Notas Taquigráficas
4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 21 de maio de 2026
(quinta-feira)
Às 15 horas
60ª SESSÃO
(Sessão Especial)
| Horário | Texto com revisão |
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| R | O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR. Fala da Presidência.) - Boa tarde. Boa tarde a todos e todas. Sejam muito bem-vindos a esta sessão especial em homenagem à Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos. A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento nº 85, de 2026, de autoria desta Presidência e de outros Senadores. Eu faço questão de nominá-los: Senadora Damares Alves, Professora Dorinha, Humberto Costa, Flávio Arns, Lucas Barreto, Daniella Ribeiro e Laércio Oliveira. A sessão é destinada a celebrar os 58 anos da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Eu tenho a honra de convidar, para compor a nossa mesa, o Dr. Francisco Cortes Fernandes, Presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Por favor. (Palmas.) (Pausa.) |
| R | Ainda para compor a nossa Mesa, a Dra. Rosylane Rocha, minha querida amiga, 2ª Vice-Presidente do Conselho Federal de Medicina e Diretora Científica Adjunta da Anamt (Palmas.) (Pausa.) Também quero registrar a presença, honrosa a este Plenário do Senado Federal, do meu querido xará, Presidente do Conselho Federal de Medicina, que abrilhanta esta sessão solene - e, em seguida, convidá-lo também para compor a nossa Mesa -, meu querido amigo Hiran Gallo. Seja muito bem-vindo. (Palmas.) O Dr. Etelvino de Souza Trindade, Vice-Presidente da Região Centro-Oeste da Associação Médica Brasileira, representando o Presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes. (Palmas.) a Dra. Luiza Carolina Carneiro Barreiros, Subsecretária de Segurança e Saúde no Trabalho da Secretaria de Economia do Distrito Federal. (Palmas.) a Dra. Gisela Nabuco Majela, Procuradora do Trabalho e Vice-Coordenadora Nacional da Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, para compor a Mesa. (Palmas.) Quero também, aproveitando a oportunidade, registrar a presença honrosa dos seguintes convidados: Dr. Pascoal Gomes da Costa Neto, Vice-Presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho - seja muito bem-vindo; Dr. Anderson Grimminger Ramos, Vice-Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná e Diretor de Relações Institucionais da Anamt (Palmas.); Dr. Marcelo de Oliveira Maia, Presidente da Comissão de Defesa Profissional do Distrito Federal e da Associação Médica Intensiva Brasileira - cadê o Dr. Marcelo Maia?; Dra. Carolina Mercante, Procuradora do Ministério Público do Trabalho; Dra. Yanna Gadelha, representando o Sr. Edson Liberal, Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria; Sra. Gilvana Campos, Diretora de Legislação da Anamt (Palmas.); Dr. Ricardo Pacheco, Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança do Trabalho (Palmas.); e Sra. Aline Reis Carlos, Assessora Técnica Especializada da Coordenação-Geral de Gestão e Valorização do Trabalho na Saúde, do Ministério da Saúde (Palmas.). Seja muito bem-vinda. |
| R | Também quero desejar aos demais colegas, que não foram nominados aqui, o meu respeito, em nome do nosso Presidente da Casa, o Senador Davi Alcolumbre. Sejam muito bem-vindos. É uma honra receber colegas tão ilustres nesta sessão solene. Que Deus abençoe todos vocês. Convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional. (Procede-se à execução do Hino Nacional.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR. Para discursar - Presidente.) - Agradeço a todos os Senadores signatários do Requerimento nº 85, de 2026, já nominados por mim, no início desta sessão, que contribuíram para a realização desta sessão especial em homenagem aos 58 anos da Associação Nacional de Medicina de Tráfico. Do Trabalho, desculpem. É porque nesta semana, a medicina de tráfico me deu tanto trabalho aqui, que eu fiquei com a medicina de tráfico na minha cabeça, não é, Presidente Hiran? Senhoras e senhores, a medicina do trabalho não nasceu num laboratório; nasceu numa pergunta. No fim do século XVII, na Itália, o médico Bernardino Ramazzini observou que Hipócrates havia ensinado a interrogar o doente sobre quase tudo, mas se esquecera de uma pergunta fundamental. Ramazzini propôs, então, acrescentar uma só linha à anamnese clássica, que mudaria a história da medicina: qual é o seu ofício? Em 1700, esse grande humanista publicou o primeiro tratado sobre medicina do trabalho. Para mim, quando um médico pergunta a alguém pelo seu ofício, ele não está apenas colhendo um dado clínico; ele está dizendo também algo silencioso e enorme: eu te reconheço. Reconheço o que você faz para sustentar a sua família e para mover este país. A medicina do trabalho começa, portanto, com um gesto de cidadania. No Brasil, esse gesto demorou para encontrar uma casa. Foi preciso esperar até 26 de março de 1968, quando um grupo de médicos, reunidos na Associação Médica Paulista, fundou a Anamt, por iniciativa do Dr. Oswaldo Paulino, a sociedade científica que colocaria os médicos do trabalho à altura do debate internacional. Em 1972, tornaram-se obrigatórios, nas empresas, os serviços especializados em engenharia de segurança e medicina do trabalho, mas o reconhecimento formal pelo Conselho Federal de Medicina só viria - pasmem, senhores - em 2002. Hoje a Anamt é a maior associação de medicina do trabalho da América Latina, com 27 entidades federadas em todos os estados e no Distrito Federal, e dialoga com este Congresso pela Frente Parlamentar Mista da Medicina (FPMED), a qual tenho a honra de presidir. Mantém revista científica de referência e recém-promovida à categoria B1 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação. |
| R | Publicar em um periódico B1 é considerado uma realização positiva para pesquisadores e alunos de pós-graduação. Essa classificação significa que o periódico avaliado possui boa qualidade dentro do contexto da produção científica dos programas de pós-graduação no Brasil. Levou 58 anos para que uma especialidade tão importante se tornasse uma causa nacional, e é precisamente por isso que a medicina do trabalho se vê hoje diante de uma fronteira absolutamente nova. No primeiro semestre do ano passado, mais de 1,6 mil brasileiros morreram em decorrência de acidentes do trabalho - uma morte a cada três horas e meia. E, ao lado dessa dor que se vê, cresce outra mais silenciosa: em 2024, o Ministério da Previdência Social registrou 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número da última década, um salto de 70% sobre o ano anterior. São números que não cabem inteiros num discurso, mas cabem numa pergunta, a mesma de Ramazzini, atualizada para o nosso tempo: "Qual é o teu ofício e o que ele te custa por dentro?". Há um sofrimento, hoje, que não deixa marca visível no corpo. Não há membro decepado, não há queimadura, não há fratura. Existe apenas uma pessoa que, num dia qualquer, descobre que não consegue mais entrar pela porta do trabalho, e é para enxergar esse invisível que a medicina do trabalho existe. A Anamt, nesses 58 anos, tem sido isto: a casa que prepara o médico para enxergar o que os olhos comuns não veem, pela educação continuada, pela produção científica, pela articulação federativa e pela disposição de dialogar com o Parlamento sem se confundir com nenhum partido. Cada vida poupada por uma boa medicina do trabalho é uma família inteira que continua à mesa. Senhoras e senhores, colegas, médicos aqui presentes nesta solenidade, à entidade, fundada em 1968, presente em todos os estados, referência na América Latina, parceira deste Congresso, o Senado Federal manifesta o seu reconhecimento. Que esta sessão sirva mais do que para celebrar uma data, mas para registrar uma direção, a de um país que se importa genuinamente com a saúde de cada trabalhador e de cada trabalhadora. Aos médicos e médicas do trabalho de todo o Brasil - esses profissionais muitas vezes anônimos, dispersos por canteiros, hospitais, fábricas, frigoríficos, plataformas e escritórios -, fica aqui o mais profundo e respeitoso agradecimento desta Casa. O Senado abre a porta para vocês. Muito obrigado e que Deus os abençoe. (Palmas.) Eu solicito, em seguida, à Secretaria-Geral da Mesa, a exibição de um filme institucional alusivo a esta data. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Seguindo aqui o registro das presenças ilustres que abrilhantam esta sessão solene, eu quero registrar a presença do Dr. José Luiz Pedro de Barros, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Consultor de Segurança e Saúde do Trabalho da Firjan. Onde é que está o Dr. José Luiz? Seja muito bem-vindo, doutor. (Palmas.) Dr. Alexandre Omena, Médico do Trabalho, Gerente de Saúde Ocupacional do Hospital das Forças Armadas. (Palmas.) Quero também registrar aqui a presença de um querido amigo, de um craque da ortopedia. Ele acabou de operar o meu filho Hamir, que joga futebol com ele. Meu filho rompeu tudo que tinha de ligamento, de tudo, no joelho. Ele remendou tudo e está funcionando. Paulo Lobo, seja muito bem-vindo. (Palmas.) E também não posso deixar de registrar a presença do meu querido amigo, irmão, o Dr. Carlos Fernando, do Sindicato dos Médicos de Brasília. (Palmas.) Você que é uma pessoa sempre disposta a ajudar quem precisa, meu amigo, abrilhanta com muita importância esta nossa sessão. Seja muito, muito bem-vindo ao Senado da República. Deus o abençoe. Quero também agora conceder a palavra ao nosso Presidente, Dr. Francisco Cortes Fernandes, Presidente da Anamt e o dono da festa. |
| R | A palavra é com V. Exa., por favor. Por cinco minutos, hein? O SR. FRANCISCO CORTES FERNANDES (Para discursar.) - Sras. e Srs. Parlamentares, autoridades presentes, colegas médicos, senhoras e senhores, hoje é um dia de comemorar trajetórias e de se manifestar gratidão. Assim, dou início à minha participação, agradecendo ao Congresso Nacional pela realização dessa sessão solene em celebração aos 58 anos da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. De modo especial, faço uma deferência ao Senador Dr. Hiran Gonçalves, Presidente da Frente Parlamentar Mista da Medicina e autor dessa proposição, pela sensibilidade de trazer ao centro desta Casa um tema que fala diretamente à dignidade humana, à saúde e à vida de milhões de trabalhadores brasileiros. Momentos como esse possuem enorme valor para o Brasil. Quando o Parlamentar abre espaço para ouvir e confraternizar com organizações científicas, profissionais e sociais, o ambiente de diálogo qualificado é fortalecido, o que aproxima ainda mais a formulação de ideias da realidade concreta vivenciada pela população. Essa interlocução permite que os Parlamentares tenham acesso à experiência técnica acumulada por quem atua diariamente nos setores da sociedade relacionados ao trabalho. Por outro lado, dá às entidades, como a Anamt, oportunidade de contribuir de forma responsável e transparente com o debate público, sempre em interesse e defesa do coletivo. A medicina do trabalho, Dr. Hiran, nasceu justamente da necessidade de se proteger pessoas em um cenário de mudanças no setor responsável pelas maiores transformações econômicas e sociais. No Brasil, a sua história acompanha a industrialização, o crescimento das cidades, o avanço tecnológico e seu impacto sobre os indivíduos ao longo desse processo. No início do século passado, trabalhadores enfrentavam um cenário prevalente de jornadas excessivas, ambientes inseguros e ausência quase completa de proteção à saúde. Com o tempo, o Brasil amadureceu sua legislação trabalhista e compreendeu que o desenvolvimento econômico não pode ser construído à custa do adoecimento físico e mental da população. É nesse contexto de desafios que nasceu, em 1968, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, instituição fundamental para a estruturação da saúde ocupacional brasileira. Quando a Anamt surgiu, o Brasil passava por um período de franca expansão industrial, com consequente crescimento do número de acidentes laborais e de casos de doenças relacionados ao trabalho. Diante desse cenário, a Anamt, desde a sua origem, assumiu a missão de organizar tecnicamente a especialidade, buscando fortalecer a formação médica e consolidar a medicina do trabalho como especialidade médica estratégica para o desenvolvimento do país. Ao longo desses 58 anos, temos o sentimento de dever cumprido, pois a Anamt, como instituição e por meio de seus especialistas, deu contribuições vigorosas que foram essenciais para a construção da base técnica, científica e ética da saúde ocupacional brasileira. |
| R | Isso ocorreu por meio da formulação de diretrizes técnicas, qualificação de profissionais em todas as regiões do Brasil, estímulo à pesquisa acadêmica e fortalecimento do diálogo entre médicos, trabalhadores e empresas e poder público. A Anamt também ocupou espaço de destaque na produção científica nacional - como bem falou o Dr. Hiran - com a Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, hoje reconhecida como importante instrumento de difusão do conhecimento e recentemente indexada na plataforma SciELO, conquista que amplia a presença internacional da ciência brasileira em saúde ocupacional. A nossa Revista Brasileira de Medicina do Trabalho completou 21 anos com publicações ininterruptas. Porém, neste momento, ao recapitular pontos da trajetória da Anamt, entendo ser oportuno reafirmar o escopo da missão da Medicina do Trabalho, que supera muito o atendimento em consultórios e a emissão de laudos. Nós, médicos do trabalho, somos agentes ativos de promoção da saúde e da prevenção de males que têm origem nos espaços de trabalho. Dessa forma, atuamos na vigilância e na construção de ambientes laborais seguros, saudáveis e sustentáveis. Quando o médico do trabalho ajuda a reduzir acidentes em uma indústria, quando contribui para melhorar a ergonomia em uma linha de produção, quando identifica precocemente sinais de sofrimento psíquico de trabalhadores... (Soa a campainha.) O SR. FRANCISCO CORTES FERNANDES - É relevante ressaltar isso pois vejo, na atualidade, o surgimento de desafios ainda mais complexos do que aqueles enfrentados no passado. Vivemos um período marcado por novas mudanças nos ambientes e nas relações de trabalho, o que exige um novo olhar sobre a inserção do elemento humano nesse contexto. Não é por acaso que observamos o crescimento expressivo dos transtornos mentais relacionados ao trabalho, tendo em vista o aporte de novas tecnologias que estão transformando o trabalho. Nesse cenário recente, a atualização da NR-01 representa um marco importante ao reconhecimento oficial dos riscos psicossociais como elementos centrais da saúde ocupacional. Isso significa compreender que assédio, pressão excessiva, metas abusivas, jornadas exaustivas... (Soa a campainha.) O SR. FRANCISCO CORTES FERNANDES - ... e ambientes organizacionais tóxicos também adoecem e adoecem profundamente. Já estou terminando, Sr. Senador. Senhoras e senhores, ao me aproximar do fim da minha participação, reitero, em nome da nossa associação, que defender a saúde do trabalhador não significa criar antagonismos, mas criar equilíbrio entre produtividade, desenvolvimento econômico e dignidade humana. Essa sempre foi a missão da Anamt e continuará sendo. Ao completar 58 anos da nossa associação, reafirmo seu compromisso histórico com o Brasil. Com a ajuda da ciência e da ética médica, nos dedicaremos à construção de ambientes de trabalho mais seguros e mais humanos, seja com a qualificação de especialistas, seja com a busca pelo aperfeiçoamento de políticas públicas que valorizem a saúde ocupacional como caminho para o desenvolvimento. Continuaremos a fazer isso... (Soa a campainha.) O SR. FRANCISCO CORTES FERNANDES - ... porque a Anamt sabe que um país só cresce de forma sustentável quando protege a saúde, a vida e o bem-estar das pessoas que participam desse crescimento todos os dias. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Muito obrigado, Sr. Presidente, querido colega, Dr. Francisco Cortes Fernandes. |
| R | Eu quero também aproveitar, antes de chamar o próximo componente desta mesa para se manifestar, registrar a presença do nosso colega Ricardo Turenko, Diretor Científico da Anamt, que nos prestigia com a sua presença (Palmas.), e do Dr. Carlos Campos, ex-Presidente da Anamt, médico do trabalho. Eu passo em seguida a palavra para o meu querido xará, Presidente do Conselho Federal de Medicina do nosso país, José Hiran da Silva Gallo. Dr. Hiran, por favor. O SR. JOSÉ HIRAN DA SILVA GALLO (Para discursar.) - Boa tarde a todos. Cumprimento o Exmo. Sr. Senador da República Federativa do Brasil, nosso querido médico Hiran Gonçalves. Hiran, só quero fazer aqui um adendo: o senhor é patrono da medicina brasileira. (Palmas.) Eu, ainda um dia, vou concretizar meu sonho de colocar seu busto na porta do Conselho Federal de Medicina. Quero aqui cumprimentar a todos, em especial o Presidente da Anamt, meu estimado amigo Francisco, e todos os membros da mesa. Colegas médicos, entidades sindicais aqui presentes, senhoras e senhores, conselheiros federais, o meu abraço. Hoje, esta sessão solene presta justa homenagem a uma instituição que há 58 anos ajuda o Brasil a compreender que não existe desenvolvimento sem respeito à saúde do trabalhador. Ao celebrar a trajetória da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, o Congresso Nacional também reconhece a importância do bem-estar de milhões de brasileiros que saem cedo de casa, enfrentam longas jornadas e sustentam a vida econômica do nosso país. A realidade da saúde ocupacional do Brasil preocupa a classe médica. Em 2025, o país registrou mais de 806 mil acidentes de trabalho e 3.644 mortes relacionadas a atividades profissionais. No período, foram autorizados mais de 4 milhões de afastamentos previdenciários. Esses dados representam trabalhadores adoecidos, física e emocionalmente, gerando impacto significativo sobre a produtividade, a previdência e o sistema de saúde do nosso país. Neste contexto, o dado mais preocupante é o avanço silencioso dos problemas de saúde mental entre os trabalhadores: ansiedade, depressão, estresse, síndrome de Munchausen se destacam cada vez mais entre as causas de afastamento laboral. É neste momento que a medicina do trabalho revela sua relevância e importância para a saúde do trabalhador. Muito mais do que a emissão de atestados ou a realização de exames admissionais, a medicina do trabalho, por meio de uma extensa rede de médicos altamente qualificados, atua na identificação precoce de risco, prevenção de doenças e promoção de ambientes laborais mais seguros, com o intuito de preservar a dignidade humana do trabalhador brasileiro. No centro desse processo está a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, que, ao longo de quase seis décadas, se consolidou como a principal referência técnica e científica da especialidade no nosso país. |
| R | Meus estimados amigos e amigas, a história da Anamt se confunde com a da própria consolidação da medicina do trabalho brasileira. Fundada em 1968, essa entidade construiu trajetória marcada pela defesa da ética, da qualificação profissional e da valorização da saúde ocupacional do povo brasileiro. Presente em todos os estados e no Distrito Federal, por meio de sua rede federada, a Anamt é o polo ativo da educação continuada, da promoção da ciência e do fortalecimento da especialidade. A Anamt também tem honrado seu papel político ao atuar, de maneira firme, junto a empresas, ao Poder Executivo, ao Congresso Nacional, ao Ministério Público e ao Judiciário na defesa dos interesses de especialistas, pacientes e trabalhadores. Porém, o futuro reserva desafios ainda mais complexos para a Anamt e para todos nós. O avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias, o crescimento do trabalho remoto e as novas formas de relação entre patrões e empregados exigem repensar como inserir o ser humano no ambiente laboral e o impacto desse novo espaço sobre a saúde de nossos trabalhadores brasileiros. Ainda há desafios ligados ao envelhecimento da população brasileira economicamente ativa, às mudanças climáticas e às desigualdades regionais no acesso à assistência de especialistas. Diante de tudo o que se apresenta, há um aspecto especial que tem chamado a atenção... (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ HIRAN DA SILVA GALLO - ... do Conselho Federal de Medicina: falo do adoecimento relacionado ao trabalho, que vem aumentando de modo visível entre os médicos brasileiros. Esse grupo, que trabalha sob pressão contínua, se ressente, cada vez mais, da falta de infraestrutura para o atendimento da população brasileira, em especial na rede pública de saúde, o que torna as demandas ainda mais pesadas. Não é raro que essa pressão externa se manifeste como agressões verbais e ataques contra médicos e equipes de saúde, dentro de pronto-socorros e hospitais, tornando essa violência injustificável - mais um elemento de desgaste para a categoria médica. Assim, a desvalorização dos médicos na assistência, com remuneração incompatível com a sua responsabilidade, preparo e dedicação, tem empurrado esse grupo para jornadas extenuantes... (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ HIRAN DA SILVA GALLO - ... e múltiplos vínculos, na tentativa de compensar sucessivas perdas. Nesse ponto, o nosso ilustre Senador da República conseguiu aprovar, no Senado Federal, o piso salarial da categoria de R$13.662 por 20 horas. Somada à alta cobrança por resultados e à dificuldade de exercer o direito de dormir e de dedicar-se ao próprio cuidado, essa realidade tem levado os médicos a desenvolverem quadros de exaustão emocional que não podem ser naturalizados. Ciente desse fenômeno, o CFM encontrou, na Associação Nacional de Medicina do Trabalho, uma aliada bem representada e comprometida com o desenvolvimento de ações para resgatar a saúde dos nossos médicos, atuando contra o adoecimento ocupacional e pela criação de estratégias que ofereçam acolhimento e condições adequadas à prática médica. Essa parceria representa um compromisso de cuidado... (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ HIRAN DA SILVA GALLO - ... com quem cuida de todos os brasileiros. Esse é mais um dos motivos que fazem com que o Conselho Federal de Medicina se some a esta homenagem, com profundo respeito e reconhecimento pela Anamt. Parabenizamos a Associação Nacional de Medicina do Trabalho por sua história, coragem institucional e contribuições ao país, o nosso Brasil. Agradecemos a essa entidade por ombrear conosco na defesa da saúde dos trabalhadores e, especialmente, na construção de iniciativas voltadas à proteção da saúde dos médicos brasileiros. |
| R | Tudo isso me faz enxergar, nesta sessão solene, uma grande oportunidade de dar eco a um chamado cívico a gestores públicos e privados, Parlamentares, empregadores e toda a sociedade brasileira, para que compreendam que investir em saúde ocupacional não é custo. Trata-se de uma responsabilidade humana, ética e social. É preciso entender... (Soa a campainha.) O SR. JOSÉ HIRAN DA SILVA GALLO - ... que valorizar a medicina do trabalho é valorizar a vida. Parabéns, Anamt, pelos seus 58 anos de história! Conte com o apoio do Conselho Federal de Medicina para manter sua trajetória em busca de um Brasil mais seguro, mais saudável e mais humano. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Parabéns, Presidente Hiran. Antes de chamar o nosso próximo participante desta sessão solene, eu quero também registrar a presença do Dr. João Anastácio, Dr. Bruno Coutinho, Dra. Andréa Amoras, Dra. Ana Carolina, Dra. Ana Clara, Dra. Bianca Resende, Dra. Lilian Tavares - todos médicos do trabalho -, Dr. José Gonçalo, médico do trabalho e Conselheiro do CRM das Alagoas. Quero também registrar a presença do meu querido amigo, Conselheiro do Conselho Regional de Medicina... (Pausa.) Do Conselho Federal de Medicina e do Conselho Regional de Medicina do Paraná, - não me atrapalhe, Rosylene (Risos.) - Alcindo Cerci Neto, meu querido amigo, pneumologista de excelente cepa. (Palmas.) Muito bem! E eu quero também registrar a presença aqui, que muito me honra, de dois Vereadores do meu Município de Pacaraima. Vocês ouviram muito falar desse município porque é um município que faz fronteira com a Venezuela e foi um município que sofreu muito com a imigração, que foi a maior imigração do século que aconteceu no mundo, fruto da tirania daquele Nicolás Maduro. Eles sofreram muito, mas enfrentaram lá, juntamente com o nosso querido Prefeito Waldery D'avila, toda essa tragédia e conseguiram manter aquele município de pé, que está ficando cada vez mais bonito com a administração do nosso querido Waldery e com o apoio e a fiscalização da gestão através de V. Exas. Quero também registrar a presença da Gisela Rodrigues, que é esposa também do Leandro do Surumu. Sejam muito bem-vindos. Depois, vocês podem subir aqui para bater uma foto, porque quando a gente vem de lá tem que bater uma foto aqui, tem que aproveitar. E também quero registrar a presença dos Vereadores de Prado Ferreira, do Paraná - grandes parceiros do nosso querido Senador e, se Deus quiser, futuro Governador do Paraná, meu querido Sergio Moro -, Álvaro Gonçalves da Rocha, o Presidente - cadê o Álvaro? Seja muito bem-vindo! -, David Siqueira Couto - bem-vindo -; Michele Camilotti dos Reis; e Odair Fernandes de Oliveira, que são conterrâneos da minha esposa, porque minha esposa também é lá do Norte Pioneiro, é lá de Santa Mariana. E depois, se vocês quiserem subir aqui para tirar um retrato - porque só tem gente mais coroa, vocês são do tempo do retrato -, então venham para cá. Então, quero aqui em seguida passar a palavra... |
| R | Antes de passar a palavra, eu quero agradecer ao Sr. Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho, Ricardo Lupianhes Pacheco - seja bem-vindo! (Palmas.) - e à representante da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a Dra. Hellen Carvalho, nossa querida colega. (Palmas.) Representando o Presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, o Sr. Diretor Executivo de Relações Institucionais e Governamentais, Dr. André Guedes. Cadê André Guedes? (Pausa.) O André está lá na ponta esquerda. Seja bem-vindo, André! (Palmas.) A Sra. Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, Viviane Rezende de Oliveira. (Palmas.) E o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Marau, no Estado do Rio Grande do Sul, Alberto Trichez. Cadê o Alberto? Muito bem! (Palmas.) Agora eu quero convidar a minha querida amiga, Vice-Presidente do Conselho Federal de Medicina, Dra. Rosylane Rocha, Diretora Científica da Anamt, para se manifestar de forma alusiva ao evento destinado a celebrar os 58 anos da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Quero registrar também a presença, na galeria deste Senado, dos alunos do Ensino Fundamental do Colégio Objetivo de Brasília. Olhem só. (Palmas.) Sejam muito bem-vindos! Sejam muito bem-vindos! Alguém vai ser médico? Levante a mão. (Pausa.) Muito bem! Daqui a pouco, vocês vão estar aqui embaixo. Dra. Rosylane, por favor, por cinco minutos. A SRA. ROSYLANE NASCIMENTO DAS MERCÊS ROCHA (Para discursar.) - Senador, na sua pessoa, eu quero agradecer aos demais Senadores que assinaram o requerimento desta solenidade tão importante. Hoje é um dia especial para mim, particularmente, por estar nessa mesa com pessoas que eu tanto admiro, meus dois Presidentes, Dr. José Hiran da Silva Gallo, que tem feito uma gestão disruptiva no Conselho Federal de Medicina, colocando-o como a maior entidade médica do mundo, acima de vários patamares aqui, no Brasil, e fora do Brasil, Senador Hiran Gonçalves. Quero agradecer ao Presidente Francisco pelo trabalho excepcional que tem feito na nossa Anamt; à nossa querida Subsecretária Luiza Barreiros pelo comprometimento com a saúde do servidor público do Distrito Federal, a toda a sua equipe de gestores e colegas médicos. Quero fazer uma saudação ao nosso Presidente da Academia de Medicina de Brasília, Prof. Etelvino, por toda a sua contribuição na história da medicina do Distrito Federal; à nossa querida Procuradora Dra. Gisela, pelo trabalho excepcional que tem feito junto à Codemat. Desde já, quero colocar-me à disposição de V. Exa. também no Conselho Federal de Medicina e na Anamt. A história e as bases de dados do Congresso Nacional mostram que, neste campo, temos feito nossa lição de casa. Entre 1951 e hoje, Deputados e Senadores se debruçaram sobre a análise de cerca de 2,1 mil proposições que abordam a relação entre trabalho, emprego e saúde do trabalhador. |
| R | Em 2025, 332 pedidos chegaram a esta Casa, Senador. Em 2026, até o momento, já foram protocolados outros 118. Até a deliberação final de cada um, há um longo percurso com audiências públicas, pareceres, discussões em comissões e câmaras técnicas. O resultado desse processo deságua no cotidiano de trabalhadores e suas famílias, oferecendo-lhes parâmetros para a sua atuação na expectativa de que tenham seus direitos, sua integridade e sua saúde protegidos. Nesse sentido, esta sessão solene se reveste de um sabor especial para nós médicos do trabalho. Agradecemos ao Congresso Nacional pela oportunidade de abrir espaço e ocupar esta tribuna para comemorar os 58 anos da nossa Associação Nacional de Medicina do Trabalho e principalmente deixar claro que todas essas discussões envolvendo a saúde ocupacional em projetos dos mais diferentes matizes podem e precisam contar com as contribuições da medicina do trabalho. Isso deve ocorrer porque nossa formação, desenvolvida com o apoio constante da Anamt, supera em muito o atendimento clínico convencional. Somos médicos especialistas na formulação de estratégias para alinhar saúde, segurança e produtividade, com o objetivo de proteger a integridade física e mental dos trabalhadores, prevenindo doenças ocupacionais e acidentes. Dessa forma, propostas que interfiram nas relações de trabalho precisam ser analisadas sob o ponto de vista da saúde ocupacional, tendo na medicina do trabalho a referência técnica: escalas, jornadas, inteligência artificial, exames ocupacionais, entre outros temas. Podemos acrescentar ainda os subsídios que a medicina do trabalho tem a oferecer em discussões sobre outros dilemas contemporâneos, como os impactos que as mudanças climáticas... (Soa a campainha.) A SRA. ROSYLANE NASCIMENTO DAS MERCÊS ROCHA - ... e ambientais e a exposição à violência trazem para a vida dos trabalhadores. Posso assegurar aos senhores - Deputados, Senadores e Vereadores - que a medicina do trabalho tem muito a dizer sobre cada um desses temas e que a Anamt, como entidade máxima da nossa especialidade, está disposta a ser fonte de conhecimento para subsidiar as decisões emanadas deste Congresso. Finalmente, concluo minha participação reiterando meus agradecimentos ao Senador Dr. Hiran Gonçalves, Presidente da Frente Parlamentar da Medicina e autor da proposição desta sessão solene também por todo o empenho e trabalho que ele tem desempenhado na defesa da medicina e da saúde de qualidade para a população brasileira. Expresso aqui parabéns à Anamt por suas quase seis décadas de atuação contínua em prol da saúde dos trabalhadores. Destaco que minha deferência à Anamt vai além do mero reconhecimento institucional como ex-Presidente que fui desta tão importante instituição. No meu caso, esse agradecimento sincero vem do fundo do meu coração por tudo o que a associação e que a medicina do trabalho proporcionaram a mim, como mulher, médica, médica do trabalho, cidadã comprometida com a medicina, com o crescimento do povo brasileiro e do meu país. Muito obrigada a todos os que aqui estão presentes, na pessoa da Profa. Andréia, do meu amigo irmão Conselheiro Federal pelo Paraná, Dr. Alcindo, do meu filho Yohan e também de todos os grandes amigos que eu tenho aqui, alunos residentes que aqui vieram prestigiar também esta solenidade tão importante. Deus abençoe a todos! Obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Obrigado, minha querida amiga Rosylane. |
| R | A SRA. ROSYLANE NASCIMENTO DAS MERCÊS ROCHA - Presidente, eu preciso fazer uma quebra de protocolo, se o senhor me permite. O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - A senhora tem crédito comigo. A SRA. ROSYLANE NASCIMENTO DAS MERCÊS ROCHA - Eu gostaria de solicitar ao senhor, ao Presidente Francisco e ao Presidente Hiran Gallo que estivessem aqui à frente conosco para entregar uma placa merecida ao nosso Senador Hiran Gonçalves. O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Para mim? A SRA. ROSYLANE NASCIMENTO DAS MERCÊS ROCHA - Sim, senhor, Presidente. (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR. Para discursar - Presidente.) - Muito obrigado. Bom, antes de chamar o próximo colega a se manifestar, eu quero agradecer penhoradamente a cada um dos colegas aqui. Desde que cheguei a esta Casa, ao Congresso Nacional, há mais ou menos 14 anos, como Deputado e agora como Senador, aqueles que vivem aqui dentro defendendo as nossas prerrogativas sabem do meu compromisso com a medicina, com o estado da arte da nossa profissão, com defender o que é o melhor da nossa formação, porque isso resulta numa prestação de serviço mais qualificada ao nosso povo, principalmente ao povo que conta conosco neste patrimônio do Brasil que é o nosso Sistema Único de Saúde, que é gigantesco. Quero agradecer a cada um de vocês e reforçar aqui esse compromisso. Eu tenho certeza de que estou aqui absolutamente porque sou médico. O povo do meu estado e todos que estão aqui, Vereadores que me conhecem sabem da minha postura, sabem do respeito que eu tenho com os pacientes, com as pessoas. Eles são testemunhas do trabalho que eu tenho feito lá há mais de 40 anos como médico. Então, eu quero dividir esta homenagem com todos aqueles que me fizeram chegar até aqui. Então, muito obrigado a todos vocês. Deus os abençoe! E que nós possamos aqui, todos, juntos, estar sempre unidos com pautas que nos fortaleçam. E contem sempre com o gabinete nº 6, aqui da Ala Afonso Arinos, como uma extensão dos ambientes de trabalho de vocês e de nossas entidades, sejam elas conselhais, associativas, sindicais. |
| R | Eu não tenho faltado com minha pequena capacidade de ajudar, mas com grande disposição para estar sempre presente e parceiro nas nossas agendas aqui dentro do Congresso Nacional, que são muito importantes, como a nossa proficiência em Medicina. É uma luta! O Governo é contra, mas nós estamos vencendo a oposição do Governo e estamos caminhando para que nós possamos proteger a sociedade, porque há uma proliferação desenfreada de escolas médicas neste país, o que fragiliza a formação dos nossos colegas. O Mais Médicos, ao dar um salvo-conduto para médicos formados em algumas faculdades que são financiadas pelo crime organizado, atravessando a rua, de Ponta Porã para Pedro Juan... Esses meninos são mal formados, chegam aqui e vão para o Mais Médicos sem fazer o Revalida, que é um patrimônio nosso, aprovado nesta Casa, com o nosso voto, por dois votos. Eles burlam isso através de um programa que tem, inclusive, desvirtuado a nossa formação, que é o gold standard da nossa especialidade, que é a residência médica. Por quê? Porque um médico, um egresso que se forma, vai fazer residência recebendo R$4 mil e um garoto que vem dessas faculdades, pessimamente formado, vai para os rincões, para os vazios deste país, ganhar de R$12 mil a R$ 15 mil ou R$ 20 mil. Ora, esse jovem vai fazer residência ou ele também vai para esse caminho? E, hoje, sobram vagas em residência na USP, na Unifesp. Por quê? Porque há uma estrutura que foi montada para nos fragilizar, para nos desvalorizar, tanto no SUS quanto na saúde suplementar. Então, nós precisamos realmente aprovar nossa proficiência. Nós precisamos aprovar esse projeto de minha autoria que acaba com essa questão de cota em residência médica. Isso é uma excrescência! Isso é uma falta de respeito! (Palmas.) Quem quiser fazer residência boa que estude! Mérito! Competência! Depois de fazer seis anos de Medicina na mesma faculdade, com os mesmos professores, com as mesmas oportunidades, não há de se falar em cota mais. Cota para entrar, até pelas iniquidades deste país, até que a gente respeita. Agora, cota em residência médica? Inadmissível! Pedido de vista... Quem fez? O Governo, me atrapalhando! Mas nós só vamos fazer isso caminhar aqui dentro com pressão de vocês. E a vocês, que estão sempre aqui, eu quero agradecer. Essa homenagem que vocês me fazem é um elo de ligação entre nós, para defendermos, com todo o nosso fervor, com toda a nossa energia, as nossas prerrogativas, uma boa formação médica, que sempre será o resultado mais importante para que nós possamos cuidar do nosso povo. Muito obrigado a todos vocês e que Deus os abençoe. (Palmas.) Eu quero conceder a palavra ao querido colega, grande craque, Etelvino de Souza Trindade, Vice-Presidente da Região Centro-Oeste da Associação Médica Brasileira, representando o Presidente, Dr. César Eduardo Fernandes, por cinco minutos. |
| R | O SR. ETELVINO DE SOUZA TRINDADE (Para discursar.) - Boa tarde a todos e a todas. Na emoção, o ser humano manifesta a si próprio. Eu não conheço muito profundamente o amigo Hiran, nosso Senador, mas ficou claro para mim, que estava ao lado dele, que ele se emocionou com a homenagem. Parabéns a quem o homenageou, porque é um batalhador insano pelas nossas causas. Cumprimento a mesa na pessoa do nosso Senador; do Prof. Dr. Hiran Gallo, nosso ilustre e benquisto Presidente do Conselho Federal de Medicina, também alinhado à causa médica desde o instante em que lá ele se assentou; do nosso dono da festa aqui, o Prof. Francisco, que deu a honra de nos convidar a estarmos aqui como Associação Médica Brasileira. Na pessoa deles, eu cumprimento toda a mesa, até porque o tempo é curto, vou tentar cumprir o meu horário. Senhoras e senhores, a Associação Médica Brasileira sente-se honrada por estar aqui participando desta sessão solene na Casa Maior da República, que representa toda a nossa nação. O Presidente César Eduardo Fernandes envia seu cumprimento à Associação, que celebra seus 58 anos, e a todos os médicos que trabalham na especialidade, representados pela diretoria associativa, na pessoa do Sr. Presidente, Dr. Francisco Cortes. O momento é solene e se justifica pelo mérito da representatividade. A medicina do trabalho evoluiu muito. Tem uma história antiga que se originou na observação dos danos inerentes ao labor humano e da possibilidade da mitigação de riscos. Durante a Revolução Industrial na Inglaterra, começou a estruturação organizacional para proteção dos trabalhadores. Após a Grande Guerra Mundial, em 1919, com a criação da Organização Internacional do Trabalho, foi criada uma legislação de aplicação global e os médicos entraram em definitivo na proteção integral dos trabalhadores. Já na Idade Antiga, iniciaram relatos de observações que ligaram trabalhos a doenças. Hipócrates, no século IV a.C., descreveu a intoxicação por chumbo entre trabalhadores de mineração: relação causal. E Plínio, o Velho, que escreveu o livro História Natural em 37 volumes no século I da Era Cristã, relatou o uso de protetores respiratórios primitivos: ação preventiva. Ambas se constituem no fundamento da especialidade aqui celebrada. No século XVII, no ano de 1700, o médico italiano Bernardino Ramazzini, aqui já citado, publicou o livro De Morbis Artificum Diatriba (As Doenças dos Trabalhadores), contendo descrições de enfermidades causadas por dezenas de profissões. É dele essa frase famosa: "É melhor prevenir do que curar". Por esse trabalho, é reverenciado como pai da medicina do trabalho. Durante a Revolução Industrial, no século XIX, as péssimas condições de higiene e de segurança nas fábricas inglesas causaram epidemias e acidentes graves, o que resultou na necessidade dos proprietários de fábricas de contratar médicos para atuar dentro das empresas e também em reações sociais discutidas no Parlamento inglês, que se tornaram as Factory Acts, leis que limitaram as jornadas de trabalho infantil e feminino e exigiram condições básicas de salubridade nas indústrias. |
| R | (Soa a campainha.) O SR. ETELVINO DE SOUZA TRINDADE - Com o Tratado de Versalhes, de 1919, surgiu a Organização Internacional do Trabalho, que passou a difundir normas globais de produção laboral e a promover o debate sobre acidentes e doenças profissionais. Após a Segunda Grande Guerra, nos anos de 1950 a 1960, a medicina focou fortemente no pronto atendimento, operando como uma medicina industrial para tratar acidentes imediatos. A partir dos anos 1970, avançou para o conceito das doenças ocupacionais, prevenção de doenças crônicas, surdez por ruído e problemas ergonômicos, e chegou à visão atual como uma disciplina focada na saúde do trabalhador, integrando ergonomia, toxicologia, psiquiatria, tendo como exemplo a síndrome do esgotamento profissional - ou síndrome de burnout - e a medicina preventiva global. No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, é um marco importante. Por causa dessa lei, no Brasil, a data de 1º de maio passou a ser celebrada como Dia do Trabalhador. Até meados da década de 70, as leis referentes ao trabalho eram fundamentalmente corretivas, e somente a partir daí se tornaram preventivas. Em 1977, foi publicada a Lei nº 6.514, marco importante que visava tirar o Brasil da posição de campeão mundial de acidentes do trabalho. Em 1978, foram estabelecidas as normas regulamentares - as NRs. As evoluções das normas e do conhecimento médico caminharam juntas. Em 1968, foi fundada a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, que se tornou a maior associação da especialidade na América Latina, já citado pelo Senador Hiran na sua fala inicial. (Soa a campainha.) O SR. ETELVINO DE SOUZA TRINDADE - Seu nascimento foi impositivo da necessidade de haver uma coordenação da atuação médica para promover a saúde e segurança do trabalhador, com forte atuação na educação continuada, valorização profissional e representação científica no Brasil. Houve uma organização científica precursora, que foi criada em 1944, a qual ela substituiu. Em 26 de março de 1968, por iniciativa de um grupo de médicos capitaneados pelo Dr. Oswaldo Paulino, também já citado aqui, a Associação da Medicina do Trabalho foi criada em uma sessão solene, na sede da Associação Paulista de Medicina. A importância deste evento ressalta o quanto é importante para o Brasil a ação dos médicos especializados que se dedicam a esta área de conhecimento. Segundo relatório de avaliação técnica pelos auditores-fiscais do trabalho do Brasil, de 2016 a 2025, publicado este ano... (Soa a campainha.) O SR. ETELVINO DE SOUZA TRINDADE - ... no ano de 2025, houve notificação de 806.011 acidentes e 3.644 mortes. Eu tenho as estatísticas, mas o Dr. Hiran, nosso Presidente do CFM, citou números. Entre os acidentes sem óbitos, uma coisa interessante: o setor saúde lidera em números absolutos, mais incidentes entre técnicos de enfermagem e em hospitais, que se relacionam obviamente com os riscos biológicos constantes. Acidentes de trabalho não são fatalidades naturais. Proteção contra agentes agressores para humanos requer conhecimento científico. A prevenção para todos requer um esforço contínuo em várias frentes. Muitas delas são dependentes da medicina do trabalho. |
| R | A atuação médica da medicina ocupacional é o pilar da prevenção, indo muito além do atendimento a acidentes. Propicia a diminuição do adoecimento... (Soa a campainha.) O SR. ETELVINO DE SOUZA TRINDADE - ... e das lesões laborais ao identificar riscos precoces, realizar exames periódicos, orientar o uso de equipamentos protetores e promover a saúde física e mental dos colaboradores das empresas. Médicos do trabalho identificaram perigos ergonômicos, químicos e físicos no ambiente corporativo, e criam planos para diminuí-los. Os exames de avaliação periódicos monitoram a aptidão do trabalhador para a atividade. A adequação de postos de trabalho previne lesões dos esforços repetitivos, como LER e Dort, e problemas da coluna. As ações voltadas para o controle do estresse, da fadiga e da síndrome de burnout são mecanismos eficazes na prevenção de acidentes causados por exaustão. Enfim - finalizando -, a Associação Médica Brasileira e seu Presidente, que aqui represento, ao agradecer novamente o convite... (Soa a campainha.) O SR. ETELVINO DE SOUZA TRINDADE - ... de participar desta solenidade, agradece também a oportunidade de manifestar publicamente e, neste ambiente que dá ressonância nacional às ações que aqui ocorrem, poder manifestar o respeito e ressaltar a magnitude do trabalho que os médicos do trabalho realizam em benefício da população trabalhadora - à qual também nós, médicos, pertencemos e que é o sustentáculo do nosso Brasil. Parabéns a todos os médicos do trabalho, hoje lembrados e homenageados. Parabéns à diretoria e ao Dr. Francisco Cortes Fernandes por darem a devida evidência aos seus associados e à própria associação que dirigem. Parabéns ao Senado, que acolheu e criou, neste espaço, o tempo para o reconhecimento ao mérito do grupo de médicos que se dedica ao bem-estar da coletividade laboral do Brasil. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Bom. Muito obrigado. Eu quero também registrar a presença de ilustres visitantes na nossa galeria. São daqui, de Brasília? (Intervenções fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - São de onde? (Intervenções fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Olha lá a minha guia preferida! (Intervenções fora do microfone.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Nossa, sejam muito bem-vindos! Um grande abraço a todos. Que aproveitem Brasília e voltem em segurança para casa. Que Deus abençoe a todos. Também quero registrar a presença da Dra. Érica e da Dra. Teresinha Raulino, Médicas do Trabalho do Piauí; do Dr. Alberthy Ogliari, que é advogado; e do Dr. Julio Schmitt, também advogado. Sejam muito bem-vindos, doutores. (Palmas.) Concedo a palavra à Dra. Luiza Carolina Carneiro Barreiros, Subsecretária de Segurança e Saúde do Trabalho da Secretaria de Economia do Distrito Federal, por cinco minutos. (Pausa.) A SRA. LUIZA CAROLINA CARNEIRO BARREIROS (Para discursar.) - Senhoras e senhores, autoridades aqui presentes, muito boa tarde. Gostaria de agradecer à Anamt e ao Senado pela gentileza do convite e dizer que esses 58 anos de legado se confundem com a própria evolução da medicina do trabalho. |
| R | Quero parabenizar a Anamt pela consolidação da especialidade, pela influência nas políticas públicas e na mudança do paradigma de doença, para o bem-estar dos nossos trabalhadores; pela defesa da ética e da autonomia; e pela internacionalização da medicina do trabalho brasileira. Agradeço ainda à Anamt, em nome de toda a equipe da Subsecretaria de Segurança e Saúde no Trabalho do Governo do Distrito Federal, por nos trazer dignidade e propósito no exercício do nosso trabalho. Muito obrigada a todos. É um prazer, novamente, estar aqui com vocês. Obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Muito obrigado, Dra. Luiza. Quero chamar agora, para fazer uso da palavra, a Dra. Gisela Nabuco Majela, que é Procuradora do Trabalho e Vice-Coordenadora Nacional da Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, por cinco minutos, por favor. A SRA. GISELA NABUCO MAJELA SOUSA (Para discursar.) - Boa tarde. Cumprimento o Senador Hiran Gonçalves, também o Dr. Francisco, Dra. Rosylane, na pessoa de quem cumprimento toda a Mesa. Cumprimento todas as pessoas que acompanham esta sessão solene. A minha fala será breve, como uma visita de médico. (Risos.) Senhoras e senhores, é uma honra participar desta merecida homenagem aos 58 anos da Anamt, instituição cuja trajetória converge para a própria evolução da proteção da saúde das pessoas trabalhadoras em nosso país. A atuação da Anamt transcende o espírito meramente associativo; a entidade consolidou-se como voz técnica, ética e científica que ecoa em prol da saúde da pessoa trabalhadora e de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, inclusive - e sobretudo - sob a perspectiva da prevenção. Sua contribuição alcança toda a sociedade ao reafirmar que o trabalho digno pressupõe, necessariamente, a preservação da vida, da saúde e da integridade física e mental de quem trabalha. Em meio a profundas transformações nas relações laborais, em que avultam formas de gestão e organização do trabalho precarizantes, que intensificam rituais de sofrimento psíquico de trabalhadores e trabalhadoras, a atuação comprometida da Anamt revela-se ainda mais relevante na produção de conhecimento científico, na formulação de diretrizes técnicas, na defesa da preservação dos adoecimentos ocupacionais e na promoção de uma cultura de cuidado e responsabilidade social. Posso dizer aqui - eu tenho orgulho de dizer, na verdade - que, numa das investigações mais rápidas que eu conduzi, foi possível firmar um termo de ajuste de conduta a partir de uma denúncia feita pela Anamt. A denúncia era tão robusta que eu não precisei de maiores esforços investigativos. Senador Hiran, eu tenho orgulho de dizer que meu pai é médico, é professor e, exatamente hoje, ele toma posse como Presidente da Academia Sergipana de Medicina. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Não se esqueça de falar o nome dele, pelo amor de Deus! A SRA. GISELA NABUCO MAJELA SOUSA - Ele é conhecido como Dr. Sousa, Antônio Carlos Sobral Sousa. |
| R | Eu aprendi com ele que o que ainda sustenta a relação médico-paciente é a confiança, mesmo em tempos de teleconsultas e algoritmos diagnósticos. E a confiança não se constrói apenas com conhecimento técnico, mas com ética, escuta, sensibilidade e presença humana. Na medicina do trabalho, essa consciência humanista é ainda mais necessária. Hipócrates, há mais de dois milênios, já advertia que: "Onde quer que a arte da medicina seja amada, há também amor à humanidade." Em nome do Ministério Público do Trabalho, parabenizo a Anamt por sua belíssima trajetória. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) - Muito obrigado, Dra. Gisela. Transmita aqui, em nosso nome, de todo este Plenário, as nossas felicitações ao seu pai. Que ele tenha, ainda, uma vida profissional muito profícua na medicina e que continue irradiando saber e boas práticas por onde ele passar. Que Deus o abençoe. Meus queridos colegas, Vereadores que prestigiaram aqui esta nossa sessão solene, nossos convidados, eu, antes de encerrar esta sessão, quero aqui, mais uma vez, reforçar a honra que tive de presidir esta comemoração dos 58 anos da Anamt e dizer a todos vocês que, apesar dos percalços, apesar das dificuldades, apesar dos ataques que nós sofremos, quando nós vemos luminares da medicina do nosso país tirando um pouco do seu precioso tempo para prestigiar uma sessão solene de uma especialidade tão importante, isso é alvissareiro para todos nós, isso nos enche de esperança e dá uma sensação de unidade da nossa profissão. Quero, mais uma vez, reforçar o compromisso nosso de, aqui, no Congresso Nacional, junto da Frente Parlamentar da Medicina, da nossa assessoria, de todos os que nos ajudam a desempenhar a nossa função, que vocês estejam aqui ombreados conosco, para sempre lutar pela preservação das nossas prerrogativas. Não havendo mais nada a se tratar e cumprindo a finalidade desta sessão solene, agradeço a presença de todos vocês que nos honraram com as suas presenças e declaro encerrada esta sessão. Parabéns, Anamt. (Palmas.) (Levanta-se a sessão às 16 horas e 19 minutos.) |


