1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
56ª LEGISLATURA
Em 12 de julho de 2019
(sexta-feira)
Às 15 horas
121 ª SESSÃO
(SESSÃO ESPECIAL)

Oradores
Horário Texto com revisão

O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.
A presente sessão especial é destinada a comemorar o Dia Nacional do Quadrilheiro Junino, nos termos do Requerimento nº 94, de 2019, do Senador Izalci Lucas e outros Senadores.
Convido para compor a Mesa o Presidente Nacional da Confederação Brasileira de Entidades Juninas, Sr. Hamilton Teixeira dos Santos, Tatu. (Palmas.)
Convido também para compor a Mesa o Presidente da Liga Independente de Quadrilhas do Distrito Federal e Entorno (Linq-DFE), Bruno Anderson. (Palmas.)
Convido também, em nome do Governo do Distrito Federal, o Gerente de Cultura da Administração Regional de Brazlândia, Sr. Duarte Totó. (Palmas.)
Convido também o nosso colega Parlamentar, Deputado Federal do Espírito Santo, Helder Salomão. O nosso Deputado está aí?
Bem, convido todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional do Brasil, executado pelo Trio do Forró.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Convido também para compor a Mesa o Presidente da Associação dos Forrozeiros do Distrito Federal (Asforró), o Sr. Marques Célio Rodrigues de Almeida. (Palmas.)
Quero registrar a presença também do Primeiro-Secretário da Embaixada de Cuba, o Sr. Juan Pozo Alvarez; do Presidente da Quadrilha Si Bobiá a Gente Pimba, Sra. Maria Heloísa Martins; do Presidente da Quadrilha Xamegar, Diego Almeida; da Coordenadora de Quadrilha Bambolear, Sr. Michelle Rocha de Lima; do Diretor de Quadrilha Arrocha o Nó, Sr. Wellington Miranda dos Reis; e também os integrantes da Quadrilha Saca Rolha e demais integrantes de todas as nossas quadrilhas.
Quero registrar também a presença da nossa Segunda-Secretária da Embaixada da República Socialista do Vietnã no Brasil, Le Thi Van Hanh, e também agradecer a presença de todos.
Convido todos agora a assistir um vídeo institucional.
(Procede-se à execução de vídeo institucional.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Convido também para compor a Mesa o Sr. Josivaldo, Presidente da União Junina Brasiliense. (Palmas.)
Convido também o diretor da Liga Independente de Quadrilhas Juninas do DF (Linq-DFE), Sr. Lucas Martins. (Palmas.)
Passaremos agora a acompanhar a exposição da Sra. Niedja Gennari.
A SRA. NIEDJA GENNARI – (Interpretação narrativa.) Salve, salve, minha gente, em cordel, quero contar a história de uma tradição que devemos preservar. É a quadrilha matuta, um festejo popular, dançada no mês de junho, no Brasil especialmente e no Distrito Federal também se faz presente.
O povo se esforça para viver alegremente. A quadrilha é um misto de teatro, música e dança, onde aquilo que é cantado a plateia embalança e agrada do mais velho à mais nova criança. Baião, xote e xaxado, nosso forró pé de serra, são tocados por sanfona, só quem sabe é que não erra. O triângulo, a zabumba, fazem o som da nossa terra.
Uns dizem que foi na França, outros, na Inglaterra onde a quadrilha surgiu, mas aqui em nossa terra fora bem assimilada pelo homem pé de serra.
Do sítio, vila, cidade a mulherada adorou. Foi uma festividade que no Brasil se espalhou. E, por resistir ao tempo, é sinal que tem valor. Em 1808, fugindo de Portugal, navegando em caravelas, chegou a corte real portuguesa ao Brasil, motivo nada banal, Napoleão Bonaparte ameaçou invadir Portugal e quem tentasse o comércio insistir com o povo da Inglaterra era ordem a se cumprir.
Dom João, rei de Portugal, manteve com a Inglaterra o comércio, mas depois viu que ia dar em guerra, temendo Napoleão, aportou em nossa terra. Com ele, além da Corte, veio o desenvolvimento, a divulgação da arte, um certo investimento em cultura e educação e festa a todo o momento. Como as danças em palácios lá na Europa trazidas nos salões, iam só pessoas ricas e bem-vestidas em seus trajes luxuosos, retratos de boas vidas.
Com o tempo, o povo simples essa dança conheceu, mas não gostou do que viu. E, por isso, resolveu fazer uma adaptação. Veja só o que sucedeu. A música lenta e suave foi logo modificada. Entrou um ritmo mais forte, mais alegre e foi usada uma orquestra diferente da que era apresentada. O piano deu lugar à sanfona e também à zabumba e ao triângulo, trio que, sabemos, vem do nosso bom forró, som bonito que entretém.
Foi o povo do interior o primeiro a dançar a quadrilha desse jeito. E logo passou a usar as roupas que eram típicas do seu lugar. Assim, veio o chapéu de palha, vestido ou saia de chita, a calça bem remendada, florada, mas bem bonita. A camisa xadrez, gravata e laço de fita, a sandália com rolete, alpergata ou botina, o lenço branco de seda, um toque de gente fina, e também o xale de renda no pescoço da menina. Outros tantos adereços enfeitam o povo a dançar, a quadrilha que, em pares, possa se apresentar, festejando um casamento e a colheita do lugar.
Celebra-se um casório que o noivo nunca quer, não importa se ele é feio e se ela é bela mulher. O noivo sem compromisso no meio do arrasta-pé. Geralmente o pai da noiva é o coronel do salão, é quem comanda a quadrilha, festejando São João, São Pedro e Santo Antônio, o colher milho e o feijão.
Monta-se o arraiá, repleto de bandeirinhas, de balão, fitas e palhas, de coqueiro, corda e linha. Com a palha de bananeira, soltam-se traque e chuvinha, soltam-se bombas e fogos, mas com o devido cuidado.
A fogueira, já acesa, aquece os namorados. Faz-se adivinhação. Come-se milho assado. Do matuto lá da roça mantém-se o linguajar: "Coronê marinou, sô!", "muiê", "paioça", "trepá", "traquino", "besta", "cagado" – Vixe Maria! – "lascado".
Enquanto a quadrilha ensaia a sua apresentação, são preparadas comidas especiais à ocasião: pamonha, bolo, canjica, mugunzá, milho, baião. Bebe-se pinga ou quentão. É bom não exagerar! Uma é suficiente, não é para se embriagar. Em frente à fogueira, é fácil se encontrar.
Ainda hoje as pessoas que uma tradição mantêm, ao escolherem padrinhos e madrinhas, também pedem bênção. Cantam, rezam, pulam o fogo, dizem amém.
E é esse o clima que envolve nossa quadrilha junina. E no meio do pavilhão o coronel bem ensina os passos para a criança, para o adulto, jovem menina. O idoso também dança. Só quem não quer fica fora: "Alavantú! Anarriê! Balancê!" a toda hora.
E, no caminho da roça, meia volta e vamos embora. E as zupas vão dançando, as damas, os cavalheiros, a noiva, o noivo, o padre, a cigana, o seu parceiro, soldado trabalhador, e a mulher do roceiro. Tem criança, cangaceiro, tem príncipe e tem princesa, juiz, rainha do milho, sinhá-moça camponesa, marinheiro e coronel, falando à la francesa.
Forma-se uma grande roda, o povo todo a gritar: Olha a chuva! Olha a cobra! Vamos nos cumprimentar! Fazer túnel e serrote e o bom baião dançar. Olha-se o balão subindo, as estrelas no céu, agradecemos a Deus por não vivermos ao léu e, vez em quando, se ouve um poeta de cordel. Meu sonho é que a quadrilha nunca venha a se acabar. Que haja festival, concurso, que todos possam dançar e, se depender do nosso Senador, esse costume nunca vai acabar.
Essa é uma homenagem do Senador Izalci Lucas aos quadrilheiros juninos do Distrito Federal. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Quero cumprimentar aqui o nosso Presidente Nacional da Confederação Brasileira de Entidades Juninas, o nosso querido Hamilton Teixeira do Santos, nosso querido Tatu; cumprimentar também o Presidente da Associação dos Forrozeiros do DF, Sr. Marques Célio Rodrigues de Almeida; cumprimentar o Presidente da Liga Independente de Quadrilhas do Distrito Federal e Entorno, Sr. Bruno Anderson; cumprimentar o Diretor da Liga Independente de Quadrilhas do Distrito Federal, Sr. Lucas Martins; cumprimentar o Gerente de Cultura da Administração Regional de Brazlândia, Sr. Duarte Totó; e também o Josivaldo, que é Presidente da União Junina Brasiliense; cumprimentar todos os quadrilheiros, todos os convidados.
O grande escritor nordestino, o paraibano Ariano Suassuna disse, com muita propriedade, que "toda arte é local antes de ser regional, mas, se prestar, será contemporânea e universal".
Senhoras e senhores, as festas juninas chegaram ao Brasil com a vinda da Corte à colônia portuguesa. Inicialmente era uma festa restrita aos palácios, mas, aos poucos, em pouco tempo, se tornou popular com a união dos rituais indígenas para celebrar a agricultura na colheita da mandioca e do milho e a vinda dos jesuítas com suas festas religiosas.
Alguns estudiosos afirmam que as festas juninas trazem grande influência da cultura dos portugueses, dos chineses, espanhóis e franceses. Segundo eles, da França veio a dança quadrille, os fogos de artifícios chegaram da China e a dança com as fitas teria vindo de Portugal e da Espanha.
Há controvérsias sobre essas influências, mas é certo que a quadrille francesa chegou ao Brasil, se popularizou e se fundiu com as danças que já existiam em nossas terras. Quem já dançou quadrilha conhece os termos franceses abrasileirados como anavantur, anarriê, travessê e sangê que, juntos com os portugueses "caminho da roça", "aí vem chuva", "olha o túnel" e "a ponte caiu", dentre outros, compõem os passos e gestos da quadrilha junina.
Estamos aqui hoje homenageando os milhares de brasileiros que fazem da quadrilha junina o ponto alto dessa festa que movimenta todas as cidades e embala todo o Brasil por pelo menos 30 dias.
Além da alegria, da dança, da música e das comidas típicas presentes nestas comemorações, os três santos católicos, Santo Antônio, São João e São Pedro, são homenageados no mês de junho.
Os grupos viajam se apresentando e concorrendo em festivais espalhados por todo o Brasil. Aqui na Capital federal, grupos do DF colecionam títulos e já representaram o Brasil na Europa, se apresentando em vários países. Hoje os Estados têm suas próprias entidades e, nacionalmente, são representados na confederação que os congrega.
Nossa festa junina deixou de ser local e regional, ela já é universal. Ela é arte pura! Mas, apesar da intensidade dos folguedos no mês de junho, grupos profissionais se apresentam em festas e participam de concursos durante vários meses por ano. A preparação com ensaios, seleção de temas e confecção de roupas começa já no mês de janeiro.
Senhoras e senhores, para além da alegria, da música, da dança e dos folguedos, as festas juninas trazem números que surpreendem. Somente nas festas de Caruaru, Campina Grande, Mossoró, Aracaju e Santo Antônio de Jesus, são mais de 7 milhões de pessoas que participam.
Se pensarmos em termos de Brasil, esse número chega a 30 milhões de pessoas. Gera-se emprego e renda. Os comerciantes dizem que o aumento das vendas este ano, mesmo com a crise, ultrapassa os 10% e, embora o País ainda esteja passando por momentos difíceis na economia, parece que a esperança por dias melhores está voltando aos corações, às mentes e aos bolsos dos brasileiros.
Estamos aqui em festa celebrando o Dia Nacional do Quadrilheiro Junino. Uma homenagem a todos nós que amamos nossa cultura, nossas tradições e, sobretudo, acreditamos no nosso País e em nossa gente, que trabalha e produz.
Faço essa homenagem, como sempre a fiz, sem adiar. Houve um tempo em que, nessa homenagem, muitos fugiram com medo de aparecer como quadrilheiros. Acho que nem imaginaram que aqui somos da arte e do coração.
Meus amigos e minhas amigas, no início deste pronunciamento, usei uma frase do grande escritor paraibano de nascimento e pernambucano de coração Ariano Suassuna, que disse muito bem que a arte deve ser contemporânea e universal.
A arte de vocês saiu do local, das fazendas e dos rincões para as regiões e hoje é universal. Vai permanecer geração após geração aqui e em outros cantos do mundo.
Vamos celebrar sempre a festa do povo que rompeu as barreiras do tempo e as fronteiras do País. Viva Santo Antônio, viva São João e viva São Pedro, os nossos padroeiros juninos e de fé desse nosso grande Brasil.
Obrigado a cada um de vocês, a todos os quadrilheiros aqui presentes e também espalhados em todo o País.
Quero fazer agora também uma homenagem especial a três representantes das nossas quadrilhas e, para recebê-los, chamo, aqui na tribuna, Luciano Cosme, da Quadrilha Triscou Queimou. (Palmas.)
(Procede-se à entrega do certificado ao Sr. Luciano Lima Cosme.)
O SR. LUCIANO LIMA COSME – (Para discursar.) – Boa tarde. É uma honra eu estar recebendo esse prêmio aqui hoje. Isso aqui é um pedacinho de cada um, porque todos ensaiam muito. É de janeiro a janeiro, não é isso, gente?
E eu me sinto honrado, Senador, Mesa, Tatu, Bruno, porque é difícil fazer quadrilha junina sem recursos. A gente faz muito com amor. E tem mais amor do que dinheiro. E assim a gente viaja o Brasil inteiro, às vezes tira do bolso – estou nervoso mesmo, normal – e tenta fazer o melhor, representar esse nosso Estado, essa nossa cultura com muita pesquisa, com muito amor. Isso é quadrilha junina.
Muito obrigado, Senador. Muito obrigado a todos. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Convido também, para receber essa homenagem, Diones da Silva Mendanha, da Quadrilha Pinga em Mim. (Palmas.)
(Procede-se à entrega do certificado ao Sr. Diones da Silva Mendanha.)
O SR. DIONES DA SILVA MENDANHA – (Para discursar.) – Boa tarde a todos e a todas.
Quero cumprimentar a Mesa na pessoa do Sr. Senador Izalci Lucas e dizer que para mim é uma honra fazer parte desse momento tão importante para o Movimento Junino do DF e Entorno, pois ser quadrilheiro faz parte da minha alma, da minha essência e da minha vida há mais de 30 anos. Foi em quadrilha junina que eu fiz grandes amigos e grandes amores. E que amores, viu, gente? Deu trabalho.
Fico muito feliz em ver este Plenário tão colorido e mais feliz ainda em poder confirmar, com muito orgulho, que o Movimento Junino tem um porta-voz nesta Casa. Quero agradecer, de coração, ao Sr. Senador Izalci Lucas por proporcionar, com o seu fomento, a continuidade de vários grupos aqui presentes, inclusive o meu, quadrilha junina Pinga em Mim. (Palmas.)
Apesar das dificuldades que as quadrilhas enfrentam, que são muitas – estou nervoso, viu? –, quadrilheiro de verdade não se deixa abater. Muito pelo contrário: com criatividade, amor, garra, fé, união, foco, respeito, esperança e fé, muita força de vontade, nós, quadrilheiros, transformamos tudo isso em uma grande festa de emoção.
Obrigado, meu Deus, meus familiares, minha quadrilha junina Pinga em Mim, por acreditar que juntos podemos mais.
Agradeço à Linq-DFE e a todos os afiliados por terem nos recebido com muito amor e muito respeito.
Não posso deixar de agradecer à Edileuza, essa mulher guerreira, porque, através dela, o Senador Izalci pôde conhecer profundamente o Movimento Junino de Brasília e do Entorno.
Obrigado, gente. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Convido também, para receber essa homenagem, o Tio Pedro, da quadrilha Os Banguela. (Pausa.)
O SR. TIO PEDRO (Para discursar.) – Muito boa tarde, senhoras e senhores; boa tarde à Mesa, na pessoa do Senador Izalci Lucas.
Quero, neste momento, parabenizar todas as pessoas que fazem parte dos grupos de quadrilhas juninas, especialmente os dirigentes dos grupos de quadrilhas, porque, se não fossem eles, dificilmente as quadrilhas juninas existiriam.
Mas eu quero aproveitar o momento e dizer: Dr. Senador Izalci Lucas, queremos agradecer ao senhor, de coração, por vestir a nossa camisa e entender que o trabalho que fazemos é muito mais do que dançar quadrilha; é simplesmente tirar as pessoas da rua.
Em 2015, eu estava vendo uma entrevista, se eu não me engano, de um cidadão, um rapaz da quadrilha junina Chapéu de Palha, de Samambaia, que dizia que, naquele momento, o jovem poderia estar em qualquer lugar, mas, se ele estivesse dançando quadrilha, ele estaria em um bom lugar. Ali existe a oportunidade de se retirar o jovem de situações de risco que são colocadas em todo momento hoje em nosso País. Infelizmente, é uma grande verdade isso. Então, as pessoas que dançam quadrilha fazem muito mais do que simplesmente o resgate da cultura, mas o resgate do jovem, do cidadão de uma situação de risco, encaminhando-o para um bom caminho.
Eu tenho um sonho – e aqui eu peço um momento de atenção dos diretores das instituições que se fazem presentes aqui na Mesa e do Senador Izalci – de fazer com que todas as pessoas que dançam quadrilha, em um dia, possam sobreviver disso; que possam ser remuneradas. Não é justo que todas as pessoas trabalhem e trabalham muito... Como já foi dito aqui, o pessoal ensaia as quadrilhas juninas de janeiro a janeiro, e, quando se vai fazer uma apresentação, as pessoas não valorizam esse potencial que cada um tem e se dispõe a fazer. Então, é justo e é um sonho que eu tenho – de repente, eu não consiga alcançar – e, com a ajuda do Senador... Depois a gente vai conversar a respeito disso, está bem, Senador? Aproveito o momento para dizer que um sonho que eu tenho é que todas as pessoas dançarinas de quadrilha junina possam ser remuneradas pelo trabalho que fazem.
É tão bonito isso. Eu gosto. Dancei quadrilha há muito tempo, quando era criança ainda, mas hoje eu caminho junto com a quadrilha e não tenho vergonha disso, porque sei que é um trabalho muito difícil, muito árduo, mas muito bom.
Por isso, eu agradeço a todos mais uma vez.
Quero parabenizar todas as pessoas que se fazem presentes aqui hoje. O que se busca realmente é o trabalho de quadrilha junina porque ele é – vamos dizer assim – a base de tudo.
Muito obrigado, Senador. Muito obrigado, Lucas. Muito obrigado, Anderson, Tatu e Josivaldo.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Convido ainda, para receber esta homenagem, Patrese Ricardo Mendes, Coordenador da Formiga da Roça. (Palmas.) (Pausa.)
O SR. RICARDO MENDES (Para discursar.) – Boa tarde!
Um minuto é pouco para falar de quadrilha.
Primeiramente, quero parabenizar o Senador Izalci, que sempre se engajou e se determinou a prestar os seus serviços da melhor forma possível ao movimento junino, independentemente das esferas sociais, e parabenizar também a Linq-DFE, na presença do nosso Presidente Bruno, nosso Diretor Lucas, Vice-Presidente, Ketelly. Não podemos esquecer do nosso anjo, porque, de fato, é a pessoa que abraça de coração, com toda a determinação e amor, que é a nossa amiga Edileuza. Ela é uma pessoa das nossas raízes e conhece, de fato, as nossas dificuldades lá, ao pé da letra, como o nosso Senador.
Mas eu quero levantar aqui uma situação e até uma questão para a gente refletir um pouquinho sobre o Movimento Junino – eu já falei isso também lá na Câmara Legislativa e volto a falar aqui –: hoje, este momento é um momento especial, um momento bonito, mas, de fato, não é reconhecido pelos nossos governantes. Hoje, aqui dentro, está bonito, está colorido, mas aqui encontramos pessoas da beca preta que, muitas vezes, não têm um olhar diferenciado para o Movimento Junino. E o Izalci foi um quebrador de paradigma neste momento e nos últimos anos, nos últimos cinco anos, acompanhando isso de perto e reconhecendo a realidade de cada grupo, indo de grupo em grupo e conhecendo o trabalho que nós desenvolvemos de cunho social, cultural, dentro das nossas comunidades.
E a cada R$1 investido, Senador, o Governo tem, de fato, R$5 de retorno. E, volto a falar, as tabelas que saíram nas últimas edições do Ministério da Cultura, Fundação Getúlio Vargas, fontes de referência, comprovam isso. Mas, de fato, esses valores, às vezes, não chegam ao Movimento Junino. E precisamos, Senador, com o seu apoio, como sempre, fazer com que, cada vez mais, o Movimento Junino seja reconhecido como de cunho social, cultural e que possa ser reconhecido como patrimônio histórico pelo Iphan. E não só isso! Os grupos precisam ter um espaço para fazer os seus trabalhos dentro das comunidades, porque a gente não tem sequer um local para guardar nossos pertences, nossas coisas, nossas vestimentas, nosso cenário, nosso material. Então, fica aqui o meu apelo.
Muito obrigado.
Parabéns por esta sessão! O senhor é um quebrador de paradigma e o senhor está mostrando que é possível fazer valer a pena com esse movimento que é uma representação simbólica do Distrito Federal.
Obrigado.
E obrigado, Edileuza, pelo carinho e o apoio. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Quero reforçar ainda realmente estas dificuldades que o movimento encontra, a falta de apoio realmente. O nosso País ainda não valoriza a cultura como deveria, em especial essa arte tão importante para todos nós.
Então, quero aqui dar os parabéns a todos por esse magnífico trabalho em prol da nossa cultura popular. Parabéns a cada um de vocês! (Palmas.)
Antes de passar a palavra para os demais, eu quero aqui registrar a presença do Cacá Silva, apresentador do Circuito Gonzagão, da União Junina; registrar a presença também da Isabela Ornelas, representante da Secretaria de Cultura; da Joseane Araujo, Assessora Parlamentar representando aqui o Deputado Distrital Daniel Donizet.
E passo, imediatamente, a palavra ao nosso representante aqui do Governo do Distrito Federal, Gerente de Cultura da Administração Regional de Brazlândia, Sr. Duarte Totó.
O SR. DUARTE TOTÓ (Para discursar.) – Quero cumprimentar o Senador Izalci Lucas; o Presidente Nacional da Confederação Brasileira de Entidades Juninas, Sr. Hamilton Teixeira; o Presidente da Associação dos Forrozeiros do Distrito Federal, Sr. Marques Célio; o Presidente da Liga Independente de Quadrilhas do Distrito Federal, Sr. Bruno Anderson.
Quero cumprimentar a todos que de certa forma estão ligados às quadrilhas. Aos quadrilheiros do Distrito Federal quero parabenizar pelo Dia Nacional do Quadrilheiro Junino.
Quero cumprimentar também o Prof. Humberto, Coordenador Regional de Ensino da minha cidade de Brazlândia, e o ex-Administrador, Prof. Nilson.
Quero dizer à nossa colega de Planaltina, à Lucineide: você tem todo o nosso apoio em Brazlândia para que nós possamos fazer uma parceria. Quem sabe você leva um grupo ou grupos de quadrilha para apresentar em nossa cidade, que está de braços abertos, de portas abertas para recebê-la e receber todo esse pessoal. (Palmas.)
Brazlândia e Planaltina se parecem muito na questão de cultura, só que Planaltina está bem à frente de Brazlândia. Nós tínhamos no passado vários grupos de quadrilha. Infelizmente, hoje nós não contamos mais com esses grupos tradicionais. Vale lembrar aqui que nós tínhamos um grupo campeão, que foi o Caipirincra. Está dentro do nosso projeto cultural fazer o resgate dessa cultura tão importante para a nossa cidade. E nós queremos aqui contar com a sua participação e também com o apoio do nosso Senador Izalci Lucas.
Não quero tomar mais tempo, apenas parabenizar cada um de vocês quadrilheiros do Distrito Federal e especialmente vocês de Planaltina.
Muito obrigado e que Deus abençoe a todos! (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Passo a palavra ao Presidente da União Junina do Distrito Federal, Sr. Josivaldo Silva.
O SR. JOSIVALDO SILVA (Para discursar.) – Boa tarde a todos.
Quero cumprimentar toda a Mesa na pessoa do nosso Senador Izalci e dizer para vocês que é sempre importante a gente celebrar, comemorar esse dia tão importante, esse dia nosso, mesmo sabendo que a gente poderia estar mais em festa. Mais uma vez, se não fosse o Senador olhar para o movimento, que realmente destina seu recurso para o fomento, o Movimento Junino não teria recurso. Estamos dançando em ótimos palanques, em ótimos cenários, mas quem está gerindo isso não é o próprio movimento. Eu tenho certeza de que grupo nenhum aqui ganhou nem um real até agora e está tendo suas despesas, mantendo esse espetáculo.
Espero que os nossos governantes escutem as entidades. Quando a gente vai a uma secretaria ou a um ministério atrás de recursos, não é para as entidades; é para que cada um de vocês, quando chegar ao "arraiá", abrilhantar a festa, não estar com a corda no pescoço, como a maioria dos dirigentes aqui estão. Estão devendo ônibus, estão devendo lanche, estão ainda devendo esse traje que vocês estão usando, porque muitas vezes o dançarino não tem nem condições de comprar a sua sandália. Pelo menos nós ainda temos um defensor da nossa cultura, que é o Izalci; todos os recursos dele vão diretamente para vocês. É o único recurso que, eu tenho certeza, vai para dentro da quadrilha; não vai para terceiros.
Há uma coisa pela qual eu venho lutando junto à União, até com a Liga de Quadrilha: nós somos os gestores do nosso movimento. Eu não preciso que ninguém me represente para fazer a nossa cultura, não. A União Junina consegue fazer o seu circuito, como eu acredito que a Linq-DFE também consegue. Então, qual é a dificuldade de a gente conseguir fazer isso? É um apelo que eu faço junto ao Senador aqui, e peço uma força junto a vocês: que nos próximos anos a gente não precise de representante, nós já representamos nosso movimento.
Mais uma vez, quero parabenizar o Senador e agradecer a todos pela presença. E que a gente não desista e sempre acredite que a gente possa fazer o movimento melhor. Eu acho que Brasília é o único Estado em que o Movimento Junino dura três meses. Fala-se de um mês de São João. Eu quero ver é fazer três meses de quadrilha igual a gente faz aqui em Brasília!
É só isso que eu tenho para falar para vocês.
Muito obrigado a todos! Muito obrigado, Senador! (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Quero registrar a presença do Luizão do Forró, Diretor da Assforró, e registrar também a presença de Anastácio Oliveira, que é cantor e compositor e Diretor também da Associação Assforró; a presença do Secretário-Executivo de Turismo do DF, Sr. Estevão Reis; do Presidente do Conselho de Desenvolvimento do Distrito Federal, José Eugênio Piedade Rodrigues; do Administrador Regional de Brazlândia, Sr. Jesiel Costa Rosa; da Vice-Presidente da Liga Independente de Quadrilhas do Distrito Federal, Sra. Ketelly Nonato; do Presidente da Associação dos Músicos e Artistas Populares do Distrito Federal e Entorno, Sr. Cacá Silva; da Presidente da Quadrilha Vira & Mexe, de Luziânia, Goiás, Sra. Dalilian Motta Meireles; do Presidente da Quadrilha os Caboclos do Sertão, de Planaltina, Distrito Federal, Sr. Genildo Duarte dos Santos; do Presidente da Quadrilha Os Banguela, de Valparaíso, Sr. José George Souza Ribeiro; do Presidente da Quadrilha Triscou Queimou, Sr. Luciano Lima; do Presidente da Quadrilha Caipiras de Fé, da Ceilândia, aqui do DF, Sr. Pedro Vitor Lopes; do Presidente da Quadrilha do Povão, da Estrutural, também aqui do DF, Sr. Raimundo Abreu; da Presidente da Quadrilha Senhor Bom Jesus, da Ceilândia, Sra. Samara Rosa de Albuquerque; do Diretor da Quadrilha Pula Fogueira, do Itapoã-DF, Sr. Diego Silva Reis; do Diretor da Quadrilha Caipirada, Sr. João Paulo Farias de Souza; do Sr. Robielisson Medeiros, do Instituto Sport Inside Brazil.
Convido agora para fazer uso da palavra o Diretor da Liga Independente de Quadrilhas do Distrito Federal, Sr. Lucas Martins. (Palmas.)
O SR. LUCAS MARTINS (Para discursar.) – Boa tarde a todos! Boa tarde, gente! Oi, pessoal!
(Manifestação da galeria.)
O SR. LUCAS MARTINS – Aí, melhor!
Quero cumprimentar a Mesa na pessoa do nosso amigo e Senador Izalci Lucas.
Quero dizer que esse momento é muito importante para a gente e, antes de fazer uso da fala, Senador, eu queria dizer que esse é um momento muito especial, porém também é um momento muito triste para o Movimento Junino. Hoje, pela manhã, eu recebi a notícia – e muitos aqui não vão conhecer, mas quem tem muito tempo de quadrilha vai conhecer – de que o Gil, da Caipirincra, que o senhor citou, faleceu hoje, pela manhã. Que Deus possa confortar toda a família, que possa dar um bom lugar a ele.
Quero dizer que ele foi o precursor das quadrilhas no sentido de inovação, de fazer uma quadrilha bonita. Eu me lembro, como se fosse hoje, de que eu era menino quando vi a Caipirica colocar um animal vivo dentro das quadrilhas juninas, que foi a Grampola, uma jumenta. Isso ficou marcado por muito tempo. E acredito que as pessoas vão lembrar.
Então, fica aqui a nossa homenagem.
Eu queria uma salva de palmas ao Ju, da Caipirica. (Palmas.)
Senador, eu estou aqui para agradecer ao senhor por, mais uma vez, abrir a porta, hoje, do Senado – fico feliz por o senhor estar aqui no Senado –, para o Movimento Junino. O senhor é guerreiro e sabe da nossa luta. Então, eu só tenho a agradecer por esta parceria, por tudo o que tem feito por nós e pelas lutas. E pedir que continue dessa forma.
O Movimento Junino tem se organizado, o Movimento Junino tem brigado para que nós possamos, juntos, ocupar o lugar devido, que nós merecemos. Hoje encontramos uma dificuldade muito grande dentro do cenário de Brasília para que possamos nos apresentar, como o nosso amigo Josivaldo falou. Mas eu acredito que poderemos, de forma organizada, superar esse momento e dizer que, para o ano que vem e os outros anos, possamos ter momentos melhores.
Quero aqui registrar também a importância deste dia, agradecer aos grupos da Linq-DFE, que fizeram um esforço para estar aqui hoje. Cadê o pessoal da Linq-DFE? Deem-me um alô.
(Manifestação da galeria.)
O SR. LUCAS MARTINS – Obrigado.
Eu sei que hoje nós temos uma etapa lá em Planaltina do Goiás – viu, Senador –, então muitos grupos estão saindo daqui de Brasília e indo a Planaltina do Goiás para começar a nossa segunda etapa do módulo de acesso. Mas antes estão aqui cumprindo e agradecendo, junto com a nossa diretoria.
Hoje nós temos um circuito que é o Brasília Junina, um circuito pelo qual a gente lutou e tem visto acontecer, mas não da forma como a gente merece ou queria. Mas vamos findar este ano e dizer que vamos cumprir com nossa obrigação e finalizar as etapas da Linq-DFE na semana que vem, começando na quarta-feira e finalizando no domingo, com o módulo de acesso e o módulo especial.
Estamos finalizando o 19º Circuito de Quadrilhas Juninas da Linq-DFE. São 19 anos na estrada. São 19 anos na luta, fazendo a cultura popular, gerando milhares de empregos, fazendo circular a economia criativa.
Quero dizer que o Movimento Junino no DF talvez só perca para o Natel em termos de venda, porque é aqui que a gente compra tecido, é aqui que a gente contrata costureira, é aqui que a gente contrata serralheiro...
(Soa a campainha.)
O SR. LUCAS MARTINS – Não se assustem, não, gente!
... é aqui que a gente contrata serralheiro. Então, a gente faz gerar a economia criativa.
O Movimento Junino hoje conta com mais de 5 mil brincantes diretamente e mais de 20 mil pessoas indiretamente. Então, é um movimento forte dentro do Distrito Federal e do Entorno, que só tende a crescer.
Para finalizar minha fala, quero fazer um convite a todos para que compareçam à grande final na semana que vem da Línq-DFE. No final de semana seguinte, dias 27 e 28, estaremos realizando o 15º Concurso Nacional de Quadrilhas, Confebraq, na cidade do Cruzeiro.
Então, vamos receber aqui mais de 16 Estados, ou seja, 19 grupos se apresentarão na cidade do Cruzeiro, nos dias 27 e 28. Então, não deixem de prestigiar. Vamos receber no Distrito Federal, na nossa Capital, todos os Estados, com a quadrilha junina vinda de todo o Brasil. Isso é sinal de que Brasília está organizada, de que Brasília tem quadrilha junina, sim, e que a gente é muito feliz no que faz.
Para encerrar minha fala, digo a vocês que são brincantes: nunca deixem ninguém atrapalhar o sonho de vocês. O que eu disse para vocês na Câmara Legislativa vou dizer novamente: eu, quando tinha 13 anos, em 1997, sonhei um dia em dançar quadrilha na Europa, em Portugal, onde ela surgiu. Diz a história que ela surgiu na França e em Portugal. Em 2017, depois de 20 anos, consegui realizar meu sonho e pude dançar quadrilha na Europa. Então, não desistam do sonho de vocês. Independentemente da quantidade de anos que a quadrilha de vocês tem, vocês podem lutar, que um dia Deus vai abençoar vocês, e vocês vão conseguir realizar seus sonhos através da quadrilha junina.
Meu muito obrigado. (Palmas.)
Obrigado, Edileuza!
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Convido também para fazer uso da palavra o Presidente Nacional da Confederação Brasileira de Entidades Juninas, Sr. Hamilton Teixeira dos Santos, conhecido como Tatu: "Tá" tudo bem! (Risos.)
O SR. HAMILTON TEIXEIRA DOS SANTOS (Para discursar.) – Boa tarde!
Primeiramente, quero agradecer a Deus por estar mais uma vez aqui. Estou no Senado pela primeira vez, depois de estar por três vezes na Câmara. Estou aqui com o Izalci. Quero agradecer.
Cadê a Edileuza? A Edileuza está por aí? (Pausa.)
Quero agradecer a você, que tem feito essa união entre o Movimento Junino, Edileuza, porque eu sei que é uma correria. Então, quero agradecer a você.
Quero agradecer a toda a Conaqj, que é a Confederação Nacional das Quadrilhas Juninas do Brasil, da qual, no último dia 24 de março, eu me tornei o Presidente Nacional. Quero agradecer aos 18 Estados por terem confiado em mim, aqui em Brasília. Quem diria que um cara, saindo daqui, de Samambaia, um cara baiano de Riachão das Neves estaria hoje comandando o Movimento Junino? Isso ocorreu graças ao esforço e à persistência que eu tive dentro do Movimento Junino.
Por às vezes enfrentar o sistema, eu me tornei o Tatu, marcador de quadrilha junina, um cara que foi por sete vezes campeão brasileiro com a nossa quadrilha junina Pau Melado; um cara que venceu por cinco vezes o Arraiá Brasil; um cara que venceu, quando muitos não acreditavam, o Iguatu Festeiro, em 2005. Eu tive força para sair do Distrito Federal e para vencer as potências do Nordeste lá dentro. O Nordeste, a gente o respeita, mas ele, no decorrer desses últimos 15 anos, tem respeitado muito o Distrito Federal. Independentemente do grupo de quadrilha junina que tem saído de Brasília para disputar fora daqui, ele respeita muito o grupo do Distrito Federal.
Fico um pouco chateado com a questão do Distrito Federal, com essa evolução muito grande que vem para Brasília, uma evolução que vai fazer com que os grupos de quadrilha junina se acabem. Vocês estão vendo aqui a reclamação da Linq-DFE, vocês veem aqui a reclamação do Josivaldo, que é o nosso Presidente da União Junina. Preocupa-me muito essa evolução toda. Brasília tem sua tipicidade e seu estilo próprio de dançar.
Eu, Tatu, tenho 30 anos dentro do Movimento Junino e 20 anos dentro do meu grupo de quadrilha junina Pau Melado. Há 20 anos, estou marcando quadrilha junina. Hoje, meu filho, com 20 anos; minha filha, com 14 anos; e meu neto, com um ano e meio, dançam comigo também na quadrilha.
No próximo dia 4 de agosto, no Campeonato Brasileiro, junto com a Conaqj, nos dias 2, 3 e 4, em Samambaia-DF, estarei me aposentando da marcação de quadrilha junina. Mas o Tatu agora... Acho que já fiz pelo Movimento Juninho, marcando, o que eu tinha de fazer. A partir do momento em que eu pego a questão nacional, para ser o representante, isso é sinal de que o que está aí deixou algo vago.
E eu quero fazer um desafio aqui ao Senador. Primeiramente, quero agradecer em nome de cada dançarino que está aqui, independentemente de ser da Linq-DFE, da União Junina, da Conaqj, da Confebraq, independentemente de tudo. Eu queria dizer ao senhor que, quando chegam os meses de junho e julho, sempre, Brasil afora, o recurso para a gente acaba. Sempre o recurso, quando chega junho e julho, acaba, e eu falo isso no Brasil todo. É maravilhoso falar de Caruaru e Campina Grande – não estou aqui batendo em ninguém, não –, só que chega muito recurso, e desse recurso 40% são para as estruturas e 60% para as bandas de forró. Eu não tenho nada contra as bandas, eu até amo, principalmente o trio de forró, porque é o trio que tem que prevalecer dentro do Movimento Junino (a sanfona, o zabumba e o triângulo), mas eu quero dizer, Senador, que eu queria que se baixasse uma lei daqui de cima, daqui do Senado, já que Deus abençoou, com o apoio do Movimento Junino, a que o senhor chegasse a essa cadeira. Por sinal, o senhor é um dos únicos e legítimos representantes do Movimento Junino nesta Casa e na outra, a Câmara Federal; dos 513, o senhor é legítimo. O senhor não dançou quadrilha junina com este segmento nosso aqui, não, mas o senhor é o único do Distrito Federal que ainda confia e acredita. E o seu recurso chega de fato à ponta, chega ao grupo de quadrilha junina. Mas eu queria que se baixasse uma lei, de cima para baixo, para dizer bem assim: o Município, o Estado que for fazer uma competição ou que for fazer um São João, no seu Município, deve destinar 20% daquele dinheiro para o fomento das quadrilhas juninas – porque você só vai ter o São João se você tiver as quadrilhas juninas. Ora, quando você vai, por exemplo, a uma cidade aqui ou ali, você chega lá e há quatro, cinco bandas recebendo R$300 mil, R$400 mil. E para chegar a R$1 mil de um lanche para um grupo de quadrilha junina... Ou, então, o seguinte: no transporte, há uma dificuldade imensa. Temos aí tanto o Campeonato Nacional que vai haver agora, que é da Confebraq, no final do mês, como também teremos o campeonato da Conaqj, que será nos dias 2, 3 e 4, aqui em Samambaia. E eu lhe digo: é uma dificuldade imensa um grupo desses chegar até aqui.
De novo: só não chega para o Movimento Junino. Não chega porque também, às vezes, muitos se acomodam dentro de suas casas e não invadem as câmaras de Vereadores; não pegam seus 10, 15, 20 grupos de quadrilha junina, vão para a frente de uma prefeitura dessas aí dizer assim: "Cadê o fomento do ano que vem do Movimento Junino?". É muito fácil eu chegar aqui agora, como Presidente Nacional, e falar só o que está bonito. Não está bonito, não, gente! O Movimento Junino está na UTI. Poucas quadrilhas juninas no Brasil, independentemente do Estado, aquelas que têm a sua potência grande e que têm, digamos assim, os seus patrocinadores grandes, essas estão sobrevivendo. As quadrilhas pequenas não estão dando conta mais de manter o Movimento Junino, mesmo porque a grande maioria do Movimento Junino hoje é composta por jovens que às vezes não trabalham. E aí como é que o Presidente do grupo vai ter um fomento desses? Por exemplo, há grupos aqui que queriam estar com 30 casais, mas às vezes vêm com 12, 14 ou 16 porque não têm o subsídio.
Também quero dizer, como o Josivaldo falou – e aqui parabenizar bem, como também o Lucas falou –, que o Movimento Junino de Brasília e do Brasil tem que ser fomentado por quem é do Movimento Junino. Nós também vamos cumprir as nossas cinco etapas, como foi feito no Brasília Junina, por exemplo. E agradeço muito a Asforró, que abriu a sua causa – viu, Marques? – e veio fazer esse movimento nosso. Então, eu só tenho a agradecer, mandar um abraço a todo o Movimento Junino, independentemente de ser de entidade A, B ou C.
E quero dizer também o seguinte: a Constituição nos dá o direito de ir e vir. E aqui na Conaqj (Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas), há sete anos, no nosso estatuto, a quadrilha junina vai aonde ela quiser. Onde houver um local para ela dançar, onde houver um local para ela fomentar, ela vai fomentar.
E, nesses quatro anos, a partir do dia 4 de agosto, quando eu terminar a minha marcação de quadrilha junina, você que está no Brasil, que está me ouvindo agora aí: eu vou adentrar o seu Estado, eu vou adentrar o seu Município. Nós vamos fazer com que as prefeituras, as câmaras de Vereadores e as câmaras de Deputados Estaduais, de fato, façam a valorização do Movimento Junino. E que 20% desse recurso todo que é colocado dentro do São João com as emendas parlamentares, que 20% disso fique para o fomento das quadrilhas juninas.
Obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Quero agradecer também a presença do locutor oficial de todas as quadrilhas do DF, o Sr. Hélio de Aquino.
Quero registrar também a presença do Thal Matos, da banda Fole Moleque, de Sergipe.
Vamos ouvir agora então a execução da música Asa Branca, do compositor Luiz Gonzaga.
Com vocês, então, Asa Branca.
(Procede-se à execução musical.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Acompanharemos agora a execução do Hino Nacional do Quadrilheiro Junino: Viva os Quadrilheiros do Brasil!
(Procede-se à execução do Hino Nacional do Quadrilheiro Junino.)
(Manifestação da galeria.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSDB - DF) – Gente, eu quero, em primeiro lugar, agradecer a oportunidade de poder ajudar o Movimento Junino.
Acho que esta sessão especial, que está sendo transmitida para todo o Brasil, pode levar os governantes a darem uma atenção especial para essa cultura popular tão importante. Quem acompanha o movimento, como eu, e o tem acompanhado há alguns anos, sabe da dificuldade que vocês passam para conseguir esse movimento da quadrilha junina.
Ontem nós aprovamos aqui na Comissão Especial, vai ser votado depois no Plenário, a Medida Provisória nº 881, Tatu, da liberdade econômica, e um dos artigos da lei diz que os espaços públicos serão também, nos finais de semana, destinados à cultura, ao esporte, ao lazer, à comunidade.
Eu sou testemunha, porque presenciei, em várias oportunidades, muitos jovens aqui fazendo o ensaio nas ruas por falta de um espaço nas escolas. E as poucas escolas que deram espaço para isso não permitiam que tomassem água, que fossem ao banheiro.
Nós sabemos que muitos Municípios têm transporte escola – têm ônibus, muitos – e que poderiam muito bem ajudar no transporte das apresentações que, muitas vezes – eu acompanhei agora nas escolas, todos os grupos praticamente –, se apresentam gratuitamente nas escolas e na comunidade.
Eu espero, então, que esta sessão possa chamar a atenção das autoridades. (Palmas.)
Bem, gente, eu quero agradecer a presença de cada um de vocês.
E declaro, então, encerrada esta sessão solene.
Parabéns ao Movimento Junino! (Palmas.)
Quero aproveitar, ainda, e convidar todos vocês: segunda-feira agora, aqui, neste mesmo Plenário, nós faremos também uma homenagem, comemorando o Dia Nacional da Música e da Viola Caipira, que também é um movimento importante para todos.
Estão todos convidados para as 10h, na segunda-feira.
Um abraço a todos!
(Levanta-se a sessão às 16 horas e 32 minutos.)