4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 30 de março de 2026
(segunda-feira)
Às 10 horas
22ª SESSÃO
(Sessão Especial)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão.

Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento nº 63, de 2026, de autoria da Senadora Damares Alves e de outros Senadores, aprovado pelo Plenário do Senado Federal.

A sessão é destinada a celebrar os 32 anos de criação da Agência Espacial Brasileira (AEB), órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais, instituído pela Lei nº 8.854, de 10 de fevereiro de 1994, bem como os 20 anos da Missão Centenário, marco histórico que levou o primeiro brasileiro ao espaço e projetou o nome do Brasil na história da exploração espacial.

Ao longo de mais de três décadas, a Agência Espacial Brasileira tem desempenhado papel estratégico na formulação, coordenação e execução da política espacial, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento científico, tecnológico e industrial do país. Suas atividades impactam diretamente áreas essenciais, como telecomunicações, monitoramento ambiental, observação da Terra, defesa, meteorologia, agricultura, planejamento urbano e gestão de riscos e desastres naturais.

A agência também exerce função relevante na promoção da soberania nacional, na inserção do Brasil em cooperações internacionais de alto nível e no estímulo à inovação, à pesquisa científica e à formação de recursos humanos altamente qualificados.

É oportuno destacar ainda que, em 2026, se completam 20 anos da Missão Centenário, que levou o Astronauta Marcos Pontes, então selecionado pela AEB, em parceria com a Roscosmos, a estação espacial internacional. Naquela oportunidade, ele se tornou o primeiro brasileiro, sul-americano e lusófono a ir ao espaço.

A realização desta sessão especial representa, portanto, justo reconhecimento à importância da política espacial para o desenvolvimento sustentável, a autonomia tecnológica, a soberania nacional e o futuro do Brasil, além de constituir a oportunidade para o debate institucional sobre os desafios e as perspectivas do setor espacial nacional.

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Convido para compor a mesa desta sessão especial os seguintes convidados, já presentes: Senador Astronauta Marcos Pontes; Sr. Marco Antonio Chamon, Presidente da Agência Espacial Brasileira (Palmas.); Sr. Major Brigadeiro do Ar Rodrigo Alvim de Oliveira, Chefe do Estado-Maior Conjunto do Comando de Operações Aeroespaciais, representando o Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno (Palmas.).
A Presidência informa que esta sessão terá a participação dos seguintes convidados: Sr. Major-Brigadeiro do Ar Marcos Aurelio Vilela Valença, Secretário de Coordenação e Assuntos Aeroespaciais da Presidência da República (Palmas.); Sr. Brigadeiro do Ar Sandro Bernardon, Chefe do Centro de Operações Espaciais (Palmas.); Sr. José Raimundo Coelho, Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) no período de 2012 a 2019; e Sr. Carlos Augusto Teixeira de Moura, Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) no período de 2019 a 2023 (Palmas.); e Sr. Raimundo Nonato Fialho Mussi, Gerente da Missão Centenário (Palmas.). Convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional Brasileiro, que será interpretado pela Banda da Base Aérea de Brasília, sob a regência do Suboficial Marcelo Mendes de Oliveira.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
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O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar - Presidente.) - Ao longo de mais de três décadas, a Agência Espacial Brasileira tem desempenhado papel estratégico na formulação, coordenação e execução da política espacial nacional, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento científico, tecnológico e industrial do país. Suas atividades impactam diretamente áreas essenciais, como telecomunicações, monitoramento ambiental, observação da Terra, defesa, meteorologia, agricultura, planejamento urbano e gestão de riscos e desastres naturais. A agência também exerce papel fundamental na promoção da soberania nacional, na inserção do Brasil em cooperações internacionais de alto nível e no estímulo à inovação e à formação de recursos humanos qualificados.

Senhoras e senhores, para mim, esta não é apenas uma sessão solene, é também um momento de memória e de reconhecimento. À época da Missão Centenário, tive a honra de atuar como Deputado Federal e de contribuir, junto a tantos outros Parlamentares, para que aquela missão se tornasse realidade. Sabíamos, naquele momento, que não se tratava apenas de um voo espacial, mas de um passo estratégico para o futuro do Brasil. Tive, inclusive, a oportunidade de conhecer de perto ambientes ligados à exploração espacial, como o Cazaquistão, o que reforçou ainda mais a convicção de que o Brasil precisava ocupar seu espaço nesse cenário global.

É oportuno destacar que, neste ano de 2026, completam-se duas décadas da Missão Centenário. Naquela ocasião, o então Tenente-Coronel Marcos Pontes, integrante da turma de astronautas de 1998 da Nasa e designado pela AEB, viajou à Estação Espacial Internacional por meio de acordo entre a Agência Espacial Brasileira e a Agência Espacial Russa, Roscosmos, tornando-se o primeiro brasileiro, sul-americano e lusófono a ir ao espaço.

A realização desta sessão especial representa, portanto, um justo reconhecimento à importância da política espacial para o desenvolvimento sustentável, para a autonomia tecnológica e para a soberania nacional.

Representa, também, uma oportunidade para refletirmos sobre os desafios e as perspectivas do setor espacial brasileiro, que exige continuidade, investimento e visão de longo prazo.

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Que este momento sirva não apenas para celebrar o passado, mas para reafirmar o compromisso do Parlamento brasileiro com o futuro da ciência, da tecnologia e da inovação do nosso país, o nosso querido Brasil.

Muito obrigado. (Palmas.)

Sras. e Srs. Embaixadores, Encarregados de Negócios e representantes do corpo diplomático dos seguintes países se fazem presentes: da Áustria, da Bélgica, da China, da França, de Gana, Guiné-Bissau, Japão, Paraguai e Paquistão; Rússia, ainda, presente e União Europeia; a Sra. Conselheira do Conselho Nacional de Educação, Cleunice Matos Rehem; o Sr. Diretor-Geral do Instituto Nacional de Meteorologia, Carlos Alberto Andrade e Jurgielewicz; representando a Confederação Nacional de Transportes, a Sra. Gerente-Executiva Andrea Cavalcanti; representando o Presidente da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A., o Sr. Coronel Aviador Erivando Pereira Souza.

Antes de iniciarmos os pronunciamentos, convido todos os presentes a assistirem ao vídeo institucional preparado pela Agência Espacial Brasileira em comemoração aos 32 anos da Agência Espacial Brasileira. O vídeo retrata a trajetória da AEB, sua missão institucional, suas principais entregas, parcerias e contribuições para a soberania e a educação, a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.

Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição do vídeo.

(Procede-se à exibição de vídeo.)
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O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) - Quero aqui registrar a presença na galeria dos alunos do Curso de Tecnologia do Senai, Brasília, Distrito Federal, deixar essa marca tatuada na memória de vocês, hoje, presentes aqui nesta comemoração dos 32 anos da Agência Espacial Brasileira.

Neste momento, concedo a palavra aos convidados.

Concedo a palavra ao Sr. Francisco de Carvalho Dias, Chefe de Serviço de Qualidade e Manutenção da Agência Espacial Brasileira, neste ato representando todos os servidores da AEB, por cinco minutos. (Pausa.)

O SR. FRANCISCO DE CARVALHO DIAS (Para discursar.) - Bom dia a todos.

Só agradeço mesmo, Pontes. Estou um pouco nervoso para falar.

(Intervenção fora do microfone.)

O SR. FRANCISCO DE CARVALHO DIAS - Estou nervoso para falar, gente, desculpa.

Pontes, agradeço que fiz parte de sua história também.

Obrigado, gente. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) - Agora, concedo a palavra ao Sr. Marco Antonio Chamon, Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), por cinco minutos.

O SR. MARCO ANTONIO CHAMON (Para discursar.) - Bom dia. Senador Chico Rodrigues, que preside esta sessão especial, Senador Astronauta Marcos Pontes, quero cumprimentá-los e estendo estes cumprimentos a todas as autoridades do Legislativo e outras autoridades civis aqui presentes. Cumprimento o Major-Brigadeiro do Ar, Rodrigo Alvim de Oliveira, que representa neste ato o Comandante da Aeronáutica, na pessoa de quem cumprimento as autoridades militares aqui presentes. Aproveito e estendo estes cumprimentos aos representantes de delegações estrangeiras aqui presentes, muito obrigado.

Meus caros colegas da Agência Espacial Brasileira, senhoras e senhores, gostaria de iniciar agradecendo ao Senado, em geral, e à Senadora Damares Alves, em particular, por seu requerimento para esta homenagem feita à AEB em seu 32º aniversário.

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Agradeço, Senador Chico Rodrigues, pelas suas palavras de há pouco, que ressaltam o papel da agência na coordenação do Programa Espacial Brasileiro e o papel desse programa no desenvolvimento do país.

De fato, somos a décima economia do mundo, temos um território com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, acrescido de mais 5,5 milhões de Amazônia Azul, uma população de mais de 210 milhões de pessoas.

Um país desse tamanho não conhece a si mesmo, não protege a si mesmo, não se comunica e não se desenvolve social e economicamente sem o espaço. É essa visão do alto, de uma posição privilegiada em órbita, que nos conta o que acontece no país, seja o vigor e a prosperidade do nosso agro, seja a dor e a tristeza dos desastres naturais.

Assim, quero agradecer por este momento que nos é proporcionado pelo Senado brasileiro em reconhecimento ao Programa Espacial, de seu significado e de sua importância, representado aqui no aniversário da Agência Espacial Brasileira.

Ao mesmo tempo, celebramos, na data de hoje, o 20º aniversário da Missão Centenário, que levou ao espaço nosso primeiro astronauta, o Senador Astronauta Marcos Pontes, e realizou vários experimentos da comunidade científica brasileira, cujos investigadores principais estão representados aqui, demonstrando ao mundo nossa capacidade de fazer ciência e tecnologia de relevância e de alta complexidade - ciência e tecnologia de ponta.

Como foi apresentado no vídeo dos 32 anos da AEB, que as senhoras e senhores acabaram de ver, e nas várias homenagens que serão feitas aqui, um programa espacial não se materializa sem a dedicação, o esforço e o trabalho de pessoas. São essas pessoas que, no dia a dia, nas pequenas coisas, no trabalho invisível, movem o programa espacial e que entregam à sociedade brasileira os benefícios que ele proporciona.

Agradeço novamente ao Senado por trazer essa lembrança aqui, nesta sessão especial, ao homenagear algumas dessas pessoas e, nas pessoas delas, homenagear todas e todos que constroem nosso programa espacial.

Obrigado à Senadora Damares pelo requerimento para esta sessão. Obrigado ao Senador Chico Rodrigues pela Presidência da sessão. Obrigado pelo espaço que o Senado abre para o Programa Espacial Brasileiro. Este agradecimento é pouco diante do apoio que o Legislativo tem dado ao programa espacial ao longo de tantos anos, mas espero que ele possa representar nossa estima e gratidão.

Muito obrigado. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) - Quero agradecer ao Presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antonio Chamon, pelo resumo da sua fala, na sequência, na linha do tempo, do que representou esta missão.

Concedo a palavra ao Sr. Major-Brigadeiro do Ar, Rodrigo Alvim de Oliveira, Chefe do Estado-Maior Conjunto do Comando de Operações Aeroespaciais, representando o Comandante da Força Aérea Brasileira, o Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno.

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O SR. RODRIGO ALVIM DE OLIVEIRA (Para discursar.) - Bom dia a todos!

Sr. Presidente desta sessão, Senador Chico Rodrigues; Sr. Senador Astronauta Marcos Pontes; Sr. Presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antonio Chamon; é com muita alegria e satisfação que me dirijo a todos, nesta sessão especial do Senado Federal, em nome do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, imbuído do mais elevado sentimento de orgulho institucional, uma vez que celebramos hoje os 32 anos da Agência Espacial Brasileira e as duas décadas da Missão Centenário, que levou, pela primeira vez na história, um brasileiro ao espaço.

A gênese do Programa Espacial Brasileiro foi fruto de uma construção histórica pautada em uma visão de Estado cujos alicerces remontam à criação do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, nosso DCTA, e à evolução das primeiras iniciativas no campo das atividades espaciais, destacando-se a criação do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), a primeira base de lançamento de foguetes da América do Sul, ainda na década de 60.

Em 10 de fevereiro de 1994, foi instituída a Agência Espacial Brasileira como órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae), conferindo ao programa espacial uma estrutura de coordenação civil sem perder a sinergia com as capacidades técnicas e operacionais construídas ao longo de décadas pela Força Aérea Brasileira. Desde então, a AEB tem desempenhado um papel essencial na formulação, coordenação e execução da política espacial brasileira, consolidando-se como elo integrador de um sistema que reúne instituições civis, militares, acadêmicas e industriais em um esforço verdadeiramente nacional.

Nesse arranjo, destaca-se o papel do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) que é integrante do Sindae, cuja atuação tem contribuído ativamente para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para capacitação de recursos humanos altamente qualificados e para a consolidação da autonomia do país no domínio aeroespacial. Com efeito, a Força Aérea Brasileira, ao longo de sua história, tem sido protagonista, seja por meio do ITA, o nosso Instituto Tecnológico de Aeronáutica, seja pelos diversos centros de pesquisa que compõem o DCTA, cuja contribuição transcende o campo militar e se projeta diretamente no desenvolvimento científico e tecnológico nacional. Nesse contexto, destaca-se a natureza colaborativa do Programa Espacial Brasileiro, sendo este constituído pela união entre esforços civis e militares.

O Programa Espacial Brasileiro é o somatório do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae), que é gerenciado pela AEB, e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (Pese), que é gerenciado pela Força Aérea Brasileira e aprovado pelo Ministério da Defesa. Por meio dessa convergência de esforços é que emergiram sólidas e estratégicas parcerias entre a AEB e o Comando da Aeronáutica, cuja atuação integrada, marcada pela complementaridade de capacidades, constitui o verdadeiro alicerce operacional do Programa Espacial Brasileiro.

Nesse sentido, cabe destacar o acordo de cooperação técnica firmado entre a AEB e a Força Aérea em 2019 e reeditado em 2024, o qual possibilitou a realização de chamamentos públicos que viabilizaram o início da operação comercial do Complexo Espacial Brasileiro em parcerias com empresas privadas. Como resultado concreto desse avanço, no final do ano passado, Sr. Ministro, foi conduzido o primeiro teste de lançamento de foguetes Hanbit-Nano da empresa sul-coreana Innospace, estando prevista...

(Soa a campainha.)

O SR. RODRIGO ALVIM DE OLIVEIRA - ... ainda para este ano uma nova janela de lançamento para o segundo teste, o que evidencia de forma inequívoca a inserção do Brasil em um novo patamar de atuação no cenário espacial internacional.

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Tal iniciativa representa um marco histórico para o setor espacial brasileiro, ao inserir o nosso país, de forma competitiva, no seleto mercado global de lançamentos comerciais, evidenciando a maturidade institucional alcançada e a capacidade do Brasil de transformar potencial estratégico em oportunidades concretas e desenvolvimento.

Nessa mesma direção, a criação da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada) inaugurou uma nova fase para o setor, buscando conferir maior agilidade e eficiência à exploração comercial da infraestrutura espacial.

Nesse contexto, cumpre-me registrar o reconhecimento da Força Aérea Brasileira ao Congresso Nacional e, de forma especial, ao Senado Federal, Sr. Senador Chico Rodrigues, pela atuação na aprovação da Lei das Atividades Espaciais, em 2024, bem como dos instrumentos legais que possibilitaram a criação da empresa Alada, dois importantes marcos que fortalecem a segurança jurídica e impulsionam o desenvolvimento do nosso setor espacial, além de contribuírem para o incremento da consciência situacional espacial, integrando capacidades civis e militares voltadas ao monitoramento de objetos espaciais, controle de riscos, prevenção de colisões e proteção dos nossos ativos, tudo isso visando a assegurar a soberania das operações espaciais brasileiras.

Assim, celebramos os 32 anos da AEB e, sobretudo, a capacidade do Brasil de planejar com responsabilidade e executar com competência, demonstrando que o espaço, apesar de ser do domínio de poucos países, é uma oportunidade para aqueles que se preparam, cooperam e perseveram.

Nesse contexto, Sr. Presidente Chamon, apresento, em nome da Força Aérea Brasileira, as mais sinceras felicitações à AEB...

(Soa a campainha.)

O SR. RODRIGO ALVIM DE OLIVEIRA - ... por sua relevante atuação ao longo dessas mais de três décadas, reiterando, ao mesmo tempo, a permanente disposição da nossa instituição em seguir atuando de forma integrada e cooperativa, fortalecendo essa parceria e contribuindo para o contínuo avanço do Programa Espacial Brasileiro.

Com esse mesmo espírito, reverenciamos também os 20 anos da Missão Centenário, por meio da qual, pela primeira vez, um brasileiro foi ao espaço, projetando o nosso país a um novo patamar no cenário da exploração espacial, fruto de um esforço conjunto entre a AEB e a Força Aérea. Essa missão simboliza a capacidade de planejamento, integração e execução de iniciativas de elevada complexidade.

Nesse ensejo, registro ainda as nossas congratulações ao Senador Marcos Pontes, cuja participação como tripulante dessa missão permanece e permanecerá sempre como fonte de inspiração para gerações de brasileiros e brasileiras, como expressão maior do potencial científico e tecnológico de nossa nação.

(Soa a campainha.)

O SR. RODRIGO ALVIM DE OLIVEIRA - Senhores, tenho plena convicção de que novas parcerias serão firmadas, novos projetos serão desenvolvidos e novos horizontes serão alcançados, sempre com o propósito maior de promover o progresso, a soberania e o bem-estar do povo brasileiro.

Por fim, parabenizo novamente a Agência Espacial Brasileira pelos 32 anos, agradeço ao Senado Federal o apoio na aprovação dos instrumentos legais em prol do Programa Espacial Brasileiro e parabenizo a todos os envolvidos que trabalharam para a concretização da Missão Centenário.

Permito-me concluir reafirmando que, se no passado conquistamos o céu, hoje projetamos o Brasil para além dele.

Muito obrigado. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) - Quero parabenizar o Major-Brigadeiro do Ar Rodrigo Alvim de Oliveira, Chefe do Estado-Maior Conjunto do Comando de Operações Espaciais, representando o grande Comandante da Força Aérea Brasileira Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno.

Ato contínuo, transfiro a Presidência à Senadora Damares Alves, autora do requerimento desta sessão especial. (Palmas.)
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(O Sr. Chico Rodrigues, suplente de Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pela Sra. Damares Alves.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Para discursar - Presidente.) - Bom dia.

Eu só queria, antes de passar a palavra para o próximo orador, manifestar a minha alegria de, nesta manhã, o Senado Federal parar tudo para a gente comemorar os 32 anos da Agência Espacial Brasileira.

Nós sonhamos com esse evento. Foi um requerimento de minha autoria, com o Senador Marcos Pontes, mas aprovado com louvor, por unanimidade, por todos os Senadores desta Casa, o que mostra o reconhecimento do Parlamento brasileiro a essa agência que tanto nos orgulha, essa agência que é orgulho do Brasil lá fora. E nós estamos muito felizes!

Eu quero, antes também, pedir desculpa pelo meu atraso. Agora de manhã está tendo a posse da nossa Governadora do Distrito Federal. Estava marcada para às 9h, eu prometi que ficaria só 15 minutos, e começou às 10h20, e eu fiquei só 15 minutos. Então, perdoe-me o atraso.

Mas ali eu vim escutando no carro, enquanto deu para eu escutar por inteiro um orador, no carro, e a manifestação dos senhores comprova, Senador Chico Rodrigues - e quero lhe agradecer por ter presidido até agora -, o quanto essa agência é extraordinária e importante para a história do Brasil.

E aí, antes de passar para o próximo orador... Muita gente pergunta: "Qual é o seu envolvimento com a agência?". É um envolvimento de admiração, de amor. Muito antes de estar na política, sonhando que tivéssemos a mais incrível agência espacial do mundo.

E servi o Governo anterior com o Senador Marcos Pontes, e servir com o Senador Marcos Pontes é sonhar em ir para o espaço. De vez em quando, eu me sentia lá em cima com ele.

A honra e a alegria de ter servido à nação, eu, como Ministra dos Direitos Humanos e o Senador Marcos Pontes como Ministro de Minas e Energia...

O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Fora do microfone.) - Ciência e Tecnologia.

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Desculpe. Ciência e Tecnologia, que também mexia com minas e energia, Ciência e Tecnologia. E, por alguns momentos, as nossas pautas se cruzavam. As nossas pautas se cruzavam em Alcântara; as nossas pautas se cruzavam nos programas de mais meninas na ciência; as nossas pautas se cruzavam nos programas de mais mulheres na ciência. E que honra!

Mas talvez os senhores... Não sei se todos os senhores sabem da alegria e do tamanho que é essa agência lá fora.

Tive a honra de viajar com o Senador Marcos Pontes para alguns lugares fora do país, e a nossa última viagem foi no Japão. E quando, ao chegar no Japão e saber que lá, no Japão, tem um museu, que tem o Senador Marcos Pontes nesse museu, e que nesse museu fala da nossa Agência Espacial Brasileira... Vocês não têm ideia da alegria!

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Aí, a gente se enche não é só de alegria não; é de orgulho! A gente levanta o rosto e a gente sai feliz desse espaço, dizendo: "É a minha Agência Espacial Brasileira", ao andar pelo mundo e ouvir o mundo, nos fóruns internacionais, falar da Agência Espacial Brasileira.

Então, esta sessão - eu trago muito essa informalidade aos meus discursos, eu trago muito o meu coração nesses discursos - é, sim, uma sessão solene de orgulho.

Sou Pastora, e a Bíblia fala que o orgulho é pecado, mas tem orgulho santo. Então, hoje eu estou aqui cheia de orgulho santo de termos, no Brasil, uma agência pujante, com entregas, com extraordinárias entregas.

E eu quero cumprimentar todos os senhores que fazem a Agência Espacial Brasileira. Parabéns pelo trabalho de vocês. Parabéns!

Estamos num momento em que, no Brasil, está todo mundo brigando. E, enquanto está todo mundo brigando, vocês estão voando alto, fazendo entregas, levando o Brasil para ser conhecido nos lugares mais distantes.

Vocês estão ali cumprindo a missão, e sei que muitos de vocês fazem além da missão, vão muito além das atribuições que lhes são impostas pela legislação, que lhes são impostas pelo cargo.

Parabéns! Que Deus abençoe cada um de vocês; que Deus abençoe as famílias dos senhores.

E que a gente tenha mais 30, mais 30, mais 30, mais 30 anos de missão espacial brasileira, com esses homens e mulheres valorosos, que tanto enchem de orgulho o nosso país.

Sejam todos bem-vindos ao Senado Federal.

E esta homenagem é justa, oportuna e merecida. O Senado não está fazendo nenhum favor em organizar esta sessão; é nossa obrigação fazer esse reconhecimento público à agência, que tanto tem feito entrega e que tanto orgulha a nação brasileira.

Que Deus abençoe os senhores. Que Deus abençoe o meu astronauta predileto.

Eu estive na viagem, agora, ao Japão e eu tive a honra de conhecer outros astronautas, inclusive uma mulher astronauta, e pude ver o respeito dos astronautas internacionais a um astronauta brasileiro e pude ver o respeito de outras nações à Agência Espacial Brasileira.

Que Deus abençoe vocês!

Vamos continuar essa nossa linda sessão.

E, agora, eu concedo a palavra ao Sr. Carlos Augusto Teixeira de Moura, Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) no período de 2019 a 2023.

Muito bem-vindo, Sr. Carlos. Muito bem-vindo. (Palmas.)

O SR. CARLOS AUGUSTO TEIXEIRA DE MOURA (Para discursar.) - Senadora Damares, muito obrigado pela oportunidade. Na sua pessoa, eu saúdo o Senado; agradeço a todos pelo convite; e saúdo a todos os presentes e a todos que nos acompanham à distância.

Esses rituais são muito importantes, porque eles nos permitem fazer uma pausa, tirar um pouco da aflição dos problemas que a gente tem no dia a dia e reconhecer uma trajetória.

Como já foi citado aqui pelo Presidente Chamon e pelo Brigadeiro Rodrigo, o Brasil se esforçou muito para nos trazer até esse ponto. O vídeo da AEB retrata rapidamente isso e retrata pessoas.

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E nós temos realmente que reverenciar esses que nos antecederam, os colegas do IAE que perderam a vida em Alcântara, seus familiares, todas essas instituições que nos permitiram chegar aqui, e agora celebrar o futuro, o futuro representado, por exemplo, pelos estudantes do Senai, o mesmo Senai que já tem mais de 80 anos e que foi frequentado pelo nosso Astronauta Marcos Pontes, o mesmo Senai que hoje conduz, é um dos atores dos satélites da Constelação Catarina, que é uma criação conjunta - foi uma novidade da AEB com o Congresso Nacional - que permitiu que essa semente existisse.

Então, hoje a gente fala de espaço no Brasil não apenas com as valorosas instituições tradicionais, como o Inpe, o Ministério da Ciência e Tecnologia, a Força Aérea e tantos outros; hoje nós falamos desse novo espaço, dessas startups, algumas delas representadas aqui hoje - tem o pessoal da Idea, tem a federal do Maranhão, tem a Innospace...

E, como já foi citado aqui, quando a Innospace se preparava para, então, fazer o primeiro lançamento de satélite do Brasil - um sonho que vem desde dezembro de 1979 -, o Brasil se juntou a ela, e todos torcemos e continuaremos torcendo para que esse e outros projetos possam vingar.

Então, eu ouso dizer que, hoje, o espaço não é mais uma questão de nicho; é algo que vem se incorporando na realidade dos brasileiros.

E as pessoas veem que isso não é só mais ciência e tecnologia. Isso é realidade no dia a dia, principalmente numa situação geopolítica difícil que nós vivemos, em que as questões de soberania, de autonomia, são cada vez mais prementes.

Então, obrigado por tudo.

E o nosso voto de confiança de que os jovens que aqui nos representam carreguem essa bandeira e nos levem sempre muito mais alto.

Ad astra per aspera! Aqui tem espaço. (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Senhoras e senhores, daremos início, neste momento, a homenagens aos ex-Presidentes, servidores e parceiros institucionais da Agência Espacial Brasileira.

A trajetória da AEB é fruto do trabalho contínuo de profissionais e instituições que acreditam na ciência, investiram no conhecimento e ajudaram a consolidar o setor espacial como instrumento de soberania e projeção internacional do Brasil. Ao celebrarmos os 32 anos da agência e as duas décadas da Missão Centenário, prestamos reconhecimento a cada um deles.

Como forma de reconhecimento institucional, o Senado Federal entrega certificado de reconhecimento, em agradecimento aos relevantes serviços prestados ao desenvolvimento do setor espacial e ao progresso científico e tecnológico do país.

Convido os homenageados para se dirigirem à frente, para o recebimento da homenagem.

Convido, com muita honra, o Sr. Francisco de Carvalho Dias, Chefe de Serviço de Qualidade e Manutenção da Agência Espacial Brasileira, neste ato representando todos os servidores da AEB. (Palmas.)
Convido também o Sr. José Raimundo Coelho, Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), no período de 2012 a 2019. (Palmas.)
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Convido o Sr. Carlos Augusto Teixeira de Moura, Presidente da Agência Espacial Brasileira no período de 2019 a 2023.

Convido o Sr. Astronauta Marcos Pontes para se juntar à Presidência, para a entrega das homenagens.

(Procede-se à entrega de Certificado de Reconhecimento aos homenageados.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Senhoras e senhores, antes de prosseguirmos, esta Presidência faz questão de registrar uma homenagem especial em memória de ex-Presidentes da Agência Espacial Brasileira que já partiram, mas cujo legado permanece vivo na história do Programa Espacial Brasileiro. Ao recordarmos suas trajetórias, reconhecemos homens públicos e cientistas que, em diferentes momentos, colocaram sua inteligência, sua dedicação e seu compromisso a serviço da construção de uma política espacial voltada à soberania nacional, ao avanço científico e ao futuro do Brasil.

Prestamos, neste ato, nossa reverência à memória de Sergio Maurício Brito Gaudenzi, ex-Presidente da Agência Espacial Brasileira, falecido em 26 de maio de 2020, e de Marco Antonio Raupp, também ex-Presidente da Agência Espacial Brasileira, falecido em 24 de julho de 2021.

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Que suas contribuições à ciência, à gestão pública e ao fortalecimento do setor espacial brasileiro sigam inspirando as presentes e as futuras gerações!

Convido todos os presentes para que, em sinal de respeito e gratidão, façamos um minuto de silêncio em homenagem aos ex-Presidentes e que aqueles que oram orem, os que vibram vibrem, os que torcem torçam, pensando na família e no legado que eles deixaram, com a certeza de que, logo, logo, estaremos com eles num bom lugar, lá do outro lado. Logo, logo, estaremos nós numa aeronave, indo para nos encontrar, porque nós acreditamos no reencontro. E, nessa certeza do reencontro, convido todos os senhores a ficarem de pé e fazermos um minuto de silêncio.

(Faz-se um minuto de silêncio.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Que sejam abençoadas as famílias de Sergio Gaudezi e de Marcos Antonio Raupp! Que as famílias recebam o abraço especial do Senado Federal e de todos os servidores da Agência Espacial Brasileira.

Fica, assim, registrado, nos Anais desta Casa, o reconhecimento do Senado Federal à memória desses ex-Presidentes da Agência Espacial Brasileira, cujas vidas e obras permanecem inscritas na história da ciência e do desenvolvimento nacional.

Senhoras e senhores, convido os presentes a assistirem a um vídeo especial sobre a Missão Centenário. Preparem os corações.

Há 20 anos, em 30 de março de 2006, a Soyuz TMA-8 decolou do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levando a bordo o primeiro brasileiro rumo à Estação Espacial Internacional. O nome da Missão Centenário homenageava os cem anos do voo do 14-bis, de Alberto Santos Dumont, unindo dois marcos da ousadia brasileira.

Mas, para além do feito histórico, há aqui uma história de vida e de propósito.

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O nosso ilustre Senador Astronauta Marcos Pontes não levou apenas a bandeira do Brasil: levou oito experimentos científicos e educacionais, conduzidos em microgravidade ao longo de cerca de oito dias em órbita. E levou, sobretudo, o exemplo de que é possível transformar um sonho em realização concreta pela via do estudo e da persistência.

Revisitar esse momento é renovar o orgulho e a esperança. É lembrar que o Brasil pode ocupar um lugar entre as nações que investem em ciência e no futuro.

Mas o senhor levou o coração de todos nós, Senador. Estávamos todos nós junto com o senhor naquele momento. O Brasil parou, o Brasil chorou, o Brasil se emocionou e as novas gerações ainda hoje se emocionam.

Solicito à Secretaria-Geral da Mesa - e todos vocês se preparem - a exibição do vídeo.

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(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Vinte anos! Como passou rápido - como passou rápido!

Eu me lembro exatamente dos dias, dos momentos em que ficamos na expectativa, das imagens, vendo V. Exa. lá de cima, Senador Marcos Pontes... Passou muito rápido.

Quero cumprimentar os nossos visitantes que estão na galeria.

Senhores, a Missão Centenário foi construída por muitas mãos - cientistas, técnicos, familiares - e, hoje, por jovens que nasceram depois daquele 30 de março de 2006 e que carregam consigo a semente que a missão plantou.

Ouviremos agora, alternadamente, por três minutos, os relatos de quem esteve nos bastidores, na linha de frente, e os testemunhos de quem foi tocado por essa história - alguns, presencialmente; outros, por vídeo mensagem.

Vamos ouvir agora Loiva Lopes Calderan, Subgerente da missão, astronauta da Agência Espacial Brasileira, responsável pelo treinamento, pelos itens pessoais e pela recuperação do astronauta. Loiva acompanhou Marcos Pontes desde a preparação até o pouso no Cazaquistão. (Palmas.)

A SRA. LOIVA LOPES CALDERAN (Para discursar.) - Bom dia a todos. Eu não estava preparada para isto: depois de 20 anos, relembrar fatos históricos muito importantes para nós. Foi uma grande missão - um grande desafio profissional na minha vida -, coordenada pelo Dr. Mussi. Todo dia temos mais a fazer, e a missão tem que acontecer.

Dr. Mussi, Marta, pesquisadores... Cada um tinha o seu compromisso.

Trabalhar junto com o pessoal no Inpe, no LIT, e depois seguir à frente, ir à Rússia, ao Cazaquistão. E a minha tarefa era, todo dia, acompanhar o nosso astronauta. Como eu digo, Deus nos iluminou e nós conseguimos - não é, Dr. Mussi? - completar essa grande missão. Aprendi muito, cada dia era uma surpresa, cada dia era um treinamento novo do Pontes, e eu estava lá. Eu estava lá com a nossa equipe, coordenada pelo Dr. Mussi, e a gente sabia que o desafio era grande; a coragem de Marcos Pontes, maior ainda. Cada treinamento, cada volta, cada compromisso que a gente tinha... E eu estive lá no hotel dos astronautas acompanhando o treinamento final. Eu estive no Cazaquistão, no lançamento, e aquilo me surpreendeu muito, porque estava junto com a família do Pontes...

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(Soa a campainha.)
A SRA. LOIVA LOPES CALDERAN - Desculpe... Já acabou meu tempo? (Risos.)

Estava junto, e ver a esposa, os filhos dele lá, e há um momento muito especial para mim, se é para lembrar o relato, foi quando o foguete subiu e a filha dele falou: "Papai, lá vai você". Então, foram momentos muito, vamos dizer assim, especiais que a gente viveu. A volta, depois de todos aqueles dias lá no centro de controle, a gente poder ver... "será que Pontes está bem lá no espaço?" Esse era o nosso papel. Então, quando retornou, estar lá no Cazaquistão para ver o retorno dele e saber se ia correr tudo bem... Sempre, cada momento era um momento desafiador para nós que estávamos acompanhando...

(Soa a campainha.)

A SRA. LOIVA LOPES CALDERAN - ... querendo que tudo desse certo e que o Brasil vivesse essa história.

Então, eu parabenizo toda a equipe, os pesquisadores que batalharam para dar tempo de que a gente conseguisse preparar os experimentos em tão curto espaço de tempo, porque não é fácil. O Brasil não tinha essa... não conhecia, não sabia preparar os experimentos e a gente aprendeu junto. A gente aprendeu, junto com os pesquisadores, junto com o pessoal da Rússia, a equipe russa, como preparar cada detalhe importante para que o Pontes pudesse levar com segurança todos os experimentos e trazer o retorno. E um grande experimento que ele levou, que foi o feijãozinho, que as crianças aprenderam não só o que era, como é que era o espaço, o que despertou, acho que foi um grande...

(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)

A SRA. LOIVA LOPES CALDERAN - ... para o programa espacial. E as crianças hoje ainda lembram. E eu hoje tenho meus netos na fase de dez anos, perguntam: "Vovó, como é que é acompanhar isso?". Então, é um orgulho para a nossa família, é um orgulho para o povo brasileiro ter um astronauta brasileiro, ter a coragem que o Pontes teve, porque só de olhar a gente fica assim pensando... precisamos realmente ter muita coragem para estar lá, junto àquele foguete lá e ter a coragem de subir ao espaço.

Então, eu agradeço a toda a equipe essa oportunidade, esse desafio profissional que eu passei e que eu pensava que estava esquecido, mas fico muito feliz e agradeço muito ao Senado por essa homenagem a tantos que trabalharam, a tantos que lutaram, a tantos que lutam e continuam lutando, porque o programa espacial é importante para todos nós.

Então, obrigado a todos e um grande abraço.

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(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)

A SRA. LOIVA LOPES CALDERAN - ... para dar andamento ao nosso programa espacial. Que venham novas tecnologias, novos voos, novos lançamentos na Barreira do Inferno e em Alcântara, e que a gente possa ter, como era promessa, outros astronautas brasileiros.

Meu muito obrigada a todos, obrigada à Senadora, obrigada a todos no Senado.

Pontes, parabéns! (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada, D. Loiva.

A senhora escreveu a história junto com o nosso astronauta, a senhora faz parte dessa história. E, às vezes, eu fico vendo pessoas dizendo assim: "Ah, é tudo muito fácil: é só entrar ali e subir lá no espaço". Gente, é renúncia.

Eu quero falar com os servidores da Agência Espacial Brasileira: quanto vocês ficam longe da família, é renúncia! São horas de trabalho, muita cobrança, orçamento apertado, tendo que fazer entregas, tendo que cumprir metas - às vezes, com orçamento apertado -, estudar, dominar idiomas, se capacitar. Não é tudo tão fácil. Eles estão lindos, maravilhosos, sentados aqui, mas há uma história.

Esses dias, D. Loiva, o Senador estava me contando sobre a preparação para entrar lá na aeronave, na espaçonave. Gente, eu não faria o que ele fez - ele vai contar para vocês -, não faria. Não é tudo tão fácil e bonito como a gente vê nas imagens. São anos de preparação, anos de sacrifício, anos de luta, e a gente viu ali em três minutos. "Ai, como é bonitinho estar lá em cima." Eu sei, eu vi no museu, eu vi na conversa com os astronautas japoneses que muitas vezes a palavra é renúncia.

Parabéns! A senhora ajudou a escrever essa história, e hoje a gente celebra 20 anos da Missão Centenário. Que Deus a abençoe! Parabéns! (Palmas.)

Ouviremos agora...

Eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição do vídeo do Sr. Luiz Carlos Pontes, irmão do Senador Astronauta Marcos Pontes.

(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Concedo a palavra agora ao Sr. Edson Bazzo, cientista da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável pelo experimento teste de evaporadores capilares em ambiente de microgravidade.

Concedo a palavra por três minutos.

O SR. EDSON BAZZO (Para discursar.) - Sra. Presidente, Senadora Damares, Senador Marcos Pontes, muito prazer. Estou muito feliz de estar aqui presente. Obrigado pelo convite.

Bom dia a todos.

Eu também fui informado agora de que teria três minutos de palavra. Agradeço a deferência.

Estamos hoje comemorando 32 anos de Agência Espacial, 20 anos de Missão Centenário, e eu estou também celebrando 50 anos de atividades em minha universidade.

Permitam-me me apresentar melhor. Eu sou Professor da Federal de Santa Catarina desde 1976, atuando sempre na área de energia e sistemas térmicos. E, na década de 1990, fui convidado pelo colega Prof. Sergio Colle para, juntamente com a Profa. Marcia Mantelli, aqui presente, trabalhar no Núcleo de Controle Térmico de Satélites. Então, foi ali que começou a minha trajetória na área espacial.

Ato seguinte, fui convidado a fazer um trabalho no IKE da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, onde me confiaram um trabalho bastante relevante, que era um desses dispositivos para controle térmico de satélite. À época, uma inovação, frente ao que acontecia nos Estados Unidos e também na Rússia. A diferença era no conceito de como o evaporador capilar pode funcionar dentro do satélite sem energia elétrica, sem qualquer agente mecânico, para garantir a temperatura dentro do satélite e a missão do satélite.

(Soa a campainha.)

O SR. EDSON BAZZO - Eu consegui bons resultados e me chegou o convite depois para participar da Missão Centenária, que foi a oportunidade que eu tive para levar o experimento a um ambiente de microgravidade e, assim, complementar, de fato, o meu trabalho que foi iniciado lá no IKE, lá na Alemanha, na década de 1990, ali em 2006.

Então, agradeço muito à Agência Espacial por ter me concedido essa oportunidade, ao Senador Marcos Pontes por ter ajudado no experimento e a todo o pessoal do Inpe, do IAE, e a toda a minha equipe também do laboratório, que me ajudou a fazer esse trabalho.

Muito obrigado.

Obrigado a todos por me ouvirem. (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Foi um prazer, Prof. Edson Bazzo, Cientista da Universidade Federal de Santa Catarina. Foi um prazer ouvi-lo.

Eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição do vídeo da Sra. Rosely Pontes, sobrinha do Senador Astronauta Marcos Pontes.

(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Eu fico imaginando os sobrinhos, todos, na frente da televisão naquele dia, assistindo ao tio escrever o nome da família na história, escrever uma história nova para o Brasil.

Eu agora tenho a alegria de conceder a palavra ao Sr. Flávio de Azevedo Corrêa Junior, Pesquisador Sênior e Coordenador dos Experimentos de Microgravidade do DCTA-IAE e Assessor Técnico da Missão Centenário no âmbito do Programa Microgravidade da AEB, por três minutos.

Seja bem-vindo, Professor.

O SR. FLÁVIO DE AZEVEDO CORRÊA JUNIOR (Para discursar.) - Bom dia à mesa. Agradeço a oportunidade aos Senadores, ao Brigadeiro, também ao Chamon - a gente se conhece há tanto tempo, não é?

Então, basicamente seria o seguinte: foi feito um convite da Nasa para participarmos da Estação Internacional; foi criado pela agência espacial o Programa Astronauta e o Programa Microgravidade. Eu pertenço, ou pertencia, no caso, ao Microgravidade. Eu sou do IAE, da Aeronáutica, e já estou lá no IAE há 40 anos.

A base em si da Missão Centenário foi feita através dos foguetes de sondagem. Os experimentos que voaram nos foguetes de sondagem... Eu coordenava a parte de foguete suborbital, da parte suborbital do programa, e o Iraja Bandeira, que era do Inpe, coordenava a parte orbital. Então, nós nos juntamos, na batuta da Marta Humann, que era a gerente do projeto pela agência espacial, e, em cinco meses, pouquíssimo tempo, nós pegamos e verificamos todos os experimentos que foram feitos em foguetes de sondagem. Fomos até a Rússia, verificamos o que poderia ser feito ou não, os requisitos, e, com isso, nós selecionamos alguns dos experimentos que foram... Depois, a gente entrou em contato com as universidades, perguntamos as que gostariam de participar, toparam....

(Soa a campainha.)

O SR. FLÁVIO DE AZEVEDO CORRÊA JUNIOR - ... e, em cinco meses, a gente desenvolveu um trabalho de praticamente quatro ou cinco anos. Então, foi um negócio doido, completamente maluco. E muitos dos pesquisadores não conseguiram dormir, muita gente do Inpe não conseguiu dormir, muita gente do IAE também não conseguiu dormir com tanto trabalho que teve.

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Vendo o vídeo, eu acho muito bonito o vídeo, mas estar lá era muito mais legal, foi muito mais bacana, poder conversar contigo todo dia também, porque eu conversava com ele lá da Rússia, lá da Roscosmos.

Então, na parte de experimentos, a gente tinha três horários para poder conversar com o Astronauta. O maior horário ficava comigo e com a Marta, e a gente conversava com ele.

(Soa a campainha.)

O SR. FLÁVIO DE AZEVEDO CORRÊA JUNIOR - E ele me ajudou nessa época... Eu tenho que tirar o chapéu para ele nesse ponto, porque tem certas coisas que em inglês é meio complicado falar, e tinha que falar em inglês. E ele quebrou, vamos dizer assim, vendo a minha dificuldade nisso, ele quebrou a regra lá, fazendo com que a gente conversasse em português. Foi um negócio muito inovador para a gente lá.

E conseguimos levar todos os experimentos, depois trouxemos os experimentos para cá. E, se a parte, vamos dizer, do Pontes é uma história interessante, a parte dos experimentos também é muito interessante. Nós perdemos mala com experimentos no caminho, a alfândega pegou uma das malas. Olha, foi um negócio doido, muito estresse, muito, mas depois teve um retorno muito bom.

(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)

O SR. FLÁVIO DE AZEVEDO CORRÊA JUNIOR - Acho que tenho que terminar.

Então, eu gostaria de agradecer a oportunidade dada pela AEB, pelo CTA, e por vocês, aqui do Congresso, de escutarem um pouco da nossa história. Eu agradeço. (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada, Professor. Eu tenho certeza de que não foi fácil. Eu tenho certeza de que foram anos de preparação. Não foi só chegar lá com o experimento na mão, entregar para ele: "Vai, sobe lá agora". Não, eu tenho certeza de que foram anos de muita dedicação. Parabéns, parabéns.

Eu concedo a palavra à Sra. Marcia Barbosa Henriques Mantelli, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável pelo experimento Minitubos de Calor (MHP).

Concedo a palavra para a senhora, Professora, por três minutos.

Que honra ver mulheres na equipe, viu? Que honra, que orgulho. Nós estamos comemorando aqui os 20 anos da missão, uma missão que foi construída com mãos femininas também. Que alegria tê-la aqui na tribuna, Professora.

A SRA. MARCIA BARBOSA HENRIQUES MANTELLI (Para discursar.) - Muito obrigada. Queria agradecer por esse convite ao Senado - nos emociona muito. E estar aqui é muito importante mesmo.

Meu primeiro trabalho foi no Inpe, eu trabalhava na área de controle térmico de satélites. Então, de uma certa forma, eu ajudei a fazer com que esse assunto de tubos de calor, em que a gente trabalha até hoje, chegasse na universidade - e foi um desafio bacana.

Nós temos um exemplo de spin-off, em que esse trabalho em tubos de calor gerou muitas outras tecnologias. A gente usa o que a gente aprendeu no espaço para coisas pequenas, como resfriamento de eletrônicos, para utilização em equipamentos de grande porte, na indústria do petróleo, por exemplo. E isso aí é um investimento que é feito e que tem resultado.

É muito interessante ver que não é apenas o recurso ou que o que a gente aprende no espaço fica no espaço. Na realidade, a gente usa muito na Terra o que a gente aprende no espaço. Foi realmente um desafio muito grande. E uma das coisas mais bacanas...

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É claro que a Senadora tem razão: são muitos anos de conhecimento, mas o tempo para preparar o experimento foi muito curto. Os alunos não dormiam. Tinha um alojamento lá, mas todo mundo dormia no chão, debaixo do experimento, revezava. E a coisa foi tão tensa que, em questão de língua, eu estava me lembrando de uma ocasião em que a gente tinha que preparar porque iria receber a visita dos russos, os russos iriam verificar se o experimento estava funcionando certo ou não. Estava todo mundo morrendo de medo. E uma das coisas que a gente é obrigado a fazer era colocar nos labels as palavras em russo. Não tinha muita inteligência artificial na época. Aí, a nossa equipe entrou no Google, escreveu em russo, imprimiu e colou. Aí, chegou o dia dos russos. Quando eles pegaram o nosso experimento, um chamou o outro e eles começaram a rir do que estava escrito ali. Aí ele chegou para mim: "Não é essa palavra, é essa aqui". Ficaram rindo uns 15 minutos. Eu não tenho ideia do que a gente escreveu lá. (Risos.)

Muito obrigada.

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Professora, o Astronauta Marcos Pontes estava aqui me falando da importância do seu trabalho com minitubos de calor. Que honra ter uma cientista! Eu era uma criança naquela época. Eu ficava na televisão assistindo. Eu era uma criança muito jovem. (Risos.) Mas, olha, parabéns! Parabéns!

Esta sessão está sendo interessante porque ela está sendo transmitida ao vivo para o Brasil inteiro, e tem gente que não entendeu ainda o que foi a missão. "Ah, o Astronauta Marcos Pontes foi lá, colocou a roupa de astronauta, subiu e desceu." Gente, havia experimentos. Cientistas, muitos cientistas estavam inteiramente envolvidos com essa missão. A Missão Centenário realmente reescreveu a história do Brasil na área da ciência.

Que honra, Professora! Que honra recebê-la!

Como nós falamos no início, a missão tocou aquela geração que estava lá, de cientistas antigos; na época, os jovens cientistas; as crianças à época. E nós temos jovens cientistas hoje que foram influenciados por aquela missão.

Então, eu peço à Secretaria, solicito a exibição do vídeo do jovem Israel Carvalho, estudante da cidade de Cerquilho, em São Paulo, e medalhista da Olimpíada Brasileira de Astronomia.

(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada, Israel. Que emoção, que emoção!

A cidade de Cerquilho é uma cidade de 44 mil habitantes. Muita gente talvez nunca tenha ouvido falar de Cerquilho - só nós que somos de São Paulo conhecemos que é uma cidade linda, pujante -, mas um Ministro sair do seu gabinete para ir à casa de um jovem entregar uma medalha de uma olimpíada, um campeão da Olimpíada Brasileira de Astronomia... Vocês viram que não foi só a medalha; o que o tocou foi o gesto.

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Aí eu vou contar um segredo para vocês - isso eu vejo no Brasil inteiro -: as crianças e os jovens do Brasil inteiro amam o Senador Marcos Pontes, e a interação dele com esses meninos é algo muito lindo.

Eu vou contar mais um segredo: quando a gente viajava em comitiva com o Presidente Bolsonaro, então a gente... Os Ministros iam com o Presidente, e sempre tinha duas multidões, uma multidão aqui com o Bolsonaro e uma outra multidão. Aí, um dizia para o outro: "Adivinha quem é?". Era o Marcos Pontes. Os jovens, todos atrás dele, querendo tirar foto, querendo um autógrafo... Iam com a camisa, para ele escrever na camisa.

E é por onde ele passa, no Brasil e fora do Brasil.

A gente estava num aeroporto recentemente, numa missão oficial do Senado, e as pessoas no aeroporto reconhecendo o astronauta brasileiro.

Então, assim, o senhor mexeu, tocou com a gente na vida de Israel.

Mas eu quero fazer aqui uma homenagem.

O Prof. Canalle está aqui com a gente, que é o coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia, e eu peço aplausos para o professor. (Palmas.)

Professor, parabéns pelo trabalho. Olha quantos jovens que participam dessa Olimpíada, quantos jovens vocês tocam no Brasil, vocês alcançam no Brasil, com a Olimpíada. Parabéns.

Que Deus abençoe o senhor e sua equipe pela coordenação da OBA. Parabéns!

Concedo a palavra agora a Eric Hatanaka. Eu falei certo? Hatanaka...

Não, deixe-me falar de novo. Fique aí, fique aí. Olha aqui.

Eu vou apresentar do meu jeito, porque eu vou quebrar protocolo.

Eu tinha um ídolo, até uns meses atrás. O meu ídolo, na ciência, era o Senador Marcos Pontes. Aí, eu abri o Instagram e vi que o Brasil está ganhando outro grande cientista. E aqui tem uma coisinha escrita, para eu falar que ele é estudante, desenvolvedor do projeto Decola Divinamente, foguete experimental brasileiro com capacidade de alcançar mil metros de altitude, que ele criou em homenagem aos 20 anos da Missão Centenário.

Gente, não é só o Eric Hatanaka; é a promessa da ciência para o Brasil.

É um menino que conquistou os corações do Brasil.

E, quando eu o vi aqui, eu fiquei tão emocionada. Eu já fiz coraçãozinho para ele um monte de vezes.

E que honra, Eric, eu estar na mesa presidindo e te receber no Senado Federal, nessa homenagem à Agência Espacial Brasileira e na homenagem aos 20 anos da Missão Centenário!

Brasil, senhoras e senhores, eu concedo, por três minutos, a palavra para o grande Eric, o futuro da ciência do Brasil.

Bem-vindo, Eric! (Palmas.)

Gente, ele é mais lindo pessoalmente.

O SR. ERIC HATANAKA (Para discursar.) - Nossa, eu estou muito emocionado. Obrigado.

Bom dia a todas as autoridades presentes, senhoras e senhores.

Meu nome é Eric Hatanaka, eu tenho 12 anos e sou aluno da Escola Divina Providência, em Jundiaí, São Paulo.

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Eu peço licença para ler o texto que preparei, porque eu estou muito emocionado de estar aqui, conhecendo o meu ídolo e falando para todos vocês.

Hoje, estar aqui é muito especial para mim, porque há 20 anos, na Missão Centenário, um brasileiro mostrou para o mundo que o Brasil também tem seu lugar no espaço e que a gente consegue chegar lá. Esse feito atravessou fronteiras e gerações.

Eu criei o projeto Decola Divinamente porque eu tenho um sonho: ver o foguete que eu projetei e construí alcançar 1km de altitude.

Mas não é só sobre o foguete, é sobre o que ele representa. Eu quero ajudar a mostrar que jovens brasileiros são capazes; que, com estudo, com ciência, com dedicação e com resiliência, a gente pode chegar até onde nossos sonhos nos levarem.

Eu construí o meu primeiro foguete, o Supera, que é esse que está aqui, aos 11 anos. Ele não voou na Lasc (Latin American Space Challenge), porque a janela de lançamento fechou, mas eu não desisti.

Eu continuei estudando e eu construí o Umbrella. Ele foi lançado em dezembro de 2025, em Virgínia, Minas Gerais. Foi um voo nominal, mas falhou na recuperação.

Foi muito difícil, mas desistir não é uma opção quando existe propósito, porque, no fim, o impossível é apenas uma opinião.

Hoje, eu estou construindo três foguetes.

O foguete Brasileirinho é um agradecimento aos brasileiros que acompanham o projeto pela minha página - @decoladivinamente -, e ele vai levar no payload os nomes de pessoas que incentivam a educação e a ciência.

O foguete RC21 é uma homenagem aos meus orientadores técnicos, a equipe ITA Rocket Design e a Bizu Space, que me ensinam e tornam esse projeto uma realidade, com engenharia, responsabilidade e segurança.

O payload dele representa a vida. Eu estou desenvolvendo um pequeno ecossistema com bactérias fotossintéticas, com o objetivo de estudar a produção de oxigênio e, no futuro, alimentos fora da Terra.

Isso faz parte de uma pergunta maior: como a vida pode existir e se sustentar fora da Terra? - uma pergunta que também é estudada por agências como a Nasa, porque entender isso é essencial para o futuro da humanidade no espaço.

E o foguete Pontes é uma homenagem ao nosso Astronauta brasileiro. O payload dele leva tecnologia com propósito, uma miniatura de um equipamento robótico que eu desenvolvi para ajudar a minha avó, que tem Parkinson, porque eu acredito que tecnologia e humanidade devem caminhar juntas, e foi pensando nisso que eu escrevi essa carta.

Para o Astronauta Marcos Pontes, com carinho e admiração.

Quando eu comecei, eu era só um menino com um sonho. E, mesmo assim, você acreditou em mim.

O seu apoio chegou antes de muita coisa e ficou.

Eu sei que a sua jornada não foi fácil, mas você venceu com estudo, com disciplina e com dedicação e fazendo sempre mais do que esperavam de você. E eu acredito nisso também... (Manifestação de emoção.)
Perdão. (Palmas.)

Eu gostaria de continuar minha carta.

E eu acredito nisso também, talvez porque um dia você também tenha sido um menino olhando para o céu, tentando entender até onde poderia chegar.

Há 20 anos, na Missão Centenário, você levou o Brasil ao espaço e mostrou que era possível. E quem chega lá nunca deixa de ser astronauta, porque levar o Brasil até o espaço muda a forma de ver o mundo e muda a forma como a gente sonha aqui na Terra.

Hoje, você continua inspirando pessoas, e eu sou uma delas. (Manifestação de emoção.)

Obrigado por me mostrar o caminho e por acreditar, antes de todo mundo, que eu também sou capaz.

Agora, é minha vez de estudar, de me dedicar e fazer mais do que esperam de mim, porque eu também quero chegar lá.

Este é o paraquedas do foguete Pontes, que eu fiz em sua homenagem. Seria uma honra ter sua assinatura nele. (Manifestação de emoção.)
Com carinho, gratidão, admiração e respeito, Eric Hatanaka. (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Eric! Eric! Vem cá, Eric.

Nós vamos quebrar protocolo.

E que os servidores da Agência Espacial Brasileira entendam que não é só ciência, não é só soberania nacional; é sonho. Vocês lidam com sonhos.

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E eu queria muito que a TV Senado desse foco, mostrasse bastante o foguete que está aqui embaixo; acho que muita gente não viu o foguete!

Vá lá, mostre o paraquedas!

Ele quer que o senhor autografe o paraquedas do foguete.

Gente, o foguete criado tem uma capacidade de alcançar mil metros de altitude.

Eu assisti ao lançamento, gente, do foguete do Eric! Esse é o paraquedas do foguete.

Daqui a 32 anos, vocês estão convidados para este Plenário de novo, e Eric vai entrar aqui como astronauta, um dos mais famosos astronautas do mundo.

Olha, eu sei o que estou falando...

Parabéns, Eric, à família do Eric!

E é isso. A Agência Espacial Brasileira também é responsável por despertar sonhos.

E o Senador Marcos Pontes é isso, tem inspirado muitos meninos e meninas no Brasil.

Parabéns! (Pausa.)

O SR. ERIC HATANAKA (Fora do microfone.) - Muito obrigado.

O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Fora do microfone.) - O dia é importante aqui...

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Muito!

O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Fora do microfone.) - Dois mil e vinte e seis. (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - TV Senado, esse é o paraquedas, mas foque no foguete, TV Senado, lá embaixo! Tem muita criança nos assistindo agora.

O foguete está aqui, gente, esse é o foguete!

Vejam que extraordinário, criado - olhem que coisa linda - pelo Eric.

Assistam aos vídeos do lançamento! Olhem lá... Lindo demais! (Palmas.)
Eric, no Regimento Interno, dizem que não pode sair da mesa sem dar um abraço apertado na Presidente. (Risos.) (Pausa.)
Eu disse a vocês que eu tinha um cientista que era o herói, até eu conhecer o Eric, viu, Senador Marcos Pontes? Está trocando. (Risos.)

O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Fora do microfone.) - Espere um pouquinho para ver...

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Ele está roubando o coração do Brasil.

O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Fora do microfone.) - Espere um pouquinho para ver! (Risos.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Que emoção, que emoção!

Eu quero cumprimentar a família do Eric.

Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição agora do vídeo dos alunos do Senai, São Paulo, participantes de uma grande competição, WorldSkills, internacional.

E vejam, gente, o futuro da ciência, da tecnologia no Brasil.

Nós temos que investir, Senador.

O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Fora do microfone.) - É isso.

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Enquanto estivermos nós dois aqui, neste Senado, a gente vai lutar muito por investimento na área.

Por favor, Secretaria, pode exibir o vídeo.

(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Para quem não sabe, o Senador Marcos Pontes é o embaixador internacional desse trabalho, dessa olimpíada, de quem nós temos muito orgulho, e ele tem inspirado jovens no mundo inteiro.

Na sequência, prestamos agora uma homenagem aos participantes da Missão Centenário, cuja contribuição tornou possível esse capítulo da ciência brasileira.

Foram eles que, com rigor e engenho, levaram experimentos brasileiros ao ambiente de microgravidade da Estação Espacial Internacional, gerando resultados que, em alguns casos, deram origem a aplicações tecnológicas em solo.

Como forma de reconhecimento, será realizada a entrega de Certificado de Reconhecimento do Senado Federal, em homenagem à contribuição científica e técnica de cada um deles para a realização da missão, que há duas décadas inscreveu o nome do Brasil na história da exploração espacial.

Eu convido o Senador Astronauta Marcos Pontes e o Senador Chico Rodrigues para se juntarem à Presidência, para a entrega das homenagens.

Convido os homenageados para se dirigirem à frente para o recebimento da homenagem.

Convido o senhor... a Sra. Loiva Lopes Calderan, Subgerente da Missão Astronauta da Agência Espacial Brasileira, responsável pelo treinamento, pelos itens pessoais e pela recuperação do astronauta. Recebe também em nome da Sra. Ivete Maria Soares, que também é homenageada.

Sra. Loiva, por favor.

Convido o Sr. Edson Bazzo, Cientista da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável pelo experimento "Teste de Evaporadores Capilares em Ambiente de Microgravidade".

Convido: o Sr. Flávio de Azevedo Corrêa Junior, Pesquisador Sênior e coordenador dos experimentos de microgravidade no CTA, DCTA-IAE, Assessor Técnico-Científico da Missão Centenário no âmbito do Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira; a Sra. Marcia Barbosa Henriques Mantelli, Pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável pelo experimento "Minitubos de Calor".

Convido também o Major-Brigadeiro do Ar Rodrigo Alvim de Oliveira, representando o Comandante da Aeronáutica, o Sr. Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, em reconhecimento à parceria estratégica da Força Aérea Brasileira com a Agência Espacial Brasileira ao longo de mais de três décadas de atuação conjunta no Programa Espacial Brasileiro.

Convido também o Sr. Raimundo Nonato Fialho Mussi, Gerente da Missão Centenário.

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(Procede-se à entrega de Certificado de Reconhecimento aos homenageados.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Senhores, eu preciso fazer um registro. O Senador Chico Rodrigues, à época, era Deputado Federal e foi homenageado em reconhecimento à atuação parlamentar dele na articulação política e na defesa dos recursos orçamentários que viabilizaram a realização da Missão Centenário. E agora eu fiquei sabendo que ele estava lá. Ele foi representando a Câmara dos Deputados. Ele lutou pela missão, ele estava lá, ele viu de perto. Que inveja do senhor, Sr. Senador Rodrigues, Chico Rodrigues, que inveja!

Eu registro a presença aqui, que está engrandecendo a nossa sessão, do Prefeito do Município de São Carlos, Netto Donato. Netto está aqui? Netto Donato, São Carlos é a minha cidade. Netto Donato, São Carlos é a mais incrível cidade do mundo. Netto, um abraço.

Registro a presença do Sr. CEO da Innospace Brasil, Davi Ju Hyun Gong. Acertei? Bem-vindo, Davi, seja bem-vindo. (Palmas.)

Do representante do Chefe da Assessoria Parlamentar e de Relações Institucionais do Comando da Aeronáutica - seja bem-vindo -, Sr. Coronel Aviador Daniel Garcia.

Senhoras e senhores, falar de Marcos Pontes - eu já falei bastante - é falar de uma trajetória que começou com um sonho e que, com estudo, disciplina e uma determinação incomum, ultrapassou os limites da Terra, mas é também, para mim, falar de um amigo, alguém cuja história inspira não apenas pela conquista extraordinária, mas pela forma como escolheu viver com propósito e compromisso com o nosso país.

Ele não apenas alcançou espaço, abriu caminho para que jovens brasileiros passassem a acreditar que também podem ir mais longe pela educação e pela ciência.

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Eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição do vídeo.

(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Faremos agora a homenagem institucional ao Senador Astronauta Marcos Pontes.

Prestamos neste ato reconhecimento ao primeiro brasileiro a realizar uma missão espacial. Marcos Pontes não apenas representou o Brasil em órbita, abriu portas para que o país passasse a se enxergar como nação capaz de atuar na fronteira do conhecimento. Para milhões de brasileiros, especialmente os mais jovens, sua trajetória se tornou prova de que é possível alcançar o extraordinário a partir do estudo e do trabalho.

Convido o Senador Astronauta Marcos Pontes para receber esta homenagem. (Palmas.)

Convido o Senador Chico Rodrigues para me acompanhar na entrega desta homenagem.

(Procede-se à entrega de homenagem ao Sr. Senador Astronauta Marcos Pontes.) (Palmas.)
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Eu vou contar mais um segredo para vocês. No dia da aprovação do requerimento, eu estava bem ali, pedindo ao Presidente do Senado para a gente votar o requerimento de homenagem à Agência Espacial Brasileira, e fiz questão de dizer: "Vamos homenagear também o Senador Marcos Pontes, que foi para o espaço". Eu encerrei a minha fala com "foi para o espaço", e o Plenário todo gritou: "E voltou". (Risos.)

Depois de tudo o que vimos e revivemos nesta manhã, a história, as conquistas, os testemunhos e as homenagens, chegamos ao momento central desta sessão. Tenho a honra de conceder a palavra a quem não apenas fez parte dessa história, mas encarna para todos nós um colega e um amigo que muito nos honra nesta Casa e que briga diariamente pela Agência Espacial Brasileira. Ele é aqui o legítimo representante da AEB. Um Senador que honra o estado dele, honra a nação brasileira por seu trabalho, que fez, que faz e que fará.

Concedo, com muita honra, a palavra ao Senador e amigo pessoal, Astronauta Marcos Pontes. (Palmas.)

O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Para discursar.) - O.k. Emoção muito boa.

Caro Presidente Chico Rodrigues, amigo Chamon, Rodrigo, todos aqueles que estão aqui nos acompanhando, quero agradecer a presença de cada um - e também àqueles que nos acompanham pela Rede Senado, pela TV Senado - e agradecer a presença dos embaixadores, dos representantes dos países aqui presentes também. Agradeço a cada um que hoje está aqui comigo, primeiro, para prestar homenagem à nossa Agência Espacial Brasileira pelos seus 32 anos, uma história repleta de dificuldades, mas repleta de sucessos também.

É importante ressaltar que essa história teve a participação de muita gente, ou seja, ninguém faz nada sozinho. Nós temos que ter a presença de muitas pessoas, a ideia, as emoções de muitas pessoas para que as coisas aconteçam. Eu venho acompanhando esse processo durante muito tempo da minha vida e continuo acompanhando aqui no Senado com a ajuda de companheiros, Senadores, Senadoras, Deputados que apoiam realmente a ciência e a tecnologia não só no discurso, mas também na hora de votar o Orçamento, na hora de colocar a sua assinatura ali em um documento importante que pode permitir ao programa espacial evoluir, pode permitir que as atividades espaciais sejam tão importantes para um país do tamanho do nosso, com as dificuldades que nós temos, e que vão ser muito facilitadas com o trabalho e as operações espaciais.

Então, é muito bom no dia de hoje a gente lembrar a importância desse programa, e que isso não fique só na comemoração, que isso fique aqui a cada dia dentro desse Congresso, a cada dia dentro dos gabinetes, para que nós tenhamos realmente um país com sucesso no programa espacial.

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Eu tenho aqui um discurso, Presidente - estou vendo que o tempo está parado, obrigado -, porque não dá para falar de 20 anos em pouco tempo, é um discurso de umas dez páginas. Mas, em vez de eu ler o discurso - eu quero agradecer, aliás, a escrita e tudo mais -, eu vou falar um pouco da cabeça, que eu acho que é o mais importante neste momento. Porque, se a gente for pensar direito, de tudo que a gente viu aqui, a vida da gente é feita de momentos, e cada momento desse tem um lugar, tem um evento, tem pessoas, tem uma emoção e alguma coisa que a gente aprende com aquele evento em especial ali, naquele local.

Então, eu vou tentar lembrar de algumas coisas, eu já peço desculpas àqueles que eu não lembrar, dos detalhes, mas saibam que estão no meu coração, mas eu vou contar algumas histórias aqui. Quem é do interior, a gente gosta de contar histórias, então eu quero contar algumas histórias aqui, primeiro, começando lá em Bauru. Estou vendo o Deputado... Olha, estou colocando para frente aqui, nosso Vereador Helinho, lá de Bauru, aqui conosco, um guerreiro lá na cidade, para defender a cidade. Espero que seja Prefeito da cidade um dia, não sei quais são os seus planos, mas, se for, pode contar com o meu apoio. E eu tenho certeza de que vai fazer um ótimo trabalho lá, ou em outros cargos, como Deputado, Senador, quem sabe? Então é importante, uma pessoa de respeito, que trabalha com carinho para realmente ajudar a cidade. Parabéns, obrigado por estar aqui conosco.

Eu lembro, lá de Bauru, da D. Zuleika, meu irmão falou aqui um pouquinho, o Luiz Carlos, a minha sobrinha falou, filha da Rosa, minha irmã, infelizmente ela não está mais aqui, mas deve estar acompanhando a gente de algum lugar. Mas eu me lembro muito bem daquele tempo lá, no começo de Bauru, com o Senai, que tinha até um grupo do Senai aqui, e como que a gente fazia ali na época para ir ao aeroporto ver os aviões lá. E o meu irmão íamos de bicicleta, ele é muito mais velho do que eu, diga-se de passagem - sacanagem, não é tanto assim, não -, mas ele ia comigo e me levava ali para ver os aviões, pensar, sonhar em voar, mas eu não tinha a mínima condição de pagar a hora de voo. Então, com 14 anos, eu consegui meu primeiro emprego lá, graças ao Senai. Daí a importância do curso profissionalizante, a gente viu ali a WorldSkills internacional, eu sou embaixador mundial do ensino profissionalizante, Presidente da frente aqui para o ensino profissionalizante, porque isso é muito importante para o desenvolvimento do país. E olha, você quer ver redução de nível de criminalidade, droga, tudo isso, aumente a quantidade de escolas profissionalizantes no país, a quantidade de alunos do ensino médio que participam dos cursos profissionalizantes, eu te garanto que vai reduzir esses números num prazo mais curto do que a gente imagina aqui no nosso país.

Então, daquela época ali, muitas coisas para se lembrar no tempo lá de Bauru, mas eu lembro de um evento, numa situação muito interessante, em que eu estava lá numa locomotiva, estudando com os livros embaixo do braço, e os amigos lá olharam para mim e falaram assim, lá na rede ferroviária federal, onde era meu primeiro emprego, olharam para mim e falaram assim: "Você está estudando o tempo todo, está estudando para quê, moleque?" "Estou estudando para fazer a prova da Academia da Força Aérea, vou ser piloto, não vou ficar aqui, não." "Você ser piloto? Caia na real, isso é coisa para filho de rico, você nunca vai conseguir, você vai ficar frustrado."

Eu cheguei, naquele dia, em casa, a D. Zuleika, com seus olhos azuis, olhou para mim, minha mãe, e falou assim: "Olhe, eles são errados. Você pode ser tudo o que você quiser na vida, desde que você estude, trabalhe, persista e sempre faça mais do que esperam de você".

Aliás, eu vi isso ser repetido, hoje, pelo Eric, também pelo Israel, e é importante que essa mensagem seja passada. Está ali o Prof. Canalle, Coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, que tem essa função de levar a ciência e a tecnologia para tantos alunos.

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Não é só o conhecimento; a atitude é importante também, e esse tipo de atitude é importante que os nossos alunos tenham. Então, o ensinamento disso, a lição aprendida é esta: por mais difícil que seja a situação, é possível chegar lá e realizar o que a gente quer na vida; começa assim.

Bom, dali eu fui para a Força Aérea. Eu estou vendo aqui meus amigos de Força Aérea, brigadeiros com duas estrelas, com três estrelas. Imaginem por quanto tempo eu sonhei em ter essas estrelas! Bom, não consegui, mas podem ter certeza de que, no meu coração, eu estou aqui junto com vocês, junto com a Força Aérea; eu decolei nas asas da Força Aérea. Eu me lembro de Pirassununga, da Academia da Força Aérea, de chegar lá cheio de ideias e emoções: "como vai ser o curso de cadete?", "quando vou me formar piloto?" - acho que todo mundo que está aqui sabe exatamente do que eu estou falando -, "vou ser desligado ou não vou ser?", "eu tenho que estudar", "tenho um cheque", "tenho um XF nesta semana para fazer" - depois, vocês pesquisem para saber o que é isso.

Mas a vida não era fácil lá, quatro anos para se formar na Academia da Força Aérea. E eu lembro de muitos dos meus amigos naquela situação toda. Eu vejo aqui comigo centauros também, membros do Esquadrão Centauro, de que eu fiz parte lá em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde eu me casei, onde meu filho Fábio nasceu e onde eu aprendi, também, o valor da vida, de se estar ali. Na época, eu perdi vários amigos na Força Aérea, pilotos, em acidentes. Eles não estão mais aqui, mas, de certa forma, eles voaram comigo. Eu me lembro lá de Santa Maria também, do frio, do esquadrão, de cada dia ali, e uma coisa que a gente aprende, ao longo da carreira, é que você não chega lá de uma hora para a outra. Não é um esforço de um dia, não é mesmo um esforço de um ano concentrado; é um esforço do dia a dia, é o briefing que a gente faz direito.

Aliás, está ali... Nós voamos juntos e, depois, muito mais tarde, ele no Esquadrão Centauro, eu fazendo um programa de TV com a Record. Ele era o líder da esquadrilha, e eu voei com ele.

Você faz no dia a dia, é aperfeiçoar a cada dia. Como piloto, a gente faz o voo, volta, tem o debriefing. Você sempre erra alguma coisa, sempre tem uma coisa para melhorar, e a vida da gente é isto: sempre ter alguma coisa a melhorar. Então, é no dia a dia, coisa que a gente aprende como piloto, o valor da vida dos nossos amigos, e tudo mais.

Dali, eu fui lá para o CTA. Está aqui o Azevedo, representante de lá. Olhem, a gente ali no ITA... Quando eu cheguei lá no ITA, "será que eu vou conseguir concluir esse curso? Todo mundo fala das dificuldades"... Muita coisa eu aprendi ali. Eu me lembro do Prof. Lacaz, Francisco Lacaz Netto, que dá nome a auditório lá do ITA e que foi meu professor. Eu fui da última turma para a qual ele deu aula, ele já estava bem velhinho na época. E uma vez ele me surpreendeu, falou assim: "Ô senhor [ele fala 'ô senhor', assim], veja bem que nós não formamos engenheiros aqui no ITA". Aí, eu olhei e falei: "Pô, não, eu vim aqui para me formar engenheiro".

"Não, não, aqui nós formamos profissionais que usam a engenharia para resolver problemas, então eu espero que o senhor resolva muitos problemas na sua carreira usando os conhecimentos da engenharia.". É isso que a gente faz no dia a dia, inclusive aqui, nessa luta aqui pelo Brasil.

Ali no ITA você aprende também que, a cada dia, tem uma coisa nova para ser aprendida, e, quanto mais você sabe, mais você percebe que falta muita coisa ainda para aprender tudo. Então, o ITA ensina bastante a humildade em aprender.

Depois do ITA, na Nasa... Tem outras coisas no meio do caminho, mas Nasa, seleção de astronautas, lá em 1998... O Dr. Mussi, que estava aqui conosco, recebeu o prêmio. Raimundo Mussi foi o chefe da seleção aqui.

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Ah, cadê? Ah, está aqui! Eu pensei que não estava mais, mas está aqui do meu lado.

Ele foi o chefe da seleção aqui no Brasil e acompanhou cada detalhe daquilo. Então, vimos as dificuldades, o que nós tínhamos, o que nós não tínhamos. Não foi fácil colocar aquilo para funcionar, mas funcionou.

Fui lá para Houston. Eu lembro que, quando eu cheguei lá, o pessoal ficava preocupado, falava assim: "Será que esse cara vai ter condição de acompanhar o curso aqui e tudo?". Não só tive condição como fui um dos primeiros lá da turma.

É importante você dar valor àquilo que a gente tem aqui no nosso Brasil. Quando você sai e começa a se colocar junto com outros países em programas dessa natureza, nós vemos o quanto nós temos de capacidade aqui no Brasil. A gente só precisa acreditar nisso aí e lutar para que as coisas realmente funcionem da maneira como a gente precisa, ou seja, colocar todo mundo na mesma proa, colocar todo mundo fazendo esforço no mesmo sentido, e a gente vai ter a condição de transformar este país no melhor país do planeta Terra. E isso não é só falando, assim - nós temos essa condição. Eu pude ver lá, de frente para tantas nações que participam ali.

Foram muitos anos da Nasa e muitas incertezas dentro daquele processo como um todo: será que a gente vai entregar as peças, será que não vai? Será que a gente vai conseguir ou não? Novamente o Senai participou bastante desse período - lembra? O Senai participando e outras instituições, para que a gente pudesse manter a participação do Brasil ali.

Em muitos países eu trabalhei. Estavam aqui os representantes do Japão, e eu trabalhei com o Japão também. Durante três anos, no laboratório japonês, eu era responsável pela integração de módulos da estação e fui responsável direto no laboratório japonês.

Então, ali eu aprendi muita coisa, ao trabalhar com outras nações, outras culturas, outras línguas e perceber o seguinte: primeiro, nós somos só uma raça em cima desse planeta nosso, e a gente precisa aprender a trabalhar junto. A única maneira, na verdade, que nós temos de sobreviver a essa nossa espaçonave é trabalhar junto. E as diferenças que existem entre culturas, entre línguas, religiões, tudo isso, em vez de se usar contra a união, tem que usar a favor da união. Basta uma coisa: aprender a ouvir, e a ouvir o outro lado, o que o outro lado tem a dizer, o que a outra cultura tem a dizer.

Nós estamos olhando para o mesmo problema de vários ângulos diferentes, por culturas diferentes, e nem sempre - ou na maioria das vezes - a nossa solução não é a melhor. Pode ser que a solução vista por uma outra cultura, de outra perspectiva, seja a melhor solução para aquele planeta, para aquele problema. E nós temos muitos problemas para serem resolvidos nesse nosso planeta, que só vão ser resolvidos se nós nos juntarmos e trabalharmos juntos, usando as diferenças para somar, e não para dividir.

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Depois, o voo espacial em si. Ah, que horas são agora? Quase 1h da tarde, exatamente a essa hora eu estava... Há 20 anos, eu estava dentro da espaçonave, provavelmente fazendo a preparação de algum sistema - nós ficamos dois dias na Soyuz até nos conectar à estação espacial. Ali há uma questão interessante porque você tem que se adaptar às condições de microgravidade, você já passou por uma decolagem, que é impressionante... E lá estava o Chico Rodrigues, acompanhando a decolagem. Aliás, durante todo o processo da manutenção do Brasil na Estação Espacial Internacional, eu contei aqui com vários Deputados, como Chico Rodrigues, Aroldo Cedraz, Maurício Rabelo, Jair Bolsonaro, ajudando para que nós permanecêssemos na estação espacial, o Brasil. Eles notaram a importância disso. E o Chico estava lá, acompanhando aquela decolagem.

Foi interessante - estava falando aqui do finalzinho, antes de ir para a espaçonave - porque nós tivemos a preparação toda ali num hospital em que a gente fica lá em Baikonur. No dia anterior teve um eclipse, e o pessoal falando: 'Um eclipse no dia anterior, vocês não estão preocupados?", "Você vai na Expedição 13, você não está preocupado com o número 13?", "Não, é um número igual a outro, é um evento igual a outro", mas aí... Nós tivemos a Valentina Tereshkova falando conosco lá durante praticamente a madrugada toda, toda aquela preparação, e aí saímos ali do hotel, e eu lembro que na saída tinha três sacerdotes da Igreja Ortodoxa, que é a igreja lá da Rússia, com aqueles chapéus grandes - é diferente daqui -, barba. E aí eles falaram e eu estava entendendo bem russo na época, mas eu não entendia nada do que eles falavam, porque eles estavam falando em um russo arcaico, como se fosse falar em latim para a gente, então não entendi, perguntei para o Pavel: "O que é isso, o que eles estão falando?", ele: "Não, depois eu te falo". Quando nós saímos, fomos para o ônibus lá, eu falei: "O que era aquilo que eles estavam falando, afinal de contas?", "Não, aqueles eram the last rites, depois procura". Aqui a gente costuma falar "extrema-unção". É estranha a sensação, mas é essa a sensação.

E eu tive, no dia anterior também, às 5h da tarde, a oportunidade de conversar com a Fátima, o Fábio e a Carol, a minha família, durante meia hora - com a enfermeira olhando no relógio, marcando meia hora -, e ali foi difícil porque eu não sabia o que falar para eles. É estranho. Você já pensou nisso? O que você falaria para os seus filhos se você tivesse meia hora para se despedir deles, sem saber se você vai voltar ou não? É uma sensação estranha, a gente não para pra pensar nessas coisas. E eu lembro que, quando eles saíram pelo corredor do hospital, eu olhei para eles... Podia ser a última vez que eu estava olhando.

E a gente tem que continuar a cumprir a missão, o que a gente aprende com isso, e também na nossa missão como força aérea, como piloto de caça, piloto de combate, é que, independentemente se o inimigo é forte ou se o inimigo não é forte, independentemente das condições, você tem que decolar, você tem que cumprir a missão; você é responsável por uma bandeira, você é responsável por um país, em cumprir essa missão. Foi por isso que, durante a decolagem, eu apontei para a bandeira, apontei para cima. Eu apontei com dois dedos porque eu queria dizer que estávamos todos indo juntos, e a bandeira significa: todos nós, cada um de nós, estamos indo juntos. Eu ia apontar com um dedo só, mas um não dá noção de "juntos": estamos indo juntos, com dois dedos para cima.

E esta é uma coisa que a gente precisa falar neste nosso país: nós precisamos ir juntos, para cima, resolver qualquer diferença e ir juntos, realmente ter sucesso aqui, juntos. Ninguém decola faltando o motor: a gente precisa decolar junto aqui neste país.

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E, depois daquela decolagem ali, tudo aquilo, de repente eu estava no espaço. Quando eu olhei para a Terra pela primeira vez, aquela Terra azul maravilhosa, eu me lembro bem da primeira coisa que passou na minha cabeça. Foi lá da D. Zuleika, lá atrás, minha mãe, D. Zuleika, com os olhos azuis da cor da Terra, falando para mim: "Olha, você pode ser tudo que você quiser na vida, desde que você estude, trabalhe, persista e sempre faça mais do que esperam de você". E ela estava certa. Ela não pôde ver aquilo, com os olhos azuis dela, porque ela faleceu em 2002, mas meu pai, Sr. Virgílio, viu, lá de Bauru. E eu tenho certeza de que ela me acompanhou lá naquele momento, e foi um momento muito especial.

Quando você se vê ali no espaço, entre tantas coisas que você tem para fazer, os experimentos nossos, experimentos dos outros países, manutenção dos sistemas - a gente estava montando o sistema de comunicação da estação espacial na época -, o dia é contado a minuto, mas você tem um momentinho em que você fica com você mesmo, e você olha para aquela Terra e raciocina: qual a importância da nossa vida aqui neste planeta? Qual a importância do nosso legado aqui? Porque às vezes a gente se perde no meio de tantas coisas que nós achamos que são importantes no dia a dia, ou que nós achamos que são importantes, em troca ou contra outras pessoas. A gente vive discutindo se nós estamos corretos ou errados, enquanto tem muito mais coisas importantes para se fazer nessa vida - e a vida da gente passa rápido.

Eu estava vendo minhas fotos, meus vídeos aqui naquela época, com cabelo preto ainda, e estava lá o Chico também com cabelo preto, o Dr. Mussi já tinha cabelo branco, mas estava lá... (Risos.) E agora você vê como a vida passa tão rápido. No final das contas, o que fica, atrás de tudo isso, é um legado, é aquilo que, quando você chega no final da vida, você fala assim: o que eu vou levar disso aqui? E não é material, não, nada disso. Você vai ter orgulho daquelas coisas que você fez na vida? É bom a gente pensar isso a cada dia, nas coisas que a gente faz, nas escolhas que nós fazemos em cada dia da nossa vida.

Nós fazemos muitas escolhas estranhas, muitas vezes levados pela emoção, emoções ruins, é raiva, eu quero descontar alguma coisa. E, de repente, você percebe que isso não vale absolutamente nada, o que realmente significa são aquelas pessoas que, de alguma forma, você pôde ajudar.

E aí vem um ponto bacana, depois da Nasa. Participei da ONU como embaixador para desenvolvimento industrial, eles vieram aqui dar o WorldSkills também, da fundação, que lá em Bauru a gente faz... Aliás, está todo mundo convidado aqui, no segundo final de semana de junho, para o Arraiá Aéreo.

É muito bom você ver o resultado de tudo isso, do trabalho no ministério, nas coisas que você faz no dia a dia, todas as dificuldades, dificuldades financeiras, dificuldades de burocracias e tudo mais, mas você vê os resultados dessas coisas acontecendo. Eu não vou entrar aqui pelas execuções lá do Ministério da Ciência e Tecnologia, pelas realizações do Ministério da Ciência e Tecnologia, tem muita coisa para falar, mas não é esse o meu objetivo aqui.

Agora, o programa espacial é algo de que é importante a gente citar aqui. Então, hoje, o programa espacial está diferente. Chamon você pegou um momento de crescimento no programa espacial. Eu lembro que o Moura, Zé Raimundo... Com muita dificuldade lá atrás também, falta orçamento, falta estratégia, falta prioridade de o país olhar para o programa espacial da maneira como deveria olhar.

Eu, como Ministro, sofri bastante para que isso pudesse sair e acontecer. E isso não é só com relação à infraestrutura ou dinheiro, isso tem a ver com a formação dos jovens, a motivação dos jovens, tem a ver com a formação dos cientistas, a infraestrutura para os cientistas poderem produzir.

O recurso para isso também, sem dúvida nenhuma. E tem a ver com a capacidade de desenvolver aqui no Brasil foguetes, satélites, desenvolver os nossos centros de lançamento, a capacidade de operar comercialmente aqui no Brasil, e tudo isso está funcionando. Está ali o Davi, da Innospace, empresa coreana que fez o primeiro lançamento comercial aqui do Brasil. Parabéns! Eu tenho certeza de que vai ser muito sucesso, e ainda tem vários lançamentos para serem feitos. E não para por aí. Aqui no Senado, nós trabalhamos com a Lei Geral do Espaço, trabalhamos com a criação da empresa Alada, e o programa espacial está num momento maravilhoso. Ele pode, sim, e vai decolar, e como!

E dentro dessa decolagem entram os nossos futuros astronautas. Nós ouvimos aqui o Israel, falando lá de Cerquilho. Eu me lembro do dia em que eu fui lá visitá-lo. Ele está muito diferente agora daquele dia em que a gente foi lá. A Christiane está aqui - ela me acompanha, há 25 anos, nessa jornada. Eu tenho que agradecer muito a ela por tudo que a gente tem feito aí ao longo disso. E eu lembro que, lá em Cerquilho, na primeira vez que eu falei com o Israel - ele era tímido, quase não falava nada, ele era, e é, muito inteligente, sabe? -, eu percebi que tinha alguma coisa ali diferente: esse rapazinho vai ter sucesso. Entregamos lá a medalha da OBA, que eu faço questão de entregar, eu acho importante motivar os alunos, tanto que a gente tinha a secretaria, no ministério, de promoção e popularização da ciência, o que eu acho extremamente importante, e é nossa promessa aí. E, assim como o Israel, está aqui o Eric, que mostrou o foguete dele, as ideias, os sonhos. Eu tenho certeza de que ele vai conseguir chegar, e - quem sabe, né, Chico? - quem sabe seja não só engenheiro, engenheiro aeronáutico, engenheiro aeroespacial, astronauta também, mas venha aqui - porque a gente não fica aqui para sempre, ele tem que vir aqui - representar a ciência e tecnologia e falar a respeito de assuntos estratégicos para o país da maneira como nós sabemos fazer? Cada um aqui tem o seu estilo, cada um aqui tem a sua história. Traga a sua história, o seu estilo, traga as suas capacidades para cá. A gente precisa de jovens capazes, jovens que são inteligentes, jovens que acreditam no Brasil e fazem as coisas pelo Brasil. Não é só falar; é vir aqui e fazer, isso é importante demais.

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Eu estou muito feliz, hoje, de estar nessa comemoração dos 32 anos da Agência Espacial Brasileira, 20 anos da Missão Centenário - para mim, parece ontem, o tempo passa muito rápido. Eu tenho certeza de que esse dia vai ficar gravado como mais um dia, como eu falei, de lugares, eventos, pessoas, emoções e aprendizados. Hoje trouxe aqui o Senado este evento, com essas pessoas todas que aqui falaram e deram seu testemunho, com aquelas estão acompanhando também, com as emoções que nós sentimos aqui. Eu confesso que foi difícil segurar as lágrimas muitas vezes. Aliás, às vezes, o pessoal fala que eu não demonstro muita emoção, mas sinto, sim, bastante. É que piloto de caça trabalha de forma lógica na maior parte do tempo, mas, aqui, a emoção é bom sentir, sentir essa emoção de prazer, essa emoção de honra de estar aqui com vocês, essa emoção de orgulho de fazer parte dessa história e de fazer parte do nosso Senado.

Nós temos muitas coisas para fazer. Eu sou um dos que vêm aqui reclamar da inércia do Senado em muitos aspectos, mas nós não vamos desistir. Nós vamos vencer, o país vai vencer, o programa espacial vai vencer, o Eric vai vencer, todos os nossos jovens que realmente se dedicam, estudam, trabalham, persistem e sempre fazem mais do que esperam deles vão vencer também.

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Obrigado, Presidente Damares Alves, por marcar esta sessão, por colocar isso para funcionar aqui. Obrigado, Chico, não só por hoje, mas por todo o passado, por essa ajuda toda. Obrigado, Chamon, por estar conduzindo a Agência Espacial Brasileira. Obrigado, Rodrigo - um abraço lá para os nossos amigos da Força Aérea, um abraço para o Damasceno lá e todos. Obrigado pela presença de cada um.

Obrigado aos nossos embaixadores e representantes aqui. O trabalho em conjunto é extremamente importante. Eu vejo aqui o nosso representante também da Embaixada da Rússia aqui conosco, que morou lá em Baikonur, no Cazaquistão, e sabe bem como é que funciona tudo. E eu quero agradecer o carinho, toda a recepção que eu tive na Rússia e que eu tenho na Rússia em todas as vezes que eu vou para lá e a amizade que nós temos entre cosmonautas, entre pessoas. No final das contas, nós vivemos numa espaçonave só, que a gente chama de Terra. Então, o espaço acaba servindo como um exemplo para que a nossa relação entre países e entre pessoas fique cada vez melhor - e precisa ficar. Então, a presença aqui para mim é essa demonstração. Olhe, muito obrigado. Estarei lá muito em breve, se Deus quiser, para ver uma decolagem do Soyuz por fora, porque eu nunca tive chance de enxergar uma - só estava dentro dela.

Obrigado, obrigado a todos.

Sucesso a todos nós. (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada, Senador Astronauta Marcos Pontes.

Agora, eu tenho a alegria de conceder a palavra ao Senador Chico Rodrigues, meu amigo, meu irmão, representante de Roraima. Quando o Marcos Pontes não está, eu falo que Chico Rodrigues é meu Senador predileto. Aí, quando os dois estão juntos, eu falo que um é meu astronauta predileto e que o Chico é o meu Senador predileto.

Senador Chico Rodrigues, que honra e que honra saber de seu envolvimento direto com a Missão Centenária. Eu não sabia, foi uma surpresa. Que Deus o abençoe. V. Exa. tem o seu tempo.

O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar.) - Minha querida Presidente, Senadora Damares Alves, que é a caixa de ressonância do pensamento feminino do Brasil aqui nesta Casa; colega Senador e amigo de longa data Marcos Pontes; autoridades aqui presentes, que eu cumprimento na pessoa do decano Dr. Mussi, que representa exatamente esse programa, para ficar vivo na nossa memória o seu envolvimento e a sua dedicação, já ultrapassando a fronteira dos 90 anos com esse vigor intelectual, esse exemplo que deixa o rastro de uma força para que a ciência e a tecnologia do Brasil tenham milhares de seguidores; eu subo hoje a esta tribuna com um sentimento especial de orgulho nacional e - por que não dizer? - pessoal para celebrar duas datas que simbolizam o sonho, a ousadia e a capacidade do povo brasileiro de olhar para além do horizonte.

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Comemoramos os 32 anos da Agência Espacial Brasileira, uma instituição que, desde sua criação, tem sido guardiã de um projeto estratégico para o país: o domínio do espaço como instrumento de desenvolvimento, soberania e inovação.

Celebramos também os 20 anos da histórica Missão Centenário, um marco que permanece vivo na memória de todos nós. Foi naquele momento que o Brasil rompeu a barreira da atmosfera e escreveu seu nome entre as nações que já enviaram um cidadão ao espaço, um feito que teve rosto, coragem e, acima de tudo, dedicação: o do nosso primeiro astronauta, Marcos Pontes, hoje Senador desta Casa, que honra o Parlamento com sua trajetória singular. Senador Astronauta Marcos Pontes, eu, que acompanho com carinho sua carreira praticamente desde o início, hoje me orgulho de perfilar ao seu lado nos trabalhos desta Casa de representação política e fortaleza de nossa democracia.

Senhoras e senhores presentes, tenho a honra de dizer que fui testemunha ocular deste momento histórico. Para minha alegria, estive presente no lançamento do primeiro brasileiro ao espaço, no Cazaquistão, há exatos 20 anos. Vi com emoção indescritível o instante em que aquele foguete deixou o solo, levando consigo não apenas um homem, mas os sonhos de mais - na época - de 180 milhões de brasileiros. Naquele momento, o Brasil não apenas chegou ao espaço, o Brasil afirmou ao mundo que é capaz de sonhar grande e, mais do que isso, de realizar. Todo dia, no meu trabalho parlamentar - e já se vão quase 40 anos -, eu gosto de repetir uma máxima: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce". Senador, astronauta e amigo Marcos Pontes, com o nosso trabalho transformamos sonhos em realidade, por isso o meu trabalho não para, com ele estou sempre transformando sonhos em realidade.

Voltando à Missão Centenário, ela não foi um evento isolado, ela foi resultado de décadas de investimentos em ciência, tecnologia e formação de talentos. Foi fruto do trabalho sério da Agência Espacial Brasileira, das universidades, dos centros de pesquisa e de todos aqueles que acreditaram que o espaço não é um luxo, mas uma necessidade estratégica em benefício do ser humano.

Hoje, ao olharmos para o desafio do século XXI, essa visão se mostra ainda mais relevante. O Programa Espacial Brasileiro é essencial para o monitoramento ambiental, para a agricultura de precisão, para a defesa nacional, para as telecomunicações e para a integração de um país de dimensões continentais como o nosso querido Brasil.

Celebrar os 32 anos da AEB é, portanto, reafirmar nosso compromisso com a ciência, com a inovação e com o futuro. Celebramos os 20 anos da Missão Centenário renovando nossa crença de que o Brasil pode e deve ocupar o lugar de protagonismo no cenário internacional de tecnologia espacial.

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Mas, acima de tudo, esta é uma celebração de pessoas, de brasileiros e brasileiras que dedicaram as suas vidas à pesquisa, à engenharia e ao conhecimento; de jovens que se inspiraram naquele lançamento e decidiram seguir carreira científica; de todos os que acreditaram que investir em ciência é investir no desenvolvimento do nosso querido Brasil.

Que esta data não seja apenas de memória, mas um compromisso com o futuro, compromisso com mais investimentos, compromisso com políticas públicas consistentes, compromisso com um projeto nacional que enxergue no espaço uma fronteira de oportunidades, porque um país que alcança o espaço demonstra, acima de tudo, antes Astronauta e Senador, essas oportunidades para beneficiar o nosso povo, porque um país assim demonstra muita força e, acima de tudo, muita determinação.

Parabéns à Agência Espacial Brasileira. Parabéns à Missão Centenário. Parabéns, colega e Senador Astronauta Marcos Pontes. Parabéns ao povo brasileiro que continua olhando para o céu, não com resignação, mas, acima de tudo, gente, com ambição.

Eu tive a oportunidade de acompanhar, como já foi dito aqui pelo Senador Marcos Pontes, muitos anos daquela operação de treinamento, capacitação e, acima de tudo, de exemplo de obstinação, apesar das dificuldades que foram encontradas pelo caminho.

Muitos aqui presentes conhecem, com precisão cirúrgica, as dificuldades que foram enfrentadas pelo Programa Espacial Brasileiro, mas, acima de tudo, do nosso astronauta.

Eu tive a oportunidade, muitas vezes, em Houston, de acompanhar o treinamento do Senador Marcos Pontes; e, voltando ao Brasil, vendo a carência de recursos e, depois de capacitado, preparado, treinado, em condições de voo, foi feita uma verdadeira operação de guerra, de convencimento, à época do Presidente Lula, através do saudoso e companheiro de longas jornadas Ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos, que nos recebeu lá e, sozinho, na sala do seu gabinete, conversou com o Senador Marcos Pontes e disse que iria levar o projeto do voo ao Presidente. E, de lá, na verdade, houve a determinação exatamente para que, com qualquer custo, fosse realmente feita a missão e cumprida a missão.

Portanto, quero dizer aqui, como foi falado pelo Senador Marcos Pontes - Aroldo Cedraz, Maurício Rabelo, Jair Messias Bolsonaro, à época, colegas nós éramos da Comissão de Ciências e Tecnologia e também da Comissão de Defesa Nacional -, que houve realmente um empenho profundo.

E, apesar do querer contrário de muitos, a decisão de nós termos um astronauta capacitado, comprometido com o país, para representar o Brasil no espaço, chegou, não em uma nave americana, mas numa janela de oportunidades de nações soviéticas.

E, a partir daquele momento, o Brasil, na verdade, mostrou a capacidade dos seus técnicos, mostrando, acima de tudo, o compromisso do Congresso Nacional, sim, senhor, naquela época, porque todos defendiam o voo do Astronauta Marcos Pontes.

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E lá, gente, emociona-nos dizer que, naquelas caminhadas, ali em Baikonur, nós víamos a fragilidade, víamos a inquietação da Fátima, esposa do Marcos - nós passamos todo o tempo juntos, fomos em uma nave, em um avião soviético, de Moscou a Baikonur - no dia do lançamento, e aquela inquietação, naquele momento de despedida, ali no vidro, com o Pavel, o Jeffrey e o Marcos...

O Marcos era o mais alegre de todos; parecia Yuri Gagarin ali - todo mundo, inclusive, fazia esse comentário ali -, com aquela resiliência monumental, que, na verdade, transmitia a todos nós ali a segurança, mais a família, os filhos, os dois, o Fábio e a Carol, adolescentes, ali olhavam...

E você, também como pai, verificava, imaginava o que passava na cabeça da mãe ali, vendo, na verdade, o que poderia acontecer, e o que acontecia era pela vontade de Deus.

Mas a vontade de Deus, Marcos, levou, trouxe e deu a honra de você, na verdade, ser uma pessoa querida e admirada por todo o Brasil, a ponto, gente, de, na eleição passada, o Marcos ter tido mais votos para o Senado do que o candidato a Presidente da República em São Paulo - o reconhecimento silencioso da população do Estado de São Paulo.

Lembro-me de quantas e quantas vezes nós falávamos ao telefone. Marcos seria candidato a Deputado Federal. E, no momento de inspiração qualquer do destino, porque nada acontece sem a vontade de Deus...

O tempo do homem não é o tempo de Deus, e, na verdade, estava reservado, quando ele me disse... Um sábado, eu em campanha, e o Marcos disse: "Poxa, o Presidente Bolsonaro agora quer que eu seja candidato ao Senado. E aí?". Eu disse: "Aí? Você foi muito mais longe; você foi ao espaço. O espaço da Terra é pequeno para você".

E, graças a Deus, ele aceitou a indicação, foi candidato e teve aquela maior votação da história de São Paulo para o Senado.

Portanto, está aqui honrando. Na Comissão de Ciência e Tecnologia, ele praticamente é a caixa de ressonância das demandas reprimidas do Brasil em ciência e tecnologia!

E as conquistas, Senadora Damares, V. Exa., que na área social é o exemplo também desses novos Senadores que entraram aqui no Parlamento...

Eu não estou muito velho, não, gente, mas eu fui colega do Ulysses Guimarães aqui, 1990, quando entrei, em 1991, quando entrei na Câmara dos Deputados, onde fiquei por mais de 20 anos. E depois fui Governador, Vice-Governador, fui Vereador, enfim, já estou no nono mandato, sempre com o mesmo orgulho e a mesma determinação que o Marcos, hoje, transfere para a ciência e tecnologia.

Na verdade, são um troféu para a gente as conquistas que a gente vê chegar a cada dia nas populações dos nossos municípios, dos nossos estados, da Amazônia, eu, como representante do Estado de Roraima e do Brasil - por que não dizer?

Portanto, parabéns, meu amigo Marcos Cesar Pontes, Senador da República!

Essa frase que inspirou... E olhem, com aqueles olhinhos pequenos, ali, de japonês do Eric...

Como você disse, trabalhe, estude, persista e faça mais do que alguém possa esperar por você. E aí, na verdade, o futuro, e o voo, fica muito mais fácil na vida de cada um de nós, mas, acima de tudo, de todos nós, brasileiros, que, neste país gigantesco, neste país de dimensões continentais, de uma capacidade que Deus nos deu de termos uma tabela periódica, de mantermos os minerais estratégicos...

Dizia-me um professor meu na Itália, quando estudei lá em Roma, como engenheiro agrônomo, no curso de Política de Desenvolvimento Rural e Urbano, ele dizia, na verdade, que o Brasil era maior do que o sonho dos brasileiros, que foi Amintore Fanfani, que era um dos professores, depois veio ser Primeiro-Ministro da Itália, e dizia isso. E, na verdade, a gente vive essa realidade hoje.

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Então, o Brasil é maior do que muitos acreditam, e, para nós, 215 milhões de brasileiros, esse é apenas o começo da decolagem dessa grande nave que se chama Brasil.

Portanto, parabéns aos 32 anos da AEB! Parabéns aos 20 anos da Missão Centenário!

E, Marcos, você é orgulho não apenas de nós, seus colegas Senadores, mas orgulho do Brasil.

Muito obrigado. (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada, Senador Chico Rodrigues.

Eu, agora, concedo a palavra ao Sr. Marco Antonio Chamon, Presidente da Agência Espacial Brasileira.

O SR. MARCO ANTONIO CHAMON (Para discursar.) - Muito rapidamente, eu gostaria de agradecer enormemente ao Senado brasileiro pelo apoio, por esta homenagem, por este dia, pelo apoio que ele sempre deu ao Programa Espacial Brasileiro, e eu espero que nós continuemos a merecer esse apoio.

Mas, em particular, eu gostaria de agradecer à Senadora Damares Alves, que fez o requerimento e permitiu que nós estivéssemos aqui neste momento.

Quero agradecer aos membros da mesa.

Senadora, se me permite, eu gostaria de lhe oferecer uma pequena homenagem pelos 32 anos da Agência Espacial Brasileira. (Palmas.)
A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Fora do microfone.) - Eu vou para a Lua?! (Risos.)
(Procede-se à entrega de homenagem da Agência Espacial Brasileira, pelo Sr. Marco Antonio Chamon, à Senadora Damares Alves.) (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Eu quero agradecer à Agência Espacial Brasileira pela homenagem.

Eu estava ficando triste, porque todo mundo ganhou uma homenagem... Mas, olha, a minha foi especial!

Mas eu pensei que o senhor iria me chamar para ir para a Lua. Eu vou. Pode chamar. Eu vou. (Risos.)

Que Deus o abençoe!

Eu fiquei muito contente também que o Senador Chico Rodrigues se referiu ao Presidente Bolsonaro.

Independentemente de nossas posições políticas - e eu respeito todas, e todo mundo sabe como eu lido -, quando Ministra, Presidente Marco, ele me chamou, e eu era responsável por toda a área de direitos humanos, e nós tínhamos alguns entraves ainda lá em Alcântara. E eu me lembro de que o Presidente disse: "Você vai ser Ministra de Direitos Humanos, mas você vai dar uma atenção especial à Agência Espacial Brasileira em tudo que eles precisarem para o diálogo com as comunidades de Alcântara, para o diálogo com as comunidades quilombolas". E assim a gente fez.

Então, o Presidente Bolsonaro também tinha, desde lá atrás, quando Deputado e depois como Presidente, esse olhar especial para a Agência Espacial Brasileira, e eu recebo, com muita honra, essa medalha e a divido com o meu eterno Presidente Bolsonaro, por tudo que ele fez pela agência.

Que Deus abençoe!

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E eu quero dizer que vocês têm um time aqui dentro do Senado. Não sejam tímidos em nos acionar o tempo todo - não é, Senador Chico Rodrigues? Venham atrás da gente, conversem com a gente.

Às vezes, é uma medida provisória que está tramitando, ou uma PEC, ou um projeto de lei que a gente não viu e que pode trazer um prejuízo para a agência. Peço que nos acione.

Vocês têm uma excelente assessoria parlamentar, mas nossos gabinetes estão abertos 24 horas.

Esta homenagem aqui é de verdade. Todos os Senadores queriam estar presentes aqui, mas esta semana o Senado está com problemas, estamos no final de prazos eleitorais, Senadores não virão esta semana...

Então, assim, entendam que eles estão online acompanhando. O Senado Federal respeita a Agência Espacial Brasileira.

Bom, passamos agora ao lançamento do livro comemorativo dos 20 anos da Missão Centenário.

Aqui está o livro, muito lindo.

Essa obra vai além do registro histórico. Ela reúne memórias, conhecimentos e relatos dos protagonistas da missão, cientistas, engenheiros e técnicos, preservando para as futuras gerações um capítulo que não pode se perder.

É um instrumento de memória, mas também de inspiração, prova de que o Brasil sabe produzir ciência de fronteira quando há vontade e articulação.

Convido tão somente para subir novamente, para receber um exemplar do livro, os autores de capítulos da obra, para se dirigirem aqui à mesa para a entrega simbólica: o Sr. Raimundo Nonato Fialho Mussi, Gerente da Missão Centenário; Loiva Lopes Calderan, Subgerente da Missão Astronauta da Agência Espacial Brasileira (AEB), responsável pelo treinamento, pelos itens pessoais e pela recuperação do astronauta; o Sr. Edson Bazzo, Cientista da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável pelo experimento teste de evaporadores capilares em ambiente de microgravidade; o Sr. Flávio de Azevedo Corrêa Junior, Pesquisador Sênior, coordenador dos experimentos de microgravidade do DCTA-IAE, e Assessor Técnico-Científico da Missão Centenário no âmbito do Programa Microgravidade da AEB; Márcia Lopes Henriques Mantelli, Pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, responsável pelo experimento dos minitubos de calor.

Convido os senhores para virem à mesa, virados para lá.

Eu vou pedir ao Senador Chico Rodrigues, que estava lá, que acompanhe o Senador Marcos Pontes na entrega da obra, no lançamento oficial do livro Bastidores da Missão Centenário.

E vocês podem ter informações sobre o livro no site do Senador Marcos Pontes - www.marcospontes.com.br.

Eu sei que vai ser um livro muito procurado por estudantes, pela academia, por cientistas, então estamos oficialmente lançando o livro.

E eu vou também lá para a frente, para tirar uma foto com os autores dos capítulos.

(Procede-se à entrega do livro Bastidores da Missão Centenário aos autores de capítulos da obra.) (Palmas.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Como eu imaginei, já está todo mundo perguntando como ter acesso ao livro. No site do Senador - marcospontes.com.br -, tem informações sobre a obra.

Antes do encerramento, convido a todos para acompanharmos o Hino dos Aviadores, que será interpretado pela banda da Base Aérea de Brasília, sob a regência do Suboficial Marcelo Mendes de Oliveira.

(Procede-se à execução do Hino dos Aviadores.)
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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Senhoras e senhores, ao encerrarmos esta sessão, levamos conosco mais do que registros e homenagens, levamos a certeza de que a ciência transforma e de que o Brasil tem, em sua história e em seu povo, a capacidade de ir cada vez mais longe.

Hoje celebramos os 32 anos da Agência Espacial Brasileira, essa agência amada por todos os brasileiros, e os 20 anos da Missão Centenário. Duas trajetórias que se entrelaçam e que representam o melhor do esforço coletivo brasileiro. Que esta manhã permaneça como um marco de reconhecimento, mas também como um chamado ao futuro, um futuro em que ciência, educação e inovação sigam sendo prioridade.

Agradeço, de forma especial, a presença de todas as autoridades, dos homenageados e dos convidados.

Aproveito também para convidar todos os presentes para a solenidade de abertura e coquetel de inauguração da exposição: Universo Espacial - A Terra é Azul, que será realizada hoje, às 15h, no Brasília Shopping.

Deixe-me dirigir à população: nós teremos uma semana de feriados, levem seus filhos ao shopping, Brasília Shopping. Está lindo! Escolas, vamos lá, ainda dá tempo de fazer uma caravana.

E vejam só que lindo, gente. Olhem esse gibi. Esse daqui vai ficar guardado na minha casa a sete chaves. Não me peçam, esse daqui é meu. Mas lá, durante a exposição, também estão acontecendo oficinas. E o Astronauta vai estar lá. As crianças querem ver o Astronauta. É um evento para toda a família, para todo mundo. Então hoje é o coquetel de lançamento, mas já está acontecendo a exposição e as oficinas.

E eu quero agradecer, Senador Marcos Pontes, à nossa Governadora - hoje ela tomou posse, mas como Vice-Governadora lutou muito para que essa exposição acontecesse no Brasília Shopping -, também aos responsáveis pelo Brasília Shopping.

E, Senador, não posso encerrar esta sessão sem registrar agradecimentos à Christiane. Sem Christiane esta sessão não teria acontecido. Obrigada, Christiane, por seu empenho, sua dedicação, pelo carinho com os mimos a todos os convidados que estiveram presentes.

Esta sessão, gente, encerra aqui por causa do horário, mas ela se eternizou. Presidente Marcos, esta sessão se eternizou, ela agora faz parte dos Anais do Senado Federal. E, por ter sido transmitida ao vivo, ela vai ser repetida inúmeras e inúmeras vezes pela TV Senado. Muita gente vai assistir de madrugada, vai assistir em um outro horário.

Nós hoje, como Senado Federal, aqui, conduzimos um momento histórico para nossa Casa. Foi uma honra para o Senado Federal recepcioná-los, uma honra para o Senado Federal homenagear a Agência Espacial Brasileira e celebrar junto os 20 anos da Missão Centenário.

Convido agora as autoridades, os homenageados e os demais participantes para o registro fotográfico oficial ao final da sessão.

E, nada mais tendo a tratar, rogando as bênçãos de Deus para a vida de todos os senhores e para a família, eu declaro encerrada esta sessão. (Palmas.)
(Levanta-se a sessão às 13 horas e 35 minutos.)