11/02/2020 - 19ª - Comissão Parlamentar Mista de Inquérito - Fake News

Horário Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Havendo número regimental, declaro aberta a 19ª Reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada pelo Requerimento do Congresso Nacional nº 11, de 2019, para investigar os ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público; a utilização de perfis falsos para influenciar os resultados das eleições de 2018; a prática de cyberbullying sobre os usuários mais vulneráveis da rede de computadores, bem como sobre agentes públicos; e o aliciamento e a orientação de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio.
A presente reunião destina-se à oitiva do Sr. Hans River do Rio Nascimento, decorrente do Requerimento nº 212, de 2019, da CPMI – Fake News, de autoria do Deputado paulista Rui Falcão, do PT.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pela ordem o Deputado Rui Falcão.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Pela ordem.) – É Deputado de São Paulo, porque sou mineiro.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Tudo bem, Deputado. Está retificado. Deputado mineiro de São Paulo.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Isso.
Tenho um requerimento com V. Exa. para que, dada a relevância da testemunha que vamos ouvir, esta sessão possa ser fechada, só com a presença dos Parlamentares e dos assessores cadastrados.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Após a leitura do expediente, vou colocar para o Plenário decidir.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Está bom.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Inicialmente, cabe esclarecer que o requerimento de convocação não especificou se o depoente compareceria na qualidade de testemunha ou de investigado. Entretanto, é possível depreender, pela justificativa constante do requerimento, que o Sr. Hans River foi convocado para esclarecer fatos dos quais teve conhecimento ao trabalhar na empresa Yacows, de modo que sugiro ao Plenário que o depoimento seja tomado considerando o depoente como testemunha.
Havendo anuência do Plenário, informo ao Sr. Hans River e ao seu advogado que, nos termos do art. 203 do Código de Processo Penal, o depoente deve assumir o compromisso de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado, preservado o seu direito de permanecer em silêncio, caso considere que alguma resposta possa incriminá-lo.
Vou colocar para que o Plenário possa deliberar se a reunião fica aberta à imprensa, ao público em geral, ou se a reunião passa a ser fechada, só com a presença dos Parlamentares.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputada.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Concordando com o encaminhamento que V. Exa. está dando, queria, no entanto, dar uma boa notícia à nossa Comissão. Pedi a palavra a V. Exa. porque não tivemos tempo de tratar... Recebi há pouco essa notícia, e nós vamos ter que tratar do seu encaminhamento. É a confirmação do convite feito por nós, Presidente, combinamos antes, para o Parlamentar britânico Damian Collins vir depor aqui nesta Comissão, numa audiência pública, comunicando toda a experiência de ter sido coordenador da investigação sobre fake news no Reino Unido. Ele confirmou para uma data em março. Nós vamos ter que nós sentar, fazer uma reunião administrativa para tomar todas as providências que garantam sua presença.
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Eu acho que isto vai ser muito importante para a nossa CPMI, conhecer com mais detalhes uma experiência internacional que foi a primeira mais importante experiência internacional de investigação a respeito do fenômeno de fake news, com a denúncia, e, a partir de então, o esclarecimento da Cambridge Analytica naquele processo.
Então, eu queria comunicar à Casa e a V. Exa., em particular, o que acho que é uma coisa muito positiva para a nossa CPMI.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Em conversa aqui, com o nosso depoente, o mesmo solicita que a reunião seja aberta ao público, à imprensa – e não uma reunião fechada. Ele acha que, em uma reunião fechada... Ele não tem nada a esconder; por isso, ele prefere que a reunião fique aberta ao povo brasileiro.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu, particularmente, já vou antecipar o meu voto para que a reunião seja aberta, para que o povo brasileiro tenha acesso. Caberá ao Plenário decidir, já que o Plenário é soberano.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, aberta também. O Governo e a Liderança do PSL votam que seja aberta.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Gente, desculpa falar. Se a reunião não for aberta, não tem cabimento eu estar aqui, presente, entendeu? Então, a situação se encontra da seguinte forma...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Fora do microfone.) – Não é ele que escolhe.
O SR. RICARDO BARROS (PP - PR) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu sei, o Plenário vai decidir. Eu já conversei com ele que o Plenário é soberano.
O SR. RICARDO BARROS (PP - PR) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pela ordem, Deputado Ricardo.
O SR. RICARDO BARROS (PP - PR. Pela ordem.) – Eu voto com a Relatora, porque ela é que está produzindo o resultado do nosso trabalho. Então, vou acompanhar a opinião da nossa Relatora.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Então, a Relatora já externou o seu voto? Você vai votar com a Relatora?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Presidente, olha o Regimento. Presidente, questão de ordem.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado Rui.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para questão de ordem.) – "Art. 144. Quanto ao documento de natureza sigilosa [...]". Nós tivemos acesso a um documento sigiloso, que é justamente os depoimentos dele para a Justiça do Trabalho, e eles foram entregues à CPI na íntegra, como documento sigiloso.
[No caso de] [...] documentos sigilosos, observar-se-ão, no trabalho das Comissões as seguintes normas:
I - não será lícito transcrevê-lo, no todo ou em parte, nos pareceres e expediente [...];
II - se houver sido encaminhado ao Senado [...];
III - se a matéria interessar à comissão, ser-lhe-á dada a conhecer em reunião secreta.
É art. 144, inciso III: "Se a matéria interessar à comissão, ser-lhe-á dada a conhecer em reunião secreta".
Então, por questão de ordem, eu peço a V. Exa. que cumpra o Regimento.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, com todo o respeito ao Deputado da oposição, nós entendemos que, por mais que a ação trabalhista dele tenha tramitado em sigilo e a ela tenha sido dado conhecimento, a esse documento foi dado acesso aqui, aos Parlamentares, mas isso não o inibe, até porque ele está acompanhado do advogado dele, de falar e de responder aos questionamentos. Uma coisa é a tramitação em outro Poder independente, que foi o processo trabalhista dele, sobre o qual ele fez acordo, e o outra coisa é a declaração dele, que ele vai prestar aqui, nesta CPI.
Nós não temos nada a esconder do povo brasileiro, e o próprio depoente é favorável. Se ele tivesse interesse de que fosse sigiloso, ele mesmo, na pessoa do advogado, teria feito um requerimento nesse sentido, ou teria entrado na Justiça para pedir para não depor, o que não aconteceu.
Então, nós não devemos nada ao povo brasileiro e estamos aqui para investigar, de modo que, não tendo a oposição dele nesse sentido, devemos fazer aqui aberta. Qualquer coisa, podemos pedir uma votação aqui, caso seja necessário, do Plenário, nesse sentido.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra a Relatora, Deputada Lídice da Mata.
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A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Presidente, veja bem, não é... Eu creio que essa não é uma questão que apenas nós desejamos. Há um Regimento. O Regimento indica uma direção. A verdade é que nós, quando recebemos os documentos, ficamos proibidos de divulgá-los.
Eventualmente, não poderemos fazer referências ao texto do documento, porque se trata de um documento que corre em segredo de Justiça, ou seja, em sessão...
E o Regimento é muito explícito. Então eu não tenho nada contra que a gente fale abertamente, entendeu Hans? Não tem nenhum problema.
Pois não.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O detalhe é o seguinte: esse processo não tramitou em segredo nenhum. Tanto não tramitou em segredo que acabou atrapalhando minha profissão e acabou atrapalhando minha vida pessoal também.
Então, assim, o acesso desse processo foi dado à jornalista, entendeu? Então foi totalmente aberto. Agora, vir com esse assunto de falar: "Ah, eu prefiro que seja tramitado de uma maneira sigilosa..." Se continuar assim, eu levanto e vou embora porque eu tenho mais o que fazer, entendeu? Porque isso realmente é uma mentira. É simples.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Presidente, pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA. Fala da Presidência.) – Pela ordem, Deputada Bonavides, do Rio Grande do Norte.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Pela ordem.) – Boa tarde, Presidente.
Eu gostaria de me somar a esse debate. Eu acho que todos e todas nós que estamos aqui adoraríamos que a sessão fosse pública. Acho que ninguém tem mais interesse do que nós que compomos a Comissão de que seja dada publicidade às discussões que se efetuam aqui, mas existe uma questão muito objetiva. Por mais que jornalistas tenham tido acesso, enfim, não importa, o Judiciário decretou o sigilo sobre esse processo. E, tornar a sessão pública, seria limitar a nós parlamentares fazermos perguntas que tenham referência a informações que estavam nesse processo. É uma questão de responsabilização nossa, posterior, por estarmos dando publicidade a documentos cujo segredo foi compartilhado com esta CPMI.
Então defender que a sessão seja pública, infelizmente, descredibilizaria o trabalho da CPMI e, além disso, faria com que outros Poderes, posteriormente, passassem a se negar a compartilhar o sigilo de outros documentos e outros processos conosco. Afinal, nós recebemos, nós tivemos o compartilhamento do sigilo de um processo, e estamos tratando dele aqui como se isso não tivesse importância.
Então, por mais que eu gostaria que essa sessão fosse pública, porque eu acho que é muito relevante que a sociedade saiba dos trabalhos desta CPMI, me parece que existe uma inviabilidade técnica por causa da responsabilidade que nós temos com o sigilo que foi compartilhado com esta Comissão.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para questão de ordem.) – Presidente, só uma questão de ordem para contraditar aqui?
O art. 143, indicado aqui, não se aplica ao caso; o 144, 143, tanto um quanto o outro não se aplicam ao caso, porque a gente não está aqui para discutir algo que em tese seria sigiloso. E eu estou aqui com a decisão judicial que indeferiu o sigilo à reclamada. Ela requereu que fosse colocado em segredo de justiça, e aqui eu estou com uma decisão da Juíza do Trabalho, Valéria Sanchez, que indeferiu esse requerimento. De toda sorte, mesmo tenha sido dado sigilo ao processo, Sr. Presidente, a gente não está aqui para debater o processo trabalhista. O processo trabalhista tramitou na seara do Poder Judiciário. Nós estamos aqui para falar acerca de fatos que ocorreram ou não ocorreram, independentemente da relação trabalhista dele. Nós não estamos aqui para discutir uma relação trabalhista. Se a gente tivesse aqui para discutir a relação trabalhista, fosse a CPI da relação trabalhista do Sr. Hans River, até caberia esse pedido, mas a gente não está aqui para discutir os documentos da ação trabalhista. Nós estamos aqui para discutir fatos, se ocorreram ou não, sobre os quais não tem nenhuma hipótese de se decretar sigilo. Então é incabível esse pedido. E vamos dar prosseguimento à nossa ao depoimento dele, por gentileza.
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O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pela ordem, Deputado Rui.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Pela ordem. Fora do microfone.) – Solicito então que V. Exa. levante o sigilo do Documento 26, que aí a gente dispensa esse...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A Secretaria da Mesa poderia, por favor...
A Secretaria informa que foi enviado "secreto" pela Justiça do Trabalho, nós não temos essa prerrogativa de levantar...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Pela ordem. Fora do microfone.) – Então, se o documento é secreto, nós não podemos mencioná-lo aqui? O documento tem fatos importantes para apuração do disparo em massa de mensagens, como é que nós vamos fazer menção a ele?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Pela ordem.) – Mas menciona os fatos. Ele está aqui para falar sobre os fatos, questiona os fatos, com todo respeito, Deputado.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Isso faz parte, não é só relação trabalhista. São fatos que a testemunha mencionou e que nós queremos apurar.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Questiona ele sobre os fatos, Deputado, com todo o respeito.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Mas como é que nós vamos fazer?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Questiona ele sobre os fatos, Deputado.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Mas isso aqui são os fatos, só que estão...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Pela ordem.) – Deputada, é nosso direito... As informações constantes no processo. Tem coisa que ele falou sob juramento na Justiça, e nós temos o direito de perguntar sobre isso.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – O advogado dele está aí, pergunta sobre os documentos.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Olha, vamos agir aqui democraticamente. Eu tenho que ser aqui imparcial. Vamos ao voto. Não vejo outra situação, porque está a banda A e a banda B discutindo se é aberta ou secreta.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Questão ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pela ordem, Senador Rogério.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Pela ordem.) – Há questões que são prerrogativa do Presidente da Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Nesse caso não é prerrogativa do Presidente.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Me parece... Deixe-me concluir, Presidente, por favor, com todo o respeito que tenho por V. Exa. Me parece que a solicitação feita por V. Exa. e a entrega da documentação foram feitas em caráter sigiloso. Portanto, V. Exa. tem que conduzir conforme a solicitação que foi feita. A questão de ordem que eu estou levantando é que não cabe nem votação para esta questão.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR. Pela ordem.) – Boa tarde, boa tarde a todos.
Olha só, todas as nossas reuniões, desde o início desta CPI, foram reuniões públicas. O objetivo desta CPI... Aliás, apesar de nós discordarmos do objeto amplo, todas as audiências aqui foram públicas. Então, é importante deixar registrado que, por qualquer motivo que seja, o Partido dos Trabalhadores quer que esta audiência da tarde de hoje seja sigilosa, na contramão de todas as outras reuniões que nós fizemos nesta CPI. O argumento do Deputado Rui Falcão não pode prosperar, porque o processo trabalhista é sigiloso, mas ninguém aqui vai debater o processo trabalhista, se ele tinha ou se ele não tinha direito trabalhista, se ele tinha ou não tinha direito a horas extras, porque o processo trabalhista é outra coisa. Nós vamos aqui debater outros assuntos.
Então, Sr. Presidente, peço a V. Exa. que a reunião seja como foram as outras, reuniões públicas.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Vamos votar, Presidente.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Pela ordem.) – Presidente, se V. Exa. for colocar em votação, eu acredito que seria importante orientar sobre como vai ser quando nós Parlamentares quisermos mencionar qualquer declaração ou documentos constantes tanto no processo trabalhista quanto no inquérito que tramitou na Polícia Federal, porque os dois chegaram até esta CPMI através do compartilhamento de sigilo. Nós não vamos nos furtar de fazer perguntas relativas ao conteúdo desses processos. Esses processos chegaram aqui por requerimento desta Comissão, foram requerimentos aprovados nesta Comissão, portanto, têm pertinência com assuntos que nós debatemos aqui. E hoje nós temos a presença, a qual inclusive agradeço, de uma pessoa que foi parte nesse processo e que poderá nos responder sobre informações que estão nesse inquérito e nessa reclamação, e nós não nos furtaremos de perguntar sobre elas.
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Então, caso o senhor coloque em votação, precisamos de orientação sobre como proceder quando quisermos nos referir aos documentos que estão aqui em caráter de sigilo.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, só uma pergunta.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O que eu queria era costurar um acordo entre os colegas Parlamentares, porque o próprio depoente está optando por falar publicamente, não quer se esconder.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Mas a responsabilização é nossa, de ferir o sigilo, não é dele. Nós agradecemos a disposição dele, e gostaríamos muito que fosse pública...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Acho que o povo brasileiro teria vontade também de assistir ao depoimento.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – ... mas a responsabilização será sobre quem violar o sigilo do que foi compartilhado.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Desculpem-me falar, gente. Eu concordo com a senhora, mas o que está rolando aqui nessa situação, o que está acontecendo nessa situação é que, quando eu fui cumprimentado pelo Gabeira, que está sentado aqui, ele me chamou de favelado, entendeu.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Fora do microfone.) – É mentira.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Você me chamou...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Fora do microfone.) – É mentira.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu tenho cara de quê? Só porque eu sou negro?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Fora do microfone.) – Você mentiu.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu menti? Espere aí, eu menti?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO (Fora do microfone.) – Você falou periférico.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estou mentindo? Me chamou de periférico.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Essa é a esquerda.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Agora o negócio é o seguinte.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Você mentiu duas vezes.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – E outra coisa, outra coisa, isso não é abuso não. Porque eu falei no pé do ouvido dele, porque eu fiz a campanha política dele, e ele está atacado.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu vou levar a votação para o Plenário para decidir se nós vamos colher o depoimento em sessão secreta ou pública.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Presidente, rapidamente aqui.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR. Pela ordem.) – Presidente, eu estou aqui na minha mão com a decisão do Habeas Corpus nº 100341, Ministro Relator Joaquim Barbosa, em que a ementa é a seguinte: "Utilização, por CPI, de documentos oriundos de inquérito sigiloso. Possibilidade." Ou seja, nós podemos utilizar e podemos debater tudo isso nesta Comissão, isso já foi decidido e superado pelo próprio STF.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Senador Humberto.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE. Pela ordem.) – Presidente, é uma atribuição de V. Exa. tomar essa decisão, V. Exa., sequer, precisaria submeter a voto aqui do Plenário.
O que está em discussão aqui, e está claro, não é que os documentos sigilosos, se forem publicados aqui, vão gerar qualquer prejuízo para o depoente, mas é nossa responsabilidade guardar, na condição de sigilosos, aqueles documentos que chegam aqui como tal. É isso que nós temos que fazer. Nós não vamos aqui abordar o documento. E como é que vai ser isso?
Então, eu peço a V. Exa., primeiro, que cumpra o Regimento no sentido de que a pessoa que está convocada, a testemunha, fale no momento em que V. Exa. lhe der a palavra. E, segundo, que tenha V. Exa. uma decisão sobre a questão, para que nós possamos começar o depoimento, já estamos perdendo muito tempo.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Senador, eu estou tentando costurar um consenso, porque V. Exas. foi que levantaram se seria transformada a Comissão em secreta.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Que consenso, Presidente? V. Exa. é o Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Aqui no art. 110 está muito claro também: "As reuniões serão públicas, salvo nos casos expressos neste Regimento ou quando o deliberar a Comissão.". Eu não quero ser senhor da razão nem dono do Regimento, eu estou seguindo o que está no Regimento.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – O Regimento é explícito aí.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É o meu papel de magistrado.
(Intervenções fora do microfone.)
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, nós ali entregamos para o senhor vários precedentes jurisprudenciais que permitem a utilização de documentos sigilosos em uma CPI, até porque, eu repito, se ele...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputada, eu vou seguir o que está no Regimento, no art. 110. Infelizmente está no Regimento, vamos evitar...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Perfeito, se está decidido, Presidente, vamos prosseguir a reunião.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu vou abrir a votação. Quem vota a favor vota da sessão aberta, com a participação da imprensa, vota "sim". Quem é contrário, vota "não". Simples.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Nominal ou simbólica? Simbólica, então.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Ninguém pediu verificação de quórum, fica simbólica.
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O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Ninguém pediu verificação de quórum, fica simbólica.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Não.
Quem é a favor do depoimento aberto levante o braço; quem é contra fique como se encontra. (Pausa.)
Então, venceu a oitiva secreta.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Verificação, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Então, verificação de quórum da Deputada Caroline.
Agora, estou achando, Deputada, extemporânea.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, com todo respeito, o senhor tem como deliberar a respeito, decidir a respeito disso.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Mas está no art. 110, Deputada. Não há como.
Vamos abrir o painel de votação para colher os votos.
Quem vota para a reunião sem a presença da imprensa vota "sim".
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Vão querer que retirem também os assessores?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Fora do microfone.) – Dos assessores, só os credenciados têm acesso.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado.
Vamos abrir o painel aí para começar a votação enquanto as questões de ordem começam.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora. Fora do microfone.) – Tem que dizer o que é "sim" e o que é "não".
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Quem quer reunião pública vai votar "sim".
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Fora do microfone.) – Público é "sim"?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Público, "sim".
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Fora do microfone.) – É que aqui está: votação nominal, reunião secreta. Ela induz...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Calma, pessoal! Vamos manter a calma. Não há motivo, logo no início da semana, para os ânimos ficarem exacerbados. Vamos manter a calma.
Quem for votar a favor da sessão aberta ao público vai votar "sim". Eu estou repetindo de novo a pergunta. Quem vai votar a favor da sessão pública vai votar "sim". Olhem bem: quem for votar a favor da sessão pública, com a presença, repito, de assessores e da imprensa, vota "sim". Quem quer sessão secreta vota "não".
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Agora, Presidente, enquanto estamos na votação nominal, poderia utilizar a palavra rapidamente?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Sr. Presidente, posso utilizar da palavra enquanto temos a votação nominal?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pode, após o Senador Humberto.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco/PT - PE. Pela ordem.) – Sr. Presidente, na última reunião pedi a V. Exa. que encaminhasse a marcação da data na qual o Sr. Wajngarten, da Secom, deveria comparecer a esta...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra, Senador.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – ... pudesse comparecer a esta Comissão, já que ele foi formalmente convocado.
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Eu pergunto a V. Exa. qual o dia em que o Sr. Wajngarten irá comparecer a esta Comissão para que ele possa ser inquirido.
As razões para que essa vinda seja o mais rapidamente possível já estão dadas. Agora mesmo, recentemente, como eu disse naquele dia, partiu da própria Secom o start de uma campanha violentíssima contra a diretora brasileira do filme Democracia em Vertigem, Petra Costa, além de uma série de outras denúncias que o colocam no centro de um processo em que a produção de notícias falsas é algo diuturno. Portanto, eu gostaria de saber de V. Exa. qual o dia em que esse cidadão virá aqui para prestar o seu depoimento.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado, informarei a V. Exa. dentro da agenda que estamos montando com aproximadamente 50 requerimentos já aprovados.
Nós pedimos à assessoria para ver a cronologia dos depoimentos, das aprovações, para não ficar atropelando. Inclusive, eu quero até solicitar que os Líderes de todos os partidos possam até se reunir, em outro momento, para definirmos, num acordo, a deliberação de vários e vários requerimentos que estão também represados. O tempo está passando, estamos praticamente a dois meses para o encerramento da CPMI e seria importante que os partidos aqui representados nesta CPMI chegassem a um acordo para que não precisássemos chamar todas essas pessoas. Há pessoas, inclusive, que não têm nada a ver com a CPMI, mas eu gosto de respeitar o requerimento feito pelo colega Senador ou Deputado.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado Filipe.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR. Pela ordem.) – Enquanto estamos ainda na votação nominal, enquanto não se atingiu o quórum, aproveito o ensejo também, Sr. Presidente, para que possamos marcar a oitiva da ex-Senadora, hoje Deputada Federal Gleisi Hoffmann, uma vez que a convocação dela já foi aprovada no ano passado e todos nós temos interesse em que ela venha a esta Comissão explicar inúmeros casos, como, por exemplo, o caso do mensalinho do Twitter, que aconteceu na época do Partido dos Trabalhadores, aqueles casos de compra de influenciadores da internet, que foram amplamente noticiados na época da Dilma Rousseff, inclusive com aquele perfil chamado Dilma Bolada, etc. O fato é que nós convocamos a Deputada Gleisi Hoffmann e queremos, então, a oitiva dela o mais rápido possível por esta Comissão.
Além disso, Sr. Presidente, nós tivemos... É fato que nós não começamos ainda a oitiva do nosso depoente de hoje, o Sr. Hans River, mas nós tivemos, nesse pouco tempo em que a Comissão está aberta, uma denúncia gravíssima de um Parlamentar praticando um ato de (Trecho editado nos termos do art. 48, inciso XXXI e art.19, inciso I. do Regimento Interno.) contra o nosso depoente. Talvez, Sr. Hans, pela sua cor da pele, talvez pelo seu cabelo, perguntaram, questionaram se V. Exa. era favelado. Um (Trecho editado nos termos do art. 48, inciso XXXI e art.19, inciso I. do Regimento Interno.) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Mentira. Mentira. É mentira.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com o Deputado Filipe.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Cala a boca!
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Cala a boca, você, porque você já tem...
(Tumulto no recinto.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com o Deputado Filipe Barros. A palavra está com o Deputado... Por favor, depoente, vamos desligar o telefone aí, porque não pode.
Prossiga, Deputado.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Senador Angelo Coronel...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado Rui, a palavra está com o orador.
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O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Fora do microfone.) – Eu não permito, Presidente, que me acusem...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Já chamei a atenção dele.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – No momento V. Exa. fala, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Já falei com o depoente.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Não, houve uma acusação gravíssima do nosso depoente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado, depois V. Exa. faz o contraponto...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com o depoente.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – É inadmissível...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – É inadmissível, Sr. Presidente – peço que garanta a minha palavra –, que na tarde de hoje... Nós estamos aqui para ouvir o que o nosso depoente tem a dizer, o que ele tem a contribuir com esta Comissão, e o fato de ele ter cor de pele diferente da minha não o torna diferente de mim, o fato de ele ter um cabelo diferente do meu não o torna diferente de mim. Só porque é negro...
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Eu, sinceramente...
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – ... questionaram se ele vinha da favela. Isso é um absurdo! É um (Trecho editado nos termos do art. 48, inciso XXXI e art.19, inciso I. do Regimento Interno.) praticado dentro desta Comissão!
Então, eu peço, Sr. Presidente, que depois isso seja encaminhado para a Comissão de Direitos Humanos desta Casa, para o Ministério Público Federal, para que se procedam às devidas diligências necessárias para esclarecer esse caso gravíssimo que aconteceu nesta Comissão, um ato de (Trecho editado nos termos do art. 48, inciso XXXI e art.19, inciso I. do Regimento Interno.) praticado contra o Sr. Hans River, que veio a esta Comissão contribuir com os trabalhos.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra o Deputado Eduardo.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Sr. Presidente!
O SR. ESPERIDIÃO AMIN (PP - SC) – Além do mais, se for para discutir cabelo, eu tenho que ser consultado! (Risos.)
Se cabelo discriminar, eu tenho que ser consultado!
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É verdade, Senador!
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Sr. Presidente!
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra, pela ordem, o Deputado Eduardo Bolsonaro.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP. Pela ordem.) – Sr. Presidente, queria deixar registrado aqui... Pelo que estou vendo, provavelmente nós vamos perder esta votação nominal. Eu acredito que V. Exa. poderia ter optado... Mas V. Exa. falou que o Regimento não lhe dá poderes para que decida se esta sessão será sigilosa ou pública. Mas eu queria só deixar registrado aqui que quem está pedindo para que a sessão seja sigilosa é exatamente o PT, o pessoal da esquerda. Olhem só, hein: eu, Bolsonaro, estou pedindo para que, por favor, a Folha de S. Paulo, O Globo, o Estadão, a Record e todos os meios de comunicação cubram esta sessão.
Para se ter noção, a gente está aqui numa CPMI, todo mundo sabe do que a gente está tratando aqui. Eu confesso, com todo respeito, Sr. Hans River do Rio Nascimento: não conheço V. Sa., eu nem sei se o seu depoimento vai ser a favor de A ou B, ou prejudicial a A ou B, mas eu acho que a gente tem aqui, como Parlamentares na Casa do povo, que tratar as coisas publicamente.
Convido o povo à reflexão: imagine se esse pessoal tivesse conseguido, nas palavras de Lula, aprovar um projeto para controlar a imprensa e os meios de comunicação como não seria democrático esse tipo de controle!
Olhem só, vamos analisar aqui em tese. O Sr. Hans, pelo que entendi, foi contratado por uma empresa que fez a campanha do Jair Bolsonaro. É isso, Sr. Hans? É só para saber se é sim ou não, para saber se eu não estou...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Espere aí, espere aí...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Espere aí. Aí vai virar inquirição.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Sr. Presidente...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Tudo bem. Então deixe...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Presidente, questão de ordem.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Deixe eu ir adiante, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Vá adiante, Deputado.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não, não...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Não, estou no meio da minha fala, deixe eu terminar...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Deputado Eduardo, vamos estabelecer as regras de funcionamento...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Ele já abriu mão da pergunta.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Está bem.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Já está resolvido.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA) – O.k.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Eu queria deixar registrado isso e complementar dizendo que ontem eu fiz uma... Não foi uma acusação, mas eu levantei fatos sobre a Deputada Joice Hasselmann, que veio aqui depor sob a minha ausência. Eu fui um dos alvos do depoimento da Deputada Joice Hasselmann. Ela se aproveitou porque ela sabia que eu era presidente da CREDN e estava em viagem ao Oriente Médio e, aí, veio aqui dar o showzinho dela.
E ontem à noite eu mostrei por A mais B a evolução da rede social dela. Em uma semana, a rede social dela quase quintuplicou e, no final de dezembro, a rede social dela mais do que dobrou. A pergunta que eu faço a ela é: ela sabia que esses robôs estavam entrando na rede social dela? Ela comprou esses robôs? Porque, se ela comprou, um dos períodos foi durante o período eleitoral e isso daí dá margem a caixa 2, isso é crime eleitoral e enseja perda de mandato. Infelizmente, a Deputada foi mulher suficiente para estar aqui na minha ausência, mas hoje não é mulher suficiente para estar aqui na minha presença. Então, eu queria deixar isso registrado.
13:56
R
Muito obrigado pela paciência, Deputada Lídice e Senador Angelo Coronel.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputada Luizianne.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE. Pela ordem.) – Sr. Presidente, é porque está ficando, de fato, insustentável haver um aspecto teatral aqui onde vêm acusar... Quem conhece a história do Rui... Primeiro, que não começou hoje. O Rui jamais... O Rui teve mais de 150 mil votos para Deputado Federal em São Paulo, o que não é uma coisa simples. Rui já lidou e lutou a vida dele toda contra o racismo, contra os preconceitos de uma forma geral. O que está acontecendo é que essa máfia que está no poder tem mania de, como modus operandi, fazer o inverso, ou seja, faz questão de jogar para a plateia para confundir as pessoas. É por isso que nós estamos aqui nessa CPMI. É por isso que vem o depoente que era para depor e, na verdade, vem fazer uma acusação contra o ex-Presidente do PT, Deputado Federal, que teve a votação que teve e que nunca foi registrado... Nunca foi registrado, até porque o nosso Partido defende o direito, sim, dos negros, das lésbicas, dos gays, e vocês ficam fazendo aqui firula, todos metidos a santinhos conservadores para esconder a pauta que está matando os brasileiros de fome, a pauta econômica e ficam aqui: "Me chamou de favelado." Jamais o Rui faria isso! Meu querido, eu não lhe conheço, mas eu o conheço. Jamais ele faria isso, sabe por quê? Porque nós estamos na mesma trincheira.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – "Meu querido", não, que o depoente tem nome.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Eu estou falando.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – O depoente tem nome; não é "meu querido".
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Eu estou falando. Sr. Presidente...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Está nervosa.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Por favor, uma questão de ordem, Presidente.
(Tumulto no recinto.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com a Deputada Luizianne.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Presidente, assuma o seu papel.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com a Deputada Luizianne.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – O príncipe fala e ninguém pode interromper. Eu estou falando, o príncipe vem se meter. Eu estou falando. A palavra é minha.
Eu queria dizer o seguinte: que aqui se está criando um hábito feio. Isso é feio! Todo mundo sabe que tem esquema, sim, tem esquema de disparo em massa. Vai-se chegar lá, não adianta esconder. Tem os filhos; infelizmente, os filhos do Presidente. Armaram esquema desde 2014. Cada vez mais a gente está sabendo. Nós não estamos aqui, nós não estamos aqui...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Presidente, uma questão de ordem.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Sr. Presidente, eu estou com a palavra.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com a Deputada.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Está com a Deputada a palavra.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Pois é, mas os Deputados não conseguem ouvir.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Meu amigo, eu não tenho o poder de botar um ecler, um zíper na boca de nenhum Deputado.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Mas o meu microfone fecha. Fecha ali também. Deixa eles gritarem porque, se eles pensam que vão ganhar no grito... Se tem uma coisa de que eu não tenho medo é de grito. Podem ter certeza. Podem gritar.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Mas está gritando muito.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Pode é gritar. Eu estou gritando, mas medo do seu grito eu não tenho. Eu queria dizer... Querido, eu grito. Enquanto não me ouvirem, eu vou gritar porque a palavra está comigo. Acabou. A questão é minha, a boca é minha, a altura da voz é minha, e você só vai escutar, porque a palavra está comigo.
Então, eu queria dizer que estar-se criando um hábito feio de fazer um teatro: "Ah, porque aqui, no âmbito desta Comissão, uma pessoa foi chamada da favelada por causa da cor da pele!". Vocês estão invertendo! A gente sabe quem é que é racista aqui. A gente sabe quem é contra negro, quem é contra os gays. A gente sabe porque a gente avisou para o povo brasileiro isso.
E infelizmente eu estou nervosa, sabe por quê, Deputado? Porque eu não estou aqui fazendo teatro. Eu não sou profissional da política como essa leva que chegou aí se achando que sabe alguma coisa. Não! Eu me indigno de verdade. E ouvir o Deputado Rui Falcão ser chamado aqui, dizer que chamou alguém de favelado... Jamais ele teria esse tipo de postura. Jamais, até porque certamente faz parte da luta dele a vida toda lutar por democracia e lutar contra o preconceito. Então, esse negócio de ficar fazendo o modus operandi de ficar exatamente o contrário: "Ah vocês que botam fake news. Não, são vocês. Não, chamou de não sei o que. Não, é você!" Por favor, gente! A gente aqui tem inteligência. A gente já tem aqui muito tempo de praia.
14:00
R
Então, finalizo aqui dizendo que eu acho um absurdo o que aconteceu aqui de o Deputado Rui Falcão ter sido, estar caluniado, ter sido aqui...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Conclua, Deputada.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Há uma armação. E eu concluo dizendo que nós não vamos aceitar esse tipo de provocação e nem esse tipo de teatro, porque aqui a gente não está para brincar. A gente não está na política para brincar. Se vocês querem brincar na política, chegaram em levas e levas aqui na Câmara, acho que não estão entendendo. Aqui não é um lugar de brincadeira e nem é um lugar de palhaçada. Isso aqui é um lugar de coisa séria e de gente séria.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Questão de ordem, Senador Rogério Carvalho, do Estado de Sergipe.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – O PT não está aqui para brincar. Está aqui para roubar.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Uma questão de ordem, Sr. Presidente. Eu queria pedir a V. Exa. que o depoente, que o depoente falasse... (Fora do microfone.)
... quando fosse questionado. Ele não está aqui na condição de convidado. Ele está aqui na condição de convocado. E, por favor, respeite os Parlamentares e esta Casa. O senhor não tem direito de falar agora.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Fora do microfone.) – Então, vocês me respeitem.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Você não tem o direito de falar agora. Você não tem o direito de falar agora. Você respeite o Parlamento.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Estão intimidando o depoente. Presidente, estão intimidando o depoente. Que absurdo!
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – É verdade. O PT está com muito medo.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco/PT - SE) – Sr. Presidente, se não houver respeito, eu vou pedir que o senhor decrete a prisão dele imediatamente, imediatamente.
(Tumulto no recinto.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Encerrada a votação.
Questão de ordem, Deputado Eduardo Bolsonaro.
Encerrada a votação.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Sr. Presidente, não concluí a questão de ordem. A questão de ordem é a seguinte: que o depoente se restrinja a responder os questionamentos feitos pelos Parlamentares.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com certeza. Correto.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Que não se dirija de forma desrespeitosa a nenhum Parlamentar que aqui está...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – A recíproca é verdadeira.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco/PT - SE) – ... no cumprimento do seu dever constitucional. Por favor, Sr. Presidente.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Não atingido o quórum, vai ser aberta, não é, Presidente?
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Presidente, um minuto. Fui citado.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Um minuto, questão de ordem do Deputado Eduardo.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP. Para explicação pessoal.) – Na verdade, você vê que o ódio que eles falam sobre os filhos do Bolsonaro talvez seja porque eu não seja igual aos filhos do Lula, primeiro ponto...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, só relembrando...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Aí, ficou falando, falando, falando...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com o Deputado Eduardo.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Sr. Presidente, o convidado não falou nada. Já estão caindo em cima dele. Há Senador valentão querendo dizer que vai sair daqui preso. Vai sair nada. Para ser preso no Brasil é difícil demais. E o senhor tem esse peito todo para falar com a pessoa que está aqui na frente. Se fosse um bandido, um narcotraficante, um Beira-Mar, duvido que tivesse colhão para falar isso. Como é o Sr. Hans, que está tentando colocar o cara aqui acuado, aí é valentão, bate na mesa e dá o seu showzinho.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não é possível a continuidade...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – E depois vem querer dizer que somos nós que estamos fazendo teatro? Pelo amor de Deus, Sr. Presidente! Vamos respeitar o convidado também...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, uma questão de ordem.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – ...porque Deputado e Senador é igual a todo mundo.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para questão de ordem.) – Presidente, questão de ordem. O art. 110 fala que a regra geral é que as reuniões serão públicas, que só, salvo...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu vou definir, Deputada.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Só para relembrar o art. 110, Presidente, que eles têm que ter maioria para poder...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu agradeço a V. Exa. essa curiosidade de olhar o Regimento.
Não houve quórum para deliberar.
Invocando o art. 148, §1º, que diz: "No dia previamente designado, se não houver número para deliberar, a comissão parlamentar de inquérito poderá tomar depoimento das testemunhas ou autoridades convocadas, desde que estejam presentes o Presidente e o relator."
Como o Presidente está presente e a Relatora está presente, defino que a reunião passa a ser aberta, com a presença de assessores, da imprensa e do povo em geral. (Palmas.)
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Pela ordem, Presidente.
14:04
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O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pela ordem, Deputado Rui Falcão.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Pela ordem.) – Nós estamos aqui na presença, além do depoente, do Dr. Fernando Barbosa Guarda, que é o advogado. O senhor poderia declinar o seu currículo por favor? Para quem o senhor presta serviço?
O SR. FERNANDO BARBOSA GUARDA – Não.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Não?
O SR. FERNANDO BARBOSA GUARDA – Não.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – O senhor presta serviço para a Tim?
O SR. FERNANDO BARBOSA GUARDA – Não, trabalho sozinho.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Não presta serviço para a Tim?
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – O depoente é o Hans; não o advogado, não é, Presidente?
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Presidente, uma questão de ordem.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Aqui é a banana comendo o macaco. Que negócio é esse?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Questão de ordem, Deputado Gadêlha.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE. Pela ordem.) – Apenas para saber do depoente, porque nas notas taquigráficas contam talvez que ele tenha citado o meu nome, em algum momento. Ele citou? Eu queria perguntar-lhe isso. (Pausa.)
Não?
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – É que ele chamou o Deputado Rui Falcão de Gabeira.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Ah, houve aí uma troca de nomes, não foi?
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – É, demonstrando que ele conhece bem as coisas.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Então vamos começar a oitiva?
Presidente, Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Vamos começar a ouvir o depoente?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Presidente, eu peço que retire das notas taquigráficas a calúnia assacada contra este Deputado, me chamando de racista.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Está autorizado.
Concedo a palavra por 15 minutos ao Sr. Hans River do Rio Nascimento, para a sua exposição inicial, se assim desejar. Caso não deseje, partiremos para a pergunta dos nobres Parlamentares.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não, pode... Pode pedir.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Ele declina de fazer a sua exposição inicial, então passo a palavra ao primeiro orador inscrito. A Secretaria da Mesa podia me fazer o favor... Aliás, não: vamos ouvir primeiro a nossa Relatora, Deputada Lídice da Mata, do PSB da Bahia, pelo tempo que assim desejar, porque ela hoje veio e estava com vontade de falar muito, que eu estou notando.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Boa tarde a todos...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Relatora...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA) – Pois não.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ. Pela ordem.) – Fazer uma consulta: o nosso convidado é testemunha? Ele prestou o compromisso de dizer a verdade? Em que situação ele está aqui? Fez o juramento?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Não...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Seria, Sr. Presidente, solicitar a V. Exa...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Presidente, ele está como testemunha.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – ... que ele fizesse o juramento de dizer a verdade.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO (Fora do microfone.) – Está como testemunha.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Está como testemunha.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Como testemunha. Então, tem juramento de dizer a verdade. Então, como testemunha, tem a obrigação de fazer o juramento, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Esperidião Amin. PP - SC) – Mas quem tem obrigação é a Mesa, de cobrar.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – ... de cobrar. De cobrar o depoimento.
O SR. ESPERIDIÃO AMIN (PP - SC) – A obrigação é da Mesa.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Tem que usar a mesma regra, não é, Presidente? Em todas as outras...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Tudo bem...
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – ... o depoente faz se quiser. Se não quiser, não faz.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Então, vamos... Eu vou passar...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu quero informar então aos senhores que o Sr. Hans River está na condição de testemunha e ele tem obrigação constitucional de falar somente a verdade ou ficar calado.
V. Sa. se compromete a falar somente a verdade?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É, eu me comprometo e...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Se se compromete, está resolvido, já respondeu.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É isso que está doendo em muita gente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois é, então...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Sr. Presidente, só fazer uma ressalva.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O depoente se compromete a falar somente a verdade.
Quero informar a V. Sa. que V. Sa. não pode faltar à verdade, sob as penas da lei.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Sr. Presidente! Sr. Presidente! Para esclarecer.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Seria bom que o advogado com a testemunha prestassem atenção: numa comissão Parlamentar de inquérito comete crime quem também omite a verdade. Não é só dizer a verdade. Está na lei: omitir a verdade também representa uma prática delituosa. Então, estou esclarecendo isso ao depoente, à testemunha, esclarecendo ao advogado, que isso está na lei. Numa comissão Parlamentar de inquérito, também não se pode omitir a verdade.
14:08
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O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É importante esclarecer ao nobre Sr. Hans River que ele se por um acaso for questionado e faltar com a verdade estará cometendo crime. V. Sa. pode ficar até calado, se assim o desejar. Mas o que V. Sa. for aqui falar o senhor se comprometeu a ser somente a verdade.
Está consciente?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Consciente.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ. Pela ordem.) – Sr. Presidente, é preciso esclarecer. Se não depuser, se não responder e a posteriori ficar comprovado que ele sabia, também será responsabilizado por ter omito a verdade.
O SR. ESPERIDIÃO AMIN (PP - SC) – Matéria vencida. Vamos adiante, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concedo a palavra a nossa Relatora, Deputada Lídice da Mata.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Boa tarde a todos, aos Srs Parlamentares que compõem esta CPMI, ao Sr. Hans RIver do Rio Nascimento, que aqui depõe como testemunha, e a todos que nos acompanham.
Sr. Hans River, com quem o senhor trabalhava quando ingressou com a ação trabalhista?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu entrei para trabalhar com marketing numa empresa chamada Yacows, que era ali na Nove de Julho com o Barbacoa, ali naquele trecho. E quando eu entrei para fazer o trabalho de marketing foi passado que a gente tinha que fazer as campanhas políticas e junto com as campanhas políticas campanhas de mercado, outras situações de marketing de toda a localidade do País.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – A sua função dentro da empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A minha função era operador.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Operador. O senhor não trabalha mais nela?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não, não!
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Como o senhor foi contratado? Foi indicado por alguém? Foi selecionado?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, eu moro na Vila Leopoldina, um bairro burguês da zona oeste de São Paulo, e quando eu estava transitando pela Avenida Imperatriz Leopoldina tinha uma placa que estava contratando, a empresa Yacows. E eu entrei no escritório, que era um escritório de advocacia, e me passaram para fazer uma entrevista com a Flávia. Estavam o Lindolfo e a Flávia fazendo a entrevista e mais um outro representante da empresa. E quando foi feita e entrevista me perguntaram se tinha problema de eu fazer marketing político e marketing de outras situações. Conversando com a própria Flávia, porque a entrevista foi com a própria Flávia na época, com isso, a gente acabou tendo uma situação de ela me contratar naquele momento.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo.
Qual o período em que o senhor trabalhou?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Exatamente eu não vou saber te responder, não, viu? Exatamente, data, período exato, exato, exato, eu não vou saber te responder.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor sabe dizer pelo menos o ano em que trabalhou? Quanto tempo o senhor passou na empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Quando Lula entrou preso, eu já estava trabalhando nessa empresa.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu quero saber a data.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Tinha uma semana, duas semanas.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu preciso que o senhor diga o ano de forma objetiva. O senhor está depondo como testemunha. Então, se o senhor puder responder de maneira objetiva... O senhor não está sabendo dizer sequer...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com a Relatora, e a Relatora tem que fazer o seu questionamento. Eu gostaria que os nobres Parlamentares dessem esse crédito para que a Relatora não fosse interrompida. E cabe ao depoente lembrar o ano, pelo menos, em que ele começou a trabalhar.
14:12
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O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ. Pela ordem.) – O depoente não pode, antes de responder, consultar o advogado. Ele não pode.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, acho que tem alguém querendo substituí-lo.
(Intervenções fora do microfone.)
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, tem alguém querendo substituí-lo.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra o Sr. Hans.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Se eu puder responder...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sr. Presidente, um minuto.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – O advogado sabe do que eu estou falando. Como advogado, ele sabe que não pode prestar o depoimento pelo depoente.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Presidente, eu peço...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra a Relatora.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu peço a V. Exa. que garanta que nós possamos fazer a inquirição sem interrupção e sem interrupção dos Srs. Parlamentares sobre aquilo que eu vou perguntar, até porque eu cumpro o Regimento da Casa e o Código de Processo Penal, que indica como fazer essa inquirição.
Eu pergunto de forma objetiva. Se o depoente, se a testemunha não sabe responder, ele diz "não sei responder". Basta isso. Eu não estou obrigando ninguém. Apenas lhe perguntei se ele saberia dizer em que ano foi contratado para trabalhar e em que ano saiu do trabalho. Acho que é uma pergunta muito simples.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A resposta está aqui, porque eu trouxe até o processo.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Ótimo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Foi em 2018.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Em 2018.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Em 2018. Porque o período em que eu fiquei na empresa não foi um período muito longo, e eu saí da empresa por não pagamento do que foi combinado.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Entendeu?
Tanto que eu até entrei com recurso na Justiça para reaver as horas extras que haviam sido combinadas, o que não aconteceu, entendeu? Então...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor dá um depoimento, em jornal, de que havia um cadastro no seu trabalho. Eram feitos cadastros, houve disparos excessivos e que esses cadastros, que eram usados nesses cadastros CPFs de pessoas idosas para os disparos em massa. Como o senhor ficou sabendo dessa informação de que aqueles CPFs usados eram CPFs de pessoas idosas?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Na realidade, esse caso é um caso muito complicado, porque... O que era trabalhado ali na empresa? A empresa... Você tinha o seu computador, e junto com o computador você colocava quatro ou cinco celulares emparelhados. Então, você abria o WhatsApp, você colocava o WhatsApp, fazia o cadastro do WhatsApp, você pegava um chip da TIM, da Vivo, da Claro ou da Oi ou números internacionais e você cadastrava no CPF que eles passavam, que a própria empresa passava.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Por que números internacionais?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Quando não se tinha chip funcionando, entendeu? Ou quando tinha muita demanda de propaganda, porque era uma época intensa de propaganda política, de algumas pessoas principalmente que estão aqui, então tinha muito disparo para se fazer naquele mailing e, no caso, "ah, o chip não está funcionando, não subiu", "ah, então vamos pegar número internacional". Aí pegava número internacional de uns sites E eu até trouxe também alguns conteúdos aqui que comprovam isso que eu estou dizendo. Antes de eu sair da empresa eu até tirei uma foto a respeito disso aí.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Exatamente. A foto que o senhor tirou e que apresentou na sua ação trabalhista não pode ser apresentada aqui por se tratar de um documento que está sob sigilo.
14:16
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor. Fora do microfone.) – Porém...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Espere aí, um segundo.
Por isso, eu não vou lhe pedir que mostre esse documento, mas, se for necessário, posteriormente, o Presidente vê que medida tomar. Nós temos tempo para que o Presidente reflita sobre isso.
Eu quero lhe perguntar mais algumas coisas. Em que local funcionava a empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A empresa funcionava ali na Nove de Julho com a Renato Paes de Barros, bem de esquina. O prédio ficava...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor sabe dizer se mudou de endereço?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não. Antes de eu sair da empresa, ela mudou para Santana, ali perto do... Você sai da estação de Santana, a primeira travessa da Voluntários da Pátria. Eu não vou lembrar agora o nome da rua. E, depois disso, eu não sei, porque eu já não estava mais lá.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sabe dizer como foram contratados e produzidos disparos em massa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, a quantidade de funcionários que havia na empresa em si e a quantidade de celular em que cada um ficava trabalhando... Assim, a quantidade era muito grande, era grande mesmo.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor tem ideia se eram 200, 300, 500?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não, não. Eu estou falando de muito, eu não estou falando de pouco. Era muito celular.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não, eu estou perguntado de funcionário.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Funcionário, havia em três períodos. Eu era contratado... Eu fui contratado para o período da madrugada, das 10h às 6h da manhã. Havia o horário das 6h da manhã até as 2h e o horário da tarde. Então, pelo menos no meu horário, dava umas 500 pessoas. Eu acho que até um pouco mais. Nos outros horários, eu acho que dava por volta disso.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O seu horário o senhor ultrapassou diversas vezes?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Nossa, porque eles combinavam com todos os funcionários: "Ah, você vem fazer hora extra e a gente paga o dobro para você". Então, o que era o dobro? Era 2 mil, 3 mil. Então, era conveniente para todo mundo. Todo mundo dormia na empresa e morava na empresa. Tanto que você vê que há fotos que eu tirei a respeito disso que mostram como era a área da cozinha, a área do banheiro; e havia gente até deitado no chão quando eu tirei as fotos.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Nesse processo, há referência de alguns telefones no texto do processo. Eu queria ler esses números – são poucos – para que o senhor verificasse se o senhor se lembra a quem pertence esses telefones. São todos telefones de São Paulo; portanto, o DDD é 011. O primeiro número é 98915-5543; o outro é 98532-0336 e o outro é 98608-8432. O senhor lembra se...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Esses números aí, você está falando de Flávia, Lindolfo e tinha um que era diretor. Qual era o nome dele? Menino do céu... Era um cara...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Então, esses números, segundo o senhor, pertencem aos proprietários da empresa, a Sra. Flávia e a Lindolfo Alves?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Havia um grupo de WhatsApp que era da diretoria. Então, quando eu saí da operação e subi para a chipeira, que era nada mais, nada menos que você ter um acessório em que você colocava o chip, eram aqueles modens antigos que havia antes... Você colocava os chips enfileirados e via se eles tinham sinal. Quando eu subi para a chipeira, eles precisavam conversar comigo para falar: "Mas tem que fazer uma campanha, está atrasado isso daqui, está atrasado aquilo ali". E fizeram esse grupo. Todo mundo que está nesse grupo... Eram dois grupos em que havia o pessoal da diretoria e os donos e havia aquele grupo que era a massa todinha, a massa do horário da madrugada e tudo mais.
14:20
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A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Mas o senhor ficava na massa da madrugada ou o senhor estava entre um grupo mais seletivo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estava nos dois.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor estava nos dois?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Nos dois.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Então, quando o senhor fala: "Filipe e Yacows, chipeira se refere a quem?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Esse Filipe que era o que tinha um cargo maior do que o meu. É desse que eu estou falando para você. Esse é o Filipe.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Peço ao Deputado para contribuir com o depoimento.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Tanto que foi ele que me rebaixou de cargo quando eu estava lá, quando houve a situação de não haver nenhum chip funcionando para fazer os disparos de algumas campanhas políticas.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sim.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estava sentado no 10º andar, andando para cá, andando para lá, sem saber como ia resolver, eu falei: "E agora?". Com esses trâmites aí, eu coloquei duas pessoas em cada janela do prédio – ficou um desse lado e o outro do outro lado –, conseguiram sinal e fizeram toda a campanha política daquela data e daquela semana. Eu comentei nesse grupo aí e já me mandaram para o 7º andar. Falaram assim...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo.
A Folha de S. Paulo, naquela matéria em que o senhor deu entrevista, afirma que o senhor teria encaminhado a eles uma lista de 10 mil nomes dessas pessoas, além de fotos com caixas, com chips e salas cheias de computadores ligados a diversos celulares e chipeiras, equipamentos que usam chips de celulares para imitar WhatsApp e fazer disparo. O senhor poderia encaminhar esses documentos para a CPMI?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Só um detalhe: eu não encaminhei nada para a Folha. Eu entrei com ação trabalhista e, de alguma maneira, a Folha de S.Paulo conseguiu o processo inteiro.
A jornalista – eu trouxe até o livro que ela me deu e autografou – entrou em contato comigo. Eu sou músico, faço faculdade de licenciatura de música e tinha comentado para alguns colegas: "Estou lançando um livro aí, esse livro vai ser bacana". De repente, essa jornalista entrou em contato comigo falando a respeito do meu livro. Eu fiquei até assim... Eu falei: "Bacana, não é? Vai me entrevistar, vai querer saber sobre o meu conteúdo". Ela veio até mim. Quando chegou à minha residência, ela me convidou para ir a uma padaria ao lado. Sentamos para conversar. A todo momento, ela falou desse livro que até está aqui na mão e autografou o livro. E, ao mesmo tempo em que estava falando do livro, ela estava perguntando a todo momento: "Mas e aí você trabalhou na Yacows?". Eu falei: "Não, mas espere aí, você chegou aqui se anunciando a respeito do interesse do conteúdo do meu livro". Na saída dessa padaria, ela queria entrar na minha residência para ver o meu notebook. "Ah, mas eu quero ver o seu notebook e tudo mais." Ela falou: "Eu estou com todo o seu processo na minha mão". Eu falei: "Mas como assim você está com todo o meu processo na sua mão e como você conseguiu meu telefone?". Ela não informou. Até hoje eu não sei como ela pegou o meu telefone e como ela teve acesso a todo o processo.
14:24
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O mais estranho é falar que eu cheguei na Folha de S.Paulo e entreguei um conteúdo que eu entreguei para o fórum trabalhista, entendeu? Tanto que, quando bateu o dia seguinte, eu estava em casa e falei: eu vou à Folha de S.Paulo para saber se ela realmente é jornalista e se ela trabalha lá.
Quando eu cheguei na Folha de S.Paulo, fui tratado de maneira, assim... "De boa, mas ninguém te chamou aqui e tal". Eu falei: "Não, mas eu estou procurando essa moça aqui". Aí ela desceu, me recebeu e me levou para a redação. Houve uma discussão na redação. Eu virei as costas, fui embora e dia seguinte ela publicou tudo isso daí, falando que eu cheguei na Folha de S.Paulo e entreguei a notícia para ela – e eu não entreguei nada para ela, entendeu?
Outro detalhe que até incomodou quando ela estava fazendo a pergunta, porque a todo momento ela estava falando deste livro aqui que está na minha mão – se vocês quiserem passá-lo para vocês verem também, é até importante –, é que ela estava perguntando se eu tinha feito a campanha política do Bolsonaro e do Doria. E eu ainda falei para ela: "Olha, você me desculpa, mas é uma questão de trabalho. Eu trabalhei numa empresa e tudo mais, mas só que o propósito da sua vinda aqui foi a respeito do meu livro, não foi a respeito de onde eu trabalhei ou deixei de trabalhar", entendeu? Então, ela intercalava com essas perguntas.
Seguinte: eu não fiz campanha para os dois.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Pois não.
Gostaria de continuar as perguntas: mas o senhor, em algum momento, segundo a matéria... Ela afirmou que o senhor disse que pensou melhor. "Estou pedindo para você retirar tudo que falei até agora, não contém mais comigo".
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Menina, se eu te falar realmente o que eu falei para ela, eu acho que será cancelado aqui.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Por favor, eu tenho muito respeito pelo senhor.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Desculpa.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Vamos manter as coisas do jeito que estão. Não vamos sair do tom que estamos na investigação, por favor, com todo respeito.
O senhor trabalhou na Yacows e Kiplix. Qual é a relação dessas duas empresas?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, eu fui contratado pela Yacows. Quando houve o processo trabalhista, o advogado que estava representando o processo trabalhista na época falou assim: Olha, chegou o momento em que a gente vai por fora e tal. E a empresa Malte Serviços está te convocando para fazer uma tratativa". Eu falei...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Empresa o quê?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Malte Serviços.
Eu pensei: "Mas eu não fui contratado pela Malte Serviços, eu fui contratado pela Yacows". Quando a gente sentou na frente do juiz para conversar e acertar o que tinha que acertar, havia três ou quatro advogados sentados. Um era de uma empresa cujo nome eu não vou lembrar agora.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não era.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Deep Marketing?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – AM4... Da Yacows não tinha ninguém, mas era tudo o mesmo grupo, pelo jeito. Depois eu fui saber que era o mesmo grupo, mas não tinha ninguém dizendo assim: "Eu sou da Yacows e vim representar a Yacows". Era a Malte Serviços, essa AM4 e uma outra, mas eu mesmo não tive nenhum vínculo com eles.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor se referiu a uma espécie de grupo mais seletivo que coordenava os trabalhos. O senhor sabe o nome desses coordenadores e operadores e o que eles faziam na empresa? O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Havia uma hierarquia ali. Você tinha os operadores que ficavam praticamente como todo mundo que está aqui. Você tinha os supervisores. Acima dos supervisores você tinha... Como se fosse o diretor, que era esse Filipe, que era de um determinado período. E tinha um outro também...
14:28
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A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O Filipe era diretor? Sabe dizer o nome completo dele?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, pior é que não.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Porque aqui você só diz "Filipe Yacows Chipeira".
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É porque ficou marcado no celular.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Porque mandavam mensagem cobrando ou falando "precisa fazer tal campanha", e não se sabia quem era. Então, teve que colocar o nome de cada pessoa para pelo menos ter um norte ali.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Mas você não tem o nome do supervisor dessa turma, dos supervisores?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Inteiro, eu não sei o nome de ninguém, porque ali...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não sabe o nome, metade, o prenome?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não. Nome assim... Na verdade, não.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não, né? Não lembra, não é?
Lembra quem é Sabrina?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A Sabrina era uma moça...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Na troca de mensagens do senhor tem Sabrina.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, a Sabrina, teoricamente, foi o motivo da minha saída – a Sabrina e um outro menino do RH. Os dois eu fui procurar, a respeito das minhas horas extras, que passavam de mais de R$7 mil, de tanto que eu estava morando na empresa, e um ficou jogando para o outro: "não vai dar para resolver...".
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Você sabe o sobrenome da Sabrina?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, pior que o sobrenome dela eu não...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Era uma pessoa do RH da empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Era do RH.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor sabe quem é Richard Papadimitriou?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Richard, não.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Também estava nessas mensagens?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor não identifica quem seja?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Provavelmente devia ser uma pessoa a quem eu não tinha acesso, não era do...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor sabe se os irmãos Lindolfo Alves Neto e Flávia Alves são responsáveis pelas empresas Yacows, Deep Marketing e Kiplix?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, sobre a Yacows, ambos falavam de boca cheia que eram os donos da empresa e faziam todos os trâmites como donos. Agora, das demais empresas eu não tenho uma ideia para poder te falar, porque até mesmo eu fui conhecer essas empresas, os nomes dessas empresas, quando eu entrei com a ação, porque até então...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo. Mas o senhor não identificava que havia mais de uma empresa? Achava que era apenas uma?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Nada! Porque quando você chegava lá, o ambiente era um ambiente de alto nível. Então, você tinha já na esquina o Barbacoa, que é um baita de um restaurante. Na 9 de Julho, você já estava bem localizado. Então, nada transparecia que tinha coisa errada ali. Nada! Até a tratativa deles com cada funcionário era totalmente diferente.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – E a atividade empresarial da Yacows, que o senhor reconhece como a empresa que o contratou? O senhor identifica como a atividade empresarial dessa empresa? O que essa empresa fazia? Ela fazia apenas esses disparos em massa? O senhor notava que ela fazia qualquer outra coisa? Ela tinha qualquer outra participação em campanhas?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, aí é que está o negócio. Essa empresa se apresentou para mim como uma empresa de marketing para fazer marketing de mercado, campanha política, tudo que fosse questão de marketing. Porém, na campanha política, houve muitos fatos que não foram corriqueiros, principalmente a situação do Lula. O Lula entrou preso. A empresa Yacows recebeu um valor...
14:32
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A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Me desculpe, mas eu quero que o senhor se concentre naquilo que eu lhe perguntei.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estou tentando te responder isso agora. Eu não estou falando mal de ninguém, eu não estou falando nada...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não estou dizendo que o senhor está falando mal de ninguém.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estou contando o que realmente...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu lhe perguntei exatamente qual a função...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não, Deputada, a senhora é que tem que me deixar falar. A senhora é que tem que me deixar falar, Deputada. Me desculpe. Me desculpe, não é ditadura não.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Vamos manter a paz.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – É democracia. Porque democracia tem regra, Deputado. Se o senhor não a conhece, passe a ler o Regimento. Passe a ler o Regimento da Casa, por favor, para contribuir. Para contribuir!
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – A palavra está com a Relatora, por favor. Vamos apaziguar. A palavra está com a Relatora.
Deputada, terá sua vez.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Há duas coisas que eu quero ressaltar. Eu tenho o direito de interromper...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É prerrogativa dela, é prerrogativa da Relatora.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O que eu apenas reconheço é que o depoente tem um advogado de defesa. Não sabia que tinha outros.
O que eu estou colocando é: primeiro, queria me dirigir especialmente ao Deputado para dizer que toda vez que uma mulher fala e que um homem se dirige a ela perguntando se está nervosa, há um componente muito grave nessa afirmação. Eu quero que o senhor se refira a outros homens perguntando se está nervoso, e não apenas às mulheres. É a segunda vez que o senhor, nesta Comissão, se dirige a uma mulher perguntando se está nervosa. Eu peço ao senhor que me trate com o mesmo respeito que eu lhe trato em todas as audiências públicas aqui, enormes audiências e sessões que fizemos aqui. Nunca o acusei de nervoso e, portanto, não quero ser acusada dessa condição, porque faço meu trabalho com muita seriedade, ou pelo menos tento fazê-lo. Respeito o trabalho de todos. É a primeira questão.
A segunda é que eu estou atuando como Relatora nesta Comissão. Se os Deputados, Parlamentares, Senadores, tiverem alguma dúvida de qual é o meu comportamento, consultem, por favor, o Regimento Interno da Casa, porque eu estou me atendo justamente e somente a isso. Como Relatora, eu tenho a possibilidade, a atribuição de lhe perguntar de maneira objetiva, de o senhor me responder e, se eventualmente o senhor sair daquele assunto de que eu estou tratando, lhe pedir que o senhor mantenha na linha daquela pergunta que eu lhe fiz.
O senhor disse, por exemplo, que não falou com essa moça, a jornalista, que nós teremos, inclusive, a possibilidade de trazer aqui, se necessário. Ela disse que falou com o senhor diversas vezes, como autor da ação. Ela disse que o senhor disse a ela que pensou melhor e que pediu que não tratasse mais do assunto. E na matéria ela diz que o senhor afirmou que existiam números nessas empresas, usavam nomes e CPFs e datas de nascimento de pessoas na faixa de 65 a 85 anos de idade, nascidos, portanto, entre 1932 a 1953, e que essas pessoas ignoravam o uso de seus dados para cadastrar chips de celulares para promover o envio em massa de mensagens pelo WhatsApp. O senhor confirma essa informação?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não confirmo, porque não foi bem assim. Eu não falei nada para ela sobre isso.
14:36
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Eu tinha falado para os advogados que eu tinha contratado na época, que eram da família Lazarini, que... Assim, de uma certa maneira, eu comentei com eles e não foi colocado no processo. Algumas das fotos que eu trouxe também não estavam no processo, então eu fiz uma limpa no meu computador para poder trazer para cá algumas coisas inéditas, que não estão anexadas ao processo trabalhista.
E essa jornalista falando que eu cheguei nela e falei para ela tais situações...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor não confirma, então, que havia esses disparos feitos com chips cadastrados por pessoas idosas, nascidas, portanto, entre 1932 e 1956, e que os dados dessas pessoas foram usados para os disparos em massa? O senhor não confirma isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Só ratificando: eu não confirmo que eu cheguei na jornalista e dei a notícia.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não, mas eu não estou lhe perguntando isso, eu estou lhe perguntando...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – No início, a senhora falou que eu falei para a jornalista.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Preste atenção. Veja bem: o senhor afirmou que as empresas Yacows, Deep Marketing e Kiplix usavam nomes, CPFs e datas de nascimento de pessoas na faixa de 65 a 85 anos – estou refazendo a pergunta –, nascidas, portanto, entre 1932 e 1953, e que estas pessoas ignoravam o uso de seus dados para cadastrar chips de celulares para promover o envio em massa de mensagem pelo WhatsApp. Nós estamos investigando esta ação dessas empresas.
O senhor confirma esses dados?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim, agora, a senhora ratificando, dá até para confirmar, porque eu não falei nada para jornalista nenhuma.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sim.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Nesse caso...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Mas o senhor confirma isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Nesse caso, eu até trouxe a lista. Eu trouxe a lista aqui para apresentar para todos.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Que lista?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Essa lista foi passada pelo WhatsApp – era o grupo que tinha Lindolfo, Flávia, Filipe e todo mundo – e essa lista foi passada quando já estava no auge da campanha política e havia uma grande necessidade de disparar as campanhas políticas. Aí, eles mandaram, via WhatsApp: "Você vai chegar, vai olhar, vai abrir aqui no computador...".
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Esses CPFs?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É. O que havia na lista? O nome da pessoa, a data de nascimento e o CPF. Então, cada um pegava listas no computador, abria e, com cada CPF, você conseguia, no da TIM, cadastrar de quatro a cinco chips; no da Claro, se eu não me engano, eram três, quatro, alguma coisa assim; no da OI, eram três; e no da Vivo eram três, quatro. Então, você tinha essa possibilidade.
Foi dividido da seguinte maneira: cada um pegava a lista, como era muito nome, era muito nome... Eu não lembro quem foi o ser humano que correu a lista toda; eu bati o olho e eu falei: "Minha nossa, pessoa de mil novecentos e trinta e tantos aqui", entendeu?
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Mil novecentos e trinta e dois, não é?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Nossa, havia de 1932, 1938, 1926, 1928. Se você olhar bem a lista...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor disse que nascidas entre 1932 e 1953, portanto pessoas entre 65 e 85 anos de idade, 86, que são caracterizadas no nosso País como pessoas idosas.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Se duvidar, nem vivas estão, se duvidar.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Pois é, o que é mais grave ainda. CPFs falsos; se elas estiverem mortas, os CPFs são de pessoas que já morreram.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – E essas empresas, então, que forneceram esses CPFs para o senhor e seus colegas trabalharem?
14:40
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu não posso dizer essas empresas, porque eu trabalhava para a Yacows e, até então, não tinham sido apresentadas a mim outras empresas.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sim, então a Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A Yacows apresentou conteúdo – Flávia, Lindolfo, Filipe – pela necessidade de que eles estavam enforcados com a campanha política de um partido, determinado partido, e esse partido estava pressionando, porque queria que corresse a campanha política.
Eles chegaram com esse conteúdo dos cem nomes e colocaram.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sr. Presidente, essa afirmação é uma afirmação gravíssima do procedimento ilegal dessa empresa, que nós ouviremos amanhã. Estou apenas ressaltando aqui a gravidade da informação que é fornecida neste momento e que o senhor confirma, portanto, que é verdadeira. Eu lhe fiz a pergunta.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu trouxe o conteúdo para todo mundo olhar aqui.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo, muito bem.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Trouxe o conteúdo e o conteúdo...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor, então, explicou como é que isso funcionava.
Os senhores recebiam o CPF.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Como Relator.) – Sim.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA) – Todos estavam com pessoas entre 1932 e 1953, mais ou menos...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Assim, os CPFs vinham de gente que tinha nascido por volta dessa época até os dias atuais.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Pronto.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, pode ser que houvesse CPF de gente que está aqui, até o meu mesmo. Não há como você ver toda a lista. É nome para caramba.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu não estou lhe perguntando esse tipo de detalhe.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estou explicando para a senhora que vem de 1926, 1928 até dois mil e...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Mas o importante é que esses CPFs não eram de pessoas que tinham autorizado?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Ah, com certeza.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor disse aqui que esses dados... As pessoas ignoravam o uso de seus dados para cadastrar chip de celulares. Eu imagino que sim.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Porque era uma ordem que a gente recebia que fosse executada.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Muito obrigada.
O senhor sabe dizer quem é Daniel Hugo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Daniel Hugo... Eu não vou lembrar exatamente qual era a função desse Daniel não. Eu sei quem é, mas não vou lembrar qual era a função que ele fazia não.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor se referiu lá atrás ao uso de números internacionais. Disse que, quando não tinha chip, usava outros chips de números internacionais. O senhor pode explicar por que se usa, como tecnicamente se justifica o uso de código de países diferentes entre os operadores?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Essa explicação ficaria mais confortável no conteúdo que eu trouxe para ser apresentado, porque, colocando na tela, você entenderia o que eu teria para apresentar. Entendeu? Porque é um conteúdo um pouco mais específico, até mesmo porque, quando foi me apresentado esse conteúdo, eu demorei muito tempo para entender e muito tempo para poder trabalhar com esse conteúdo. É um conteúdo um pouco complexo, é um pouquinho complexo, mas, ao mesmo tempo, não é um conteúdo tão...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O que o senhor quer dizer com conteúdo complexo? Explica aí um pouquinho.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Porque esses sites de telefone são sites pagos, entendeu? Então, era pago de alguma maneira – não sei se era dólar, euro, sei lá de que maneira era pago –, para que você tivesse acesso a um número x, o número que você quisesse de qualquer país do mundo. Então, os países que eram mais atuados, em que se trabalhava bastante eram Canadá, a região europeia toda, entendeu? A Turquia principalmente era onde havia bastante sinal e dava para utilizar o número.
14:44
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Então, assim, esse site... A complexidade de você entrar nele já não é fácil, porque os supervisores mandavam para o seu computador para você conseguir abrir e ter acesso. Porque você sentando no computador e colocando assim: "Ah, eu vou colocar, vou entrar e pegar o número", você não conseguia extrair. O próprio supervisor tinha que mandar para o seu computador com a licença de você poder utilizar...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor trouxe uma exposição desse processo...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Trouxe, porque fica até mais fácil o entendimento.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Assim que eu terminar aqui, eu peço que o senhor possa apresentar aqui para todo mundo conhecer. Eu já estou terminando.
Dentro dessa explicação que o senhor vai dar, o senhor vai também explicar o que é plataforma de chip?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim. A plataforma de chip... O que é a plataforma de chip? A plataforma de chip... Você está vendo aqui esse notebook... Todos aqui lembram como funcionava o modem, que era um negocinho que você colocava do lado do computador para você ter internet. Justamente nesse modem, você... No modem, você colocava um chip na lateral do modem para você ter a conexão da internet. Então, você colocava... Independente da operadora que você queria, que você tinha contratado, você colocava um chip e conectava no aparelho que você queria usar. É que, neste caso, eu não posso levantar até aí, pegar e mostrar para vocês um pouco melhor, mas imaginem mais de cento e alguma coisa, enfileirados... Cada fileirinha, vocês tinham esses modens para você colocar e fazer o teste do chip, para que o chip...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Muito obrigado.
Era colocado da seguinte maneira... É que este daqui eu não sei... Este daqui não... Este daqui tem coisa de chip?
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Para vocês entenderem, o chip era colocado nesta parte de trás do produto. Você colocava o chip, conectava o chip na chipeira, a chipeira já ficava ligada ao computador. Então, você colocava uma série de cento e alguma coisa ou duzentos chips assim dessa maneira. E, no computador, você conseguia ver se ele tinha funcionalidade, se ele trabalhava, se ele estava tendo sinal, se estava tendo tráfego de dados. Então, a margem de erro disso era muito pouca. Então, era bem viável para os donos comprarem a quantidade de chips, que foi até apresentada numa das fotos que eu coloquei, e colocarem alguém para poder fazer o teste do chip. Então, nesse teste de chip, você via se o chip funcionava. Funcionou? Você colocava num potinho, separava o que era bom e separava o que não estava dando sinal. No próprio computador, você conseguia mandar para o 7º andar, para o 3º andar, para os supervisores, informando: "Tem tanto aqui, podem vir buscar". Ou eu mesmo levava. Ou eles: "Ah, eu estou precisando de chip, a gente está sem chip". Era assim que corria essa situação da chipeira. A chipeira, nada mais nada menos, era uma situação disto daqui...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sim. Concentrava todos os chips.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É, ela lia...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Ela lia os chips.
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Ela lia em série todos os chips, porque uma das fotos que foi apresentada aí, a que vocês conseguem ter acesso... A chipeira tinha uma fileira de quatro, e nessa fileira de quatro eu não vou lembrar exatamente quantos cabiam. Davam em torno de uns 154, mais ou menos, de chip que você colocava em série. E essa chipeira dava choque também em seu funcionamento. Ela era de um material de ferro, um material de metal, então, quando você a ligava, ao mesmo tempo em que ela vinha lendo, se você bobeava com a mão, você levava choque; até o produto tinha metal.
Respondendo à pergunta da senhora, seria isso.
Muito obrigado.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor falou, só voltando a uma coisa, que Flávia Alves... O senhor falou que a empresa funcionava – deu o endereço aqui do seu funcionamento –, em 2018, quando o senhor foi contratado, ela funcionava depois? Passou alguma vez, depois que o senhor saiu de lá, e ela funcionava?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A empresa, na realidade, foi expulsa da Renato Paes de Barros, porque foi uma coisa muito estranha. Eu não lembro exatamente quantos andares que tinha na Renato Paes de Barros, eu estava no 10º, numa bela madrugada, eu estava sentado no 10º, fumando meu cigarro, de repente eu escutei um burburinho atrás de mim, a sirene da polícia. Eu falei: "Pronto, o que aconteceu aqui?". Desci para ver, quando eu fui entrar no elevador, a polícia estava invadindo o prédio todo, e eles tentaram abafar o caso falando: "Ah, tinha um bingo aqui no andar de cima e a polícia veio estourar o bingo". Na realidade, não foi nada disso. Depois parando para pensar: todos os funcionários que queriam fumar, ou fumavam lá no térreo do prédio ou nas escadas escondido, davam um jeitinho para fumar. Com isso, o Lindolfo e a Flávia começaram a ter problemas com o restante do prédio, porque a batida da polícia naquela noite, naquela madrugada, só não levou algumas pessoas mortas, eu não sei te explicar como, porque tinha gente fumando na escada... Eu estava fumando no 10º andar. Quando você virou assim, a polícia na sua cara. Então, ficou aquela coisa. E depois todo mundo começou a ser proibido de ficar transitando, porque você entrava para trabalhar das 10h às 18h, mas você tinha o seu horário de janta, e eu não sei se algumas pessoas que falaram que me conheciam sabem, mas eu sou diabético e hipertenso, e eu não posso ficar determinado tempo sem me alimentar.
Há gente caçoando, tirando onda, zombando, não sei para que isso.
Não é você, não, é quem está aqui na ponta.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Por favor...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Aí o que aconteceu? Começou a ser proibida a saída dos funcionários para poder almoçar, jantar nos restaurantes que tinha mais para o fundo, e começou a ter uma resistência de todo mundo. Entendeu? Até mesmo porque eu sou diabético, eu tinha que sair para comer. Eu não podia ficar lá parado sem comer nada.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Mas a partir daí não se encerrou naquele dia a empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não. Não.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu estou perguntando isso, porque há outras declarações dela sobre a empresa. O que o senhor disse era checado com...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A empresa em si foi expulsa dali de uma maneira bem... Minha nossa! O Lindolfo e a Flávia, eu não sei te explicar como, foram pressionados a se retirarem do local.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Porque ficou aquela coisa: todo mundo quer sair para comer e não pode sair para comer, fica em cárcere privado lá dentro. Fica preso lá dentro.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor falou desses CPFs e falou do processo de chip. Sabe quantas linhas funcionavam? Havia mais de uma linha por CPF?
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, cada CPF... É como eu havia falado e vou repetir: em cada operadora – TIM, Claro, Vivo, Oi –, você consegue cadastrar com o seu CPF uma determinada quantidade de chips. Então, em cada operadora, você conseguia uma quantidade.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sim, vamos dizer que, com aquele CPF, você conseguia dois com a TIM, três com a Vivo...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Na TIM, se eu não me engano, eram quatro. Mas você vê que você conseguia fazer o cadastro e, com o mesmo CPF, você conseguia colocar quatro, cinco aparelhos aqui emparelhados, trabalhando e fazendo disparos.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Está certo.
Para quem prestou serviços eleitorais?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então... Como eu estava dizendo naquele momento para a senhora e a senhora...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Era a empresa M4 que contratou a Yacows...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não. Essas empresas... Eu vou tornar a dizer: para ninguém que trabalhou na Yacows... Se você colocar todo mundo aqui nesta sala, ninguém vai falar para você a respeito dessas empresas, porque ninguém sabia, muito menos eu sabia. Isso porque foi vendida uma imagem para a gente, foi vendida uma ideia de trabalho para a gente, uma ideia de situação que eu só fui descobrir depois, quando eu entrei com a ação trabalhista.
Então, assim, era tudo apresentado e era tudo cobrado pela própria Yacows.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Pela própria Yacows.
Não havia ou não aparecia nenhuma empresa por trás da Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Apareciam outras situações. Entendeu? Apareciam outras situações. Então, essas outras situações...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor tem cópias ou alguma cópia das mensagens enviadas naquele período?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não. Quando eles começaram com a negativa do meu pagamento... Eu até trouxe também a minha conta bancária daquele período, porque eu fui ao banco, ao banco Itaú... Eu cheguei no banco Itaú e não havia salário. Eu tirei até foto. Eu falei: "Como assim? Cadê o meu salário? Cadê a minha hora extra e tudo mais?".
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sim.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Quando eles começaram com essa negativa em resolver essa situação e ficar jogando, zombando da minha cara, eu disse: "Não, eu vou apresentar um processo trabalhista porque está difícil isso aqui, está infundado".
Eu tirei fotos, recolhi todo o conteúdo que eu precisava...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – São aquelas fotos que estão no processo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim, mas eu não conseguir tirar aqui, no momento da campanha, porque havia muito problema com isso.
Você pode estar com o seu celular? Pode estar com o seu celular, mas até um determinado ponto.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Sei.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Todo mundo ficava aqui assim, com o celularzinho aqui embaixo, e o supervisor aqui atrás, o supervisor na mesa lá... Até a Flávia, no canto dela, porque ela ficava sempre à direita no 7º andar. Então, não sabia... Cada um tinha o seu celular e ficava mexendo no seu celular, mas você não podia levantar ele para cima.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Você não podia fotografar nada daquilo que estava fazendo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Era muito burocrático, tanto que as fotografias que eu consegui tirar foi uma coisa assim: estou passando, tirei e já estou saindo andando com o celular no bolso, ninguém viu, ninguém vê. Entendeu?
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Está certo. E que são aquelas que estão no processo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Certo.
Vou finalizar, Sr. Presidente, só perguntando uma última coisa: o senhor não sabia – obviamente já falou mais de uma vez – de outras empresas que estivessem por trás da Yacows. Não saberia dizer também quem pagava, quem contratava e quem financiava esse tipo de coisa?
14:56
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, agora vai entrar uma discussão imensa aqui, porque, assim... Aí parando para se analisar – eu até peço desculpas para um ou outro aí que não tem nada a ver e tudo o mais – a Yacows tinha uma forte ligação com o PT e o PT fazia um baita pagamento para a Yacows...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu não estou falando para fazer demagogia, não estou falando isso para falar bem do filho do Bolsonaro, não estou falando isso por conta disso não, nem pela discussão que a gente teve; eu estou falando isso porque eu vim aqui, saí da minha residência para poder vir para cá... Só um detalhe: repare que o cara está toda hora zombando da minha cara ali. Entendeu? Então, assim..
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – É você mesmo, fazendo careta.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Oxente! O que é isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, como eu estava dizendo, naquele momento, quando o Lula entrou na prisão, a Yacows recebeu um determinado valor, e eu estava no 10º andar fazendo o trabalho da chipeira e apertando para que fossem mandadas as coisas para baixo, eu escutei um burburinho, desci para encher o saco do pessoal e saber o que estava acontecendo e viraram para mim e falaram: "Você não viu o que vocês mandaram para a gente?". Eu falei: "Como assim?". E me mostraram a campanha política do Lula.
Passaram-se uns dias, a Rede Globo lançou, no Fantástico, uma informativa falando que o Lula acabara de ser preso, estava acontecendo a campanha política dele, e o cara estava brigando ali para ser eleito, sendo que estava na situação meio adversa. O que o Lindolfo e a Flávia fizeram? Eles pegaram, abafaram o caso, mandaram tirar todos os mailings que tinham disponíveis no computador dos supervisores e tudo mais, e ficaram com a grana. Não tive aumento de salário, não tive nada. Ficaram com a grana e abafaram o caso.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor tem consciência que essas pessoas que o senhor está citando também vão depor aqui?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – E que, portanto, confrontarão essas informações, ou confirmando o que o senhor falou ou negando o que o senhor falou. O senhor tem consciência disso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Você quer pegar direito?
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Não...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Se a senhora quer...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O senhor me responda só. Só me responda: o senhor tem consciência ou não tem consciência disso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu tenho consciência disso.
Agora, tem um detalhe bem importante; se a senhora pedir a quebra do sigilo telefônico de cada um daquele período, vocês vão ver que eu não estou mentindo no que eu estou dizendo aqui. Se quiser pedir até o meu, fica até melhor ainda.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – O seu não tem problema: o senhor já deixa aqui a autorização para que isso seja feito.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Entendeu? Porque se você pegar de cada um, você vai sentar com o Lindolfo, você vai sentar com a Flávia, você vai colocar...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Esses telefones que o senhor deu aqui são os telefones deles três?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – São de Lindolfo, Flávia e o Filipe.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Então, já incluiremos...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não sei se continuam com os mesmos telefones.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – ... na quebra de sigilo que encaminharemos à Comissão.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Você vai sentar com cada um deles, eles vão falar a versão deles.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu agradeço, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Sr. Hans, o senhor autoriza, então, quebrar o seu sigilo telefônico?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Sim, o duro é que eu estou sem telefone.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O.k. Então, a Secretaria vai providenciar o encaminhamento.
Prossiga, Relatora.
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Presidente, era o que eu tinha a perguntar. Creio que os outros Deputados têm muito mais a perguntar.
15:00
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Todas essas informações que foram dadas aqui, e contestada a matéria da Folha de S.Paulo, é claro que nós teremos a oportunidade de contracenar com as pessoas que fizeram a matéria também aqui, nesta CPMI. Espero que, em breve, a gente possa confrontar todas essas informações.
E, portanto, Sr. Presidente, para mim está encerrada essa primeira fase da minha inquirição.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ. Pela ordem.) – Presidente... O senhor não pode proceder da maneira como está procedendo, consultando, pedindo informações para que ele possa alterar ou afirmar o que disse. Ele não pode ter essa interlocução com o advogado. Isso não pode. Só isso. O advogado só intervém se qualquer direito da testemunha for inobservado. O advogado sabe disso.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concedo a palavra ao Deputado Rui Falcão, autor do requerimento.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Pela ordem.) – Presidente, só mais uma pergunta, se possível – apenas para saber o tempo de cada Parlamentar aqui.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Solicito à Secretaria da Mesa que marque no cronômetro o tempo já estipulado por esta Comissão nas sessões anteriores para cada Parlamentar titular e suplente.
Com a palavra o Deputado Rui Falcão, PT, do Estado de São Paulo.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Primeiro, Presidente e Sra. Relatora, eu quero desmentir cabalmente que o PT tenha contratado, ou a campanha do Lula tenha contratado a Yacows nesse período inclusive que o depoente mencionou. Quero desmentir cabalmente, e que ele diga quem contratou, quando contratou, porque é fato inverídico.
Segundo, eu queria saber... O depoente disse que ocorriam fatos que não eram corriqueiros no local de trabalho, declarou também que nada transparecia que tinha coisa errada. Ele disse que era um prédio de alto nível, algo semelhante, na esquina da Nove de Julho com a Renato Paes de Barros, perto da churrascaria Barbacoa, uma baita churrascaria, como ele disse, e que nada transparecia, portanto, nesse prédio, que havia coisa errada. A que o depoente se referia com "acontecia coisa errada"?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Foi o depoente que mencionou isso na sua resposta à Relatora.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O Deputado Rui Falcão está já inquirindo o depoente?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Isso. Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Já fez uma pergunta direcionada a ele?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Ele disse à Relatora que trabalhava num prédio – estou repetindo – na esquina da Nove de Julho com Renato Paes de Barros, um prédio de alto estilo, perto da churrascaria Barbacoa, e que, portanto, nada transparecia que lá havia coisa errada. Eu estou perguntando se ele pode detalhar o que é isso.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra o depoente para responder à pergunta do Deputado Rui Falcão.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – O que era essa coisa errada que não transparecia?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Bom, assim, eu trouxe aqui, está até aqui na minha mão... Quando foi feita a ação trabalhista surgiram essas empresas que estão sendo citadas a todo momento.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Escuta. Você falou e eu escutei. Então, assim, o que aconteceu? O acordo que eles correram, de uma maneira absurda, para que eu fechasse negócio com eles e calasse a minha boca, começou a ficar estranho, e, na mesma semana, em questão de dias...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar. Fora do microfone.) – Eles queriam calar a sua boca por quê?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Aí que eu queria entender, não é?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar. Fora do microfone.) – Quer dizer, tinha algum segredo que eles queriam que o senhor não revelasse.
15:04
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O que eu consegui entender mais ou menos é que essa empresa Maut Serviços, porque foi a Maut Serviços que se apresentou, está até aqui no processo, quem quiser ver...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – O senhor não trabalhava para a Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, não é? Aí, o que acontece: eles correram para poder fechar...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Eles quem? A Maut ou a Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Kiplix e Maut Desenvolvimento de Software Ltda. – essas empresas se apresentaram para fazer um acordo.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Essas, qual? A Maut e... Mencione. Essas empresas, quais são?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Vou até repetir novamente...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Não, o senhor disse "essas empresas...". Estou só perguntando quais são.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu vou citar o nome de cada uma novamente aqui, porque acho que está difícil o entendimento. As duas empresas que se apresentaram para fechar esse acordo aqui comigo, Kiplix...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Qual foi o acordo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – ... e Maut Desenvolvimento. O interesse deles era que fosse encerrado o processo, houvesse o acordo, esse acordo de um valor simbólico, e eu não comentasse mais nada sobre toda essa situação.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Sobre o trabalho que o senhor fazia?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para interpelar.) – Sobre tudo. Teoricamente, o que eles não queriam é que eu estivesse aqui, como eu estou agora. Entendeu?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para depor.) – Havia coisa errada – é isso a que o senhor se refere?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, em seguida, mas foi em seguida, assim, questão... Foi acontecendo um num dia e outro no outro, a jornalista apareceu e aconteceu tudo isso.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – O senhor tem noção – provavelmente não – de que fazer disparos com nomes de pessoas, CPFs de pessoas, inclusive de pessoas que já teriam morrido, como o senhor mencionou, que essa era uma atividade ilegal?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, na realidade, naquele momento, em determinada situação em que todo mundo ali se encontrava, todo mundo estava iludido com aquele desejo de ter um salário alto, de trabalhar que nem louco para conseguir ter um salário alto e conseguir comprar seu arroz. Então, o que acontecia: toda situação que era proporcionada no recinto, nada te dava a entender que tinha alguma...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Coisa errada.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – ... coisa errada.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Tinha uma dificuldade de você ter uma relação produtiva, ter uma relação boa com a Flávia? Tinha. Isso era fato. O Lindolfo chegava, cumprimentava, brincava, tirava uma onda, mas só que a situação inteira do local...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – O senhor mencionou que estava submetido a cárcere privado na sua fala?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim, sim. Isso ocorreu quando aconteceu essa situação que eu...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Inclusive colocando em risco a sua saúde, porque o senhor tem diabetes, precisa se alimentar, e eles não deixavam sair para comer. É isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim. Isso realmente aconteceu, como eu estava falando, que foi no período que teve a batida da polícia lá, que foi uma batida gigantesca.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – O senhor estava submetido, portanto, a um trabalho análogo à escravidão?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É, você entrava às 10 da noite e ficava até 6 da manhã sem poder sair.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Presidente, eu acho que essas empresas, com o depoimento do Sr. Hans River, precisam, de alguma maneira, ser ouvidas aqui na CPMI, porque são fatos gravíssimos; quer dizer, como o Sr. Hans River, havia centenas de pessoas trabalhando nessa condição. Então, nós não podemos permitir, tomando conhecimento disso, que as coisas persistam.
Mas, Sr. Hans, o senhor disse também que o pessoal estava meio enforcado, estava meio pressionado, o pessoal estava, no final da campanha, meio enforcado, pressionado, e, por isso, precisavam ampliar os disparos em massa, e o senhor disse também que quatro chipeiras podem disparar, se não me engano, 154 mensagens simultaneamente.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Então, me explique.
15:08
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu fui claro na explicação: a funcionalidade da chipeira, nada mais, nada menos é do que você pegar o chip, nu e cru, vindo da operadora, ou um chip até mesmo usado, e ver se ele tem tráfego de dados.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Sim.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, quando você pega o seu celular e manda uma mensagem ou faz uma ligação, a outra pessoa, na outra parte, onde ela estiver, vai receber a mensagem por conta do tráfego de dados.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Agora, quantas chipeiras, aproximadamente, tinha nessa empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Tinha uma de um lado... Dava acho que umas quatro. E tinha uma que não funcionava.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Quatro chipeiras?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – De onde vieram os celulares que o senhor operava? Ficavam com o senhor?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, a empresa...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Quem deu os celulares?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A empresa, em si...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – A Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A Yacows tinha uma quantidade absurda de celulares.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Quantos, aproximadamente?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não dá para ter uma contagem muito boa não.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Mais de mil? Mais de mil, por exemplo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Assim: se você fizer as contas, cada pessoa ficava com de quatro a cinco aparelhos. Então, imagina...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Quinhentas pessoas?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É, e fora os que tinham guardados, caso tivesse algum problema com aqueles aparelhos.
Os aparelhos, esse que o Sr. Presidente tem aqui, na mão, este tipo de aparelho aqui não trabalhava direito. Se você vir nas fotos, no aparelho preto chinês – eu não lembro a marca daquele aparelho –, você colocava o chip, você conseguia com mais facilidade saber se ele estava com o chip funcionando e fazer os envios.
Então, esses tipos de aparelhos aqui não serviam. Então, não adiantava ser um Motorola, um LG; tinha uma certa dificuldade. E, às vezes, o chip que não funcionava neste aqui, funcionava no outro, entendeu?
Então, era muito celular.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – De onde vinha o conteúdo que o senhor difundia?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O conteúdo de propaganda ou o conteúdo... Do quê?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Eu sei de propaganda. O que mais que... Além da propaganda, o que mais?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Porque o que rolava, o que acontecia ali, era propaganda política e propaganda, como eu já falei várias vezes, mercado... Eu peguei propaganda de mercado de Tocantins, de uma área que ninguém nem imaginava.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – O conteúdo da propaganda política eleitoral, quem é que entregava para o senhor?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O Lindolfo e a Flávia passavam para os supervisores; os supervisores despachavam para cada um fazer.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – O senhor só repetia.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Você sentava no seu computador, na sua mesa. Então, ele mandava para você, como se fosse um mailing do que você ia fazer, a propaganda que você ia disparar, e, com isso, você só sincronizava o celular e colocava naquele QR Code. O QR Code... A única coisa que a gente fazia era sincronizar, colocar no QR Code e colocar um pontinho, que já, automaticamente, vinha toda a propaganda.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Havia uma pauta do dia sobre esse conteúdo quando o senhor entrava no trabalho?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não tinha, não tinha essa coisa não, porque você sentava na sua mesa, no seu computador, e, na grande maioria das vezes, ficava um intervalo de tempo ocioso até mandar ou até ter chip para poder fazer, o número para poder fazer. Quando chegava assim, "hoje vai ter campanha de fulano de tal; hoje vai ter campanha de beltrano", aí você colocava o celular emparelhado e fazia a campanha política.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para depor.) – O senhor falou que o partido estava pressionando na reta final da campanha. Que partido era esse? O senhor identificou ou não?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu identifiquei.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Qual era?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu identifiquei, falei e direcionei principalmente para o senhor.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Para mim?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, assim, tipo...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Estava fazendo para mim?
15:12
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, o partido que, curiosamente... Curiosamente, porque até depois eu fui ver direito que essa jornalista também é do PT, quem me chamou para vir para cá é do PT – entendeu? –, e todo mundo vem me fazer a pergunta mais incômoda: você fez a campanha política do Doria e do Bolsonaro? E eu não peguei a campanha dos dois, tanto que eu sentava...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Mas a M4, o senhor trabalhava com a M4?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não... Agora deixa eu responder. Tanto que eu até chegava e conversava com todo mundo, com o pessoal que trabalhava comigo, o pessoal do bar, porque eu parava no bar para comer e para beber, e falava: "Pô, mas caramba, né? A gente tá fazendo campanha de todo mundo. Bolsonaro não rolou aqui para a gente...".
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Era o único que não fazia, não é?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A gente estava achando estranho que o cara não estava fazendo... Não, você me desculpe aqui, mas a gente estava achando estranho que ele não estava fazendo campanha e o Doria também não estava fazendo campanha, mas tinha gente do partido dele que estava fazendo campanha, entendeu? Eu não vou ficar falando o nome, mas tinha gente...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para depor.) – O senhor sabe que nesta CPMI, a Polícia Federal e o Ministério Público também investigam os disparos ilegais que foram feitos na campanha de 2018. Esses celulares, o senhor disse que eram usados para fazer esses disparos.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É, não era celular novo.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Não eram celulares?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não era celular novo.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para depor.) – Não, não era o celular que era usado para fazer disparo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Era celular, via WhatsApp mesmo, entendeu? Mas, assim, de uma certa maneira, o senhor me interrompeu o que eu estava dizendo.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Não, mas eu estou...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estava fazendo uma colocação.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Eu estou fazendo uma outra pergunta.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Mas eu não terminei de responder.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Eu é que digo o ritmo. Ainda conforme...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – É, sim. Ele...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Exatamente. Quem é testemunha aqui é o senhor, não sou eu.
Conforme os prints da tela do computador que o senhor apresentou, é possível constatar que houve uso de 1,6 mil chips. Quem é que fornecia os chips?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Aí é que está uma coisa que o senhor está dizendo, porque em momento algum eu falei a quantidade.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Não, eu estou dizendo aqui.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Você está dizendo, mas...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – O senhor, o senhor.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O senhor está dizendo, mas o senhor não estava lá. Eu estava lá, eu trabalhei lá.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Quantos chips tinha?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – E até mesmo eu não soube contar a quantidade, porque era uma quantidade gigantesca de chip. Não eram 100 mil chips. Cem mil chips não chegam nem na metade do que tinha ali.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – É mais, então.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Milhões?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Faz as contas: TIM, Vivo, Claro, Oi, Nextel.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Melhor, o senhor está então aumentando. Obrigado pela informação. É mais do que 1,6 mil. São milhões.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Assim, eu vou ser claro, porque eu acho que eu não estou conseguindo ser claro.
De uma certa maneira, se você...
(Soa a campainha.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – ... olhar tudo que foi dito, tudo que foi apresentado, tudo que saiu da minha boca, em momento algum eu falei a quantidade, porque é impossível você contar a quantidade. Faz as contas: tinha o 7º andar, o 3º andar, o 6º andar e o 10º, como que você vai calcular a quantidade de chip? E tem a foto que eu trouxe. Até agora, até o presente momento eu não vi ninguém apresentar o conteúdo que eu trouxe. No conteúdo que eu trouxe, está bem claro. Eu tirei a foto claramente: como chegou, como que era, como que estava sendo apresentado. Dali já responde a sua pergunta. Dali você já consegue ter uma ideia mais precisa. Entendeu?
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – No início da audiência, foi franqueado ao senhor apresentar. O senhor não quis. Mas pode apresentar posteriormente.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, "eu não quis", não; estou citando isso continuadamente. Estou falando aqui a toda hora.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Sim, mas no começo, o senhor abdicou de falar. Pode depois mostrar.
Pergunta final, Presidente, para concluir.
Sr. Hans River, diante de todo esse quadro de que o senhor tratou, das condições de trabalho na empresa a que o senhor prestou serviço por um período, o senhor se arrepende de ter feito esse trabalho?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, a respeito de toda essa situação em que eu me encontro hoje, neste conteúdo que eu trouxe aqui agora, esse conteúdo também tem a minha receita médica...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Mas, então, o senhor se arrepende?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, se eu puder responder, eu acho que eu vou ficar feliz.
Então, assim...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – É só se se arrepende ou não.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, assim, porque está difícil a conversação aqui, porque o que está acontecendo? Me perguntam e não deixam eu responder. Se for assim, não tem por que ficar falando.
15:16
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O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para interpelar.) – Não, a pergunta é clara: se o senhor se arrepende ou não.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Assim, o prejuízo que toda essa história me deu... Nenhuma empresa está me contratando. Toda empresa que eu bato, eles não me contratam. Eles colocam no Google, porque a jornalista colocou o meu nome no Google e acabou com o meu nome no Google, eu não consigo um serviço registrado, eu não consigo pagar a minha própria insulina. A minha insulina é o quê? É R$200, R$300, e eu não tenho dinheiro para pagar a minha própria insulina.
A questão não era você ou o Senado pagar a passagem para que eu viesse para cá. Se me chamassem da maneira que chamassem, se eu tivesse dinheiro, eu vinha com o maior gosto. O problema é que eu não tinha condições. Por quê? Porque a própria jornalista acabou com o meu nome inteiro! Colocou no jornal falando coisa que eu não tinha nem falado. Falando que eu estava fazendo campanha do Bolsonaro, e eu não tinha feito; do Doria, que eu não tinha feito.
O prejuízo que essa jornalista e a Folha de S.Paulo me deram, junto com o Partido Trabalhista Brasileiro, é um prejuízo – meu! – absurdo, porque eu faço entrevista em algum lugar, o proprietário do lugar vira para mim e fala assim: "Legal, o seu currículo é bom". Eu trabalho o primeiro dia; no segundo dia, quando pedem os meus documentos, eles consultam o documento e eu sou mandado embora. Agora, você me explica por que eu sou mandado embora. Você acha que eu estou feliz? Você acha que eu não estou arrependido de ter entrado nessa empresa para trabalhar? Essa empresa acabou com a minha carreira, cara!
E ó, para você ter uma ideia, agora, em época de Carnaval, eu sou cavaquinista, eu sou músico. Eu estou tendo que fechar valor de cachê abaixo, para garantir o arroz, cara, e a minha insulina. Quando vocês mandaram e-mail para mim – eu não sei quem foi, o Marcelo, eu acho que foi ele que mandou para mim –, eu fui categórico e até mandei para o meu advogado. Eu falei: ó, eu estou passando mal. Além de estar passando mal, estava parando na UTI a todo momento, quase morrendo a todo momento, porque eu não tenho a insulina que eu deveria tomar. Eu não tenho condições de comprar. Por quê? Não é porque eu não gosto de trabalhar, não é porque eu não estou correndo atrás de serviço; é porque toda situação desse caso todo que está sendo dito aqui proporcionou para mim, entendeu? Então, você acha que eu vou estar alegre, dando risadinha? Não, não estou satisfeito, não estou realmente satisfeito.
E assim, mais ainda não estou satisfeito, que eu não me preocupo de falar o que realmente eu vivi e o que realmente eu passei ali, entendeu? O que não vivi eu não quero nem saber; o que o povo comentou também não quero nem saber. O que me interessa é que parem com essa coisa de eu não ter a mesma possibilidade que muitos têm de arrumar um trabalho, de trabalhar, ficar de boa e conseguir pagar as suas próprias contas. Eu não consigo pagar a minha insulina. Eu tive que fazer... O quê? Não é? Não tem condições.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O.k. Eu vou autorizar o nobre depoente a passar o que ele trouxe de material na nossa TV ali, para que até substancie mais as inquirições. (Pausa.)
15:20
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Autorizo aqui o depoente a falar próximo aí para a sua explanação.
O próximo orador inscrito é o Deputado Paulo Ramos, após a apresentação.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Posso falar? Som, som.
Bom, aqui, o que foi printado? Foi printada nesta tela aqui a situação que foi a pergunta que a senhora me fez naquele momento. Aqui era o grupo geral, como está claro, Yacows geral. Você tem Sérgio Vinícius, você tem Vitão, você tem todo mundo que trabalhava ali. Era o grupo geral. Se eu não me engano, no processo trabalhista está o grupo da diretoria. E aqui você vê: já entra aquela parte que eu estava falando da situação do pagamento. Foi prometida determinada situação: você vem, trabalha, você mora na empresa, você vai ter um alto ganho. E chegou o momento em que não aconteceu isso. No presente momento, não aconteceu isso.
E eles começaram a fazer negativa quando o pessoal procurava. Essa Sabrina apresentada e um outro menino de que não vou lembrar o nome agora também faziam negativas quando você chegava à mesa deles. Chegava à mesa deles e falava: "Meu, o meu pagamento não caiu, como que fica?". "Ah, mas não vai dar para resolver". Chegaram até a um determinado ponto em que eles mandaram esse tipo de mensagem, fora as outras que mandaram. As outras eram para acabar mesmo com o funcionário, para deixar o funcionário se sentindo humilhado, como se fosse uma coisa que não era do direito dele, entendeu? Então, aqui é a respeito da situação do pagamento.
Pode mudar, Fernando.
Aqui entra essa parte do chip, entra a parte da contagem que eu estava falando para o senhor. Como você vai me contar isso daqui? Você consegue contar? Jesus consegue contar? Porque nem eu consigo. Então, assim, você vê aqui que foi separado. Se você vir direito aqui, você vê que tem chip da Claro... Aqui são os chips da Claro, chip da Claro. Normalmente, o que vinha desse jeito era um chip misturado, que já tinha circulado pela operação, andava pela operação e, depois, subia para o 10º andar. E, nesse 10º andar, o que acontecia? O operador de chipeira, chegava um momento, separava, colocava na chipeira e via, colocava em série na chipeira e olhava no computador para ver se estava tendo sinal, se estava tendo tráfego de dados. O chip novo era o chip que vinha na caixa. Chegavam as caixas. Ninguém via chegar. Você tirava, destacava, tirava aquele "plastiquinho" da operadora, se era TIM, Vivo, Claro, Oi, Nextel, você tirava daquele "plastiquinho" e você colocava aqui. O chip, atualmente, vem com três separações: o nano, o micro e não sei o quê. E, se você reparar bem, há muitos aqui que estão sem. O chip está... O chip normal e o chip inteiro, não é? O chip com as bordinhas e sem as bordinhas. E, a partir daí, quando você conseguia detectar quais chips estavam funcionando, que você conseguia falar com propriedade, falar "você pode usar", chegava na operadora e falava assim: "Está aqui o conteúdo, dá para você trabalhar?". Era dado num potinho pequenininho. Isso era repartido no 7º, no 6º e no 3º andar.
15:24
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Quando a empresa mudou lá para Santana, foi repartido nos andares que havia ali na empresa. Eram corredores grandes, eram repartições grandes, em que você conseguia trabalhar. Ficava até mais fácil, porque era praticamente dessa maneira que vocês estão sentados aqui. Então, chegava a ser mais fácil para fazer a distribuição desses chips.
Se quiser mudar...
Aqui: quando eu estava falando para ter um maior entendimento do que eu estava dizendo aqui... O computador ficava aqui. Não sei se dá para contar: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Nessa noite aqui – eu lembro como se fosse ontem –, o pessoal estava sentado na mesa, estava ocioso e conseguiu fazer com que houvesse campanha. Foi liberada a campanha e, nessa liberação de campanha, havia chip para poder fazer o disparo da campanha – já estava em um momento apertado da época política. Você só podia ter quatro ou cinco aparelhos na sua mesa – só quatro ou cinco. E aí um ou outro – eu, principalmente – falou: "Então, vamos colocar um monte aqui e já vamos disparar em uma tacada só e a gente já se manda".
Para você sincronizar cada um desses chips aqui, cada um desses aparelhos, você não podia colocar dois chips no aparelho, você colocava um chip. Você tinha que subir as campanhas com esse único chip que você colocava. Como que você ia subir as campanhas com ele? Você colocava o chip e mandava mensagem para sua mãe.
A própria empresa, o pessoal da diretoria, falava: "Entra num grupo aí de qualquer coisa" – eu não vou nem falar realmente a real aqui. E o pessoal ia procurando trâmites para conseguir segurar o chip, porque senão você não conseguiria segurar o chip.
Segurar o chip que eu estou falando é você receber a campanha aqui, pegar o celular aqui, conectar no QR Code e conseguir disparar para um mailing de sabe-se lá quantas pessoas. Havia mailing com 200, 300 contatos de pessoas, mas havia mailing que eram muitas pessoas, mais de 2 mil, 3 mil pessoas, que você conectava e desconectava.
Para você fazer isso acontecer, você tinha que estar com o chip subido. Se você não estava com o chip subido, você não conseguia fazer com que na em hora que você colocasse... Você pegava o celular...
No celular de vocês, vocês vão ver que há a situação de você colocar no modo avião e de colocar no modo do sinal da internet do local em que você está e de tráfego de dados. Você colocava no modo avião, colocava o chip, via se ele tinha sinal... "Tem sinal? Está beleza? Está maravilha? Então, está certo". Você colocava emparelhado, colocava na campanha e tirava o sinal. Você deixava no modo avião. No modo avião, você já ia conectando todos aqueles contatos.
Vamos supor que eu quisesse pegar todos vocês que estão aqui nesta sala e mandar uma campanha política para cada um de vocês. Eu pegaria o contato de cada um de vocês aqui e colocaria no celular. Só mudaria do modo avião para o modo de dados. E era assim que era feita a campanha política e a campanha de mercado, campanha de determinadas outras situações.
Se quiser mudar, pode mudar.
15:28
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Complementando o que o senhor tinha dito – eu não me esqueci do senhor –, aqui você vê: esse andar era o 10º andar. Você consegue contar quantos chips tem aqui? Consegue? Consegue contar? Porque eu também não consigo. Tudo isso daqui são caixas. Os chips chegavam assim, desse jeito que você está vendo aqui, está certo? Desse jeito que você está vendo aqui.
Quando você para em alguma banca de jornal ou em qualquer lugar para comprar um chip para colocar no celular de vocês, o chip vem em um pacotinho. Imagina essa caixa cheia desses pacotinhos. Essa noite foi a noite do chip da Claro, quando compraram, não sei de que maneira, não sei como trouxeram...
De certa maneira, fica difícil explicar onde conseguiram essa quantidade absurda de chips para poder fazer a campanha política, porque estava havendo uma pressão. Essa pressão... "Está chegando a época de fazer os votos. Você já fez a minha propaganda?".
Não sei se eu estou sendo claro.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Prossiga, Sr. Hans.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Vocês me desculpem, mas, querendo ou não, eu estou aproveitando este momento para ser o mais claro possível, para não haver pergunta complicada nessa situação.
Então, a chipeira aqui... Essa era a chipeira. A parte metálica da chipeira está aqui. Embaixo você tinha a CPU, mas aqui não tem nenhuma. Acho que deve ter uma ali embaixo. Ali ficava a CPU. O computador ficava aqui nesta ponta. Então, a chipeira era feita desta maneira: duas aqui e duas do outro lado. E era assim que você conseguia... Aqui você consegue ver nitidamente que é um modem igual ao que a moça me apresentou agora há pouco. Imagina você testar tudo isso daqui de chip. Quantos CPFs você está usando? Quantos chips você está usando?
Então, aí fica muito complicado, porque, quando chega a época de campanha política, a pessoa que está se elegendo quer ganhar, ela não quer saber de onde está vindo a situação. Ela quer saber do voto dela garantido; ela não quer saber de que jeito você mandou a campanha – e era assim que eles chegavam lá. Ninguém quer saber... Ninguém perguntava para você: "Você mandou daquele jeito que eu te pedi?". Não! Eu não sei se eu estou sendo claro no que eu estou dizendo aqui. Então, é isso.
Se quiser mudar, Fernando...
Mais outra situação: o celular preto de que eu estava falando para vocês. Essa marca de celular... Eu estou tentando lembrar o nome dessa marca de celular, que é uma marca chinesa, se eu não me engano.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Xiaomi?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não. É difícil de a gente ver essa marca, a gente só consegue ver na 25 de Março. Inacreditavelmente... (Risos.)
A gente está rindo aqui, está sendo até inacreditável... Eu ia até usar um termo, mas vou segurar esse termo que eu ia usar. Inacreditavelmente essa marca desbanca todos os celulares que vocês têm aí, que são caros. Em qualidade de tráfego de dados e subida de chip não tem para ninguém. Tanto que eles investiram tanto nesses aparelhos.
E aqui em cima você via, ficava marcado o número do aparelho e a mesa de que ele era. Cada mesa tinha sua quantidade aparelhos. E o que eles começaram a fazer? Na grande maioria das vezes, ficavam quatro ou cinco desse tipo de aparelho e esse para subir o chip, entendeu?
Quando foram colocados esses aqui em série é porque não tinha supervisor olhando, porque não se podia colocar todos esses em série.
15:32
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Vamos supor: eu coloquei todos esses em série, porque fui eu mesmo que fiz. Coloquei todos esses aqui em série. Como o fulano que está atrás vai subir chip? É por isso que o supervisor não deixava.
Fernando...
Aqui entra aquele outro detalhe que eu estava explicando para vocês. Aqui são todas as campanhas que a gente tinha com o mailing. Eu até tentei nesta madrugada preparar para vocês uma aula a respeito disso. Até entendo vocês me questionarem, por não terem ciência, conhecimento a respeito disso. Ninguém é obrigado a saber de uma coisa que não viveu. Então, assim, aqui é tudo campanha política de fulano e beltrano. No meio você vai encontrar um ou outro mercadinho de Tocantins, da Bahia; um ou outro mercadinho – mercadinho pequeno, não é mercado grande, não é um Extra da vida, é mercado pequeno. Então, façam o cálculo de quantos aqui estavam... Façam o cálculo. Tem gente cuja campanha política foi feita e está aqui.
Aí você vê... Eu vou até pedir que se volte lá. Vou até pedir que se volte.
Aqui, nessa parte... Essa parte aqui é onde você colocava o momento em que você cadastrou o chip, você anotava o número do celular...
Gente, eu acho que eu vou pedir que parem de interromper para que eu possa explicar, para depois não me perguntarem coisas que... Não dá!
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Falta muito, Sr. Hans?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Falta.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Vamos acelerar, porque há muita gente.
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Se fosse alguma coisa para acusar o Presidente da República, o senhor ficaria 40 minutos assistindo. Então, vamos ter coerência.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Nobre Senador Humberto, como ele não fez a sua exposição inicial... Ele deixou para o final porque ele queria mostrar esse vídeo. Por isso é que eu estou sendo condescendente com o depoente. Só por causa disso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu posso continuar a explicar?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Claro, claro, tem que respeitar o Parlamento.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Bom, aqui o que você vê? Nesse primeiro momento, o celular não está com chip. Aqui o chip já foi colocado, já foi cadastrado, você já tem o número do celular. Então, você colocava o número do celular aqui.
E aqui é quando você já estava na etapa de colocá-lo para funcionar com um WhatsApp.
Aqui é uma campanha que estava sendo feita. Não vou lembrar agora qual era. Era uma campanha de alguma coisa feminina, alguma coisa assim. Então, aqui você via o nome da campanha. Se fosse campanha política, estaria o nome do político aqui e a foto do político aqui. Se fosse uma campanha de mercado, o nome do mercado estaria aqui, e a foto do mercado, aqui.
(Soa a campainha.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Vou até pedir mais uns minutinhos, porque tem muita coisa aqui.
Aí, era trabalhado dessa maneira. Era assim que começavam os envios.
Se a senhora puder enviar a segunda foto...
Aqui são os chips. Eu não lembro se esses daqui são os que não funcionavam... Quando era pouca quantidade assim, você já sabia que não estavam funcionando ou que você tinha que rever na "chipeira" ou no celular para ver se estavam funcionando ou não.
Aqui você vê que ele é da Oi, se eu não me engano. Da Oi, da Claro...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não, da Claro era vermelhinho.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Sr. Hans, prossiga com o modus operandi. Não precisa falar a marca do chip não.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Aqui é a parte do décimo andar. Nessa parte do décimo andar, o que você tinha? Você tinha as mesas com os computadores.
15:36
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Nessa área aqui toda era feito esse procedimento da "chipeira". Onde vocês viram a foto de todas as caixas de chip... Ela ficava por aqui, e aqui ficava todo mundo fazendo essa função de "chipeiro". Quando você passava no sétimo ou no terceiro andar e falava "meu, eu preciso de você para você subir e ajudar a fazer o trâmite de subir chip para ver se está tendo sinal ou não", era feito dessa maneira que vocês estão vendo aqui. Entendeu?
Essa, realmente, eu tirei a foto na cara larga, porque não tinha como não tirar.
Se puder mudar...
Aqui está até assinado com o meu nome. Por que está assinado com o meu nome? Duzentos e cinquenta e quatro chips... "Chips sem sinal. Domingo, 26 de agosto", e está meu nome. Foram chips que foram testados e não tinham sinal algum.
A grande maioria desses chips que foram testados e não tinham sinal algum...
Esse prédio da Nove de Julho tinha janela desse lado e tinha janela daquele lado. Quando eu comecei a ser cobrado e questionado no sentido de que a empresa precisava andar e não podia ficar parada, que eu coloquei um desse lado e coloquei outro do outro lado, eu falei "coloca na janela e sobe com o celular aqui do lado de fora para ver se vai funcionar", foi resolvido e diminuída essa quantidade – e perdi o cargo da "chipeira" por ter descoberto e colocado a empresa para andar!
Então, se puder mudar...
Aqui entra aquela parte, que é esse site aqui: você colocava – já é a resposta da senhora –, você colocava nesse site... Esse site é um dos sites que, de uma forma paga, você consegue ter... Você consegue ter números internacionais de qualquer parte do País, e do mundo, na realidade. E do País também você conseguia números de outras localidades. Ressalvo aquele detalhe de que Canadá e região europeia eram os locais que tinham mais tráfego.
Se a senhora puder mudar...
Aqui, como era feito? Você colocava um chip nas costas do celular. O celular sempre ficava carregando, entendeu? Se ele ficava carregando, você colocava o chip e já trocava rapidinho e colocava para subir e fazer os disparos, para fazer a campanha, independente da campanha que fosse.
Se a senhora puder mudar...
Aqui, mais nitidamente, dá para você ver que cada um desses aqui era só um chip. Você não colocava dois para subir. Não tinha possibilidade de você colocar dois para subir. Era só um chip por cada vez que você fosse fazer os disparos. Então, já tinha uma certa demora ali.
Pode mudar.
Aqui, mais destacada, a operadora.
Se a senhora quiser mudar...
Aqui o momento da campanha. Olha o momento da campanha aqui olhando para a gente! Está bem claro aqui. Toda essa quantidade de pessoas que você está vendo aqui... É aquela explicativa que eu estava dando. Coloquei no modo avião... Não sei se dá para vocês verem. Tem alguns aparelhos aqui que estão no modo avião. Coloquei no modo avião, sincronizei, subi o chip... Vou mandar a campanha: eu tiro do modo avião e começo a descer todo mundo que estava lá no contato. Se vocês quiserem fazer um teste, juntem um grupo de pessoas para as quais vocês querem mandar uma mensagem no WhatsApp e mandem um pontinho, escrevam qualquer coisa. É isso que vai acontecer, que foi da mesma maneira que aconteceu aqui. Simples.
E aqui há uma situação onde você tinha o cadastro de um determinado tipo de pessoa para você mandar a propaganda.
Aqui, continuando essa situação, dá para você ver. Você vê que tem coisa de sexo aqui, tá? Grupos de sexo, porque era uma coisa que rolava muito. "Ah, eu não tenho para quem mandar". "Ah, meu, entra aí na internet, procura um grupo e você manda, mas segura o chip". Então, toda... No horário da madrugada, só tinha homem; no horário da manhã, tinha uma mulher; no horário da tarde, também só tinha uma mulher. O que eu sei, que eu acompanhei, porque eu passei 24 horas na empresa, só tinha duas mulheres, o restante era tudo homem. Então, o que mais acontecia era isso que você está vendo aqui. Está entendendo? Tudo isso aqui é propaganda. As propagandas foram enviadas. E, no meio dessas propagandas, era conversação aqui. Eu mesmo conversava com a minha mãe também por aí, com outras pessoas também por aí, para segurar chip. E era dessa maneira.
15:40
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Se a senhora puder mudar...
Aqui você conseguia ver pelo computador também, porque, no momento em que você sincronizava, ele já aparecia no computador. É como a gente faz em casa: a gente pega ali, sincroniza o celular no computador e ele aparece para a gente. E a campanha corria aqui para a gente. Campanha de fulana de tal, ia rodando aqui para a gente. E era esse conteúdo que você está vendo. Está até a bolacha que eu estava comendo um dia.
O local que a gente trabalhava. Tinha gente que dormia aqui, tinha gente que dormia aqui. Você encontrava, em determinados locais do prédio, de tantas horas trabalhadas para fazer campanha política de gente – há até gente que hoje vem me ofender e tudo mais –, gente que descansava, levava até travesseiro de casa, coberta de casa, porque estava crente que o Lindolfo e a Flávia iam pagar aquela promessa que eles prometeram para todo mundo: "Você faz hora extra, deixa de morar na sua casa, você vem morar aqui, faz a campanha política, que você vai receber um salário muito bonito". Todo mundo ficava assim nessas situações. Isso daqui é uma sala que o pessoal usava para dormir, para descansar – não usava para trabalhar.
Se puder mudar..
Aqui, bulk services. Esse negócio de bulk services era a situação na qual você tinha uma situação de mailing que chegava para você. Era só o supervisor que tinha acesso. Então, o supervisor mandava para você, eu mesmo saí de lá sem saber muito bem, sem entender como se trabalha nessa situação. A partir daqui, você tinha a sua campanha, você está entendendo? A partir daqui você tinha a sua campanha.
E os números aqui atrás? Alguém consegue ver esses números aqui atrás? Estão vendo Egito aqui? Sul da América? Dá para enxergar aqui? Filipinas. Aqui já é a continuidade daquele site de números.
Se a senhora puder mudar...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Acabou?
Então, é isso, gente. Alguma pergunta? Alguma dúvida? Fui claro?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Daqui a pouco os Deputados vão lhe perguntar. Pode voltar ao seu local.
Com a palavra o Deputado Paulo Ramos, do Rio de Janeiro, do PDT.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ. Para interpelar.) – Presidente, cumprimento a todos.
Quero dizer ao Sr. Hans River que ele não está sendo investigado: o senhor aqui é testemunha, o senhor não é investigado. Então, quero deixar isso claro, porque fica, às vezes, a impressão, no debate, de que o senhor é alvo da investigação e o senhor não é. O senhor aqui é testemunha – o senhor é testemunha.
Eu quero fazer um registro, Presidente. O advogado não pode se comunicar com a testemunha. O advogado... Eu estou fazendo a pergunta, o advogado não pode se comunicar.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Fora do microfone.) – Claro que pode.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Presidente, eu defendo as prerrogativas do advogado, porque eu sou também advogado.
15:44
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A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Fora do microfone.) – Eu também sou.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Presidente, eu posso tomar a palavra agora neste momento?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Não.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, com todo respeito, eu queria saber onde é que está previsto na lei que o advogado não pode se comunicar com a testemunha. Porque eu também sou advogada e estou achando que esse Deputado – com todo o respeito que eu sempre tive pelo senhor, Deputado – está intimidando a testemunha.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu tenho a impressão...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – O senhor está intimidando a testemunha o tempo todo.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Presidente, eu tenho a impressão de que o Dr. Fernando conhece quais são as atribuições do advogado, qual é o papel do advogado quando uma testemunha está prestando depoimento. Ele sabe. Ele sabe que a testemunha é que tem que prestar o depoimento, o advogado não pode responder nem orientar a testemunha sobre o que ela tem que dizer. O advogado ouve. Se as prerrogativas da testemunha... Se a testemunha for desrespeitada, o advogado intervém. Não é o caso.
Então, eu peço ao Dr. Fernando que aguarde com paciência as perguntas e as respostas. Estou registrando aqui que o Sr. Hans não é investigado, para deixar claro isso; o Sr. Hans aqui é testemunha, e eu quero concluir. Então, quero fazer as perguntas, somente isso, somente isso.
Eu quero perguntar... Se eu perguntar e V. Exa., Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu quero que oriente, que advirta o advogado que ele tem que aguardar a testemunha responder as perguntas, sem a intervenção dele. Somente isso.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Mas em nenhum momento isso aconteceu, Deputado. Eu não sei a que o senhor está se referindo.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O nobre advogado não pode responder pelo depoente, mas, regimentalmente...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Ele não respondeu até agora, Presidente, eu não sei do que o Deputado está falando.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – ... o nobre depoente pode conversar com o seu advogado durante o depoimento.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ. Para interpelar.) – Eu não estou me manifestando tendo essa ou aquela posição não. Eu não estou me manifestando aqui. Eu quero fazer as perguntas. Eu só registro que o advogado... Somente isso.
Veja só, há um preconceito, porque eu ainda nem perguntei o que eu quero perguntar ao Sr. Hans.
Nessa questão do trabalho escravo e na ação trabalhista, dos demais trabalhadores, quero saber se ele foi o único que ingressou com ação contra a empresa.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Posso falar?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pode.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Só um detalhe, para deixar claro: eu vivi, não foi meu advogado que viveu. Eu pergunto para ele sobre a maneira pela qual vou me dirigir a você e ao Presidente, que está aqui ao meu lado, porque eu fiquei irritado com uma situação que ocorreu antes da senhora de vermelho chegar.
Agora, assim, o que acontece? Não houve trabalho escravo. Trabalho escravo é quando você não recebe pelo trabalho.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não. Eu estou dizendo... As condições de trabalho nós já conhecemos. Eu estou perguntando se o senhor foi o único que ingressou com ação trabalhista contra a empresa. Só isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Quando eu saí da empresa, eu perguntei para vários funcionários que naquele período diziam ser amigos: "Meu, você vai depor lá a meu favor? Você viveu, você estava aqui, você viu tudo". Quando eu entrei com a ação trabalhista, apareceu alguém?
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não, foi o único.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não apareceu ninguém. Quando ficaram sabendo que a Folha de S.Paulo tinha acabado com o meu nome e ficaram sabendo da quantia simbólica que a empresa tinha fechado comigo em acordo, uns atrevidos chegaram a entrar em contato querendo que eu os ajudasse a fazer uma ação trabalhista. O que eu fiz? Como no momento em que eu pedi para que fossem testemunhas ninguém me atendeu, eu bloqueei todo mundo. Nada mais justo! Da mesma maneira... Você também faria a mesma coisa. Na hora em que eu precisei, não me ajudou. Por que, eu vou ajudar os outros? Entendeu?
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – O senhor revelou para nós aqui que, da parte da empresa, ou de algumas empresas associadas à empresa que contratou o senhor, houve pressão para que o senhor não tomasse determinadas iniciativas, para que o senhor silenciasse. E aí eu queria saber: isso foi antes ou depois do seu relacionamento com a jornalista que fez a matéria?
15:48
R
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Olha, eu vou deixar mais claro, mas muito mais claro, porque eu acho que eu não fui muito direto nessa situação da jornalista: ela queria sair comigo, eu não dei interesse para ela. Ela parou na porta da minha casa e se insinuou para entrar na minha casa, com o propósito de pegar a matéria, está certo? Ela se ensinou para entrar. Ainda falei que não podia entrar na minha casa. Ela queria ver o meu computador, que inclusive eu trouxe para cá – não está aqui, eu trouxe para o flat em que a gente está. Quando eu cheguei à Folha de S.Paulo, quando ela escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção... A minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Tudo bem. Deixe-me fazer um registro.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não, estou respondendo à sua pergunta e deixando claro, porque acho que não ficou claro isso, porque tem muita coisa que está sendo dita de uma maneira distorcida.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu só perguntei, só perguntei... A pergunta que eu fiz ainda envolvia o seu relacionamento, ou seja, lá o que for, profissional...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu não tive relacionamento nenhum com ela.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu só perguntei se, quando as empresas... O senhor falou aqui que as empresas solicitaram ao senhor para encerrar, para não tomar nenhuma iniciativa. Quero saber se foi antes ou depois do contato que o senhor teve com a jornalista. Eu só perguntei isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Mas eu já tinha respondido e vou responder de novo: a jornalista apareceu exatamente... Tudo isso que eu que estou citando aqui... Vamos colocar a semana: aconteceu a negociação do processo na segunda; terça-feira me apareceu a jornalista. Então, foi feita a negociação num dia e, no dia seguinte, ela estava aparecendo.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Está bem. Isso não... Eu ainda não cheguei ao... Eu vou explicar por quê.
(Soa a campainha.)
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Muita coisa que o senhor está depondo aqui, muita coisa, está na sua ação trabalhista, e o senhor não pode contradizer aquilo que o senhor mesmo sustentou para alcançar os seus direitos em relação à empresa, somente isso.
E mais – é preciso isso –, eu, no início do depoimento, fiz questão de registrar, muito mais como um alerta, que a ninguém se obriga conhecer a norma. Disse que a testemunha tem a obrigação de dizer a verdade, mas, numa CPI, também comete ilícito quem omite a verdade. Não é só dizer a verdade. Se houver alguma pergunta feita sobre algo de que o senhor tenha ciência, que já conste em algum lugar, e o senhor aqui omitir, isso também representa transgressão à norma.
Mas tudo bem, é só para alerta.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Permita-me só a resposta...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Sabe por quê? Deixe eu lhe dizer: jornalistas muitas vezes gravam. É possível que a jornalista tenha gravado as conversas que teve com o senhor. É possível, eu não estou afirmando que ela gravou. Se houver uma discrepância muito grande em relação àquilo que o senhor aqui diz e a matéria, eu vou sugerir depois uma acareação com a jornalista.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Espera aí...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Somente isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Agora eu posso falar?
Agora, ela acabar com o meu nome e depois você insinuar que tem gravação...
15:52
R
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu preciso dizer uma coisa: eu lamento muito...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Deixa eu dizer. Eu lamento muito as suas...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Nós temos exemplos, exemplos os mais diversos, de pessoas como o senhor que foram vítimas. Eu não tenho dúvida de que o senhor é vítima, nenhuma dúvida de que o senhor é vítima, de que tudo isso inviabiliza a sua vida profissional. Eu não tenho dúvida quanto a isso. E eu não estou aqui numa posição contrária ao senhor. Ao contrário, eu tenho certeza absoluta... Eu imagino o preço que o senhor está pagando. Aliás, inclusive em relação a preocupações com a sua segurança pessoal. Nenhuma dúvida há quanto a isso. E eu não estou aqui contra a sua pessoa. Não estou aqui a fim de jogar uma casca de banana para que o senhor fique numa situação difícil. Claro que não! O que eu preciso é fazer a pergunta em função daquilo...
O que nós estamos investigando? Nós estamos investigando o disparo em massa de mensagens mentirosas comprometendo a reputação das pessoas. É isso só. Esse é o alvo da investigação.
Então, a pergunta que eu faço é: o senhor, quando trabalhava, sabia o conteúdo daquilo que estava sendo transmitido?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Olha, é como eu já cansei de falar aqui... Mas tem duas coisas que o senhor falou no discurso do senhor... Uma é que a jornalista tem alguma gravação...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não, não sei se tem.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Posso falar agora? Eu escutei o senhor falar.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não, não...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Assim, uma é que a jornalista tem alguma gravação e outra é de eu correr risco de ameaça à minha integridade...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não, meu irmão!
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – física no meio da rua.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu não estou dizendo...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Já são duas coisas diferentes aí.
Agora, outra coisa: no momento em que a gente trabalhava nessa empresa, para nós, naquele momento, não era uma coisa que foi apresentada de uma maneira errada.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Foi apresentado um trabalho que, para a gente, era um trabalho, entendeu?
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Claro! Nenhuma dúvida quanto a isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não foi apresentado assim: "Ó, você vai chegar, você vai fazer isso, isso e isso, e isso aqui é ilegal, tá?" Não foi apresentado assim.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Mas é claro que não! Eu não estou interpretando assim não. Eu estou perguntando: o senhor tinha conhecimento do conteúdo das mensagens que eram disparadas? Ou o senhor recebia tudo pronto e disparava? É isso que eu estou perguntando.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Sim. Quando eu mostrei ali o funcionamento do aparelho, do celular, e a questão do WhatsApp... Quando você emparelhava os celulares e colocava no QR Code e começava a descer o que você estava fazendo de propaganda, você via o que você estava fazendo de propaganda. Então, você via que era campanha política, você via que era santinho – como aqueles santinhos de antigamente que eram jogados pelo Território nacional – e você via logo de mercado – "Olha, promoção hoje de frango", promoção de não sei o quê.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não, tudo bem.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – E era isso que a gente via.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – O senhor tinha... Nós estamos tratando aqui...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concluindo, Deputado.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Nós não estamos tratando daquilo que é lícito; nós estamos investigando aquilo que é ilícito. O que é lícito, inclusive em campanha eleitoral, não é objeto da nossa investigação. Nós estamos investigando disparos de fakes em massa para alcançar determinados objetivos, alcançando a honra das pessoas. É isso que nós estamos...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Então...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Nós não estamos responsabilizando o senhor. O senhor estava lá trabalhando. O senhor arrumou um emprego...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu entendi.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – ... e tinha suas tarefas. A pergunta que eu faço: é possível identificar as campanhas eleitorais que foram feitas?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – É possível, porque, se você pegar o histórico de todo mundo, você vê.
Assim, quando eu cheguei ao Ministério Público, quando eu fui chamado ao Ministério Público, falaram que o pai do moço que está sentado ali, cuja campanha eu tinha ajudado a fazer, denegrindo a imagem do pai dele e denegrindo o PT e tudo mais... Eu falei: "Mas, gente, não rolou isso daí". O que aconteceu? Era campanha política, não tinha... Na minha presença, enquanto eu estava na empresa, no período todo em que eu estive na empresa, não houve disparo denegrindo imagem de ninguém, e muito menos disparo a respeito do pai do moço que está aqui, cujo nome eu não sei, mas...
15:56
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O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Então o senhor conhecia o conteúdo das mensagens que eram disparadas?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Sim. E a pergunta que o senhor me fez era se havia alguma coisa ofensiva, e não havia. Pelo menos no período em que eu estive lá presente, não havia.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Então, o senhor não tomou conhecimento, não constatou...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Conclua, Deputado.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – ... nas mensagens disparadas, nada que, na sua avaliação, representasse fake news?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Olhe, eu sou consciente da minha faculdade mental, eu sei distinguir o que é uma coisa ou outra. Então, nessa situação, naquele período, nada mais nada menos, quando era campanha política, apareciam o número do candidato, o nome do candidato, o zoneamento em que ele estava se elegendo. Então, não tinha nada fora isso; pelo menos no momento em que eu estive trabalhando na empresa, o que passou, pelo menos na minha mão, não tinha nada além disso.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Em relação às mensagens, em relação a quem estava tendo as mensagens difundidas...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Conclua, Deputado.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – ... é possível saber quantidades? Tal mensagem, x; tal mensagem, y. Em termos de quantidade, é possível saber isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Era produto grande, não era coisinha pequena não.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – É porque eram várias mensagens diferentes e, naturalmente, imagino, para públicos diferentes. O chip...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Teoricamente, vamos dizer assim. Por quê? Vamos supor que, aqui, essa primeira fileira seja o Estado de São Paulo e que a fileira do senhor seja o Estado do Rio de Janeiro. Havia números de telefone com os quais eu não podia mandar mensagens para o Rio de Janeiro que cabiam para São Paulo. Eu não sei se você está entendendo... Que cabia para São Paulo...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Entendi.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Tinha determinada campanha que eu não podia mandar para São Paulo ou para Rio de Janeiro porque cabia para o Pará! Não sei se você está entendendo isso que eu estou falando. Campanha política presidencial não tinha problema. Por que não tinha problema? Presidente é do Território nacional...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concluindo.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Por último: paralelamente às tarefas que o senhor...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado, há vários oradores inscritos...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Presidente, eu também vou querer na minha vez.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Está cumprindo o papel dele. Tenha paciência comigo...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – É o Regimento Interno, não é paciência. O Regimento Interno fala em 15 minutos. Senão, vai virar um monólogo aqui...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu não estou vendo razão...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Daqui a pouco começa a sessão do Congresso, e a gente vai ter que...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu não estou vendo razão para nenhum sofrimento de nenhuma parte...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Não é sofrimento. Os outros Parlamentares querem também fazer suas perguntas.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu estou concluindo...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Só em respeito aos Parlamentares...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – É que o pessoal interrompe. É um frisson! Há uma agitação!
O senhor, paralelamente ao trabalho que desenvolveu, trabalhando para a empresa, cumprindo as tarefas inerentes ao seu trabalho, participou de alguma campanha eleitoral? Ressalto: paralelamente. Distribuiu panfleto? Esteve na rua? Organizou reuniões? É isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Por acaso você investigou minha vida particular?
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não, estou perguntando! Estou perguntando isso!
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Engraçado...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Estou...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Engraçado, porque é assim...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Estou perguntando...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Você jogou duas situações...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Estou perguntando se o senhor...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – E além, fora...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu fiz a campanha política do Police Neto, que é vizinho meu – já mostra que eu não sou favelado, eu sou burguês. Aí você vê: fiz campanha política do Carlos, ou alguma coisa assim, que morava próximo da minha casa...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Está bem. É isso...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Então, assim: "Eu preciso que faça boca a boca, eu preciso que você entregue ali, faça propaganda dos outros". Tanto que, se você olhar nas minhas redes sociais, como o senhor investigou muito bem investigado pelo jeito...
16:00
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O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Não, não...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – ... fez o seu trabalho...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu não sabia nem que o senhor vinha prestar depoimento hoje.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Mas investigou bem!
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concluindo, concluindo...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Só para concluir, é o seguinte. Às vezes o depoente fica na defensiva. Não precisa! Está na defensiva...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu perguntei só! Eu só perguntei!
Para concluir, Sr. Presidente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Deputado.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Se ele tem ciência...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Sr. Presidente, pelo tempo de Liderança do PSL.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Se ele tem ciência...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Pelo tempo de Liderança do PSL, porque eu conheço o Deputado Paulo Ramos. Ele não vai parar, ele vai abusar da boa vontade de V. Exa.
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Eu vou concluir, Sr. Presidente. É a última pergunta!
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Ele vai abusar da boa vontade de V. Exa.!
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É a última conclusão, não é, Deputado?
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Já é a terceira conclusão! Não tem como! Toda hora...
O SR. PAULO RAMOS (PDT - RJ) – Quero saber se ele tem ciência de quem contratou a empresa em casos de partidos políticos de modo geral; se ele teve acesso, se ele teve conhecimento de quem contratou, de quais os partidos que contrataram a empresa para...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado Túlio Gadêlha.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Mas eu já falei isso várias vezes aqui...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado Túlio.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – O próprio PT! O próprio PT é que me colocou na situação em que eu me encontro hoje, cara!
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Todos os partidos políticos contrataram a Yacows para fazer a situação de propaganda, mas o engraçado é que o PT cismou com o pai dele e cismou comigo. E, assim, cismou de uma maneira que eu não tenho nada a ver.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pronto, já respondeu.
Com a palavra o Deputado Túlio Gadêlha, do PDT de Pernambuco.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Ah, o tempo de Liderança: antes, o Deputado Eduardo.
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Senador.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP. Pela Liderança.) – O tempo de Liderança regimental aqui não segue a vontade de um ou de outro, segue o Regimento.
Durante a fala do Sr. Hans River do Rio Nascimento, eu fiz algumas anotações.
A Sra. Patrícia Campos Mello, Sr. Hans, enquanto o senhor está penando para comprar arroz e pedindo preço mais baixo para se apresentar como músico porque não consegue ter emprego devido ao...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado, no tempo do Líder, não pode fazer pergunta.
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Não, não. Não é pergunta, não. São só comentários pertinentes à reunião. Mais adiante, depois, se quiser, ele responde, porque vai ser a pergunta de outros Deputados.
É só para lembrar que ela hoje é correspondente internacional da Folha. Ela está muito bem, obrigado. Você veja até onde vai o escrúpulo do ser humano! Por quê? Ela fez uma matéria falaciosa. A gente está vendo aqui hoje uma declaração cabal – cabal! – de uma pessoa que foi convocada pelo Rui Falcão, do PT, para tentar comprovar que o Jair Bolsonaro fez disparos em massa de WhatsApp para ganhar a campanha de 2018, lembrando que o PT saqueou o Brasil, roubou! Vários aqui que botam o dedo na cara do senhor estão acusados na Lava Jato, e a moral não se paga... Dormir tranquilo com a cabeça no travesseiro é o que a gente tem de melhor! Então, não se preocupe, Sr. Hans. Em que pese eles quererem acuar o senhor aqui, isso é impagável! Eles vão sofrer ainda.
Então, é só para destacar esse ponto. Eu fiquei aqui perplexo de ver, mas eu não duvido que a Sra. Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o Sr. Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do Presidente Jair Bolsonaro, ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder!
Eu também fiquei perplexo aqui ao saber que, quando o Deputado Rui Falcão perguntou se o Sr. Hans é da periferia ou favelado, enfim, como quer que seja, se é que isso aí é pertinente, se é que isso aí é pertinente para o que a gente está tratando aqui... E eu gostei da resposta do Sr. Hans: "Eu fiz a sua campanha, Deputado Rui Falcão". Quem sabe o Deputado Rui Falcão achasse que, por você ter feito a campanha dele, você teria outra conduta nesta Casa. Parabéns por manter a verdade, porque a verdade nos liberta – está escrito em João (8:32).
Como deu para perceber aqui, o Sr. Hans não tem nada armado comigo, sequer sabe o meu primeiro nome. E ninguém é obrigado a saber isso, Sr. Hans. Sem problema nenhum, em que pese alguns colegas aqui terem dado risada quando o senhor falou que não sabia... Falou que eu era filho do Bolsonaro...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu não sei porque eu não fiz a sua campanha...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Não, sem problema. Sem problema algum. Eu não me senti desrespeitado, não!
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu não fiz a sua, eu não fiz a do seu irmão, nem a do seu pai. Eu não fiz a campanha de vocês. Então...
16:04
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O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Ninguém tem a obrigação de saber o nosso nome não...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – O nome, eu não ligo, mas...
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – Sr. Hans, sigo as anotações que eu fiz. Olhe que impressionante... E isso acontece muito no Brasil, não é? Ninguém tem acesso a um processo sigiloso – o senhor entregou a sua reclamação na Justiça do Trabalho –, mas uma jornalista da Folha tinha. Será que não seria o caso de a gente chamá-la aqui, nesta Comissão, de convocá-la para prestar esclarecimentos? É claro que a profissional tem direito de resguardar o sigilo da fonte dela. Não é isso que eu estou querendo saber, nem acabar com a liberdade de imprensa não, mas é assim: por vezes, ninguém sabe de nada, só uns jornalistas sabem. Que curioso, não é? Fica aí a reflexão no ar.
Além disso, o Sr. Hans aqui corroborou que uma das pessoas a que ele prestou serviço foi o PT. Então, se ocorreram disparos em massa, está aqui o Sr. Rui para explicar, um dos beneficiados. E nem assim conseguiram ganhar a eleição! Mas eles não vão se ater a esses fatos. Esses fatos serão abafados. Quem está aqui nesta sala está sabendo. Uma ou outra imprensa deve publicar. E eles vão seguir na tentativa de fazer o terceiro turno, porque é o que o Marcelo Freixo, do PSOL, falou recentemente, nos 40 anos do PT...
Lembro, quanto aos 40 anos do PT... Sabem quem fundou o PT, quem reconheceu a fundação do PT? General Presidente Figueiredo, que vocês dizem que era ditador! Ele reconheceu o PT. Mas, nos 40 anos do PT, ele falou que tinha que fazer tudo para destruir o Governo Bolsonaro, e isso passa por aqui, Sr. Hans. É por isso que eles não estão nem aí se você é negro, se é pardo, se é branco; eles vão é arrebentar com você! Ninguém está com pena porque você não consegue emprego não; é que, para eles, vale tudo pelo poder. E vão sair ali para fora depois dizendo que são os defensores do negro, como a Deputada ficou esbravejando aqui, defensores...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO BOLSONARO (PSL - SP) – ... dos homossexuais, defensores das mulheres, e tudo mais que eles conseguirem para repartir a sociedade. É para depois ter um Parlamentar do PT se apresentando como defensor de vocês, é isso que eles querem!
É por isso que, 15 anos, 20 anos atrás, ninguém tinha problema em fazer piada. Hoje em dia, um contador de piadas ou um humorista, quando ele faz uma piada em relação a qualquer minoria, toma um processo, que é para calá-lo e para depois o Deputado falar: "Olhe, estou protegendo você. Eu não deixei aquele humorista fazer brincadeira com nordestino, com cearense, com negro, com branco, com italiano!"
Enfim, fica aqui essa reflexão, agradecendo, mais uma vez, Presidente, por esta reunião aqui ser aberta, porque o sigilo – pelo que deu para perceber aqui, o PT lutou para que a reunião fosse sigilosa – só interessaria a eles.
Muito obrigado pelos esclarecimentos, Sr. Hans.
Aguardamos aqui os desdobramentos, porque os meus colegas farão as perguntas sobre Patrícia Campos Mello.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado Túlio Gadêlha. Logo após, Senador Humberto Costa e, em seguida, Senador Rogério Carvalho.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE. Para interpelar.) – Sr. Hans, primeiramente, boa tarde.
Assim que cheguei a esta sala, tive o prazer de cumprimentá-lo e dizer da importância de tê-lo aqui, nesta audiência conosco, porque, na verdade, V. Exa. vem aqui para nos trazer informações que podem corroborar aquilo que a gente imagina que aconteceu no período de campanha e que não acontece só no Brasil, tem acontecido no mundo todo. Por isso, venho aqui primeiramente parabenizá-lo por estar aqui conosco debatendo este tema de tanta importância.
Eu queria dizer ao Sr. Hans que eu, de fato, estou preocupado com a sua integridade física, estou preocupado de verdade...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Não deboche, por favor, porque...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Vão tentar me matar no meio do caminho da padaria para comprar o pão?
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Não, não é isso! Não é isso! É justamente disto que estou falando: pessoas que colaboram com grupos de extermínio foram executadas. V. Exa., o amigo, não cometeu nenhum crime, não cometeu, mas pode estar cometendo se estiver mentindo aqui nesta CPI.
16:08
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O Sr. Hans mesmo nos colocou aqui que não trabalhou em campanha do Presidente Bolsonaro e que a Patrícia, a jornalista Patrícia, tentou retirar algumas informações. O senhor colocou que ela deu em cima do senhor. Mas, veja só, a Patrícia acabou de tuitar aqui, escrevendo para todos nós: "Caro Deputado, aguarde nossa matéria com os áudios que tivemos com o Sr. River falando, as fotos e a planilha do Excel que ele nos deu, além do processo. É só clicar e ver com os próprios olhos. Mentir na CPMI é crime." E com relação a isso ela está certa.
O que o Paulo, o Deputado Paulo, que me antecedeu, colocou aqui... E aí vem a minha preocupação novamente: caso ela tenha lhe gravado... Pelo que ela coloca aqui nessa publicação, ela de fato gravou. Eu não sou do PT. Também não sou desse partido, o PSL. Não sou de nenhum desses dois partidos, mas eu sou uma pessoa que está preocupada com o senhor enquanto pessoa.
Veja bem, tenho algumas perguntas aqui a fazer e gostaria que o senhor respondesse sinceramente, porque o senhor pode estar sendo induzido. Sr. Hans, a mentir aqui. Não sei se recebeu algum benefício, mas alguns indícios me fazem questionar, por exemplo, o seguinte. O senhor não teve recursos para pagar a insulina, mas está com um excelente advogado a seu lado. Quem pagou o advogado que está com o senhor?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Posso dar a resposta?
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Claro! Eu estou fazendo a pergunta para isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Para você ter uma ideia, eu estou com um débito ainda, nem terminei de pagar. Para o senhor ter uma ideia...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Pode me chamar de você. Para mim, não há problema.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu estou achando até estranho, porque o senhor me cumprimentou numa boa, de uma forma interessante. Mas em algumas colocações eu não concordo com o senhor. E há algumas colocações até importantes, até interessantes em que a jornalista chega apresentando determinadas coisas, porque...
Teve um determinado momento em que teve uma situação de eu não ter mexido no meu e-mail, e teve algumas situações estranhas em que eu mudei a senha. O próprio Google está aí para comprovar. Então, é até importante que ela traga isso que ela está dizendo, porque tenho testemunha de que ela esteve presente e o que ela conversou. Se ela gravou alguma coisa, garanto para você que não tem nada a ver com isso que a gente está discutindo aqui. Se ela gravou alguma coisa, ela gravou a respeito do livro. Ela veio me falar assim: olha, eu escrevi esse livro, o seu livro, não sei o quê... Se ela tiver alguma gravação, a gravação será essa.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Certo.
E quanto ao advogado?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – E outra coisa: eu vou até procurar entrar com algum recurso a respeito disso, porque eu já estou me sentindo muito incomodado. Não é a primeira vez que chega essa informativa de a jornalista querer tentar me impressionar falando assim: "Ah, eu tenho uma gravação." Gravação do quê? Eu falando como é que era o meu livro?
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sr. Hans, a verdade virá. A minha pergunta é com relação ao advogado.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Agora, a respeito do meu advogado Fernando: eu ainda estou em débito com ele a respeito da defesa no Ministério Público, porque ele foi chamado para ir. Estou para vender a minha moto, que era o meu ganha-pão até o presente momento, para continuar a pagá-lo para ele continuar a me defender. Eu não tenho nem condições... Tanto que, antes de vir para cá, ele mandou mensagem para mim falando: Hans, você vai vir tal horário aqui na minha casa. Eu falei: "Fernando, eu não tenho nem o dinheiro da passagem para ir para a sua casa."
16:12
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O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Certo.
Sr. Hans...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – De prova: eu não tinha o dinheiro da passagem e estou aqui na aba dele.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Está em débito. Certo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Então, assim, o Senado falou que iria mandar um dinheiro na minha conta para custear a minha presença aqui, mas isso não ocorreu.
Então, assim, eu estou... Se eu quiser comer, é na custa dele; se eu quiser fumar, é na custa dele; se eu quiser tomar um copo d'água, é na custa dele.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sr. Hans, já respondeu a minha pergunta. Eu lhe agradeço por isso.
Continuando: o senhor disse que entrou na empresa duas semanas antes de o ex-Presidente Lula ser preso. O Lula foi preso em abril de 2018. No processo, o senhor disse que havia trabalhado por dois meses em campanha.
Que partido lhe pressionou na reta final da campanha? Deixe eu lhe fazer uma pergunta: o senhor disse que o partido estava lhe pressionando na reta final da campanha e é por isso eu não consigo compreender muito bem em que período o senhor trabalhou nessa empresa. Eu queria saber: qual foi o período?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – No período em que eu trabalhava na Yacows, eu fiz a campanha paralelamente do Police Neto. Se você quiser intimá-lo, ele vai falar para você que quem fez realmente a campanha dele fui eu e mais outras pessoas ainda também. Do Carlos – eu não vou lembrar o sobrenome –, que perdeu por pouca coisa, também. E, nesse período, a intimação que estava tendo a respeito da quantidade de disparos de propaganda era perante a empresa. A empresa estava sofrendo a questão de: "A gente precisa que seja feita a propaganda." E todo mundo vinha pressionando quem estava na "chipeira". Quem estava na "chipeira"?
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Porque o senhor fala, na ação trabalhista, que trabalhou do início de agosto ao final de setembro.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu fiquei um período na empresa, e eu não vou saber te informar exatamente a data específica, até porque a empresa não criou nenhum registro.
Quando você entra numa empresa, você tem o livro negro, onde ficam os dados do funcionário, fica a data de entrada e a data de saída, férias e tudo mais e, nesse período, a gente não teve. Havia a esperança de ter o registro, mas não houve o registro. Então, eu não vou saber te responder exatamente o período.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Certo, mas o Lula foi preso em abril e você fala que, nesse período, já trabalhava na empresa.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Já.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Então o senhor não trabalhou apenas dois meses.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Nesse período... A situação ocorreu da seguinte forma: no período em que eu entrei na empresa o Lula tinha acabado de ir preso. Então, nesse período que eu entrei, que a gente começou a fazer as propagandas e começou a cair o entendimento... Porque, para mim, tudo isso que eu apresentei para vocês aqui...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Era propaganda política então.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Era propaganda política e propaganda de outras situações.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Então, fora do período de campanha, o senhor fez propaganda política?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não, eu fiz propaganda...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – No período de abril, maio e junho.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu fiz propaganda política e, nesse período, eu fiz campanha política de outras pessoas e, justamente nesse mesmo período, a própria Yacows fazia propaganda de outros fins.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sr. Hans, não importa para quem o senhor fez campanha, o que importa é o período em que o senhor fez campanha.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – O período...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Em que período o senhor fez campanha?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – É como eu já disse em outros momentos...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Em abril já fazia? Em maio já fazia?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Já, já. A do Police Neto eu já estava fazendo antes, antes de entrar lá, na realidade. A do Police Neto a gente já estava divulgando...
16:16
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O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Então isso configura campanha antecipada, não é isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não, eu não vou dizer campanha antecipada, porque, assim, teve um diretório para saber quem ia trabalhar, para juntar o pessoal, conversar com o assessor e toda aquela coisa, mas ninguém tinha ido para a rua, estava aquela conversação: a gente vai fazer de tal jeito, vamos pegar tal bairro, tal situação, vamos entregar assim...
Então...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Certo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não teve essa...
Quando chegou próximo da campanha política ali, de ter a questão do voto, que você vai lá no colégio eleitoral para votar... Quando chegou próximo desse período foi um tremendo sufoco. Foi um tremendo sufoco, porque você tinha que correr com a campanha do pessoal que mora na Leopoldina e, ao mesmo tempo, tinha que correr com a Yacows.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Certo.
Deixe eu lhe fazer uma outra pergunta. O senhor trabalhava com o disparo de mensagens e o senhor mesmo falou que essas mensagens eram relacionadas ao PT. Assim que o senhor questionou o Deputado Rui, quando chegou aqui nesta sala, o senhor disse que inclusive fez a campanha dele. Só que o senhor chamou o Deputado Rui de Deputado Gabeira. Eu até me confundi – um minuto só – achando que o senhor estava se referindo a minha pessoa, porque o meu sobrenome é Gadêlha.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Até peço desculpas.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sem problema.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Mas é porque fiquei nervoso pelo que ele falou aqui.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – A minha pergunta é a seguinte. O senhor, que trabalhou fazendo propaganda do Deputado Rui – trabalhou diariamente, muitas horas, como o senhor fala, por muitos dias –, não sabe o nome do Deputado Rui, a ponto de chamá-lo de Gabeira?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Primeiro momento: eu não sou amigo íntimo do cara. O cara...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Não, mas o senhor trabalhou difundindo o nome dele, não é verdade?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Segunda situação: o que ele me falou aqui...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Ele quem?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – O que está aqui na frente falou aqui para mim... Eu só não fui embora...
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – O senhor não sabe o nome...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu só não fui embora... Eu só não fui embora daqui...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Mentira minha?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – A consciência é do senhor, não é a minha.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sr. Hans, por favor, se puder me responder...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Então, assim, diante da situação e de todo o tempo em que não estou trabalhando com isso, e até com isso eu não estou conseguindo nem serviço... Eu não sou obrigado a saber o nome do próprio cara, que não é amigo meu.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Certo.
Sr. Hans, eu só queria concluir essas perguntas indagando se o senhor recebeu algum tipo de vantagem ou favor de algum Parlamentar, de algum partido, ou mesmo se foi orientado, chegou a conversar com algum Parlamentar ou assessor de Parlamentar. E lembro, Sr. Hans, que qualquer ato de mentira numa CPMI configura crime. Esta é a oportunidade de o senhor falar a verdade.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Então, se eu tivesse recebido qualquer situação de favorecimento, eu não teria quase morrido nesses dias, até antes de vir para cá, por falta de cuidados adequados à minha diabete. E outra coisa: tem muito político para quem eu fiz campanha, mas, passou a campanha política, o cara ganhou, ele não lembra de você, ele não quer saber de você. Você acha que o Police Neto, apesar de morar perto da minha casa... Você acha que ele vai na minha casa para perguntar se eu estou bem?
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sem dúvida, eu acredito que não.
Deixa eu lhe perguntar uma última coisa...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eles não querem nem saber de você quando acaba a campanha política.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sem dúvida. Deixe só eu lhe perguntar uma coisa.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não sabem se você tem arroz ou não tem arroz.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – A última pergunta para a gente...
(Soa a campainha.)
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Inclusive, até vai ser motivo de outras audiências desta CPMI.
16:20
R
As caixas com os chips, o senhor sabe quem as trazia? Tem o nome de alguém que era responsável por trazer essas caixas? Sabe se a empresa diretamente fornecia essas caixas? É que receberemos futuramente – na próxima audiência se não me engano – representantes das empresas de telefonia. O que o senhor sabe sobre isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – É uma coisa que me intrigava, porque, na realidade, pela quantidade de chips... Assim... Porque era muito trabalho para que eu fizesse ali naquele momento, e havia momentos em que eu ficava sozinho no andar.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Quem era o responsável, Sr. Hans, pelas caixas? Quem trazia as caixas para a empresa? O senhor sabe o nome da pessoa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Aí entra o que eu estou falando para o senhor: eu saía de lá, voltava no dia seguinte, e... Tudo aquilo de caixa! Eu ficava até curioso para saber de que maneira eles conseguiam uma quantidade tão absurda de chips da Claro, da Tim, da Vivo. Vocês viram ali nas fotos que não é pouca coisa. Entendeu?
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Certo, mas o senhor não respondeu.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu respondi claramente que até eu estou curioso para saber.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Deixe eu lhe perguntar: o senhor conhece o responsável, a pessoa responsável ou que pode dar mais informações sobre isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Quem vai poder te dar mais informações, e até eu estou curioso para saber também sobre isso daí, é Lindolfo e Flávia.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Lindolfo e Flávia.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – São os dois que vão conseguir esclarecer essa dúvida sua e minha.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – De onde vieram esses chips, não é?
Fico muito grato com suas respostas, viu?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Eu peço desculpas por ter me confundido aqui no momento em que eu fiquei um pouco nervoso com toda essa situação que ocorreu. Peço desculpas.
O SR. TÚLIO GADÊLHA (PDT - PE) – Sem problema, Sr. Hans. Muito obrigado pela participação aqui na CPMI.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concedo a palavra ao Senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco.
A próxima oradora inscrita é a Deputada Caroline de Toni e, em seguida, a Deputada Natália Bonavides.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE. Para interpelar.) – Sr. Presidente, Srs. Parlamentares e Sras. Parlamentares, eu acho que o depoimento que está sendo dado por S. Sª. o Sr. Hans River, sem dúvida, é um dos mais importantes que nós já tivemos aqui. Sem dúvida! Ele descreveu todo um processo sobre o qual até então nós não tínhamos uma testemunha ocular. Ele descreveu aqui vários crimes que foram cometidos, em particular pela Sra. Flávia Alves, pelo Sr. Lindolfo Alves e por outras pessoas que participavam desse esquema: falsidade ideológica, utilização de CPFs falsos para a aquisição de chips, aquisição de chips internacionais por esse mesmo meio fraudulento, condições precárias de trabalho para essas pessoas. Enfim, eu não tenho dúvida de que V. Exa. vai pedir o indiciamento pelo menos desses dois dessa empresa.
Ele também confessou aqui e mostrou... Confessou, não, porque ele era apenas um trabalhador. Ele mostrou como todo o processo é feito, a utilização dessa tal de "chipeira", a utilização de outros mecanismos. São mais de 500 celulares e mais de 500 funcionários nessas empresas! Portanto, ele entregou tudo.
16:24
R
A única coisa que ele não disse, pelo menos essa é a minha leitura... Ele chegou aqui e disse: "Olha, o processo é esse. Tem disparo em massa. Tem compra com CPF falso. Tem compra com dólar e outras moedas." Enfim, ele entregou tudo. Agora, na hora de dizer qual era o conteúdo dessas coisas, ele veio com uma conversa que, realmente, pelo menos a mim, não convence.
A primeira contradição – eu estou aqui com o processo trabalhista que ele apresentou – é que ele diz claramente que começou a trabalhar no dia 09 de agosto de 2018 e que foi injustamente despedido no dia 29 de setembro de 2018. Na verdade, ele trabalhou um mês e meio nessa empresa, durante o Carnaval. Inclusive, ele não poderia estar no fim da campanha, porque ele saiu... Não, até poderia, porque o primeiro turno foi no começo de outubro, não é? Porém, no período em que o Presidente Lula foi injustamente preso, ele não estava nem lá. Como é que ele sabe que chegou alguém do PT para entregar uma mala de dinheiro lá – ele nem usou o termo "mala de dinheiro" –, que alguém do PT foi lá levar dinheiro para entregar? Como ele poderia saber, se ele não estava nessa empresa?
As coisas que foram ditas aqui, todas elas, vão poder ser checadas. Nós aqui não estamos discutindo a questão meramente do disparo em massa, mas o conteúdo – o conteúdo! Nós vamos poder saber quem mandou disparar, o que mandou disparar. E eu, desde já, digo ao Presidente que, depois de nós ouvirmos as empresas e ouvirmos a jornalista, talvez caiba o retorno da testemunha para nós podermos aqui confrontá-lo com essas outras informações, enfim, coisas que foram colocadas.
Outra coisa, ele disse que vinha no meio da rua e viu uma placa: Yacows. Chegou lá e foi contratado pela Yacows. No dia em que ele foi para a primeira audiência na Justiça Eleitoral, havia quatro empresas, inclusive a AM4, que é a empresa de publicidade da campanha do Sr. Jair Bolsonaro. E ele entrou com uma ação nem com o nome da Yacows nem com o nome da AM4. Ele entrou com o nome de Kiplix, Kiplix. Foi com essa que o advogado dele, juntamente com ele, com todo respeito, entrou.
Então, essas são contradições que não estão respondidas até agora, neste momento, nas questões que foram colocadas.
Eu quero, então, iniciar as minhas perguntas.
Primeiro... E eu gostaria, se fosse possível, que V. Sa., como eu queria utilizar o meu tempo de forma adequada, respondesse "sim" ou "não". V. Sa. recebeu algum treinamento para realizar as funções designadas ao senhor? Quem ministrou esse treinamento?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Antes de responder "sim" ou "não", quanto a muitas das coisas que o senhor disse agora, eu teria o direito a uma réplica...
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Não. Aqui isso não existe não, cidadão!
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não pode?
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – O senhor responda a minha pergunta. Se não quiser, não responda.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Não é debate.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Então, tudo bem.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Ele perguntou, ele tem que responder ou ficar calado.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – É, porque, inclusive, houve coisas que foram ditas aí que... Mas, enfim, não houve treinamento nenhum, até mesmo porque, quando eu entrei na empresa para prestar serviço para ela, para trabalhar para a empresa, eu tive uma grande dificuldade para aprender. Quanto a tudo isso que eu passei para vocês aqui, eu tive uma dificuldade tão grande que eu era zoado por outros que trabalhavam na operação. Eles falavam: "Nossa! A idade que você tem e você não sabe mexer com isso?" Muitas pessoas falavam isso para mim e tiravam onda.
16:28
R
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Perfeito.
De onde vinha o conteúdo disparado? Quem dizia para colocar a mensagem de um jeito ou de outro? Quem dizia?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – É como eu já cansei de falar aqui já: o sistema de disparo do mailing – eu vou dizer mailing, mas tinha outro nome – era passado do supervisor para cada um dos operadores. Era assim tratado.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – O senhor lia as mensagens?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Quando a gente jogava a campanha, a gente conseguia ver o que estava sendo mandado.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Em alguma dessas mensagens que o senhor recebeu, havia referência a alguns termos tipo "kit gay", "mamadeira de piroca", essas coisas? O senhor viu alguma vez isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Não, não. É como eu tinha falado aqui: eram santinhos, aqueles santinhos que a gente encontrava no meio da rua com a foto do político aqui...
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Então era todo santinho mesmo o negócio, não é?
Eu pergunto ao senhor: havia alguma pauta do dia sobre os conteúdos? Mas o mais importante que eu quero saber é o seguinte: para quem os senhores mandavam? Como se escolhia esse público-alvo? Como era isso aí? Quem dizia: "Olha, hoje está aqui uma relação de endereços eletrônicos, está aqui o Facebook, está aqui o WhatsApp de um bocado de gente"? Quem dizia? Quem definia? Para quem vocês mandavam?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Olha, o senhor me desculpe, mas me desculpe mesmo, porque acho que não estou conseguindo entender... Porque, assim, acho que você nunca viu aqui, neste Plenário, alguém que tomasse a atitude que eu tomei para poder explicar detalhadamente determinada situação. E o que mais está me espantando são perguntas que não estão batendo. E não estão batendo porque estou vendo a situação de alguns aqui que estão nervosos comigo e, pelo jeito, estão tentando fazer com que eu perca a minha paciência. Eu não vou perder minha paciência. Eu explico quantas vezes for preciso. Isso é fato.
Agora o negócio é o seguinte: quando tinha essa situação de você ter um mailing, a quantidade de pessoas para quem ia ser mandada, para qual Estado ia ser mandado... Eu não sei de quem vinha a ordem, eu não sei quem mandava isso acontecer. O supervisor passava para cada computador, e você só ia fazendo a campanha.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – E aí o senhor mandava... Você não sabe para quem ia?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Você colocava o QR Code junto com o celular ali, você batia o QR Code, você colocava toda a propaganda e ia o mailing. Então, é uma coisa a que eu não tinha acesso, não cabia na minha função.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – A campanha do cidadão a quem o senhor se referiu, Police Neto, foi em 2018?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Foi... Fiz a campanha do Police Neto anterior, essa... A última em que ele se elegeu também. Eu acho que foram umas duas ou três campanhas com ele, acho que por aí. Acho que duas ou três.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Nos documentos que o senhor encaminhou no seu processo trabalhista, um deles revela a existência de um software chamado Maestro. O Maestro é o software que conecta com a "chipeira"? Descreva o funcionamento desse Maestro.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – O Maestro é aquilo que eu estava falando para vocês naquele momento em que eu estava dando a explicação a respeito do funcionamento da "chipeira". Para que você conseguisse ver se você tinha sinal nos chips e para que você também conseguisse mandar para o sétimo andar, terceiro andar, sexto andar, você tinha essa situação do Maestro. O Maestro fazia toda essa função. É isso.
16:32
R
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – O.k.
Sr. Presidente, eu estou satisfeito, mas queria fazer um breve comentário.
Primeiro: nós precisamos, de alguma forma, o mais rapidamente possível... E a jornalista disse que vai sair a matéria com a planilha, com gravações. Enfim, nós vamos poder ter a oportunidade de saber se o depoente, se S. Sa., faltou ou não com a verdade. Em tendo faltado, naturalmente terá que responder em relação à legislação vigente.
Segundo: nós temos que trazer essas empresas. Inclusive, de imediato, nós temos que cobrar todos os serviços que foram feitos por essa empresa no ano de 2018. Inclusive, nós do PT fazemos questão que isso se faça. Se o PT fez algum serviço, qual foi o conteúdo, quanto pagou, cadê a nota? E queremos saber também em relação aos demais partidos.
É tão engraçado... O Tribunal Superior Eleitoral abriu um processo por demanda de partidos políticos, e esse processo está andando, em que se pede para investigar o disparo de notícias mentirosas, de pautas de ódio e de agressões que foram feitas durante a campanha eleitoral, tendo como ré a campanha do Presidente Jair Bolsonaro. Hoje nós temos alguém que desvenda todo o processo. Para mim foi muito instrutivo, muito instrutivo – a gente sabe agora como a coisa acontece –, mas, no final, vem e diz o seguinte: "Não, mas é o contrário". Só faltou ele dizer que foi o PT que espalhou todas essas fake news!
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – Foi isso mesmo.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Como é que é? Como é que é?
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – Foi isso mesmo.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Meu Deus do céu, que inteligência! Ô, neném, pelo amor de Deus!
Pois, então, o que acontece é o seguinte: descobrimos todo o malfeito, mas agora eu não consigo entender o depoente vir dizer que tem a ver com o PT.
Agora, eu quero somente concluir a minha fala dizendo o seguinte. Não tenha dúvidas: se, de fato, a jornalista tem esse contato, tem essa gravação, isso chegará aqui, isso chegará à população, e nós vamos saber se a verdade foi dita ou não.
Eu quero, de todo jeito, agradecer a V. Sa. Sei que V. Sa. não tem nenhuma responsabilidade sobre as coisas que aconteceram, mas tem responsabilidade sobre as coisas que disse aqui.
Eu estou satisfeito, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Vamos fazer um intervalo, porque o advogado solicitou que o depoente precisa tomar um medicamento. Então, um intervalozinho para ele poder fazer uso do produto para a sua saúde.
Está suspensa a reunião por cinco minutos.
16:40
R
(Suspensa às 16 horas e 36 minutos, a reunião é reaberta às 16 horas e 41 minutos.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Declaro reaberta a nossa reunião da CPMI mista.
Concedo a palavra ao nobre Senador do Estado de Sergipe, do PT, Rogério Carvalho, e, em seguida, à Deputada de Santa Catarina, Caroline de Toni.
Depois da Caroline, temos Natália Bonavides, depois o Deputado Filipe Barros, depois o Deputado Márcio Labre.
Até agora chegaram essas pessoas. Devem estar chegando.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pois não, Senador Rogério Carvalho.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – As minhas perguntas, a maioria delas, já foram feitas ao depoente.
Eu queria saber uma questão que me parece importante: as pessoas que tinham seus CPFs utilizados para os disparos de WhatsApp tinham conhecimento de que esses CPFs estavam sendo utilizados? Sim ou não?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu aposto que não.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – O.k.
A segunda questão é que a Patrícia Campos Mello, que, segundo o senhor, não entregou material nenhum a ela, e que, segundo o senhor, ela mentiu, está dizendo em uma rede social que tem as fotos e a planilha de Excel que o senhor entregou para ela e disse que mentir em CPMI é crime. O senhor está preparado para responder pelo crime de não falar a verdade aqui na CPI em relação a todas as questões que foram feitas ao senhor e o senhor afirmou de uma maneira que não é exatamente a verdade? Sim ou não?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para expor.) – Será que ela está preparada, ela...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – A pergunta é objetiva: sim ou não? Sim ou não?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Está intimidando a testemunha, Presidente.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Eu não estou intimidando. Eu estou perguntando.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Você está acusando ele já, Senador!
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Presidente. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Por favor, vamos amenizar os ânimos.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Eu estou com o ânimo absolutamente...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Se o Senador Rogério perguntou, ele quer uma resposta "sim" ou "não". É um direito dele.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Sim ou não.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – É uma pergunta tendenciosa.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Isso é um problema que vocês... Na hora de fazerem as perguntas de vocês, eu respeitarei. Eu estou fazendo a minha pergunta e peço que, por uma questão de respeito, V. Exas. não se intrometam no meu questionamento.
Então, a pergunta é: sim ou não?
16:44
R
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu não vou responder a sua pergunta.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Muito bem.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sabe por que eu não vou responder sua pergunta?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Não, não quero saber. Você não vai responder. Não respondeu, pronto. Não tem que dizer mais nada.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Desculpa até falar, gente, é porque tem coisas que eu não concordo e realmente...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Quem é Daniel Hugo? Para que fins os números internacionais que ele conseguiu foram usados?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, essa parte do senhor falar que ele conseguiu já não é comigo, porque eu não sei. Então, assim... Eu sei quem é, trabalhei com a pessoa, agora, quem conseguiu os números...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Qual era a função dele?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu nem lembro qual era a função dele.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Você sabe? Não?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não sei.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – O.k.
Como e de que maneira foram utilizados os números internacionais para envio de mensagens em massa?
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ. Fora do microfone.) – Você pode responder que já respondeu.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Presidente, eu queria pedir a V. Exa. que garantisse o meu direito de fala.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Está garantido, Senador.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE) – Por favor, que os demais Parlamentares se restrinjam ao tempo que lhes couber.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Solicito aos demais Parlamentares que atendam à solicitação do Senador Rogério para que ele possa externar, possa falar, possa ficar à vontade nas suas perguntas.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Eu vou repetir a pergunta: como e de que maneira foram utilizados os números internacionais para o envio de mensagens em massa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Concluindo até o que ele está falando aqui, não estou debandando para lado de ninguém, nem conheço o cara aqui, mas a realidade é que eu já tinha respondido e vou até explicar novamente. Os números internacionais serviam no presente momento em que você não tinha nenhum chip com tráfico de dados para poder fazer a transição do informativo, da propaganda. Então, você tinha os números internacionais que você entrava pelo computador. O próprio supervisor disponibilizava para você poder acessar. Você acessava, você colocava o número, o DDD do país, da mesma maneira que você cadastra seu WhatsApp no seu celular, e você disparava. Ressalvo que tinha algumas localidades que ficava um pouco estranho. Ficava estranho e tinha gente até que respondia, conseguia fazer uma reclamação: "Ah, mas quem é que está me mandando mensagem?", pela numeração, pelo DDD. Então, é isso.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Tinha chips da Índia e de Israel?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, em momento algum eu falei chip em espécie que não seja do País.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Não, mas a pergunta que eu fiz... Porque eram utilizados números internacionais. O senhor disse que eram utilizados, porque os chips eram... Agora estou perguntando se tinha chips da Índia ou de Israel.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, mas eu acho que o senhor não prestou atenção direito, principalmente na videoaula, porque não tinha chip de outro País. Chip era chip nacional.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Mas o senhor acabou de afirmar que havia chips internacionais, números.
16:48
R
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Quando eu coloquei ali e expliquei que aquele site... Estava dando resposta ao que a senhora havia me perguntado aqui, eu respondi claramente como se pegavam os números internacionais. Se quiser, até peço para que coloque novamente, e eu continuo dando a videoaula.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Entre esses números, havia da Índia e de Israel?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – De países todos. O mundo todo.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Você está dizendo que sim?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O mundo todo.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – O. k.
Você tinha relação com Flávia Alves e Lindolfo Alves?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Que tipo de relação o senhor está querendo saber? Não, porque eu não era amigo de boteco e não saía com nenhum dos dois...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Do tipo que você quiser.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Assim, a Flávia nunca foi uma pessoa educada de falar. A Flávia, quando ela se referia aos outros, ela não se referia de uma maneira...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Ela tinha uma relação de hierarquia sobre você?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sobre mim... Todo mundo que está aqui presente, todo mundo está vendo a maneira como eu converso com todos que estão aqui presentes e com quem conversa comigo...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Não, mas profissional? Profissional?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, assim, me tratou bem, eu vou tratar bem. Simples.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Mas não é disso que estou... A pergunta que estou fazendo é a seguinte: ela tinha relação de chefia com V. Sa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Tinha. Era a dona da empresa.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Lindolfo Alves tinha relação de hierarquia sobre V. Sa.?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Ambos eram donos da empresa.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Eles eram os donos da empresa. Então, você já respondeu.
Qual o perfil dos clientes da empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Em que parâmetro?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Perfil. Para quais empresas a empresa Yacows prestava serviços? Que tipo de empresa recebia os serviços da Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu vou pedir um papel e uma caneta e vou começar a marcar tudo o que falar e quantas vezes e vou repetir, porque assim...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Essas são as minhas perguntas. O senhor responde se quiser.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não. Eu entendo. Eu vou explicar novamente. Houve momento de eu ver campanha de mercadinho de Tocantins – mercadinho. Eu não estou falando de mercado Extra, de Carrefour. Não estou falando desses mercados, mas de mercado que você nunca viu na vida sendo anunciado ali. Campanha de determinadas situações... Você via campanha lá que acho que o próprio cliente não teria condições de pagar para que fossem feitas aquelas campanhas. E eram campanhas pequenas. Não eram campanhas muito grandes como campanha política ou campanhas de outras coisas. Então, havia o cliente do alto padrão e havia o cliente...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – A agência AM4 o senhor classifica como cliente de alto, médio ou baixo padrão?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, eu vou ser bem claro... Eu vou ser claro e vou ser detalhista porque você me fez uma pergunta que ninguém me fez até agora. E eu acho até conveniente. Eu estou aqui fazendo o depoimento e não sei nem que empresa é essa daí. Essa empresa foi anunciada quando foi feita a situação da... Chegaram lá e tudo o mais. Mas eu não sei em que eles trabalham. Não sei o que eles fazem. Eu, teoricamente...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – No começo da reunião... No começo...
Presidente, o senhor poderia pedir à Deputada Caroline de Toni...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Mas eu faço questão de te responder para deixar claro para ninguém me fazer pergunta assim, tipo... Eu não sei o que a empresa faz, eu não sei qual é o público alvo da empresa. Eu não sei há quantos anos ela está no mercado. Eu não sei nada dessa empresa. Eu só fui apresentado à advogada da empresa. Nada mais do que isso. Então, tipo, hoje estão me perguntando AM4, AM4, AM4... Para mim...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Em que circunstância...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – ... indiferente. Eu não conheço.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Em que circunstância o senhor foi apresentado à advogada da empresa AM4? Em que circunstâncias?
16:52
R
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A circunstância de quando houve o processo trabalhista e quando houve a situação do acordo. E, nessas circunstâncias, a gente teve a situação de "ah, eu sou a fulana de tal, de tal empresa"; "eu sou a fulana de tal, de tal empresa".
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Quem era a "fulana de tal"?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Ah, eu não vou lembrar nome de mulher, não é?, principalmente de uma advogada que estava no lado contrário. Não era amiga minha.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Depois, a gente vai conferir a ata.
Então, quer dizer que o senhor foi... A pergunta, só para confirmar aqui a resposta, para eu entender a resposta: o senhor recebeu auxílio de uma advogada da AM4? É isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Como é que é?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – O senhor recebeu auxílio ou ela foi oponente no processo que o senhor moveu?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Agora o senhor me assustou, heim? Acho que não estou entendendo o que está acontecendo aqui. Eu recebi auxílio do quê?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Não, ela foi sua advogada de defesa ou da parte contrária?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Como assim? Não estou entendendo isso. Assim, o senhor leu totalmente a situação por que eu estou aqui presente?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Não, eu não estou sendo o depoente. Sou eu quem estou perguntando a V. Sa.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Mas a pergunta não está encaixando. Como ela poderia ser minha advogada se eu acabei de falar que eu não a conheço? Eu não sei nem que empresa é essa daí.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Mas o senhor disse no começo que a AM4 teve um advogado que esteve no processo contra o senhor. Não foi isso?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu vou até repetir novamente. Eu acho que...
Quando houve a situação do processo, a própria empresa Yacows entrou em contato com os Lazzarinis, que eram os advogados...
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Com quem?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Com os Lazzarinis, com a família Lazzarini, que estava advogando para mim na época, e solicitou um acordo, mas que esse acordo fosse lavrado na mesa do juiz no dia da audiência, que estava próximo. Quando eu cheguei, adentrei ao local e me foi apresentada fulana de tal...
(Soa a campainha.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – ... e foi lavrado assim. O contato que eu tive com esse pessoal não foi o contato de sentar e tomar uma cerveja e comer um arroz e feijão. Foi um contato de "ó, a gente está fechando esse contato com você", e tanto o documento que eu tenho aqui dizendo para que ficasse calado a respeito de tudo isso o que está sendo conversado aqui. Foi só esse momento. Eu não conheço essas pessoas.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Eu queria fazer uma última pergunta a V. Sa.
O senhor falou que alguém entregou dinheiro. Quem entregou dinheiro e em que circunstância foi entregue dinheiro nessa empresa?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Acho melhor você pegar, sentar com o Rodolfo, com o Lindolfo, conversar com ele mais, de uma forma legal, assim, da maneira como está sendo conversado comigo, que chega até a irritar, porque eu acho que ele vai te contar bem melhor.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Então, o senhor está dizendo que foi o Lindolfo que recebeu o dinheiro?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Deixa que ele conta para você.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Não, eu estou fazendo uma pergunta ao senhor. O senhor sabe dizer se foi o Lindolfo, ou não, que recebeu? O senhor está dizendo que eu tenho de conversar com o Lindolfo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Fui eu quem recebeu o dinheiro?
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – Eu estou perguntando ao senhor quem recebeu o dinheiro. O senhor está dizendo que eu pergunte ao Lindolfo. A pergunta que eu faço é: foi o Sr. Lindolfo que recebeu o dinheiro?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu prefiro não responder a sua pergunta, não.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (PT - SE. Para interpelar.) – O. k.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concedo a palavra à...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Presidente, só uma coisa.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputada Caroline de Toni.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Só uma coisa, Presidente. Está acontecendo votação nominal no Plenário. Dê cinco minutinhos para a gente ir lá votar e, daí, retomamos, por gentileza.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Eu passo para quem quiser ficar e, na volta a senhora fala...
16:56
R
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – É que a maioria dos Deputados... Agora é outra Deputada também, a Natália. Então, assim...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Não, a Deputada Luizianne já foi e votou, não é?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Mas votou na nominal? Então, tem que ir na nominal. Dê cinco minutinhos, Presidente, a gente vai e volta. Eu vou lá e volto. Eu vou mais rápido e volto porque eu sou a próxima.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Quem quiser queimar já seu tempo enquanto elas votam...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pode.
Com a palavra a Deputada Luizianne.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Presidente, eu acho que eu era...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Se a Deputada Bonavides quiser, ela está na sua frente, Deputada Luizianne.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Vou permanecer ainda.
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Então, a Deputada Bonavides.
Eu gostaria que o Plenário, se possível, permanecesse em silêncio para que a Deputada Bonavides pudesse elaborar suas perguntas.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Obrigada, Presidente.
Boa tarde, Sr. Hans. Boa tarde.
Eu queria agradecer sua presença aqui nesta Comissão. É sempre muito importante cada pessoa que vem aqui para que a gente possa, enfim, compreender melhor toda essa questão que tem acontecido no nosso País.
Eu queria, de pronto, olhando nos olhos do senhor, dizer que nosso mandato está à disposição caso você tenha vontade ou queira relatar qualquer denúncia, qualquer coação, qualquer ameaça. Isso não é favor nenhum. Nós somos Parlamentares e temos a obrigação de, recebendo uma informação assim, tomar procedimentos adequados. E existem. Existem procedimentos adequados para tratar situações do tipo.
Eu queria saber do senhor de onde vinha a lista de contatos que vocês recebiam para passar as mensagens. Você mencionou um supervisor. Você sabe de onde a Yacows recebia essas listas de contatos?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, pior que não. O pior é que, quando essa lista apareceu, essa lista de cem mil nomes... Quando essa lista apareceu, ela apareceu no grupo do WhatsApp da diretoria e depois, em seguida, para o grupo do WhatsApp geral, que era a empresa toda.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – A lista de cem mil nomes?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É.
Eu não vou saber te responder quem foi que colocou essa lista naquele grupo e disse que era para ser usada.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – O senhor ainda está nesse grupo de WhatsApp?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estou sem celular.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Está sem celular.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O número que eu tinha na época eu perdi. E o meu celular eu perdi recentemente por conta de uma hipoglicemia no meio da rua. A um quarteirão de casa, eu passei mal vindo da Lapa para a Leopoldina. Perdi celular, perdi sandália e tudo mais.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Sinto muito.
O senhor está sem celular no momento?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Estou.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Entendi.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estou usando o número de telefone da minha mãe caso alguém queira falar comigo.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Certo.
O senhor lembra qual era a proporção mais ou menos de texto, mensagem, vídeo, áudio que vocês encaminhavam?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Olha...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Era mais o quê? Era um pouquinho de cada?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É uma coisa assim muito difícil de falar para você porque, quando era campanha política, era só aquela foto, o número e acabou. "Fulano de tal se elegendo na sua região, blá-blá-blá." Só isso. Quando era uma campanha de alguma situação, tinha um videozinho, tinha... O áudio, eu não me lembro de ter pego propaganda de áudio, não, mas de vídeo eu cheguei a ver. Era vídeo... Esses que passam nos comerciais da televisão. Entendeu?
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Entendi.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Era coisa assim nesse segmento.
17:00
R
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Entendi. Obrigada.
Nós temos a informação de que essa empresa que, enfim, tem surgido aqui tanto na nossa reunião, a AM4, contratou a Yacows para os serviços da Yacows que eram prestados através da plataforma Bulk Services. O senhor conhece essa plataforma?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu mostrei para vocês ali.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Essa? Aquela era a plataforma Bulk Services?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É. Eu mostrei para vocês ali aquela plataforma. Eu falei até para o moço, para o senhor que estava ali me perguntando, que eu não sei te responder, eu não sei responder para todo mundo que está aqui presente qual era a relação dessa empresa... Eu não sei nem o nome da empresa de que está todo mundo falando: "Ah, mas ela teve uma ligação com a Yacows e tudo mais". Eu não sei te responder como ela entrou na conversa, eu não sei responder a relação porque, quando a gente trabalhava na Yacows – eu não estou falando só por mim, eu estou falando por todos que trabalharam por lá –, a gente não tinha acesso a essas coisas, não. Eu estou tendo acesso... Eu acho que de todos os funcionários...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Acesso a que coisas, desculpe?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A esse nome dessa empresa, serviços...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Mas a plataforma era a chamada Bulk Services, não é?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Era.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – A que o senhor operava, inclusive?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A que eu mostrei.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – A que o senhor mostrou aqui e a que o senhor operava?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu apanhei tanto para aprender a mexer naquilo ali, menina do céu!
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Entendi.
A AM4, por sinal, foi a que o senhor mencionou que tinha uma representante jurídica, uma advogada, enfim, na reunião em que vocês conversaram sobre o acordo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Certo.
O senhor fez esse acordo antes ou depois de ter conversado com a jornalista Patrícia?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, o acordo foi feito depois, tanto que, quando foi feito o acordo, ela entrou em contato brava comigo, falando que eu tinha sido comprado. Nessa ela entrou por ligação, se vocês puxarem nos números telefônicos que eu tinha na época, e falou extremamente brava, como um cara falou para mim agora há pouco.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Então, o senhor primeiro havia falado com a jornalista e depois conseguiu o acordo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A jornalista, quando rolou o acordo, quando teve toda essa situação, a jornalista chegou reclamando de uma situação em que ela se apresentou de um jeito, questionou situações que não tinham nada a ver com o que ela tinha chegado a ter contato comigo...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Tudo isso antes do acordo, certo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Foi tudo em seguida.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Certo.
Em seguida ou antes?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Foi tudo em seguida.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – A primeira conversa antes de conseguir o acordo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Foi tudo em seguida, porque ela ligou para mim. Quando ela ligou... E ela ligou para mim e falou assim: "Sou jornalista da Folha de S.Paulo e estou querendo saber a respeito do seu livro e tudo mais". Quando ela chegou, falou o que ela estava querendo saber, que ela estava toda hora questionando sobre a Yacows, como era o funcionamento da Yacows e toda aquela situação, aí perdeu aquela coisa, aquela minha felicidade em que eu pensei assim: a pessoa está vindo atrás do meu trabalho.
(Soa a campainha.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – A pessoa se apresentou vindo atrás do meu trabalho e, na realidade, era outra coisa.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Falando no seu trabalho, o senhor, no seu processo na Justiça do Trabalho, afirmou que começou a trabalhar em agosto, mas, aqui na nossa Comissão, o senhor está afirmando que começou a trabalhar por volta de abril. Em qual dos dois espaços o senhor está falando o correto, a verdade?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Essa questão de data, é como eu falei várias vezes aqui...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – É não dá para dar uma precisão, claro. Mas, assim, de agosto até outubro é uma coisinha e de abril até outubro...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Daria para ter uma precisão exata do dia e da hora que eu pedi...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Não, não precisa de precisão. Não precisa.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu preciso só responder porque vai ter outras pessoas que vão perguntar a mesma coisa. Daria para ter uma precisão certa de dia, data e horário em que eu conheci Flávia e Lindolfo e que eu entrei na Yacows se eles tivessem trabalhado da maneira correta como empregadores, que não foi o que aconteceu.
17:04
R
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Mas o senhor não lembra nem se foi no primeiro semestre ou no segundo? Não quero saber de hora, de data. Foi no primeiro semestre, mais no começo do ano, ou depois, no meio do ano?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não vou...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Não lembra...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Exatamente, exatamente...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – ... se passou o primeiro semestre empregado ou desempregado ou se passou o primeiro semestre todo desempregado e começou a trabalhar só em agosto?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – No primeiro semestre, eu estava sendo chamado para fazer a campanha política de um ou outro.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Na Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não. No começo do ano – eu lembro que era janeiro ou fevereiro, alguma coisa assim –, eu fui chamado para fazer campanha política e fui apresentado ao assessor.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – A campanha do Sr. Police Neto, que o senhor mencionou, foi nesse ano também de 2018 que o senhor a teria feito?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Fiz a campanha política dele, duas campanhas políticas dele, se não me engano.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Uma delas foi nesse mesmo ano em que o senhor trabalhou na Yacows?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Foi. Se eu não me engano, foi.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Mas é que ele não foi candidato em 2018. O senhor lembra se era para ele mesmo? O senhor está falando que trabalhou para tais pessoas, que trabalhou para Lula, para o PT, mas o senhor está falando que trabalhou para uma pessoa que não foi candidato em 2018.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Você liga para ele e pergunta para ele quem é o Hans, o que o Hans fazia para ele.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Não, eu não tenho o contato dele. Eu só estou me baseando no que o senhor falou e nas informações públicas, no caso a de que ele não foi candidato em 2018, apesar de o senhor dizer que fez...
Presidente, eu peço... Eu acho que o depoente deveria responder o que ele sabe e não o que está sendo sugerido que ele fale.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Sr. depoente, V. Sa. responde ou não. Isso fica a seu critério.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – O senhor quer responder a essa pergunta?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, eu posso responder à sua pergunta, assim, de uma maneira bem clássica.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Clássica?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu não vou ficar lembrando datas de determinadas situações. Tem coisas que estou dizendo aqui até o presente momento, e, se você sair e perguntar, vão te afirmar o que estou falando. Agora...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Eu só estou perguntando o que o senhor afirmou. Não vou sair perguntando.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Agora, assim...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – A informação da não candidatura dele é pública.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Agora, eu tenho outras preocupações muito mais sérias do que ficar lembrando datas, datas essas que pessoas não cumpriram da maneira correta. Eu não sou obrigado a lembrar.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Não, mas, Sr. Hans, eu não estou perguntando data. Por exemplo, se o senhor trabalhou para a Yacows...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Peço para concluir, Deputada.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Vou concluir, Presidente. Só lhe peço mais um pouco de tempo. Acho que o senhor não colocou meu tempo igual ao dos demais Deputados.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É que V. Exa. é suplente, Deputada.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Sr. Hans, eu não estou pedindo data, mas, se o senhor diz que trabalhou numa época na Yacows e que, nessa mesma época, fez campanha para o Sr. Police, isso não bate, porque, na época em que o senhor diz que trabalhou na Yacows – não importa se em abril ou em agosto –, no ano de 2018, esse senhor não foi candidato. E aí fico um pouco em dúvida sobre até as outras pessoas que o senhor disse que foram clientes. Mas, enfim, se o senhor não lembra, sigamos.
Quanto a essa lista dos cem mil nomes, vocês usavam esses mesmos cem mil para todo mundo para quem vocês disparavam mensagens? Eu me explico: vocês queriam disparar para um candidato X, e ela ia para os cem mil? Aí a de outro candidato X de outro partido ia para esses outros cem mil? Ou vocês faziam assim: estes cem mil aqui... Não, desculpa! "Este candidato aqui vai para esse tanto, e esse outro candidato vai para outro perfil"?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu estou doido para responder à sua pergunta, mas só que tem um detalhe...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – E eu estou doida para que o senhor responda.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O pior é que eu estou doido para responder mesmo. Mas só que, assim, se eu ponho em dúvida o que eu estou te dizendo, para que você quer me ouvir?
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Eu quero entender por que o senhor deu uma informação da qual agora disse que já não se recorda. O senhor havia informado como se fosse uma informação precisa. E agora o senhor diz que não, que não era precisa. Então, a gente está aqui conversando para tentar entender quais as informações que o senhor está trazendo que são precisas. E aí eu volto a esta pergunta que eu fiz ao senhor: essa lista dos cem mil contatos era usada não importava para quem, para qual candidato? Eram os mesmos números? Era para esses mesmos números que eram enviadas? Ou cada candidato tinha um perfil, uma segmentação, uma parcela diferente desses cem mil números?
17:08
R
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Apesar de eu estar atacado, doido para dar uma resposta bem confortável para a senhora...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Fique à vontade.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – ... eu vou explicar para a senhora, como eu expliquei já em outro momento aqui: na lista de cem mil nomes, a cada CPF, você conseguia cadastrar quatro chips, cinco chips, e por aí vai. Então, com um único CPF, quantas campanhas você conseguiria fazer? Não sei se fui claro. Entendeu?
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Acho que não. Isso significa o quê? Quando vocês queriam fazer uma campanha, por exemplo, para cinco candidatos diferentes, era para esses mesmos números que vocês enviavam todo o material de campanha?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Vou dar um exemplo melhor ainda. Agora, se você não entender, eu paro aqui. Se eu pegar o seu CPF e cadastrar em cinco celulares e, com o seu CPF, eu colocar um celular nesta mesa, um celular naquela mesa e na outra mesa e se cada um tiver um mailing diferente, quantas campanhas vocês conseguem fazer? Joãozinho foi à feira, heim?
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Vou, então, fazer de novo a pergunta. E, se o senhor não entender, eu não tenho nenhum problema em refazer. Não vou parar por isso. Uma mesma pessoa recebia a propaganda de vocês de candidatos diferentes? Não estou perguntando sobre CPFs, Sr. Hans. Estou perguntando sobre a lista de contatos para quem vocês enviavam. Entendeu?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Agora, você falou uma coisa que tinha nexo mesmo, porque...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO – Agora...
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Sr. Hans, eu entendo...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Sr. Hans, eu entendo perfeitamente que o senhor...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Não, tudo bem, Deputado!
Eu entendo perfeitamente que expostas...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Presidente, eu entendo perfeitamente que expostas tantas contradições...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputada, houve alguma ofensa a V. Exa.?
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Não, eu entendo que ele queira desviar o assunto. Ele está até aproveitando o tempo para perguntar ao advogado o que deve falar agora. Eu entendo perfeitamente que diante de...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Presidente, eu gostaria que o senhor impusesse a sua autoridade para garantir o silêncio no plenário, para eu continuar.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Estou assegurando a sua palavra, nobre Deputada.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Mas eu entendo que o senhor queira desviar o assunto, já que tantas contradições estão sendo postas. Se o senhor não quer responder à pergunta que eu já fiz três ou quatro vezes, não tem problema. A gente segue para a seguinte. A gente se encaminha também para o final.
O senhor lembra o número do telefone que o senhor usava, esse que foi perdido?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, vou ser bem categórico. Agora vou ser mais categórico ainda.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Eu agradeço.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Se você teima em falar que é duvidosa a minha palavra, a minha presença, então não perca seu tempo me perguntando. Me desculpa!
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Não, de forma alguma, Sr. Hans, eu não estou perdendo tempo aqui.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Me desculpa!
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – Eu estou tentando entender as informações que...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Peço para concluir, Deputada.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu me calo a partir daqui.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN. Para interpelar.) – ... em uma hora o senhor traz dizendo uma coisa e, em outra hora, diz outra coisa. É somente isso. Mas não há problema. Se o senhor não quiser mais responder às minhas perguntas, eu entendo. Eu entendo que há muitas informações que ficaram conflitantes e confusas. Se o senhor quiser parar de falar sobre elas, está tudo bem.
Presidente, nós seguimos com os próximos depoimentos. Agradeço o tempo disponibilizado.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Obrigado, Deputada.
Com a palavra a Deputada Caroline de Toni, do PSC, de Santa Catarina.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – É o PSL.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Errou aqui a Secretaria. Por isso, estranhei o que está aqui. Pensei que V. Exa. tinha mudado de partido sem comunicar à Comissão.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Boa tarde, Presidente!
Boa tarde, Sr. Hans e Dr. Fernando!
17:12
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Eu queria começar a minha fala, Presidente, colocando aqui um ofício que retornou da Polícia Federal no qual o Parlamentar que integra esta Comissão, o Deputado Frota... Quando ele esteve aqui depondo, trouxe uma série de documentos, prints públicos, na verdade, dizendo que estava sofrendo graves ameaças e pediu ao senhor para encaminhar, então, essas, entre aspas, "provas" para a Diretoria-Geral da Polícia Federal. Retornou, então, a resposta do Delegado da Polícia Federal, Sr. Ademir Dias Cardoso Júnior, acerca dessas supostas provas de ameaças a membros da CPI. O delegado-geral falou que desse anexo, de todas essas supostas provas, não se faz possível extrair uma narrativa consistente que aponte concretamente para ações que envolvam o cometimento de ato delitivo. Daí ele: "Trata-se, com efeito", anexo número tal, "de um arquivo que contém uma série de manifestações descontextualizadas emitidas em redes sociais. Desse modo, sugere-se o arquivamento do expediente".
Com isso, Presidente, fica claro aqui pelo ofício da Polícia Federal que, novamente, repetimos – e repetimos sessão após sessão, reunião após reunião – que não há milícia digital, que não há um assassinato coordenado de reputações e nem sequer indícios de crime, como disse a polícia. Ao que tudo indica, nós podemos, talvez, até verificar se não houve um verdadeiro abuso de autoridade no sentido de coibir as pessoas de livremente se manifestarem nas redes sociais...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputada, só um instantinho.
Eu queria convidar o Deputado Rui Falcão para assumir o meu lugar porque está havendo votação nominal. Só tenho dois minutos para não tomar falta.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Certo. Então, vou continuar aqui.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Ele, como é o nosso substituto-mor, sempre foi.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – O que a gente não pode, Presidente, é aceitar que os políticos não possam ser criticados. Antigamente as pessoas iam votar e achavam que o seu dever estava cumprido. Hoje, com as redes sociais, a gente tem que prestar contas não só durante as eleições, mas também é uma espécie de cidadania que está sendo exercida permanentemente, pelo eleitorado, por meio das redes sociais.
Então, parabenizo a Polícia Federal por deixar que as pessoas continuem livremente tendo a sua liberdade de expressão nas redes sociais. Muito bem.
A reunião de hoje, Presidente, demonstra claramente por que a Oposição, por que o PT queria sigilo. E aqui foi revelado pelo Sr. Hans que as suspeitas... Até então as acusações de toda a oposição, que tem o maior número de membros aqui e tenta sempre fazer essa narrativa falaciosa de que teria havido disparos em massa na campanha do Presidente Bolsonaro, tentando fazer um terceiro turno, sendo o Sr. Hans uma dessas, entre aspas, "testemunhas-chave" dessa suposta acusação... E nós vimos aqui, por meio do seu depoimento, exatamente o contrário. É aquilo que a gente sempre afirmou: que quem fazia disparo em massa era o Partido dos Trabalhadores. E ele veio aqui testemunhar. Então, não era à toa que o PT queria sigilo.
Mas nós, sempre defensores da liberdade, estamos aqui novamente, conseguimos vencer primeiro essa votação para que fosse pública esta reunião, para que a imprensa possa cobrir – e tomara que seja honesta na descrição dos fatos –, demonstrando, mais uma vez, a falácia da oposição.
Começo aqui as minhas perguntas.
Na verdade, Sr. Hans, o senhor já respondeu a quase todas as minhas perguntas. Uma das minhas perguntas tinha a ver com quando o senhor começou a falar. O senhor falou que sofreu pressão de determinados partidos a certa altura da campanha, e o senhor falou, então, Partido dos Trabalhadores. O senhor confirma?
17:16
R
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É. Pior que foi.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Certo.
O senhor comentou também que, quando estava aqui até o filho do... o Eduardo Bolsonaro, em nenhum momento o senhor fez disparo com relação à campanha do candidato Bolsonaro. O senhor confirma essa informação?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Confirmo e até reitero. Até informo também a situação em que fiz o comentário, que era o comentário que eu fazia para todo o mundo. Quem me conhece vai poder dizer desse período que eu estava comentando, falando: nossa, a gente está fazendo campanha de fulano, beltrano e tal, mas o cara vai ganhar como? E ele estava, de uma maneira política, na televisão, que... As pesquisas diziam que ele tinha uma possibilidade muito grande de ganho. E ficava aquele comentário: "mas como o cara vai ganhar se ele não está fazendo propaganda?". Pelo menos no período em que eu estava na empresa, não houve nenhuma propaganda nem dele nem do Dória. Entendeu? Então, o que ficava na nossa mente, até ficou, foi como ele conseguiu ganhar.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Certo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Se você não faz propaganda do seu peixe, como é que você vai vender o seu peixe?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Muito obrigada.
O senhor comentou aqui que tem muitos políticos desse Partido, do PT, para quem o senhor chegou a fazer, que lembra de ter disseminado esses disparos em massa. Quais foram esses políticos do Partido dos Trabalhadores? Mesmo que eles estejam na Comissão, gostaria que o senhor falasse.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu prefiro não citar nomes para não dar mais conflitos, porque...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Tu podes não citar quem está aqui. Alguns políticos para quem você fez campanha? Rui Falcão, o senhor olhou para ele. E, tirando ele, quais outros políticos do Partido dos Trabalhadores de que o senhor se lembra?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Menina do céu! Era esse moço. Tinha... Qual era o nome daquele cara?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Tá. Vamos continuar. Se o senhor lembrar depois, o senhor fala, porque o tempo está correndo.
Tenho aqui, Sr. Hans... Vou continuar. Se o senhor lembrar, o senhor fala novamente. Depois eu pergunto novamente.
Aqui tenho uma notícia da Folha de S. Paulo, datada de 26 de outubro de 2018, que fala da campanha do Haddad. Aqui fala que pessoas ligadas à campanha petista confirmam que a agência de marketing contratada por eles usou os serviços da Yacows, mas negaram que tenham qualquer lista de contatos que não fosse do próprio PT. O senhor comentou aqui sobre como se dava, o senhor fez até uma aula aqui sobre como se davam esses disparos. Qual a origem dessa lista que vocês utilizavam para fazer esses disparos?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Isso eu não vou saber responder porque, na realidade, independente das duas funções que eu exerci na empresa, eu não tinha acesso para saber de onde vinha. Então, a situação da caixa de chips, de onde que vinha esse... Falo mailing, mas era um outro nome que era usado lá. Eu não tenho essa informação de quem mandava e de como era preparado isso. Tinha curiosidade? Tinha curiosidade, mas não tinha acesso e nem conversação com...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Então, não sabe nem se era do Partido ou se não era do Partido? Mas, ao que tudo indica...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu não sei te responder como era elaborada.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Sim, como era elaborada essa lista. O senhor não tem conhecimento. Era só isso que eu precisava saber.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Como eu apresentei ali, a elaboração disso daí...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Já vinha pronto para vocês ou não?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É uma elaboração muito grande, porque não envolve só o político, envolve outros setores de informática, de coisa, para chegar naquela situação. Então, até para o entendimento de quem trabalhava na época, é uma coisa, assim, que você fica até curioso para saber como funciona.
17:20
R
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Tá. O senhor comentou no início que existe uma proximidade entre os donos da empresa e o Partido dos Trabalhadores. Poderia nos falar mais sobre esse relacionamento?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Olha, não só dos donos, viu?, porque a jornalista Patrícia... E quem me convidou, quem mandou o e-mail... Depois, quando eu estava baixando o e-mail, eu olhei bem assim, o que até agora eu não consegui entender e já levei uma chamada muito boa para que eu fique quieto e não seja grosso nem nada, até agora eu não consegui entender o que o Partido dos Trabalhadores está ganhando querendo queimar a minha imagem de maneira absurda e, ao mesmo tempo... A jornalista, se você consultar, ela é do PT, filiada ao PT, simpatizante do PT, sei lá de que situação ela é junta com o PT. Quem me chamou para vir para cá é do próprio PT. Eles só não esqueceram de um pequeno detalhe: que eu não ia perder o meu tempo pegando avião, porque eu tenho medo de avião – sou diabético e hipertenso, estou sem insulina, e o meu advogado está aqui comigo a todo momento: "Ah, vamos medir a glicemia, vamos comer alguma coisa" –, para chegar aqui e falar besteira ou, como eu escutei: "Ah, mas você falou alguma coisa".
Tem coisa que eu posso não lembrar, a data? Beleza, posso não lembrar. Tenho outras coisas para fazer, tenho outras coisas para preocupar...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Certo.
Eu queria saber sobre a ligação entre os donos da empresa e o PT.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Mas se você parar para analisar, as três situações têm ligação ao PT.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Oi?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – As três situações: Lindolfo, Flávio e a jornalista. E quem está no meio? O trouxa aqui.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Com relação ao conteúdo das mensagens, já que o senhor lembra que fez disparos para o Partido dos Trabalhadores e para políticos do Partidos dos Trabalhadores, o senhor lembra do conteúdo dessas mensagens? Tinha mensagens que estavam denegrindo a imagem do oponente, que era o Bolsonaro?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não. Em momento algum; em momento algum, tipo, eu não estou falando nem para defender nem nada, porque eu não quero nem perder o meu tempo fazendo isso, porque, tipo, para mim tanto faz. O que acontece é o seguinte: não tinha mensagem denegrindo ninguém. Era propaganda, assim, no meu entendimento, propaganda saudável: santinho, número, mais nada. Isso estou falando do período em que eu fiquei na empresa. Fora o período em que eu fiquei na empresa, eu já não posso responder o que aconteceu.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – O senhor chegou a fazer disparos da campanha do Fernando Haddad?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim, do Haddad, sim.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Do candidato a Presidente, do Haddad, do PT?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Esse... A campanha do Haddad, em que ele estava se elegendo, era o Bolsonaro e o Haddad na época.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Quando eu fiz um comentário, de uma maneira lúdica para que todos entendessem, que o Estado de São Paulo, vamos supor, fosse essa mesa e a outra bancada fosse o Rio de Janeiro, a parte do Haddad você conseguia mandar para todo o Território nacional, mas você não podia mandar com aqueles números internacionais.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Por quê?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Porque era uma campanha de Presidente. Então, você estava mandando para o...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu vou mandar uma campanha para você, e você está na Paraíba, com um número da China? Não tinha condições.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Sim.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Então, o pessoal reclamava: "Ou, vai mandar? Mas você manda com número nacional". Então, entra naquela parte em que eu estava dando um exemplo, então, era o único em que você conseguia atingir todo o Território nacional, ressalva em alguns lugares que não atendia.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Então, o senhor confirma que fez esses disparos para beneficiar o Presidente do PT para todo o Território nacional, digamos assim?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim, sim.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – E os chips eram adquiridos de uma forma ilícita, no caso?
17:24
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O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Aí fica difícil de dizer. A maneira como era adquirida a questão dos chips, eu não vou saber responder, até como a menina...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Mas aqueles indícios lá de que... da data de nascimento, etc.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Sim, do CPF, isso é fato. Do CPF, isso é fato. Agora, do chip, a parte do chip eu não vou saber responder, porque eu não sei como que chegava, quem comprava, quem trazia, quem comercializava, quem fazia a ponte, então...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Certo.
Eu tenho outra pergunta aqui: e as empresas Yacows, Deep Marketing e Kiplix funcionavam na época das eleições no mesmo endereço e possuíam os mesmos sócios.
O candidato Henrique Meirelles, do MDB, contratou a Deep Marketing por dois milhões...
(Soa a campainha.)
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – ... e, de acordo com a imprensa, disparou mensagens em massa para um milhão de beneficiários do Bolsa Família.
O senhor chegou a ter conhecimento disso? Por que eu estou com uma notícia aqui...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Desse cara eu lembro, sim, menina.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Se o senhor pode relatar como é que foi.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Desse cara eu lembro, sim. E só ressaltando um detalhe, essas empresas que você citou, tem empresa que não era no mesmo endereço, viu? Tanto que eu tive uma situação de...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Qual das três era no mesmo endereço?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A Malt Serviços não era no mesmo endereço, não.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Não, eu falei Yacows, Kiplix e Deep Marketing.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – A Yacows eu sabia onde era, porque eu trabalhava... As outras eu não sabia o endereço. Aqui eu procurei o endereço por causa de um depósito errado...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Não, eu não estou te questionando com relação ao endereço, porque isso aqui está na notícia. Eu só te questionei com relação à campanha do Sr. Henrique Meirellles, do MDB, que teria contratado uma dessas empresas para fazer esses disparos.
O senhor lembra de ter pego esse trabalho, de ter disparado, desse candidato?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Vixe, demais! Do Henrique Merelles, esse daí a gente não esquece, não é? Desse a gente vai esquecer de que jeito? É como você... Vai esquecer o meu nome, Hans River? Não tem como, cara. Esse cara... Porque a campanha dele, a campanha dele foi uma campanha que teve momento em que todas as mesas estavam fazendo a campanha dele. Se parava de fazer campanha de outras pessoas, de outros produtos para fazer a campanha do cara.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Digamos que ele era um dos clientes mais fortes?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – E tinha coisa de horário, tinha essa coisa de horário, porque, assim, dependendo da localidade ou dependendo da situação... "Ah, até umas 10h, até umas 9h, você manda tal campanha; se passar de tal horário, você já não manda mais." Então, tipo, tinha essa situação, entendeu?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Certo.
Consta da reportagem da Folha de S. Paulo que o senhor pediu que fosse retirada qualquer colaboração tua com o jornal...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Para concluir, Deputada.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Eu já vou concluir...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Não, meu tempo acabou agora, Deputada, e a gente foi muito tolerante com a tua colega, e inclusive já tinha encerrado o tempo dela, então...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Prossiga.
A SRA. NATÁLIA BONAVIDES (PT - RN) – Eu acabei de falar com a Mesa. Meu tempo estava marcado errado, não teve tolerância, não.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Fiquem tranquilas que eu já estou encerrando.
O senhor comentou aqui a forma como o senhor foi enganado pela jornalista da Folha de S. Paulo, que tentou se aproximar com base num livro, que tentou fazer amizade com o senhor, etc., para, depois, burlando essa confiança, ir lá e te expor. E a sua vida, por conta disso, o senhor já falou aqui as dificuldades que o senhor está enfrentando.
O senhor já ajuizou alguma ação em relação a essa jornalista e à Folha de S. Paulo para alguma indenização?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É isso que a gente estava discutindo. Estava discutindo porque está saindo uma discussão de que tem o direito do jornalista, o direito de imprensa, mas no momento de a pessoa acabar com a vida da outra parte, tipo, não tem direito de imprensa, entendeu? Então, assim, está uma situação em que está sendo discutido até o que gente pode fazer, como vai ser dirigida essa situação, porque, quando eu menos espero, sou chamado ao Ministério Público, quando eu menos espero... Até pensei que fosse um tipo de gozação. E era um assunto sério que eu estou aqui hoje. Eu até faltei com o respeito com o cara que me mandou o e-mail. Eu falei: "Ah, você está mandando e-mail para mim do Senado?". Não é? Eu achei que você estava brincando. Então, está complicada essa situação. Entendeu?
17:28
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E tem até um detalhe que a gente trouxe também e que é importante sinalizar: a conversa que tive com a Patrícia. Então, assim, sabe aquele velho ditado que diz que você dá corda para depois você puxar a corda e ver a pessoa... Eu ia falar um termo, mas eu vou preferir segurar esse termo, porque eu já estou levando muita comida de rabo aqui.
Eu não sei se eu posso levantar aqui.
Eu posso levantar aqui? Tem um microfone para mim? Porque eu vou explicar aquilo ali. (Pausa.)
Aqui, como vocês estão vendo, o contato que ela teve comigo... No primeiro contato que ela teve comigo, ela me ligou do nada falando que era jornalista, que queria saber a respeito do meu livro e tudo mais. No segundo contato, ela pegou e entrou em contato pelo WhatsApp. Aqui você vê ela mandando todas as informações. Entendeu? Então, eu fiquei até meio assim... Eu falei: como que a pessoa entra em contato comigo... A maneira como ela entrou em contato, depois que ela me conheceu, deu o livro dela, autografou o livro dela, vendeu o produto, vendeu a imagem, eu até questionei, indaguei a ela, perguntei: "Engraçado, você, como jornalista, tem um conteúdo de processo trabalhista..." Mas não era um conhecimento como alguma outra pessoa pensa, assim: "Ah, mas ele é o Hans" ou, como alguém falou para mim que eu era um negro de favela, que você não tem aquele conhecimento. Mas era uma pessoa como se eu chegasse no meu advogado agora e falasse: "E aí? E o processo? Fala para mim." Pela maneira como ela falou, ela sabia do que estava falando. Eu cheguei até a suspeitar de alguém ou até do advogado que eu contratei na época para fazer a ação ter passado a informação para ela, porque, se você estivesse presente e visse a maneira como ela falou a respeito, ela dominava mais do que eu o assunto. Entendeu?
Fora essa conversa, fora isso daqui, tem o e-mail que ela mandou para mim com o meu processo inteiro. Em momento algum ela falou: "Eu consegui o seu telefone de contato da seguinte forma". Ela falou que o meu telefone de contato... Se houver algum advogado aqui, que o advogado me confirme, porque eu acho que estou pensando besteira. Tem gente que fala que eu penso besteira ou fala que eu só falo coisas impróprias. No conteúdo do processo aparece o número de telefone e o endereço da pessoa?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – O senhor descobriu como ela conseguiu o seu número ou até hoje não descobriu ainda?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, é o que eu estou perguntando agora a quem é advogado aqui: aparece?
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA) – Presidente, a gente não vai conseguir, assim, concluir esta reunião. Eu estou esperando aqui há três horas pacientemente.
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Eu só estou concluindo.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Aparece?
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA) – Eu tenho questões relevantes a perguntar para a testemunha e vou ficar prejudicado...
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Eu já encerrei, Presidente.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA) – ... em questões que eu julgo importantes.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Você encerrou as telas. Está tudo bem.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Teria mais telas para mostrar. Teria mais telas para mostrar.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – Tem que responder o que é perguntado. Não vamos ficar também...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Tudo bem, mas você está falando isso porque não foi com você.
Como que a pessoa consegue o telefone da outra pessoa do nada e não explica para você?
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC. Para interpelar.) – Isso é falta de ética, no mínimo, da parte da jornalista.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concluindo a sua explanação.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. CAROLINE DE TONI (PSL - SC) – Não, eu já concluí, Presidente.
Agradeço ao Sr. Hans.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Com a palavra o Deputado Filipe Barros, do PSL, do Paraná.
17:32
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O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR. Para interpelar.) – Sr. Presidente, Sr. Hans River do Rio Nascimento, senhor advogado, Deputados, Deputadas, Senadores, Senadoras, eu iria abordar outro assunto na tarde de hoje, Sr. Presidente, assunto esse que aconteceu na reunião desta Comissão na semana passada. Eu iria iniciar com esse assunto, mas vou deixá-lo para um segundo momento. Neste primeiro momento, vou fazer um grande apanhado do que nós discutimos na tarde de hoje, porque eu acho que o Sr. Hans River contribuiu muito para os trabalhos desta Comissão e todas as perguntas já foram feitas, inclusive, inúmeras perguntas foram repetidas, repetidas e repetidas, e o Sr. Hans River, com uma paciência de Jó, respondeu a todas.
Mas é importante a gente fazer aqui, Sr. Presidente, um retrospecto. É o seguinte: quem fez o requerimento convocando o Sr. Hans River foi o Deputado Rui, do PT, do Partido dos Trabalhadores, e o fez porque, segundo a narrativa petista, a empresa em que o Sr. Hans River trabalhava prestou serviços para a campanha do Presidente Jair Bolsonaro, serviços de disparo de mensagens através de WhatsApp.
Era essa a narrativa, Hans, que o Partido dos Trabalhadores estava, e está, a todo momento tentando emplacar aqui nesta CPMI. E, pelo depoimento do senhor, que esteve dentro da empresa, trabalhando, ficou comprovado o contrário. É aquilo, Sr. Presidente, Senador Angelo Coronel, que eu já disse algumas vezes nesta Comissão, ou seja, que o Partido dos Trabalhadores é bom em uma frase: acuse-os do que você faz e xingue-os do que você é. Porque, quando o Sr. Hans River foi questionado sobre campanhas em que ele trabalhou, ele afirmou categoricamente que uma das campanhas em que ele trabalhou foi a do Deputado Rui.
Talvez seja por isso...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Fora do microfone.) – Eu quero direito de resposta.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR. Para interpelar.) – Talvez seja por isso que o Partido dos Trabalhadores, na pessoa do Deputado Rui, queria que esta reunião fosse sigilosa. E digo isso porque, quando eu cheguei a esta CPMI, Relatora, Deputada Lídice da Mata, estava sendo discutido transformar esta audiência em uma audiência privada, sem a participação de imprensa, sem a participação de assessores, enfim.
Por que o Partido dos Trabalhadores não queria que esta audiência tivesse a transparência necessária, como todas as outras reuniões tiveram? Será que é porque descobriram, depois da convocação, que a empresa fez disparos em massa para o Partido dos Trabalhadores e que a empresa trabalhou, inclusive, para o próprio Deputado Rui, do Partido dos Trabalhadores?
Deputada Lídice da Mata, nossa Relatora, esta talvez tenha sido uma das reuniões mais importantes desta CPMI. Espero que todos esses fatos aqui narrados pelo Sr. Hans River estejam consubstanciados no relatório de V. Exa.
Aliás, repito aqui, Sr. Presidente, o apelo que fiz no início desta reunião. É fato: eu não estava aqui presente e não presenciei o questionamento que o Deputado Rui fez para o nosso depoente, o Sr. Hans River, não estava presente, mas o Sr. Hans River fez aqui, nos microfones desta Comissão, uma denúncia gravíssima de que um Deputado, o Deputado Rui, pelo que ele disse, praticou (Trecho editado nos termos do art. 48, inciso XXXI e art.19, inciso I. do Regimento Interno.) com ele.
17:36
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Aqui a única pergunta que eu quero que o Sr. Hans River responda no final da minha fala é se trabalhou para algum outro Deputado ou Senador presente nesta CPMI, porque o nosso depoente, o Sr. Hans River, já disse que trabalhou para o PT, para o Deputado Rui. Então, a pergunta é: trabalhou para mais alguém deste Plenário?
Pode me responder no final e aí, Sr. Hans River, inclusive, quando for responder aos questionamentos, pode terminar o raciocínio de perguntas passadas, que V. Exa. estava tentando construir e, por inúmeras vezes, foi cortado; não deixaram o senhor terminar o seu raciocínio. E coincidentemente, todas as vezes em que o cortaram, foram políticos do Partido dos Trabalhadores, não deixavam o senhor terminar o raciocínio.
E algo me comoveu aqui, Senador Angelo Coronel: o Sr. Hans River disse que, depois da matéria irresponsável da Sra. Patrícia Campos Mello, ele não consegue mais emprego, não consegue sequer dinheiro para comprar insulina, uma vez que ele é diabético.
Na minha opinião, nós temos que convocar a jornalista Patrícia Campos Mello para estar aqui presente.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Não, convocar, convocar. Nós temos que convocá-la para estar aqui presente, porque é óbvio e certo que o jornalismo é essencial para a democracia e, justamente por ser essencial à democracia, o jornalista também tem as suas responsabilidades e seus deveres.
O que o Sr. Hans River narrou é, no mínimo, imoral da conduta da Sra. Patrícia Campos Mello.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Posso só inteirar? Tenho mais três mensagens para mostrar a respeito disso que ele está falando.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR. Para interpelar.) – Pode ser no final? Pode ser no final? Só para eu...
Aí, Sr. Presidente, hoje o tiro saiu pela culatra. O Partido dos Trabalhadores, que trouxe o Sr. Hans River aqui achando que ia prejudicar o Presidente Jair Bolsonaro, foi o contrário, foi o contrário. E isso é necessário que a gente deixe registrado aqui. Aliás, se o pessoal do aquário que está filmando puder filmar o nosso Plenário... Nas outras reuniões, o pessoal do Partido dos Trabalhadores estava aqui lotando as galerias, tudo lotado; hoje só temos alguns, poucos, muito desanimados hoje, inclusive.
Agora, partindo para o assunto da semana passada, Sr. Presidente, esta CPI – e qualquer CPI ou CPMI – tem poder de investigação. Isso está na nossa Constituição Federal, no art. 58, §3º, já foi decidido inúmeras vezes pelo próprio STF, está no nosso Regimento, ou seja, CPMI e CPI têm poder de investigação. Isso é um fato. Assim, da mesma forma que, por exemplo, um delegado não pode abrir um inquérito sem justa causa, sem fato motivado, um Parlamentar também não pode usar esta CPMI para satisfação dos seus anseios particulares se não houver justa causa ou o fato não for motivado.
17:40
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Mas o caso concreto – e eu fiz essas duas premissas, porque eu quero falar sobre esse caso concreto – é o seguinte: o Deputado Alexandre Frota protocolou na Polícia Federal e protocolou nesta Comissão este requerimento que está em minhas mãos, pedindo a quebra de sigilo de alguns perfis que se utilizam de pseudônimos no Twitter. Veja bem: a Polícia Federal, como bem ressaltado pela nossa amiga Deputada Caroline de Toni, respondeu ao Deputado Alexandre Frota dizendo que não havia qualquer indício de crimes, que aquilo que o Frota juntou na Polícia Federal, que foi o mesmo que ele juntou aqui, nesta Comissão, no máximo, era um apanhado de inúmeras críticas que um perfil ou perfis fazem na internet, o que estava longe de ser crime. O Deputado Alexandre Frota, mesmo com a negativa da Polícia Federal, protocolou nesta Comissão um requerimento que foi aprovado, que é este que juntei em minhas mãos, pedindo a mesma coisa que ele havia pedido para a Polícia Federal, ou seja, a quebra do sigilo desses perfis do Twitter que são pseudônimos.
Acontece, Sr. Presidente, que, no art. 19 do nosso Código Civil, está lá: "O pseudônimo adotado para atividades lícitas [como é o caso] goza da proteção que se dá ao nome". Nosso Código Civil, direitos da personalidade.
O STF, no caso do livro cujo autor usava o pseudônimo Eduardo Cunha, decidiu no Agravo Regimental na Reclamação 26.884, a Ministra Rosa Weber decidiu que, no nosso ordenamento jurídico, é possível utilizarmos pseudônimos, como foi inclusive em toda a história do Brasil, com inúmeros artistas usando pseudônimos.
Veja só: na própria jurisprudência do STF, a nossa Suprema Corte já decidiu que "as CPIs, no desempenho de seus poderes de investigação, estão sujeitas às mesmas normas e limitações que incidem sobre os magistrados, quando no exercício de igual prerrogativa". Ou seja, as normas que incidem sobre os magistrados também incidem para nós, Deputados e Senadores membros desta CPI. E também a jurisprudência do STF diz o seguinte: "CPI não tem poder jurídico de, mediante requisição, a operadoras de telefonia, de cópias de decisão nem de mandado judicial de interceptação telefônica, quebrar sigilo imposto a processo sujeito a segredo de justiça. Este é oponível à CPI, representando expressiva limitação aos seus poderes constitucionais", decisão do Mandado de Segurança 27.483, decidido pelo STF.
O Congresso Nacional aprovou, Sr. Presidente, ano passado, a Lei 13.869, de 2019, Lei de Abuso de Autoridade. Está aqui, foi aprovada. Votei contra, mas foi aprovada, é uma lei válida. O art. 2º da Lei de Abuso de Autoridade diz que ela é válida para os membros do Poder Legislativo.
Ora, a atuação do Deputado Alexandre Frota nesta Comissão nada mais é – e está marcada em toda sua presença nesta Comissão – do que um abuso de autoridade, porque se utiliza desta Comissão para impor seus anseios e suas vontades pessoais.
17:44
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O art. 27 da Lei de Abuso de Autoridade diz o seguinte: "Requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de alguém...
(Soa a campainha.)
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – ... à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa". É um crime.
O Deputado Alexandre Frota, mesmo sabendo que esses perfis não cometeram crime algum, mesmo tendo a negativa da Polícia Federal, que disse que não cometeram crime algum, o Deputado Alexandre Frota utiliza-se dos poderes e das prerrogativas desta Comissão para insistir na quebra de sigilo desses perfis.
Art. 30 da Lei de Abuso de Autoridade: "Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente", ou seja, um outro dispositivo da Lei de Abuso de Autoridade que incide exatamente na conduta do Deputado Alexandre Frota nesta Comissão, que, inclusive, nas reuniões passadas, disse que o objetivo dele é esse mesmo, que não queria investigar deep web, que não queria investigar mais nada, que só queria perseguir quem o critica na internet, e, na prática, é esse o objetivo desta CPI. Infelizmente alguns Deputados e alguns Senadores utilizam esta CPI para, como o Deputado Alexandre Frota, perseguir quem os critica na internet.
Então, quero deixar aqui registrado que estamos finalizando uma representação perante o Procurador-Geral da República, solicitando que o Deputado Alexandre Frota seja enquadrado na Lei de Abuso de Autoridade pelas condutas que eu narrei agora há pouco, porque esta Comissão também tem responsabilidades. Como eu disse, nas próprias decisões do STF, aquilo que é válido para os magistrados também é válido para a gente. A gente não pode, como membro da Comissão, utilizar esta Comissão ao nosso bel-prazer, investigar quem a gente quer que seja investigado sem prova, sem justa causa, sem nada, que é o que o Deputado Alexandre Frota frequentemente tem feito.
Então, para finalizar, Sr. Hans River, obrigado pela participação. Parabéns pela coragem, parabéns pela honestidade, por ter se mantido fiel. Fica aqui a pergunta: se, além do Deputado Rui Falcão, o senhor já trabalhou para outros Parlamentares aqui deste Plenário. Que Deus o abençoe, lhe dê oportunidades, oportunidades que foram retiradas depois da matéria da Sra. Patrícia Campos Mello.
Comunico aqui, Sr. Presidente, que nós ingressaremos com essa representação contra o Deputado Alexandre Frota.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Agora, eu agradeço muito a atenção do senhor, mas eu prefiro não responder para não ter mais conflito, porque eu já tive bastante em algumas situações.
Agora, eu tenho mais dois ou três vídeos, três coisas para mostrar.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Mas no momento nós vamos ouvir os Deputados e Senadores que estão aqui.
Se algum Deputado inscrito quiser ceder o tempo para o depoente, é outra coisa.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Ele poderia deixar esse material aqui, Presidente...
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Fui mencionado.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – ... deixar esse material na Comissão.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O material vai ficar à disposição da Comissão e vamos investigar.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA) – Sr. Presidente, mas o Deputado Carlos Jordy está após a minha inscrição, então ele vai ceder após a minha fala.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Não, vai ser o Deputado Carlos Jordy, Deputado Márcio Jerry e a Deputada Luizianne. Mas o Deputado Rui Falcão foi citado pelo Deputado Filipe Barros.
Com a palavra o Deputado Rui Falcão.
Depois, com a palavra o Deputado Carlos Jordy, o Deputado Márcio Jerry e, finalizando, a Deputada Luizianne Lins.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Para explicação pessoal.) – Presidente, eu acho de extrema deslealdade o Deputado Filipe Barros, com quem eu acreditava que, apesar das divergências, poderíamos ter uma convivência civilizada, ecoar uma acusação que ele não ouviu. Ele não ouviu. Eu não chamei o depoente de favelado, não o discriminei, perguntei onde ele morava. Disse aqui depois: "Moro lá na Burguesia, na Leopoldina". Ainda falei: "Leopoldina do Rio ou de São Paulo?". "Não, Leopoldina de São Paulo". Eu falei: "Você conhece outros bairros?". "Conheço". Eu falei: "Conhece bairro da periferia, onde eu fiz campanha?". Ele falou: "Conheço. Fiz campanha para você. Eu imaginei que ele tivesse feito campanha para mim, votando.
17:48
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Então, não fiz campanha com a Yacows. Então, essa é uma acusação mentirosa.
Não o acusei. Não cometi nada de racismo, Deputado Filipe Barros. Inclusive, o senhor não ouviu isso.
(Intervenção fora do microfone.)
Não, mas o senhor reproduz, reproduz e me incrimina. A mesma prática que o senhor está atribuindo ao Alexandre Frota, o senhor me atribui...
(Intervenção fora do microfone.)
Não, mas ele... Fazer uma afirmação... Ele não estava sendo indagado, não estava indagado...
(Intervenções fora do microfone.)
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Está bom. Então, o senhor não está acreditando? Ele também falou que fez campanha para o Police Neto, que não foi candidato. Mentiu? Ou se esqueceu?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Não. É irrelevante. Eu estou dizendo que não tem credibilidade.
Então, eu lamento que o senhor tenha tido esse comportamento aqui.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Mas é normal.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Lamento, lamento. E, a partir de agora, inclusive, mudarei a minha relação com o senhor. Passarei a dar bom-dia, boa-tarde por educação.
O SR. HUMBERTO COSTA (PT - PE) – Eu nem isso dou.
O SR. FILIPE BARROS (PSL - PR) – Ainda bem.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O. k.
Concedo a palavra ao Deputado Carlos Jordy, do PSL, do Rio de Janeiro.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ. Para interpelar.) – Sr. Presidente, Sr. Hans River do Nascimento...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Vamos nos acalmar. Depois, cada um se abraça e dá as mãos.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – Sr. Presidente, por favor, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Deputado Carlos Jordy, com a palavra.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ. Para interpelar.) – Sr. Hans River, dou também as boas-vindas ao seu advogado, Fernando.
Bom, primeiramente, quero dizer que você terá todo o tempo para falar aqui durante a minha explanação, inclusive, vou deixar um espaço caso você queira mostrar mais provas e todas as suas explanações que vinham sendo feitas. E pode me chamar de "você". Não tenho essa formalidade de querer ser chamado de V. Exa. ou de senhor. O Senhor está no céu. Eu o chamarei também de você.
Mas, antes, eu gostaria de falar também a respeito de algo que já foi aqui falado pelo dois Parlamentares do PSL, tanto a Caroline de Toni como o Filipe Barros, a respeito desse fato novo que está sendo noticiado, do arquivamento da denúncia do Deputado Alexandre Frota com relação a essas ameaças, supostas ameaças que estariam sendo feitas contra membros desta CPMI e que estariam sendo feitas também contra ele. Ele pediu uma instauração de processo para quebra de sigilo e para serem investigados esses perfis. Naturalmente, se fosse uma pessoa comum, isso seria um crime de denunciação caluniosa. Denunciação caluniosa: um indivíduo instaura um processo criminal, um inquérito policial com base em notícias falsas, imputando falsamente um crime a uma pessoa. Mas, como somos agentes públicos e recentemente foi aprovada também essa legislação especial que trata do abuso de autoridade, nos enquadramos nesse caso.
O Deputado Alexandre Frota deu cabo a uma instauração de processo de quebra de sigilo de pessoas nas redes sociais simplesmente por essas pessoas o questionarem e por fazerem memes, o que, na verdade, foi o que deu cabo à instauração desta CPMI. Eu sempre digo que esta CPMI não tem o seu objeto sendo levado a sério, porque, se for fake news, realmente, o que temos trazido aqui, o que tem sido trazido aqui são simplesmente memes que fazem parte do jogo democrático; indivíduos, usando da sua prerrogativa de cobrar do político, eleitores cobrando, se organizando e querendo, muitas vezes, mostrar sua insatisfação, sua indignação, fazem memes.
17:52
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E, se há algo que extrapola o campo legal, que se possa punir, como crimes contra a honra, difamação, calúnia, o que não é o caso que aconteceu aqui.
O Alexandre Frota, o Deputado Alexandre Frota, que tanto se gaba de dizer que esta nossa Comissão, que esta nossa CPMI é levada a sério, que não há ninguém brincando aqui, está fazendo um verdadeiro jogo, está fazendo brincadeira, usando do Poder Público, do aparato público, para conseguir fazer com que os seus anseios pessoais e partidários de revanche contra o Presidente Jair Bolsonaro sejam atendidos. Por isso, ele deve ser responsabilizado por essa legislação.
Vou entrar aqui em todas as questões de que você já havia falado. Eu me solidarizo com essas ofensas que foram feitas contra você. Ninguém merece ser chamado de "favelado" ou de qualquer adjetivo pejorativo contra sua honra, sobretudo quando vem em uma condição de testemunha. Tentam acuá-lo dessa forma. Isso já não me causa estranheza por parte deles, porque eles são... Você é útil. Você é negro? Você é útil quando você está de acordo com a ideologia deles.
A mesma coisa é a mulher. A Regina Duarte, que é uma mulher, foi ofendida por um militante do PT, como é o José de Abreu, que a chamou de fascista, dizendo que fascista se tratava no cuspe e que ter vagina não a transforma em ser humano. Diante disso, eles se calaram.
Por isso, você, para eles – não para nós –, é um inútil que não serve aos anseios deles. E tentam manchar a sua imagem, isso é óbvio. É um cidadão que é negro, pobre, que hoje não tem nem o que comer, que é doente – precisa de insulina – e não tem mais trabalho graças à jornalista Patrícia Campos Mello, diante desse jornalismo que nós estamos vendo crescer no Brasil e que tem muitos adeptos na esquerda, como o Glenn Greenwald, que gostam de se utilizar de meios espúrios para falar que é um jornalismo investigativo, que destroem vidas, utilizam da ilicitude, vão à margem da lei para atacar os seus adversários. E nem pensou nas consequências desastrosas que poderiam ocorrer na sua vida. Agora, ela é correspondente internacional da Folha de S.Paulo. Está lá, com certeza, comendo caviar e gozando dos melhores prazeres, enquanto você está aqui sendo convocado para uma CPMI como se fosse alguém culpado.
(Soa a campainha.)
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ. Para interpelar.) – Na verdade, eles queriam extrair de você algo que pudesse incriminar o Presidente, e o tiro saiu pela culatra.
Inclusive, a Deputada Caroline de Toni perguntou aqui, questionou qual era a sua ligação, qual seria a ligação do PT com a Yacows. E você mesmo tinha dito que a Yacows tinha feito campanha para alguns dos petistas, inclusive um que está aqui, que é o Deputado Rui Falcão. E aí perguntou qual era a sua ligação, e você não soube informar. Eu lhe digo qual é a ligação do PT com a Yacows. Olhe aqui a reportagem da UOL: "PT usou sistema de WhatsApp. Uma das agências que prestam serviço à campanha de Fernando Haddad também confirma que usou sistema de Yacows de disparos de mensagens pelo WhatsApp, mas afirma que usou somente contatos do próprio PT".
17:56
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Aí está aqui: "Procurada pela reportagem, a agência de comunicação digital Um Por Todos encaminhou nota onde afirma que foi contratada pela agência M Romano, relacionada na prestação de contas oficial da campanha petista no TSE como tendo recebido, ao todo, R$4,814 milhões".
Acredito que, mais do que convocar essa jornalista, essa jornaleira Patrícia Campos Mello – falo em convocar –, para que ela esteja aqui, de repente podemos até fazer uma acareação com o depoente para revelar, para trazer aqui esses fatos, para aí nós constatarmos o que é verdade da parte dele ou da parte dela. Também podemos convocar os responsáveis por essas agências, a agência que contratou a Yacows, que é a agência de comunicação digital Um Por Todos e também, talvez, a agência M Romano, que foi a da prestação de contas, para que possamos averiguar se eles utilizaram o serviço da Yacows...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Conclua, Deputado.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – ...somente para o contato do PT ou se isso foi feito dessa maneira, disparando para qualquer tipo de número, querendo nos acusar, querendo acusar o Governo, como se tivéssemos feito isso.
Quero só questionar, Presidente: por que eu tive cinco minutos e outros Deputados tiveram mais tempo?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É titular e suplente.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – Mas nunca houve essa regra. Agora, então, está havendo?
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Não, não! Isso é feito desde o início desta CPMI.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – Em outras ocasiões, eu não tive.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – É desde o início.
O SR. CARLOS JORDY (PSL - RJ) – É só para deixar, então, aqui... Acredito, então, que ele não poderá responder às minhas perguntas, mas já deixo aqui o meu pedido. Farei também esse pedido para que façamos um requerimento de convocação tanto da Patrícia, dessa jornalista, como das agências que são responsáveis por terem contratado a Yacows. E, talvez, possamos saber se existem mais Deputados do PT aqui que estiveram utilizando esses serviços.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concedo a palavra ao nobre e resistente Deputado do PCdoB do Maranhão, o Deputado Márcio Jerry.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Obrigado, Presidente.
Colegas Parlamentares, aqueles que nos assistem pela internet, Sr. Hans River, Sr. Fernando Barbosa Guarda, o seu advogado, primeiro faço duas considerações de ordem geral que considero importantes, porque aqui foram pronunciadas algumas frases que, se ficarem sem contraditório, parecem que são verdadeiras. Disse o Deputado Eduardo Bolsonaro, abro aspas: "Tem coisas que só os jornalistas sabem". Fecho aspas. Expressou isso num ar de estranheza. É óbvio! É do ofício do jornalismo buscar aquilo que está oculto e revelar para a sociedade. É triste que as pessoas se incomodem – alguns – que o jornalismo, que o bom jornalismo possa revelar para a sociedade todo e qualquer acontecimento que tem dimensão pública, noticiabilidade, interesse público. Portanto, é muito bom que os jornalistas saibam de muita coisa.
Lamento que o Sr. Adriano da Nóbrega, tristemente, que sabia muito coisa, não poderá revelar ao Brasil tudo aquilo que sabia. Isso é que é lamentável, não é o ofício do jornalismo, que sabe, revela e faz com que a democracia se fortaleça.
Segundo, eu sou jornalista. Foi um orgulho muito grande em minha vida ter sido professor de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão. Eu me solidarizo aqui integralmente com a jornalista Patrícia Campos Mello, que nada de errado cometeu do ponto de vista do ofício jornalístico.
O depoente faz aqui uma série de citações à jornalista, depreciando-a, tentando escamotear a questão essencial, tentando desviar a atenção, tentando agradar a plateia que o apoia aqui, os seus advogados de defesa, que aqui se perfilaram, que é a Bancada do PSL, que veio aqui flagrantemente para defendê-lo. Quem não deve não teme! Deveria era pedir ao senhor que esclarecesse todos os fatos relativos ao caso investigado, sem querer criar uma cortina de fumaça sobre o caso.
18:00
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Portanto, expresso minha solidariedade a Patrícia Campos Melo pelo trabalho que faz.
Sr. Hans River, o senhor citou, em dado momento, a família Lazzarini, como advogados que trabalharam para o senhor. Quem é a família Lazzarini, rapidamente, por favor?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Só dando continuidade pelo que o senhor já começou e começou mal...
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Eu fiz uma pergunta para o senhor: "Quem é a família Lazzarini?".
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu não vou responder.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Eu não quero comentário seu sobre os meus comentários.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu me nego a responder.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Pronto! Está omitindo a pergunta sobre quem é a família Lazzarini.
O senhor disse aqui, em certo momento, que o advogado que o acompanha faz um trabalho gracioso. Louvo a atitude dele pelas circunstâncias que o senhor aqui expôs.
O senhor é amigo do advogado Fernando há muito tempo, há meses, há anos, há décadas? São amigos de infância, de muito tempo?
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu fui tentar te responder, e você não deixou que eu respondesse. O senhor não deixou que eu respondesse.
Eu vou ser claro com o senhor porque, se o senhor está defendendo uma jornalista que me deixou na lama, eu não vou perder meu tempo dando resposta para o senhor. Então...
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Quem lhe deixou na lama foi a ação em que o senhor entrou, foi a empresa para a qual o senhor trabalhou e a qual o senhor denunciou. O senhor denunciou uma empresa para a qual trabalhou, e não o jornalismo que revelou o trabalho que o senhor fez.
Há muita inconsistência nos seus depoimentos, e o senhor sabe que não pode mentir. O senhor entrou aqui como testemunha, e eu quero muito que o senhor não saia como criminoso. Há alguma coisa que o senhor falou ou omitiu aqui nesta tarde e que o senhor queira refazer, para que o senhor não seja incurso como cometendo um crime? O senhor tem o direito de fazer isso.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu acho que o senhor não escutou ou não entendeu. Eu não vou responder nenhuma pergunta do senhor. O senhor já começou mal. O senhor me desculpa, mas eu não vou nem perder meu tempo.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Cada ausência de resposta é a confirmação do que eu estou falando. O senhor está aqui, de maneira desrespeitosa, deixando de responder a questões essenciais. Eu não estou inventando aqui nenhuma pergunta para V. Sa., e V. Sa. se nega a respondê-las, porque certamente está sentindo, neste momento, o nível de incoerência das coisas que aqui falou. O seu depoimento está marcado – as atas vão revelar – por graves incoerências, e, talvez, quem sabe, não vão acusá-lo de mentiras ou omissões graves também.
Estou dando ao senhor a oportunidade, se quiser, de refazer alguma parte do seu depoimento aqui, nesta tarde. O senhor disse que não quer.
Por fim, Sr. Hans, o senhor, em mais de uma vez, disse que pediram ao senhor que não comentasse mais nada, que não fizesse referência às outras situações. Dois ou três Deputados e Senadores aqui pediram ao senhor que revelasse que outras situações são essas, e o senhor também não declinou nenhuma das situações que o senhor mesmo trouxe à baila aqui, durante esta sessão.
O senhor quer agora dizer quais são essas situações que foram pedidas ao senhor que não revelasse? (Pausa.)
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – O nobre...
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Presidente...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Não, não.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – ... consignarei também mais uma pergunta para o silêncio comprometedor da testemunha.
O senhor falou aqui uma, duas, três vezes sobre o PT. Eu quero que o senhor apresente aqui uma, uma circunstância plausível, crível, em que as pessoas acreditem, do seu trabalho para o PT, porque tem que haver um contrato, tem que haver um contato, tem que haver um dia, tem que haver uma hora, tem que haver um escritório. Peço que nos convença, com clareza de informação, qual é a circunstância – eu só quero uma, eu não quero dez – do seu trabalho para o PT.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – Eu não vou dar resposta.
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Porque não a tem.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP) – Presidente...
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Só para concluir, Deputado Rui...
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – É claro que eu não vou perder meu tempo dando resposta!
18:04
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O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – Por fim, vê-se claramente – os telespectadores veem, os colegas Deputados e Senadores veem – que a nossa muito habilidosa testemunha foi tangenciando de um lado para o outro, foi falando uma coisa pela metade e outra acolá, jogou, combinado aqui com a Bancada do PSL, que já não está aqui mais...
(Soa a campainha.)
O SR. MÁRCIO JERRY (PCdoB - MA. Para interpelar.) – ... neste momento, claramente, ou seja, veio aqui para tentar desviar – e isto é muito grave – a atenção de algo que nós estamos querendo investigar a fundo.
O senhor não veio aqui como pessoa que cometeu um crime, mas como uma testemunha importante para desvelar um crime que o senhor reiterou aqui que foi cometido. Olhem a gravidade! Em grande parte do seu depoimento, o senhor reiterou que houve, de fato, uma ação criminosa. A sua palavra diz que houve crime. O senhor não pode, Sr. Hans, virar cúmplice desse crime. Não é justo que o senhor vire cúmplice desse crime. Desse modo, o senhor tem uma oportunidade muito importante e essencial para falar a verdade, para retocar uma ou outra coisa que o senhor disse aí e que o senhor sabe, aqui me olhando, que não foi verdadeira. Então, é muito importante que o senhor pense bastante nisso.
Concluindo no tempo que me foi concedido, eu só quero, por fim, Presidente, lamentar a oportunidade perdida.
O senhor a todos respondeu. Eu soube ouvir e, ao ouvir, pude apurar as suas contradições e as incompletudes das respostas que V. Sa. deu aos outros tantos que o inquiriram. Ao fazer isso, o senhor flagrantemente se incomodou e foi acometido desse silêncio que o acumplicia com as práticas criminosas que V. Sa. aqui mesmo relatou.
Obrigado, Presidente.
O SR. HANS RIVER DO RIO NASCIMENTO (Para depor.) – O senhor está incomodado porque o senhor também...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Pela ordem, tem a palavra Deputado Rui.
O SR. RUI FALCÃO (PT - SP. Pela ordem.) – Sra. Relatora, eu queria pedir para que, no seu relatório, ficassem muito claras as inconsistências do depoimento do Sr. Hans River, particularmente a mentira de que fez campanha para Police Neto – falou duas vezes isso, mas Police Neto não foi candidato em 2018 – e a sua cumplicidade de dizer que havia práticas criminosas no local onde trabalhava, mas hoje procura acobertá-las e desviar o assunto. Então, é um depoimento que precisa ser tratado com muito cuidado no seu relatório, porque a testemunha, que podia trazer a verdade, na verdade, tergiversou, transformando-se em acusação contra um partido e uma pessoa.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Concedo a palavra à Deputada Luzianne Lins, última oradora inscrita, pelo tempo regimental, representante do PT, do Ceará.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE. Para interpelar.) – Sr. Hans River e seu advogado, Fernando Barbosa, eu gostaria de colocar algumas questões. De imediato, a gente vai entender essa... Primeiro, para você saber, Sr. Hans River, nenhum desses que estava aqui, que é solidário e que disse que V. Sa. é favelado ou coisa desse tipo tem essa sensibilidade na real, papo reto. Não existe isso. Na verdade, eles estão usando o seu depoimento para poder fazer um jogo, infelizmente o jogo da política que eles têm feito sistematicamente aqui.
Há racismo – quem disse que negro vale poucas arrobas ou nenhuma arroba foi o Presidente da República, Jair Bolsonaro –; homofobia, ou seja, ódio contra a população LGBT – quem disse que preferia um filho morto num acidente de trânsito a um filho gay foi o Presidente da República, Jair Bolsonaro; misoginia – ele chamou de mulher de vagabundo e, quando teve uma filha, disse que foi fruto de uma fraquejada –; xenofobia – ele expressa ódio aos próprios brasileiros que estão indo para os Estados Unidos, ao dizer que eles vão para lá para cometer coisa errada. Quem disse que os índios estão perto de ser seres humanos também foi o Presidente da República. E há várias outras coisas.
18:08
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Então, mentira, racismo, homofobia, conforme o Deputado que me antecedeu, fake news, misoginia, xenofobia, tudo isso não faz parte do jogo democrático. Não faz parte do jogo democrático a mentira.
Eu quero lhe dizer uma coisa: eu acho que V. Sa. foi vítima. Eu entendo perfeitamente. É uma pessoa jovem, que está a fim de ganhar uma grana, que é músico, e aparece uma oportunidade de ter um salário que pode ser duplicado a partir do momento que vende todas as suas horas de trabalho, a sua energia, dia e noite, noite e dia, inclusive com problema de saúde. Eu imagino que esteja morando no próprio local. É tipo: "Agora eu vou conseguir uma grana para fazer coisas que eu sonho ou o que eu quero." Então, eu entendo isso perfeitamente, mas eu acho que é preciso que a gente coloque os pingos nos is, para a gente entender qual é a prática delituosa, o que que é crime, quem faz parte do processo criminoso e o que não é crime, o que é um procedimento que pode ser feito e o que não pode ser feito.
É que há, neste momento do Brasil que a gente está vivendo, uma coisa que a gente chama de obscurantismo, que a gente chama de... Essa coisa de fake news é o seguinte: não interessa se é verdade, interessa o que eu penso. Eu dou para você o que você quer ouvir. A fake news tem um sentido nisso. Ela identifica você pelos algoritmos. Ela sabe o que você pensa, ela sabe a sua cor da pele, ela sabe se você é casado, se você é solteiro, se você é deprimido, se você é alegre. A partir daí, ela o localiza através de suas expressões nas redes sociais e manda para você o que você quer ouvir, o que o bota para baixo ou que o bota para cima, mas o que o torna vulnerável. É importante que a gente tenha esse conhecimento.
Então, eu acho o seguinte: por outro lado, imagino que, para você, apesar de tudo, não deve ter sido fácil essa pressão toda. Terminou o processo eleitoral, vendeu sua força de trabalho, estava lá dormindo, acordando, dando tudo o que podia, passando mal inclusive pelo problema de saúde que você tem. E eu queria fazer até uma observação, Sr. Hans River: o Governo Bolsonaro, diferentemente dos Governos do PT, de que tanto ficam aqui falando, tem tirado sistematicamente a insulina das farmácias populares, que era uma política em que o Governo do PT avançou bastante. Agora está faltando na farmácia popular insulina, que era uma coisa que todo mundo... Assim como o senhor, muitos brasileiros têm esse problema e precisavam disso. Isso aí é uma questão de vida ou morte, é uma coisa simples para o Governo resolver. É o que também estão fazendo agora com a população que precisa de remédios porque convive com o HIV.
Mas eu queria dizer assim: por isso mesmo, eu queria que o senhor entendesse que, por exemplo, o senhor não tinha o perfil para a campanha. Independentemente de qualquer coisa – e eu acredito no que você está dizendo –, o senhor não tinha o perfil para fazer a campanha homofóbica e racista do Presidente da República, Jair Bolsonaro. Eu acredito que o senhor não teria coragem de disparar, por exemplo... E aí eu acho que as empresas sabem muito bem com quem elas estão lidando, essa coisa toda. Eles sabiam que você não ia, por exemplo, sair disparando mensagem que chegasse a você contra a sua raça. Eu também acho que eles não iam fazer com pessoas que eram capazes... A sua forma de ter enfrentado a empresa, de ter ido para a Justiça trabalhista e de ter relatado o que aconteceu foi muito corajosa. Eles não querem gente insubordinada, eles não querem... Eles não vão chegar perto de pessoas insubordinadas, rebeldes, no sentido positivo, pessoas que falam as verdades. Eles não querem essas pessoas por perto. Essas pessoas estão cumprindo outra tarefa, a tarefa, por exemplo, de...
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O disparo em si em massa não é o crime, ele não é o crime, tanto é que o Henrique Meirelles contratou... Inclusive, isso saiu na reportagem, porque ele contratou, segundo ele fala – também eu não posso dizer se é verdade ou não –, a partir do próprio WhatsApp que o partido tem. Hoje todo mundo faz isso. Uma loja pode dizer: "Entre! Seja amigo nosso no WhatsApp! Mande seu telefone". Ou, se você vai vender alguma coisa, as empresas dizem: "Coloque seu telefone aqui e seja amigo, parceiro!". Isso chega, você está dando voluntariamente. Então, se o PT – e eu também não posso dizer sim ou não, porque realmente é um fato que eu não sei – em algum momento contratou ou deixou de contratar, a questão é: isso foi feito do ponto de vista legal?
Essa questão das fazendas de celulares que V. Sa. coloca aqui estudei muito. Foram milhões de chips. Não foi 1,6 mil, 2 mil. Como V. Sa. falou, não dá nem para contar. Por quê? Na hora em que as empresas telefônicas – que, inclusive, vêm amanhã aqui – detectavam disparos várias vezes do mesmo número, o que elas faziam? Elas, como chamam, queimavam o celular. Aliás, desculpe, queimavam o chip. O chip queimava. Por isso, elas vêm do resto do mundo inteiro. Por quê? Porque são ilegais. Elas estão chegando.
Não sei V. Sa. sabe, mas eu vou lhe explicar aqui como o esquema funcionou. Eu acredito também que o senhor não tem essas informações, porque não eram informações para quem estava ajudando na ponta ou para quem estava trabalhando na ponta. Essa era uma informação que estava lá dentro.
A AM4, essa sim, é uma empresa de marketing político que contratou não só a Kiplix, a Yacows e a Deep Marketing; ela contratou outras empresas. Essas três empresas também faziam venda de cadastro das pessoas. Daí aparece tudo quanto é coisa de gente que morreu, de idosos. Eles queriam chegar às bolhas e queriam entrar ali. São as bolhas de quem? O WhatsApp tem uma característica: no WhatsApp, há troca de mensagem privada. É difícil até a própria a Justiça Eleitoral ver. Eu mesma tive a oportunidade de ver chips de Los Angeles, da Califórnia. Vi que chegavam, e as pessoas relatam nas matérias.
Eu vou fazer uma ressalva sobre a jornalista Patrícia Campos. Eu tenho a certeza de que o objetivo dela não foi destruir a sua vida. Eu me sensibilizo com a sua situação. Acredito que acabou que V. Sa. foi meio que o bode expiatório dessa confusão toda porque teve a coragem de denunciar a empresa. Seus colegas ficaram na retaguarda, não quiseram fazer esse tipo de coisa. Mas é assim que a gente sabe das coisas. Talvez ela tenha visto aí uma oportunidade, porque ela já vinha fazendo matérias. Não foi a primeira matéria que ela fez. Ela já vinha fazendo matérias, pelo que acompanhei na Folha. Eu não a conheço, embora a tenha convidado para vir aqui. Já faz tempo esse convite. Isso deve acontecer. Mas ela já vinha fazendo matéria sobre disparos em massa ilegais a partir de fazendas de celulares.
As próprias operadoras denunciaram as empresas. Na hora em que a gente convocou as operadoras aqui – elas vêm aqui amanhã, mas foram convocadas logo no começo desta CPMI –, elas denunciaram as empresas. Elas as denunciaram, porque elas são meios. É como se fossem meios de transmissão, mas quem viabiliza, quem organiza e quem faz são essas empresas, de forma lícita ou não.
18:16
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Quando a gente está falando aqui de fake news, a gente está falando de mentiras que viram, como a gente fala muito aqui... Mentira ou boato existem desde que o mundo é mundo. Hitler ganhou vários pontos no fascismo. Goebbles, que foi ministro da comunicação dele, disse esta célebre frase: "Repita uma mentira mil vezes, que ela vai se tornar verdade". E é a realidade que a gente está vivendo, ao você simplesmente repetir várias vezes para o público certo, para fazer com que as pessoas não saibam mais o que pensar. Elas não sabem mais se é verdadeiro ou falso. Então, nós estamos falando...
É tão esquisito ver os Deputados do PSL aqui, todos bonzinhos demais, meus Deus, com uma sensibilidade! É uma sensibilidade de quem só fala em tiro, soco e bomba. É sensibilidade de quem quer matar os índios, é a sensibilidade de quem... São racistas, são machistas, são misóginos, mas aqui são todos santos! Daqui a pouco, sairão todos voando daqui, batendo as asas, e ninguém mais vai ver!
Então, o que eu acho é que V. Sa., por exemplo, talvez, nem saiba também... Essa Bulk Services de que você falou aqui é uma plataforma. Quem é o dono dessa plataforma? As empresas Kiplix, Yacows e Deep Marketing são as donas dessa plataforma que a tal da AM4, que serviu à campanha do Bolsonaro, fez.
Então, de fato, eu acredito em várias coisas que V. Sa. disse. Em outras, acho que houve também interpretação sua. Por exemplo, vou voltar à jornalista. A jornalista está fazendo reportagem internacional não é para comer caviar, nem nada, não! Jornalista rala para caramba! É porque ela está ameaçada de morte desde a campanha. Ela está ameaçada de morte desde o processo da campanha, talvez antes mesmo de ela conhecer o senhor, porque ela já estava fazendo matéria. Ela foi ameaçada nesse processo. A própria Folha começou a resguardar não só ela; houve vários outros jornalistas da Folha de S.Paulo. A Folha foi uma das poucas que deu isso, e ela começou a ser ameaçada de morte.
Eu acho que foi sincera a aproximação, tanto é que, naquela conversa que V. Sa. mostrou com ela, eu não vi nada demais. Ela se apresenta, ela quer saber, porque ela estava fazendo matéria relativa a isso. E, talvez, V. Sa. acabou caindo nessa... Até na convocação do Deputado Rui... Eu não acredito que o Deputado Rui chamou o senhor aqui para poder fazer um depoimento clandestino. Não tem sentido isso! É que ele viu que você era testemunha viva de tudo que aconteceu! Uma coisa é certa, Sr. Presidente, nossa Relatora, Deputados, nosso Hans River e seu advogado: hoje, só não vê quem não quer, está comprovado que houve disparo em massa do ponto de vista ilegal. É legal quando eu tenho o meu cadastro de dados e posso remeter para isso, mas, no momento em que eu fico usando CPFs para disparar em massa para qualquer lado... E aí são grupos de sexos, como V. Exa. colocou, são grupos religiosos, especiais.
E digo mais: sabe por que o WhatsApp foi a grande arma? Porque, como eu costumo dizer, rede social é um meio, assim como a televisão é um meio. Se vai ser boa ou se vai ser ruim, depende de como você a está usando.
Mas eu vou dizer uma coisa que é muito chocante a gente ouvir aqui no Brasil: a eleição do Trump nos Estados Unidos foi movida pelo Facebook. Eles roubaram os dados. Trezentos mil usuários venderam seus dados. Até aí tudo bem. "Você vende seus dados?" "Eu vendo meus dados. Estão aqui." Mas o problema é que, de 300 mil, eles chegaram a 80 milhões de pessoas, porque eles foram roubar os dados dos amigos dos amigos, de gente com que tinham relação. Isso foi crime, e eles tentaram influenciar toda a sociedade americana através de fake news chegando àquelas pessoas.
No Reino Unido, na história do Brexit, também houve redes sociais envolvidas, como o Facebook.
(Soa a campainha.)
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Vou querer meu tempo, Presidente, como o da Coroline de Toni.
Então, no caso específico... Eu nem estou fazendo pergunta, porque já foi bastante esclarecedor tudo o que eu ouvi aqui. Eu estou só colocando algumas questões que eu entendo que levaram a essa situação em que estamos aqui.
18:20
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Lá também foi o Facebook, mas, nos países de Terceiro Mundo, o modus operandi dos que hoje se acham donos do mundo – hoje tudo é disputa mundial, global – é o WhatsApp. Sabem por que é o WhatsApp? Porque as pessoas podem viver sem pagar uma conta de telefone e, mesmo assim, ter acesso a ligar. Então, o WhatsApp oferece aquele serviço, mas não é de graça. No fundo, no fundo, ele quer seus dados, ele quer ser uma plataforma de influência. E você só tem influência na medida em que as pessoas usam. E, num país de Terceiro Mundo como o nosso, onde infelizmente a maioria da população é pobre, ela usa o WhatsApp porque precisa dele, porque, às vezes, não tem dinheiro para pagar a conta telefônica.
Então, isso tudo está sendo desvendado agora. E não tenha dúvidas de que aqui prestou um serviço importante. Existe disparo em massa ilegal? Existe. Não tem mais como... Foi mostrada foto, foi mostrado tudo. Isso é inconteste. É inconteste!
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Conclua, Deputada.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE. Para interpelar.) – Agora, para onde a gente vai a partir daqui e no que o senhor pode ajudar a partir daqui é outra coisa, porque realmente a sua coragem eu admiro. Agora, não coloque a responsabilidade nas pessoas que não... Se houve disparo de fulano, de beltrano ou de sicrano, talvez foi o que você acompanhou. Você não pode dizer: "Na empresa, não teve enquanto eu estava lá". Não há como você saber, porque ninguém comete crime avisando para todo mundo, não. Talvez, você tenha tido acesso ao que era lícito, ao que o Henrique Meirelles, de fato, diz na matéria. E olha que eu não sou do partido dele, ao contrário. Mas ele diz que era o banco de dados do PSDB que ele usou, do MDB, o banco de dados do MDB. O fulano disse que é o banco... Se é verdade, eu não sei. Mas o que estou dizendo aqui? De repente, era muito fácil você chegar aqui e dizer: "De fato, o Deputado Rui Falcão... Eu vi lá um monte de fake news que foram distribuídas". V. Sa. não disse isso. V. Sa. falou de um instrumento...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Conclua, Deputada.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Eu vou concluir, Sr. Presidente. Eu queria tanto ver essa pressa quando a Caroline ou outro estão falando!
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Temos votação nominal.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Mas para o Rui...
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Eu quero só interromper um segundo, Sr. Presidente, para dizer o seguinte: o Deputado Eduardo Bolsonaro acabou de usar a tribuna para dizer que aqui foi dito que uma jornalista tinha se insinuado para o depoente. Eu não... Obviamente, isso não faz parte da nossa investigação.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Não, sem dúvida!
A SRA. LÍDICE DA MATA (PSB - BA. Como Relatora.) – Agora, na condição de mulher, acho que é algo que é grave. Embora isso não lhe impute nada, é algo grave, porque é uma mulher que não está presente. Eu nunca vi um depoimento de alguém que foi assediado por um homem, não é? Então, eu apenas quero registrar isso, porque esse depoimento aqui dá espaço para que se use e se vá atingindo a honra de uma mulher.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE. Para interpelar.) – Deputada Lídice, só quero finalizar.
Sr. Presidente, agradeço de qualquer maneira a presença dele.
Acredito que não está sendo fácil a sua vinda aqui e todo o processo que você vem relatando etc. e tal, mas uma coisa eu quero dizer de forma muito clara: hoje, no Brasil, e só não vê quem não quer, a pauta da moral e dos bons costumes... Aqui há um bocado de carola, um bocado de gente cheia de problema, de hipocrisia, de conservadorismo. Todo mundo aqui briga para ver quem é mais conservador. O povo brasileiro não é assim. O povo brasileiro vive um dia atrás do outro. O povo brasileiro não tem essa carinha, essa coisa muito engraçadinha, bonitinha, não! O povo brasileiro rala para caramba!
18:24
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Eu quero dizer: eles estão usando essas pautas da moral e dos bons costumes, com a hipocrisia que lhes é peculiar, para poder desviar o Brasil com que eles estão acabando. A economia está... Hoje a economia é você ter um emprego por três meses e depois não ter mais. Está assim. A rotatividade está assim.
Eu desejo, sinceramente, que você use o seu talento de músico, que você se agarre a isso, porque é isso que vai tirar você... Você viu o que estão fazendo com a cultura também. Não está muito fácil também, não! O Bolsonaro também está lascando com a cultura! Então, não é fácil, não. Mas estou dizendo o seguinte: use o talento, neste momento, para driblar o momento por que você está passando, para refletir profundamente sobre ele. Use-o, porque você tem isso, e ninguém tira isso de você.
Agora, você precisa saber que há uma história de que a Bíblia falava, do lobo em pele de cordeiro. Então, cuidado com esses, porque esses aí, certamente, não são seus aliados e nunca serão, nunca serão!
Então, Sr. Presidente, agradeço aqui a atenção e quero, só para terminar, insistir nisto: a pauta dos bons costumes, a pauta retrógrada, a pauta conservadora está servindo apenas para pegar setores dos evangélicos e utilizá-los. Digo de setores, porque muitos evangélicos estão entendendo a luta no Brasil por liberdade, por igualdade etc. e tal. Mas estão usando parte dos setores evangélicos para, inclusive, recolher assinatura para viabilizar um partido de um cara que fala todo dia em morte, em matar: "Eu mato, eu esfolo". Se for preto, então, nem se fala! "Atira!" Ele faz arminha etc. e tal. É, assim, uma coisa meio paradoxal.
Então, Sr. Presidente, há também a questão econômica, que é muito grave.
Então, essa moralzinha ridícula, burguesa, que está estabelecida aqui, está sendo um pano de fundo. Na verdade, é uma grande cortina de fumaça para a destruição que estão promovendo na Amazônia, no Brasil, nos direitos humanos e para a prática de tudo quanto é crime que a gente está vendo hoje, como se estivesse se naturalizando o crime contra o preto, o crime contra a mulher, o crime contra o gay.
Então, eu quero deixar isso claro, porque eu não vou deixar de estar sempre vendo além, porque essa coisa nossa deste bate-boca, esta coisa aqui passa, mas o que o Brasil está passando hoje vai ser muito difícil, vai ser muito profundo para a gente depois conseguir reverter.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Coloco em votação a Ata da 18ª Reunião, solicitando a dispensa de sua leitura.
Os Srs. Parlamentares que a aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
A ata está aprovada.
Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos, convidando-os para a próxima reunião, a ser realizada amanhã, às 13 horas, para ouvir os seguintes depoentes: Angelo Coelho da Silva Neto, Diretor de Tecnologia da Informação e Segurança Cibernética da Oi; Leandro Guerra, Diretor de Relações Institucionais da TIM; Enylson Flávio Martinez Camolesi, Diretor de Relações Institucionais da Telefônica/Vivo; Fábio Andrade, Vice-Presidente de Relações Institucionais da Claro; Alexandre Castro, representante do Sinditelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal); e Gustavo Santana, Superintendente de Controle de Obrigações da Anatel.
Agradeço a presença de todos os Srs. Deputados...
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Sr. Presidente, deixe só eu lembrar aqui uma...
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – ... e Senadores, imprensa, assessores, público em geral.
A SRA. LUIZIANNE LINS (PT - CE) – Quero só lembrar, ao menos para ter isso em mente, sobre os trabalhos, que amanhã está convocada sessão do Congresso às 14h, Câmara e Senado. A gente chegou aqui e recebeu essa informação. É para lembrar isso. Às 13h, será a nossa audiência, e, às 14h, haverá a sessão do Congresso.
O SR. PRESIDENTE (Angelo Coronel. PSD - BA) – Mas dá para conciliar.
Declaro encerrada a presente reunião.
Que Deus guie todos a seus lares!
(Iniciada às 13 horas e 25 minutos, a reunião é encerrada às 18 horas e 28 minutos.)