3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 12 de dezembro de 2025
(sexta-feira)
Às 15 horas
193ª SESSÃO
(Sessão Especial)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos.
A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento 834, de 2025, de autoria do Senador Jayme Campos e de outros Senadores, aprovado pelo Plenário do Senado Federal.
A sessão é destinada a promover o lançamento do Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras, produzido pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores - Brasil Júnior.
Convido, para compor a mesa desta sessão especial, o Sr. Caio Leal, Presidente-Executivo da Confederação Brasileira de Empresas Juniores - Brasil Júnior. (Palmas.)
Convido também, para compor a mesa, o Sr. Hélio Matos, Diretor do Núcleo de Empreendedorismo da Universidade Federal do Maranhão. (Palmas.)
Convido também a Sra. Emanuelly Araújo, Coordenadora-Geral do IES Empreendedoras 2025. (Palmas.)
Convido também a Sra. Luiza Rios, Coordenadora Técnica do IES Empreendedoras 2025. (Palmas.)
A Presidência informa que esta sessão terá também a participação dos seguintes convidados: Sra. Lívia Falcão, Presidente-Executiva da Federação das Empresas Juniores do Estado do Rio Grande do Norte; e, na sequência, Sr. Leonardo Neto, Presidente da Strategos Consultoria Política Jr., empresa júnior de consultoria política e gestão de políticas públicas da Universidade de Brasília.
Convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
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O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar - Presidente.) - Quero cumprimentar aqui o Presidente-Executivo da Confederação Brasileira de Empresas Juniores, Caio Leal; o nosso Diretor de Empreendedorismo da Agência de Inovação, Empreendedorismo, Pesquisa, Pós Graduação e Internacionalização da Universidade Federal do Maranhão, Hélio Matos; a Coordenadora-Geral do IES Empreendedoras 2025, Sra. Emanuelly Araújo; a Coordenadora Técnica do IES Empreendedoras 2025, Sra. Luiza Rios.
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Cumprimento a cada um dos empreendedores aqui presentes e convidados.
Hoje, nós celebramos não apenas o lançamento de um documento; celebramos o nascimento de uma bússola.
Em um país tão continental quanto o Brasil, onde cada região brilha com talentos, vocações e sonhos diversos, há momentos em que precisamos erguer ferramentas capazes de orientar o caminho que vamos seguir. E o Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras, elaborado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores, surge exatamente assim: como um norte, como um mapa para encontrar a inovação, um convite para que nossas universidades e faculdades avancem ainda mais no compromisso de formar não apenas profissionais, mas também protagonistas.
O índice nasce no lugar certo: no coração da juventude que decide empreender antes mesmo de se formar; nasce da inquietação dos que não aceitam um caminho de estagnação; nasce da energia criativa das empresas juniores, um dos maiores movimentos estudantis do mundo e exemplo vivo de que o Brasil, quando se organiza em torno de um propósito, alcança resultados que impressionam até as nações mais desenvolvidas.
Ao lançar esse índice, a Confederação Brasileira de Empresas Juniores faz algo raro e essencial: ela transforma experiência em evidência, a vivência em diagnóstico, a prática em melhorias.
Esse índice não é um ranking frio, não é uma tabela burocrática; é um espelho. E, como todo espelho honesto, mostra nossas qualidades e também nossos defeitos, até mesmo aqueles que não queremos enxergar. Ele revela quais instituições incentivam o empreendedorismo, quais criam ambiente para que ideias floresçam, quais aproximam seus estudantes da vida real, do mercado, dos desafios e das soluções de que o Brasil tanto precisa. O índice é, portanto, uma ferramenta estratégica para universidades, governos, investidores e para cada jovem que deseja escolher onde sua formação pode abrir portas para o mundo. E, mais que isso, esse índice representa um gesto de maturidade institucional; significa que estamos elevando o debate educacional para além das notas, além dos currículos, além dos muros das salas de aula; significa que reconhecemos o valor de um ensino superior capaz de dialogar com o futuro, de aproximar teoria e prática, de estimular autonomia, liberdade criativa, responsabilidade e visão de longo prazo.
O Brasil atravessa um tempo em que precisamos urgentemente fortalecer a confiança em nossa capacidade de transformar o país. E nada simboliza melhor essa confiança do que o empreendedorismo responsável, ético e orientado ao impacto social.
Por isso, o lançamento do Índice de Instituições Empreendedoras não diz respeito apenas às instituições avaliadas; diz respeito ao país que queremos construir: um país em que jovens não tenham medo de ousar; um país em que inovação não seja exceção, mas cultura; um país em que universidades não sejam meros espaços de transmissão de conhecimento, e, sim, centros vivos de criação, de provocação, de movimento.
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A Confederação Brasileira de Empresas Juniores merece, neste momento, o nosso reconhecimento não apenas pelo índice que apresenta hoje, mas também pelo movimento que sustenta há décadas, um movimento que não espera o futuro chegar - ele o constrói.
E, se há um ensinamento que as empresas juniores deixam para o Brasil, é este: a mudança não começa quando tudo está pronto. A mudança começa quando nós decidimos começar.
Hoje, neste Plenário, celebramos todos aqueles que decidiram começar: estudantes que dedicam suas noites a projetos; orientadores que acreditam na autonomia estudantil; universidades que rompem paradigmas; gestores que entendem que empreendedorismo não é improviso, é método; e lideranças que compreendem que educação e inovação caminham juntas.
Que o Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras seja, a partir de hoje, mais que um instrumento de avaliação; que seja um farol, um estímulo, um pacto pela excelência acadêmica, pela transformação social e pela construção de um Brasil que acredita, de verdade, no talento das novas gerações.
Que as empresas e instituições que precisam de um rumo para avançar encontrem nesse índice um caminho. E que possamos, juntos, pavimentar um futuro em que nossos jovens não precisem procurar fora do país aquilo que o Brasil tem plena capacidade de oferecer.
Que este seja apenas o primeiro de muitos passos!
Muito obrigado. (Palmas.)
Eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Neste momento, eu concedo a palavra a Sra. Emanuelly Araújo, Coordenadora-Geral do IES Empreendedoras 2025.
A SRA. EMANUELLY ARAÚJO (Para discursar.) - Boa tarde a todos e a todas.
Exmo. Sr. Senador Izalci Lucas, que preside esta sessão solene; autoridades aqui presentes; representantes das instituições de ensino superior; lideranças do movimento Empresa Júnior; reitores, gestores, docentes, estudantes e todos que acompanham esta cerimônia, é uma honra estar aqui, no Senado Federal, para celebrarmos a nova edição do Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras, um estudo nacional que tem se consolidado como um dos principais referenciais de diagnóstico e fortalecimento do ecossistema educacional brasileiro. Esse levantamento vai muito além de um ranking. Ele ilumina caminhos, evidencia boas práticas e nos permite compreender, com profundidade, como nossas universidades e institutos têm fomentado ambientes de inovação, extensão e protagonismo estudantil.
Nesta edição, o estudo conta com a participação de mais de 121 instituições de ensino superior e recebe mais de 34 mil respostas dos estudantes na coleta de percepção discente, demonstrando, assim, o compromisso do país com a educação mais inovadora, conectada às necessidades do presente e às possibilidades do futuro.
É também com grande alegria que reconhecemos os top 5 das instituições que alcançaram o melhor desempenho nessa avaliação. Em primeiro lugar, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); depois, a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade Federal de Itajubá e a Universidade Federal de Viçosa. Esses resultados representam muito mais do que posições em um ranking; eles simbolizam a capacidade das nossas instituições de fomentar jovens preparados para identificar problemas, construir soluções e gerar impacto social e econômico em seus territórios. Cada avanço registrado por essas universidades reflete um ecossistema comprometido com o desenvolvimento do nosso país.
Acreditar na educação sempre foi, para mim, um ato profundo de esperança, responsabilidade e pertencimento. Desde muito cedo, aprendi que, se existe um caminho capaz de transformar o Brasil, esse caminho é construído pelo conhecimento. E, neste momento, trago uma frase que traduz o que sempre acreditei: "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda". É nesse espaço entre transformação possível e transformação necessária que esse estudo sobre as IES Empreendedoras se coloca não para julgar, mas para orientar; não para punir, mas para fortalecer. Isso nos convida a refletir sobre onde estamos, em que já avançamos e sobre até onde podemos ir quando tratamos a educação com seriedade, com escuta ativa e com compromisso com o futuro do nosso país. Esse índice reafirma que incentivar uma educação empreendedora significa investir na capacidade de criar soluções, de estimular a inovação, de reduzir desigualdades e de formar cidadãos protagonistas. Um país que escolhe essa agenda escolhe também desenvolvimento sustentável, competitividade e justiça social.
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Antes de concluir, deixo registrada a minha profunda gratidão às minhas companheiras de jornada que dividiram comigo cada etapa da idealização e construção desta pesquisa.
Agradeço ao Brasil Júnior pela confiança, parceria e apoio permanente e agradeço com imenso carinho ao Movimento Empresa Júnior por ser a maior fábrica de utopias que já pude conhecer. Um movimento que impulsiona sonhos, que prepara jovens para transformar realidades e que inspira todos os dias a acreditar que um país pode ser melhor. O IES Empreendedoras existe porque acreditamos na educação e acreditar na educação é sempre acreditar no futuro do Brasil.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Muito bem, Emanuelly.
Passo a palavra agora ao Sr. Hélio Matos, Diretor de empreendedorismo da Universidade Federal do Maranhão.
O SR. HÉLIO TRINDADE DE MATOS (Para discursar.) - Boa tarde a todos.
Eu preparei um... Rapidamente aqui.
Eu gostaria de agradecer, em primeiro lugar, aos meus pares das universidades por me escolher para estar aqui representando, falando em nome das universidades, não só em nome da Universidade Federal do Maranhão, mas em nome de todas as universidades que fazem parte, acompanham e desenvolvem o IES. Que nós possamos cada vez mais contribuir com o desenvolvimento da educação empreendedora em nossas instituições.
E, em agradecimento especial à nossa Confederação Brasileira de Empresas Juniores, carinhosamente reconhecida como Brasil Júnior, na pessoa da Emanuelly, quero cumprimentar também a Mesa, o Senador Izalci Lucas, neste momento reconhecendo todo o esforço das nossas instituições e de estarmos aqui hoje neste Plenário, marcando um espaço de desenvolvimento da educação empreendedora em nosso país.
Dito isso, eu gostaria de começar a minha fala destacando o local de onde eu venho, que é a Universidade Federal do Maranhão. Nós somos uma instituição lá no Nordeste, em todo o Estado do Maranhão, responsável por levar grande parte do conhecimento científico e do desenvolvimento tecnológico do nosso estado. Dito isso, nós destacamos, de forma muito intensa, a necessidade de continuidade de estudos, de oportunidades e desenvolvimento tecnológico para toda a Região Nordeste e Norte do país. Dessa forma, a Universidade Federal do Maranhão é um elemento que nos traz, de forma muito honrada, a esse espaço presente atual.
É com grande satisfação que destacamos hoje a relevância do Índice de Instituições de Ensino Superior (IISE), iniciativa da Brasil Júnior, que se consolidou como um marco na valorização da educação empreendedora em nosso país, um espaço que todos nós buscamos. Se nós estamos aqui hoje, é porque esse índice realmente serve para que nós possamos destacar a nossa universidade. As universidades desempenham um papel central no desenvolvimento do empreendedorismo brasileiro. Elas são espaços de formação crítica, científica e empreendedora.
Durante muito tempo, nós ficamos restritos somente ao ensino, pesquisa e extensão. É o nosso papel, como Instituição de Ensino Superior, passar dos muros, pegar o nosso conhecimento e torná-lo acessível a toda a nossa sociedade.
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Nas nossas universidades, nós temos jovens com talentos aos quais nós devemos criar estímulos para transformar ideias em projetos e projetos em soluções que impactam positivamente a sociedade. É dentro das universidades que se constrói a ponte entre conhecimento e inovação, entre teoria e prática, entre pesquisa e aplicação.
O IES, nesse sentido, não é apenas um ranking, como já foi falado aqui. Ele é um instrumento estratégico de transformação que reconhece e evidencia o esforço das universidades em ampliar seus ambientes de inovação, pesquisa aplicada, extensão e criação de soluções para os grandes desafios nacionais. Ao incentivar a melhoria contínua, o índice fortalece a missão institucional das universidades e ilumina o caminho para que se tornem cada vez mais protagonistas no ecossistema empreendedor. Ao avaliar dimensões, como cultura empreendedora, inovação, extensão, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro, o IES nos mostra que o empreendedorismo floresce quando há um ambiente acadêmico fértil, capaz de unir teoria, prática, conhecimento e ação. Essa iniciativa reforça também a importância das empresas juniores que aproximam os estudantes da realidade do mercado e os preparam para liderar projetos que transformam comunidades e impulsionam o desenvolvimento de nosso país. O Brasil precisa de jovens empreendedores que não apenas criem negócios, mas que também gerem soluções para os grandes desafios da sociedade. É justamente nesse ponto que o IES se torna fundamental. Ele reconhece e valoriza as instituições que assumem a responsabilidade de formar cidadãos inovadores, conscientes e comprometidos com o futuro.
Portanto, ao celebrarmos este índice, celebramos também a força da educação empreendedora como um motor de progresso. Que possamos juntos fortalecer cada vez mais essa rede de universidades, empresas juniores e iniciativas que fazem do Brasil um país de oportunidade, criatividade e impacto positivo.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Concedo a palavra à Sra. Luiza Rios, Coordenadora Técnica do IES Empreendedoras 2025.
A SRA. LUIZA RIOS (Para discursar.) - Boa tarde!
Exmo. Senador, autoridades aqui presentes, representantes das instituições de ensino superior, estudantes e demais convidados, é uma honra apresentar nesta Casa a metodologia do IES Empreendedoras, o Índice de Ensino Superior Empreendedor, o instrumento estratégico não apenas para as instituições de ensino, mas para a formulação de políticas públicas capazes de transformar o futuro do ensino superior e da inovação do país.
Uma pesquisa feita em 2016, com quatro mil estudantes, levou à construção do projeto e à definição de uma universidade empreendedora.
Universidade empreendedora é a comunidade acadêmica inserida em ecossistema favorável que desenvolve a sociedade por meio de práticas inovadoras. Para acompanhar essa definição, a metodologia analisa seis dimensões. A primeira parte dessa definição fala sobre a comunidade acadêmica, referente à primeira dimensão, a cultura empreendedora. Ela avalia como os estudantes percebem e vivenciam competências empreendedoras em suas instituições, medindo a postura empreendedora dos alunos, dos professores e a fórmula com matriz curricular incentiva a autonomia, inovação e resolução de problemas. Esses indicadores oferecem dados concretos que podem orientar políticas de formação docente, diretrizes curriculares e programas de incentivo ao protagonismo estudantil.
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A segunda parte dessa definição fala sobre ecossistema favorável. Nela é composta mais três dimensões: infraestrutura, internacionalização e capital financeiro. A IES Empreendedoras mede através desses indicadores os recursos adquiridos pela IES, como bolsas, transferências de tecnologia, entre outras formas de orçamento, mais a interação deles com o exterior, e permite que outros próprios alunos avaliem a infraestrutura fornecida a eles pela instituição de ensino. Com esses indicadores é possível analisar avanços e gargalos, tudo isso em relação ao desenvolvimento ecossistema da IES.
E a terceira parte fala justamente sobre desenvolver a sociedade por meio de práticas inovadoras, que se refere às duas últimas dimensões da pesquisa - extensão e inovação -, que observam como a universidade desenvolve valor à sociedade ao conectar ensino e pesquisa às demandas reais do país. Ele mede projetos extensionistas, impacto social, práticas inovadoras e transferências de conhecimento. É a materialização do art. 207 da Constituição. Estabelece a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. As três definições centrais, como comunidade acadêmica, ecossistema favorável e práticas inovadoras, dividem o índice de forma equilibrada, permitindo que cada instituição compreenda seu desempenho e trace estratégias de aprimoramento.
Por isso, o IES Empreendedoras pode ser profundamente útil para a construção de políticas públicas eficazes que exigem diagnósticos, métricas, avaliações e comparabilidade. É exatamente isso que esse índice nos fornece. Ele permite identificar onde investir, ele pode avaliar o retorno dos alunos, fortalece a interiorização do ensino superior, pode orientar editais, bolsas e programas federais com base em evidências concretas. Em um momento em que o Brasil precisa acelerar seu desenvolvimento tecnológico, educacional e social, o IES Empreendedoras aponta caminhos, revela prioridade e permite decisões estratégicas. Fortalecer essa metodologia significa fortalecer nossas universidades, institutos, nossas regiões e o futuro do Brasil.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Muito bem.
Concedo a palavra à Sra. Lívia Falcão, Presidente Executiva da Federação de Empresas Juniores do Estado do Rio Grande do Norte.
A SRA. LÍVIA MARIA DE SOUSA FALCÃO (Para discursar.) - Boa tarde a todas e a todos.
Cumprimento o Exmo. Senador e toda a Mesa e saúdo também cada pessoa presente nessa Plenária.
O ranking IES Empreendedoras é uma iniciativa que reconhece e valoriza as instituições de ensino superior que promovem o empreendedorismo no Brasil. Ele analisa seis eixos fundamentais para compreender de que forma as universidades estão criando ambientes capazes de estimular, de fato, o desenvolvimento dos estudantes. Esse ranking é promovido pela Brasil Júnior, enquanto Confederação Brasileira de Empresas Juniores, e tem se consolidado como um instrumento relevante para fortalecer o ecossistema do empreendedorismo universitário.
Quando olhamos para a perspectiva das federações, nosso papel é muito claro: traduzir o ranking, orientar as instituições e oferecer o apoio necessário para a IES aprimorar seu desempenho a cada ciclo. Atuamos como facilitadores, como ponte entre as universidades e os critérios avaliativos, acompanhando esse percurso e garantindo que as instituições entendam o que está sendo analisado, como se preparar e de que forma podem evoluir.
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Mais do que uma avaliação, o ranking permite que a IES faça uma leitura profunda dos seus próprios resultados, o que já avançou, o que precisa melhorar e quais oportunidades existem para fortalecer, por exemplo, o ensino, a extensão e a inovação dentro da universidade. E essa análise continua sendo realizada a cada dois anos, contribuindo diretamente para a melhoria da educação superior no nosso país.
Ao longo deste ano, enquanto RN Junior, atuamos com empenho para cumprir esse papel de articulação e fortalecimento, e os resultados já podem ser vistos. Aqui no Rio Grande do Norte, por exemplo, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) vem avançando no destaque, no ranking, chegando à conquista de um case. Isso é um fruto de um trabalho que começou ainda no final do ano passado, com reuniões, alinhamentos e orientações sobre quais conhecimentos e evidências deveriam ser entregues. Esses avanços elevam o nome da instituição e fortalecem a visibilidade do nosso estado, como um ambiente comprometido com o empreendedorismo universitário e com a inovação acadêmica. Eles mostram que, quando federações, Brasil Júnior e agentes do ecossistema trabalham juntos, o impacto é muito maior. Por isso, reforço a importância da continuidade do ranking e o progresso que essa iniciativa tem demonstrado ao longo dos anos.
Parabenizo o Brasil Júnior pelo trabalho desenvolvido e agradeço mais uma vez pelo espaço e pela oportunidade de estar aqui contribuindo com essa discussão.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Concedo a palavra ao Sr. Leonardo Neto, Presidente do Strategos Consultoria Política Jr., empresa júnior de Ciência Política e Gestão de Políticas Públicas da Universidade de Brasília.
O SR. LEONARDO NETO (Para discursar.) - Boa tarde a todos.
Exmo. Senador Izalci, autoridades presentes e demais participantes, primeiramente eu gostaria de dizer que é uma honra poder representar mais de 24 mil empresários juniores e poder falar de um tema tão relevante como a IES Empreendedoras.
Agora eu peço licença para proceder à leitura do meu discurso.
Nós, empresários juniores, temos, acima de tudo, o compromisso com a educação e com o empreendedorismo. O nosso papel enquanto estudantes e jovens que representam o movimento Empresa Júnior em diversas instituições de ensino superior é fazer com que a nossa formação acadêmica seja cada vez mais inovadora e uma verdadeira referência para o mundo. Segundo estudo da Associação Brasileira de Ciências, as universidades públicas brasileiras têm enfrentado, nos últimos anos, um processo de subfinanciamento, que resultou na crescente precarização de suas infraestruturas, da sala de aula aos espaços de convivência. Essa pesquisa nos mostra como ainda precisamos avançar no aprimoramento dos lugares onde passamos grande parte dos nossos dias.
Em 2024, a produção científica do Brasil ainda esteve abaixo da média mundial, além de possuir uma baixa colaboração entre a academia e a indústria. Portanto, é necessário que a ciência seja priorizada na formulação de políticas públicas e nas medidas adotadas pelas nossas universidades. Também há uma necessidade de aproximação das instituições com o setor privado para que nós, estudantes, possamos contar com ambientes que estimulam uma formação prática e que nos proporcionam um formato de aprendizado mais completo.
O ranking de instituições empreendedoras publicado pela Brasil Júnior em 2023 revelou que cerca de um terço dos estudantes avaliados considerava que suas universidades ofereciam uma matriz curricular não adequada ao engajamento em atividades extracurriculares. O estudo também apontou que os principais motivos para a desistência dessas atividades eram as dificuldades financeiras e a falta de motivação. Apresento esses dados não para fazer uma crítica isolada, mas para incentivar meus colegas a se tornarem agentes de transformação. O IES Empreendedoras é hoje uma das formas de percebermos o quanto ainda estamos diante do cenário ideal e, ao mesmo tempo, de reconhecer que existem ferramentas e organizações comprometidas em produzir análises críticas sobre o sistema educacional brasileiro, oferecendo subsídios para que nossos representantes promovam as mudanças necessárias.
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Hoje o dever não deve ser terceirizado. Concordo que os tomadores de decisão, como mencionei anteriormente, também devem assumir esse compromisso e agir. Entretanto, nós, empresários juniores, somos justamente aqueles que estão na ponta e que sentem diretamente as consequências de um ensino que ainda não alcança o nível de inovação e empreendedorismo de que o país necessita. Então, por que não nos mobilizarmos para que nossa educação tenha um impacto real e significativo?
Reconheço na Brasil Júnior um verdadeiro agente de transformação. Tenho certeza de que todos os empresários juniores do país se orgulham por esse trabalho realizado pela equipe e pela Diretora Executiva. Ainda assim, é fundamental que nós, estudantes envolvidos no movimento Empresa Júnior, também assumamos esse desafio, garantindo que nossas universidades ofereçam mais oportunidades científicas, melhores infraestruturas, espaços tecnológicos atualizados, experiências internacionais imersivas e ambientes que estimulem de fato o nosso espírito empreendedor. Todo esse esforço contribuirá diretamente para um dos pilares do IES Empreendedoras: ampliar o investimento e o capital financeiro destinado às nossas instituições. Mais do que isso, abrirá porta para projetos acadêmicos de maior impacto, fomentará a modernização de laboratórios e bibliotecas, impulsionará iniciativas de inovação e fortalecerá parcerias que aproximam a universidade do setor produtivo. Com mais recursos, nossas instituições poderão desenvolver programas de internacionalização, apoiar pesquisas aplicadas e criar ambientes que preparem os estudantes para uma educação mais dinâmica, competitiva e transformadora.
Diante desse cenário nacional, marcado pela fragilidade no acesso à inovação e ao ensino empreendedor, eu gostaria de dizer que tenho muito orgulho da Universidade de Brasília, instituição que tem sido a minha casa nos últimos anos. No Distrito Federal, grande parte das empresas juniores está concentrada no DF, o que evidencia o quanto a universidade se consolidou como um importante polo de empreendedorismo, graças também ao trabalho da Concentro - Federação de Empresas Juniores do DF. Contudo, quando comparo essa realidade com a de outras regiões do Brasil, percebo que esse cenário não é o mesmo. Por isso, o meu discurso é, acima de tudo, um convite à reflexão e à ação. Precisamos olhar para além das fronteiras do nosso próprio ecossistema e compreender que, enquanto algumas regiões avançam, outras ainda enfrentam grandes obstáculos para desenvolver uma cultura mais inovadora, mais tecnológica e mais empreendedora dentro das instituições de ensino.
Cabe a nós, empresários juniores, portanto, uma última missão: defender uma pauta nacional que fortaleça nossas instituições, garantindo que estudantes de diferentes contextos tenham acesso às mesmas oportunidades de formação, prática e protagonismo.
Obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Concedo a palavra a Sra. Paula Magda da Silva Roma, Diretora de Inovação e Empreendedorismo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas
A SRA. PAULA MAGDA DA SILVA ROMA (Para discursar.) - Boa tarde a todos e a todas.
Exmo. Sr. Presidente desta sessão, representantes da Brasil Júnior, autoridades presentes e demais colegas aqui das instituições de ensino superior, universidades e institutos federais, é uma honra representar os institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia nesta cerimônia de lançamento do Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras, desenvolvido pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores.
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Os institutos federais têm desempenhado um papel decisivo no desenvolvimento social, científico e econômico do Brasil, atuando de forma estratégica no interior do país, nas grandes cidades e nos territórios onde a presença do Estado se traduz em oportunidades, inclusão e transformação. A rede federal demonstra diariamente que a educação pública pode e deve ser um espaço de inovação, de empreendedorismo, pesquisa aplicada e extensão comprometida com as demandas reais da sociedade. Por isso, a criação do Iese é extremamente relevante para nós.
O Iese não é apenas um indicador: é um instrumento que nos permite compreender, com responsabilidade e profundidade, como estamos construindo ambientes que estimulam a criatividade, a autonomia, o protagonismo estudantil e a formação empreendedora em sua dimensão mais ampla, aquela que prepara os cidadãos capazes de gerar soluções, impacto social e desenvolvimento sustentável.
Quero destacar também a importância da participação ativa dos estudantes durante o levantamento desse índice, que contribuíram por meio da pesquisa de percepção discente. Eles são a razão de existir dos institutos federais, e ouvir suas vozes fortalece nossa missão institucional.
Os resultados apresentados revelam conquistas importantes em toda a rede. Entre eles, destaco o IF Sul de Minas, que, pela segunda vez, está entre os dez institutos federais mais empreendedores do Brasil. Um exemplo do compromisso coletivo dos institutos federais com a inovação e a formação integral.
Em nome da rede federal, parabenizo a Brasil Júnior pela iniciativa e pela seriedade metodológica empregada na construção deste índice, que certamente contribuirá para o aprimoramento de políticas públicas e para o fortalecimento da educação superior brasileira.
Reafirmamos o nosso compromisso com uma educação pública, gratuita, de qualidade, de excelência, capaz de transformar vidas e impulsionar o desenvolvimento nacional.
Como já dizia Peter Drucker: "O futuro é a gente criá-lo". E é isso que a gente está fazendo neste momento.
Muito obrigada a todos pela oportunidade. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Concedo a palavra ao Sr. Caio Leal, Presidente-Executivo do Brasil Júnior.
O SR. CAIO AUGUSTO AGUIAR LEAL (Para discursar.) - Boa tarde a todas, a todos.
Cumprimento V. Exa., Senador Izalci Lucas.
Cumprimento a todos aqui presentes e agradeço, mesmo, que vieram aqui aos convites repetitivos e às procuras que eu fiz a cada um de vocês, representantes das empresas juniores, das universidades, dos institutos federais, de todas as instituições e autoridades aqui presentes.
Agradeço não só a presença, mas o reforço do compromisso por um Brasil mais empreendedor, que permeia, acima de tudo, por um Brasil educador.
Cumprimento também aqui a minha Diretoria Executiva, a Presidência do Conselho, e gostaria de começar o meu discurso.
A transformação do ensino superior brasileiro é um desafio estrutural que exige mais do que boas intenções. Exige diagnóstico qualificado, exige intenção e necessidade de resposta imediata. Falamos muitas vezes que "a minha universidade não tem aquilo", "preciso ser fomentado de alguma forma" - seja um Wi-Fi, seja uma biblioteca, seja um coworking, seja qualquer instrumento que facilite o meu processo de aprendizado e inovação.
Infelizmente, muitas vezes o modelo de ensino nem sempre é favorável. É um modelo muitas vezes tradicional, vinculado ao aluno só ouvindo o Professor, não necessariamente uma coconstrução.
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Acho que, muitas vezes, o IES Empreendedoras... o seu principal diferencial, obviamente, além da alta sinceridade metodológica, permeia muito pela opinião dos estudantes. É muito fácil eu chegar e falar que sou uma instituição de ensino superior muito empreendedora, mas é difícil os estudantes necessariamente concordarem com isso no que tange ao seu processo de jornada dentro da universidade ou do instituto federal.
Essa é a diferença do IES Empreendedoras. É quando a gente ouve vocês, que estão aqui presentes, para poder falar onde vocês acham que a universidade ou o instituto federal de vocês pode melhorar, seja em uma infraestrutura, seja em uma disciplina diferente.
Destaco aqui... E me apresento não só como Presidente Executivo da confederação, mas também como estudante recém-formado pela Universidade de Brasília - que voltou ao top 10 agora - e também como recém-formado em Ciência Política.
Fico feliz aqui não só com esse alcance, mas com a relevância que isso promove, e que traz visibilidade e valoriza: valoriza o investimento, valoriza o esforço; não só o investimento financeiro.
Acima, aqui, temos Diretores, Reitores, Professores - que têm uma situação muito complexa; destinam grandes cargas horárias, muitas vezes para projetos de extensão; alta rotatividade de alunos; e estão lá porque acreditam que aquilo tem um potencial transformador inimaginável.
E é disso que trata o IES Empreendedoras, onde a gente valoriza cada etapa desse processo de aprendizado em todas as instituições de ensino superior do país.
Meu objetivo aqui também é trazer o caminho daqui para a frente. O que precisa sair, além da divulgação do Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras? Não está para ser só um número, não está para ser só um livro, um gráfico, uma tabela. Ele está ali para que, na próxima segunda-feira - pode ser na terça, está tudo bem -, a gente sente com as nossas federações de empresas juniores, a gente sente com o Movimento Empresa Júnior, com os discentes, com outras entidades acadêmicas, e fale: "Dado esse diagnóstico, o que a gente pode fazer a partir de agora e o que a gente pode fazer diferente para que, daqui a dois anos, o resultado no qual estou seja diferente e melhor?".
O IES Empreendedoras está para ser resposta não só para as universidades, mas está para ser resposta também para o Movimento Empresa Júnior, entre outras entidades acadêmicas, no qual elas devem se comprometer a trabalhar de forma colaborativa. A gente não trabalha sozinho dentro da universidade; não há uma divisão entre professores, orientadores e estudantes e empresários juniores. Pelo contrário: nós juntos é que fazemos uma universidade ou um instituto federal melhor.
Acreditamos, acima de tudo, porque esse é o papel não só de nós, enquanto universidade, ou institutos federais, mas é o papel também desta Casa. É o papel do Senado Federal, é o papel da Câmara dos Deputados, do Congresso Nacional, dos ministérios. Porque isso aqui também é diagnóstico para construir política pública para quem nem sabe - às vezes, nem tem noção - do que é o Movimento Empresa Júnior, do que é empreendedorismo.
Muitas vezes, infelizmente, o empreendedorismo surge pela necessidade, e não pela vocação. A gente vê um microempreendedor formando, criando sua empresa, e não dura cinco anos. Porque ele, diferente de nós, não é formado necessariamente em Administração, Economia, Marketing. Então, a gente está ali para atender essas pessoas porque, acima de tudo, somos um projeto de extensão, que está para impactar toda a sociedade ao nosso redor. E é a partir disso que, construindo com todas as hélices da inovação - instituições de ensino superior, Governo, mercado -, para andar junto e, assim, construir, de fato, as IES Empreendedoras que a gente mais espera e o Brasil empreendedor que a gente mais espera.
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Então, eu estou aqui para agradecer a presença não só de todos vocês.
Obrigado mesmo por terem vindo.
Depois ali vamos conversar bastante um pouco sobre isso, sobre os resultados do ranking, sobre o que a gente pode fazer diferente a partir de agora.
Mas também eu não posso deixar de agradecer, principalmente, ao Senador Jayme Campos, que propôs o requerimento da sessão solene, com a longa jornada ali, com o apoio do gabinete, quase que constante.
E principalmente, também, ao Senador Izalci Lucas, pela presença, pelo carinho, pela cordialidade e pelo acompanhamento. A gente sabe que este momento de valorização institucional desse processo só faz sentido quando a gente tem apoio de pessoas do Legislativo, como V. Exa. Fico muito feliz com esse apoio, muito contentado. Acredito que o Movimento Empresa Junior todo, não só do Brasil, mas também do Distrito Federal, agradece por esse suporte.
Eu gostaria muito de entregar a V. Exa. um pequeno gesto solene, mas de agradecimento, acima de tudo, por todo o suporte, por todo o apoio ao longo dessa jornada para a realização da sessão solene. (Palmas.)
(Procede-se à entrega de homenagem ao Senador Izalci Lucas.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Bem, primeiro eu quero dizer da minha alegria de estar presidindo esta sessão solene, cumprimentar e parabenizar o Senador Jayme Campos pela iniciativa, que depois foi apoiada aqui, por unanimidade, pelos Senadores.
Eu tive a oportunidade, aqui no DF, de ser Secretário de Ciência e Tecnologia durante dois mandatos. E quero dizer para vocês: gente, quem não gosta de política vai ser governado por quem gosta. É muito comum as pessoas: "Ah, não querem saber de política, não querem saber disso e tal". Alguém vai decidir por você, depois não adianta reclamar.
Se o Brasil está desse jeito, grande parte se deve às escolhas, porque quem escolhe os seus representantes - seja no Legislativo, seja no Executivo - é o eleitor. Então, se ele não valoriza o voto, as consequências são graves. Eu digo sempre: voto não tem preço, tem consequência.
Então, fico muito feliz de vocês, jovens empreendedores... que são guerreiros, porque no Brasil há uma criminalização do meio empresarial. É incrível como as pessoas não reconhecem, não valorizam o empreendedorismo, as empresas, o risco que correm - pegam todas as economias para montar um negócio e, muitas vezes, não dá certo. Então, a gente precisa realmente participar mais. Vocês que estão nessa área de empreendedorismo, empresários, precisam realmente participar mais. Hoje, qualquer pequena empresa, média empresa, se não for bem gerenciada, ela quebra.
Agora, para eleger um Prefeito que vai administrar uma cidade, a gente vota de qualquer jeito, em qualquer um, muitas vezes em troca de uma cesta básica ou em troca de um medicamento, pagamento de uma conta de luz. E aí você pega a educação infantil, a primeira infância, que é competência dos municípios, e de que os Prefeitos não têm a mínima noção, e a gente não tem hoje, por exemplo, uma alfabetização na idade certa. Depois carregam essa dificuldade pelo ensino fundamental, pelo ensino médio. Hoje, 60% dos jovens do ensino médio saem de lá sem saber matemática, e muitos sem saber português. Essa é a realidade da escola pública.
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Eu não fiz universidade pública, até porque eu trabalhava e não tinha... Aqui na UnB só tinha de manhã na minha época, quando eu era estudante. Então, eu fiz particular, fiz a UDF. E fiz à noite, com bolsa. Estudei meu ensino médio com bolsa, estudei faculdade com bolsa.
Depois eu criei a Abeduq, que é a Associação Brasileira pela Educação de Qualidade, porque eu entrei na política pela educação. E não tem outra forma de você dar igualdade e oportunidade que não seja através da educação. Criei, lá em 1998, aqui em Brasília, o Cheque Educação - ocupando as vagas ociosas das escolas particulares, universidades, faculdades -, que hoje é o Prouni.
O Prouni é exatamente aquilo que nós lançamos aqui em 1998. E, para transformar esse projeto numa política pública, eu entrei na política. E aí fui Secretário de Ciência e Tecnologia. Tudo que eu ia fazer, não podia. Porque, na área pública, você só pode fazer o que é permitido. Na área privada, você faz o que você quiser, você só não pode fazer o que é proibido. Então, na Ciência e Tecnologia - o país não valoriza isso; não valoriza inovação, não investe em ciência e tecnologia -, a gente teve muita dificuldade.
Lançamos aqui o Parque Capital Digital, que é a Cidade Digital, no ano de 2004, praticamente do mesmo jeito que a gente lançou há 20 anos atrás. Por quê? Porque é um parque científico e tecnológico a proposta. Foi com a UnB; fomos para a Coreia, para o Japão, para Taiwan para conhecer os parques tecnológicos. Infelizmente, não andou como a gente gostaria.
Mas eu ouvi do Presidente aqui uma coisa importante, que eu aprendi aqui no Congresso, e que a gente precisa ouvir mais. Eu aprendi aqui: nada de nós sem nós. É muito comum nesta Casa, e na Câmara, votar em matérias em que a maioria dos Parlamentares não sabe nada sobre aquilo. Não conhecem o mundo real, e votam. Muitos burocratas e tecnocratas é que decidem as coisas, sem conhecer o mundo real.
Então, eu vim para o Congresso não foi por carreira. Quando eu fui Secretário, eu percebi que eu tinha que mudar muita coisa aqui. Então, por exemplo, coloquei inovação na Constituição - não tinha, fui eu que coloquei. Mudamos toda a legislação de ciência e tecnologia, o marco regulatório. Porque o pesquisador não podia sair da universidade - era dedicação exclusiva -, não podia participar da pesquisa, das patentes. Então a gente mudou essa legislação.
Depois, faltava dinheiro. Aqui no Brasil, para investir em ciência e tecnologia, é muito difícil. Em 2017, nós conseguimos aprovar uma lei proibindo o Governo de desviar recursos da ciência e tecnologia para outras áreas, que é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e que é uma mixaria: R$20 bilhões por ano - comparado com Estados Unidos, Coreia, Japão, é nada.
Mas, pelo menos, tem alguma coisa. Então, a gente precisa investir mais. Na minha época, quando eu fui Secretário, eu trouxe educação profissional para ciência e tecnologia. Aqui não tinha nenhum instituto federal. Nós tínhamos três escolas técnicas. Eu, quando fiz meu ensino médio, fiz curso técnico. Naquela época, todos saíam com a profissão, quem não queria ir para a universidade.
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No Brasil, a gente não chegou a 12% ainda de técnicos. No mundo todo, já está em 50, 60% dos jovens que fazem curso técnico. Hoje, apenas 22% dos jovens entram na faculdade, e 78% dos jovens - de cada 100, 78 - não conseguem fazer uma faculdade e não foram qualificados no ensino médio. Aí é a geração nem-nem, que não estuda e não trabalha.
Hoje se discute muito segurança pública. Não temos como resolver segurança pública se não investirmos em qualificação profissional, em geração de emprego, empreendedorismo. Isso é fundamental.
Então, eu quero aproveitar esta sessão, porque eu estou vendo aqui jovens, que são ousados... Porque hoje, no Brasil, em qualquer coisa, tem que ser ousado. Em um país que incentiva realmente que as pessoas fiquem sob a tutela do Estado, onde você tem mais Bolsa Família do que carteira assinada ou empreendedor, onde você agora, para segurar o aluno no ensino médio, para ele não abandonar, você cria o Pé-de-Meia... - R$200 por mês, como se isso fosse resolver a questão da educação.
Educação se resolve com o investimento em infraestrutura e valorização do Professor. Ninguém quer ser mais Professor. Por incrível que pareça, é raro. Se você perguntar hoje nas universidades quem quer ser Professor, só quem realmente tem esse dom ou tradição, porque a valorização não existe.
As pessoas parecem não lembrar que quem forma o Advogado, o Contador, o Médico são os Professores. Aí você pega uma escola, hoje, pública - e eu estudei em escola pública; na minha época, só entrava na UnB quem estudava em escola pública -, hoje você não tem laboratório de ciências, você não tem internet, você não tem esporte, você não tem cultura, e aí você quer que o menino fique na sala de aula sem nada? Sem tecnologia, sem nada? É difícil. Não é por R$200 que você vai segurar.
Então, eu convido vocês a pensar, a refletir um pouco sobre isso, e se apresentarem na política. Se não quiserem ser candidatos, pelo menos vamos buscar orientar as pessoas a votarem nas pessoas, a acompanharem o processo, para a gente mudar este país. Porque não tem política de Estado, a gente tem política de Governo: cada Governo que entra acaba com tudo e começa de novo, e acaba principalmente com as coisas que funcionam, para não se lembrarem do anterior.
Então, a gente precisa mudar isso. Se a gente quiser realmente um país desenvolvido, com justiça social, a gente precisa mudar esse conceito, melhorar a educação - educação e educação.
Cumprindo, então, a finalidade desta sessão especial aqui do Senado Federal, eu agradeço a cada um de vocês pela presença - aos professores, reitores, alunos aqui -, que a honraram com a sua participação.
Declaro, então, encerrada esta sessão.
Muito obrigado. (Palmas.)
(Levanta-se a sessão às 15 horas e 59 minutos.)