3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 3 de outubro de 2025
(sexta-feira)
Às 14 horas
132ª SESSÃO
(Sessão Especial)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos.
A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento nº 524, de 2025, de autoria desta Presidência e de outros Senadores, aprovado pelo Plenário do Senado Federal.
A sessão é destinada a comemorar o Dia Nacional da Musicoterapia e os 30 anos da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam).
Convido a compor a mesa desta sessão especial os seguintes convidados: Sr. Luiz Belizário, Presidente da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam) (Palmas.); Sra. Luciana Saraiva, Vice-Presidente da Associação de Musicoterapia do Estado do Piauí e minha conterrânea. (Palmas.)
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A Presidência informa que esta sessão terá também a participação dos seguintes convidados: Sra. Beatriz Salles, Coordenadora do curso de Musicoterapia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Palmas.); Sra. Maria Clotilde, Professora colaboradora da Faculdade de Música da Universidade Estadual de Goiás (Palmas.); Sra. Rafaela de Lima Zerbini, Presidente da Associação de Musicoterapia do Estado do Paraná (Palmas.); Sra. Sarah Cristina Costa, Musicoterapeuta responsável pelo Centro de Referência Pesquisa e Extensão em Musicoterapia do Distrito Federal (Palmas.); Sra. Sony Regina Petris, membro da Comissão SUS da Ubam (Palmas.); Sra. Deputada Estadual Marta Gonçalves, Deputada do Estado do Ceará (Palmas.); Sra. Angela Fajardo, Musicoterapeuta responsável pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar. (Palmas.)
Convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
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A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI. Para discursar - Presidente.) - Registramos a presença, na galeria, dos alunos do curso de Direito da Fenord (Fundação Educacional Nordeste Mineiro), campus Teófilo Otoni, Minas Gerais.
Sejam bem-vindos! (Palmas.)
Sras. e Srs. Senadores presentes, prezados telespectadores da TV Senado, estimados musicoterapeutas aqui presentes e em todo o país, o Senado Federal se reúne hoje para celebrar uma prática que conecta arte e ciência e tem o poder de transformar vidas: a musicoterapia. Reunimo-nos também para comemorar os 30 anos da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam), entidade que tem sido protagonista na consolidação desta profissão em todo o país.
A musicoterapia vai muito além do simples ato de ouvir música; é uma prática clínica planejada e aplicada por profissionais formados em cursos superiores reconhecidos pelo Ministério da Educação, com duração média de quatro anos.
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Na musicoterapia, o paciente participa ativamente cantando, tocando instrumentos, improvisando ou interagindo musicalmente, criando uma relação terapêutica que gera benefícios emocionais, cognitivos e físicos, e que complementa a medicina tradicional.
O Brasil deu um passo histórico, em 2017, ao incluir a musicoterapia na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS. Ainda assim, entre a norma abstrata aprovada e a prática institucional, há um caminho a percorrer, porque a carreira ainda não está formalmente incluída nas carreiras do serviço público. Essa situação precisa ser resolvida. Em países mais desenvolvidos, esses profissionais já estão incorporados plenamente em seus sistemas de saúde.
A eficácia da musicoterapia está respaldada por estudos e por experiências clínicas que demonstram cientificamente alguns dos benefícios da prática, tais como: redução de 40% no uso de medicações controladas entre pacientes com depressão nos Centros de Atenção Psicossocial do Distrito Federal; alívio da dor em pacientes sob cuidados paliativos; redução de até 60% nos níveis de estresse entre profissionais de saúde; melhora significativa dos sintomas depressivos, em alguns casos com redução de quase 50% da intensidade; preservação de memórias e expressão emocional em pessoas com Alzheimer, com menor necessidade de medicamentos; ganhos concretos em ânimo, equilíbrio emocional e disposição para o dia a dia, refletindo memória na qualidade de vida.
O Congresso Nacional tem atuado para consolidar a musicoterapia como política pública. No ano passado, durante o mês de abril, houve a publicação da Lei 14.842, de 2024, que dispõe sobre a atividade profissional de musicoterapeuta. E na Câmara dos Deputados está em tramitação o Projeto de Lei 2.763, de 2024, que institui diretrizes para o programa de incentivo à utilização da musicoterapia como tratamento terapêutico e complementar, e que propõe, entre outras medidas, a implementação da musicoterapia em escolas e em hospitais federais.
Quanto à União Brasileira das Associações de Musicoterapia, que celebra três décadas de operação, cumpre destacar seu papel estratégico na valorização da musicoterapia em nosso país. Entre as variadas e relevantes funções que a instituição desempenha, podemos destacar: a articulação e a representação nacional das associações estaduais; a defesa dos direitos da categoria; o estímulo à produção científica e à promoção de eventos nacionais, como o Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia e o Simpósio Brasileiro de Musicoterapia; o incentivo à regulamentação profissional e à inclusão do musicoterapeuta na Classificação Brasileira de Ocupações; a divulgação da profissão, a orientação relativa às boas práticas, a elaboração de documentos, como o Código de Ética, e a articulação de ações junto ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Educação.
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Atualmente, 17 universidades brasileiras oferecem cursos de musicoterapia, formando profissionais qualificados para atuar em hospitais, em escolas, em instituições sociais e em outros contextos de cuidado. Celebrar o Dia Nacional da Musicoterapia e os 30 Anos da Ubam é também reafirmar nosso compromisso com a valorização da profissão, com o fortalecimento de práticas públicas e com a ampliação do acesso da população brasileira a esta prática transformadora.
Que esta sessão inspire ações concretas de integração intersetorial no setor público e privado, de forma ampliada em todos os níveis educacionais de reconhecimento interinstitucional da musicoterapia e, por conseguinte, de maior acesso aos seus benéficos efeitos, consolidando-a como prática essencial ao bem-estar coletivo.
Muito obrigada. (Palmas.)
Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional com depoimentos de pessoas atendidas pela musicoterapia no Brasil.
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(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Registramos a presença, na galeria, dos Jovens Aprendizes do Sesc-Senat, unidade Brasília, Distrito Federal.
Sejam bem-vindos! (Palmas.)
Neste momento, concedo a palavra ao Sr. Luiz Belizário, Presidente da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam). (Palmas.)
O SR. LUIZ CARLOS BELIZÁRIO FILHO (Para discursar.) - Boa tarde a todos.
Boa tarde, Sra. Presidente da sessão, Senadora Jussara, senhoras autoridades, Presidente, Senadores e Senadoras, colegas musicoterapeutas, estudantes, convidados, e todos os que acompanham esta transmissão na TV Senado. É uma honra estar nesse espaço de símbolo da democracia brasileira para celebrarmos o Dia do Musicoterapeuta e os 30 anos da história da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam).
A musicoterapia no Brasil é uma história de resistência, dedicação e perseverança. Em 1995, um grupo pioneiro fundou a Unamb, que posteriormente se transformou na Ubam, com o objetivo de unificar associações estaduais, fortalecer a ciência da musicoterapia e conquistar espaço político. Nessas três décadas, conquistamos marcos significativos: inserção da profissão na Classificação Brasileira das Ocupações; expansão de cursos de graduação, pós-graduação e residências em todo o país; criação da Revista Brasileira de Musicoterapia, hoje internacionalizada; fundação da editora da Ubam, organizando e publicando materiais científicos e formativos; organização de simpósios e encontro de pesquisa em nível nacional; crescente presença nas políticas públicas de saúde, educação e assistência social.
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Somos cerca de 11 mil profissionais em todo o território e hoje a Ubam congrega 18 associações estaduais, sendo elas Santa Catarina, Ceará - um abraço forte para os meus conterrâneos que estão acompanhando a transmissão -, Distrito Federal, Espírito Santo, Paraná, Maranhão, São Paulo, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe e Mato Grosso. Logo mais teremos mais duas: Amazônia e Rondônia. O ápice dessa trajetória foi a Lei 14.842, em 2024, a Lei da Regulamentação Profissional, resultado de décadas de mobilização da Ubam, que foi a única entidade nacional reconhecida e habilitada a conduzir o processo legislativo, garantindo legitimidade e unidade à classe.
Assumi a Presidência da Ubam com a missão de fortalecer, incluir e expandir a musicoterapia brasileira em três eixos estratégicos: fortalecer, que seria consolidar a identidade da Ubam como entidade representativa nacional; garantir a aplicação da Lei 14.000 em todos os estados; inserir oficialmente a categoria no Conselho Nacional de Saúde; ampliar a presença da Ubam junto às organizações de saúde e formação de novos profissionais.
O eixo incluir, que é criar políticas públicas de diversidade étnico-racial, de gênero, sexualidade e deficiência; incentivar a participação de novos perfis profissionais; apoiar a criação de novas associações regionais, especialmente na Região Norte; e o eixo expandir, que é estabelecer parcerias com universidades públicas e privadas; ampliar a produção técnica e científica; realizar cursos, seminários e simpósios; consolidar musicoterapia como profissão de saúde estratégica nas políticas públicas. Mantemos também o eixo transversal de governança e ética, garantindo gestão participativa e transparente, envolvendo todas as associações vinculadas e os diferentes grupos de trabalho.
Aqui mando uma cordial saudação à nossa diretoria atual, na pessoa dos meus colegas Claudia, Ricardo, Gabriela e Edna, e a todos os conselheiros da Ubam. Este ano celebramos marcos históricos.
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No dia 15 de setembro, tivemos o Encontro Nacional das Associações de Musicoterapia, em Brasília, na Faculdade Batista. Agradeço aqui nas pessoas do Dr. Carlos e do Esdras Queiroz, que nos possibilitaram este momento aqui em Brasília. No dia 15 de setembro, tivemos uma iniciativa importante da Prefeitura de São Paulo, em que foi anunciado o Dia da Musicoterapia em todos os relógios eletrônicos espalhados pela cidade. Também no dia 15 de setembro, por solicitação da AMT do Paraná, a Prefeitura de Curitiba iluminou a estufa do jardim botânico e a Câmara Municipal com cores da Ubam.
No dia 28 de setembro, tivemos o privilégio de ver o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, iluminando as cores da Ubam em homenagem à musicoterapia brasileira, um gesto de reconhecimento simbólico e espiritual. Aqui quero deixar meu agradecimento ao Padre Omar e ao nosso colega Paulo Santi.
E hoje coroamos este ciclo de celebração com esta sessão solene no Senado Federal, fruto do requerimento da Senadora Jussara, a quem reverencio com profundo respeito e gratidão por este momento histórico.
Além de presidir a Ubam, atuo como musicoterapeuta no centro de reabilitação de Eusébio, pelo SUS. Saúdo a todos os meus pacientes, aqui também representados por todos esses queridos que estão aqui compondo a nossa plateia e vão logo mais se apresentar com a Angela Fajardo. Saúdo as famílias que atendo lá na minha cidade, no Ceará, em Eusébio, e gostaria de enviar uma saudação especial aos gestores que acolhem a todos aqui, em especial estes que vou proferir, que são os meus gestores: o Prefeito José Arimateia Júnior, o ex-Prefeito Acilon Gonçalves e a Deputada Marta Gonçalves, que idealizaram políticas de acesso à musicoterapia, pelo SUS, da população de Eusébio.
Ali eu vejo diariamente que a musicoterapia, quando aplicada com rigor científico como profissão de saúde, transforma vidas. Crianças com atraso de desenvolvimento encontram caminhos de comunicação e expressão. Adultos em reabilitação neurológica retomam a fala, a memória, com o suporte terapêutico pela musicoterapia. Idosos recuperam a autoestima, a alegria e a qualidade de vida por meio de intervenções musicoterapêuticas.
Essas experiências mostram que a regulamentação não é apenas uma conquista política, mas um direito da população brasileira de ter acesso à musicoterapia como profissão de saúde. E aqui saúdo todos os meus colegas, na pessoa da nossa querida Sony, que está aqui presente, os colegas da Comissão SUS da Ubam e todos os musicoterapeutas que atuam no Sistema Único de Saúde.
Os desafios à frente são grandes: assegurar a implementação plena da Lei 14.842; inserir a categoria definitivamente nas instâncias e deliberações do SUS; garantir financiamento para pesquisa e formação de qualidade, em especial nas universidades públicas; expandir a presença da musicoterapia nas redes de atenção à saúde, à educação e à assistência social, combatendo a precarização do trabalho e defendendo práticas baseadas em evidências e centradas na saúde.
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Senhoras e senhores, celebrar o Dia do Musicoterapeuta no Senado Federal é mais que uma homenagem, é um compromisso com a saúde pública.
A Ubam completa 30 anos de conquista histórica, mas nossa luta continua. Precisamos seguir fortalecendo, incluindo, expandindo, para que cada cidadão e cidadã deste país possa se beneficiar do poder transformador da musicoterapia como profissão de saúde.
Viva a musicoterapia! Viva a Ubam! Viva o SUS!
Muito obrigado. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Agradeço a brilhante fala do Dr. Luiz Belizário.
Concedo a palavra à Sra. Luciana Saraiva, Vice-Presidente da Associação de Musicoterapia do Estado do Piauí.
Quero registrar aqui, que passou aqui pelas nossas galerias, a presença da comitiva de membros da Embaixada do Haiti. (Palmas.)
A SRA. LUCIANA SARAIVA (Para discursar.) - Boa tarde a todos e a todas.
Cumprimento a Presidente da mesa de honra, a Exma. Sra. Senadora Jussara Lima, conterrânea e atuante nas causas em defesa da saúde dos vulneráveis. Cumprimento o Sr. Luiz Belizário, Presidente da Ubam. Saúdo a todas as autoridades, representantes da Ubam, amigos musicoterapeutas, pacientes, familiares e todos os presentes nesta sessão especial em homenagem ao Dia da Musicoterapia e aos 30 anos de existência da Ubam, instituição que representa a musicoterapia neste país.
Atuando como professora da Universidade Estadual do Piauí, profissional da saúde pública e musicoterapeuta, represento neste ato o Presidente da Associação de Musicoterapia do Piauí, o Sr. Pablo Leão, e todos os musicoterapeutas do meu estado.
Estamos vivendo um momento de grande expansão dos serviços de saúde no Piauí, o que traz novas oportunidades e desafios para a musicoterapia.
A musicoterapia é uma especialidade terapêutica relativamente nova como especialidade, mas existem registros antigos da utilização da música no combate a moléstias em papiros egípcios. A musicoterapia é uma prática de saúde que utiliza a música de maneira científica e planejada por profissionais habilitados para promover bem-estar físico, mental, emocional, social e cognitivo.
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No Piauí, a musicoterapia teve início com a atuação de Nydia do Rego Monteiro, egressa do Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro, alavancando o atendimento público e privado com pacientes HIV no Lar da Fraternidade, em meados de 1997; na rede feminina de combate ao câncer, no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), em meados já de 2008; e em clínicas e hospitais particulares.
Nydia foi responsável por desencadear a realização de eventos científicos, o que culminou, em 2006, com a primeira turma de Especialização em Musicoterapia na Universidade Federal do Piauí, à época o único curso ativo nas Regiões Norte-Nordeste do país. Através dos Profs. Odailton Aragão, em memória, e João Beckman, que, com apoio de Lia Rejane Barcellos, ícone da musicoterapia, puderam incentivar a academia junto à musicoterapia no Estado do Piauí.
Nessa trajetória, em 2008, houve a criação da Associação de Musicoterapia do Piauí, inserida no arcabouço de luta pela classe com a União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam), entidade nacional que articula políticas, forma redes e dialoga com os poderes públicos - Executivo e Legislativo -, que culminou com a Lei nº 14.842, sancionada em abril de 2024, que dispõe sobre a atividade do profissional de musicoterapia.
Cresce no Piauí a demanda de atendimentos na saúde mental, reabilitação, na atenção básica e em hospitais públicos e privados. As políticas públicas de saúde no Piauí agregam centros como o Ceir, o Cies na capital, em Teresina, e também no interior, e o mais novo centro de tratamento do autismo, o Cetea, expandindo o acesso da população ao tratamento com os musicoterapeutas. Porém é premente uma representação política que amplie e consolide esse direito nas decisões que desenvolvem as políticas públicas do SUS, incluindo a musicoterapia como prioridade nas portarias, cargos em concursos públicos, editais de financiamento de pesquisa...
(Interrupção do som.)
A SRA. LUCIANA SARAIVA - ... e de serviços que beneficiem a atuação do musicoterapeuta (Fora do microfone.) como profissional de saúde e assegurem o curso de graduação em musicoterapia como a base para capacitação acadêmica profissional nas instituições de ensino superior ligadas a cursos da área da saúde e na regulamentação da profissão.
Nesse esforço conjunto de consolidar a educação de qualidade, destaco a atuação do grupo de trabalho do Piauí em sensibilização junto à Universidade Federal do Piauí e à Universidade Estadual do Piauí, para dar continuidade à formação acadêmica no nosso estado como forte ponto focal de exemplo acadêmico na saúde.
Convido a todos os profissionais, gestores, estudantes, pacientes e familiares a se unirem em defesa da qualidade acadêmica e da sua regulamentação na consolidação da musicoterapia, abrindo espaços como a participação em fóruns, nos conselhos de saúde e eventos científicos e políticos.
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Ressalto que a atuação da Ubam, por meio da AMT-PI e de todas as associações deste país, fortalece esse projeto, dá respaldo técnico e aproxima musicoterapeutas de gestores, possuindo reflexos direto na saúde da comunidade e dos territórios.
Por fim, agradeço todo o empenho e presteza da Senadora Jussara Lima na atenção com a nossa causa, a todos os representantes políticos do Estado do Piauí nesta Casa, ao nosso Ministro Wellington Dias por levantar a bandeira em defesa da musicoterapia, e parabenizo a Ubam por seus 30 anos de história e impacto na qualidade de vida do povo brasileiro.
Eu os convido, gentilmente, a apreciar e cantar junto a música Vida em Harmonia, uma composição colaborativa com todos os musicoterapeutas do Estado do Piauí, capitaneados pela batuta do musicoterapeuta Alcides Valeriano.
Muito obrigada.
E viva a musicoterapia! (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Concedo a palavra...
Quero agradecer à Sra. Luciana Saraiva, Profa. Luciana Saraiva, piauiense, minha conterrânea, e solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional produzido por musicoterapeutas do meu Estado do Piauí.
E queria só aqui registrar o abraço do Ministro e Senador também Wellington Dias, que foi uma das pessoas que mais incentivou para que tudo isso estivesse acontecendo. (Palmas.)
(Procede-se à execução da música Vida em Harmonia.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Quero registrar aqui a presença da Chefe da Aspar do Ministério do Desenvolvimento Social, Felícia Ibiapina. (Palmas.)
Neste momento, assistiremos à apresentação artística das crianças do Hospital da Criança de Brasília José Alencar, conduzida pelas Sras. Angela Fajardo e Janaina Sabino. (Palmas.)
A SRA. ANGELA FAJARDO (Para discursar.) - Gente, boa tarde!
A gente vai antecipar a apresentação. As crianças estão agitadas, e é muito tempo para elas esperarem.
Nós vamos fazer um arranjo, um arranjo improvisado, junto com as crianças, de O Trenzinho do Caipira, música originalmente composta em 1930 para a Orquestra de Câmara de Villa-Lobos - depois foram feitos arranjos para piano e violoncelo, orquestra sinfônica. Hoje estamos aqui com as crianças do HCB, crianças da reabilitação, e vamos apresentar O Trezinho Caipira, uma releitura de O Trenzinho do Caipira para vocês.
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(Procede-se à apresentação da música O Trenzinho do Caipira.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Quero agradecer aqui essa bela apresentação, que nos deixou - acho que a todos - emocionados. Foi lindo de ver essas crianças e as professoras.
Muito obrigada por este momento tão especial.
Concedo a palavra à Sra. Beatriz Salles, Coordenadora do Curso de Musicoterapia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (Palmas.)
A SRA. BEATRIZ DE FREITAS SALLES (Para discursar.) - Boa tarde a todos, todas e todes.
Primeiramente, eu gostaria de fazer a minha audiodescrição. Eu sou uma mulher branca, de 1,70m de altura, cabelos vermelhos. Estou de azul, como o azul deste Plenário, como o azul da nossa querida bandeira, o azul das águas, o azul da esperança e o azul do esperançar deste dia tão especial para todos nós musicoterapeutas e para todos aqueles que, em algum momento em suas vidas, encontraram conforto por meio da música. E é em nome dela que aqui estamos.
E eu cumprimento, ao mesmo tempo em que lhe agradeço a oportunidade, a nossa querida Senadora por essa iniciativa maravilhosa, a Senadora Jussara Lima, do Piauí. E agradeço também imensamente o convite do Presidente da União Brasileira das Associações de Musicoterapia, que na realidade não me convidou, me convocou para estar aqui hoje, em função de eu ser a Coordenadora de um curso, um curso bastante jovem, curso de graduação em Musicoterapia da UFRJ, que se institui em 2019 e é avaliado em 2023 pelo MEC com a nota máxima, entendendo aí que ele é um curso que justamente fala disto: fala da capacidade de nós compormos, capacidade de tecermos juntos, capacidade de nos reinventarmos e ressignificarmos os nossos cotidianos, fazendo daquilo que parecia um desacerto, um desencontro e uma vicissitude, uma virtude.
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Então é nesse sentido que eu peço licença e peço também que quem está responsável pela técnica possa projetar uns eslaides.
A temática, o tema da convocação do nosso querido Dr. Belizário foi justamente para que eu pudesse trazer a questão da formação do musicoterapeuta como profissional da saúde, um direito constitucional. E entendo que esse convite me foi feito também em função de que o nosso bacharelado é um bacharelado em saúde, um bacharelado que se constitui na Universidade Federal do Rio de Janeiro e se inscreve na imbricação entre a arte e a ciência, entendendo que ambas, atuando e tecendo juntas, são capazes de produzir vida. E é vida, é equilíbrio, é saúde mental o grande desafio do nosso milênio.
Então, para problematizar isso e esse lugar, que lugar é esse? Porque quando a gente fala de musicoterapia, a primeira palavra que vem é "músico o quê"? Essa é a primeira coisa quando a gente fala sobre isso, para qualificar esse lugar, o lugar do estranhamento, música e terapia. Que música é essa? Qual é a formação necessária para que um profissional musicoterapeuta possa atuar? E por que defendemos ferrenhamente que somos profissionais da saúde?
E aí eu tomo emprestado um tema que foi uma provocação, uma problematização de 1982, o Congresso Internacional de Musicoterapia, que é: o que é único sobre a experiência com a música que a torna importante para a terapia? Eu acho que essa é a pergunta que a gente precisa tentar responder para entender que lugar é esse desse profissional da saúde, que se utiliza, sim, da música, mas não necessariamente só dela, se utiliza de toda e qualquer possibilidade rítmico-sonora, constitutiva ou não e organizada ou não, como nós entendemos a música, para viabilizar um processo comunicacional, para estabelecer um vínculo capaz onde se inicia um processo terapêutico. Então, o ruído de uma cadeira pode ter um emblemático impacto na relação que aquele profissional musicoterapeuta vai estabelecer com aquele paciente ou com aquele grupo.
Nesse sentido, eu gostaria de dizer que a pesquisa clínica - respondendo a essa pergunta e também fazendo essa provocação para nós -, a pesquisa clínica atual - e aí nós vamos falar desse lugar da academia - indica que a música, elementos sonoros, organizados ou não, ritmo, melodia, harmonia e sons, podem estimular processos cognitivos, afetivos e sensório-motores complexos no cérebro, processos cujas funções podem ser generalizadas e transferidas para fins terapêuticos não musicais. Essa é a academia. Mas agora eu peço que cada um de nós que está sentado aqui neste Plenário e nos escuta, que pense o que é de único na experiência que cada um de nós constitui com a música, com os sons.
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E ela começa no momento em que a vida se instaura. Ela se inicia com o batimento cardíaco. Ela se inicia e vai nos acompanhar ao longo de toda uma vida, a partir das experiências possíveis que esse sujeito vai ter.
Então, se a gente fechar os olhos, nós veremos que, ao longo da nossa trajetória do nosso ciclo de desenvolvimento enquanto seres humanos, as sonoridades nos acompanham. No choro do bebê, na fala da mãe, nas trocas, nas experiências importantes, nos eventos traumáticos, nas possibilidades de comunicação aonde a palavra não chega, é lá que está essa potência e é sobre ela que a gente quer falar. E principalmente sobre como formar um profissional capaz de atuar e enfrentar esses desafios.
E é então que... Eu estou aqui, que falo, e não mudo o eslaide. Só um momento. Não sei se é isso, se é ali. Espere aí.
Foi? (Pausa.)
Ah, foi.
Então a pergunta já está lá, com algumas fotos, né? E aí, eu gostaria... Onde é que está, gente, que não passa? Só um momento, não estou conseguindo não. Agora foi.
Para trazer esse lugar, esse lugar que a gente está defendendo, que é essa musicoterapia que une processos sonoros, rítmicos e musicais na promoção da saúde... ela é uma profissão da saúde, ela precisa ser. E é por isso que a gente lutou para chegar aqui hoje, pensando quais são os marcos legais que justificam esse pleito.
Os marcos legais são o fato de nós estarmos inscritos na CBO, com Cnes e Datasus, com Matriz Dacum, com procedimentos inscritos nas atenções primária, secundária e terciária no SUS. A UFRJ e o projeto político-pedagógico do nosso curso formam para as políticas públicas de saúde. Além disso, estamos inscritos nas práticas integrativas complementares em saúde, cada vez mais convocadas quando a gente pensa nos desafios da saúde mental pós-pandemia, entre outros.
Estamos inscritos porque a lei que nos regulamenta diz intervenção terapêutica nos ambientes médicos, entre outros. Se é ambiente médico, nós estamos na saúde. Se diz que utiliza intervenções musicoterapêuticas para promover saúde, qualidade de vida e desenvolvimento humano, estamos falando de saúde. Saúde, porque saúde, no seu espectro integrativo, envolve os determinantes sociais - envolve, sim.
Estamos também nas DCNs encaminhadas ao Ministério da Educação, em 2023, pelo GT das DCNs.
Se eu conseguir passar. Vou passar ali, gente, porque estou que falo e nada, né? Estou lendo e não estou passando. Só um momentinho. Isso.
O GT das DCNs encaminhou, e esse GT se constituiu a partir dos cursos de graduação, em 2020, coordenados pela Unespar e pela Universidade Federal de Goiás, para pensar que matriz curricular precisamos ter para formar esse profissional, entendendo, sim - entendemos e encaminhamos assim -, que será uma graduação e um bacharelado na área da saúde.
Para além disso, também fizemos um movimento para que o Conselho Nacional de Saúde nos reconheça, como também fizemos um outro, porque já estivemos ali: Como garantir profissionais formados para o SUS, se nós não vamos garantir formação continuada, qualificada para esse trabalhador, se ele não puder estar nas residências multiprofissionais? Porque não há clareza - estamos num limbo institucional: somos saúde ou não somos saúde? Se não há, no vernáculo da lei, a expressão profissional de saúde, não há possibilidade de se enquadrar dessa forma ou há entendimentos diversos sobre isso. E isso é um dilema, isso é algo em que nós precisamos pensar e caminhar.
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A nossa motivação por essa luta é entender a potência do que vocês acabaram de observar, é entender que temos de contribuir para suprir a carência de profissionais especializados e colaborar na maneira eficiente, eficaz e efetiva da implementação das políticas públicas de saúde, SUS; assistência social, Suas; educacionais, profissionalizantes e de acessibilidade frente aos desafios contemporâneos. O que seriam esses desafios contemporâneos? Um bilhão de pessoas vivem com algum tipo de deficiência hoje. Um bilhão de pessoas têm problemas de saúde mental que trazem um impacto de US$1 trilhão para o mundo. Nós temos um desafio que diz respeito a como viver e promover saúde e produzir vida. As expressões artísticas, o corpo, o som e o movimento são fundamentais para que isso possa acontecer, e nós vimos isso na pandemia, quando não se podia sair de casa, mas a música nos fez comunicar, porque é o único sentido que não fecha: ela não pede licença, ela nos invade. Então, nós precisamos pensar na importância desse profissional e na importância dessa formação.
E aí, entrando especificamente no nosso curso, porque eu tenho muito pouco tempo para falar - eu tinha que fazer tudo isso em cinco minutos e sei que já passei muito deles -, eu trouxe...
Eu quero essa foto, porque imagem é isto, gente: a gente fala e percebe o mundo de maneira ampliada. Não é só o som, são todas as expressões do meu corpo, é a intensidade da minha fala, é o meu sorriso. Essas são as leituras de que o musicoterapeuta se apropria quando ele está pensando em como acolher aquele que chegou ali em busca de algum tipo de ajuda.
Alguém me ajude aqui, gente, porque está difícil. Não passa de jeito nenhum. Espera aí... Eu quero botar...
Você pode fazer essa gentileza... (Pausa.)
Para onde, para lá? Ah, pode ser. Deixe-me ver... Desculpa, gente.
Pronto, eu vou pedir para passar, tá?
Essa imagem traz algo que hoje é a palavra de ordem da formação para um profissional de saúde. Tanto é a palavra de ordem que as DCNs da faculdade de Medicina, dos cursos de Medicina acabam de ser aprovadas pensando nisto: trabalhar na interprofissionalidade. O que é trabalhar na interprofissionalidade? Aprender a tecer junto. Todas as categorias da saúde construindo juntos esse lugar de poder produzir vida, promover, reabilitar, restaurar e colaborar para produzir saúde.
O nosso curso já nasce nessa imbricação, ele é obrigatoriamente isso porque é um consórcio multiunidades, um consórcio formado, primeiro, pelas ciências da saúde com a escola de música, porque, quando a gente pensa em música, a gente pensa na formação de habilidades e competências do executar um instrumento, mas todos nós somos capazes de tocar um chocalho, de dançar e de cantar, todos nós somos seres musicais, todos nós temos uma natureza intrínseca.
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Se a musicalidade intrínseca da criança não se desenvolve, se não são viabilizadas experiências efetivas com os sons, com as habilidades corpo, som, movimento, de fato, talvez ela não vá ter essa experiência e vá achar que não é capaz, mas a musicalidade é inata em cada um de nós. E esses cursos não têm prova de habilidade específica, porque a gente entende que isto é uma coisa fundamental: poder entender e professar o que são os conceitos que nos fundamentam e a natureza intrínseca. E a musicalidade inata da criança é um deles. Então, os nossos eixos de formação preveem conteúdos essenciais que devem ser relacionados com todo o processo de saúde e doença do cidadão, da família e da comunidade, integrados à realidade epidemiológica e profissional, proporcionando a integralidade das ações do cuidar em musicoterapia.
Você pode passar, por gentileza?
Os eixos de formação. Quando a gente pensa nas ciências biológicas e da saúde, temos quatro eixos que nos constituem. As ciências biológicas e da saúde vão abranger conteúdos teóricos e práticos de bases moleculares, celulares, processos biológicos normais e alterados da estrutura e função dos tecidos, órgãos, sistemas e aparelhos, é importante dizer isso, contribuindo com um terço da formação da saúde que a gente vai ter. As ciências sociais e humanas abrangem o estudo de seres humanos e suas relações sociais, conhecimentos relativos ao processo de saúde e doença nas suas múltiplas determinações, contemplando a integração de aspectos biopsicossociais, espirituais, culturais, filosóficos, antropológicos e epidemiológicos. Se a gente vai para as ciências da música, abrangem os conteúdos referentes aos fundamentos da música, incluindo estudos que particularizam e dão consistência à experiência musical que a gente precisa poder prover enquanto facilitador de um processo comunicacional e para estabelecimento de um vínculo terapêutico.
Pode passar, por gentileza.
Quando vocês veem essa matriz - estão vendo? - essa é a matriz curricular do curso, ela dá uma dimensão do quanto de música..., da forma como cada um de nós entende música, que é tocar um instrumento, ser capaz de cantar e compor, só a parte azul que está ali. A parte azul é o que a música convoca nessa formação. A parte rosa tem a ver com as especificidades de corpo, som, movimento inseridas na cultura brasileira, porque quando a gente fala de determinantes sociais, quando a gente fala de processos educacionais inclusivos, que incluam todo e qualquer tipo de população, a gente precisa pensar na cultura brasileira e em onde ela está, e nem sempre ela está na universidade e nos cursos de música que são ofertados ali. Então, essa competência se dá a partir da formação na dança, com a dança, com a companhia folclórica, com experiências significativas inseridas na cultura do nosso país. Ela é fundamental.
Pode passar, por gentileza. Pode passar. A formação... Pode passar também, por favor.
Quando a gente pensa na formação, a gente tem 20% da nossa carga horária para os estágios supervisionados, que se dão em cinco áreas específicas e integradas - pode passar - nos hospitais da UFRJ. Nós temos nove hospitais hoje, por isso é fundamental que a gente possa... Porque a musicoterapia atua na atenção primária, secundária e terciária. Se a gente não tiver essa experiência, formar dentro do SUS, tendo o SUS como uma escola... Escutei essas palavras do Dr. Fabiano, que está nessa secretaria que a gente quer tanto que nos compreenda e nos dê uma oportunidade.
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Pode passar.
A formação no território, se articular em rede com os diferentes territórios: isso também faz parte do curso, e é fundamental que se constitua assim.
Siga, por favor. Obrigada.
A gente pensa no perfil desse egresso e aí, rapidamente, a gente vai dizer que esse egresso precisa dominar os fundamentos metodológicos da musicoterapia, seus diferentes modelos de intervenção e atuação, capazes de oferecer, no campo clínico-terapêutico e preventivo das práticas da musicoterapia, atenção integral, integrada e contínua aos problemas de saúde da população, em interação com os serviços de saúde, com a comunidade e com o meio ambiente.
Pode seguir.
O campo de atuação. Também é importante saber onde podemos trabalhar, principalmente nas equipes de saúde pública do Sistema Único de Saúde - por isso, queremos, sim, que a secretaria, a SGTES, se comprometa e nos coloque ali como profissionais da saúde, porque eles ajudam, junto com o Ministério da Educação, na regulação do campo de trabalho desse profissional -; nas equipes do Sistema Único de Assistência Social, em especial nas casas de acolhimento e abrigos; na área de educação, em escolas inclusivas e especiais; e na área da cultura, em projetos de acessibilidade socioculturais.
O papel social, político e ético do curso: contribuir com as diversas demandas da saúde do SUS e da assistência social no Brasil, da educação, nas escolas inclusivas e especiais, dos processos de acessibilidade cultural, fortalecendo a interprofissionalidade, a interdisciplinaridade e a interculturalidade.
Para quase encerrar, eu gostaria de trazer o que é que a gente pensa com relação à interprofissionalidade e interdisciplinaridade na integração teórico-prática com as ciências - essas ciências imbricadas - que vão formar esse profissional. Por que eu estou trazendo isso tão detalhado? Porque eu penso que nós temos um desafio, e o desafio hoje é: a partir de abril, seremos só oito cursos de graduação para dar conta. Ao longo de todo esse processo e graças ao esforço de vários profissionais musicoterapeutas que conduziram especializações excepcionais neste Brasil varonil, temos, de diferença do último censo de musicoterapeutas para agora, o salto quântico de 3 mil para 11 mil profissionais. Isso não é pouca coisa. Como dar conta desse desafio se não tivermos mais graduações? Como se reinventar com pouco? Ser criativo? Tecendo junto, criando cursos que sejam consórcios. Por quê? Porque os professores das outras áreas é que darão aula para nós, os musicoterapeutas vão cuidar da parte das especificidades da musicoterapia que compõem 1.115 das 3.200 horas do nosso curso. Então, é muito importante a gente poder pensar nesse raciocínio quando a gente vai pensar em estratégias para o amanhã, os desafios da pós-regulamentação.
Para finalizar, quando a gente pensa nessa questão, a gente tem que entender que as políticas de formação em saúde adotadas pelos Ministérios da Educação e da Saúde consideram que a formação dos profissionais de saúde deve possibilitar que o musicoterapeuta - isto sou eu que estou afirmando - se torne um profissional que não traga em sua formação conceitos e práticas fechados de terapia e de música, mas, sim, que aprenda interagindo, muitas vezes em tempo real, com a comunidade local, como ele deve constituir o seu fazer terapêutico, qual universo sonoro-musical deve empregar e como integrá-lo a partir da realidade sonora-musical de cada comunidade. Desse modo, muito mais do que trazer o seu universo e modos de produção musical, o musicoterapeuta deve ter uma escuta clínica ampliada, capaz de aprender com os atores reais de seu cotidiano de atuação, acolhendo toda e qualquer produção sonoro-musical, desprendido de seus valores constitutivos e judicativos. Ele deve e tem que vincular suas práticas em rede, permitindo-se a múltiplas e conjuntas ações que extrapolem o seu campo de formação e saberes.
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Por favor, pode passar.
E aí, esperando poder responder o desafio - mais uma - que o Belizário... Ah, está faltando um eslaide. Que pena. Está faltando um.
Tem uma imagem - eu vou descrever, né? - que faz uma analogia com equidade e igualdade. Vocês devem conhecer isso. Três pessoas em cima de caixas da mesma altura não alcançam a maçã em cima da árvore, mas três pessoas com alturas diferentes de caixas alcançam essa árvore. E aí eu trago essa provocação, que é a equidade como um direito, a equidade como um princípio constitucional que olha o singular e diz que ele também tem direito de ali estar. Então, se somos profissionais da saúde com as nossas singularidades e segundo a Coordenação de Democratização do Trabalho, em nota técnica recentemente encaminhada à Ubam, ela diz que reconhece e valoriza a profissão do musicoterapeuta, mas ela entende que regular ou dizer que ele é ou não profissional da saúde compete neste momento ao Conselho Nacional de Saúde, uma vez que aquela portaria é a que ainda regula os nossos entendimentos sobre o que é esse profissional, mesmo com outros profissionais não estando ali. Aí eu falo sobre a equidade. Nós temos profissionais hoje que não estão entre esses 13 e são considerados profissionais da saúde. Então, a gente também pleiteia esse mesmo direito da isonomia e da equidade.
E, para encerrar, ele também diz que comunga do entendimento de nossa categoria de que a Lei 14.842, de 2024, é suficiente para a regulamentação da profissão do musicoterapeuta. Ótimo! Se ela é suficiente, se não há nenhum limbo constitucional, a gente vai fazer aqui um apelo, invocando esse princípio da equidade, para que o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Saúde, porque eles têm assento em um lugar - eles sentam todos juntos para conversar, e a gente sabe disso, é o Conselho Nacional de Residência Multiprofissional, só para citar um deles -, com o apoio desta Casa, possam encontrar um caminho para que a gente possa sair desse limbo, a fim de garantir processos formativos de qualidade para o nosso profissional, a fim de garantir que depois da graduação ele possa estar numa residência multiprofissional de saúde, cumprindo o papel nos hospitais do SUS, o que é fundamental, garantindo um equilíbrio entre a proteção de saúde pública e a promoção do desenvolvimento profissional, respeitando as singularidades constitutivas da musicoterapia enquanto campo de atuação profissional.
Muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Quero agradecer a brilhante fala da Profa. Beatriz Salles, Coordenadora do curso de Musicoterapia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi realmente uma aula sobre musicoterapia.
Concedo a palavra à Sra. Maria Clotilde, Professora Colaboradora da Faculdade de Música da Universidade Estadual de Goiás. (Palmas.)
A SRA. MARIA CLOTILDE (Para discursar.) - Exma. Presidente da Mesa, Senadora Jussara Lima, colegas, demais Senadores e Senadoras, colegas profissionais de saúde, representantes da União Brasileira das Associações de Musicoterapia, familiares, demais presentes, é uma honra estar aqui, hoje, para celebrar o Dia do Musicoterapeuta e os 30 anos de nossa Ubam.
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Muito obrigada por reconhecerem o papel da música para além da arte, como uma ferramenta importante de cuidado para a saúde do nosso corpo, do nosso cérebro, do nosso espírito, e um elemento transformador de vidas cientificamente comprovado pela ciência.
Muito obrigada à Senadora Jussara, por atuar em prol da musicoterapia. A sua luta representa todos nós.
A música é uma linguagem universal, por meio da qual todas as sociedades humanas conhecidas se expressam. Ela possui uma força única. Ela ativa, no nosso cérebro, uma multitude de áreas responsáveis pelos nossos centros motores, sensoriais e gera emoções e sensações de bem-estar e prazer, permitindo com que comuniquemos as nossas necessidades e emoções, quando, muitas vezes, não temos condições de fazê-lo por meio das palavras.
Diversos estudos na neurociência apontam que a música promove saúde, bem-estar e qualidade de vida - como os que me precederam já falaram -: melhoria da autoestima; melhoria de imunidade, mensurada por níveis de imunoglobulina; e atenua a nossa ansiedade, reduzindo os níveis de cortisol, que é um dos principais marcadores do estresse.
A música tem um importante papel: ela promove, na infância, o desenvolvimento cerebral; ao longo da vida, ela promove alterações importantes do funcionamento do nosso cérebro e modifica, até mesmo, a sua estrutura; e, no envelhecimento, ela age contra os efeitos deletérios, como reserva cognitiva e como fator de proteção.
Mas a música pode fazer muito mais do que isso em condições neurológicas, em quadros de doenças neurodegenerativas: ela ajuda a criar conexões cerebrais. Ela regula as emoções, ela alivia dores, ela atua como importante alavanca, para trazer funcionalidade, esperança e conferir sentido à vida.
Permitam-me mencionar um pequeno relato de experiência.
Há três semanas, eu tive a oportunidade de acompanhar uma senhora, uma paciente de musicoterapia, de 94 anos, em estado avançado de demência, cuja linguagem já praticamente não existe, mas que, apesar disso, conseguiu cantar, de memória e sem o apoio da letra, melodias da sua infância e da sua juventude. Em sua voz frágil, havia uma ponte potente: a música.
Sua filha me enviou, ao final do dia, uma mensagem, que dizia o seguinte: "Muito obrigada. Mamãe está dormindo agora e serena. Dormiu com os chocalhos na mão. Não queria devolver, mas, com muita conversa, me entregou. Terça-feira eu devolvo. Muito obrigada pelo seu cuidado".
Durante essa sessão, a família observou várias ocasiões em que ela sorriu de forma genuína, além de cantar, quando já nem mais apresenta a linguagem estruturada.
Essas respostas não são apenas imagens anedóticas; elas são evidências clínicas da preservação, da presença, de participação e de possibilidade de comunicação na demência avançada, o que é atestado pela prática clínica por diversos colegas musicoterapeutas.
Hoje, a neurociência confirma o que a prática clínica vem há muito demonstrando: intervenções musicais estruturadas, desenvolvidas por musicoterapeutas qualificados, promovem ganhos funcionais, motores, de cognição e emocionais para pacientes que apresentam uma diversidade de quadros neurológicos.
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A MT, na reabilitação - a musicoterapia -, é uma ponte que constrói. Permitam-me, então, destacar três domínios em que os dados da literatura são consistentes e em que os benefícios da musicoterapia são fartamente documentados: na fala, motricidade e marcha na doença de Parkinson, por meio de intervenções rítmicas sistemáticas; na linguagem e afasia para pacientes que sofrem de sequelas de acidentes vasculares cerebrais e outros distúrbios de fala e linguagem, protocolos de terapia de entonação melódica produzem melhoria na produção e articulação da fala; e na demência, em quadros demenciais, como aqui eu já relatei, a musicoterapia reduz sinais de agitação, promove a melhoria do humor, ajuda a manter aspectos da memória preservados, melhoram a participação social e reduzem drasticamente a quantidade de utilização de medicamentos antipsicóticos.
Mas por que isso tudo ocorre? Como isso funciona? A razão é que a música ativa redes cerebrais multimodais: o ritmo e o movimento se ligam a circuitos neurais motores, a melodia e a prosódia acessam vias neurais da linguagem, músicas familiares recrutam memórias emocionais preservadas, e tudo isso cria neuroplasticidade e aprendizagem funcional. Colocando isso em termos práticos, podemos dizer que a música organiza o tempo e o ritmo internos, facilita a sincronização, fortalece os mecanismos atencionais, promovendo o incremento cognitivo e a motivação e a participação repetida. Todos esses elementos são ingredientes essenciais para a neurorreabilitação.
Então, de mãos dadas com outras áreas da saúde, de adoecimento físico e mental, tive a oportunidade de testemunhar isso em uma residência geriátrica, recentemente, nos Estados Unidos, para mais de 500 idosos abrigados, em que a música e a musicoterapia são partes essenciais e diariamente fornecidas para pacientes geriátricos em estado de demência.
Juntamente com meus colegas, nós musicoterapeutas temos como objetivo principal criar mudanças neurais que resultem em resultados funcionais para as pessoas que atendemos. E, para isso, usamos a música como ferramenta para mediar o estresse, aliviar a dor, reduzir o medo, para promover a fala, a linguagem, a cognição e restaurar movimentos; buscamos criar diferenças reais e duradouras. Então, quando vocês da plateia virem um musicoterapeuta entrando em uma instituição com seu instrumento musical de trabalho, não presumam que ele está lá apenas para entreter; o seu papel, o nosso papel, vai para muito além disso.
A musicoterapia não substitui outras terapias da área da saúde, mas ela é capaz de potencializar os seus efeitos, sendo, portanto, uma aliada do cuidado inter e transdisciplinar da saúde.
Assim, senhoras e senhores, com base no que hoje a neurociência atesta em termos dos múltiplos benefícios da musicoterapia, peço que considerem medidas práticas em termos do incentivo a programas de reabilitação inclusivos com musicoterapia em hospitais públicos e em centros de reabilitação, o incentivo à formação e à certificação continuada para musicoterapeutas que atuam inclusive nos contextos neurológicos, a criação de linhas de financiamento para pesquisas sistemáticas e implementação de programas de pós-graduação, o incentivo à integração de tecnologias musicais acessíveis em programas comunitários de saúde. Essas ações podem assegurar que a musicoterapia, embasada no conhecimento científico, chegue aos pacientes do SUS e às redes de cuidado, e todos os brasileiros merecem esse cuidado integral.
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Parabéns à União Brasileira de Musicoterapia pelos 30 anos de construção de saberes, formação e luta pelo reconhecimento profissional. Essa trajetória é parte da razão pela qual podemos hoje falar em ciência, prática e impacto social.
Encerrando, a musicoterapia nos relembra que a recuperação não é apenas a soma de funções, mas retorno da dignidade, onde cada sessão musicoterapêutica realizada é uma aposta na plasticidade cerebral e no afeto que nos conecta.
Investir em musicoterapia é investir no cuidado integral, em cadeias de cuidado mais humanas, eficientes e efetivas. E como musicoterapeuta que sou, digo que o mais gratificante na musicoterapia é trabalharmos com o poder da música aliado à informação da ciência, envoltos em uma relação clínica construída com afetividade, empatia e serviço. É uma maneira maravilhosa de se trabalhar.
Assim, eu gostaria de fazer um convite final a vocês. Permitam que a música e a musicoterapia entrem e façam parte das suas vidas, especialmente durante momentos de incapacidades, sofrimentos, condições neurológicas, dores e grandes desafios.
Encerro a minha fala convidando este Plenário a apoiar políticas que tragam a musicoterapia, baseada em evidência, para o coração da reabilitação no Brasil.
Muito obrigada pela sua atenção. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Quero agradecer à Professora, Colaboradora da Faculdade de Música da Universidade Estadual de Goiás, Sra. Profa. Maria Clotilde.
Concedo a palavra à Sra. Rafaela de Lima Zerbini, Presidente da Associação de Musicoterapia do Estado do Paraná. (Palmas.)
A SRA. RAFAELA DE LIMA ZERBINI (Para discursar.) - Boa tarde a todos e todas. Cumprimento a Mesa, composta pelos presidentes das entidades de musicoterapia. Cumprimento a Senadora, as demais autoridades aqui e colegas.
Eu compartilhei um vídeo, eu gostaria que ele fosse iniciado, e eu faço uma fala bem curtinha na sequência. (Pausa.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Teve um probleminha técnico.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
A SRA. RAFAELA DE LIMA ZERBINI - Não é esse. (Pausa.)
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(Procede-se à exibição de vídeo.)
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A SRA. RAFAELA DE LIMA ZERBINI - Bom, a minha escolha para dividir a minha fala com usuários do Serviço de Saúde Mental e colegas da área se deu porque é necessário que a gente compreenda a dimensão da musicoterapia dentro da saúde mental. Ela tem uma dimensão histórica, ela tem uma dimensão política e social. Hoje, nós temos musicoterapia dentro de diferentes serviços de saúde pública e privada, cito aqui os Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e tantos outros. E a gente precisa ouvir literalmente as pessoas que estão envolvidas nessa complexa teia que a musicoterapia consolidou.
"É preciso estar atento e forte", não é o que diz a música? Então, sigamos no caminho para que a gente possa incluir mais musicoterapia no serviço de saúde pública e nos demais níveis de atenção.
Obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Agradeço a palavra da Sra. Rafaela de Lima Zerbini. (Pausa.)
Registramos a presença, nas galerias, dos alunos do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de Brasília. (Palmas.)
Registramos as presenças da Sra. Coordenadora da Comissão Suas, da Ubam, a musicoterapeuta Fabrícia Santana... (Palmas.) ... do Sr. Presidente da Associação Goiana de Musicoterapia, Jefferson Linhares... (Palmas.) ... e da Sra. Presidente da Associação Brasileira de Síndrome de Rett, Denise Marinho. (Palmas.)
Concedo a palavra à Sra. Sarah Cristina Costa, musicoterapeuta responsável pelo Centro de Referência em Pesquisa e Extensão em Musicoterapia do Distrito Federal. (Palmas.)
A SRA. SARAH CRISTINA COSTA PEREIRA (Para discursar.) - Exma. Sra. Senadora Jussara Lima, que preside esta sessão, Sras. e Srs. Senadores, autoridades, senhoras e senhores.
Saúdo de forma especial a Mesa desta solenidade, que conta com a presença do Presidente da União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam) e da Vice-Presidente da Associação de Musicoterapia do Piauí, cujas trajetórias são expressão viva da força e da diversidade da nossa profissão.
É com reverência e profunda gratidão que me dirijo a esta Casa Legislativa para refletir sobre a musicoterapia em comunidade e apresentar a experiência singular do Centro de Referência, Pesquisa e Extensão em Musicoterapia do Distrito Federal (Crepem). Compareço igualmente com a honra de representar a Associação de Musicoterapia do Distrito Federal, entidade que congrega profissionais e fortalece a prática da musicoterapia em nossa região, e também a Comissão de formação da Ubam. Aproveito a oportunidade para saudar toda a Comissão.
A música, quando acolhida no espaço terapêutico, não se restringe ao prazer estético, ela se revela como força capaz de instaurar encontros, criar vínculos e abrir novos modos de existência.
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Os afetos que a música mobiliza não são meros sentimentos passageiros, são movimentos vitais que nos colocam em relação, que nos transformam e nos permitem reconfigurar nossas formas de estar no mundo.
O Crepem se consolida como experiência pioneira no DF, inspirado nos princípios do Sistema Único de Saúde e do Sistema Único de Assistência Social (Suas). O centro conjuga atendimento clínico acessível, extensão comunitária e produção científica.
Em 2024, foram realizados mais de 6,5 mil atendimentos, envolvendo 295 usuários e beneficiando 149 famílias, das quais 129 do Distrito Federal e 20 de Goiás. A maioria dos atendidos são crianças entre dois e 11 anos, muitas com diagnóstico de transtorno do espectro autista, mas também casos de síndromes raras, paralisia cerebral, TDAH e depressão.
Esses números, no entanto, não são frias estatísticas, são histórias de afeto, de superação e de inclusão. São crianças que encontram na música uma possibilidade de expressão, mães e pais que descobrem novos vínculos em grupos de apoio, famílias que, no Crepem, reencontram esperança e pertencimento.
O Crepem também é um espaço de formação e pesquisa. Ali, os egressos da Pós-Graduação em Musicoterapia da Faculdade Batista de Brasília encontram campo fértil para a prática clínica supervisionada, estágios e produção acadêmica. Esse vínculo orgânico entre ensino superior, pesquisa e comunidade faz do Crepem não apenas uma clínica, mas um verdadeiro laboratório de cidadania e formação integral.
A trajetória da musicoterapia brasileira é marcada por nomes de referência como Lia Rejane Barcellos, que nos lembra que a essência da prática está na escuta musical qualificada, capaz de instaurar processos de simbolização e transformação subjetiva.
O Crepem se inscreve nesta tradição - rigor técnico aliado à sensibilidade, ciência em diálogo com a comunidade, pesquisa - que se traduz em cuidado.
Nesse cenário, merece também destaque o trabalho da Comissão de Formação da União Brasileira das Associações de Musicoterapia, que vem fortalecendo a integração entre programas de ensino, associações regionais e profissionais em todo o país. Trata-se de uma instância estratégica voltada a provocar reflexão permanente sobre os caminhos da formação, estimular o diálogo entre diferentes experiências e garantir que a musicoterapia brasileira avance com qualidade acadêmica, responsabilidade ética e compromisso social.
A profissão de musicoterapeuta foi reconhecida pela Lei nº 14.842, de 2024, que representa um marco histórico para todos nós. Pela primeira vez, a musicoterapia foi inscrita no ordenamento jurídico brasileiro como ciência e prática profissional, garantindo identidade, dignidade e direito aos musicoterapeutas em todo o país.
É verdade, contudo, que a lei ainda aguarda regulamentação plena, necessária para que seus efeitos se tornem realidade em todas as esferas, na saúde, na educação e na assistência social. Esse processo é essencial para assegurar condições de trabalho, reconhecimento nos serviços públicos e privados e, sobretudo, seguranças às famílias e comunidades que buscam na musicoterapia um espaço de cuidado e inclusão.
A grandeza da musicoterapia não se encontra apenas no tratamento ou na técnica, mas no encontro que faz emergir novas formas de vida. Cada improviso, cada silêncio, cada gesto abre passagens inesperadas, produz territórios de afeto onde antes havia isolamento.
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É nesse espaço de invenção contínua, em que a vida se reinventa, que a musicoterapia mostra sua potência, não de curar, mas de criar possibilidades, de instaurar movimento, de gerar vida em sua pluralidade.
Excelências, é justo registrar nesta tribuna a gratidão aos que tornam esse projeto possível: à Soceb, mantenedora do Crepem; ao Colégio Batista de Brasília, parceiro que oferece espaço e apoio; e à Faculdade Batista de Brasília, que articula ensino, pesquisa e prática, formando profissionais comprometidos com excelência e dignidade dentro do Distrito Federal. Minha gratidão se estende de forma muito especial aos musicoterapeutas que conduzem com sensibilidade e rigor cada atendimento e à dedicada equipe administrativa do Crepem, cuja atuação silenciosa e eficiente garante a continuidade e a solidez desta obra.
Permitam-me ainda um agradecimento íntimo à minha família, fonte permanente de apoio e afeto; e ao território ao qual pertenço, que me nutre com suas histórias, suas lutas e suas esperanças. Sem essas raízes, não haveria possibilidade de falar aqui em nome do cuidado e da vida compartilhada.
E, ao trazer também a voz da Associação de Musicoterapia do Distrito Federal, reafirmo que a musicoterapia é fruto de um compromisso coletivo, sustentado por profissionais que unem ética, ciência e sensibilidade para transformar a realidade de nossas comunidades.
Senhoras e senhores, a experiência do Crepem, a força da AMT-DF, a solidez e seriedade da Comissão de Formação da Ubam e os 30 anos da Ubam nos ensinam que a vida é como uma composição: feita de ritmos, pausas, silêncios e harmonias. Cuidar do humano é também compor com ele novas possibilidades de existir.
Muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Agradeço à Sra. Sarah Cristina Costa.
Concedo a palavra à Sra. Taliane, mãe do paciente Ícaro. (Palmas.)
A SRA. TALIANE BATISTA (Para discursar.) - Boa tarde a todos.
A musicoterapia é a arte que se transforma em reabilitação e cura. Não uma cura compreensível a todos os olhos, mas uma forma de curar o espírito. As almas se fundem em uma harmonia, som e melodia. E eu falo de pacientes, famílias e profissionais da área. Ela vem fortalecendo laços fraternos e aguçando o cognitivo, estabelece novas funções cerebrais. Ela é qualidade de vida e acolhimento. Cada sessão é única e faz das nossas vidas algo mais leve. Traz arte e cultura, conhecimento. Desperta o mais importante que todas as crianças, jovens e adultos, típicos e não típicos, possuem: a emoção.
Eu sou Taliane Batista, mãe do Ícaro Batista. Ele é uma pessoa com deficiência e faz reabilitação no Hospital da Criança de Brasília, através do SUS, com a nossa musicoterapeuta Angela. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Agradeço a palavra da Sra. Taliane.
Concedo a palavra à Senhora Sony Regina Petris, membro da Comissão SUS da Ubam. (Palmas.)
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A SRA. SONY REGINA PETRIS (Para discursar.) - Boa tarde.
Agradeço muito, neste momento, à Sra. Senadora por esse espaço para a gente poder estar aqui ocupando e falando em nome...
É com grande satisfação que estou aqui representando todos os musicoterapeutas que atuam no SUS (Sistema Único de Saúde). E trago também a voz dos meus colegas que coordenaram a Comissão SUS da União Brasileira das Associações de Musicoterapia e de tantos outros que, de forma incansável, contribuem para a expansão da musicoterapia no sistema público e para o fortalecimento da nossa comissão e da nossa profissão.
O nosso compromisso é consolidar e ampliar a inserção da musicoterapia no SUS, criando espaços coletivos de militância, troca e aprendizagem entre profissionais e estudantes, sempre alinhados às necessidades da população.
Conforme já foi apresentado aqui pelos colegas, a musicoterapia apresenta resultados positivos nas diversas áreas da saúde. A inclusão da musicoterapia no Sistema Único de Saúde representa um avanço fundamental na promoção do cuidado integral à saúde, alinhado aos princípios da humanização e da integralidade. Como prática clínica baseada em evidências, a musicoterapia utiliza recursos musicais para estimular, reabilitar e promover a saúde física, emocional e social, atendendo diferentes públicos.
A prática da musicoterapia favorece o aumento das possibilidades de existir e agir, seja no atendimento individual ou em grupo, no âmbito da promoção, prevenção, reabilitação da saúde, evitando ou diminuindo os danos.
A trajetória da musicoterapia no Brasil evidencia sua consolidação como prática de saúde de base científica. Integrada aos serviços públicos, mesmo antes da criação do SUS, sua presença foi se ampliando em diferentes estados: no Paraná e no Rio de Janeiro, ainda nos anos 80; em Pernambuco, nos anos 90; e, a partir dos anos 2000, em Minas Gerais, Bahia, Goiás, Brasília, Tocantins, Piauí, Ceará, entre outros. Esse processo de expansão garantiu a presença da musicoterapia em todas as regiões do país e possibilitou a realização de concursos públicos específicos para musicoterapeutas, fortalecendo seu reconhecimento e inserção no sistema de saúde.
Apesar desses avanços, o reconhecimento oficial da nossa profissão ainda é uma lacuna.
Na saúde mental, o percurso ganhou força com a Portaria SNAS/MS n° 224, de 1992, que regulamentou os Caps e permitiu a inclusão de diferentes profissionais de acordo com os projetos terapêuticos institucionais. Essa estratégia abriu caminho para a inserção da musicoterapia.
Na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, a musicoterapia está prevista nos instrutivos de reabilitação auditiva, física, intelectual e visual como especialidade opcional na composição das equipes mínimas dos centros de reabilitação. Essa orientação foi recentemente reforçada na nota técnica da área da pessoa com deficiência do Ministério da Saúde como uma categoria eletiva para esses serviços.
Outro marco importante ocorreu com a publicação da Portaria n° 849, de 2017, que ampliou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, as Pics, e oficializou a inclusão da musicoterapia no conjunto das práticas reconhecidas, ressaltando sua relevância na prevenção de agravos, assim como na promoção, manutenção e recuperação da saúde.
Um marco decisivo ocorreu em 2009, com a inclusão da musicoterapia na Classificação Brasileira de Ocupações. Em 2013, o documento passou por uma atualização, e o musicoterapeuta passou a ser considerado como profissional das Ciências Biológicas, da Saúde e Afins. A partir dessa inserção, conquistamos também o registro no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, o que consolidou nossa identidade profissional no SUS. Cada avanço representou a abertura de novos caminhos e o fortalecimento da nossa atuação.
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Em agosto de 2025, identificamos 500 musicoterapeutas atuando na Rede de Atenção à Saúde, do SUS, e estamos presentes em todas as regiões do país, com maior concentração nas atividades nos centros de atenção psicossocial, seguidos pelos atendimentos em ambulatórios de especialidades, nos centros especializados em reabilitação, em hospitais gerais e especializados, no polo da academia da saúde, nas unidades básicas e nos serviços de atenção à saúde do trabalhador.
De acordo com informações do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (Sigtap), a musicoterapia está autorizada a realizar 40 procedimentos, impactando diretamente a vida da população. Reconhecemos, contudo, que podemos fazer ainda mais e, por isso, estamos em diálogo com o Ministério da Saúde, em suas diferentes áreas técnicas, para ampliar a oferta de procedimentos e fortalecer nossa atuação no SUS.
Seguimos firmes na busca do reconhecimento da musicoterapia como profissão da saúde.
No último ano, avançamos com uma nova iniciativa, marcada pela aproximação dos musicoterapeutas ao Conselho Nacional de Saúde. Esse movimento se fortaleceu com a eleição de musicoterapeutas como delegados-usuários da 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Durante o evento, trabalhadores, usuários, gestores e prestadores ali presentes aprovaram uma moção de apelo pelo reconhecimento da musicoterapia como uma profissão da saúde, destacando-a como estratégia relevante para a promoção da saúde do trabalhador. Essa moção recebeu o maior número de assinaturas na conferência.
Esse resultado evidencia o compromisso coletivo com a qualificação do cuidado em saúde, especialmente considerando que 76% da população brasileira são dependentes exclusivamente do SUS.
A musicoterapia é uma tecnologia de cuidado acessível, de baixo custo e com eficácia comprovada em pesquisas científicas. Sua presença nos serviços de saúde fortalece as ações interdisciplinares e amplia as possibilidades de tratamento e abordagens não invasivas, que contribuem para a qualidade de vida dos usuários. Sua implementação em hospitais, Caps, CER e outras unidades de atenção básica e especializada pode reduzir custos com medicações e internações, ao mesmo tempo em que aumenta a adesão aos tratamentos e a satisfação dos usuários e familiares.
Dessa forma, incorporar a musicoterapia ao rol de procedimentos do SUS é investir em uma saúde pública mais inclusiva, efetiva e humanizada, capaz de responder às demandas complexas da população brasileira.
O nosso compromisso é seguir ampliando esse caminho, garantindo que a música continue transformando vidas, fortalecendo o SUS e contribuindo para uma saúde pública cada vez mais integral e humanizada.
Por isso, a gente aproveita a oportunidade para pedir apoio aos Senadores, a todas as pessoas, à população, aos usuários, para que nos ajudem nesta batalha de conseguir avançar e trazer a musicoterapia ao lugar que ela merece.
Muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Agradeço as palavras da Sra. Sony Regina Petris.
Concedo a palavra a Sra. Angela Farjado, Musicoterapeuta responsável pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar. (Palmas.)
A SRA. ANGELA FAJARDO (Para discursar.) - Boa tarde.
Sra. Jussara Lima, cumprimento a mesa; o Luiz Belizário, Presidente da Ubam; todos os meus colegas musicoterapeutas; os profissionais da saúde; os pacientes do HCB que estiveram aqui.
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Eu acho que muito já foi dito, e eu vou dar como exemplo, então, o trabalho feito no Hospital da Criança, que é um hospital com atendimentos pelo SUS, o único do Distrito Federal de atenção terciária à saúde, e dar o exemplo de como funciona o serviço da musicoterapia no Hospital da Criança de Brasília José Alencar.
A musicoterapia faz parte da reabilitação, então ela atua juntamente com a fonoaudiologia, a terapia ocupacional e a fisioterapia. Juntos somos uma equipe da assistência no Hospital da Criança.
Atendemos a três linhas de cuidado. A linha onco-hematológica: crianças com linfomas, leucemias linfoblásticas agudas, tumores de diversos tipos. Também crianças da linha de cuidado clínica, que são crianças da neuromuscular em especial, que são as crianças da reabilitação - muitas das que estiveram aqui hoje são crianças da neuromuscular -, então crianças com paralisia cerebral, crianças com miopatias, crianças com síndromes epilépticas, crianças com distúrbios vestibulares, crianças com muitos transtornos respiratórios, crianças com diversas síndromes que precisam de auxílio da neuromuscular.
Então, a equipe da musicoterapia é composta por mim e Janaína Sabino, que estava tocando comigo hoje. Anteriormente nossa equipe era formada por Pedro Bicaco e por mim, e, antes de mim, por Claudio Vinícius, que hoje está na França.
O serviço da musicoterapia no Hospital da Criança atende às três linhas de cuidado... Além do paliativo, ele é um serviço que foca não só no ambulatório - a gente tem um ambulatório de musicoterapia, onde as crianças têm agendamento prévio, atendemos essas crianças -, mas também ele abrange as unidades de terapia intensiva, as unidades de internação e também a unidade de terapia renal.
Um tempo atrás, também formamos um coro terapêutico, então a musicoterapia organizacional também faz parte do Hospital da Criança. Temos alguns projetos que são feitos lá também.
E é importante este dia de celebrarmos o Dia Nacional da Musicoterapia e também os 30 anos da União Brasileira de Musicoterapia, para a gente pensar na expansão da musicoterapia no SUS, nos três níveis de atenção à saúde, no nível primário, secundário e terciário, como é o caso do Hospital da Criança.
Eu queria agradecer a todos que estão aqui, à Senadora Jussara Lima, ao Luiz Belizário. Foi um grande prazer poder falar um pouco sobre o nosso trabalho da musicoterapia no Hospital da Criança de Brasília José Alencar.
Obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Agradeço à Sra. Angela Fajardo.
Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição do discurso da Sra. Deputada Estadual Marta Gonçalves, pelo Estado do Ceará.
A SRA. MARTA GONÇALVES (Para discursar. Por vídeo.) - Boa tarde à Presidência dessa solenidade, autoridades e presentes.
Sou Marta Gonçalves, Deputada Estadual pelo Ceará. Sou uma mulher branca, de cabelos pretos acima dos ombros e uso uma camisa e calça de cor azul e óculos de lentes transparentes.
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Quero parabenizar a Senadora Jussara Lima e demais Senadores, autores do requerimento que solicitou a realização desta sessão especial destinada a comemorar o Dia Nacional da Musicoterapia e os 30 anos da União Brasileira das Associações de Musicoterapia.
A história da musicoterapia no Município de Eusébio é também a história do nosso compromisso com a inclusão. Em 2022, idealizei esse projeto com muito carinho, acreditando que a música poderia ser uma poderosa ferramenta de cuidado para as crianças com transtorno do espectro autista. Graças ao apoio do nosso Prefeito, Dr. Acilon Gonçalves, que acolheu a ideia com sensibilidade e responsabilidade, conseguimos transformar esse sonho em realidade.
Hoje, o município atende diretamente cerca de 400 famílias atípicas que encontram nesse projeto não apenas um serviço de saúde, mas também um espaço de acolhimento, esperança e inclusão. Quero parabenizar o musicoterapeuta Luiz Belizário pela homenagem a que faz jus hoje. Luiz está conosco, com sua dedicação tem auxiliado a todos que buscam o atendimento, sempre com prontidão e carinho. Obrigada, Luiz, e obrigada a todos! (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Agradeço à Deputada Estadual Marta Gonçalves pelas palavras.
Antes do encerramento desta sessão, solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um trecho do documentário Meu Amigo Lorenzo, produzido pela musicoterapeuta Clarice Prestes e pelo cineasta André Luiz Oliveira, que conta a história de cumplicidade de mais de 15 anos entre o Lorenzo Barreto, jovem autista do Distrito Federal, e o cineasta e músico André Luiz Oliveira, que estão presentes aqui.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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A SRA. CLARISSE PRESTES (Para discursar.) - Antes de encerrar, eu só queria dizer que o filme está em (Fora do microfone.) cartaz em Goiânia desde ontem - ontem e hoje -, e, na terça-feira, nós vamos estar - este é o André - em Goiânia, numa sessão - inclusive será uma sessão especial -, e vai ter um bate-papo depois da sessão. Isso faz parte do Circuito Inclusivo Petrobras, e a gente está indo para outras capitais do país também.
Então, tem o nosso Instagram: meuamigolorenzo. Vocês podem entrar e ver onde o filme está, porque ele está passando em vários lugares, está bom? (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Jussara Lima. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PI) - Quero agradecer por um filme tão lindo, tão impactante, que realmente acho que deixou a todos nós aqui emocionados.
Parabéns ao autor do filme, o cineasta André Luiz Oliveira, e à Clarice também, que fez parte!
Sras. e Srs. Senadores presentes, prezados telespectadores da TV Senado, estimados musicoterapeutas aqui presentes e em todo o nosso amado Brasil, a palavra que sintetiza melhor a nossa sessão de hoje é gratidão. Eu me sinto grata por ter tido a oportunidade de participar de uma sessão com tanta gente talentosa e generosa. Vocês são profissionais e cidadãos maravilhosos, porque são músicos, são terapeutas, terapeutas músicos. Acho que o termo que, de fato e de direito, traduz melhor os profissionais que vocês são é musicoterapeuta, porque se fundem as palavras música e terapia de forma substantiva. Eu me sinto grata por ter sido procurada por musicoterapeutas, profissionais cujo trabalho é de sumo relevo para a nossa sociedade e que por esse motivo carece ser amplamente repercutido.
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Parabéns a todos os que aqui vieram!
Parabéns à Ubam!
Parabéns a todos os musicoterapeutas de todo o Brasil!
Parabéns aos servidores que colaboraram para organizar o evento!
Contem comigo para futuras empreitadas, com vista a promover a valorização de sua carreira e a obter o apoio de instituições de toda a ordem para sua inserção em políticas públicas de saúde, de ensino e de pesquisa.
Muito obrigada. (Palmas.)
Cumprida a finalidade desta sessão especial do Senado Federal, agradeço às personalidades que nos honram com a sua participação.
Está encerrada a sessão.
Muito obrigada. (Palmas.)
(Levanta-se a sessão às 16 horas e 49 minutos.)