4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 28 de agosto de 2026
(sexta-feira)
Às 15 horas
118ª SESSÃO
(Sessão Especial)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão.

Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento nº 889, de 2025, de autoria desta Presidência e de outros Senadores, aprovado pelo Plenário do Senado Federal.

A sessão é destinada a celebrar o Dia do Maçom.

Convido para compor a mesa desta sessão especial o Sr. Ademir Cândido da Silva, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil. (Palmas.) (Pausa.) Convido também o Sr. Armando Assumpção, Secretário-Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil. (Palmas.) (Pausa.) Convido também o Sr. Cassiano Moreno, Secretário-Geral da Confederação Maçônica do Brasil. (Palmas.) (Pausa.) Convido também o Sr. Cassiano Teixeira de Morais, Presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil. (Palmas.) (Pausa.) Convido também o Sr. Adalberto Aluízio Eyng, Sapientíssimo Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil. (Palmas.) (Pausa.) Convido também o nosso Irmão José Roberta Arruda, Governador do Distrito Federal, no período 2007 a 2010, e também Senador. (Palmas.) (Pausa.) Convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional.
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(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
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O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar - Presidente.) - Cumprimento o nosso Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Irmão Ademir Cândido da Silva; também o Secretário-Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, Armando Assumpção; o Sr. Secretário-Geral da Confederação Maçônica do Brasil, Cassiano Moreno; o Sr. Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil, Adalberto Aluízio Eyng; Sr. Presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, Cassiano Teixeira de Morais; Sr. Governador do Distrito Federal, no período de 2007 a 2010, José Roberto Arruda; meus queridos irmãos, cunhadas, sobrinhos.

Vou começar esta minha fala com uma frase proferida na maçonaria por Joaquim Gonçalves Ledo, em 20 de agosto de 1822. Disse ele: "Os povos não são propriedade de ninguém". Naquele momento, a independência tomou força, e Gonçalves Ledo passou para a história como um dos mais importantes autores da independência do Brasil, se não o maior.

Estamos, pois, aqui, nesta sessão solene, para homenagear todos os maçons brasileiros na pessoa de Gonçalves Ledo. Nada melhor, para iniciarmos esta homenagem ao Dia do Maçom brasileiro, do que as suas palavras cada vez mais atuais.

Gonçalves Ledo proferiu um veemente discurso, demonstrando, com razões sólidas, que "circunstâncias políticas da pátria, do rico, fértil e poderoso Brasil" requeriam que os maçons brasileiros firmassem sólido compromisso com a independência e a realeza constitucional, na pessoa do Augusto Príncipe, propondo que D. Pedro I fosse proclamado então Imperador do Brasil.

A comemoração do dia de hoje, Dia do Maçom, se dá principalmente por ter sido a proclamação da independência resultado incansável dos trabalhos de maçons que iniciaram o movimento liberal. Foi uma construção, foi uma união dos pedreiros na liberdade do Brasil.

Para aqueles que não sabem, o significado da palavra maçom é pedreiro, aquele que constrói. Maçom é o pedreiro social, aquele cujo maior segredo é fazer desinteressadamente o bem ao próximo e, com isso, fazer o bem à humanidade.

Ao longo do tempo, na arte de construir, esses pedreiros se uniram para fortalecer a associação que atravessou séculos de guerras, catástrofes e divisões, mas sempre sob o manto sagrado da liberdade, da igualdade e da fraternidade, e conseguiram mudar o curso da história.

Nos momentos mais importantes do nosso país, esses bravos defensores da nossa pátria, os maçons do Brasil, foram sobretudo os protagonistas desses feitos. D. Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Ledo, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Duque de Caxias, dentre outros, são exemplos de referência para todos nós. Ao longo do tempo, especialmente na nossa pátria, esses destemidos maçons do passado devem ser sempre louvados pelo seu amor incondicional ao Brasil, seu povo destemido, suas crenças e a sua cultura diversa.

Os maçons brasileiros sempre tiveram papel importante na história do Brasil, especialmente nos momentos de crises econômicas e políticas.

A história do Brasil maçônico é rica de ensinamentos e fértil em grandezas de toda ordem, devendo os seus feitos serem evocados permanentemente, como uma chama que nunca se apaga.

Para que nunca percamos de vista quem somos, de onde viemos e para onde vamos, senhoras e senhores, nesta data tão simbolicamente importante, cabe, no entanto, à nova geração, aos maçons de hoje, inspirados nos exemplos dos antepassados, a grandiosa tarefa que nos desafia a empunhar a bandeira de um novo movimento pela liberdade voltado para as realidades do nosso tempo, exigindo um basta nas desigualdades que colocam o nosso povo cativo e submisso ao poder vigente.

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Devemos todos nos unirmos para empreender uma verdadeira cruzada contra a corrupção desenfreada, os descaminhos, a falta de ética e de moral, o desrespeito às leis e a crescente impunidade. Não é um país corrupto e pobre que queremos.

Essa, senhoras e senhores, será uma luta sem tréguas, uma luta para reconstruir o país, uma luta contra o crescente tráfico de drogas que destrói o futuro dos nossos jovens, uma luta contra a violência urbana, na sua expressão mais torpe, além de outras mazelas que agridem e minam os fundamentos morais e espirituais da família brasileira.

A verdade, senhoras e senhores, é que precisamos reconstruir o Brasil. A verdade, senhoras e senhores, é que precisamos dar um basta na corrupção, na situação de desemprego crescente, da inflação nas alturas, na taxa de juros escorchante e na não honradez dos compromissos assumidos em campanha.

Diante do realismo desse quadro, precisamos, a exemplo daqueles maçons que concretizaram o ideal maior que povoou os sonhos da independência do Brasil de ontem, mostrar também a coragem de nossas convicções e que não temamos expressá-las.

A nossa força e o nosso vigor farão desta sessão solene um ato público de chamamento a todos para que se unam pelo Brasil, pela permanente busca do aperfeiçoamento da nossa sociedade, fundada na esperança de que, com amor a Deus, à pátria e à família, com tolerância, sabedoria e sob a tríade de liberdade, igualdade e fraternidade, alcançaremos o triunfo do bem comum.

Aos maçons de ontem que nos legaram extraordinários exemplos de lutas e sacrifícios, as nossas mais sinceras homenagens. Aos maçons de hoje que não fogem à luta, a nossa singela homenagem. A todos os maçons do Brasil, envio desta tribuna minhas mais sinceras saudações, na certeza de que estaremos sempre juntos pelo bem e para o bem de nossa pátria amada Brasil.

Salve o Dia do Maçom!

Obrigado. (Palmas.)

Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional.

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(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Registramos aqui a presença, na galeria, dos alunos do ensino médio do Colégio Nacional Dr. Jamil Sebba, de Catalão, Goiás. Sejam bem-vindos à nossa Casa. (Palmas.)
Registro também a presença da Sra. Presidente Nacional da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul do Grande Oriente do Brasil, Virginia Elisa Pereira de Oliveira Montagnana. (Palmas.) Está me representado muito bem na minha cadeira ali.
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Registro também a presença do Sr. Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal, Walderico de Fontes Leal, nosso Grão-Mestre. (Palmas.) O Sr. Grão-Mestre do Grande Oriente da Paraíba, Silvino Corsino. (Palmas.) O Sr. Grão-Mestre do Grande Oriente de Sergipe, Wolney de Melo Dias. (Palmas.) O Sr. Grão-Mestre Honorário de Roraima, Samir Hatem. (Palmas.) Sr. Presidente da Loja Simbólica Brasília 1882, Roberto de Souza Monteiro. (Palmas.) Presidente da Loja Amor da Pátria 306, Sergio Fujimoto. (Palmas.)

Passo, imediatamente, a palavra ao nosso querido Ademir Cândido da Silva, que é o nosso Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil.

O SR. ADEMIR CÂNDIDO DA SILVA (Para discursar.) - Cumprimento o Sr. Presidente, requerente desta sessão, Senador Izalci Lucas.

Faço um cumprimento especial ao Sr. Secretário-Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, Armando Assumpção; ao Sr. Secretário-Geral da Confederação Maçônica do Brasil, Cassiano Moreno; ao Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil, Sapientíssimo Irmão Adalberto Aluízio Eyng; ao Sr. Presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, Cassiano Teixeira de Morais; ao Sr. Governador do Distrito Federal no período de 2007 a 2010, José Roberto Arruda.

Quero fazer também um cumprimento especial às nossas cunhadas aqui presentes, que representam o braço feminino da maçonaria do Grande Oriente do Brasil. (Palmas.) São mais de 25 mil cunhadas que fazem um trabalho de benemerência que nos deixa muito orgulhosos.

Meus estimados irmãos e convidados, sobrinhos DeMolays, apejotistas e demais autoridades civis e militares aqui presentes.

Há instituições que atravessam a história e há instituições que ajudam a história a encontrar o seu caminho.

Reunirmo-nos no Senado Federal para celebrar o Dia do Maçom brasileiro não é apenas prestar homenagem aos homens que vestem avental, é celebrar homens que aprenderam que a liberdade sem responsabilidade se perde, que a igualdade sem justiça se esvazia e que a fraternidade sem ação se torna apenas uma palavra bonita.

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Falo hoje como Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, a mais antiga potência maçônica brasileira em atividade, fundada em 17 de junho de 1822. Falo em nome de nossos irmãos, de nossas lojas e de uma história que já atravessa 204 anos.

Estamos presentes nos 26 estados da Federação e no Distrito Federal.

Mas falo também irmanado a toda a Maçonaria regular brasileira: homens de diferentes potências e ritos, unidos pelos mesmos compromissos com a ética, a liberdade, a fraternidade e o aperfeiçoamento humano.

Podemos estar sob diferentes jurisdições, mas, diante do Brasil, trabalhamos sob o mesmo céu.

O Grande Oriente do Brasil nasceu quando a independência ainda era uma esperança em construção. Em suas primeiras fileiras estavam José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência; Joaquim Gonçalves Ledo, articulador da emancipação política; e, pouco depois, o Príncipe Regente D. Pedro, que assumiria o Grão-Mestrado - homens diferentes, temperamentos diferentes, visões muitas vezes divergentes, mas todos alcançados pela mesma pergunta: o Brasil teria coragem de decidir o próprio destino?

Teve. E a Maçonaria estava lá.

Nenhuma instituição pode reivindicar sozinha uma conquista que pertence a todo um povo. Mas não permitiremos que se apague da memória nacional a participação decisiva dos maçons e do Grande Oriente do Brasil naquele momento.

O GOB não nasceu depois da independência para celebrá-la; nasceu antes dela para ajudar a construí-la.

Décadas mais tarde, quando a escravidão ainda feria a consciência e a dignidade do país, os ideais maçônicos voltaram a encontrar seu lugar no grande combate nacional.

Eusébio de Queirós esteve ligado à lei que reprimiu o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.

O Visconde do Rio Branco, Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, conduziu o gabinete que apresentou e aprovou a Lei do Ventre Livre, em 1871.

Luís Gama e José do Patrocínio transformaram inteligência, coragem e palavra em instrumentos de libertação.

As lojas maçônicas promoveram campanhas, conferências e iniciativas para conquistar cartas de alforria. E, em 1883, o Grande Oriente do Brasil associou-se publicamente à Confederação Abolicionista.

Antes que as correntes fossem rompidas pela lei, precisaram ser rompidas nas consciências. E a Maçonaria ajudou a empunhar esse malho.

Veio então a República.

Marechal Deodoro da Fonseca, que se tornaria Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, liderou a mudança de regime. Ao seu lado estavam maçons como Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva e Ruy Barbosa, participantes da construção das instituições republicanas.

(Soa a campainha.)

O SR. ADEMIR CÂNDIDO DA SILVA - Recordamo-los para compreender que a história nunca é feita por homens perfeitos; é feita por homens que, chamados por seu tempo, decidem não permanecer indiferentes.

Mas seria um erro reduzir a contribuição maçônica apenas às grandes mudanças de regime. A presença do maçom brasileiro também se fez na defesa da liberdade de consciência, do Estado laico, da tolerância religiosa e da educação.

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Lojas maçônicas criaram e mantiveram escolas, combateram o analfabetismo e defenderam o ensino público, gratuito e livre de imposições dogmáticas. Porque todo autoritarismo teme duas coisas: uma consciência livre e um povo educado.

Essa é uma contribuição que não terminou no passado. Hoje, em comunidades de todo o Brasil, há lojas reunindo alimentos, apoiando hospitais e escolas, socorrendo famílias e incentivando jovens. Muitas dessas ações jamais chegarão aos jornais, e talvez esteja aí uma de suas maiores belezas; porque a caridade que procura aplausos alimenta a vaidade, mas a caridade que procura apenas aliviar o sofrimento alimenta esperança.

Reconheçamos também a força da família maçônica, das fraternidades femininas, dos jovens paramaçônicos, que transformam nossos valores em presença concreta nas comunidades. O templo nos ensina, a família nos sustenta, mas é o serviço que nos revela.

Meus irmãos, celebrar o Dia do Maçom brasileiro não pode ser apenas completar com orgulho aquilo que os outros fizeram. O passado não foi entregue como um trono, foi-nos entregue como uma responsabilidade. Se José Bonifácio, Gonçalves Ledo e tantos outros trabalharam pela liberdade do Brasil, cabe a nós proteger essa liberdade. Se Rio Branco, Luiz Gama e José do Patrocínio enfrentaram escravidão, cabe a nós enfrentar todas as formas contemporâneas de exclusão, preconceito e desumanidade. Se os republicanos defenderam instituições a serviço da nação, cabe a nós fortalecer a democracia, respeitar a lei e exigir que o poder público pertença ao povo. Se nossos antecessores abriram escolas, cabe a nós continuar abrindo caminhos para o conhecimento.

Cada geração recebe uma obra inacabada e cada geração será julgada pela parte que decidiu construir. E é por isso que a maçonaria não pode viver apenas de suas glórias. Uma instituição que fala somente do passado já começou a abandonar o futuro. Precisamos estar presentes nos grandes debates do nosso tempo, na defesa da democracia, no combate à corrupção, na proteção da infância, na valorização da educação, no respeito à dignidade humana e na reconstrução do diálogo entre brasileiros.

O maçom não é chamado a ser espectador da sociedade, é chamado a ser construtor. E, neste ano eleitoral, essa responsabilidade também chegará às urnas. Não cabe à maçonaria reconhecer candidatos pelos cidadãos nem submeter a consciência livre a partidos ou interesses eleitorais. Cabe-nos, porém, recordar que o voto é uma ferramenta de construção e, como toda ferramenta, pode levantar edifícios ou produzir ruínas.

Que cada brasileiro escolha com liberdade, examine com prudência e vote com consciência. Porque o voto dura poucos segundos, mas o país que nasce dele durará muitos anos.

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Neste Dia do Maçom, renovemos o nosso compromisso de que o Brasil encontre em nós equilíbrio quando houver extremismo, diálogo quando houver intolerância, coragem quando houver silêncio, trabalho quando houver desânimo e luz, sobretudo, quando a noite parecer mais longa. Que sejamos dignos de todos os irmãos que nos antecederam, que sejamos úteis aos brasileiros que caminham ao nosso lado e que deixemos aos que virão depois de nós não apenas a memória de uma grande instituição, mas o exemplo vivo de uma instituição que continuou servindo ao Brasil!

Viva o Dia do Maçom Brasileiro! Viva a maçonaria regular brasileira! Viva o Grande Oriente do Brasil! Viva o Brasil!

Muito obrigado. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Concedo a palavra ao Sr. Armando Assumpção, Secretário-Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil.

O SR. ARMANDO LAURINDO DA SILVA ASSUMPÇÃO (Para discursar.) - Boa tarde. Boa tarde a todos.

Senador Izalci Lucas, Presidente desta sessão, gostaria de cumprimentar o nosso Irmão Ademir; o nosso Irmão Cassiano Moreno, Secretário-Geral; o nosso eminente Irmão Adalberto; o Sr. Cassiano Teixeira, Grão-Mestre da nossa grande loja; e o ex-Governador que deixou este Plenário. Gostaria de cumprimentar todas as cunhadas aqui presentes, meus irmãos, meus sereníssimos grãos-mestres de Goiás e do DF que estão aqui também presentes.

Irmãos todos, é uma grande satisfação estar nesta Casa, representando a Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), nesta sessão especial em comemoração ao Dia do Maçom, atendendo ao honroso convite do nosso Senador e Irmão Izalci Lucas.

Mais do que celebrar uma data, acredito que esteja sendo também um momento de reafirmarmos nossos valores e fazermos uma reflexão sobre a própria maçonaria brasileira. Temos três grandes vertentes regulares no Brasil: Grande Oriente do Brasil, CMSB e Comab. São instituições com histórias próprias, estruturas diferentes e plena autonomia, e essas diferenças precisam ser respeitadas.

Mas há uma pergunta que considero necessária e talvez devamos ter a coragem de fazê-la com mais frequência: se buscamos os mesmos ideais, por que ainda permitimos que questões institucionais nos mantenham tão distantes? Se defendemos a liberdade, a igualdade e a fraternidade, se trabalhamos pelo aperfeiçoamento do homem, pela família, pela educação, pela cidadania e por uma sociedade mais justa, precisamos fazer com que esses princípios também estejam presentes no relacionamento entre nossas instituições.

Não precisamos ser uma única potência, precisamos ser uma maçonaria mais unida. Não precisamos pensar da mesma maneira de tudo, precisamos aprender a caminhar juntos naquilo que nos é comum.

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E digo isto com absoluta convicção: não podemos falar de fraternidade para a sociedade se não formos capazes de praticá-la plenamente entre nós mesmos. Não podemos defender a construção de pontes na sociedade e continuar aceitando muros dentro da própria maçonaria. A autonomia das nossas instituições deve ser preservada, nossas histórias devem ser respeitadas, nossas diferenças fazem parte da construção da maçonaria brasileira.

Mas diferença não pode significar distância, autonomia não pode significar isolamento. Precisamos ampliar o diálogo e criar cada vez mais oportunidades para que CMSB, Comab e Grande Oriente do Brasil possam estar juntos nas grandes causas que interessam à maçonaria e à sociedade brasileira, porque, no final, aquilo que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos separa.

E aqui eu gostaria de fazer uma pausa para agradecer, com um reconhecimento especial, ao Senador Izalci Lucas, responsável por esta iniciativa e pelo convite que hoje nos reúne nesta Casa.

Senador, ao abrir novamente as portas do Senado Federal para a maçonaria, V. Exa. demonstra respeito por nossa história e pelos princípios que defendemos. Hoje Senador da República e, neste novo momento de sua trajetória pública, candidato a Deputado Federal, temos a confiança de que continuará, na Câmara dos Deputados, mantendo esse diálogo e trabalhando em favor das causas da sociedade brasileira e dos valores que também são caros à maçonaria.

Receba, Senador Izalci Lucas, nosso reconhecimento e nosso agradecimento.

Finalizando, meus irmãos, que este Dia do Maçom seja mais do que uma comemoração: que seja também um chamado à união. Podemos pertencer a potências diferentes, podemos ter histórias, estruturas e caminhos administrativos distintos, mas somos todos maçons, e talvez esteja justamente aí a nossa maior responsabilidade: fazer com que os princípios que nos unem sejam sempre maiores do que as diferenças que nos afastam.

Assim construiremos uma maçonaria mais unida, mais forte, mais respeitada e ainda mais capaz de contribuir para o Brasil.

Feliz Dia do Maçom a todos!

Muito obrigado. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Concedo a palavra ao Sr. Cassiano Moreno, Secretário-Geral da Confederação Maçônica do Brasil.

O SR. CASSIANO MORENO (Para discursar.) - Boa tarde a todos.

Gostaria de saudar a mesa, iniciando pelo Sr. Presidente da sessão especial, o Senador Irmão Izalci Lucas; gostaria de saudar também o Soberano Irmão Ademir Cândido da Silva, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil; o Eminente Irmão Armando Assumpção, Secretário-Geral da CMSB; o Sereníssimo Irmão Cassiano Teixeira de Moraes, Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal e Presidente da CMSB; e o Sapientíssimo Irmão Adalberto Eyng, Grão-Mestre-Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil.

Quero saudar também os Sereníssimos Irmãos João Wesley, Grão-Mestre do Grande Oriente, de Goiás, e José Salles Neto, Grão-Mestre do Grande Oriente Maçônico do Distrito Federal; e confederados da Comab aqui presentes; e, nas suas pessoas, saudar a todos os demais Grão-Mestres e autoridades maçônicas aqui presentes.

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Meus queridos irmãos, cunhadas, sobrinhos, sobrinhas e demais autoridades aqui presentes, é uma honra ocupar esta tribuna, nesta Casa que representa uma das mais importantes instituições da República brasileira, representando a Confederação Maçônica do Brasil.

Quero começar agradecendo ao Senado Federal e, em especial, ao nosso Irmão Izalci Lucas pela oportunidade de, mais uma vez, trazer a maçonaria para o centro de uma reflexão que interessa não apenas aos maçons, mas a toda a sociedade brasileira.

Quando estamos aqui, no Senado Federal, falando de maçonaria, é inevitável lembrarmos a nossa história.

Lembramo-nos dos homens que, há mais de dois séculos, ousaram sonhar com um Brasil livre - homens que defenderam a independência, que lutaram pela abolição, que participaram da construção da República; homens que, em diferentes momentos, tiveram coragem de defender a liberdade, a justiça e a dignidade humana. Nós temos orgulho dessa história.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: depois de tudo que os maçons que nos antecederam fizeram pelo Brasil, o que estamos fazendo hoje, meus irmãos, para honrar esse legado? Porque uma instituição não pode viver eternamente das glórias do passado. A história nos honra, mas também nos responsabiliza.

Os maçons que nos antecederam não receberam um Brasil pronto; receberam desafios e tiveram coragem para enfrentá-los.

Hoje, nós também recebemos um Brasil cheio de desafios, um Brasil que é grande, diverso e extraordinário, mas que ainda convive com desigualdades, violência, intolerância, corrupção, pobreza e, talvez, com um problema ainda maior: a dificuldade de convivermos com quem pensa diferente de nós.

Vivemos tempos em que muitas vezes é mais fácil construir um muro do que uma ponte. É mais fácil atacar do que ouvir. É mais fácil dividir do que unir. E é exatamente neste ambiente que a maçonaria precisa lembrar ao Brasil qual é a sua essência: nós somos construtores. E construtores existem para levantar pontes - pontes entre pessoas, entre ideias, entre instituições, entre gerações e, acima de tudo, pontes capazes de aproximar os brasileiros.

Isso não significa abrir mão de nossos princípios, aceitar aquilo que consideramos errado ou abandonar nossas convicções. Significa compreender que uma sociedade livre não é aquela em que todos pensam da mesma maneira; é aquela em que pessoas que pensam diferente conseguem sentar-se à mesma mesa, respeitar-se e trabalhar pelo bem comum. E é isto que a maçonaria ensina há séculos: liberdade, igualdade, fraternidade.

Mas esses três princípios não podem permanecer apenas gravados em nossos templos; precisam estar gravados em nossas atitudes, sair dos nossos discursos e transformar-se em exemplo, porque o Brasil não precisa apenas de homens que conheçam os seus problemas, o Brasil precisa de homens dispostos a construir soluções. E essa, talvez, meus irmãos, seja a maior responsabilidade do maçom do nosso tempo.

Não basta perguntar o que está errado no Brasil. Precisamos perguntar o que nós estamos fazendo para torná-lo melhor, porque o valor da maçonaria não está nas palavras que pronunciamos; está no comportamento de cada maçom quando ninguém está olhando. Está no empresário que age com honestidade, no cidadão que respeita as leis, no maçom que, mesmo tendo poder para dividir, escolhe unir. E é dessa maçonaria que o Brasil precisa.

E é aqui que a Comab, o GOB e a CMSB têm uma responsabilidade que vai muito além de representar todos os seus grandes orientes, as suas lojas e os seus obreiros. Nossa responsabilidade é ajudar a fortalecer uma maçonaria capaz de olhar para o futuro, uma maçonaria que compreende que a união não significa pensar igual; significa caminhar juntos naquilo que realmente importa.

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GOB, CMSB e Comab possuem histórias, estruturas e identidades próprias, mas, quando estamos diante da sociedade brasileira, existe algo muito maior que nos une: somos a Maçonaria Regular Brasileira. E juntos somos mais fortes e podemos fazer muito mais.

Não precisamos concordar em tudo, precisamos concordar naquilo que é essencial: na defesa da liberdade, da democracia, da ética, da família, da dignidade humana, na defesa do Estado de direito e na construção de um Brasil mais justo, mais próspero e mais fraterno.

Meus irmãos, há mais de 200 anos, outros maçons olharam para o Brasil e decidiram que era possível construir um país diferente. Hoje, o Brasil olha para nós e talvez esteja esperando que façamos a mesma coisa. Por isso, neste Dia do Maçom, eu não quero apenas homenagear os maçons do passado, quero homenagear aqueles que hoje continuam trabalhando silenciosamente pelo bem.

E quero fazer um convite a todos os irmãos: que não sejamos apenas herdeiros da história da Maçonaria, sejamos autores do próximo capítulo. Que possamos deixar para as próximas gerações não apenas uma instituição centenária, mas uma sociedade melhor. Que os nossos filhos e os nossos netos possam olhar para este período da história e dizer que nós recebemos um país cheio de desafios e tivemos a coragem de construir, porque, afinal, meus irmãos, o futuro do Brasil também está em nossas mãos. Se somos, por essência, construtores, que o Grande Arquiteto do Universo nos conceda sabedoria para escolher os melhores caminhos, força para realizar aquilo que precisa ser feito e fraternidade para nunca esquecermos que ninguém constrói uma grande obra sozinho.

Que Deus abençoe a Maçonaria Brasileira, que Deus abençoe as nossas famílias e que Deus abençoe o nosso amado Brasil.

Muito obrigado. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Quero registrar a presença também do João Wesley, Grão-Mestre do Grande Oriente de Goiás; do José Salles Neto, também Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal; também do Presidente da Soberana Assembleia Federal do Grande Oriente do Brasil, Sapientíssimo Tomás Souto.

Concedo a palavra ao Sr. Adalberto Aluízio Eyng, Sapientíssimo Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil.

O SR. ADALBERTO ALUÍZIO EYNG (Para discursar.) - Uma boa tarde a todos.

Inicio saudando especialmente o Senador Izalci Lucas e, ao mesmo tempo, agradecendo a S. Exa. por mais esta bela iniciativa de homenagear o Dia do Maçom.

Saúdo o Soberano Grão-Mestre Geral, Irmão amigo Ademir Cândido da Silva; o Secretário da CMSB, Armando Assumpção; também o Secretário Cassiano Moreno; o Cassiano Teixeira de Morais, que é o Presidente da CMSB; o Sr. Governador, ex-Governador do Distrito Federal, período 2007-2010, José Roberto Arruda; eminentes grão-mestres, sereníssimos grão-mestres também da Grande Loja e da Comab, que aqui nos distinguem com as suas honrosas presenças. Faço uma saudação especial às nossas fraternas, às cunhadas, na pessoa da Virgínia Montagnana, nossa Presidente da Fraternidade Cruzeiro do Sul; à minha esposa Bete, que sempre me acompanha, Vice-Presidente, e, ao saudá-las, estendo os cumprimentos e a saudação a todas as fraternas que, como disse o nosso Soberano Grão-Mestre Irmão Ademir: guerreiras, fazem um trabalho fantástico pelo Brasil afora. E aqui também a nossa saudação aos alunos do colégio de Catalão, respeitáveis irmãos, cunhadas e sobrinhos.

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Agradecemos a Deus pelo dom da vida e pela oportunidade de nós estarmos reunidos aqui no Senado da República para podermos enaltecer aquilo que nós temos de mais sagrado, que é a amizade, a fraternidade que nos une em torno da nossa ordem, para podermos conclamar e festejar o Dia do Maçom. E assim eu gostaria de, ao homenagear o Dia do Maçom, fazer e trazer algumas reflexões do que significa, afinal, ser maçom.

Entendo que ser maçom é enfrentar os desafios do cotidiano com coragem e com firmeza. É viver em plenitude os valores que nós assumimos, especialmente lá desde a iniciação, a cada dia renovando os nossos compromissos com a nossa pátria, com o Brasil, com Deus, conosco, com a família e, enfim, com a sociedade.

O verdadeiro maçom não trabalha por causas pessoais. Ele trabalha, sim, por causas coletivas e contribui para a construção de uma sociedade mais justa, sustentada por nossos três grandes paradigmas, nossos pilares da liberdade, da igualdade e da fraternidade.

Ser maçom é ser amante da virtude, da sabedoria e da justiça. É estender a mão a quem sofre - é ser voz diante da injustiça - e cultivar a harmonia das famílias e, em especial, promover a concórdia entre os homens. Ser maçom é derramar luz, educar pela instrução, inspirar pelo exemplo e conduzir, em especial, pelo amor.

Por isso, ser maçom não se resume aos nossos rituais nem às palavras que são ditas dentro de uma loja ou de uma sessão maçônica. Ser maçom entendo que seja um estado de espírito e uma maneira de viver, uma forma de agir, em que nós possamos praticar a tolerância, combatendo a hipocrisia, o fanatismo e toda e qualquer forma de injustiça.

Neste Dia do Maçom, nós honramos aqueles que nos antecederam, deixaram grandes legados e, por meio de suas obras, nos ajudaram a construir o legado que hoje recebemos - e, assim, nós temos este compromisso de deixar também às futuras gerações que nos sucederem. Cabe a nós, então, continuar essa missão, não apenas com palavras, mas, principalmente, com atitudes que sejam calcadas no exemplo.

Parabéns a todos os maçons, não apenas pelo dia 20 de agosto, que nós a eles dedicamos, mas por todos os dias do ano em que, com certeza, devem-se homenagear os verdadeiros maçons, obreiros úteis e dedicados.

Que Deus abençoe a todos nós, as nossas famílias, a nossa caminhada para que a gente possa sempre ser obreiro útil e dedicado, honrando o nome maçom!

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Um viva ao Brasil, um viva ao Dia do Maçom e que Deus nos abençoe nessa caminhada de fazer o bem sem olhar a quem.

Muito obrigado. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Concedo a palavra ao Sr. Cassiano Teixeira de Morais, Presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil.

O SR. CASSIANO TEIXEIRA DE MORAIS (Para discursar.) - Saudações ao nosso irmão e Senador da República Izalci. Aqui cumprimento os nossos irmãos Adalberto e Ademir, do GOB; nosso irmão Cassiano Moreno, da Comab; e nosso irmão Armando, da CMSB. Quero saudar, claro, toda a família maçônica aqui presente, os irmãos, seja da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal ou das outras potências tão amigas, as cunhadas, os sobrinhos, os visitantes e mesmo as pessoas, como a minha esposa, que me assistem de casa.

Bom, primeiro, nós precisamos, claro, agradecer muito ao irmão Izalci, lembrando que, ao longo dos seis anos de mandato como Senador, sempre esteve à frente honrando a sua posição como maçom, convocando, participando e promovendo encontros como este. Então, que você possa prestar bons serviços a estas Casas, ainda por muitos anos, meu irmão Izalci, porque tenho certeza de que você é importante não só para a maçonaria, como para a sociedade do Distrito Federal e também do Brasil.

E nós estamos aqui hoje, a convite do irmão Izalci, para comemorarmos o Dia do Maçom. E nós temos muitos motivos para fazer essa comemoração. Talvez um deles e um grande motivo esteja nesta mesa. Nós temos representantes do Grande Oriente do Brasil, das Grandes Lojas e dos Grandes Orientes estaduais, todos aqui hoje, mostrando e refletindo a união da maçonaria brasileira.

Eu gosto de dizer que nós somos uma grande família com muitas casas, com três casas diferentes, mas somos a mesma família e fico muito feliz com isso. A maçonaria é lembrada, e foi falado aqui muito sobre isso, pela transformação social com que já colaborou, seja no Brasil ou em outros lugares do mundo: a abolição da escravatura, como foi dito, a independência do Brasil, a proclamação da República, a lei do divórcio, o Estado laico e tantas outras conquistas sociais importantes.

Os nomes dos maçons famosos - como foi citado, José do Patrocínio, Luiz Gama, José Bonifácio, e tantos outros - sempre nos remetem a um orgulho e a uma satisfação, mas não é só isso que a maçonaria faz. A maçonaria faz uma transformação não só social, mas faz também uma transformação individual, faz o convite a cada um dos maçons para que melhorem, para que se transformem. E esse convite é diário. Certamente, hoje haverá uma iniciação em algum lugar desse recanto do Brasil e amanhã outro. Inclusive, na nossa Grande Loja, amanhã seis novos maçons entrarão para a instituição.

Minha mãe costuma dizer que, quanto mais a gente tenta individualizar uma história, mais a gente generaliza e consegue ampliar para outros.

A minha história, como dos outros irmãos e até das cunhadas, não é muito diferente. Eu precisei migrar de uma cidade para outra, nasci em Araxá e fui morar em Paracatu. E nós sofremos - é normal - preconceitos, inadequações quando saímos do nosso lar para outras cidades, seja pelo sotaque, pela cultura, pelo modo de agir. E assim foi.

E eu era uma pessoa mais acanhada, tímida, pode não parecer, mas era bastante. Até que, aos 14 anos, eu fui convidado para uma instituição que se chama Ordem DeMolay, e eu iniciei. Passei, dentro dessa instituição, a cultivar virtudes que até hoje são muito importantes: o amor filial, o respeito aos pais, a reverência pelas coisas sagradas, o respeito à religião e à crença de cada um, a cortesia, o companheirismo, a fidelidade, a pureza e o patriotismo. E, certamente, isso transformou o ser humano que eu seria desde os 14 anos até a idade de agora. Iniciei na maçonaria, e essa transformação continua e deve continuar acontecendo porque nós somos seres em constante transformação.

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Mas, meus irmãos, minhas cunhadas, meus sobrinhos, eis que, na semana passada, nós recebemos uma notícia - não com surpresa, mas com bastante tristeza - de que, numa cidade da Bahia chamada Eunápolis, um grupo de adolescentes, de jovens, que também, como eu, iniciaram na Ordem DeMolay, queriam pertencer a um grupo religioso - e não interessa qual seja a religião -, e esse grupo religioso disse a eles: "Não, ou vocês são do grupo religioso ou são demolays, porque vocês fazem parte da maçonaria". E eu fico imaginando para um adolescente ter que escolher entre as coisas que ele participa: participar de uma associação, porque é isso que é a Ordem DeMolay, porque é isso que é a maçonaria; ou ter a sua religião, professar a sua fé. É como se perguntasse para mim: "Cassiano, você vai ser maçom ou vai ser médico?". Como se isso fosse incompatível. "Izalci, você vai ser político ou vai ser maçom?". "Armando, você vai ser economista ou vai ser maçom?". Não, nós seremos aquilo que quisermos. E o país, as nossas leis permitem, porque nós temos direito à livre associação. Claro, isso é algo que nós teremos que combater, nós temos que lutar, porque até hoje nós precisamos vencer muitos preconceitos no nosso país. E este é um deles: a capacidade e o direito de livre associação.

Mas nós lutamos e combatemos esse preconceito não com revanchismo, com palavras ásperas, com acusações, não; na maçonaria, a gente aprende, e aprendeu há séculos, que a gente combate o preconceito com luz, com conhecimento, com verdade. E é isso que eu desejo a todos hoje que estão aqui comemorando o Dia do Maçom. Eu desejo luz e que vocês possam refletir e transparecer luz por onde quer que haja incompreensão, intolerância ou preconceito. Se cada um que recebeu essa luz na maçonaria puder propagá-la, nós faremos com que a sociedade em que vivemos, desde a pequena sociedade à pessoa que está do meu lado, à grande sociedade que é este país que nós vivemos...

Então, luz para a maçonaria do Distrito Federal, do Brasil, do mundo e muita luz para este país, que vai precisar, para atravessar muitas vezes caminhos sombrios que a gente tem pela frente.

Muito obrigado, meus irmãos e cunhadas. (Palmas.)

O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar - Presidente.) - Bem, eu quero dizer da minha alegria e honra de presidir esta sessão solene, comemorando aqui o Dia do Maçom. Os desafios são muito grandes, como foi falado aqui pelo Grão-Mestre. Os desafios do Brasil são imensos e vão requerer muita ousadia nossa e participação nossa.

Eu tenho falado sempre, nas reuniões, porque, a cada ano, as pessoas vão ficando mais decepcionadas com a política. Aí as pessoas: "Ah, não quero saber de política, não quero mexer com isso". E eu falo: "Olha, quem não gosta vai ser governado por quem gosta. Se você não participa, alguém vai decidir por você". E digo também: "Voto não tem preço, tem consequência".

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A gente vive um momento muito difícil para o país. E a gente não melhorou muito; em alguns casos, pioramos muito. Aqui em Brasília mesmo, a educação, hoje, é o último lugar no país em qualidade, na prova do Ideb. E na saúde, aqui e em alguns estados também, as pessoas levam dois, três anos para conseguir uma cirurgia, um exame, uma quimioterapia. E quem pode resolver isso somos nós, agora, no ano eleitoral, escolhendo pessoas que realmente tenham capacidade de fazer uma gestão que não seja apenas populista, demagógica, como acontece muito.

Nós vamos pagar, no ano que vem, 1,2 trilhão de juros - vamos pagar, não, vamos incorporar à dívida porque a gente não tem dinheiro para pagar. Isso é o dobro do que se investe em educação, saúde e segurança, para vocês terem ideia de como é que anda o nosso país. Mais de 9 milhões de empresas fechadas, grandes empresas. Falta uma política realmente eficiente, falta valorizar realmente quem produz, quem trabalha.

Lamentavelmente, a gente está vivendo um momento de descrença. E muita gente... Eu vejo os jovens de hoje - eu luto muito pela educação, entrei na política pela educação - não têm mais curso de qualificação profissional nas escolas. Então, de cada cem alunos, 22 entram numa faculdade e 78 ficam aí à mercê do tráfico. Minha avó dizia: "Cabeça vazia, oficina do diabo". Se não têm o que fazer, vão fazer o que não presta. E a gente não consegue...

Aprovamos lei aqui, inclusive, mas parece que lei aprovada não vale nada. Nós aprovamos aqui, feita por três mãos, inclusive com a participação do Supremo, a dosimetria daquelas pessoas que foram condenadas no 8 de janeiro injustamente, porque ali não foi golpe. Não existe golpe sem arma, sem líder, no final de semana, por pessoas com Bíblia, pessoas que vieram aqui... Houve uma bagunça realmente, que deve ser punida, mas não da forma como foi feito. Aprovamos a dosimetria, foi vetada pelo Executivo. Derrubamos o veto, a lei está vigorando, e não se aplica porque o Supremo, com a canetada, faz isso. Aprovamos aqui o fim das decisões monocráticas porque, com uma canetada do Ministro, afasta-se um Governador com 1 milhão, 2 milhões de votos, com uma única canetada. Você aprova uma lei aqui, como aprovamos, sobre a questão das drogas, e está lá na Câmara, sem votar - sobre a questão das drogas, a questão do fim das decisões monocráticas. Não respeitam mais a Constituição.

Vocês estão acompanhando o que está acontecendo neste país, quem acompanhou a CPMI do INSS, por exemplo, roubaram 6 bilhões dos aposentados e pensionistas e, agora, há a questão do BRB, Banco Master, e isso aí é uma sequência. Eu participei praticamente de todas as CPIs como Deputado e como Senador. Começaram lá atrás: Petrobras, Lei Rouanet, Carf, JBS. Antes de concluir um evento desses, aparece outro, e a gente vai esquecendo isso.

E o país anda para trás, como sempre. Noventa milhões de brasileiros hoje dependem de Bolsa Família, de outros programas sociais. Ninguém nasceu para viver de cesta básica, muito menos para morar debaixo da ponte. A gente tem, realmente, que ter política pública para cuidar das pessoas. As pessoas não estão sendo mais cuidadas. Eu digo - viu, Grão-Mestre? - que a minha geração é a geração sem a coxa do frango. Minha mãe, quando fazia um frango lá em casa, fazia a gente esperar os mais velhos se servirem, as visitas, e sobrava um pezinho e uma asinha.

Hoje a gente chega em casa, quando chega lá, já comeram tudo, sobrou o pezinho e a asinha novamente.

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Então, a gente perdeu muito isso! A gente precisa lutar para mudar este país, para colocar na escola. Hoje os meninos estão saindo do ensino médio, 70% deles, sem saber matemática; mais de 60% sem saber português. As crianças não são alfabetizadas na idade certa e carregam essa dificuldade a vida toda. O professor, hoje, talvez, ganhe um dos piores salários do Brasil, pessoas que formam profissionais.

Então, a luta é muito grande e a gente precisa acordar para isso! Por isso que eu digo: a gente precisa participar, ter ousadia de colocar o nome à disposição numa disputa eleitoral. Não dá para a gente continuar elegendo Prefeitos em função de uma cesta básica, de uma promessa de emprego ou de um remédio, uma receita. A gente precisa mudar isso! Se a gente tivesse realmente em nossas prefeituras, em nossos governos e na Presidência da República pessoas competentes, que têm noção das coisas, que se colocam no lugar do outro, o Brasil seria outro.

Então, eu quero aqui aproveitar esta homenagem aos maçons, que participaram de todas as grandes decisões do país, para que a gente possa tentar agora, nesses dias - falta praticamente um mês e pouco para as eleições -, realmente conscientizar as pessoas de que precisam conhecer os candidatos, para ver se eles têm competência, condições de fazer uma gestão eficiente, para a gente recuperar realmente a educação, a saúde e a segurança, que nós não temos mais. Há mais de 50 milhões de brasileiros vivendo sob o comando do tráfico, do narcotráfico. A gente tem que reagir! E a maçonaria tem homens e mulheres que podem realmente nos ajudar a mudar o destino do nosso país.

Então, eu quero dizer da minha alegria aqui de presidir esta sessão, como sempre fiz também na Câmara, e, agora, como candidato a Deputado, vou voltar para a Câmara Federal, se for eleito, evidentemente, para continuar fazendo o que a gente faz. A minha luta sempre foi educação, ciência, tecnologia, inovação e oportunidade para os jovens, principalmente, mas não esquecendo que hoje no Brasil, em Brasília, por exemplo, nós temos mais idosos do que crianças. Assim como as crianças precisam de creches, os idosos também precisam de um espaço de convivência. As pessoas aposentam com 60, 65 e vivem até 100. Vão ficar 40 anos assistindo televisão? Não vão, você tem que ter realmente programas, políticas públicas para os idosos. Apesar de que uma mãe cuida muito bem de dez filhos, mas dez filhos não conseguem cuidar de uma mãe. Pelo menos é o que a gente vê hoje todos os dias.

Fico feliz em presidir e agradeço de coração a presença de cada um de vocês.

Cumprida a finalidade desta sessão especial, eu a declaro, então, encerrada.

Muito obrigado. (Palmas.)
(Levanta-se a sessão às 16 horas e 15 minutos.)