3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 28 de novembro de 2025
(sexta-feira)
Às 14 horas
178ª SESSÃO
(Sessão Especial)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos.
A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento nº 464, de 2025, de autoria desta Presidência e de outros Senadores e Senadoras, aprovado pelo Plenário do Senado Federal.
A sessão é destinada a - abro aspas - "lembrar os seis meses de falecimento do Papa Francisco e dar luz à reflexão sobre o Pacto Educativo Global proposto por Sua Santidade para que todas as pessoas no mundo, instituições, igrejas e governos priorizem uma educação humanista e solidária como modo de transformar a sociedade" - fecho aspas.
Compõem a mesa desta sessão especial os seguintes convidados e convidadas: à minha direita, Irmão Rogério Mateucci, Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná; logo à minha direita, Irmã Iraní Rupolo, Presidente da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) e Reitora da Universidade Franciscana, em Santa Maria, Rio Grande do Sul - muito bem-vinda, Irmã; e, Reitor, também muito bem-vindo -; à minha esquerda, Revmo. Sr. Padre Júlio César Evangelista Resende, Assessor do Setor de Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); também à minha esquerda, Irmã Maria do Desterro Rocha Santos, Presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil - muito bem-vindos também. Obrigado pela presença.
Também anuncio a presença, de forma remota, do Revmo. Sr. Padre Anderson Antonio Pedroso, Presidente da Organização das Universidades Católicas da América Latina e do Caribe e Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - muito bem-vindo também -; à minha esquerda, da jovem Paula da Silva Dourado Mangueira - muito bem-vinda, Paula -, estudante da 1ª série do ensino médio do Colégio Marista de Brasília.
Convido a todos e todas para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional, que será interpretado pela Banda Marcial do Colégio Marista de Brasília.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR. Para discursar - Presidente.) - Também temos, aqui à direita, a participação do jovem Pedro Paula Viana Silva, estudante do 6º período do curso de Educação Física da Universidade Católica de Brasília.
Bem-vindo, Pedro!
Agradecemos por enquanto, e teremos já a apresentação também de uma interpretação da Banda Marcial. É importante a gente dizer que nós estamos discutindo o Pacto Educativo Global, e nada mais representativo, mais simbólico do que termos a banda de um Colégio Marista, também dedicado à educação.
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Eu quero mencionar os componentes da banda. Quando o nome for mencionado, podem levantar a mão até para ajudar a televisão a visualizá-los: Pedro Gabriel Thomé - muito bem-vindo! -, Eduardo Lucas Alvarenga Capanema - muito bom! -, Gabriela Litran de Andrade, João Pedro Baddini Teixeira, Julia Coimbra Cavicchioli, Luis Felipe de Lima - muito bom! -, Mário Cézar Alves Pinho Neto - parabéns! -, Neeki Rayne Aghaei - bem-vinda! -, Alencar Ulisses Rizental - muito bom! -, Rogério Sérgio Paiva - muito bem-vindo! -, Murillo Correa Neumann - está do outro lado, à esquerda - e os maestros Alencar Rizental e Rogério Paiva, que já foram mencionados também.
Muito bem-vindos! Obrigado pela presença.
Destacamos a presença do Sr. Embaixador da Argentina, Guillermo Daniel Raimondi - muito bem-vindo -; do Sr. Embaixador da Jordânia, Maen Masadeh; do Magnífico Reitor da Universidade Católica de Brasília, Manuel Furriela; e do Sr. Vigário Episcopal da Igreja Católica, Padre Rafael Santos.
Bem-vindos a esta sessão especial!
Eu quero inicialmente dizer que estamos aqui reunidos, nesta sessão especial, para lembrar, em primeiro lugar, do legado do nosso querido e saudoso Papa Francisco, que faleceu em abril deste ano. Grande líder da Igreja Católica, Francisco se tornou uma referência religiosa e espiritual para toda a humanidade.
Sete meses após seu falecimento, falaremos sobre uma de suas grandes iniciativas: o Pacto Educativo Global, que nasceu de seu coração, em 2019. Como uma proposta de aliança da humanidade contra as desigualdades, o pacto une famílias, escolas, universidades, religiões, governos e toda a sociedade civil, na premissa de que, "para educar uma criança, é necessária uma aldeia inteira" e de que a educação é força de cura, reconciliação e esperança.
Tendo a dignidade do ser humano como objetivo maior, o Pacto Educativo Global foi lançado pelo Papa Francisco com sete compromissos:
1. Colocar a pessoa no centro;
2. Ouvir crianças e jovens - vocês, Paula, todos vocês que estão aqui e no Brasil inteiro -;
3. Promover a dignidade e o papel das mulheres;
4. Reconhecer a família como primeira educadora;
5. Acolher e incluir os mais vulneráveis;
6. Renovar a economia e a política a serviço da pessoa; e
7. Cuidar da casa comum.
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O Papa Leão XIV, no Jubileu da Esperança, celebrado neste ano, relançou o pacto, agregando três chamadas urgentes, totalmente sintonizadas com as necessidades do nosso tempo:
1. Educar para a interioridade: devolver aos jovens profundidade, silêncio e discernimento em uma sociedade saturada de ruídos e dispersões;
2. Educar para um digital humano: garantir que a tecnologia esteja sempre a serviço da pessoa, não acima dela;
3. Educar para uma paz desarmada e desarmante, ou seja, formar gerações capazes de diálogo, reconciliação e construção de pontes, escolhendo caminhos de paz ativa em um mundo que insiste em erguer muros.
Estamos nós, como humanidade, diante de grandes desafios, mas também temos o poder de, juntos, transformar realidades. Ao nos unirmos em torno do Pacto Educativo Global, colocamos no topo das prioridades aquilo que sustenta o desenvolvimento de qualquer país: educação.
Para encerrar, cito o trecho final da mensagem do Papa Francisco para o lançamento do Pacto Educativo Global, que nos traz um convite para a ação:
Juntos [sempre a palavra "juntos"], procuremos encontrar soluções, iniciar sem medo processos de transformação e olhar para o futuro com esperança. [Ele ainda diz:] Convido a cada um para ser protagonista desta aliança, assumindo o compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho dum humanismo solidário, que corresponda às expectativas do homem e ao desígnio de Deus.
Obrigado! (Palmas.)
Muito bem, em seguida, passamos de novo o protagonismo para a Banda Marcial.
Convido a todos e a todas e ao Brasil inteiro, que nos acompanha pelos meios de comunicação do Senado, para acompanharmos mais uma apresentação musical da Banda Marcial do Colégio Marista de Brasília.
(Procede-se à apresentação da música Aquarela do Brasil.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Parabéns ao Colégio Marista pela banda extraordinária do colégio!
Parabéns para os maestros e para vocês, componentes da banda!
Continuem firmes na música, porque a música torna as pessoas muito melhores na vida, mais sensíveis para o diálogo, para o entendimento, para tocarem juntas, para a solidariedade, como a gente está discutindo aqui o Pacto Educativo Global.
Obrigado pela presença. A gente fica muito feliz por vocês terem vindo.
Se é um Pacto Educativo, o Pacto Educativo não é só para vocês, que já fazem isso, mas também para o Brasil todo.
Obrigado.
Uma salva de palmas de novo. (Palmas.)
Muito obrigado.
Neste momento, concedo a palavra ao jovem Pedro Paulo Viana Silva, estudante, também, do 6º período do curso de Educação Física da Universidade Católica de Brasília, que fará a leitura da mensagem enviada pelo Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé.
Com a palavra, Pedro.
O SR. PEDRO PAULO VIANA SILVA (Para discursar.) -
Cidade do Vaticano, 27 de novembro de 2025.
Mensagem para a Sessão Solene do Senado Federal do Brasil por ocasião da celebração do Pacto Educativo Global.
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Excelentíssimo Presidente do Senado Federal, estimados Senadores e Senadoras, autoridades civis e religiosas, queridos educadores, estudantes e amigos do Brasil, desejo expressar, em nome do Dicastério para a Cultura e a Educação e da Santa Sé, a minha profunda gratidão por esta Sessão Solene dedicada ao Pacto Educativo Global. O fato de tal iniciativa integrar o calendário oficial do Senado Federal é um sinal eloquente da responsabilidade que o Brasil sente para com as jovens gerações, a democracia e o bem comum.
O Pacto Educativo Global, lançado pelo Papa Francisco em 2020, tornou-se um caminho compartilhado por centenas de escolas, universidades e comunidades educativas nesta grande nação. Hoje, esta Sessão Solene é um sinal de comunhão e de esperança: um convite a renovar a aliança educativa entre instituições públicas e privadas, entre o Estado e a sociedade civil, entre o mundo acadêmico e o eclesial. No contexto do Jubileu do Mundo Educativo, que celebramos recentemente em Roma, o Papa Leão XIV inaugurou uma nova estação educativa chamada "Constelações de Esperança".
Em sua [...] Carta Apostólica "Desenhar novos mapas de esperança", o Santo Padre recorda-nos que toda educação autêntica deve ajudar a construir mapas capazes de orientar a vida, acender o desejo e gerar futuro.
O Brasil traz [...] no coração uma imagem profundamente evocativa: a constelação que brilha em sua bandeira nacional. As estrelas recordam que um país é grande quando sabe orientar-se junto; quando olha para um céu comum; quando reconhece que cada jovem é uma luz a ser cuidada e [também] feita a brilhar.
Hoje, convido-vos a acrescentar a essa constelação nacional novas constelações educativas, criadas pelo encontro das vossas extraordinárias energias: as das instituições públicas, dos diferentes movimentos católicos, das universidades, das comunidades locais, das escolas populares, das empresas e das famílias. Somente juntos podemos traçar um mapa de esperança e desenhar constelações que orientem o caminho. Ao lado dos sete objetivos originais do Pacto Educativo Global - [são eles] colocar a pessoa no centro, ouvir a voz dos jovens, promover a mulher, fortalecer a família, abrir-se à acolhida, renovar a política e a economia, e custodiar a casa comum -, o Papa Leão indicou três novos objetivos, necessários para o nosso tempo:
- Cultivar a vida interior,
- Gerar um digital humano,
- Construir a paz.
[...] [A respeito do cultivo da] vida interior.
Os nossos jovens, imersos em ruídos contínuos e crescentes pressões sociais, têm uma necessidade vital de silêncio, de sentido, de profundidade.
A educação deve ajudar a cultivar a vida interior, formando jovens capazes de escuta, discernimento e responsabilidade; oferecendo espaços educativos que desenvolvam não apenas competências, mas consciência; fazendo [...] em cada jovem um "lugar interior" onde a liberdade possa germinar. Uma nação que protege a [...] [integridade] dos seus jovens [certamente] já protege o seu futuro.
[Sobre] gerar um digital humano.
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A tecnologia precisa de uma alma. Gerar um digital humano significa: fazer do digital um instrumento de equidade, e não de exclusão; promover uma educação crítica, capaz de discernir o que constrói e o que fere; defender os jovens de manipulações; discursos de ódio, dependências e desinformação; apoiar projetos inovadores que façam da tecnologia uma força para a justiça social e para o cuidado do ambiente.
Construir a paz.
Construir a paz significa: educar para o diálogo e a reconciliação; oferecer aos jovens instrumentos para gerir conflitos de modo não violento; promover políticas educativas corajosas nos territórios mais vulneráveis; apoiar projetos que unam cultura, esporte, arte e inclusão social.
Queridos senhores e senhoras, o Pacto Educativo Global não é um documento: é um caminho. É uma promessa. É uma cultura de esperança. Hoje, o Senado Federal do Brasil volta o seu olhar para essa missão global.
Encorajo-vos a prosseguir com determinação este percurso, construindo juntos - Estado, universidades, escolas, famílias, comunidades e sociedade civil - uma grande aliança educativa nacional que ilumine o país e o mundo.
Que o Brasil faça brilhar sempre novas constelações de esperança no rosto dos seus jovens.
Saúdo a todos com estima e gratidão.
Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Quero agradecer a leitura da mensagem por você, Pedro Paulo Viana Silva, 6º período do curso de Educação Física da Universidade Católica de Brasília; aliás, uma leitura com uma inspiração também para sensibilizar as pessoas.
Apesar da distância, eu quero agradecer ao Cardeal José Tolentino de Mendonça, que certamente terá notícias deste evento. É Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé e enviou esta mensagem especificamente para esta sessão especial.
Obrigado, Cardeal D. José Tolentino de Mendonça.
Obrigado, Pedro Paulo Viana, pela leitura eloquente.
Passamos, em seguida...
Eu solicito, agora, à Secretaria-Geral da Mesa a exibição da mensagem do Revmo. Sr. Padre Ezio Lorenzo Bono, Coordenador do Pacto Educativo Global no Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé.
O SR. EZIO LORENZO BONO (Para discursar. Por vídeo.) - Exmo. Presidente do Senado Federal, estimados Senadores e Senadoras, autoridades civis e religiosas, queridos educadores e amigos e amigas do Brasil, é uma honra dirigir-me a esta sessão solene como Coordenador do Pacto Educativo Global do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé.
Esse dicastério é hoje um dos maiores protagonistas educativos no mundo. A Igreja Católica acompanha mais de 230 mil escolas, 1,3 mil universidades e 400 faculdades eclesiásticas presentes em todos os continentes, muitas delas frequentadas, em grande parte, por estudantes não católicos. Trata-se de um patrimônio educativo global, cuja origem remonta aos primeiros mosteiros europeus que preservaram e difundiram cultura, alfabetização e pesquisa.
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Desses centros nasceram, na Idade Média, as primeiras universidades, cuja herança continua a inspirar instituições acadêmicas até hoje.
Insere-se nessa longa tradição o projeto lançado pelo Papa Francisco em 2020, o Pacto Educativo Global, uma iniciativa aberta a todos, crentes e não crentes, que propõe construir uma ampla rede de colaboração voltada à fraternidade universal. Não se trata de uniformizar, mas de compartilhar.
O novo Pontífice, Papa Leão XIV, renovou essa visão ao abrir uma nova estação educativa durante o Jubileu do Mundo Educativo, celebrado recentemente em Roma. Em sua carta apostólica, convidou-nos a desenhar novos mapas de esperança e a reconhecer a educação como um grande bem comum.
Essa proposta encontrou ressonância especial no Brasil, um dos países que mais acolheram e desenvolveram o Pacto Educativo Global. Isso não surpreende. Tendo vivido alguns anos neste país, testemunhei uma nação vital, criativa e profundamente comprometida com a educação.
O Brasil deu ao mundo grandes pensadores, entre os quais dois que exerceram funções institucionais marcantes: Darcy Ribeiro, antropólogo, intelectual e Ministro de Educação e Cultura, contribuiu decisivamente para a modernização do sistema educacional brasileiro, valorizando a escola como instrumento de desenvolvimento e coesão social; e Paulo Freire, responsável pela educação do Município de São Paulo, trouxe uma pedagogia baseada no diálogo e na participação e influenciou gerações com a compreensão de que a educação é uma prática de liberdade e de responsabilidade. Essa tradição faz do Brasil uma ponte entre memória e futuro.
Aos sete compromissos originais do Pacto Educativo Global - a pessoa, a família, os jovens, a mulher, os pobres, a política e a economia e o cuidado da casa comum -, Papa Leão XIV acrescentou três novos compromissos: educar para a vida interior, promover um digital humano e formar para a paz. Juntos, formam um decálogo educativo, uma constelação de orientações não convencionais, mas humanas e universais, destinadas a todos os que se preocupam com o futuro da humanidade.
Nesse horizonte comum, o Brasil tem potencial para desempenhar um papel de grande relevância. Suas qualidades humanas, sua tradição pedagógica e sua criatividade social fazem deste país uma das grandes estrelas mais luminosas desta constelação educativa global: uma estrela capaz de iluminar caminhos audaciosos, inclusivos e plenamente humanos também para outros povos, não só da América Latina, mas também do mundo inteiro.
Agradeço sinceramente a este Senado pela atenção dedicada ao Pacto Educativo Global e pela colaboração que fortalece a missão de educar as novas gerações.
Com estima e gratidão, saúdo cordialmente a todos. (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Muito bem!
Apesar de serem remotas, as palmas, sem dúvida alguma, vão chegar ao Revmo. Sr. Padre Ezio Lorenzo Bono, que fez essa gravação especialmente para esta sessão especial. Ele é Coordenador do Pacto Educativo Global no Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé.
Passo, em seguida, a palavra ao caro Irmão Rogério Mateucci, Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Quero fazer uma menção especial, até pessoal e familiar. Eu digo "querida" PUC do Paraná porque o meu pai foi Reitor da PUC também durante 12 anos.
Então, seja muito bem-vindo, Irmão Rogério Mateucci.
O SR. ROGÉRIO MATEUCCI (Para discursar.) - Obrigado, Senador Flávio Arns. É com muita estima e com muita fraternidade que eu o saúdo. Muito obrigado por nos acolher nesta Casa.
Também faço uma saudação muito especial à memória do Prof. Osvaldo Arns, que foi nosso Reitor de 1974 até 1985. Foi o primeiro Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná quando os Irmãos Maristas assumem a universidade - ele foi o primeiro. E, quando ele termina o reitorado, a universidade recebe o título de Pontifícia Universidade. Então, a gente tem muita estima. Muito obrigado, Senador, por nos acolher nesta Casa.
Quero também saudar a Irmã Iraní Rupolo, Diretora-Presidente da Anec. Saúdo também a Irmã Maria do Desterro - muito obrigado por se fazer presente aqui conosco. Quero saudar o Padre Anderson, que vai entrar remotamente daqui a pouco - ele é o Presidente das Organizações das Universidades Católicas da América Latina. Saúdo o Padre Júlio, que está aqui representando a CNBB - muito obrigado pela presença. Saúdo os nossos dois estudantes que estão aqui. A voz de vocês é muito importante para que o Pacto Educativo Global chegue aonde deve chegar - muito obrigado pela presença de vocês dois aqui. E saúdo também as autoridades já mencionadas, os bons amigos que se encontram aqui na plenária desta Casa, do Senado.
Aqui, hoje nos reunimos porque, como nos ensinou a Conferência de Puebla, "a fé cristã não despreza a atividade política; pelo contrário, a valoriza e a tem em alta estima". E isso também nos ensinou o saudoso Papa Francisco.
Como esta sessão especial do Senado Federal tem, também, a intenção de fazer memória pelos sete meses da Páscoa de Francisco, proponho, então, um breve instante de silêncio, silêncio em gratidão a Deus pela vida de Francisco, um silêncio em que ecoem em nosso ser a cosmologia e a antropologia do Papa Francisco por meio daquilo que ele propôs, dos quatro "e": economia, ecologia, ecumenismo e educação. Deixemos que essa antropologia e cosmologia ressoem em nosso interior num breve instante de silêncio.
(Faz-se um minuto de silêncio.)
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E, hoje, além de ocuparmos este espaço político, queremos priorizar este momento como um tempo oportuno ou, nos dizeres da teologia cristã, um tempo de graça, um tempo de kairós. E era assim que nos orientava o Papa Francisco: "Dar prioridade ao tempo é ocupar-se mais com o iniciar processos do que possuir espaços. O tempo ordena os espaços, ilumina-os e transforma-os em elos de uma cadeia em constante crescimento, sem retorno". Dessa forma, o que fazemos aqui hoje é dar continuidade a um processo para uma mudança de cultura, pois, ainda como nos pede o Papa Francisco, devemos ser "protagonistas de uma nova coreografia que coloque a pessoa humana no centro; devemos ser coreógrafos da dança da vida".
"Para educar uma criança, é necessária uma aldeia inteira". Como já foi citado pelo Senador, esse provérbio africano foi a inspiração que o Papa Francisco utilizou para lançar o Pacto Educativo Global em 2020. O pacto é um desses grandes legados que reflete a urgente e necessária união de esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem de uma humanidade mais fraterna, reavivando o compromisso em prol das gerações mais jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão.
Para atingir os sete objetivos traçados do Pacto Educativo Global, o Papa Francisco afirmou a necessidade de desenvolvermos três passos - três passos - de extrema coragem. O primeiro passo é a coragem de colocar a pessoa no centro; o segundo, a coragem de investir as melhores energias com criatividade e responsabilidade; e o terceiro passo, a coragem de formar pessoas disponíveis para se colocarem a serviço da comunidade.
A etimologia da palavra coragem, como sabemos, vem do latim e significa agir com o coração. Assim, educar é agir com o coração. E é neste sentido que afirma o Papa Leão XIV: "As universidades e escolas católicas são lugares onde as perguntas não são silenciadas e a dúvida não é banida, mas apoiada. O coração, ali, dialoga com o coração, e o método é o [método] da escuta, que reconhece o outro como um bem, não uma ameaça".
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E continua o Papa Leão XIV: "É necessário manter um coração que escuta, um olhar que encoraja, uma inteligência que discerne". Assim, podemos, com toda tranquilidade, inserir mais coragem na lista que elencou o Papa Francisco: a coragem de escutar e de amar.
São Marcelino Champagnat, fundador dos Irmãos Maristas, passou a vida ensinando que, "para bem educar é preciso, antes de tudo, amar". Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira, trabalhou a dimensão amorosa da educação. Papa Francisco, por sua vez, também afirmou que a educação é um ato de amor e um ato de responsabilidade. Papa Leão XIV arremata, afirmando que a educação é uma dignidade antes de ser uma competência e que a educação cristã testemunha que a pedagogia nunca é teoria desencarnada, mas é carne, é paixão e é história.
Senhoras e senhores, o que propomos, neste momento, com esta sessão solene e especial, é iniciar um grande, generoso e acolhedor ato de amor, de coragem, ato de compromisso e responsabilidade com uma educação transformadora, cultivando o humanismo solidário em vista do bem comum.
O Pacto Educativo transcende fronteiras e ideologias, unindo líderes políticos e religiosos, governos, instituições educacionais, educadores, pais e estudantes, família e sociedade civil, em um compromisso conjunto para promover uma educação de qualidade para todos, independentemente de sua origem, confissão religiosa, condição socioeconômica ou localização geográfica. Por isso, instituiu uma ampla mobilização para promover esse pacto e trabalhar juntos em prol de uma educação que promova os valores fundamentais da dignidade humana.
A PUC do Paraná é uma instituição de ensino superior comunitária e filantrópica, de confissão religiosa, regida por valores éticos, cristãos e maristas. Tem como objetivo, em sua formação acadêmica, a sintonia entre fé, ciência e vida. Dessa forma, busca promover não apenas a excelência acadêmica, mas também o desenvolvimento humano integral e a responsabilidade social, formando profissionais e lideranças transformadoras, gente boa para um mundo em transformação.
A PUC-PR integra um seleto grupo de 11 universidades escolhidas pelo Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano para serem referência no que diz respeito às iniciativas do pacto. Confirmando esse compromisso da PUC-PR, implantamos, em 2023, o Bureau do Pacto Educativo, um espaço com a finalidade de ser um núcleo interdisciplinar e intersetorial dedicado a propor, articular, potencializar e disseminar ações, acompanhando e contribuindo na efetivação de diversos compromissos internos à universidade e externos referentes ao pacto.
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Termino enfatizando o que nos pede o Papa Leão XIV: desenhar novos mapas de esperança, com menos rótulos, mais histórias; menos oposições estéreis, mais sintonia no espírito.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Agradecemos ao Irmão Rogério Mateucci, Reitor da PUC do Paraná, pela mensagem também apresentada nesta sessão especial. Parabéns!
Em seguida, concedo a palavra à jovem Paula da Silva Dourado Mangueira, que é estudante da 1ª série do ensino médio do Colégio Marista de Brasília.
Seja bem-vinda também, Paula, de novo. Esteja à vontade.
A SRA. PAULA DA SILVA DOURADO MANGUEIRA (Para discursar.) - Boa tarde.
Meu nome é Paula. Sou estudante do Colégio Marista de Brasília.
Hoje falo em nome de muitos jovens que acreditam que a educação pode - e deve - ser um espaço de encontro verdadeiro.
O Pacto Educativo Global, lançado pelo Papa Francisco, nos lembra que nada disso faz sentido se nós, jovens, não formos realmente escutados; não apenas ouvidos, mas considerados como parte ativa da construção do mundo que já está acontecendo. Somos uma geração cheia de perguntas, de inquietações e também de sonhos, e o pacto nos convida a transformar o processo educativo em responsabilidade compartilhada. Para nós, ser educado não é apenas aprender os conteúdos; é também encontrar pessoas dispostas a caminhar conosco, a compreender nossas buscas e a apostar em nossas possibilidades. Nesse caminho, fico tocada quando vejo que a Igreja inteira tem reconhecido a importância dessa escuta.
Depois do relançamento do Pacto Educativo, o Papa Leão XIV também destacou que educar hoje exige abrir espaços de diálogo real, em que jovens e adultos possam se encontrar de igual para igual, com respeito mútuo e coragem para aprender uns com os outros o sentido da vida. Isso nos dá confiança, porque mostra que não estamos pedindo nada extraordinário, apenas reivindicando aquilo que torna qualquer processo educativo verdadeiramente humano: a relação. E, quando essa relação é honesta, nasce um ambiente onde todos crescem.
A tradição marista, que marca tantas instituições, inclusive a nossa, entende bem isso. São muitos os educadores maristas que fazem de cada sala de aula um lugar de acolhida, onde a gente sente que é visto e que tem algo a oferecer; não como destinatários passivos, mas como protagonistas. A pedagogia marista sempre acreditou no nosso potencial e, mais do que isso, nos incentiva a assumir a responsabilidade de transformar a realidade em que vivemos. Isso muda a maneira como caminhamos na escola, na universidade e na vida: com mais sentido, mais cuidado e mais coragem.
Por isso, quando eu me dirijo a vocês hoje, peço que renovemos juntos este compromisso: o de construir uma educação que realmente escuta as juventudes, não porque precisamos de aprovação, mas porque queremos ser parte da missão de criar um mundo mais justo, mais fraterno e mais sustentável. Se vocês nos escutarem, nós prometemos fazer a nossa parte, porque acreditamos que o futuro não é apenas algo que esperamos: é algo que podemos construir, lado a lado, com confiança e esperança.
Estou muito grata por ter tido a oportunidade de falar com os senhores aqui hoje.
Obrigada pela atenção. (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Agradecemos novamente à aluna Paula da Silva Dourado Mangueira pela bela mensagem, apresentada também aqui para o Plenário do Senado Federal e para todo o Brasil que nos acompanha.
Obrigado, Paula.
Concedo agora a palavra ao Revmo. Padre Júlio César Evangelista Resende, que é assessor do setor de educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O SR. JÚLIO CÉSAR EVANGELISTA RESENDE (Para discursar.) - Exmo. Sr. Presidente desta sessão especial, Senador Flávio Arns, na pessoa de quem cumprimento todos os membros da mesa, ilustres autoridades civis, religiosas e acadêmicas aqui presentes, também aqueles que nos acompanham pelos veículos de comunicação, estimados educadores e educadoras que hoje se reúnem nesta sessão especial do Senado Federal, recebo com gratidão a oportunidade de dirigir-lhes uma palavra em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O encontro desta tarde elucida a notável contribuição do Papa Francisco para a humanidade como um todo e, de forma muito especial, para nós, educadores.
A convocação de um pacto educativo global nasceu das reiteradas solicitações de diversos organismos internacionais que reconheceram em Francisco uma voz lúcida, profética e coerente em meio a um mundo marcado por ruídos, fragmentações e contradições.
Ao conclamar a sociedade, as famílias, as instituições de ensino, os governos e as comunidades religiosas a repensarem o seu compromisso com a educação, o Papa nos chama a somar esforços e a assumir, com renovada convicção, que o ato de educar é, antes de tudo, uma arte tecida a muitas mãos.
Essa proposição do pacto se manifesta de forma muito particular no eloquente provérbio, há pouco mencionado aqui, vindo da sabedoria africana, tantas vezes citado pelo Papa Francisco: "Para educar uma criança é necessário toda uma aldeia". A imagem da aldeia educativa convoca-nos a um compromisso amplo, solidário, com a formação integral da pessoa.
Nesse horizonte, a Igreja Católica, enquanto parte viva e constitutiva da sociedade, oferece suas contribuições enraizadas em seus valores humanísticos e em sua tradição de serviço. A Igreja, dessa forma, busca cooperar na edificação de um mundo mais justo e fraterno, fecundando a vida social com seus princípios, obras e iniciativas, consciente de que sua missão pública se expressa de modo particular na promoção da dignidade da pessoa humana, na assistência aos mais vulneráveis e na incansável busca pela fraternidade universal.
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O pacto nasce do olhar perspicaz e compassivo do saudoso Papa Francisco, diante de uma humanidade fragilizada, cansada e frequentemente desiludida. Sua proposta brota de um coração atento aos apelos de Deus, fonte da vida e da esperança, que sonha com a plenitude de toda criação e conosco, criados à sua imagem. Ao lançar este apelo global, o Papa Francisco nos convocou a repensar os rumos da educação como espaço privilegiado de transformação, capaz de regenerar vínculos, fortalecer a cultura do encontro e recolocar a pessoa no centro dos processos educativos.
Nós bem sabemos que um pacto educativo não se celebra mediante apenas a cartas de intenções, mas por meio de um renovado compromisso de discernir que tipo de sociedade desejamos e quais práticas educativas estamos efetivamente adotando em vista do horizonte que almejamos enquanto sociedade. Por isso, o Papa Francisco, por meio do pacto, lançou, como já mencionado algumas vezes nas falas anteriores, os sete compromissos, acrescidos agora, com o Papa Leão XIV, de três novos compromissos.
O Pacto Educativo pode ser considerado uma das mais vigorosas iniciativas do pontificado do Papa Francisco, pois oferece um verdadeiro antídoto à crise antropológica contemporânea, recolocando a pessoa no centro e contrapondo-se à lógica utilitarista e competitiva que permeia nossas mentalidades, também a nossa mentalidade muitas vezes como educadores. Trata-se, sobretudo, de um sopro de esperança para nós educadores, que tantas vezes nos percebemos à semelhança dos discípulos de Emaús, desalentados, com o coração vacilante, tentados a retroceder e a renunciar à bela missão que temos como educadores. Contudo, à luz desse pacto, reencontramos razões para perseverar. Nossas esperanças são reavivadas, e a chama da utopia volta a arder em nossos corações.
De fato, o Papa Francisco passou por nossas vidas como um avivador de utopias, revigorando aqueles que ainda ousam sonhar um mundo mais fraterno e solidário, encorajando-nos a não desistir da missão que nos foi confiada. Por isso, em nome da Conferência dos Bispos do Brasil, de modo muito especial, agradecemos à PUC Paraná e ao Senador Flávio Arns, que nos acolhe nesta Casa do povo brasileiro e nos propõe esta sessão comemorativa. Este ato, este gesto, inspirado pelo espírito que anima o magistério do Papa Francisco, reaviva também hoje em nós, educadores, a esperança, renova o nosso ânimo para seguir educando e formando as novas gerações, na construção do sonho comum de um mundo verdadeiramente fraterno, como nos disse o Papa Francisco na Fratelli Tutti.
Nosso agradecimento e nosso apoio renovado aos compromissos do Pacto Educativo Global. (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Agradecemos ao Padre Júlio César Evangelista Resende, assessor do setor de educação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Parabéns também. Obrigado.
Concedo agora a palavra, com muita alegria, à irmã Maria do Desterro Rocha Santos, que é Presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).
Eu acho que nós estamos tendo uma compreensão muito boa do que significa o Pacto Educativo Global e do que o Papa Francisco e o Papa Leão XIV pensam em relação às ações a serem tomadas. Inclusive, é tão bonita a figura dos dois, que está aqui no painel do Senado Federal - é uma sessão especial sobre o Pacto Educativo Global -, com Francisco à esquerda, aqui, da mesa, e o Papa Leão XIV à direita. Então, está muito bonita a figura.
Com a palavra a Irmã Maria do Desterro Rocha Santos, Presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil.
A SRA. MARIA DO DESTERRO ROCHA SANTOS (Para discursar.) - Com muito carinho, eu gostaria de saudar o Sr. Presidente requerente desta sessão, o Senador Flávio Arns, e, na sua pessoa, acolher e saudar todos os presentes.
Gostaria de saudar a Irmã Irani, Presidente da Anec, e saudar todas as mulheres que estão nesta sessão, como também essa juventude, que fala para nós de protagonismo, que nos lembra que a educação católica não está inscrita somente em números, mas, quando nós olhamos um aluno nosso, nós vemos pessoas que têm nome, que têm sobrenome, que têm endereço.
Senhores e senhoras, em nome da Conferência dos Religiosos do Brasil, CRB Nacional, agradeço a honra de participar desta sessão especial que recorda os seis meses de falecimento do Papa Francisco e ilumina a reflexão sobre o Pacto Educativo Global por ele proposto.
A CRB Nacional, inspirada pelo testemunho e pelo magistério de Sua Santidade, reafirma hoje seu compromisso inegociável com a promoção de uma educação humanista, solidária e transformadora, capaz de gerar pontes, renovar vínculos e colocar a pessoa no centro de todas as decisões.
Vivemos, como Conferência, um novo triênio, iluminado pela temática "Vida Religiosa Consagrada: Sentinela de Esperança em Tempos de Travessia".
Essa inspiração orienta nosso modo de estar no mundo e de servir à sociedade, especialmente quando as travessias humanas exigem coragem, discernimento e a capacidade de construir caminhos de transformação.
É justamente nessas travessias da educação e da inclusão que sentimos, de maneira ainda mais forte, o chamado do Papa Francisco e do Papa Leão, unindo esforços para que todas as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, tenham acesso a uma educação integral, humanista e solidária, capaz de gerar novas possibilidades de vida e convivência.
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O Pacto Educativo Global nos convida a fortalecer a cooperação entre instituições, igrejas, governos e toda a sociedade, para que a educação seja instrumento de justiça, fraternidade, cultura e paz.
Como organismo que congrega milhares de consagrados e consagradas, em todo o país, comprometidos com a missão evangelizadora e com a defesa da vida, a CRB Nacional coloca-se plenamente à disposição, para colaborar com iniciativas que promovam inclusão, diálogo, cuidado com a casa comum e a construção de um futuro mais justo e solidário para todas as pessoas.
Como sentinelas de esperança, em tempos de travessia, permanecemos atentos, atentas, vigilantes e disponíveis, para colaborar com a promoção do Pacto Educativo Global e na defesa de políticas que promovam a inclusão, o diálogo e a cultura do encontro.
Que esta sessão especial seja um sinal de esperança e continuidade do legado humanitário do Papa Francisco e que, juntos, possamos fortalecer caminhos concretos, para transformar a sociedade por meio de uma educação integral e comprometida com o bem comum!
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Agradecemos também à Irmã Maria do Desterro Rocha Santos.
Parabéns pela fala.
A SRA. MARIA DO DESTERRO ROCHA SANTOS (Fora do microfone.) - Obrigada, obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Obrigado pela mensagem.
Todas as mensagens encaminham altamente a necessidade de desdobramentos para o Pacto Educativo Global e a visão, principalmente, de uma iniciativa do Papa Francisco sendo ratificada e também expandida para os desafios atuais pelo Papa Leão XIV.
Concedo agora a palavra, com muita alegria, à querida Irmã Iraní Rupolo, que é Presidente da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) e também Reitora da Universidade Franciscana, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
A SRA. IRANÍ RUPOLO (Para discursar.) - Exmo. Sr. Senador Flávio Arns, Presidente desta sessão e seu proponente. Em sua pessoa, permita-me saudar todos os componentes da mesa, os de modo presencial e online. Também saúdo cada pessoa aqui presente.
Quero me referir também a educadores e educadoras, aos que trabalham vinculados à educação, com um destaque especial ao Pedro Paulo e à Paula, esses jovens que, do coração, nos falaram e nos falam e estão dando um tom especial a esta sessão.
Recebam todos a minha saudação, em nome da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil, uma instituição que, enquanto organização, completa, este ano, 80 anos, mas que está presente neste país desde os 500 anos em que esta terra brasileira foi povoada e serve a educação católica desde aquela época, há mais de cinco séculos, ao povo brasileiro, formando redes em prol da educação, seja em escolas ou em universidades.
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Para mim, é uma alegria e uma responsabilidade participar desta sessão, que une memória e compromisso; memória pelos sete meses de partida do querido Papa Francisco e compromisso renovado com o Pacto Educativo Global, uma marca luminosa do pontificado do Papa Francisco, agora tendo continuidade pelo seu sucessor, o Papa Leão XIV.
O Papa Francisco foi um mestre de escuta. Ele fez a escuta e nos ensinou pelo exemplo.
Educar é escutar, é também escutar.
Nos anos do seu pontificado, nos convidou a percorrer um caminho de sinodalidade, de participação ampla e generosa, também com as decisões da Igreja.
Essa sua bandeira, erguida com mão forte, principalmente nos últimos anos do seu pontificado, embora a sua debilidade física, é na verdade uma grande síntese do seu pontificado: somente é possível construir um caminho comunitário pela participação e envolvimento de todos. Por isso nos convocava a fazermos juntos a educação, e é precisamente essa ideia que dá corpo e forma ao Pacto Educativo Global, convocado por ele antes da pandemia da covid-19.
O coração do Pacto Educativo Global é o entendimento de que - e faço ecoar essa palavra do Papa Francisco dita por quase todos os que fizeram uso da palavra antes de mim -, "para educar uma criança, é necessária uma aldeia inteira".
Esse provérbio africano traduz de maneira plástica o que significa fazer um pacto. É, antes de tudo, colocar a pessoa no centro do processo educativo, é unir as melhores forças da sociedade - as melhores forças da sociedade -, para educar segundo os princípios da fraternidade e da responsabilidade pela casa comum.
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No Pacto Educativo Global, o Papa Francisco integrou, de modo muito feliz, as pautas do seu pontificado: ecologia, amizade social, ecumenismo e relevância social da Igreja.
Atento ao esgarçamento do tecido social, o Papa ergueu a voz, para lembrar que nenhuma criança cresce sozinha e nenhum jovem encontra seu caminho sem raízes.
Ele recordou a beleza, mas também a urgência da aliança entre família, escola e sociedade, essa trama de vínculos que sustenta a vida e protege os sonhos.
Chamou pais, mães, educadores, governos e instituições - a Igreja - a retomarem juntos a obra de educar, não como um processo técnico, mas como um pacto, uma aliança viva, capaz de devolver esperança onde ela parece faltar.
Ao trazer sua memória para este momento, deixemos que a sua convicção toque, mova a nossa mente e o coração. Deixemo-nos tocar pelas palavras do Papa Francisco, hoje confirmadas, relançadas pelo Papa Leão XIV: educar, educar juntos, educar com fé, educar com amor, com paixão e esperança.
Um país não se ergue somente pela força de sua economia; ele se ergue, sim, também pela força da fé que as pessoas professam, pelo vigor da esperança que as move no cotidiano e rumo ao futuro, pela prática da caridade em que bem pensar, bem fazer, bem querer e fazer o bem são os valores que nos movem.
Sim, educar evangelicamente é praticar a caridade evangélica, expressa nas relações que cultivam e transmitem a esperança às novas gerações.
É a educação que eleva uma nação; é pela educação que se elevam os valores de uma nação e se indicam sinais de esperanças para o futuro.
Pela educação se cultiva a semente da esperança.
O Pacto Educativo Global, portanto, relançado recentemente pelo Papa Leão XIV, se alimenta da persistência e da perseverança na força do Evangelho, porque tanto o Papa Francisco quanto o Papa Leão XIV suscitam em nós uma pergunta que não pode ser adiada: a educação que se pratica hoje é suficiente para sustentar a humanidade nas crises que nos cercam e naquelas que se delineiam no horizonte futuro?
A Anec, presente em todos os estados brasileiros, representa uma rede que abriga milhares de escolas, obras sociais educacionais, faculdades e universidades católicas mantenedoras dessas organizações e instituições.
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Somos parte da história da educação no Brasil e assumimos o compromisso de colocar nossa tradição, nossa capacidade de inovação, nosso enraizamento comunitário a serviço do país.
Tal qual uma constelação educativa, para usar uma imagem do Papa Leão XIV, em sua carta apostólica "Desenhar novos mapas de esperança", queremos que cada criança, cada jovem e cada estudante, cada educador e educadora e famílias e instituições encontrem, em nossos espaços educativos, lugares de humanização, de excelência acadêmica, de justiça e de sentido de vida.
Sintamo-nos encorajados a ver o mundo com esperança.
Vivemos um momento singular: o Brasil se encontra em debates decisivos sobre o Plano Nacional de Educação. Parece-nos que este é o momento oportuno para que o Pacto Educativo Global inspire esta Casa Legislativa a tomar decisões, as quais, ao serem tomadas, conduzam a pensar em favor do bem das crianças, dos jovens, das famílias, da sociedade brasileira.
Entenda-se que investir em educação não é gastar; é acreditar no melhor para o presente e para o futuro das famílias e da sociedade. E a educação avançará, se resultar de caminhos propostos pelo Pacto Educativo Global, os dez compromissos já aqui tão amplamente afirmados e conforme Sua Santidade, o Papa Leão XIV, recentemente relançou, para que todas as pessoas, instituições, igrejas e governos priorizem uma educação humanista; priorizar uma educação humanista e solidária, de modo a transformar a sociedade.
A Anec se une ao Senado, para contribuir no que estiver ao seu alcance. Levamos conosco a voz dos nossos estudantes, das instituições, a dedicação de milhares de educadores e famílias que acreditam que educar é abrir caminhos, é sulcar o mundo com uma fé inabalável no bem.
E, para concluir, me aproprio do pensamento do Papa Francisco, na audiência do dia 20 de setembro de 2017, ao exortar que é indispensável educar para a esperança.
Inicio a citação:
Pensa, ali onde Deus te semeou, espera! Espera sempre. Não te rendas à noite: recordas que o primeiro inimigo a vencer não está fora de ti: mas dentro. Por conseguinte, não concedas espaço aos pensamentos amargos, obscuros. Este mundo é o primeiro milagre que Deus realizou. Deus pôs, nas nossas mãos, a graça de novos prodígios.
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Fé e esperança procedem juntas. [...] O mundo caminha graças ao olhar de tantos homens [acrescento: e mulheres] que abriram frestas, que construíram pontes, que sonharam e acreditaram; até quando ao redor deles ouviam palavras de escárnio.
[E prossegue.] Nunca pense que a luta que você enfrenta na terra seja totalmente inútil. No final da existência não nos espera um naufrágio: em nós palpita uma semente de absoluto. Deus não desilude: se pôs uma esperança nos nossos corações, não a quer esmagar com frustrações [...]. Tudo nasce para florescer numa primavera eterna. Também Deus nos criou para florescermos.
Encerro a citação.
Que Deus nos inspire e nos acompanhe neste caminho de florescimento da esperança! Façamos esta aliança, este pacto educativo de, juntos, imaginar, desenhar e construir novos mapas de esperança!
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Agradecemos à Irmã Iraní Rupolo, que é Presidente da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil - muito bom - (Anec), pela mensagem, e é também, como já mencionei, Reitora da Universidade Franciscana, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
Como último expositor, última pessoa a fazer, dar a mensagem para esta audiência, para esta sessão especial do Senado Federal - e, antes de passar a palavra, só quero anunciar também a presença da Elaine Itacarambi, que está representando a Inspetoria São João Bosco, dos Salesianos, também com uma obra educacional extraordinária no Brasil inteiro; seja muito bem-vinda! -, quero agora passar a palavra ao Revmo. Sr. Padre Anderson Antonio Pedroso, remotamente, que é Presidente da Organização das Universidades Católicas da América Latina e Caribe, e Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Seja muito bem-vindo!
Com a palavra.
O SR. ANDERSON ANTONIO PEDROSO (Para discursar. Por videoconferência.) - Uma boa tarde a todos. Quero saudar de maneira muito especial o Senador Flávio Arns e, na sua pessoa, todas as autoridades presentes e manifestar a minha alegria, satisfação e também honra de compor este momento tão importante de homenagem, memória, mas também compromisso em torno da pessoa do Papa Francisco e do Pacto Educativo Global.
Faz-me muito prazer falar depois da Irmã Iraní, e aproveito para fazer uma saudação especial à nossa querida Anec, que representa toda a união de esforços da educação católica no nosso país. É uma instituição extraordinária que tem contribuído muito, sempre unida aos nossos pastores, à CNBB e também muito colaboradora do Celam.
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Quero também cumprimentar os que estão à mesa - estou vendo aqui, especialmente o Irmão Rogério, que é o nosso Reitor da PUC do Paraná -, e a todos os demais quero deixar o meu abraço e a minha alegria em fazer parte.
As minhas palavras são breves, eu estou falando em nome da Organização de Universidades Católicas da América Latina e Caribe, da qual sou Presidente, a Oducal, e, além disso, sou Reitor da PUC-Rio também. Então, gostaria de falar em nome de todas as universidades católicas da América Latina e Caribe. Inclusive eu estou remoto porque estou no Peru cumprindo agenda, e o reitor da universidade aqui no Peru me emprestou a sua sala. Então estamos de alguma maneira conectando toda a América Latina, e o coração da América Latina está junto porque estamos em uma reunião de reitores aqui no Peru.
Quero, em primeiro lugar, agradecer as falas. Não é difícil falar depois da Irmã Iraní, uma fala tão inspiradora. E uma das coisas que a Irmã Iraní colocou do Papa Francisco foi a escuta, a capacidade de escuta e talvez, mais do que isso, o método da escuta. O Papa Francisco nos ensinou a escutar, e escutar não somente as palavras, mas escutar os gestos e, mais do que isso, os gritos: o grito dos pobres, o grito da floresta. O Papa Francisco estabeleceu a sua agenda como pastor de todo o mundo, escutando aqueles que mais precisam. Eu acho que foi em primeiro lugar um ato educativo fundamental do Papa, o Papa Francisco nos educou a escutar, escutar principalmente o grito da natureza, o grito dos pobres, o grito dos que são esquecidos, e esse é o sentido mais último e mais fundamental da nossa missão como instituições católicas, que nascem da fé cristã - não teria sentido se não fosse dessa maneira.
Então, eu gostaria de recuperar este primeiro ponto, o método da escuta. Precisamos escutar, o Papa nos ensinou a escutar, e uma escuta que seja uma escuta profunda, uma escuta que vá além das nossas próprias limitações. O Papa nos ajudou também a quebrar muros, construir pontes, na escuta que vai além dos prejuízos pessoais, ideológicos, partidários, enfim, numa escuta profunda da humanidade.
Então, primeiro, o agradecimento a Deus pelo dom do Papa Francisco de nos ajudar a escutar, escutar os que mais precisam.
O segundo ponto: eu acho que o segundo ato ou gesto educativo do Papa foi o discernimento, essa palavra tão forte, tão querida aos jesuítas, mas a todos. O discernimento é a escuta que se torna decisão, uma decisão que nasce da escuta profunda. Nós não devemos ter medo de tomar decisões; ao contrário, nós assumimos responsabilidades para ajudar a tomar decisões, e as decisões vão pautando um caminho, elas vão ajudando a abrir caminhos inclusive. Então que nós tenhamos também a coragem, como teve o Papa Francisco, de iniciar processos tomando decisões, e que essas decisões discernidas, a partir de uma escuta profunda, elas possam nos ajudar a ir solucionando os problemas - que é outro aspecto e outro ensino que o Papa nos trouxe: escuta, discernimento e realidade, sempre a partir da realidade, de maneira que nós não partimos de ideias, mas do que nós temos de concreto. E nada mais concreto do que a vida das pessoas, a vida das nossas escolas, das escolas fundamentais, das escolas fundamentais até as nossas universidades; a vida das pessoas, dos estudantes, dos trabalhadores, dos docentes, dos que conduzem.
Então, que nós possamos partir da realidade, e a realidade é uma realidade que nos pede decisões a partir de discernimento e de escuta. Uma realidade como o Papa Leão nos traz - ele acrescentou mais três pontos do Pacto Educativo Global -, é uma realidade que hoje é de injustiça, de ferida à dignidade, uma realidade que é pautada por lógicas agora digitais - a gente fala muito sobre inteligência artificial - e uma realidade que precisa de paz e de esperança.
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Então, junto com o Papa Leão, nós queremos reafirmar a memória de Francisco, a continuidade dessa pauta tão importante que é o Pacto Educativo Global, e, sobretudo, o nosso desejo de continuar comprometidos com a realidade, com o que nós temos. Que os nossos olhos possam estar sempre voltados para a realidade, porque a realidade nos pede hoje que sejamos construtores de paz, construtores de pontes, organizadores de esperança a partir da realidade.
Termino a minha fala agradecendo a todos e trazendo também um pouco o coração da América Latina. Por muito tempo, eu diria que nós, brasileiros, às vezes, estivemos um pouco com as costas voltadas para a América Latina, e hoje nós não podemos ser mais assim; nós temos que estar juntos com os irmãos latino-americanos. Eu tenho aprendido muito, por onde estou passando, a riqueza, a grandeza, a história da América Latina.
E América Latina que nos congrega: somos brasileiros e latino-americanos. América Latina que pode se orgulhar, porque formou dois papas: Papa Francisco, que nasceu argentino e que cresceu, foi educado, enfim, aprendeu a ser esse grande pastor na América Latina, e o Papa Leão, que, embora tenha nascido na América do Norte, ele foi missionário aqui, no Peru. Inclusive, eu estive na diocese dele agora, na antiga Diocese de Chiclayo. É um homem que abraçou a identidade latino-americana.
Então, que possamos nos congregar como latino-americanos, que possamos crescer nos ensinamentos de Francisco - escuta, discernimento, decisões pautadas na realidade - e que possamos nos orgulhar de sermos latino-americanos, porque a América Latina pode ensinar muito com a sua capacidade de solidariedade e com o seu desejo de construir um futuro mais justo e solidário para todos.
Então, deixo meu grande abraço a todos, desejo que todos sejam muito felizes e agradeço, mais uma vez, esta grande oportunidade de fazer parte desta homenagem ao Papa Francisco, ao Pacto Educativo Global e, juntamente, comprometemo-nos a continuar esse grande caminho que foi iniciado em união, em unidade com os nossos pastores, a CNBB, o Celam e todos aqueles que nos ajudam.
O Papa Francisco - termino com esta expressão - sempre gostava de dizer: "Todos, todos e todos". Todos são chamados. Este é o Pacto Educativo Global: todos; ninguém é excluído. Todos, independentemente da religião, independentemente da sensibilidade, todos são chamados a contribuir com a educação.
Que todos sejam muito felizes! Muito obrigado. Que Deus abençoe a todos! (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Flávio Arns. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) - Agradecemos ao Padre Anderson Antonio Pedroso, como já foi dito, Presidente da Organização das Universidades Católicas da América Latina e do Caribe e Reitor da PUC-Rio de Janeiro, inclusive agradecendo-o pela participação especial diretamente do Peru.
Eu quero, ao finalizar, dizer que um dos grandes objetivos desta sessão especial, sem dúvida alguma, é sensibilizar, conscientizar, informar as pessoas sobre o Pacto Educativo Global. Então, foi uma apresentação e cada pessoa pode se aprofundar nisso, porque o Pacto Educativo Global pode ser aplicado por pessoas de todas as religiões, de todos os partidos políticos, de todas as inspirações, sejam pessoas do campo, pessoas da cidade, indígenas, quilombolas.
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O que o Papa Francisco colocou - e o Papa Francisco era amado por toda a humanidade, por todas as pessoas, por todas as religiões, e mesmo por aquelas pessoas que eventualmente não professassem uma religião -, ele disse: "Olha, nós temos um caminho que pode nos unir - todos, todos, todos -", como foi colocado, vamos juntos nessa caminhada. E o Papa Leão XIV confirmou, ratificou, incluiu desafios do momento.
Então se a gente fala "vamos trabalhar juntos" - e isso serve para todas as pessoas -, o Papa Francisco e o Papa Leão XIV indicam essas dez medidas. Vamos colocar a pessoa no centro, esse é um caminho, vamos pensar na pessoa. Como a Paula colocou, vamos escutar, não só ouvir, escutar crianças e jovens, escutar o quilombola, escutar o indígena, escutar a periferia, escutar o centro, escutar as pessoas. Vamos escutar na família mesmo, vamos escutar, vamos promover a dignidade das mulheres, é o terceiro caminho, todos nós queremos isso, sem dúvida, no Brasil também. Reconhecer a família, vamos valorizar políticas públicas para a família, mas a família como primeira educadora, valorizar, informar, discutir, construir caminhos, acolher os mais vulneráveis. Quer dizer, como que a gente vai fazer esse pacto? Vamos acolher quem precisa mais, acolher os mais vulneráveis.
Lembrando, renovar a economia e a política a serviço da pessoa, políticas públicas para melhorar a dignidade, cidadania, respeito. Todo mundo fala: vamos cuidar da nossa casa comum, que é a Terra, o planeta Terra. E o Papa Leão XIV ainda dizendo: "Olha, tanta coisa acontecendo, tantas mídias, tanto WhatsApp, tantas mensagens, tanta televisão, tanto isso e tanto aquilo", educar para a interioridade, para o silêncio, para o discernimento, em uma sociedade que está saturada de tanto ruído e dispersão.
E tudo isso é para a dignidade do ser humano, educar para uma paz, uma construção de uma sociedade de paz. Como é que a gente consegue a paz? Eu diria: escutando, promovendo tudo aquilo que foi dito antes também, diálogo, reconciliação. E por isso que está escrito aqui: vamos todos - pessoas, instituições, igrejas, governos -, independentemente de partido, de religião - até a mensagem que veio é para os crentes e não crentes -, uma educação humanista, uma educação solidária, como modo de transformar a sociedade.
Então, esta sessão especial trouxe expositores e expositoras para enfatizarem, orientarem uma caminhada. Não é um livro que está à disposição, como foi colocado, é um modo de vida; princípios que devem orientar a todos - os que estão aqui, sem dúvida alguma, o Senado, os governos...E tem muita gente acompanhando esta sessão especial através dos meios de comunicação do Senado, a quem a gente agradece muito - para que se sensibilizem que esses dez pontos podem ser levados adiante, particularmente nas eleições do ano que vem também, para que cada um assuma... E isto em termos de uma caminhada para o Estado, para o âmbito federal, para as prefeituras, os educadores. Vamos juntos, juntos, sempre juntos, e usando a primeira pessoa do plural: nós. Nós podemos, nós juntos podemos contribuir para que a sociedade fique mais humana, solidária e que se transforme com base em tantas coisas boas que devem acontecer, mas, em particular, com essa proposta do Papa Francisco, amado por todos, e do Papa Leão XIV, que está também continuando esse propósito apresentado pelo querido Papa Francisco.
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Então, que bom que estamos juntos aqui, que bom que estamos transmitindo. Agradeço aos meios de comunicação, de novo, aos expositores, às expositoras, a todos que estão aqui presentes, à Secretaria-Geral da Mesa, que dá todo o apoio, ao pessoal dos gabinetes também, porque juntos podemos fazer com que a sessão fique especial, não é verdade?
Portanto, cumprida a finalidade e nada mais havendo a discutir neste momento, agradeço novamente as personalidades que nos honraram - embaixadores, autoridades, representantes dos ministérios - e declaro encerrada a presente sessão.
Obrigado.
(Levanta-se a sessão às 15 horas e 38 minutos.)