4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 16 de abril de 2026
(quinta-feira)
Às 15 horas
38ª SESSÃO
(Sessão Especial)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão.
Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos.
Paz e bem a todos vocês!
É uma honra e uma alegria o Plenário bicentenário do Senado Federal brasileiro, da nossa República do Brasil, estar aqui recebendo uma sessão solene para homenagear - com todo o respeito a quem pensa diferente, mas, para mim e para a torcida do Flamengo, como se diz, é um gênio do humor brasileiro, é tão gênio, é tão talentoso e corajoso - o nosso querido Chico Anysio, que deixou um legado que transcende o humor.
Esta semana é uma semana muito emblemática. Já começou com o Dia do Humorista, que é no dia do aniversário do Chico Anysio, no Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia, que nós vamos entender aqui exatamente o que significa, até porque nós sabemos que o Chico Anysio teve a ousadia de falar por milhões através da sua dor, da provação que ele teve com relação à depressão. Aqui nós temos presente, inclusive, a Associação Brasileira de Psiquiatria, que ressignificou essa data tão importante e teve uma influência direta na história do Chico Anysio.
Eu fico muito feliz em estar aqui com um conterrâneo que eu admiro, de Maranguape, que fica ali na Região Metropolitana de Fortaleza, onde eu nasci. Recebo todos vocês que aqui estão e que vieram, nesta tarde de quinta-feira, ao Plenário do Senado Federal, para a gente fazer esta justa homenagem, com a presença da querida Malga di Paula, esposa do Chico - a última esposa, que passou aí os últimos 14 anos da vida desse grande cearense, desse grande brasileiro, desse grande humanista Chico Anysio.
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Eu queria dizer que esta presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento nº 220, de 2026, da autoria desta Presidência e de vários outros Senadores, aprovado pelo Plenário do Senado Federal, por unanimidade, diga-se de passagem. A sessão é destinada a homenagear o legado de Chico Anysio.
Quero agradecer publicamente o Presidente Davi Alcolumbre por ter colocado esta sessão. Expliquei a importância do Chico Anysio, e ele, prontamente - que é um admirador também do Chico - disse que poderíamos fazer esta sessão nesta tarde aqui, em que normalmente não tem sessão deliberativa. É uma tarde para homenagens, para fazer sessões solenes.
Estou tendo a honra de ter aqui ao meu lado um grande Senador aqui do Distrito Federal, o Senador Izalci Lucas, que está comigo em muitas frentes aqui, e com os outros colegas também, dignifica o Senado Federal, a Casa revisora da República, é um admirador também do Chico e fez questão. Disse: "Girão, estarei lá com vocês nessa data tão marcante".
Então, compõem a mesa desta sessão especial o Senador Izalci; a Sra. Malga di Paula, que é viúva do homenageado; também o Sr. Edgar Lagus, Presidente da organização judaica de ação social e direitos humanos B'nai B'rith do Estado de São Paulo - muito importante a presença; muito obrigado, Dr. Edgar -; a Sra. Fernanda Bernstein - muito obrigado; uma pessoa que é muito conhecida, aqui em Brasília e no Brasil, pelo seu trabalho talentoso de mentoria e também pelo seu ativismo em boas causas -; o Sr. Francisco Cardoso, Conselheiro do nosso Conselho Federal de Medicina - muito importante o Dr. Francisco Cardoso -; e também, de forma remota, nós teremos aqui a presença de dois Senadores, com quem eu tive a oportunidade de falar por telefone. Foi uma semana muito agitada aqui em São Paulo, e muitos têm compromisso nos seus estados - é assim no dia a dia da Casa revisora da República -, mas eles fizeram questão de: "Olha, eu queria homenagear, porque eu admiro, eu tenho muita consideração e gratidão"; o Senador Cid Gomes, de quem a Malga inclusive me falou ontem que o Chico Anysio gostava muito da família, e o Sr. Nelsinho Trad, porque, para a gente, o Nelsinho é aquele que faz um pouco o papel ali do humor dentro do grupo, para relaxar um pouco dentro de tantas atividades e desafios que a gente tem aqui, o Nelsinho é aquele que quebra um pouco esse clima um pouco pesado aqui do Senado.
Temos também a presença ilustre da Sra. Zélia Cardoso, que foi Ministra de Estado da Economia, Fazenda e Planejamento do Brasil, no período de 1990 e 1991. É a mãe de Rodrigo e Victoria, filhos do homenageado, e foi esposa do Chico Anysio. Ela, segundo a Malga di Paula, que fez uma entrevista que me tocou profundamente... E eu quero dizer, para quem não assistiu a essa entrevista, procure assistir, com o grande jornalista Rodrigo Alvarez, que foi correspondente internacional, fez grandes reportagens na Globo e hoje faz cobertura de eventos religiosos. Ele fez essa entrevista muito profunda com a Malga di Paula, agora no final do mês de fevereiro. Eu tive a oportunidade de assistir e me emocionar com a Márcia, minha esposa, e com o meu pai, Clodomir, que está assistindo a esta sessão. E a Malga falou sobre a importância da Zélia Cardoso na vida do Chico Anysio, eu achei muito bonito o que falou, porque o Chico Anysio era muito desprendido de coisas materiais e terminou alguns casamentos, foram terminados, e ele saía com a roupa do corpo e, muitas vezes, teve que organizar a vida inteira dele. E, a partir da Zélia Cardoso, a vida econômica, financeira foi organizada, e ele depois teve uma tranquilidade nessa questão material, graças a Deus.
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O Sr. Antônio Geraldo da Silva, Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, que está em Barcelona, fez questão de participar, vai entrar virtualmente.
Este grande ator, de quem eu também sou um admirador, Stênio Garcia, e sua esposa, Marilene Saade, que são amigos da família, muito amigos, fizeram questão de participar. Muito obrigado, Stênio Garcia.
E também nós teremos um vídeo que foi feito com muito carinho, com muito amor, pelo Ricardo Feltrin, jornalista, Márvio Lúcio, humorista e locutor, e Nelson Freitas, ator, que enviaram um vídeo especial para este momento.
Então, antes de a gente iniciar aqui - já iniciamos, mas antes de iniciarmos as falas dos convidados -, eu convido a todos para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional brasileiro, que será interpretado pela cantora Marta Cristina.
Muito obrigado, Marta, pela sua presença.
(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem. (Palmas.) Excelente.
Marta Cristina, muitíssimo obrigado pela sua presença, pela emoção, pelo amor que você traz, com o nosso Hino Nacional, nesta data tão especial.
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Antes de chamar o nosso Senador Izalci Lucas para fazer o seu pronunciamento, eu queria passar um vídeo, Senador Izalci. Você quase nasce no dia ali, muito próximo do aniversário do Chico Anysio, não é? Você é do dia?
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Fora do microfone.) - Sete de abril.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Sete de abril. O Chico é do dia 12, bem pertinho, não é? E eu fico muito feliz, porque este vídeo aqui, você vai conhecer um pouquinho. Eu peço para colocar, a Secretaria sempre atenciosa, este vídeo institucional. Depois a gente ouve o Senador Izalci Lucas.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É isso aí, muito bem. (Palmas.)
Olha, eu quero recomendar a quem quiser conhecer um pouco mais da vida do Chico Anysio, que marcou gerações, não foi uma, marcou gerações. E o Chico Anysio, tem um documentário feito pelo seu filho Bruno Mazzeo, que é Um Homem à Procura de um Personagem. Eu assisti também com a minha família, é muito bem-feito. E faço aqui esta recomendação. Está no Globoplay.
Nós estamos nos 95 anos da vida dele, a celebração, mas o legado é muito maior do que o humor. Nós vamos ver aqui, com os depoimentos, inclusive com relação à questão da saúde mental. Então, o ressignificado dessa data tem algo muito forte, que liga o Chico Anysio a essa causa, pela sua coragem e pela sua humildade, que a gente vai entender daqui a pouco.
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Mas, antes, eu quero chamar o Senador Izalci Lucas.
Já lhe agradeço, Senador, por o senhor assumir a tribuna e fazer o seu pronunciamento sobre o Chico Anysio.
O Senador Izalci fez questão de estar aqui conosco nesta data tão especial. Ele é um dos Senadores mais atuantes, mais presentes aqui neste Plenário bicentenário.
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) - Obrigado, Presidente. Cumprimento e, ao mesmo tempo, parabenizo V. Exa. pela iniciativa desta sessão justa, desta justa homenagem ao Chico Anysio.
Cumprimento também aqui o Francisco Cardoso, que é o nosso Conselheiro do Conselho Federal de Medicina; também a Malga di Paula, que é a senhora viúva do homenageado; o Edgar Lagos, também, que é o Presidente da Organização Judaica e Ação Social de Direitos Humanos; e também a Sra. Fernanda Bernstein.
Cumprimento a todos os parentes, amigos, convidados e servidores aqui desta Casa.
Hoje, esta Casa celebra os 95 anos de nascimento de um homem que não apenas fez o Brasil rir, fez o Brasil se enxergar. Chico Anysio não foi apenas um humorista, foi um intérprete do Brasil.
O Psicólogo Gardner, Professor e Pesquisador de Harvard, ficou conhecido pela teoria das inteligências múltiplas. Segundo ele, Girão, não existe um único tipo de inteligência, mas nove: linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalista e existencial. A mim me surpreende que ele não tenha listado ao final um décimo tipo: a inteligência humorística, aquela na qual Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, o nosso eterno Chico Anysio, certamente ocuparia um lugar de muito destaque.
O discurso humorístico, especialmente quando tem em suas veias o tom corrosivo, possui o poder de revelar a verdade numa síntese que talvez nenhuma outra forma de comunicação consiga. E Chico era mestre nisso: era na lata, na cara, nas fuças do público, um mar de verdades, sem pretensão de ser didático - porque humor de tese não tem graça -, mas, sem querer ensinar, nos ensinava, e ensinava muito; sem querer formar, formava.
Nem nós políticos éramos poupados do seu humor crítico. Nenhum político queria ser confundido com o Justo Veríssimo. Quem não se lembra do bigode que corria o lábio superior, da voz assoprada do político que só se movia por proveito pessoal e transformava tudo em negociata. Tinha ao seu lado um assessor bajulador, uma espécie de aspone, que entrava no gabinete anunciando quem esperava na antessala. E Justo Veríssimo tinha "horror a pobre" - essa era a sua marca.
Sem perceber, todos nós políticos aprendemos com o Chico que nós deveríamos ser o oposto, para que a caricatura não se tornasse o nosso retrato. Era uma caricatura, e toda caricatura é uma amostra da realidade. Mas Chico Anysio, com aquele talento natural para fazer graça, avançava em uma abordagem crítica da nossa sociedade, e o povo, claro, entendia imediatamente.
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Citei um personagem, mas havia muitos outros, quase todos inesquecíveis: o Pantaleão, o velho contador de aventuras mentirosas; o Bozó, que se dava ares de importância e dizia ser diretor de TV para seduzir as jovens atrizes; o Prof. Raimundo; o Bento Carneiro, o vampiro brasileiro. Foram mais de 200, ao longo da vida, e cada um deles era um brasileiro real tirado das ruas, das feiras, dos bares, das casas simples deste país enorme.
Lembro-me de uma apresentação em que ele contava a história do primeiro foguete espacial do Brasil. O foguete não funcionou, não deu partida na hora do lançamento, os técnicos ficaram atrapalhados e alguém sugeriu, então, chamar um primo que tinha uma oficina, um mecânico. Então, o mecânico chega, examina o foguete e diz: "Olha, não vai dar para consertá-lo aqui não, vou ter que botá-lo numa Kombi e levá-lo para uma oficina". Era a crítica genial da esculhambação brasileira, da falta de planejamento, da improvisação elevada a política de Estado. O público ria: ao rir, reconhecia; ao reconhecer, pensava, refletia. O brasileiro não ri porque a vida é fácil, o brasileiro ri porque precisa seguir em frente. Chico entendeu isso. Antes de qualquer um, ele mesmo disse, certa vez: "O humor é irmão da poesia. Não tenho a possibilidade de consertar nada, mas tenho a obrigação de denunciar tudo". E denunciou, durante décadas, com elegância, com ironia, com aquela sagacidade de quem entende o Brasil por dentro.
Chico tinha também uma qualidade rara entre os grandes: a generosidade. Não usou seu espaço para brilhar sozinho, abriu caminhos, incentivou talentos, dividiu palcos. Em uma indústria muitas vezes marcada pelo ego, escolheu a humildade de quem sabe que o riso coletivo vale mais que o aplauso individual.
Esse legado não ficou só nos arquivos da televisão, ficou também nos filhos que ele criou, como o Lug de Paula, o Nizo Neto, o Bruno Mazzeo, entre outros. Cada um com sua voz, o seu estilo, o seu caminho, a sua marca, mas todos com aquela mesma luz que o pai acendeu. E que belo celeiro de grandes humoristas é o Ceará! Como se explica isso? Eu não sei dizer, mas é incontestável.
Termino com algo que precisa ser dito: não existe humor onde não existe liberdade. É natural ao humor desagradar pessoas, grupos. Humor sem um grão de sal é humor asséptico, inócuo, sem graça. Já houve, no Brasil, caso de autoridade judicial mandando prender humorista por conta de piada. Vivemos um momento especialmente grave, com tantas ameaças à liberdade de expressão.
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Ao homenagear Chico Anysio, homenageio também, na pessoa dele, o valor inegociável da liberdade de expressão, porque, sem liberdade, não há humor; sem humor, não há verdade; e, sem verdade, não há democracia.
Chico Anysio fez mais do que nos fazer rir. Nos ensinou que o riso também é uma forma de resistência e que um povo que ri de si mesmo é um povo que ainda não desistiu de se transformar.
À sua família a nossa gratidão por compartilhar com o Brasil um talento que atravessa gerações, e a Chico, onde quer que ele esteja, nosso muito obrigado, porque poucos tiveram a capacidade de fazer um país inteiro rir enquanto, ao mesmo tempo, nos fazia pensar.
Parabéns a todos!
Parabéns ao nosso querido Chico Anysio! (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem! Belíssimo discurso! Obrigado.
Senador Izalci, o senhor estava fazendo aí o seu pronunciamento e eu lembrando aqui algumas passagens. Tem uma engraçada... Eu sei que o seu tempo é disputadíssimo, mas eu vou pedir ao Fábio, que está ali, para resgatar uma que eu postei nos stories um mês atrás, que é do Chico Anysio à frente do seu tempo, como sempre, falando do INSS.
Você viu essa?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Pega lá.
E nós participamos, eu e o Senador Izalci, dessa CPI do INSS, que acabou de terminar, e o Chico Anysio deu uma ali que eu vou te dizer. Daqui a pouco, a gente passa aqui.
Eu não sei se as pessoas em casa estão assistindo ao que está passando aqui do lado. Aqui tem uns personagens. Não sei se a TV do Senado pode mostrar rapidamente. Tem uns personagens do Chico.
São mais de 200, não é Malga?
A SRA. MALGA DI PAULA (Fora do microfone.) - São 208 registrados.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Duzentos e oito registrados. E ali a gente está passando alguns.
Isso, aqui do lado. No telão aqui.
E, olhem, eu vou dizer uma coisa para vocês... É impressionante: 208!
E, quando eu confundo o nome do Chico com o do Chico Xavier - acabei fazendo isso, não sei se uma ou duas vezes -, é porque ele deu uma entrevista uma vez, dizendo que tinha um quê de mediunidade, porque, às vezes, ele chegava, sentava e alguma coisa... Era tomado um pouco ali do seu talento, da sua sensibilidade e ele entrava em outra esfera que ele não sabia explicar bem, como se fosse uma coisa meio mediúnica. É interessante isso.
Mas eu quero chamar, direto de Barcelona, agora, o Dr. Antônio Geraldo da Silva, que é Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, e ele... Eu vou mostrar um vídeo, primeiro, dele, que ele fez com o Chico, para a gente já trazer o Chico, uma fala do Chico aqui. Essa foi uma das últimas entrevistas que o Chico deu. Foi a última entrevista, de fato, a última entrevista que o Chico deu, e foi para o Dr. Antônio Geraldo, que é o Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Por isso, é muito importante aqui a gente entender que o dia 12 de abril, dia do aniversário do Chico, que começou nesta semana, no domingo, é o Dia Nacional do Enfrentamento à Psicofobia no Brasil, data dedicada a combater o preconceito contra pessoas com transtornos e deficiências mentais, criado pela Associação Brasileira de Psiquiatria. A campanha visa conscientizar sobre a saúde mental e eliminar estigmas que impedem a busca do tratamento.
Olhem o legado do Chico - que não é só o humor! Através da sua dor, ele ajudou muita gente, inclusive inspirando essa lei.
Eu quero passar aqui para o Dr. Antônio...
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Primeiro, vamos ver o vídeo; depois, o Dr. Antônio Geraldo vai entrar direto lá da Espanha, de Barcelona, e vai contar um pouco dos bastidores, de como é que foi esse contato com o Chico Anysio.
Passem o vídeo, por favor.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Olhem a sensibilidade dele e como ele colocava a sua vida a serviço, era um idealista nato o Chico Anysio. Eu só tenho a aumentar a minha admiração por esse meu conterrâneo. Ele estava à frente do tempo, ele causava uma reflexão na política - e hoje nós estamos numa Casa política -, ele causava reflexões muito inteligentes de uma forma muito sutil, com muita habilidade. Daqui a pouco, a gente vai rememorar alguns trechos aqui sobre isso, já que nós estamos no Senado Federal.
Eu convido, diretamente de Barcelona, na Espanha, e concedo a palavra ao Sr. Antônio Geraldo da Silva, Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. Meu amigo, meu irmão, eu admiro muito o seu trabalho e da associação inteira.
O senhor tem dez minutos para o seu pronunciamento, com a tolerância da Casa, é claro.
O SR. ANTÔNIO GERALDO DA SILVA (Para discursar. Por videoconferência.) - Exmo. Senador da República, nosso Presidente da Mesa hoje, Senador Girão, meu amigo, meu irmão, meu companheiro, que representa muito bem o Ceará aí nesta Casa, mas representa mais, representa todos aqueles que padecem de doença mental, são mais de 60 milhões de pessoas no Brasil que padecem de doenças mentais e que agradecem ao senhor pelo empenho que tem para tratar das questões ligadas às políticas públicas de saúde mental aí nesta Casa. Sempre, sempre agradecemos, porque a ABP tem um Senador que a representa e representa também a todos os familiares aí no Senado Federal. Senador Girão, é impossível agradecer o trabalho que meu amigo tem feito aí nesta Casa.
Senador Izalci, Senador pelo Distrito Federal, onde eu moro, onde eu resido, eu tenho a honra de tê-lo nos representando aí também.
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Aproveito para agradecer ao meu amigo e companheiro que se encontra também nesta mesa, nosso representante do Conselho Federal de Medicina, uma pessoa extremamente importante para a medicina brasileira neste momento - ele já vem fazendo isso há algum tempo, mas agora tem sido essencial dentro das questões que ele coloca em defesa da medicina, e isso é muito importante -, e à minha amiga Malga di Paula.
Malga me ligou, mandou uma mensagem perguntando se eu poderia participar da homenagem e eu falei: "Claro, né, Malga? Não tem nem como". A Malga me proporcionou um dos grandes momentos da minha vida, quando, numa quinta-feira, a Analice Gigliotti, que é psiquiatra, minha amiga também, me ligou e falou: "Antônio Geraldo, Chico resolveu e vai dar uma entrevista para falar sobre o quadro dele." Eu falei: "Você está brincando. É sério que ele vai falar mesmo?". "É, sim, você vem para o Rio para gravar." Eu falei: "Quando vai ser?". "Sábado à tarde." Eu não esperei sábado à tarde, era impossível esperar. Eu tive que ir para o Rio de Janeiro de imediato, cheguei lá na sexta-feira, conseguimos uma equipe ligada à Rede Globo, que trabalha na Rede Globo, para poder ir para a casa da Malga, e aí eu fiquei o dia inteiro despachando da ABP na sexta-feira. Sábado de manhã, eu desci logo cedo para a Barra, sabendo que a entrevista ia ser à tarde, mas a vontade de chegar logo era grande demais. E, no início da tarde, chegamos até à casa do Chico, Malga nos recebeu lá com todo carinho, com toda a atenção, a Analice também estava lá, a Analice que é a sobrinha do Chico Anysio. E iniciamos um bate-papo.
Foi um bate-papo maravilhoso, levamos a tarde quase toda conversando, para depois iniciar as gravações. Fizemos toda a gravação, isso durou 45 minutos. Depois o produtor chegou para mim e para o Chico e perguntou: "Olhe, tem alguns cortes para fazer, uma edição". E o Chico Anysio falou: "Não, essas pausas são pausas emocionais, minhas e do Dr. Antônio Geraldo". Aquilo me emocionou muito, porque realmente eram pausas que, às vezes, não dava para levar adiante. Nós temos essa gravação, depois a Rede Globo pegou e passou no Jornal Nacional, passou também no Fantástico. Para nós, isso foi um feito importantíssimo, porque o Chico dividiu o antes e o depois para cuidar daqueles que padecem de doenças mentais, para falar contra o preconceito, porque o estigma é muito grande.
Nós temos o estigma social, que é esse estigma que as pessoas apontam, ficam dizendo "Aquele ali tem doença mental, tem depressão, tem ansiedade", discriminam, fazem aquele estereótipo e afastam as pessoas. E aquele que está doente recebe aquilo e começa a se autoestigmatizar, e por isso é que se chama o autoestigma. Ele começa a acreditar mesmo que ele é incapaz, ele começa a acreditar mesmo que ele não vai conseguir ser como os outros são. Por quê? Porque o estigma social é muito grande, negam emprego, negam trabalho... Assim, o tempo inteiro é discriminado. E vem aí, por fim, o estigma estrutural, que é o estigma do Estado. O Estado estigmatiza tanto os doentes mentais que nós não temos sequer um psicotrópico para tratar das doenças mentais na Farmácia Popular - não temos nenhum.
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E, pasmem vocês: nós tivemos, de 2022 para 2024, um salto nos afastamentos do trabalho por doenças mentais. Em 2023, nós tivemos cerca de duzentos e poucos mil afastamentos do trabalho por doença mental. Em 2024, pulou para 472 mil afastamentos do trabalho por doenças mentais e, em 2025, pulou para 516 mil.
E o preconceito sobre essas pessoas é enorme! O Estado tem um preconceito tão grande, tão grande, que criou um serviço à parte para cuidar dos doentes mentais. Infelizmente, nós temos que tratar dos nossos doentes mentais num serviço chamado Caps. Por que não é nas UPAs? Por que não é nos hospitais gerais? Por que não é igual são todas as outras patologias? Não, para a psiquiatria tinha que ser separado.
Isso é estigma, é estigmatizante, e, infelizmente, nós não temos serviço para atender a população brasileira. A desassistência é um crime que cometem dia a dia contra nossos doentes mentais. A ausência de tratamento na Farmácia Popular é um outro crime inaceitável que o Estado, estruturalmente, comete contra quem padece de doenças mentais.
Por que eu disse isso? Porque o Chico Anysio afirmou isso, porque o Chico Anysio cobrou isso. E olha quando foi isso: 2011 - foi a última entrevista dele em vida.
Por isso que eu tenho que agradecer muito à Malga, por isso que eu tenho que agradecer muito à Ana Alice, e agradecer ao Chico Anysio por esse trabalho. É um divisor entre o antes e o depois.
Chico Anysio fez mais: ao terminar a gravação, ele virou - não foi Chico, foi Malga - e perguntou para o produtor: "Vocês gravaram a conversa dos dois da tarde inteira?" "Não, nós só gravamos os 45 minutos". Aí o Chico falou: "Não acredito! Isso era histórico, isso era um documento histórico, o bate-papo meu com ele aqui". Infelizmente, não foi tudo gravado, porque aí iria ser um documento realmente da genialidade dele, da visão futurista.
E ali ele me cobrou, falou assim: "Cria um nome contra esse preconceito que tem contra quem padece de doença mental". E eu criei. Criei um neologismo - a gente chama de neologismo quando é um nome novo -, e foi o neologismo "psicofobia". Psicofobia é o preconceito que as pessoas têm contra aqueles que padecem de deficiências e transtornos mentais, e esse neologismo pegou. Nós ganhamos já prêmios internacionais por causa da criação dessa campanha, por causa da criação do neologismo.
No Brasil, a gente trabalha isso intensamente. Inclusive, tem um PLS, que saiu aí desta Casa, pelo Senador Paulo Paim, para criminalizar o preconceito. Assim, na mesma linha - nada de mais - que é a criminalização em relação à xenofobia e em relação à homofobia.
Por que isso é importante? Em alguns estados essa lei já existe. Porque as pessoas precisam respeitar aqueles que padecem de doenças mentais. Tratar da doença mental hoje é algo que é fácil de fazer em relação ao que se fez há cem anos, mas a gente precisa ter acesso.
A psiquiatria no sistema privado é de primeiro mundo. Por que no sistema público não é de primeiro mundo se são as mesmas pessoas, se são os mesmos profissionais? Falta de gestão, falta de capacidade de gestão do Estado. E não é deste ou do outro governo, ou do outro, é o preconceito que faz com que a gestão discrimine aqueles que padecem de doenças mentais.
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Chico Anysio, na visão futurística, pediu para criar esse termo, cobrou a presença de medicamentos na Farmácia Popular. Eu prometi para ele que eu ia continuar cobrando e brigando - continuo até hoje -, e a gente não consegue entender por que o próprio Estado não produz antidepressivos. Os medicamentos, 99%, não têm patente. Por que os laboratórios do Estado não produzem? Porque é um preconceito, é uma discriminação, discriminam-nos, discriminam a mim, como psiquiatra. Por que existe isso? É ignorância, é incapacidade.
Quando Chico Anysio declara, naquela época, "eu faço tratamento psiquiátrico há 24 anos, eu não seria 20% do que eu sou se não fosse o meu tratamento", ele abre as portas para todos aqueles que têm doenças mentais e ficam escondendo, e têm medo, e não têm a coragem de dizer isso. Por medo de quê? De sofrer preconceito. Por causa do quê? Por causa do estigma, e o estigma mata.
Nós temos altos índices de autoextermínio no Brasil. Por quê? Porque a doença mental é a principal razão pela qual alguém acaba fazendo o autoextermínio. Isso é grave. E os números só aumentam. E qual a possibilidade que nós estamos vendo com a política atual relativa àqueles que padecem de doenças mentais? Nenhuma possibilidade de mudança, e precisa mudar. Nós temos que mudar. As famílias clamam por isso o tempo inteiro.
É absurdo não ter tratamento no Sistema Único de Saúde pela Farmácia Popular. Tem nas farmácias de algumas prefeituras, mas não tem nem medicamentos que não têm patente há 10, 15 anos, 20 anos. Não tem, de regra, carbonato de lítio, que é um produto de 1950, que é o único estabilizador de humor que nós temos na nossa farmacopeia. Nós não o temos na Farmácia Popular.
Então, é importante mostrar o quanto o Chico Anysio nos ajudou, fazendo isso. E é importante saber que, até hoje, aqueles da família que entraram nessa mesma linha dele continuam tentando mostrar essa realidade. Nós precisamos continuar.
Nós temos que agradecer muito, Senador Girão, Senador Izalci, por esse trabalho que fazem, e a todos os outros Senadores que também nos ajudam nesse contexto, porque é grave, é muito grave.
Hoje, inúmeras prefeituras e até alguns estados ficam fazendo de tudo para dar para a população canabidiol - que nem é medicamento, que é um produto, nem bula tem, porque não é medicamento, tem ali um informativo, um folheto informativo -, mas não fazem questão nenhuma de colocar os antidepressivos.
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Onze vírgula três por cento da população brasileira tem sintomas depressivos. Isso é número 1 no mundo. Isso está no resultado da pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, a Vigitel. Treze por cento da população tem sintomas de ansiedade, número 1 do mundo. E nós não temos tratamento!
A Vigitel mostra isso na pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, e isso não é usado para nada.
Nós precisamos fazer política baseada em evidência. Nós precisamos fazer política baseada em dados e não em ideologia. Nós não podemos ser mais bacharéis em medicina tratando papéis. Nós temos que ser médicos atendendo pessoas, atendendo pacientes e dando resolução aos quadros de que essas pessoas padecem. Isso é muito importante que façamos!
Obrigado, Senador Girão. Obrigado, Senador Izalci. Muito obrigado especialmente à Malga di Paula pelo seu trabalho. Você continua. Temos coisas para fazermos juntos aí pelas suas mídias sociais, pelas minhas mídias, para poder agradecer e orientar a população e agradecer a todos aqueles que nos ajudam.
Obrigado de coração, gente. Eu estou muito feliz de estar aqui hoje. Quero assistir o tempo todo. Vou ficar aqui sentadinho. Está friozinho aqui. Está bom de ficar quietinho aqui para poder assistir. E feliz da vida que eu estou, mais uma vez, nesta Casa para defender aqueles que cuidam e aqueles que tratam das doenças mentais.
Obrigado de coração. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito obrigado. Somos nós quem lhe agradecemos, meu querido irmão, amigo, Dr. Antônio Geraldo, um grande batalhador, grande idealista, de tantas causas boas.
Ele, como Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, que reúne dezenas de milhares de psiquiatras no Brasil, participando, fazendo questão.
Senadora Damares, que acabou de chegar aqui, eu agradeço a sua presença. Este tema tem tudo a ver com a senhora, este tema da saúde mental, da dedicação por projetos de lei. A gente sempre conversa, e a Senadora Damares é uma referência para a gente aqui nessa área, ela que é a Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal. Muito obrigado por sua presença. A gente fica muito honrado com a sua presença nesta data.
Tem uma aniversariante aqui, nesta semana tão especial, do aniversário do Chico Anysio, do Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia.
O Dr. Antônio Geraldo explicou que foi por causa do Chico que o Brasil instituiu essa lei. O dia do aniversário do Chico é o dia do enfrentamento ao preconceito dessa questão da doença mental, uma data para combater esse preconceito com pessoas com transtornos e deficiências mentais.
É o Dia do Humorista também e o dia do aniversário, hoje é o dia, dia 16. Esses dias de que eu falei foram dia 12 desta semana.
Mas hoje é o dia do aniversário de uma grande contadora de história, que está sempre aqui nos brindando com as suas apresentações, a Sra. Nyedja Gennari, que vai falar um pouco, que quis, fez questão de fazer, no dia do aniversário dela, uma homenagem ao Chico Anysio.
Eu lhe agradeço, querida. O Senado Federal está à sua disposição para esta contação de história.
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(Procede-se à contação de história.)
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(Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem! Olha, minha querida Nyedja, eu vou dizer uma coisa para você: cada vez você se supera. Muito obrigado por esse presente que você dá, no dia do seu aniversário. Que Deus te devolva em bênçãos, em saúde, em paz, em harmonia! Tudo de bom para você e para sua família. Muito obrigado mesmo. É muito simbólico, no dia do seu aniversário, você vir aqui para prestar essa homenagem.
A SRA. NYEDJA GENNARI - Senador, o senhor sabe - e eu não sou de quebrar os protocolos - o quanto eu o admiro, o quanto eu vejo luz no senhor. Então, eu sempre estarei nas missões junto com o senhor. Nós somos amigos.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Deus a abençoe! Muito obrigado pela sua amizade. Que Deus te guie!
Agora, sequenciando, com muita honra, com muita alegria, diretamente dos Estados Unidos da América, nós vamos receber aqui a Sra. Zélia Maria Cardoso de Mello, que foi casada com Chico Xavier... Perdão. Eu estou falando de Chico Xavier aqui, é porque o Chico dizia que tinha uma mediunidade. Não vou repetir. Mas, diretamente dos Estados Unidos...
Inclusive eu falei, no início desta sessão, da importância da Zélia Cardoso para a vida do Chico Anysio, assim, como foi importante, e Malga testemunhou isso numa entrevista com Rodrigo Alvarez também, uma entrevista imperdível.
Eu queria agradecer muito à ex-Ministra de Estado da Economia, da Fazenda, do Planejamento do Brasil, no período de 1990 a 1991. Ela é mãe do Rodrigo e da Victoria, filhos também do nosso homenageado de hoje. Muito obrigado pela sua presença, Zélia. Você tem o tempo que puder participar aqui para fazer o seu pronunciamento, o seu discurso nesta homenagem. Muito obrigado.
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A SRA. ZÉLIA CARDOSO DE MELLO (Para discursar. Por videoconferência.) - Muito obrigada, Senador, pelas palavras tão gentis.
Boa tarde a todos.
É uma honra participar desta homenagem ao Chico, mas, ao mesmo tempo, é uma tarefa difícil, porque o Chico Anysio, que o Brasil conhece, é um gigante. Então, é muito difícil falar sobre uma pessoa que teve um papel, tem um papel e terá um papel sempre muito relevante na história do país e na cultura do país.
Viver com um homem genial é entender que a mente dele é um território sem fronteiras. Por trás do homem e das mil faces que ele criava, havia um homem profundamente sério sobre o seu trabalho. Na intimidade, eu vi o que as câmeras não mostravam. Ele era um receptor da humanidade em tempo integral. No café da manhã, numa viagem, numa conversa banal, andando de carro, ele estava sempre capturando o Brasil, sempre se identificando com o Brasil e sempre o capturando; e ele mesmo dizia que todos os personagens dele eram inspirados em brasileiros. E a verdade é que ele emprestava o seu corpo e a sua voz para os esquecidos, para os oprimidos e até para os prepotentes, para que eles tivessem um espelho e para que eles tivessem uma voz.
Para encerrar, eu queria dizer que a maior homenagem que podemos fazer ao Chico não é apenas repetir seus bordões ou rir de seus vídeos, que eu tenho certeza de que todo mundo vê todos os dias. Constantemente, meus amigos e meus familiares me mandam algum vídeo do Chico, que podia ser feito no momento atual e serviria para o momento atual, porque a capacidade dele de entender o Brasil e de interpretar o Brasil, realmente, não tem limites, não tem fronteiras, não teve limites e fronteiras e não teve tempo. Tantas coisas que ele falou serviriam, absolutamente, para as situações de hoje e para as pessoas de hoje.
Então, acho que a verdadeira homenagem que fazemos ao Chico é manter o olhar inconformado que ele tinha. Ele nos ensinou que o riso não serve apenas para esquecer os problemas, mas para criar coragem de encará-los. Ele não foi apenas o homem das mil faces, mas foi o homem que nos ajudou a encontrar a nossa própria face e quem somos nós, brasileiros, com todas as nossas imperfeições.
Chico, obrigada por ter dividido sua vida e sua mente brilhante conosco. Sua crítica foi o maior ato de amor pelo Brasil, e o Brasil, hoje e sempre, devolve esse amor a você.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem.
Muito obrigado mesmo pela sua participação aqui, nesta sessão solene em homenagem ao seu amado Chico.
E a gente percebe, inclusive naquela sua ida à Escolinha do Professor Raimundo, num momento marcante da TV brasileira, e o amor profundo que ele nutria por você, Zélia, o carinho. Que Deus te guarde, você, o Rodrigo, a Victoria, tudo de bom! Eu tenho certeza de que o Chico, de onde ele estiver, e talvez mais próximo do que a gente imagina, está junto com as pessoas que o amam, protegendo e guiando. Deus abençoe, tudo de bom!
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Vamos sequenciar aqui a nossa...
Eu quero apenas fazer um registro de presenças que estão aqui neste Plenário, viu, Malga? Malga, emocionada a cada fala aqui. Eu imagino, porque a gente trava até a voz aqui, conduzindo. O Sr. Primeiro-Secretário da Embaixada da Rússia, o Sr. Aleksey Ivanachko, muito obrigado pela sua presença aqui; a Sra. Superintendente de Orçamento e Finanças da Secretaria da Educação do Rio de Janeiro, Gilvania Amaral Sicupira de Lima.
Eu queria chamar aqui, neste momento, a Senadora Damares Alves, que fez questão de estar aqui conosco. É uma Senadora que eu admiro há muitos anos. Antes de entrar na política, já acompanhava o trabalho dela.
Muito obrigado pela sua presença, Senadora Damares.
A SRA. DAMARES ALVES (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Para discursar.) - Obrigada, Senador Girão, Presidente.
Eu quero cumprimentar essa mesa incrível, todos os senhores, especialmente a Malga. Que alegria recebê-la no Senado! Eu sou sua fã, viu? (Risos.) Eu sou sua fã! Todos os senhores, sejam bem-vindos, os convidados que estão em Plenário!
Eu estou vindo do presídio. Eu passei parte da minha tarde na Papuda. Eu acho que todos sabem que eu sou a Presidente da Comissão de Direitos Humanos, e eu estou numa missão oficial do Senado, visitando os presos do 8 de janeiro, os presos desse recente episódio político que aconteceu no Brasil. É muito triste entrar no presídio. Não sei se alguém aqui já teve a oportunidade de estar no presídio. Tem sido essa a minha vida nos últimos 40 anos, que, para além de Senadora, defensora de direitos humanos, eu também sou pastora, filha de um pastor que viveu dentro dos presídios, cuidando dos presos.
Tem sido essa a minha vida, mas cada visita é uma visita de muita tristeza, e, aqui no Senado, a gente vive esse misto, esse misto de emoção, e esse misto de... Essa pluralidade. Você entra numa sala para falar de câncer, aí você sai, você tem um minuto para se recompor, entrar numa outra sala e falar de segurança pública. Aí você sai correndo. Na próxima sala, você tem que entender de educação. Aí você sai correndo. Na outra sala, você tem que entender de nutrição. Na outra, você tem que entender de medicina. Então, nós trabalhamos com temas muito ecléticos, e que exigem de nós, o tempo todo, estar em alerta, porque os temas estão na mesa, mas isso também desperta em nós um misto de emoções.
Eu tive uma manhã de emoção, que a gente estava discutindo aqui, hoje, pela manhã, a proteção da criança indígena, e todo mundo sabe da minha pauta, eu sou mãe de uma menina indígena que está com 27 anos e que é apaixonada por Chico, os indígenas são apaixonados por Chico. Eu acho que um dia a gente tem que escrever essa relação de Chico com os povos indígenas, porque ninguém nunca escreveu sobre isso. E, para os indígenas, eles às vezes não têm a compreensão do mundo real e do mundo da fantasia. Por muitas vezes, eles achavam que todos aqueles existiam, todos aqueles personagens existiam, e nas minhas andanças nas aldeias, eles me perguntavam se eu conhecia o Prof. Raimundo, ou se eu conhecia o Jovem, ou se eu conhecia a Salomé, para a gente explicar o que é fantasia. Minha filha teve esse problema de entender o que é realidade e fantasia. Hoje de manhã foi uma manhã de emoção, ao receber as crianças indígenas nesta Casa. Aí, logo depois, eu vou para uma sessão de tristeza, porque entrar no presídio é triste. Quando eu estava vindo para cá, eu sabia que eu ia ter uma outra emoção, que é a saudade - a saudade do Chico -, porque o Chico representou para nós um Brasil de sonhos. Eu sou de uma geração dos apaixonados pelo Chico Anysio, e eu fui menina sobrevivente da violência. Todo mundo conhece a minha história. E, por muitas vezes, o meu amigo era o Chico. Era só ele. Era quem me fazia sorrir de aguardar a programação semanal. Eu era uma criança pobre e a gente tinha que aguardar, na semana, a programação para ver o Chico. E, na expectativa, porque, por muitas vezes, eram os minutos de alegria que eu tinha na vida: era ver o Chico.
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(Manifestação de emoção.) Mas era um Chico tão distante, porque ele era o artista, ele era, para mim, o maior artista brasileiro - sempre foi, e a gente eterniza isso aqui neste Plenário, hoje. E nunca imaginei que um dia eu seria Senadora e teria a honra de estar, na tribuna do Senado, homenageando o Chico Anysio com a viúva aqui. Então, são emoções que eu não consigo explicar para vocês, como nós, Senadores, somos despertados a viver emoções o tempo todo. Eu estou muito emocionada e com muita saudade daquele país, muita saudade daquele país que Chico, com os seus personagens, profetizou, porque, quando o Chico Anysio traz o Prof. Raimundo, ele trouxe a diversidade para o debate. Era uma sala diversa, Girão. Talvez vocês nunca tenham pensado nisso. O Brasil estava representado em diversos personagens, Chico lidou com a diversidade e nos desafiou a pensar em diversidade. Quando Chico fazia o papel de uma mulher, ou Chico exaltava uma mulher, numa nação em que mulheres tinham tão poucas oportunidades. Quando Chico falou do jovem - e está tão atual esse personagem. Os personagens do Chico não morrem, não envelhecem. É como se o Chico tivesse sido um profeta. Ele profetizou. Tem diálogos de personagens dele que parecem que foram escritos ontem. Tem diálogos que parecem que foram escritos agora de manhã. Como esse homem viu o que a gente está vivendo hoje e colocou na boca de um personagem? Um bigode e um chapéu o transformavam em um personagem. Ele não tinha inteligência artificial para transformá-lo. Muitas das apresentações tinham que ser ao vivo, no improviso. Como ele superou tudo aquilo? Então, eu estou muito feliz de estar homenageando... Deus me deu essa honra de estar aqui homenageando. Que alegria! Quantos brasileiros queriam estar no meu lugar perpetuando essa homenagem, porque ela vai ficar eterna. Ela vai ficar nos Anais do Senado.
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Mas, além da alegria e da honra, eu juro para vocês que o maior sentimento que me toma hoje é saudade - saudade -, porque Chico sonhou um Brasil também. Chico sonhou com uma nação. Chico nos fez acreditar... E olha que a década de 70 não foi fácil, gente. Eu nasci em 1964 - pronto, falei minha idade -, fui criança na década de 70 no Nordeste pobre. No Nordeste em que as crianças ainda morriam de fome. No Nordeste da desnutrição, da desidratação, das desigualdades. No Nordeste em que mulher não falava. E não foi fácil a década de 70, mas, quando eu olho para Chico, me deu uma saudade da minha infância! Porque era tão difícil, Girão, mas Chico fazia a gente sonhar. Chico fazia a gente acreditar num país melhor, fazia a gente rir e gargalhar dentro das nossas realidades, das nossas necessidades, das nossas dores. Ele despertava o sorriso de quem estava triste.
Então, hoje, o sentimento que me traz aqui, além de agradecer a Deus esta oportunidade de homenagear esse grande homem, esse grande artista - porque as próximas gerações precisam conhecer Chico... Mas eu digo para vocês que Chico, hoje, me desperta uma saudade. Ai, que saudade do Brasil que sonhava! (Manifestação de emoção.)
Eu vim de um presídio falando com pessoas que perderam os sonhos - eu não falo só com os presos de 8 de janeiro; você esbarra no corredor com outros presos. Eu ando pelas ruas do meu país e eu vejo crianças se automutilando, crianças se suicidando. Eu vivi uma realidade em que a gente tinha tudo para desistir da vida, mas a gente sonhava, a gente sorria, Chico fazia a gente rir.
Então, o sentimento que me traz aqui hoje é um sentimento de saudade de sonhar, Girão. Essa geração não está sonhando. Ai, como Chico Anysio faz falta! Como ele faz falta de nos motivar a sonhar, a rir e a acreditar numa nação melhor.
Eu queria que o Brasil fosse uma grande sala do Prof. Raimundo e que as diferenças fossem tratadas daquele jeito que ele tratava - com humor, com respeito -; que os diferentes se amassem como se amavam. Ai, que saudade de todos eles!
Chico Anysio foi mais que um artista: ele foi um profeta. Foi um profeta da alegria. E ele amou esta nação. E foi muito bom ver a Zélia também de longe. Chico amou esta nação. Às vezes incompreendido e injustiçado - a família sabe do que eu estou falando -, mas ele amou este país.
Que Deus abençoe os herdeiros de Chico, que Deus abençoe a família de Chico, que Deus abençoe os amigos de Chico, que Deus abençoe a geração que teve a honra de ter Chico Anysio como artista e que Deus abençoe minha nação.
E que a gente - apesar do medo, da tristeza, da falta de sonho - não perca a capacidade de sorrir, de sonhar.
E que essa saudade que eu estou sentindo daquele momento em que eu sonhava com Chico possa me motivar a continuar aqui na tribuna, Girão, acreditando ainda que é possível rir, gargalhar - apenas com um bigode, um chapéu, um lenço na mão. Esse era o artista que fez o Brasil sonhar.
Obrigada por ter vindo ao Senado.
Obrigada por compartilhar - vocês, da mesa - este momento com a gente.
Obrigada, Brasil.
Chico Anysio vive e viverá na nossa memória por muitos e muitos anos.
Que Deus abençoe todos vocês.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Amém, amém. (Palmas.)
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Muitíssimo obrigado, querida Senadora Damares. Eu já a vi emocionada algumas vezes, nesta tribuna inclusive, mas eu nunca vi em tamanha emoção, com gratidão junto. E foi realmente muito marcante aqui, está sendo muito marcante esta sessão, está sendo muito abençoada. Gratidão a Deus por este momento.
Nós vamos ouvir agora... Daqui a pouco, eu vou passar um videozinho que a Senadora Damares colocou, falou do jovem. Viu, Senadora Damares? Você falou do jovem, não é? Daqui a pouco, a gente vai colocar um trechinho dele, que, como a senhora disse, parece que ele escreveu hoje de manhã. Então, tem muitas passagens interessantes. A gente está só selecionando aqui e, daqui a pouco, coloca para dar uma... Porque o Chico tem esse dom, Malga, de equilibrar as coisas. Esta sessão aqui é uma sessão que vai ficar na história, não tenho a menor dúvida.
Então, eu queria chamar aqui exatamente o Dr. Francisco Cardoso, que é Conselheiro Federal de Medicina do Estado de São Paulo e fez questão de vir aqui.
Muito obrigado pela sua presença, Dr. Francisco, um médico respeitado, meu médico inclusive. Que Deus o abençoe e o ilumine. Muito obrigado. A tribuna do Senado é sua.
O SR. FRANCISCO EDUARDO CARDOSO ALVES (Para discursar.) - Acabei preparando aqui um textinho.
Senadora Damares, Senador Girão, muito obrigado pela minha oportunidade de estar aqui. Obrigado pelo que vocês fizeram na segunda-feira e pelo que fizeram na quarta-feira, em relação a mais um projeto de lei que quer criminalizar o cidadão deste país. A Senadora Damares não se lembra, mas, quando eu comecei aqui em Brasília, há 11 anos, na causa médica - vamos dizer assim -, eu recebi, pela Previdência Social, um e-mail de uma assessora de gabinete querendo discutir um problema do BPC/Loas. Essa assessora era a Damares. Foi o primeiro contato político que eu tive aqui em Brasília e foi muito produtivo, porque de lá saíram leis que ajudaram inclusive na questão do estatuto da inclusão. E eu falei na época com o meu colega da associação: "Essa pessoa vai longe, essa moça vai longe". Não espantado estou de ver a Sra. Senadora e a atuação brilhante que a senhora está tendo aqui. Obrigado. O Senador Girão eu já conheci sendo Senador, e a cada dia é uma surpresa grata estar aqui.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, eu subo a esta tribuna para lembrar uma data de enorme referência e relevância humana e social, o dia 12 de abril, que é o Dia Nacional do Enfrentamento à Psicofobia. E eu soube, Malga, que também bate com o aniversário do nosso querido Chico Anysio, meu xará inclusive. Sempre tive honra de ser xará do Chico Anysio - isso é um motivo de orgulho. Essa data, como bem disse o Presidente Antônio Geraldo, é uma data criada, pensada, o próprio termo, pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com o objetivo muito claro de combater o preconceito, a discriminação e a exclusão sofridos por milhões de brasileiros que convivem com transtornos mentais ou deficiências mentais.
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A psicofobia talvez seja uma das formas de preconceito mais invisíveis da nossa sociedade. É invisível porque muitas vezes, Senador, ela se disfarça de brincadeira, de comentário aparentemente inofensivo, de ironia, de julgamento moral. Está nas frases: "Isso é frescura", "É falta de força de vontade", "É preguiça", "Respira e levanta", "É loucura". Está no medo de contratar alguém que faz tratamento psiquiátrico. Está no medo de procurar um psiquiatra. Está na vergonha que tantas famílias ainda sentem ao admitir que um filho, uma mãe ou um irmão precisa de ajuda psiquiátrica.
Quando a gente fala da psicofobia, é impossível não recordar o legado que Chico Anysio deixou neste país. Com inteligência e sensibilidade, ele criou personagens que marcaram gerações e ajudaram o Brasil a rir de si mesmo, de seus costumes, de suas contradições, entre eles personagens que foram célebres, Professor Raimundo, Salomé, Coalhada. Eu mesmo... Quando deixo o meu cabelo crescer muito, meu apelido vira Coalhada, porque ele fica mais ou menos daquele jeito; é por isso que eu o deixo bem curtinho, que é para não ser chamado de Coalhada. (Risos.)
O legado de Chico Anysio nos ensina que o humor pode ser uma poderosa ferramenta de reflexão, de empatia e de transformação social. Cresci vendo o Chico Anysio, a genialidade de Chico Anysio na televisão, com personagens tão diferentes e marcantes. Eu ficava aguardando o sábado para ver A Escolinha do Professor Raimundo, eu aguardava todos os dias para ver os programas que o Chico Anysio apresentava. Ele era brilhante, extraordinário e marcou profundamente o nosso país, toda a nossa geração, marcou a mim, e isso é essencial, porque todo mundo aqui tem sua vida, todo mundo tem sua história, todo mundo acorda, trabalha, janta, dorme e, quando a gente se vai, o que é que fica? O que eu quero que fique quando eu me for? Eu quero - eu, Francisco - deixar um legado. Poucos conseguem deixar um legado, e Chico Anysio fez isso de forma brilhante. O legado de Chico Anysio é fenomenal. O dia em que ele foi encontrar Deus, em 2012, foi um dia de muita comoção, um dia muito triste que marca até hoje... Alguns dias marcam a gente até hoje, e esse foi um desses dias. A tristeza acaba indo embora, mas fica a saudade.
É importante lembrar, Senador, que combater o preconceito não pode significar também sufocar a liberdade artística ou impor censura ao humor. O humor responsável tem capacidade de provocar debate, revelar absurdos, questionar injustiças, mas o perigo está quando, em nome de uma outra causa justa - e isso tem ocorrido muito ultimamente -, você passa a tentar proibir piada, personagens, manifestações artísticas, de forma ampla e subjetiva. Uma sociedade livre precisa ser capaz de discutir, criticar e amadurecer a crítica. O desafio aqui não é censurar o humor, mas estimular um humor mais inteligente, mais humano e consciente, que não humilhe quem sofre, mas que ajude a sociedade a enxergar seus próprios preconceitos. Em nome do combate à humilhação, muita gente tem combatido o humor e a opinião de uma forma ampla e irrestrita - isso é muito perigoso e este Senado precisa ficar sempre alerta a esse tipo de investida autoritária.
A gente também precisa ter equilíbrio e prudência. É obvio que o combate ao preconceito é indispensável, é essencial, mas a gente não pode banalizar isso transformando em pretexto para censura, patrulhamento permanente ou criminalização excessiva da palavra, como tem ocorrido atualmente. Tem uma diferença muito importante entre criticar discursos verdadeiramente discriminatórios e punir opinião manifestamente artística, humor, debate ou falas, mesmo que mal colocadas, como se toda divergência fosse intolerância. Quando os limites do que se pode ou não se pode ser dito se tornam vagos e subjetivos, abre-se espaço para insegurança e perseguições. Uma sociedade democrática não pode admitir este tipo de situação de a liberdade de expressão e de o direito de debate, e de corrigir os erros por meio do diálogo, serem suprimidos por ideologias autoritárias, ideologias de caráter repressor.
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Quem sofre de sofrimento psíquico não precisa de julgamento; precisa de acolhimento, precisa de diagnóstico, tratamento e apoio. Muitas vezes, entretanto, o maior sofrimento do paciente não é apenas a doença em si, mas é o preconceito que acompanha essa doença. Quantas pessoas deixam de procurar ajuda por medo de serem rotuladas como loucos? Quantos adolescentes escondem sua dor por receio de serem ridicularizados na escola? Quantos trabalhadores deixam de procurar um psiquiatra, por medo de perder o emprego? Quantas famílias tentam esconder esse diagnóstico como se fosse motivo de vergonha? E muitas vezes, esse silêncio custa caro, custa sofrimento, custa isolamento, perda de vínculo, agravamento da doença e, em casos extremos, a perda da própria vida.
Como médico, aprendi que nenhuma área da saúde exige tanta sensibilidade quanto a saúde mental, porque, muitas vezes, o sofrimento não aparece no exame de sangue, não aparece na tomografia ou numa radiografia. Ele aparece no olhar, no cansaço, na insônia, no medo, na desesperança, na apatia, na perda da vontade de viver. E é justamente por ser invisível que esse sofrimento tantas vezes é ignorado.
A gente tem que romper definitivamente com a ideia de que procurar ajuda na saúde mental é sinal de fraqueza. Isso é essencial, não é fraqueza. Pedir ajuda é um ato de coragem, coragem de reconhecer a própria dor, as próprias limitações e de admitir a necessidade de apoio e de iniciar o tratamento. Coragem que Chico Anysio teve e ajudou a propagar essa coragem para milhões que, depois de verem seus depoimentos, a entrevista com Antônio Geraldo e coisas similares, passaram a procurar ajuda, porque antes achavam que era motivo de vergonha. "Pô, se o Chico Anysio está precisando de ajuda, então quem sou eu?" Muita gente passou a procurar ajuda depois disso, não é?
A gente precisa enfrentar também, Senador, a banalização do afastamento do trabalho por doença mental, porque isso ajuda a estigmatizar a doença mental, isso piora a situação do preconceito da doença mental e piora a situação da pessoa com transtorno mental no ambiente de trabalho. Muitas vezes, a gente acaba tendo intenções legítimas ao facilitar isso, mas, quando qualquer sofrimento cotidiano, qualquer frustração, qualquer conflito é tratado automaticamente como incapacidade laborativa por transtorno mental, corre-se o risco de transformar a doença mental num rótulo e de enfraquecer justamente esse empoderamento que a gente está tentando fazer, enfraquecer a autonomia, a autoestima e a capacidade de superação das pessoas. Elas ficam presas naquela rotina. Muitas vezes, um trabalho que não agrada acaba sendo transformado em problema mental, a pessoa fica presa nesse círculo e não consegue sair mais.
Como representante do povo brasileiro, esta Casa tem a responsabilidade nessa transformação. Nós precisamos ampliar o acesso à assistência em saúde mental, fortalecer os serviços do Sistema Único de Saúde. O Sistema Único de Saúde trata a doença mental de maneira segregada, em CAPS. Concordo com o Antônio Geraldo, a doença mental, a saúde mental deveria estar nas Unidades Básicas de Saúde, não em Centros de Atenção Psicossocial, que acabam estigmatizando mais do que ajudando. Eu vou a um CAPS. Não quero ir a um CAPS, CAPS é sinônimo de problema, é sinônimo de preconceito, e isso acaba piorando, não ajuda. A saúde mental tem que ser integrada ao Sistema Único de Saúde, integrada às Unidades Básicas de Saúde, nas UPAs, nos hospitais, e não segregada. É o oposto o que o SUS faz neste momento: ele segrega; ele não ajuda.
E aí, eu faço sempre uma brincadeira de que a Farmácia Popular sofre, por si só, de psicofobia, porque você não tem os remédios de que a gente precisa, que o cidadão precisa, para tratar as suas condições de saúde na Farmácia Popular. Há um enorme lobby por medicamentos e por produtos que não têm evidência científica - um deles já foi citado aqui -, e a gente não encontra os remédios, não é?
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A gente também tem que investir na saúde mental das crianças e dos adolescentes, como a Senadora Damares colocou aqui. Vivemos tempos de enorme pressão emocional, marcados pelo isolamento, pelo bullying, pela violência e pela hiperexposição nas redes sociais. As crianças têm que aprender a lidar com isso. Muitos jovens estão adoecendo por causa dessa situação e não podemos tratar isso com indiferença. A escola tem que ser um lugar de acolhimento e não de humilhação. O ambiente de trabalho precisa ser um espaço de respeito e não um espaço de discriminação. A família precisa ser um porto seguro e não um lugar onde é minimizado ou escondido o sofrimento.
Portanto, a luta contra a psicofobia, é, antes de tudo, uma luta pela dignidade humana. É o reconhecimento de que ninguém pode ser reduzido ao seu diagnóstico. Uma pessoa com transtorno mental continua sendo uma pessoa - com sonhos, talentos, problemas, dificuldades, trabalho, sentimentos e direito ao respeito.
Nesta Casa, que representa a Federação e o povo brasileiro, devemos assumir o compromisso de não permitir que o preconceito continue condenando tantas pessoas ao silêncio e ao sofrimento. Precisamos falar de saúde mental, mas com seriedade, humanidade e responsabilidade, não com bandeiras. Precisamos ter efeitos práticos para combater a psicofobia e não apenas bandeiras e meros discursos.
Nesse esforço, o papel do CFM e dos conselhos regionais é essencial. Cabe ao sistema conselhal defender uma medicina que trate a saúde mental com a mesma seriedade e dignidade dispensada a qualquer outra enfermidade, combatendo estigmas, valorizando a atuação dos psiquiatras e demais profissionais da área, promovendo a educação continuada e orientando os médicos a acolherem os seus pacientes sem preconceitos ou rótulos.
O CFM também tem o dever de se posicionar publicamente contra toda forma de discriminação às pessoas com transtornos mentais, apoiar políticos que ampliem acesso ao tratamento e lembrar que saúde mental não pode ser tratada como tabu, fraqueza ou motivo de exclusão, mas como uma prioridade da saúde pública.
Que o Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia não seja apenas uma data no calendário, que seja um chamado à consciência nacional, que nos lembre que acolher é melhor que julgar, ouvir é melhor do que ridicularizar e cuidar é sempre melhor do que excluir, porque saúde mental é parte inseparável da saúde. Ninguém deve sofrer duas vezes - primeiro pela doença e depois pelo preconceito.
Que possamos encerrar essa reflexão lembrando a lição deixada por Chico Anysio, a de que é possível olhar para as fragilidades humanas sem crueldade, falar de temas difíceis sem perder a sensibilidade e fazer rir sem deixar de pensar.
Chico ensinou ao Brasil que o humor pode ser uma forma de inteligência, de crítica e também de afeto. E, também, não há homenagem melhor ao seu legado do que construir um país que saiba acolher quem sofre, respeitar quem pensa diferente - coisa que não está sendo respeitada neste país hoje em dia: quem pensa diferente está sendo alvo de processo criminal -, um país que respeite a dignidade das pessoas e a liberdade de expressão, porque uma sociedade verdadeiramente humana não escolhe entre compaixão e liberdade, ela defende as duas.
Com isso, eu encerro aqui a minha fala, agradecendo a oportunidade, a emoção e a honra que eu estou tendo de estar neste Plenário aqui, hoje, numa data tão especial, podendo falar em homenagem a uma pessoa a quem eu nasci e cresci, na minha infância, vendo - me divertindo e me ensinando -, cujo legado, até hoje, repercute em nossas vidas.
Quero agradecer à Malga pelo carinho, pelo apoio que ela sempre me dá nas redes toda vez que a gente toma aquelas pancadas, aqueles processos. Eu devo ter mais de cem processos contra mim, até hoje, por causa das coisas que eu falo. Graças a Deus, ganhei todos até hoje, mas pessoas como a Malga ajudam a gente: "Eu estou no caminho certo, eu devo prosseguir, eu não devo ceder à pressão da censura".
Senador Girão, Senador Izalci - que nos deixou -, a todos da mesa, muito obrigado.
E viva Chico! (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Viva Chico! Muito bem!
Querido irmão, Dr. Francisco Cardoso - Chico também.
O SR. FRANCISCO EDUARDO CARDOSO ALVES (Fora do microfone.) - Chico também.
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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - E você falou aí...
Damares, tem aqui esse vídeo para você, esse vídeo aqui. Você participou ativamente da CPMI do INSS comigo, e a gente cresceu, como você falou, vendo o Chico City, vendo o Chico Anysio Show. Eu me lembro demais, foi marcante demais - na hora de estudar, à tarde, chegava do colégio, Ave Maria - a Escolinha do Prof. Raimundo. Essa aí é hors concours.
Eu vou passar aqui um videozinho bem curtinho. E a gente depois vai colocar o Jovem, vai colocar o Justo Veríssimo, porque tem a ver com esta Casa. Assim, tem a ver, que eu digo, com todo o respeito - com todo o respeito. (Risos.)
É porque aqui é uma Casa política e ali ele fazia uma crítica, é natural. Hoje em dia, é ataque. Crítica é considerada ataque. As coisas mudaram muito, mas a gente precisa efetivamente mudar.
O SR. FRANCISCO EDUARDO CARDOSO ALVES (Fora do microfone.) - Chico Anysio seria preso.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Chico Anysio, hoje, seria preso, exatamente. Talvez não pelo gigantismo dele, mas outros humoristas estão sendo presos por suas opiniões, por fazerem o seu trabalho. Não é nem opinião, é fazer o seu trabalho ali, é fazer refletir.
Mas dê uma olhada nesse videozinho aqui, que foi feito há muitos anos, há mais de dez anos, e que trouxe uma realidade muito preocupante com relação... Eu, a Senadora Damares, o Senador Izalci e outros colegas, a gente mergulhou no INSS, na roubalheira que nós tivemos no Brasil, recentemente, de velhinhos, viúvas, órfãos, deficientes, com bilhões de reais roubados. E o Chico, lá na frente, dizia: "Olhe, cuidado com isso aí". Ele deu a dica, a gente é que não entendeu. Olhem aí.
(Procede-se à exibição de vídeo.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Meu Deus do céu!
O SR. FRANCISCO EDUARDO CARDOSO ALVES (Fora do microfone.) - Naquela época, hein?
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Isso aí faz tempo e o Brasil hoje está... Foi um impacto muito grande, uma tragédia.
Era um profeta. E é um outro personagem dele, o do profeta. Ele estava à frente, realmente. E hoje a gente está vendo isso aí. É preocupante, mas vamos resolver.
E eu quero deixar muito claro que tem servidores exemplares no INSS, cumpridores dos seus deveres. Ali foi uma quadrilha que entrou... E, politicamente, enfim... E aconteceu de muita gente ter sido lesada, mas isso não vai mais acontecer, se Deus quiser, com as medidas legislativas que nós estamos já tomando.
Eu quero agora conceder a palavra à nossa querida Sra. Fernanda Bernstein, que é aqui de Brasília, e que tem um trabalho muito bonito de mentoria, no seu ativismo das boas causas, uma pessoa muito autêntica que eu tive a oportunidade de conhecer.
Enquanto ela vai para a tribuna, eu quero saudar a minha esposa, Márcia Valéria, que aqui está - muito obrigado -, cearense também, conterrânea do nosso Chico Anysio; a Maria Eduarda, minha filha; e a Manoela Maria também aqui presente. É muita honra receber vocês. (Palmas.)
Fernanda, muito obrigado pela sua presença. A tribuna do Senado é sua.
A SRA. FERNANDA BERNSTEIN (Para discursar.) - Boa tarde a todos, eu agradeço muito a oportunidade de estar aqui. Quero saudar todos, saudar o Sr. Presidente, que é o requerente desta sessão maravilhosa e importantíssima.
À medida que cada um foi trazendo a sua palavra foi trazendo mais profundidade e mais importância a este momento.
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Senador Eduardo Girão - obrigada, muito obrigada pelo seu carinho -; Senadora Damares, queridíssima, a quem eu amo de paixão; Sr. Conselheiro do Conselho Federal de Medicina Francisco Cardoso; minha amiga Malga; Sr. Presidente da Organização Judaica de Ação Social e Direitos Humanos B'nai B'rith do Brasil, de São Paulo, Edgar Lagus; a todos quero dizer que se sintam prestigiados por estarem aqui neste momento, que eu tenho certeza de que será eternizado.
Este ano o Brasil teria o privilégio de celebrar os 95 anos desse homem de quem nós já ouvimos, incansavelmente, aqui falarem, o nosso Chico Anysio e talvez não exista coincidência mais simbólica do que o Dia do Humorista e o Dia do Enfrentamento à Psicofobia se encontrarem na história de um homem que fez um país inteiro rir, enquanto, muitas vezes, enfrentava suas próprias dores, suas próprias angústias. E tudo isso num extremo silêncio - percebam que foi na última entrevista que ele trouxe a conhecimento as suas dores e abriu portas para tantas angústias silenciosas do nosso país.
Chico não foi só humorista. Foi inteligência em estado puro. Foi crítica social com elegância. Foi um gênio que transformou personagens em espelhos do Brasil. E fez isso com um brilho que atravessa gerações.
Tudo sobre o que a Damares falou hoje, eu sinto. Eu me lembro de que a hora da Escolinha do Professor Raimundo - gente, é o máximo! - era às 6h da tarde.
Hoje ele também virou um caminho. E isso emociona muito, porque o seu nome hoje é o nome de uma curva que leva aos estúdios da TV Globo no Rio de Janeiro, o antigo Projac. E, não por acaso, ele mesmo dizia que queria dar nome àquela curva, porque aquela curva parecia não ter fim. Percebem que coisa mais linda? Como hoje já foi dito, como o profeta falou, de fato, um legado que não tem fim.
E talvez ele estivesse certo, porque Chico nunca foi só o palco. Ele foi estrutura. Ele foi referência. Ele foi fundação. E, ao lado dele, esteve, por 15 anos, Malga Di Paula, minha querida amiga. Mulher, companheira, presença firme em muitos dos capítulos da sua vida. Capítulos, Malga, que ninguém apaga - ninguém. Tenha o seu coração tranquilo! A sua história com o Chico não será apagada, porque ela aconteceu, tem força, tem enredo, segue viva e hoje está aqui, bravíssima Malga!
Em meio à genialidade, aos aplausos e também às batalhas silenciosas, existem histórias que não só se constroem com dor, mas também não conseguimos construí-las sozinhos. E essa mulher esteve lá, ao lado do nosso Chico Anysio.
Há algo ainda mais profundo nisso tudo. Em um dia que também nos convida a falar sobre a saúde mental, lembrar de Chico é reconhecer que, por trás de grandes talentos, muitas vezes existem batalhas invisíveis. E eu tenho visto muito, no meio dos empresários, no meio das pessoas de alta performance, no meio de pessoas famosas, pessoas que eu tenho atendido e mentorado, vivendo essas mesmas dores.
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Ele enfrentou a depressão e, ainda assim, escolheu seguir criando, trabalhando e entregando leveza ao mundo. Isso não diminui a sua dor, isso revela a sua coragem, a coragem do seu povo, a coragem do Nordeste, que a gente vê refletida tanto na vida dele.
Hoje a homenagem não é só ao humorista, mas é ao homem, ao legado, à mente brilhante que ensinou o Brasil a rir e que, na própria travessia, nos mostrou o que é permanecer, porque alguns nomes não passam, eles viram direção, e o de Chico, como aquela curva, não tem fim.
Viva Chico Anysio!
Muito obrigada pela oportunidade. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Viva Chico Anysio! É isso aí. Muito bem, muito bem.
Eu queria, neste momento, ao mesmo tempo em que eu agradeço à Fernanda, que é mineira - e eu já falei aqui outras vezes, troquei o Chico Anysio por Chico Xavier, essa coisa, mas ela conheceu o Chico Xavier, ela teve a oportunidade de conhecê-lo, algo que eu não tive, essa bênção -, dizer uma coisa para vocês: nesta tarde, noite quase, porque são 17h, a gente tem mais surpresas aí. Esperem um pouco, que a gente... Quem vai fechar esse evento vai ser você, Malga, daqui a pouco.
Mas antes tem um grande jornalista, muito equilibrado, extremamente competente, que teve a oportunidade de conviver ali com o Chico, durante um tempo, lá na TV Globo, com as suas apurações e tudo, que é o Ricardo Feltrin. Ele fez um vídeo especial para hoje, para esta sessão solene do Senado Federal, e eu peço à nossa atenciosa Secretaria que coloque esse vídeo.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muitíssimo obrigado, jornalista Ricardo Feltrin. Admiro muito o seu trabalho, acompanho, inclusive, deu uma entrevista muito boa, há poucos dias, para o Pânico, e eu acompanhei. Sempre com uma apuração muito rápida, muito fidedigna, da imprensa brasileira, e muita honra receber o senhor aqui, mesmo que virtualmente, nesse vídeo especial. Você vê o carinho que ele teve em colocar ali as imagens e tudo. Muito obrigado, mesmo, pela sua participação.
Eu também queria registrar o Senador Nelsinho Trad. Ele fez um pronunciamento aqui, que eu vou rapidamente fazer a leitura. Ele não teve condição de entrar porque ele está no interior de Mato Grosso do Sul, mandou uma mensagem aqui, diretamente no meu celular, dizendo que o sinal estava muito ruim, mas ele fez um discurso muito impactante e eu vou ler aqui.
Chico não fazia apenas rir, Chico fazia pensar. Em cada personagem, havia crítica, inteligência, observação da vida real e, acima de tudo, uma sensibilidade rara para entender o povo brasileiro. Ele tinha o dom de captar a alma das pessoas, seu jeito, suas dores, suas contradições, suas esperanças, e fazia isso com um talento tão grande, que transformou o humor em reflexão, e a arte em memória permanente no nosso país.
E é justamente aí que essa homenagem ganha, para mim, um significado ainda mais especial. Na medicina, profissão que abracei antes da vida pública, a gente aprende uma lição que nunca deve ser esquecida: por trás de cada diagnóstico, existe uma pessoa; por trás de cada queixa, existe uma história; por trás de cada silêncio, existe, muitas vezes, um sofrimento que precisa ser compreendido. O médico que quer cuidar de verdade precisa aprender a enxergar gente e não apenas sintomas.
Eu diria que Chico Anysio, à sua maneira, também exerceu esse olhar profundo sobre o ser humano. Ele observava as pessoas com atenção, entendia seus gestos, suas falas, suas manias, e devolvia isso ao Brasil por meio de personagens inesquecíveis. Ele fazia o país se ver na tela, e, talvez, esteja aí uma das maiores marcas do seu legado: Chico nos ensinou que compreender o Brasil passa, antes de tudo, por compreender o brasileiro.
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Na vida pública, esse ensinamento também é alicerce. O mandato só tem sentido quando ele sabe ouvir, perceber e respeitar a realidade das pessoas, quando não perde a capacidade de enxergar o cidadão comum, a família, o trabalhador, o idoso, o jovem, aquele que vive longe dos grandes centros, aquele que muitas vezes não tem voz, mas tem necessidades reais.
E eu procuro levar comigo todos os dias essa obrigação humana de olhar para as pessoas como elas são, com verdade, com respeito e com responsabilidade. Chico Anysio fez isso pela arte. Nós, na vida pública, precisamos fazer isso pelo compromisso com o Brasil.
E há outro ponto que torna essa homenagem ainda mais simbólica: a televisão. A TV brasileira durante décadas entrou na casa das famílias, reuniu gerações, criou referências afetivas e ajudou a formar uma identidade nacional. Chico Anysio compreendeu como poucos a força desse veículo. Ele não usou a televisão apenas para entreter, ele usou a televisão para se comunicar com o Brasil profundo, com o Brasil real, com o Brasil que trabalha, sofre, sonha e ri. Transformou a tela em ponto de encontro com o povo.
Essa capacidade de comunicação direta, simples e verdadeira talvez seja uma das maiores lições que ele nos deixa, porque comunicar não é apenas falar, é chegar ao outro, é ser compreendido, é tocar as pessoas. E quem está na vida pública tem o dever de aprender essa lição todos os dias.
Por isso, ao homenagear Chico Anysio, eu não homenageio apenas um gênio do humor, homenageio o intérprete do Brasil, o homem que soube olhar para o nosso povo sem preconceito, sem distância e sem artificialidade; um homem que percebeu que a grandeza do país está justamente no seu povo, na sua diversidade, nos seus sotaques, nos seus tipos humanos, na sua força, e até nas suas imperfeições.
Seu talento era imenso, sua criatividade parecia não ter fim e sua obra permanece viva na memória de gerações. Seu legado é eterno, porque quem marca a alma de um país nunca vai embora de verdade.
Chico Anysio vive no riso, na saudade e na história do Brasil. Muito obrigado. (Palmas.)
Aqui é um pronunciamento belíssimo de um Senador que, em meio a tantos desafios que a gente tem, o Nelsinho Trad é conhecido por todos nós como aquele que tenta amenizar um pouco a situação em alguns momentos. Em finais de semana, manda um vídeo sempre inteligente, sem nenhum tipo de forçação de barra, um vídeo para nos deixar com mais esperança e sorrir um pouco com as coisas do dia a dia.
Nelsinho, muito obrigado pela sua participação aqui. Ele é Senador pelo estado de Mato Grosso do Sul, foi Prefeito, inclusive, de Campo Grande e faz a sua homenagem, nesta data emblemática, a Chico Anysio, e que vai ficar nos Anais desta Casa.
Eu, antes de passar a palavra para o nosso próximo orador, que aqui está do meu lado, queria solicitar à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de mais um vídeo do eterno Chico Anysio, com o seu personagem jovem que eu prometi aqui, o Washington, um jovem militante.
Mostra aí para a gente ver.
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(Procede-se à exibição de vídeo. ) (Risos.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Gênio! Malga, gênio é gênio, né? Gênio é gênio!
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Ele escancara, muitas vezes, a hipocrisia de uma forma genial, né? De um talento enorme.
Mas, olha - daqui a pouco a gente passa outro esquete aqui também interessante -, neste momento, eu concedo a palavra ao Sr. Edgar Lagus - está certo? Lagus?
O SR. EDGAR LAGUS (Fora do microfone.) - Lagus.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Presidente da Associação Beneficente Cultural - daqui para o final, eu vou acertar direitinho - B'nai B'rith, de São Paulo, por dez minutos.
Muito obrigado, Sr. Edgar. O senhor pode usar a tribuna com muita... Nós estamos aqui para ouvi-lo. Então, tem o tempo de dez minutos, mas a gente tem a tolerância da Casa.
Muito obrigado.
O SR. EDGAR LAGUS (Para discursar.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores e autoridades aqui presentes, hoje, esta Casa presta uma justa homenagem que transcende o riso, ultrapassa a memória artística e alcança o coração da identidade brasileira.
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Homenageamos um homem que foi, ao mesmo tempo, espelho, intérprete e consciência do nosso povo, Chico Anysio.
Falar de Chico Anysio é falar de um talento raro, daquele que não apenas entretém, mas que ajuda a construir a própria narrativa de um país. Criador de dezenas - foram falados 207 ou 208, se não me engano - personagens inesquecíveis, conseguiu traduzir o Brasil em suas múltiplas vozes, sotaques, virtudes e contradições. Seus personagens não eram apenas criaturas ou caricaturas, eram retratos vivos da nossa sociedade. Com humor, disse o que muitos não ousavam dizer; com inteligência, revelou nossas fragilidades; e, com humanidade, nos ensinou a rir de nós mesmos, o que talvez seja uma das formas mais profundas de amadurecimento coletivo e de fortalecimento democrático.
Com sua grandeza, não se limitava ao palco, à televisão ou ao talento artístico. Chico Anysio foi, acima de tudo, um cidadão comprometido com o homem, atento ao seu tempo, às transformações, à sociedade e aos valores que orientavam a convivência humana. Seu comprometimento com o Brasil se manifesta não apenas na arte, mas também em suas posições, em sua coragem, em sua disposição de participar do debate político, mesmo quando isso exigia muita firmeza e clareza. Entre esses valores, destaca-se sua sensibilidade à causa da liberdade, da dignidade humana e do direito dos povos à sua identidade.
Chico expressou de forma clara o seu apoio ao Estado de Israel, demonstrando que sua visão de mundo ia além das fronteiras nacionais, alcançando temas universais, que envolvem a história, a memória e a sobrevivência de um povo. Esse posicionamento revela um artista que não se omitia diante de questões complexas, que compreendia o peso da história e exercia sua consciência com responsabilidade e dignidade.
É nesse mesmo campo de valores que se insere a atuação da B'nai B'rith, uma das mais antigas e respeitadas organizações judaicas do mundo. Ao longo de sua história, a B'nai B'rith tem desempenhado um papel fundamental na promoção dos direitos humanos, no combate à intolerância e preservação da memória, pilares essenciais para qualquer sociedade que aspire justiça e paz. Ao mencionar a B'nai B'rith nesta homenagem, reconhecemos a importância da instituição na construção de uma sociedade mais justa e consciente, reafirmamos a convergência de valores que dialogam profundamente com a trajetória de Chico Anysio.
Quero também destacar e parabenizar o Senador Eduardo Girão, idealizador desta justa e necessária homenagem. Sua iniciativa demonstra sensibilidade, compromisso com a valorização da cultura brasileira e de seus grandes nomes. Eu incluiria também o Senador Izalci e a Senadora Damares. E faço aqui um agradecimento especial à Malga di Paula, companheira de vida de Chico Anysio, por sua presença, por sua dedicação à preservação da memória de Chico e por manter vivo o legado de um dos maiores atores da cultura brasileira.
Senhoras e senhores, ao homenagearmos Chico Anysio, não estamos apenas recordando um artista extraordinário, estamos reafirmando valores à cultura como um instrumento de reflexão, de crítica e de transformação social. Ele apenas não nos fez rir, ele nos fez pensar, e pensar em tempos difíceis é um ato de coragem. Seu legado permanece vivo não apenas nos arquivos da televisão brasileira, mas na forma como aprendemos a olhar para nós mesmos com mais lucidez, mais senso crítico e, sobretudo, mais humanidade.
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Que esta homenagem não seja apenas um gesto simbólico, mas um compromisso renovado com a valorização da cultura, com a defesa da liberdade de expressão e com o reconhecimento daqueles que ajudam a construir a identidade de nosso povo!
Chico Anysio permanecerá na memória coletiva, permanecerá no riso que provoca a reflexão, permanece, acima de tudo, na alma do Brasil.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bom. Muito obrigado pela sua participação neste momento histórico, Sr. Edgar Lagus, Presidente da Associação Beneficente e Cultural B'nai B'rith, de São Paulo.
Acertei desta vez? (Pausa.)
Ah, desta vez, olhe aí, eu também. (Risos.)
Mas eu quero aproveitar e fazer uma saudação especial. Enquanto a gente está tendo esta sessão, muitos grupos têm vindo aqui. Às vezes, não dá para mostrar, porque alguém está fazendo uma exposição virtual ou presencial, mas a gente está tendo o privilégio de receber aqui no Plenário, nas galerias do Plenário bicentenário do Senado Federal, os alunos do curso de Direito da PUC de Campinas. Sejam muito bem-vindos aqui! (Palmas.)
Hoje, aqui no Senado, a gente não tem sessão deliberativa, de votação. São sessões de homenagens, de pronunciamentos. E hoje a gente está fazendo homenagem a um grande brasileiro. Eu estou vendo muitos jovens aqui, mas vocês já ouviram falar do Chico Anysio, não é?
(Manifestação da plateia.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Olhe aí. Pegaram. Muitos aqui assistiram. É um cearense como eu. Eu estou Senador pelo Ceará, sou Eduardo Girão, e o Chico Anysio é um conterrâneo lá de Maranguape, pertinho de Fortaleza, e a gente está fazendo aqui uma homenagem ao legado dele. Estaria fazendo, esta semana, 95 anos, mas deixou aí, inclusive, algo que transcende o humor, a genialidade do seu humor. Ele, inclusive, inspirou, no dia 12 de abril, que o Brasil tivesse o Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia.
O que é a psicofobia? É o preconceito contra pessoas com transtornos e deficiências mentais. Ele mesmo passava por um problema de depressão profunda, o Chico Anysio, e revelou isso publicamente. Tem um vídeo que nós passamos mais cedo aqui, com ele sendo entrevistado pelo Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria e dizendo da importância do tratamento, do quanto isso, podemos dizer assim, salvou a vida dele. Ele dá um testemunho muito forte, o nosso querido Chico Anysio.
Sejam muito bem-vindos, muito bem-vindas ao nosso Plenário do Senado Federal, da Casa revisora da República!
Agora, nós vamos assistir a mais um esquetezinho. É bom até que vocês estejam aqui, dois minutinhos, se puderem ficar. Nós vamos colocar um vídeo importante de outro personagem, um dos 208 personagens de Chico Anysio, que é exatamente o Justo Veríssimo.
Vamos ver aqui esta passagem dele, uma crítica à política, não a todos os políticos, mas a uma parte deles.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Risos.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Até o Zezinho riu. Ele é conterrâneo do Chico Anysio. O Zezinho trabalha há 40 anos aqui no Senado Federal. Ele é lá de Santa Quitéria. Vamos conhecer; quando você for ao Ceará de novo, vamos lá à terra dele, Santa Quitéria.
Olha a crítica que ele fazia! É uma crítica muito inteligente, assim, que fez muita reflexão, e gerou muita inspiração também.
Eu queria solicitar da nossa competente Secretaria-Geral da Mesa a exibição de mais um vídeo especial que foi enviado aqui para esta sessão solene, do Sr. Nelson Freitas, que é comediante e um dos melhores amigos do Chico Anysio. Por favor, coloque aí.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar - Presidente.) - Muito obrigado.
Olha, Nelson Freitas, não existe coincidência, não existe coincidência! Hoje, eu estava cedo lá em casa, abri o Instagram e chegou um vídeo muito interessante, ele fazendo reflexões; foi uma coisa, assim, que chegou. Então, foi uma grata surpresa. Esse vídeo eu não sabia que ele tinha enviado, e fico muito feliz.
Nelson, muito obrigado por participar desta sessão. Que Deus te abençoe e te ilumine sempre!
Eu queria pedir a atenção de vocês - nós já estamos nos encaminhando para o final da sessão -, porque eu gostaria de fazer aqui rapidamente um pequeno discurso meu.
Então, a gente está reunido hoje, aqui, em sessão solene para reverenciar a memória de um dos maiores intérpretes da alma nacional: o inesquecível Chico Anysio.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, nasceu em Maranguape. Tem muito Girão em Maranguape; depois de Morada Nova, em Maranguape é onde tem mais Girão e, depois de Maranguape, é em Sobral, a terra do Renato Aragão. Olha só, dois grandes humoristas brasileiros. Chico Anysio nasceu em 12 de abril de 1931.
Desde muito cedo, ele revelou uma inteligência aguda, um olhar atento para o cotidiano e uma sensibilidade para traduzir o Brasil em personagens. Ainda menino, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde sua vocação encontrou terreno fértil para florescer. Foi no rádio, especialmente na lendária Rádio Nacional, que começou a lapidar seu talento. Ali, entre microfones e plateias invisíveis, Chico desenvolveu uma habilidade extraordinária: dar voz a muitos brasis, com sotaques, trejeitos e histórias que já anunciavam o gênio que viria a se consolidar.
Quando a televisão chegou e se consolidou ali, na década de 60, ele não apenas se adaptou, ele ajudou a definir o que seria o humor da televisão brasileira, especialmente na Rede Globo de Televisão. Programas como Chico City e Chico Anysio Show tornaram-se verdadeiros marcos culturais em nosso país.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Chico criou 208 personagens, um feito que não é apenas quantitativo, mas profundamente qualitativo. Cada figura era um retrato, uma crítica, uma reflexão. Ele não fazia apenas rir, ele fazia pensar.
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Entre suas criações, talvez nenhuma sintetize tão bem sua genialidade e sua generosidade, quanto a Escolinha do Professor Raimundo. Em um cenário simples, quase despretensioso, Chico construiu uma verdadeira sala de aula do Brasil. Ali, ele abriu espaço para novas gerações de humoristas, acolheu talentos esquecidos e mostrou que o riso também pode ser instrumento de inclusão, de crítica social e de resistência cultural. Sua generosidade, tantas vezes relatada por colegas... Pouca gente sabe, mas o Chico doava quase tudo que ele ganhava - a Malga, inclusive, conta isso, nessa entrevista antológica, com o brilhante jornalista Rodrigo Alvarez. Então, ele ajudava os seus colegas, ele se preocupava com os seus colegas de trabalho, com o ganha-pão deles, e às vezes doava o seu salário e os shows que ele fazia, para funcionários também; e o Chico, nos seus contratos negociados com várias emissoras, estava sempre pensando nos seus colegas de trabalho, dando a mão para humoristas - é um celeiro que foi criado ali a partir do Chico Anysio. Então, ele se revelou um artista que compreendia a arte como uma missão coletiva.
Chico Anysio foi muito mais do que um humorista; foi ator, roteirista, escritor, compositor, dublador - um criador completo. Sua obra literária, embora menos conhecida do grande público, expõe um observador atento, crítico e, por vezes, incômodo do Brasil. Ele não se contentava com a superfície; mergulhava nas contradições, nas virtudes e nos vícios da nossa sociedade.
É por isso que podemos afirmar, sem exagero, que Chico Anysio foi - e, como disse a Zélia há pouco, é e sempre será - um grande cronista do Brasil. Seus personagens, ainda que caricatos, eram profundamente humanos. Neles estavam o político astuto, o trabalhador sofrido, o malandro esperto, o sonhador ingênuo, arquétipos que, reunidos, compõem o mosaico complexo da nossa identidade nacional. Em um país de tantas diferenças - um país continental, como o Brasil -, ele soube encontrar unidade no riso e verdade na sátira.
Nordestino orgulhoso, brasileiro por excelência, Chico Anysio viveu 80 anos e dedicou 65 deles a servir o Brasil, com inteligência, criatividade e espírito público, ainda que por meio da arte. Seu legado permanece vivo não apenas nas reprises de seus programas, mas na linguagem do humor brasileiro, que ele ajudou a moldar de forma definitiva.
Hoje, ao prestarmos esta homenagem, não celebramos apenas a memória de um artista; celebramos um intérprete do povo, um construtor de imaginários, um homem que compreendeu que rir de nós mesmos é, também, uma forma de nos conhecermos melhor.
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Que seu exemplo continue a inspirar gerações e que o Brasil jamais se esqueça de quem, com talento e humanidade, soube transformá-lo em arte.
Muito obrigado.
Que Deus o abençoe e o guarde, Chico Anysio. (Palmas.)
Obrigado, pessoal.
Olhem, nós estamos aqui também registrando a presença, na galeria, dos alunos do curso de Letras Inglês da Universidade de Brasília, do Distrito Federal. Muito obrigado pela presença de vocês, sejam muito bem-vindos aqui. (Palmas.)
Antes de nós ouvirmos a nossa também homenageada... Chico Anysio, grande homenageado, que, com seu legado - seu legado não apenas no humor, mas também no enfrentamento através da sua dor -, ajudou o Brasil, ajuda os brasileiros com relação ao dia do seu aniversário, que deu origem ao Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia.
Olhem que rica esta sessão, quanta reflexão vai trazer, muitos e muitos anos. Então, a Malga di Paula é também homenageada, a vida dela, que um dia o brasileiro vai conhecer melhor, mas muita gente já conhece, já é fã - você viu aqui a Senadora dizendo que é sua fã -, e a Malga, o reencontro dela, eu chamo assim, nesta vida, o encontro dela com o Chico Anysio é muito emocionante, aquela história da chuva, de você indo, conversando com ele, no primeiro encontro, para falar sobre arte... E ela vai contar daqui a pouco, tem que dar uma palhinha para a gente aqui. Depois a chuva, aquela coisa, deixando o Chico no aeroporto, Chico foi para os Estados Unidos, e aquela semana foi uma semana muito forte, que em poucos dias resultou no casamento, e é uma inspiração para nós.
Daqui a pouco a gente vai ouvir a Malga para fechar esta sessão, mas, antes, eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo também, feito com muito carinho, pelo Sr. Márvio Lúcio, que é humorista e locutor carioca.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bom! Márvio Lúcio é humorista e locutor - é o Carioca. O Carioca que tem um podcast maravilhoso também, a que eu assisto, viu? É o...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - ... Ticaracaticast, que é com o Bola. Eles fazem uma dupla ali, é muito divertido, inteligente demais - os dois. Sempre que eu posso, é uma diversão que eu tenho; um hobby que eu tenho é assistir.
Muito obrigado - viu, Carioca! - a você, que teve a benção de conhecer o Chico Anysio e falar aqui da sua inspiração! Realmente, é muito bonito esse seu testemunho!
Muito obrigado.
Eu agora, para a gente fechar esta sessão solene, convido para assumir uma das tribunas, ou a da direita ou a da esquerda, você fique à vontade.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - E aí eu vou chamar a Malga di Paula, viúva do homenageado desta sessão especial. Ela é uma pessoa que eu tive a oportunidade de conhecer muito recentemente e em quem a gente percebe uma alma muito boa. Quero mandar um abraço para os pais dela que estão lá no Rio Grande do Sul, e ela veio de lá especialmente para esta sessão. A Malga tem uma história muito bonita com o Chico Anysio.
Eu vou ter que falar, Malga, aqui, você me desculpe, porque tem uma frase que me inspira muito, também de uma pessoa que tem o nome Chico. Eu - por três vezes aqui, ou duas - falei do Chico Xavier, que é o conterrâneo da nossa querida Fernanda, para dizer que Chico tem uma frase muito bonita que diz o seguinte, é mais ou menos assim, para mim é uma inspiração: "Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas todos nós podemos começar agora a fazer um novo fim". É um convite a você entrar, a reparar alguma coisa equivocada e terminar bem.
Malga, Deus lhe deu esse privilégio de, nos últimos 14 anos, conviver com esse grande cearense, esse grande brasileiro. É um presente de Deus, realmente, você para a vida dele e ele para a sua vida, porque foi uma marca muito forte. Muita coisa aconteceu nesses 14 anos, e um dia o Brasil vai conhecer também.
Muito obrigado por você ter vindo aqui ao Senado - é aqui a nossa Casa. Fizemos há pouco tempo 200 anos, esta Casa. Ali tem Jesus Cristo, lá em cima; embaixo tem o Ruy Barbosa, que falou muito do momento que a gente vive hoje. Era um nordestino como o Chico Anysio, que falou muito sobre este momento que a gente vive no Brasil, de muitos desafios.
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E ele tem frases aqui que... Também um homem à frente do seu tempo.
Muito obrigado pela sua presença.
O microfone da tribuna, do lado direito, é seu. Fique à vontade.
A SRA. MALGA DI PAULA (Para discursar.) - Obrigada.
Boa tarde. Muito obrigada pelo convite, é uma honra estar aqui hoje.
Gratidão ao Senado Federal, ao Presidente Davi Alcolumbre e, principalmente, ao Senador Eduardo Girão, que fez essa proposição para que essa homenagem acontecesse.
Trabalhamos alguns dias juntos - eu, o Senador, a Tallita - para trazermos amigos queridos para cá hoje. Nossas conversas foram muito fraternas e, por vezes, muito engraçadas - a Tallita sabe disso. Mesmo que nem muitas pessoas tenham podido vir, as que estão aqui, nossos amigos, são realmente as mais especiais.
Obrigada pela presença de vocês.
Senador Girão, gratidão também à sua adorável família, que nos recebeu com tanto carinho: à Manoela Maria, à Maria Eduarda, à Marcia, sua esposa, e ao senhor. O privilégio que tive de passar um tempo com vocês será inesquecível. Que Deus continue os abençoando e que as armas de São Jorge os protejam de todo mal, por hoje e sempre.
Então, em março deste ano, fez 14 anos que Chico partiu. E, no final da semana, como já falamos bastante aqui, no dia 12, ele faria 95 anos. Dia 12 de abril, em sua homenagem, como já foi falado muito aqui, é o Dia do Humorista, mas também o Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia, definida essa data pela Associação Brasileira de Psiquiatria.
Ele nunca teve problemas de falar sobre os transtornos psiquiátricos que enfrentava há anos. Ele sempre falou abertamente sobre a necessidade de buscar apoio psiquiátrico e terapêutico. Algo que... Eu não sei se o Dr. Antônio Geraldo continua com a gente, mas uma história que eu quero contar é que o Chico não estava bem quando o Dr. Antônio Geraldo... quando a Analice nos procurou para fazer essa entrevista e, na verdade, eles o convidaram para um congresso que iria acontecer no final de semana, para o Chico falar e prestar esse depoimento para eles.
E eu falei: "Analice, eu não tenho certeza se o Chico poderá ir para esse evento", porque ele estava oscilando muito. Um dia ele estava bem, outro dia não estava bem, então eu sugeri que eles fossem na nossa casa para gravar esse depoimento, porque talvez ele não pudesse ir ao congresso.
E foi exatamente o que aconteceu. No dia em que aconteceu este congresso, o Chico estava no CTI e ele não pôde ir. (Manifestação de emoção.) Nunca me esqueço desse momento, não sei se o Dr. Antônio Geraldo lembra, mas foi isso que aconteceu.
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Desculpem, eu choro sempre ao falar do Chico, eu me emociono muito.
O Chico morreu aos 80 anos, muito cedo, já que ele vinha de uma família cearense, arretada e muito longeva. Poderia ter vivido muitos anos, não fosse o terrível ato de fumar.
Algo que não foi falado aqui, Senador, não foi trazido ainda - talvez o senhor nem saiba disso, mas eu faço questão para ampliar um pouquinho mais, para as pessoas conhecerem um pouquinho mais ainda sobre o Chico Anysio -, ele desenvolveu um enfisema pulmonar que o matou aos poucos, sempre com muita dor e com muito sofrimento. Por causa da tragédia do cigarro em sua vida, Chico fazia muito ativismo contra o tabagismo para conscientizar as pessoas a pararem de fumar, poupando assim a dor dos dependentes e de suas famílias.
Por isso, logo que ele partiu, eu abri o Instituto Chico Anysio com o intuito de colaborar numa pesquisa com células-tronco extremamente promissora como tratamento e até a cura de doenças obstrutivas crônicas. A pesquisa corria muito bem, fizemos o procedimento em algumas pessoas que relataram grandes melhoras, mas infelizmente o processo foi interrompido por falta de recursos, já que as pesquisas médicas não são prioridade no Brasil.
Quando o Chico estava vivo, ele contribuía com o seu próprio dinheiro para a pesquisa, para ajudar milhões de pessoas em todo o mundo. Quando o Chico morreu, perdemos tanto: a família perdeu um pai e um marido adorável, os fãs do seu humor ficaram órfãos do riso, portadores de transtornos mentais e portadores de DPOC perderam parte da esperança.
Uma das coisas que mais dava prazer ao Chico era sentar-se ao seu escritório e escrever. Ele escrevia compulsivamente e não havia nada que ele escrevesse que não fosse absolutamente genial - música, roteiros para o teatro, cinema, televisão. Ele acordava cedo e ia direto ao escritório trabalhar. Nas pausas, para ele relaxar, ele se sentava no ateliê, ao lado da escrivaninha, para pintar: pintava marinhas, e, nas suas pinturas de paisagens, nunca havia nenhuma imagem de pessoas. Para quem conhece a obra do Chico, observe: vocês nunca encontrarão uma pessoa em suas paisagens.
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Na sua arte havia muito do Chico. Como ele dizia, aquelas paisagens representavam a ausência, ausência que eu nunca consegui acessar porque para mim o Chico era pura presença. (Manifestação de emoção.)
Chegar ali no escritório era aquecer o meu coração, era amor, era afago e paz. Estar junto dele era parceria, mas principalmente aprendizado: quantas lições, quantas oportunidades, quanta generosidade e humanidade. Ele tinha histórias extraordinárias para contar, porém, sabia ouvir, analisar e, ao final, sempre tinha um conselho perfeito, palavras de acolhimento, para quem precisasse, ou um puxão de orelha - também era uma opção, se precisasse.
O Chico tinha muito medo de ser esquecido. Não havia internet na época; com apenas televisão, era mais difícil manter as histórias vivas. Ele nem conseguiria imaginar a loucura que seriam as redes sociais. Hoje, talvez centenas de milhares de vídeos dele circulem pelas redes, e ele está e continuará na memória do povo que ele tanto amava.
Agora eu quero contar uma história, pessoal, que aconteceu ontem. A nossa empregada, que foi cozinheira do Chico por 12 anos, me mandou uma mensagem, emocionada, dizendo: "D. Malga, eu passo todos os dias pela Curva Chico Anysio. Todos os dias, eu passo ali e tenho o privilégio de ver a foto do Seu Chico, e a senhora não sabe, D. Malga, mas todo aquele viaduto é pichado e há anos a foto do Chico Anysio está ali e não tem nenhuma...". Pichagem? Nossa, fiquei emocionada. Enfim, ninguém nunca pichou a foto do Chico, até as pessoas que vivem à margem da sociedade respeitam aquele homem.
E eu perguntei a ela: "D. Marta, as pessoas...". Eu não estou no Rio há muitos anos, eu perguntei para ela: "D. Marta, as pessoas costumam chamar a curva de Chico Anysio?". Porque tem ali uma placa que diz "Curva de Chico Anysio", mas eu não sabia se as pessoas continuavam... Ou se as pessoas falavam sobre a Curva de Chico Anysio. E ela falou: "D. Malga, todo mundo fala, é no ônibus, é no Uber, é no táxi, todo mundo fala 'a Curva de Chico Anysio'".
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E como a Fernanda comentou aqui, muitas pessoas não entendem por que o Chico tem uma curva. As pessoas falam que o Chico deveria ter uma avenida, o Chico deveria ter uma praça. Mas o Chico era único, não é? Ele precisava ter uma coisa diferente do que todo mundo. E ele já queria, quando em vida, que aquela curva se chamasse Curva Chico Anysio.
O Prefeito da época me ligou e falou: "Malga, infelizmente eu não posso colocar, porque o Chico está vivo". E eu perguntava para o Chico, porque nós passávamos ali sempre, e, como a Fernanda mesma falou, é a rua onde se passa para ir ao Projac. Então, todo mundo que vai ao Projac, ou a maioria das pessoas, obrigatoriamente passa pela Curva Chico Anysio. E isso significa muito, porque o Chico ajudou a construir cada pilar do Projac, que deve muito ao Chico e que o afastou em vários momentos de sua vida.
Mas para quem quiser saber mais, assista à minissérie do Chico, ou, como o Senador falou, convidou a assistir à minha entrevista no canal Jornada Infinita, do jornalista Rodrigo Alvarez, em que eu explico um pouco por que eu realmente acho que o Chico foi afastado duas vezes: uma, na vida; e outra, na morte. Uma, enquanto ele ainda estava vivo, porque o afastaram por mais de dez anos da televisão; e agora, depois de morto, grande parte da história do Chico foi afastada na minissérie que foi feita pela Globo e que está no ar pela Globoplay. Então, como o senhor falou, espero que um dia, essa história seja restaurada e que a história não contada do Chico Anysio possa ser contada por alguém em algum momento.
Enfim, o Chico não era um gênio, um mestre apenas na profissão; ele era um gênio e um mestre na vida. Eu e o Chico tínhamos uma frase que nos falávamos sempre, e eu ainda repito todos os dias, porque onde quer que ele esteja, eu tenho certeza absoluta de que ele escuta o meu coração. Chico, meu amor, a nossa frase: que bom que a gente se tem.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Que lindo, Malga. Que lindo é isso.
Estamos aqui encerrando este momento, esta homenagem ao legado do Chico Anysio, que transcende. É uma homenagem muito valorosa, porque é um homem à frente do seu tempo e que muita alegria trouxe, que muita reflexão trouxe para o nosso país.
Antes de encerrar, eu tenho que agradecer à Tallita e, em sua pessoa, a todo o nosso gabinete. Mas a Tallita foi uma gigante. Mais uma vez, muito obrigado. Foi num prazo recorde que nós fizemos esta sessão. Eu quero agradecer à Tallita, do nosso gabinete, quero agradecer aqui a toda a equipe da TV Senado, da Rádio Senado, e eu vou fazer questão de ler o nome das pessoas que viabilizaram que a gente estivesse aqui hoje.
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Olhe só o time, Malga, de servidores públicos exemplares que fizeram aqui esse trabalho todo para propiciar a realização desta sessão.
Danilo Barboza de Aguiar, Secretário-Geral; Ludmila Fernandes...
Eu quero pedir só um pouquinho...
Olhem quem está ligado até agora, lá, direto de Barcelona. Como se comprometeu, o Dr. Antônio Geraldo está assistindo a tudo.
Dr. Antônio, eu sei que aí já... Aqui são 18h, aí deve ser o quê? São cinco horas a mais, é isso? São 11h da noite? É mais?
O SR. ANTÔNIO GERALDO DA SILVA (Por videoconferência.) - Exatamente, são 23h05.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Às 23h05, muito obrigado pela sua presença. Isso demonstra realmente um compromisso que o senhor tem com a causa, com o Chico, com a Malga, com todos nós. E eu quero dizer para o senhor o seguinte: esse vídeo que nós exibimos aqui, agora há pouco, se o senhor quiser me chamar para o collab, ainda hoje, eu aceito, e a Malga também, eu acredito que vai aceitar, porque é um vídeo que traz essa última entrevista.
Ela está fazendo "claro" aqui.
O SR. ANTÔNIO GERALDO DA SILVA (Por videoconferência.) - Farei isso, Senador.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - E pode contar, porque eu quero encerrar, na minha última postagem de hoje eu vou fazer.
Então, eu tenho que agradecer ao Danilo Barboza Aguiar, à Ludmila Fernandes, ao Paulo César Godoy, à Renata Leão, à Lígia José, à Aline Bueno, ao Rafael Silva, ao Wilson Roberto, ao Zezinho, ao Jackson Souza, ao Edinaldo, ao Silvanio, ao Piloni, o pessoal da Secretaria-Geral da Mesa.
Ao pessoal do painel eletrônico - esse painel que ficou todo bonito, trazendo imagens do Chico, um design fantástico -: Sergio Bonifacio, Eduardo Marinho, Percival Junior, Gabriel Lima, Sostenes de Paula, Marquinhos.
Ao pessoal da Polícia Legislativa do Senado: Thiago Mariotti, Monaliza, Ananda, Bruna, Carolina, Antônio França, Thales da Silva, Lucas Sampaio, Matheus Paixão, Thiago Campos.
Aos vigilantes: Leonardo Gabriel, Vitor Azevedo, Tiago Birmann.
À Secretaria de Atas: Luana Santos.
À Secretaria de Taquigrafia: Quésia Farias, Armando Menezes, Rafael Ballarin, Stefania Zandomênico, Cláudia Gonçalves, Fernando Oliveira.
Ao pessoal do áudio: Clair, Marinho, Lucas Reis, William Batista, Manoel Alexandre, Rafael Santos, Paulo Henrique, (PH), Wagner Porto, Luiz Fábio, Demerval.
Ao pessoal da TV Senado: Fausto, Carlos Nascimento, Itamar Silva, Anacleto Monteiro, Denis Neves.
À brigada de incêndio: Alisson, Heleni.
Ao pessoal do Senac ali, do cafezinho do Senado, sempre muito atenciosos também.
A todos aqui, Magda, Claudinei, Alessandra, Sirlene, Romério, Adilson, Marcos, Ivani, Alexander, Luiz Carlos, Gerson; dos serviços gerais, Carlos, Fátima; plantão da elétrica, Nayara de França; plantão do ar condicionado, Marcos Vilas Boas; o T1, Ezequias; Relações Públicas, Elidiane Fernandes, Amanda Albuquerque, Adriana Conceição, Cynara Putencio, Beatriz Zama, Daniela Gonzaga, Jaciara Brito, Marcus Vinícius Freitas, Maria Inês Nepomuceno, Ramena Romero, Sarah Rachel Caldeira, Thassia Delphino, Thiago Sabino.
Muito obrigado pela presença, pela ajuda de todos vocês. (Palmas.)
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Agradeço demais a todos os que estão até agora conosco no Plenário. Foi uma sessão que já está com o quê? Com quase... Começamos aqui às... São quase três horas de sessão, mais um pouquinho, desde as 15h21min. Quero agradecer a todos os que passaram por aqui, que estão ainda aqui, que estão nos assistindo pela TV Senado, nos ouvindo pela Rádio Senado. É transmitido ao vivo para todo o país e nas redes sociais da Casa, pela Agência Senado também, que faz matérias belíssimas.
Olhem esta semana como foi uma semana profícua. Nós fizemos uma sessão aqui, na segunda-feira - começamos a semana, um dia depois do aniversário do Chico Anysio -, em homenagem aos 300 anos da capital do Chico Anysio. Ele é de Maranguape, mas era a capital a que ele ia sempre, ele fala, Fortaleza, que fez 300 anos no dia 13 de abril.
A SRA. MALGA DI PAULA (Fora do microfone.) - Os pais moravam em Fortaleza. Ele só nasceu em Maranguape.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Olha só, os pais moravam em Fortaleza. Ele só nasceu em Maranguape, o Chico Anysio. E nasceu por uma questão de saúde, teve alguma... A mãe...
A SRA. MALGA DI PAULA (Fora do microfone.) - Num sítio.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Eu estive lá, viu? Eu estive lá no sítio, um dia desse eu fui visitar, tem um museu. Estive lá. Um abraço a todos os que regam essa semente plantada pelo Chico Anysio em sua terra natal, ele que era apaixonado - é, ainda - por Maranguape. E a gente fez uma sessão do tricentenário de Fortaleza.
Os arquivos do Senado - eu me esqueci de dizer na segunda-feira e digo agora, porque nós estamos na semana do aniversário de Fortaleza - possuem como registro sobre Fortaleza os seguintes atos: o PLC nº 95, de 1954, que cria a Universidade do Ceará, com sede em Fortaleza; e o livro O Ceará no Senado, que é um livro de Valdelice Carneiro Girão. Retrata, de forma sucinta, a história do Poder Legislativo como instituição política indissociável do próprio destino na nação. Ele contém os dados bibliográficos dos representantes do Estado do Ceará na Câmara Alta, de 1826 a 1992, através dos quais o leitor pode inteirar-se do pensamento parlamentar de gerações cearenses no encadeamento de dois períodos distintos: o Império e a República.
Olhem, eu não sabia, estou falando para vocês, eu não tinha visto que era a Valdelice Carneiro Girão. Tem um grande historiador, que dá nome a uma rua importantíssima do Ceará, o Raimundo Girão, que foi Prefeito, inclusive, de Fortaleza.
O PLC nº 70, de 2017, inscreve no Livro dos Heróis da Pátria o nome de Martim Soares Moreno, fundador do Ceará.
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Fazendo aqui o registro dos arquivos do Senado.
E, para encerrar esta sessão, eu termino aqui, neste exato momento, com um livro que foi escrito por todos que estão aqui, Malga, e que com ele querem te presentear.
Quero te pedir para vir aqui para a frente comigo para eu te presentear com esse livro.
Quero chamar também nossos convidados para a gente bater a foto oficial, para que a gente possa sair juntos, porque, nesta data aqui, esta sessão nós vamos encerrar em alto estilo.
Então, eu...
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É. Vou, primeiro, entregar aqui e depois nós vamos bater uma foto, depois que a gente encerrar a sessão, tá?
Vem cá, Malga! Vem cá, Fernanda! (Pausa.)
Vou fazer essa entrega aqui.
Vamos aqui. Depois a gente faz a foto aqui.
Vamos fazer a entrega desse livro com mensagens de muita gente que estava aqui conosco, que passou...
A SRA. MALGA DI PAULA - Que lindo!
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - E com a capa "Sessão Especial em homenagem ao legado de Chico Anysio".
A SRA. MALGA DI PAULA - Vocês só me fazem chorar hoje! (Risos.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Então, vamos aqui.
Vamos aqui, Fernanda, também, juntos.
Vamos entregá-lo.
É seu.
(Procede-se à entrega de livro de mensagens à Sra. Malga di Paula, em homenagem ao legado de Chico Anysio.) (Palmas.)
A SRA. MALGA DI PAULA - Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito bem.
A SRA. MALGA DI PAULA - Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Obrigado.
Neste momento, quero encerrar esta sessão.
A sessão está oficialmente encerrada, agradecendo a todos vocês.
Muito obrigado.
Que Deus os abençoe! E tudo de bom!
(Levanta-se a sessão às 18 horas e 13 minutos.)