1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
56ª LEGISLATURA
Em 3 de dezembro de 2019
(terça-feira)
Às 10 horas
237 ª SESSÃO
(SESSÃO DE PREMIAÇÕES E CONDECORAÇÕES)

Oradores
Horário Texto com revisão

A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.
É com especial alegria que declaro aberta esta sessão de premiações e condecorações do Senado Federal, destinada à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill.
Gostaria de convidar para compor a Mesa os Senadores: o Sr. Senador Flávio Arns, o Sr. Senador Marcos Rogério, o Sr. Senador Romário, a Sra. Senadora Zenaide Maia, a Sra. Senadora Soraya Thronicke. (Pausa.)
Composta a Mesa, convido todos para que, em posição de respeito, possamos acompanhar o Hino Nacional, que será cantado pelo meu conterrâneo Roninho do Acordeon, que veio de Campina Grande, cidade do meu Estado da Paraíba, para nos agraciar com este momento.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.) (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Ainda para compor a Mesa, gostaria de convidar o Senador Arolde.
Obrigada, Roninho.
Quero saudar todos os presentes e convidar a banda de alunos do Centro de Ensino Especial 01 de Taguatinga para tocar a música "Já sei namorar" do grupo musical Tribalistas, composto por Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte.
(Procede-se à apresentação musical da banda de alunos do Centro de Ensino Especial 01 de Taguatinga.) (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Gostaria de agradecer, em nome de todos os Senadores e agraciados aqui presentes, a presença dos estudantes e professores do Centro de Ensino Especial 01 de Taguatinga.
Gostaria de registrar a presença da Ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Sra. Fátima Nancy Andrighi; representando o Governador do Estado de Rondônia, o Superintendente de Integração do Estado de Rondônia em Brasília, Sr. Augusto Leonel; o Prefeito do Município de Moreilândia, em Pernambuco, o Sr. Eronildo Enoque de Oliveira; o Prefeito do Município de Xaxim, Santa Catarina, Sr. Lírio Dagort; a Prefeita do Município de São João de Iracema, São Paulo, Sra. Luciana Dias Rodrigues; o Coordenador-Geral da Associação de Treinamento de Educação Física Especial, Sr. Marcelo Ferreira; a banda que tocou aqui para nós, composta pelos alunos do Centro de Ensino Especial 01 de Taguatinga; como também o músico Roninho do Acordeon.
Aproveito para comunicar que a Secretaria de Editoração e Publicações, em parceria com a Secretaria-Geral da Mesa, disponibilizou exemplares em braile da Constituição em Miúdos e de livros com informações sobre os agraciados com a Comenda de hoje.
Minhas senhoras e meus senhores, é com muita satisfação que procedemos hoje à entrega da Comenda Dorina Nowill, depois de um hiato de dois anos.
Este ano é especialmente significativo, já que em 2019 comemoramos o centenário de nascimento da grande inspiradora deste prêmio, Dorina de Gouvêa Nowill, nascida em 28 de maio de 1919.
Dorina perdeu a visão aos 17 anos, mas soube transformar sua deficiência em força, superando seus próprios obstáculos por meio do esforço de melhorar a vida de todos os que compartilhavam sua condição.
Desenvolveu um método para a educação de crianças cegas, método que, depois de acolhido pelo Departamento de Educação do Estado de São Paulo, deu ensejo ao primeiro curso de especialização de educação de cegos da América Latina.
Recém-formada na Escola Normal, foi em 1946 para os Estados Unidos, onde se especializou em educação de cegos na Universidade de Columbia, em Nova York, como citamos. Voltando para o Brasil, retomou seu engajamento em favor das pessoas com deficiência visual até o fim da sua vida, em 2010.
Partiu de Dorina Nowill a ideia de criar uma biblioteca com textos em braile, projeto que frutificou e continua ativo por meio da Biblioteca Louis Braille, no Centro Cultural São Paulo. Foi a partir de seu esforço também que foi criado o Departamento de Educação Especial para Cegos na Secretaria de Educação de São Paulo. Alguns anos depois, garantiu nova conquista para as pessoas com deficiência, ao conseguir que fosse incluído em lei estadual o direito à educação inclusiva do cego. Trata-se, senhoras e senhores, de um marco fundamental na luta pela educação inclusiva no Brasil.
Sua luta extrapolou o Estado de São Paulo e ganhou alcance e visibilidade nacional e internacional. Em 1961, assumiu a direção da Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de Deficientes Visuais, primeiro órgão nacional voltado para a educação de cegos. Começava nesse instante a colher o reconhecimento de seu trabalho, iniciando sua extensa coleção de prêmios e homenagens no Brasil e no exterior.
Desde 1951, Dorina Nowill esteve à frente da Fundação para o Livro do Cego no Brasil, cuja presidência ocupou até seu falecimento. Em 1991, em reconhecimento de sua dedicação, a instituição adotou seu nome e passou a chamar-se Fundação Dorina Nowill.
Nunca é demais destacar o trabalho exemplar que a fundação realiza na promoção da inclusão das pessoas com deficiência. Em 2018, mais de 10,5 mil educadores passaram pelas diversas atividades promovidas pela instituição. Outros 1,5 mil profissionais participaram de palestras de conscientização a respeito da deficiência visual.
Mais de 6,7 mil alunos de escolas públicas paulistas participaram do projeto "Incluindo" com o Centro de Memória Dorina Nowill. Outros 2 mil visitantes passaram pelo Centro de Memória no ano passado.
A gráfica da fundação aumentou em 2018 a sua capacidade de impressão em braile de 280 mil para 450 mil páginas por dia. Cento e sessenta e quatro novos títulos foram lançados, com mais de 21 mil livros distribuídos nos formatos áudio, digital acessível e braile, beneficiando mais de 3 mil bibliotecas.
Esse, minhas senhoras e meus senhores, em breves traços, é o legado inestimável de Dorina Nowill.
Com a comenda que leva seu nome, o Senado Federal não apenas presta homenagem a esse trabalho exemplar, mas ainda faz um justo reconhecimento dos esforços de outras tantas pessoas e instituições que hoje continuam trilhando o caminho aberto pela dedicação pioneira de Dorina e, inspirados por seu exemplo, dão continuidade e ampliam sua luta pela inclusão e pelo bem-estar das pessoas com deficiência.
Dez foram os indicados para receber este ano a Comenda.
Na qualidade de atual Presidente do Conselho Dorina Nowill, quero aqui saudá-los e apresentá-los brevemente: o Instituto dos Cegos de Campina Grande trabalha, desde 1952, pela escolarização e inclusão de crianças, jovens e adultos com deficiência visual além de oferecer apoio e assistência social às famílias mais vulneráveis – o Instituto dos Cegos de Campina Grande fica no Estado da Paraíba –; a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação do Rio de Janeiro atende crianças, jovens e adultos com limitação de atividade motora, enfatizando a multidisciplinaridade e a integralidade de tratamentos; a Sra. Rosalina Lopes Franciscão, fundadora do Instituto Londrinense de Educação de Surdos, dedica-se há 60 anos à educação das pessoas com deficiência auditiva, e seu trabalho é hoje referência nacional – foi para inspiração do instituto que se tornou obrigatória, por lei, a realização gratuita do chamado teste da orelhinha em recém-nascido, que permite um diagnóstico tempestivo de problemas auditivos –; o Sr. Ulisses de Araújo, Doutor em Educação Física e atuante aqui no Distrito Federal, é responsável pelo primeiro programa de grande escala na empregabilidade de deficientes auditivos por meio da digitalização de documentos e desenvolve, com apoio do GDF, ações para inclusão da pessoa com deficiência nas áreas educacional e esportiva; a Dra. Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior, médica fisiatra com longa atuação na defesa e promoção dos direitos da pessoa com deficiência, foi a responsável pela gestão da acessibilidade da Conferência de Desenvolvimento Sustentável Rio+20, trabalho que lhe rendeu o reconhecimento da ONU; o Desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, cuja contribuição na elaboração de normas trabalhistas tem um papel fundamental na inclusão de pessoas com deficiência no mercado trabalho; o Hospital Santa Marcelina, de Rondônia, que é referência na confecção de órteses e próteses e no tratamento de deficiências auditivas e visuais na Região Norte do País; o Sr. Marcos Antônio Teixeira, há muito envolvido com ações de inclusão social, por meio do esporte e, atualmente, Secretário da Pessoa com Deficiência no Município do Rio de Janeiro; a Sra. Sônia Regina Diamante Teixeira de Sousa, fisioterapeuta em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que desenvolveu a abordagem terapêutica e os equipamentos do Sistema Gravither, que oferece uma nova opção terapêutica para pacientes com problemas neuromusculares; e a Sociedade Professor Heitor Carrilho, de Natal, no Rio Grande do Norte, instituição que, desde 1955, atua na defesa de direitos e na promoção do bem-estar e da qualidade de vida das pessoas com deficiência.
Em conjunto, os agraciados representam bem a variedade e a extensão da rede de apoio e de defesa dos direitos da pessoa com deficiência, que se estende de Norte a Sul do nosso País.
Esta solenidade ganha ainda mais brilho por ser hoje, 3 de dezembro, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, destinado a conscientizar as pessoas sobre a necessidade de inserir essas pessoas em diferentes aspectos da vida social como a política, a economia e a cultura. Nesta data, objetiva-se reforçar a importância de assegurar uma melhor qualidade de vida a todos os deficientes ao redor do Planeta.
A todas e a todos deixo aqui as minhas congratulações e a expressão dos meus mais sinceros agradecimentos. Tenho profunda admiração pela dedicação que cada uma das senhoras e cada um dos senhores demonstra em sua atuação, e faço votos de longo e duradouro sucesso a todos.
Tenho a certeza de que Dorina Nowill estaria igualmente satisfeita e orgulhosa dos agraciados hoje com a comenda que leva o seu nome, seus iguais na luta pela equidade, pela plena inclusão e pelos direitos da pessoa com deficiência.
Muito obrigada e, mais uma vez, as minhas congratulações. (Palmas.)
Antes de passar agora à entrega da comenda, dos diplomas.
Quero só registrar a presença aqui, na Mesa, da Senadora Soraya Thronicke; a Senadora Leila Barros está aqui conosco, mas pediu para ficar aí, por isso estou fazendo o registro – um beijo grande a ela que está presente aqui conosco –; e do Senador Styvenson também. (Pausa.)
Passamos agora à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill, que será feita à frente da mesa.
Informo que todos os agraciados terão a oportunidade de fazer uso da palavra após a entrega das comendas.
Convido a Senadora Zenaide Maia para fazer a entrega da comenda à Sra. Izabel de Loureiro Maior. (Pausa.)
A entrega será feita aqui atrás, pois a agraciada é cadeirante. (Pausa.)
Médica fisiatra, Mestre em Medicina Física e Reabilitação, pela Faculdade de Medicina da UFRJ, e especialista em bioética pela UnB. Izabel Maior possui atuação na defesa e promoção dos direitos da pessoa com deficiência. Por essa razão, já foi agraciada por mais de 50 instituições nacionais e estrangeiras, com destaque para o reconhecimento da ONU, 2012; pela gestão da acessibilidade da Conferência de Desenvolvimento Sustentável Rio+20.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill à Sra. Izabel de Loureiro Maior.) (Palmas.)
A SRA. IZABEL MARIA MADEIRA DE LOUREIRO MAIOR (Para discursar.) – Bom dia, senhores e senhoras! Permitam-me falar rapidamente fora do microfone para que as pessoas cegas me localizem.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. IZABEL MARIA MADEIRA DE LOUREIRO MAIOR – É uma grande honra, Sra. Senadora Daniella Ribeiro, Senadora Zenaide e demais Senadores presentes, todas as autoridades, todos os agraciados, que sinto aqui neste momento. Estou extremamente feliz por recebermos uma comenda que homenageia uma pessoa que é mestre da inclusão.
Conheci pessoalmente, tive oportunidade de conviver com a Profa. Dorina Nowill. Dorina sempre foi uma pessoa muito alegre, muito alto astral, que sempre impulsionou todos nós, que éramos mais jovens do que ela no movimento, independentemente da deficiência que tivéssemos. No caso, ela era uma pessoa cega, eu uma pessoa que utiliza cadeira de rodas.
Tive todo o apoio para coordenar a Coordenadoria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, de 2002 a 2009, até que conseguimos, com o apoio também de Dona Dorina e com o apoio de toda a sociedade, das pessoas com deficiência, criar a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. E homenageamos a Sra. Dorina Nowill no livro História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil, que também é um videodocumentário. Nesse vídeo, a Dra. Dorina nos conta um pouco da sua trajetória e da história de luta.
Portanto, no dia 3 de dezembro, todos nós no Brasil, 45 milhões de pessoas com alguma dificuldade funcional e 1 bilhão de pessoas no mundo – porque este é um dia internacional – nos sentimos extremamente honrados de sermos pessoas com deficiência, porque temos que valorizar aquilo que somos. Não podemos, de jeito nenhum, permitir que pessoas com deficiências sejam diminuídas em seus direitos ou nas suas oportunidades. (Palmas.)
Sei que contamos com esta Casa do Congresso Nacional, com V. Exas. Senadores e Senadoras, com todos os demais presentes. Sei que contamos sempre com o apoio de vocês.
Neste momento solicitamos – e o faço em nome de um conjunto muito grande de pessoas que lutam – que não deixem que nenhuma legislação retire direitos já conquistados pelas pessoas com deficiência. Vamos em frente, vamos seguir para a inclusão plena, como a Senadora Daniella Ribeiro assegurou.
Gostaria de deixar um agradecimento muito grande pela minha indicação à grande amiga Senadora Mara Gabrilli, que nos representa nesta Casa de uma maneira extremamente honrosa.
Muito obrigada, senhores e senhoras. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Peço à Senadora Zenaide Maia que proceda também à entrega da Comenda à Sociedade Professor Heitor Carrilho, aqui representada pelo Sr. Cláudio Lopes.
Fundada em 1955, a Sociedade Professor Heitor Carrilho é uma instituição sem fins lucrativos que desenvolve estratégias de defesa dos direitos humanos. Tem por missão promover a defesa de direitos, prevenção, orientação e apoio a criança e adolescentes, vinculadas à melhoria de qualidade de vida da pessoa com deficiência por meio da inclusão social e do exercício pleno da cidadania.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill à Sociedade Professor Heitor Carrilho, representada pelo Sr. Cláudio Lopes.) (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido agora o Senador Arolde de Oliveira para fazer a entrega da comenda à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, aqui representada pelo Sr. Nilton Portilho.
A ABBR é uma entidade sem fins lucrativos que presta atendimento de reabilitação a crianças, jovens, adultos e idosos com limitações de atividade motora, com destaque para a multidisciplinaridade e a integralidade de seus tratamentos. Embora concentre suas atividades no Estado do Rio de Janeiro, é conhecida nacionalmente e considerada de utilidade pública municipal, estadual e federal.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, representada pelo Sr. Nilton Portilho.) (Palmas.)
O SR. NILTON PORTILHO (Para discursar.) – Bom dia a todos!
Eu aqui, em nome da ABBR, representando o Dr. Deusdeth, gostaria de agradecer este honroso prêmio a que, com certeza, a ABBR faz jus. E, mais do que isso, eu pediria licença para pedir que os Srs. Senadores olhassem para essa instituição com os olhos diferentes. Ela é uma instituição que realmente precisa de apoio.
Então, em nome do Deusdeth, eu faço esse pedido, esse apelo, e agradeço aqui tão honrosa homenagem.
Muito obrigado. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido o Senador Flávio Arns para fazer a entrega da comenda ao Sr. Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, autor do livro O Trabalho da Pessoa com Deficiência. Lapidação dos Direitos Humanos: o direito do trabalho, uma ação afirmativa. Ricardo Tadeu Marques da Fonseca é Desembargador do TRT do Paraná e professor de Direito e Processo do Trabalho. Destaca-se por sua atuação voltada à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, notadamente pela colaboração para a elaboração de normas trabalhistas.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill ao Sr. Ricardo Tadeu Marques da Fonseca.)
O SR. RICARDO TADEU MARQUES DA FONSECA (Para discursar.) – Bom dia a todos.
É uma honra. Eu ainda estou me recuperando da emoção de ter recebido esta comenda e nas mãos de uma referência na nossa luta, que é o Senador Flávio Arns.
Eu quero inicialmente agradecer a indicação que me foi muito honrosa por parte da Senadora Mara Gabrilli.
Quero também registrar a importância deste evento para o Brasil, em especial para os cidadãos com deficiência.
A Convenção sobre os Direitos da ONU consagrou o princípio da concepção política da deficiência, na medida em que a deficiência é a somatória dos impedimentos físicos, mentais, intelectuais e sensoriais das pessoas, com eventuais barreiras que a sociedade possa impor. A remoção dessas barreiras é condição fundamental para o implemento da cidadania das pessoas com deficiência.
Eu tive o início da minha vida profissional nos anos 80, quando nada disso existia e era muito difícil conseguir uma colocação profissional. Eu fui impedido de concluir um concurso para ser juiz no ano de 1990, e este era o senso comum: todos entendiam e acreditavam realmente que pessoas com deficiência visual, cegas, não poderiam ser juízes.
Fui o primeiro juiz cego nomeado no Brasil. E, se era muito bom ser o primeiro, nada justificava eu ser o único; e, de fato, não sou mais – há outros juízes cegos, há outros promotores cegos. Eu também fui o primeiro membro do Ministério Público cego.
Enfim, nós, pessoas com deficiência, temos que vencer a cada dia um desafio, temos que matar um leão por dia, mas a sociedade brasileira está aprendendo a reconhecer os caminhos imprescindíveis para que pessoas com tais impedimentos físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais sejam cidadãos plenos.
O Senado, com essa comenda, na verdade, consagra essa ideia. E, portanto, este é um dia auspicioso, este dia 3 de dezembro de 2019, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. É mais um fato de glória, mais um evento de glória que realmente fica com um brilho especial nesta cerimônia.
Eu me sinto muito emocionado e muito agradecido e quero manifestar, em nome das pessoas com deficiência, a importância de que políticas públicas para pessoas com deficiência sejam permanentes em nosso Brasil.
Um abraço a todos.
Feliz Natal e um grande 2020 a todos.
Muito obrigado. (Palmas.)
Minha esposa me lembra aqui – eu estava muito emocionado mesmo – de que eu tive o privilégio de conhecer a Sra. Dorina Nowill em São Paulo. E, por intermédio da Fundação do Livro dos Cegos, pude ter acesso a grandes clássicos da literatura, grandes clássicos, inclusive best-sellers, livros em geral. Eu, portanto, vivi a adolescência inteira ouvindo livros gravados pela Fundação Dorina Nowill, os quais me permitiram, inclusive, galgar os meus sonhos, cursar Direito na Faculdade de Direito da USP, fazer mestrado, doutorado. Tudo isso é desdobramento do trabalho da querida Dorina Nowill, o que dá realmente para mim uma emoção muito especial também o fato de ter uma comenda com o nome na minha querida mestra Dorina Nowill.
Muito obrigado. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Peço ao Senador Flávio Arns que proceda, neste momento, à entrega da comenda à Sra. Rosalina Lopes Franciscão.
Professora há 70 anos, Rosalina Lopes Franciscão iniciou sua dedicação à educação, à saúde e ao bem-estar dos deficientes auditivos ao se deparar com um aluno surdo, o que motivou a Fundação do Instituto de Educação de Surdos, em Londrina, no Paraná. O instituto se tornou referência nacional após implantar o teste da orelhinha em recém-nascido, o que deu origem à lei que tornou obrigatória a realização gratuita do exame em todos os hospitais e maternidades.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill à Sra. Rosalina Lopes Franciscão.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido a Senadora Leila Barros para fazer a entrega da comenda...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Desculpe. Eu tinha sido informada de que ela não ia fazer uso da palavra.
A SRA. ROSALINA LOPES FRANCISCÃO (Para discursar.) – Exmos. Srs. Senadores e Sras. Senadoras, senhoras e senhores presentes, eu estou muito emocionada, porque a minha vida foi, desde o início, de muita dificuldade.
Eu nasci de uma família de portugueses na roça. Eu fiz o meu primário na roça. Depois, fiquei interna em colégios. E só saí da roça quando me casei e fui morar em Londrina. Meu marido foi um grande companheiro.
Eu tive a felicidade de encontrar um menino surdo na escola quando eu assumi a direção. O menino não saía do primeiro ano, porque a leitura era obrigatória com ênfase em entonação de voz. Como é que um mudo podia ler com entonação de voz? E ele não saía do primeiro ano. Eu já conhecia, porque eu dava aula lá, a primeira professora a trabalhar com surdos. Ela se chamava Ery e era excelente. Eu falei: "Ery, o Luiz Carlos vai ficar na sua sala. Vamos ver o que nós podemos fazer por ele". Chegando ao final do ano, o Luiz Carlos não ia passar de novo. Aí levei o Luiz Carlos para uma sala e pus o livro na frente dele. Com gestos, ele mostrou a barriga do bebê. Ele não falou, mas ele leu. Então, ele teve nota para continuar.
Graças ao Luiz Carlos, hoje nós trabalhamos com toda a regional de saúde de Londrina, com 20 Municípios, e com a regional de Ivaiporã, com 16 Municípios. Então, trabalhamos com quase 40 Municípios e distribuímos, por mês, em média, 950 aparelhos de audição. São quase mil aparelhos de audição que nós distribuímos, que o Iles distribui por mês.
Eu digo que a saúde do País está doente. Pode uma saúde ser doente? A saúde do País está doente! E eu vejo que, daqui a pouco, nós não vamos conseguir mais, porque, há quase 20 anos, o SUS não tem um reajuste. A aparelhagem é cara, a manutenção é cara, os aparelhos são caros. Nós tínhamos seis distribuidores de aparelhos; agora, temos um só, porque ninguém quer ter prejuízo. E eu estou vendo que, se continuar assim, dentro de dois anos, nós não vamos poder atender esses quase mil pacientes por mês, porque o Iles não está doente, está na UTI!
Eu peço aos Senadores e a todo mundo – não só aos Senadores, pois os leigos também podem ajudar, nós que não somos políticos também podemos ajudar – para ver se o SUS sai da UTI.
Eu quero agradecer a oportunidade de estar falando isto aqui e pedir o apoio de todos. Eu estou muito emocionada mesmo.
Quero agradecer principalmente ao nosso Senador Prof. Flávio, que sempre trabalhou para os deficientes. Sempre! Ele foi Presidente da Apae... Chamo-o de Prof. Flávio, porque, quando eu o conheci, ele era professor. O nosso Senador...
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. ROSALINA LOPES FRANCISCÃO – E continua professor!
Agradeço ao nosso Senador Prof. Flávio por eu ter esta oportunidade de estar aqui falando. Agradeço a todos que estão aqui por terem a paciência de me ouvir.
Desejo a todos um santo Natal, um feliz Ano-Novo.
E me perdoem pela emoção.
O meu obrigada a todos. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido a Senadora Leila Barros para fazer a entrega da comenda ao Prof. Dr. Ulisses de Araújo. Doutor em Ciência da Educação Física, Ulisses de Araújo é responsável pelo primeiro programa de grande escala na empregabilidade de deficientes auditivos. (Palmas.)
Por meio da digitalização de documentos, ele desenvolve ações para a inclusão da pessoa com deficiência nas áreas educacional e esportiva, com assistência do Governo do Distrito Federal; foi nomeado membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura no colegiado de Ciências Humanas.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill ao Sr. Ulisses de Araújo Batista.)
O SR. ULISSES DE ARAÚJO BATISTA (Para discursar.) – Senhoras e senhores, acho que é um momento que eu digo ímpar. Realmente, não tem como subir aqui e não se emocionar... (Palmas.)
Estou emocionado, assim como todos que estão recebendo hoje e sabem do nosso trabalho no dia a dia. O nosso trabalho eu não digo que estou dedicando às pessoas com deficiência, mas, na realidade, é uma evolução para mim trabalhar com essas pessoas. São essas pessoas que realmente fazem a gente se desenvolver, e nada melhor do que se desenvolver em conjunto, com uma rede de colegas que estão aqui presentes, com professores dos centros olímpicos, com colegas meus – em particular com o Ricardo, cujo pai foi meu técnico – e com minha família. É uma rede realmente.
Não posso deixar aqui de agradecer o trabalho que tenho desenvolvido com o apoio da Senadora Leila Barros, que deu muita alegria para a gente, assim como o Senador Romário. E agora aqui há vocês, dando essa alegria para a gente. Vocês têm outro papel agora, que é o de dar essa alegria para a gente. Um dia eu gostaria de estar aqui presente e não mais reconhecer esse dia como Dia Internacional de Luta – porque ainda estamos lutando –, quero estar aqui presente e reconhecer esse dia apenas como Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, aí eu estarei cada dia mais feliz.
Para fechar, não posso deixar também de agradecer um trabalho excelente da nossa Governadora, que está aqui presente. Muito obrigado, Governadora, você ajudou e tem ajudado bastante a gente. É um momento que não dá para falar muito, porque a emoção realmente está sempre acima, mas a única coisa que peço, Srs. e Sras. Senadoras, pois nós estamos passando agora por uma tempestade de mudanças na legislação, é que fiquem atentos a todas essas mudanças, porque tudo que foi realizado aqui e que estamos recebendo pode desmoronar. Então, eu peço a vocês muito cuidado, muita atenção a todo esse processo que vamos passar agora, a essas mudanças.
É isto aí: Dia Internacional de Luta. Se é luta, vamos continuar lutando, por isso estou aqui.
Obrigado. Ricarda, um beijão, um beijão mesmo, porque você é do coração. Ricarda, Paulinho, todos vocês... O professor não precisa dizer muito, como o acorde, como o direito. Então, você sabe muito bem a luta de que estou falando. A gente vai e volta, mas estamos aqui e vamos continuar.
Muito obrigado. Essa comenda não é somente minha, é de todos, principalmente dos meus colegas de profissões.
Obrigado. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido o Senador Marcos Rogério para fazer a entrega da comenda ao Hospital Santa Marcelina, de Rondônia, aqui representado pela Irmã Lina Ambiel.
Com 44 anos de existência, o Hospital Santa Marcelina, de Rondônia, tem, como missão, oferecer assistência, ensino e pesquisa em saúde com excelência, à luz dos valores éticos, humanitários e cristãos. É referência na confecção de órteses e próteses, e no tratamento de deficiências auditiva e visual, oferecendo atendimento à população de Rondônia, Amazonas e Acre. No campo da educação, atende gratuitamente mais de 5 mil alunos, em 4 escolas, que são sinônimo de competência e sucesso.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill ao Hospital Santa Marcelina, representado pela Sra. Lina Ambiel.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido o Senador Romário para fazer a entrega da comenda ao Sr. Marcos San.
Cientista político, formado pela UERJ, Marcos Antônio Teixeira tem ampla experiência como gestor público, principalmente no Estado do Rio de Janeiro, com atuação em ações de inclusão social por meio do esporte. Após desenvolver excelente trabalho como Chefe de Gabinete do Senador Romário, o qual se destaca pela defesa dos direitos da pessoa com deficiência, o homenageado ocupa, atualmente, o cargo de Secretário da Pessoa com Deficiência no Município do Rio de Janeiro.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill ao Sr. Marcos Antônio Teixeira.)
O SR. MARCOS ANTÔNIO TEIXEIRA (Para discursar.) – Bom dia a todos.
Presidente, Senadores, Senadoras, quando a gente ganha uma comenda dessas, nunca, como o colega falou, é só a gente. Existe todo um processo por trás, todo um trabalho que a gente carrega e representa. Inclusive, ele começa em casa: eu queria agradecer muito à minha esposa, que aguenta os estresses e as ausências de tantas reuniões, ali a nossa Adriana Bitencourt, minha esposa querida; a minha filha Alice, que dá um sentido maior – quem tem filho sabe – à nossa vida para continuar lutando. E quero agradecer, sobretudo, o trabalho que a gente vem fazendo à frente da Secretaria da Pessoa com Deficiência no Município do Rio; agradecer a confiança do Prefeito Marcelo Crivella e do Senador Romário, que nos indicou e falou: "Marcos San, vai lá, e luta, e cuida para que as pessoas com deficiência na cidade do Rio de Janeiro tenham qualidade de vida e realmente tenham inclusão". E é o que a gente tem tentado fazer lá, tem buscado fazer e tem conseguido êxito.
Não há um grande evento hoje na cidade, Presidente, em que a gente não leve pessoas com deficiência a fazer inclusão de fato. Não adianta só no discurso: é Rock in Rio, é Bienal do Livro, levando pessoas com síndrome de Down, com transtorno do espectro autista, todo o tipo de deficiência. A gente vem buscando fazer lá, através do centro de referência, na cidade do Rio de Janeiro, desenvolvendo blitz para garantir na rua o acesso à acessibilidade, principalmente nos ônibus – junto lá com a Secretaria de Transporte do Rio, a gente tem lacrado ônibus que não respeitam a acessibilidade, em que o material não funciona. Então, a gente vem fazendo a luta – é uma luta, como foi falado.
Hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, e a gente fica preocupado também. Queria aqui mencionar toda essa movimentação no sentido de extrair direitos já conquistados da pessoa com deficiência. Acho que fica um alerta para esta Casa, para o Congresso. Nós estamos falando de cerca de 25% da população nacional. É muita gente que precisa de um olhar, que precisa de política pública.
Então, acho que esta comenda aumenta a nossa responsabilidade. Eu me sinto com mais responsabilidade, mais renovado, para trabalharmos pela inclusão da pessoa com deficiência.
Naturalmente, queria agradecer a todo o conjunto do gabinete, em nome do Taka, em nome do Wester, em nome da Loni, que dão todo o suporte para o nosso Senador Romário, que vem, desde quando ele entrou na política, como Deputado Federal, trabalhando, sobretudo, com destaque no BPC e, agora, como Senador, como Relator, nos legando a Lei Brasileira de Inclusão.
Então, Romário, que era um craque na bola, hoje é um craque na política, é um craque da inclusão. Agradeço-lhe muito a confiança.
E esta comenda vai servir para levar para o Rio de Janeiro e para a gente trabalhar com mais afinco.
Muito obrigado. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido a Senadora Soraya Thronicke para fazer a entrega da comenda à Sra. Sônia Regina Diamante.
Natural de Presidente Prudente, São Paulo, a fisioterapeuta Sônia Regina Diamante é sócia-proprietária do Instituto de Reabilitação Integrada, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com diversos cursos voltados à reabilitação de pessoas com deficiência.
A homenageada desenvolveu Abordagem Terapêutica Sistêmica Gravither, que utiliza como recurso complementar um equipamento antigravitacional para fortalecimento muscular e recuperação funcional.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill à Sra. Sônia Regina Diamante Teixeira de Sousa.)
A SRA. SÔNIA REGINA DIAMANTE TEIXEIRA DE SOUSA (Para discursar.) – Prezados Senadores e Senadoras, muito obrigada pela indicação, em especial à Senadora Soraya Thronicke.
Demais agraciados, familiares e acompanhantes, é com muita gratidão que recebo a Comenda Dorina Nowill. Eu a compartilho com a minha família, com a equipe que trabalha comigo e com todos os fisioterapeutas que se dedicam com perseverança ao serviço da reabilitação, profissão essa que, no dia 13 de outubro de 2019, completou 50 anos de regulamentação.
Agradeço a Deus, a meus queridos pacientes e a seus familiares, por terem me dado a oportunidade de exercer com amor a minha profissão.
O meu muito obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Eu passo a Presidência agora para o Senador Marcos Rogério, pois o próximo agraciado é por minha indicação.
E, antes de o Senador assumir, eu queria apenas dizer duas palavras. Como o agraciado é do Instituto dos Cegos de Campina Grande, indicação de minha autoria, eu gostaria de fazer um registro.
Quando fui Vereadora em Campina Grande, Senador Romário, Senador Flávio Arns, eu tive a oportunidade – isso foi em 2008, eu fui eleita em 2009, fui Vereadora e, depois, Deputada Estadual pelo meu Estado, a Paraíba –, quando Vereadora, de representar a Câmara de Vereadores no conselho em defesa dos deficientes, e as reuniões eram dentro do Instituto dos Cegos. E ali eu pude conhecer a realidade, acompanhar de perto, entender e defender mais de perto esses direitos.
Então, hoje é um dia muito especial. Como a gente não tem direito a fala, hoje é um dia muito especial, de muita emoção, porque dez anos depois, como Senadora, a gente tem a oportunidade de fazer muito mais a cada agraciado.
Então, eu gostaria de fazer esse registro.
(A Sra. Daniella Ribeiro deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Marcos Rogério.)
O SR. PRESIDENTE (Marcos Rogério. Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO) – Convido a Sra. Senadora Daniella Ribeiro para fazer a entrega da comenda ao Instituto dos Cegos de Campina Grande, aqui representado pela Sra. Elizângela Arruda.
Criado em 1952, o Instituto dos Cegos de Campina Grande é reconhecido pela escolarização e inclusão social de crianças, jovens e adultos com deficiência visual. Além de proporcionar uma maior qualidade de vida aos seus alunos, por meio da leitura e escrita em braile, da aprendizagem musical ou mesmo da prática esportiva, o instituto oferece apoio e assistência social aos familiares mais vulneráveis.
(Procede-se à entrega da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill ao Instituto dos Cegos de Campina Grande, representado pela Sra. Elizângela Arruda.) (Palmas.)
A SRA. ELIZÂNGELA ARRUDA (Para discursar.) – Prezada Senadora Daniella Ribeiro, em nome de quem cumprimentamos todos os Parlamentares aqui presentes; prezado companheiro Ricardo, em nome de quem, pela luta das pessoas com deficiência, cumprimentamos todos os agraciados, nós, do Instituto dos Cegos de Campina Grande, lá no longínquo Estado da Paraíba, onde trabalhamos com toda a região do Agreste, da Borborema, região onde há pessoas em extrema vulnerabilidade, nos sentimos honrados porque pela primeira vez o Governo Federal, o Congresso Nacional, reconhece o trabalho no instituto dos cegos. Somos gratos, Daniella, por seu reconhecimento diante de um trabalho quase septuagenário.
E também aproveitamos esse dia de luta das pessoas com deficiência. Fazemos e reiteramos as palavras de Ricardo. Tanto as crianças e os jovens do Instituto dos Cegos de Campina Grande, assim como eu e a Profa. Elizângela crescemos tendo nas mãos ou aos ouvidos, já que não tínhamos aos olhos, escritos ou audiogravações idealizados pelo trabalho da Profa. Dorina, o que nos honra muito pelo fato de estarmos aqui, recebendo essa comenda.
Mas precisamos, Senadora Daniella, Senadora Leila, que os livros em braile continuem chegando às mãos das pessoas cegas. Precisamos que esse direito não nos seja retirado. Hoje, em muitas escolas brasileiras, crianças cegas não têm, como nós tivemos, o direito de estudar lendo um livro em braile. Então, precisamos garantir que esse direito seja assegurado às crianças cegas das novas gerações, que as tecnologias assistivas, que as linhas braile, possam chegar às escolas para que o direito à leitura acessível, à leitura tátil, não seja retirado das muitas crianças cegas hoje existentes aqui no Brasil. São mais de 550 mil pessoas cegas, são mais de 5,5 milhões de pessoas com baixa visão.
Que esta comenda se converta em políticas públicas como aquelas pelas quais, desde o final da década de 40 até os anos 90, Dorina foi fiel lutadora. Então, que a luta possa continuar. Que nós, das novas gerações, do Poder Público e da sociedade civil organizada, possamos continuar lutando, possamos continuar nos empenhando para que os direitos das crianças, dos jovens, dos adultos – não só com deficiência visual, mas de toda a população de pessoas com deficiência –, não sejam negados, não sejam retirados. Que a luta de Dorina continue viva na luta de cada um de nós, pessoas com ou sem deficiência, envolvidas, apaixonadas, entusiasmadas por esta causa, como foi Dorina.
O nosso muito obrigada. (Palmas.)
(Durante o discurso da Sra. Elizângela Arruda, o Sr. Marcos Rogério deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pela Sra. Daniela Ribeiro.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Agradecemos, antes de tudo, todos os agraciados. A partir de agora passaremos a palavra aos Senadores que fizeram inscrição.
Com a palavra o Senador Arolde de Oliveira.
O SR. AROLDE DE OLIVEIRA (PSD - RJ. Para discursar.) – Senadora Daniella Ribeiro, que preside esta sessão e também presidiu o Conselho que outorgou essas comendas a pessoas e instituições envolvidas com pessoas com deficiência, focadas neste mundo que nós não podemos deixar de, todos os dias, lembrar.
Quero saudar, em primeiro lugar, as Senadoras Zenaide Maia e Soraya Thronicke. A Comissão tem sete membros; desses sete membros, três são mulheres. Como a Presidente tem voto de minerva, está quatro a quatro. Eu considero este o quórum participativo feminino ideal: meio a meio. Espero que algum dia, em todos os parlamentos do mundo, tenhamos a mulher com essa participação. Parabéns, então, às Sras. Senadoras. Saúdo os Senadores Flávio Arns, Marcos Rogério e Romário.
Serei muito breve nesta minha comunicação, neste meu registro aqui.
Eu escolhi uma instituição no Rio de Janeiro, a ABBR, uma instituição que foi fundada em 1954 e que presta serviços inestimáveis na área de recuperação de pessoas com deficiências.
Movida sem finalidade lucrativa e comandada por dirigentes voluntários, desprovidos de interesses personalistas, essa instituição, além de atualmente ser responsável pela fabricação de centenas de cadeiras de rodas, andadores e muletas, prioriza a ética no relacionamento e transparência nas ações e vem oferecendo serviço integrado de reabilitação física, com qualidade e responsabilidade social, estimulando as suas potencialidades e independência para uma vivência plena e digna na sociedade, sendo, inclusive, reconhecida de utilidade pública municipal, estadual e federal por suas atividades pioneiras de reabilitação física, como centro de referência nacional e instituição de notório saber.
Então, eu agradeço aos conselheiros que votaram pela outorga da comenda a essa instituição do Estado que adotei como meu e que amo, como amo também o Rio Grande do Sul, que é o meu Estado natal.
Então, como representante daquele Estado e, portanto, de todas as instituições, inclusive desta, muito importante, eu quero agradecer a indicação.
Queria dizer, finalmente, que nós temos de estar permanentemente conectados e ligados à situação das pessoas com deficiência. Nós vemos aqui, nesse conjunto de pessoas e instituições que são aqui homenageadas, uma representação de milhares de pessoas focadas. Eu lembro, contudo, que ainda não é suficiente, porque o número de pessoas com deficiências no Brasil e no mundo é muito elevado. Então, nós precisamos estar permanentemente conscientes, e essa conscientização tem de ser operacional e pedagógica, para que as pessoas também entendam isso.
Eu, pessoalmente, como sugestão, fiz um cartão de visita que está em braile, porque, todo dia que eu pego esse cartão e dou a alguém, eu me lembro de que há pessoas com deficiências. Assim, além de colocá-las nas minhas orações para que sejam incluídas e tenham uma vida a mais saudável e a mais participativa possível, eu também me lembro de que nós temos tantas instituições importantes e que nós podemos auxiliá-las todos os dias, de uma forma ou de outra, para que elas se tornem cada vez mais operacionais e cumpram cada vez melhor o propósito a que se destinam.
Era o que queria dizer.
Muito obrigado a todos e que Deus os abençoe. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Obrigada, Senador Arolde.
Eu gostaria de registrar a presença nas galerias dos estudantes do Colégio Dom Abel, a convite do Deputado Rubens Otoni.
É uma alegria tê-los aqui conosco.
Sejam bem-vindos! (Palmas.)
Convido a fazer uso da palavra o Senador Marcos Rogério... (Pausa.)
Perdão; concedo a palavra à Senadora Zenaide Maia.
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RN. Para discursar.) – Bom dia a todos e a todas aqui presentes. Eu quero cumprimentar os colegas Senadores – a nossa Presidente Daniella; os Senadores Marcos Rogério, Flávio Arns, Soraya Thronicke – e todos aqui presentes.
Sabe o que é que nos chama a atenção aqui e nos enche de alegria? É saber dessas pessoas e entidades, como Dorina de Gouvêa – a Comenda tem o nome dela –; a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação; o Hospital Santa Marcelina de Rondônia; o Instituto dos Cegos de Campina Grande; Izabel Maria Madeira; Marcos Antônio Teixeira; Dr. Ricardo Tadeu, Desembargador; Rosalina Lopes Franciscão; Sociedade Professor Heitor Carrilho, do meu Estado; Sônia Regina e Ulisses de Araújo.
Isso é como se entrasse uma brisa para a gente, dando esperança e visibilidade. Eu costumo dizer que quem cria as barreiras é a sociedade. Um país que não consegue acolher ou abraçar mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência... Nós temos que reconhecer que o deficiente é este País, é a sociedade. A gente sabe que, se todos os livros publicados neste País, a moeda deste País e as mercadorias dos mercados tivessem informação em braile, não existiria nenhuma barreira para as pessoas com deficiência. Por isso que eu afirmo: a deficiência é da sociedade. (Palmas.)
Se todos os meios de comunicação tivessem o cuidado de botar a janela de libras, o intérprete de libras ou então uma tradução... Eu ouço muita gente que tem deficiência auditiva que diz que não assiste aos filmes brasileiros, porque nem tem a janela de libras, nem tem a tradução para eles lerem.
Então, afirmo: a sociedade é que está deficiente; não são as pessoas que apresentam algum tipo de dificuldade. E a gente ouve as pessoas com deficiência visual pedirem que as informações dos produtos que estão nas prateleiras para serem vendidos tenham a leitura em braile ou em outra tecnologia assistiva. Eles dizem que não têm interesse, Senadora Soraya, porque precisam de alguém dizer o que está escrito sobre aquele produto e qual o valor. Então, eles perdem o interesse.
A gente sabe que esse projeto de lei aqui tem dificuldades, porque os empresários acham que vão ter custos para isso. E eu costumo mostrar que tem uma parte grande da sociedade que vai ser consumidora. Se eles não mostram interesse, fazer o quê? Precisam de algum familiar ou alguém dizer o que é que existe na mercadoria.
Então, quero parabenizar e dizer a cada um dos agraciados que isto é um conselho e que não foi só Zenaide que indicou a Clínica Heitor Carrilho, que tem importância fundamental na história de inclusão das pessoas com deficiência do Rio Grande do Norte: fomos todos nós que aprovamos todos, inclusive o de indicação da nossa Mara Gabrilli. Se aonde o cadeirante for houver acessibilidade, deixou de ser uma barreira para ele.
Então, gente, eu queria dizer que a gente respeita e que esta comenda não é só para agraciar vocês, mas para dar visibilidade neste País de que é necessário, sim, haver uma política cada vez mais de inclusão, não restringindo a inclusão.
Contem com esta Senadora e com todos nós que estamos aqui. Numa sociedade que não abraça nem inclui as suas pessoas com deficiência, quem é deficiente é essa sociedade.
Muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Com a palavra o Senador Marcos Rogério.
O SR. MARCOS ROGÉRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/DEM - RO. Para discursar.) – Presidente desta sessão de condecoração e do Conselho da Comenda Dorina de Gouvêa Nowill, Senadora Daniella Ribeiro, a quem saúdo pela organização, pela coordenação deste momento tão solene, tão especial a todos nós; membros do Conselho da Comenda – Senador Arolde de Oliveira, Senador Flávio Arns, Senador Romário, Senadora Zenaide Maia –, quero saudar a Senadora Soraya Thronicke e a todos os senhores e as senhoras.
Eu queria fazer um registro, Sra. Presidente, em relação à instituição cuja indicação me coube fazer para esta justa homenagem.
O Hospital Santa Marcelina de Rondônia iniciou sua existência em 1954 no então Território Federal do Guaporé, no km 17 da BR-364, no atual Estado de Rondônia, ainda como colônia agrícola, cuja finalidade era abrigar portadores de hanseníase.
Denominada de Colônia Jaime Abem Athar, a instituição passou por períodos de grandes dificuldades financeiras, a ponto de seus pacientes terem de conviver em um ambiente de privações extremas.
Em 1970, no entanto, a colônia passou a ser administrada pelo Pe. Salesiano José Sardo, que, quatro anos mais tarde, convidou a Irmã Marcelina Giuseppina Rainieri para assumir a condução da instituição.
Em 1975, as irmãs marcelinas, sob o comando da Irmã Giuseppina Rainieri, assumem definitivamente a instituição, contando com o apoio, a dedicação e o trabalho das primeiras missionárias: Irmãs Rosa Gambella, Dolores Greco e Libera Tedesco.
Em 1993, a colônia, então, passa a se chamar Comunidade Santa Marcelina, em referência à padroeira da congregação das irmãs, posteriormente transformada no atual Hospital Santa Marcelina de Rondônia.
Localizado em uma área de 300ha, no meio da Floresta Amazônica, próximo a Porto Velho, o hospital floresceu e hoje atende não só a população de Rondônia, mas também habitantes do Sul do Estado do Amazonas e do Estado do Acre, que também podem usufruir dos seus serviços.
Em 2018, o Hospital Santa Marcelina de Rondônia, que hoje conta com 132 leitos, registrou 5.046 internações, realizou 3.546 cirurgias, efetuou 34.714 atendimentos ambulatoriais e acolheu 12.779 pacientes na sua oficina ortopédica, e 64.031 no centro especializado em reabilitação. Na verdade, a antiga colônia de tratamento de hansenianos converteu-se, graças à administração competente e cristã das irmãs marcelinas, em um complexo hospitalar que reúne um ambulatório, um centro médico, com seis salas de cirurgia, um centro oftalmológico, um centro auditivo, um centro de terapia da pele, um centro de reabilitação física e uma oficina ortopédica.
Trata-se de uma conquista espetacular de uma instituição cujos cuidados médicos que provê são indispensáveis para a assistência gratuita de dezenas de milhares de pacientes por ano, em região ainda muito carente da prestação de serviços públicos básicos essenciais pelo Estado.
Hoje o hospital conta com uma equipe médica de notória competência, abrigando médicos especializados em cardiologia, cirurgia geral, cirurgia pediátrica, cirurgia plástica, dermatologia, neurologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, ginecologia, mastologia, nefrologia, urologia, ortopedia, entre outras áreas, perfazendo um total de 24 especialidades. No hospital, cuja competente direção está a cargo da Irmã Lina Ambiel, trabalham 62 médicos e cerca de 300 funcionários. Há que se destacar que o hospital não se preocupa apenas em prover serviços médicos de qualidade, mas também oferecer tratamento humanitário a todos que procuram e necessitam dos cuidados que a instituição disponibiliza.
Nesse sentido, o hospital promove campanhas e realiza oficinas, por exemplo, de arteterapia e de gameterapia, a fim de auxiliar os pacientes a superar os momentos mais difíceis. A oficina ortopédica, por exemplo, possui uma impressora 3D capaz de produzir órteses e próteses a um custo muito baixo, cujos preços do mercado são extremamente elevados – como sabemos.
Por todas essas razões, as mais nobres, conforme destaquei, é que tive a honra de indicar, sem nenhuma hesitação e com plena convicção dos inegáveis méritos da instituição, o Hospital Santa Marcelina de Rondônia para que fosse agraciado com a Comenda Dorina de Gouvêa Nowill.
A comenda que hoje todas as instituições aqui recebem é entregue ao Hospital Santa Marcelina de Rondônia, e eu fiquei extremamente honrado em ter a oportunidade de estar no Senado Federal hoje e prestar uma justa homenagem a uma instituição que Rondônia e os rondonienses aplaudem, porque conhecem o seu trabalho, porque conhecem a sua relevância, porque conhecem a sua seriedade.
O Senado Federal homenageia, através desse prêmio, dessa comenda, o Hospital Santa Marcelina.
Muito obrigado a todos. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Com a palavra o Senador Flávio Arns.
O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - PR. Para discursar.) – Cumprimento a Senadora Daniella Ribeiro, a Senadora Soraya Thronicke, os agraciados, as agraciadas, todos que estão aqui e todos que nos acompanham pelos meios de comunicação do Senado.
Em primeiro lugar, quero dizer que eu também conheci Dorina Nowill. Há vários anos, talvez muitos, eu dirigi o Departamento de Educação Especial no Paraná, e precisávamos muito do apoio da Fundação Dorina Nowill no sentido de obtermos bengalas, regletes, sorobãs, livros em braile e em áudio. Dorina Nowill sempre foi uma expoente. Ela estaria completando cem anos neste ano. Imaginem as dificuldades que ela enfrentou também 80, 90 anos atrás. Se ainda existem dificuldades e desafios hoje, imaginem nesse tempo!
Eu quero também destacar que essa Comenda Dorina Nowill, concedida através de votação, através do trabalho de um conselho... Há uma Senadora que não está presente aqui hoje e que faz parte do conselho, que é a Senadora Mara Gabrilli. Ela não está presente e pediu, inclusive, para justificar sua ausência em função de dificuldades de saúde pelas quais ela vem passando. Mas eu quero destacar que a Senadora Mara Gabrilli, como já foi dito... Aliás, é ela que está chegando ou não? Ela é referência nessa área no Senado Federal – é referência! Eu pediria, mesmo na sua ausência física, ressaltando sua presença sempre atuante, uma salva de palmas para ela. (Palmas.)
Eu quero destacar e cumprimentar os agraciados, particularmente as pessoas do Estado do Paraná que eu represento aqui no Senado: a Prof. Rosalina Franciscão – ela me chama de professor; eu sou professor, e ela é professora, como o marido dela, Odésio Franciscão, que também foi professor – e o amigo magistrado, referência no Paraná e no Brasil, assim como Dona Rosalina, o Desembargador Dr. Ricardo Tadeu Fonseca. Permitam-me fazer uma referência especial à Dra. Izabel Loureiro Maior. Nós já participamos de tantas reuniões, de tantos trabalhos e de tantas caminhadas juntos no decorrer dos anos! E, saudando essas pessoas, quero saudar todos vocês que foram agraciados com a Comenda Dorina Nowill.
Só quero lembrar três coisas. Primeiro, registro que, além de todos nós que estamos aqui, existem milhares de identidades que dão o melhor de si pelo Brasil, milhares de pessoas que lutam nessa área para que as pessoas tenham oportunidades e chances. Quero fazer três destaques. Vamos sempre lutar por direitos humanos, cidadania e oportunidades não só para as pessoas com deficiência, mas também para toda a sociedade. Educação, saúde, trabalho, assistência, acessibilidade, esporte, cultura, direitos humanos – isso é essencial.
Segunda coisa: vamos apoiar as famílias das pessoas com deficiência. Esse é um desafio para todos nós. Nasce uma criança agora, por exemplo, com microcefalia, em função do zika vírus. É preciso apoiar as famílias para que elas tenham uma caminhada mais tranquila, mais cidadã pela vida, com direitos respeitados. Que essa criancinha com microcefalia tenha todo o apoio possível e a família também, porque a família precisa ser apoiada nas suas necessidades nessa caminhada que os filhos e filhas fazem pela vida.
O terceiro aspecto: nada sobre essa área, nada sobre nós sem nós. Não pode haver, como foi destacado, retrocessos, e não vai haver retrocessos, não vão acontecer retrocessos se nós observarmos esta máxima: nada sobre nós sem nós. E nós tínhamos o projeto lá na Câmara dos Deputados em regime de urgência – urgência quer dizer que tem que votar rápido –, não tendo sido discutido com a sociedade. A urgência já foi retirada, porque nada sobre nós sem nós. Tem que haver audiências públicas, as entidades serem chamadas, os movimentos nacionais, para que possamos admitir avanços, e jamais, como todo mundo falou, retrocessos.
Agora, eu quero dizer, Ulisses, e você abordou isso, é o dia de luta internacional, dia internacional de luta hoje da pessoa com deficiência. A urgência foi retirada, porque houve uma pressão generalizada para que isso acontecesse. Mas eu gostaria de dizer, Ulisses, que sempre vai ser uma luta – sempre vai ser uma luta. Isso não é um aspecto negativo. Uma luta significa o povo organizado, que sabe o que quer, que tem objetivos bem definidos e que luta para que esses objetivos sejam alcançados. Cidadania é sempre uma conquista, e conquista significa que houve garra, entusiasmo, luta, união, competência.
Que a Dorina Nowill continue a nos inspirar nesse sentido, mas que cada um inspire o outro. E milhões de brasileiros que se dedicam a essa área vão dizer "vamos em frente", com otimismo, "vamos trabalhar juntos", porque aí, sim, nós podemos, todos juntos, construir um Brasil mais justo para todos, em especial para a pessoa com deficiência e sua família.
Grande abraço!
Parabéns! (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Convido a Senadora Soraya Thronicke para fazer uso da palavra.
A SRA. SORAYA THRONICKE (Bloco Parlamentar PSDB/PSL/PSL - MS. Para discursar.) – Bom dia a todos.
Quero cumprimentar a nossa Presidente, Senadora Daniella Ribeiro, o Senador Flávio Arns e todos os que aqui estão; e, em nome da fisioterapeuta Sônia Regina Diamante, quero cumprimentar todos os agraciados deste dia. Em nome da Regina do meu gabinete e da Loni do gabinete do Senador Romário, quero cumprimentar todos os servidores que estão engajados nessa causa, porque, se não são eles, a gente também não consegue desenvolver. Até os servidores têm as suas preferências aqui e trabalham como ninguém para que tudo isso aqui aconteça. Na luta pelos projetos de lei, articulam como ninguém, então parabéns aos servidores que ficam aí nos bastidores.
Eu fiquei por último e, graças a Deus, estou controlando a emoção.
Em nome do meu sobrinho Felipe Batista Olegário, da minha amiga Solange Jaques, da Rosinha da Adefal, eu quero cumprimentar todos os deficientes físicos do nosso País, que lutam. Eu creio que agora a gente pode ter – eu não sei – um pouco mais de esperança, porque temos uma primeira-dama muito voltada para esse assunto, temos uma Ministra, a Ministra Damares, que é extremamente sensível, estamos com Parlamentares muito sensíveis, servidores sensíveis, e é muito importante que continuemos investindo na tecnologia e nas pesquisas.
A Sônia Regina Diamante, uma fisioterapeuta lá de Campo Grande, é fisioterapeuta do meu sobrinho Felipe, que sofreu um acidente e hoje está na cadeira de rodas. O Felipe já avançou muito e, se não fosse a Sônia e os outros profissionais... Muito obrigada, Sônia.
Ela desenvolveu um sistema, o Sistema Gravither, que utiliza, como recurso complementar, um equipamento antigravitacional para o fortalecimento muscular e a recuperação funcional. Foram noites e noites, foi muita luta – não é, Sônia? – para desenvolver. Nós estamos aqui – eu, principalmente – de braços abertos para que esse sistema que você desenvolveu seja conhecido não só aqui no Brasil, mas mundialmente, porque hoje não existem distâncias.
Falando nisto, em tecnologia, quero parabenizar o Desembargador Ricardo Tadeu. Eu já estudei para concurso, desembargador, e, sinceramente, admiro e fico impressionada com o que o senhor alcançou. Não é fácil, inclusive são pouquíssimos livros em braile. Imagino no tempo que o senhor... Não que o senhor esteja com idade, tá? (Risos.)
Mas era muito mais difícil. Já é difícil hoje.
Eu estive em Israel com nosso Presidente Jair Bolsonaro e pude conhecer uma tecnologia chamada OrCam, que são óculos... Gente, nós temos uma tecnologia incrível e ainda estamos pedindo, pelo amor de Deus, para que tenhamos a literatura em braile, mas o que a tecnologia já avançou, o que pessoas já se debruçaram em pesquisas... E o problema desses óculos... Eu os coloquei e vi que eles conseguem ler como um escâner, conseguem identificar pessoas: "O Desembargador Ricardo está a sua frente." Você toca nos objetos, eles falam a cor do objeto. É incrível! É incrível, só que nós não temos condições de adquirir isso, pois custa em torno de R$20 mil ou mais.
Eu estou em contato com esse pessoal.
É uma tecnologia única. Eu não sei, mas o Governo já tem empresários querendo distribuir. Estou tentando, mas, com as nossas emendas individuais, não dá para comprar esses óculos. Estive com o pessoal do Instituto para Cegos lá de Campo Grande. E isso é um sonho deles, é um sonho de qualquer um e se torna um sonho nosso. Eu não consigo descansar desde que eu vi, desde que eu tive contato com essa tecnologia. Isso está me incomodando muito, porque nós precisamos proporcionar isso ao maior número possível de pessoas com deficiência.
Por fim, eu quero destacar o caso do Bernardo José Mendina de Souza Martinez, que é um jovem autista aqui de Brasília. Eu fiz uma entrevista com ele dias atrás, que a gente já vai colocar nas redes. Ele passou na UnB sem cota, gente – sem cota. Eu acho que ele faz o curso de Biologia ou alguma coisa assim. Ele já foi convidado para fazer pesquisa. Ele, há muito tempo, já se locomove sozinho, de ônibus, enfim. Ele dá aula para os amigos. É incrível o que o Bernardo tem feito! E ele discute política muito bem, mas muito bem mesmo. É uma marca registrada minha convidar pessoas que estão fora da política para virem para cá. Eu sou fruto disso, sou fruto dessa renovação, e eu creio que pessoas de bem da sociedade têm que vir para cá. E eu convidei o Bernardo para vir conosco, entrar no nosso partido junto com os jovens, para motivar esses jovens. Bernardo, vai o meu abraço aí para você.
Estive em contato também com o Instituto para Cegos lá de Campo Grande, e um dos dramas deles é que eles dizem o seguinte – eu acho que este é o drama de todos os deficientes físicos, de todas as classes –: "Quem fala por nós? Quem fala por nós geralmente não é um deficiente físico". Por isso, eu chamei também, lá em Campo Grande, o Presidente do Instituto para Cegos, para que eles escolham um representante deles e venham para a política. Nós temos agora o primeiro Deputado Federal deficiente visual, que é o Felipe Rigoni, mas é pouco. Vocês têm condições de falar por vocês. Isso é muito melhor do que nós tentarmos falar por vocês. Vocês todos têm uma capacidade incrível, é óbvio, mas precisam ocupar esses espaços aqui também. E eu sou uma das pessoas mais abertas para isso, o que faço questão de incentivar. Espero que tenhamos mais de vocês aqui conosco, para que possam ensinar e que possam realmente falar por vocês.
Obrigada.
Parabéns!
E contem com a gente aqui sempre! (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Aproveitando a temática desta sessão, transmitiremos um vídeo institucional sobre o Plano de Acessibilidade em vigor no Senado Federal desde o ano de 2016.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Justifico que a Senadora Leila estava na Comissão de Educação.
Peço, desde já, que o nosso Roninho do Acordeon se posicione para nos brindar com a última música, agora de sua autoria, enquanto vamos nos encaminhando para o encerramento.
Leila, pode fazer uso da palavra. A Senadora veio correndo. Vida de Senador é assim: corre para lá, corre para cá.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - DF. Para discursar.) – Vou falar: a gente fica louca nesta Casa. Desculpem-me. É apenas um desabafo. Às vezes, falam que a gente não trabalha, que a gente não corre. Marcam dez eventos ao mesmo tempo. Aí você corre para uma Comissão, corre para o Plenário, corre para o gabinete. Então, peço desculpas pelo meu atraso e pela minha ausência por alguns minutos, porque tive de ler dois relatórios na Comissão de Educação.
Obrigada, Sra. Presidente.
Primeiro, parabenizo por esta manhã, pelo sucesso, pela audiência desta sessão plenária.
Parabenizo os agraciados, entre eles o Ulisses, que é uma pessoa por quem tenho muito carinho – o Prof. Ulisses, do Cetefe.
Queria parabenizar também os familiares de todos os que foram homenageados aqui, pois estão nesta luta juntos, assim como os parceiros e colaboradores.
Parabenizo ainda os membros do conselho que foram fundamentais nas escolhas desses agraciados e que tiveram com um olhar muito generoso para todos os nossos indicados, os indicados dos Senadores, que foi o caso da Senadora Zenaide, da Senadora Mara, da Sra. Presidente, do Senador Flávio Arns, dos Senadores Romário, Marcos Rogério e Arolde.
A banda já não está aqui, mas eu queria parabenizar também os integrantes da banda do Centro de Ensino Especial 01 de Taguatinga.
Esta é uma manhã de grande alegria para mim, ao participar de uma cerimônia tão cheia de significados, momentos em que o Senado Federal, em nome do povo brasileiro, reconhece o trabalho e a história de pessoas e instituições que doam o melhor de si às pessoas com deficiência, outorgando a Comenda Dorina Nowill.
Instituída em 2013, a comenda tem como objetivo reconhecer pessoas físicas ou jurídicas que tenham oferecido contribuição relevante à melhoria da vida de pessoas com deficiência em nosso País. Esta é a primeira grande motivação deste evento para mim: a luta – que, como Ulisses falou, se Deus quiser, um dia não vai ser uma luta, não é, amigo? – em favor das pessoas com deficiência não apenas aqui na nossa Capital, no Distrito Federal, nossa Brasília, mas em todo o País. Esta comenda e esta cerimônia são instrumentos importantes para manter acesa a chama desse bom combate.
Pessoas com deficiência precisam apenas que lhes sejam oferecidos os meios para que elas possam superar as dificuldades que naturalmente enfrentam e ter uma vida digna, proveitosa e feliz. Os exemplos disso proliferam por toda a parte, e um dos mais simbólicos desses exemplos é o da nossa patronesse dessa comenda, a Dorina de Gouvêa Nowill, que fez história no Brasil e no mundo levantando a bandeira dessa nobre causa e que, mesmo depois de sua morte, em 2010, continua mudando a história de muita gente pela obra e pelo legado que deixou, como exemplos de vida e de inspiração.
Eu poderia ficar aqui por muito tempo falando de suas realizações e conquistas, num enaltecimento que já não é mais necessário. Seu nome segue invicto na história deste País com todas as honras e méritos merecidos. Passo, então, a falar dos homenageados nesta edição da comenda.
Contudo, quero contar que descobri, dias atrás, que uma das pessoas já agraciadas com esta condecoração, na edição de 2015, foi a Senadora Mara Gabrilli, hoje nossa querida colega nesta Casa e combativa guerreira dessa causa. Destaco esse fato, porque para mim é uma prova concreta do acerto das escolhas dos homenageados pelo conselho da comenda. O trabalho da Senadora Mara nesse campo certamente foi uma das alavancas de sua eleição para esta Casa.
Gostaria, assim, de começar pelos homenageados indicados justamente pela Senadora Mara Gabrilli, que são o Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná Ricardo Tadeu Marques da Fonseca e Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior, médica fisiatra, mestre em Medicina Física e Reabilitação pela Faculdade de Medicina da UFRJ e especialista em Bioética pela nossa Universidade de Brasília. Desnecessário dizer que ambos têm atuação importante na defesa e na promoção dos direitos das pessoas com deficiência tanto quanto os demais escolhidos. São eles: Rosalina Lopes Franciscão, indicada pelo Senador Flávio Arns; Marcos Antônio Teixeira, indicado pelo Senador Romário; e Sônia Regina Diamante Teixeira de Sousa, indicada pela Senadora Soraya Thronicke.
Além dessas pessoas, estão sendo homenageadas hoje quatro instituições com relevante trabalho em favor de pessoas com deficiência. Refiro-me ao Instituto dos Cegos de Campina Grande, indicado pela nobre Presidente desta sessão, Senadora Daniella Ribeiro; a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, do Rio de Janeiro, indicada pelo Senador Arolde de Oliveira; o Hospital Santa Marcelina, de Rondônia, indicado pelo nobre Senador Marcos Rogério; e a Sociedade Professor Heitor Carrilho, de Natal, indicada pela Senadora Zenaide Maia.
Novata que sou nesta Casa, também atrevi-me a indicar uma pessoa para receber a Comenda Dorina Nowill por absoluta convicção, respeito e admiração pelo trabalho que realiza. Para minha alegria, vi a minha indicação ser acolhida pelo conselho da comenda e, por isso, gostaria de agradecer aos seus membros – Senadoras Daniella Ribeiro, Mara Gabrilli e Zenaide Maia, bem como aos Senadores Flávio Arns, Marcos Rogério, Romário e Arolde de Oliveira – pela distinção a mim conferida e de falar-lhes um pouco sobre o Dr. Ulisses de Araújo, antes de encerrar a minha fala.
Ulisses de Araújo, como a senhora já falou, Presidente, é doutor em Ciência da Educação Física pelo Instituto Superior de Cultura Física Manuel Fajardo, de Cuba. Em 1980, o Dr. Ulisses de Araújo iniciou, em Brasília, um trabalho voluntário voltado a pessoas com essa condição. Fundou, no Distrito Federal, em 1990, a Associação Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) com o objetivo de oferecer assistência gratuita a pessoas com deficiência física, auditiva, visual, intelectual, mental e com transtornos do espectro autista e suas famílias. A associação atende, mensalmente, mais de 1.400 pessoas com deficiência nos programas de atividade esportiva, reabilitação, estimulação funcional e encaminhamento ao mundo do trabalho.
O Dr. Ulisses também é responsável pela implantação do primeiro programa no País de empregabilidade em grande escala da pessoa com deficiência auditiva por meio da digitalização de documentos, tendo como parceiros Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, Anvisa, Ministério da Ciência e Tecnologia e Tribunal de Contas do Distrito Federal, entre outras instituições.
Ele atuou também como atleta e participou da Delegação Brasileira Paralímpica nas modalidades de voleibol sentado, tiro com arco e futebol de cinco, tendo sido campeão mundial na modalidade futebol de cinco. Parabéns, Professor! Um grande técnico.
Como pesquisador, criou diversos métodos e protocolos dedicados às pessoas com deficiência.
Ulisses orgulha não apenas a sua família, a esposa Andréa, os filhos Leandro, Nathália, Maria Gabrielli, Ana Heloisa e Yasmin Vitória, mas todos os seus amigos, agraciados com a sua companhia e parceria no apoio aos que mais precisam.
Eu poderia falar por muito tempo sobre o trabalho dessa figura múltipla e incansável, mas não pretendo abusar nem do tempo nem da paciência de vocês, porque já está avançada a hora. Quero apenas agradecer a inclusão do Dr. Ulisses no rol de pessoas e instituições tão destacadas no trabalho em prol das pessoas com deficiência.
Pela história de vida e engajamento nessa causa tão especial de cuidar e facilitar a vida das pessoas com deficiência, penso que, do mesmo modo que a presente condecoração enriquece o já rico currículo das homenageadas e homenageados, entendo que a inclusão de seus nomes no rol de agraciados engrandece sobremaneira a história da Comenda Dorina Nowill e, acima de tudo, o Senado da República, nossa Casa.
Era o que eu tinha, Sra. Presidente, a dizer.
Agradeço a presença de todos e peço, mais uma vez, desculpas pelo avançado da hora.
Muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Obrigada, Senadora Leila. Parabéns pelas suas palavras!
Agora, já nos encaminhando para o final dos trabalhos, agradeço a vinda do nosso querido Roninho do Acordeon, vindo de Campina Grande, na Paraíba, para nos brindar com mais uma música.
O SR. RONINHO DO ACORDEON (Para discursar.) – Gostaria de cumprimentar os ilustríssimos Senadores, em especial, a minha querida amiga, Senadora Daniella Ribeiro, e gostaria também de, antes de tocar esse baião, tecer um breve comentário.
Eu sou de Campina Grande, uma terra que exporta cultura através do teatro, da poesia e da música, em especial o forró. Fiquei muito feliz com o convite porque eu trabalho com música, Daniella, há 11 anos e, neste ano, consegui, através da minha profissão de advogado, fundar a Comissão de Cultura e Arte na OAB, seção de Campina Grande, a partir de onde levamos um projeto social para as escolas, ensinando Direito Constitucional e cidadania através da arte – através da música, da literatura de cordel, da dança. E isso porque a música, a arte de modo geral, é um instrumento pedagógico fortíssimo, principalmente para a inclusão social.
Eu digo isso porque o Instituto dos Cegos, uma instituição de respeito e de que todos os campinenses têm orgulho, trabalha, em sua grade curricular, com a musicalização. Assim, existem vários músicos que saíram do Instituto dos Cegos e estão no mercado de trabalho, gravando, tocando, fazendo shows, todos músicos de excelência. Então, a música, seja pelo canto, seja por um instrumento percussivo ou harmônico, como é o meu, tem um impacto muito forte como instrumento pedagógico, pois ela consegue despertar várias sensibilidades. E o Instituto dos Cegos tem uma capacidade de formar grandes músicos, o que é motivo de orgulho para a nossa Campina Grande.
Agradeço o convite. Vim de longe, mas fiquei surpreso, porque são poucos os políticos que têm essa sensibilidade com a arte, com a música. Mas Daniella tem isso no sangue, porque o pai dela, Enivaldo Ribeiro, atual Vice-Prefeito, fundou o maior evento junino do mundo, o maior São João do mundo, que se realiza em Campina Grande. São 30 dias de festa em um evento que foi fundado pelo pai dela. (Palmas.)
Então, essa sensibilidade já vem de berço.
Agora, eu gostaria de tocar uma música que representa – eu acho que todos vocês conhecem – muito bem o nosso Estado, em especial as mulheres do nosso Estado. Vocês já ouviram o ditado "Fulana é mulher macho", mulher de fibra, mulher guerreira. Então, eu escolhi esta música de Luiz Gonzaga, Paraíba (masculina), que gostaria de dedicar a todas as mulheres, em especial à minha querida amiga, a Senadora Daniella, que tão bem representa a mulher paraibana – e tenho certeza de que a classe política feminina também está muito bem representada por V. Exa.
Então eu vou tocar este baião de Luiz Gonzaga, e quem quiser cantar comigo não fique encabulado, não.
(Procede-se à execução musical.)
O SR. RONINHO DO ACORDEON – Eu vou quebrar um pouquinho a formalidade e vou pedir a ajuda de vocês assim...
Lá no Nordeste a gente tem o sangue quente e gosta de zoada mesmo, de ritmo. Aí vocês ajudam assim...
(Procede-se ao acompanhamento da música com palmas do Plenário.) (Palmas.)
O SR. RONINHO DO ACORDEON – Muito obrigado.
A SRA. PRESIDENTE (Daniella Ribeiro. Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/PP - PB) – Obrigada. Nossa Paraíba: muito orgulho!
Então, quero agradecer, de forma muito especial, a todos os Senadores, às Senadoras, às autoridades aqui presentes, aos agraciados e a todos que nos honraram com a sua presença. Quero agradecer aos organizadores que nos ajudaram nos bastidores: Ludmila, a você e a toda a equipe.
Declaro encerrada a nossa sessão.
Muito obrigada a todos. (Palmas.)
(Levanta-se a sessão às 12 horas e 31 minutos.)