1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
56ª LEGISLATURA
Em 13 de maio de 2019
(segunda-feira)
Às 10 horas
70 ª SESSÃO
(SESSÃO ESPECIAL)

Horário Texto com revisão

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muito bom dia!
(Manifestação da galeria.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Eu não ouvi direito!
(Manifestação da galeria.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Agora, eu gostei. Agora, eu gostei!
Pessoal, sejam todos muito bem-vindos ao Plenário do Senado Federal, Casa do povo brasileiro, onde estão representados os Estados da Federação, do coração do mundo, Pátria do Evangelho.
Estou muito feliz, emocionado com esta sessão num dia mais que especial – mas coloquem especial nisso! Hoje, dia 13 de maio, é o dia de Nossa Senhora de Fátima, o dia em que ela é homenageada, celebrada, a aparição de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal.
Hoje, dia 13 de maio, é o dia da abolição da escravatura, esse grande fardo de que o Brasil se livrou, e nós estamos aqui abrindo a sessão para homenagear um grande pacifista e humanista do mundo inteiro, Allan Kardec, que, através de um estudo, de uma dedicação, ele, que era pedagogo, professor, trouxe, através de muita pesquisa, uma doutrina, que é considerada por muitos a doutrina da razão, a fé raciocinada, a doutrina espírita. Ela encontrou terreno muito fértil no Brasil e vem se desenvolvendo, levando luz, esperança, conforto para milhões de brasileiros, que estão, ao mesmo tempo, levando para o planeta Terra.
Então, a caridade, essa caridade não apenas material, mas a caridade moral, espiritual, Allan Kardec iniciou tudo isso na França, e nós estamos fazendo esta sessão em celebração dos 150 anos, do sesquicentenário do falecimento dele, da desencarnação dele, como dizem os espíritas, que acontece exatamente em 2019. Eu queria declarar aberta esta sessão.
Sob a proteção de Deus, com as bênçãos de Jesus, iniciamos nossos trabalhos.
A presente Sessão Especial destina-se a homenagear o codificador do espiritismo, Allan Kardec, pela passagem dos 150 anos de seu falecimento, nos termos do Requerimento nº 315, de 2019, do Senador que vos fala, Eduardo Girão, e de outros Senadores, que, de forma muito gentil, subscreveram o requerimento.
Quero desejar muita paz, harmonia e felicidade às crianças que estão aqui visitando o Senado Federal. Que Deus abençoe vocês, que são o futuro do Brasil, desta Pátria amada! (Palmas.)
Aproveito para informar a quem está assistindo a esta sessão pela TV Senado e a quem está nos ouvindo pela Rádio Senado, no Brasil inteiro, e que esta mensagem chegue aos corações e às mentes dos brasileiros, que quem quiser visitar o Senado da República, é simples: entra no site, se cadastra, ou vem aqui, ou liga – depois nós vamos passar os telefones –, e marca uma visita guiada para conhecer este ambiente, onde temos a possibilidade de influenciar, com todas as nossas limitações e imperfeições, os destinos deste País tão especial.
Eu queria, neste momento, convidar a todos... Primeiramente, antes de convidar para o Hino Nacional brasileiro, eu queria chamar aqui alguns convidados para comporem a Mesa: meu colega irmão – eu não sabia da proximidade que ele e sua família tinham com o tema –, Senador de Mato Grosso do Sul, ex-Prefeito de Campo Grande, Senador Nelsinho Trad. Por gentileza, venha à mesa, irmão. (Palmas.)
Eu queria também chamar, com muita honra e alegria, o Presidente da Federação Espírita Brasileira, instituição centenária, Sr. Jorge Godinho Barreto Nery. (Palmas.)
Registro a presença de dois irmãos aqui presentes também: o Senador Styvenson Valentim, do Rio Grande do Norte, e o Senador Elmano Férrer, que é nascido no Ceará, na terra do Dr. Bezerra de Menezes, outro grande médico caridoso, espírita, político. O Elmano nasceu o Ceará, mas foi eleito pelo Piauí. Então, muito obrigado pela presença de vocês.
Eu quero aproveitar e chamar também outra pessoa fantástica que eu tive a oportunidade de conhecer, nos últimos dez anos, e de admirar, que tem uma vida de superação lindíssima – foi muito próxima a Chico Xavier, é muito próxima a Chico Xavier –: a Presidente do Centro Espírita fundado pelo Chico Xavier, lá em Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, que é o Centro Espírita Luiz Gonzaga, a Sra. Célia Diniz. Por favor, Celinha. (Palmas.)
Eu queria também chamar à mesa esta pessoa que é um presente de Deus na minha vida e na vida de minha esposa – que está aqui, a Márcia Thé – e minha madrinha de casamento, que é Presidente da Associação Peter Pan, que faz um trabalho, há décadas, ajudando crianças com câncer, e que também foi Presidente da Federação Espírita do Estado do Ceará, terra do Dr. Bezerra de Menezes, repito, a Sra. Olga Espíndola Maia. Por favor, Olguinha. (Palmas.)
Seja muito bem-vinda. Quanta honra! Quanta alegria! Gente, que energia boa está aqui, viu! Que energia maravilhosa!
Eu queria chamar outro irmão que eu tive a possibilidade de conhecer ou reencontrar hoje, nesta vida, estou conhecendo-o. É um grande palestrante, estudioso do espiritismo, da vida do Allan Kardec, que é o Sr. Haroldo Dutra. Por favor, Haroldo. (Palmas.)
Quero registrar também a presença de algumas autoridades aqui presentes: representando o Governador do Distrito Federal, Sr. Kildare Meira; Presidente da Federação Espírita do Distrito Federal, Sr. Paulo Maia Costa; Presidente da Comunhão Espírita de Brasília, Sr. Adilson Mariz de Moraes; Vice-Presidente da Comunhão Espírita de Brasília, Sra. Maria Luiza Bezerra de Melo; Presidente da Nossa Casa Assistencial Espiritual, Sra. Cleunice de Arruda Castro; Presidente do Grêmio Espírita Atualpa, Sra. Lenira Pereira; o orador espírita que vai nos brindar aqui com a sua sensibilidade, com o seu amor ao espiritismo, o Sr. Jack Darsa; e o outro orador, que também vai... (Palmas.) ... nos presentear no dia de hoje, que é o Sr. Nazareno Feitosa, que é cearense e mora em Brasília há muito tempo. (Palmas.)
Registro, por último, a presença do Luis Hu, um grande escritor, abnegado divulgador da doutrina dos espíritos, que fez, inclusive, vários livros sobre Allan Kardec, inclusive, um deles para criança, Allan Kardec: Princípios e Valores, com a Turma da Mônica. Olha que ousadia! Olha que ousadia do bem, já trabalhando as gerações para levar essa doutrina consoladora.
Então, eu queria, neste momento, que todos, por favor, ficassem de pé para nós aqui celebrarmos e cantarmos o Hino Nacional brasileiro.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Quem se emocionou aí? Levanta o braço quem se emocionou!
Gente, vocês não têm ideia da luz, da energia que com o amor de vocês, com esse carinho, vocês estão trazendo a esta Casa. Então, enquanto a gente permanecer nesta sessão solene, eu peço a todos vocês que emitam vibrações positivas para cá. A gente precisa muito. Orem.
Eu digo isto aqui todas as vezes que tenho oportunidade de falar, porque nós somos muito imperfeitos e, às vezes, saímos da frequência: a união dos nossos irmãos evangélicos, dos nossos irmãos católicos, dos nossos irmãos espíritas, budistas, de profissões de fé afrodescendentes, essa união de todos nós é muito importante para a construção de um país justo, equilibrado.
O nosso País não é rico, ele é riquíssimo, de todas as formas que possamos imaginar. Então, aqui são colocadas causas, testadas causas importantíssimas que têm tudo a ver com o que a gente estuda, com o que a gente sente no coração – sobre algumas delas, palestrantes vão falar, como Nazareno Feitosa, como Luiz Bassuma, ex-Deputado Federal por duas vezes. E, dentro de poucas semanas, talvez dias, nós vamos aqui decidir sobre essas causas tão importantes, para que não sujemos de sangue essa bandeira.
Então, conto muito com as orações de vocês.
Vamos, agora, iniciar com um momento ímpar. Nós vamos iniciar com uma oração cantada por Raí Torquato, aqui de Brasília, que vai nos presentear com a oração que Jesus nos ensinou, o pai-nosso.
Por favor, vamos agora, neste exato momento, fazer o pai-nosso com ele.
(Procede-se à execução musical.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Coisa linda, Raí! Muito obrigado, Raí Torquato, por esse presente nesta sessão. Deus abençoe você e toda a sua família hoje e sempre.
Oração – não é pessoal? –, oração... Nelsinho aqui sabe, Styvenson, Elmano, muitos outros irmãos, colegas aqui, Senadores sabem que a gente precisa ter muita sabedoria, muito discernimento, saúde e força para fazer o que tem que ser feito pelo nosso País. Não é fácil, e, infelizmente, as energias aqui ainda predominam, energias densas. É uma provação o Poder, energias de interesses desviados.
Então, eu peço a todos que estão não apenas aqui, mas que estão nos assistindo pela TV Senado, independentemente da religião, que orem, orem sempre por esta Casa. Orem pelo Presidente da República do Brasil, orem pelos Senadores, orem pelos Deputados Federais, orem pelos Governadores. Toda autoridade, toda autoridade é constituída por Deus. Orem pelos ministros de Estado, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. É momento de vibração positiva para a psicosfera desta nossa Nação encontrar um terreno propício para acontecerem as grandes mudanças que, em nome de Jesus, vão acontecer.
Então, antes de iniciarmos as nossas falas, eu queria apresentar aqui... Este é um ano muito especial, 2019: nós vamos ter filmes, produções cinematográficas nos dois semestres do ano. Agora, no primeiro semestre, com o homenageado do dia, o Allan Kardec. Daqui a três dias, no dia 16 de maio, nos cinemas de todo o Brasil, nós vamos ter a biografia dele contada, a história de vida dele contada no cinema, uma produção fabulosa. E, no segundo semestre, nós teremos a vida de outro grande brasileiro de repercussão mundial, um humanista, um homem extremamente caridoso, para mim um pai em momentos difíceis da minha vida, de provação, um pai, e na vida de tantos outros milhões de brasileiros, pelas obras publicadas, traduzidas para dezenas de línguas, milhões de livros vendidos: Divaldo Pereira Franco, que terá a sua vida contada no cinema. E eu tenho a honra de ter a presença aqui, no Plenário, de um dos diretores e produtores desse filme, que é de São Paulo, o Raul Dória – cadê o Raul? Cadê o Raul? Ele tinha chegado de São Paulo, está vindo, correndo, para cá, e eu queria parabenizá-lo.
Nós vamos colocar os dois trailers. O do primeiro semestre e o do segundo semestre, está bom? Está previsto para o dia 12 de setembro o filme do Divaldo Franco. Então, trailers para vocês dessas duas produções nacionais do cinema brasileiro.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – É isso. Filmes de cultura de paz, de muita luz estão chegando nos próximos dias.
Eu queria agradecer a toda a equipe do Senado Federal, que está aqui, com muita dedicação, todos os dias e hoje especialmente, nos ajudando a realizar esta sessão; e à equipe do nosso gabinete – vocês estão todos convidados –, Gabinete 21 da Ala Teotônio Vilela. Toda a nossa equipe se dedicou muito, organizando este evento também.
Queria registrar a presença do Sidney, que é da Estação Luz Filmes, uma das produtoras do filme do Divaldo Pereira Franco, que está aqui presente conosco. (Palmas.)
Coisa interessante: o Sidney é católico praticante e produz filmes de cultura de paz, de luz que tratam do espiritismo também, porque sabe que é um bem. O espiritismo, ele percebeu – e eu acho que a cada dia que passa as pessoas percebem – que não é algo sectário. A gente, espíritas, abraça todas as religiões. Eu vou dar daqui a pouco um depoimento do que aconteceu na minha vida. Sou muito grato ao espiritismo.
Vou agora pedir licença aos senhores, às senhoras para fazer o meu pronunciamento. Vou passar a Presidência desta sessão histórica ao meu colega que diariamente está aqui comigo, o Senador Nelsinho Trad, enquanto eu faço meu pronunciamento.
(O Sr. Eduardo Girão deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Nelsinho Trad.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. PSD - MS) – Com a palavra o Senador Girão.
Apenas quero registar que nada nesta vida é por acaso. É a primeira vez que eu sento nesta cadeira para presidir uma sessão, com muita honra, uma sessão pela passagem dos 150 anos de falecimento de Allan Kardec, um homem que pregou a paz, que está até hoje no nosso meio.
Com a palavra o Senador Girão. (Palmas.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE. Para discursar.) – Não existe coincidência, meu irmão. Nada é por acaso.
Eu queria, neste momento importante que a gente está vivendo aqui, agradecer a presença de todos vocês mais uma vez; agradecer a todos que estão nos assistindo pela TV Senado. Para mim é muito especial falar de Allan Kardec, falar do espiritismo, porque a minha vida foi transformada nesta existência pela doutrina espírita. Vocês estão diante de uma pessoa extremamente arrogante durante toda a vida. Sempre fui muito arrogante, prepotente, egoísta. E Deus... Como diz aquela passagem, a dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. E Ele me presenteou num momento importante, quando eu tinha 29 anos de idade, com a síndrome do pânico.
Hoje, todo mundo ou quase todo mundo sabe o que é síndrome do pânico. Mas imaginem há cerca de 20 anos. Não havia literatura sobre o assunto. E o meu chão abriu. A falta de fé, a busca incessante pelo dinheiro, pelo poder me criou um vazio existencial, e eu achava que ia morrer. Eu tinha certeza de que ia morrer naquele momento. Tive várias crises. Não queria andar de avião de jeito nenhum. Não queria sair do hospital. Houve um dia em que fui seis vezes ao hospital. Queria andar de mão dada com minha prima. Era um terror. Eu sei que muita gente passa ainda por isso no nosso Brasil.
Desencadeou-se uma depressão, mas foi ali que eu revi meus conceitos, que eu percebi o verdadeiro sentido da vida: que não era trabalhar desesperadamente para acumular dinheiro, deixando a família em quinto lugar, os amigos em sexto lugar. Eu só queria saber de trabalho. Final de semana: trabalho. Feriado: trabalho. E tratorando, passando por cima de tudo.
Mas aquela situação na minha vida foi um presente, porque eu pude, nos momentos em que eu estava me recuperando, refletindo, conhecer um livro. E olhem onde fui conhecer isso: nos Estados Unidos. Trata-se de um livro de um grande psiquiatra americano, um ícone lá. Tudo virou na vida dele, começaram a atirar pedra, a ciência tradicional, quando ele, através da regressão a vidas passadas, descobriu um novo mundo, novos conceitos, novos conhecimentos e publicou um livro chamado Muitas Vidas, Muitos Mestres. Dr. Brian Weiss. Esse livro fez todo o sentido para a minha mente racional, fez todo sentido para a lógica que eu buscava, para perguntas que eu tinha na minha vida, para anseios que estavam lá, com lacunas abertas.
Depois, eu comecei a ler outros livros dele, fui me recuperando, pude entrar num avião para voltar ao Brasil – porque a crise ocorreu no momento em que eu estava passando uma semana nos Estados Unidos. Quando eu chego ao Brasil, um amigo me disse: "Você já ouviu falar no Chico Xavier? É exatamente isso aí". Eu disse que sim, que o Chico era um homem bom, um homem caridoso, que fazia mensagens dos espíritos. Olhem a minha ignorância: "Não é um que faz mensagens?". Ele disse: "Exatamente. Essas mensagens são da espiritualidade. A vida não termina com a morte. As reencarnações ocorrem". E aí eu comecei a estudar um pouco a obra de Chico Xavier, que muitos dizem... Nós vamos ter oportunidade aqui de ouvir pessoas que conhecem... Eu acho que não importa muito, mas alguns acreditam que ele seja a reencarnação do Allan Kardec, personalidades diferentes. Mas um trabalho, que se iniciou lá na França, por esse pesquisador, por esse estudioso, pedagogo, professor, corajoso, repercutiu muito, quando divulgado, em razão da prática dos valores morais ali colocados por Chico Xavier, que nasceu em Pedro Leopoldo, em 1910, precisamente no dia 2 de abril.
Eu não tive a oportunidade de conhecer o Chico Xavier. Ele ainda estava encarnado quando eu comecei a estudar o espiritismo, a devorar livros. Mas eu sei que, a partir do momento em que eu conheci a obra dele, isso me fez um bem muito grande, isso me confortou e me deu esperança e me trouxe uma vida com mais sentido, porque eu pude colocar um pouquinho em prática a caridade. E a maior caridade que se faz, segundo o espiritismo, é levar e divulgar aquilo que eu estava sentindo de bom na minha vida para todos.
Foi aí que nós iniciamos peças de teatro, filmes, eventos e que nós conhecemos as causas, causas que nos trouxeram até aqui – porque a nossa eleição foi um milagre de Deus, foi um... Olha, não se explica a nossa eleição contra poderosos, contra pessoas que conheciam política, com dinheiro, com todas as estruturas possíveis. Eu nunca tinha me candidatado a absolutamente nada, nem a síndico de prédio. E foi assim a nossa eleição que me trouxe até aqui. Mas eu acredito muito que é a relação de causa e efeito, ação e reação, a lei da semeadura. Desde que nós começamos a plantar sementes de cultura de paz, da verdade, do bem – repito: com todas as imperfeições e limitações que tenho –, mas defendendo a vida desde a concepção e contra o aborto, posicionando-nos, estudando a questão das drogas, que quase foram liberadas em 2014...
Eu tive a oportunidade de vir a este Senado, como cidadão, como ativista, com muitos colegas que estão aqui, lutar contra essa liberação, contra essa legalização. A questão da jogatina também, que vai voltar à pauta daqui a pouco aqui no Senado... As armas de fogo também, um processo civilizatório que a gente vive. É um retrocesso, como todo o respeito a quem pensa diferente, a liberação de porte de arma de fogo. Inconcebível! Então, em todas essas causas, eu tive oportunidade de me aprofundar e as debati, colocando claramente o que eu penso sobre todas elas, e o universo conspirou, Deus colocou a mão, e nós estamos aqui podendo combater esse bom combate.
Eu queria me encaminhar para o encerramento, porque eu vim para ouvir. Peço desculpas a vocês por me alongar, mas nós temos a grande oportunidade, através dessa união das religiões todas, que eu respeito profundamente...
Eu quero fazer aqui um testemunho e colocar para vocês: se não fossem os evangélicos, sobretudo os evangélicos, os católicos também, os espíritas também, mas sobretudo a coragem e a ousadia dos evangélicos – e a gente tem que agradecer a eles muito –, o aborto estaria liberado no Brasil, as drogas estariam liberadas no Brasil, a jogatina estaria liberada no Brasil!
E a gente tem que falar a verdade: precisamos, cada vez mais, atuar, porque Platão, 350 a.C., dizia que o destino das pessoas boas e justas que não gostam de política é serem governadas por pessoas nem tão boas e não tão justas que gostam de política. Então, precisamos, cada vez mais, ocupar espaços, defender aquilo em que a gente acredita. As portas se abrem!
Eu tenho que dizer que estou muito aqui hoje feliz, sabendo da grande tarefa, porque eu não digo missão... Missão é de Madre Teresa de Calcutá, de Francisco de Assis, de Martin Luther King – são grandes seres da humanidade –, de Chico Xavier, de Eurípedes Barsanulfo, de Vianna de Carvalho. Mas eu estou hoje aqui.
A minha esposa está sentada aqui na primeira fila e sabe que o Evangelho no lar, em momentos difíceis, quase todas as semanas que nós temos, com toda a fé, mas o Evangelho no lar, gente, é algo fabuloso! São 20 minutos orando com a família. A gente tem feito diariamente antes de dormir. Para quem não é espírita, se não for o Evangelho Segundo o Espiritismo, pode ser a Bíblia, mas ore com a sua família. Olha, o Chico Xavier dizia que, na hora em que você faz o Evangelho, a proteção não é só na sua casa, não, na sua residência, não; é no bairro inteiro, para os vizinhos. É uma proteção espiritual. Vinte minutos numa hora definida, uma hora em que todo mundo está em casa, no final de semana... É fundamental para o equilíbrio, para a gente poder seguir com serenidade, que é do que a gente precisa. Para encerrar de vez: há duas questões da primeira obra de Allan Kardec... Apesar de tudo que eu puder fazer nesta vida, de tudo que eu puder fazer, eu jamais vou poder pagar a esses ensinamentos. Das mais de mil perguntas de O Livro dos Espíritos, a obra básica do Allan Kardec, há duas que me tocam muito fortemente e que me inspiram diariamente aqui: as questões 642 e 932, respondidas através de uma pesquisa científica pelos espíritos superiores. Questão 642 – olha que primor, olha que primor! –: para agradar a Deus, basta não fazer o mal? Olha que convite ao serviço de todos nós! "Não [é a resposta dos espíritos]; você deve fazer o bem no limite das forças, das suas forças, porque você será responsável por todo o mal decorrente do bem que você poderia ter feito e não fez". É a omissão dos bons. A gente não pode perder uma oportunidade de fazer o bem, porque, se a gente for omisso, o mal pode prevalecer. Isso vale para tudo na vida, para tudo, no dia a dia com nossos filhos, nos trabalhos da gente...
E há outra questão, para encerrar, que é a 932, já no final de O Livro dos Espíritos. Por que o mal prepondera sobre a Terra? Olha só essa pergunta! Por que o mal prepondera sobre a Terra? Aí eu faço um complemento, explicando para vocês. Poxa, realmente que pergunta inteligente. Se a maioria das pessoas do mundo, do Planeta são pessoas boas, íntegras – e a gente sabe que é –, trabalhadoras, por que o mal ainda prepondera sobre a Terra? A resposta é como um telegrama, objetiva, direta: "Porque os bons são tímidos. Os maus são audaciosos, intrigantes, mas, quando os bons quiserem, eles dominarão a Terra".
Que Deus abençoe a todos nós e nos ilumine na construção do coração do mundo e da pátria do Evangelho!
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. PSD - MS) – Retorno a Presidência ao Senador Girão.
(O Sr. Nelsinho Trad deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Eduardo Girão.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Eu gostaria, neste momento, de passar a palavra para o Senador Nelsinho Trad.
O SR. NELSINHO TRAD (PSD - MS. Para discursar.) – Bom dia. Sejam todos bem-vindos!
Quero cumprimentar e parabenizar, pela iniciativa, o Senador Girão.
Vou fazer alguns testemunhos que poderão ser mais significativos do que qualquer oratória diante desse tema.
Eu sou médico, especializado em Urologia e Cirurgia Geral, e tive, durante o exercício da minha profissão, que tem, na especialidade, o ato cirúrgico como sua essência, experiências extremamente fortes relacionadas à fé. Sou cristão, católico praticante, vou à missa todos os domingos com a minha família. Tudo isso acabou vindo em função também de alguns momentos difíceis por que passei na minha vida.
Eu gostaria aqui de agradecer a educação que veio do berço da minha família. Meu pai, já falecido, e meus tios, também já falecidos, são todos oriundos do Direto, advogados – praticamente toda a minha família seguiu por esse caminho. Quando era ainda adolescente, estudando para ser médico, meu pai e meu tio defenderam um cidadão na minha cidade, Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e conseguiram absolvê-lo diante de uma mensagem psicografada por Chico Xavier. Foi um caso emblemático no Brasil – saiu no Fantástico –, de que vocês devem ter tido conhecimento. E eu tive a oportunidade de ler essa mensagem. Aquilo foi o primeiro ponto que me tocou profundamente para poder me inteirar mais sobre a doutrina espírita, que me conduziu a ser um cristão praticante.
Eu gostaria aqui de registrar o nome de algumas pessoas que me colocaram nesse caminho. Eu quero aqui mandar um abraço para o Sr. Nilton Braz Giraldelli, da minha cidade, o Sr. Hilário, a D. Lourdes, a Túlia Bertoni, que sempre cultivaram a doutrina espírita, cristã, no ambiente, no meio em que vivi. Não é fácil, Senador Girão – eu me cobro dia a dia –, exercitar o perdão, ainda mais a gente, que vive em embates, contrariando interesses, lidando com escorregadas, com pessoas que querem derrubá-lo.
O Sr. Hilário sempre falava para mim, e fala até hoje: "Toda viagem que você for fazer, você leve o Evangelho junto e leia na hora em que você estiver no caminho da viagem". Eu quero aqui registrar a todos que isso foi muito importante na minha vida, muito. Parece que uma áurea de coisa boa me revestiu para que eu pudesse seguir os caminhos que eu estou seguindo. Parece, não; eu tenho certeza. E os meus mentores espirituais e humanos me afiançaram isso lá atrás: "Você vai ter uma oportunidade, mas você vai ter que seguir por aqui, para o lado do bem, do exercício do perdão, da busca e da propagação dessa mensagem tão importante para a nossa humanidade".
E nada é por acaso nesta vida. Dia desses, com saudades que eu tinha do meu pai, e tenho sempre, eu fui assistir – e vou encerrar com esta passagem – a um vídeo de uma entrevista dele. E, naquele vídeo, ele solta uma frase que eu copiei e até vou mandar colocá-la no meu gabinete: "A vida política tem uma característica muito próxima da espiritualidade de quem a faz".
Eu quero aqui homenagear todos vocês dizendo que essa luta não é e não será em vão. Nós temos uma missão nesta Terra, nesta vida, temos que cumpri-la e fazer com que esses ensinamentos possam ser cada vez mais divulgados e propagados nas nossas atividades para a nossa sociedade como um todo.
Homenageio aqui Allan Kardec pela passagem dos 150 anos do seu falecimento e registro a minha satisfação e a minha emoção de poder falar da tribuna desta Casa da importância que têm, no coração de cada um, o sentimento espírita e o sentimento cristão.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Pessoal, eu juro para vocês que eu não sabia desse fato da vida dele; fui saber aqui. Já admirava o Senador, a gente está em várias causas juntos, e realmente foi uma grata surpresa, viu, irmão? Muito obrigado pela sua presença aqui conosco neste momento especial.
Mais uma vez agradeço também a presença do Senador Elmano Férrer e do Senador Capitão Styvenson, de Estados vizinhos ao Ceará, que é o meu Estado.
Vamos agora aqui chamar para fazer uso da palavra a Olguinha, Olga Espíndola Maia Freire, que vai agora nos presentear com a sua fala. Ela é Presidente da Associação Peter Pan, que, gente, tem um trabalho com crianças com câncer espetacular lá no Ceará. E ela foi Presidente também da Federação Espírita do Estado do Ceará e vai agora fazer uso da palavra.
Olguinha.
A SRA. OLGA LÚCIA ESPÍNDOLA FREIRE MAIA – Bom dia.
Eu agradeço muito a Deus por poder estar aqui hoje e poder ver o Eduardo sentado aqui, presidindo esta sessão, dignificando a missão – a missão, sim – de ter sido conduzido para o Senado.
Eu vou só lembrar aqui duas passagens de O Livro dos Espíritos, nos seus prolegômenos, no seu prefácio. Ele já falou, em outras palavras: "todos, sejamos ateus ou qualquer denominação religiosa..." Não diz assim; diz: "todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus [...] se unirão por um laço fraterno, que envolverá o mundo inteiro".
E no final ele diz, em outras palavras: nunca... E eu digo essas palavras aqui, eu trago isto para cada Senador que teve a oportunidade, e é uma oportunidade passageira... Públio Lentulus foi um Senador italiano que teve a oportunidade de falar com o próprio Cristo, e não aproveitou na época, embora hoje seja o grande Emmanuel nas nossas vidas. Então, gente, Allan Kardec recebeu a mensagem da Falange do Consolador, que diz, em outras palavras: nunca faça das coisas do céu degraus para as coisas na Terra. E a gente sabe quando está fazendo das coisas do céu degraus para as coisas na Terra, porque Deus, porque os bons espíritos se afastarão dos cegos. Como se vai escolher um cego para fazer com que se compreenda a luz?
E, por fim, eu agradeço a Deus, lembrando as palavras de Paulo de Tarso – porque eu sei que o Eduardo faz isso. Num momento extremo, depois de tantos convites a que ele negou atender, ao sol do meio-dia, ao ver Jesus, ele diz assim: "Senhor, que queres que eu faça?".
Obrigada, Eduardo.
Obrigada, Deus.
Eu tenho a honra de estar aqui ao lado de alguém que tem o Evangelho no coração: o Presidente da Federação Espírita Brasileira, a querida FEB.
Muita paz a todos!
Obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muito obrigado, Olguinha, pela sua participação. Eu a vejo – permita-me a ousadia –, aqui nesta Mesa, você que é da terra do Dr. Bezerra de Menezes, eu a estou intimamente considerando como representando o Dr. Bezerra de Menezes nesta Mesa.
O Dr. Bezerra de Menezes, um grande humanista, um político da época do Império, um dos responsáveis pela abolição da escravatura – e hoje é 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura, não por acaso também –, ele que foi um dos primeiros ambientalistas do Brasil, naquela época... Olhem só, Senador Nelsinho, Senador Elmano, Senador Styvenson: naquela época, ele lutava contra a indústria do fumo. Olhem só que coisa impressionante!
Então, eu vou passar aqui daquela que, no meu coração, representa o Dr. Bezerra de Menezes para uma outra irmã que, intimamente, representa o Chico Xavier aqui nesta Mesa, o nosso querido Chico. Ela conviveu com Chico, teve essa benção de conviver com Francisco Cândido Xavier. É da terra natal do Chico, em Minas Gerais, Pedro Leopoldo, e é Presidente do centro espírita fundado pelo próprio Chico.
E há uma coisa que ela não vai falar na palestra dela, mas que eu vou dizer para vocês, algo que, hoje pela manhã, eu lembrei, tomando café com ela: o Chico foi um dos fundadores de um clube de futebol lá de Pedro Leopoldo. Vocês sabiam disso? Tenho certeza de que vocês não sabiam disso. E eu vi, quando estive em Pedro Leopoldo... Aliás, uma cidade que merece ser visitada. Pensem em uma cidade de um povo acolhedor, com uma energia fantástica. Um dia eu quero ver essa cidade, com todo respeito a Pedro Leopoldo, que foi o engenheiro que levou as ferrovias e o desenvolvimento para aquela região, mas que não nasceu naquele local, mas um dia eu gostaria de ver aquela cidade se chamar Chico Xavier. (Palmas.)
Já pensaram?
Com a palavra Célia Diniz.
A SRA. CÉLIA DINIZ – Não se assustem comigo.
Bom dia a todas e a todos.
Agradeço, Eduardo, esse honroso convite e louvo sempre, do fundo do meu coração, o seu labor incessante, que conheço há décadas, lutando pela paz. Enalteço o seu labor, porque você não está aqui nesta Casa porque isso foi para você uma ascensão, um trampolim. Você está aqui numa posição de quem renunciou a muita coisa para servir à coletividade. Então, a minha admiração por você cresce muito, porque eu sei dos seus esforços, de décadas, na construção de um mundo melhor.
Ao cumprimentar você, então, o Exmo. Sr. Senador Luis Eduardo Girão, Presidente desta sessão, eu cumprimento todos os demais Senadores e Senadoras presentes, todos os Parlamentares, todos os funcionários desta Casa e os funcionários do seu gabinete, pessoas amorosas como você.
Saúdo a presença do Presidente da Federação Espírita Brasileira, Digmo. Sr. Jorge Godinho Barreto Nery, e estendo minha saudação a todos os componentes da Mesa. Cumprimento todos vocês.
Louvado seja Deus, que nos permitiu estar aqui, neste momento.
É atribuído a Albert Einstein um pensamento que ora eu vou citar: "Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas". A arte de perguntar envolve muita sabedoria e muita humildade. O espiritismo não seria o que é sem a contribuição iluminada do Sr. Allan Kardec, ora homenageado por esta egrégia Casa.
Quando Allan Kardec fez aos espíritos as perguntas certas – e Eduardo se refere a duas delas hoje –, quando começa a codificar a doutrina com 1.019 mil perguntas, ele ali mostrava, humildemente, que todo o seu saber filosófico – porque Kardec era genial, ele era um filósofo também – poderia estar errado ou incompleto. E ele soube, por meio de perguntas, proporcionar que chegassem à Terra, que chegassem até nós revelações extraordinárias da verdade, vindas do mundo espiritual superior.
São tão incríveis as respostas que tivemos que o venerando Papa João Paulo II, declarou, na década de 80: "Sabemos que existe vida após a morte, mas não sabemos como ela é. Não sabemos como ela é". Nós espíritas somos detentores de um patrimônio de um conhecimento espiritual exuberante, e o Sr. Allan Kardec não inventou uma religião, não fundou uma religião, não modificou nada do evangelho nem da ciência. Com suas perguntas, ele não criou nada novo. Ele simplesmente nos mostra toda a religiosidade quando nos permite lançar um novo olhar sobre a vida, sobre o Evangelho de Jesus, sobre a natureza sob um ângulo que ninguém jamais havia visto.
O Sr. Allan Kardec descortina para nós leis morais divinas, naturais, que regem o nosso viver e que esclarecem as nossas questões mais cruciais nessa vida. E nós espíritas não temos hoje todas as respostas para os intricados problemas da vida, mas o que nós aprendemos na doutrina espírita é muito mais do que possa supor a nossa vã filosofia materialista.
Em 1983, eu sepultei um filhinho. E, na minha cidade, na pequena Pedro Leopoldo, a que Eduardo se refere tão carinhosamente, berço de Chico Xavier – e eu falo com muito bairrismo que é a cidade que ele viveu mais da metade da vida dele: 49 anos, em Pedro Leopoldo, e 43, em Uberaba –, naquela época, quando sepultei meu filhinho, eu era uma professora de química do maior colégio da cidade. E foi voz geral que uma mãe espírita sepulta um filho com muito mais equilíbrio, com muito mais coragem, com muito mais condições de superar aquela situação. A partir daí, meus queridos, todas as vezes que alguém passava por algo parecido, procurava-me para saber o que eu sabia, o que havia me sustentado, que fé era essa que me movia.
E, a partir daí, eu comecei a responder a perguntas. Durante décadas, a que eu mais ouvi foi: "Por que Deus fez isso comigo?" Alguém dizia: "Meu filhinho teve uma leucemia e viveu apenas cinco anos. Por que Deus fez isso comigo?". "O meu pai enfartou tão jovem e se foi. Por que Deus fez isso comigo?". E as pessoas perguntando, perguntando. E nós aprendemos que a morte não é castigo, que tudo que Deus faz é para nos proteger, amparar e fortalecer no momento mais doloroso das nossas colheitas.
Então, nós tivemos sempre essa abençoada oportunidade de levar algumas respostas, porque conseguimos, de uma forma sublime, compreender Jesus Cristo como o consolador de todas as nossas dores. E a doutrina espírita, ao nos explicar a vida, que começou muito antes desse berço que nos acolheu e segue muito além do túmulo que nos aguarda, mostra-nos que nós não somos vítimas na nossa jornada. Nós somos artífices e protagonistas do nosso destino.
E foi nessa caminhada de levar essa verdade tão maravilhosa desse Evangelho, que é consolo, que é colo de mãe e não chicote, que, um dia, eu conheço Eduardo Girão, que me diz: "Vou virar sua vida de cabeça para baixo. Serei diretor-executivo de um filme no qual contarei a sua história." E aí surgiu o filme As Mães de Chico Xavier. Por que isso? Porque o meu filhinho, um ano após a sua partida para o mundo espiritual, manda uma mensagem para mim através do Chico: "Mamãe, estou vivo e vou crescer". E era uma mensagem de uma situação onde uma criança... Era muito raro uma criança estar em condições de ditar uma mensagem. Ele tinha partido aos três anos de idade. Então, Eduardo coloca essa história no filme e diz: "Vou virar sua vida de cabeça para baixo". E ele não imagina quantos corações despedaçados o filme já conseguiu virar de cabeça para cima até hoje. (Palmas.)
(Soa a campainha.)
A SRA. CÉLIA DINIZ – Agora sexta-feira, o Girão me liga e diz: "Venha cá, minha querida. Conte para eles a sua história. Diga para eles que a morte não existe". Eu estou aqui tentando fazer isso, Eduardo. E me perdoe se eu não conseguir fazê-lo à altura, porque nós todos, de fato, vemos a morte com algo terrível que nos aguarda num final sombrio ao final da nossa caminhada. E, vendo a morte do ponto de vista do que realmente somos, porque nós não somos pessoas humanas, nós estamos humanos. Essencialmente nós somos seres espirituais e, como espíritos, é que nós devemos ver a morte. E aí a gente consegue realmente compreender que ela não é o fim de absolutamente nada e que a vida continua estuante e bela sempre, sempre. A vida segue sempre.
Quando meu filhinho se foi, ele caiu da garupa da bicicleta da babá. E a cena mais impactante do filme é quando a Vanessa Gerbelli, que teve uma performance incrível para vivenciar nossa história... E eu ainda perguntei a ela naquele avant-première de São Paulo: "Vanessa, como você conseguiu demonstrar tão bem a minha dor?". Ela disse: "Tenho um filhinho da idade do seu. Foi fácil imaginar". Então, é uma empatia extraordinária. A cena mais marcante do filme para mim é quando a Vanessa se aproxima, porque essa cena saiu idêntica à realidade. O meu filhinho havia caído da garupa da bicicleta da babá numa manhã – e caiu com a bicicleta parada. Mas ele não estava na bicicleta certa de passear com ele. Ela estava com o pneu furado e a babá o colocou na garupa de uma bicicleta grande. Ele cai quando para numa esquina para comprar alguma coisa, um pirulito. Quando ele foi subir na bicicleta com a bicicleta parada, ele cai, bate a cabecinha no chão, dois pontinhos aqui, um acidente totalmente irrelevante na sexta-feira de manhã. Na segunda-feira, ele tem convulsões às 7h e, antes de 10h, já estava morto.
E essa babá de 16 anos me dizia: "Eu matei seu filho. Você me perdoa?". "Não, você não matou meu filho." Depois ela voltava: "Eu matei seu filho. Me perdoe". "Não, você não matou." Porque, meus queridos, eu já havia aprendido. Quando eu nasci, o meu pai era colega de serviço de Chico Xavier no Ministério de Agricultura, na fazenda-modelo. Eu fui criada estudando as leis divinas que regem as nossas vidas nos dois planos da existência. Eu sabia que essas leis de Deus não permitem que nós nos matemos uns aos outros atabalhoadamente. Eu sabia que alguma causa, além da queda, deveria existir. E eu disse a ela: "Você é responsável pela queda, mas não é responsável pela morte. Ele poderia não ter morrido de uma queda tão boba". Mas ela continuava. E eu tentava, eu tentava dizer para ela. Como você vai explicar as leis da vida numa situação dessas, leis que a gente estudava havia mais de 20 anos? Como dizer dessas leis para os senhores agora e me fazer compreender? Não tenho competência para isso. Mas eu dizia à minha babazinha: "Você não deixou meu filho cair por acaso". E eu tentava dizer a ela: "O meu filho não morreu porque caiu da bicicleta. Meu filho caiu da bicicleta porque estava na hora de ele partir. Então, se você quer ouvir, eu te perdoo, mas não é o caso".
Tudo bem, cheguei a Uberaba, quatro meses depois. De pronto, o Chico Xavier, que sempre leu o nosso interior, sempre leu a nossa tela mental... Ele olhava para mim na adolescência e eu gelava, porque eu não sabia o que eu estava pensando naquele momento e eu sabia que ele estava lendo. Então, eu fui chegando perto dele, em Uberaba, ele, de pronto, disse-me: "Você perdoou a babá, não é, minha filha?". Eu falei: "Perdoei, Chico" – toda magnânima. Com a minha arrogância filosófica, o meu orgulho filosófico, eu olhava nos olhos dele e dizia: "Perdoei, Chico. Viu como eu entendo as leis da vida? Viu como eu sou boazinha?". Era isso que eu dizia.
Aos olhos da matéria, quem estava do lado pensava: "Uma mãezinha jovem, trinta e poucos anos, perdoou a moça, e o Chico ainda está xingando ela". Ele dizia para mim: "Você perdoou a babá, minha filha?". "Perdoei, Chico." "Você acha que fez muito por tê-la perdoado? Você tinha de ter agradecido porque foi dos braços dela que ele caiu e não dos seus. Nem você nem o Aguinaldo suportariam o remorso".
E aí, meus queridos, eu comecei a compreender o outro lado do perdão. E, quando me preparo para dizer isso aos corações enlutados, eu procuro me alicerçar de todas as ferramentas que a doutrina espírita me deu. E essas verdades têm consolado milhares de corações – o outro lado do perdão. A gente se julga tão importante, quando, na verdade, em nossas vidas, surgem as pessoas difíceis que nos tiram algo ou nos tiram alguém, essas pessoas são simplesmente os instrumentos cegos da lei de Deus.
Vinte e três anos após a partida do meu filhinho, eu estava de novo na porta de um CTI suplicando a Deus que deixasse comigo aquela filha de 27 anos, que estava noiva – uma menina linda, com os projetos de vida engrenando. Ela ia começar a construir a sua casinha. E lá se foi a Mariana. Com três dias, uma dengue hemorrágica a levou.
E, mais uma vez, eu sentia de novo que o mundo desmoronava sobre a minha cabeça, mas, mais uma vez, eu não perguntei, no momento do meu calvário: "Meu Deus, por que você está fazendo isso comigo?". Não! Eu não perguntei. Eu sabia que havia um motivo. Eu disse: "Minha filha, o que nós aprontamos em existências anteriores para necessitarmos agora dessa experiência tão dolorosa de nos separamos tão precocemente?". Então, ali, de novo, eu sabia, eu tinha certeza, eu tinha plena convicção de que, mais uma vez, a religião espírita ia me dar todas as ferramentas de ascensão daquele abismo moral em que a dor havia me colocado. Eu tinha certeza absoluta disso.
E eu gostaria até de abrir um parêntese para dizer aos senhores o seguinte: quaisquer que sejam as dificuldades que estejam enfrentando, quaisquer que sejam os problemas que estejam vivendo, tenham certeza de que vocês darão conta, que vocês sairão vitoriosos, porque Jesus prometeu que, nos nossos ombros, jamais fardos mais pesados do que podemos carregar. Então, a cruz que está sobre os nossos ombros é menor do que as nossas forças.
E foi assim que, mais uma vez, eu consegui compreender por que devemos amar a Deus sobre todas as coisas. Eu não conseguia compreender por que eu tinha que amar a Deus mais do que eu amava meu pai, minha mãe, meus filhos, meus amores. Foi com a partida de Mariana, aquela menina que não ia ficar muito satisfeita quando chegasse à pátria espiritual... Sim, a vida continua linda, mas é muito difícil desencarnar. Morrer, um mosquitinho matou, mas desencarnar significava que a minha filha tinha que ter forças para deixar para trás todos os projetos, todos os sonhos e ter força e coragem para elaborar novos projetos de vida que segue, novos sonhos, novos objetivos. Isso que é desencarnar. E a minha filha precisava de forças para fazer isso, porque morrer não é fácil.
Então, eu fui compreender por que a gente tem que amar a Deus mais, porque amar um filho que chega é muito fácil. O verdadeiro amor a gente começa a aprender quando tem que entregá-lo de volta. E, para que a minha filha encontrasse no meu coração a força que ela precisava de eu dizer: "Segue em frente, querida. Você vai dar conta daí, eu vou dar conta de cá". Era só amando a Deus acima de todas as coisas que eu poderia entregá-la com todo o desapego ao verdadeiro pai de todos nós.
Salve Allan Kardec! Nós que vamos viver para sempre te amamos e te glorificamos por nos ter mostrado o Deus, pai de infinito amor e infinito em todas as suas virtudes, por nos ter mostrado o Deus que, quando não atende à nossa vontade, fortalece-nos sempre nos momentos difíceis. Bendito Allan Kardec! Bendita doutrina que nos faz enxergar Deus mesmo através das nossas lágrimas".
Finalizo com uma oração que Emmanuel, o guia espiritual, ditou a Chico Xavier, e dedico a você, Dudu, meu querido:
Senhor, rumo à Nova Era, nós – gotas pequeninas de esperança no oceano da tua infinita sabedoria e da infinita sabedoria de Deus – partilhamos os lances aflitivos da Terra traumatizada por angústias apocalípticas, em busca de paz e renovação, trabalhando pelo mundo melhor, na certeza de que permaneces conosco, Jesus, e na certeza de que, como outrora, diante da tempestade, repetirás sempre aos nossos ouvidos, tomados de inquietação: "Tende bom ânimo, sou eu, não temais".
A vitória final é do Evangelho.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muitíssimo obrigado, Célia Diniz, que veio lá de Pedro Leopoldo especialmente para esta sessão.
Antes de chamar o próximo orador, meu querido irmão que está aqui ao lado, Godinho, Presidente da FEB, para a Olguinha não ficar com ciúmes porque a terra da Célia pode vir a se chamar Chico Xavier, a sua, a nossa Jaguaretama, no interior do Ceará, quem sabe, pode um dia se chamar Bezerra de Menezes também. (Risos.) (Palmas.)
Pessoal, eu queria registrar a presença aqui também do Almir Laureano e do Cleber Costa, da Rede Desarma Brasil, dois franciscanos, dois homens de bem que se inspiram em Francisco de Assis e que são espíritas e estudam Espiritismo. Sejam muito bem-vindos e muito obrigado por participarem da sessão.
Com a palavra o Presidente da centenária Federação Espírita Brasileira, Godinho. (Palmas.)
O SR. JORGE GODINHO BARRETO NERY – Exmo. Sr. Senador Eduardo Girão, em nome de quem cumprimento todos os Senadores presentes, os amigos da Mesa e os que nos assistem não só pelos canais que estão à disposição do público, como as senhoras e os senhores aqui presentes.
Estamos hoje numa data em que se comemora o desencarne de Allan Kardec. É uma data em que nós estamos sedimentando a sua imortalidade, porque, depois da obra que ele nos trouxe, jamais a humanidade esquecerá o arcabouço filosófico que ele codificou. Por isso, eu gostaria, Senador, nesta oportunidade, de relembrar uma outra data, que é dia 18 de abril daquele ano de 1857.
Após um trabalho hercúleo, um trabalho em que, diuturnamente, ele pôde observar, após o seu ceticismo, porque era um homem que não olhava as coisas que lhe diziam sem que houvesse por detrás uma justificativa, uma análise, o bom senso, o discernimento. Foi convidado a participar daqueles efeitos hoje conhecidos por nós como efeitos físicos, em que as mesas giravam, e em determinado momento ele disse que isso seria normal, porque ele estudou o magnetismo por 30 anos, e isso de mesa mexer de um lado para o outro seria possível. Mas, no momento em que ele está presente às mesas e observa que não havia fraude, a partir de então, ele chegou à conclusão brilhante que qualquer homem de bom discernimento tem e, como ele tinha isso, uma característica excepcional, deduziu: estou diante de um objeto que não é inteligente, mas cujos efeitos são inteligentes. É natural que a causa seja inteligente, e a causa não é a mesa ou não são as mesas. E, a partir daí, interessou-se pelo fato.
À época, esses fenômenos aconteciam de forma extraordinária nos palcos, nos teatros, como se estivessem aguardando homens sérios para poderem observar um fenômeno muito simples, um fato muito profundo, de que a humanidade já tinha conhecimento há milênios, mas que ainda não estava de forma clara, explícita e codificada. Assim, ele começou a atender às suas necessidades, verificando, depois, que estava diante de um fato que não era só do seu interesse, mas do da humanidade. É assim que o Sr. Allan Kardec consegue codificar uma doutrina nova, como ele bem diz, uma doutrina nova que, ao mesmo tempo, é uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.
Como ciência de observação, tem um laboratório, que é a própria mediunidade, onde os espíritos se expressam mostrando a comunicabilidade entre ambos os planos da vida, mas, como doutrina filosófica, é uma doutrina que traz todas as responsabilidades sobre as consequências morais decorrentes dessas relações entre os espíritos, que não são apenas os que estão na nossa dimensão e na dimensão espiritual, mas nós, nas nossas dimensões, que aqui estamos, temos uma vida de relação que merece todo o apreço e todo o respeito às diferenças, aos entendimentos, às discussões de ideias que nem sempre sabemos discutir, mas das quais, dependendo dessa relação, somos responsáveis por todas as consequências morais decorrentes.
É assim que ele traz a lume, naquele 18 de abril de 1857, um arcabouço filosófico num livro, um livro que a humanidade ainda não conhece. Mas esse livro não é dele, como ele bem fala; o livro é dos espíritos, que vieram ditos mortos, saíram de suas lápides, de seus túmulos para dizer à humanidade "somos imortais. Somos espíritos e aqui estamos para dizer a vocês", num contexto em que o materialismo estava no seu ápice, "que, nos universos, ou no universo, não existe só matéria, existem dois princípios: o material e o espiritual. Acima destes, Deus, o Criador, trazendo novas revelações para a humanidade".
E é, naquele momento, que nós vamos observar a humanidade, diante da edição de um livro, muito singelo, muito simples, mas tão profundo, cujo codificador, 150 anos depois, é rememorado. O seu conteúdo é perene, é eterno, porque veio nos dizer que a morte nada mais é do que um veículo da vida para uma outra dimensão, corroborando com aquilo que Jesus, há 2 mil anos, havia provado no momento em que ele aparece, três dias após o Gólgota – não só uma vez, mas várias vezes, em locais diferentes.
Então, agradecemos, Senador Girão, a oportunidade que V. Exa. nos concede nesta Casa, para que nós possamos falar da imortalidade, em dias em que o suicídio grassa a humanidade. Aqueles que buscam a morte, através do suicídio, não o fazem porque queiram morrer, mas porque estão diante de situações tão difíceis, que, às vezes, a sua condição moral não é capaz de suplantar, e buscam essa solução, dizendo assim: "Após a morte, nada existe, parando tudo". Ao contrário, a doutrina espírita, que, naquele ano de 1857, o codificador conseguiu colocar em O Livro dos Espíritos, nos explica que não vale a pena, porque esses espíritos mesmos, os suicidas, é que vieram dizer: "Eu fui um suicida. Não valeu a pena. Sofri muito". Sofre-se muito, porque a vida continua, e ela continua em conformidade com a vida que nós temos antes de passar para o plano espiritual, demonstrando que tanto a morte quanto a vida, em ambos os planos, não são sobrenaturais; são naturais, fazem parte das leis divinas. É por isso que, neste Plenário, manifesto o nosso agradecimento por estar falando de espiritismo, dos espíritos, de O Livro dos Espíritos, do seu codificador, sem proselitismo, registrando, nos Anais desta Casa, a imortalidade; registrando, nos Anais desta Casa, aquela que é a expressão mais pura na sua vida, pelos seus exemplos, das leis do Senhor, que é Jesus, que, há 2 mil anos, falou e exemplificou essas leis para nos relembrar, porque delas nos esquecemos ao longo dos milênios.
O Senador Girão falou sobre o bem, e, no próprio livro, quando Kardec pergunta "o que é o bem, então, para eu poder entender?", eles respondem: "O bem é tudo aquilo que é conforme as leis de Deus". Para sermos felizes, nós vamos aprender que temos que ter conformidade com a lei de Deus, porque, quando o codificador, na pergunta 614, na terceira parte desse livro, questiona...
(Soa a campainha.)
O SR. JORGE GODINHO BARRETO NERY – ... se a lei natural é a lei de Deus, nós observamos a resposta sábia:
"A lei natural é a lei divina, única, verdadeira, para fazer os homens felizes; indica o que fazer e o que não fazer. Os homens são infelizes, porque dela se afastaram". Jesus é a expressão mais pura do exemplo dessas leis entre nós. Por isso, não há nenhum líder na humanidade de que, 2 mil anos depois, toda a humanidade fala como nunca falou. E, à proporção que os anos passam, quando as consciências vão sendo mais ampliadas, o entendimento das suas verdades é trazido, porque ele não trouxe nenhuma religião.
A religião foi criada pelos homens. Observem, todas têm um criador, que no início teve inspirações divinas. Mas a religião que Jesus veio nos trazer é o sentimento divino que liga a criatura ao Criador, a religião, sem nenhuma denominação, a não ser a prática do bem. Então, Ele, para nós, é um modelo de religião, para que nós possamos, assim, obedecer às leis divinas, praticar o bem, transformar a humanidade transformando a nós mesmos, que vivemos neste País, que no contexto das nações também tem a sua missão, como têm os demais países. A nossa missão é de cristianizar, é de fazer os homens melhores, é de praticar o bem.
É um País bom. Tivemos uma Copa do Mundo; perdemos. Tivemos uma Olimpíada. Os focos da humanidade se voltaram para o Brasil, mas se questiona de fora para dentro, e eles dizem: "Que país bom, tropical, ensolarado, um povo alegre, um povo bom. Apesar das dificuldades, um povo feliz". Assim somos nós, fraternos, um exemplo de povo sui generis, porque não há na face da Terra nenhum outro povo igual ao povo brasileiro.
A nossa história registra as circunstâncias por que passamos, mas passamos todas em paz, compreendendo. Nesta Casa, com as dificuldades naturais, que são próprias, a solicitação para que nós possamos orar, porque somos fraternos. Se aqui não podemos estar como brasileiros para defender, temos nossos representantes. Mas o que podemos fazer? Vibrar positivamente para que eles possam ser inspirados pelos espíritos bons, os espíritos que trabalham com o Cristo para que a humanidade seja melhor, seja fraterna tanto quanto nós somos fraternos, ainda que de forma incipiente.
Então, os nossos agradecimentos, Senador Girão, a esta oportunidade, rogando a Deus que ilumine, sim, todos que participam deste País, desde aquele mais simples até a autoridade máxima dos Poderes, porque todos nós temos um compromisso com Cristo, de fazer com que este País tenha, no contexto das nações, o seu papel de coração do mundo e Pátria do Evangelho.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muito obrigado, Godinho, quem tem que agradecer somos todos nós pela sua belíssima palestra.
E, antes de passar a palavra, uma vez que você falou em suicídio, eu quero aproveitar para dizer que já tive pessoas próximas que cometeram esse ato, que é o mais grave atentado aos olhos de Deus. Num momento de desespero, as pessoas às vezes acham que podem encontrar a solução, mas, além de deixarem muita gente que amam sofrendo aqui na Terra, no mundo espiritual – e há relatos; há um livro que me marcou profundamente, Memórias de um Suicida, de Yvonne do Amaral Pereira, psicografado, que mostra isto –, o sofrimento daquele espírito que cometeu suicídio continua muito mais agravado: tormentos e tormentos e tormentos.
Então, foi muito bom o senhor ter falado sobre esse tema aqui nesta sessão solene, que é uma epidemia que acontece no Brasil. A gente precisa, cada vez mais, de políticas públicas para levar esclarecimento, ajudar pessoas, as famílias que têm sofrido com isso, para que outras não sofram.
Eu queria registrar a presença aqui do Rodart, que está sempre aqui em audiências públicas, participando com a gente aqui de momentos importantes. Ele é da Caravana Auta de Souza.
E ao nosso querido irmão que vai fazer a palestra final, eu gostaria de dizer, Haroldo Dutra, meu irmão querido, que fique sentadinho aí mais um pouquinho, porque nós vamos chamar aqui neste momento... Porque nós estamos aqui também por causas. Aqui se debatem causas todo dia, toda hora, e há causas que ameaçam frontalmente a vida neste País. Então, a gente precisa jogar luz nesse debate, com serenidade, e entender como é que funcionam as coisas em algumas causas importantes.
Então, eu quero chamar aqui um irmão, um amigo que é uma inspiração para mim na política, que eu tive a oportunidade de conhecer no Congresso Nacional – eu segurando cartazes, e ele lá no front, debatendo com os Deputados –, o ex-Deputado Federal, duas vezes Deputado Federal, Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida Contra o Aborto, um dos grandes responsáveis por essa luta e que nela teve um papel fundamental – repito, junto com os evangélicos, que foram extremamente audaciosos no bem, com os católicos também, em 2005, naquele momento em que o cenário estava todo favorável à liberação do aborto, com o Governo Federal querendo, os ministros de Estado querendo –, inspirado por Deus, por Jesus, fazendo o bom combate e conseguindo segurar: o ex-Deputado Federal Luiz Carlos Bassuma. (Palmas.)
O SR. LUIZ CARLOS BASSUMA – Que a paz de Jesus nos preencha a todos, a todo mundo que veio aqui hoje, sem exceção, não só aos que estão falando, mas aos que estão presentes fisicamente, que estão cumprindo um papel fundamental nesses dias decisivos para o Brasil nesta Casa, Senado Federal.
Nesses próximos dias, três assuntos da maior relevância estarão sendo debatidos aqui, neste salão, por 81 homens e mulheres que decidem o destino de milhões de brasileiros, aprovando leis ou deixando de aprová-las.
Refiro-me à questão das armas, pois está em discussão aqui um decreto, a derrubada de um decreto do Presidente, que, depois de ser, talvez, pressionado – uma vez que o país Brasil, o coração do mundo, a Pátria do Evangelho, país de cristãos, tornou-se o país em que mais se mata gente no mundo, mais do que na Síria, onde há uma guerra civil – pelas pessoas, desesperadas com a falta de segurança, resolve, por decreto, armar a população toda. Nós vamos ter que conversar com os cristãos sobre isso.
Se existem algumas dúvidas sobre o que pensava Jesus sobre determinados temas da atualidade, essa questão das armas é indiscutível. Não vou aqui perder tampo, porque estamos aqui diante de doutores que conhecem bem as falas de Jesus. Esse tema é tão relevante que, no Sermão da Montanha, duas das oito bem-aventuranças são dirigidas à paz. Não preciso falar da relação dele com Pedro, com a espada, nada; não preciso falar do "amar o inimigo"; não preciso falar nada disso. Então, nós não podemos permitir. Não é se armando que se vai resolver o problema. E isso vai ser discutido agora, nesses dias.
E também outro assunto importante: as drogas. Existem pressões enormes também para resolver a violência que a droga causa – não só a dependência química, mas a violência –, para se legalizar, começando pela maconha, é claro. Também isso vai ser decidido agora, nesses dias, aqui. Está pautada para terça-feira a nova política de drogas, que, graças a Deus, pode dar um novo rumo para o Brasil, não no sentido de liberar as drogas, mas de dificultar o uso das drogas e tratando, claro, investindo no tratamento.
E, por fim, o terceiro assunto, sempre presente: o aborto. Mas olhem o que Deus preparou neste momento no Senado da República. A questão do aborto está aqui e está no Supremo.
O Supremo acabou retirando de pauta agora, dia 22 de maio. Ia ser dado mais um passo na legalização do aborto, aprovando-se agora também o aborto nos casos de microcefalia. Por influência de Senadores e Deputados, o Ministro Toffoli resolveu tirar de pauta, mas não está resolvido. Lá, no Supremo, está pendente uma questão para legalizar o aborto completamente no Brasil, independentemente do Congresso. Mas o Congresso é quem nomeia, quem escolhe os Ministros do Supremo. O povo não pode fazer nada, o povo não os elege; são os Senadores da República que podem retirar um ministro que cometa improbidade ou que cometa desvio de função. Só o Senado pode fazer isso. Vejam a importância de estarmos aqui.
E, aí, eu quero dizer o que nós estamos fazendo aqui hoje. Sabem o que nós estamos fazendo aqui hoje? Allan Kardec – o Luís Eduardo Girão sabe, todos nós sabemos –, esse gigante intelectual, moral e espiritual... A última coisa de que ele precisa ou que gostaria, talvez, seria de receber homenagens. Nós sabemos disso. A homenagem não é para o Allan Kardec. Enquanto nós estamos aqui hoje, está se realizando uma grande faxina, por meio da bioenergia aproveitada, para a qual nós estamos, espontaneamente, contribuindo. Então, isso aqui não é à toa. Ninguém está aqui por acaso, não; para estas causas importantes, que serão discutidas e votadas nos próximos dias.
Agora, olhem o que Deus designou, gente, quero dar esta boa notícia – boa notícia. Eu estava aqui, na legislatura passada, ajudando o Senador Magno Malta, nosso grande Irmão, companheiro evangélico, que era um grande lutador também dessas causas – e, agora, Deus me honrou com essa possibilidade de ajudar o meu querido Irmão Luis Eduardo Girão... Mas na legislatura passada... A eleição foi agora, há pouco, não é? E não foi só o Luis o fenômeno eleitoral. Há um, que está lá, atrás, que é o nosso grande amigo Styvenson, que também está com a esposa. Aliás, as duas esposas estão próximas aqui. O Styvenson também foi um fenômeno – fenômeno! –, coisa da mudança que está no ar. Inexplicável a eleição dos dois: um no Ceará; outro no Rio Grande do Norte.
Agora, sabem o que aconteceu, o que a espiritualidade desenhou para o Senado neste momento? Não há nenhum Senador... Havia, na legislatura passada, um monte, vários, atuantes, fortes, decisivos, mulheres Senadoras, atuantes, a favor do aborto, a favor das drogas, a favor das armas; nesta conjuntura, não foram eleitos nenhum e os que militavam a favor das drogas e do aborto saíram todos. Alguns foram lá para a Câmara; outros foram para outro lugar. Olhem o que Deus desenhou.
E, aí, eu não quero me estender mais. Desculpe-me, Luis, eu não vou me estender, porque aqui nós estamos diante de pessoas que conhecem bem esse assunto, conhecem.
Eu quero me reportar agora, finalizando – eu e acho que muitos dos que estão aqui –, à sua responsabilidade, à sua, Luis Eduardo Girão, porque você está fazendo uma coisa corajosa hoje, aqui, ousadíssima. E – você leu a Questão 932 – a coisa de que Deus, Jesus mais gosta é a ousadia. E você está ousando hoje, publicamente – não conosco aqui, não! –, com o Brasil, assumindo-se como espírita. Isso envolve coragem. (Palmas.)
Eu passei muitos anos da minha vida – e quero lhe agradecer por isso diretamente, meu querido Irmão. Há uma pessoa que está triste, que queria estar aqui hoje, no meu lugar, a quem eu falei: "Minha filha, Deus não te deu essa oportunidade. Vai ter que ser eu lá". É a Rose, que todo dia assiste a palestras, todo dia. Ela não sai de casa... É Haroldo Dutra... Foi escutando uma palestra dele – eu já assisti a várias, pelo YouTube, porque ele está na nova era. Eu ainda estou na era do papel, mas ele está, já, no mundo moderno, conectadíssimo...
Mas eu pensava, me perguntava – vou encerrar, isto é para encerrar a minha fala –, foi você que me deu essa luz, meu Irmão Haroldo, agora, à mesa. Havia uma coisa sobre a qual, mesmo com todo o conhecimento que a doutrina espírita trouxe, e foi absolutamente central na minha vida, eu sempre me perguntava, sobre a qual eu queria uma explicação lógica, racional, e que você deu, perfeita: por que não há Evangelho de Jesus? Por que Jesus, que não era analfabeto, nunca foi, deixou, depois de tantos anos, haver lá o Evangelho de Mateus, o Evangelho de Lucas, e não o dele? Por que ele não se sentou, uma tarde lá, "eu vou parar aqui hoje, não vou fazer nada, não vou curar ninguém, eu vou fazer o Evangelho e vou deixar para vocês escrito". Eu tinha essa dúvida e na doutrina espírita eu não conseguia; eu queria uma explicação para isso.
Claro que foi proposital, lógico. Ele não foi o único na história dessas personalidades pacifistas que fez isso. Sócrates, o grande, o chamado Pai da Filosofia, também nada escreveu. Que coisa meio estranha. Mas por que ele não fez isso?
Então, eu lhe agradeço, Haroldo, por que você deu um norte.
Eu quero encerrar, porque é para você essa, Luis, para você sair daqui hoje refletindo, profundamente, no passo que você está dando aqui hoje.
Haroldo explicou, naquela palestra em que você fala da Maria de Magdala, do Bartolomeu, que, quando Jesus se predispõe a curar as almas, curar, ele não está atrás de proselitismo – nunca esteve –, muito menos o espiritismo está. Não está atrás de quantidade, de estatística. Está atrás de cartas vivas do Evangelho – cartas vivas do Evangelho. Por isso que ele vai lá, pessoalmente, chamar o Paulo, Dr. Paulo, Dr. Saulo. Por que ele se emociona e respeita tanto a figura da prostituta Maria de Magdala, a ponto de, no seu retorno, depois do desencarne, na crucificação, ela foi a primeira que... A maior prova vencida. Todos nós temos as nossas provas.
Eu quero encerrar dizendo: sabe qual é a sua responsabilidade, meu irmão?
(Soa a campainha.)
O SR. LUIZ CARLOS BASSUMA – Ainda bem que apitou, porque eu vou encerrar mesmo. Eu já estou acostumado.
Nós, todo mundo aqui, Olguinha, somos chamados de trabalhadores da última hora. Vamos ganhar um salário maravilhoso. Chegamos ao mundo da internet, que o Haroldo usa toda hora, mundo dos aviões, tudo fácil, um país de cristãos.
Eu estou falando agora do Brasil. Segundo o IBGE, mais de 80% das pessoas que vivem no Brasil se dizem cristãs. Então, pelo IBGE, nós, espíritas, somos pouco menos de 3%. Por isso, a coragem política, porque quem pensa em política... Evangélicos e católicos são maioria, mas espíritas esse pouquinho. Eu vou me declarar espírita? Não é só isso. Sua coragem vai um pouquinho mais além. É o que vou falar agora. Calma! Estou desafiando a sua paciência.
Que salário é esse? Por que ser Cristão hoje é problemático? Por que o pessoal da primeira hora não... Quem era cristão era preso, torturado, morto. Todo mundo sabe a história toda. Naquela época, meu Deus do céu! Raríssimos tinham essa ousadia. E hoje ser cristão é ser aplaudido, ser reconhecido. Que maravilha! Então, cadê o testemunho? Qual é o testemunho? Porque ninguém cresce, ninguém chega a Deus enquanto não der R$1, o testemunho da sua fé – o testemunho.
Não adianta fazer palestras maravilhosas. Não adianta escrever livros maravilhosos. Não adianta fazer obras beneméritas, ajudar muita gente a sair do analfabetismo, ajudar pessoas. Não adianta nada disso. Onde está, então, o testemunho? Aí, o seu testemunho, meu irmão, olha o tamanho dele, porque você está na política. Se Bezerra não está aqui agora, ele já passou, porque você citou Bezerra, acho, umas dez vezes. Então, olha a responsabilidade. Quem está na política vai ter que botar na lata do lixo vaidade, arrogância, prepotência. Eu estou usando as palavras que ele citou. Mas, de fato, Jesus não está atrás de gente para pregar – não precisa mais disso –, mas está atrás de carta viva do Evangelho na sua prática.
E, quando ele for reconhecido aqui, o Luiz, que está chegando agora... Está dando um trabalho danado aqui. Acabou de chegar. Quando alguém disser: "Rapaz, por que aquele homem está fazendo isso?" "Ah, é porque ele é espírita." Olha a responsabilidade! Olha o tamanho da responsabilidade na vivência dos valores! Mas não só quando está na tribuna, não só quando está... Você não vai ser cobrado depois de oito anos de mandato? Quantas leis boas você aprovou para o País ou quantas leis ruins você deixou... Isso é sua obrigação. Se está eleito, não tem jeito, não tem como fugir. Mas como foi sua vida? Esta passagem por aqui vai traduzir o que na sua vida de mudança real? É isso que Jesus...
Não interessam milhões; interessa uma carta viva do Evangelho. E hoje nós, espíritas, homenageamos Allan Kardec. Precisamos de cartas vivas dos verdadeiros espíritas imperfeitos. Todos nós continuaremos imperfeitos. Não nos tornaremos santos por isso, mas teremos essa ousadia. Ele é coerente. Paga o preço perante o mundo. Renuncia aos aplausos fáceis do mundo para receber os aplausos da sua consciência de cristão e de verdadeiro espírita.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muitíssimo obrigado, Luiz Carlos Bassuma, meu irmão. Muito obrigado pela sua inspiradora fala.
Hoje nós, eu, o Nelsinho, o Senador Elmano Férrer, o Senador Styvenson e tantos outros colegas aqui; somos 81 – estamos no primeiro dia útil após os cem dias. Olha que emblemático isso. Eu gostaria neste momento de passar a palavra para um grande irmão, cearense que mora aqui, em Brasília, funcionário da Polícia Federal, instituição tão acreditada pelos brasileiros e cujo nome tenho orgulho de falar: Polícia Federal. Nazareno Feitosa tem uma vida de superação. Também é uma pessoa, como eu, extremamente grata ao espiritismo, pela transformação, pelos conhecimentos, pelos esclarecimentos que trouxe às nossas existências.
Eu gostaria de chamar Nazareno Feitosa para proferir também uma fala aqui, uma palestra.
Enquanto ele inicia o percurso até o microfone, eu vou passar pela segunda vez a Presidência para o Nelsinho, que eu vou rapidamente ao banheiro e já volto para pregar.
(O Sr. Eduardo Girão deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Nelsinho Trad.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. PSD - MS) – Com a palavra.
O SR. NAZARENO FEITOSA – Exmo. Sr. Senador Nelsinho Trad, agora presidindo a sessão; Exmo. Senador Luis Eduardo Girão, esse amigo do coração... Deixa ele voltar, é melhor. Exmos. Srs. Senadores, que admiro muito, Capitão Styvenson, colega da segurança pública, Senador conterrâneo Elmano Férrer, pelo querido Estado do Piauí, demais autoridades, cumprimento nosso querido Jorge Godinho, Presidente da Federação Espírita Brasileira; a nossa querida Olga Freire, essa amiga do coração também, que esteve à frente da Federação Espírita do Estado do Ceará – e tive honra de participar do seu time, da sua equipe –; a nossa querida Célia Diniz, amiga da divulgação dos eventos; e o nosso irmão e amigo Haroldo Dutra Dias, a quem admiro muito; demais trabalhadores, servidores, demais irmãos presentes, é uma honra poder estar aqui. E eu só aceitei esse convite porque eu sou um devedor, um grande devedor do Sr. Allan Kardec. Eu devo à minha vida ao espiritismo. Se não fossem as obras publicadas pelo Sr. Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, sobretudo, e O Evangelho Segundo o Espiritismo, eu, que fui ateu durante 12 anos, diante de uma quebra financeira e diante de uma depressão muito grave que se abateu sobre a minha saúde, eu pude enfim conhecer esse homem que eu não conhecia.
Então, eu estou aqui para cumprir um pouco. Há pessoas muito mais capacitadas do que eu para falar, mas estou aqui como um devedor de Kardec e como amigo e irmão do nosso querido Eduardo Girão, dessas várias causas. Esse homem conseguiu nos mobilizar, nos tocar o coração. E é impressionante a capacidade que o Eduardo tem de nos unir a todos, de fazer-nos despertar às vezes da nossa inércia, da nossa descrença. Às vezes, a gente fica descrente do nosso País, dessas grandes causas. E ele consegue tocar o coração de cada um: católicos, evangélicos, espíritas, sem religião. Consegue nos unir todos em causas do bem.
Então, nós começamos lá atrás, nos conhecemos quando ele foi fazer a Mostra Brasileira de Teatro Transcendental, que hoje já tem vários anos de exibição. É o maior evento cultural, beneficente do Estado do Ceará, que leva o teatro de obras de elevação para muitas pessoas, para muitas cidades, inclusive, do interior. A mostra se apresenta em várias cidades do nosso querido interior.
Depois, uniu-nos no Brasil sem Aborto, no Brasil sem Drogas, no Brasil sem Azar, que é contra a legalização dos jogos de azar na Pátria brasileira, e desde sempre na lutando pela paz. Então, nos vários movimentos de que a gente tem participado, como o Ativistas da Paz pela Vida, conseguindo mobilizar todos e chamar, despertar.
E quantas vezes estivemos não aqui, mas aí no lugar dos senhores, nas audiências, nos plenários das comissões, a convite desse homem, a convite do Eduardo. É ele que consegue fazer isso com a gente: "Nazareno, dá um jeito". E a gente vai para defender o Brasil contra a legalização da maconha, contra a legalização das outras drogas, contra a legalização do aborto, meus amigos.
Então, quando a gente lembra esses grandes espíritas que foram políticos, a gente vê como é possível honrar a política brasileira, lembrando o Dr. Bezerra de Menezes, lembrando o nosso querido Eurípedes Barsanulfo, Cairbar Schutel, todos espíritas e políticos, e, mais recentemente, aqui, ao lado desta Casa, na Câmara, o Deputado Freitas Nobre, grande trabalhador também em prol do espiritismo, entre muitos outros menos conhecidos.
Então, realmente esse chamado é nosso. Nós temos que nos pronunciar porque tudo isso que tem acontecido em nosso País, e não só aqui mas no mundo – o aumento da violência, da corrupção, do suicídio, do uso das drogas, da própria prática dos jogos de azar, que é também uma fuga, uma anestesia –, é para cobrir esse vazio, esse gigantesco vazio interior que está na alma do homem e que é exatamente o materialismo.
Meu pai ainda não acredita em Deus e certa vez conversando com ele: "Papai, o senhor é a favor do aborto?". "Não, meu filho". "E da corrupção?". "Não, jamais". "E dos crimes?". "Não, também não". "E do suicídio?". "Não, meu filho, o que é isso?". Eu disse: "Papai, por favor, não divulgue essa sua doutrina, porque pelos frutos os conhecereis, nos ensina Jesus". Todos os frutos desta doutrina, do materialismo, do ateísmo, são esses. Se o homem não acredita em nada, é melhor gozar a vida, é melhor usar e abusar de todos os recursos. E nós estamos vendo isso no nosso mundo, no nosso Planeta.
E foi exatamente por misericórdia de Jesus que ele nos enviou o Sr. Hippolyte Léon Denizard Rivail, um educador, um pedagogo, discípulo emérito de Pestalozzi, um cientista literalmente na palavra e também um poliglota – dominava vários idiomas – para que, já na idade avançada, ele que era um positivista, pudesse estudar esses fenômenos que eram considerados de menor importância. Mas não eram só mesas girantes; eram mesas falantes e pensantes. Não era só o movimento. E ele vai investigar e nos trazer uma doutrina justamente na época em que o mundo estava abraçando o materialismo. E muitos de nós, não só eu, mas muitos devemos a ele vida, muitos não cometeram suicídio graças às obras em que ele, como sabia as obras não eram dele, vai utilizar o pseudônimo de Allan Kardec.
Mas, Nazareno, por que o espiritismo não cresceu mais na França, onde nasceu? Por que ele vai florescer no Brasil, que não é um País tão desenvolvido? Bom, essa pergunta merece questionamentos. Onde foi que Jesus nasceu? Na Palestina, nas terras de Israel, naquela região, e lá nós não temos cristianismo; nós temos judaísmo e islamismo. Onde é que Buda nasceu? Nasceu na Índia, em Kapilavastu, e na Índia nós temos 95% de hinduístas; não existe quase budismo na Índia.
Então, não é onde uma doutrina surge que ela tem que florescer. Mas, aqui no Brasil, parece-nos que realmente que foi o local escolhido para reencarnar grandes missionários, grandes trabalhadores, grandes divulgadores, porque Kardec só teve 14 anos, desde que conheceu a obra até o dia 31 de março de 1869, 150 anos atrás, retornar ao mundo maior – só teve 14 anos. Então, nasceram no Brasil grandes divulgadores para que essa doutrina florescesse, especialmente com Francisco Cândido Xavier. Se Chico Xavier tivesse nascido na França, Dr. Godinho, eu tenho certeza de que a França seria a maior nação espírita do mundo. Mas aqui estava o solo mais fértil. Aqui não havia tanto materialismo, tanto ateísmo, como, infelizmente, se apossou do Velho Mundo, e aí temos essa missão.
De posse dessa doutrina, o que nós podemos fazer? Como é que nós podemos, meus amigos, ser a favor da legalização do aborto?
E eu quero parabenizá-lo, amigo Girão, por ter desarquivado a PEC da Vida, deixando claro o que sempre foi muito claro... (Palmas.)
Inclusive, está nos Anais da Constituinte, que elaborou a Constituição, que eles dizem: "Não, é desde a concepção! Sempre foi"! Mas, infelizmente, parece que a gente precisa colocar "desde a concepção", para que a nossa Lei Maior não seja rasgada.
E sabemos dessa luta. Então, ele tem abraçado causas muito nobres, e uma das causas mais recentes e que tem trafegado por esta Casa, como disse o nosso querido amigo Bassuma, outro grande lutador de todas essas nossas causas, ele diz que é a legalização da jogatina, dos jogos de azar.
E a gente sabe, meus amigos... Eu não estou falando aqui, claro, em nome da Polícia Federal, mas segundo vários estudos quando a gente faz, jogos e cassinos são feitos para quê? Especialmente, para lavar-se dinheiro, para a corrupção, para aumentarem, e o Brasil tornar-se mais um destino, mais uma vez por causa da prostituição, de tráfico até de pessoas. Como é que nós vamos aplaudir iniciativas dessas? "Ah, não, mas vai atrair o turista". Não, mas o que entra de dinheiro por isso aí é muito pouco, porque os outros cidadãos do mundo não virão para o Brasil só pelo fato de aqui haver cassino, porque há cassinos em centenas de países. É só mais um destino.
Vegas, sim! Vegas, no Estado de Nevada, atrai muita gente.
Mas como é que a gente vai, achando que vai aumentar o turismo...? "Ah, mas vai gerar emprego, vai gerar renda." Mas esse dinheiro com que a pessoa está jogando, aplicando no jogo, vai vir de onde? Ele poderia estar sendo aplicado no consumo, em alimentação, em ajuda às famílias. Quantas famílias, meus amigos, destroçadas, porque a pessoa – infelizmente é um tipo de vício, que vicia tanto quanto a cocaína, e há pesquisas demostrando isso –, gasta todo o seu dinheiro? E provocando separações, provocando quebra financeira da pessoa, atraindo todos esses problemas, como prostituição, etc., e, sobretudo, o suicídio. Quantas pessoas vítimas da dependência química?
Eu tenho um colega de profissão, aposentado. A filhinha de 21 anos de idade pegou a arma que estava na sua casa e tirou sua própria vida. Desde os 14, Eduardo, essa menina linda estava envolvida com drogas, estava envolvida na questão da dependência. E olhem o perigo de se ter arma em casa! Meu pai sempre teve arma em casa porque ele foi auditor da Receita Federal, e eles têm permissão para portar arma. Agora, estão querendo abrir para todos, não é?
"Ah, mas é para fortalecer o cidadão de bem!". Mas vocês sabem que 70% das mortes, dos homicídios, são praticados por quem? Por aquele homem de bem, que, agora, armado, na hora de uma discussão, na hora de uma briga de bar, numa briga de trânsito, uma coisa que poderia acabar com uns gritos, uns tabefes, vai acabar, infelizmente, no necrotério.
E as crianças cometendo suicídio. Papai não sabe quantas vezes, eu, que sempre pensava em suicídio, desde criança – desde criança eu pensava em tirar minha própria vida –, brincava com o revólver dele. Ele achava que estava escondido, mas a gente não consegue... Criança é bicho danado, como minha tia fala.
Minha mãe nunca imaginou que eu peguei aquela arma. E quantas vezes, Jack, meu amigo, eu poderia ter dado cabo da minha própria vida? Para o sofrimento... O próprio policial é morto com sua arma. O criminoso normalmente toma sua arma e o mata. Arma de fogo não é para defesa; arma de fogo é para morte, é para matar.
Se a caridade é benevolência para com todos, é ser bom para todos... Essa é a definição de caridade. Questão 886. O resto nem seria preciso dizer, porque quem é bom para todos tem indulgência e perdoa. Não precisava nem ser dito, mas ele reforça. Como é que a gente vai ser bom para todos permitindo que as pessoas usem uma arma, e a pessoa que está armada... "Onde você vai? Você vai usar?". "Não". "Cadê? Tu não é homem, não?" Ele é desafiado para usar. A pessoa, num momento de loucura, de obsessão espiritual, que esse grande, esse gigante Allan Kardec conseguiu explicar em métodos racionais, lógicos, científicos – é uma ciência de observação –, trazer-nos o estudo da obsessão, da fascinação, da subjugação... E ele vai chegar e... Há casos de subjugação que podem ser chamados de possessão, sim, que ele não queria... N'O Livro dos Médiuns ele não queria adotar essa palavra, mas no livro A Gênese ele a retoma, porque há casos de subjugação tão graves, que é como se a pessoa tivesse possessa. Ela não está na plena consciência das suas faculdades mentais.
E com essas drogas superpoderosas da atualidade... O crack, meus amigos! O crack é uma coisa terrível. E como começa? Todos os dependentes que eu conheço começaram com drogas mais leves, as drogas lícitas, inclusive o álcool, que é a pior das drogas, que mata seis vezes mais que todas as outras drogas juntas. Olha o cuidado que a gente tem que tomar com o álcool. E a gente ainda ia legalizar, como já legalizamos, no passado, o cigarro, o tabaco, legalizar ainda mais a maconha, para que nossos filhos comecem a experimentar também e daí comecem a experimentar outras drogas, porque o ser humano nunca está satisfeito, quer sempre coisas novas. Será que é isso que a gente quer para a nossa sociedade? Será que é esse o papel desta Casa do povo? Deixar que as nossas fragilidades nos prejudiquem?
Então, meus amigos, eu quero parabenizar o amigo Girão, pela sua coragem, pela sua dedicação a todas essas causas nobres, por estarmos aqui unidos, por termos tantos companheiros...
Muito obrigado por vocês terem prestigiado esta sessão solene.
Muito obrigado, Haroldo, por ter vindo estar conosco e podemos nos mobilizar em favor das causas do bem nesta Casa do povo, por não nos omitirmos, como ele bem lembrou as questões 642 e 932 de O Livro dos Espíritos.
E, para concluir, porque nós estamos loucos para escutar o Haroldo, de quem eu também sou fã... Adoro as palestras dele. Sou um grande seguidor, um grande admirador do trabalho dele. Obrigado! Sua esposa também está presente, muitos amigos.
Só quero lembrar de um poema de gratidão a esse homem que dedicou sua vida... Depois que conheceu os fenômenos e começou a sistematizá-los, esse homem só viveu em função da doutrina espírita. Ele deu a sua vida pelo espiritismo. E, através das mãos desse abençoado apóstolo do bem, Francisco Cândido Xavier, nós vamos encontrar o poema de Amaral Ornellas, o espírito Amaral Ornellas, denominado "Homenagem a Kardec", que é o que nós estamos fazendo hoje:
Trouxeste, Allan Kardec, à longa noite humana,
O Cristo em nova luz – revivescida aurora! –
E onde estejas serás, eternidade afora,
A verdade sublime, em que o mundo se irmana.
Em teu verbo solar, a justiça se ufana
De aclarar, consolando, o coração que chora,
A fé brilha, o bem salva, a estrada se aprimora
E a vida, além da morte, esplende soberana!...
Escuta a gratidão da Terra... Em toda parte,
A alma do povo freme e canta ao relembrar-te
A presença estelar e a serena vitória.
Gênio, serviste! Herói, exterminaste as trevas!...
Recebe com Jesus, na glória a que te elevas,
Nosso preito de amor nos tributos da História.
Muito obrigado, Sr. Allan Kardec. (Palmas.)
Quero só registrar aqui a presença do nosso querido Paulo Maia, amigo querido, Presidente da FEDF, com que eu pude colaborar também durante bastante tempo; e do nosso querido Adilson Mariz, mais uma vez, Presidente da Comunhão de que estou fazendo parte agora.
Muito obrigado, Senador.
(Durante o discurso do Sr. Nazareno Feitosa, o Sr. Nelsinho Trad deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Eduardo Girão.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muito obrigado, Nazareno Feitosa, por mais uma palestra brilhante. Nazareno Feitosa tem também um trabalho com muitas palestras no YouTube e um canal, que traz muitos esclarecimentos sobre vários assuntos: suicídio, depressão – ele tem uma palestra lindíssima sobre depressão – e aborto também. Parabéns, Nazareno, pelo seu trabalho!
Só deixando bem claro que, neste ano tão especial, nós já tivemos uma sessão solene na Câmara dos Deputados, que foi uma iniciativa do Deputado Federal Rafael Motta, do Rio Grande do Norte, há cerca de 15 dias. Eu tive a honra, a bênção – eu estava aqui no dia – de ir à Câmara dos Deputados. Foi uma sessão sobre o espiritismo, uma sessão solene em homenagem ao espiritismo. Inclusive, o Dia Nacional do Espiritismo a gente vai... Não é isso, Francisco? Francisco trabalha conosco aqui, um dedicado da nossa equipe. A gente vai dar entrada ao Dia Nacional do Espiritismo. Isso vai começar aqui, não tenho a menor dúvida, com esse trabalho assistencial que é feito pelos espíritas no Brasil, por tantas revelações bacanas, vai passar aqui nesta Casa e vai, depois, para a Câmara dos Deputados, para haver o Dia Nacional do Espiritismo.
Agora, como penúltimo palestrante do dia, nesta tarde memorável, eu queria chamar uma pessoa que eu não pude ainda... A vida não nos fez encontrar, apesar de ter ouvido muito falar dele, mas hoje vou assistir à sua palestra pessoalmente aqui, junto com vocês. Ele vai, além de proferir a palestra, fazer a nossa prece final, fazer o nosso encerramento, depois da palestra do Haroldo Dutra.
Eu gostaria de chamar aqui, neste momento, ele que é um grande trabalhador – grande trabalhador – da Comunhão Espírita de Brasília, Jack Darsa, por favor. (Palmas.)
O SR. JACK DARSA – Queridos, boa tarde a todos!
Eu tenho três testemunhos para realizar agora, antes mesmo de começar a falar sobre o motivo de estarmos reunidos.
O primeiro é que a última vez que usei um terno na minha vida foi em maio de 2009 e somente, realmente, esse nosso irmão Kardec para fazer com que eu o vista novamente.
O segundo testemunho é que eu estava chegando cedo à comunhão e, no estacionamento – estava ainda dentro do carro, havia parado o carro –, um amigo da espiritualidade chegou para mim e disse assim: "Mas você vai de terno com esse bracelete?". Eu falei: "A minha pulseira?". Ele falou: "É, esse bracelete". Eu falei: "Olha, o senhor não force a amizade, por favor, porque eu já estou de terno".
O terceiro testemunho, queridos, é que eu não faço a mínima ideia do que estou fazendo aqui e por que eu fui chamado.
Vamos nos lembrar um pouco do Cristo – vamos nos lembrar um pouco do Cristo. No ano 30 de nossa era, este homem, Jesus, aos 35 anos de idade, iniciou a sua pregação que durou até o ano 33, vindo, então, a deixar a sua mensagem eterna, mas, na última noite de sua vida, ele se reúne com seus 12 apóstolos, comemorando a Páscoa judaica. Essa passagem estará registrada no Evangelho segundo João, principalmente do capítulo 13 ao 17. E Jesus, um judeu seguido por 12 apóstolos judeus, que pregava aos judeus da Palestina do século I, ali está se despedindo de seus apóstolos. E, nesse discurso do adeus, por cinco vezes, o Cristo faz uma afirmativa – Evangelho segundo João, capítulo 14, versículo 16 e 17; capítulo 14, versículo 26; capítulo 15, versículo 26; capítulo 16, versículo 7, 12 e 13 – de que ele vai enviar um consolador.
No entanto, no capítulo 16, versículo 12, ele nos deixa uma informação importante: vai nos dizer que aquele consolador, que é o espírito Verdade que virá, nos fará lembrar de tudo que ele havia dito. Mas ele fala mais uma informação: "... e vos dirá outras coisas que, no momento, não podeis suportar".
Portanto, vemos que o consolador prometido pelo Cristo precisa, obrigatoriamente, cumprir três requisitos: o primeiro é lembrar-nos dos ensinos verdadeiros desse homem chamado Jesus – Yeshua Ben Nazareth, como ele era conhecido; segundo requisito: ele teria que nos trazer algo novo, que o Cristo ainda não havia dito; e a terceira coisa, o terceiro requisito que ele haveria de fazer seria nos consolar.
Jesus era seguido por 12 apóstolos. Ele escolheu para si 12 homens, para dar continuidade à sua missão. Passados 19 séculos, Jesus escolheu um homem, um único homem para fazer frente à alteração da história da humanidade. E, no Evangelho, segundo o espiritismo, capítulo 6 – na minha muito ignorante opinião o capítulo mais importante dos 28 capítulos do Evangelho, junto com o prefácio, que é desconhecido pela maioria de nós espíritas, em que há uma outra mensagem do espírito Verdade –, todas as quatro instruções dos espíritos são do mesmo espírito, o espírito Verdade. E na terceira mensagem, o espírito Verdade faz uma informação, ele nos traz uma informação, que no livro Cartas e Crônicas, psicografia de Chico Xavier por Humberto de Campos, igualmente, mais uma vez está nos dizendo que o espírito Verdade faz essa mesma afirmação. E o espírito Verdade, nessas duas situações, diz: "Eis que vos envio o meu apóstolo". O espírito Verdade chama Allan Kardec de apóstolo.
O espiritismo então surge sob responsabilidade e nas mãos do codificador da ciência, da filosofia e da religião espírita. E ele vem trazer uma nova luz para a humanidade. E Kardec então, através do espiritismo, vai simplesmente responder ao maior enigma da humanidade, à grande pergunta que todos os filósofos e teólogos se fizeram e fazem até hoje. Teodiceia. "Teo", Deus; "diceia", justiça. E a grande pergunta que todos se fazem: onde há justiça de Deus?
E este homem, Hippolyte Léon Denizard Rivail, vem então conversar com os espíritos, e eles vêm dizer: "Permanecemos vivos". E eles então vão nos dizer quem nós somos, de onde nós viemos, para onde nós vamos, o motivo de nós estarmos aqui e a razão de tantos imensos desafios que cada um de nós aqui presentes enfrenta em sua vida cotidiana.
Na verdade, a vida eterna, queridos, não é criação do espiritismo. Basta que conheçamos com profundidade – nem com profundidade, para falar bem a verdade: se conhecer só um pouquinho, está bom – os ensinos do Cristo. Jesus pregava exatamente os ensinos de uma das três seitas existentes naquela época, os fariseus... Na época de Jesus, três principais seitas: fariseus, saduceus e essênios. Dessas três, duas delas, os fariseus e os essênios, acreditavam na imortalidade da alma. Mas mais do que isso: eles não acreditavam simplesmente que a alma permanecia viva após a morte; eles acreditavam que a alma permanecia viva e atuante após a morte.
E vamos ver então...
Eu tenho mais 45 minutos para falar, não é? Que ótimo! (Risos.)
E vamos ver Jesus, então, falando e pregando sobre a imortalidade da alma, em Mateus, capítulo 22, versículos 30 e 32, em que Ele fala que Deus é o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, e que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos.
Vamos ver em Mateus, capítulo 19, versículos 16 a 24, um fariseu perguntando: "O que eu devo fazer para herdar a vida eterna?" De que vida eterna ele estava falando? A vida no mundo espiritual.
Vamos ver em Lucas, em outra situação, outro contexto, outra pessoa (Lucas, capítulo 10, versículos 25 a 30), um outro homem perguntando a Jesus: "Que devo eu fazer para entrar na vida eterna?"
Vamos ver a memorável e inesquecível passagem de nosso irmão Nicodemos: "Que devo eu fazer para herdar a vida eterna?" "Em verdade vos digo que ninguém poderá adentrar o Reino dos Céus se não nascer de novo".
Vamos ver em João, capítulo 5, versículo 45, Jesus dizendo que aquelas pessoas estavam sendo observadas e julgadas por Moisés, que havia morrido 1.400 anos antes.
Vamos ver Jesus conversando com Elias e Batista, mortos séculos antes.
Vamos ver em Lucas, capítulo 10, versículos 19 a 31, a famosa parábola do rico e Lázaro, em que é relatado ali o diálogo entre três mortos. E onde? No Seio de Abraão, que é o contexto judaico de vida espiritual; é para onde os justos iam, para o Seio de Abraão. E os outros iriam para onde? Para um lugar onde há pranto e ranger de dentes, mas permanecem vivos, atuantes.
O contexto da vida eterna Kardec simplesmente veio nos relembrar. Mas, sim, o consolador prometido, vindo através da doutrina espírita, nos traz uma outra informação: a reencarnação. Quando vamos estudar os ensinos dos fariseus, dos essênios, principalmente através de Flavio Josefo, historiador do século I, vamos ver exatamente isso. A crença na transmigração de almas era presente entre aqueles homens – mas para os iniciados, não para o povo em geral.
Estamos aqui hoje – e não sei quantos médiuns videntes nós temos presentes – e eu posso garantir a todos que a espiritualidade maior, neste momento que é solene para esta Casa, se faz presente, e se faz presente em posição de sentido. Não existe nenhum espírito sentado. Estão observando a cada um de nós.
Um dos senhores disse uma coisa muito importante: a maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é a sua divulgação. Está lá no livro Estude e Viva, capítulo 40, a mensagem de Emmanuel, mas eu digo mais, porque tenho certeza absoluta de que aqui não temos somente espíritas, nós temos cristãos, pessoas de outras religiões: queridos, o mundo precisa de Jesus. Portanto, eu rogo a cada um de nós que aqui está, independentemente de sua crença em particular: vamos testemunhar o Cristo, mas não em nossas casas religiosas, onde isso é muito fácil; testemunhemos o Cristo na nossa vida pessoal, em nosso lar, no trânsito, no trabalho, na vida social; sejamos nós a fazer, a nos relembrar, a testificar, a testemunhar a fala do Cristo, bem no início do seu Sermão do Monte (capítulo 5, versículo 16), em que o Cristo nos diz: "Fazei brilhar a vossa luz diante dos homens através das vossas boas obras". E esse é o pedido que eu faço a todos aqui.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muito obrigado, Jack. Para mim, não poderia ter sido num momento melhor poder assistir a uma palestra do senhor, feita com a alma, com o coração.
Então, vamos agora, já, dar sequência para a última palestra e, depois, nós vamos ter a prece. Eu peço a todos que também aguardem a prece final que o Jack vai proferir.
Mas eu queria chamar esse grande irmão, que é juiz aqui no Estado vizinho de Minas Gerais, que tem feito um trabalho pelo Brasil e pelo exterior de difusão, divulgação do espiritismo, de Allan Kardec, de Chico Xavier, dessa doutrina tão consoladora e que traz tanta esperança para tantas pessoas.
Repito que o dia de hoje é um dia muito especial, 13 de maio, pessoal, 13 de maio! Nossa Senhora de Fátima é celebrada hoje, a aparição de Nossa Senhora de Fátima lá em Portugal; a abolição da escravatura no Brasil, 13 de maio; e nós estamos homenageando esse grande pacifista e humanista Allan Kardec.
Então, com a palavra, Haroldo Dutra Dias.
Muita honra e alegria passar a palavra para V. Exa. (Palmas.)
O SR. HAROLDO DUTRA DIAS – Exmas. Senadoras, Exmos. Senadores, a quem cumprimento em nome do Senador Luis Eduardo Girão e do Senador Nelsinho Trad, esta é a Casa do Senado e esta Casa deve ser honrada por todos nós cidadãos brasileiros, porque é daqui que são forjadas as leis que regem os nossos destinos. E o grande político, humanista, médico e espírita, cearense, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, deixa agora, especialmente nesta Legislatura, um filho no Senado: Eduardo Girão... (Palmas.) ... cuja missão é manter acesa a chama da dignidade da pessoa humana, da dignidade espiritual de todos nós, independentemente de cor, religião e opção sexual. Essa chama precisa ser preservada pelos que amam o bem e por todos que desejam que o bem ronde seus passos. O bem precisa de guardiões, não nos esqueçamos disso. Portanto, eu agradeço, tomando a liberdade de dizer a uma autoridade, a um Senador da República que ele é um filho de Bezerra de Menezes.
Quero agradecer também ao Presidente da Federação Espírita Brasileira, que, na sua modéstia, não disse, mas ocupou o mais alto cargo da Aeronáutica neste País, um brigadeiro que representou o Brasil em Genebra, em nome de quem eu faço uma homenagem dupla: às Forças Armadas deste País... (Palmas.) ... e ao movimento federativo espírita, que ele representa como Presidente da Federação Espírita Brasileira. E, em nome dele, eu cumprimento todos os presidentes da federativa, nosso irmão Paulo, Olga, que ocuparam esse cargo e que deram suas vidas para que a divulgação do espiritismo se desse em paz e em ordem. Como um brigadeiro da Aeronáutica, defendeu a paz em Genebra, porque somente aqueles que passaram pela guerra, somente aqueles que sabem dos prejuízos da violência e das agruras da guerra podem e sabem defender a paz, porque a amam do fundo do coração. Portanto, nosso discurso de paz não é um discurso tolo. O nosso discurso de paz é de pessoas de bem, de bom senso, que baseiam suas falas e seus pensamentos na lógica, no estudo, na estratégia.
Quero agradecer também a todos os políticos que honram seus cargos, na pessoa do eterno Deputado Federal Luiz Carlos Bassuma, que bem resumiu algo que nós queremos expressar nesta breve fala. Resumiu que devemos ser um testemunho vivo daquilo que acreditamos.
Certa feita, em um congresso de teologia, convidaram Mahatma Gandhi. E alguém que não possuía a habilidade da comunicação fez uma pergunta, afrontando a crença, a vida e as convicções de Gandhi. Perguntaram a ele o que fazer para aumentar o número de cristãos na Índia, incrementar a divulgação do cristianismo na Índia. Mas Gandhi, que havia entendido que a verdade, a paz e a bondade estão acima das religiões e das crenças, respondeu duas coisas: "Se vocês querem ampliar o cristianismo na Índia, são necessárias duas coisas. Primeira delas: que o cristianismo seja ensinado sem deturpações; segunda: que os cristãos vivam como Jesus Cristo", porque esta é a maior divulgação que se pode fazer do cristianismo. E eu apelo a todos desta Casa e a todos os brasileiros que nos acompanham pela TV Senado: o cristianismo será honrado quando nós, cristãos, vivermos segundo os parâmetros morais deixados por Jesus. Mas recordemos o trabalho extraordinário desse homem, que preferiu ser chamado por um pseudônimo. Para que o conjunto dos ensinos que ele organizou não pudesse ser atribuído a ele, mas para que fosse preservada a autoridade e o mérito do ensino que vinha dos espíritos superiores, ele adota o pseudônimo de Allan Kardec. Quando ele realiza seu trabalho, o mundo estava mergulhado em penumbra – como nosso mundo de hoje. As pessoas não conseguiam vencer os apelos irresistíveis do materialismo. É muito fácil para o ser humano acreditar apenas naquilo que ele toca, naquilo que ele vê, naquilo que ele pode apreender pelos seus cinco e limitadíssimos sentidos. Então, a fé religiosa havia como que se calado no século XIX.
O ser humano havia progredido na pesquisa científica, no exame das leis que regem a natureza. O ser humano é detentor de dois grandes potenciais. Nós somos, de todas as espécies vivas, a única que tem autoconsciência. Nós sabemos quem somos. Sabemos que os outros são diferentes de nós. E o ser humano possui a linguagem, a capacidade de formular, de compreender, de indagar. Assim, nós investigamos na natureza padrões de regularidade e ordem. Graças a esse trabalho de investigação, foi possível ao homem enviar foguetes para fora da atmosfera terrestre, para o espaço, observando padrões de regularidade na natureza.
No momento em que as pessoas perdiam a luz da crença, no momento em que as pessoas não conseguiam manter uma fé porque as religiões haviam mergulhado os seus ensinos num dogmatismo sombrio, num fundamentalismo sombrio, numa fé cega, tal como nos dias de hoje, esse homem sem preconceitos se entrega ao exame do fenômeno.
Então, neste dia muito especial, se eu pudesse, talvez aqui numa síntese das brilhantes falas que tivemos hoje neste Plenário, diria que o grande trabalho de Kardec foi que ele transformou o sobrenatural em natural. E eu agradeço ao Senador Eduardo Girão e à espiritualidade por ter me dado esta oportunidade hoje, porque hoje eu posso gritar mais alto: o sobrenatural não existe! A vida espiritual é natural! A existência dos espíritos é um fenômeno natural! Isso é natural!
O ser humano havia mergulhado o seu raciocínio numa arrogância tão imensa que ele se julgava capaz de compreender todas as leis da natureza. Acontece que as leis da natureza estão sempre nos surpreendendo – pergunte isso a um físico quântico. A natureza está sempre nos surpreendendo com a sua beleza, com o seu padrão de ordem, com a sua elegância, com a sua harmonia – com a sua beleza!
E nós, a partir desse trabalho gigantesco de coletânea, de organização de Allan Kardec, não temos mais necessidade do sobrenatural. A existência após a morte é um fato natural. A possibilidade de os seres que já partiram se comunicarem conosco é algo natural. É algo da ordem da lei da gravidade, das afinidades químicas.
O sábio e o cientista estudam o elemento material. O ser humano de bem, aquele que quer construir espiritualidade estuda as leis espirituais e as relações do mundo espiritual com o mundo material.
É importante dizer isso nestes dias, porque nós estamos prestes a tomar decisões equivocadas por considerarmos apenas a matéria, por considerarmos que natural é apenas um conjunto de células biológicas, por acreditarmos que a vida se resume a um conjunto de tecidos e que a matéria inerte pode produzir inteligência. Não! Todas as civilizações, todos os povos se interessaram pelos aspectos espirituais da vida. Todos os grandes mestres de todas as religiões da humanidade falaram da espiritualidade. Não há nenhuma cultura materialista no Planeta, nunca houve, pois todas tiveram suas crenças, seus rituais. É claro, algumas com uma linguagem mais simbólica, mais enigmática do que outras; mas todas – todas! – sabiam, porque não há um ser humano que não tenha vivido algo espiritual no curso da sua existência.
É uma mãe que acorda de sobressalto e liga para o filho exatamente num momento em que ele precisa da ligação da mãe. Fatos considerados extraordinários e sobrenaturais acontecem no dia a dia de todos, de todos os Senadores, de todos os Deputados, de todos os ministros, de todas as autoridades e de todos os cidadãos, de todas as pessoas comuns deste País e do mundo inteiro. É que nós podemos negar esses fatos ou podemos estudá-los com a mesma dedicação, com o mesmo bom senso e com a mesma lógica com a qual nós estudamos o elemento material.
Há sábios na Física? Há. Há sábios na Biologia, na Química, na Medicina, no Direito, na Sociologia? Há. Pois há também sábios da espiritualidade, pessoas de bom senso, com raciocínio apurado, com uma inteligência invulgar, que se debruçaram sobre as questões espirituais e que perceberam que aquilo que a crendice popular chama de sobrenatural é o natural – é o natural.
E é sobre isso que nós precisamos nos conscientizar, porque o mundo padece. Nós vivemos as maiores taxas de suicídio da história da humanidade. Nunca se consumiu tanto psicotrópico como hoje. Todos nós possuímos na família alguém que não consegue dormir sem tomar um remédio. O adoecimento psíquico, seja através da síndrome do pânico, seja através da depressão, seja através de outros fenômenos de menor impacto, tem vitimado milhões e milhões de pessoas. Nunca vivemos um progresso tecnológico tão grande, nunca vivemos um progresso econômico tão grande. Hoje, com a tecnologia, se produz, com um alqueire de terra, vinte vezes mais do que era produzido cem anos atrás e, no entanto, isso não apaziguou as nossas ânsias.
Os nossos ancestrais não sofriam tanto quanto nós sofremos. Eles não tombavam de tristeza, de depressão. Por quê? Será que não chegou o momento de recuperarmos o sentido espiritual das nossas existências?
E é com isto que eu quero concluir a minha fala, porque, depois de todo o trabalho de Allan Kardec, depois de ter revelado que a existência dos espíritos é um fato natural, que a espiritualidade é um fato natural, que a vida após a morte é um fato natural, ele se perguntou: "E para que isso tudo? Qual o propósito disso?". E é, então, que ele chega ao código moral do Evangelho, mais especificamente a um projeto, um projeto humano, um projeto comum, um projeto comum que deverá unir todas as religiões do Planeta: o projeto o ser humano de bem. O propósito do espiritismo é formar o ser humano de bem, um ser humano que sabe o sentido da sua existência, sabe por que vive e qual o propósito da sua vida; um ser humano que não se abala com as perdas, com os reveses da vida, porque ele sabe que a vida não tem fim, a vida não cessa. Portanto, ele se sente forte, porque ele percebe que toda dor é como uma tempestade que se forma, desaba e acaba, porque, no centro da vida, está o sol do amor e da felicidade, que é Deus.
Nesse projeto, nós temos um ser humano que se identifica como espírito e não como um corpo. Portanto, ele não tem preconceito de cor, ele não tem preconceito de religião, ele não tem preconceito de opção sexual, porque vê em todas as criaturas, em todos os seres, não só nos humanos, vê em todos os seres obras de um autor de inteligência suprema e infinito amor.
Portanto, nós podemos, sim, nos unir. Nós podemos, sim, espíritas, estar de mãos dadas com católicos, como o nosso querido Senador Nelsinho Trad, de mãos dadas com evangélicos, com budistas, com membros das religiões de matriz afrodescendente e com tantos outros que aqui não sou capaz nem de nomear, porque seria injusto deixar alguém de fora. Todos, sim, podemos nos dar as mãos em torno desse propósito, porque, se perguntarmos a todos aqui e a todos que nos assistem, eu tenho certeza absoluta de que todos queremos felicidade, bem-estar, paz, segurança, amizade, alegria, progresso.
Então, chegou a hora de darmos as mãos, não em função de dogmas ou de crenças, porque crenças são muito frágeis para manter os seres humanos unidos. Tanto é assim que, quando surge uma adversidade, como a perda de um filho, de uma filha, a perda de um ente querido, muitas pessoas abandonam suas crenças. A única força capaz de nos sustentar é a força do bem, a força do bem comum, o compromisso com o bem, com o bem de todos. Esse é o propósito do trabalho de Allan Kardec.
E, se nós pudéssemos, acredito eu, homenageá-lo à altura, se você deseja, com toda a força do seu coração, homenagear Allan Kardec, seja um ser humano de bem, mas desses, como ressaltou o Senador Eduardo Girão, que têm a suficiente ousadia de fazer o bem, porque hoje é preciso muita coragem para fazer o bem, é preciso muita ousadia para defender a paz, porque a violência é uma solução muito rasteira. A paz é que exige inteligência. Para ser pacificador, você precisa, por exemplo, aprender com Marshall comunicação não violenta. Você precisa estudar. Para exercer a diplomacia, você tem que estudar anos e anos a fio; para ser violento, você não precisa fazer nada, basta dar vazão aos instintos animais. Por isso que a paz é difícil. Por isso que a paz é difícil. Por isso que é difícil construir o bem. Nós precisamos reunir todo o patrimônio de inteligência, de boa vontade, de bondade e de talento para que o bem se instale.
E hoje, neste dia especial, através do filho de Bezerra de Menezes, a Pátria do Evangelho pode brilhar. Brasil, o coração do mundo, Pátria do Evangelho, não porque nós vamos impor as nossas crenças religiosas a qualquer povo, não; não porque nós vamos obrigar quem quer que seja a se tornar um cristão. Nós não queremos fazer como aquele interlocutor de Gandhi. Pátria do Evangelho, porque esta Nação acolheu, depois da Primeira Guerra e da Segunda Guerra, um imenso contingente de imigrantes das mais variadas procedências. E aqui, nesta Pátria, árabes almoçam, conversam e se abraçam com judeus, afrodescendentes se casam com europeus, nós nos confraternizamos. Enfrentamos, neste País, as mais tormentosas crises, e, com a graça de Deus, não caímos nos horrores de uma guerra civil. Passamos momentos difíceis, em que as nossas instituições foram desafiadas, mas elas permaneceram de pé. Permaneceram de pé porque há mulheres e homens de bem sustentando essas instituições.
E eu tenho a mais absoluta convicção de que quem sustenta o mundo são as pessoas de bem. São elas. Mas chegou a hora de as pessoas de bem terem consciência de por que elas estão nos lugares em que elas estão ou, o mais difícil ainda, elas terem consciência de por que elas ainda não estão onde elas deveriam estar.
Senador, graças a Deus, o senhor teve consciência dessas duas questões e está hoje onde está. Obrigado pelo honroso convite!
E a todos que nos ouvem: não se trata de um discurso para converter ninguém ao espiritismo. Esta sessão é um chamado à espiritualidade e à religiosidade de todos os cidadãos brasileiros, porque nós podemos transformar este País de um dia para o outro, mas cada um de nós terá que assumir o seu posto de trabalho com dignidade e absoluta compreensão de por que nasceu e do propósito de suas existências.
Muito obrigado a todos.
Que Deus abençoe a todos nós! (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Muitíssimo obrigado, Haroldo Dutra Dias, por essa palestra que encerra esta nossa sessão solene em homenagem a este grande humanista e pacifista, Allan Kardec, às 13h33 – eu gosto muito deste número 33, Bassuma.
Antes de encerrar – nós temos mais um tempinho aqui; daqui a pouco vai haver sessão não deliberativa na Casa –, antes de chamar para a prece final o Jack Darsa, eu queria registrar a presença aqui do João Rabelo, esse irmão companheiro da Federação Espírita Brasileira, que está nas galerias aqui do Senado. (Palmas.)
Muito obrigado.
Parabenizo toda a equipe desta Casa, a equipe de funcionários, sempre muito atenciosos, cuidadosos, profissionais competentes... (Palmas.) ... assim como os profissionais da TV Senado, esse importante veículo de comunicação, e da Rádio Senado também, sempre muito prestativos.
E agradeço à minha família, a toda a minha família por esta oportunidade de estar aqui hoje. Em nome da minha esposa, Márcia, em nome da família... Eu quero agradecer à minha esposa, Márcia, por ser minha companheira do dia a dia. O Haroldo Dutra Dias estava falando ali sobre essas questões que nos inquietam, sobre a importância do Evangelho, e eu dou este testemunho, mais uma vez: em alguns momentos de aflição, recentemente, na semana passada, em casa, com dificuldade de dormir, um pouco ansioso, peguei o Evangelho e, com ela, abri. Lemos e, depois, fomos às preces no final – lemos algumas. A dormida foi maravilhosa depois. É uma coisa impressionante! Eu não posso ser omisso e deixar de falar isso, porque me faz bem e eu queria que fizesse bem a outras pessoas, independentemente de ser O Evangelho Segundo o Espiritismo. A Bíblia também tem o mesmo efeito. E a gente precisa orar e vigiar o tempo todo.
Então, a PEC da vida, que é o nosso grande desafio, um dos nossos grandes desafios ainda neste primeiro semestre, dizendo e deixando claro que a autoria não é minha, eu apenas desarquivei. A autoria da PEC da vida, que é essa que coloca na Constituição que a vida começa na concepção e acaba com esse ativismo judicial do nosso STF com relação ao tema, é do Senador, meu amigo e irmão Magno Malta, que é do Espírito Santo, evangélico. E fica o meu agradecimento a ele, que também muito me inspirou nessa trajetória política.
Agradeço ao Senador Paulo Paim também, pela sensibilidade hoje de manhã. Estava presente com ele num debate importante, que é a reforma da previdência. E eu peço a oração de vocês também para que a gente tenha serenidade, para sermos justos, para sermos equilibrados nos ajustes que precisam ser feitos na reforma que veio para a nossa Casa. (Palmas.)
Então, eu queria, realmente encerrando este momento, terminar com Martin Luther King. Nesta sessão em homenagem a Allan Kardec, eu quero terminar com esse grande humanista e pacifista Martin Luther King, antes da prece do Jack. Ele tem uma frase que permeou tudo o que a gente ouviu aqui, esse sentimento de vocês e essa energia de vocês que vai ficar impregnada, se Deus quiser, por muito e muito tempo nesta Casa, registrando a presença de um grande irmão, corajoso, que acabou de chegar também e que, às vezes, chega às 5h da manhã, aqui no Senado.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - GO. Fora do microfone.) – Às vezes, não; todo dia. (Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Olha aí. Às 5h da manhã, é o primeiro a chegar. É o Senador Jorge Kajuru, aqui do Estado de Goiás. (Palmas.)
Ele tem sido destemido na causa do bem, na causa a favor da paz, da vida e da verdade.
Uma frase de Martin Luther King, com que eu queria encerrar, antes da prece do Jack, é: "Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não aprendemos ainda [ainda] a conviver como irmãos".
Jack, fique à vontade para fazer de onde está – ou, se quiser vir aqui também, fique à disposição – a prece final desta sessão histórica aqui no Senado Federal, agradecendo também não apenas ao povo brasileiro, que está nos assistindo pela TV Senado, a todos vocês que vieram aqui, que estão até uma hora dessas conosco, desde as 10h, mas agradeço, sobretudo, ao povo do Ceará, ao povo que me trouxe até aqui e que eu vou procurar dignificar e honrar no limite das minhas forças, até quando Deus permitir.
Jack.
O SR. JACK DARSA – Mestre Jesus, aqui nos reunimos, Senhor, em torno de seu nome e pedimos, no caso, permissão para nos fazermos presentes – grandes momentos para toda a humanidade, não somente para a Pátria do Evangelho.
O Cristo roga, de cada um de nós, a renúncia e o esquecimento de si mesmo para levantar a bandeira da paz. Como outrora aos primeiros cristãos, a nós não nos é solicitado o testemunho da vida em si, mas o testemunho, filhos, da moralidade.
Rogamos que cada um tenha a força necessária, a coragem de retomar o controle de sua própria vida e finalmente fazer não o que deseja, mas, sim, o que é o correto. Como nosso irmão apóstolo da gentilidade nos deixou: "Tudo posso, mas nem tudo me convém".
Rogamos nestes momentos, filhos, que estejamos mais atentos – como se diz, não é? –, mais atentos ao que pensamos, mais vigilantes ao que falamos, ao que fazemos. Vamos formar fileiras com o bem, porque o bem se faz necessário. Vamos dar o nosso testemunho de cristãos onde quer que estejamos. Que nos desvinculemos das máscaras da hipocrisia e busquemos, antes de tudo, o Cristo.
E não, não pensem, sou somente um humilde trabalhador. Sim, podemos afirmar que grandes espíritos aqui se encontram. Encontro-me somente como um porta-voz, deixando a todos a lembrança de nosso irmão Allan Kardec, que agradece a lembrança, e aos demais espíritos, que dizem, como nosso irmão Jesus: "No mundo, tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo".
Mestre Jesus, rogamos neste momento, então, vossa misericórdia e compaixão para cada uma dessas pobres criaturas falíveis. Nós rogamos, senhor, lance sobre cada uma delas coragem, para que possam todos combater o bom combate. E, em teu nome, Senhor Jesus, nós agradecemos, mais uma vez, a oportunidade de aqui estarmos.
Graças a Deus.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - CE) – Está encerrada a presente sessão.
Obrigado a todos. (Palmas.)
(Levanta-se a sessão às 13 horas e 44 minutos.)