Notas Taquigráficas
4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 13 de abril de 2026
(segunda-feira)
Às 16 horas
33ª SESSÃO
(Sessão Especial)
| Horário | Texto com revisão |
|---|---|
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fala da Presidência.) - Paz e bem a todos vocês. Eu declaro aberta a sessão. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento nº 224, de 2026, de autoria desta Presidência e de outros Senadores, aprovado, por unanimidade, pelo Plenário do Senado Federal. Quero aqui fazer um agradecimento especial ao Senador Davi Alcolumbre por ter colocado, inclusive, extrapauta, esse requerimento, para que a gente pudesse fazer esta justa, esta merecida homenagem, com todo o respeito a alguns que são de outras cidades e que estão aqui pela afetividade com Fortaleza, à cidade mais linda do Brasil. Eu gostaria de informar que a sessão é destinada a celebrar os 300 anos, o tricentenário da capital cearense, capital da Terra da Luz, Fortaleza. Nós vamos compreender hoje aqui, com a presença de historiadores, o porquê desse nome, as raízes dessa terra tão abençoada, tão querida, não apenas pelos cearenses, nossos conterrâneos, mas também pelos brasileiros e por muitas pessoas de outros países. |
| R | Compõem a mesa desta sessão especial os seguintes convidados: Sr. Deputado Federal Domingos Neto, Deputado pelo Estado do Ceará - muito obrigado pela sua presença, Deputado (Palmas.); a Sra. Gabriella Aguiar, Vice-Prefeita da Cidade de Fortaleza, representando o Prefeito Evandro Leitão. (Palmas.) O Prefeito - e a gente compreende perfeitamente, não é, Vice-Prefeita Gabriella? - está à frente de uma série de celebrações que começaram ontem à noite, aliás, começaram há mais tempo, mas, ontem à noite, na virada, teve os primeiros momentos. Depois, a nossa querida Vice-Prefeita vai falar um pouco da celebração também. O Sr. Danilo Lopes, que foi Vereador do Município de Fortaleza no período de 2000 a 2024 - muito obrigado pela presença (Palmas.). É um apaixonado pela cidade o Vereador Danilo. Fez um vídeo hoje que está aí viralizado, completamente, nas redes sociais, trazendo um pouco da história. Ele vai, daqui a pouco, dar uma palhinha para a gente também. E o Dr. João Flávio Nogueira, que é médico e historiador - muito obrigado pela sua presença, trazendo a sua família, que está presente aqui, e muito obrigado pela presença de vocês (Palmas.). O doutor tem feito um trabalho apaixonante resgatando a história de Fortaleza. Eu o acompanho, sou fã do trabalho dele, a minha família também. A gente acompanha sempre seus vídeos, feitos com muito entusiasmo - e o entusiasmo vem de Deus, não é? É isso aí. A Presidência informa que a presente sessão contará, também, com a participação dos seguintes convidados, de forma remota. Nós temos o senhor... Perdão, não são ainda os que vão participar virtualmente, mas os seguintes convidados que estão aqui conosco, e eu agradeço a presença: Sr. José Sampaio de Lacerda Júnior, que é Presidente da Casa do Ceará, é uma referência, aqui em Brasília, da nossa terra - muito obrigado pela sua presença (Palmas.) - e também o Sr. Fernando Torres, que é Conselheiro da Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza e foi Presidente também da AJE (Palmas.). Muito obrigado pela presença. Está com a sua esposa aqui, a Riany - seja muito bem-vinda! -, e também vai dar uma palhinha para a gente da tribuna do Senado hoje... Nada acontece por acaso, Deputado. Quero lhe agradecer também por nos ajudar para que alunos da Universidade de Fortaleza estivessem aqui presentes hoje, alunos do curso de Direito. E eu fico muito feliz porque a universidade que eu vi nascer, de iniciativa do grande industrial Edson Queiroz, tem o nome da nossa cidade. A Universidade de Fortaleza está aqui hoje e o jovem Miqueias de Araújo, estudante da Universidade de Fortaleza, vai fazer também, depois, uso da tribuna do Senado. Muito obrigado pela presença de todos vocês. (Palmas.) |
| R | De forma remota, de forma virtual, como eu falei há pouco, nós vamos ter a presença do historiador Juarez Fernandes Leitão, que já está conectado online - hoje inclusive teve uma excelente entrevista com ele nas páginas azuis do jornal O Povo, ele que é o professor do sertão que conquistou Fortaleza -, do Sr. Sandoval Matoso da Cruz, também historiador, e de Evaldo Lima, também historiador, que vão fazer parte aqui desta sessão histórica, emblemática e simbólica da nossa capital do Ceará. Eu convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional, que será interpretado - olhem só que presente - pela Banda de Música do Batalhão da Guarda Presidencial, sob a regência do Sargento Vitorino, e pelo Coral do Senado Federal. Fortaleza agradece. (Procede-se à execução do Hino Nacional.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem! É de arrepiar, hein? Parabéns! Parabéns! Muito obrigado pela presença de vocês aqui conosco. Deputado Domingos Neto, eu estava falando, agora há pouco, aqui na TV Senado, que eu tive o privilégio e a benção de, logo quando cheguei aqui ao Senado Federal, fazer uma sessão como o último ato do centenário do nosso Fortaleza Esporte Clube. Fizemos aqui uma sessão, a diretoria e a torcida - tem uma embaixada do Leão aqui - vieram. Foi lindo aqui o evento. E estou tendo o privilégio de, na minha saída, no último ano... É muita coincidência: um do centenário e o outro do tricentenário da cidade, e o clube da gente leva o nome da cidade de Fortaleza. O Danilo, para não ficar chateado... (Pausa.) Pronto! Então, o Danilo é torcedor do Ceará; Gabriella é Ferroviário, não? (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Fortaleza. Olhe, pronto! Só está faltando o Ferroviário. Tem alguém aí? Não, mas tem... (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Olhe aí, pronto. Dr. Estenio Campelo. Está resolvido. Mas é interessante porque nós temos o futebol, que é uma expressão bem nossa, e o Ceará Sporting Club também, que tem uma história muito bonita, tem o nome do estado. Então, o nosso futebol tem o privilégio de ter os dois maiores times: um tem o nome da capital e o outro, o nome do estado. Isso aí não é uma coisa comum. Aliás, é algo que a gente não vê, e eu fico assim muito feliz, de uma certa forma, de estar aqui por pessoas que vibram pelo esporte. Esporte é vida, o esporte oferece um caminho para o resgate da cidadania, tirando os jovens de um caminho equivocado. Eu fico muito feliz também em estar participando desta sessão... Eu vi que o Domingos Neto só não me deu uma cutucada porque estavam as câmeras aqui, mas ele gostou do uniforme ali da Guarda Presidencial. (Risos.) (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Eu convido a todos para acompanharmos as canções Asa Branca - essa tem a ver com a alma do Nordeste -, de autoria de Luiz Gonzaga, e Suíte dos Pescadores, de autoria de Dorival Caymmi, que serão interpretadas pelo brilhante Coral do Senado Federal, a quem eu agradeço mais uma vez por estarmos juntos aqui. |
| R | (Procede-se à apresentação das músicas Asa Branca e Suíte dos Pescadores.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem! (Palmas.) Espetacular! |
| R | Muito obrigado ao Coral do Senado, também sempre presente conosco aqui, um trabalho com muita dedicação, com muito carinho, com muito amor, e quero dizer o seguinte: que essa música inspira um pouco - eu estava vendo aqui, Professor - o Dragão do Mar. Por que o Ceará é chamado de Terra da Luz? Se eu estiver cometendo algum equívoco, depois você me corrige, mas nós fomos o primeiro lugar a libertar os escravos no Brasil, antes da Lei Áurea. Cinco anos, é isso? O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA (Fora do microfone.) - Quatro anos. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Quatro anos antes da Lei Áurea. E é interessante porque Dragão do Mar não deixou os navios negreiros aportarem com escravos lá, com muita bravura, e o Ceará tem essa marca de não baixar a cabeça para interesses, para, enfim, poderosos de plantão. Isso é muito bonito da nossa terra, um povo de fibra, e da capital dessa Terra da Luz, nós estamos celebrando hoje aqui os seus 300 anos. Olha, essa data não é brincadeira, e eu quero agradecer de coração pela presença do meu amigo, meu irmão, que é o nosso Líder do Bloco Vanguarda - acho que foi o primeiro Senador com que eu conversei aqui quando eu cheguei no Senado -, o Senador Wellington, porque estávamos chegando aqui e entendendo como é que funcionava essa questão de bloco, de lideranças partidárias. E o Senador Wellington Fagundes me acolheu, e hoje nós estamos com um bloco que são dois partidos: o PL e o Novo. A gente constituiu, e a liderança é do Senador Wellington Fagundes, que é de Mato Grosso e nos dá a honra da sua presença. Tem muito fortalezense, muito cearense lá em Mato Grosso, e o Senador Wellington sempre tem muito carinho pela nossa terra. A gente conversa bastante, e ele sabe que é sempre muito bem recebido lá no Ceará. Eu quero aproveitar, Senador Wellington - antes de o chamar para a tribuna, que o senhor já vai falar em instantes -, e eu quero fazer aqui uma saudação a esses brasileiros que - quem está nos acompanhando pela TV, pela rádio - é o segundo grupo que, neste instante aqui, desde que nós começamos a sessão, grupo de brasileiros que vêm conhecer o Senado Federal, a Casa revisora da República. Sejam muito bem-vindos ao Plenário do nosso patrono Ruy Barbosa! Vocês são de que estado, desculpa perguntar? (Manifestação da plateia.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Paraná, de Curitiba. São Paulo. Tem uma cearense ali, que bom, que bom, maravilha! Sejam bem-vindos! (Manifestação da plateia.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - São Paulo. Rio de Janeiro, olha que bacana! Aqui do Distrito Federal! Inclusive, você que está nos assistindo, se quiser fazer como esses brasileiros, cidadãos que querem conhecer a história aqui do Congresso Nacional, os museus que nós temos aqui, os competentes guias que estão sempre aqui trazendo e dando essas instruções, explicando como é que funciona, seja muito bem-vindo. Para você fazer como eles, para visitar o Congresso Nacional, basta acessar o site www.congressonacional.leg.br/visite. Você vai lá e essa visitação, você agenda. Pode ser realizada em dias úteis, exceto terças e quartas, porque a gente tem muito movimento de Comissão, votações, então às terças e quartas, não, mas, nos finais de semana e feriados, você pode vir conhecer, no horário das 9h às 17h. |
| R | Então, neste momento, eu chamo o nosso ilustre Senador pelo Mato Grosso, Senador Wellington Fagundes, para fazer aqui o seu discurso, o seu pronunciamento nesta sessão tão especial. Muito obrigado, Senador. (Palmas.) O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT. Para discursar.) - Meu querido e estimado Senador Eduardo Girão, meu líder, nós, como ele já disse, formamos o bloco, e eu tenho a honra de ser o Líder, mas, claro, com o nosso Vice-Líder também, Eduardo Girão. Quero aqui cumprimentar a todos os presentes, na pessoa do meu amigo, companheiro, Deputado Federal Domingos Neto, que eu acho que, por muitos mandatos - eu tive seis mandatos, lá na Câmara dos Deputados, e convivemos por muitos deles juntos -, ele continua lá firme, uma das pessoas referência na área do orçamento aqui no Congresso Nacional. Quero também cumprimentar aqui a Sra. Gabriella Aguiar, Vice-Prefeita de Fortaleza, e aí me permita também, na sua pessoa, cumprimentar todas as mulheres que aqui estão, brasileiras, do Estado do Ceará. Eu já estava falando do estado de Fortaleza, mas é da Fortaleza mesmo, né? E quero cumprimentar, então, também, a Dona Márcia Valéria Thé e seus cinco filhos, Senador Girão, já que a família é a base de tudo, e o senhor sempre fez questão de colocar aqui na sua espiritualidade a família acima de tudo. Eu quero também cumprimentar aqui o Vereador de Fortaleza Danilo Lopes e também o Flávio Nogueira, que é médico historiador e aqui está presente conosco nesta sessão. Claro, cumprimento aqui o Coral do Senado e também a banda de música Batalhão da Guarda Presidencial, e aí, na pessoa do Sargento Vitorino, que faz aqui a regência, cumprimento a todos, ao Exército Brasileiro, a todas as Forças Armadas, que para nós é um orgulho muito grande. Sr. Presidente, esta Casa presta aqui hoje uma homenagem justa, merecida e profundamente simbólica aos 300 anos de Fortaleza. São três séculos, três séculos e três séculos de contribuição ao Ceará e ao nosso Brasil como um todo. Como V. Exa. colocou, o meu Estado de Mato Grosso abrigou muitos cearenses que para lá foram, como o meu pai, que foi da Bahia para Mato Grosso a pé, e quem foi para lá foi para trabalhar, construir famílias, e, por isso, nós somos muito gratos também, como mato-grossenses, a todo o povo do Ceará. Ao apresentar essa homenagem, o Senador Girão presta aqui um tributo à grandeza de Fortaleza, à força do povo cearense e à importância histórica de uma das cidades mais importantes do nosso país. E esta não é apenas uma data comemorativa, é um marco, é um momento de memória, de respeito e, acima de tudo, de reconhecimento. Celebrar Fortaleza é celebrar uma cidade que carrega a força do seu povo, a riqueza de sua cultura, a beleza de sua identidade e ainda a energia de uma capital que se tornou referência para todo o Brasil, para todos nós brasileiros e, claro, para o mundo inteiro. Fortaleza é uma cidade de alma forte, é uma cidade vibrante e acolhedora, é uma cidade que cresceu sem perder as suas raízes, e isto é muito importante: uma cidade que cresceu muito, mas sem perder as suas raízes. Por isso, é uma cidade que honra o seu passado, mas também olha para o futuro com coragem, criatividade e determinação. |
| R | Falar de Fortaleza é falar de um povo trabalhador, de um povo resiliente e de um povo orgulhoso de sua história. Eu quero dizer que, agora, na sexta-feira, eu estava no Rio de Janeiro, lá num restaurante tradicional, com mais de 30 anos de existência, e o garçom era um cearense. Nunca viu uma pessoa tão politizada. E ele falava tanto do seu Ceará; e eu disse: "Você está aqui há quantos anos?". Ele disse: "Há trinta e poucos anos". "E, aí, seu título é daqui, do Rio de Janeiro?" Ele falou: "Não, faço questão de, em todas as eleições, ir lá e quero, um dia, quem sabe, até ser candidato pelo meu Ceará" - ele disse. Por isso, faço aqui uma homenagem a tantos cearenses que estão neste Brasil afora. Fortaleza, portanto, é um símbolo de identidade, de pertencimento, de resistência, de cultura, de esperança. Por isso, esta sessão solene tem um significado muito maior. Ela mostra que o Senado Federal sabe reconhecer a história das cidades que ajudaram a formar a identidade do nosso país. Fortaleza tem esse tamanho, tem essa história, tem essa grandeza. Por isso, aqui, ao povo fortalense, fica o nosso respeito e a nossa homenagem. Homenagem aos que vieram antes e que viram um país que podia crescer e se desenvolver, com todos os imigrantes que ajudaram a construir essa cidade, com sacrifício, coragem e, acima de tudo, visão; homenagem aos que hoje trabalham todos os dias, empreendem, educam, servem e fazem Fortaleza pulsar; e homenagem também às novas gerações, que têm a missão de levar essa história adiante, com ainda mais desenvolvimento, justiça social e orgulho de suas raízes, que é o que o Senador Girão tanto faz aqui, defendendo o seu estado e a sua cidade natal - eu fiz questão de procurar saber a cidade natal do Senador Girão. Por isso, que Fortaleza siga forte, siga humana, siga viva, siga orgulhando o Ceará e também todo o Brasil. E que fique registrado, aqui, mais uma vez, o reconhecimento à iniciativa do Senador Eduardo Girão, que propôs esta justa sessão solene em homenagem aos 300 anos da sua cidade natal, Fortaleza. Parabéns, Fortaleza! Parabéns ao povo cearense! E, mais uma vez, parabéns, Senador Eduardo Girão, por esta grande iniciativa! E, com certeza, aqui, fica o reconhecimento de todos nós pela história de Fortaleza e, claro, de todo o seu povo. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar - Presidente.) - Muitíssimo obrigado, Senador Wellington Fagundes, que - quem sabe? -, daqui a alguns meses, está assumindo aí o Governo do Estado do Mato Grosso. É um prazer imenso, e a sua presença aqui muito engrandece este evento, que a gente organizou com tanto amor. Quero agradecer à Tallita, ao Fabio, ao Fernando, a toda a nossa equipe, que organizou este evento com tanto carinho. E eu aproveito para fazer, aqui, a saudação à Sra. Presidente da Associação Nacional dos Auxiliares e Técnicos em Odontologia, Filomena Barros, aqui presente - muito obrigado pela sua presença - ... (Palmas.) ... ao Sr. Presidente-Executivo do Instituto Caju Brasil, Maurício Campos - muito obrigado também pela sua presença. (Palmas.) O Ceará tem essa marca do caju e é muito forte lá em Fortaleza. O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - É a maior árvore de caju do mundo, né? |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Não, ali é em Natal. Existe uma... O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - É em Natal? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É. Ali fica pertinho, no nosso vizinho Estado do Rio Grande do Norte; mas no Ceará tem muito, Senador Wellington. É impressionante. Nós tínhamos... Na minha infância, eu vivi muito ali na Cione. Cione era uma... Lembra-se disso não? Você falou que teve vários mandatos com ele e eu o fiquei imaginando de fralda andando aqui. (Risos.) Porque é jovem, muito jovem, o Deputado. É o quarto mandato já, Deputado? O SR. DOMINGOS NETO - É... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Você assumiu com quantos anos? O SR. DOMINGOS NETO - Vinte e dois. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Com 22 anos... Rapaz, você tem razão. O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - Olhe, eu fiquei até em dúvida quando ele me apresentou a Vice-Prefeita de Fortaleza... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Jovem demais! O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - ... mas com 15 anos já pode ser Prefeita? (Risos.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - E aí? É verdade... O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - Muito obrigado, Senador Girão. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - E a jovem Prefeita, a Gabriella, tem duas filhas lindas, a Sara e a Maitê, a Maria Teresa, né? A Sara nasceu ali na véspera de ela ter sido eleita. Foi nascendo e votando lá... (Risos.) É uma família bem política lá de uma região muito importante, a Princesa dos Inhamuns. Não sei se você conhece... A gente tem que levá-lo para comer a carne do... O SR. DOMINGOS NETO (Fora do microfone.) - Carneiro. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - ... carneiro. Rapaz... O negócio não é brincadeira, não. Eu queria também saudar aqui... Então, a Cione, como eu estava falando, Cione ali eu aprendi que você pode fazer carne de caju, você pode ter... O SR. DOMINGOS NETO (Fora do microfone.) - Do Jaime de Aquino... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - ... o Jaime de Aquino. Nós fizemos uma homenagem aqui ao Jaime de Aquino. Nós temos ali uma série de produtos à base do caju, com proteína, altamente proteico, que é um... O cearense não é brincadeira, não. Espetacular. Então, representando a Secretaria de Representação do Governo do Estado de Roraima em Brasília, a Senhora Cândida Magalhães. Muito obrigado também pela sua participação. (Palmas.) A Senhora Diretora do Instituto Caju Brasil, Ana Cristina, aqui presente. Muito obrigado. (Palmas.) Quero saudar também... Inclusive, ganhamos esse button aqui. Muito obrigado, viu? O buttonzinho aqui do Instituto do Caju. Eu quero saudar a Carolina Siebra, que é advogada das famílias das vítimas do dia 8 de janeiro. Tem sido uma... Como cearense, você tem representado bem. São grandes advogados ali, grandes idealistas, mas você tem feito um trabalho que faz a diferença, bem a cara do cearense, aguerrido. Parabéns, viu, Carol? Obrigado pela sua presença aqui. Antes de a gente ouvir a nossa Vice-Prefeita e depois o nosso Deputado, eu queria rapidamente fazer aqui uma saudação. Fortaleza está completando hoje... Isso não é... Olhem a coincidência. Hoje é o dia... Está completando 300 anos, no dia 13 de abril de 2026, e interessante é que ontem, dia 12, foi o dia do aniversário de Chico Anysio, Deputado, de um grande conterrâneo nosso, de Maranguape. Inclusive, nós vamos fazer uma sessão quinta-feira em homenagem a ele, porque mais do que o Chico, esta semana começou com o Dia do Humor, o Dia do Humorista foi ontem também; o Dia do Obstetra, que significa a vida; e a esposa, a última esposa do Chico Anysio vai vir aqui para esta sessão. Nós vamos ter a presença de humoristas também, fazer uma memória, porque o dia do enfrentamento ao preconceito da doença mental também é comemorado no dia do aniversário de Chico Anysio. Ele tinha problema de depressão, muito forte, e a Associação Brasileira de Psiquiatria, que vai estar com a gente quinta-feira aqui, também resgata essa causa nossa. |
| R | Então, está completando hoje a cidade de Fortaleza, capital do Ceará, 300 anos de idade. Uma sessão especial como esta aqui no Senado deveria servir apenas como uma comemoração, mas nós esperamos que, além da justa celebração, este momento possa servir a uma reflexão sobre qual Fortaleza nós queremos para daqui a cem anos. Essa é a cidade onde eu nasci, eu cresci, trabalhei e escolhi para constituir família. Inclusive meu pai, Francisco Clodomir Rocha Girão, que está assistindo a esta sessão, nasceu em Fortaleza também, embora meu avô tenha nascido em Morada Nova, que é a origem ali da nossa família. O início do povoado de Fortaleza se deu no entorno de um forte construído pelos holandeses, mas tomado pelos portugueses e denominado Forte de Nossa Senhora da Assunção. Em 13 de abril de 1726, Dom João VI elevou oficialmente o povoado à condição de vila, contando com cerca de 2 mil moradores - olhem só: 2 mil moradores; hoje, nós temos Fortaleza com 2,5 milhões. Essa é a população de Fortaleza sem contar ali a grande Fortaleza. Hoje, passados 300 anos, Fortaleza é uma grande metrópole, quase chegando a 2,6 milhões de habitantes. É a quarta maior cidade de um Brasil que reúne 5.569 municípios, sendo um polo estratégico do Nordeste - a nossa Fortaleza -, com relevância econômica, turística e cultural. Essa origem, a partir de um forte militar, simboliza a natureza de um povo que aprendeu a vencer as adversidades. Talvez o momento mais vigoroso e marcante de toda a história da cidade tenha ocorrido em 1881, quando o jangadeiro Francisco José do Nascimento - o Dragão do Mar de que eu falei há pouco tempo - liderou um movimento pioneiro de desobediência civil. Naquela época, os navios não podiam atracar diretamente no porto. Esse transporte do navio ao porto era feito por jangadeiros, que então se recusaram a transportar escravos. Essa atitude corajosa teve grande repercussão em todo o Ceará, como se fosse um raio de luz em meio às trevas da escravatura. Isso fortaleceu o movimento abolicionista cearense até que, em 1884... E é interessante a gente fazer aqui uma memória: faço um parêntese ao Dr. Bezerra de Menezes, Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti. Nós já fizemos sessão para ele aqui no Senado Federal. Foi um grande cearense, o médico dos pobres, que também influenciou no Brasil o Império. Naquela época, era um dos grandes abolicionistas do Brasil. Ele nasceu em Jaguaretama, ali no interior cearense. Então, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea, o Ceará foi a primeira província do Brasil a libertar os seus escravos. A partir daí, o Ceará recebeu esse magnífico e honroso título de Terra da Luz. Com um PIB de mais de R$80 bilhões - "b" de bola, "i" de índio -, com predominância do setor de serviços, impulsionado pelo turismo e comércio, Fortaleza tem se consolidado como uma das capitais mais desenvolvidas economicamente, mas isso não se traduz em bem-estar social. Tem grandes desafios, como toda grande cidade brasileira. Há um abismo que separa a cidade da propaganda e a cidade real: cartões postais, como a Praia do Futuro e a própria beira-mar - ali onde os turistas ficam nos hotéis -, atraem milhões de visitantes do mundo inteiro, mas a maioria da população, infelizmente, ainda convive com outra realidade. |
| R | Tanto a capital Fortaleza como todo o Estado do Ceará sustentam, há anos, indicadores muito negativos de violência. Bairros inteiros estão dominados pelo crime organizado - as facções criminosas -, funcionando como um poder paralelo, extorquindo empresários e expulsando moradores de suas casas. Bolsões de pobreza precisam ser amparados por políticas públicas inteligentes, que promovem empregos. A nossa Vice-Prefeita tem muito cuidado em relação a isso e tem muita humanidade nesse sentido, e tenho certeza de que vai colaborar junto com o Prefeito e com a prefeitura nesse sentido. Nós precisamos, realmente, fortalecer esse povo criativo, resiliente, hospitaleiro, que se manifesta naturalmente através de sua música, humor e gastronomia - nada como uma comida cearense, uma peixada daquelas, hein, Danilo? -, mas, há muitos anos, tanto Fortaleza como o Estado do Ceará vêm pecando um pouco pela governabilidade. A ideologia e a propaganda muitas vezes substituem a responsabilidade fiscal e a eficiência administrativa. Por isso, esse aniversário de 300 anos precisa representar um ponto de inflexão na trajetória da nossa capital. Que Fortaleza estamos dispostos a construir para os próximos cem anos? Vamos continuar com esse modelo de concentração de riqueza - modelo fracassado - ou vamos avançar para um modelo de desenvolvimento equilibrado que valorize o cidadão? O grande desafio proposto pela história aos fortalezenses e a todos os cearenses é a recuperação do honroso e magnífico título de Terra da Luz. Então, eu agradeço a atenção de vocês nessas minhas breves palavras e já, antes de a gente ouvir a nossa Vice-Prefeita Gabriella Aguiar, eu convido a todos para acompanharmos a canção Feira de Mangaio, de autoria do músico paraibano Sivuca, que será interpretada pela Banda de Música do Batalhão da Guarda Presidencial, sob a regência do Sargento Vitorino. (Procede-se à apresentação da música Feira de Mangaio.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem! Nós vamos agradecer mais uma vez aqui pelo excelente trabalho à Banda de Música do Batalhão da Guarda Presidencial. Muito obrigado, Sargento Vitorino. Quero registrar também a presença na galeria dos alunos do curso de Direito do Centro Universitário Leonardo da Vinci, que estão aqui conosco - muito obrigado -, de Indaial, Santa Catarina. (Palmas.) Lá em Fortaleza tem um hospital com esse mesmo nome. Eu gostaria de fazer uma pequena inversão aqui. O nosso Deputado tem um compromisso daqui a pouco, e tenho certeza de que a nossa Vice-Prefeita, que é sua irmã, permite que ele possa usar primeiro a tribuna do Senado. Com muita honra, o senhor está convidado. Obrigado, mais uma vez, Deputado Domingos Neto, pela sua presença aqui nesta sessão histórica que celebra os 300 anos da cidade de Fortaleza, capital do Ceará. O senhor tem a palavra pelo tempo que desejar. O SR. DOMINGOS GOMES DE AGUIAR NETO (Para discursar.) - Obrigado, Sr. Presidente, Senador Eduardo Girão. Parabéns pela iniciativa desta sessão solene. Saudações tricolores. Quero cumprimentar aqui a nossa Vice-Prefeita de Fortaleza, minha irmã, Gabriella Aguiar; o Dr. Danilo Lopes, ex-Vereador de Fortaleza, que conhecemos desde criança e que é um historiador por paixão; assim como é o Dr. João Flávio, também amigo, que me operou do meu colesteatoma, como grande otorrino que é, e também um profundo conhecedor da história do Município de Fortaleza. Cumprimento, pela Casa do Ceará, o Estenio Campelo, que está aqui presente. Para você ver como o cearense é forte, a Elany, que é nossa prima, é a Presidente do PSD Mulher do Distrito Federal. Então, o cearense, aonde vai, também vai ocupando os espaços. Antes disso, acho muito proveitoso ter feito este evento aqui em Brasília, porque, se tem uma coisa em que Fortaleza parece com Brasília, é a característica de ser uma cidade que atrai muitos e muitos visitantes. Como você mesmo falou, a origem da sua família vem de Morada Nova. A minha vem de Tauá. E nós todos escolhemos Fortaleza para viver, para morar. Foi onde eu nasci, onde conheci minha esposa, onde a gente formou nossa família, e assim é a história do fortalezense. A grande maioria dos fortalezenses, se você for puxar, ou tem o pai, ou tem o avô, ou tem raízes no interior, assim como é Brasília. Todos os brasilienses aqui também vieram de algum lugar. Então, muito boa a iniciativa de fazer aqui no Plenário do Senado Federal. |
| R | Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, autoridades, espectadores que nos assistem pela TV Senado, sobretudo, povo cearense e fortalezense, subo a esta tribuna com a honra de registrar uma data que ultrapassa o tempo. Celebramos 300 anos de história, de resistência e de construção coletiva da nossa querida Fortaleza, uma cidade que hoje se consolida como um dos maiores centros urbanos em âmbito nacional, com enorme relevância econômica, social e cultural. Fortaleza não é apenas uma capital; é um polo estratégico do Nordeste, é um centro econômico em plena expansão, é uma cidade que se conecta com o mundo e se posiciona para o futuro. Com mais de 2,6 milhões de habitantes, a quarta maior cidade do nosso país, Fortaleza se firmou como um dos principais motores de desenvolvimento regional, uma cidade que cresce com consistência, que atrai investimentos, que amplia oportunidades. Hoje, Fortaleza ocupa uma posição privilegiada na economia global e é um dos principais pontos de conexão digital do país. Na Praia do Futuro, por exemplo, já são 18 cabos submarinos de fibra óptica que, além de concentrar mais de 90% dos dados que circulam no Brasil, conectam o nosso país diretamente à Europa, à África, ao Caribe e aos Estados Unidos. Isso significa competitividade, significa inovação, significa geração de emprego e renda. Esse progresso não acontece por acaso. Ele é resultado de planejamento, de gestão e, principalmente, de compromisso público com o desenvolvimento. Nos últimos anos, acompanhamos avanços importantes na infraestrutura, com investimentos que ampliam a mobilidade e integram a cidade; na educação, com resultados que colocam sempre o Ceará e Fortaleza como referência nacional, sobretudo na educação básica; na segurança pública, fortalecendo os sistemas de informação que, hoje, Fortaleza já tem e vem criando cada vez mais inteligência para combater o crime; e, no turismo, que posiciona Fortaleza entre os destinos mais procurados do Brasil. São resultados concretos, resultados que impactam diretamente a vida da população. Como Coordenador da Bancada Federal do Ceará, tenho plena consciência do papel que nos cabe. Cabe a nós garantir que esses avanços tenham continuidade, cabe a nós assegurar os recursos necessários para realizar os sonhos do povo de Fortaleza e cabe a nós trabalhar para que o desenvolvimento chegue cada vez mais longe. E é esse compromisso que quero reafirmar nesta tribuna. Fortaleza chega aos 300 anos como uma cidade sólida, uma cidade respeitada, uma cidade preparada para os desafios e oportunidades do nosso tempo. Celebrar Fortaleza é reconhecer a força do seu povo, a capacidade de transformar desafios em conquistas e a determinação de seguir avançando. Em nome desta Casa, registro homenagem à nossa Fortaleza, à nossa história e ao seu futuro. Que os próximos anos sejam de ainda mais desenvolvimento, mais conquistas e mais protagonismo! Muito obrigado, Sr. Presidente. Um fraterno abraço a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem. Muito obrigado. Muito obrigado pela sua presença ilustre. Também nascido em Fortaleza, é lá da Princesa dos Inhamuns a família do nosso Deputado Domingos Neto, lá de Tauá, mas nasceu em Fortaleza também. A Gabriella também nasceu em Fortaleza, né? Que bacana. Leve um abraço para o seu pai, Domingos Filho. Um grande abraço para ele. E eu vou, neste momento, antes de a gente ouvir a Gabriella, que é a Vice-Prefeita, que veio especialmente... Agradeço de coração pela sua presença aqui. |
| R | Nós vamos passar um videozinho institucional que foi preparado com muito carinho aqui para esta sessão. Vamos conhecer um pouco mais de Fortaleza. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Eu não sei o Deputado Domingos Neto e também a Vice-Prefeita Gabriella Aguiar, mas eu nasci ali no Hospital São Raimundo e passei parte da infância na Rua Beni de Carvalho. A gente morou muitos anos ali. Era tudo terra batida, né? E a gente pulava ali para jogar bola no terreno baldio, vizinho - hoje, ali, há uma concentração altíssima de prédios e tudo, pertinho do Colégio Santa Cecília. O SR. DOMINGOS NETO (Fora do microfone.) - No Hospital Batista... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - E andava de bicicleta para todo lugar, era aquela coisa muito... Não é? Eu estudei no Colégio Santo Inácio, ali pertinho. O SR. DOMINGOS NETO (Fora do microfone.) - Ali atrás. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Fortaleza é, realmente, um lugar encantador. Onde quer que você vá, é um lugar, assim, de um povo muito acolhedor, um povo de bem - é um povo de bem o fortalezense. |
| R | Muito bem. Então, conforme o prometido, eu gostaria de ouvir, para iniciar aqui, a nossa Vice-Prefeita, a Sra. Gabriella Aguiar, Vice-Prefeita da cidade de Fortaleza, que hoje completa 300 anos. Ela veio representando também o Prefeito Evandro Leitão, que está coordenando lá as atividades neste dia tão festivo, neste dia tão especial. Então, Vice-Prefeita Gabriella, mais uma vez, muito obrigado, de coração, pela sua presença ilustre aqui no Plenário bicentenário do Senado Federal. A SRA. GABRIELLA PEQUENO COSTA GOMES DE AGUIAR (Para discursar.) - Boa tarde a todos e a todas. Gostaria de cumprimentar a mesa, iniciando a saudação ao senhor requerente e Presidente desta sessão solene, Senador Eduardo Girão; cumprimentar o Deputado Federal Domingos Neto, coordenador da bancada do Ceará; cumprimentar também o Vereador, professor, historiador, meu amigo Danilo Lopes; cumprimentar nosso médico otorrino, historiador, Dr. João Flávio; e agradecer também as palavras do Senador Wellington Fagundes, que esteve conosco agora há pouco. Trago comigo, antes de iniciarmos a reflexão sobre a nossa história, a saudação fraterna do nosso Prefeito, meu querido amigo Evandro Leitão. Por motivos de força maior inerentes às altas demandas da nossa capital, o Prefeito não pôde estar presente fisicamente neste Plenário, mas faz-se representar pelo espírito de união desta gestão e pelo profundo respeito que nutre por esta Casa. Recebam dele, através da minha voz, esta voz feminina, a única mulher na mesa, o compromisso inabalável de que Fortaleza continuará trilhando o caminho do progresso e do diálogo institucional, lutando sempre por quem mais precisa. Subo a esta tribuna com o coração transbordando de orgulho e a responsabilidade pesando-me sobre os ombros, não apenas como Vice-Prefeita, mas como filha desta terra; que aprendeu, desde cedo, que o mar de Fortaleza não é um limite, mas um horizonte de infinitas possibilidades. Falar de Fortaleza aos 300 anos é falar de uma construção coletiva de resiliência. Nascemos sob a égide da resistência, do forte que nos deu nome à cidade, que se recusou a ser pequena. Do Riacho Pajeú às Dunas do Cocó, nossa história foi escrita com o suor dos jangadeiros, com o intelecto dos abolicionistas pioneiros e com a coragem de um povo que faz da escassez a sua maior criatividade. Fortaleza é uma cidade acolhedora. Setenta por cento da população de Fortaleza veio do sertão, veio de retirantes, e Fortaleza fez dessas pessoas gigantes. Hoje Fortaleza não é apenas a capital do Ceará, é o coração econômico do Nordeste e um hub que conecta o Brasil ao mundo. Mas a nossa maior riqueza não está no PIB ou na infraestrutura de fibra ótica; está no sorriso do fortalezense, na nossa capacidade de acolher e na vanguarda de nossas políticas públicas, que buscam incessantemente reduzir as distâncias sociais. Como mulher na política, vejo esses 300 anos sob a lente do cuidado. Celebrar este tricentenário é renovar o compromisso com a criança que nasce no hospital do bairro distante do centro, com o jovem que busca oportunidade nas nossas escolas de tempo integral e com o idoso, que vê a cidade se transformar, mantendo a sua essência. Uma cidade só é verdadeiramente grande quando é generosa com os seus. |
| R | Não estamos aqui apenas para olhar para o retrovisor. Esta sessão especial do Senado Federal nos convoca a projetar a Fortaleza do futuro: uma cidade sustentável, inovadora e, acima de tudo, humana, inclusiva. Agradeço ao Senado Federal por este reconhecimento. Fortaleza, aos 300 anos, é uma prova viva de que o sol brilha para todos, mas, no Ceará, ele brilha com um calor que só o amor de um povo apaixonado pela sua capital pode explicar. Muito obrigada. Viva Fortaleza, a capital de todos! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bom, muito obrigado. Muito obrigado, Gabriella Aguiar, Vice-Prefeita de Fortaleza. Bernardo até se emocionou ali, ficou feliz com o discurso. Muito obrigado, Gabriella, pela sua presença. Um abraço ao Prefeito Evandro Leitão. Quero também registrar aqui a presença ilustre do nosso querido Wanderley Girão. Muito obrigado pela sua presença. Médico também. Eu tive a oportunidade de morar em Brasília em 1994, mais ou menos. Passei um ano e meio, dois anos aqui, numa missão, e o Wanderley me acolheu muito bem, é nosso primo. Muito obrigado pela sua presença ilustre. Nós vamos ouvir os outros discursos, mas, antes dos historiadores, tenho uma surpresa para vocês para a qual eu faço aqui o convite. É uma contação de história. Fortaleza é arte, é cultura também, e eu queria convidar a Sra. Nyedja Gennari para vir aqui fazer uma breve contação de história desta terra tão especial, tão abençoada, chamada Fortaleza. (Procede-se à contação de história.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito obrigado, Nyedja, sempre muito solícita. Quando eu falei para ela... Eu falei: "Olha, vai ter uma homenagem à Fortaleza, dos 300 anos. Você poderia preparar alguma coisa?". Ela: "Na hora", com um carinho grande. Você esteve em Fortaleza no ano passado, não é? (Pausa.) No ano passado. Muito obrigado pela sua presença, por compartilhar um pouco do seu talento aqui com todos nós. Agora, aqui para nós, eu acho que é um pouco como o dia do aniversário da gente: não tem uma data mais bonita. A gente... Mas Fortaleza é um nome muito bonito, não é? É um negócio assim... Com todo o respeito, é uma coisa, assim, uma identidade que já arrepia. A gente já fica arrepiado. |
| R | Danilo, vamos... Queria chamar aqui esse grande irmão, Danilo Lopes, Vereador, que foi Vereador de Fortaleza no período de 2000 a 2024. Estava, há pouco tempo, inclusive, numa missão na Prefeitura de Fortaleza. E eu fico muito feliz, Danilo, pela sua presença, por você ter... Você estava com a agenda já montada, mas deu um jeito de vir aqui ao Plenário do Senado e participar desta sessão emblemática da nossa capital, da Terra da Luz. Você tem a palavra, com muita honra e muita gratidão pela sua presença hoje aqui. O SR. DANILO LOPES FERREIRA LIMA (Para discursar.) - Bom, eu saúdo e agradeço ao Senador amigo Eduardo Girão, ao Deputado Domingos Neto, à Vice-Prefeita, médica geriatra, Dra. Gabriella Aguiar - os dois eu conheço desde a infância, com relações familiares que nós temos -, ao Dr. João Flávio, que me operou também, Domingos Neto; ele opera todo mundo. E, Senador, você acabou de dizer: mas por que Fortaleza, esse nome tão bonito? A resposta inicial seria simples. Fortaleza nasceu de fortes, começando, em 1604, com o Fortim de Santiago, que foi fundado por Pero Coelho de Souza, primeiro Capitão-Mor da Capitania do Ceará, passando pelo Forte São Sebastião, em 1612, de Martim Soares Moreno, tido como fundador do Ceará; depois, os holandeses chegando, em 1649, com o Forte Schoonenborch; e depois pegando e tomando esse forte, Álvaro de Azevedo Barreto, fundando o Forte de Nossa Senhora da Assunção, trazendo a imagem que, até hoje, está na 10ª Região Militar. Seria fácil dizer o porquê de Fortaleza. Mas isso foi uma anunciação do nome para quem seria o povo daquela cidade. Eu vou voltar para o donatário da Capitania do Ceará, António Cardoso de Barros, que foi embora porque o terreno era seco. Pero Coelho de Souza, em 1606, foi para a Europa por conta de uma grande seca. A adversidade que o cearense e o fortalezense têm em relação ao clima fez dele essa pessoa forte. Ademais, nós lutamos pela liberdade: Confederação do Equador, em 1824, liderada por Tristão Gonçalves de Alencar Araripe. Nós fizemos mais do que Pernambuco - apesar de a história mostrar mais Pernambuco do que propriamente o Ceará -, querendo a independência do nosso país de Portugal. E veio também, em 1872, a criação da Academia Francesa no Ceará, a liberdade das letras. Aí, a gente vai ter Rocha Lima, Capistrano de Abreu, para, posteriormente, surgir, em 1892, a Padaria Espiritual, um movimento literário que repercutiu na Semana de Arte Moderna. E, em 1894, nasce a Academia Cearense de Letras, a primeira academia de letras da história do país, antes mesmo da fundação da Academia Brasileira. Mas Fortaleza foi libertária também na liberdade das pessoas escravizadas. Se o Ceará se libertou, finalmente, em 25 de março de 1884, Fortaleza se libertou em 24 de maio de 1883. Foi há cinco anos antes. "Ah, não tinha pessoas escravizadas." Tinha 32 mil pessoas escravizadas no Estado do Ceará. |
| R | Então, quando a gente começa a fazer uma avaliação... Até porque, em 1887, durante a Grande Seca, até 1889, uma onda migratória, porque foi isso que aconteceu - foi falado, inclusive, pelo Deputado Domingos Neto... Todos nós somos filhos do interior. Minha mãe nasceu em Jaguaretama, ela está vendo; meu pai é do Pacoti... Então, se você perguntar quem é de onde, todo mundo vai ver que tem pai e avô do interior do estado. Nós tivemos uma grande seca mundial, que fez com que 10% da população nordestina morresse. Você imagina? Em um dia, em Fortaleza, no dia 10 de dezembro de 1888, no Dia dos Mil Mortos, morreram 1.004 pessoas. Fortaleza tinha triplicado de população. É o equivalente a - eu fiz um cálculo - se hoje morressem, durante uma epidemia, 22 mil pessoas em um só dia. Imagine o desespero da Dra. Riany, Gabriella, que seria? Então, nós vivemos nessa adversidade, na adversidade do clima e na ausência do Estado - na ausência do Estado! Depois somente da Grande Seca, é que o imperador D. Pedro II manda construir o primeiro açude. Ora, se desde António Cardoso de Barros já se sabia da adversidade do clima e da ausência de água no local, por que é que nunca tomaram providências? Aí D. Pedro manda construir o primeiro açude, que é o açude do Cedro, em Quixadá, que só começa a ser construído depois que ele vai embora para Portugal, porque foi em 1890 e isso é finalizado em 1906. Esse é o nosso primeiro açude. Senador, o senhor sabe quando foi a primeira vez que um governante do Brasil pisou no Estado do Ceará? Em 1933, e foi Getúlio Vargas, justamente por conta da seca de 1932, quando a gente tinha tido já a seca de 1915 - e, inclusive, formavam-se campos de concentração para impedir que essas pessoas chegassem à cidade de Fortaleza. Isso é que aumentou sobremaneira, também, a nossa população. Pasmem, nós passamos 433 anos sem um governante deste país pisar na nossa terra. E, se hoje nós temos açudes, o Trici, graças a Deus, sangrou; o Orós está sangrando agora; o Juscelino Kubitschek... Se nós temos o Cinturão das Águas, que faz com que o Ceará, mesmo na adversidade do clima, não sofra mais com o desabastecimento, é por conta da fortaleza que é o nosso povo. Isso aí foi uma premonição do que nós seríamos, porque nós crescemos, nós lutamos e nós somos hoje o maior PIB do Nordeste - ultrapassamos Salvador e ultrapassamos Recife. Nós hoje vivemos porque nós fizemos acontecer. Se hoje temos o Instituto Tecnológico de Aeronáutica na cidade de Fortaleza, é porque o ITA é povoado por cearenses e foi fundado por um cearense! Se hoje nós temos academias de letras, é porque nós fundamos, antes da brasileira, e nós pusemos a primeira mulher lá, fortalezense, Rachel de Queiroz. |
| R | O que tem que ter um entendimento, quando, politicamente, se fala do Nordeste, e se fala sem propriedade, é o que nós somos e o que nós fizemos sem a ajuda de ninguém. Procurando, que é uma característica nossa... Sou professor da Universidade de Fortaleza há 24 anos e me orgulho, uma das maiores universidades particulares do país, fruto de um homem que não precisou sair do Ceará, mas migrou de Cascavel para Fortaleza e fez o que fez, que foi o industrial Edson Queiroz. Então, antes de se falar, ou de se discutir, ou de se colocar alguma coisa em cima, e de falar que a culpa é do Nordeste ou do cearense, entenda quem nós somos, entenda o que nós fizemos, e entenda que nós vamos fazer ainda muito mais. Era isso que eu queria deixar aqui no Senado, Senador Eduardo Girão, essa palavra de dizer que a Fortaleza não é só pelos fortes, não; é porque nós somos efetivamente fortes. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Rapaz, espetacular, viu? É aquela coisa, Danilo, grande irmão: nossa Fortaleza é Deus", né? Isso aí foi até uma marca muito forte de um daqueles mosaicos que... Você sabe que o Estado do Ceará exportou para o mundo todo os mosaicos? A torcida do Fortaleza e do Ceará. Fortaleza é um pouco mais, vamos dizer, famoso assim, porque inclusive... (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É, isso aí é... E aí, em um dos mosaicos, quando eu era Presidente lá, a torcida colocou: "Nossa Fortaleza é Deus". Foi um negócio de arrepiar mesmo, no estádio, aliás foi no centenário, foi um ano depois, no centenário do Fortaleza. Vamos agora para a gente fazer um combinado aqui de quem está presente fisicamente e de quem está virtualmente, diretamente de Fortaleza. Vai entrar, lá na nossa terra, querida, o Sr. Sandoval Matoso da Cruz, que é historiador. Muito obrigado pela sua presença, Sandoval Matoso da Cruz. O senhor tem o tempo aqui de dez minutos com a tolerância da Casa para fazer a sua exposição, muito obrigado. O SR. SANDOVAL MATOSO DA CRUZ (Para discursar. Por videoconferência.) - Olá, que alegria estar junto a cada um de vocês. Quero saudar aqui o Senador Eduardo Girão; nossa querida Vice-Prefeita Gabriella; Danilo, nosso Vereador também, grande companheiro, inspiração para cada um de nós; nosso Deputado Domingos; e cada um que está nos acompanhando; cada um que está aqui conosco, conectado, para celebrar os 300 anos da Cidade Solar. A gente só pode amar o que a gente conhece, e a gente só pode cuidar daquilo que a gente ama. Nós somos dessa Fortaleza, essa cidade que, como foi muito bem falado, carrega essa marca de acolhimento. A Fortaleza de Iracema, nossa mãe, a Virgem dos Lábios de Mel, que diferentemente daquele romantismo próprio de Alencar, se baseia, mas também se conecta com tanta mulher forte, tantas indígenas. Essa Fortaleza que se expande, que se inspira também nessa cacique pequena, a primeira cacique mulher do Brasil, que vai nos inspirar e lembrar dessa Iracema que cuida de cada um de nós. Somos a Fortaleza também do Padre Mororó, deste homem que - na busca pela liberdade, na busca por valorizar ainda mais este Brasil - não silencia. Pelo contrário, tem uma máxima que tanto nos inspira que é: "Por uma mentira não se morre, mas por uma verdade vale a pena dar a vida". E esses cinco confederados, representando tantos outros, dão a vida por essa verdade que transforma a história. |
| R | Nós somos dessa Fortaleza de fé, fé de um povo que carrega essa marca de acreditar, de não desistir. Essa Fortaleza de tantos credos, de tantos corações. Essa Fortaleza miscigenada, que carrega as suas africanidades, não somente com o nosso centenário baobá, na Praça dos Mártires ou Passeio Público, mas também nesses campos, nessas terras, nesses terreiros, nessas igrejas, nesses templos, que falam do nosso povo. Fortaleza da igrejinha do Rosário dos Pretos, de 1730, sinal dessa resistência e desse amor de um povo que não desiste. Fortaleza de uma das catedrais mais icônicas do mundo, charmosa, que traz tanta memória, inclusive até mesmo a sua construção, feita por muitas mãos. É essa Fortaleza que nós vivemos. Essa Fortaleza que busca ser de todos e que, sim, assim como o ser humano tem suas contrariedades. Essa Fortaleza que nos inspira. Fortaleza de Henriqueta Galeno, nossa grande artista, escritora, poeta, marca da cultura. Fortaleza dessa Rachel, que muda o mundo e inaugura essa maneira de ver. Fortaleza também dos seus campos de concentração e da Noite dos Mil Mortos, mas que não deixa isso ser uma marca definitiva. Não! Você que nos escuta, que nos acompanha, nós somos desta terra que vai além das belezas naturais e das praias que se estampam pelo mundo. Nós somos dessa terra de Rodolfo Teófilo, que não se treme, não foge dessa luta e vai vacinar esse povo contra a temida e maléfica varíola, indo até mesmo nessa Fortaleza periférica para também fazer a sua parte. Nós somos a Fortaleza não somente do Dragão do Mar, a grande inspiração de José Napoleão, mas também somos a Fortaleza do Manuel Jacaré, um jangadeiro que, quando o Danilo falava "Vargas vem para cá", Manuel Jacaré vai até lá, no Rio de Janeiro, pedir e defender a causa desses que tiveram ali, de certa forma, a não contemplação nas reformas trabalhistas. Esses quatro aventureiros, esses quatro fortalezenses saem do Mucuripe, aquele Mucuripe eternizado nos versos de Fagner e Belchior, das suas velas, mas também do seu farol, mas também do seu acervo, mas também da sua gente, da sua peixada, como foi bem falado aí, e vão até o Rio de Janeiro, sendo recebidos com festa e - mudando essa história de morte trágica de Manuel Jacaré, sendo ali vítima de um acidente na gravação de um filme sobre a sua saga - para mostrar para nós que por uma mentira não se morre, mas por uma verdade vale a pena dar a vida. Somos essa Fortaleza, sim, de Casimiro Montenegro, ele que vai fundar o ITA, ele que acredita na força da educação, na força da ciência e na soberania do Brasil, se inspirando nessas novas tecnologias e maneiras de ver o mundo. Nós somos essa Fortaleza de tantos professores e professoras, mulheres, homens que constroem, que enfrentam. Nós somos a Fortaleza que fez uma revolução, uma rebelião por conta do serviço dos bondes, que não estavam sendo muito bem ali associados e pela elevação da tarifa. Dessas mulheres, como o Senador falou, da proximidade com a Cione, que, em pleno 1968, vão fazer também uma greve, mostrando a força, força dessa Fortaleza que é mulher, essa Fortaleza que é mais do que Iracema, essa Fortaleza que encanta com seu sol, capital alencarina, cidade solar. Essa Fortaleza que nós buscamos construir por meio de uma consciência histórica, por meio da tentativa de ir além dos livros que vão mostrar somente a história do Brasil lá no Rio e em São Paulo. Não! Nós somos essa Fortaleza também do Padim Ciço. |
| R | Todo mundo aqui que tem um interior para chamar de seu, tem uma raiz fincada nesse torrão. Cada um de nós carrega também essa Fortaleza das nuances, a Fortaleza necrópole, a cidade dos vivos e dos mortos, que inspira na sua necrópole maior, que fez 160 anos há pouco - o Cemitério São João Batista -, nos lembrando do caráter efêmero dessa vida e da importância de refletirmos sempre qual caminho temos trilhado. A gente brinca até aqui, na capital, que tem uma rua que nasce no cemitério e morre numa catedral, a atual Rua Castro e Silva, mas a chamada Rua das Flores, mais ou menos um quilômetro e cem metros separando a vida e a morte, para nos lembrar, como diz o Prof. Cortella, que "a vida é muito curta para ser pequena". É justamente andando em Fortaleza, nas suas temporalidades, nas suas narrativas, no coração da sua gente, que nós constantemente devemos pensar isto: celebrar a vida, celebrar os 300 anos é celebrar o início, e não vislumbrar um fim, pelo contrário, mas construirmos coletivamente. Estou em sala de aula, na escola pública, na escola particular e também estou em sala de aula nas ruas de Fortaleza, com diversos projetos que procuram resgatar essa nossa identidade, essa nossa memória. Seja nos trilhos do VLT e do metrô, seja na necrópole São João Batista ou nesses templos religiosos que narram a fé de um povo, nós estamos aqui, somos Fortaleza do Padre Cícero, que vem para cá estudar, que vem para cá se consagrar e mudar a humanidade com o seu amor, com a sua piedade e com a sua vida. Nós somos essa Fortaleza que vai eleger a primeira Prefeita mulher do Brasil, um fato inédito, histórico. Nós somos essa Fortaleza de outra Maria, não só Maria Luiza, mas Maria da Penha, que, com seu coração firme, vem lutar e vem lembrar da importância de estarmos sempre na busca da justiça. Essa Fortaleza, que acolhe, que congrega, que transforma. Nós somos essa Fortaleza de tanta gente. Eu só posso amar aquilo que eu conheço e, para transformar, eu preciso da força desse amor. Nós somos Fortaleza de Belchior, que vem nos lembrar constantemente que não, nós não somos do lugar dos esquecidos, não somos das nações dos condenados, nem somos do sertão dos ofendidos. Vocês sabem muito bem. Diante do Senado Federal, nesta sessão especial em homenagem... E que se perpetue, que não fique somente neste ano. A grande dor no coração é pensar que, no próximo ano, os 301 anos também têm que ser comemorados. Nós somos deste lugar, não somos o sertão dos ofendidos. Vocês sabem bem, conhecemos o nosso lugar. E nós não somente conhecemos, nós amamos, nós pertencemos, nós somos dessa vila que se transforma em uma cidade por apoiar a independência do Brasil. Como gratidão, D. Pedro I olha para a vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção e, em 1823, vai dizer: "Vocês agora são uma cidade, a Fortaleza de Nova Bragança". O nome depois vai ser alterado. Nós, há pouco, tínhamos nos tornado "independentes" - entre aspas - de Pernambuco, que era a nossa vinculação jurisdicional. A capital do Ceará era Recife, não é? Depois, você vai ter essa transformação. Essa Fortaleza que se expande; essa Fortaleza que traz a sua modernidade; essa Fortaleza de Antônio Sales, com a irreverência da Padaria Espiritual; a Fortaleza do Bode Ioiô... Se temos o Danilo Lopes, também temos o Bode Ioiô, com todo o seu charme, simpatia, mas também a marca da nossa gente, da nossa terra. |
| R | Somos essa Fortaleza que não desiste. Que esse sol que queima, que inspira, que transpira, também seja o sol sempre da esperança, essa esperança desses lugares, essa esperança de uma valorização e de uma cultura patrimonial. Essa Fortaleza de tantos templos e de tantos tempos começa lá no Forte São Tiago, começa lá no Forte de São Sebastião, começa no Schoonenborch, começa na Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. História é construção, história é disputa, história é narrativa, história é processo. A Fortaleza da gente não cabe num dia. A sua gênese não cabe num segundo. Ela precisa do mundo, ela precisa da história para mostrar a sua complexidade, para mostrar a sua beleza, para mostrar a sua essência manifestada em cada um de nós que, com o seu jeito, com o seu estilo, conta essa trajetória; essa Fortaleza que vai servir de palco da disputa clássica de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto quando o nosso Palácio da Luz amanhece cravado de bala porque Clarindo de Queiroz não queria sair e resiste. E esses fatos também acompanham. Não é Fortaleza somente ali do que está nos jornais, do que está nas grandes notícias e nos pequenos rodapés dos livros e apostilas do Brasil. Não, essa Fortaleza é nossa. A Fortaleza da nossa avó, a Fortaleza daquela calçadinha onde a família se reúne e se reunia para ficar na cadeira de balanço lá no Otávio Bonfim, e a avó França vendo o povo passar para ir para missa, atravessando ali aquela ruazinha tão marcante. A Fortaleza da avó Terezinha e das mil Ave-Marias, lá, pertinho da praça da Nova Betânia, do Conjunto das Nações. É a Fortaleza desses estudantes, desses jovens que lutam por um futuro melhor e que entendem que é o agora. Essa Fortaleza que vai nos inspirar, Ednardo e tantos outros que vão sempre cantar "as longarinas [dessa] ponte velha", enquanto a gente engoma uma calça, vai fazendo as coisas, a gente não desiste; essa Fortaleza que tantos corações, que seja aqui ou que seja em outro lugar, carregam para sempre. E como canta o nosso querido Gonzagão, a asa branca vai, ela voa, mas assim que pode, ela retorna. Não à toa, há tantos de vocês com esse coração desejoso, inclusive em Brasília, redutinho muito cearense. Basta a asa branca soprar, basta o sinal do trovejar que ela regressa. Um dos momentos mais fortes enquanto professor, enquanto fortalezense, enquanto historiador foi na final da Olimpíada Cearense de Ciências Humanas do Estado do Ceará, organizada pelo Instituto Federal, ver uma jovem lá da região metropolitana, em Maranguape, cantar: Já faz três noites que para o norte relampeia E a asa branca ouvindo o ronco do trovão... Ela bate as asas e volta para sua terra. Isso é próprio de nós, cearenses, isso é próprio da cidade solar. A gente vai, mas volta, se vai é porque tem que ir, mas o coração quer ficar, e fica porque ama, e fica por se identificar, e fica porque é Fortaleza, que atravessa histórias; o mundo cabe aqui, o mundo vem para cá e em que o mundo é acolhido para que, nessa confluência, nesse respeito, nessa diversidade, nessa pluralidade, a gente possa somar. Não se constrói uma Fortaleza, uma edificação só com tijolo. É impossível. E só de tijolo nem dá. Assim como a nossa alfândega, era preciso, na época, além das pedras, o ferro lá de Glasgow e também o óleo de peixe e a areia de argamassa. |
| R | É nessa diversidade, é nessa complementariedade que a gente está nesses 300 anos, construindo com a rede - ou as redes - dos nossos pescadores, as redes da rendeira, das nossas rendeiras, ou aquelas redes que cada bom fortalezense, cearense tem na sua varanda, no seu quintal, na sua sala, que nos lembra desse descanso, desse acolhimento, desse se lançar. Essa Fortaleza de médicos e pessoas que nem, na primeira formação, eram história, mas se apaixonam tanto que não tem como não ser. Essa Fortaleza desses alunos, desses estudantes e de tantos outros que, questionando não conhecer, começam a ocupar e a procurar. Em 2021, para finalizar, nem eram os 300 anos, mas o meu coração se indignava e se inquietava, ao saber que muitos de nós aqui, desses 2 milhões e quase seiscentos mil - como o Senador falava - conhecem pouco a nossa história, investem pouco aqui e, quando viajamos, vamos consumir a cultura, vamos consumir os patrimônios, trazemos ao pé da língua - e de letra - as histórias dos outros lugares, e aqui, não? Então, a gente começa com tantos outros, que foram pioneiros, a ocupar o nosso centro, a ocupar as nossas histórias, a ocupar os nossos patrimônios, e aí vem: por amor, a gente ocupa. Então, que os nossos corações possam, cada vez mais, transformar em gestos tantas palavras que nos inspiram e que já nos acompanham, de habitar, ocupar essa cidade, transformar, cuidar. O Senador falava: "Olha, parece que é o meu aniversário!" Não é? Isso é um sentimento de pertença, e aniversário bom de celebrar é o aniversário de quem a gente conhece. De quem a gente não conhece, fica até um constrangimento. É a oportunidade que hoje o Senado Federal tem de mostrar para o país um pouco mais dessa nossa história, que é encantadora, que é tão irradiante quanto o nosso sol, que é tão envolvente quanto os nossos mares, que é tão firme quanto os nossos fortes, mas, mais do que isso: a nossa gente. Essa é a Fortaleza que queremos cantar, mostrar, anunciar, construir e defender para o mundo, seja em sala de aula, seja no meio da rua, seja nos templos, com o Fortaleza de Fé, lá nas necrópoles, com o Fortaleza Necrópole, seja o Vem Comigo, no meio dessa confluência toda, seja o Fortaleza sobre Trilhas, seja em cinema, seja em confeitaria, seja em tudo, porque Fortaleza é tudo! Que viva Fortaleza! Conhecemos o nosso lugar: não somos do Sertão dos ofendidos, não; não somos do lugar dos oprimidos, não. Isso faz parte também. Sandoval, o meu tio que vai para São Paulo, como diz Belchior: Pois o que pesa no norte, pela lei da gravidade Disso Newton já sabia, cai no sul, grande cidade. Havia uma lei, não só natural - que a gravidade é uma lei física, ela puxa todos para baixo -, mas havia uma lei social que carregava todos para o sul, para São Paulo, para o Rio. O Senador, no início, falava sobre um garçom que era cearense, e em tantos outros, essa marca, não é? E muitos tiveram que ir por não encontrar aqui essas oportunidades. Que a gente possa então também carregar essa história e dizer: hoje o ITA vem para cá, hoje o mundo vem para cá - fruto de uma construção, de um tempo, e que também inspira essa coragem. A asa branca vai, a asa branca volta, a asa branca fica; a nossa jandaia continua a cantar: cantar a dor, cantar a alegria, cantar a história. Afinal de contas, é isso que nós chamamos de vida. Que esses 300 anos nos inspirem, então, a pôr muito mais e a reconhecer que essa Fortaleza está aqui. A história, a vida, a memória somos nós. Muito obrigado. (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem! Olha só, Professor e Historiador Sandoval Matoso da Cruz, muitíssimo obrigado pela sua participação. Olha, a sua paixão aqui irradiou, porque o bem contagia, e o que a gente viu aqui foi realmente muita paixão pela nossa cidade. Você estava falando aí, e eu estava fazendo uma viagem aqui. Por exemplo, eu estou com um político nato, de berço aqui - é uma família, a família do Domingos Neto -, e eu estava lembrando que, quando ele falou da Maria Luiza Fontenele, foi a primeira experiência que eu tive com política na minha vida, em 1985; eu tinha - sou de 1972 - 13 anos. O meu primeiro voto foi em 1989, na eleição presidencial, mas ali aquilo me emocionou muito, porque eu estava indo ao Paulo Sarasate acompanhar a votação, e meu pai, inclusive, estava torcendo pelo Paes de Andrade, que era o candidato contra Maria Luiza Fontenele. Você lembra bem. E, quando chegou o dia - a apuração era com a cédula de papel -, as pesquisas diziam que Paes de Andrade estava eleito e tal. O Eunício era genro dele. E a gente chegou ao primeiro dia de apuração; eram três dias de apuração, Danilo. No primeiro dia de apuração, o Paes de Andrade disparado. Quando começaram a chegar os votos da periferia, no segundo dia, já houve a virada. Quando a gente saiu, de um dia para o outro, quando a gente chegou à noite, eu já estava saindo, e era um mar de gente lá fora cantando aquela música Maria, Maria. Foi de arrepiar. Assim, uma multidão. Era a vitória ali da população, do povo mesmo, e foi a primeira experiência que eu tive com a política. Mas, sem mais delongas, nós gostaríamos de ouvir aqui esse nosso querido historiador, que trouxe a família. Muita honra receber a sua família aqui também, no Plenário do Senado Federal. Gostaríamos muito de ouvi-lo. Vamos ouvir agora, da tribuna da Casa revisora da República, o Sr. João Flávio Nogueira, que é médico e historiador, tem um canal. Depois você passa aqui para a gente, passe aqui na tribuna o seu canal, para as pessoas conhecerem um pouco mais do trabalho tão dedicado que você faz pela cultura de Fortaleza. Muito obrigado. Como cidadão, gratidão pelo seu trabalho e também pela sua presença ilustre aqui no Plenário do Senado. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA (Para discursar.) - Muito obrigado. Boa tarde a todos e a todas. Parabenizo o Senador Eduardo Girão por esta sessão histórica comemorando os 300 anos da nossa cidade. Eu gostaria de pedir para colocar a apresentação, que eu fiz aí, só para a gente ter esses eslaides. Meu nome é João Flávio Nogueira. Eu sou médico, mas um apaixonado pela história da nossa cidade. E, assim como todos hoje aqui, estamos comemorando esses 300 anos, esse aniversário da nossa cidade, mas por que não a gente compreender de como uma cidade pequena, no mapa que a gente vê agora, como uma cidade muito pequena conseguiu se transformar nessa grande metrópole, a maior cidade do norte e nordeste do Brasil, que a gente tem hoje, que é Fortaleza, a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, a Fortaleza da Nova Lisboa. Então, Fortaleza, antes de tudo... Se a gente for ver, o povo gosta de morar, as pessoas gostam de morar onde tem água, e Fortaleza, eu costumo sempre dizer, é como uma mesopotâmia. A gente está situado muito próximo a serras; essas serras são a Serra de Maranguape, a Serra da Taquara, a Serra de Pacatuba ou da Aratanha, que tem esses nomes. Da Serra da Aratanha, o pessoal se lembra devido ao acidente aéreo, um dos maiores acidentes aéreos que houve no Brasil. |
| R | Então, essas serras estão muito próximas à Fortaleza, a menos de 30km, e isso é uma característica única da nossa cidade - essas serras -, tanto que os navegadores antes sabiam que estavam chegando a Fortaleza, porque viam as serras, a cidade que está próxima às serras. Então, essas serras são nascentes de vários rios, o Rio Ceará, o Rio Pacoti, que nasce na Serra de Baturité, mas chega próximo a Fortaleza, o Rio Cocó, o Rio Maranguapinho, rios que transformaram aquela região quase, como eu costumo dizer, em uma Mesopotâmia, uma terra entre rios, muito fértil, muito cheia de lagoas e muito povoada pelos povos originários. Então, se a gente for ver, realmente a idade de Fortaleza é muito mais que 300 anos, porque já havia povos originários antes de os europeus chegarem. Falando nos europeus, o primeiro europeu... Fortaleza é uma cidade de primazias. A gente gosta de ser primeiro em tudo, primeiro lugar no ITA, primeiro lugar no IME, primeiro lugar na USP, primeiro lugar em Harvard. A gente teve o primeiro médico brasileiro formado em Harvard, o Dr. Joaquim Antônio Alves Ribeiro, que voltou para o Ceará em 1861 e foi o primeiro médico da nossa Santa Casa. Mas, como primazia, o Brasil não foi descoberto na Bahia. O Brasil foi descoberto em Fortaleza, por um navegador espanhol chamado Vicente Yáñez Pinzón, que estava com o Colombo, na primeira viagem que os europeus fizeram à América, em 1492; ele era o Comandante do navio Niña. Eram Santa María, Pinta e Niña, e ele era o Comandante do Niña. Então, Vicente Pinzón chegou à região do Mucuripe em janeiro de 1500, antes de Pedro Álvares Cabral chegar. A primazia da descoberta do Brasil pode ter sido em Fortaleza, e há vários documentos, inclusive o diário do Vicente Yáñez Pinzón, que mostram isso. Tem essa disputa com Pernambuco, com Cabo de Santo Agostinho, mas, segundo as correntes - e segundo o Almirante Max Justo, que fala das correntes que havia na época -, com três dias, o Vicente Yáñez Pinzón disse que chegou ao Cabo de Santa María de la Consolación, que é a Ponta do Mucuripe, e três dias depois estava no Mar Dulce, ou seja, no Rio Amazonas. Então, ele esteve realmente lá no Mucuripe, tanto que, na região do Mucuripe, existe um bairro na nossa cidade que se chama Vicente Pinzón e há um mural feito por um artista plástico cearense muito interessante, o Estrigas, que mostra justamente essa chegada do Vicente Yáñez Pinzón, em janeiro de 1500. Mas o Brasil ficou abandonado até 1530, mais ou menos - Portugal estava muito mais interessado com esse comércio das especiarias com as Índias, que era muito mais lucrativo, e o Brasil não tinha tantas especiarias assim. Então, em 1530 ou 1531, foi criado o sistema das capitanias hereditárias; e o Ceará foi uma dessas primeiras capitanias, um dos primeiros pontos importantes, tanto que tem a origem do nome. O pessoal fala que é o Canto da Jandaia, mas também os navegadores que viam as dunas achavam que se assemelhavam com o deserto do Saara; e do "Saara" veio o "Ceará" - pode ter vindo esse epônimo. Então, nesse sistema de capitanias hereditárias, foi deixada a capitania ao António Cardoso de Barros, que veio muito pouco ao Ceará e não se interessou muito. As capitanias que prosperaram foram Pernambuco e São Vicente, por conta da cana-de-açúcar, capitanias muito importantes. Então, o Ceará ficou mais ou menos abandonado. Mas, aí, como Portugal estava muito ligado a Pernambuco e São Vicente, os franceses começaram a tentar invadir esse litoral norte do Brasil, que vai desde o Rio Grande do Norte, desde Natal, mais ou menos, até São Luís, e fundaram, inclusive, uma cidade - a cidade de São Luís foi fundada por franceses, na França Equatorial, por Daniel de La Touche. Então, para tentar defender esse litoral norte e o Nordeste do Brasil, os portugueses começaram a enviar missões. E Fortaleza está em uma localização estratégica, justamente nesse caminho entre Pernambuco, em Recife, e São Luís. Então, era um ponto de parada desses navegadores. Por isso, Pero Coelho de Sousa, uma pessoa que era, inclusive, da Galícia - um gallego, como chamam -, foi para o Ceará com a missão de fundar um forte naquela região. Achou no Rio Ceará uma região muito interessante, como um porto natural muito importante, e fundou lá o Fortim de Santiago, tanto que o marco zero de Fortaleza tem esse obelisco presenteado pelo Governo da Galícia, com a imagem de Nossa Senhora da Assunção, como sendo a origem do Ceará, a origem da colonização europeia no Ceará. |
| R | Pero Coelho de Sousa, como o Danilo falou muito brilhantemente aqui, não aguentou as secas que havia no Ceará e foi... Mas, com Pero Coelho de Sousa, havia vindo também um português, nascido em Santiago do Cacém, que se chamava Martim Soares Moreno, o guerreiro branco imortalizado por José de Alencar no seu Iracema, aquele grande romance do Brasil, quase o Forrest Gump brasileiro, não é? Então, se você for à Beira Mar, você tem o monumento da Iracema, em que você tem a Iracema, a índia, a virgem dos lábios de mel, dos cabelos mais negros que a asa da graúna, mas tem também o Martim Soares Moreno com o primeiro cearense, o Moacir. Desse romance - que não houve, na verdade, é um ficcional - entre o europeu e a índia, nasceu o primeiro cearense, o Moacir. Está lá na Beira Mar esse nosso monumento. O Martim Soares Moreno veio e fundou um forte, o Forte de São Sebastião, em homenagem ao Rei D. Sebastião, que havia morrido em 1580 na Batalha de Alcácer-Quibir, lá no Marrocos, e, por conta disso, Portugal estava meio que dominado pela Espanha, num episódio que a gente chama na história de União Ibérica, de 1580 a 1640. Então, nessa época, o Brasil era espanhol. Então, o Martim Soares Moreno tomou posse daquele forte, construiu um forte nas ruínas do Fortim de Santiago, construiu o Forte de São Sebastião e construiu a nossa primeira igreja, a Igreja de Nossa Senhora do Amparo. Martim Soares Moreno era um político nato. Assim como vários Senadores que tem aqui, conseguia dialogar com os povos originários e não criou muitos conflitos, então ele conseguiu permanecer no Ceará por muito tempo. É lógico que a Coroa o mandava, às vezes, ir para o Maranhão... Martim Soares Moreno é um daqueles personagens do Brasil, o fundador do Ceará, de quem daria um filme épico. Lutou contra franceses, foi preso na França, quase vai condenado à pena de morte, só foi solto por conta do Rei Filipe, da Espanha, que solicitou ao rei francês que o liberasse. Voltou para o Brasil. Lutou contra os holandeses depois. E, falando nos holandeses, depois que Martim Soares Moreno saiu do Ceará, justamente para fazer essas lutas contra os franceses, foi preso e tal, o forte ficou meio que abandonado, e os holandeses vieram aqui para o Brasil. Os holandeses chegaram a Pernambuco em 1630. Eles vieram por conta das riquezas da cana-de-açúcar. É bom lembrar que, em 1630, o Brasil ainda estava vinculado à Espanha - a União Ibérica só vai se desfazer dez anos depois, em 1640 -, e a Holanda estava travando guerras com a Espanha. Então, eles disseram: "Eu vou invadir o Nordeste do Brasil, que é uma região muito lucrativa da cana-de-açúcar, do comércio do açúcar, que é uma coisa muito lucrativa, e vou ferir comercialmente e economicamente a Espanha". Então, eles vieram para Pernambuco. E, depois que a União Ibérica se desfez, depois de 1640, a Holanda começou a criar conflitos ou criar guerras com a Inglaterra, que era uma das maiores potências da época, e a Companhia das Índias Ocidentais, que veio aqui para o Brasil, que veio para Pernambuco, começou a sofrer com falta de recursos, porque, apesar de ser uma companhia privada, o governo holandês mandava alguns recursos para ajudar na manutenção dessa colônia. Não à toa, a gente teve a cidade de Recife construída por João Maurício de Nassau e tal. Então, os recursos começaram a falhar, os impostos começaram a subir - você vê como o povo reclama quando os impostos sobem -, os impostos de Pernambuco, dos senhores de engenho, começaram a subir, e os conflitos, as confusões desses senhores de engenho com os holandeses começaram a piorar. A gente tem a Batalha dos Guararapes, a gente tem várias batalhas importantes. E esses holandeses, desesperados porque não tinham mais dinheiro, vieram para o Ceará. Por que vieram para o Ceará? Primeiro, em 1637, logo depois da Batalha dos Guararapes, em busca de sal. Sal e açúcar eram mercadorias extremamente valiosas. É tanto que a palavra "salário" vem de "sal", era muito caro. Então, eles vieram aqui para Pernambuco em 1637, Jean Maurice, para procurar esse sal, um sal que é muito importante. Fortaleza tinha muitas salinas. Não deu muito certo. Os índios, os povos originários conseguiram expulsar esses holandeses, mas, em 1649, veio o holandês Matias Beck, que fundou um forte equidistantemente entre Mucuripe e a Barra do Ceará, chamado Forte Schoonenborch, em homenagem ao Governador holandês de Pernambuco, que se chamava Walter van Schoonenborch. E foi sob a sombra dos muros desse forte que a pequena semente nasceu - isso faz parte do Hino de Fortaleza. Então, a nossa cidade pequena, que nasceu à sombra dos muros desse forte, foi se expandindo. |
| R | Se a gente for ver datas de nascimento, a gente tem: 1603, 1612, 1637, 1649, com esse forte. E, finalmente, Dom João V, o Rei Sol de Portugal - vejam como essas coisas são coincidências, ou não, né? -, fez da cidade solar, transformou, elevou essa cidade a uma vila no dia 13 de abril de 1726. Na verdade, a Carta Régia foi do dia 15 de março de 1725, mas a vila foi implementada em 13 de abril de 1726. E, desde então, Fortaleza vem sendo esse farol, essa fortaleza para as Regiões Norte e Nordeste do Brasil. A gente teve movimentos - já foi falado aqui -, como a Padaria Espiritual, a Confederação do Equador, movimentos de primazia, de liberdade; os jangadeiros, principalmente liderados pelo prático-mor do porto, o Dragão do Mar, que é uma figura ímpar. O Dragão do Mar tinha tudo para perder. Ele era um funcionário público de alta patente, era o prático-mor do Porto de Fortaleza, ou seja, ele podia não se envolver com aquilo, podia dizer: "Ah, não. Isso aí não é coisa para mim. Eu já tenho meu salário garantido". Mas, não; ele se envolveu. Era uma pessoa que queria lutar pela abolição dos escravizados e conseguiu isso através do não embarque mais de escravos, desse comércio interno que havia no Brasil de escravos. A gente tem a primeira Academia de Letras no Brasil, que foi a Academia Cearense de Letras. A gente tem a presença dos americanos, a presença dos ingleses; ingleses que vieram justamente para aquelas serras de que eu falei no começo, que foram muito importantes para a produção do café. No ano que vem, o café completa 300 anos que chegou ao Brasil. O café chegou primeiro por Belém, no Pará; depois, o segundo lugar para o qual ele foi no Brasil foi o Ceará. Primeiro, foi para a Serra de Maranguape; depois, para a Serra de Baturité. Deu-se muito bem na Serra de Baturité - o café de sombra, que é conhecido nacionalmente e internacionalmente. E depois de Baturité é que veio para São Paulo, veio para o Sul e se tornou o principal produto da exportação do Brasil no século XIX e na metade do século XX. Então, se o Brasil é o Brasil hoje, é por conta do café que chegou pelo Ceará e do Ceará foi para São Paulo. Então, isso é para vocês verem como Fortaleza é importante. Por conta desse café, as ferrovias começaram a ser construídas, como a Estrada de Ferro de Baturité. E isso trouxe ingleses que mudaram o nosso sotaque. Se a gente não fala "di", "ti", "oxe, mainha", como o pessoal do Nordeste, mais de Pernambuco, fala, é por conta dos ingleses. A gente fala "dji", "tchi", "tchia", "djia", com "dh", com "th", que é um sotaque vindo dos ingleses - ingleses esses, como o Mr. Hull, um famoso engenheiro que construía essas estradas de ferro. O pessoal dizia que ele era homossexual; não era. Ele fazia essas estradas de ferro e era muito rígido com os funcionários. Ele, com um sotaque britânico carregado, dizia: "Vocês têm que manter a 'baitola' dos trilhos - a bitola dos trilhos -, para os trens conseguirem passar". E desse "baitola" veio a palavra baitola, que foi eternizada pelos humoristas cearenses. Ceará é a terra do humor. A gente, apesar de todas as adversidades, gosta de rir da nossa desgraça, mas também rir da nossa resiliência - resiliência aos problemas. Se Fortaleza hoje é a maior cidade do Norte e do Nordeste do Brasil, tem o maior PIB do Norte e do Nordeste do Brasil, isso não se deve a ser uma cidade sem problemas. A gente tem vários problemas de desigualdade social, de violência, de segurança pública - são vários problemas -, mas o cearense, o fortalezense sempre encontra uma maneira de superar esses problemas. Nesses 300 anos ou mais, a gente viu isso. A gente viu uma pequena vila - pequena, que nasceu sob a sombra dos fortes - se tornar hoje a maior cidade do Norte e do Nordeste do Brasil. Fortaleza é a quarta maior cidade do Brasil. Para mim, é a cidade mais importante, porque, apesar de ser cearense, apesar de ser fortalezense, eu escolhi morar em Fortaleza. Eu podia estar morando nos Estados Unidos, podia estar morando em São Paulo, mas escolhi estar morando em Fortaleza, na minha cidade natal, e escolhi essa cidade para criar a minha família. Família é a base de tudo. E para a família que a gente ama, que a gente conhece, a gente tem que passar esse conhecimento, para eles serem tão apaixonados pela história da nossa cidade quanto a gente é. Foi por conta dos meus filhos que eu comecei esse legado. A gente tem que deixar um legado nessa vida - escrever um livro, plantar uma árvore, ter filhos -, mas também amar aquela cidade que nos acolhe ou aquela cidade de que a gente é originário. Então, parabéns, Fortaleza, por esses 300 anos! Que venham muitos mais, que venham mais mil anos! E que a gente possa se tornar, cada vez mais, uma cidade mais justa, uma cidade mais inclusiva e uma cidade melhor para todos. |
| R | Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É, rapaz, uma aula - uma aula - que a gente acabou de receber aqui. Muitíssimo obrigado, Dr. João Flávio Nogueira, Médico, Historiador, que trouxe aqui a sua família, que estava atentamente ali assistindo. O senhor pode até falar o nome da sua família - da sua esposa e dos seus filhos que aqui estão. Pode apertar ali o... Seria importante. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Tá. Minha esposa, a base de tudo, a razão pela qual estou aqui, é a Dra. Taís de Fátima Soares Nogueira, grande médica anestesiologista do Ceará. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Meu filho mais velho, João Pedro Soares Nogueira... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - João Pedro. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - ... aluno das turmas ITA lá do Ceará. (Palmas.) Meu filho do meio, o amor em forma de gente, o Bernardo Soares Nogueira, uma figura, uma pessoa de QI superior. (Palmas.) E a princesa Maria Alice Soares Nogueira, a caçula, a nossa princesa. (Palmas.) Todos fortalezenses, graças a Deus. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Olha... Olha, que bom. Que bom! O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - E todos torcedores do Ceará. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Ah, tudo bem. (Palmas.) (Risos.) Ninguém é perfeito, né? Mas tudo bem. Olha, Dr. João, eu quero dizer uma coisa: eu já acompanho o seu trabalho há muito tempo - e meu pai, que está assistindo agora, Clodomir -, mas eu confesso que essa sua apresentação aqui, essa aula que o senhor nos deu me surpreendeu positivamente, porque conhecimento o senhor tem muito, mas a desenvoltura... Fala aqui da tribuna do Senado com muita propriedade, com muita segurança. Eu lhe agradeço, de coração, a sua presença aqui. É um momento... A gente passa, né? A vida é muito rápida, mas você está numa Casa aqui bicentenária. A gente comemorou há pouco tempo o Bicentenário do Senado Federal. O Ruy Barbosa é o patrono desta Casa. Tem muita história, passou muita gente boa por aqui. Já faleceu muita gente que passou por aqui. A história do Senado é repleta de um serviço grande à República, à nação brasileira. E eu fico muito feliz com a sua presença aqui. É uma sessão que eu tenho certeza de que, depois, muitos fortalezenses e muita gente que tem afeto por Fortaleza vão pesquisar - porque vai ficar no YouTube, nos canais aqui da Casa - e vão conhecer a história da nossa cidade. O senhor não falou do canal. Também eu lhe peço aí para... O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Eu e o Danilo, a gente milita nessa parte das redes sociais. O Danilo tem um canal do Instagram dele e do TikTok, que é muito legal. Ele faz vídeos mais curtos, mas muito interessantes. E o nosso canal se chama História de Fortaleza do Ceará, é um canal no YouTube - se pesquisar isso aí - que tem vários filmes e vídeos mais longos sobre justamente esses episódios importantes da história de Fortaleza; para mim, a melhor cidade do mundo, a maior cidade do mundo. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem, muito bem. Então, o nome do canal... O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - História de Fortaleza do Ceará. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - História de Fortaleza do Ceará. Tem também o canal do Danilo, que é o @danilo_lopesoficial, que também tem muito material. Inclusive, hoje, tem um vídeo que viralizou, muito importante, que foi muito bem feito, com inteligência artificial. E eu perguntei para ele, sabe, Gabriella? Eu perguntei: "Quem foi que fez isso aqui, rapaz, esse trabalho tão bem-feito?". E ele disse: "Fui eu mesmo". Ele ainda mexe com inteligência artificial, isso não é brincadeira, não. E tem também aquele FortalezaAntigamente, tem uns canais muito bons. Dá umas dicas de canais bons aí. |
| R | O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Fortaleza antiga, da amiga Leila Nobre, sensacional; tem o Nirez, que é o nosso grande maestro, nosso grande mestre, que ganhou, foi premiado com a Medalha Iracema, maior comenda da Prefeitura de Fortaleza, o Nirez foi um dos recebedores dessa medalha. Enfim, graças a Deus, as pessoas estão voltando a tentar conhecer a história, porque foi como o Sandoval falou: se a gente conhece a história, a gente começa a amar aquelas coisas e a gente preserva aquilo que a gente ama. A gente gosta de preservar a nossa casa porque a gente sabe que o nosso pai morou ali, nossa família foi criada ali, a gente não vai derrubar aquela casa, mas, se a gente não conhece a história daquela casa, a gente derruba, constrói um prédio, faz qualquer outra coisa. Então, graças a Deus, muitas pessoas hoje estão se voltando para esse conhecimento da história, que, para mim, eu sempre falo isso, apesar de ser médico, apesar de ser uma pessoa da área da medicina, eu gosto muito dessa parte de humanas e acho, para mim, sério mesmo, que história seria uma das matérias mais importantes para todo mundo, a gente conhecer de onde a gente vem para entender o presente e saber para onde é que a gente vai. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem, muito bom mesmo. Inclusive, o senhor falou da Serra de Aratanha, Fortaleza cercada ali, a vila cercada por serras, por riachos e tudo. E a Serra de Aratanha, nós falamos o nome aqui duas vezes, eu e outro palestrante... Não sei se foi o Danilo que falou sobre, acho que foi o Deputado Domingos Neto que falou sobre o Edson Queiroz. E Edson Queiroz, a gente teve a oportunidade de fazer uma homenagem aqui ao grupo, grande industrial, que tive a oportunidade de conhecer pequeno, ele foi lá em casa. (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Recebeu a Medalha Iracema, né? Tive a oportunidade de conhecer o então industrial Edson Queiroz, pequeno, lá em casa, era amigo do meu pai, muito marcante, um homem que estava à frente do seu tempo, fundou o Diário do Nordeste depois, enfim, gerando milhares de empregos. E, falando na medalha, que foi semana passada, tem também a nossa Irmã Conceição, que ganhou. Ela esteve aqui, nós fizemos um evento, ela ganhou um prêmio aqui no Senado, tive a oportunidade de entregar recentemente, e fiquei muito feliz, porque ela representa essa face da caridade hoje, que é uma marca do cearense. O cearense é um povo muito bondoso, um povo que chega junto ali da Santa Casa, em outras campanhas, é um povo, assim... Tem muitas obras sociais fantásticas do Ceará para o Brasil e para o mundo. A Serra de Aratanha, como eu estava falando, foi onde o avião da Vasp, em 1982 - eu me lembro daquele dia muito, dia 8 de junho -, teve aquele acidente, vindo de São Paulo. Depois de um evento têxtil, de um evento importante, com muitos cearenses voltando, aconteceu aquela tragédia lá no Estado do Ceará. Mas um homem deixou um legado fantástico e até hoje inspira muita gente. Então, partindo para o final da nossa sessão, eu gostaria de conceder a palavra ao Sr. José Sampaio de Lacerda Júnior, que é Presidente da Casa do Ceará. (Palmas.) Muito obrigado pela sua presença aqui. Eu quero pedir para o senhor também fazer um convite para as pessoas que não conhecem a Casa do Ceará conhecerem, quem é de Brasília, quem é do Estado de Goiás, é uma oportunidade ímpar. Muito obrigado pela sua presença. |
| R | O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR (Para discursar.) - Muito obrigado. Boa noite a todos. Queremos, inicialmente, agradecer o convite do Exmo. Sr. Senador Eduardo Girão, autor da proposição desta sessão especial, e, na sua pessoa, cumprimentar todos os membros da mesa. Exmos. Senadores e Senadoras, demais autoridades presentes, senhoras e senhores, falar de Fortaleza, para nós, da Casa do Ceará, em Brasília, não se limita a reverenciar uma cidade; é evocar nossas origens, nossa identidade e o profundo sentimento de pertencimento que nos une. A existência da Casa do Ceará, nesta capital, se justifica em grande medida pela força irradiadora de Fortaleza, esse centro dinâmico que congrega, representa e projeta o espírito do povo cearense. Cada conterrâneo que aqui chega traz consigo traços marcantes dessa terra, no sotaque, no bom humor, na coragem e, sobretudo, na forma singular de enxergar a vida. Por essa razão, a celebração dos 300 anos de Fortaleza não nos é distante; ao contrário, ela envolve e nos representa. Celebrar Fortaleza é reverenciar o ponto de partida de inúmeras histórias que continuam sendo escritas Brasil afora, inclusive aqui, onde a Casa do Ceará preserva e fortalece os laços afetivos culturais e institucionais com nossa terra. Fortaleza não se define apenas por sua trajetória histórica, mas, sobretudo, por sua extraordinária capacidade de reinvenção. Ao longo dos séculos, consolidou-se como um espaço de encontros, de culturas, de ideias e de oportunidades. É também uma cidade que se destaca pela força de seu turismo, reconhecido nacional e internacionalmente. Suas belezas naturais, sua orla vibrante, sua gastronomia rica e sua hospitalidade fazem de Fortaleza um dos principais destinos turísticos do Brasil, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico e a projeção do Ceará no cenário nacional e internacional. Fortaleza acolhe, ensina, inspira, enfrenta desafios sem perder a leveza, cresce sem abrir mão de sua identidade e talvez resida aí sua maior singularidade: a harmonia entre força e sensibilidade, entre luta e alegria, entre resistência e criatividade. Fortaleza é, acima de tudo, feita de gente, gente que transforma dificuldades em oportunidades, que faz da diversidade impulso e que constrói não apenas com o trabalho, mas também com imaginação e esperança. Essa energia atravessa gerações, fazendo com que Fortaleza não seja apenas lembrada, mas profundamente sentida. Sua cultura é viva, dinâmica e presente no cotidiano, na música, no artesanato, na literatura e na maneira única de se expressar e se relacionar. Está, sobretudo, na capacidade de sorrir, mesmo diante das adversidades, a característica marcante do povo cearense. |
| R | Contudo, celebrar 300 anos não é apenas revisitar o passado, mas também projetar o futuro e reconhecer conquistas sem perder de vista os desafios que ainda se impõem. Fortaleza nos convida a refletir sobre um desenvolvimento pautado na inclusão, no equilíbrio e na justiça social. Nesse contexto, o papel das instituições torna-se essencial. A Casa do Ceará, em Brasília, é mais do que um espaço físico; é um símbolo de continuidade da resistência cultural e de solidariedade. Além de preservar nossas tradições, desenvolve um trabalho social de grande relevância por meio do Lar dos Velhinhos, que, atualmente, acolhe 21 idosos, oferecendo assistência integral com atendimento médico, enfermagem e todo o suporte necessário para garantir dignidade e qualidade de vida. Trata-se de um sonho idealizado ainda na década de 1960 pelo então Deputado Federal Crisanto Moreira da Rocha, e que, ao longo de anos, transformou-se em uma obra sólida de amor ao próximo e de compromisso social. Somos, assim, uma extensão viva de Fortaleza fora de seu território, um espaço onde a memória dialoga com o presente e onde a identidade cearense permanece firme, mesmo à distância. Senhoras e senhores, Fortaleza chega aos seus 300 anos com história, com vigor e, sobretudo, com um futuro promissor. Uma cidade que transcende seus limites geográficos, pois vive em cada cearense onde quer que ele esteja. Hoje, celebramos mais do que uma data; celebramos uma identidade, celebramos um povo, celebramos Fortaleza. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bom. Muitíssimo obrigado, Sr. José Sampaio de Lacerda Júnior, Presidente da Casa do Ceará. O senhor... Na região, aqui, vamos dizer, de Brasília, em Brasília, tem quantos cearenses? Tem ideia? O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Rapaz, a gente... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Mais ou menos. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Eu lhe falo francamente: com precisão, eu não teria esse dado, viu? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Não, né? Tem muitos cearenses aqui, porque muitos cearenses vieram construir Brasília, não é? O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - É. Inclusive, recentemente, um dos nossos diretores nos provocou para que a gente procurasse saber quantos cearenses ainda... Porque nós já estamos com 60 anos, a cidade já tem mais de 60 anos, né? Então, a gente já tem novas gerações aqui de filhos. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Como eu mesmo. Meus quatro filhos nasceram aqui em Brasília. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Sim. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - E muitos cearenses também já partiram para o lado de cima, né? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Isso. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Mas é um desafio para a gente ver, até com o IBGE... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - ... quantos cearenses são; se é que eles têm esse dado, assim, especificado. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Eu tive a oportunidade de conhecer um grande cearense que veio e ajudou muito a construir aqui, que é o Venâncio, que tem aqueles prédios do Venâncio 2000. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Ah, sim, o Venâncio da Silva. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É, e a família dele, até hoje... O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Ele é um dos pioneiros que construíram Brasília. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Pioneiros? O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Pioneiros! O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Que bom, rapaz, é muito bacana isso. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - E temos aqui, também, o nosso Primeiro Vice-Presidente, Estenio Campelo, que também é... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Primeiro Vice-Presidente, Estenio? O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Primeiro Vice nosso. Um grande beneficente, ajuda muito a nossa Casa, viu? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Que bom! O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - E a Casa do Ceará está ali, localizada na Asa Norte, na Quadra 910. Queremos fazer, em público, o convite ao Senador e a todos os membros da Mesa, à bancada cearense e a todos os cearenses que queiram visitar e conhecer o nosso trabalho aqui. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Vamos sim. O SR. JOSÉ SAMPAIO DE LACERDA JÚNIOR - Viu? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Vamos sim. Já ouvi falar muito bem dos eventos. Estenio, muito obrigado pela sua presença aqui. O SR. JOÃO ESTENIO CAMPELO BEZERRA (Fora do microfone.) - Queria só acrescentar que... O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Aperta no... O SR. JOÃO ESTENIO CAMPELO BEZERRA (Para discursar.) - Queria só acrescentar que nós somos de Crateús, chegamos aqui em 1962, meu primeiro irmão... |
| R | (Soa a campainha.) O SR. JOÃO ESTENIO CAMPELO BEZERRA - ... acompanhado de minha irmã, que foi a primeira funcionária concursada da Câmara dos Deputados: Maria Valdira, jornalista, e Valmir Campelo, que foi administrador de três cidades satélites: Brazlândia, Gama e Taguatinga e, depois, nas primeiras eleições, foi o Deputado Federal mais votado e Constituinte, que assinou a Constituição de 1988. Em 1990, foi eleito Senador pelo Distrito Federal, esteve aqui nesta Casa durante sete anos e meio, e depois foi para o Tribunal de Contas da União, indicado por esta egrégia Casa. Nós somos dez irmãos que viemos para cá nessa época, mas nunca esquecemos o Ceará, mormente Fortaleza, onde temos residência também. E dissemos que aqui nós temos, como dizia o Fernando Cesar Mesquita, que foi Diretor desta Casa, nós saímos do Ceará, mas o Ceará não sai da nossa mente. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito obrigado, Dr. Estenio. Tive a oportunidade de... Quantos livros já, Estenio? Quantos livros você já publicou? O SR. JOÃO ESTENIO CAMPELO BEZERRA - Eu já publiquei quatro livros, um técnico e a minha biografia agora, no ano passado. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem. Tive a oportunidade de participar... O SR. JOÃO ESTENIO CAMPELO BEZERRA - De estar presente. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - ... de estar presente num dos lançamentos, um trabalho de muito talento. E Crateús, rapaz, Crateús é uma terra... O SR. JOÃO ESTENIO CAMPELO BEZERRA - ... tribunais superiores. Cinquenta anos de advocacia. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Sim, sim, verdade, verdade. Seja muito bem-vindo sempre aqui à Casa revisora da República. Um abraço a toda a família querida. E partindo aqui para o penúltimo, penúltimo orador, eu chamo Fernando Torres, Conselheiro da Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza. É uma coisa nata do cearense o empreendedorismo, a superação. Dizem que o cearense - você já ouviu esta, não é, Dr. João Flávio? -, o cearense é o judeu brasileiro, não é? Já ouviu falar essa aí? Não sei de onde foi que pintou isso e por quê. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA (Para discursar.) - Pela inteligência, pela capacidade de comércio por que os judeus são conhecidos, o cearense ficou conhecido como isso, como o judeu brasileiro. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Dizem que é o judeu brasileiro, mas tem tanto valor e tanto princípio... Ele vende até a mãe, mas não entrega. A turma fala isso, não é? (Risos.) Brincadeira. É a terra, o Ceará é a terra do humor, como foi colocado aqui. E para você ver como é a terra do humor mesmo, você tem o Renato Aragão, o Didi da nossa infância, muito forte ali, dos Trapalhões, lá de Sobral, e tem o Chico Anysio, que será homenageado aqui na quinta-feira. Está vindo a Malga, a última esposa do Chico Anysio, Malga Di Paula, e outras pessoas próximas da família para fazer a homenagem, porque a causa do Chico... Também tem a questão de que ele teve problema com depressão, e esta é a semana do enfrentamento ao preconceito em relação à saúde mental - o Dia do Humorista foi ontem -, então, uma semana nós vamos ter de celebrações aqui bem cearenses. Tem até o Dicionário de Cearês - você já viu, não é? - que vendia no aeroporto, não sei se vende, é interessante ali, você vê... Pode falar. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Teve um filme feito pelo grande tricolor, o Halder Gomes. O Halder é um torcedor do Fortaleza, fanático. E o filme tinha legenda de "cearensês" para português, porque, senão, as pessoas não iam entender. |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Qual é o nome do filme? O Halder tem vários filmes. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Tem vários filmes. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - O Cine Holliúdy... O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Esse aí foi o Cine Holliúdy. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Foi o Cine Holliúdy. Ele fez um também... Esse você não assistiu e não vai gostar. Foi o primeiro filme dele, que é o Loucos de Futebol. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Sobre o Fortaleza, não é? O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Foi um documentário que ele fez. Nós fizemos um filme juntos, o filme do Chico Xavier eu fiz com ele. A gente produziu o filme do... No Dr. Bezerra ele ajudou também. Grande Halder, de Quixeramobim. Quem é de Quixeramobim também... Sabem quem é? O senhor também é de Quixeramobim? (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Pronto. Quem é de Quixeramobim também é o Fausto Nilo. Fausto Nilo... Na questão da música, da arquitetura, é muito forte. Ali em Fortaleza, tem em Fortaleza, o Fausto Nilo, de Quixeramobim. Para você ver como as pessoas vieram. O Danilo quer complementar alguma coisa. Fique à vontade. Aqui é informalidade mesmo. O SR. DANILO LOPES FERREIRA LIMA - Antônio Conselheiro. Antônio Conselheiro era de Quixeramobim. De Canudos. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Também? Que bom! Como é seu nome? (Intervenção fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Francisco Ivo Barbosa, de Quixeramobim. A minha avó era Barbosa, só que Barbosa do Amazonas. É interessante. Fernando Torres, muito obrigado pela sua presença aqui. Tem também a presença da Riany, sua esposa. É muito importante. Agradeço demais a sua presença. Você vai falar - olhe a responsabilidade - pelo empreendedorismo, por uma coisa nata do cearense, que é o comércio. Muito obrigado por sua presença. O SR. FERNANDO TORRES LAUREANO (Para discursar.) - Boa tarde. Principalmente depois de tantos talentos no dia de hoje, falar depois é uma grande responsabilidade, mas vou tentar dar a minha contribuição. Inicio saudando a mesa, o Presidente Eduardo Girão, Senador de grande atuação no Senado Federal e meu amigo. Dei sorte para ele quando eu fui Presidente do Podemos, no Ceará. Ele foi eleito na chapa de Vereadores de Fortaleza justamente no nosso mandato, na nossa gestão. Parabéns pelo trabalho, pela competência, Danilo. Cumprimento a nossa Vice-Prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar, e o nosso professor. Eu tinha visto o seu vídeo, você dizendo que estava ansioso por vir ao Plenário do Senado. E não pareceu que estava ansioso, porque deu uma aula aqui. Então, parabéns! Continue assim. Quero saudar todas as mulheres, na pessoa aqui da minha esposa Riany. Senhoras e senhores, celebrar os 300 anos de Fortaleza é celebrar a grandeza de uma cidade que nasceu à beira-mar, cresceu com coragem e se consolidou pela força do seu povo. Fortaleza não é apenas uma capital, Fortaleza é um estado de espírito - várias vezes o Senador disse que estava arrepiado -, é uma cidade que carrega na alma a vocação do trabalho, da criatividade, da superação e da esperança. Ao longo de três séculos, construiu sua história não pela comodidade, como bem disse Danilo Lopes, mas pela determinação; não pela espera, mas pela iniciativa; não pelo acaso, mas pelo esforço cotidiano de gerações de fortalezenses. O fortalezense tem no sangue a coragem de empreender. Ele empreende quando abre as portas do seu comércio antes do sol nascer, empreende quando transforma talento em serviço, ideia em oportunidade, dificuldade em sustento e sonho em futuro. |
| R | E aqui eu vejo os jovens estudantes da Universidade de Fortaleza também - o meu abraço -, a universidade na qual eu me formei em Engenharia Civil e pela qual tenho um profundo carinho. O empreendedorismo em Fortaleza não é apenas uma atividade econômica. É uma expressão do caráter do seu povo, um povo que trabalha, arrisca, cria, recomeça e não desiste. E essa força se revela com clareza em suas grandes vocações. Fortaleza é turismo, é uma cidade que encanta pela beleza de sua orla, pela luminosidade do seu céu, pela riqueza da sua cultura, pela força da sua gastronomia e, acima de tudo, pelo acolhimento caloroso de sua gente. Quem visita Fortaleza leva consigo mais do que imagens bonitas, leva a lembrança de uma cidade viva, vibrante e, acima de tudo, humana. Fortaleza é comércio, dinamismo, circulação de riquezas, geração de oportunidades. É o pequeno empreendedor, o comerciante tradicional, o centro movimentado, a economia pulsando nas ruas e nos bairros. É o espírito de quem sabe negociar, produzir, servir e fazer crescer, mas não entrega a mãe, como disse o Senador Eduardo Girão. Fortaleza é serviço, é uma cidade moderna, ativa, conectada, que entende o valor do capital humano, da inteligência, da capacidade de atender, de organizar, de inovar, uma cidade que avança por seu povo, sabe servir com excelência e trabalhar com dignidade. E, se quisermos encontrar uma imagem perfeita da alma fortalezense, nós a veremos também no futebol. O Clássico-Rei entre Fortaleza e Ceará é mais do que uma disputa esportiva. É uma manifestação apaixonada da identidade da nossa cidade. É rivalidade que move, é emoção que contagia, é pertencimento que une gerações. No Clássico-Rei, Fortaleza mostra seu coração, um coração que vibra, que sonha, que luta, que cai e se levanta, sempre com honra, sempre com paixão. E é claro, Vereador Danilo, que, quando o Fortaleza Esporte Clube ganha, a cidade de Fortaleza amanhece mais vibrante. (Risos.) (Intervenção fora do microfone.) O SR. FERNANDO TORRES LAUREANO - De certo modo, a própria trajetória de Fortaleza se parece com um grande clássico, marcada por desafios, por superações, por coragem e por uma torcida inteira, chamada povo fortalezense, que nunca abandona sua cidade. Hoje, ao homenagearmos os 300 anos de Fortaleza, homenageamos essa gente forte, empreendedora, acolhedora e apaixonada. Homenageamos uma cidade que orgulha o Ceará, engrandece o Nordeste e inspira o Brasil. Parabéns, Fortaleza, pelos seus 300 anos de história! Que venham os próximos séculos com ainda mais desenvolvimento, justiça, oportunidades e orgulho para o nosso povo! Viva Fortaleza! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem! É isso aí. Viva Fortaleza! Cidade viva, cidade fabulosa. É como diz o pessoal... Às vezes, você vê, lá no interior, andando pelo Nordeste: "É Fortaleza, né"? Tem o "Fortaleza". É bem interessante. |
| R | Mas, olhe, tem uma fortalezense aqui antes do Miqueias. Miqueias, antes de você fechar, por cinco minutinhos aqui, vamos rapidamente à nossa querida Carolina Siebra, que é de Fortaleza, que eu já citei aqui. Ela pediu, e eu acho muito justo, para gente abrir rapidamente a palavra. A SRA. CAROLINA SIEBRA (Para discursar.) - Muito obrigada, Senador Eduardo Girão, que muito nos orgulha, filho da terra, como eu, cearense, na pessoa de quem cumprimento os demais que estão compondo a Mesa e, na pessoa da Vice-Prefeita Gabriella, cumprimento as demais mulheres que estão aqui. Sou fortalezense, com muito orgulho. Três séculos da nossa cidade, cidade essa de povo acolhedor, cidade que exporta talentos, não só no humor, mas também em inteligência. Terra de um povo raro, acolhedor, que não só resolve os problemas, como está sempre disposto a lutar. Sou filha da terra, sou nascida e criada, sou formada pela Unifor também, em Direito, profissão que muito me orgulha, profissão que me trouxe a lugares que jamais imaginei ocupar, lugares em que a gente luta por justiça, luta por igualdade e que nos fazem diferentes dos demais. E, como uma bela cearense e fortalezense, continuo com o sangue nos olhos, digamos assim, para enfrentar qualquer arenga e para lutar pelo que a gente acredita, que são os valores de todo cearense. Nossos cearenses acreditam na justiça, na honestidade e é assim que a gente vai continuar. Muito obrigada, Senador Eduardo Girão, por este momento histórico, três séculos da minha amada cidade, cidade dos meus irmãos, da minha família e de que eu tenho muito orgulho. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito obrigado, Carol Siebra, que está sendo fotografada agora pelas lentes mágicas da Jaciara Aires, que está com a sua irmã aqui, visitando. (Palmas.) Essa fotógrafa - até a alma ela consegue captar - é muito querida. Muito obrigado pela sua presença. Fernando, espetacular também a sua... Trazendo aqui a... Pô, está bem completa. Esta audiência está bem com a cara do espírito cearense. E, para fechar, a juventude. Fortaleza, fazendo 300 anos, é bem jovem, né? Capital bem jovem. Temos uma Vice-Prefeita superjovem também. E vamos ouvir o Miqueias de Araújo Pessoa, estudante de Direito da Universidade de Fortaleza. Ele que está com um grupo aqui. Depois, eu queria até que você falasse o nome, pelo menos, das pessoas que aqui estão ainda, os seus colegas da Unifor. Quando eu fiz vestibular, em 1990,1991, foi por aí, só tinha três universidades em Fortaleza: era a UFC, era a Uece e era a Unifor. Interessante, né? Era aquela coisa, aquela expectativa e tudo. E eu também tive a oportunidade de passar, consegui passar nas três na época, na Unifor também. Acabei indo para a UFC, não terminei, mas, depois que passar aqui a missão no Senado, vamos ver se a gente termina para pegar o canudo. Miqueias, muito obrigado pela sua presença, obrigado por ficar aqui até o final com o grupo de estudantes da Unifor. Você tem a palavra por cinco minutos, para a gente encerrar esta sessão daqui a pouquinho. Muito obrigado. O SR. MIQUEIAS DE ARAÚJO PESSOA (Para discursar.) - Primeiramente, boa noite a todos e a todas. É uma honra estar aqui diante de vocês, de tantas autoridades. Faço meus cumprimentos à Mesa, ao Sr. requerente Presidente da situação, o Senador Eduardo Girão, ao Deputado que aqui estava presente, mas agora não está mais, que teve uma recepção bastante humilde junto do Senador. |
| R | Quero agradecer à Gabriella Aguiar, meus cumprimentos, que é a representante do Prefeito da cidade de Fortaleza, a Vice-Prefeita; ao Sr. Vereador da cidade de Fortaleza, Danilo Lopes; e ao senhor, médico e historiador, João Flávio Nogueira. Bom, eu queria também dar meus parabéns à cidade de Fortaleza pelos seus 300 anos porque é uma cidade, além de bastante rica e forte em cultura, referência na educação, que a gente sabe que ocupa muitos lugares de poder, que está ali dentro do âmbito educacional. Nossos estudantes, tanto em concursos como em universidades... Existe até uma referência humorística que diz que, enquanto você está dormindo ou fazendo qualquer outra coisa, tem um cearense estudando; e a gente sabe que é bastante especial tanto no âmbito educacional como no âmbito cultural. Fortaleza é uma cidade maravilhosa. A gente sabe que tem ali o Dragão do Mar, tem o Museu da Arte e do Som, tem a Beira Mar, vários turistas vão lá visitar todo ano. Fortaleza é a quarta capital mais populosa do Brasil, que a gente pode ver que é bastante abrangente, tanto em povo e diversidade. Bom, eu sou cearense, sou natural de Fortaleza, tenho muito orgulho de ser nordestino e meus pais também são - meu pai é do Rio Grande do Norte, e minha mãe é do Ceará. O Ceará, que foi o primeiro abolicionista, é uma terra muito abrangente, que foi pioneira nessa situação. Estou aqui também representando, como discente, os estudantes do curso da Universidade de Fortaleza, em Direito, com a nossa orientadora, Profa. Fabíola, a Valéria, os queridos alunos Guilherme, Fernanda, Xavier, que estava aqui presente. Quero dizer que é uma oportunidade muito boa poder conhecer os Poderes, tanto o Legislativo, o Judiciário e o Executivo, podendo fazer visita aos planaltos, ao Palácio da Alvorada, Embaixada do México, Itamaraty, que é uma abrangência muito grande de conhecimentos, que todos deveriam ter essa oportunidade, porque eu acredito que faz parte do ser brasileiro, que é ter essa diversidade, essa cultura e toda abrangência a qual a gente pode ter e possuir. Quero também agradecer a todos que estão aqui presentes, que vieram a esta sessão maravilhosa, com tantas falas importantes, com tanta cultura, tanta história, que a gente precisa, nossa memória, nossa diversidade como um todo. Quero agradecer a todos pela presença e é isso. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bom. Olhe só, Fortaleza jovem aí, com uma perspectiva muito grande com esses jovens que aqui estão. Inclusive, Vice-Prefeita, uma coisa importante que a gente tem, uma coisa que é muito peculiar do Ceará no turismo brasileiro... Nós somos um dos principais destinos aqui do Brasil, e uma coisa que me deixa muito orgulhoso são aquelas barracas da Praia do Futuro. Ali você tem uma infraestrutura que você não vê em outros estados que têm praias bonitas. As nossas são... A minha adolescência ali foi na Praia do Futuro. Morei na Praia do Futuro, na Rua Gerôncio Brígido, ali quase em frente ao Cuca Legal, ali tem agora o Crocobeach. E eu me preocupo muito, eu sei que está sendo feito um acordo, já foi costurado, com relação à associação das barracas de praia para tentar resolver essa situação, mas eu me preocupo muito que a gente possa ter algum tipo de retrocesso, perdendo turistas pela infraestrutura que vai ter que ser desativada. |
| R | Mas eu vejo muita preocupação da prefeitura, do Alessander Sales também, que é o nosso Procurador da República lá no Ceará, e nesse entendimento precisa ter muito diálogo. A gente não pode perder essa essência. Eu morei também em Salvador, tive uma oportunidade na minha vida em que morei em Salvador. Praias lindas, mas não têm aquela infraestrutura ali, em que a gente deixa as crianças, porque ali é um negócio fantástico e gera emprego - gera muito emprego ali - e é bem típico da nossa culinária, enfim. Mas eu compreendo e parabenizo a Prefeitura por estar tentando encontrar um caminho para ver se consegue agradar ali a todos e me coloco à disposição aqui, no nosso gabinete, no nosso mandato, para, de uma forma institucional, junto aos demais Poderes, a gente tentar encontrar uma solução com a maior amplitude possível. E, para encerrar este momento histórico, eu convido a todos para assistirem a um vídeo de um minuto - na verdade são 44 segundos -, que é do historiador Licínio Nunes, que é Professor de História do Brasil na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos. Licínio é fortalezense, bisneto do Coronel Licínio, que ficou com a guarda da imagem de Nossa Senhora da Assunção, trazida pelo português Álvaro de Azevedo Barreto, em 1654, quando da tomada do forte holandês de Schoonenborch - olha só como Fortaleza é uma coisa impressionante! E eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa, já agradecendo a todos que fazem parte aqui deste momento histórico, da sempre muito atenciosa equipe de servidores, extremamente profissionais, do Senado Federal... estamos concluindo mais uma sessão. Agradeço a todos vocês na pessoa do Zezinho. O Zezinho é cearense, conterrâneo de Santa Quitéria, mas apaixonado... Olha, você viu aqui Crateús, Tauá, Morada Nova, Quixeramobim, Mombaça, a gente viu aqui falar de muitos lugares, mas Santa Quitéria, Zezinho... você trazendo a sua luz de lá, e eu sei que você gosta muito de Fortaleza e ajudou a gente a chegar neste momento aqui. Muito obrigado. Secretaria-Geral da Mesa, o último vídeo, para a gente encerrar a nossa sessão. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Vou pedir para interromper, a gente bota já, já o Hino de Fortaleza - esse é o hino da cidade de Fortaleza... (Pausa.) Mas esse hino estava faltando mesmo, a gente vai fechar com ele - vai fechar com ele -, mas eu só peço o videozinho que foi feito com muito carinho pelo nosso querido Licínio Nunes. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA (Para discursar.) - Enquanto acham o vídeo, Licínio é meu amigo particular. Ele é Professor de História do Brasil, especialmente de História do Ceará, na Universidade do Alabama, lá nos Estados Unidos, e foi uma das pessoas responsáveis por encontrar, vou dizer assim, o túmulo que estava perdido do Dragão do Mar, do Francisco José do Nascimento, esse nosso prático do porto de Fortaleza. Ele encontrou esse túmulo no Cemitério São João Batista, o cemitério mais antigo lá de Fortaleza. Então, é uma pessoa que pesquisa muito sobre essa parte da abolição e tem isso... o objeto europeu mais antigo que tem hoje em Fortaleza é justamente a estátua, a imagem de Nossa Senhora da Assunção, que foi trazida por esse português em 1654. Então, você vê... Está lá na 10ª Região Militar, no museu. E o bisavô dele foi o guardião dessa estátua por muitos anos. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Aliás, a Prefeitura de Fortaleza ou a Câmara de Vereadores... eu vi um vídeo institucional que foi feito, muito bem-feito, ouvindo historiadores - assisti ontem, inclusive, faz dois dias -, e mostrou exatamente. O senhor colocou aí, né? |
| R | O Cemitério São João Batista - onde estão os restos mortais de muitos familiares nossos - fez 160 anos, foi isso? Não. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - São 168, se eu não me engano. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - São 168 anos. O Prof. Sandoval falou. Inclusive, o Prof. Sandoval faz incursões, né? O SR. DANILO LOPES FERREIRA LIMA (Fora do microfone.) - Fortaleza Necrópole. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Fortaleza Necrópole. É bem interessante. O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Ele e o Prof. Thiago Roque, que a gente também tem que citar, porque são dois excelentes. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Prof. Thiago Roque também tem um estudo e vai no campo, né? O SR. JOÃO FLÁVIO NOGUEIRA - Sim. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Faz guias e tudo. Então, vamos agora assistir ao vídeo. (Procede-se à exibição de vídeo.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bom! (Palmas.) Diretamente dos Estados Unidos, nós tivemos aí o Prof. Licínio Nunes, Professor de História do Brasil na Universidade do Alabama. Muito obrigado pela sua participação. Vamos agora ouvir o Hino de Fortaleza - e prometo encerrar a sessão -, que tem três minutos. É interessante o convite que ele nos faz à reflexão. A história desse hino é muito bonita. (Procede-se à execução do Hino de Fortaleza.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Que lindo, hein? Que lindo o hino da nossa Cidade de Fortaleza. E não vamos mais nem sentar. Vamos encerrar a sessão aqui, agradecendo a presença de todos vocês. Que Deus proteja, Nossa Senhora proteja, que a espiritualidade proteja essa cidade tão linda, nosso coração ali do Ceará - Fortaleza -, capital da Terra da Luz. Muito obrigado pela presença de todos. Muita luz para a vida de todos e muito obrigado. A sessão está encerrada. (Palmas.) (Levanta-se a sessão às 19 horas e 06 minutos.) |


