Notas Taquigráficas
4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 16 de junho de 2026
(terça-feira)
Às 10 horas
82ª SESSÃO
(Sessão de Premiações e Condecorações)
| Horário | Texto com revisão |
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| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão. Paz e bem a todos. Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos. Esta sessão extremamente especial destina-se à entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres, premiação instituída pela Resolução do Senado Federal nº 25, de 2020, que tem como finalidade homenagear pessoas físicas ou jurídicas que tenham prestado relevantes serviços na área social da saúde. Esta Presidência informa que, nesta edição - que é a segunda edição -, serão agraciadas com a Comenda Santa Dulce dos Pobres as seguintes personalidades e instituições: Instituto da Primeira Infância (Iprede), do Ceará (Palmas.); Irmã Maria Nilda Cavalcante Rangel, Mato Grosso do Sul (Palmas.); Jorge Eduardo Deister, aqui do Distrito Federal. (Palmas.) |
| R | Inclusive, eu vi ontem a Senadora Damares... Deister, eu gosto de quebrar o protocolo, você me desculpe, mas eu fui à sala dela, e ela me mostrou lá os vídeos, inclusive com uma van, o transporte, com Santa Dulce dos Pobres... Que coisa linda ali! Vamos conhecer. Compõem a mesa desta sessão a Senadora Damares Alves, que está aqui do meu lado, e o Senador Nelsinho Trad, que também está aqui conosco e que fez questão de estar nesta sessão. Esta é uma sessão semipresencial, pois a gente está tendo uma semana de sessões semipresenciais, mas o Senador Nelsinho fez questão de estar aqui neste momento - Senador Nelsinho, uma honra. Eu convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional que será executado - olhem só como esta sessão é especial - pela Banda de Música da Marinha do Brasil, sob a regência do Suboficial Fuzileiro Naval Herik Coutinho de Oliveira Gomes. (Procede-se à execução do Hino Nacional.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar - Presidente.) - Muito bem. Muito obrigado. Muito obrigado aqui à banda de música que fez. É da Marinha do Brasil, sob a regência do Suboficial Fuzileiro Naval Herik Coutinho de Oliveira Gomes. Parabéns, muito obrigado mesmo. Vocês nos emocionaram aqui. Muito talento, muito amor pelo Brasil. Muito obrigado. Eu quero aqui registrar a presença do Sr. Segundo-Secretário da Embaixada da República Democrática do Congo, Paul Mpiana Ngoy - muito obrigado pela sua presença aqui, sempre prestigiando o Congresso Nacional brasileiro, muito obrigado -; do Sr. Diretor-Geral do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, Marco Antônio Calderon de Moura - muito obrigado pela sua presença também. Então, nós vamos agora, só para fazer aqui... Eu tinha cometido um equívoco, e olha que essa comenda foi uma iniciativa minha lá atrás, mas é o segundo ano, é apenas o segundo ano dela. Quero agradecer ao Presidente Davi Alcolumbre, que atendeu ao pedido numa reunião de Líderes que nós fizemos uns dois anos atrás, em que nós solicitamos essa Comenda Santa Dulce dos Pobres, e ele prontamente, em nome da reconciliação, da pacificação do Brasil - esse foi o argumento que foi colocado na mesa -, autorizou. Eu acho isso muito meritório, porque a gente precisa estimular o que é bom, o que é correto e estimular entidades e pessoas que fazem um trabalho abnegado, de dedicação ao próximo, de altruísmo puro. Então, na primeira edição, em 2025, no ano passado, da Santa Dulce dos Pobres, nós tivemos aqui uma homenagem feita para o Sr. Henrique Prata, que é o Presidente da Fundação Pio XII, responsável pelo Hospital de Amor, em São Paulo; também tivemos o Frei Hans Stapel, que é da Fazenda Esperança; tivemos a Comunidade Filhos da Misericórdia - Fundação São Padre Pio de Pietrelcina, na Paraíba; também tivemos a Fundação Altino Ventura, de Pernambuco; a Associação Peter Pan, lá do Ceará, a Olga esteve aqui conosco; e a Obra Social Dona Meca, do Rio de Janeiro. |
| R | Então, no ano passado, nós tivemos as agraciadas da primeira edição, de 2025, Santa Dulce dos Pobres, em memória. Nós tivemos aqui cinco entidades, foi isso? Entre personalidades e entidades, nós tivemos oito. Desta vez, estamos tendo três entidades, porque foi depois feito esse redimensionamento. Então, nós vamos agora chamar, para fazer o seu discurso... Aliás, primeiro é um vídeo institucional. Perdão. Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Gente, eu quero parabenizar por esse vídeo. Esse vídeo foi construído ontem. E o gabinete da Senadora Damares está de parabéns pela articulação. Eu quero pedir uma salva de palmas para o gabinete da Senadora Damares. (Palmas.) Agora, você elevou aqui o nível. Nós vamos ter que fazer em todas... A SRA. DAMARES ALVES (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Fora do microfone.) - Em todas as sessões. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - ... as sessões da Comenda Santa Dulce dos Pobres, porque isso aqui, pessoal, começou em 2025, nós estamos em 2026 e vai para a eternidade; é do Senado da República, independentemente se nós estivermos aqui ou não. E essa equipe aqui da Secretaria-Geral da Mesa é muito carinhosa, competente e faz com muita dedicação. Então, essa comenda vai ser sequenciada, com as graças de Deus, levando muito reconhecimento, muita gratidão a essas entidades agraciadas, que trabalham pelo Brasil e pelos brasileiros. Eu também peço a atenção de vocês para esse painel. Olhem como ficou lindo esse painel. Todo esse design aí feito pela equipe aqui do Senado Federal, pela Secretaria de Comunicação (Secom), com muito respeito. E olhem os detalhes ali dos vitrais, Senadora Damares. Olhem que coisa linda, né? É muito bem-feito. (Palmas.) A gente se sente muito acolhido aqui. |
| R | Nós passaremos agora à entrega do diploma aos agraciados e aos representantes das instituições laureadas. Antes disso, tem uma curiosidade: esta sessão é tão especial, mas tão especial, que as entidades... Vocês sabem quem vota nas entidades, né? São os Senadores Líderes. E terminou, todo mundo foi campeão: foram sete votos para o Instituto da Primeira Infância (Iprede), sete votos para a Irmã Nilda Cavalcante e sete votos para o Jorge Eduardo Deister. Olha que interessante isso, né? Isso não é comum acontecer. Então, eu fico muito feliz. Já vou aqui, neste momento, passar a palavra para o Senador Nelsinho Trad, que vai fazer o seu discurso e, logo em seguida, vai entregar, aqui na frente... Nós vamos chamar depois a Irmã Nilda Cavalcante, por quem ele tanto batalhou, mostrando para os Líderes o trabalho redentor que é feito lá. Senador Nelsinho, o senhor tem a palavra pelo tempo que o senhor quiser. O SR. NELSINHO TRAD (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Para discursar.) - Presidente Senador Eduardo Girão, é um prazer estar aqui ao seu lado, ao lado da Senadora Damares. Quero dizer aos agraciados Irmã Nilda, Jorge Eduardo, Joana Mota, representando o Instituto da Primeira Infância, e a todos vocês que, aqui nesta Casa, nós temos 81 pessoas que representam o Brasil, cada uma representando o seu estado, e a gente convive no dia a dia, convive nos embates, nas divergências, nas convergências. São oito anos de convivência. Quando você convive com uma pessoa por muito tempo, mesmo que você não queira, você acaba conhecendo de perto essa pessoa. Eu quero aqui dar um testemunho desses dois Senadores, tanto da Senadora Damares quanto do Senador Girão: pessoas altamente combativas, éticas, responsáveis, e com certeza quem passar por eles vai levar muita coisa boa deles para dentro de você para o resto da vida. Então, a vocês dois começo a minha saudação, dando a primeira palma dessa coroa que nós vamos entregar para Irmã Nilda Cavalcante Rangel, Jorge Eduardo Deister e Joana Mota, do Instituto da Primeira Infância. Eu já fui Prefeito de uma cidade de 1 milhão de habitantes durante oito anos. Na condição de responsável pelas ações da cidade, algo que sempre me despertou a atenção foi o envolvimento de pessoas comuns, de cidadãos de bem, para poder, muitas vezes, fazer aquilo que o poder público não estava dando conta de fazer, atender, acolher, amparar e fazer as vezes do que deveria ser do poder público. São pessoas extremamente energizadas e inspiradas por Deus. |
| R | Eu, que sou cristão, posso dar esse testemunho porque já vivi o auxílio dessas pessoas do outro lado da margem do rio. E como isso é importante! Então, a vocês que sempre atuaram para poder atender e auxiliar o próximo, a mais merecida homenagem de Santa Dulce dos Pobres, uma comenda. Como disse o Girão, a vida passa, o tempo passa, nós passamos, mas essa comenda vai ficar aqui, por muitos e muitos anos, por aqueles que poderão por aqui passar. E sempre vão lembrar de pessoas especiais como nós nos lembramos de vocês. Ao falar um pouco do nome dessa comenda, eu tenho que dar um testemunho aqui para os colegas Damares e Girão. Certa feita, logo antes, no processo de beatificação da então Irmã Dulce, logo que o Papa a fez santa, eu estava conversando com um Senador já de idade, com todo o respeito que tenho por ele, um Senador que muitos de nós admiramos, que é o médico ortopedista Otto Alencar. E qual foi a minha surpresa, ao vir o assunto da Irmã Dulce, o Otto começou a falar dela e começou a chorar, tamanha a emoção que ele sentia, do nada, ao se lembrar - e ao se referir a isso - das passagens que ele teve com a Irmã Dulce. Para nós, foi motivo de muita alegria o momento em que o Papa a reconheceu como santa. Eu quero dizer para vocês que a minha história com a pessoa que eu propus homenagear tem algo realmente muito particular e peculiar. Afora o trabalho que a Irmã Nilda, por quase sete décadas, prestou na sua atividade salesiana, tanto em Campo Grande quanto em Três Lagoas, atendendo não só a educação na formação do caráter de vários alunos e alunas que passaram pelas suas mãos, como também de pacientes, sendo ela Diretora Administrativa do Hospital Auxiliadora, de Três Lagoas - imaginem vocês gerir um hospital complexo, que tem atendimento de alta complexidade, de uma das três maiores cidades do Mato Grosso do Sul -, fazia isso com excelência. Mas a minha história com a Irmã Nilda começa quando eu tinha 11 anos de idade. A minha irmã, de 10 anos, ela é um ano mais nova que eu, estudava no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Naquela ocasião, as irmãs iam às casas das famílias apresentar a Beata Laura Vicuña. Quem foi Laura Vicuña? Laura Vicuña, beata, extremamente fervorosa a Deus, faleceu aos 14 anos e tem uma história muito parecida com a sua, Damares. |
| R | Certa feita, indo fazer uma luta de judô num campeonato, o adversário mais forte que eu me empurrou, eu caí com o cotovelo no tatame lá e houve uma fratura com luxação. Meu pai estava assistindo à luta, eu saí segurando meu braço, chorando. Ele olhou porque o cotovelo veio parar aqui no antebraço e falou: "Vamos direto para o hospital". E me levou naquele momento para o hospital onde tinha um ortopedista, pai do então Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Hélio Mandetta, irmão da minha mãe. Ele me examinou, bateu a chapa, o raio-X e perguntou para mim: "Você comeu alguma coisa? Porque vai ter que operar". Eu falei: "Comi. Antes da competição, eu comi um pedaço de pão que a minha mãe me deu e tomei um copo de leite". "Então, você não vai poder operar agora, porque você vai ter que ser anestesiado e tem que estar em jejum. Eu vou te mandar para casa, vou fazer um bloqueio para você não sentir dor e, amanhã às 6h, você entra no hospital porque nós vamos ter que te operar, vamos ter que alinhar o osso que quebrou e colocar um pino". "Está ótimo." Imobilizou, fez o bloqueio e me mandou para casa. Quando eu cheguei em casa para deitar, eu vi a imagem da Laura Vicuña que as irmãs tinham deixado na minha casa. Eu peguei aquela imagem, fiz uma oração e coloquei no meu braço. No outro dia, quando eu fui dar entrada no hospital, ele desimobilizou, olhou e falou: "Vou ter que bater outro raio-X porque tem alguma coisa aqui que aconteceu". Ele bateu outro raio-X, a luxação tinha se desfeito e a fratura estava alinhada. Não precisou mais operar. Todo esse dado que eu falei aqui para vocês foi enviado para o Vaticano para servir de condição de milagre que Santa Laura Vicuña - eu já a chamo assim porque eu tenho certeza de que um dia ela vai ser santa - fez na minha vida. E eu dividi muito com a Irmã Nilda todo esse processo. Depois que eu virei homem, virei adulto, casei, virei Prefeito, nunca deixei de visitar a igreja do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora para fazer minhas orações como eu sempre faço. Um dia, ela me ligou e falou: "Cheguei de Três Lagoas, estou aqui morando no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, venha me visitar. Eu vou fazer um bolo que eu sei que você gosta". Eu fui, e é bom o bolo dela, viu, gente? Comi quase meio bolo. Mas ela olhou para mim e falou: "Você está vendo essa prateleira aqui?". Eu falei: "Estou". "Eu fiz uma pesquisa sobre Laura Vicuña e eu achei tudo o que eu tinha que achar sobre a vida dela." Eu falei: "Mas isso vai ficar assim? Não pode ficar assim. A senhora tem que escrever um livro sobre isso". "Mas eu não tenho condições, meu filho." Eu falei: "Mas eu não perguntei se a senhora tem condições. Eu vou arcar com as despesas do livro que a senhora vai escrever". E ela escreveu o livro. Eu vou dar de presente um para Damares, outro para o Girão e outro para os dois agraciados, para vocês saberem um pouco dessa história. |
| R | E, do meio para o fim desse livro, ela saiu pegando os testemunhos de vários milagres que Laura Vicuña fez pelo Mato Grosso do Sul. Eu cheguei a ir a Bahia Blanca, que fica no sul da Argentina - para vocês terem uma ideia, de Buenos Aires a Bahia Blanca é uma hora de voo, em Boeing -, para visitar os restos mortais de Laura Vicuña, que ficam numa igreja do colégio María Auxiliadora. Então, gente, desculpa o adiantado, mas esse é o testemunho que eu queria dar. Quero dizer que estou muito emocionado de ter proporcionado isso para a Irmã Nilda e mais ainda de fazer valer um pouco do conhecimento que vocês precisam ter de Laura Vicuña. Muito obrigado e parabéns a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem. Olha, que depoimento! Lindo, lindo, Nelsinho. Com alegria, eu convido a Irmã Maria Nilda Cavalcante Rangel para receber a Comenda Santa Dulce dos Pobres, que será entregue pelo Senador Nelsinho Trad, de Mato Grosso do Sul. Muito obrigado pelo livro. Está aqui o livro. Se a câmara puder também mostrar, está aqui o livro que acabamos de ganhar de presente: Beata Laura Vicuña. Uma história de fé e graças realizadas pela intercessão da menina bem-aventurada. A escritora é a Irmã Maria Nilda Cavalcante Rangel, que vai agora subir aqui à nossa mesa para receber esta honraria, a Comenda Santa Dulce dos Pobres. Está em ótimas mãos essa edição de 2026, que vai ser entregue agora pelo Senador Nelsinho Trad. (Palmas.) (Procede-se à entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres à Sra. Maria Nilda Cavalcante Rangel.) Senadora Damares, vamos quebrar esse protocolo e vamos para essa foto? (Pausa.) (Palmas.) Com a palavra a Irmã Nilda Cavalcante, que foi agraciada com a Comenda Santa Dulce dos Pobres 2026. |
| R | A SRA. MARIA NILDA CAVALCANTE RANGEL (Para discursar.) - É uma cerimônia muito cheia de protocolos, mas eu acho que a melhor coisa é quebrar o protocolo, como o Girão falou. (Risos.) Então, em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer e cumprimentar a mesa formada pelo Senador Eduardo Girão, pela Senadora Damares Alves e pelo Senador Nelsinho Trad, sobre o qual também eu abro parênteses: ele fala que a amizade vem de 11 anos, mas não vem, vem do ventre materno, porque a mãe dele foi minha colega inseparável e o pai foi colega do meu irmão. (Palmas.) Então, a vida nos levou, mais tarde... Não é, Nelson? E nos cruzamos, depois. A gente se encontrou muito durante o Governo de Mato Grosso, porque eu estava lá. Quero cumprimentar também todos os presentes aqui, todas as autoridades, todas as pessoas que vieram para esta cerimônia. Quando chegou para mim o comunicado, quando chegou o comunicado que tinha sido encaminhado pelo Senador, gente, eu comecei a tremer, porque eu não esperava. Eu tinha recebido primeiro o pedido de currículo. A gente manda, mas currículo é currículo. Mas essa minha emoção, gente, veio - eu vou depois colocar aqui - por quê? Porque eu sou religiosa, a Mandulce era religiosa... A Mandulce era um pouco mais velha do que a minha mãe. A minha mãe é de 1910, ela é de 1914 - mais nova. Quando eu comecei a minha vida, principalmente na área social, ela estava no apogeu lá na Bahia, e eu dizia para os universitários que trabalhavam conosco: "Nós vamos fazer uma obra como a da Mandulce. Nós vamos chegar a ser a Mandulce". E, de repente, ser convidada para receber uma comenda com o nome da Mandulce... Então, me deu tanta emoção, que eu digo para vocês que eu fiquei doente. Eu fiquei emocionada e veio uma crise de vômito, de diarreia - eu quase não vinha a esta sessão. Mas não fiquei emocionada porque eu estou merecendo isso, mas porque eu me identificava com ela - entenderam? - e, de repente, ela está me dando uma homenagem dessa. Fechemos esse parágrafo. Agora eu vou falar mais sério. Essa homenagem por mim recebida, de modo especial, eu dedico aos meus pais. Os dois são falecidos. Eles são do Rio Grande do Norte, vieram para Mato Grosso em 1942 e ali eles educaram os dois filhos, eu e o meu irmão. |
| R | Os meus pais sempre foram, para mim, modelos de honestidade, de trabalho, de cultura, de vida cristã. Tinham apenas o curso primário; naquela época, era a 6ª série. Eram autodidatas, liam muito, ouviam as notícias radiofônicas, estavam sempre dispostos a transmitir seus conhecimentos aos que conviviam com eles. Fui alfabetizada pela minha mãe. Sentada num banquinho, bordando na máquina, ela me ensinava a ler e a escrever. Muitas vezes, eu pensava comigo: "Quando eu crescer, eu quero ser sábia como eles". Quando eu me formei e fui Professora da universidade por mais de 40 anos, eu sempre dizia comigo: "Se o meu pai fosse vivo, ele podia estar aqui, não lecionando o que eu estou - o meu conteúdo, a minha cadeira -, mas lecionando história do Brasil e história contemporânea", qual era a capacidade de conhecimento daquele homem! Religiosa, pedagoga, especialista em orientação educacional, em gestão escolar e hospitalar, fui também - tive a felicidade de ser - iniciadora do Centro de Estudos do Menor, em Lins, com o grupo universitário. Tudo surgiu de uma pergunta. A faculdade era um prédio lindíssimo, em frente de um bairro paupérrimo, era vila ainda. Nós estávamos ali, naquela rampa, Deus me inspirou e eu disse para esse grupo universitário: "O que nós vamos fazer para essa população que está aqui na nossa frente?". "Que resposta de amor?", esta foi a palavra certa: "Que resposta de amor nós vamos dar para esta vila?". E Deus nos abençoou. O Cemic, hoje, é uma grande obra social, mas nós também tivemos muitas dificuldades. Eu gostaria de enumerar só algumas, porque, senão, ficaremos delongando muito. Quando nós começamos, alguns professores da faculdade se referiam a mim dizendo: "Você é muito sonhadora. Você quer transformar a vila através desses pobres coitados que ficam aí", mas diziam fortemente por quê? Porque o grupo universitário tinha assumido para valer o trabalho de pastoral no bairro. Então, aqui é a minha identificação com a Irmã Dulce. Enquanto a Irmã Dulce, em 1939, começou o seu trabalho social muito jovem ainda e, em 1949, ela pega os 70 primeiros pacientes e leva para um galinheiro lá do convento, vamos dizer assim, atormenta tanto a diretora do convento, que a diretora cede para ela pelo menos um lugar, que é o galinheiro - e lá ela coloca os pacientes dela. |
| R | O nosso grupo universitário também não ficou muito atrás disso, não. Nós não fomos para galinheiro, nós fomos para as ruas, nós fomos para debaixo das árvores, nós fomos para as praças, nós fomos atrás das autoridades, tanto que um Prefeito, quando cedeu terreno em comodato, diz: "Eu cansei de ter universitário assim no meu ouvido". Você entendeu? Então, era um grupo que realmente queria. Então, esse grupo sonhador deu como resultado esta obra social chamada Cemic. Ela está localizada na cidade de Lins. Já teve uma pessoa também que deu muita força para o nosso trabalho, que foi um sanitarista que era Secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo, o Dr. Mário Altenfelder Silva. A Unesco estava chegando, a Funabem estava sendo criada e ele estava sendo convidado para ser Presidente dessas organizações. E ele então foi à nossa Faculdade de Filosofia, porque ele ia dar o nome ao nosso Centro de Estudos Pedagógicos. E ele deu a segunda grande mensagem para os universitários: "Se vocês querem dar uma resposta de amor a esta vila, então façam uma grande pesquisa, documentem isso, mandem para nós, que se for bem-feito, nós vamos assumir isso - se eu assumir a Unesco e a Funabem". E graças a Deus isso deu certo. O Cemic se transformou no primeiro projeto da Unicef no Brasil. E tivemos então um trabalho muito intenso com os universitários, não só da nossa Faculdade de Filosofia, mas nós conseguimos envolver a Engenharia, que era uma faculdade grande que tinha, e Serviço Social, que ficou muito frustrada porque o serviço não estava começando com eles. Você entendeu? Então, era outro problema que nós tínhamos que enfrentar com muita delicadeza, porque era a Pedagogia que estava na frente, e não o Serviço Social. E essa obra hoje tem um complexo muito grande. O primeiro bloco foi construído com dinheiro da Misereor, da Unicef e da Faculdade de Filosofia, com o terreno cedido em comodato pela Prefeitura. E neste momento eu agradeço a todos os Prefeitos que trabalharam em Lins, porque todos eles foram muito coesos conosco. |
| R | Depois, nós fomos aumentando a nossa área e fomos atrás de novas pessoas, obras e instituições com as quais nós poderíamos fazer parceria. Então, nós temos o Itaú, que trabalha conosco na área de música, há um prédio muito bonito que ele deu. São coisas simples, mas muito bem construídas. Temos a Luz, lá de São Paulo, cujo nome agora não me recordo bem... Força e Luz, que nos deu um terceiro bloco, que é a parte de biblioteca e artes manuais. E temos também o curso profissionalizante, dois cursos profissionalizantes, aprovados pelo Ministério do Trabalho, porque nós trabalhamos com 95 a 145 menores aprendizes mensalmente. Depende do emprego que vai se colocando, então varia: tem meses que nós temos 95, tem meses que nós chegamos a até 145. Fechamos agora um projeto que vinha há muito tempo, que era o projeto Zona Azul, que começou também... tinha mais de 25 anos. Mas a gente diz assim: Deus fecha uma porta, mas Ele abre outra. Ou então: o ser humano fecha uma porta, mas Deus abre a outra porta. Esse era para maiores de 18 anos, eram os guardadores de carro, porque Lins não tinha, não tem outro desse projeto, a não ser venda de cartão, que era o nosso. Nós temos também acompanhamento escolar, em artes. E um projeto que é muito bonito, nosso também, é o projeto voltado para a comunicação digital. Esse daí até foi também... Foi muito interessante esse projeto. Agora não me recordo o nome do Senador que passou lá por Lins, o Prefeito o levou para conhecer o projeto, aí ele gostou; de repente, ele telefona dizendo que tinha uma emenda para mandar para nós. Com isso nós montamos, são três grandes laboratórios montados, todos dois em um, como eles falam, interligados de internet, um projeto muito bonito. E por quê? Porque as firmas hoje, quando recebem o menor aprendiz, não querem que eles apenas saibam digitar e saibam alguma coisa do Windows; querem que eles sejam técnicos. E às vezes a gente vai lá até para dar uma... Eles não são técnicos, eles são menores aprendizes. Mas esse projeto já dá todo esse encaminhamento, e os meninos já saem, assim, bastante capacitados. Depois, eu não posso deixar de falar de um projeto que eu estou com os representantes aqui, que é o nosso Hospital de Três Lagoas. Comecei também muito cedo nessa área de saúde e fui para o nosso Hospital de Três Lagoas. Para isso, eu tive que, enquanto fazia a reforma administrativa, fazer também o curso de gestão hospitalar no São Camilo, isso em 1981, 1982 e 1983. Então, peguei pela primeira vez a gestão do hospital, em que nós pegamos desde o primeiro papel até o regimento do corpo clínico, que foi o mais difícil, para ser tudo reelaborado. Então tiramos nós a visão de uma administração familiar e transformamos numa administração realmente científica - a administração, né? |
| R | Também, nessa época, nós tivemos a felicidade de construir dois grandes blocos: um que serviu à maternidade e outros, como o neonatal, os convênios, também, nesse bloco; e, depois, também tivemos a construção de um bloco que ficou um tanto inacabado, que foi o bloco do centro cirúrgico, hemodiálise e UTI. E a segunda gestão foi uma gestão, assim, muito forte. Foi agora, de 2020 a 2023. Eu já estava com 86 anos, e volto para o hospital, e volto em plena pandemia. Esse senhor que está aqui, o Marco, ele olhava para mim e falava assim: "Mas a senhora tem 86 anos, não pode ficar no hospital, olhe a pandemia". E o Diretor Clínico, idem: "Não pode ficar, tem a pandemia, não sei o quê". E eu: "Não, mas eu vou ficar". Bem, para apaziguar, fiquei fora um mês, depois voltei. E nesse período, também, nós estávamos com reformas físicas e com reformas, novamente, administrativas, porque nós estávamos mudando de governo inspetorial. Então, foi muito forte esse governo, foram três anos, mas foi, assim, um trabalho muito forte, muito bom, tanto que o hospital terminou o seu trabalho de consulta com a ONA, e o Marco teve a felicidade de receber, no ano passado, o Certificado de ONA 3, e é o único hospital de Mato Grosso que tem esse certificado. E, agora - né, Marco? -, nós recebemos um outro certificado que é quase consequência disso, que é a UTI Top. A nossa UTI é um prédio muito bonito, tem a parte, também, do infantil e a do neonatal. Então, convido todos vocês, principalmente o Nelson, que é médico, para ir lá. E, depois, também - só para terminar -, o trabalho em nível de educação que a gente realizou foi um trabalho muito intenso, porque eu começo também... Sempre me tiram assim, sabe? "Vai começar esse trabalho, depois a gente tira". E eu fui, muito cedo trabalhar em nível de estado. Então, na década de 70, eu já estava lá em Mato Grosso, em Cuiabá, trabalhando em nível de secretaria, como Diretora-Geral do Departamento de Educação, para implantar, primeiro, o ensino religioso, e depois me tornei Subsecretária do estado. E, depois, na divisão do estado, também vim para trabalhar no Estado de Mato Grosso, fazer parte do staff do estado, para a implantação de toda a educação dentro das novas regras planejadas. Então, tudo isso, eu acho que, somado, nós temos que louvar e agradecer a Deus, porque ele se serve de instrumentos, e nós todos somos instrumentos de Deus. E, quando menos a gente espera, ele chama. E, às vezes, você não está preparada para aquilo, mas ele te prepara desde que você se entregue, você deixa que ele trabalhe em você. E disso eu posso dizer porque, tanto quando eu fui para a Secretaria de Estado quanto quando eu fui para trabalhar em hospital como quando eu fui chamar os universitários para nós trabalharmos nessa área social, eu não tinha experiência disso, eu tinha apenas vontade de fazer o bem ao próximo. Então, neste momento, vamos louvar a Deus, porque são 71 anos de vida religiosa minha e são 71 anos de vida religiosa dedicada à educação, à saúde, às obras sociais, ao serviço social. |
| R | E gostaria mesmo de agradecer imensamente ao Senador Nelson Trad por ter apresentado o meu nome não para ser homenageado, mas para a visibilidade das nossas obras salesianas em nível de Brasil. Essa mesma obra que eu estou representando, neste ano, também está sendo classificada como uma das melhores obras salesianas em nível de Brasil. Delas já saíram Prefeitos, tem três Vereadores atuais, tem muitos empresários, temos também presidiários. Mas por quê? Porque eles não souberam se deixar conduzir pela palavra de Deus. Então, nós somos livres para seguirmos o nosso caminho. Muito obrigada e desculpa por ter me delongado tanto. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem, muito bem. A senhora deu uma aula para a gente, Irmã Nilda Cavalcante. A gente estava conversando aqui sobre a sua vitalidade. Isso faz a diferença. Eu cochichei aqui com a Senadora Damares: a Irmã Nilda Cavalcante tem 92 anos. Se eu chegar à metade da idade dela com essa vitalidade, eu estou bem demais. (Risos.) (Palmas.) Bom, vamos agora dar sequência aqui com a Senadora Damares Alves, Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal. Nós tivemos aqui o Presidente... Aqui só quem não é Presidente sou eu, só sou Presidente desta sessão aqui. Mas o Nelsinho Trad é Presidente da Comissão de Relações Exteriores. Olha só que bênção. Um homem extremamente... É um diplomata aqui nosso. E, outra coisa, uma particularidade: nós temos um grupo de WhatsApp dos Senadores e, nos momentos de mais tensão, ele sempre dá uma leveza para a gente, para inspirar. O Senador Nelsinho tem essa característica muito forte. Com a palavra a Senadora Damares Alves, aqui do Distrito Federal. (Palmas.) A SRA. DAMARES ALVES (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Para discursar.) - Obrigada, Presidente. Eu quero cumprimentar o Senador Nelsinho Trad, meu amigo - o Girão foi modesto; vocês precisam conhecer o nosso grupo de Senadores -, que é quem nos faz rir o tempo todo, quem nos chama para a alegria o tempo todo. Que alegria. Eu quero cumprimentar todos os presentes e quero cumprimentar a Secretaria. Viu o carinho, Girão? Vocês que receberam esse livrinho o guardem com muito carinho, porque isso aqui, gente, é uma das comendas mais lindas que o Poder Legislativo pode entregar. E essa Secretaria faz com tanto carinho. |
| R | E eu quero contar um segredo de bastidores para vocês. Não é tudo simples, não! Tem confusão, tem briga. Deixe-me dizer para vocês. Vem um monte de nome para escolher. Aí a gente começa a fazer boca de urna, não é, Nelsinho? A gente começa a fazer boca de urna quando a gente indica, mas tem gente que não sabe - hoje, eu vou trazer para mostrar - que a gente faz santinho, Jorginho, ó! (Risos.) É! Eu vou mostrar maior aqui para o Brasil ver. A gente faz santinho, a gente distribui santinho dentro do Plenário para os Senadores. Aí depois a gente fica aqui fazendo boca de urna. Eu espero que nem o Tribunal Regional Eleitoral nem o Tribunal Superior Eleitoral descubram que a gente faz boca de urna para pedir voto. E, na hora em que a gente fala para os colegas da história dos agraciados, das instituições, é um momento tão prazeroso, mas depois nos dá confusão, porque todos os indicados já são vitoriosos. Chegar aos três é uma luta, mas hoje a gente conseguiu chegar aos três nomes para receber uma das mais incríveis comendas, que é a Comenda Santa Dulce dos Pobres. E eu tive a honra de indicar o Jorginho, mas não posso deixar de dizer, Irmã Maria Nilda, que honra foi também votar na senhora, conhecê-la e ver a senhora aqui na sua idade com tanta vitalidade e com tanta... E que memória! E que mente! E aí eu fiquei ali falando assim: tem um povo aqui no Senado que para acordar de manhã dá um trabalho, que chega atrasado - não são meus assessores, não! Não! -, que está cansado... Aí vem ela aqui com 71 anos de serviços prestados como vida religiosa e 92 anos de idade. Que alegria, Irmã! Que Deus a abençoe. Eu consigo ver a Irmã Santa Dulce dos Pobres lá no céu a homenageando. Os céus hoje estão em festa. E, depois, eu venho aqui também... Eu dei meu voto também para o Instituto da Primeira Infância. Joana, eu conheço o instituto, que foi uma das primeiras instituições que eu conheci como Ministra. Eu conheço o trabalho de vocês. Essa honra é merecida. E, Jorginho, o que falar? Não sei. É difícil falar de você, é difícil falar da Vila do Pequenino Jesus, mas, antes de falar de você, eu quero registrar a presença do profeta Paul Mpiana, da Embaixada do Congo, e aproveitar que Nelsinho Trad está à mesa para informar que nós estamos reativando o Grupo de Amizade Brasil-República Democrática do Congo. (Palmas.) E nós vamos ter que tomar uma posição com relação à República Democrática do Congo, um povo que está sendo dizimado: mais de 14 milhões já foram assassinados. Enquanto nós estamos aqui, tem uma criança no Congo sendo assassinada, sendo decapitada. É um povo que tem sido massacrado. E nós vamos precisar tomar posição, porque eu já entendi, Senador Girão, que, quando tem um opressor e um oprimido e a gente se omite, automaticamente ficamos ao lado do opressor. A República Democrática do Congo está gritando por socorro. |
| R | Eu vou ao Congo ainda neste ano e queria te convidar para a gente ir. Eles estão em conflito armado, eles estão em um momento de muito sofrimento, mas eu prometi à Embaixadora que eu vou ao Congo pelas crianças do Congo. E, se a irmã Dulce estivesse viva, ela iria também - ela iria. E aqui quero dizer para aqueles que não me ouviram falar no ano passado. Eu não sei quem de vocês teve a oportunidade, a graça de ter conhecido a Irmã Dulce, a Santa Dulce; eu tive essa graça. E eu tive a graça de estar com ela duas vezes e ser abraçada na infância por ela duas vezes. E cresci querendo ser parecida com a Irmã Dulce, cresci me inspirando na vida da Santa Dulce dos Pobres. Então, estar numa cerimônia aqui e ver o rostinho dela estampado é tão emocionante para mim. Tem muito a ver com a minha história de cura também. Quem conhece a minha história de dor e sofrimento... E, quando eu estive com a Irmã Dulce, eu estava em processo de dor e sofrimento. Sou vítima da violência sexual. Ela não sabia, mas ela era uma mulher iluminada. Não precisava falar nada para ela. Ela nos conhecia pelo olhar. E, nas duas vezes em que eu estive com ela, eu fui confrontada e confortada pelo olhar da Santa Dulce dos Pobres. Eu tive essa graça de conhecê-la. Essa sua iniciativa da comenda, Girão, é extraordinária, e entregar para vocês essa comenda, Jorginho, é mais que uma obrigação. A Vila do Pequenino Jesus se confunde com a tua história de vida - está aqui um dos fundadores da vila. Quem não conhece ainda em Brasília a Vila do Pequenino Jesus precisa ir lá. É um lugar onde são acolhidos aqueles que a sociedade não quer, aqueles que a sociedade faz de conta que não existem. E alguns deles estão aqui, hoje. Os que estão aqui, hoje, estão em cadeiras de roda, mas a grande maioria deles estão na cama. Mas é na cama que eles dançam: eles têm quadrilha com a cama, eles fazem festa, eles dançam. E alguns desses - quase a maioria - o Jorginho teve que adotar como filhos, porque como é que o Jorginho chega ao hospital com uma jovem dessa, que não tem referência familiar? O hospital pergunta quem é o pai, quem é a mãe. Aí Jorginho teve que ir para a vara da infância, teve que ir para a vara da família pedir guarda, tutela e, em alguns casos, adoção. E a vila mexe com o nosso coração, porque tem a galeria daqueles que já foram para o céu. Então, nós temos uma galeria lá dos primeiros filhos do Jorginho. A vila lida com a vida e com a morte de uma forma peculiar, mas a vila está aberta para receber todos vocês. Na vila, quantas fraldas por dia, Jorginho? (Intervenção fora do microfone.) A SRA. DAMARES ALVES (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - A vila gasta 800 fraldas por dia para esses adultos, para os idosos, para esses jovens que não têm família, pessoas com deficiências, pessoas com doenças crônicas. E eles não dão conta de fazer tanta fralda. Então, eu queria fazer um convite. Meu gabinete, de vez em quando, vai para lá. Eu fecho o gabinete para a gente fazer fraldas. Eles não dão conta de fazer, então tem que ter estoque. Então, eu queria convidar os gabinetes do Senado: vamos passar um dia lá na vila, vamos almoçar com eles, vamos entender o que é um trabalho social sério de verdade. |
| R | Eu não vou falar muito, mas eu queria pedir permissão da Mesa para passar o vídeo institucional da vila, para vocês mergulharem um pouquinho na vila e dizer, Jorginho, em nome da nossa Governadora - que não pôde estar aqui, que te abraça -, e também da ex-Primeira-Dama - enquanto vocês preparam o vídeo -: teve um dia, Girão, em que eles não tinham dinheiro para pagar o salário do mês dos funcionários - e não tinha dinheiro, porque é assim a luta, né, irmã? Tem dia que não tem, né, Iprede? Tem dia que não tem. E a Primeira-Dama pegou um vestido, aquele vestido famoso dela, com que ela foi lá no encontro com a rainha, ela disse: "Vou fazer um leilão agora". Em duas horas, ela conseguiu pagar o décimo terceiro dos funcionários com um vestido. E tem sido assim, os apoiadores estão chegando. A Primeira-Dama Michelle também estaria aqui hoje, não pôde vir; acabou de mandar uma mensagem te abraçando. Todos podemos nos envolver com a obra social da Irmã Nilda, com o Iprede, com a vila, com as demais instituições sociais do Brasil que estão fazendo coisas incríveis nesta nação - incríveis! Quero abraçar todas as instituições. O terceiro setor, no Brasil, tem feito um trabalho incrível, e nós temos que apoiar o terceiro setor no Brasil Mas eu queria convidar vocês, para mergulhar mais um pouquinho na Vila do Pequenino Jesus. Vamos ver o vídeo. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Vamos ver o vídeo agora. Eu peço à Secretaria-Geral da Mesa a exibição do vídeo da Vila do Pequenino Jesus. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | A SRA. DAMARES ALVES (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Jorginho, homenageá-lo é homenagear toda a vila. Jorginho mora lá dentro. A vida dele é a vila, são os filhos que ele adotou. Que Deus o abençoe, Jorginho! Que você continue inspirando todo o Distrito Federal, todo o Brasil. Você disse "não" a uma carreira de sucesso, você disse "não" a uma vida comum, para dedicar sua vida a esses filhos que você ama. O Senado Federal se sente privilegiado em homenageá-lo nesta manhã. Nós, Senadores, todos nos sentimos privilegiados em homenagear a Irmã Nilda e o Iprede. Vocês são merecedores. E eu tenho certeza de que a Santa Dulce dos Pobres, lá no céu, está fazendo - porque ela era brava também - todos os anjos cantarem agora em homenagem a vocês também. Que Deus os abençoe! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Amém! Muito bem, Senadora Damares. É de arrepiar esse vídeo, lindíssimo, que fica nos Anais aqui da Casa. Esta sessão fica registrada nos canais aqui oficiais do Senado Federal. Com satisfação, eu convido o Sr. Jorge Eduardo Deister para receber a Comenda Santa Dulce dos Pobres, que será entregue pela brava Senadora Damares Alves. (Palmas.) (Procede-se à entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres ao Sr. Jorge Eduardo Deister.) O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Nelsinho, vamos para essa foto aí. (Risos.) Eu, com muita honra e alegria, concedo a palavra ao Sr. Jorge Eduardo Deister, que acabou de receber aqui a Comenda Santa Dulce do Pobres 2026. O SR. JORGE EDUARDO DEISTER (Para discursar.) - Bom dia a todos. Eu posso dizer que o meu apelido é Jorge Eduardo, mas o meu nome é Jorginho. (Risos.) É como todo mundo me conhece. Eu quero agradecer a Deus por ter os três Senadores aqui na mesa. O Senador Nelsinho eu não conhecia. E eu também vou contar uma história de bolo aqui, como o senhor contou a história de que o senhor comeu a metade do bolo, vou contar também aqui. |
| R | Senador Girão, que é um defensor assíduo da vida também, está sempre gritando pela vida. Esta Casa aqui não pode deixar entrar o aborto no Brasil, porque é a nossa matéria-prima, a matéria-prima da vila é a vida. Então, os senhores lutem por isso, tenham a vila como esteio. É muito importante o senhor ir lá para, quando o senhor gritar aqui pela vida, como a Damares luta, quando o senhor gritar, o senhor ver que tem pessoas lá que têm a vida muito debilitada, mas são filhos de Deus também. João 8,8: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância". Quem dá e quem tira a vida é Deus. Que nesta Casa aqui Deus possa habitar e não deixar entrar no nosso Brasil essa desgraça que os homens querem aprovar. Amém, Senador? (Palmas.) E a Sra. Senadora Damares, eu fico muito feliz de a senhora brigar por nós assim, fazer campanha para mim, mesmo não me sentindo merecedor de estar aqui. Damares já fez aniversário - se posso chamar a senhora assim com tanta liberdade -, já fez aniversário e chamou o gabinete para ir para a vila fazer fralda. Então, isso é uma coisa muito importante para a gente, a gente ver esse outro lado da Senadora, ver o humano, de levar a família dela, a filha dela, que é adotada, levar também à vila para passar o dia com a gente lá. Um gabinete que é aberto para a gente - vejo o Dr. Toccolini ali -, que está sempre escutando as nossas necessidades, com emenda parlamentar que ela destina para a gente lá. Hoje, recebendo essa comenda aqui, eu voltei um pouquinho no tempo, agora, aqui, porque eu não tive como escrever nada e lembrar nada. Eu me lembro da minha infância: a minha mãe, com muita simplicidade - minha mãe foi descendente de índio, então a gente foi criado com muita simplicidade -, a minha mãe fazia bolo, colocava numa caixa de sapato... Eu tinha, até há pouco tempo, essa caixa de sapato, que eu ia guardar na minha sala lá, mas a enchente entrou lá em casa e levou tudo o que a gente tinha, há pouco tempo teve uma enchente muito forte - eu sou de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. A minha mãe fazia, botava na caixa de sapato bolo, e eu botava numa garrafinha de café um pouquinho de Nescau e eu ia, de madrugada, levar para as pessoas de rua, porque Petrópolis é muito frio, muitos moradores de rua. Eu fui criado assim, mas eu só consegui entender o que é dor quando eu fui morar na rua, eu morei alguns dias na rua junto com eles, passando frio junto com eles, entendi o que é frio - aquela coberta chamada "peleja", se você cobre a cabeça, descobre a canela, se você cobre a canela, descobre a cabeça, não tem o tamanho de uma pessoa, eu usei muito aquela coberta ali na rua -, e ali eu fui experimentando o que é dor, o que é sofrimento. Eu também passei... Meus filhos não estão aqui porque estão na aula, eu não contei isso para eles ainda, mas eu vou ter (Manifestação de emoção.) (Palmas.) um dia, ainda, coragem de contar para meus filhos, porque eu fui preso com drogas, eu troquei tiro com a polícia. Tive sete amigos meus que foram assassinados perto de mim, e hoje eu vivo numa casa que tem pessoas que também trocaram tiro com a polícia e estão num estado vegetativo, num estado que depende de cuidados. Eu entendo o que é que eles passaram, eu passei por isso e eu vejo que... Posso dizer, assim, que Deus me permitiu passar por isso até para eu aprender a lidar com eles. |
| R | O meu pai morreu com AVC. Eu não conhecia o AVC. Hoje eu tenho vários lá em casa que tiveram AVC e tiveram a chance de continuar sua vida. Então, eu conheci, eu sei o que é dor. A gente falar de dor é muito simples, né? Mas viver com pessoas que passam dor é diferente demais. Lá na vila, a gente convive com pessoas que foram abandonadas. O fundador da vila está aqui. Eu queria que você ficasse de pé, Irone. Se você não conhece o Irone - fique de pé por gentileza, Irone -, eu vou quebrar o protocolo também, faz parte, entendeu? Uma salva de palmas para o fundador da vila. (Palmas.) O Irone é um empresário aqui em Brasília. Ele foi lá em Petrópolis me conhecer, conhecer a casa em que a gente trabalhava como voluntário e me convidou, a mim e à minha esposa, para vir para cá, para Brasília, para a gente começar esse projeto que Deus colocou no coração dele, que era para cuidar daqueles de quem ninguém quer estar perto, aquele que está abandonado. Em 2024 e 2025, a gente adotou, em 2025, quem estava morando no hospital - morando no hospital. A gente desospitalizou e trouxe para morar com a gente. Hoje são 104 os que moram lá na vila com a gente. E é, sim, uma alegria muito grande estar aqui junto com a irmã, que tem vários motivos para falar assim: "Eu vou me aposentar, eu vou parar". E olha a vida dessa mulher, gente! Está aqui conhecendo um pouquinho. A Joana me mostrou as fotos do centro deles lá. É quase uma cidade, é quase Petrópolis todo o centro em que elas trabalham lá no Ceará. O brasileiro é muito bom, meu irmão. A gente tem que olhar esse lado, o lado do brasileiro. Eu estou aqui com as Irmãs Pias, jovens que abriram mão das suas vidas, que vieram lá do Nordeste do Brasil, que vão também se consagrar para dar a vida pelo próximo. Eu estou aqui com o Luciano, que é um empresário que trabalha no Ceasa, que toda quinta-feira para o seu trabalho e vai - como é que se chamam lá os lugares? - a cada box pedir doação para a Vila do Pequenino Jesus, um cara que não é conhecido, que não é falado, mas faz um trabalho sensacional para a Vila do Pequenino Jesus (Palmas.), que está aqui hoje - muito obrigado, Luciano, por estar aqui. E eu não podia deixar de falar de você, meu amor, de agradecer a Deus. A Cássia é fisioterapeuta no papel, meu irmão, mas ela é a nossa Irmã Dulce de hoje. (Palmas.) Se você vai à vila, eu que vou receber você, vou tomar um café com você, vou aparecer na filmagem, vou dar entrevista, vou ser eu que vou estar com o microfone na mão, falando, gritando, mas quem vai estar lá dentro do quarto, vendo quem está com a saturação baixa, de quem tem que aumentar a saturação, quem está lá precisando de um cuidado, quem não fala, mas está sentindo dor, é ela, que conhece. Para vocês terem uma ideia, eu vou colocar isso num livro, porque eu vou escrever um livro, irmã. Quando eu crescer, eu quero ser igual à senhora, escrever um livro. Como disse o Senador Girão, eu vou escrever um livro. Uma vez nós fomos para Petrópolis. Lá nós tínhamos um acolhido que já faleceu, que já está junto com a Irmã Dulce, no céu, o Maycon. A Cássia perguntou assim: Maycon, o que você quer que eu traga de Petrópolis para você? Ela foi conversando com o Maycon, conversando com o Maycon - o Maycon não falava -, o Maycon foi mexendo os olhos, e ela entendeu que o Maycon queria uma calça jeans preta. Gente, uma calça jeans... Olhando assim, devem ter vários aqui que estão com calça jeans, mas ela conseguiu entender que o Maycon queria uma calça jeans preta. Ela trouxe a calça jeans preta de Petrópolis para o Maycon, e eu fiquei pensando: gente, como é que ela conseguiu isso? É a sensibilidade do amor, sabe? Então, Cássia, dizem por aí que os opostos se atraem e é mentira. O mesmo amor se atrai. Eu faço a minha parte na vila, mas a Cássia... Fique de pé, por favor, para todo mundo olhar para você, para todo mundo te conhecer. Eu sei que eu vou te lascar, que você não gosta, não. Olhe para lá para todo mundo te conhecer. (Palmas.) |
| R | Essa é a mulher que me deu... E, quando o Irone foi a Petrópolis, nós tivemos um mês, porque a gente namorava, para juntar tudo, para a gente se casar. Não tivemos lua de mel, foi tudo muito corrido. Não filmamos o nosso casamento. Viemos embora para começar a missão aqui em Brasília. Então, assim, ter esse reconhecimento desta Casa hoje é uma alegria muito grande, porque a gente vê que está no caminho certo. Quando eu vejo... Quando o Cardeal vai lá em casa, o D. Paulo vai lá em casa, a gente vê que a igreja está conhecendo a gente. Quando eu vejo os senhores falando da vila, a Sra. Damares indo à nossa casa, eu vejo que os Senadores estão conhecendo a vila e vendo que a gente está no caminho certo também. Então, assim, nós temos ainda a força. Como diz o nosso fundador aqui, o Presidente, nós temos força para cuidar de muitos outros ainda, fazer muito mais ainda, mas nós queremos estar mais conhecidos em Brasília, sabe? Tem muitos aqui, com certeza, que não conhecem a Vila do Pequenino Jesus. Nós estamos a cinco minutos daqui. E ter essa oportunidade, ter essa experiência um dia de ir lá conhecer a vila, estar perto daqueles que estão abandonados... Como disse um dia Francisco de Assis, se somos filhos do mesmo Deus, por que não vivemos como irmãos? Lá está filho de Deus como cada um de nós. A Daniela, que trabalha no Senado, também está aqui e teve uma experiência muito grande com o nosso Bruce lá. O Bruce tinha uma doença degenerativa, a doença de Huntington, que é uma doença muito forte, em que a mente continua preservada, mas o corpo vai atrofiando, vai atrofiando. A Daniela esteve lá várias vezes visitando o Bruce, e o Bruce nunca falou uma palavra com você, não é, Daniela? Mas transpassou o teu coração, não transpassou? Então, lá, meu irmão, nós temos Jesus para cada um de vocês. Espero que vocês um dia estejam presentes lá para vocês terem essa experiência com a Vila do Pequenino Jesus. Eu queria terminar fazendo uma provocação até mesmo para a Primeira-Dama, para a Michelle Bolsonaro, porque ela é muito faca no dente quando fala assim em meta. Ela esteve lá na vila um tempo atrás e bateu o recorde de fraldas junto com a equipe dela. Ela divulgou no Instagram dela, fizeram 11.750 fraldas. Ela saiu de lá toda prosa porque bateu o recorde. Espero que esse vídeo chegue até ela, se ela não estiver assistindo a gente, porque esse fim de semana teve um mutirão de fralda, e bateram o recorde da senhora, D. Michelle. (Risos.) Bateram o recorde da senhora. A vila foi invadida pela sociedade. Estiveram lá entre 350 e 400 pessoas, que fizeram 12.451 fraldas. Então, a senhora arrume um tempo na agenda da senhora. O próximo mutirão, dizendo para vocês já, será no dia 11 de julho. A Senadora Damares já fez a provocação aqui para aqueles que puderem, estiverem em Brasília e quiserem estar lá, levar a família de vocês, os filhos de vocês para ter essa experiência. Estaremos lá no dia 11 de julho, de 9h até meio-dia, aguardando, porque fralda é o início da dignidade na Vila do Pequenino Jesus. Então, agradeço a todos vocês pela atenção. Mais uma vez eu quero agradecer a todos os Senadores pela presença, por estarem aqui agraciando a mim, a todos os acolhidos da Vila do Pequenino Jesus, ao Presidente que está aqui, ao conselho que está aqui, ao Noel, à Dalva, aos outros que não puderam vir e à minha esposa, porque esse título também faz parte de você. |
| R | Então, tem o Evilásio, que está aqui, é o primeiro que está aqui; a Vanessinha, que está ali, toda vergonhosa; o Ricardo - levante a mão aí Ricardo, para todo mundo conhecer o Ricardo -; a Lucimara, a nossa Lulu. A Lucimara... É muito interessante, porque ela mora no segundo andar da nossa casa - nós temos dois andares - e ela vai ao andar de baixo, às vezes, e fala assim: "Aqui moram os pobres, porque eu moro na cobertura, eu moro na cobertura". Ela zomba dos próprios irmãos... (Palmas.) ... brincando com os próprios irmãos. Por último, lá está o Leandro também, nosso grande flamenguista; e aqui ao lado está o Ari, o Arinaldo, que fez faculdade de Jornalismo, mora com a gente há um ano já - está lá escrevendo um livro, agora, da história dele com a vila, de tudo que está passando com a vila - e está aqui nos agraciando também. Então, muito obrigado a vocês. Vocês é que são merecedores de todo esse título aqui, porque vocês que fizeram a vila chegar até aqui, a gente chegar até aqui. (Palmas.) Que Deus abençoe todos. O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Amém - amém. Olha, que cerimônia forte, hein!? Jorginho, parabéns pela sua vida. Deus abençoe a sua existência dedicada ao próximo. Sua esposa aqui presente, a Cássia, seja muito bem-vinda, e todos que fazem parte da Vila Pequenino Jesus. Inclusive, o Ari, que eu conheci ali, o Arinaldo, é lá do Rio Grande do Norte, é meu vizinho, é nordestino. A gente bateu um papo ali e ele já mandou um abraço para o Senador Styvenson, que está nos assistindo aqui. Se não estiver, eu vou mandar para o Senador Styvenson este vídeo. Ele vai ficar muito feliz; é um Senador muito humano, muito querido também. Eu queria aproveitar e registrar aqui um presente que eu recebi, que é este livro, Capela no descampado: Planalto Central, altar brasileiro. Ganhei pouco antes de começar esta sessão, o livro é da Tania Malinski. Muito obrigado pelo presente. Quero também registrar a presença da Silvana Bezerra, que está aqui, minha amiga, minha irmã. Nada é por acaso. Antes de começar esta sessão eu estava com ela no Congresso Nacional, onde houve uma sessão solene dos cem anos, centenário, de Adauto e Humberto Bezerra, que foram Congressistas, grandes representantes do Estado do Ceará. A nossa querida Silvana é viúva do Adauto Bezerra, um grande homem de bem, que transformou o Cariri, Juazeiro e todo o Ceará, um grande empreendedor. Quero cumprimentar o Rodrigo Pena Barbosa, a Vera Lúcia Barbosa, José Wilson Barbosa, a Janaína Pena também, que estão conosco. Muito obrigado pela presença aqui neste evento emblemático, histórico, que nós estamos fazendo. Eu também quero fazer aqui uma troca de Presidência. Eu vou pedir para o nosso querido Presidente Nelsinho Trad assumir aqui a Presidência desta sessão, para que eu possa aqui fazer o meu pronunciamento e entregar a comenda para o Iprede. Então, Nelsinho, por favor. (Pausa.) (O Sr. Eduardo Girão deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Nelsinho Trad.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Com muito prazer, assumo a Presidência e, neste momento, concedo a palavra ao Senador Eduardo Girão, do Partido Novo. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) - Paz e bem, meu querido irmão Senador Nelsinho Trad, Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Brasil; minha querida irmã Senadora Damares Alves, que eu tive o privilégio de conhecer, antes de sonhar em estar na política brasileira, como Parlamentar, porque Deus me colocou aqui, Irmã Nilda, por um milagre, e uma das fontes de inspiração foi a Senadora Damares Alves, pelas causas que ela sempre abraçou, Jorginho, em defesa da vida, da família, da vida desde a concepção até a morte natural e - quis o destino - Deus nos trouxe para estarmos juntos aqui, neste momento tão dramático do nosso amado Brasil. Servimos, junto com o Senador Nelsinho, com os Senadores aqui, no limite de nossas forças, para cumprirmos o nosso dever e, com Jesus, tudo flui, tudo dá certo e está dando certo. Eu quero hoje cumprimentar vocês todos que aqui estão, nos dando a honra da presença de vocês, neste momento que, não tenham dúvida, traz luz, traz uma energia positiva para este Senado Federal. Nós, quando os recebemos, quando estamos com a oportunidade de fazermos sessões como esta, especiais - de cultura da paz, da caridade, que é o amor em ação -, a gente fica muito feliz, porque a gente percebe uma mudança na atmosfera. Fica diferente! E esse tipo de energia... Eu falo para quem está nos ouvindo e nos assistindo, que ora pelas autoridades todas do Brasil, que ora por nós, porque é justamente por causa dessas orações, dessas preces, que a gente está em pé, combatendo o bom combate. Continue orando! Vai dar tudo certo! Com muita fé e esperança, nosso Brasil vai estar no topo do mundo, porque ele é, sim, o coração do mundo, a pátria do Evangelho. Olhe, a Casa revisora da República reúne-se hoje para entregar a Comenda Santa Dulce dos Pobres ao Instituto da Primeira Infância (Iprede), de Fortaleza, no Ceará; à Irmã Nilda Cavalcante, de Mato Grosso do Sul; e ao Sr. Jorge Eduardo Deister, o Jorginho, que é do Rio de Janeiro, mas já abraçou aqui a nossa capital federal com muito amor no trabalho desenvolvido pela Vila. A comenda é concedida anualmente pelo Senado Federal a pessoas físicas ou jurídicas que tenham prestado serviços relevantes na área social da saúde. Trata-se de uma homenagem que faz referência a um dos maiores exemplos de amor ao próximo que tivemos no mundo, no século passado. Santa Dulce dos Pobres: eu digo aqui, para quem não a conhece, tem várias biografias dela. Tem um filme que foi lançado em 2014, que eu recomendo, que mostra um pouco da vida dessa grande brasileira, dessa baiana, que muitos de nós conhecemos como Irmã Dulce. Ela teve uma trajetória que inspirou a criação desta premiação. |
| R | Desde muito cedo, Irmã Dulce mostrou vocação para servir aos mais necessitados, influência direta de sua formação familiar. Ainda na juventude, após conhecer de perto a realidade das áreas mais pobres de Salvador, dedicou-se de corpo e alma à vida religiosa. Apesar de ser recusada em um convento por conta da pouca idade, transformou a própria casa em espaço de acolhimento, cuidando de doentes e de pessoas em situação de abandono. A partir da década de 1930, ela se destacou nacionalmente por seu trabalho humanitário, sobretudo junto à comunidade dos Alagados, em Salvador. Ali passou a ser conhecida como o Anjo dos Alagados. Na mesma época, apoiou trabalhadores e fundou a União Operária de São Francisco. Em 1959, criou as obras sociais Irmã Dulce, que deram origem ao Hospital Santo Antônio, hoje referência na Bahia. Inclusive, Presidente, Senador Nelsinho Trad, o Senador Otto Alencar, que o senhor bem lembrou aqui com muito carinho, que é o Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, trabalhou lá, fazendo cirurgias lá. E tem o maior... Toda vez que ele conta, ele realmente se emociona. A Irmã Dulce tem uma atuação reconhecida internacionalmente, inclusive pelo Papa João Paulo II, que visitou suas obras durante passagem pelo Brasil. Naquela época, eu lembro, eu era pequenininho, lá em Fortaleza, eu fui para as ruas com a minha família, com uma bandeirinha, passando João Paulo II. Tinha aquela música, né? João Paulo II... Aquilo emocionou muito, tive essa oportunidade. Acho que foi em 1981, se eu não me engano, 1980, 1981, a nossa secretaria vai pesquisar, que João Paulo II passou aqui pelo Brasil. Faleceu a Irmã Dulce em 1992, e foi canonizada em 13 de outubro de 2019, quando lhe foi atribuído o título canônico de Santa Dulce dos Pobres. Foi, inclusive, Senador Nelsinho, uma comitiva aqui do Brasil lá para Roma. Nesse dia, eu lembro, a gente já estava aqui no Senado, o Senador Otto foi, não sei se o senhor também teve... (Intervenção fora do microfone.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - O senhor não foi... Eu acho que o Presidente Rodrigo Pacheco... Não, era o Davi Alcolumbre, naquela época, não era? Em 2019. Foi uma comitiva aqui do Senado participar. Senhoras e senhores, a Comenda Santa Dulce dos Pobres reconhece, nos agraciados de hoje, a mesma dedicação à solidariedade, ao cuidado e ao compromisso com os mais vulneráveis, de quem inspirou esse trabalho, essa comenda que a gente tem aqui. E é justamente o Senado Federal reafirmando a centralidade dos valores humanos que sustentam uma sociedade mais justa e mais fraterna. Esta homenagem vai além do reconhecimento individual ou institucional. Ela destaca exemplos concretos de empatia e de serviço que fortalecem o tecido social e inspiram a construção de um país fundado na justiça e na compaixão. |
| R | Valorizar iniciativas que promovem dignidade, inclusão e cuidado com os necessitados: esta é a centralidade, a premissa desta comenda. Ao evidenciar ações coletivas e o engajamento cidadão, o Senado perpetua o legado de Santa Dulce dos Pobres e incentiva novas gerações a seguirem o caminho do altruísmo, da responsabilidade social e do bem comum. O Iprede - e aí eu quero começar a falar do nosso Iprede, eu, que sou cearense - faz um trabalho fabuloso há 40 anos. A gente já conheceu um pouco da história aqui da nossa Irmã Nilda, também do Jorginho, dos trabalhos assistenciais capitaneados por eles, mas o Iprede... Eu tive a oportunidade de conhecer há pelo menos três décadas o trabalho do Iprede, que é uma referência no Estado do Ceará. Mas antes de eu falar do Iprede, eu quero pedir à Secretaria-Geral da Mesa, se o Presidente concordar, para passar um vídeo do atual Presidente, meu amigo, um homem de bem, um homem extremamente caridoso, que não pôde vir, foi proibido de viajar. Ele é professor da Universidade Federal do Ceará, está representado por sua filha aqui, a Joana, que está aqui conosco e daqui a pouco vai receber a comenda e dar uma palavra para nós. Agora, eu queria passar esse vídeo do Dr. Sulivan Mota, que não pôde vir, mas mandou esse vídeo carinhosamente para o Senado. O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Neste momento, solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo do Dr. Sulivan Mota, Presidente do Iprede. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) - Presidente, o senhor entendeu o tamanho da coincidência? O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Fora do microfone.) - Nada é coincidência. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Não existe coincidência, mas hoje, dia 16 de junho... E eu vou falar uma coisa aqui: eu não estava sabendo, tá? Quando vi o vídeo aqui, eu comecei a procurar. A Secretaria estava sabendo que hoje era o dia dos 40 anos do Iprede? Eu não estava sabendo disso. Então, para mim, isso é um sinal, porque esta data de hoje aqui foi marcada pela Secretaria-Geral da Mesa, aproveitando um dia que geralmente os Senadores estão na Casa para prestarem suas homenagens, que é uma terça-feira. (Intervenção fora do microfone.) O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Não tenha dúvida de que isso, como disse a Senadora Damares ali, são coisas de Santa Dulce dos Pobres. Mas o Iprede, criado há 40 anos - completando hoje aniversário -, em 1986, em Fortaleza, nasceu com o propósito de enfrentar a desnutrição infantil e reduzir situações de vulnerabilidade social. Consolidou-se como centro de referência em primeira infância, com ações voltadas à produção de conhecimento, à educação e à inclusão social, com especial atenção ao fortalecimento das mulheres e das famílias atendidas. Eu tenho um critério muito rigoroso para a utilização das emendas ao Orçamento, estritamente constitucionais, desde que assumi o mandato, e nós conseguimos, neste mandato, viabilizar recursos para o fortalecimento e a ampliação da unidade de Fortaleza, que é a sede. E, pela primeira vez nesses 40 anos, desde o ano passado, nós conseguimos a implantação dos polos do Sertão central, lá em Quixadá, que está beneficiando o Sertão central cearense, o Vale do Jaguaribe, e agora, este ano, o centro-sul do Ceará, que vai ser instalado uma unidade do Iprede ali em Iguatu. Então, eu fico muito feliz dessa expansão de algo que vem dando certo e de, com toda essa experiência, esse trabalho de expertise humano, o Iprede sair de Fortaleza, da capital, e alçar voos maiores no interior do nosso estado, que é a Terra da Luz. É necessário saudar a homenageada Irmã Nilda Cavalcante, nascida em 1934, que manifestou vocação religiosa desde cedo. E, ao longo de sua vida, dedicou-se à educação, ao trabalho pastoral, à gestão hospitalar - o que a gente viu aqui mais cedo. Dirigiu o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, no Mato Grosso do Sul, em dois períodos, de 1981 a 1984 e de 2020 a 2023, deixando um legado de humanização, eficiência administrativa e compromisso com o cuidado. |
| R | Jorge Eduardo Deister - o Jorginho -, Coordenador Geral da Vila do Pequenino Jesus, em Brasília, instituição que acolhe mais de cem pessoas com deficiência, oferecendo atendimento multidisciplinar, alimentação adequada, carinho e assistência integral. Tenho meu compromisso, vou com a Senadora Damares visitar a instituição ainda no mandato, se Deus quiser. Eu renovo meus parabéns a todos os agraciados. E quero agradecer, em nome do Senado Federal, pelos serviços e pelo exemplo que oferecem a todo o povo brasileiro. Paz e bem. Muitíssimo obrigado. E aqui, Presidente, o presente que eu acabei de receber aqui do Sílvio Rabelo, a Joana trouxe em mãos para mim, que é um pintor cearense. E eu recebo aqui esse presente. Muito obrigado. Que Deus abençoe a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Com satisfação, convido a Sra. Joana Mota Clemente, que representa o Instituto da Primeira Infância (Iprede), do Ceará, instituição a ser laureada com a Comenda Santa Dulce dos Pobres, que será entregue pelo DD. Senador Eduardo Girão. (Procede-se à entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres à Sra. Joana Mota Clemente.) (Palmas.) (O Sr. Nelsinho Trad deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pela Sra. Damares Alves.) A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Eu, com muita alegria, concedo a palavra à Sra. Joana Mota Clemente para a sua fala. A SRA. JOANA CANTIDIO MOTA CLEMENTE (Para discursar.) - Que honra fazer parte deste momento com Irmã Nilda e Jorginho, que acabei de conhecer. Irmã Nilda, tenho aí, se Deus me der, a honra de viver por 49 anos à frente, servindo, e chegar à sua marca de 70 anos de dedicação ao próximo, que é o que eu acredito, que é o sentido da vida. |
| R | E a você, Jorginho, meus parabéns. Que trabalho lindo! Acredito piamente no que você colocou quanto aos nossos esposos ou esposas. Eles são os verdadeiros guerreiros, porque a nossa agenda não é nossa, a nossa agenda sempre é a do outro. E, portanto, não é qualquer um que vai estar do nosso lado. Exma. Sra. Presidente, Senadora Damares, nosso querido Senador Eduardo Girão, autoridades presentes, senhores e senhoras, como bem disseram o Dr. Sulivan e o Senador Girão, hoje é um dia especial, porque hoje estou fazendo 40 anos. Meu nome é Iprede, nasci em Fortaleza em 1986 e, antes de qualquer coisa, quero contar-lhes um segredo. Durante toda a minha vida, eu caminhei ao lado de uma mulher que nunca conheci, uma mulher pequena, pequena no tamanho, gigante na coragem, gigante na fé, gigante na capacidade de enxergar aquilo que ninguém via. Seu nome era Irmã Dulce. Quando eu era criança, ouvi uma história sobre ela. Diziam que, quando não havia camas para acolher os doentes, ela improvisava; quando não havia recursos, ela persistia; mesmo quando diziam "não dá", ela perguntava "mas e quem precisa?". E esta pergunta nunca saiu da minha cabeça: e quem precisa? Talvez essa seja a pergunta mais revolucionária que alguém possa fazer, porque, quando olhamos quem precisa, as desculpas perdem força, e os muros perdem sentido, a indiferença perde espaço, e o amor encontra caminho. Foi assim que comecei a minha jornada, primeiro tentando combater a desnutrição infantil, depois compreendendo que a fome era muito maior do que a ausência do alimento, descobrindo que existem fomes invisíveis: a fome de oportunidades, a fome de pertencimento, a fome de afeto, a fome de futuro. E, então, eu fui crescendo. Hoje, eu sou uma criança de 40 anos, uma criança que aprendeu a unir aquilo que muitas vezes parece distante: a ternura e a ciência, a compaixão e a evidência, o acolhimento e o conhecimento. Se Irmã Dulce nos ensinou a enxergar as pessoas, a ciência nos ensinou como transformar esse olhar em desenvolvimento humano. Hoje, atendemos mais de 4 mil crianças, crianças que chegam trazendo histórias, desafios, sonhos e potencialidades, entre elas, centenas de crianças autistas e outras com atrasos no desenvolvimento, que encontram não apenas terapias, mas oportunidades reais de inclusão, participação e pertencimento. E eu quero confessar algo: o maior segredo do Iprede nunca foram as crianças, o maior segredo do Iprede sempre foram as mulheres. Aprendemos uma verdade profunda: não existe infância protegida sem uma mulher fortalecida, não existe futuro transformado sem alguém que tenha tido a oportunidade de reparar suas próprias feridas. Por isso, trabalhamos todos os dias para que mulheres reencontrem suas forças, sua autonomia, sua dignidade e seus sonhos. Costumo dizer que o Iprede existe para reparar o passado daquelas mulheres que não tiveram o direito de vivenciar a infância, mas o Iprede existe para garantir o futuro de milhares de crianças que começam agora, no presente. |
| R | Quando uma mulher atravessa nossas portas, queremos que ela reencontre a sua potência. Quando uma criança por ali passa, queremos que ela se encontre com a sua infância. Quando qualquer pessoa atravessa as nossas portas, desejamos que ela volte a se conectar com aquilo que existe de mais humano dentro de cada um de nós, que é a nossa criança interior, porque ali é que mora a nossa capacidade de sonhar, a nossa capacidade de acreditar, a nossa capacidade de cuidar e ser cuidado. Senhoras e senhores, cuidar é um ato profundamente transformador. A ciência já nos mostrou que os primeiros anos de vida moldam o desenvolvimento cerebral, emocional e social de uma criança, mas a Irmã Dulce já sabia disso sem precisar de artigos científicos. Ela sabia, porque compreendia algo fundamental: ninguém floresce sem cuidado, ninguém se desenvolve sem vínculo, ninguém alcança seu potencial quando cresce cercado pela ausência. Talvez seja por isso que, passados tantos anos, ela continue tão atual, porque o mundo mudou, as pesquisas avançaram, as tecnologias evoluíram, mas a necessidade humana de ser visto, acolhido e amado continua exatamente a mesma. Hoje, ao receber a Comenda Santa Dulce dos Pobres, sentimos que ela não homenageia apenas uma trajetória; ela reafirma um compromisso: o compromisso de continuar olhando para quem ninguém vê, o compromisso de continuar acreditando nas pessoas antes mesmo que elas acreditem em si mesmas, o compromisso de continuar transformando cuidado em oportunidade. Eu quero dirigir uma palavra especial a você, Senador Girão, porque existem pessoas que apoiam causas sociais porque ocupam cargos políticos, mas existem aqueles que ocupam cargos políticos por passarem a vida inteira apoiando causas sociais. O senhor pertence ao segundo grupo, e eu sou prova viva disto, de que, muito antes dos seus mandatos, muito antes de qualquer tribuna, o senhor estava presente, acreditando, incentivando, estendendo a mão e fortalecendo iniciativas que trabalham diariamente em favor dos vulneráveis. Receba nossa profunda gratidão. Sua indicação não é apenas um gesto institucional; é o reconhecimento de uma caminhada compartilhada na defesa da dignidade humana. E agora, se me permitem, eu quero terminar como eu comecei, falando como uma criança, porque, apesar dos meus 40 anos, ainda acredito nas mesmas coisas: ainda acredito que nenhuma criança deveria passar fome, que nenhuma mãe deveria andar sozinha, que ninguém deveria ser invisibilizado. Eu continuo acreditando que o mundo muda quando alguém decide olhar para quem ninguém está olhando. Foi isso que a Irmã Dulce fez, é isso que o Iprede tenta fazer há 40 anos e é isso que continuaremos fazendo, porque algumas pessoas passam pela vida, mas outras deixam luz suficiente para iluminar o caminho dos que vêm depois. Quando eu olho para a Irmã Dulce, eu não vejo apenas uma santa; eu vejo uma lembrança: uma lembrança de que ninguém começa gigante - nem pessoas, nem instituições, nem sonhos. Ela começou quase sozinha, nós começamos pequenos, mas aprendemos com ela que grandeza não é o tamanho da estrutura que construímos; grandeza é o número de vidas que ajudamos a florescer. |
| R | E se hoje, aos 40 anos, alguém me pergunta o que eu quero para o futuro, eu responderei com simplicidade: que nunca nos falte coragem para começar, porque foi assim com a Irmã Dulce, é assim com o Iprede e é assim que continuaremos, fazendo dos pequenos começos a construção das grandes jornadas. Muito obrigada. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Para discursar - Presidente.) - Obrigada, Joana. Que Deus abençoe todos que fazem parte do Iprede, essa instituição linda, extraordinária! Assim, nós estamos chegando ao final da nossa sessão solene, uma sessão especial, e eu queria dizer para os presentes, que estão aqui, que, às vezes, o Brasil olha pela televisão para o Senado e fala o seguinte: "Que lugar horroroso, que lugar de podridão, de mentirosos, de corruptos". Não é bem assim - não é bem assim. Eu quero dizer para os senhores que na lama também nascem lírios, e nós temos lírios nesta Casa, nós temos Senadoras e Senadores (Palmas.), homens e mulheres do bem nesta Casa, que amam o Brasil. Este Plenário aqui é palco de muitas brigas - muitas brigas -, grandes discussões e grandes decisões. As decisões do Brasil passam por este Plenário azul, mas este Plenário aqui também já foi palco de morte. Está na história, vocês sabem: um Senador matou outro Senador aqui, dentro deste Plenário. Lembram, né? É bom a gente lembrar a história, mas hoje este Plenário está diferente. Ele está azul no painel, ele está azul no chão. Há um clima diferente neste Plenário aqui hoje. Há um clima de paz, há um clima de bênção, e eu quero que o Brasil todo olhe para esta sessão e entenda que o Senado parou tudo o que estava fazendo hoje. Todos os olhares do Senado estão voltados - até as Comissões se cancelaram - para este Plenário, porque Deus queria que esta sessão acontecesse num período de tanta briga no Brasil. As pessoas estão brigando por coisas tão banais. As pessoas estão se matando no Brasil. Há uma onda de violência nesta nação que a gente não consegue entender. Basta olhar para uma pessoa, e você pode morrer porque olhou para uma pessoa. Há tristeza nesta nação. Mas hoje o Plenário dá uma lição para o Brasil de que é possível a gente ter uma nação de paz, porque tem pessoas do bem lá na ponta, como a Irmã Nilda, como o Jorginho, como a equipe do Iprede, fazendo a diferença. Mantenham-se firmes! O que nós fizemos aqui... não é que vocês precisavam disso; éramos nós, Senadores, que precisávamos homenageá-los - é diferente. Nós que precisávamos homenageá-los, não vocês que precisavam receber essa comenda. |
| R | Hoje é um dia especial para o Senado Federal. É um dia diferente. Que a gente saia daqui proclamando a paz que vocês proclamam todo dia cuidando dos mais vulneráveis. Que a gente saia daqui com vontade de lutar muito. E, quando eu vi a Irmã Nilda ali naquela tribuna com 92 anos - eu estou com 62 e falei para as meninas que às vezes eu me sinto tão cansada -, eu lembrei "epa, eu ainda posso ter mais 30 anos dando trabalho para muita gente no Brasil". Atenção, corruptos e pedófilos, eu acho que eu ainda tenho mais 30 anos. Que Deus abençoe todos vocês! Senador Girão, no ano que vem você não vai estar aqui. Você não será mais Senador - ele não quer mais ser Senador; se quisesse, seria reeleito, mas quer ser Governador. Mas, no ano que vem, na realização desta sessão, porque aqui agora se perpetuou - essa é uma comenda do Senado Federal para a eternidade -, nós gostaríamos muito que você estivesse aqui na próxima sessão da Comenda Santa Dulce. E a gente vai ver quem a gente vai homenagear. A vontade é pôr 500 pessoas aqui sendo recebidas, porque tem muita gente que merece. Mas a gente encerra esta sessão hoje... O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Presidente, pela ordem, rapidamente. Em primeiro lugar, eu quero dizer que pode me incluir nesse Grupo Brasil-República Democrática do Congo. Pode me incluir que eu vou com a senhora, porque o que é certo, é certo, a gente precisa fazer. Muito obrigado pela sua presença aqui. E eu queria registrar outra presença neste momento aqui, que é um homem de bem, um homem que eu também pude admirar antes de chegar na vida pública: é o nosso querido irmão Deputado, que foi Ministro - foi Ministro, e de causas boas, Ministro de uma pasta que fazia o bem, que levava projetos para as pessoas se edificarem -, hoje Deputado, Osmar Terra. Eu peço uma salva de palmas para ele, que veio também aqui prestigiar e, não por acaso, está aqui conosco também nesta sessão. (Palmas.) Então, toda a minha gratidão aos agraciados. Parabéns mais uma vez. Joana, a sua fala eu acolho com muito amor, com muito respeito. E continuamos juntos! Independentemente de mandato, o Iprede sabe que pode contar com esse cidadão cearense sempre. Deus abençoe! A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Cumprimento o Deputado Osmar. Só um segredinho: ele era Parlamentar, eu e Girão éramos ativistas. E era no gabinete dele que a gente ficava, lembra Girão? O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) - Lembro. A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Olhe o que Deus faz com a gente. Ele continua Parlamentar... Depois foi meu colega Ministro, cuidamos do Brasil juntos. O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) - Referência na defesa da vida sem drogas. A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Exato. E da primeira infância. Ele é o nome da primeira infância no Parlamento. Que honra ter o senhor aqui nesta sessão tão especial. O senhor nos inspira muito, Deputado Osmar Terra. E assim a gente encerra esta sessão, agradecendo a presença de todos. Que Deus os abençoe! E eu tenho certeza, Jorginho; eu tenho certeza, Irmã Nilda; eu tenho certeza, Iprede, que os céus estão em festa hoje pela homenagem que estamos prestando a vocês. Nada mais tendo a tratar, convido os agraciados para uma foto conjunta aqui em frente. Cumprida a finalidade desta sessão de entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres 2026, agradeço as personalidades que nos honraram com sua participação. |
| R | Torçam pelo Congo na Copa, porque a seleção do Congo está lá na Copa, fazendo bonito. Nada mais havendo a tratar, eu encerro esta sessão. (Levanta-se a sessão às 12 horas e 16 minutos.) |


