4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 7 de abril de 2026
(terça-feira)
Às 10 horas
28ª SESSÃO
(Sessão de Premiações e Condecorações)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Hamilton Mourão. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RS. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos.
Esta sessão destina-se à entrega da Comenda Nise Magalhães da Silveira.
Esta comenda foi instituída pela Resolução nº 43, do ano de 2016, e é destinada a agraciar personalidades que tenham oferecido contribuições relevantes ao desenvolvimento de técnicas e condições de tratamento humanizado de saúde no Brasil.
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Nesta solenidade, serão agraciadas com a comenda Nise Magalhães da Silveira as seguintes personalidades: a própria Nise Magalhães da Silveira, em memória; o Sr. Guilherme Thiago de Souza, a Sra. Ludhmila Abrahão Hajjar e a Sra. Sheila Christina Santos Moraes.
Compõem a mesa desta sessão: a Senadora Dra. Eudócia, do Estado de Alagoas; e o Ministro Gilmar Mendes, representando aqui o Supremo Tribunal Federal.
Convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional, que será executado pelo dueto do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, composto pelo Subtenente Samuel Daniel da Silva e pelo Segundo-Sargento Juan Carlos de Albuquerque Nascimento.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
O SR. PRESIDENTE (Hamilton Mourão. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RS. Para discursar - Presidente.) - Estão presentes na plateia os Exmos. Srs. Ministros do Superior Tribunal de Justiça Benedito Gonçalves e Francisco Falcão, a quem cumprimento; o Sr. Diretor-Presidente da Fundação Faculdade de Medicina, Arnaldo Hossepian Salles Lima Junior - os nossos cumprimentos.
Senhoras e senhores, ilustres autoridades, estimados convidados, meu bom dia a todas e todos.
Na condição de Presidente da Comissão da Comenda Nise Magalhães da Silveira, após ter declarado aberta essa solenidade, destaco a celebração de uma das mais luminosas trajetórias da ciência e da saúde brasileira. Ao invocarmos o nome de Nise Magalhães da Silveira, não recordamos apenas uma médica psiquiatra, recordamos uma revolucionária do cuidado, uma cientista que, em tempos de práticas desumanizantes, ousou afirmar que o paciente era, antes de tudo, uma pessoa. Nise enxergou, no afeto, na escuta e na criatividade, instrumentos terapêuticos tão poderosos quanto qualquer técnica tradicional.
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Discípula intelectual das ideias humanistas que ganhavam espaço no século XX, Nise rompeu com modelos excludentes e introduziu, no tratamento psiquiátrico brasileiro, abordagens inovadoras, baseadas na expressão artística e na dignidade humana. Ao criar ateliês de pintura e modelagem para pacientes, abriu caminhos para uma compreensão mais profunda da mente e do sofrimento psíquico, antecipando debates que hoje são centrais na saúde mental contemporânea.
Sua trajetória foi marcada pela coragem: coragem de discordar, coragem de resistir, coragem de propor novos caminhos, quando a tradição parecia inquestionável. Em um ambiente predominantemente técnico e rígido, ela afirmou que ciência e humanidade não são forças opostas, mas dimensões inseparáveis do verdadeiro cuidado.
É por isso que esta comenda carrega seu nome, porque homenagear Nise é reafirmar um compromisso: o de que o avanço científico deve caminhar lado a lado com a ética, com a compaixão e com o respeito à dignidade humana.
Neste Plenário do Senado Federal, onde se constroem normas e se discutem os rumos da nação, celebramos hoje o legado de uma mulher que transformou a prática médica brasileira e projetou nosso país no cenário internacional da saúde mental.
Que esta cerimônia não seja apenas um ato protocolar, mas um momento de reflexão sobre o tipo de ciência que desejamos incentivar, uma ciência comprometida com a vida, com a liberdade e com a pessoa humana.
Com esse espírito, vamos iniciar agora a entrega dessas comendas.
Meu muito obrigado a todas e todos por suas presenças.
Com grande satisfação, representando Nise Magalhães da Silveira, convido o Sr. Eurípedes Gomes da Cruz, Coordenador de Projetos do Museu de Imagens do Inconsciente, para receber a Comenda Nise Magalhães da Silveira, que será entregue pela Senadora Dra. Eudócia.
(Procede-se à entrega da Comenda Nise Magalhães da Silveira ao Sr. Eurípedes Gomes da Cruz.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Hamilton Mourão. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RS) - Neste momento, passo a Presidência desta sessão à Senadora Dra. Eudócia para que eu possa proceder à entrega da comenda ao agraciado indicado por esta Presidência. (Pausa.)
(O Sr. Hamilton Mourão deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pela Sra. Dra. Eudócia.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Quero cumprimentar todos aqui presentes, senhores agraciados, senhoras agraciadas.
Convido o Sr. Guilherme Thiago de Souza para receber a Comenda Nise Magalhães da Silveira, que será entregue pelo Senador Hamilton Mourão.
(Procede-se à entrega da Comenda Nise Magalhães da Silveira ao Sr. Guilherme Thiago de Souza.) (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Agora, concedo a palavra ao Sr. Guilherme Thiago de Souza, por cinco minutos.
O SR. GUILHERME THIAGO DE SOUZA (Para discursar.) - Exmo. Sr. Presidente deste conselho, Sr. Hamilton Mourão, a quem dirijo, antes de tudo, o mais elevado respeito e profunda gratidão pela condução desta sessão histórica; Exmas. Senadoras; Exmos. Senadores; membros desta augusta Casa; representantes da soberania do povo brasileiro; Ilma. Profa. Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar; Ilma. Sra. Sheila Christina Santos Moraes, a ambas minhas congratulações mais sinceras por esta distinção que juntos recebemos neste dia; a todas as autoridades aqui presentes; às equipes desta Casa; às famílias; e aos brasileiros que nos assistem; e a todos que nos honram aqui com suas presenças, o meu muito obrigado.
Recebo esta comenda com o coração pleno e os olhos atentos ao que ela representa, não o destino, mas o ponto de partida, o reconhecimento de que, quando o Brasil une engenharia, ciência e vontade, é capaz do que parecia impossível. E dessa capacidade é que eu preciso falar hoje neste Plenário.
Em março de 2020, o Brasil acordou para o inimaginável: hospitais viam suas unidades de terapia intensiva transbordarem em dias. A mortalidade dos pacientes intubados com covid oscilava em porcentagens alarmantes. Havia falha, havia escassez, havia morte à espera de leito. E, nesse cenário de ruptura absoluta, havia uma pergunta que não admitia demora: o que podemos fazer aqui com o que temos agora?
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Antes de tudo, é preciso nomear quem estava na linha de frente, os profissionais de saúde que avançaram sem garantia de voltar, que vestiam seus equipamentos como quem veste uma armadura. Alguns não voltaram. A eles, antes de qualquer outra palavra, esta comenda é dedicada.
Foi nesse contexto que decidi que a impossibilidade logística de fabricação não seria uma sentença definitiva para o nosso país. Não havia manual de instrução para o que se precisava fazer. Havia um problema, havia urgência, havia vontade, havia o método de engenharia: identificar o problema, mapear restrições, prototipar, testar, validar, industrializar e distribuir. Em semanas, nasceu a bolha de respiração individual controlada, desenvolvida integralmente com materiais e tecnologias nacionais, testada clinicamente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, pela brilhante e competente equipe da pneumologia. E, assim, logo que validada, foi imediatamente distribuída para UTIs em todo o território nacional. Dizem que a urgência é a mãe da invenção e que, cessada a crise, a inovação se dissolve. Não foi o que aconteceu. A Bric foi produto do método de rigor de aliança entre academia e indústria. E hoje, anos depois, o Hospital das Clínicas segue demonstrando suas vantagens inequívocas em seus estudos. A crise passou, a tecnologia ficou.
Este momento nos convoca. O Brasil não pode esperar pela próxima emergência para descobrir que a sua própria capacidade de resposta é possível. A soberania tecnológica é a diferença entre uma solução nacional a pronto emprego ou a fila global de espera, enquanto o povo arca com as consequências. A engenharia brasileira tem poder, a academia tem o rigor e a indústria tem a capacidade. A ponte entre elas precisa ser construída agora e de forma perene, estrutural e política.
Há, porém, um agradecimento que nenhum Plenário é grande o suficiente para conter, mas que não posso deixar de fazer aqui: aos meus pais aqui presentes, que me ensinaram... (Manifestação de emoção.)
A gravata está apertada hoje, Senador.
Agradeço aos meus pais, que me ensinaram que, antes de qualquer livro ou laboratório, o trabalho honesto e compromisso com o próximo são a base para qualquer construção que valha - sem eles, não haveria engenheiro, não haveria Bric, não haveria este momento -, e à minha filha, que me inspira a construir um mundo melhor a cada dia e para quem deixo o melhor, um mundo melhor do que recebi. Helena, este discurso, esta comenda e este esforço são, em última instância, por você e para todos aqueles que virão depois de nós. Que o Brasil que herdarão seja um país que inova para cuidar, que une para criar e que reconhece que cada vida que se salva é uma vitória de toda uma nação!
(Soa a campainha.)
O SR. GUILHERME THIAGO DE SOUZA - A esta augusta Casa que hoje nos honra, que o Senado Federal continue sendo o lugar onde o Brasil reconhece que inovar é um ato de soberania, que cuidar é um ato de Estado e que a vida, cada vida, é a razão de ser de tudo o mais.
A V. Exa., Sr. Senador Hamilton Mourão, e às Exmas. Senadoras e Senadores aqui meu muito obrigado. (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL. Para discursar - Presidente.) - Eu quero aqui registrar a presença do nosso Senador Nelsinho Trad, compondo aqui a mesa, e quero cumprimentar mais uma vez o Ministro do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Gilmar Mendes. Muito bem-vindo aqui a este momento tão importante, Ministro.
Sras. Senadoras, Srs. Senadores, autoridades presentes, servidoras e servidores desta Casa, registro com especial honra a presença do Ministro Gilmar Mendes e registro com especial carinho o meu abraço ao povo do Estado de Alagoas.
Registro, em especial, que teremos a presença do nosso querido Advogado-Geral da União, o nosso querido Jorge Messias, a quem cumprimento cordialmente - ele está a caminho, mas dessa forma eu já adianto os meus cumprimentos.
Hoje não estamos apenas entregando uma honraria, estamos afirmando diante do país qual é o modelo de saúde que defendemos e queremos consolidar. Essa reflexão se alinha ao significado do dia 7 de abril, celebrado como o Dia Mundial da Saúde, instituído pela Organização Mundial da Saúde, que nos convida a renovar o compromisso com a qualidade de vida, com o acesso à saúde e com o fortalecimento das políticas públicas.
A Comenda Nise Magalhães da Silveira consagra trajetórias que escolheram o caminho da humanização, fundadas na centralidade da pessoa humana como eixo do cuidado, em um campo historicamente marcado por práticas dissociadas da sensibilidade e da dignidade. Ao evocarmos o nome que dá sentido a esta comenda, evocamos também uma história que nos orgulha profundamente. Nise Magalhães da Silveira, alagoana, foi uma mulher que revolucionou a medicina, ao substituir a intervenção pela escuta, a imposição pelo vínculo e o isolamento pela expressão humana. Sua obra não apenas transformou a psiquiatria, ela redefiniu o próprio conceito de cuidado.
Nesta manhã, ao homenagearmos os agraciados desta comenda, reconhecemos trajetórias que mantêm viva essa mesma essência: a de que não há cuidado possível sem dignidade. Cada nome aqui presente representa mais do que uma história individual, representa em verdade um compromisso coletivo com a saúde pública mais humana, acessível e efetiva.
Ao engenheiro Guilherme Thiago de Souza, nossa admiração. Sua atuação no desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas à saúde evidencia que a inovação, quando orientada pelo interesse público, contribui de forma efetiva para o fortalecimento do cuidado e para a qualificação da assistência.
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Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar - que, posso dizer, minha querida amiga pessoal e grande médica -, o Brasil e o mundo conhecem o seu trabalho. Motivo de muita alegria e de muita honra ter a Dra. Ludhmila aqui, nesta sessão tão especial, recebendo essa comenda, que é de grande relevância aqui, no Senado Federal. Cumprimento-a, fazendo uma deferência à sua pessoa pelo lindo trabalho que você desempenha no nosso país. Então, para a Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar, o nosso mais elevado reconhecimento.
Sua trajetória, Dra. Ludhmila, reúne excelência técnica, compromisso acadêmico e dedicação à assistência em saúde, contribuindo, de maneira consistente, para o aprimoramento de protocolos, para a formação de profissionais e para o fortalecimento de uma medicina baseada em evidências.
Com especial honra, indico e homenageio a Sra. Sheila Christina Santos Moraes, representante do Estado de Alagoas nesta comenda, que reconhece a importância estratégica da saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde, valorizando o cuidado como expressão de dignidade, de acolhimento e de respeito à pessoa humana.
Sheila, que é a minha indicada, eu a indiquei com muito amor e com muito compromisso com a saúde pública do nosso país e especialmente a saúde pública do nosso querido Estado de Alagoas. Sua trajetória, Sheila, no serviço público, traduz compromisso, continuidade e responsabilidade com o cuidado em saúde. No Caps Dr. Rostan Silvestre, construiu uma atuação marcada pela prática interdisciplinar e pela consolidação de estratégias territoriais alinhadas aos princípios do Sistema Único de Saúde. Na função de Gerente do CAPS II, demonstra liderança técnica, sensibilidade institucional e compromisso com a inclusão social e com o atendimento em liberdade.
Aqui eu quero dizer a você, Sheila, que continue nesse seu trabalho, porque você sempre colocou o amor em primeiro lugar, e o amor faz toda a diferença, não só na saúde, como em todas as áreas, mas especialmente na área da saúde. Meus parabéns, Sheila!
Esse trabalho se encontra respaldado em políticas públicas que vêm sendo fortalecidas no Município de Maceió, no âmbito da gestão do nosso querido Prefeito JHC.
O serviço de teleterapia alcançou 273 mil atendimentos em 2025, com mais de 45 mil atendimentos individuais até julho, estruturado por uma equipe de 50 psicólogos, atuando 24 horas por dia.
Aqui eu quero cumprimentar o nosso querido Secretário Municipal de Saúde, da nossa querida Maceió, a capital de todos os alagoanos, Claydson Moura, conhecido carinhosamente como Mourinha.
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Está aqui presente também a Secretária Adjunta, a nossa querida Roberta, e também a Karine, que é nossa amiga, companheira e que, juntos, todos juntos, ao lado do Prefeito JHC, continua trabalhando para uma Maceió mais próspera.
E aqui também quero cumprimentar o nosso Prefeito Rodrigo Cunha, que, com tanto esmero, está começando a sua gestão em Maceió, fazendo jus a cada voto que recebeu como Senador e agora como Prefeito de Maceió.
Quero também cumprimentar a nossa querida... E agora esqueci seu nome, mas, na pessoa do Mourinha, eu a cumprimento: seja muito bem-vinda a esta Casa. Parabéns pelo seu trabalho e por você fazer parte deste momento tão importante.
Eu já falei do serviço de teleterapia e agora eu quero registrar que o programa Saúde da Gente ultrapassou 1,5 milhão de atendimentos com crescimento de 28,7% na assistência em saúde mental. Então, é motivo de muita alegria poder registrar essa estimativa aqui do avanço que teve na área de saúde mental da nossa Prefeitura de Maceió.
O Samu registrou mais de 3 mil atendimentos relacionados a crises psicológicas - cada vez mais estão crescendo esses quadros no nosso país e no mundo. Esses números não se limitam a indicadores, traduzem vidas acolhidas, histórias ressignificadas e pessoas que voltaram a ser vistas em sua integralidade, como fazia a nossa querida Nise da Silveira, que também era alagoana, que nasceu em Maceió e estudou no colégio Santíssimo Sacramento - colégio este, Presidente Senador Hamilton Mourão, em que eu estudei, em que tive a honra de estudar, e também o nosso querido Senador Nelsinho Trad. Ela estudou no colégio Santíssimo Sacramento, depois fez faculdade na Bahia e depois foi morar no Rio de Janeiro, mas deixou seu legado para todos nós.
E aqui continuando, porque, ao reconhecer, Sheila, a sua atuação, Alagoas reafirma sua vocação para o cuidado, valoriza seus profissionais e projeta com responsabilidade um modelo de saúde mental pautado na dignidade, no acolhimento e na efetividade do Sistema Único de Saúde.
Vivemos um tempo de avanços científicos extraordinários, contudo, permanece uma verdade essencial: não existe inovação legítima sem a humanidade. É a sua linha, Dra. Ludhmila Hajjar, porque você tem todo um tratamento humano - e quem já passou por você sabe do que eu estou falando -: como você trata os seus pacientes, com tanta dedicação, com tanto amor! Você parece que está de plantão 24 horas, porque, se ligar para você à 1h da manhã, você atende; às 2h, você atende. Então, você realmente é um ícone na área da saúde do nosso país. Digo isso com todas as palavras e com muito carinho, porque sou sua amiga e reconheço como você faz diferença na saúde pública do nosso país, também na saúde particular e na saúde suplementar, mas especialmente no Sistema Único de Saúde.
E você, Sheila, você também é essa pessoa tão humana que se dedica tanto a esses pacientes. E esses pacientes não seriam os mesmos se não tivessem você nessa equipe, para cuidar individualmente de cada um. E eu quero, mais uma vez, te parabenizar e colocar aqui essas qualidades, esses adjetivos que você tem na saúde pública, dando-os aos nossos queridos pacientes em tratamento psicológico, psicoterápico e psiquiátrico lá na nossa querida cidade de Maceió.
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Como médica, sei que, por trás de cada diagnóstico, existe uma vida, uma história e uma esperança. Como Senadora, transformo essa convicção em compromisso público com políticas que ampliem o acesso, reduzam desigualdades e garantam dignidade no cuidado. Tenho esperança na ciência, nas instituições e em Deus, primeiramente em Deus, de que seguiremos avançando na construção de um sistema de saúde mais justo, mais eficiente e, acima de tudo, mais humano.
Mais uma vez, eu quero cumprimentar os senhores agraciados no dia de hoje e todos aqui presentes. E, dessa forma, eu quero mais uma vez cumprimentar aqui a Mesa, o Sr. Presidente desta sessão, o nosso querido Senador Hamilton Mourão - e eu estou aqui dando um apoio.
Quero cumprimentar também o meu querido Nelsinho Trad, nosso Senador.
Mais uma vez, quero cumprimentar o nosso Sr. Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. E, aqui, querido, posso te chamar, porque me considero sua amiga, o conheço de longas datas, quero colocar, Sr. Ministro, que a sua atuação é marcada pela defesa do Estado democrático de direito, pelo aprimoramento das instituições e pela busca de equilíbrio entre os Poderes da República. E quero lhe parabenizar veementemente pelo trabalho que o senhor está desenvolvendo no Supremo Tribunal Federal. O senhor tem a minha admiração, o meu respeito. Parabéns pelo seu trabalho, Ministro Gilmar Mendes.
Quero cumprimentar a nossa querida Dani, a nossa Primeira-Secretária Daniella, nossa Senadora que está aqui presente, que nos representa com tanto respeito aqui nesta Casa. Parabéns, Daniella.
Também quero cumprimentar o nosso Senador Randolfe Rodrigues, que está aqui no Plenário. Nosso querido Randolfe, eu te cumprimento e também te parabenizo pelo brilhante trabalho que você desenvolve aqui na Casa. Eu acompanho o seu trabalho, para que eu possa chegar um pouquinho perto do que você faz aqui no Senado Federal.
Já cumprimentei a Senadora Daniella Ribeiro.
Quero cumprimentar o Deputado Federal Paulo Teixeira, ex-Ministro do Desenvolvimento Agrário.
Também quero cumprimentar a advogada Liana Andrade Alcolumbre, nossa querida Liana Andrade Alcolumbre, que tem o mesmo sobrenome do nosso querido Presidente...
(Intervenções fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - É esposa... Liana, você está tão linda e tão mais... Perdoe-me, porque a gente só se encontra naquelas questões mais institucionais, você ali mais séria. Perdoe-me, mas a nossa querida Primeira-Dama aqui do Senado Federal, nossa querida Liana Andrade Alcolumbre.
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E também quero cumprimentar o Sr. Ministro do Superior Tribunal de Justiça, o Ministro Benedito Gonçalves, que se faz aqui presente; o Sr. Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Ministro Francisco Falcão, que também está aqui presente; e o Sr. Diretor-Presidente da Fundação Faculdade de Medicina, Arnaldo Hossepian Salles Lima Junior. Sejam muito bem-vindos. Muito grata pela presença de todos os senhores e senhoras.
Agora, convido a Sra. Sheila Christina Santos Moraes para receber a Comenda Nise Magalhães, que será entregue por esta Presidência.
(A Sra. Dra. Eudócia deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Nelsinho Trad.)
(Procede-se à entrega da Comenda Nise Magalhães da Silveira à Sra. Sheila Christina Santos Moraes.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Devolvo a Presidência à Senadora Dra. Eudócia.
(O Sr. Nelsinho Trad deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pela Sra. Dra. Eudócia.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Concedo a palavra à Sra. Sheila Christina Santos Moraes por cinco minutos.
Com a palavra, Sheila.
A SRA. SHEILA CHRISTINA SANTOS MORAES (Para discursar.) - Obrigada, Dra. Eudócia. Bom dia a todos. Realmente, quando a gente chega aqui fica meio... (Risos.)
A garganta fica, dá um probleminha mesmo, não é? Bom, mas vamos lá.
Receber essa Comenda Nise da Silveira, que está sendo concedida hoje pelo Senado Federal, é uma honra que me emociona profundamente e que carrega comigo também uma grande responsabilidade, diante de tudo que foi falado anteriormente. Esse reconhecimento ultrapassa a minha trajetória individual. Como Dra. Eudócia mencionou, eu trabalho num Caps. Há 19 anos que eu estou nesse Caps, que é o Caps Rostan. Eu estou no Caps desde o início, desde o início, desde quando ele foi inaugurado. A gente viu muitas mudanças dentro do espaço físico, que era um espaço muito pequeno, e nos últimos anos a gente conseguiu que esse espaço ampliasse, mas não só o espaço físico. Convido a todos para conhecerem o nosso Caps lá em Maceió, o Caps Rostan.
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E assim, diferente de um hospital, daquela estrutura de hospital que a gente vê em várias unidades, em vários locais, a gente sente realmente que lá no Caps a gente tem essa questão acolhedora.
Diante disso, esta homenagem, esta comenda simboliza, para mim e para todos, a força de todos aqueles que acreditam em uma saúde mais humana, uma saúde mais inclusiva e comprometida com a dignidade das pessoas. É isso que a gente vê na saúde mental, lá em Alagoas, lá em Maceió, lá no nosso Caps Rostan e nos outros Caps também. Eu falo pelo Caps, que eu chamo até de meu Caps, porque eu já estou lá há 19 anos. Estou há 19 anos porque eu sou efetiva no município. Na gestão, na gerência, eu estou desde quando o JHC, o Prefeito, nomeou os efetivos para que a gente ficasse como coordenador. E aí, assim, essa mudança fez com que nós, que já estamos acompanhando todo esse processo, continuássemos.
E aí, conto com o apoio, claro, de toda a secretaria; do Secretário Mourinha; da Roberta e da Karine, secretárias adjuntas; Luana... Que aí, sem atenção básica, o Caps... A saúde mental tem que estar ali, junto com a atenção básica. Por muito tempo, a gente via separados, paciente de transtorno, paciente que era tratado no Caps não ia para a atenção básica. Isso não acontece, não pode acontecer. Então, quando o paciente chega num sistema como o Caps, uma unidade Caps, ele tem lá a porta aberta, ele não precisa estar marcando consulta, nada. Ele vai entrar, a gente vai... e caso não seja para estar ali no Caps, ele vai para a atenção básica. A gente vai encaminhar e ele vai ter todo o suporte lá. É assim que funciona uma rede de apoio psicossocial e é assim que a gente vem trabalhando nesses últimos anos.
Então, inspirados no legado da Dra. Nise da Silveira, seguimos defendendo o cuidado de acolher, escutar e respeitar. E aí, mais uma vez, eu agradeço a esta Casa na pessoa da Doutora. Para mim a Dra. Eudócia, Senadora Dra. Eudócia, sempre teve essa visão muito sensível da saúde. Talvez pelo fato de ser médica também, mas, assim - e aí eu repito novamente -, dentro desses 19 anos que eu estou no serviço público, 19 anos que eu estou na saúde mental... E aí não precisam fazer contas da minha idade - certo? -, só deixem por aí. Então, em 19 anos que eu estou no serviço, é a primeira vez que a gente recebe uma homenagem, uma comenda, um prêmio na saúde mental - na saúde mental. A gente sempre deixa um pouco de lado... E assim, muita coisa, claro, mudou. Desde Nise da Silveira para cá, a gente já não tem mais... Vamos dizer assim, ainda existe ali o hospital psiquiátrico, mas, claro, vêm os Caps, e a gente vem lutando cada vez mais para que esse trabalho seja realmente acolhedor. Então, agradeço a esta Casa, agradeço a Dra. Eudócia e agradeço a todos que caminham ao meu lado. E, aí, abro um parêntese para os meus filhos, que são realmente o motivo de eu estar trabalhando diariamente, agradeço aos meus filhos. E agradeço, mais uma vez, aos meus colegas de trabalho - e aqui está o Secretário de Saúde de lá, que veio para cá para me acompanhar nesta homenagem -: a Karine, a Roberta, a Luana, a todos que fazem parte lá do Caps Rostan. Sempre fui... Aquela equipe é uma equipe sensacional, não podia deixar de falar. E aos nossos usuários, que dão sentido ao nosso trabalho diário.
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Recebo esta comenda com muita gratidão e com o compromisso renovado de continuar contribuindo; por mais dispositivos de saúde, mais dispositivos acolhedores, mais dispositivos cada vez mais justos e solidários com o nosso propósito.
Obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Eu quero convidar a Liana Andrade Alcolumbre, nossa Primeira-Dama aqui do Senado, para fazer parte aqui da mesa. (Pausa.)
Tudo bem, mas será uma honra. Sinta-se convidada.
Agora eu registro a presença do Ministro Rogerio Cruz, do Superior Tribunal de Justiça.
Seja muito bem-vindo, Sr. Ministro Rogerio Cruz, a esta sessão!
Concedo agora a palavra à Senadora Daniella Ribeiro.
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) - Sra. Presidente, eu gostaria de falar da tribuna, por gentileza.
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Pois não.
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB. Para discursar.) - Bom dia a todos, bom dia a todas.
É com muita alegria que esta manhã chega para todas nós, principalmente para quem compreende a saúde como o maior bem que nós temos nesta vida. Sem saúde, sem vida. Então, é um dia extremamente especial para esta Casa, não só para os homenageados, mas para quem teve a oportunidade e quem tem a oportunidade de homenagear.
De forma muito especial, eu gostaria de elevar o nome da comenda. Aqui já foi falado muito sobre Nise Magalhães da Silveira, então eu vou só ratificar o que foi dito sobre essa grande mulher. Eu, como paraibana, sou muito objetiva, tá gente? E também acho que, nos dias de hoje, os discursos, as falas e as nossas lutas também exigem objetividade, desde que ela tenha a consistência e tenha o recado que nós precisamos dar.
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Então, de forma muito especial, quero cumprimentar a mesa, e cumprimento a Presidência da Mesa na pessoa da Senadora Eudócia, que tem uma atuação muito forte, graças a Deus, nesta Casa, uma grande mulher. Cumprimentar, de forma muito especial, também o nosso Senador Nelsinho Trad, meu colega, Presidente da Comissão de Relações Exteriores desta Casa; cumprimento o Sr. Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que está à mesa e faz com que essa mesa, obviamente, se enriqueça.
Meu pai diz o seguinte - eu vou fazer vocês rirem um pouco. Meu pai é uma pessoa por quem eu sou apaixonada, 91 anos de idade, e ele diz, Ministro Schietti - que alegria estar aqui falando com você! - o seguinte, quando começam a dizer "venham para o lugar de honra fulano de tal", "venha para o lugar de honra fulano de tal", aí meu pai pegou o microfone um dia e disse assim, puxou do cerimonial e disse assim: "Pare de dizer isso, porque quem está embaixo está em lugar de honra também, porque é todo mundo com honra também". Então, eu quero aqui dizer da honra de receber cada um de vocês neste dia. Meu pai é muito verdadeiro, e é a forma de ele fazer política a vida inteira, mesmo não estando mais em cargo público, mas ele é mais político, eu diria, do que eu, do que meu irmão, e hoje do que meu filho, que assumiu o Governo do Estado da Paraíba, para a minha alegria, minha honra, com muito orgulho, aos 36 anos de idade, o Governador mais jovem do nosso país, e isso numa trajetória política de vida.
Daqui do Senado Federal eu vou me despedindo até o final do ano, cumprindo a minha missão, mas com o entendimento de que a Paraíba tem que continuar crescendo com tudo aquilo que a gente vem fazendo. Às vezes, a gente abre mão, e tem que abrir mão, das nossas próprias vaidades, ou às vezes até das nossas próprias, de algum plano que a gente tenha, mas Deus sempre tem outro para a gente.
E, nesta manhã, de forma muito especial, cumprimento o Ministro Schietti, que está conosco; cumprimento o Ministro, que não é paraibano, mas de família paraibana, o nosso querido Ministro Falcão; nosso Ministro Benedito, a nossa querida Guiomar, que é uma grande mulher e que nos inspira bastante. Quero dizer que, onde quer que a escute, e onde quer que a veja, a sua inspiração atravessa, pode ter certeza, fronteiras, e chega até a nossa Paraíba também.
De forma ainda, como disse, tentando ser a mais rápida possível, eu quero cumprimentar a Coordenadora do Núcleo de Premiações, a Dra. Lilia de Melo Dias, responsável por toda esta manhã tão especial, e a cada servidor desta Casa com que eu tenho a alegria de conviver todos os dias, com carinho. Tem uns que chegam com uma balinha, gente, assim, para não dizer que é Zezinho - não é Zezinho? -, que chega na gente cuidando com aquela balinha e trazendo aquele carinho muito especial.
Mas eu tive e tenho, aqui nesta manhã, uma missão que eu diria que é nada mais do que um reconhecimento, meu querido amigo Senador Randolfe Rodrigues, de uma mulher que ultrapassa os limites das fronteiras de São Paulo, de Brasília, de onde quer que seja do Brasil. Ela ousou internacionalmente. Eu quero falar da nossa querida Ludhmila Hajjar. Eu até me emociono quando alguém fala sobre a humanidade, a sensibilidade e a forma humana com que ela trata as pessoas.
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É porque, Dra. Ludhmila... É difícil dizer sobre Dra. Ludhmila, porque ela cria um carinho tão grande com a gente. Aí, Nelsinho Trad já queria... Ele disse: "Eu posso entregar com você o prêmio?". Eu disse: "Pode não; pode não!". (Risos.) "Nem pense que vai entregar. Eu vou fazer o registro de que você gosta muito dela, mas não vai entregar. O prêmio é meu, eu que vou entregar!". (Risos.) Mas faço o registro desse querido amigo e de tantos outros aqui que gostariam, com toda certeza, e estão entregando comigo...
Então, eu queria dizer que esta Casa... Eu vou fazer algumas... Eu não costumo ler discurso. Geralmente à minha turma, eu sempre peço a eles desculpa, porque eu peço que eles façam, eles fazem, e aí eu termino saindo do texto; não consigo Ministro, a gente vai pelo coração. (Risos.) E, com o coração, eles conseguem até colocar aquilo que eu quero dizer, mas o coração é diferente - né? -, as nossas falas saem; a boca fala do que o coração está cheio. Então, esta Casa hoje se reúne para reconhecer aqueles que dedicam suas vidas à construção de uma saúde mais humana, mais justa, mais digna para o povo brasileiro. Sobre a comenda, eu já falei. Então, eu gostaria de evocar, sob a inspiração de Nise Magalhães da Silveira... É sob essa inspiração que celebramos os agraciados e agraciadas... o agraciado e as agraciadas desta manhã. Entre eles, eu tenho a honra de destacar a médica Ludhmila Hajjar, cuja trajetória é motivo de orgulho para o Brasil e para mim de especial satisfação por tê-la indicada para essa comenda.
A Dra. Ludhmila construiu uma carreira marcada pela excelência técnica, pelo compromisso com o serviço público e por uma visão moderna e transformadora da medicina. Na verdade, a Ludhmila é imparável; eu diria que ela não é só incansável, ela é imparável! Ela tem uma coisa que, na política, eu diria... A gente sabe que o médico está sempre ali, a postos e tal, mas a vida é muito parecida com a missão de quem ama fazer política: a gente não tem hora para nada, a gente não tem final de semana, a gente realmente não tem dia. Quando eu chego à Paraíba, eu tenho que estar a posto para aqueles que estão precisando de mim de uma forma diferenciada. Sua atuação recente na concepção da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS, exatamente com esse espírito inovador, traz um projeto que integra tecnologia de ponta, inteligência artificial, telemedicina e medicina de precisão sem jamais perder de vista o elemento mais essencial, que é o ser humano.
Eu acompanhei um pouco dessa luta, talvez até, como ela disse, muito, porque o que eu acho mais bonito das nossas lutas... E eu quero dizer isso a vocês, porque a minha luta começou tentando ser Vereadora, porque, dentro da minha casa, meu pai não queria, de jeito nenhum, que eu entrasse na política, pelo cuidado paraibano, nordestino, com as filhas mulheres; e essa foi minha primeira luta. Quando eu penso que nunca desisti, e quando eu olho para você e vejo todos os nãos que você enfrentou, e as dificuldades que você enfrentou para conseguir fazer com que esse projeto fosse realmente assinado e se realizasse neste país, foi justamente por você não desistir. Montanhas vêm, vales, mas, para aquele que tem um objetivo, aquele ou aquela que tem no seu coração a certeza de que aquilo é certo...
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Parece muito com o meu programa, o Programa Antes que Aconteça, que é o programa de violência contra a mulher que eu comecei em 2023, quando colocamos, pela primeira vez, dinheiro no orçamento. Eu participei da Comissão Mista de Orçamento, graças a Deus, como Presidente, e vimos ali que não tinha sequer R$1 para cuidar das mulheres neste país. E ali iniciamos com o pioneirismo no meu estado. E nunca desisti. E dificuldades vieram e continuam vindo, mas é esse coração de não desistência - porque aqui não é sobre mim, é sobre você -, de não desistir que fez com que o hospital do futuro, que precisa ser inteligente, sim, mas também precisa ser acessível, que precisa caber dentro do orçamento público, mas também sem abrir mão da qualidade. Ou seja, o orçamento público tem que caber, porque as prioridades - e eu estou falando com a autoridade de quem passou pela Presidência da Comissão de Orçamento -, são muito simples, é aquilo que eu escolho. Qual é a prioridade? Dentro da nossa casa, o que é a prioridade e o que devem ser os primeiros investimentos? Quais são as nossas necessidades?
Então, é uma via de mão dupla: precisa reduzir desigualdades, evitar mortes preveníveis e devolver dignidade às pessoas. Essa visão se traduz em iniciativas concretas: a implantação de UTIs automatizadas e integradas em todo o país.
E para quem está em casa, assistindo pela TV Senado: talvez você não esteja alcançando o que significa essa conquista, mas essa conquista - eu creio - veio para o Brasil. Quando você pensou, quando você sonhou, você sonhou algo transformador que se iniciava em São Paulo, mas isso iria ser algo para todo o país.
Somos uma família - digo sempre -, com diferentes sotaques, em um país enorme, com diferenças econômicas, mas, acima de tudo, com a irmandade que nenhum povo tem. Eu digo isso de coração. Eu não viajo tanto quanto algumas pessoas viajam, mas, quando vou para fora, eu tenho muita saudade, primeiro, do meu Nordeste, da minha terra, porque o calor humano, a vontade de ajudar o próximo está dentro da gente. E não é só o Nordeste; é o Brasil como um todo, é o brasileiro, é o nosso povo.
Então, eu queria concluir dizendo que se trata de um esforço que une ciência, gestão e compromisso social, com um investimento inicial, gente, estimado em R$1,7 bilhão, viabilizado por meio de cooperação internacional, especialmente junto ao Banco dos Brics, demonstrando que é possível aliar responsabilidade fiscal e inovação no SUS.
Às vezes, a política partidária atrapalha; aliás, muitas vezes, ela atrapalha. É contra isso que eu luto com o meu Programa Antes que Aconteça, para que ele não entre - nós entramos com todas as instituições - na política partidária, que é onde acontecem as dificuldades. E que bom que você venceu, minha querida Dra. Ludhmila, essa que talvez tenha sido - eu não sei, eu estou falando porque eu sei o que todas nós enfrentamos - uma das maiores dificuldades, que é a questão desse pensamento atrasado ainda no nosso país de que a gente tem que ter política de governo, não política de Estado. Quando o país entender que nós precisamos de política de Estado, nós haveremos de ir para um outro patamar. E, nesse programa, eu tenho certeza de que foi compreendido, tanto é que ele aconteceu.
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Então, senhoras e senhores, é um modelo em que, mais do que de inovação tecnológica, estamos falando de uma nova lógica de cuidado, um modelo que conecta a atenção primária, a alta complexidade e a pesquisa, enfrentando gargalos históricos do SUS, reduzindo desperdícios e ampliando o acesso com equidade. Esta é, em essência, a tradução contemporânea do legado de Nise Magalhães: colocar a ciência a serviço da humanidade.
Senhoras e senhores, ao homenagearmos a Dra. Ludhmila Hajjar, não reconhecemos apenas uma carreira brilhante; reconhecemos uma visão de país, reconhecemos a crença de que é possível - e isso me emociona - fazer mais e melhor com responsabilidade, com inovação e com compromisso público.
Dra. Ludhmila, você podia dar muito bem, obrigada, de onde você está, apenas com o que você já conquistou, mas você não parou nisso, você pensou no próximo, e a vida, essa vida que nós vivemos, não é sobre nós. A gente pensa que é para a gente cuidar o tempo todo da nossa vida, resolver a nossa vida, cuidar das nossas situações, dos nossos problemas. Deus não nos deu a oportunidade de viver para a gente pensar em nós o tempo inteiro; muito pelo contrário. Ele nos deu a oportunidade de viver para que, onde a gente estivesse, a gente pudesse pensar naquele que, onde ele nos colocou, nós pudéssemos ajudar, e que precisa de nós. É isso que você fez e é isso que você tem feito.
Como eu disse, o comodismo de cada um de nós poderia acontecer, mas quando a gente ultrapassa essa linha e compreende a nossa missão, que é a missão de Deus - que é assim que eu entendo, respeitando todas as religiões -, não é sobre a missão de cada um, é uma missão só, para todos nós.
Reconhecemos, sobretudo, que o futuro da saúde brasileira passa por pessoas que, como você, não se conformam com limitações, mas trabalham para superá-las. Que essa comenda sirva não apenas como reconhecimento, como inspiração, mas que inspire novas gerações de profissionais da saúde, gestores públicos, pesquisadores a seguirem esse caminho de dedicação, competência e humanidade.
Na minha casa são três filhos; o mais novo faz medicina. Eu já mando olhar para o que a Dra. Ludhmila conquistou, e eu digo para pensar alto, pensar nos outros, olhar para os outros, já criar sonhos e realizá-los.
Que possamos, todas nós, honrar o legado de Nise Magalhães da Silveira, construindo um sistema de saúde que trate não apenas de doenças; muito pelo contrário, que a gente possa antecipar, porque, quando a gente - e isso nós sabemos também, vai para o orçamento também, assim como a violência contra a mulher - vai tratar lá o final, a gente deixou, além de cuidar da vida humana, além de salvar vidas, nós deixamos de também economizar no orçamento, por incrível que pareça.
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Concluo dizendo dos meus parabéns e da minha alegria de estar aqui, nesta manhã, no Senado Federal, eleita como a primeira Senadora da Paraíba em 200 anos, sendo a Primeira-Secretária do Senado Federal, e poder homenageá-la em nome... Aí, eu tenho que colocar os nomes de todos os colegas, porque todos já queriam se escalar aqui, no meu lugar. Eu falei: "Não vai não". (Risos.) Então, eu faço a menção, mas não vai.
Mas, assim, em nome de todas as colegas...
Soraya, bom dia. Não a tinha visto. Perdoe-me, Senadora.
Em nome de todos aqueles que aqui estão, parabéns! Que você receba essa comenda não como mais uma homenagem, mas como uma homenagem que você possa celebrar.
Por fim, eu termino dizendo: pela vida que nós estamos levando, nós estamos nos acostumando a não celebrar as nossas até pequenas conquistas. E, aí, eu queria trazer uma reflexão para concluir, que você possa celebrar essa conquista como algo muito grande; que você possa lembrar, todas as manhãs, quando você acordar, que você possa agradecer e dizer: "Eu pude, cheguei a esse lugar e tive a oportunidade de fazer". Que você possa se lembrar, porque, às vezes, a gente...
Como eu disse, esse mundo e essa cultura do quanto mais fazer, bonito dizer, e aí, quando a gente chega a uns lugares: "Como está a vida?". "Correndo. Correndo. Trabalhando. Não parando." É a cultura justamente que falou o autor que agora não me vem à mente, mas que é a cultura da... Alguém leu esse livrinho? Pelo amor de Deus... É a cultura... Bom... Vai chegar. Mas é essa cultura que nós estamos tendo de quem trabalha mais mostra mais, que está fazendo mais. E é ao contrário: nós estamos, pouco a pouco, nos desfazendo da nossa saúde, dos nossos cuidados, dos nossos familiares, das pessoas que nos são preciosas, porque amizade precisa de tempo. Amizade precisa que a gente invista.
Então, que você possa celebrar essa conquista como uma conquista que foi sua e, tenho certeza, de outros que estiveram ao seu lado e outras que estiveram ao seu lado, dizendo - porque há momentos em que a gente fraqueja também, não é só alegria, não - "não desista". E são essas pessoas que a gente precisa ter ao nosso lado, que segurem na mão e digam: "Não, não, não. Não vai desistir, não. Você chegou até aqui e não vai desistir, não". Eu quero homenagear essas pessoas também, porque elas são aquelas pessoas que nós precisamos, são os "amigos do telhado".
Quem já leu a parábola que Jesus conta, quando estava dentro de uma casa, em que um amigo paralítico... Não tinham como chegar até Jesus para que esse paralítico fosse curado, e eles subiram pelo telhado, abriram o telhado e desceram aquela pessoa. Nós precisamos ter pessoas assim ao nosso lado, os amigos do telhado, que, quando a gente está cansado, seguram na nossa mão, nos levam e dizem: "Continua, que você vai chegar". E você chegou.
Que Deus abençoe a sua vida. Que você continue sendo essa pessoa, eu diria, não só encantadora; humana, amável - independentemente de quem tenha cargo, quem não tenha, porque isso é importante a gente dizer, que não importa - e que inovou no nosso país, trouxe uma nova realidade para o Brasil, porque nunca desistiu e sempre acreditou.
Receba essa comenda e celebre, celebre nesse dia. Mesmo trabalhando, celebre; mesmo indo atender, celebre; mesmo à noite, celebre. E estejam juntas, celebrando e dizendo: "Nós chegamos".
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Que Deus abençoe a cada um que fez parte de tudo isso também e que entendeu e teve sensibilidade: ao Governo; a todos aqueles atores que foram importantes; à Presidenta Dilma, Ministra, hoje representante lá no Brics; a todos aqueles que fizeram parte dentro desse processo.
Que você possa vir agora receber das minhas mãos esta comenda e que você, como eu disse, celebre. Que nós possamos celebrar todas as conquistas, das pequenas às grandes.
Muito obrigada a todos. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Convido a Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar para receber a Comenda Nise Magalhães da Silveira, entregue pela Senadora Daniella Ribeiro.
(Procede-se à entrega da Comenda Nise Magalhães da Silveira à Sra. Ludhmila Abrahão Hajjar.) (Palmas.) (Pausa.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Concedo agora a palavra à Sra. Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar, por cinco minutos.
A SRA. LUDHMILA ABRAHÃO HAJJAR (Para discursar.) - Bom dia a todos e a todas. Cumprimento especialmente esta mesa, nossa Presidente da Mesa, Senadora Dra. Eudócia Caldas; meu querido amigo Senador Nelsinho Trad; Senadora Soraya Thronicke; Senadora Daniella Ribeiro, que muito me emociona no dia de hoje. Eu não mereço essas palavras, mas farei o melhor uso delas para a minha vida, para as minhas reflexões, para que eu continue merecendo toda essa honraria deste dia de hoje.
Cumprimento todos os meus amigos; autoridades presentes; Ministro Rogerio, meu querido amigo do coração; Ministro Francisco Falcão; Ministro Benedito; Dr. Stephanie; Ministro Paulo Teixeira; meu amigo Senador Randolfe; e todos os demais presentes. Meus queridos colegas que trabalham comigo no dia a dia, meus amigos do telhado: Eduardo Ozawa, Clarice, Raiane; minha querida amiga Liana Alcolumbre; Arnaldo; Leila; são todas essas pessoas que fazem parte da minha história e que carregam comigo essa responsabilidade de hoje aqui não só renovar o meu espírito público e o meu espírito de fazer ciência e humanismo, como de também carregar o luminoso caminho dessa trajetória de vida humanística da Dra. Nise da Silveira.
Quem conheceu um pouco da história dessa grande mulher psiquiatra sabe que ela rompeu padrões, abriu clareiras na história da medicina, abriu um caminho de tantas mulheres que nos antecederam e, ao mesmo tempo, lutou e resistiu naquele momento de sua vida contra práticas desumanizantes. Naquele momento fazia-se lobotomia, ressecavam tecidos cerebrais de pacientes doentes, submetiam pacientes a práticas como eletrochoque. E foi dela a luta para que aquela anticiência passasse a ser acolhimento, para que viesse a escuta antes do silêncio, para que viesse a dignidade antes do diagnóstico e antes da doença existia uma pessoa. Ela foi a primeira brasileira médica a mostrar que ciência e humanismo não se excluem, eles se elevam mutuamente. E é isso que nós hoje temos o orgulho de representar, cada um de nós agraciados que temos essa honra dos nossos queridos Senadores e Senadoras de sermos lembrados diante de milhares de profissionais da saúde e da educação deste Brasil que merecem ser lembrados todos os dias.
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A Senadora Daniella Ribeiro em sua fala mencionou que tudo o que nós buscamos para fazer com que o nosso país mude é fazer com que as políticas de Governo sejam definitivamente substituídas por políticas de Estado. Quisera eu sonhar com o Brasil do futuro - e eu quero fazer parte dessa transformação - no qual a ciência, a saúde, a educação sejam instrumentos de justiça social definitivamente entregues à população brasileira. Eles não podem ser frutos de políticas e disputas partidárias. Nós não conseguimos no nosso país implementar projetos estruturantes para mudar a realidade da população brasileira, e é sobre isso que eu vivo todos os dias.
Eu tenho hoje 48 anos e aos 17 eu entrei numa universidade pública, a Universidade de Brasília. Então eu tenho 31 anos de luta diária no Sistema Único de Saúde, que é o maior sistema do mundo, é um sistema universal, integral, que busca equidade. E é um sistema de que nós temos que nos orgulhar, mas nós temos que reformar, nós temos que conseguir recurso. E eu queria chamar atenção para o que esta Casa fez em 2025. Esta Casa aprovou o maior orçamento da história da saúde do Brasil, são 245 bilhões. Então, Senadores e Senadoras, obrigada pelo que vocês têm feito, pelo que os senhores têm feito pela saúde e pela educação do Brasil.
Eu quero lembrar algumas conquistas desta Casa nesta gestão. O Plano Nacional de Educação, que há poucas semanas nós comemoramos e que vai chegar, no decênio, a 10% do nosso PIB. Esse é o valor que nós buscamos para mudar a história do nosso país. Eu, como uma médica que vive a realidade do SUS, também vivo a realidade da medicina privada, eu trabalho na Rede D'Or há muitos anos, em Brasília, em São Paulo, onde quer que meu paciente esteja, mas viver nesses dois mundos só me ensinou algo que, eu tenho certeza, é inspirado na Dra. Nise da Silveira: o paciente é um só, não importa o CEP, não importa a fonte de renda, não importa se ele paga ou não. E esse humanismo faz parte da nossa vida, da nossa história, da nossa entrega. Então hoje, quando eu comemoro dentro de mim este momento tão importante, de pessoas tão relevantes que legislam e que param uma manhã no Senado para falar...
A medicina mudou, nós estamos falando de telemedicina, de inteligência artificial, de inovação, mas vamos retornar àquele princípio fundamental que dá esperança para a vida das pessoas: humanidade, e isso nós não podemos perder. O que será de nós se o nosso país só inovar? Se nós substituirmos as pessoas por robôs? Não é sobre isso que nós temos que falar. Ao buscar esse recurso, mais do que um recurso para o hospital inteligente, eu busquei inovar no Brasil para fazer melhor. Eu estou buscando atender mais gente no menor espaço de tempo. Eu quero devolver aquele pai de família que teve um AVC e que perdeu o tempo da chamada janela de tratamento... O AVC é uma obstrução na circulação cerebral; se eu não conseguir desobstruir aquela circulação em três horas, esse pai de família nunca mais vai levar o filho dele à escola, a mãe não vai ter o seu chamado pela manhã. E nós podemos mudar essa realidade. O Brasil tem resiliência, tem capacidade, tem inteligência, tem 215 milhões de pessoas, tem instituições fortes, democraticamente alicerçadas, que foram colocadas em discussão por muitos anos, e hoje nós temos certeza da sustentabilidade dessas instituições que nos mantêm como um país democrático e um país que olha para o futuro. Esta manhã, para mim, é muito importante, é uma manhã de reflexão sobre o caminho do médico, do profissional de saúde, do professor. E este Senado, que tanto faz pela educação e pela saúde, foi quem aprovou o orçamento e o financiamento do primeiro hospital inteligente do SUS, do Brasil, que não é uma obra arquitetônica faraônica, mas é uma mudança de concepção. O hospital inteligente vai usar toda a inovação para fazer o paciente chegar antes aonde ele quer, aonde ele precisa chegar, ao tratamento para aquela pessoa - para aquela pessoa, que tem uma família, que tem uma história, que tem uma biografia. Eu me inspiro muito em Nise da Silveira: não é o paciente um, dois, três e quatro - e eu sempre falei isso muito aos meus residentes ao longo de tantos anos cuidando de formação humana -, é o paciente fulano de tal, que tem uma história, que tem uma biografia, que tem uma vida. Nós cuidamos de vidas, não cuidamos de sistemas, de órgãos e tecidos.
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Nós somos capazes, sim, de mudar a realidade deste Brasil, e quando a gente está aqui, enaltecendo tudo o que já foi conquistado, também é o momento de nós fazermos um chamado e, ao mesmo tempo, uma reflexão para o futuro. Nós podemos fazer muito mais. O Senado, o Congresso Brasileiro, o Governo - o Executivo -, o Judiciário e nós, população civil, devemos investir em nossos professores, na formação de gestores públicos, na valorização dos profissionais da saúde, porque essas pessoas levam justiça social para quem precisa, mudando a realidade das pessoas. É nisso que eu acredito.
Eu concluo a minha fala dizendo que hoje é um dia de muita alegria para mim, de muita emoção e, ao mesmo tempo, de renovar o meu compromisso público de ser leal a todas essas causas em que eu acredito: a valorização da saúde das pessoas e da educação como a principal ferramenta de transformação de um país e a valorização da boa política pública, que tem como desejo final mudar as realidades das pessoas.
Meu muito obrigada. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Parabéns pelas belíssimas palavras, nossa querida Dra. Ludhmila Hajjar. Queria lhe dizer, inclusive, Dra. Ludhmila, que também votei na senhora, viu? (Risos.) Votei na senhora. Foi uma luta aqui para a gente conseguir ter esse espaço para vocês.
Agora eu quero convidar o nosso Senador Nelsinho Trad para as suas saudações e considerações.
O SR. NELSINHO TRAD (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Para discursar.) - Presidente, V. Exa. permite que eu fale daqui? Vou ser bastante breve.
Quero homenagear, neste momento tão solene, aqueles que foram agraciados: Guilherme Thiago de Souza, Dra. Ludhmila, Sheila Christina Santos Moraes e, in memoriam, Nise Magalhães da Silveira.
Cumprimento a Dra. Eudócia, cumprimento o Senador Randolfe, a Senadora Soraya e o Senador Mourão, que teve que presidir outra sessão. Cumprimento aqui a Senadora Daniella, que antes era a mãe de Lucas Ribeiro; agora, Lucas Ribeiro Governador, ela vai ter que sair por aí falando que é a mãe do Governador. E ela disse: "Não mudou nada, Nelsinho, continua Lucas do mesmo jeito".
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Cumprimento aqui também, com muito carinho, os Ministros Schietti, Benedito Gonçalves, Francisco Falcão - o Ministro Benedito teve que sair -, o Deputado Paulo Teixeira; cumprimento a Dra. Guiomar, cumprimento todo o time da Dra. Ludhmila, que está sentado ali. Eu sou um produto de vocês, passei por vocês recentemente. Cumprimento também a Liana, nossa Primeira-Dama do Senado.
Quero apenas dizer a todos que eu estou Senador, eu sou, na verdade, médico, sou urologista e tenho, em um dia de hoje, para com os meus pacientes, essa mesma dedicação e consideração que a Ludhmila tem para com todos nós. Eu me enxergo em você, Ludhmila, na certeza de que o perfil desse paciente de hoje mudou.
Esses dias, eu fui pegar minha correspondência no consultório, que é ativo até hoje. Eu tenho quatro urologistas que atendem. Eu sou urologista. Fideliza mais o paciente. Digo para você que, ao passar pela sala de espera, Ministro Schietti, uma senhora sentada, já de idade, com um menino, que depois eu vim saber que era o seu neto, falou: "Olha o Dr. Nelsinho aí". Quem me conhece de médico não me chama nem de Prefeito nem de Senador, chama-me de Dr. Nelsinho. Aí eu parei, fui cumprimentá-la, e ela falou: "Dr. Nelsinho, o senhor foi médico do meu esposo, que já faleceu há três anos. O senhor está atendendo?" Eu falei: "De vez em quando, eu atendo". "Ah, eu quero consultar com o senhor." Falei: "Mas a senhora já passou o convênio com outro médico. Não fica bem para mim. Com quem a senhora vai consultar?" "Vou com o Dr. Ari". Eu falei: "Ele é meu médico" - inclusive, de dentro da minha clínica. "Não! Eu quero consultar com o senhor." Aí insistiu tanto, que eu falei: "Então, venha cá". Peguei, entrei na minha sala. Ela sentou na minha frente, e o neto aqui. "D. Filomena! O que foi, D. Filomena?" Ela falou: "Eu estou com uma dor lombar, nas costas, e eu vim aqui porque me falaram que pode ser pedra nos rins". É minha especialidade ver isso. Aí o neto dela falou: "Eu posso falar?". Eu falei: "Pode". Para vocês verem como que mudou o perfil do paciente. "Dr. Nelsinho, eu já pesquisei na internet, e o que a minha avó pode ter é o seguinte: ela pode ter um cálculo no rim; ela pode ter um cálculo no ureter, que é o canalzinho; ela pode ter hérnia de disco; ela pode ter contratura muscular; ela pode ter herpes zóster. E tem mais, eu continuei pesquisando, e o senhor tem que pedir os seguintes exames: o senhor tem que começar com o exame de urina; depois o senhor pede um ultrassom; depois o senhor pede uma tomografia; depois o senhor pede uma ressonância. Aí tem mais, Dr. Nelsinho, eu já olhei aqui, o senhor tem que passar os seguintes remédios..." - e foi falando. Aí ele acabou. Ela falou: "Cala a boca, menino". Eu olhei bem para eles e falei: "Mas tem uma coisa que você não achou lá". Ele falou: "O quê? Eu sou bom nisso aí, eu pesquisei tudo, não tem o que eu não achei". "Isto que eu vou te falar, você não o achou". Ele falou: "O que é?". Eu falei: "D. Filomena, por favor, levanta". Levanta, Eudócia. (Risos.) Eu falei: "Isto aqui você não achou". (Pausa.) (Palmas.)
Aí ela falou "sarei", depois do abraço. (Risos.)
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É isso que você falou, Ludhmila. O avanço da tecnologia - até me emociono -, com a questão humana de você lidar com as coisas na medicina, jamais vai ser superado. Jamais vai ser superado. Porque vocês não têm noção de como é gratificante, para nós, poder fazer a diferença nessa área da saúde para uma pessoa que está sofrendo. Vale qualquer telefonema na madrugada, vale a gente poder sair. De vez em quando, eu deixo até o meu celular ligado, não perdi o costume de alguns pacientes ligarem. Às vezes, o Kassab, que trabalha a noite toda, liga às 4h da manhã e fala - e lá são 3h; em Campo Grande, é uma hora a menos -: "Nelsinho, como é que está o PSD aí"?. Eu falo: "Está dormindo, Presidente, são 3h da manhã, vai estar fazendo o quê?".
Mas é para vocês verem que a medicina é um dom, é uma coisa divina, de Deus: aquele que nasceu para ser médico nunca vai deixar de ser, porque ele existe para tentar terminar com o sofrimento das pessoas. Se não conseguir terminar com o sofrimento, pelo menos existe para poder aliviar. Se não conseguir aliviar, existe para poder consolar. É esse o nosso princípio, tenho certeza.
Um abraço a todos que foram homenageados e parabéns pela iniciativa desta sessão. (Palmas.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB. Para discursar.) - Antes de concluir, gostaria de um aparte; perdão, pela ordem.
Eu gostaria de, na pessoa da nossa querida Liana Alcolumbre, registrar aqui todo o apoio do nosso Presidente Davi Alcolumbre, para que esta sessão pudesse acontecer. Nosso Presidente tem um compromisso... Quem conhece Davi, quem conhece o nosso Presidente Davi, sabe que é uma das pessoas mais sensíveis que eu já conheci na minha vida.
Liana, vocês dois são realmente uma só carne, a gente vê o quanto vocês são ligados, até pelo olhar de se entenderem.
Eu gostaria também de aqui homenagear o nosso querido Presidente Davi, porque Davi, na sensibilidade também do seu mandato e dos seus mandatos aqui tanto no trato com os Senadores, colegas, que no dia a dia trabalham, tanto na sensibilidade com relação também ao tema da mulher. Foi através do Presidente Davi que um primeiro Congresso, um primeiro Parlamento do mundo inaugurou uma primeira Sala Lilás para atendimento a mulheres vítimas de violência. Isto eu gostaria de dizer: por onde vocês andarem - os Ministros que tantas vezes dão palestras fora, no exterior -, que vocês possam levar isso. Porque, no Brasil, a gente gosta, infelizmente, muitas vezes, a gente gosta - não, eu não gosto, eu particularmente não gosto de falar mal do meu país, nem do meu estado, nem... Muito pelo contrário, eu gosto sempre de pensar que a gente pode melhorar. Mas é motivo de orgulho, porque a violência contra a mulher não é algo que é do Brasil, é do mundo inteiro. Mas foi aqui no Brasil que nós tivemos através de um homem, do Presidente do Parlamento - graças a Deus, com a sensibilidade que juntos, na conversa com ele, imediatamente -, que não só apoiou como nós temos a polícia legislativa atendendo a essas mulheres. São mais de 30 mil pessoas que passam pela Casa, pelo Senado, todo mês, e as pessoas que lá são acolhidas, porque foi inaugurada há um mês, não são só servidoras, mas qualquer mulher. Na frente, nós temos o sistema de saúde, nós temos pessoas que já foram capacitadas, assistente social e psicóloga, e os encaminhamentos necessários para essa mulher e essas crianças que, na maioria das vezes, estão com elas.
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Então, eu gostaria de fazer esse registro por dever de ofício e, tenho toda certeza, com o apoio de todos e todas as colegas. Nosso Presidente Davi tem feito a diferença no Senado Federal, na sua liderança, com a sua liderança, sob a sua liderança, apoiando projetos, apoiando as nossas ações, apoiando a Bancada Feminina e apoiando os temas de que o Brasil precisa. E é assim que ele entende, o Brasil precisa entrar no outro patamar: projetos de Estado, não projetos de Governo.
Muito obrigada, Presidente. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Muito bom. Eu quero aqui cumprimentar, mais uma vez, a minha amiga, a Senadora Daniella Ribeiro, pelo seu filho, pelo Lucas Ribeiro, que agora é o Governador da Paraíba.
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) - Esse negócio fica entregando muito a idade... Eu vou dizer a verdade a vocês, eu me casei muito cedinho. (Risos.)
Só para complementar, eu até disse para ele no outro dia: "Lucas, eu estou me sentindo do mesmo jeito". Ele disse: "Mãe, eu também". Eu disse: "Que bom, a gente tem o pé no chão".
E isso meu pai me ensinou, só para complementar, porque ele foi Prefeito de Campina Grande durante seis anos, e, quando ele olhou - ele entrando, uma multidão entrava com ele, para tomar posse - para o ex-Prefeito que estava saindo, e aquele ex-Prefeito saía com quatro pessoas, ele olhou para isso e disse assim: "Aquele sou eu daqui a seis anos". Isso ele levou durante os seis anos e ensinou para a gente desde pequeno.
Então, gente, o poder passa. O que não passa é a oportunidade de a gente fazer onde a gente estiver, seja no poder, seja em qualquer tipo de poder, ou em qualquer lugar, seja ele do menor ao maior. E aqui eu falo porque nós temos aqui servidores desta Casa que fazem a diferença no lugar em que alguém poderia dizer: "É um lugar menor". Não é, porque se não tiver limpeza, a gente aqui não trabalha. Se não tiver serviço, se não tiver café, a gente aqui não aguenta o dia todo. Se não tiver cada ação que cada um faz.
Então, eu queria deixar essa palavra sobre isso. Que nunca e jamais, e aqui principalmente para nós políticos, nunca e jamais seja sobre o poder. A autoridade é Deus que nos dá - o poder é dele.
Obrigada.
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Belas palavras, Senadora Daniella.
Então, eu quero aqui parabenizá-la, Daniella, por ter o seu filho aí, governando a Paraíba. Com certeza, vai fazer toda a diferença. E você vai orientá-lo com os seus princípios cristãos, baseados na Bíblia. Acho muito lindo o seu discurso. Você sempre fala no nosso bom Deus, no nosso Jesus, e isso é motivo de muita alegria para mim, enquanto cristã, enquanto Senadora. Parabéns.
Quero cumprimentar a minha amiga Senadora Soraya Thronicke, que chegou agora há pouco tempo. Soraya, você é uma bênção também, viu, minha amiga? Eu me espelho muito em você.
E agora eu concedo a palavra ao Senador Randolfe Rodrigues, nosso querido Senador Randolfe.
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O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - AP. Para discursar.) - Minha querida Presidente Eudócia, que muito bem dirige esta sessão!
Quero cumprimentar também a Senadora Daniella Ribeiro e, ao cumprimentá-la, destacar, nos melhores termos, cumprimentá-la pela indicação da querida Dra. Ludhmila e destacar a escolha que V. Exa. fez.
Minha querida Senadora Soraya Thronicke.
Eu quero também estender meus cumprimentos ao meu caríssimo Paulo Teixeira, Deputado Federal, Ministro de Estado.
Cumprimento também os Srs. Ministros do Superior Tribunal de Justiça: Ministro Rogério Schietti; Ministro Francisco Falcão; e Ministro Benedito Gonçalves, que ainda há pouco também estava aqui conosco.
Minha querida amiga Liana Andrade Alcolumbre, Primeira-Dama do Congresso Nacional, é uma enorme alegria para nós estar conosco aqui nesta sessão.
Aos homenageados: meu caríssimo Dr. Guilherme; minha caríssima Dra. Sheila; Nise da Silveira, que dá nome à comenda e também, in memoriam, é por nós hoje homenageada; e minha querida Ludhmila.
Peço permissão aos homenageados porque tem traços em comum das homenagens a V. Exas. que também se confundem com a homenagem e a comenda que é entregue agora à Dra. Ludhmila Hajjar. As personalidades de V. Exas. têm em comum o sentido da expressão da medicina. Medicina - embora o Dr. Guilherme seja engenheiro -, mas medicina vem do latim, a arte de curar. Tem interpretações distintas, não é, Ludhmila? O mederi, para alguns, significa curar, tratar, cuidar bem. Cuidar, talvez, seja a melhor definição para medicina.
Presidente Eudócia, nós estamos na primeira semana após a Páscoa - a Páscoa foi no último domingo. O calendário cristão tem na Páscoa a sua principal data, tem significado diagnóstico disso. O calendário, inclusive, que o Gregório XIII definiu para nós, em 1583, foi a partir da inspiração da Páscoa como centro. A ampla maioria dos que estão aqui, acredito, são discípulos deste Cristo ressurrecto no último domingo. O calendário cristão, como eu disse, define a Páscoa para ser no primeiro domingo de lua cheia após o equinócio - que, Ludmila, acontece lá no nosso Amapá, não é, Liana? Lá é onde nós o vemos. O Corpus Christi é 60 dias depois da Páscoa, então a Páscoa define o calendário, por uma razão de ser.
A ampla maioria de nós que aqui estamos somos discípulos de um Cristo que deixa como mensagem para nós que quem tem a palavra final é a vida, que a vida, ao final, vence a morte. É por isso que a Páscoa é o núcleo central do calendário nosso. É por isso que a Páscoa é a mensagem principal do Cristo. A ressurreição, a vitória da vida sobre a morte, ser a palavra final tem o sentido do fazer do cristão e de quem é discípulo do Cristo. Significa que, para nós, cristãos, Paulo Teixeira, temos que nos colocar, como princípio, à frente e na frente de todas as mortes evitáveis. Existem as mortes inevitáveis, é destino da existência e de tudo que ocorre no universo. O próprio universo, daqui a outros 10 bilhões de anos, deixará de existir. Existência é transitória, mas o Cristo que nós seguimos nos ensina que todas as mortes evitáveis têm que ter por nós a responsabilidade de nos colocarmos à frente. Então isso tem um sentido de ser, não é aceitável. Por isso, é princípio para o cristão repudiar toda forma de propagação da morte: seja o racismo, seja a misoginia, seja toda forma de discriminação, porque caminha e avança para a morte, porque cria as condições para a morte. É dever de nós, cristãos, discípulos do Cristo ressurrecto, fazer tudo para o triunfo da vida.
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Ludhmila, tem cinco séculos que separam o Cristo ressurrecto de um outro filósofo que inspira a prática de vocês na medicina: Hipócrates. Hipócrates, no seu juramento, em dois trechos do juramento, diz, em amplo e em completo tom, o seguinte: é princípio meu, enquanto médico, defender o tratamento para com o outro - em palavras simples, diz assim -, o tratamento para com o outro, respeitando a individualidade destes. É princípio meu, como médico, não passar medicamentos e remédios que não tenham base nos estudos e nas pesquisas que faço. Em uma rápida tradução, tem dois trechos do juramento de Hipócrates que me parecem fazer essa referência.
Eu faço essas duas referências, faço essas duas assertivas, uma sobre um indivíduo, um cidadão, Galileu, conhecido como filho de Deus, que inspirou toda a era como nós conhecemos hoje. E sobre aquele que fez o primeiro juramento, que é a base para a medicina que viveu cinco séculos antes, para fazer referência e destacar o papel de senhores ao receberem essa comenda. Hipócrates, cinco séculos antes, tinha tudo a ver com o ensinamento do Cristo, cinco séculos depois. Ambos tinham a defesa da vida como valor central. Hipócrates, detalhando sobre a ciência, dizia que uma das recomendações e posturas do médico era nunca recomendar e aplicar medicamentos que não tivessem base na ciência.
Falo isso para você, Ludhmila, porque no momento mais dramático da vida desta nação, da humanidade no último período, durante a pandemia da covid-19, a sua voz se levantou em função do conhecimento, a sua voz denunciou tratamentos que não tinham base na ciência, a sua voz salvou milhares de vidas. E a pandemia da covid-19, querida Ludhmila, fica na história. Não sou, não tive competência para ser engenheiro, Doutor, não tive competência para ser enfermeiro, nem tive competência para ser médico. Eu sou historiador. Como historiador, Ludhmila, posso dizer para você: a história coloca no altar da honra, e a história, também, ao mesmo tempo, coloca no piso da desonra. É no altar da honra daqueles que defendem a vida humana que você está colocada, porque, no momento mais dramático da vida nossa, você foi uma voz a favor da ciência, a favor do conhecimento, com lealdade ao juramento de Hipócrates ao não recomendar nenhum tipo de tratamento que o conhecimento não tivesse levado a tanto. Ludhmila, em nossa homenagem, e refuto aqui o que Daniella - reitero, perdão, aqui o que Daniella -, ainda há pouco, colocou, Ludhmila: sua escolha, entre outros atributos, para receber, junto com Sheila, junto com o Dr. Guilherme, a comenda com o nome de Nise da Silveira se dá também pela iniciativa dos hospitais inteligentes. A iniciativa dos hospitais inteligentes é dentro, a que você arquiteta e organiza, do âmbito do Sistema Único de Saúde. À sua trajetória eu não precisaria fazer essa referência. Você está muito bem, você tem a realização, teria a realização da medicina privada, mas você vem da universidade pública, você se dedica à universidade pública, e você descreveu, como poucos aqui, o sentido do Sistema Único de Saúde, a maior - talvez a maior, junto com a democracia, a maior - conquista que os brasileiros tiveram nos últimos 30 anos.
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Antes do Sistema Único de Saúde, nós tínhamos duas formas de tratar as pessoas, os cidadãos: aqueles que tinham dinheiro iam para a medicina privada, aqueles que não tinham eram tratados como indigentes, Paulo Teixeira, iam para o Instituto Nacional de Previdência Social, era para o Inamps que iam. Depois do SUS... Com o SUS, o Constituinte criou e organizou neste país o maior sistema público de saúde do planeta. E fez mais que isso: criou um sistema público de saúde gratuito universal. Se no dia de hoje um norte-americano sofrer - que Deus o livre e guarde - algum tipo de acidente, fraturar o braço, se tiver qualquer enfermidade, uma unidade básica de saúde o socorrerá. Se esse mesmo norte-americano sofrer esse mesmo acidente, Sheila, lá nos Estados Unidos, ele terá que pagar para ter isso. Esta é a diferença do Sistema Único de Saúde que nós constituímos e inauguramos no Brasil: é universal. Não é para brasileiros somente, é para todo indivíduo que tiver assento ou que estiver aqui no Brasil, Sistema Único de Saúde público, gratuito, universal.
E o terceiro elemento desse sistema: sob controle social. A qualidade dele é fiscalizada a todo tempo sobre a participação da sociedade nos conselhos que o constitui. Isso foi a grande conquista dos brasileiros, junto com a democracia. Por ambos temos que zelar, tanto pela democracia quanto por esse sistema único público de saúde. Tem suas vicissitudes, mas a sua existência em si já é uma virtude.
Esse Sistema Único de Saúde precisa de médicos, Sheila, precisa de enfermeiros, meu caríssimo Guilherme, precisa de médicos que se apaixonem por ele.
E me permita, Ludhmila, você é uma devotada, apaixonada por esse sistema de saúde. O que você projeta com o financiamento do Brics, dirigido pela querida Presidente Dilma Rousseff, é uma revolução na condição do Sistema Único de Saúde para os próximos anos. É a compreensão que você tem de que a mesma qualidade que se tem aqui no DF Star, que se tem em alguns hospitais da Rede D'Or, é direito de todo cidadão brasileiro ter - e terá, com um hospital inteligente. Você traz para o Sistema Único de Saúde os princípios de redução de tempo, porque é bom ter um tratamento digno de saúde, é bom estar no hospital, mas vamos combinar, não é, Ludhmila? Você sabe, eu sou um desses, ninguém gosta de ficar muito tempo em hospital, nós queremos passar o menor tempo. A gente ama os médicos, mas, sobretudo, quando eles consultam a gente e nos liberam. Isso é da natureza de cada um de nós. Reduzir o tempo no atendimento é dignidade para as pessoas que pode ser trazida para o Sistema Único de Saúde. Ter precisão no diagnóstico é algo que só é possível com essa revolução que pode haver a partir dos hospitais inteligentes. Nós vivemos tempos de transformações profundas. Talvez há um século, Soraya e Eudócia, o mundo não viva tempos de tantas transformações. O conjunto dessas transformações traz virtudes também. A tecnologia existe para isso. Lamentavelmente, o conjunto dessas transformações traz pecados e vicissitudes também. Espalhar fake news, desvirtuar e disseminar ódio através de um tal de algoritmo que advém dessa história de redes sociais são dos traumas e vicissitudes do nosso tempo. Cabe a nós... tem uma frase que diz, Ludhmila: a gente não escolhe o tempo em que vivemos, mas nós podemos escolher o que fazer para transformar para os outros humanos o tempo que vivemos. Usar a tecnologia para aperfeiçoar o Sistema Único de Saúde, a melhor conquista dos últimos 30 anos, como eu já disse aqui, é algo que tem profundo fundamento e base no juramento de Hipócrates e nos princípios que o Cristo ressurrecto deixou para todos nós. Sempre que necessário... mortes evitáveis não são aceitáveis. Sempre, mortes evitáveis têm que ser impedidas. A vida sempre tem que ter a palavra final: esse é o ensinamento do Cristo, isso está no juramento de Hipócrates, mas está também na prática diária do que você e vocês estão fazendo.
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(Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Agora, eu solicito à minha querida amiga Senadora Soraya Thronicke ser Presidente, enquanto eu faço algumas considerações. (Pausa.)
(A Sra. Dra. Eudócia deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pela Sra. Soraya Thronicke, Suplente de Secretário.)
A SRA. PRESIDENTE (Soraya Thronicke. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MS) - Com a palavra a Senadora Eudócia.
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL. Para discursar.) - Sra. Presidente, Srs. Senadores e Senadoras, colegas aqui presentes, senhores que receberam a comenda, que foram indicados, especialmente minha amiga Ludhmila Hajjar, que, por ser médica, entende todo o conceito desta reunião, também a Sheilinha, quero cumprimentar, colegas Deputados, advogados, nossa querida Primeira-Dama aqui do Senado, todos aqui presentes.
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É, com imenso prazer, Presidente - com imenso prazer e alegria -, que acabo de receber esta grande notícia, e aqui eu quero falar para toda a população brasileira: meu querido Brasil, meu povo brasileiro, queridas cidadãs e cidadãos brasileiros, querido povo de Alagoas, é, com imensa alegria e emoção, que coloco para todo o Brasil e especialmente para o meu Estado de Alagoas, na presença aqui dessa grande mulher Dra. Ludhmila Hajjar, que o Presidente da República acabou de sancionar, sem vetos, a Lei nº 15.379, de 2026, da minha autoria, esse projeto de lei que prevê a adoção da imunoterapia em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do câncer quando se mostrar superior ou mais segura que as opções tradicionais. E aqui é mais do que um avanço normativo, é um passo concreto na construção de uma política pública de saúde mais moderna, mais resolutiva e mais justa.
E aqui eu quero cumprimentar, em nome das pacientes, a Cintia, que é uma paciente, uma querida amiga e paciente metastática que está precisando iniciar o uso da imunoterapia, que se faz aqui presente. Cintia, na sua pessoa e na pessoa da Kazumi, que representa a ONG Escolhemos Viver, eu quero aqui cumprimentar todas as ONGs, todas as lutas que vocês vêm tendo no Brasil. E aqui eu falo com toda a minha alegria, toda a minha... Eu estou muito emocionada, pessoal, foi muita luta para a gente chegar... Foi muita luta! (Palmas.)
Obrigada, Deus. E, abaixo do Senhor, obrigada, meus colegas Senadores e Senadoras que votaram aqui neste Plenário favoravelmente, meus queridos Deputados e Deputadas que aprovaram também lá na Câmara. É com muita alegria que estou aqui colocando isso para o nosso querido Brasil.
Senadora Soraya, é uma luta de um ano e três meses. Foi um dos meus primeiros projetos de lei aqui, de que, na verdade, eu sou Relatora. Estava parado há cinco anos. A autoria é do nosso querido Deputado Federal Bibo Nunes. Estava parado, Dra. Ludhmila, durante cinco anos, aqui no Congresso Nacional. Chegou ao Senado, eu já pedi ao nosso querido Davi Alcolumbre para eu ser a Relatora, e ele atendeu o meu pedido. E agora, com muita luta, estamos colocando isso na manhã de hoje. Que esta manhã seja inesquecível! E aqui eu quero agradecer a sensibilidade do Presidente da República de ter sancionado, sem vetos - motivo de muita alegria.
E aguardamos a sanção do Projeto de Lei 126, de 2025, que coloca o marco regulatório da vacina contra o câncer, vacina essa que ainda está em estudo, mas fará toda a diferença também no tratamento dos pacientes oncológicos.
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Vamos juntos, gente, vamos continuar lutando! (Palmas.)
Não vamos desistir, não vamos desistir!
Continuemos avançando, para que os nossos pacientes oncológicos tenham direito à terapia de ponta para o tratamento do câncer e não mais padeçam na fila com indicação de imunoterapia, sem ter acesso à imunoterapia, como faleceu a nossa querida Dany Catunda, que começou o tratamento com imunoterapia, Sra. Presidente, e infelizmente veio a óbito, porque faltou a imunoterapia para dar continuidade ao seu tratamento.
Então, quero deixar para vocês a minha alegria, a minha satisfação, a minha emoção de poder estar dizendo aqui a cada um de vocês, a cada paciente oncológico do meu querido Brasil, do meu querido Estado de Alagoas que agora vocês têm o direito de ter o tratamento com as imunoterapias. E essas imunoterapias que estão nesse protocolo clínico desse projeto de lei são as oito imunoterapias que já constam no rol da ANS. No SUS, só tinha duas imunoterapias, e agora nós temos oito - oito - imunoterapias. Do mesmo jeito que a rede privada e a rede suplementar têm acesso a essas imunoterapias, que são oito, pela ANS, o SUS também terá. Então, você que depende totalmente do SUS terá acesso também a esse rol de imunoterapias.
Vamos juntos, avançando, para que diminua cada vez mais o índice de mortalidade pelo câncer, doença essa que é a segunda que mais mata no nosso país e em todo o mundo.
E vamos lutando, gente. Muito grata.
Obrigada a Deus e obrigada a cada um de vocês que me inspiraram.
Juntos, lutamos e trabalhamos, para chegarmos a este momento de termos um projeto de lei que se tornou lei no nosso país, graças a Deus.
Um grande abraço a cada um de vocês que acompanhou, que acreditou na Senadora Eudócia e que acreditou que iríamos chegar com esse projeto de lei, avançando, e sendo sancionado, e se tornando lei.
Muito obrigada a todos vocês. (Palmas.)
Parabéns à Kazumi, parabéns à Cíntia. Nas pessoas de vocês, eu parabenizo e congratulo a todos os pacientes oncológicos do nosso Brasil.
Muito obrigada, Sra. Presidente. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Soraya Thronicke. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MS) - Muito obrigada, Senadora Eudócia.
Entrego-lhe a Presidência.
(Intervenção fora do microfone.)
A SRA. PRESIDENTE (Soraya Thronicke. Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MS) - Aguardo. (Pausa.)
(A Sra. Soraya Thronicke, Suplente de Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pela Sra. Dra. Eudócia.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL) - Concedo a palavra à Senadora Soraya Thronicke.
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A SRA. SORAYA THRONICKE (Bloco Parlamentar Democracia/PODEMOS - MS. Para discursar.) - Acho que estamos na saideira, né? Eu creio que sim.
Cumprimento, Sra. Presidente, em seu nome, todos os colegas e as colegas, principalmente a Senadora Daniella, que aqui esteve, pela proposição, e cumprimento também todos os agraciados: Dr. Guilherme Thiago de Souza, também Sheila Christina Santos Moraes; em memória, Nise da Silveira, e a minha querida amiga, médica e grande exemplo, Ludhmila Hajjar.
Em nome do Dr. Rogerio Schietti, do nosso Ministro, cumprimento as demais autoridades do Judiciário e do Executivo, do Ministro Paulo Teixeira. Cumprimento também a nossa Primeira-Dama, que aqui está. Prazer tê-la conosco; deveria estar aqui conosco. Obrigada pela tua presença.
Considerando o contexto internacional, nós vivemos um momento de guerras que estão em curso, guerras que estão sendo deflagradas e guerras sendo ameaçadas. Dentro de um contexto nacional, nós vivemos um momento de muita violência. Não a violência em geral, com o que nós já estamos acostumados, mas um número significativo e preocupante de violência contra a mulher. Nós nos deparamos com a banalidade do mal, com a banalidade da vida, principalmente da vida das mulheres. Daí a importância de se cuidar do ser humano de uma maneira holística, Dra. Ludhmila. Apesar de ser cardiologista, cuida das pessoas, dos seres humanos, como também é o caso da nossa Senadora Eudócia, do Nelsinho, que é muito espirituoso - muito espirituoso.
Eu creio que os senhores já ouviram o termo dissonância cognitiva coletiva, com que pessoas hoje, no Brasil e no mundo, negam a ciência, negam o óbvio ululante. E em homenagem... Posso chamá-la de você, né, Ludhmila? A gente está em família aqui já, né? Quatro paredes. Em homenagem a ti e à Nise da Silveira, precisamos focar na saúde mental, no ser humano como um todo, com uma verdadeira intervenção psiquiátrica no SUS. Precisamos cuidar da saúde mental, porque não adianta a gente curar, conseguir salvar aquela moça aqui, no DF, que levou 15 facadas do ex-namorado - e assim tem acontecido -, se nós não cuidarmos da saúde mental, essa saúde que você, Doutora, tanto preza.
O nosso SUS, construído com muito orgulho, exemplo realmente de saúde no mundo, foi construído para ser perfeito. E quando os brasileiros reclamam - é importante colocar isso -, não é por falta de dinheiro; é por falta de gestão. Na verdade, a nossa gestão é tripartite. Então, para quem não entende, para as pessoas que estão nos ouvindo, dependemos de um Governo Federal, 27 gestores, Governadores, 27 unidades da Federação e 5.569 prefeituras tocando a saúde. Então, não é falta de dinheiro, porque metade do nosso orçamento... Eu vou implorar lá para o Ministro Paulo Teixeira recursos para a agricultura familiar, mas os ministérios vivem assim, com cobertor muito curto. Mas a saúde não, tampouco a educação, a questão é gestão.
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Bom... Dra. Ludhmila, como sua paciente desde a covid-19, eu preciso lhe dizer da segurança que eu e a minha família sentimos em suas mãos. Nós a conhecemos profissionalmente, a priori, e agora conhecemos a Dra. Ludhmila, além de grande profissional, o ser humano maravilhoso que você é. A sua sensibilidade, seu carinho, a sua presença certeira e rápida, na hora certa, o seu puxão de orelha na hora certa, justo sempre...
E vejo também que é uma grande estrela, e que, no seu entorno, tem uma grande constelação, porque os profissionais que trabalham com você são estrelas também. Daí a grandiosidade da sua alma, de fazer as pessoas brilharem do seu lado.
Então, aqui eu quero lembrar que Dra. Ludhmila foi cotada para Ministra da Saúde, e eu acredito muito em Deus, muito, e eu pergunto: "Ó, Deus, por que fizeste isso conosco?". "Por que não deu certo que Dra. Ludhmila Hajjar, naquele momento tão difícil de pandemia, fosse a nossa ministra?". Mas Deus sabe os motivos. Deus sabe os porquês. Um dia, nós saberemos.
Na campanha à Presidência, em 2022, mesmo sabendo que eu não tinha chance nenhuma... Eu faço tudo com muito afinco, então, é óbvio que eu construí o meu plano de governo com todas as pastas e escalei a minha seleção de dez estrelas, de mil estrelas, uma seleção vencedora de ministros, e Ludhmila Hajjar seria a minha Ministra da Saúde. (Palmas.)
Não sei o que a vida nos reserva - "Ó, Deus", de novo -, mas eu tenho certeza, com respeito ao Ministro Padilha e a todos os ministros que vieram, mas, naquele momento, naquele momento, eu não sei qual foi, que carma é esse dos brasileiros, o que aconteceu conosco, mas, infelizmente, não foi naquele momento.
E, para terminar, eu gostaria de contar para vocês, fazer uma confidência, uma particularidade: eu tenho, na minha mãe, uma pessoa, assim, de extremada virtude. Reta, inteligente, dedicada, tudo, tudo, tudo, tudo. Então, eu não tenho temor por ela. Eu tenho é um temor reverencial, muita reverencia. Então, eu sempre brinquei, assim, que ninguém me põe cabresto, ninguém grita comigo, ninguém fala - nem a minha mãe grita... Mas na hora em que eu chego perto da minha mãe, ela olhou, eu abaixo a cabeça.
Estava falando com Daniella: lá em casa, não tem Senadora; na casa da Daniella, não tem Governador; porque filho é filho e nossos pais são nossos pais. Mas aconteceu algo: depois que eu conheci Ludhmila, gente, tem duas mulheres pelas quais eu tenho reverência e para as quais eu bato continência. Dra. Ludhmila Hajjar, a você toda a reverência do mundo, toda a minha honra. E quero que você possa realizar muitos e muitos mais sonhos, porque, apesar de chegar a esse ápice de carreira, a esse reconhecimento nacional e internacional, no SUS, no privado, na academia, ainda tem muitos sonhos a realizar, muitos. Então, eu sei que a tua força, a tua energia são impressionantes, porque, Ministro Rogerio, eu não sei como ela atende as pessoas tão rápido, e todo mundo. É uma coisa impressionante. Eu não consigo, mas ainda chegarei lá; como sua paciente, você vai me pôr na linha um dia, eu tenho certeza.
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Agora, eu quero te dizer para contar conosco aqui para que consiga realizar todos os seus sonhos. Aqui em mim você tem uma pessoa que vai fazer de tudo sempre para que seus projetos sejam aprovados. Tem dia que nós... Como eu lhe disse, tem dia que a vida aqui não é fácil, como foi esse projeto da Senadora Eudócia, a quem eu parabenizo novamente. Tem dia aqui que nós precisamos de também uma intervenção psiquiátrica aqui entre os Senadores, porque teve um projeto de lei aqui, da questão da prova de proficiência, que, naquele dia, os Senadores viraram crianças (Risos.) porque a briga foi muito grande. Por quê? Porque nós compramos a sua ideia... Não, a sua certeza do que estava dizendo. E, quando alguém fala de cátedra, como V. Sa. fala, como você fala, nós abaixamos a cabeça. Então, conte comigo, conte conosco - não é, Eudócia? -, para que você realize não só os seus sonhos, mas os sonhos de todos os brasileiros, que é ter uma saúde de primeira, justa e humana. Muito obrigada a todos, parabéns a vocês.
(Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Dra. Eudócia. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - AL. Para discursar - Presidente.) - Eu quero só dizer também - viu, Senadora Soraya? - que eu sou paciente também da Ludhmila, da Dra. Ludhmila, e um dia eu chego lá também para seguir à risca o que você me orientou.
Eu quero agora fazer o discurso do nosso querido Senador Hamilton Mourão para homenagear ao Sr. Guilherme Thiago de Souza, uma vez que ele teve que se ausentar para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Senhoras e senhores, ilustres autoridades, familiares e amigos do agraciado Guilherme Thiago de Souza, reunimo-nos hoje para conferir a Comenda Nise Magalhães da Silveira a um brasileiro cuja atuação em um dos períodos mais difíceis da história recente foi marcada por inteligência, coragem e compromisso com a vida.
Ao evocarmos o nome de Nise Magalhães da Silveira, lembramos a importância de humanizar o cuidado e a saúde, lembramos que ciência e sensibilidade devem caminhar juntas. É exatamente nesse ponto que se encontra a trajetória do Sr. Guilherme Thiago de Souza.
Durante a fase mais aguda da pandemia da covid-19, quando o sistema de saúde enfrentava enorme pressão e as unidades de terapia intensiva operavam no limite, o Brasil precisava de soluções rápidas, eficazes e seguras. Sob a liderança de Guilherme foi desenvolvido o equipamento bolha de respiração individual controlada (Bric), um dispositivo de ventilação não invasiva com pressão positiva. A Bric tornou-se o único modelo fabricado no Brasil, aprovado pela Anvisa para essa finalidade.
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Sua utilização contribuiu significativamente para reduzir indicações de intubação e internações em UTI, oferecendo aos pacientes tratamento mais confortável e menos invasivo. Em sete estados brasileiros, milhares de vidas foram alcançadas por essa inovação tecnológica, que também permitiu remoções em UTI aérea, ampliando o acesso ao cuidado em momentos críticos. Mais do que um avanço técnico, essa realização simboliza a capacidade da engenharia brasileira de responder a desafios globais com soluções nacionais.
Como CEO do Grupo Roboris, Guilherme liderou uma equipe de profissionais que transformou um cenário de crise em oportunidade de servir ao país. Esta homenagem não é apenas o reconhecimento de um equipamento desenvolvido, é o reconhecimento de uma postura de alguém que, diante da emergência sanitária, escolheu agir, que colocou conhecimento e liderança a serviço da vida.
Sr. Guilherme Thiago de Souza, o Senado Federal lhe rende tributo pelo impacto concreto de sua contribuição durante a pandemia e pelo exemplo que deixa às futuras gerações de inovadores brasileiros. Receba esta comenda como símbolo da gratidão desta Casa e do respeito e da admiração da sociedade brasileira.
Muito obrigado.
Estou falando isso porque aqui assina o Senador Antonio Hamilton Martins Mourão.
Parabéns, Sr. Guilherme Thiago de Souza, pelos seus préstimos à nossa sociedade brasileira. Meus parabéns! (Palmas.)
Cumprida a finalidade desta sessão, agradeço às personalidades que nos honraram com sua participação.
Convido agora os agraciados para uma foto conjunta em frente à mesa.
Está encerrada a sessão.
(Levanta-se a sessão às 12 horas e 26 minutos.)