eu sou muito grato ao espiritismo porque me abriu o mundo. Hoje eu sou uma pessoa mais feliz, antes eu era arrogante, prepotente, e eu sou muito feliz hoje, graças a Deus, procurando servir. Nós vamos começar agora... O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - PR) - Senador. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Por favor. O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - PR) - Só se me permite, rapidamente. Em primeiro lugar, eu quero saudar o Senador e amigo - eu acho que eu posso dizer assim que passei já a ser um admirador do Eduardo Girão. |
| R | Então, quero dizer ao povo do Ceará e do Brasil que estão muito bem representados pela determinação, pela firmeza, pelos princípios, pela visão de um Brasil bom, ético, transparente, que valoriza o ser humano, a dignidade, a transparência. Então, em primeiro lugar, dizer da alegria de estarmos juntos nesta caminhada. Eu gostaria, da minha parte também, inclusive na condição de Vice-Presidente da Comissão, já o fiz antes individualmente, de saudar todas as pessoas que estão participando aqui da audiência pública, especialmente o Jorge Godinho Nery, que é Presidente da Federação Espírita do Brasil, com quem eu me encontrei no mês de março, em Curitiba, na realização do Congresso Espírita do Paraná - aproveito para saudar a Federação Espírita do Paraná, cujos membros eu conheço muito bem, há muitos anos, e aprecio muito o trabalho desenvolvido lá no Paraná -, assim como o Jefferson Rodrigues e a Daniela, da Comunhão Espirita de Brasília, bem como os demais participantes da Mesa posterior. Eu só quero dizer da importância desta audiência pública, até para quem acompanha pelos meios de comunicação do Senado, porque isso embasa a tramitação de um projeto de lei para a instituição do Dia Nacional do Espiritismo no Brasil, porque eu sou católico, sou fã de tantos trabalhos bons do espiritismo e quero dizer que será de grande valia, de grande utilidade. Conclamo todos inclusive para termos essa abertura para tudo aquilo que é bom, necessário, que valoriza o ser humano, as obras sociais, a dignidade, o respeito, o diálogo, é do que não só o Brasil precisa, mas o mundo precisa hoje em dia, e o Brasil de maneira muito particular, porque aqui a gente precisa mesmo. A natureza do povo brasileiro é esta de conversar, de dialogar, de respeitar, de construir soluções, e temos que fazer um esforço nesse sentido. Então, eu quero dizer da alegria de estarmos aqui discutindo isso em termos da doutrina espírita, o que é muito importante, muito bom e necessário, dentro de um clima do mais completo respeito à diversidade, o que a gente tem que ter em todos os sentidos. Ao mesmo tempo, as obras sociais do espiritismo são extraordinárias. No Paraná, em todos os Municípios praticamente há alguma iniciativa de apoio ao ser humano. Permita-me chamar você, amigo, não preciso dizer senhor, como o nosso Senador Eduardo Girão colocou, com esse desafio na área de saúde mental, depressão, medo, pânico, suicídio, uma área que precisa ser abordada diante dos conflitos de hoje em dia e também de valorização da vida desde a concepção. Eu atuo muito na área da pessoa com deficiência e digo que o primeiro direito da pessoa com deficiência, caso se identifique durante a gestação, é ter o direito de nascer. |
| R | O problema não é a pessoa com deficiência, o problema é a falta de políticas públicas para a pessoa com deficiência, eu falo isso até na condição de pai de um filho querido e amado que também tem deficiência intelectual e física. Então, nesse sentido, eu quero dar as boas-vindas e dizer: "Que bom que estamos fazendo esta audiência pública", parabéns. E parabéns ao Eduardo Girão pela iniciativa, porque ele é o autor do requerimento. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Obrigado, muito obrigado, Senador Flávio Arns. Desde o primeiro momento, o senhor, você, me permita chamar assim, como amigo também, você acolheu essa iniciativa. Eu queria saudar aqui o Deputado Luiz Carlos Hauly, por quem tenho grande admiração. Ele nem sabe disso, mas eu tenho uma admiração de muitos anos acompanhando, mesmo pelas notícias na imprensa, o seu desbravamento na reforma tão importante que é a reforma tributária neste País. Ele é um grande ícone. Eu acho que vai sair este ano, se Deus quiser, vai sair. Por falar em Deus, eu quero pedir para começar esta audiência, Daniela, se você puder fazer uma prece para a gente iniciar esses trabalhos aqui e ouvir essas palestras. Muito obrigado. A SRA. DANIELA MIGLIARI (Para exposição de convidado.) - Então, vamos todos fechar os nossos olhos, agradecendo a Deus por esta oportunidade do encontro de tantos brasileiros, de tantas fés. Um País tão aberto, tão magnânimo, que está aqui hoje para ouvir um segmento da população que tanto atua, que tanto faz, que tanto ora, de mãos dadas com todas as outras fés, com todos os outros credos, que nós possamos ser conduzidos, inspirados, iluminados para esta conversa fraterna, em prol de abraçar mais uma fé que traz a bandeira de Jesus consigo para o nosso País. Assim seja. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Então, nós vamos iniciar agora... O SR. LUIZ CARLOS HAULY - Só para dar um testemunho... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Claro. O SR. LUIZ CARLOS HAULY - Há um movimento de que participo aqui na Câmara e no Senado, desde 2001, que se chama Movimento Político pela Unidade. É um movimento focolarino, criado pela Chiara Lubich, na Itália. Esse movimento é de ecumenismo e procura fazer o entendimento entre os Parlamentares, juízes, promotores, dos poderes do mundo todo. Então, esse movimento é suprapartidário, evidentemente, e também ecumênico, e busca a unidade, em ser um. É muito importante registrar que esse movimento me ajudou muito a pacificar meu coração com relação aos adversários do Plenário, aquelas brigas que a gente sempre acaba fazendo. É um movimento muito bonito. Ele tem vários ramos. O focolare é uma diaconia católica, mas é um movimento universal que procura a unidade e tem feito um bem muito grande em todos os Parlamentos, principalmente no mundo. É só esse registro. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Esse encontro acontece aqui no Congresso, Deputado? O SR. LUIZ CARLOS HAULY - O grupo que coordena Brasília é o grupo de focolarinos, que são religiosos e não religiosos que procuram os Deputados, os Senadores, procuram fazer as reuniões. |
| R | Tem ficado um pouco difícil com esse tumulto aqui. E principalmente depois do impeachment, tivemos um abalo muito grande. Mas ele está presente. Na Câmara, tem vários Parlamentares, entre eles a Deputada Erundina e outros Deputados importantes. E do Senado, nós tínhamos aqui no Senado, e o Pedro Simon participou muito. Quem mais? Vários Senadores, o Esperidião Amin sempre esteve presente e vários Senadores. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muito bom. Muito obrigado pelas informações. Eu tenho muito interesse, muitos amigos do focolares, lá do Ceará. Inclusive, é muito simbólico o Senador Flávio Arns ter acolhido desde o início, porque ele é sobrinho de uma grande pacifista da humanidade, Zilda Arns. Então, para mim e para os espíritas do Brasil também, que têm uma admiração muito grande por essa nossa grande humanista brasileira e do mundo. Deus abençoe. Então, vamos agora, nesse momento, começar aqui pelo nosso presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho Nery, que vai fazer uma abordagem do espiritismo, da importância de o espiritismo, de a doutrina espírita ter um dia nacional no Brasil. O SR. JORGE GODINHO BARRETO NERY (Para exposição de convidado.) - Exmo. Sr. Senador Eduardo Girão, os componentes da Mesa, companheiros de ideal, aqueles que nos ouvem, inicialmente a nossa gratidão pela iniciativa que retoma um ponto, porque, para nós, espíritas, o dia 18 de abril, especificamente dia 18 de abril de 1857, é um marco que nós consideramos como uma grande efeméride. Quando nós analisamos de uma forma muito sucinta, podemos dizer assim, até no discurso histórico, essa data representa um momento na história da humanidade que ainda não foi reconhecido. Nós vivíamos o século XIX, um período em que a humanidade, os homens de ciência, aqueles que às lideranças... Chegaram a um ponto tal de que tudo se explicava através simplesmente dos conceitos materiais. Chegou-se a um determinado ponto de se dispensar a existência de Deus para explicar as coisas. Esse é o momento de ápice do século XIX, em que o materialismo chegou a esse ponto. É nesse mesmo século que surgem, em vários locais da Terra, fenômenos, coisas que levaram as pessoas a observarem, a chamarem de sobrenatural. Mas nós sabemos hoje, pelas próprias revelações, que foi uma invasão organizada, uma invasão organizada do plano espiritual para dizer aos homens que no universo não existe só matéria. E nós vamos observar, pelos registros históricos até do próprio Brasil, na época do Império, pessoas interessadas em conhecer os fenômenos, em estudá-los e até em experimentá-los. |
| R | Vamos observar o ano de 1840. No ano de 1840, nós tivemos, aqui no Brasil, dois médicos, um francês e um português, Bento Mure e João Vicente Martins. Ambos eram médicos homeopatas. O interessante é que eles, por serem homeopatas, seguiam justamente aquilo que Hahnemann, que foi um estudioso da fluidoterapia... E eles utilizavam o que nós chamamos hoje de passe, que é a transmissão fluidomagnética de um ser para outro, como um complemento às curas que a homeopatia na época proporcionava. Estiveram aqui no Brasil. Um deles, médium. E inclusive utilizavam-se da mediunidade em reuniões. E um fato interessante é que eles tinham um lema. O lema deles era "Deus, Cristo e Caridade". Então observem que as coisas vão acontecendo. Isso, nós estamos falando do ano de 1840. Não existia Allan Kardec; existia Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor francês que, nessa época - ele nasceu em 1804 - tinha 36 anos e estava tendo a sua vida em Paris, na França, como professor emérito, e reconhecido no meio acadêmico. Mas aqui no Brasil, esses fatos aconteciam. E no ano de 1848, houve um fato muito interessante na cidade de Hydesville, nos Estados Unidos, no Estado de Nova York. Foi um fenômeno em que havia uma casa que tinha sido alugada por uma família, e nessa casa, fenômenos estranhos aconteciam. Pancadas, ruídos, pessoas andando sem que houvesse essas pessoas; acontecendo isso. E havia duas irmãs jovens. Tinham a idade aproximada de 15 a 17, ambas. E naquele instante, esses barulhos eram tão intensos, que uma delas tomou a iniciativa de dizer, "olha, se for espírito, que bata palma". Assim que ela terminou de bater palma, o som da palma aconteceu. A partir de então, estabeleceu-se uma comunicação, em que o espírito, que depois foi reconhecido, se comunicava com aquelas pessoas através de sinais. Fazia-se uma pergunta, uma batida era "sim", duas batidas, "não". Depois evoluiu para cada batida correspondente a uma letra do alfabeto. E em síntese, esse espírito disse que era um mascate ou viajante, morou naquela residência, tinha sido assassinado, o seu corpo se encontrava no fundo da residência. Isso tudo foi registrado, há registros hoje lá em Hydesville. E encontraram os restos mortais do espírito. Então esse é um primeiro fato que traz a evidência da imortalidade, numa comunicação, eu diria assim, muito rudimentar. Paralelamente a isso, aconteceram fenômenos não semelhantes a esse na Europa, onde a mídia da época, os jornais registraram esses fenômenos, que foram chamados de mesas girantes, em que as mesas mexiam, levantavam, e serviu isso até de curiosidade para as pessoas que ali estavam e que, na realidade, observavam aquilo como fenômenos que davam a eles condições de fazerem perguntas e respostas, e essas perguntas eram feitas, as respostas dadas. |
| R | Nesse contexto que dois amigos do Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail conversam com ele a respeito. Ele era um homem muito sério, era um homem que não falava as coisas sem antes utilizar o discernimento, o bom-senso. Tinha uma formação, desde o Instituto de Yverdon, quando ele estudou, quando jovem, com Pestalozzi, o maior pedagogo da época, reconhecido até os dias de hoje. E naquele instante, disseram a ele que as mesas estavam falando. Ele então falou para o amigo que lhe deu essa informação que, para que uma mesa falasse, havia necessidade de que se demonstrasse que ela tinha inteligência. É um raciocínio lógico. E assim,... (Soa a campainha.) O SR. JORGE GODINHO BARRETO NERY - ... ele, naquele primeiro instante... Eu não sei se eu tenho tempo para isso. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE. Fora do microfone.) - Não, você tem mais cinco minutos. O SR. JORGE GODINHO BARRETO NERY - Está bem. Então, rapidamente. Então, naquele primeiro instante, ele identificou que, para que fizesse isso, seria necessário que provassem que uma mesa tinha inteligência. E ele foi convidado, pela segunda vez, e numa terça-feira de maio do ano de 1855, ele esteve na casa da Sra. Plainemaison e presenciou o fenômeno das mesas girantes. Verificou tudo, se era possível, para ver se havia fraude, e identificou que não havia. Saiu da reunião ocupado, porque perguntas inteligentes eram feitas, e assim, respostas inteligentes; ele deduziu logicamente que as respostas não eram das mesas, porque as mesas não eram inteligentes. Havia uma causa inteligente, até então desconhecida, e isso, para ele, deu-lhe ocupação, para que ele estudasse profundamente o fenômeno. Utilizou uma metodologia, e assim, dois anos depois, nós vamos encontrar, em Paris, a primeira edição d'O Livro dos Espíritos. É bom ressaltarmos que o nome do livro é dos Espíritos. Ele apenas fez, catalogou aquelas informações que chegavam do alto, utilizou uma metodologia da universalidade do ensino, utilizou-se de mais de mil médiuns, em vários países, para que ele pudesse daí extrair as verdades. E essas verdades foram exaradas nesse livro, que tem quatro partes e que, logo na sua primeira parte, que trata de Deus, essa primeira parte diz assim, a primeira pergunta que ele fez: "Que é Deus?" Porque se eu a fizesse, eu faria "quem é Deus", até pelos atavismos do antropológico Deus que é conhecido por todos nós, através dos séculos. Então, naquele momento, ele pergunta "Que é Deus?", e a resposta, sábia: "Inteligência suprema e causa primária de todas as coisas". Mais adiante, vieram dizer que no Universo não existe apenas matéria. Existem dois elementos, dois princípios: o material e o espiritual. E acima de tudo, Deus. Como se dissessem assim, naquele contexto materialista, que a humanidade raciocinasse um pouco mais, porque no Universo, não existe só matéria; existe matéria, existe espírito e Deus, o Criador. E a partir daí, o livro vem tecer todos esses conhecimentos, falando, na sua primeira parte, das causas primárias; falando, na segunda parte, do mundo espiritual, falando dos espíritos; na terceira parte, das leis morais; e na quarta parte, falando justamente das penas e gozos futuros, tanto na Terra quanto no plano espiritual, fechando um arcabouço filosófico que a humanidade ainda não conhece e nem conhecia na época. Daí o marco, porque veio dizer que nós somos imortais. Como imortais, nós temos várias existências. E que o nosso objetivo é praticar a caridade. |
| R | É aquilo que Bento Mure já tinha: Deus, Cristo e caridade. E a gente observa que aí o amor, a Lei Maior, a Lei Divina é transversal a esta bandeira: Deus, o Criador; Jesus, o exemplo maior desta lei, e a caridade, esta lei em ação. E a partir daí, os espíritas, aqueles que foram adeptos... E assim, logo em seguida, chegou no Brasil. E em chegando ao Brasil, ele já estava praticamente com o terreno preparado, porque nós já tínhamos, no Segundo Império, a aristocracia, pessoas importantes, como o Visconde de Uberaba, e tivemos também outros que já tinham estudado esses assuntos e que, naquele momento, também começaram a estudar a doutrina. (Soa a campainha.) O SR. JORGE GODINHO BARRETO NERY - E a partir daí, este livro tem o marco que, no Brasil, veio trazer aos brasileiros justamente a condição para que iniciassem um trabalho praticando a caridade, a caridade entendida como Jesus nos trouxe: benevolência para com todos, o que quer dizer boa vontade para com todos, indulgência ou doçura para com os defeitos dos outros, mas severidade para consigo, e o perdão das ofensas. A partir deste momento, isso foi uma âncora para que aqueles que professaram a doutrina espírita a aplicassem e fizessem um movimento com base na caridade. Daí, nos dias de hoje, nós termos esta observação de que a caridade é praticada pelos espíritas em todos os rincões, porque nós entendemos que, enquanto espíritos imortais, irmãos e a humanidade, devemos usar a fraternidade e a solidariedade para que nós possamos construir um mundo de paz, um mundo melhor no futuro. Eu paro por aqui, porque eu sei que o tempo já é esgotado, mas ficamos à disposição, naturalmente, para questionamentos que poderemos desdobrar a respeito desse assunto. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Eu quero agradecer ao Sr. Jorge Godinho Nery, Presidente da Federação Espírita Brasileira. Nós continuamos abertos aqui, recebendo mensagens pelo telefone 0800.612211 ou pelo site aqui do Senado: www.senado.leg.br/ecidadania Quem tiver alguma dúvida, quem quiser fazer algum comentário ou alguma pergunta, por favor, não deixe de fazê-lo. Aproveitando este dia - e como nada é por acaso. A gente sabe que não existe coincidência, não é Jefferson? -, porque hoje é um dia muito importante, pois nós vamos ter uma marcha tradicional que acontece há 12 anos aqui em Brasília. Eu tive a oportunidade de, em pelo menos umas dez edições dessas, estar presente, aqui em Brasília. É uma marcha tradicionalíssima. É a Marcha da Cidadania pela Vida contra o Aborto. Ela acontece ali às duas horas da tarde, às 14 horas, quando ela vai se concentrar ali no museu, na Biblioteca Nacional de Brasília, e depois vem todo mundo caminhando, numa fraternidade. É um evento que reúne espíritas, católicos, evangélicos, pessoas de outras religiões e também pessoas que não têm religião, porque defender a vida desde a concepção, inclusive, é uma questão de direitos humanos de verdade; direitos humanos porque já está todo formadinho. |
| R | Eu ando até com... As pessoas às vezes precisam de uma... Eu não sei se dá para a câmera mostrar aqui, mas este é um bebê de 11 semanas de gestação. É o período em que geralmente é feito o procedimento do aborto. E o bebezinho já está todo formado, tem o fígado, tem os rins todo formado, tem até unha esse bebê. O coração bate bem antes. O coração desse bebê bate com 18 dias da concepção. E, com aborto, não é só a vida dessa criança que é destruída, mas a saúde da mulher fica comprometida por toda a existência: problemas psicológicos, emocionais e até físicos. A mulher que faz aborto tem uma propensão muito maior a desenvolver crises de ansiedade, depressão, envolvimento com álcool e drogas e suicídio. Então esse assunto a gente precisa discutir para evitar a morte dos bebês e o sofrimento das mulheres. E hoje tem essa marcha, às 14 horas, aqui em Brasília, e eu vou estar lá. Eu estarei junto com o Movimento Brasil Sem Aborto e outros movimentos que participam. Eu queria agora passar a palavra para a Daniela. A Daniela vai nos brindar aqui com a sua fala sobre esse assunto que a gente está discutindo aqui, a importância do Dia Nacional do Espiritismo para o calendário brasileiro. Espiritismo que, como bem falou o Sr. Jorge Godinho, iniciou na França, o estudo, a codificação pelo Allan Kardec. Tem até um filme em cartaz espetacular, espetacular o filme sobre Allan Kardec. Está em cartaz no Brasil. Mas nós tivemos aqui no Brasil grandes expoentes do espiritismo, por exemplo o considerado Kardec brasileiro, que é o Doutor Bezerra de Menezes. Nós tivemos aqui também muitos nomes, Vianna de Carvalho, Eurípedes Barsanulfo, Bittencourt Sampaio, aquele lá de São Paulo que deixava os livrinhos no trem... Tem o Batuíra mas tem também o Cairbar Schutel, um grande divulgador, e o Chico Xavier, que eu acho que é o grande nome, o grande propagador da doutrina espírita, junto com Divaldo Franco, que está encarnado ainda, nos trazendo muita luz, e que vai ter um filme, em setembro vai ser lançado um filme da vida dele. Daniela, você tem dez minutos, com mais cinco para concluir. A SRA. DANIELA MIGLIARI - Primeiro... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Só, perdão, desculpa Daniela, só para registrar a presença de dois grandes irmãos aqui do Senado, colegas que estão vindo aqui prestigiar esta audiência pública: o Senador, Capitão, Styvenson, que é do Rio Grande do Norte, e o nosso querido irmão, Jayme Campos, Senador Jayme Campos, de Mato Grosso. Então, muito obrigado pela presença de vocês. Na hora em que quiserem fazer alguma intervenção, por favor fiquem à vontade. Vamos ouvir agora... O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - MT) - Presidente, pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Por favor, Senador Jayme Campos. O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - MT) - Primeiro quero cumprimentar V. Exa., Senador que preside esta reunião, que é o meu prezado e estimado amigo Eduardo Girão, e demais convidados que neste ato, neste evento, representam o espiritismo no Brasil. |
| R | Eu fiz questão absoluta... Eu me dirigia para o meu gabinete, liguei a televisão e vi aqui essa audiência pública promovida por V. Exa. e fiz questão de me deslocar para cá, para dizer da minha admiração, do respeito que eu tenho pelo espiritismo, que, sem sombra de dúvida... Eu queria fazer aqui, se me permite, um pequeno testemunho. Eu perdi um filho com 27 anos de idade, eu dei para Deus, não perdi, entreguei nos braços de Deus, e onde eu fui achar um conforto, confesso para os senhores, foi no espiritismo. Para mim foi um sofrimento, para mim, para a minha esposa, para os meus filhos, e aquela dor não abrandava, como até hoje não abrandou, ela minimizou, vai abrandando aos poucos, e de onde veio o conforto foi quando a minha esposa, determinada, porque não achava nada a recorrer para melhorar aquele sofrimento do dia a dia... Nós passamos a frequentar o espiritismo por vários meses, e ali com certeza eu achei o conforto para o meu coração, para o meu espírito, para a minha alma e a certeza de que o meu filho estava em bom lugar. Isso eu estou testemunhando porque eu passei... Para mim foi uma tragédia que aconteceu na minha vida, isso faz 15 anos, nunca esqueço, sempre as boas lembranças e, sobretudo, o amor que eu tinha pelo meu filho, como tenho pelos demais filhos e pela minha família. Por isso eu fiz questão aqui, Senador, Eduardo Girão, de vir manifestar, de corpo presente, o testemunho de que o espiritismo, de fato, aqueles que acreditam, que têm fé e a certeza de que nós temos um outro plano de vida, de fato é a realidade, e retrata o sentimento daquelas pessoas que tiveram o prazer, acho que é um privilégio, de ler alguns livros, sobretudo Allan Kardec, e de outras autoridades, de outras pessoas, devido à importância que representa para o cidadão, que certamente muitas vezes tem que se apegar... Eu acho que é quase uma obrigação de todos nós termos que nos apegar a alguma coisa, principalmente naqueles momentos mais sofridos, de mais dores, por que passamos em nossa vida. Portanto, para não ser longo, eu quero dizer que o espiritismo tem o meu respeito, a minha admiração e a certeza de que, se todos nós tivéssemos assim, digo até o privilégio de frequentar os centros espíritas, como se fala, que são muito conhecidos esses termos aí, eu acho que seria um conforto, eu acho que o mundo seria diferenciado totalmente. Não teríamos violência, nós teríamos as pessoas com mais paz, mais amor no coração e a certeza de que talvez nós poderíamos construir um mundo melhor para todos nós. Portanto, esta é a minha pequena participação, manifestação, ao cumprimentar os senhores, que nos dão o privilégio hoje de vir aqui nesta Casa, que é a Casa do Povo, e promover esta audiência pública que eu acho que é de bom proveito. E, acima de tudo, eu gostaria, nesta manhã aqui, se alguém me ouve nesses gabinetes aí, de convidar para que venham participar e prestigiar este evento promovido por este grande homem público que é o Senador Eduardo Girão. Muito obrigado Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muito obrigado, Senador Jayme Campos, também pelo seu testemunho, pela sua coragem em se colocar... Eu também sou muito grato, eu falei há pouco aqui, muito grato ao espiritismo, num momento difícil da minha vida. |
| R | E o senhor corrigiu bem na hora. O senhor não perdeu o seu filho. O amor é que liga vocês para o resto das vidas. Nós espíritas acreditamos que existem muitas vidas, então, é uma separação temporária. Todo dia, quando a gente dorme, o corpo precisa descansar, para recuperar as energias para o dia seguinte, porque nós estamos aqui para aprender, para perdoar; mas o espírito não necessita dormir. Então, muitas vezes - o senhor pode ter certeza disso -, o senhor já se encontrou com o seu filho no mundo espiritual, no sonho, e não era sonho, era realidade, e é uma questão de tempo o reencontro entre vocês, é uma questão de tempo. E o senhor, desde o primeiro dia que eu o conheci, também eu senti uma afinidade muito grande com o senhor, e o senhor me deixou muito claro que vive todo dia aqui em homenagem ao filho. É um Senador muito dedicado, muito humano, em causas humanitárias está sempre junto com a gente, e muito obrigado pela sua... Eu fico muito honrado, nós ficamos muito honrados com a sua participação. O Senador que está ao seu lado, o nome dele não é por acaso: o nome dele é Eann Styvenson. Ele não sabe se é em homenagem àquele grande pesquisador, acho que sueco, que catalogou dois mil casos de reencarnação, estudou cientificamente a reencarnação. Mas eu falei para ele, já, que o nome dele é esse, e ele disse que vai perguntar lá aos pais, para confirmar. O SR. STYVENSON VALENTIM (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - RN) - É muita coincidência! Senador, é uma honra estar aqui hoje pela manhã vendo esse seu empenho e compromisso com essa data especial, que é o Dia Nacional do Espiritismo. Vi no Plenário o evento que o senhor fez, importantíssimo, pessoas que estão assistindo agora, e eu não sei se todos já falaram, mas eu peguei parte da fala do Sr. Jorge. Eu estava ouvindo, e é interessante que algumas crenças, religiões, alguns pensamentos, muitas vezes, por não serem aceitos, são tratados com violência ou com preconceito, e eu percebo que ainda hoje o espiritismo e outras religiões, outras ideias, ciências - pode ser também -, ainda sofrem com esse nível de preconceito, por não quererem conhecer, por não quererem entender. Eu sempre digo ao Senador Girão, Senador Jayme, que eu vou à Igreja evangélica - nasci num lar evangélico, não é? Minha mãe é evangélica, então sempre fui para a Igreja evangélica -, frequento a Igreja católica, sou palestrante, agradeço demais quando me chamam para falar com jovens nas igrejas católicas, para falar com eles sobre assuntos como droga, álcool e direção, do que eu fazia no Rio Grande do Norte; e frequento o espiritismo, porque a minha mulher frequenta o espiritismo e eu vou, também para conhecer, para saber como é -, e as pessoas ainda tendem a ter esse nível, acho que de afastamento, de querer conhecer, não para seguirem, sinal de que seria uma coisa forte, mas talvez pela alienação de acreditar que Deus é um só, e o Deus é dele. Eu creio que Deus está em todo lugar quando se tem amor. E eu, lembrando da fala que o senhor estava falando, Sr. Jorge, durante o filme, houve essa questão de tentativa de apedrejamento, de criminalizar uma religião, como se fosse coisa satânica - todo aquele movimento. |
| R | E as pessoas neste dia - eu espero que os outros palestrantes esclareçam para as pessoas que estão assistindo que não é isso, não é dessa forma. Ainda mais que o ser humano tem a opção de escolher, porque nós somos livres para isso, livres para escolher qual religião ou qual segmento vamos ter. Eu acho que a única liberdade que a gente não deveria ter é para ser bandido, criminoso, o restante estaria valendo qualquer coisa; e o restante é a gente parar de se incomodar com a vida do próximo: quando eu me incomodo muito com a sua vida, Jayme, eu me esqueço da minha. Quando eu fico observando o Senador Jayme, se ele está produzindo ou não, Senador Girão, eu deixo de produzir, eu deixo de fazer para o meu Estado e para o meu País o que eu deveria estar fazendo. A sociedade vive assim. A sociedade é assim. Eu creio que, se nos unirmos mais, com certeza este País vai para frente. Hoje é essa polarização em religião, polarização em política, polarização em tudo, não é? Sempre há a polarização: quem é sim e quem é não, e nunca se chega a um meio-termo, ou, senão, ao respeito de poder se praticar o que você quer praticar: o espiritismo, o catolicismo, a umbanda, sei lá, o que você quer fazer. O respeito das pessoas acho que é imprescindível para que a gente viva em sociedade. Obrigado, Girão. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muito obrigado, Senador Styvenson. Vamos ouvir agora Daniela, que é da Comunhão Espírita de Brasília. Por favor, Daniela. A SRA. DANIELA MIGLIARI (Para exposição de convidado.) - Bom dia a todos. Eu agradeço o convite ao Senador Eduardo Girão, que realmente teve a coragem de vir aqui atuar tendo uma vida empresarial, tendo uma vida familiar, vindo se devotar ao nosso País. É realmente uma missão de muita coragem, de muita abnegação. Então, eu agradeço pela sua escolha de vida, e conte comigo na sua caminhada. Bem, eu venho aqui mais como um testemunho, não tanto como palestrante, e é muito interessante o que o senhor falou. Como o próprio Senador Girão começou a fala dele, é sempre uma fala de testemunho muito pessoal. Eu creio que alguns poucos de nós tivemos a sorte de nascer em famílias berços espíritas, chegando pelo amor à doutrina. Existe um jargão que se fala muito comumente no espiritismo, que a gente chega pela dor ou pelo amor, e eu venho aqui também, como muitos aqui já falaram, dar o meu testemunho, porque também devolvi um filhinho a Deus, e cheguei também, por conta dessa dor, ao espiritismo. A minha formação: eu sou jornalista e fiz uma especialização em jornalismo científico, com a minha mente muito focada na ciência. Eu precisava de um entendimento de Deus que passasse pela fé raciocinada, que passasse pelos argumentos e que resistisse à minha mania impossível de perguntar por que, por que, por que, e eu não digo que essa é a única forma, como bem colocou o nosso amigo. Eu concordo com o senhor que o remédio para a polarização neste momento é a gente reconhecer que a vida é como um lindo quebra-cabeças enorme, e, se eu ficar tentando pegar essa minha pecinha aqui do canto do quebra-cabeças e tentar fazer exatamente o que essa pecinha de cá está fazendo, eu vou perder justamente a beleza e o brilho com que o meu viés, o meu espírito veio contribuir para a vida, para a diversidade. |
| R | Então, ao invés de nos sentirmos ameaçados pelas polarizações e pela diversidade de crenças, de países, de culturas, de partidos, enfim, de expressões diversas, que a gente possa se sentir seguro na diversidade. Nós sabemos que, na Biologia e na própria sobrevivência das espécies naturais, quanto mais diversificado for o meio ambiente mais seguro ele está porque, se vem uma praga, pega algumas daquelas espécies, mas outras resistem. Então, ao invés de a gente vir a polarização como algo ameaçador, aquele diferente, eu me sinto ameaçada pelo diferente, eu passe a me perceber segura, que alguém está fazendo alguma outra forma de pensamento e de expressão no mundo que me traz uma diversidade, que me estimula a aprender com o diferente. Então, eu sinto que o remédio para a polarização é esse, e o próprio espiritismo, que Allan Kardec nos trouxe e que se coloca como filosofia, como ciência e como religião é uma expressão que nos convida a entender que, na diferença do pensamento, a gente tem, sim, essa riqueza, porém, quando a ciência fizer frente a frente com alguma colocação nossa anterior, que a gente ficasse com a ciência. Esse é um convite no nosso próprio codificador e que a gente entenda que nós todos estamos em movimento, nós todos estamos em caminhada, nós não somos seres estáticos, fechados, enclausurados. Nós estamos em contato com o diferente, com o novo, com o tempo, com o movimento das ideias e que isso nos enriquece, desde que toda a atitude na vida seja respeitosa perante o outro, eu vá até onde o meu limite... Seria o mesmo que eu gostaria que fosse respeitado. Isso posto, gente, a diferença realmente nos enriquece. Então, eu encontrei no espiritismo... E o Brasil é um berço, como eu coloquei na oração inicial, porque nós somos um País de diversidade, que recebeu três raízes principais: a primeira delas os indígenas, a segunda os portugueses, a terceira os negros e, depois, tantas outras raízes que vieram enriquecer o nosso País. Então, é um país muito tolerante em diversos aspectos. A gente sabe que existe muita intolerância e aí eu digo que já não é tanto uma intolerância de um país, é a intolerância do ser humano como um todo; mas é um País que naturalmente tem uma maior abertura ao diferente, dadas as reservas aí desses momentos difíceis que temos atravessado como Nação; mas nós temos, sim, essa abertura muito grande para o diferente. Então, o espiritismo é um desses muitos matizes. Quando a gente observa a forma, por exemplo, do católico pensar, do evangélico pensar, do ateu pensar, por exemplo, um ateu pode ser uma pessoa plena de valores, pode tomar para si a Convenção dos Direitos Humanos, ser uma pessoa absolutamente enriquecida e ter uma atitude muito mais correta perante o próximo, muitas vezes, do que um crente. Quem sou eu para dizer que ele tem menos valor do que uma pessoa que acredita em Deus? Porém, nessa diversidade, nessa diferença, o espiritismo sem dúvida é uma raiz deste País. |
| R | Desde que o espiritismo floresceu, na França, por Allan Kardec, inúmeros pensadores, também brasileiros, foram estudar na França daqueles tempos e foram, enfim, tocados pelos princípios espíritas de Allan Kardec. Quem não assistiu ao filme, que está ainda em cartaz, é um filme maravilhoso, é um filme que fala justamente disto: da importância dessa tolerância, desse Estado laico que vai abrir as portas para todos os tipos de pecinhas no nosso quebra-cabeça porque, quando a gente tem um quebra-cabeça em que está faltando uma peça, a gente não fica em paz enquanto a gente não coloca aquela pecinha que está faltando. Isso nos remete àquela linda passagem da Bíblia em que o bom pastor nos diz: "Das minhas ovelhas, nenhuma se perderá; todas me importam". Todos importam e Allan Kardec, quando perguntou para os espíritos se existiam homens determinantemente bons ou homens determinantemente maus, os espíritos foram veementes em dizer que não, todos são criados simples e ignorantes e, ao longo da sua jornada evolutiva, vão crescendo. Como mãe - tenho três filhos -, eu lembro quando, no início da maternidade, eu pensava: "Meu Deus, será que essa criança um dia vai acordar e vai estar sem fralda, vai andar, vai se comunicar?" Aquela coisa de mãe de primeira viagem. Sim, todos nós vamos aprender. Então, essa mesma ternura e confiança que uma mãe deposita num filho que um dia vai acordar com a sua fralda seca, que vai falar uma frase perfeitamente pronunciada, como suas mães mesmas pensaram que um dia vocês estariam aqui... (Soa a campainha.) A SRA. DANIELA MIGLIARI - ... eu também confio e todos nós, como espíritos, na nossa infância espiritual, na nossa manifestação da diferença, na nossa manifestação da intolerância, também é um tipo de expressão da nossa infância espiritual ao longo da nossa jornada evolutiva, ao longo de muitas vidas. Essa foi a abertura que o espiritismo me trouxe, essa compreensão de pensar: "Poxa, o que eu não consegui fazer eu vou ainda ter chance de continuar, eu vou ainda poder me melhorar e isso amplia a nossa vida". Há uma possibilidade lindíssima que é: todos nós vamos caminhar em direção à perfeição, mesmo aqueles que a gente julga mais inadequados, mesmo aqueles que a gente julga como mais violentos. Não digo que essa é a única forma certa, imagina, mas é uma expressão muito bela que nós chamamos de o consolador prometido. O consolador prometido é quando Jesus nos diz que Ele retornaria nesse formato que a gente interpreta, que é o contato constante com os espíritos, que é o contato com a caridade, que é o contato com a ciência, que é o contato com a filosofia, com a fé raciocinada, mas, principalmente, contato meu comigo mesma. Eu, na minha reforma íntima; eu, na minha jornada evolutiva; eu, reconhecendo os meus aspectos de infância espiritual; e eu, aos pouquinhos trilhando as minhas melhoras, as minhas progressões no meu tempo e fazendo o melhor pelo meu País, fazendo o melhor principalmente pela minha família e pelos meus próximos mais próximos, sim, mas, quando a gente começa a largar a nossa compreensão para nossa família brasileira, para a nossa família humana, eu paro de ver o outro como uma ameaça, eu simplesmente me embeveço na sua diversidade, eu me sinto segura nesse ambiente, eu posso realmente contribuir com um pouco mais de liberdade e um pouco mais de criatividade para a evolução humana. |
| R | Então, eu encontrei essa minha pecinha do quebra-cabeça no espiritismo e eu me alegro que católicos tenham encontrado a pecinha do quebra-cabeça deles no catolicismo, na umbanda, no candomblé, no ateísmo, nos evangélicos. Enfim, eu me embeveço com as suas formas diferentes de expressão. E eu peço aqui, com muita alegria, com muito pé no chão, assim, mas também com esse sentimento de que o Brasil também possa se embevecer com a beleza dos espíritas. A gente tem o Chico Xavier, a gente tem o Divaldo Franco, que vem com filme no dia 12 de setembro, e eu tive a alegria de escrever o livro dos bastidores do filme. Nós estamos juntos nesse empreendimento, e são pessoas muito lindas, como tantas outras que existem nas outras religiões. E eu penso que o Dia Nacional do Espiritismo vai poder enriquecer ainda mais o nosso País e dar ainda mais voz a essa expressão do amor de Jesus por todos nós, com esse nosso viés espírita, que é muito bonito e, certamente, tem muito a contribuir. É isso, Senador. Muito grata. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muito bem, Daniela. Muito obrigado pela sua fala. A Daniela tem um trabalho lindíssimo, de que ela não falou, mas é algo sobre o qual, um dia, nós vamos fazer uma audiência pública aqui: a questão da constelação familiar. É algo que a gente... Assim, eu já participei, já dei uma breve estudada, e é impressionante a cura quântica que acontece, a cura sistêmica, com a constelação familiar. Nós que são desatados em presídios, em problemas que vêm de gerações a gerações. A constelação familiar é algo que a gente precisa legitimar, e eu acho que esta Casa é muito importante, porque vai ajudar as pessoas. Ajuda inclusive a... Daniela, se você puder falar... Porque há um outro grande Senador, que acabou de chegar aqui, que é o nosso querido irmão Izalci Lucas, que é aqui do Distrito Federal. A SRA. DANIELA MIGLIARI - Sim, eu o conheço. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Também a Senadora Renilde Bulhões acabou de chegar aqui também. Muito grato pela participação de vocês. Eu queria, Daniela, se você pudesse falar uns dois ou três minutinhos o que é a constelação familiar, em que que ela pode ajudar as pessoas, inclusive no tratamento de pessoas que estão envolvidas com drogas, com essa situação de falta do perdão, essa coisa toda. Se você puder falar uns dois ou três minutos sobre isso, seria muito importante, porque eu acho que, de alguma forma, ela vai tocar no espiritismo. A SRA. DANIELA MIGLIARI - Sim. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - É um sentimento meu; é o que caminha... Há uma relação aí que a gente ainda precisa... É o Bert Hellinger, que é um alemão... A SRA. DANIELA MIGLIARI - Isso. Exatamente. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - ... que desenvolveu essa técnica, mas eu acho que tem alguma coisa com o espiritismo ali, para chegar junto. A SRA. DANIELA MIGLIARI - Bom, Senador Girão, mais uma vez, eu lhe agradeço a oportunidade, e, para mim, é uma alegria enorme. Recentemente, eu fiz uma palestra, falando justamente como o espiritismo encontra as constelações familiares, e acho que foi o dia mais feliz, assim, da minha vida, porque eu pude unir duas pecinhas do meu quebra-cabeça interno. Eu estava fazendo essa analogia aqui, agora, com o quebra-cabeça, e, realmente, são duas peças que me trouxeram muito alento e muito material mesmo, para que eu pudesse fazer a minha reforma íntima, porque é para isso que eu estou aqui. O que eu posso dizer para vocês das constelações familiares é que é uma ciência que foi percebida, estudada, codificada e organizada pelo alemão Bert Hellinger. Ele é casado com a Sophie Hellinger, que também, recentemente, no Brasil, em 2016, abriu a escola alemã Hellinger Schule, da qual eu sou estudante, estou fazendo uma pós-graduação de três anos e meio. |
| R | As constelações familiares partem de três leis do amor. Bert Hellinger foi padre por mais de 30 anos, passou muito tempo nos confessionários, ouvindo as pessoas falando de suas percepções de vida, conviveu com os zulus, na África, tendo um entendimento muito profundo sobre ancestralidade... Ele ficava maravilhado porque os zulus não conheciam o que era ironia. E sempre, ao se referirem aos seus antepassados, se referiam com muita honra, com muito carinho e com muito cuidado. E, com esses estudos todos, ele fez também uma formação em Psicanálise, na escola de Viena, e foi unindo - dentro dessas pontinhas da própria manifestação pessoal dele na vida - essas pontas e observando que existem três leis que regem as relações humanas, em quaisquer que sejam os ambientes, especialmente o ambiente familiar, entre casais, nas empresas, na Justiça, enfim, no Direito. Isso tem sido muito utilizado por juízes nas varas de família, inclusive nas varas criminais, e com muito sucesso isso está sendo feito aqui no Brasil, como uma forma muito nova de atuação, por um juiz da Bahia, chamado Sami Storch, e eu também estou escrevendo um livro dele. E essas três leis são, rapidamente, a lei do pertencimento, que é justamente o que nós estávamos falando da polarização, da pecinha do quebra-cabeça, de que "nenhuma das minhas ovelhas se perderá". O Bert Hellinger observou que, quando as famílias perdem um dos seus componentes, mesmo que isso tenha acontecido há muito e muito tempo, alguém que foi excluído do sistema familiar, porque teve uma manifestação diferente daquela esperada, foi julgado e afastado da família, não sei, pelas drogas, alcoolismo, cometeu algum crime, enfim, tinha alguma manifestação psiquiátrica mais delicada, isso antigamente acontecia de forma corriqueira, e o próprio sistema familiar não deixava que isso ficasse em branco. Sem saber disso, os descendentes manifestavam essa exclusão em si, às vezes com questões de saúde, às vezes com questões das mais delicadas. Então, o Bert Hellinger foi observando, em diversas constelações familiares, que olhar para aquele que foi excluído é o que traria o equilíbrio e a saúde para o sistema novamente. A segunda lei que ele observou é a lei de hierarquia. Quem vem antes tem precedência. Ou seja, se eu sou filha da minha mãe, eu não posso me atrever a julgar que eu sei fazer melhor do que ela. Ela veio antes; ela é a grande; e eu sou a pequena. Meu pai é o grande, e eu sou a pequena. Ainda que essa mãe e esse pai, por motivos diversos, não tenham podido cuidar de mim, ou tenham me dado em adoção, ou tenham, de alguma forma, se manifestado com rudeza, com violência, de mil e uma maneiras, graças a eles eu estou viva. E, quando eu consigo respeitar essa hierarquia, diante da vida, o sistema familiar, as empresas, a justiça e a sociedade também conseguem alcançar um maior equilíbrio e uma maior saúde. |
| R | E a terceira lei, que é a lei do equilíbrio. Quando estou entre pessoas iguais, por exemplo, num casal, ou com amigos, ou numa sociedade igualitária, numa empresa, existe uma necessidade de equilíbrio, nessa relação, que vai trazer saúde também para o sistema. Então, assim, são visões... Pois o que acontece, Girão? Você, intuitivamente, viu o que é óbvio: quem tem o conhecimento dos Evangelhos, quem tem Jesus no seu coração e se depara com essas três leis, tem uma facilidade muito grande de aquiescer, de concordar, de ter esse pé no chão. Humildade vem de humus, terra, e ilde, pés: tem os pés no chão da realidade. Eu estou viva, eu existo graças a esses pais, graças a... O Chico Xavier dizia que encarnação não tem endereço errado. Então, muitas vezes, eu penso: "Como é que eu vim parar neste país? Como é que eu vim parar neste planeta e nesta família?". Essa é a arrogância, que demonstramos pela nossa infância espiritual. Estamos ainda peregrinando. Leva tempo para pôr os pés no chão da humildade, da realidade em que a gente vive e agradecer por ela. Então, com certeza, constelações familiares também é um assunto para o qual esta Casa pode abrir seus braços e que anda de mãos dadas com o espiritismo, certamente. Divaldo Franco, inclusive, tem palestrado bastante sobre isso; já fez três seminários longos sobre isso; escreveu um livro com Joanna de Ângelis, sobre constelações familiares, e é muitíssimo interessado nessa ciência. Estou à disposição. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muitíssimo obrigado, Daniela. Eu queria registrar também aqui a presença de outra grande irmã, que é a Senadora Juíza Selma, que é lá de Mato Grosso do Sul... (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Mato Grosso! Eu sempre troco. Ainda vou aprender. Mas é outra terra extremamente acolhedora. Há pouco tempo, estava o Senador Jayme Campos, também de Mato Grosso. Ele veio aqui, nesse instante, prestigiar. Nós vamos agora, neste momento... Se quiserem fazer alguma intervenção, na hora em que quiserem... Nós estamos debatendo aqui o Dia Nacional do Espiritismo. Não se trata de criar feriado nenhum! Vamos deixar claro isso. O objetivo não é esse. É um dia de gratidão a essa doutrina que veio da França, que chegou aqui ao Brasil, e milhões de seguidores, aqui no Brasil, adeptos do espiritismo, desenvolvem um trabalho de caridade gigantesco, de assistência social... É uma doutrina que, particularmente, eu estudo há algum tempo e que me conforta muito e me traz muita esperança, muita serenidade, para enfrentar o dia a dia. A Juíza Selma queria a palavra. Depois, o nosso querido Izalci, Senador. A SRA. JUÍZA SELMA (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PSL - MT. Para interpelar convidado.) - Bom dia, senhores; bom dia, Sr. Presidente, meu querido irmão, de verdade, Senador Eduardo Girão; os colegas que estão aqui presentes da Mesa; bom dia a todos; bom dia aos palestrantes. Eu queria dizer que, antes de ser um prazer estar aqui, é uma honra estar aqui. Eu tenho formação espírita desde criança. Meus pais foram espíritas. Eu fui criada estando, toda segunda-feira, reunida à volta de uma mesa, lendo O Evangelho segundo o Espiritismo e, depois, bebendo aquela água fluidificada. Então, eu tenho o maior respeito pela doutrina. Mas eu gostaria de fazer uma ponderação e, depois, de fazer uma pergunta, que eu não sei se já foi tratada aqui. Mas já pedindo perdão, Senador, porque eu tenho reunião agora, daqui a pouco. Vou ter que... O senhor sabe como é que é a nossa vida, não é? A gente vive de galho em galho aqui. |
| R | Mas eu queria fazer uma ponderação, no seguinte sentido: eu nunca senti a religião espírita tão verdadeira como quando eu perdi o meu pai e, depois, perdi a minha filha. O meu pai, pela presença física que eu senti dele, logo depois... Eu duvidada muito, e ele, depois que faleceu... Eu ficava madrugadas esperando ele aparecer: aparece, aparece, que eu quero ver se é verdade. Eu botava filho para dormir, botava marido para dormir, todo mundo, e ficava acordada, grávida da minha filha. E, numa certa ocasião, quando foi necessário, realmente eu acordei com ele me chamando, porque uma irmã tinha se perdido. Ela é deficiente auditiva, estava perdida na rodoviária de madrugada, correndo um risco danado. E, quando foi necessário mesmo, ele se manifestou, para que eu pudesse ir lá socorrê-la - umas três horas de diferença do horário em que ela deveria chegar. Foi uma coisa assim, que eu não poderia ter adivinhado nunca. Foi ele que me acordou. Então, realmente, aquela prova que eu queria ele me deu, mas quando foi necessário, e não por capricho meu, de querer ver se aquilo era verdade ou não. E, quando a minha filha faleceu também, porque a gente acaba tendo sempre a esperança de reencontrar. E é isso que faz a gente viver. Mas, gente, a pergunta que eu queria fazer para vocês é qual a opinião de vocês sobre outra técnica que também é aplicada junto com a questão da constelação. Lá no meu Estado, Mato Grosso, aplica-se muito também a constelação em varas de violência doméstica, principalmente; em varas criminais, mas, em varas de violência doméstica, o colega tem tido um excelente resultado. E, no Pará, o meu sobrinho é juiz lá e tem aplicado as constelações, com muito, muito êxito. Mas ele tem aplicado também outra técnica, cujo nome me fugiu agora... (Intervenção fora do microfone.) A SRA. JUÍZA SELMA (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PSL - MT) - Apometria. Eu gostaria de saber se vocês têm alguma indicação com relação a essa, se ela tem alguma relação direta com a ciência espírita e que aplicação ou que recomendação vocês dariam a respeito da apometria. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Quem vai lhe responder, Senadora Juíza Selma, é o Presidente da Federação Espírita Brasileira, que é uma entidade centenária. E você é brigadeiro, não é? (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Brigadeiro. Inclusive, depois, eu queria que você falasse um pouco da relação das Forças Armadas, da FEB, com a proliferação do espiritismo no Brasil, porque o espiritismo foi codificado na França por Allan Kardec, mas aqui no Brasil ele encontrou um terreno muito fértil, e, hoje, o Brasil é a maior nação espírita do mundo. Eu acho que é a maior nação católica do mundo e a maior nação evangélica do mundo. Olhem que benção é o nosso País! Godinho, por favor, respondendo à pergunta da Senadora Juíza Selma. O SR. JORGE GODINHO BARRETO NERY (Para exposição de convidado.) - Bom dia, Senadora. Eu não sei se a minha resposta vai agradar algumas pessoas ou não, mas nós estamos aqui para expor a verdade. |
| R | A apometria é uma técnica que nós, espíritas, não usamos, apesar de alguns utilizarem como sendo uma técnica espírita. O que nós utilizamos, nas reuniões mediúnicas, é justamente o propósito da caridade; primeiro, para nós, que somos aqueles que fazemos a reunião mediúnica na nossa dimensão, porque o maior aprendizado é nosso. É a maior rede social que a humanidade ainda desconhece, porque a essas reuniões, de forma anônima, chegam aqueles que nos antecederam, trazendo os seus conflitos, os seus problemas, as suas dificuldades. E nós, que aqui estamos, nesta dimensão, os acolhemos com carinho, com amor, com o desejo de esclarecer e de respeitá-los, não só nas suas crenças, como nas suas dores. Isso se faz através do diálogo, como o próprio codificador nos ensinou, para que nós pudéssemos fazê-lo com a fortaleza da prece e com a ajuda do plano espiritual, que é o que realmente dirige e nos inspira nesse trabalho. A apometria é uma técnica que muitos usam como sendo uma corrente magnética, mas que nós, espíritas, não utilizamos. Daí eu não poder nem dizer à senhora, talvez, se é bom, se é ruim, porque não a uso e estou satisfeito da forma como nós dialogamos com aqueles que já nos antecederam, porque a doutrina espírita, quando surgiu, o próprio codificador definiu-a. Há um livro: O que É o Espiritismo?. Neste livro, em preâmbulo, ele diz assim, sintetizando: o espiritismo é uma ciência nova que, ao mesmo tempo, é uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ensina-nos a relação entre nós e os espíritos. Nós podemos até dizer que espíritos somos todos nós, nesta dimensão, após a morte, e a morte, para nós, não é como conhecida; é um veículo da vida para outra dimensão - aí a senhora ter a oportunidade do desejo -, mas lembremos que os espíritos não estão à nossa disposição: eles atendem quando a necessidade assim o faz. Então, como ciência prática, nos ensina essa relação entre nós e os espíritos, mas, como doutrina filosófica, nos traz a responsabilidade de todas as consequências morais dessas relações. Em síntese, é uma ciência nova, que fala da natureza do espírito, da nossa natureza, da nossa origem, quem somos, o que estamos fazendo aqui, para onde vamos. São perguntas milenares que, naquele dia 18 de abril de 1857, a humanidade teve às suas mãos, e estão aí, até os dias de hoje, as respostas que muitos buscam e que este livro e a doutrina espírita procuram esclarecer, com essa condição da imortalidade do espírito. Eu não sei se seria agora, para que eu possa adentrar outra questão que o Senador Girão... Permitam-me falar, nas minhas palavras, aquilo que está no livro chamado Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Conta-nos o espírito Humberto de Campos, pela mediunidade abençoada de Chico Xavier: Era o último quartel do século XIV. Naquela época, reuniu-se na Europa, no plano espiritual, o Cristo e muitos espíritos. Raras, segundo as suas informações, foram as vezes em que Jesus se reuniu próximo à Terra. Essa foi uma delas. |
| R | Naquele momento, ele se reuniu para verificar o que a humanidade havia feito da sua boa nova, da sua mensagem, que ele trouxe há 2 mil anos. E ele, ao analisar, no excurso histórico, observa que, somente durante os 313 anos da nossa era, a pulcritude da sua mensagem permaneceu. Em contrapartida, os seus seguidores tiveram o holocausto: foram mortos, esquartejados, crucificados, queimados. Mas, mesmo assim, a sua doutrina manteve essa pureza. Somente após o dia 13 de junho do ano 313, quando Constantino, imperador romano, resolveu não mais perseguir os cristãos, a partir daí, colocou a religião cristã como a religião do Estado. E, a partir desse instante, a Idade Média nos conta. Em nome dele, criamos as Cruzadas, fizemos guerras santas, para conquistar o local dito santo, com túmulo vazio. E não encontramos, na mensagem do Cristo, em momento algum, um convite à beligerância; encontramos o convite ao exercício do amor, da união, da fraternidade, da caridade. Quando ele nasceu, toda a humanidade conheceu uma frase: 'Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade entre os homens'. Aí está traçada a plataforma na terra. A terra é de paz. Necessita apenas de boa vontade entre os homens. Naquele momento, quando ele chega até esta época, que é o último quartel, ou seja, os 25 últimos anos do século XIV, ele apenas se relembra de um discípulo amado, que foi Francisco de Assis, que veio relembrar a simplicidade, a pureza do seu Evangelho. Mas, mesmo assim, foi esquecido. E ele diz para aquele que era o responsável pelo desenvolvimento sociológico da Terra, o espírito que chamamos Helil, que a humanidade, infelizmente, escolheu como consequências dores e sofrimentos. Nesse momento, esse espírito convida Jesus e aqueles que ali estão, já que aquelas terras ditas civilizadas não encontravam o apoio, tampouco a exemplificação do seu Evangelho, a que se dirigissem para terras novas, onde existiam ainda espíritos muito simples, em desenvolvimento, crianças espirituais. [Diz-nos Humberto de Campos que é como se fosse] um rastro de luz que saísse da Europa em direção às Américas [conhecidas hoje]. Aportam na América do Norte. Naquele instante, ali, com ele, diante da natureza, presenciando esses espíritos, os ventos ficam calmos, as flores soltam o aroma mais natural, a natureza se apazígua diante daquela sublimidade do Cristo. Mas Jesus pergunta para Helil: 'Helil, onde se encontram as terras? Onde se observa o símbolo da redenção?'. [Ele estava se referindo ao que nós chamamos hoje de Cruzeiro do Sul. Ele diz assim:] "Mais ao sul, mestre". E esse grupo se desloca mais ao sul. [Quando chega às terras que hoje são o Brasil, diz-nos Humberto de Campos:] O Cristo levanta os seus braços ao alto, em rogativa ao Pai, e, naquele instante, diz assim: 'Transplantarei para estas terras a árvore do meu Evangelho'. |
| R | [Nós estamos falando do século XIV, no ano de 1394, porque, logo após isso, ele se dirige para Eliú e diz assim:] 'Nascerás para fazer com que os mares bravios sejam desbravados'. E assim, no ano de 1394, nasce D. Henrique de Sagres, em Portugal. O navegador. Nunca navegou, mas realizou uma escola onde ele conseguiu convergir todos aqueles que eram responsáveis, engenheiros, para fazer com que Portugal saísse pelos oceanos bravios. E é assim que Portugal inicia suas viagens, o Brasil vem a ser descoberto, e é com essa promessa, esse programa do Cristo, que, na realidade, o próprio livro vai dissertando, dos anais registrados no plano espiritual, a nossa história, com a visão espiritual e a visão material. Quando nós observamos que a doutrina espírita surgiu lá, na Europa, e aqui ela é acolhida, no nosso País, onde se expandiu hoje... Se nós olharmos, no ano de 2010, o IBGE falou que o espiritismo foi o que mais cresceu, em torno de 65%. Àquela época, nós tínhamos em torno de 4 milhões de espíritas que se declararam espíritas. No ano que vem, nós teremos um outro censo. Se crescermos no mesmo patamar, provavelmente estaremos chegando a 6 milhões de espíritas. Mas há uma informação de que, no ano em que foi feito o filme Nosso Lar, a Fox fez uma pesquisa, e, entre simpatizantes, pessoas que gostam, chega-se a quase 40 milhões de simpatizantes. O nosso País, em outra pesquisa, é o segundo país mais cristão do mundo. Perdemos para os Estados Unidos, devido apenas à questão da população dos Estados Unidos ser maior do que a nossa, porque, à época, noventa e poucos por cento dos brasileiros são cristãos, enquanto, nos Estados Unidos, apenas oitenta e poucos por cento. Então, estamos diante de um País que é diferente. Nós somos um povo fraterno, um povo bom. Se nós olharmos a nossa história e verificarmos como nós temos agido ao longo dela, não há no mundo nenhum país que tenha as características que nós temos. Não devemos esquecer que, à época, Portugal era o nosso colonizador. Nós temos 8 milhões de quilômetros quadrados. Nós temos 8 milhões de quilômetros de costa. No século XXI, as Forças Armadas, para poderem fazer a manutenção desse território, precisam de muito mais do que o que fazem hoje. Entretanto, não encontramos na história da humanidade um país tão grande ter sido mantido sem divisão. Há uma razão. Não é à toa que, quando Cabral chegou, deu o nome Vera Cruz, Santa Cruz. Isso tudo tem uma ligação entre ambos os planos da vida. E é por isso que a doutrina espírita, como ciência prática, vem nos informar dessa possibilidade da influência que existe dos espíritos na vida material e vice-versa. E é por isso que hoje o nosso País é cristão, é fraterno, é bom. Perdemos a Copa de 7 a 1, mas a imagem lá fora é de que nós somos um povo bom, um país ensolarado, um povo fraterno. Eu não conheço os alemães fazendo gesto como fizeram na Copa. Nós poderemos lembrar. Fizeram uma dança típica, segurando uns aos outros, numa roda. Aquilo é a dança típica dos nossos índios no sul da Bahia, onde eles viveram, uma demonstração de gratidão que tiveram pelo acolhimento. |
| R | Então, esse é o nosso País, que vem cumprindo uma missão, e, mesmo não tendo consciência dela, ele caminha no destino que o próprio Cristo já traçou, desde o último quartel do século XIV. Daí hoje nós termos no Brasil a maior expressão dessa doutrina em crescimento. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muito obrigado, Jorge Godinho, Presidente da Federação Espírita Brasileira. E depois você vai explicar um pouco para a gente da FEB. Não é a FEB que você preside hoje, é a Força Expedicionária Brasileira, que tem uma relação muito tênue com essa expansão do espiritismo. Senador Izalci Lucas, por favor, fique à vontade. O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PSDB - DF) - Bem, Presidente, eu só quero, primeiro, lamentar não ter chegado cedo. Eu tinha outro compromisso antes, acabei me atrasando, e não pude participar das apresentações todas. Mas quero cumprimentar aqui as nossas colegas, a Daniela, que é aqui de Brasília, e o Jefferson também. Eu tive uma experiência muito boa, porque eu fui Deputado Distrital com o Jorge Cauhy. O Cauhy era um espírita muito bacana. Existe até hoje o Lar dos Velhinhos, onde eles trocam ali muito... Então, a gente conviveu muito com ele, e a gente tem uma admiração muito grande pelo trabalho que o espiritismo tem aqui em Brasília, na área social. Eu acho que eles são muito dedicados. Eu sou católico apostólico romano, mas tive algumas experiências. Acho que a fé está em todas as religiões, mas eu tive duas experiências interessantes. Primeiro, eu, quando era jovem, vinte e poucos anos, tive uma úlcera muito grande, e não conseguia nem... Qualquer coisa que eu tomava, ficava doente mesmo. E eu participo muito da igreja; tem um poder muito grande também. Eu rezava o terço da libertação e tal... Então, a gente tem muita fé. Mas me falaram sobre Valentim, lá do Gama. Isso, uns 15 anos atrás, sei lá; 20 anos talvez. E fui lá e fiz uma cirurgia espiritual. E ele fez mesmo, fez os pontos e tal, fiquei de repouso e tal... E melhorei. Nunca mais tive nada. Então, é lógico que a fé da gente é muito forte, não é? Não é todo mundo que vai também que consegue. Tem que ter muita fé. E, depois, na minha segunda campanha, eu fui ao Espirito Santo fazer um curso. Eu nem sabia o que que era, mas me convidaram ao Espírito Santo, para descansar da política... E era um curso sobre família Silva. Não sei se vocês conhecem. Família Silva. Eram três dias. E nesse curso havia regressão a vidas, no ventre, lá atrás... Um negócio muito estranho. Eu tive essa vivência... É evidente que eu não me aprofundei muito, mas é muito interessante. Então, há muitos questionamentos da Igreja Católica com relação ao espiritismo. |
| R | Mas eu vejo assim... Conheci o Chico Xavier, assisti ao filme dele, inclusive, muito bacana... Houve uma novela também que passou, não lembro o nome... A viagem. Exatamente. Foi muito legal. Mas a minha admiração é muito pelo trabalho que eles fazem. Realmente... Lá no Guará mesmo há... Aliás, não é só no Guará. Há para todo lado. E fazem, assim, com muita dedicação, muito carinho. Então, parabéns aí a vocês. Só lamento por não ter assistido desde o início aqui, mas gostaria muito de participar desses estudos, viu, Girão? Parabéns pela iniciativa. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muito obrigado. Já fica o convite, Senador Izalci Lucas, Senadora Renilde, Senadora Juíza Selma: 8h30 da manhã, às quartas-feiras, lá no nosso gabinete, que fica pertinho do gabinete da Juíza Selma, quase colado. A gente se reúne no gabinete 21, faz 20 minutos de evangelho, troca uma ideia, estuda um pouco... Em 20 minutos a gente termina, e tem sido muito inspirador para toda a equipe que participa, que quer participar, porque lá nós temos, na equipe católicos, evangélicos, ateus... Isso aí é algo que a gente deixa aberto. Alguns vão, alguns não vão, mas eu sempre fiz isso no lar. Pelo menos nos últimos 15 anos, eu faço com a minha família o culto no lar, o evangelho no lar. Segundo Chico Xavier, Izalci, quando você reúne uma vez por semana, durante 20 minutos, a família... Agora, tem que ser num horário marcado, porque aí a espiritualidade, os espíritos estão presentes, fazendo aquela vibração, aquele acompanhamento... E você faz o evangelho, lê um trecho e discute com a família, com os filhos, com a esposa. A proteção na casa, a blindagem no lar, na casa, transcende o bairro, ajuda os vizinhos e tudo - a vibração positiva, sabe? Então, eu recomendo o evangelho no lar. O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PSDB - DF) - Tem que fazer mais vezes aqui no Congresso, viu? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - É verdade. E quem não é espírita faz com a Bíblia, não é? Acho que o importante é esse culto da mensagem cristã em casa. Senadora Juíza Selma, por favor. A SRA. JUÍZA SELMA (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PSL - MT) - Eu só gostaria de fazer um questionamento. Eu gostei muito do que ouvi a respeito do Seu Jorge. Nós já conversamos até sobre isso, eu acho que é uma conversa que tem sido cada vez mais frequente entre as pessoas, de ser quase visível, perceptível, uma guerra que nós estamos vivendo nestes últimos dias. Para mim, é quase visível uma guerra de bem e mal, que parece que transcende. Às vezes, a gente se sente peça de um jogo que está prestes a ser... Sei lá: está nos seu últimos minutos ali, nós estamos nos 45 quase do segundo tempo. A impressão que a gente tem é essa. E conversamos muito sobre isso. E parece que eu estou vendo. Há ambientes a que você vai que parece que você vê a guerra acontecendo, como se ela fosse física. Então, eu gostaria de saber o que que o espiritismo tem a dizer sobre isso, se isso realmente está acontecendo, o que que nós podemos esperar deste momento que o mundo, o Brasil, está vivendo? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - O Jefferson vai iniciar a fala dele e vai incluir essa resposta, porque eu também tenho muita... Eu sinto exatamente isso. |
| R | Mas, Juíza Selma, eu disse aqui no começo é o seguinte... E ontem foi um dia. Ontem foi um daqueles dias, com o País chacoalhando, com essa história de vazamento, com tudo... E a gente sabe que a Operação Lava Jato transcende e é um presente para o País, um presente de Deus para o País. Eu chego a colocar isso pela limpeza que está fazendo, pela verdade, pela ética... Quanto a essa guerra espiritual que a gente está vivendo, eu tenho muita fé de que vai dar tudo certo, porque Jesus é que está no comando. Então, nós estamos fazendo nosso papel, com as nossas imperfeições, com as nossas limitações, mas Ele tem um plano para este Brasil, que, como falou Godinho, é uma nação especial, escolhida por Jesus para ser o coração do mundo, a Pátria do Evangelho. Então, Ele tem um plano, e eu confio nesse plano. Somos humanos e, às vezes, ficamos abatidos em certas situações, mas, rapidamente, dizemos: "Não, a verdade sempre triunfa". E vamos ter muita fé de que vai dar certo. Vou passar a palavra para o Jefferson Rodrigues Bellomo, que é da Comunhão Espírita de Brasília, uma casa que eu tive a oportunidade de conhecer, em que assisti a umas palestras e que é muito acolhedora. Por favor, Jefferson. O SR. JEFFERSON RODRIGUES BELLOMO (Para exposição de convidado.) - Bom dia, Senador. Bom dia aos demais Parlamentares presentes, aos colegas da Mesa, aos confrades e confreiras espíritas - eu ainda não me adaptei a essa palavra no feminino -, aos presentes aqui nesta sala e àqueles que estão nos assistindo pela TV Senado. Vamos falar um pouquinho a respeito da proposta de instituição do Dia Nacional do Espiritismo. A pergunta é: por que implementar um dia com essa temática, com esse objetivo? E eu separei em três focos, em três vertentes. A primeira vertente é porque o espiritismo faz parte da cultura brasileira. O espiritismo, quando ele surge, aqui no Brasil, ele surge... A gente pode dizer que ele desembarca em terras brasileiras por volta de 1860. Nós temos um livro em francês, mas que é publicado em terras brasileiras, do Casimir Lieutaud, que era um professor de francês radicado no Rio de Janeiro, Os tempos são chegados, que é o primeiro livro escrito, apesar de ser em francês, em terras brasileiras. Depois houve uma tradução de um livro de Allan Kardec, que se chama O Espiritismo na sua expressão mais simples, também por um outro professor francês, Alexandre Canu. Desde 1860, fala-se que o espiritismo no Brasil é um modismo, e é uma maravilha ver um modismo de mais de cem anos, de mais de 150 anos de idade. Então, ele está imbricado na nossa cultura. Ele deu certo de uma forma, no nosso País, que não deu certo em nenhum outro lugar. Não é só por mérito do espiritismo, mas porque essa semente caiu em um solo que permitiu a fertilidade dessa semente. |
| R | O Brasil é naturalmente acolhedor dessa proposta de contato, de conversa, de intercâmbio não só com a proposta cristã do evangelho, mas também com a questão da mediunidade. Quando o espiritismo chegou no Brasil, ele não trouxe a mediunidade. A mediunidade já fazia parte dos cultos indígenas, ela já fazia parte dos cultos africanos... A relação católica do Brasil colonial e, depois, do Brasil imperial com os santos, que nada mais são do que almas de pessoas que já faleceram, também é uma relação íntima, a ponto de as pessoas no Brasil colonial brigarem com os santos, amarrarem os santos quando a promessa não era satisfeita. Coitado do Santo Antônio então. Esse parece que continua sendo martirizado até hoje. Está chegando aí o Dia dos Namorados, quarta-feira... Então, até hoje, essa relação com os espíritos não é traduzida como espiritismo, mas é uma relação fecunda, que permitiu ao espiritismo, essa "moda de 160 anos", permanecesse no Brasil. E particularmente para os Parlamentares, com relação às leis, fala-se: "O Brasil é um país laico". Mas a lei não está desgarrada de um povo. Uma lei é constituída da cultura, é a expressão da cultura de um povo. Então, apesar de ser um país laico, os valores religiosos de um povo formam a sua cultura. Tentar cindir o valor religioso da cultura de um povo é uma aberração social. Então, quando nós falamos do Dia do Espiritismo, nós estamos lembrando que também o espiritismo contribui para a cultura deste País. E é só nós analisarmos a florescente, e não é de hoje, literatura espírita, dos mais variados vieses, que chega às livrarias, tem uma aceitação, tem uma venda, e por isso esses livros são reimpressos, são reeditados. Porque as pessoas entendem, aceitam essa proposta que está nesses livros. A televisão brasileira, quando faz uma novela de uma temática que fala da transcendência do ser humano, das relações do ser humano após a morte, como essas novelas têm uma grande audiência! Os filmes, e eu tenho alguns dados aqui... Por exemplo, o filme Bezerra de Menezes, que a gente pode dizer que foi o pioneiro dessa nova leva, foi um filme sem grandes pretensões. E, sem grandes pretensões, atingiu um público de mais de 500 mil espectadores no cinema. O filme Nosso Lar teve quatro milhões de espectadores. O filme sobre a vida do Chico, 3,4 milhões espectadores. Kardec, que foi lançado nos cinemas em meados de maio, já está com mais de 600 mil, 650 mil espectadores. Então, existe uma farta ansiedade do público por esse tipo de temática. Então, essa temática faz parte da cultura do nosso povo. O Presidente da FEB, o Sr. Jorge Godinho, falou muito bem: "Espíritas, segundo o Pew Research Center, uma instituição que faz pesquisas gerais sobre várias tendências...". Ele diz que, no mundo, são 13 milhões de espiritas. Mas, no Brasil, algo em torno de 3,8 milhões pessoas. E, aí, o Presidente Godinho lembra: "Peraí: mas gente que vai aos centro, assiste a palestras, toma passe, abre O Evangelho Segundo o Espiritismo... Chega-se até a 40 milhões de pessoas". E essas pessoas estão em todas as casas, estão em todas as profissões, estão em todos os lugares. |
| R | Então, por que o Dia Nacional do Espiritismo? Para lembrar que o espiritismo também participa da cultura nacional e também influencia, uma vez que nós temos Parlamentares que são espíritas. De outra forma, a segunda vertente que eu separei: o espiritismo dá uma atividade para a assistência social e para o bem-estar do povo brasileiro. Aqui mesmo, eu separei alguns relatos, como o do próprio Senador que preside, o Senador Eduardo Girão, no seu testemunho, o Senador Jayme Campos, a Juíza Selma, que falam de como... O Senador Izalci... Todos falaram de como o espiritismo contribuiu, de alguma forma, para suas vidas. E são milhões de pessoas que são beneficiadas, direta ou indiretamente, com a proposta espírita: "Fora da caridade, não há salvação". Mas não se trata de salvação só da alma; trata-se da salvação social. Se nós não formos caridosos uns com os outros, fica difícil convivermos. Então a proposta espírita, de "Fora da caridade, não há salvação", é a proposta que incentiva a fundação de creches, de orfanatos, de asilos, de hospitais, de manicômios, de assistência para indigentes, tirando a sobrecarga do Estado e do contribuinte brasileiro. Também, e aí o último ponto que eu separo, por que o Dia Nacional do Espiritismo? Porque, infelizmente, vivemos no Brasil também casos terríveis de intolerância religiosa. Quando destacamos um ponto tão relevante, como dizer "vamos pensar nesse dia o que representa o espiritismo e o espírita para esta Nação", nós também estamos dizendo: "Vamos parar com a intolerância religiosa". E essa intolerância acompanha o espiritismo, desde o seu nascedouro na França. Também desembarca no Brasil, principalmente da parte religiosa. (Soa a campainha.) O SR. JEFFERSON RODRIGUES BELLOMO - "Ah, o espiritismo é uma heresia. O espiritismo é algo que está vinculado com a possessão demoníaca". Da parte da Medicina, "o espiritismo é uma fábrica de loucos". Quanto preconceito! E esse preconceito, com o Dia Nacional do Espiritismo, nós podemos discuti-lo e torná-lo visível. Em 2016, aqui no Distrito Federal, na cidade de Sobradinho II, o centro espírita Auta de Souza foi vítima de um ataque que eu posso dizer terrorista: incendiaram esse centro espírita. Porque as pessoas que fizeram esse ato, condenadas já em primeira instância, acreditavam que estavam lutando contra o demônio. Por que o Dia Nacional do Espiritismo? Porque o espiritismo, muito pelo contrário, se aferra à mensagem de Jesus. E essa mensagem, que tem um conteúdo apocalíptico, escatológico, no Evangelho de Mateus, diz: "No dia em que retornar o Filho do Homem, Ele separará as pessoas como um pastor separa os bodes e dirá aos que estão à sua direita: 'Para vocês que Me ajudaram, que Me visitaram, que Me deram de comer, que Me vestiram, vocês vêm para o regaço do Meu Pai; e, para os que estão à esquerda, todos aqueles que repudiaram a prática da caridade". |
| R | Então, a régua que mede o valor de uma pessoa, segundo o que está no Evangelho, não segundo o que está nos cânones espíritas, mas nas palavras de Jesus, é o bem que você faz ao seu próximo. Então, como dizer que esse bem, estimulado pelos espíritas, não é cristão? Demônio estranho esse. Demônio estranho esse que fala contra o aborto, que fala contra o suicídio, que fala contra os homicídios, contra a liberação das drogas, contra esse sistema beligerante que nós estamos vendo - quase tribal -, nas redes sociais, dos mais diversos aspectos: desde a discussão vegana e carnívora, passando por corintianos, são-paulinos, flamenguistas, vascaínos, chegando às ideologias de direita, às ideologias de esquerda... Não é este o Brasil que, com certeza, a maioria do povo brasileiro acredita. Fora da caridade, para o nosso País, não há jeito. O Presidente da FEB, Presidente Jorge Godinho, citou muito bem o livro Brasil, coração do mundo, Pátria do Evangelho, mas ouso dizer que o Brasil só será a Pátria do Evangelho, se os brasileiros - não os anjos, não Deus ou os deuses, para aqueles que são politeístas, não as energias superiores, mas os brasileiros - pegarem o que está no Evangelho e colocarem em prática. Aí, sim. Então, o Dia do Espiritismo permite essa reflexão, permite nós trabalharmos contra isso. Eu tive a oportunidade de ser convidado pela Casa Legislativa, irmã desta, numa reunião de espíritas que se dá na hora do almoço. E a pessoa que organiza essas reuniões - para se falar de assuntos morais, assuntos que trazem uma elevação - disse que todos os cartazes que foram colocados na Casa, convidando para a palestra, foram arrancados, porque se tratava de um convite para uma reunião espírita. Pessoas perdem o emprego, lares são desfeitos, gente é hostilizada por conta desse tipo de comportamento. O Dia do Espiritismo vai permitir que nós possamos repensar isso. Existe uma guerra? Foi uma pena a Juíza Selma ter saído, porque o encerramento era exatamente para responder à pergunta dela. Existe uma guerra espiritual? Sim, existe, mas entre espíritos que querem a paz e espíritos belicosos. Não são pessoas, necessariamente, que já morreram; são pessoas que aqui estão: pessoas que estão na fila dos bancos, pessoas que estão nos shoppings, pessoas que estão nas redes sociais, pessoas que estão no trânsito. Quando nós instituirmos o Dia Nacional do Espiritismo, nós teremos um dia para ouvir a proposta espírita para pacificar essas pessoas. |
| R | Toda proposta que venha a pacificar as pessoas eu acho que tem que ser ouvida com muito carinho, porque as pessoas que querem guerra gritam, e gritam muito alto. Nós temos que dar oportunidade para aqueles que, em silêncio, trabalham pelo bem-estar da sociedade. Agradeço a oportunidade, Senador. É uma honra. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muitíssimo obrigado, Jefferson Rodrigues Bellomo. Parabéns aí também pela sua exposição, muito serena, muito tranquila. Da mesma forma, parabéns ao Jorge Godinho, Presidente da FEB, e à Daniela, da Comunhão Espírita de Brasília. E nós vamos agora fazer a segunda Mesa. Vão vir mais duas pessoas aqui fazerem a exposição, foi-me dado um tempo... O Thiago, muito prestativo, muito atencioso, me deu um tempinho, me deu um tempinho a mais aqui, não é isso? Parece que o Presidente só vai chegar às 11h20... Então, a gente termina 11h15, no máximo, para iniciar. Então, nós vamos agradecer a presença de vocês. Fiquem à vontade aqui, se possível, para a gente concluir juntos. O Carlos Campetti não pôde vir, porque está com dengue. Só para avisar, porque é um outro palestrante que a gente convidou. Eu vou chamar aqui, neste momento, Nazareno Feitosa, que também é da Comunhão Espírita de Brasília, e vou chamar o Paulo Maia da Costa, que é Presidente da Federação Espírita do Distrito Federal. Por favor, Nazareno, fica aqui, do meu lado direito, Paulo Maia, aqui, do lado esquerdo, e nós vamos já iniciar esse segundo momento. Eu queria agradecer ao Ronaldo Peixoto, que é lá do Estado do Maranhão, que mandou a mensagem aqui para nós, está acompanhando o programa, acompanhando aqui esta audiência pública; à Bruna, do Rio Grande do Sul; à Islane Santos, do Pará; ao Thony Ricardo, de Minas Gerais; ao Samuel Trindade, do Espírito Santo; à Manuela Cotulio, de São Paulo; ao Luiz Fernando, de Pernambuco; ao Leandro Dias, do Espírito Santo; ao Neri Filho, de Santa Catarina; e ao Vagner Modesto, do Distrito Federal. Eu vou passar a palavra, neste momento aqui, para o Paulo Maia. Paulo Maia, você vai dar sequência. Ele, que é Presidente da Fedef, a instituição que eu frequento aqui em Brasília, com a minha família, tem o Evangelho no Lar... Parabéns pelo trabalho que vocês desenvolvem lá, com muito amor, com muito carinho, e eu me sinto muito bem em, todo sábado, às 3h da tarde, estar indo com a família, para conhecer um pouco, estudar, as crianças aprendem um pouco sobre a vida de Jesus, um ambiente fantástico. Ali no Sudoeste, não é isso? No Sudoeste. Por favor, Paulo. Você tem dez minutos e mais cinco de tolerância. O SR. PAULO MAIA DA COSTA (Para exposição de convidado.) - Bom, parabéns, Girão, amigo, companheiro, batalhador aí das causas do bem e hoje, aqui, trabalhando na Casa. Então, a gente torce muito e admira muito o seu trabalho e o espaço que tem criado aqui, para que a gente possa debater sobre a doutrina espírita. |
| R | Saúdo o Nazareno, os amigos presentes, confrades, e aqueles que, a distância, podem estar acompanhando. No Dia Nacional do Espiritismo a gente realmente não quer mais um feriado, não; a gente não quer descansar porque, como diz Jesus, "Meu Pai trabalha, e Eu trabalho também". Mas é interessante a gente ter um espaço aberto de mídias voluntárias, para que as pessoas possam entender um pouco sobre o espiritismo. Ainda existe uma certa confusão. Muitos chamam de kardecismo, por causa de Allan Kardec; mas, na verdade, não existe espiritismo kardecista, nem existe espiritismo de mesa, nem existem essas alegorias que muitas pessoas atribuem aos espíritas. Então, acho que é o momento, é uma oportunidade importante, para que a gente possa esclarecer para a sociedade, especialmente para aqueles que não conhecem, que jamais irão a um centro espírita, o que que é o espiritismo, porque muitos vivem de informações, às vezes, adulteradas. E eu gostaria de trazer que doutrina espírita ou espiritismo foi um nome que Allan Kardec criou para definir a doutrina que ele coletou junto aos espíritos. E, aí, o filme Kardec - que está agora em cartaz ainda - mostra muito bem como foi esse processo. Saudamos aqui nosso irmão Rabelo, da FEB. Então, gente, espírita ou doutrina espírita... O espiritismo é um termo novo. Assim como há vários termos que definem ou que falam do que é espiritual, então, em vez de usar as palavras "espiritual" ou "espiritualismo", Allan Kardec deixa claro aqui, no Livro dos Espíritos, quando ele traz para a humanidade essa nova doutrina, que empregamos, para indicar a crença que vimos nos referir numa obra, os termos espírita e espiritismo. E, aí, muita gente atrela isso a outras religiões de origem africana, que, sem demérito nenhum, também trabalham a comunicação com os espíritos, e a outros ritos que não são comuns na casa espírita e não fazem parte da prática espírita. Então, nessa introdução, Kardec deixa claro: "Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os espíritos ou seres do mundo invisível", que, como o Godinho comentou, começou com as pancadas, com os barulhos... Como o Jefferson comentou, aqui, que já nos ritos indígenas, nos comportamentos da humanidade, na própria Bíblia e em diversos livros, mostra-se a comunicabilidade com o mundo espiritual, mas de uma forma talvez não tão estudada ou tão dedicada como Kardec o fez, que está muito clara no livro O Livro dos Espíritos e no filme do Kardec. Então, os adeptos do espiritismo serão os espíritas ou espiritistas, que é como denominamos. Ocorre que, no Brasil, houve uma época em que houve muita perseguição aos centros espiritualistas, de modo geral. E havia cadeias, pessoas que eram presas porque falavam das práticas espiritualistas. Eu frequentei, quando criança, casas que foram derrubadas pela sociedade ou pela polícia, porque ali se estava praticando espiritismo e se dizia que era uma coisa ilegal, imoral, do demônio ou coisa assim. Então, a gente acredita que, ter um dia para falar do espiritismo, exatamente no dia 18 de abril - lembrando 18 de abril de 1857 - pouco mais de 160 anos... Então, é algo novo. É um nome novo, é um termo novo. Assim como mecatrônica e neurociência, foi algo criado, que não pode ser confundido e tem que ser bem aplicado. E o que a gente vê, às vezes por ignorância, às vezes por má vontade até, são algumas definições e colocações que, de certa forma, se distanciam daquilo que é prática espírita. |
| R | Então, os princípios básicos do espiritismo - e aí é importante que se torne claro para todos - são, primeiro, a existência de Deus como justiça, amor e bondade, criador de tudo. Então, nós não temos um Deus diferente, separado; é o Deus pai de todos nós, causa primária de todas as coisas; a imortalidade da alma, ou seja, a vida não perece com a morte do corpo. A vida prossegue, a vida permanece. E nós vimos aqui depoimentos emocionados. A todo instante, nós temos contato com pessoas que procuram nossas casas, querendo saber para onde vai a alma, o que acontece com o filho querido, com o irmão, com alguém da nossa relação afetiva após a morte. Não pode Deus, que é muito mais puro e bom que um pai humano, permitir que um filho, que alguém que se perdeu vá viver no inferno, vá sofrer no plano espiritual eternamente. E aí a doutrina traz que a felicidade da vida após a morte física será tão maior quanto as suas boas escolhas nesta vida e será tão infeliz quanto as más escolhas que nós fizemos, mas que ninguém está condenado ao fogo eterno, porque, além da imortalidade da alma, temos também a pluralidade das existências, ou seja, não vivemos e nascemos só uma vida; senão, seria acreditar que Deus brinca conosco, com o azar, porque uns nascem com mais saúde, outros com menos, uns países em guerra, outros países em paz... E aí por que Deus escolheu uns nessa condição e outros não? É um Deus parcial? É um Deus que dá privilégio? A doutrina, então, esclarece isso, que a pluralidade de existências é uma forma de Deus mostrar para nós a oportunidade de resgate, de melhoria, de continuidade, de evolução, evolução contínua. Outro princípio é a pluralidade dos mundos habitados. Seria muita ingenuidade nossa acreditar que, neste Universo infinito, somente nosso globo terrestre é habitado, que Deus teria criado exclusivamente este ambiente para que a vida continuasse. Então, temos ambientes espirituais... E aí as narrativas dos espíritos mostram diferentes planos no mundo espiritual conosco. Convivemos com ele aqui, ladeados e nos influenciando a todo instante, assim como também existem outras formas de vida e outros planetas que, com certeza, no futuro a ciência vai provar. A comunicabilidade com os espíritos. A gente viu aqui também alguns depoimentos de pessoas que receberam mensagens ou foram tocadas ou foram vistas, pessoas que já tinham partido desta vida, mas que, na verdade, não se concluiu, a vida continuou. E a comunicabilidade com os espíritos vem durante toda a história da humanidade. É uma lei natural daqueles que já estão no plano invisível vir, porque o amor não termina com o final de uma existência. As relações continuam, e continuam perenes, mais estreitadas, mais fortalecidas pelas novas oportunidades de convívio que nós temos com aqueles seres que amamos. Lembramos que a lei do amor é para todos. Se uma vida não é suficiente para aprender a amar, teremos outras oportunidades. Como diz Jesus, temos que nos reconciliar com nossos adversários enquanto estamos a caminho. Mas, se nós não aproveitarmos, teremos outra oportunidade, porque Jesus também nos disse que de toda ovelha que meu Pai confiou nenhuma será perdida. |
| R | E aí voltamos a Jesus também, que muita gente fala: "Ah! Os espíritas têm um Evangelho diferente, têm um próprio Evangelho, não é o Evangelho da Bíblia, não é o Evangelho de Jesus". Não. Está lá uma das menores respostas: quando questionados os espíritos se Deus deu ao homem algum modelo e guia para a humanidade, a resposta é Jesus. Jesus, então, é nosso modelo e guia. E a missão grande dos tarefeiros do espiritismo é vivenciar ou reviver a doutrina espírita como era na origem, quando Jesus a trouxe, sem liturgias, sem cargos, sem rituais, na simplicidade da relação, na vivência e não na fala da mensagem libertadora do amor. (Soa a campainha.) O SR. PAULO MAIA DA COSTA - Por isso que ela é, sobretudo, consoladora e, se alguma coisa nós encontrarmos numa casa espiritual ou na prática de um espírita que não seja consoladora e esclarecedora é porque nós estamos errando, porque é, eminentemente, como Jesus prometeu, consoladora e libertadora. Nessa prática, também não se cobra nada na casa espírita. O Godinho aqui não recebe salário para ser Presidente da FEB; muito pelo contrário, as despesas que nós temos com as atividades nós mesmos assumimos. Ninguém paga algo, algum remédio, alguma coisa para buscar a cura ou alguma atividade na casa espírita. Todos os trabalhadores espíritas não devem e não recebem nada a não ser a alegria de servir com Jesus, é esse o nosso salário, é essa a nossa paga, e é com essa alegria que todos nós nos entregamos à prática e à vivência desses princípios que são os princípios básicos da doutrina espírita com Jesus. Como Jesus nos diz: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.". O que a gente percebe hoje, em relação a essa mensagem que colocamos de o que é o Espiritismo, da sua origem, de o que ele professa, é uma ignorância muito grande. O Jefferson comentou da casa que a gente teve em Sobradinho que a pessoa achava... A gente esteve lá pessoalmente, demos socorro e apoio à casa que tinha um trabalho social, um ambiente, uma oficina de costura, um trabalho que se fazia, e a gente viu tudo destruído pelo fogo. A própria pessoa que ateou fogo ficou presa e quase também foi a óbito por conta do incêndio. Mas o fundamento, a origem foi realmente tentar expulsar dali aqueles praticantes do culto ao demônio; foi essa a índole. Ele acreditava que estava certo. Assim como Saulo perseguiu os cristãos achando que estava fazendo o bem, essa pessoa também perseguiu ali aquela casa espírita e ficou anos num debate por conta de achar que estava fazendo o bem. Então, ele não sabia da verdade. Assim como Saulo, quando descobriu, se tornou Paulo, talvez essa pessoa, se tivesse tido a oportunidade de conhecer e saber esses princípios básicos da prática do espiritismo, com certeza, não iria. Nós realizamos muitos eventos. Nós fazemos congressos, atividades fora do local espírita e é muito comum - e, às vezes, até por lei temos que contratar empresa de segurança, médico, brigadista, limpeza e são empresas já cadastradas ou credenciadas nos centros - em todo evento encontrarmos pessoas que são obrigadas a estar ali limpando, acabam ouvindo as palestras e, depois, vêm dar o testemunho: "Nossa, isso é espiritismo? Está errado o que o meu pastor, ou o que o meu orientador, ou o que o meu mentor fala lá em casa; ele fala outra coisa.". |
| R | Há pouco tempo, o Divaldo estava em Taguatinga fazendo uma palestra sobre você e a paz. Havia muita gente lá no parque de Taguatinga. Algumas pessoas se aproximaram. E uma senhora, um casal pipoqueiro perguntou, porque estava fraco o movimento onde eles estavam, se podia vender pipoca ali. Eu falei: "Pode, mas depois da palestra.". Ela: "A gente pode assistir?". Eu falei: "Pode.". A gente botou tendas de fora do auditório. Ela sentou lá e ficou assistindo à transmissão. Quando terminou, anunciou-se que, no dia seguinte, estaríamos no ginásio do Gama, fazendo também outra palestra. E ela perguntou para mim se podia ir também no outro dia, porque ela não queria mais vender pipoca. Ela queria assistir de novo àquele homem que falou tão amorosamente, tão brilhantemente de Jesus como ela nunca tinha ouvido. Falou: "Quem é esse pastor?". Eu falei: "Olha, é, realmente, um pastor evangélico, fala do Evangelho de Jesus." E a gente, então, a chamou. E ela falou que o que ela ouvia... Quando a gente disse que era espiritismo, ela se chocou. Falou: "Nossa, mas eu não posso estar aqui". Eu falei: "Mas você viu algo de errado?." E ela: "Não, mas é bem diferente daquilo que eu aprendi na minha instituição.". Então, aqui é um caso. Outro caso: todas as federativas espíritas foram obrigadas a se pronunciar sobre como o grande médium, ícone de espiritismo, João de Deus, afetou a doutrina espírita. A todo instante, nós somos questionados quanto a isso, seja em programas, por jornalistas... Ele não era espírita. Tudo o que acontecia ou se praticava naquela casa, sem entrar no mérito da pessoa, não são práticas que se fazem numa prática espírita; não se coadunam com os princípios da doutrina espírita. E, a todo instante, nós somos associados ou relacionados a isso. Então, eu entendo que, se nós oportunizarmos um dia nacional do espiritismo para que essas informações ganhem mais jornalistas e mais espaços de divulgação, as pessoas vão entender. E, assim como vários aqui deram depoimentos, como a gente encontra, constantemente, esses depoimentos, outros poderão entender, realmente - e talvez melhor -, o que é espiritismo. Recentemente, eu fui chamado à atenção porque houve uma manchete de que um garoto estava sendo torturado num centro espírita. Aí eu fui saber o que era, fui procurar o jornal. Não tinha nada a ver, mas a notícia que saiu no jornal - vocês vão ver ali - era que a criança estava sendo torturada num centro espírita. Desconhecimento, ignorância, desinformação daqueles, mas saiu num dos portais mais importantes de notícia do nosso País. Voltando: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Então, não queremos um dia de ufanismo nem de "conversionismo", porque a doutrina espírita não quer, não tem interesse em converter ninguém. As pessoas podem ser católicas e conhecer o espiritismo, podem ser evangélicas, como acontece. Nós temos muito mais simpatizantes do que adeptos, porque a doutrina é libertadora. Ela se propõe a mostrar aqueles princípios e a relação daquilo com a humanidade. Então, a gente defende a data neste sentido: dar mais espaço para que a luz brilhe. Muito obrigado a todos. Obrigado, Girão. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muitíssimo obrigado, Paulo Maia da Costa, Presidente da Federação Espírita do DF, explanação belíssima. Muito obrigado pela sua participação. Agora, imediatamente, nós vamos ouvir o Nazareno Feitosa, que é da Comunhão Espírita de Brasília. E, se vocês me permitem, Paulo, Nazareno, para encerrar este evento - ele tem uma fala e vai encerrar com uma prece -, eu peço que seja o meu querido irmão João Pinto Rabelo, Diretor da Federação Espírita Brasileira, uma pessoa que eu admiro há muito tempo, que é um trabalhador do bem, da paz, e que ajuda muito também a instituição Mansão do Caminho, de Divaldo Pereira Franco, esse grande humanista, pacifista brasileiro. Daqui a pouco, ele vai dar uma palavrinha para a gente. Nazareno Feitosa, da Comunhão Espírita de Brasília, por favor, fique à vontade. |
| R | O SR. NAZARENO FEITOSA (Para exposição de convidado.) - Meus amigos, muito bom dia a todos. Quero agradecer a oportunidade de poder estar aqui e passar alguns eslaides - o tempo é curtinho. Nossos colegas e companheiros que nos antecederam já deram informações muito importantes, muito interessantes. Quero também registrar, Senador Girão, a presença e o prestígio dos que estiveram aqui: o Senador Flávio Arns, do Paraná, terra da minha esposa, a família dela é do Paraná; o o Senador Luis Carlos Heinze, do Rio Grande do Sul; o Capitão Styvenson, do Rio Grande do Norte; o Senador Jayme Campos, do Mato Grosso, onde reside a família da minha esposa; o Senador Izalci Lucas, daqui do Distrito Federal; a Senadora Renilde Bulhões; e a Senadora Juíza Selma, do Mato Grosso também. Agradeço a esses Parlamentares que estiveram aqui conosco. Agradeço as falas do nosso querido Jorge Godinho, Presidente da Federação Espírita Brasileira; do nosso querido Jefferson Bellomo; Daniela Migliari; do nosso ex-chefe Paulo Maia - eu já fui da Federação Espírita do DF, com muita alegria. Vamos, então, falar um pouquinho sobre esta audiência pública. Aqui foi o convite, que foi divulgado... Agradeço a todos os internautas que estão acompanhando, assistindo, comentando, postando comentários e dúvidas sobre a discussão de ser necessário, importante criar um Dia Nacional do Espiritismo. Já vimos aqui que temos fatos e argumentos para defender que sim. Mas o que seria o espiritismo? O próprio codificador Allan Kardec, que é quem organiza toda a informação do espiritismo, no livro: O que é o Espiritismo?, obra muito importante... Para quem quer conhecer esta obra, ela existe em versões eletrônicas e também em versões impressas. Essa aqui é a tradução do Evandro Noleto Bezerra, da Federação Espírita Brasileira. Ele diz assim: "O espiritismo é uma ciência que trata da origem e do destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corpóreo.". Ela é uma filosofia espiritualista que vem nos trazer consequências ético-morais e vem, na verdade, não combater as religiões, mas fortalecê-las. Então, a proposta espírita é uma proposta eminentemente ecumênica de grande tolerância, de grande de respeito, de prestígio pelas religiões, bem como o respeito a todos aqueles também que não têm qualquer crença, que não acreditam em Deus, como eu fui. Eu fui ateu durante 12 anos, querido Eduardo. Mas houve um poeta carioca que ficou cego de um dos olhos aos 14 anos de vida aqui na terra; com 16, ele perdeu completamente a visão, mas, mais tarde, pelas mãos abençoadas de Francisco Cândido Xavier, ele vem nos falar, trazer uma definição belíssima de espiritismo, que é Casimiro Cunha, do livro Parnaso de Além-Túmulo, primeira obra publicada de Chico Xavier, da Editora da Federação Espírita Brasileira. E ele vai dizer assim - lembrem que era um cego que agora voltava a enxergar no mundo espiritual, e que vem falar o que é o espiritismo: |
| R | Espiritismo é uma luz Gloriosa, divina e forte, Que clareia toda a vida E ilumina além da morte. É uma fonte generosa De compreensão compassiva Derramando em toda parte O conforto d'Água Viva. É o templo da Caridade Em que a Virtude oficia É onde a benção da Bondade É flor de eterna alegria [Aí, às vezes, quando a gente enxerga, a gente não valoriza as flores, e ele vai colocando no poema todas as belezas da criação]. É a árvore verde e farta Nos caminhos da esperança Toda aberta em flor e fruto De verdade e de bonança. É a claridade bendita Do bem que aniquila o mal, O chamamento sublime Da Vida Espiritual. Se buscas o Espiritismo, Norteia-te em sua luz: Espiritismo é uma escola, E o Mestre Amado é Jesus. Então, Casimiro Cunha vem trazer a definição de que eu mais gosto de espiritismo. E lembrando, então, que na Revista Espírita, publicada por Allan Kardec, os espíritos superiores vão dizer que Jesus é o Cristo, é o Messias, é a mais elevada hierarquia entre os espíritos puros. Ele já era um espírito puro desde a formação do planeta Terra, como nos ensina o espírito Emmanuel através da obra A Caminho da Luz, psicografia de Chico Xavier. Para conhecer um pouco de espiritismo, meus amigos, precisaríamos ler, pelo menos, essas duas obras. Há muitas obras importantes, são cinco obras básicas, mas as duas principais são: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. Vocês podem inclusive fazer download pelo site da Federação Espírita Brasileira, gratuitamente na versão em PDF, e também podem adquirir e consultar os livros eletrônicos dessas duas obras, ambas organizadas e publicadas pelo Sr. Allan Kardec. Na Paraíba, nós tivemos a mesma iniciativa, Eduardo Girão, nosso querido Senador. Não sei se ele já teve notícia, mas a Paraíba já se antecedeu, e a Deputada Iraê Lucena propôs a criação de 18 de abril como o Dia Estadual do Espírita; foi sancionada pelo então Governador Cássio Cunha Lima e virou a Lei Estadual nº 8.251, de 2007. Então, temos esse precedente. Às vezes, alguns Estados saem à frente, como aconteceu na libertação dos escravos: o Estado do Ceará, Estado de minha origem e do nosso querido Senador Eduardo Girão, também se antecedeu na libertação dos escravos. E, quando eu os consultei... "Senador, mas a proposta é criar mais um feriado?". Ele disse: "Não, não é para criar mais um feriado.". Aí eu disse: "Então, nós concordamos.". Então, não visa criar mais um feriado - já temos feriados suficientes, talvez até um pouquinho demais, no nosso Brasil, não é? -, mas é simplesmente para registrar a gratidão do povo brasileiro. O povo brasileiro é extremamente grato a todo bem proporcionado pela doutrina espírita. Então, nós sabemos da grande contribuição do espiritismo em nosso País - e não só aqui, mas em todo lugar. O respeito e a tolerância religiosa que ele promove são um verdadeiro ecumenismo, como eu disse. Não veio combater as religiões, mas fortalecê-las, comprovando, através de estudos científicos, lógicos e racionais, os fenômenos espirituais de maneira muito clara, organizado então pelo Sr. Allan Kardec, e promover a paz neste momento de tanta violência em nosso País, de tantos problemas, e devolver a fé aos que perderam, devolvendo a esperança. |
| R | Eu fui ateu durante 12 anos, e quantas vezes, caro Godinho, eu pensei em cometer suicídio. E só não tirei a minha vida porque, um dia, caiu em minhas mãos a obra publicada por Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, que respondeu todas às minhas perguntas que eu não compreendia antes. Eu devo a minha vida à doutrina espírita. Desde a publicação de O Livro dos Espíritos, na França, vários testemunhos Kardec recebeu de pessoas que iam se atirar da Ponte Marie e que, quando encontravam o livro que estava lá deixado por alguém, salvavam sua vida. Então, quantas pessoas deixaram de cometer o suicídio, essa grande epidemia nacional e internacional? Então, promover a vida; evitar o suicídio; consolar os que perderam entes queridos - e quantos trabalhos sociais são realizados pelos trabalhadores espíritas, todos voluntários, como foi muito bem dito aqui pelo nosso querido Paulo Maia?; abrigos de crianças; orfanatos; creches; lar de idosos - como registrou muito bem aqui o Senador Izalci, o nosso querido Jorge Cauhy, aqui em Brasília, uma instituição conhecida e respeitada, o Lar dos Velhinhos Maria de Madalena; as escolas; cursos de capacitação, de alfabetização de adultos etc, para capacitar as pessoas que estão desempregadas; atendimento às pessoas em condição de rua; evangelização de crianças, de jovens - é muito importante para todos nós a educação. Kardec sempre foi um grande pedagogo, e a proposta do espiritismo é de ser realmente uma proposta educativa; instituições de tratamento para dependência química, esse grande outro problema que assola a nossa humanidade; tratamento da depressão e outros transtornos; prevenção ao suicídio; apoio às gestantes carentes; e defesa da vida desde a concepção, unindo-se com todos os nossos irmãos nesse grande movimento organizado pelo Movimento Nacional da Cidadania pela Vida, o Brasil sem Aborto. Então, estamos juntos com os nossos irmãos católicos, evangélicos, budistas, sem religião, patrocinando também a defesa da vida desde a concepção, mostrando a importância de preservarmos a vida, como muito bem o nosso querido Senador falou: não somente a vida da criança, mas a vida das duas, é pela vida das duas vidas, da mãezinha, evitando sofrimento... (Soa a campainha.) O SR. NAZARENO FEITOSA - ... problemas de saúde graves, tantos outras questões psiquiátricas e até o suicídio, como foi registrado também em várias pesquisas. "Ah, Nazareno, não há um filme em que eu possa saber mais? O livro é um pouquinho mais difícil..." Vamos ler os livros, mas também temos filmes, inclusive em cartaz. Vamos aproveitar, porque está ainda em cartaz o filme Kardec: A História por Trás do Nome. É uma biografia, do jornalista Marcel Souto Maior, feito pelo diretor Wagner de Assis, que fez o excelente filme Nosso Lar, também uma obra muito importante para a gente conhecer a doutrina espírita. Então, vamos prestigiar e permitir que essa obra maravilhosa fique mais tempo em cartaz. No dia 12 de setembro de 2019, a Estação da Luz, fundada pelo nosso querido Senador Eduardo Girão, que promoveu vários outros filmes espíritas também, filmes de defesa da vida, filmes espiritualistas, filmes ecumênicos, vai trazer o registro de Divaldo - O Mensageiro da Paz, que estreia no dia 12 de setembro, para a gente conhecer a vida desse grande médium, educador, humanista e pacifista Divaldo Pereira Franco, que tem ajudado tantos corações. Aqui é o ator que o fez jovem, e aqui é o Divaldo abraçado com ele. Divaldo ainda está vivo entre nós, encarnado, com 92 anos de idade. Aqui são os meus contatos. Temos um canal no YouTube com muitas palestras gratuitas sobre diversos temas. Quem tiver alguma dúvida para conhecer um pouquinho mais sobre doutrina espírita, depressão, autoperdão, dependência química, educação dos filhos, enfim, vocês procurem lá no canal Nazareno Feitosa. |
| R | E quero deixar um convite para hoje à tarde, 11 de Junho, quando o Brasil todo estará reunido - a partir das 14h, em frente à Biblioteca Nacional, ali no Eixo Monumental, pertinho da rodoviária aqui de Brasília -, amigos e companheiros de todo o Brasil, juntos, pelas duas vidas, na 12ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida contra o Aborto. Então, convidamos a todos vocês para estarem conosco hoje à tarde. Nosso querido Senador já registrou que vai estar presente também, vários Parlamentares, nós precisamos lutar por aqueles que não podem se defender, os bebezinhos, e também as queridas mães, apoiando todas as mãezinhas e gestantes carentes também. Muito obrigado. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muitíssimo obrigado, Nazareno Feitosa, meu amigo, irmão da Comunhão Espírita de Brasília. Nós nos conhecemos no Ceará ainda, e Godinho foi um grande inspirador para que eu conhecesse o espiritismo. O Nazareno me esclareceu muito naquele momento em que eu estava ainda procurando entender o espiritismo, e sou muito grato a ele. Eu quero registrar a presença do nosso querido Senador, aqui, Luis Carlos Heinze, do Rio Grande do Sul, um grande irmão também que está conosco aqui nessa jornada. Encontramo-nos antes de assumir - não é? -, lá em São Paulo, num evento de que participamos juntos, do MBL. E quero registrar a presença também da Verônica Maia - muito obrigado, Verônica!; da Valéria Couto; e da Telma, do Instituto Vida. Muito obrigado pela presença. Nós vamos encerrar agora com a fala do nosso querido João Pinto Rabelo, que é Diretor da Federação Espírita Brasileira, nesta audiência que visa discutir a importância do Dia Nacional do Espiritismo. Não se trata absolutamente de feriado, longe disso, o objetivo é celebrar a gratidão por esse trabalho de caridade que já faz parte da cultura brasileira, como foi muito bem colocado aqui, dos espíritas do Brasil inteiro que fazem uma corrente do bem, levando conforto, levando esperança, levando assistência social aos brasileiros. Só lembrando que foram 412 livros psicografados - só o Chico Xavier, viu, Nazareno! O SR. NAZARENO FEITOSA - O número atual é 507. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Já passou? O SR. NAZARENO FEITOSA - Já. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Ah, porque há os póstumos... São 507 livros psicografados por vários espíritos, traduzidos para dezenas de línguas. E eu tive a oportunidade, Senador Luis Carlos Heinze, de conhecer em Uberaba, não o Chico - nesta vida, eu não tive essa benção de conhecer o Chico Xavier porque ele já tinha desencarnado quando eu me tornei espírita -, mas eu fui ao museu, onde ele vivia. Na casa dele, foi feito um museu, na Casa da Prece, não é... (Intervenção fora do microfone.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - ... no Centro Espírita da Prece. Fiquei impressionado de ver como um homem que tinha condição de ser um dos mais ricos do Brasil, se usasse o dinheiro dos livros, da obra, milhões e milhões de livros vendidos, morava num quartinho... Daqui para a Secretaria era o quartinho dele, sem banheiro; o banheiro era lá fora. Ele ficava atendendo as pessoas até 3h da manhã, abraçando as mães chorando, que perderam filhos, que estavam passando por problemas, os pais, em total abnegação para o bem, para a cultura da paz. |
| R | Chico Xavier é o grande ícone do espiritismo no Brasil, grande divulgador. Hoje temos o Divaldo Franco, que mora na Bahia e que faz palestras no mundo inteiro. Mas quem originou, quem codificou o espiritismo foi Allan Kardec, na França, e nós estamos aqui celebrando, inclusive, com o filme dele em cartaz nesse momento. Eu queria passar a palavra agora para João Pinto Rabelo, da Federação Espírita Brasileira. Fique à vontade para fazer a sua fala e depois encerrar com uma prece esse momento. Muito obrigado. O SR. JOÃO PINTO RABELO - Muito obrigado, Senador Girão... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - O Senador Heinze gostaria... Perdão, João Pinto Rabelo... (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Antes de encerrar, ele gostaria de falar e vai ouvi-lo. Você tem dez minutos. Fique à vontade. O SR. JOÃO PINTO RABELO (Para exposição de convidado.) - Muito obrigado, Senador Girão, a quem cumprimentamos. A história utiliza-se de homens que quebram paradigmas, e eu não tenho dúvida de que o Senador Girão está quebrando paradigmas no Senado da República, onde estão fazendo coisas que dizem respeito ao Espírito. Nós sabemos que objetivo desta Casa é criar leis que regulam as relações do País nos seus vários ramos de interesse, mas há aqueles que têm a incumbência de vir para criar um paradigma novo, acordar o Legislativo para Jesus de Nazaré, que é o nosso mestre. Podiam perguntar, como alguns fizeram aqui, por que o Dia do Espiritismo? Porque é um instrumento, uma oportunidade que nós temos para divulgar melhor para a sociedade os benefícios que ela representa para ajudar a entender a volta de Jesus. O Cristo prometeu que viria, voltaria. Algumas interpretações religiosas entendem que o Cristo voltará como veio fisicamente. Nós sabemos, na nossa visão, que é o consolador prometido por Jesus. João capítulo 14, versículos 16, 17 e 26; "Se me amais, guardai os meus mandamentos e eu vos enviarei outro consolador.". A coordenação do consolador foi ele próprio, e as casas espíritas no Brasil que são aproximadamente 30 mil casas espíritas silenciosas... O espiritismo trabalha no silêncio, na bondade, no crescimento do homem. O espiritismo faz muitíssimas, milhares de curas no espírito da pessoa, tornando o homem melhor, mudando as suas raízes para o bem, fazendo-o crescer para as estrelas. Esse é o papel da doutrina espírita. Então, criar oficialmente é uma chance que nós temos de que a doutrina seja melhor disseminada na sociedade e ajude as pessoas a compreender o seu conteúdo, a sua beleza, a sua contribuição. Nós estamos dizendo que um homem como Chico Xavier fez milagres imensos através dos seus livros, que eram 412, e hoje são mais de 500. O nosso Divaldo, com 260 livros... E inúmeros outros... Mas, para as milhares de pessoas que foram buscar Chico Xavier, havia uma palavra que curava as feridas da alma. É disso que a sociedade hoje está precisando. A nossa Senadora Selma perguntou aqui o que vem depois. Eu me recordo de que, certa feita, na Federação Espírita Brasileira, um espírito vinha com uma mensagem tão animadora do Brasil, e nós vivendo essas circunstâncias estranhas... Eu perguntei ao espírito: "Como o senhor vê o Brasil do mundo espiritual?" Ele disse: "O Brasil está ótimo". Eu disse: "Meu Deus, será que o senhor não está enganado?" (Risos.) |
| R | Ele disse: "Não estamos enganados; nós estamos depurando o Brasil. O Brasil que vai renascer é um Brasil iluminado, é um Brasil voltado para a bondade, para o crescimento, para ser efetivamente o coração do mundo e a pátria do evangelho." Desse modo, nós falamos de cura; nós não falamos de cura do médico que faz cura - e merecem o mérito aqueles que fazem isso -, mas queremos dizer dessa preocupação de reconstruir o homem, na busca dessa fase nova que a humanidade vai viver. Mas também há curas físicas. Eu me recordo, certa feita - estando, por razões profissionais, trabalhando na Europa, na cidade de Lisboa -, de que estávamos lá, eu o Divaldo Pereira Franco, que visitou mais de 70 países e está vindo agora nos Estados Unidos e da Europa novamente. Nós tínhamos uma preocupação de conseguir difundir mais Divaldo e a mensagem espírita. Ali, por razões várias, na Inquisição, todo o patrimônio da doutrina espírita foi tomado pela religião oficial. Então, nós procuramos os jornais, revistas, fomos abrindo espaço, mas não conseguimos a televisão, porque os dois únicos canais na época eram da igreja católica e não admitiam falar em espiritismo. Então, sem nenhuma crítica, nós, depois de muito esforço, conseguimos, através do amigo do amigo do amigo, um "Fantástico" tipo o que o há no Brasil, e telefonamos para o Divaldo, que estava no Porto: "Divaldo, nós conseguimos a televisão; você vem?" Ele disse: "Eu vou conversar com Joana". Joana é a mentora do Divaldo. E ele veio. Nós estávamos torcendo. Às 9h da noite, chegamos à televisão, e, na hora em que o Divaldo fez a palestra, que era para ser de 50 minutos, foi um pinga-fogo português: foram quatro horas, diante de tantas perguntas que ocorreram lá. Exigiram que tivessem um professor de Coimbra, que é orgulho da cultura portuguesa, um psiquiatra famoso e um sacerdote, além de um pastor protestante. Divaldo aceitou. A palestra começou, e, na hora em que o Divaldo se apresentou, o professor de Coimbra, que era um psiquiatra muito reconhecido, disse: "Sr. Divaldo, o senhor é de que universidade?" "Eu sou da Universidade de Feira de Santana, eu sou professor da Escola Normal de antigamente, eu sou professor de datilografia.". (Risos.) Brincadeira. E ele disse: "Mas como? Como é que se explica essa inteligência?" "É porque eu sou médium: eu sou instrumento do mundo espiritual com o mundo físico; esse é meu trabalho, essa é minha medicação, isso é que me dá prazer e satisfação.". Mas dizia o professor: "Freud diz no livro, na página tal, isso, isso e isso...". E o Divaldo: "Perdoe-me, professor, não foi isso; Freud não disse isso, quem disse foi Mesmer; o senhor está com o livro aí, abra na página 146 e leia, por favor.". Logo depois, o professor ficou desconcertado e disse: "Mas diz Mesmer..." E ele disse: "Não, desculpe; não foi Mesmer, foi Jung, abra o livro na página 89.". E aí ninguém perguntou mais. Então, de cinquenta minutos, nós ficamos quatro horas e anunciamos que o Divaldo iria fazer uma grande palestra em Lisboa. Conseguimos, com o apoio da embaixada, o Fórum, que é o Centro de Convenções deles, e previmos mil pessoas. Divaldo sempre falava em Lisboa, que é uma cidade cosmopolita, complicada... No norte de Portugal, Divaldo fala para 1,5 mil a 2 mil pessoas, mas, em Lisboa, eram 500, 400; não passava disso. Depois da televisão, desse pinga-fogo, que durou quatro horas, nós anunciamos, o Divaldo foi, e nós conseguimos aumentar para 2 mil pessoas. Mas os telefones do Banco do Brasil e da embaixada não paravam de tocar. Ampliamos para 3 mil pessoas, e os telefones não deixavam as pessoas trabalharem. Ampliamos para 4 mil pessoas, que era o espaço máximo do Centro de Convenções de Lisboa. Às 9h estava marcado, o Divaldo chegou às 8h. E nós estávamos, às 8h, pedindo apoio da polícia para poder organizar o trânsito de pessoas que já não cabiam mais. |
| R | Nesse contexto, então, o Divaldo... Nós estamos falando de milagres. Algumas vezes, ocorrem milagres físicos também, além dos milagres espirituais que estão ocorrendo. Eu me recordo e me emociono até hoje porque, na hora em que o Divaldo ia entrando com o apoio da polícia, porque não tinha como passar para entrar, havia uma senhora com uma criança de mais ou menos seis aninhos, numa cadeira de rodas, sentada perto da porta. E, na hora em que o Divaldo ia passando, ela pegou na mão dele. Eu me recordei da mulher hemorroíssa. Ela disse: "Sr. Divaldo, o senhor que ama Jesus, ajude a minha filha.". O Divaldo fechou os olhos e eu também. Fiquei tão preocupado. De repente, aquele odor de éter que acontece quando com o Dr. Bezerra de Menezes quer fazer alguma coisa extraordinária. E, naquele momento, com aquele cheiro, as pessoas tossiam pela intensidade do éter, que depois foi acalmando, acalmando... Depois, um perfume de flores que o Dr. Bezerra diz que retira da Floresta Amazônica. Naquele momento, então, eu vi o Divaldo fechar os olhos e vi o Dr. Bezerra ao lado dele. Ele pegou na mão da criancinha e disse: "Minha filha, em nome de Jesus, vamos levantar?". Eu chorei e até hoje eu choro quando me vejo falando isso. Esses fenômenos ocorrem não é porque Divaldo é santo, é porque este é o destino do homem: expressar bondade. Todos nós faremos isso um dia, todos nós seremos bons a ponto de ser canais da divindade para o bem da humanidade. Eu me recordo de que, procurando em Paris o local para fazer o congresso mundial, acompanhando o então Presidente da FEB, Nestor Masotti, nós fomos ao Cemitério Père-Lachaise, onde está sepultado o codificador Allan Kardec. Lá chegando, coincidentemente era 2 de novembro, e muitíssimas pessoas... Allan Kardec é visto também como alguém que faz milagres no seu túmulo diferente no Cemitério Père-Lachaise. Eu vi uma senhora com a mão ali no túmulo chorando e lhe perguntei: "A senhora é brasileira?". Ela me respondeu em inglês: "Não, não sou brasileira. Estou aqui porque o meu filho tinha um câncer cerebral e não se curava. Então, eu vim pedir ao senhor Allan Kardec, e ele ficou curado.". Os espíritos fazem isso. Naquela hora, eu vi um espírito acompanhado de várias entidades médicas, e ele disse: "Avise a ele [ao Presidente da FEB] que eu sou Jobard. Eu disse: "Quem é você, Jobard?". "Eu fui Diretor do Museu de História Natural de Paris e estou aqui para me manifestar.". Está na hora de terminar, não é? (Intervenção fora do microfone.) O SR. JOÃO PINTO RABELO - "Estou aqui para dizer que, onde existe a dor, faz-se presente também a misericórdia.". Eu disse: "Mas, Jobard, eu não tenho lido sobre você.". "Mas, na hora do sepultamento do codificador, no Cemitério de Montmartre, fui eu que fiz a prece.". Eu falei: "Pelo que eu sei, foi o astrônomo". "O astrônomo fez o discurso, a prece fui eu quem fez." E repetiu: "Oh, mestre, tu que ouves a voz dos anjos, tu que escutas as vozes dos céus, velai por nós, Allan Kardec.". Eu fiquei tão emocionado que chorei, porque os espíritos se fazem presentes, não são coisas anômalas, não são fantasmas nem sombras. Os espíritos somos nós que um dia, do lado de lá ou do lado de cá, estamos aqui para contribuir nessa compreensão das verdades eternas. É Jesus que volta, sim. Daí por que considerar a data como o Dia do Espiritismo vai ajudar que as pessoas descubram esses passos novos. O mundo, nós todos fomos educados para o dia a dia, para a materialidade, mas é o momento de acordar a sociedade para as coisas transcendentes. |
| R | Tivemos nesta Casa alguns grandes mestres, no Senado, na Câmara e poderíamos citar apenas um deles, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que foi também abolicionista e que deixou a marca da sua passagem por aqui. Podemos dizer que o espiritismo, através das mensagens de Chico Xavier, já foi instrumento de apoio jurídico para inocentar pessoas porque os espíritos vieram à própria vítima dizer que não tinha havido o crime. Então, é a doutrina espírita ajudando essa compreensão de beleza. Hoje a Federação Espírita Brasileira, que tem mais de 600 títulos de obras - das quais quase todas podem se transformar em filmes, obras de André Luiz, de Chico, de Emmanuel e outros -, está sendo assediada pelos cinemas, pelos produtores porque a sociedade tem sede dessas verdades novas. Poderíamos citar apenas alguns, se nos permitisse o tempo, mas não importa; o que importa é que nós queremos contribuir, homens e mulheres, independentemente de terem o título de cristãos ou não, ou melhor, de terem o título de espíritas ou não. Quando nós estávamos, como o Pedro fez referência, encerrando o filme Nosso Lar, que passou em 62 países e foi visto por 45 milhões de pessoas no mundo, a Fox internacional perguntou à Fox do Brasil: "Quem são os espíritas? O que eles fazem? Qual o nível cultural? Onde eles atuam?". E a Fox Brasil contratou o Ibope para fazer uma pesquisa nacional e descobriu o quê? "O que você entendeu do filme?". "Eu entendi que o filme é a pessoa chegando no mundo espiritual". "E o que você gostaria de saber?". "Gostaria de saber como é que de lá para cá, como é a preparação para reencarnar". É esse o filme que a FEB contratou, que está nos seus propósitos, fazendo roteiro, itinerário, como vai ser, e vai atrás deles. Já com a Estação Luz, nós estamos com quatro a cinco filmes sendo preparados para contrato, e com Wagner de Assis mais quatro contratos. Estamos negociando com a Globo para mais alguns roteiros diante da grandeza que a mensagem espírita traz e como toca o coração das pessoas. (Soa a campainha.) O SR. JOÃO PINTO RABELO - Parabenizo o Senador Girão. Muito obrigado, Girão! Eu vou pedir a Jesus sempre, nas minhas orações muito modestas, que lhe engrandeçam o coração na bondade que você representa. O mundo precisa que os homens gritem como antes: "Eu amo Jesus!". Por que não? "Eu creio em Deus.". Por que não? "Eu quero ser melhor.". Por que não? "Eu quero contribuir para que a sociedade seja plena de grandeza.". Por que não? É isto que nós, cristãos, espíritas, e também meus irmãos católicos, meus irmãos evangélicos, meus irmãos ditos ateus - o que interessa? Mas que sejam homens de bem -, devemos perseguir: fazer deste um País grande na essência da beleza melhor, com pais mais bem formados - é isso que a doutrina oferece -, pais mais bem preparados, mães mais dignas e cidadãos do Parlamento ou fora do Parlamento, com a preocupação social... (Soa a campainha.) O SR. JOÃO PINTO RABELO - ... em busca da beleza e da paz. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muitíssimo obrigado, João Pinto Rabelo, Diretor da Federação Espírita Brasileira, uma entidade centenária, sediada aqui em Brasília. Eu queria registrar a presença da Jane Chantre, do Rio de Janeiro, que veio especialmente para a Marcha pela Vida, que vai acontecer daqui a pouco, ali na Esplanada dos Ministérios. |
| R | Queria registrar a presença da minha irmã, querida amiga, uma grande idealista que eu tive a oportunidade de conhecer ou, como os espíritas dizem, reencontrar nesta vida aqui no Senado - não é? -, Soraya Thronicke. Senadora Soraya Thronicke, muito obrigado pela sua presença, é muita honra! O Senador Luis Carlos Heinze pediu a palavra. O SR. LUIS CARLOS HEINZE (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - RS) - Senador Girão, parabéns pela audiência pública, por trazer aqui o Nazareno, o Paulo Maia, o Dr. João Pinto, que conheci agora também. Eu sou evangélico, mas acompanho a doutrina espírita, várias passagens. Tive o prazer de conhecer o Divaldo, numa das palestras que ele apresentou lá no Rio Grande do Sul. Não conheci Chico Xavier... A gente faz esses acompanhamentos, e eu participo, sempre que posso, entendo a doutrina espírita e acredito nela, com a fé que a gente passa a ter. Lá em Santa Catarina, há o Nosso Lar, com o Dr. Alvaro e várias pessoas que a gente conheceu lá. Eu estive lá internado numa ocasião, por um problema que aconteceu comigo, e vi a oportunidade das curas e do melhoramento do povo brasileiro que o senhor falou. Essas visões... Temos conversado com espíritas que dali participam e vemos que é um povo diferente, maravilhoso e que essas mudanças no mundo espiritual vão nos ajudar a vencer essas crises por que o Brasil atravessa neste momento. Então, parabéns pela oportunidade de ouvir agora o João Pinto - não ouvi o Nazareno nem o Paulo Maia -, que, com algum ensinamento, apesar de eu ler pouco, já me fez entender, conhecer e sentir essas mudanças que estão acontecendo e o que o mundo espiritual nos traz através dessas... Só de ouvir o Divaldo por duas vezes, como eu o ouvi, basta para que tenhamos o conhecimento. Quem foi ao Nosso Lar, em Santa Catarina, e a outros centros que eu tenho frequentado também pode acompanhar e ver as bênçãos de Jesus Cristo que vêm para nós através dos médios que nos atendem. Parabéns por esta audiência pública em que se comemora o Dia Internacional do Espiritismo. Um abraço! O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muitíssimo obrigado pela sua gentileza, Senador. Eu quero também render homenagens aqui... Eu sempre digo isso, não é porque nós estamos aqui numa audiência pública sobre espiritismo, mas eu tenho a obrigação de dizer que, graças aos evangélicos e aos católicos especialmente, o aborto não foi legalizado no Brasil ainda, as drogas não foram legalizadas no Brasil e, se Deus quiser, não serão. Então, vocês evangélicos demonstram muita coragem, muita ousadia no bem. Eu tenho um grande amigo, que é o Senador Magno Malta, que foi quem também me inspirou a entrar na política, foi um incentivador, e eu vi a luta dele aqui com colegas para evitar aqui esses ataques à família brasileira. Eu vou passar a palavra agora para a Senadora Soraya Thronicke, só relembrando, Senador Luis, que o Divaldo Franco, que o senhor conheceu, é também Embaixador da Paz pela ONU, inclusive fez palestras na ONU, é um grande brasileiro que tem levado... (Intervenção fora do microfone.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - É que o senhor conhece, que o senhor conhece bem. Vou passar agora para a Senadora Soraya. A SRA. SORAYA THRONICKE (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PSL - MS) - Senador Girão, parabéns, mais uma vez marcando um gol, um golaço! Eu vou falar até pouco, porque eu fiquei emocionada. Entrei aqui e já senti essa... Eu estou emocionada mesmo. O Estado é laico, mas nós temos a nossa religião e sabemos o tanto que esses movimentos religiosos conseguem fazer. É o que foi dito agora. Então, é um prazer. Eu nasci em berço católico e fui evangelizada no espiritismo. A minha mãe... Quero até tecer uma homenagem à Hilda Vieira Genolde, à minha tia Lila, ao tio Josival, à minha tia Ilma, grandes propagadores da doutrina espírita no Mato Grosso do Sul, e eu tenho muito orgulho disso. Eu tive uma base muito, muito, muito boa na evangelização espírita. Hoje frequento a Seicho-no-ie, que também é espiritualista e tem essa mesma base doutrinária. Passou um filme na minha cabeça agora e eu lembro quando a minha avó... A minha mãe contou que a minha avó, lá atrás, tinha um livro secreto, porque todo mundo era católico, e ela tinha um livro secreto guardado, a minha avó Almerinda. E minha mãe ficava assim: "Que livro secreto é esse?". Era O Evangelho segundo o Espiritismo. Antigamente, você tinha que ler escondido. Graças a Deus, hoje não temos preconceito com nada. Somos todos um. Parabéns, Senador Girão, Sr. João Pinto Rabelo, Paulo Maia, Nazareno, muito obrigada. Eu fiquei sabendo que estava... Eu tentei chegar, e estava todo mundo chorando aqui, todo mundo chorando, e eu falei que graças a Deus eu consegui chegar, pelo menos no finzinho. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Muitíssimo obrigado pela sua gentileza, seu carinho, Senadora Soraya. Nós vamos encerrar, neste momento, com uma prece, que eu peço ao meu querido irmão João Pinto Rabelo para fazer. Justifico a ausência do Jaime Ferreira Lopes, que é do Instituto Vida, do Movimento Brasil sem Aborto, que não pôde vir, por uma questão de saúde, para esta audiência também. Por favor, meu querido. O SR. JOÃO PINTO RABELO - Eu pediria a todos que orássemos. Não importa se nós somos evangélicos, católicos, espíritas ou outra religião qualquer. O que importa é que somos todos filhos de Deus. Querido amigo, Senhor Jesus, nosso mestre, quantas razões para te agradecer, Senhor, quantos motivos para te sentir guiando os nossos passos na vida. Na hora das nossas dificuldades, Jesus de Nazaré, tu estivestes ao nosso lado; na hora das nossas enfermidades, Senhor, tu fostes os médicos, generoso e bom, junto de nós; na hora das nossas lágrimas, Jesus, tu fostes o lenço amigo que esteve ao seu lado; na hora das nossas alegrias, participando conosco das emoções; e, na hora das nossas dificuldades espirituais, o mestre junto conosco, dizendo-nos: "Eu estou aqui". Jesus, abençoe o Parlamento brasileiro, Senhor, abençoe o meu irmão e amigo Senador Girão, abençoe o nosso país, o Brasil, precisando tanto de ti. Guia-nos, guia os homens que tomam decisões, inspira, Senhor, as criaturas que têm a responsabilidade de conduzir os destinos da Pátria na direção nobre do porvir futuro que se avizinha, e dá, Jesus, querido amigo, a cada um de nós a certeza do dever de sermos dignos, honestos, cristãos, construindo a paz onde estivermos e no mundo. |
| R | Muito obrigado, Senhor Jesus! Permaneça conosco. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODEMOS - CE) - Declaro encerrada esta reunião. Muito obrigado a todos. (Iniciada às 8 horas e 46 minutos, a reunião é encerrada às 11 horas e 39 minutos.) |

