3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
56ª LEGISLATURA
Em 26 de novembro de 2021
(sexta-feira)
Às 10 horas
161 ª SESSÃO
(SESSÃO ESPECIAL)

Oradores
Horário Texto com revisão

O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ. Fala da Presidência.) – Bom dia a todos os presentes e àqueles que nos acompanham virtualmente, porque a tecnologia nos permite!
A sessão especial remota do Senado Federal é destinada a comemorar os 90 anos do Cristo Redentor, celebrado em 12 de outubro passado.
Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus iniciamos nossos trabalhos.
A presente sessão especial remota foi convocada nos termos do Ato da Comissão Diretora nº 8, de 2021, que regulamenta o funcionamento das sessões e reuniões remotas e semipresenciais no Senado Federal e a utilização do Sistema de Deliberação Remota, e em atendimento ao Requerimento nº 1.308, de 2021, de minha autoria e de outros colegas Senadores, aprovado pelo Plenário do Senado Federal.
A sessão é destinada a comemorar os 90 anos do Cristo Redentor, celebrado no dia 12 de outubro.
Eu gostaria de fazer o registro da presença de algumas autoridades aqui convidadas antes de declinar meu agradecimento a todos que compõem a Mesa.
Quero registrar a presença do Embaixador do Reino do Bahrein, Sr. Bader Abbas Alhelaibi.
Muito obrigado. Pudemos conversar antes. A bandeira do Bharein já esteve hasteada justamente no nosso Cristo Redentor, o que é uma satisfação enorme.
Embaixador da República do Panamá, Sr. Miguel Lecaro, muito obrigado pela sua presença.
Embaixador da Federação Russa, Sr. Alexey Kazimirovitch Labetskiy, desculpa, perdão pelo meu russo não estar tão afiado, mas fico muito feliz com a sua presença. Também foi cônsul na nossa Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro.
Embaixador da Ucrânia, Sr. Tronenko Rostyslav, muito obrigado pela presença. O Embaixador da Ucrânia nos honra aqui hoje.
Saúdo os demais representantes do Corpo Diplomático das Embaixadas do Canadá, da Índia, da Guatemala, do Kuwait, do México e do Uruguai. Agradeço imensamente a presença.
Aqui, pelo Zoom, há algumas autoridades – gosto e faço questão..., porque são muito queridas – do nosso Estado e da nossa cidade: o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Cláudio Bomfim de Castro e Silva, nos acompanha por via remota, bem como o nosso querido Arcebispo do Rio de Janeiro, o Eminentíssimo Sr. Cardeal Dom Orani João Tempesta; o Prefeito da cidade do Rio de Janeiro, com quem tive a oportunidade de trabalhar algumas vezes, o Sr. Eduardo Paes; o Subsecretário de Grandes Eventos da Secretaria de Turismo do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Marcelo Monfort, que nos acompanha também remotamente; o Membro do Conselho Amos do Cristo Redentor, Sr. Luiz Carlos Pugialli, que também nos acompanha e fará sua participação em breve.
A Presidência informa que compõem a Mesa desta sessão as seguintes autoridades: o Sr. Bruno Luiz Dantas de Araújo, Advogado-Geral da União Adjunto, pela sua representação; o Reverendo Bispo D. Joel Portella Amado, Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião, do Rio de Janeiro; o Sr. Reverendo Bispo D. Marcony Vinícius Ferreira, Bispo Auxiliar de Brasília, representando o Arcebispo D. Paulo Cezar Costa; e o Sr. Reverendo Padre Paulo Renato de Campos, assessor político da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Eu convido a todos que nos coloquemos de pé para ouvir e, em respeito, acompanhar o Hino Nacional, que será executado pela Banda do Grupamento de Fuzileiros, que nos honra também com a presença.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Meu agradecimento sincero a toda a banda do Grupamento de Fuzileiros Navais de Brasília, meu agradecimento ao Comandante Bruno, que nos honra também com a presença aqui. Chega a ser emocionante tão bela execução do nosso Hino Nacional.
Já vejo aqui D. Orani, no nosso vídeo, o nosso Senador Romário, também presente, quero registrar. Em breve fará um pronunciamento.
Eu gostaria de iniciar esta abertura da sessão especial destinada a comemorar os 90 anos do Cristo Redentor.
Sras. Senadoras e Srs. Senadores, representantes dos Poderes, embaixadores e demais presentes, é com grande entusiasmo que nos reunimos aqui hoje para comemorar os 90 anos do nosso maior cartão-postal, o Cristo Redentor.
O Requerimento 1.308, de 2021, de minha autoria, com o apoio de outros nobres colegas Senadores, como o Senador Romário, que nos acompanha, nos permitiu a realização desta sessão especial tão festiva e simbólica para os cariocas e também para todo o povo brasileiro, pois o Cristo Redentor, ainda que localizado no Rio de Janeiro, representa o Brasil para o mundo, no mundo todo.
O Brasil é um país mundialmente conhecido, sem dúvida, pelas suas belezas, riquezas naturais, como a Floresta Amazônica, as Cataratas do Iguaçu e o morro do Corcovado. Não por acaso, o Corcovado foi escolhido para acolher a sonhada estátua do Cristo Redentor. Quem hoje olha para o morro do Corcovado não consegue imaginá-lo, sem dúvida, sem a imagem do Cristo Redentor fixada em seu topo.
A história da concretização desse símbolo tem início com o lançamento da sua pedra fundamental, em 1922, mesmo ano em que o Brasil comemorou os seus cem anos de independência.
A construção da estátua do Cristo Redentor durou nove anos, entre 1922 e 1931, sendo as peças para a sua montagem transportadas pelo trem do Corcovado, linha férrea que segue até o cume, o alto do morro do Corcovado, e foi inaugurada pelo Imperador D. Pedro II.
Em outubro de 2006, por ocasião do 75º aniversário da conclusão da estátua, foi consagrada uma capela em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. E aqui faço a referência ao meu querido Padre Omar, que tão bem cuida do nosso santuário do Cristo Redentor.
O Santuário Cristo Redentor se preocupa com a condição socioeconômica da população brasileira e expressa a compaixão de Jesus de maneira prática, manifestada em ações evangelizadoras, por meio da prestação de serviços sociais e acolhimento humano junto aos setores menos favorecidos da nossa sociedade.
As ações abrangem vários dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Esses objetivos norteiam desde a sua concepção às ações e às escolhas dos projetos a serem apoiados.
Símbolo do Rio de Janeiro e do Brasil, o Cristo Redentor foi tombado definitivamente como Patrimônio Histórico Artístico Nacional em dezembro de 2009 e, também, incluído pela Unesco em sua lista de Patrimônios Culturais da Humanidade no ano de 2012, acolhendo com seus braços abertos – nosso Cristo Redentor nos acolhe – todo e qualquer cidadão que vive ou visita a cidade, a todos abençoando.
E para rememorarmos esse magnifico monumento e compreender um pouco mais de sua história, peço a todos assistir um breve vídeo que certamente nos emocionará, como ocorreu comigo pela primeira vez. (Pausa.)
Nós vamos começar mais uma vez, porque eu acho que está sem o áudio ainda. Perdão. (Pausa.)
Eu vou pedir para a gente inverter, passar o vídeo, então, ao final, para que possa ser checado antes o áudio, e vou iniciar, aproveitando a presença do nosso Senador Romário, para suas considerações nessa data festiva e importante para o nosso País e a nossa cidade do Rio de Janeiro, nosso Cristo Redentor.
Senador Romário, com a palavra. (Pausa.)
Senador Romário, acho que tem que abrir o seu som. Aí esse é com você.
O SR. ROMÁRIO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ. Para discursar. Por videoconferência.) – Bom dia, Senador, amigo, Senador Portinho, Presidente desta sessão em homenagem aos 90 anos da estátua do Cristo Redentor. É claro que eu não poderia começar a minha participação nesta sessão especial sem lembrar os versos maravilhosos do Tom Jobim em sua pela composição Samba do Avião:
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
A genialidade criativa de Tom conseguiu captar, com o brilhantismo de sempre, a visão da cidade mais linda do mundo quando se chega de avião, mas a verdade é que de quase todo lugar da cidade pode-se avistar a figura mais emblemática do Rio de Janeiro, uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno e seu símbolo maior de amor, compaixão e virtude.
A estátua do Cristo Redentor no nosso Estado do Rio de Janeiro, Sr. Presidente, expressa o que temos de melhor, de mais humano. Ela não se esgota em mais uma imagem religiosa ou na representação de um personagem histórico. Ela é muito mais do que isso, é a imagem de Cristo abençoando os cariocas e o Brasil, é a reafirmação da solidariedade e da fé de uma Nação que crê, de maneira firme, na construção de uma sociedade mais justa, harmônica e feliz.
Eu, particularmente, costumo sempre agradecer ao Papai do céu por todas as bênçãos e conquistas alcançadas.
Devo confessar que morar no Rio de Janeiro e poder contemplar diariamente a imagem do Cristo Redentor me faz sentir mais próximo dele, do seu amor e da sua proteção.
Desejo, portanto, que o Cristo Redentor continue a estender os seus braços e a nos proteger por toda a eternidade.
Amém!
Muito obrigado.
Parabéns por esta sessão tão importante, essa homenagem de 90 anos do Cristo Redentor. Senador, como carioca, não poderia ser diferente, sou muito orgulhoso de poder morar nesta cidade e, também, por ter o Cristo Redentor de braços abertos.
Muito obrigado, boa sorte nesta sessão e um abraço a todos que estão presentes e que estão nos acompanhando.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito obrigado ao nosso Senador, Senador pelo Rio de Janeiro, Romário, meu colega do Partido Liberal.
Gostaria de aproveitar a presença do nosso D. Orani, o nosso Arcebispo e, se ele estiver conectado, conceder-lhe a palavra para que também nos dê a nossa benção, Bispo Joel, certamente lá do nosso Rio de Janeiro.
D. Orani, com a palavra, por favor.
O SR. ORANI JOÃO TEMPESTA (Para discursar. Por videoconferência.) – Minha saudação ao Presidente da Mesa, a minha saudação ao Dom Joel, aos demais Senadores, aos demais Parlamentares presentes, àqueles que nos acessam também, aos também clérigos que estão presentes, é uma alegria poder participar desta sessão solene aqui, do Senado Federal, em homenagem aos 90 anos do Cristo Redentor.
Agradeço ao Carlos Portinho. Estivemos juntos agora, estávamos juntos, numa live sobre o Fórum de Políticas Públicas, foi quando ele me passou justamente essa conexão para poder falar da alegria da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, em celebrar esses 90 anos.
Quando chegaram os portugueses aqui na região do Rio de Janeiro, viram a beleza e aos poucos viram que essa presença e essa beleza dessa região poderiam ser também um sinal para todo o Brasil. Aos poucos se cresceu de poder ter alguns sinais.
Já no século XVIII, XIX, falava-se muito dessa questão de utilizar, de ter um sinal em alguns locais desses morros, dessas montanhas, dessa beleza entre o mar e a montanha e essa cidade que ficava nesse meio.
Com várias inspirações, como já foi dito pelo Presidente da Mesa, finalmente se chegou à conclusão de construir um monumento, o Cristo Redentor, que quer justamente ser um sinal do acolhimento, da beleza e da importância de sermos um país que acolhe a todos, como sempre foi, e, ao mesmo tempo, de poder ser um País que vive e se responsabiliza naquele Cristo que Jesus pregou: que é a justiça, a paz, a fraternidade, o amor, o perdão, a reconciliação e, como um sinal colocado no alto do Corcovado, recorda a todos nós tudo isso àqueles que passam. Pela quantia de visitantes, é o local que mais tem visitantes no Rio de Janeiro, anualmente falando. E sem dúvida que leva as pessoas de todas as ideologias, todas as etnias, todas as religiões a terem inspirações tanto ao verem a cidade como também ao passarem diante do Cristo Redentor e serem tocados pelo sinal que ele dá.
O Cristo Redentor foi justamente uma atividade da Arquidiocese do Rio. Na época, o Cardeal Leme arrecadou no Brasil todo o necessário para construir esse monumento. Chamou artistas, chamou arquitetos, engenheiros e, num lugar bastante difícil, construiu justamente o monumento Redentor e o inaugurou há 90 anos. Durante os 90 anos, a Arquidiocese, com vários patrocínios, continua levando adiante a conservação, levando adiante todo o trabalho ali, no topo do Corcovado, no terreno que é cedido à Arquidiocese, desde aquela época, para que nós levemos adiante essa missão, e o fazemos com muita alegria.
Creio que esta sessão do Senado, ao comemorar os 90 anos, recorda para nós uma história e, ao mesmo tempo, um compromisso nosso de um trabalho que possa ser levado adiante. Ao mesmo tempo, assim como um sinal representa o País, que aquilo que o Cristo Redentor representa para o País, para todos aqueles que passam por aqui, de fraternidade, de acolhimento e de paz, que possamos continuar sendo um povo assim também, que constrói pontes, que acolhe, que realmente leva a justiça e a paz para todos.
Agradeço a todos que estão me vendo, ouvindo e acessando, e que esta sessão possa ainda mais levar adiante esse belo sinal e ajudar ainda mais para que aquilo que representa o Redentor seja uma realidade na vida de todo cidadão brasileiro.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito obrigado, D. Orani, pelas suas palavras. A história que cerca o nosso Cristo Redentor... E eu vou agora dar na sequência a palavra ao nosso Bispo D. Joel Portella Amado. E, em seguida, vamos ver o vídeo, então, de parte dessa história contada, que está lá também retratada.
Muito obrigado!
D. Joel com a palavra, por favor.
O SR. JOEL PORTELLA AMADO (Para discursar.) – Muito obrigado, Senador Carlos Portinho, na pessoa de quem eu saúdo os demais Senadores e Senadoras desta Casa; saúdo o Senador Romário, que já nos falou virtualmente; saúdo também D. Orani, que nos acompanha por esse recurso que estamos aprendendo cada vez mais a usar; saúdo meu irmão Bispo D. Marcony, representando D. Paulo Cezar, Arcebispo de Brasília, em missão fora do País; saúdo Marcella, esposa do Senador Carlos Portinho e, na sua pessoa, minha cara, todas as mulheres aqui presentes, de modo muito especial aquelas que se dedicam à vida no Parlamento e as diplomatas também, aquelas que se dedicam ao serviço diplomático, enfim, cada mulher deste País; saúdo também o Sr. Bruno Luiz Dantas de Araújo Rosa, representando o Advogado-Geral da União; e saúdo quem nos acompanha pelas redes sociais, quem nos acompanha virtualmente pela TV Senado.
Eu diria que foi uma alegria muito grande receber o convite para participar desta sessão em que a imagem do Cristo Redentor, do Corcovado, permitam-me assim falar, está sendo homenageada nos seus 90 anos de existência.
Eu me uno a tudo o que já foi expressado aqui, na fala inicial do Senador Carlos Portinho, na fala do Senador Romário, na fala do D. Orani e um pouco naquilo que todos nós, de algum modo, sentimos, pensamos em relação, como o senhor indicou, ao Corcovado e ao Cristo Redentor do Corcovado, que, de fato, tanto nos emociona.
Embora eu seja carioca de nascimento, tendo vivido no Rio de Janeiro a maior parte da minha vida, eu mantenho comigo uma pergunta a respeito do Cristo Redentor: o que, afinal, é o Cristo Redentor, uma estátua, um monumento, uma referência religiosa, um símbolo turístico, um local para visitar, rezar, contemplar e se emocionar, uma identidade, um cartão postal do Rio de Janeiro e do Brasil? A pergunta ficou na minha mente, no meu coração, desde que o convite chegou. O que afinal é o Cristo Redentor?
Por certo, minhas irmãs e meus irmãos – permitam-me usar esse tratamento –, o Cristo Redentor é um pouco de tudo isso, não é? É um daqueles lugares síntese do muito que cada um de nós espera encontrar ao longo de toda a vida. É mais do que o símbolo de uma cidade ou de um país, o que em si já é tão importante; a meu ver, o Cristo Redentor é o ícone de toda a nossa vida, de toda a nossa existência. Por exemplo, para ali chegar, nós subimos uma montanha, cujo nome, Corcovado, além da descrição de seu formato físico, permite que, recorrendo e abusando um pouquinho do latim, nós façamos um jogo de palavras e recuperemos uma pergunta humanamente fundamental em latim: "Cor quo vadis". Em português: "Coração, para onde vais?".
De fato, as nossas vidas são uma contínua busca, não é? Uma busca que, algumas vezes, exige empenho maior, esforço, subida íngreme na corcova, no penhasco, mas, na chegada, como acontece no Cristo Redentor do Corcovado, se descortina para nós uma realidade muito além do que nós podemos esperar. É por isso, vou repetir, minhas irmãs, meus irmãos, que o Cristo Redentor é um santuário, um local santo, onde é possível perceber o Deus santo, criador de toda essa beleza dada ao ser humano como um presente apaixonado do céu.
Como, há algum tempo, lembrou o hoje Santo Papa João Paulo II, no Cristo Redentor do Corcovado se contempla a integração entre a arquitetura de Deus e a arquitetura humana. O Cristo Redentor do Corcovado é um lugar de busca, de peregrinação, de celebração, de reconciliação e, como o Senador Carlos Portinho lembrou na sua acolhida, também de caridade, de solidariedade com tudo aquilo que ele mencionou, nos projetos sociais realizados pelo Cristo Redentor. É por isso que também, ao longo desses 90 anos, a Arquidiocese do Rio de Janeiro, contemplando aqui virtualmente a imagem de D. Orani na tela, tem se esforçado para cada vez mais possibilitar aos visitantes, aos peregrinos, a melhor acolhida possível. D. Orani, permita-me falar em seu nome e em nome da arquidiocese: é por isso que a Arquidiocese do Rio de Janeiro, como D. Orani já o fez, agradece todo o apoio para bem cumprir sua missão, que é a de cuidar do Cristo Redentor e ao mesmo tempo fazê-lo religiosa, cultural e caritativamente.
Nós sabemos que, se em algumas vezes o cumprimento dessa missão enfrenta dificuldades, é no apoio mútuo e na união de forças que todas as dificuldades são superadas. O fato, minhas irmãs, meus irmãos, de estarmos no Senado Federal, além de nos honrar muito, recorda a importância de nos empenharmos para que a união de forças seja critério decisivo, tanto para cuidar do Cristo Redentor como para as demais instâncias da vida. Alargando, então, o olhar, repito, com a honra de estarmos no Parlamento brasileiro: é possível dizer e dizer, com o coração emocionado, que será sempre na união que nós faremos avançar a democracia, a justiça social e a paz.
O Cristo Redentor é uma imagem religiosa e cultural. Naquela imagem-monumento, religião e cultura, turismo e fé não experimentam conflito, não; ao contrário, já são nove décadas de uma síntese que precisa ser, cada vez mais, valorizada e preservada. Preservar a história e as tradições não se opõe à laicidade do Estado, não se opõe à democracia.
Por isso, desejamos que a celebração dos 90 anos do Cristo Redentor e esta sessão solene no Parlamento brasileiro, sessão que tanto nos orgulha, alegra e emociona, sejam um momento significativo para ratificar a importância de que paz, democracia e justiça social se consolidam onde existe respeito à história, às tradições e às crenças de um povo. Que a laicidade do Estado seja terreno fértil para a semeadura e a colheita do respeito à dimensão religiosa manifestada numa diversidade importante para a vida do País. Que não se confunda – permita-me assim dizer – laicidade com uma espécie de intolerância iconoclasta, intolerância que não respeita símbolos e, por consequência, não respeita as pessoas para as quais esses símbolos possuem significado. O Cristo Redentor é, sim, uma imagem cristã, uma imagem aberta, porém, a todas as pessoas, independentemente de suas crenças. Como o Senador Portinho lembrou, seus braços abertos acolhem quem ali vai, acolhem sem nada indagar, sem diferenciar qualquer condição. Não foram poucas as vezes em que, junto com D. Orani, eu mesmo pude participar de eventos inter-religiosos em vista do bem comum, em prol da paz. Esses eventos expressam o cotidiano de respeito e acolhimento silencioso a quem chegar no Cristo Redentor do Corcovado. É assim que nos sentimos quando visitamos o Cristo Redentor. Que saudade! E é assim que precisamos, a partir daquela imagem que identifica o Brasil para o mundo, concretizar cada vez mais, em nosso País, fraternidade, comunhão, solidariedade e paz.
A imagem do Cristo Redentor, pelo local em que está, enfrenta intempéries a cada dia, e nós precisamos aprender, do Cristo Redentor, a mesma firmeza para resistir nos momentos difíceis, encontrando e compartilhando paz.
Senador, minhas irmãs, meus irmãos, quem não sente paz ao estar diante do Cristo Redentor? Que, portanto, aquela paz que sempre se deseja eternizar nas fotos ali tiradas – especialmente aquelas fotos em que, num jogo de imagem, nós também abrimos os braços, tentando tangenciar os braços, as mãos do Cristo Redentor – seja a marca de um País que se alegra e se orgulha por ter o Cristo Redentor do Corcovado como uma de suas referências. Repetindo a música que o Senador Romário disse: "minha alma canta, nossa alma canta".
Muito obrigado. Muito obrigado, Senador Carlos Portinho. Muito obrigado, Senado Federal, pela realização desta sessão solene. Muito obrigado, senhoras e senhores, por me terem ouvido.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Amém! (Palmas.)
Depois de tão belas palavras, queria aproveitar a presença do nosso irmão cristão também, Governador do Rio de Janeiro, do meu Estado, Governador Cláudio Castro.
Por favor, pelo seu tempo.
O SR. CLÁUDIO CASTRO (Para discursar. Por videoconferência.) – Bom dia! Em primeiro lugar, um excelente dia a todos.
Queria de início parabenizar o meu amigo, meu irmão, Senador Portinho, por essa homenagem. Portinho e eu temos uma longa trajetória de amizade, de parceria, trajetórias políticas que se encontraram muitas vezes na vida, e muitas delas foram nas paróquias, muitas delas foram enquanto eu tinha a missão, ainda naquela época, de evangelizar através da música, cantando ou palestrando.
Queria cumprimentar aquele que hoje ainda tenho dificuldade de chamar de D. Joel, porque eu o conheci Padre Joel há muitos, muitos anos, e me conhece desde garoto também, cantando. Já me puxou muito as orelhas como jovem: "Canta baixo, menino! Calma, tem que ser assim, tem que ser assado". Sempre um professor, um amigo muito, muito querido.
Cumprimento D. Orani, o nosso Cardeal. Eu estive com ele mais cedo em uma reunião da pastoral dos católicos na vida política.
Gostaria também de cumprimentar o Presidente desta Casa, o meu querido amigo Senador Rodrigo Pacheco, outro diletíssimo amigo, quase carioca, quase fluminense. Eu brinco que ele é o quarto Senador aqui do nosso Rio de Janeiro.
Quero dizer que é uma alegria estar aqui, é uma alegria estar celebrando esses 90 anos do Cristo Redentor. Eu lembro, Portinho, no lançamento, nós dois juntos lá, aos pés do Cristo, e eu lembro bem que no meu discurso eu dizia, pedia que o Cristo nos abençoasse – o próprio Cristo, aos pés da imagem que o reflete –, nos ajudasse nessa pandemia, e, quem sabe, na celebração dos 90 anos, já com a população vacinada, pudéssemos estar, então, tirando as máscaras e voltando a sorrir.
Ainda não conseguimos tirar as máscaras cem por cento, mas a vacinação andou, a vida começou a voltar ao normal, a economia está voltando, e eu não tenho dúvida de que isso tudo tem as bênçãos do Cristo. E a gente tem que ter muita fé: a fé trabalhando; a fé fazendo aquilo que é a nossa obrigação de gestor público fazer, no meu caso no Executivo estadual, mas também nas outras esferas do Poder, assim como V. Exa. no Senado Federal, com seu papel de Senador. Que o exemplo do Cristo seja o nosso exemplo, daquele que teve resiliência na dificuldade porque sabia a meta que tinha, que era salvar o mundo. Nós políticos temos que aprender a ter essa resiliência porque, muitas vezes, na hora da dificuldade, queremos logo mudar o rumo das coisas, e o próprio Cristo demonstrou, nos 40 dias do deserto, que o deserto é fundamental para que a gente possa estar preparado para tudo aquilo que vem.
Que essa pandemia tenha sido o nosso deserto. Que, assim como Cristo passou os 40 dias no deserto, nós tenhamos vivido esse um ano e meio, quase dois de pandemia no nosso deserto, e que nós possamos nos preparar melhor como sociedade, possamos nos preparar melhor como seres humanos, voltando a olhar o próximo, voltando a olhar a caridade, voltando a olhar aquele que mais precisa.
Infelizmente, Senador Portinho, no Brasil, mais especificamente aqui no nosso Rio de Janeiro, a fome voltou a ser um difícil passivo. A fome voltou a aparecer, o desemprego aumentou. Mesmo o Rio de Janeiro tendo sido, segundo o Caged, o primeiro Estado da Federação a recuperar cem por cento dos empregos perdidos, ainda causou marca nas empresas, causou marca de dívida nas pessoas, um déficit educacional grande. Mas que esse seja o nosso deserto. Como diria Jesus, "aquele que quer me seguir toma a sua cruz e segue-me". E a nossa cruz hoje é livrar o nosso povo dessa consequência terrível e nefasta que a pandemia trouxe, hoje em menor escala porque realmente a vacinação está avançando muito. Eu e V. Exa. conversamos muito sempre sobre a questão da vacinação – é minha prioridade e de V. Exa. Portanto, o Estado do Rio de Janeiro hoje tem um dos melhores números do País. Aqui, na capital, tivemos quatro dias consecutivos sem nenhum óbito, graças a Deus!
Espero que possamos tomar as nossas cruzes, e nossas cruzes, com certeza, são trabalhar para o nosso povo, com a dificuldade, com a resiliência necessária. Que a gente possa fazer a nossa missão, que é cuidar desse povo – no nosso caso, do Rio de Janeiro, mas aqui, no Senado Federal, que a gente possa cuidar do País inteiro –, entendendo que só através do diálogo, só através de uma postura menos beligerante a gente vai conseguir atingir este objetivo de despolitizar um pouco, na verdade bastante, essa discussão da pandemia e aprender, como Cristo fez, que a gente tem que estar irmanados. O próprio Cristo não quis fazer sozinho – Ele não precisava, Ele poderia ter feito tudo sozinho –, mas Ele escolheu 12 para andarem com ele. Que, no nosso Estado, na nossa Nação, com 26 Estados e o Distrito Federal, nós possamos ser esses discípulos, unidos, e que todas as searas de poder e as searas regionais possam estar unidas num objetivo só, que é celebrar, trabalhar e depois celebrar o fim dessa pandemia.
Então, parabéns a todos, parabéns à Arquidiocese do Rio de Janeiro, principalmente na figura do meu querido amigo de infância, Padre Omar, que zela tão bem ali pelo monumento do Cristo, do D. Orani, do D. Joel, de todos os bispos e também de todos aqueles que amam esse espaço, que é Patrimônio da Humanidade.
Um forte abraço a todos e que Deus nos abençoe!
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito obrigado, Exmo. Governador e amigo Cláudio Castro, que tanto tem feito pelo nosso Estado e nos representa muito bem. Inclusive a sua presença aqui reforça exatamente isso.
Aproveitando a citação, então, a referência ao nosso querido Padre Omar, que se devota a cuidar desse santuário do Cristo Redentor, agora, sim, com áudio, eu vou pedir para, se pudermos, assistirmos a esse breve vídeo, que conta um pouco da nossa história.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Realmente emocionante. E, tendo aqui toda representação diplomática, que nos honra com a presença, quero lembrar que o nosso Cristo está de braços abertos ao turismo, a recebê-los, como disse D. Joel, com todo carinho que o povo acolhedor cristão do nosso Rio de Janeiro pode promover.
Eu gostaria de conceder a palavra, na sequência, ao Reverendo D. Marcony Vinícius Ferreira. Por favor, por cinco minutos.
O SR. MARCONY VINÍCIUS FERREIRA (Para discursar.) – Bom dia a todos.
É uma alegria participar desse momento, dessa sessão solene. Quero parabenizar nosso Senador Carlos Portinho, e na pessoa dele, todos os membros dessa Mesa. De modo muito especial, saúdo nosso amado Cardeal D. Orani, que cuida com tanto zelo não só do Cristo Redentor mas de toda Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Quero cumprimentar aqui também todos os diplomatas, todos os membros desta Casa como também seus funcionários, e a banda da Marinha, dos nossos fuzileiros navais, que tanto nos honrou com o Hino Nacional.
Cristo Redentor é, sim, este sinal. E Dom Joel falou tão bem que não teria mais o que acrescentar no sentido das palavras que representam não só a imagem, a escultura, este monumento, como também a presença do próprio Senhor da vida, Cristo, Jesus.
Queria chamar a atenção para os detalhes. A cabeça do Cristo, que foi feita de forma separada, o seu rosto sereno, as suas mãos estendidas sobre todo o nosso País, nos abraçando, nos acolhendo, como que velando sobre nós. Seus braços abertos mostram o coração de Cristo, que é o coração do brasileiro, aberto também aos estrangeiros, aberto a todos aqueles que são humanos e filhos de Deus. Igualmente, o coração, como foi bem colocado no vídeo que acabamos de ver, mostra o nosso amor, a nossa sensibilidade, mas também um detalhe que poucos veem no Cristo Redentor: ele mesmo, reinando do alto do monte do Rio de Janeiro e abençoando todo o Brasil. Ele carrega singularmente uma coroa de espinhos. É a realidade do nosso povo: um povo que luta, um povo que vence batalhas, um povo também que sofre em diversos aspectos, como bem foi colocado pelo Sr. Governador Cláudio Castro.
De um modo direto, igualmente é atração para todos. De fato, o sobrenatural atrai, a pessoa de Cristo atrai, seu exemplo de vida, suas palavras, o seu cuidado com os mais pobres, as curas e também o seu ensinamento, como mestre e senhor. Sendo o cartão postal, mostra o nosso Brasil para o mundo inteiro, de modo que somos assim conhecidos pelo Cristo Redentor.
Um sentimento religioso, um sentimento igualmente de gratidão, um sentimento humano: é assim que o Cristo Redentor nos acolhe e que o Cristo Redentor nos olha. Ele congrega a todos, ele abraça a todos, ele igualmente indica a todos: "Olhem para mim, sigam comigo" no dia a dia de cada brasileiro desta Nação, que é também velada por esta Casa.
Quero aqui parabenizar os Senadores, quero parabenizar o nosso Parlamento, que, com tanta justiça, promoveu este momento, esta sessão solene, de modo muito especial, na pessoa do nosso Senador Carlos Portinho.
Que Deus possa nos abençoar muito, e que, assim, nossa querida Brasília, que sucedeu, como Distrito Federal, nosso amado Rio de Janeiro, continue também a ter como exemplo, no alto das suas aspirações, o Cristo Redentor, e que o abraço do Cristo Redentor chegue também a esta Casa, chegue a todos os nossos Parlamentares, chegue a todos aqueles que trazem algo de autoridade para melhorar o dia a dia dos irmãos do Cristo Redentor: cada brasileiro, cada brasileira.
Parabéns a todos! Continuemos unidos, buscando a promoção da paz, do amor e do acolhimento que o nosso Brasil manifesta para todo o mundo.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito obrigado, Reverendo Dom Marcony Vinícius Ferreira. Leve o nosso agradecimento pelas suas palavras, sua representação ao nosso arcebispo. V. Exa. é o Bispo Auxiliar de Brasília. Leve-o ao nosso Arcebispo, D. Paulo Cezar Costa. Eu e minha esposa temos frequentado muito aqui as missas, e, realmente, é um prazer.
Eu gostaria agora, aproveitando aquelas belas imagens do nosso Cristo Redentor, de pedir, se a gente tiver, a mensagem do nosso Ministro Gilson Machado, Ministro do Estado do Turismo.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito bom! Ao nosso Ministro do Turismo, Gilson Machado, agradeço e registro a sua participação.
Nessa esteira, falando ainda de turismo, se o nosso Sávio Neves já estiver conectado pelo... (Pausa.)
Ainda não conectou.
Então, eu vou dar sequência.
Logo, eu gostaria de convidar o nosso querido Luiz Carlos Pugialli, Membro do Conselho Anos do Cristo Redentor.
Quero fazer, antes, Luiz Carlos, uma referência ao meu querido amigo que nos acompanha e que também devota seus esforços pela nossa causa cristã, meu amigo advogado Pedro Trengrouse. Eu gostaria de fazer o registro da sua presença virtual; ele nos está acompanhando.
Dou a palavra, então, agora, ao nosso querido Luiz Carlos Pugialli. (Pausa.)
Luiz Carlos, acho que seu áudio está desligado ainda.
Isso! (Pausa.)
Luiz Carlos, por favor, fique à vontade.
O SR. LUIZ CARLOS PUGIALLI (Para discursar.) – Bom dia a todos!
Bom dia, Senador Carlos Portinho!
É um prazer estar saudando a todos, de modo especial o nosso Senador Carlos Portinho, com quem já dividi a mesa na Rádio Catedral – nós éramos âncoras. Juntos, fizemos um trabalho de reflexão e um trabalho bastante grande nesse sentido de a gente estar desenvolvendo uma evangelização através da política.
Eu estou hoje feliz por a gente estar celebrando esses 90 anos do Cristo Redentor. Participei da gênese, do início do Santuário do Cristo Redentor, criado pelo nosso Cardeal Eusébio Scheid, que transformou aquele espaço – que não era só um espaço turístico; era um espaço religioso – como um grande santuário, e isso para nós tem sido muito importante para reafirmar, aos pés do Cristo Redentor, a fé do povo brasileiro.
Eu cumprimento os presentes, o nosso amigo, querido também, D. Joel, o nosso Eminentíssimo Sr. Cardeal Orani João Tempesta, que está nos acompanhando aqui; saúdo a todos os Senadores; e peço até desculpa por não poder estar o tempo todo desta cerimônia, porque estamos presidindo no Rio de Janeiro hoje o Fórum de Políticas Públicas organizado pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, através da Pastoral dos Católicos na Política, da qual o nosso Senador Carlos Portinho participa conosco, na qual pensamos soluções, trabalhos, ações para o bem comum da nossa sociedade, a partir da nossa rua, a partir do nosso bairro, da nossa cidade, do nosso Estado, e para o nosso País.
Então, é uma alegria, Portinho, poder me dirigir ao senhor, Senador da República, e saber que o senhor pode ter sempre aqui um amigo que estará à disposição para não só acompanhar os seus projetos, mas contribuir para o sucesso dessa sua missão aí no Senado Federal. Isso a gente estende a todos os Senadores da República, demonstrando que os leigos católicos estão sempre abertos ao diálogo e com disponibilidade para contribuir na construção do bem comum.
Muito obrigado, Senador, por poder estar participando com o senhor desta sessão solene.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito obrigado, querido Luiz Carlos, pela sua participação; sua presença nos honra.
Eu gostaria, na sequência, de conceder a palavra, por cinco minutos, ao querido Bruno Luiz Dantas de Araújo Rosa, Advogado-Geral da União Adjunto.
O SR. BRUNO LUIZ DANTAS DE ARAÚJO ROSA – Presidente, vou pedir licença para falar sem máscara.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Por favor.
O SR. BRUNO LUIZ DANTAS DE ARAÚJO ROSA (Para discursar.) – Inicialmente, eu comprimento o Sr. Presidente da Mesa, Senador Carlos Portinho, pelo convite direcionado à Advocacia-Geral da União para participar desta sessão especial comemorativa, na pessoa da qual eu estendo os cumprimentos ao Sr. Presidente do Senado Federal, Senador Rodrigo Pacheco, às demais autoridades, aos Senadores aqui presentes, aos membros de corpo diplomático, aos embaixadores, à Banda da Marinha, que também nos brindou com uma bela execução do Hino Nacional.
Consigno minha alegria por ter sido designado aqui pelo Sr. Ministro da AGU, Dr. Bruno Bianco, para representar a instituição nesta solenidade, por sua importância e simbologia e pelo fato de ter nascido no Estado do Rio Janeiro, local com o qual muito me identifico.
Falando um pouco aqui do Cristo Redentor, de fato, trata-se de um monumento fascinante, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), ícone da paisagem carioca, posicionado no alto do Corcovado, cujo projeto arquitetônico atribui-se ao engenheiro Heitor da Silva Costa, com obras iniciadas ainda no ano de 1922 e conclusão que demandou esforços de valorosos homens que se dedicaram a superar as dificuldades geográficas da região e puderam finalizar, anos depois, o grandioso projeto.
Estive também, vindo a esta solenidade, refletindo um pouco sobre o aspecto jurídico que envolve o Cristo Redentor e penso que é uma colocação pertinente podermos aqui fazer uma alusão de que o Cristo Redentor representa um dos objetivos fundamentais da nossa Constituição Federal. Ele pode ser interpretado como um símbolo, ao verificarmos seus braços abertos ali, em face de todo o Estado do Rio de Janeiro, e essa conexão com os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, notadamente aos valores de liberdade e solidariedade, que são marcas da nossa democracia brasileira, então, algo que me pareceu pertinente, trazendo um pouco aqui para o enredo da parte jurídica, no que cabe à Advocacia-Geral da União, tentando também fazer uma contribuição aqui a esta importante solenidade.
O Cristo representa algo tangível, a construção visível, mas certamente algo intangível, valores cristãos, parte da fé, das bênçãos que se pretende que sejam emanadas tanto ao Estado do Rio de Janeiro, local em que ele é sediado, ali no Corcovado, quanto à própria sociedade brasileira. Então, eu me sinto muito honrado de poder aqui representar a Advocacia-Geral da União, pela importância do monumento, tanto dessa parte invisível e da parte visível, no que transcende as divisas do Estado do Rio, como foi bem colocado pelo Senador Portinho, que é algo que tem uma valoração mundial e é cartão-postal aqui do Rio de Janeiro e do nosso Brasil.
É um ponto turístico importantíssimo, de interesse de todas as partes do mundo, responsável, temos certeza, por fomentar a nossa economia, de importância para os cariocas, os brasileiros, que muito se orgulham desse importantíssimo símbolo de nosso País, e que, como foi colocado no vídeo que nos trouxe bastantes informações esclarecedoras – é bom rememorar a nossa história, a história de nosso País –, é um patrimônio da humanidade e também reconhecido como uma das sete maravilhas do mundo moderno.
E, aqui, também trazendo um pouco para a parte jurídica, que nós possamos, todos, enquanto servidores, Estado, sociedades civis e população em geral, zelar pela contínua proteção do nosso meio ambiente cultural, sendo um exemplo esse monumento do Rio Janeiro, ímpar não só no Brasil como no mundo. E que possamos saudar este momento especial aqui em que pudemos dedicar um tempo para que olhemos para a nossa história, para a valorização daquilo que representa muito para a sociedade brasileira e para a sociedade carioca.
É com essas breves palavras, Senador, que eu agradeço a oportunidade e restituo a palavra a V. Exa.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Dr. Bruno Luiz Dantas de Araújo Rosa, muito obrigado pela sua presença e pela representação aqui da Advocacia-Geral da União, que nos honra sempre no exercício das suas funções e aqui especialmente.
Como eu havia dito que a construção da estátua durou nove anos, entre 1922 e 1931, e as peças para montagem foram transportadas pelo trem do Corcovado, eu vou conceder a palavra ao meu amigo Sávio Neves, que está ali e é Presidente do trem do Corcovado.
Sávio, com a palavra, por favor.
O SR. SÁVIO NEVES (Para discursar. Por videoconferência.) – Bom dia, Senador Portinho! Quero saudar nosso Senado Federal na pessoa da sua nobre figura, um competente representante aqui do Rio de Janeiro, da sociedade do Rio de Janeiro e muito especificamente da nossa atividade do turismo, cumprimentar o Presidente da Casa, Senador Rodrigo Pacheco, e saudar essa iniciativa. Eu estou vendo tanta gente aqui falando sobre o nosso monumento Cristo Redentor. Está aqui nosso Arcebispo, Cardeal Dom Orani.
Eu faria aqui rapidamente, numa cronologia, dois momentos contemporâneos superimportantes, além desse, Senador, que o senhor falou, lá de 1931, que foi a inauguração do Cristo Redentor, mas durante os nove anos da obra... Na verdade, a Arquidiocese do Rio de Janeiro escolheu o morro do Corcovado como púlpito, como base do monumento, exatamente porque existia uma ferrovia, um trem, que viabilizasse toda a obra, transportando desde água, cimento, pedra, vergalhão, todos os operários, desde o engenheiro que projetou, o Heitor da Silva Costa, mas também o Heitor Levy, que foi o engenheiro que participou diariamente da obra – ele que não acreditava em Deus e seis anos depois virou um temente a Deus, uma pessoa muito ligada a Cristo, a Deus, exatamente porque durante todo o período da obra não houve nenhum acidente, nenhuma pessoa se feriu, se machucou, mesmo ali a 710m de altura, com todas as intempéries, vento forte, chuva, sol, enfim, toda aquela situação natural ali no alto do morro do Corcovado, e mesmo assim não houve nenhum acidente. Ele creditou isso a um milagre. Em 12 de outubro de 1931... Por isso existe ali uma capela da nossa padroeira, Nossa Senhora de Aparecida, por conta da data de inauguração, 12 de outubro. Aliás, eu faço aqui uma referência à Arquidiocese do Rio de Janeiro, na figura do Cardeal, mas também ao Reitor do Santuário do Cristo Redentor, o Padre Omar Raposo, que tem conduzido com muita competência, muita dedicação, a rotina ali litúrgica, religiosa, neste santuário.
Iria ser um outro momento, quer dizer, em 2007, o Cristo Redentor, um monumento art déco, o maior monumento art déco do mundo, foi eleito, numa pesquisa, numa competição, vamos chamar assim, apoiada pela Unesco, órgão da ONU, o Cristo Redentor, entre 21 participantes, 21 competidores, foi eleito uma das Sete Maravilhas do Mundo moderno, junto com as pirâmides, junto com o Chichén Itzá, o Machu Picchu, Petra, na Jordânia, enfim, as Muralhas da China.
Hoje, o Cristo Redentor faz parte desse rol internacional muito importante. Aliás, é a obra mais nova de todas, se você comparar com todos esses que eu citei. O Cristo Redentor fez 90 anos, é o primo mais novinho dessa turma. O Brasil e o Rio de Janeiro têm de saber faturar economicamente sobre esse título, afinal o Cristo Redentor faz parte desta vitrine; então, a gente precisa usar melhor.
Quando você desce ali em Lima e, depois, você desce em Cusco, no aeroporto, já está anunciado, você está no Peru, onde existe uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Aqui, se bobear, o turista passa batido e ninguém sabe que o Cristo Redentor foi eleito, em 2007, dia 07/07/2007, lá na Europa, em Portugal, uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Depois, em 2009, Senador Portinho, a arquidiocese do Rio de Janeiro transforma o monumento do Cristo Redentor num santuário. Eu acho que esse foi um marco muito importante, porque nós trouxemos, além de todo o potencial turístico, a gente tem ali um camarote de 360º da cidade maravilhosa, você consegue enxergar inclusive os Municípios, além da Baía de Guanabara, Niterói, Maricá, etc., todos os bairros do Rio de Janeiro, quando você tem uma boa visibilidade, mas, além desse camarote VIP do Rio de Janeiro, você hoje tem ali um santuário onde a igreja pode realizar os sacramentos. Então, por isso temos muitos batismos, batizados, você tem ali casamentos, enfim, primeira comunhão. A igreja tem feito um esforço intenso para utilizar melhor esse instrumento religioso de todos e que abraça todas as religiões. Isso o Padre Omar e o Dom Orani fazem questão de falar, ali é um ambiente onde todas as religiões são muito bem-vindas.
Então, eu destacaria, Senador, esses dois momentos muito recentes, 2007 e 2009, da criação do santuário e, agora, dos 90 anos, que, na verdade, é uma contagem regressiva para o centenário, daqui a dez anos, no qual a gente espera ter o senhor comandando novamente uma sessão plenária em homenagem ao nosso Cristo Redentor.
E o trem do Corcovado, que é quase 50 anos mais velho do que o monumento, pouca gente sabe disso. As pessoas acham que a ferrovia foi criada em função do monumento, o que seria muito justo, mas a curiosidade é que o trem do Corcovado é que viabilizou toda a obra do Cristo Redentor. Lá, desde 1884, Dom Pedro II, o próprio concessionário, o primeiro concessionário, João, há os dois primeiros – João Teixeira Soares e o Pereira Passos, que depois se transformou num importante Prefeito do Distrito Federal, da Capital do Brasil, o Rio de Janeiro.
Então, uma breve história, Senador. Eu queria aqui parabenizar o senhor não só pelo trabalho, a sua rotina de trabalho, que eu tenho acompanhado com muito entusiasmo, mas principalmente por essa homenagem aos 90 anos do nosso principal ícone e âncora turística do Rio de Janeiro.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito obrigado, Sávio, pelas palavras, pela história que nos conta e por gerir tão bem esse que é o principal acesso e o mais bonito, talvez, mais divertido e prazeroso acesso para o turista ao Cristo Redentor, através do Trem do Corcovado.
Caminhando ao final já do nosso encontro, eu gostaria, até porque senti falta de uma mulher falando aqui, e eu sei que temos aqui a presença da Roberta Werner... Ela é a Diretora do Rio Convention Bureau. A Roberta está aqui, não está? Roberta, a senhora consegue falar ali do... Ou pode vir aqui, venha aqui à tribuna para dar o seu testemunho final, porque o Rio Convention Bureau é um ator muito importante para atração de turismo, de negócios para o nosso Estado, para a nossa cidade do Rio de Janeiro. Eu confesso que senti a falta de ouvir uma voz feminina aqui e, por isso, a Roberta encerrará esse ciclo de oradores, trazendo uma palavra para nós.
Muito obrigado, Roberta.
A SRA. ROBERTA WERNER (Para discursar.) – Bem, muito bom dia.
Vou tomar liberdade, uma vez que estamos aqui em distanciamento.
Queria agradecer imensamente, Senador, por essa oportunidade. Mais do que isso, parabenizá-lo por esta sessão especial. E aproveito também para saudar a Mesa. Quero dizer que é um prazer enorme, uma honra fazer parte desta sessão tão especial.
Aproveito para também cumprimentar o nosso grande amigo Sávio Neves, o nosso parceiro do Rio de Janeiro, que realmente desenvolve um trabalho brilhante à frente do Trem do Corcovado; agradecer também e, de alguma forma, elogiar esse trabalho muito liderado pelo Pedro Trengrouse, que é um grande parceiro nosso.
E quero dizer para o senhor o quanto o Rio de Janeiro se sente prestigiado por esta sessão especial. Nós do Rio Convention Bureau, que representamos toda a cadeia produtiva da atividade turística, sabemos o quanto este monumento é importante para a geração de recursos da nossa cidade.
Para o senhor saber a magnitude que nós estamos falando, o Rio de Janeiro recebe anualmente por volta de 1,6 milhão de turistas. Só o Cristo Redentor recebe 3 milhões de turistas ao ano. E muito em função disso é que esses 90 anos não são suficientes. Queremos muito mais. E, dentro dessa linha dos próximos dez anos, nós temos desenvolvido um grande projeto que congrega, na verdade, o turismo religioso para a cidade do Rio de Janeiro.
Então, o significado que o nosso maestro aqui, religioso, estava mencionando, não é? Que significado o Cristo Redentor tem para nós? Tem vários significados, não é? E um deles mais do que isso realmente é celebrar a vida. Precisamos celebrar a vida nesse momento tão importante para a nossa cidade de recuperação, de retomada, de recomeço. E nós, enquanto entidade, estamos justamente trabalhando fortemente para fazer com que o turismo religioso, que congrega todas as religiões, mas liderado sobretudo pelo nosso querido Padre Omar, pelo Santuário Cristo Redentor, possa desenvolver a atividade do turismo, gerando cada vez mais empregos e recursos para a nossa cidade.
Então, novamente eu gostaria de agradecer imensamente essa oportunidade, dizer que a nossa entidade está à sua disposição e à disposição também dos demais membros desta mesa, para que a gente possa, nesses próximos dez anos, desenvolver um lindo e excelente trabalho.
Muito obrigada e tenham todos um excelente dia!
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Muito obrigado, Roberta. (Palmas.)
Muito obrigado pelo trabalho do Rio Convention Bureau.
Eu estava aqui tentando ainda o contato com o nosso Prefeito Eduardo Paes. Ele havia entrado no início; por força de alguns compromissos, não pôde se reconectar, mas certamente deixa aqui a todos nós a sua mensagem, como grande carioca que é, da importância do nosso Cristo Redentor para a cidade do Rio de Janeiro.
Então, assim, encerrada a lista dos oradores, nós temos um momento agora, que é uma placa, uma placa comemorativa aqui do Senado Federal. Eu gostaria de convidar aqui à frente Dom Joel. E, Dom Joel, por favor, em nome de toda a Igreja, especialmente em nome daqueles que não puderam estar aqui presencialmente e que desempenham realmente um importante papel na história do Cristo, V. Exa. receberá por eles também essas placas. Eu me refiro ao nosso Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio; ao nosso Padre Omar – faço questão que chegue a ele, no Cristo Redentor, essa lembrança, essa placa comemorativa –; ao Arcebispo de Brasília também, Dom Paulo Cezar Costa; e principalmente ao Presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Walmor Oliveira de Azevedo.
Então, vamos aqui à frente, por favor?
(Procede-se à entrega de placa comemorativa ao Sr. Joel Portella Amado.)
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – Antes de encerrar esta sessão, eu gostaria de fazer a citação nominal, com os nossos agradecimentos, Comandante Bruno, a toda a banda dos fuzileiros, e citar nominalmente a relação. Música, cultura e uma Marinha juntas nos dão esse presente.
A banda é composta por: Eliel Rodrigues Vitoriano, Otoniel Teixeira Barreto, Fábio da Luz Barreto, Fábio Santos de Mendonça, Herik Coutinho de Oliveira Gomes, Silas Constancio Garcia, Isaias Isaac Ribeiro, Fábio da Costa Lima, Dario Andrade Ribeiro, Orlando José Ribeiro, Luiz Henrique Mayer, Wanderley Damasceno Torres, Bernardo Francisco Santos de Sousa, Paulo Silva de Oliveira, Rodrigo José Macedo Garça, Thiago Silva Lopes, Márcio Filho Coelho de Sousa Oliveira, Vanderley Garcia Veras Rangel, Natan Ferreira Cardoso, Severino Rogério Vidal dos Santos, Widisley Gutemberg Barbosa da Silva, Luís Paulo de Oliveira Souza, Raphael Araújo da Silva, e Lincon dos Santos França. O nosso muito obrigado!
E, para comemorar essa data e celebrar o Cristo Redentor, peço a execução da música que nos reservou em homenagem à nossa cidade – é o hino não oficial.
(Procede-se à execução da música Cidade Maravilhosa.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Carlos Portinho. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ) – E assim, o nosso agradecimento a todos os presentes, todas as autoridades, embaixadores, representações diplomáticas, nossos representantes da Igreja eclesiástica, aos nossos representantes do Governo Federal, ao Senador Romário, ao Governador Cláudio Castro, e a todos aqueles que puderam contribuir com a celebração e com a invocação dessa estátua que representa, como eu disse ali no vídeo final, a diversidade da espiritualidade do brasileiro e dos nossos turistas, daqueles que nos visitam.
Então, assim, cumprida a finalidade desta sessão especial remota do Senado Federal, agradeço às personalidades que nos honraram com suas participações e encerro.
Está encerrada, assim, esta sessão.
Muito obrigado a todos e que Deus nos abençoe!
(Levanta-se a sessão às 11 horas e 40 minutos.)