3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 10 de novembro de 2025
(segunda-feira)
Às 14 horas
164ª SESSÃO
(Sessão Não Deliberativa)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Mecias de Jesus. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR. Fala da Presidência.) - Há número regimental. Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.
A presente sessão não deliberativa destina-se a discursos, comunicações e outros assuntos de interesse partidário ou parlamentar.
As Senadoras e os Senadores poderão se inscrever para o uso da palavra por meio do aplicativo Senado Digital, por lista de inscrição que se encontra sobre a mesa ou por intermédio dos totens disponibilizados na Casa.
Passamos à lista de oradores.
Com alegria, convidamos para usar a palavra o nosso querido Senador Paulo Paim, do Estado do Rio Grande do Sul.
V. Exa. dispõe de até 20 minutos.
O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Para discursar.) - Meus amigos e minhas amigas...
Presidente Mecias de Jesus, a primeira coisa que você deve se perguntar é: " Que jaqueta é essa, Paim?".
Presidente, é que eu presidi - há poucos minutos, faltavam 15 minutos para as 2h - uma audiência que reuniu todos os setores petroleiros do país: federações, confederações, sindicatos. E essa jaqueta eu recebi deles. E por quê, Presidente? Eles estão muito preocupados com o benzeno. É uma substância química altamente tóxica, classificada como uma daquelas que cria e incentiva, pela sua contaminação, o câncer. E se ela leva o câncer para os humanos... Foi a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer que fez a denúncia.
A exposição do benzeno representa sérios riscos à saúde do trabalhador, especialmente em ambientes industriais, conforme as normas.
Só para se ter uma ideia, Presidente - e eu vou só dar dois dados -, estima-se que mais de 7,3 milhões de trabalhadores estejam em grupos ocupacionais com potencial exposição ao benzeno - aí são os dados. Desses, cerca de 770 mil trabalhadores foram considerados provavelmente expostos ao benzeno, que pode levar ao câncer.
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Então, eu estou deixando na íntegra aqui o pronunciamento que eu fiz lá, Presidente, e ainda o meu pronunciamento de fundo que é sobre a COP 30, Presidente.
Mas eu não poderia deixar - e vou apelar à tolerância de V. Exa. - de encaminhar o requerimento à Mesa pelo falecimento, no último domingo, aos 99 anos, do médico Yukio Moriguchi, reconhecido como pioneiro na especialidade médica de geriatria na América Latina, ou seja, aquele que cuida dos idosos.
Nascido na cidade de Tóquio, formou-se em Medicina pela Keio University e concluiu doutorado pela Universidade de Milão em 1957.
Durante sua carreira, exerceu o cargo de conselheiro médico do Papa Paulo VI e foi Professor na Universidade de Seisen, no Japão. Em 1971, veio residir no Brasil e revalidou seu diploma na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O Dr. Yukio Moriguchi destacou-se pela sua contribuição à geriatria, tendo sido responsável pela implantação da primeira disciplina de Geriatria em uma escola de Medicina da América Latina - isso em 1973.
Em 2002, recebeu do imperador do Japão a Medalha de Serviço Humanitário pelo seu trabalho voltado ao cuidado humanizado e à formação de novos profissionais.
Foi Professor e fundador do Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), onde deixou um legado enorme na formação de médicos e de pesquisas inovadoras sobre o envelhecimento e o cuidado com os idosos.
Liderou pesquisas de destaque sobre a longevidade da população, por exemplo, de Veranópolis, Rio Grande do Sul, conhecida como a cidade da longevidade.
Sua trajetória profissional está registrada no livro Yukio Moriguchi: segredos de longevidade e fé do pai da Geriatria na América Latina.
Seu falecimento representa uma grande perda para a ciência e a medicina. Seu legado continuará a inspirar profissionais na área da saúde.
Disse-me um amigo dele, Sr. Presidente, que ele ia à igreja em Porto Alegre; terminava a missa, ele ficava dando assistência médica e dando consulta gratuita para todos que chegassem perto dele, principalmente os pobres, que sabiam que iam ao atendimento gratuito lá com ele.
Então, eu faço esse voto de pesar e peço que seja remetido aos seus familiares: voto de pesar pelo falecimento do médico e Prof. Dr. Yukio Moriguchi, pai da geriatria na América Latina, bem como apresentação de condolências aos familiares e amigos.
Sr. Presidente, se V. Exa. permitir, eu vou ao meu pronunciamento, que é um pouco mais longo.
O SR. PRESIDENTE (Mecias de Jesus. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR) - Com certeza. Nós deferimos o pedido, a moção de pesar que V. Exa. faz, justa, e, logicamente, vá ao seu pronunciamento. Eu estarei pronto aqui para ouvi-lo, certamente como todo o Brasil.
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O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) - Obrigado, Presidente.
COP 30, Belém do Pará.
Sras. Senadoras e Srs. Senadores, da imensidão do Pampa gaúcho ao coração pulsante da Floresta Amazônica, a COP 30 iniciou no dia de hoje e se estende até o dia 21 de novembro. Ela nos chama, com força, com urgência, a um compromisso inadiável: cuidar da terra como quem defende a própria vida. Cuidar com justiça ambiental, com respeito aos povos e com amor ao planeta que nos abriga.
Belém, a porta de entrada da Amazônia, tornou-se o símbolo de um novo tempo, o tempo em que o Brasil volta a liderar a agenda global do meio ambiente. Esse encontro reúne líderes de quase 200 países, cientistas, ambientalistas, representantes dos povos indígenas, quilombolas, movimentos sociais e juventude do mundo inteiro.
A Agenda de Ação da COP 30 está organizada em vários pilares.
1. Mitigação: reduzir as emissões de gases poluentes;
2. Adaptação: fortalecer a capacidade das pessoas e comunidades de enfrentar as mudanças do clima;
3. Meios de implementação: garantir recursos financeiros, tecnologia e capacitação para colocar as ações em prática.
A conferência também destaca a transição energética, com a necessidade de substituir os combustíveis fósseis por energias renováveis e tecnologias limpas, além de aumentar a eficiência energética em todos os setores.
Outro ponto central é o papel das florestas, da biodiversidade e do ecossistema, mas como parte de solução climática.
Há também transformação dos sistemas de agricultura e alimentação, reconhecendo que a produção de alimentos e a segurança alimentar fazem parte tanto do problema quanto da solução a crises climáticas.
As cidades e a infraestrutura são temas importantes, com foco especial em resiliência local, especialmente em regiões costeiras e comunidades vulneráveis.
A COP 30 reforça ainda a importância do desenvolvimento humano, da justiça climática, da inclusão e da participação social.
A ação climática precisa respeitar os direitos humanos, os povos indígenas, a juventude, as mulheres e as comunidades locais.
Destaca-se a necessidade de mobilizar recursos financeiros e tecnológicos, fortalecer capacidades locais e garantir que os planos sejam realmente executados.
Sr. Presidente, a COP 30 não é apenas mais uma conferência, é uma convocação à reflexão da humanidade. O planeta pede socorro e nós precisamos escutar.
O Governo do Presidente Lula chega com propostas concretas. Entre elas, se destaca, eu diria, principalmente o fundo chamado Fundo Florestas Tropicais para Sempre, um fundo que busca recompensar os países que mantêm suas florestas em pé. E o fundo já nasce forte: US$5,5 bilhões prometidos, sendo que a Noruega, só ela, já encaminhou US$3 bilhões. O restante dos países parceiros e instituições internacionais dizem que vão ultrapassar os 25 bilhões - espero que sim! Também há compromisso com o fundo de outros países, como a Alemanha, França, Emirados Árabes, entre outros. O Brasil, com o Presidente Lula, abriu as contribuições para o fundo com US$1 bilhão.
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Para estruturar o fundo, a necessidade de captação é entre US$20 e US$25 bilhões em recursos públicos, capazes de alavancar quatro vezes esse valor em capital privado. É um gesto concreto e simbólico que reconhece que as florestas valem muito mais vivas do que derrubadas. Não se trata apenas de proteger árvores, mas de salvar o equilíbrio da vida, o ciclo das águas, a fertilidade dos solos e de garantir a sobrevivência das comunidades que vivem nas florestas.
Como disse Thiago de Mello, o poeta da Amazônia - disse ele um dia -: "Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar". Sim, senhoras e senhores, é tempo de cantar, mas também é tempo de agir.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, foi direto e duro: "O mundo fracassou em manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC". Fracassou porque ainda há bilhões de dólares sendo investidos em combustíveis fósseis em vez de energias limpas. Fracassou porque o lucro imediato continua valendo mais do que o futuro da humanidade.
O Presidente Lula, em seu pronunciamento, disse com clareza e coragem: "É hora de levar a sério os alertas da ciência. É hora de enfrentar o negacionismo climático, o que ameaça o futuro de todos nós". Afirmou ainda, com razão, que a justiça climática é aliada da luta contra a pobreza, porque, senhoras e senhores, não há meio ambiente sem justiça social. Não há sustentabilidade enquanto milhões de pessoas passam fome no mundo inteiro.
Segundo o relatório da FAO, publicado em julho de 2025, aproximadamente 673 milhões de pessoas no mundo passaram fome, subnutrição crônica, em 2024 - o equivalente a cerca de 8,2% da população global. Em regiões específicas na África, estima-se que mais de 307 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2024 e continuam enfrentando até hoje.
Vale destacar que movimentos como o Band-Aid, no Reino Unido, em 1984, como o We Are the World, nos Estados Unidos, em 1985, realizado por artistas, desempenharam um papel fundamental. Eles se uniram na arrecadação de fundos para o combate à fome, repito, especialmente na África.
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Apesar de se tornarem verdadeiros marcos de solidariedade global e terem mobilizado milhões de dólares para ajuda humanitária, esses esforços não avançaram tanto quanto poderiam e não tiveram - o que é o grande problema - continuidade. Essa é a minha avaliação.
No Brasil, entretanto, a realidade atual apresenta sinais de progresso. Dados recentes mostram avanços importantes na luta contra a insegurança alimentar. Foi durante o terceiro Governo do Presidente Lula que o país conseguiu sair do Mapa da Fome, da ONU, um reconhecimento internacional do trabalho realizado.
Senhoras e senhores, não haverá dignidade humana num planeta doente. A transição ecológica só será justa se for inclusiva, se gerar empregos verdes, se proteger os mais pobres e se valorizar o saber dos povos originários, que há séculos preservam o que muitos agora, infelizmente, parece que descobriram. Thiago de Mello também nos lembrou: "[...] não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar". E é exatamente isso que precisamos: mudar o jeito de caminhar.
Sr. Presidente, o modelo predatório do desenvolvimento - baseado no lucro acima da vida - leva à beira do colapso ambiental. O Brasil sente na pele, o Pantanal arde. No Rio Grande do Sul e em praticamente toda a Região Sul, as águas e furacões destroem vidas e eliminam casas. A Amazônia chora suas florestas e o Cerrado agoniza. Não basta discutir metas, é preciso cumpri-las. É preciso coragem para enfrentar interesses poderosos e dizer com todas as letras: não há plano B, não há planeta B; há somente um plano, é o plano A, que é salvar a Terra.
O carbono que despejamos hoje na atmosfera será a herança negativa, sim, a verdadeira herança negativa das próximas gerações. O mundo fala em neutralidade de carbono até 2050, mas é preciso tirar o discurso do papel: investir em energias limpas, em reflorestamento, em mobilidade sustentável, em saneamento básico e - por que não? - na agricultura familiar.
O Brasil pode, e deve, liderar esse processo. Temos a maior floresta tropical do planeta - repito, temos a maior floresta tropical do planeta -, uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e um povo solidário e criativo. Mas essa liderança só se consolida com a coerência, com a continuidade e coragem política de salvarmos a vida. Thiago de Mello mais uma vez me inspira, porque ele disse que é preciso esperançar, mesmo sabendo que o caminho é longo. Esperançar não é esperar de braços cruzados, é agir com esperança, é lutar acreditando que é possível transformar.
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Sr. Presidente, a COP 30 é mais que uma agenda ambiental, é uma agenda civilizatória. Defender a terra, repito, é defender a vida, é defender o direito à água, é defender o ar puro, o alimento saudável. O futuro das nossas crianças e jovens é saber cuidar dos idosos. Que o mundo ouça, desde Belém do Pará, agora Belém do Brasil, o grito dos povos da floresta, do campo e da cidade! Como disse o poeta, a minha casa é a terra, e eu quero que ela continue viva. Que a COP 30 seja lembrada como o momento em que o planeta Terra decidiu mudar o jeito de caminhar!
Era isso, Presidente.
Agradeço a tolerância de V. Exa., que permitiu que eu fizesse dois registros e o meu pronunciamento na íntegra.
O SR. PRESIDENTE (Mecias de Jesus. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR) - Senador Paim, eu que agradeço a V. Exa., que sempre traz a esta Casa contribuições importantes para a discussão do momento. Eu agradeço muito a V. Exa. e quero convidá-lo para assumir a Presidência enquanto eu faço a minha fala.
Neste momento, quero registrar a presença, no Plenário do Senado Federal, nas nossas galerias, dos alunos do curso de Gestão Pública do Instituto Federal de Rondônia, campus Porto Velho, Rondônia. Muito bem, sejam todos bem-vindos ao Senado Federal, terra do nosso querido amigo Senador Alan Rick! Sejam bem-vindos todos vocês aqui!
(O Sr. Mecias de Jesus, Suplente de Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Paulo Paim.)
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) - Com muita satisfação, passo a palavra agora ao Senador Mecias de Jesus, um Senador - permita-me que eu diga - muito tranquilo, muito equilibrado. Eu gosto do diálogo, e V. Exa. é daqueles que está sempre aberto ao diálogo. Recentemente aprovamos um ou dois projetos - V. Exa., autor; eu, Relator, e vice-versa -, com esta sua visão, porque é disso que o Brasil precisa, é disto que o mundo precisa: de paz, de amor, de respeito e solidariedade. Então, é com orgulho que eu presido a sessão para que V. Exa. possa falar.
Mas me pediu aqui a assessoria - e eu o faço com muito carinho - para registrar a presença, na galeria, dos alunos do curso de Gestão Pública do Instituto Federal de Rondônia, campus Porto Velho. Ele já tinha feito, mas eu quis fazer também, em homenagem a vocês.
O SR. MECIAS DE JESUS (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR. Para discursar.) - Muito bem, muito bem!
Obrigado, Presidente Paulo Paim, eu agradeço a V. Exa. por me permitir fazer este pronunciamento aqui da tribuna do Senado, enquanto V. Exa. preside esta sessão. Mas, Sr. Presidente, antes de iniciar a minha fala, eu quero cumprimentar todos os Senadores e Senadoras, cumprimentar todos os colaboradores desta Casa e todos que nos ouvem e nos assistem neste momento.
Senhoras e senhores, em 2022, o Governo Federal anunciou safra recorde com 288 milhões de toneladas. Em 2023, mais uma safra recorde com 324 milhões de toneladas, ganhou as manchetes em tom efusivo na comunicação do Governo Federal.
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No ano passado, as condições climáticas desfavoráveis afetaram a nossa produção. Entretanto, atingimos a expressiva marca de quase 300 milhões de toneladas, resultado também contabilizado na propaganda do Governo Federal.
Agora, em 2025, a história se repete, com a produção recorde de grãos superando 350 milhões de toneladas e servindo novamente como plataforma para que o Governo Federal possa desfilar bons números.
Está claro que a agricultura brasileira, resultado do compromisso, do esforço e da dedicação de milhares de famílias que trabalham de sol a sol em atividades de micro, pequeno, médio e grande porte, tem apresentado números que o Governo Federal se apressa em capitalizar em seu discurso político-eleitoral. Quando lhe convém, o Governo Federal anuncia que o agro é pop, o agro é top, o agro é tudo, isso porque a agricultura brasileira colabora com o Brasil, mas, em troca, qual é a ajuda que o Governo Federal tem destinado ao setor? Nada, absolutamente nada. Nenhum apoio, nenhum incentivo, nenhuma ação de estímulo e reciprocidade. Muitas vezes, somos perseguidos e tratados como inimigos.
Um exemplo. O Presidente Lula vetou o Projeto de Lei 397, de 2024, que prorrogava por 48 meses as dívidas dos produtores de regiões afetadas por eventos climáticos extremos, como secas ou enchentes. É importante destacar que o projeto de minha autoria não isentava o produtor, apenas prorrogava o prazo para que o pagamento de dívida fosse efetuado. Ainda assim, o Presidente Lula vetou, mas faço questão, Presidente Paim, de dizer que V. Exa. votou favorável ao projeto de lei aqui no Senado Federal. E foi exatamente naquele momento, em que o Rio Grande do Sul chorava aquela tragédia, o Acre passava por um clima de enchente nunca visto, e Roraima passava pela maior seca dos últimos anos. E, infelizmente, o Presidente Lula vetou o nosso projeto, um posicionamento muito diferente da isenção que o Governo Federal deu de R$4 bilhões aos empresários e empreiteiros implicados na Operação Lava Jato.
O produtor rural é resiliente, sabe que a colheita não ocorre com o plantio. Por isso, ainda com todas as adversidades, cultivamos a fé e a esperança. Desse sentimento resultou a recente audiência pública sobre o Projeto de Lei 1.217, de 2025, de minha autoria, para discutir o crédito emergencial para produtores que tiveram o seguro rural negado.
Nos últimos dias, durante a realização da COP 30 na Amazônia, muito se falou sobre as dificuldades e prejuízos que os fenômenos de intempéries climáticas têm causados ao mundo. Não se pode ignorar que a garantia de condições favoráveis de alimentação e o combate à fome devem ser encarados como itens prioritários dentro dessa agenda.
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Portanto, é não apenas desejável como necessário apoiar a produção agrícola do nosso país, já que somos o maior exportador em valor de grãos e diversos outros segmentos específicos no mundo.
Não estamos aqui pedindo favores ao Governo, apenas o apoio e o reconhecimento justo, para que um setor que produz, emprega, desenvolve e principalmente alimenta o Brasil possa combater a escassez de crédito e o alto custo da produção agrícola nacional, através de um mecanismo de apoio nos casos em que os produtores rurais tenham o seguro rural negado. É retribuir com segurança institucional e econômica a todo o esforço que esses mesmos produtores têm feito para continuar produzindo não só alimentos, mas também os números que o Governo Federal se orgulha em divulgar, mesmo quando pouco ou nada contribui com a efetivação.
Minha vida, Sr. Presidente, se iniciou no campo, então conheço e sinto de perto a realidade e o sentimento de quem, apesar de todas as adversidades, ainda insiste em semear um país melhor. É com esse compromisso que continuarei lutando pelos produtores do meu Estado de Roraima e de todo o Brasil hoje e sempre.
Presidente, antes de concluir, eu vejo os ambientalistas, as ONGs pregando no Brasil que nós, principalmente os amazônidas, somos os culpados pelos fenômenos climáticos causados no mundo. Agora, na COP 30, um geólogo cientista fez um desafio de mais de cinco minutos - depois eu trarei aqui para mostrar a todo o Brasil - claro, esse vídeo já está sendo divulgado em todo o Brasil, mas ouvi-lo é, sem dúvida nenhuma, verificar a verdadeira defesa de um amazônida e de um brasileiro em favor do Brasil.
O maior período, a maior seca, o maior fenômeno climático que já aconteceu no Brasil foi entre 1877 e 1879, foi a seca mais devastadora que ocorreu no Brasil. Morreram naquela época de 400 mil a 500 mil pessoas. Quem foi o culpado naquela época? Quem foi o culpado? Foi a Amazônia? Foram os brasileiros que hoje estão na Amazônia? Não, eu estou falando de 1877. Será que foram os brasileiros os culpados por essa seca devastadora que, de 1877 a 1879, ceifou a vida de mais de 400 mil pessoas? Certamente, não. Então, alguém está mentindo neste país, mentindo para os brasileiros. E com certeza não são os amazônidas; são aqueles que estão na folha de pagamento das ONGs, são aqueles falsos brasileiros que preferem ganhar um salário fácil dizendo que o povo amazônida é o culpado pelas catástrofes climáticas no Brasil.
Sr. Presidente, muito obrigado pela sua atenção e pela sua amizade pessoal.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) - Cumprimento V. Exa., Senador Mecias de Jesus, que expressou a sua visão sobre o país.
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Eu conheço mais o Rio Grande do Sul. No Rio Grande do Sul, em que eu coordenei uma Comissão de oito Senadores para acompanhar as enchentes, que têm a ver com a questão do clima. Nessa situação, eu pude constatar que nós conseguimos do Governo, via Presidente Lula, algo em torno de R$120 bilhões. Lembro eu que R$6,5 bilhões foram só para os diques, que ainda não foram implementados, mas o dinheiro está no banco. Esse R$6,5 bilhões já viraram quase R$12 bilhões, que estão lá no estado.
Também, eu acabei sendo Relator, e V. Exa., inclusive, votou comigo, para que o Rio Grande do Sul, nessa situação em que ficou, não pagasse a dívida que ele tem com o Brasil. Nesse sentido, o não pagamento por três anos da dívida externa, devido às enchentes - eu fui Relator da MP, inclusive, aqui, no Plenário, em que aprovamos por ampla maioria -, resultou só ali em uma economia de R$20 bilhões para o Estado do Rio Grande do Sul, que não pagaria a dívida nesse período.
Claro que eu gostaria de que todos que tivessem dívida com a União fossem anistiados, mas sabíamos que, naquele momento, se fôssemos anistiar para um, teríamos que dar anistia para todos. Inclusive, já agradeço, como fez também V. Exa., porque os Senadores e as Senadoras garantiram, pelo menos por três anos, que a gente não pague a dívida. Bom, vai renegociar lá na frente? Poderá até acontecer isso, mas, com o mesmo carinho que eu falo do Rio Grande do Sul, eu quero falar das chuvas que aconteceram nessa semana em parte do Rio Grande do Sul, parte da Argentina e, principalmente, no Paraná, que teve cidades que foram totalmente destruídas.
O Governo mandou já uma comitiva de Ministros, liderados pela Ministra Gleisi Hoffmann, para que estivesse lá e desse toda a assistência possível que dá para fazer neste momento de tanta tristeza. Se não me engano, morreram seis pessoas.
Então, fica aqui - tenho certeza que do Senador Mecias também - a nossa solidariedade total com o Paraná e também claro, com Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.
Senador Mecias, com a palavra.
O SR. MECIAS DE JESUS (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR) - Sr. Presidente, quero agradecer a V. Exa. e me juntar a V. Exa. nos sentimentos e na solidariedade ao povo do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. Realmente, é um momento triste em que, logicamente, todos nós nos colocamos e nos solidarizamos com toda a população desses três estados.
Mas eu quero fazer uma correção aqui, Presidente: quando os alunos do Instituto Federal de Rondônia estavam aqui, eu terminei dizendo que era a terra do Senador Alan Rick. A terra do Senador Alan Rick é o Estado do Acre. O Senador Alan Rick representa muito bem o Brasil e o Estado do Acre aqui, no Senado Federal. É só para fazer essa correção.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) - Foi uma boa lembrança.
O SR. MECIAS DE JESUS (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR) - Sim.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) - Não deixou de homenageá-lo.
O SR. MECIAS DE JESUS (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR) - Além de homenageá-lo, também homenageio o Estado de Rondônia.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) - Claro, claro.
A Presidência informa aos Senadores e às Senadoras que estão convocados às seguintes sessões para amanhã, terça-feira: sessão de premiações e condecorações, às 10h, destinada à entrega da Comenda Missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, e sessão deliberativa ordinária, às 14h, com pauta divulgada pela Secretaria-Geral da Mesa.
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Cumprida a finalidade...
Eu já iria falar na hora inadequada... Informo que eu, provavelmente, não estarei aqui amanhã, porque devo baixar hospital amanhã, para ver se os médicos descobrem o que eu realmente tenho. Então, devo fazer um check-up geral e ficar entre terça e quarta-feira hospitalizado.
Que Deus nos ilumine a todos e que a saúde seja assegurada ao povo brasileiro.
Cumprida a finalidade desta sessão, a Presidência declara o seu encerramento.
(Levanta-se a sessão às 14 horas e 37 minutos.)