Notas Taquigráficas
4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 29 de abril de 2026
(quarta-feira)
Às 10 horas
6ª SESSÃO
(Sessão Solene)
| Horário | Texto com revisão |
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| R | O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG. Fala da Presidência.) - Declaro aberta a sessão solene do Congresso Nacional destinada a homenagear os 30 anos do Grupo UOL. A presente sessão foi convocada pelo Presidente do Congresso Nacional, Senador Davi Alcolumbre, em atendimento ao Requerimento nº 12, de 2026, de minha autoria e também de autoria da Deputada Federal Tabata Amaral. Compõem a mesa desta sessão solene - desde já convido-os a compor o dispositivo -, juntamente com esta Presidência: a Sra. Deputada Federal Tabata Amaral; a Sra. Maria Judith de Brito, Vice-Presidente de Áreas Corporativas do Grupo UOL; o Sr. Paulo Samia, Diretor-Presidente e CEO do UOL; o Sr. Murilo Garavello, Diretor de Conteúdo do UOL. (Pausa.) Agradecendo a todos os presentes, todas as senhoras e senhores, convido-os para, em posição de respeito, entoarmos o Hino Nacional brasileiro. |
| R | (Procede-se à execução do Hino Nacional.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Neste momento, convido todos a assistirmos ao vídeo preparado pelo Grupo UOL, especialmente, para esta sessão. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG. Para discursar - Presidente.) - Eu gostaria de registrar a presença dos Embaixadores e representantes diplomáticos do Panamá, da República Dominicana e da Rússia. Senhoras e senhores, eu cumprimento a coautora desse requerimento para a realização desta sessão solene em homenagem aos 30 anos do UOL, a Deputada Federal Tabata Amaral, rendendo a S. Exa. todo o meu apreço e admiração pelo seu trabalho desenvolvido na política e no Parlamento brasileiro. É uma alegria tê-la conosco, Deputada Tabata, nesta sessão solene, no Plenário do Senado, numa sessão do Congresso Nacional. Saúdo a Sra. Vice-Presidente de Áreas Corporativas do Grupo UOL, Maria Judith de Brito; igualmente o CEO do UOL, Paulo Sâmia; e o Diretor de Conteúdo do UOL, Murilo Garavello, que compõem este dispositivo com esta Presidência. Permito-me cumprimentar também os profissionais jornalistas, na pessoa da Carla Araújo, Correspondente-Chefe do UOL aqui em Brasília, com quem conversamos amiúde a respeito desta sessão solene. E agradeço, inclusive, à Carla por nos proporcionar a ideia para que pudéssemos subscrever a autoria desse requerimento de sessão solene. Cumprimento todos os presentes, os Srs. Senadores, as Sras. Senadoras, os Srs. Deputados Federais, as Sras. Deputadas Federais. É com satisfação que uso da palavra para homenagear os 30 anos de existência de um veículo de comunicação que constitui um marco do jornalismo profissional brasileiro, bem como um pioneiro da notícia distribuída pela internet. O requerimento desta sessão solene, como disse, foi apresentado por mim a S. Exa. o Presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, tendo também como subscritora, representando a Câmara dos Deputados, a Deputada Federal Tabata Amaral. Todos sabem que a internet tem hoje um papel primordial, especialmente no que diz respeito à democratização do acesso à informação. A era digital transformou, de uma vez por todas, a maneira como consumimos conteúdo. Isso é absolutamente fundamental no que diz respeito ao fortalecimento da cidadania como um fundamento da nossa República. |
| R | Por outro lado, a facilidade de disseminação de conteúdo trouxe também agruras. É grande a profusão de informações que brotam, como por mágica, das mais variadas fontes, e muitas vezes essas informações não são checadas e podem trazer desinformação. Por isso, ao nos depararmos com canais confiáveis de jornalismo profissional, precisamos enaltecer, reconhecer e valorizar esses veículos. É o caso do UOL. O canal ou portal Universo Online - uma empresa pertencente ao Grupo Folha - surgiu em 1996, quando a internet começava a se popularizar no Brasil. No ano anterior, o Governo Fernando Henrique Cardoso havia criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil. Entre suas atribuições, aquele comitê tinha a finalidade de criar parâmetros legais para ordenar a expansão da internet no nosso país, garantindo concorrência justa entre provedores; também estabeleceu certos padrões técnicos mínimos para as empresas que operam na rede. O UOL não perdeu essa grande oportunidade. Já começou instaurando o padrão de qualidade do serviço de jornalismo na internet, um padrão que seria copiado pelos concorrentes, dificilmente igualado. A princípio, oferecia serviços de bate-papo, publicava a edição diária da Folha de S.Paulo, abrindo parte do acervo do jornal ao público, e trazia reportagens traduzidas do The New York Times - eram os produtos principais. As soluções gráficas e as apresentações de texto tinham início ali, com ligações para outros textos e para outras páginas da web. O UOL esbanjava pioneirismo e fazia escola. Um ano depois, em 1997, ocorreu o lançamento da TV UOL, a primeira televisão feita na web, para o público da web, e transmitida exclusivamente pela web, com 24 horas de programação e ênfase no jornalismo. No ano 2000, a empresa lança o pacote tecnológico que permite ao público acessar o conteúdo do canal por telefone celular - o que hoje é um hábito corrente e trivial, teve um começo, e o UOL estava lá. Em 2002, o UOL transmitiu o primeiro jogo da seleção brasileira ao vivo pela internet. Em 2010, o UOL organizou o primeiro debate entre candidatos à Presidência da República transmitido exclusivamente pela internet. Em 2006, um programa do UOL - o projeto Políticos do Brasil - ganha o cobiçado Prêmio Esso de Jornalismo. O PagSeguro, serviço de comércio eletrônico; o UOL Host, serviço voltado ao empreendedorismo digital; o UOL Assistência Técnica, com atendimento remoto ao assinante; o UOL EdTech, com soluções de aprendizagem online; o mais recente AI/R, serviço de consultoria em inteligência artificial e inovação digital: são todos eles produtos que a empresa vem oferecendo, fazendo do UOL uma potência em serviços de tecnologia digital. |
| R | Afora todo o brilhantismo tecnológico da empresa e a sua trajetória de sucesso nos mais variados negócios, quero enfatizar o núcleo da empresa, a origem dela, o serviço de que eu, particularmente, sou usuário assíduo nestas três décadas: o jornalismo. O jornalismo do UOL, feito com a qualidade habitual da Folha de S.Paulo, mas com as características da linguagem da internet, é garantia do acesso a notícias e a comentários feitos com objetividade, responsabilidade e independência. É fonte segura de informações em tempos sombrios de desinformação. É quando podemos separar o joio do trigo, como no bom e velho jornalismo, ainda que com uma roupagem digital. A equipe de jornalistas que o UOL conseguiu reunir é um grupo de peso, um time invejável e admirável. Só nos resta agradecer à empresa, a todos os seus profissionais, admiradores, administradores, jornalistas, técnicos e a todos os seus colaboradores por empreenderem no Brasil, por trazerem a novidade tecnológica a diversas áreas do nosso mercado e, sobretudo, por fazerem um jornalismo de tão alto nível. Tudo isso fez do UOL a maior empresa brasileira de conteúdo, serviços e produtos da internet. Por isso, no alto da Presidência desta sessão, como ex-Presidente do Senado e do Congresso Nacional e também representando o atual Presidente, o Senador Davi Alcolumbre, dedico os nossos mais sinceros parabéns por seu aniversário de 30 anos, ora reconhecido nesta sessão solene. Desejo vida longa ao UOL! Muito obrigado. (Palmas.) Registro a presença entre nós do Senador Omar Aziz. Em instantes, após os pronunciamentos já previstos, Senador Omar Aziz, gostaria de lhe dar a palavra. Convido para fazer uso da palavra a Sra. Deputada Federal Tabata Amaral, requerente desta sessão. A SRA. TABATA AMARAL (Bloco/PSB - SP. Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Bom dia. (Pausa.) Bom dia! (Manifestação da plateia.) A SRA. TABATA AMARAL (Bloco/PSB - SP. Sem revisão da oradora.) - Agora, sim. Bom dia a todas e a todos. Cumprimento o meu querido amigo Presidente Rodrigo Pacheco. Toda a minha admiração, carinho e respeito pela sua trajetória. Cumprimento também o Senador Omar Aziz, com quem eu várias vezes posso contar em pautas muito importantes. Muitíssimo obrigada. Cumprimento todos os que estão aqui representando o UOL, para não me esquecer de ninguém: Maria Judith, Paulo, Murilo, mas também os queridos Carla, Carol, Alexandre Gimenez e Josias. É uma alegria estar aqui com vocês. E, na pessoa deles, cumprimento cada um e cada uma dos presentes que estão aqui. Gostaria de compartilhar algumas breves palavras, talvez repetindo um pouco do que já foi dito pelo Presidente Pacheco, mas para reconhecer a importância não só da história, da trajetória do UOL, mas também de tudo que vocês terão que enfrentar e terão que fazer nos próximos anos, que, se Deus quiser, serão muitos. A gente está aqui com muita felicidade para parabenizar vocês que fazem o UOL acontecer. Como já foi dito, o UOL nasce de uma proposta muito visionária, muito original, que eu gostaria de resumir da seguinte forma: para além de receber informação, brasileiros e brasileiras já queriam, 30 anos atrás, produzir, comentar, conversar, ser parte da notícia. |
| R | A audiência precisava ter voz, e vocês foram dos primeiros a reconhecer isso. Foram 30 anos numa indústria em que não se sobrevive se você não se reinventar constantemente e, como o Presidente Pacheco trouxe tão bem, se reinventar o tempo todo; para mim, é o que o UOL faz de melhor. Em 1996, ninguém tinha celular com internet. Em 2006, ninguém tinha smartphone. Em 2016, a gente não imaginava o tamanho que o WhatsApp teria na nossa vida pública. E agora, em 2026, a gente só sabe falar de IA, para a gente ver o quanto o mundo está mudando cada vez mais rápido. E o UOL, como eu já disse, não só atravessou essas muitas transformações e revoluções, mas esteve sempre na dianteira, fazendo jornalismo independente, plural, com escala, com tecnologia própria, e a gente precisa reconhecer o quanto brasileiros e brasileiras vêm inovando no ramo da tecnologia e também, obviamente, com credibilidade, com respeito para com os brasileiros - um grupo que assumiu o compromisso público de democratizar o acesso à informação. Já foi comentado aqui o papel do PagBank, o papel do UOL EdTech e o papel, mais uma vez, de levar a informação de forma democratizada, para que todos tivessem acesso. Mas cabe a mim também falar um pouco desse contexto difícil, não só que o jornalismo brasileiro está vivendo, mas que a nossa democracia está vivendo, porque eu sei que esse é um tema muito caro para vocês também. Como o nosso Presidente Pacheco já trouxe, a gente tem algoritmos que premiam a indignação, a raiva, o ódio, acima da informação, e esse é um debate que a gente não pode ter medo de enfrentar. A gente tem plataformas estrangeiras que concentram a distribuição e capturam a receita publicitária que é produzida no Brasil, e essas plataformas serão sempre muito bem-vindas no nosso país, mas é muito importante que a gente não abra mão, em nenhum momento, da soberania brasileira. E, quando a gente exporta os nossos dados sem nenhum questionamento e importa essas tecnologias também sem nenhum questionamento, sem nenhum debate, a gente abre mão, sim, de uma parte da nossa soberania. Uma provocação que eu sempre faço é que, cada vez mais, a nossa vida acontece no ambiente digital. A gente conversava mais cedo aqui no café: é onde a gente se relaciona, é onde a gente consome, é onde a gente decide do que a gente gosta, adquire novos gostos, e a gente precisa entender que essas regras já foram estabelecidas, as regras de convivência, por exemplo, dentro de uma plataforma, mas, até aqui, foram definidas fora do nosso país, não foram definidas por brasileiros. Então, esse é um debate muito importante para que brasileiros e brasileiras possam continuar definindo como, mais uma vez, brasileiros e brasileiras vão viver daqui para a frente e, aí também, como já foi dito, conteúdos falsos que se espalham muito mais rápido do que conteúdos verdadeiros. E, nesse sentido, gente, o trabalho de vocês é um alento, mas aqui - sem pressão, mas com pressão - a gente precisa de vocês cada vez mais. Eu já tive a oportunidade de conversar com muitos que estão aqui e aproveito para cumprimentar o Senador Randolfe, que está aqui com a gente também, e dizer o quanto o jornalismo sério, independente, que de fato se responsabiliza por suas fontes, pelos fatos que apresenta, faz parte da infraestrutura da democracia. |
| R | Assim como a gente quando a gente fala de escolas públicas, de um sistema público de saúde, de uma segurança que funcione, o jornalismo é fundamental para que a democracia, cada vez, possa ser mais sólida no nosso país e menos questionada, menos atacada. E sem uma informação confiável, a democracia funciona só pela metade. Então, é por isso que eu digo: parabéns, muito obrigada, sigam firmes e façam muito mais. O nosso mundo vai mudar cada vez mais rápido daqui para a frente. A gente sente, muitas vezes, que não tem nenhum chão embaixo dos nossos pés, mas são nesses momentos que o nosso Brasil se une, que a gente mostra a nossa resiliência, que a gente mostra a nossa capacidade de inovar e, mais uma vez, que a gente mostra que brasileiros e brasileiras têm todas as condições e direito de decidirem sobre o nosso dia a dia, de decidirem sobre o nosso futuro. Então, que orgulho ter uma empresa brasileira fazendo tudo o que vocês fazem. No que eu puder apoiar, contem sempre comigo, com meu mandato, com meu trabalho, e é uma honra estar nesta sessão celebrando essa data tão importante. Mas, de novo: parabéns, façam muito mais e que sejam décadas de muito sucesso daqui para frente. Muitíssimo obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Gostaria de registrar a presença do Senador Randolfe Rodrigues no Plenário do Senado Federal. Quero registrar também e cumprimentar: o Sr. Alexandre Gimenez, Diretor de Reportagem do Grupo UOL; a Sra. Carol Conway, Diretora de Assuntos Regulatórios e Institucionais do Grupo UOL PagBank; e o Sr. Josias de Souza, colunista do Grupo UOL. É uma alegria tê-los conosco. Passo a palavra imediatamente, para o seu pronunciamento, à Sra. Maria Judith de Brito, Vice-Presidente de Áreas Corporativas do Grupo UOL. A SRA. MARIA JUDITH DE BRITO (Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Bom dia a todos. Sr. Presidente e requerente desta sessão, Senador Rodrigo Pacheco; senhora requerente desta sessão, Deputada Federal Tabata Tamaral; Senador Omar Aziz; Senador Randolfe Rodrigues; senhoras e senhores; demais autoridades presentes; meus companheiros do Grupo UOL, é uma honra imensa representar o Grupo UOL nesta sessão solene que celebra os nossos 30 anos. Eu trabalho há 36 anos no Grupo Folha e participei do time que, sob o comando do Luiz Frias, criou o UOL há 30 anos, quando a internet ainda era uma promessa. Desde o início, o UOL teve um papel pioneiro: não apenas conectar pessoas à rede, mas conectar o Brasil à informação, ao conhecimento e ao mundo. Embora desde o início sejam empresas distintas e com gestões próprias, o jornalismo do UOL sempre seguiu os princípios editoriais criados pela Folha de S.Paulo nos anos 80, incluindo o pluralismo, o apartidarismo, o criticismo e a independência. A partir da iniciativa original ligada ao jornalismo e entretenimento digital, foram surgindo outros negócios, consolidando o Grupo UOL como uma plataforma de prestação de serviços por meio da tecnologia. Temos o PagBank, que, em 2026, faz 20 anos e que promoveu a democratização bancária no Brasil, incluindo milhões de brasileiros, antes desbancarizados, ao mundo dos serviços bancários digitais. Temos também, no Grupo UOL, uma plataforma de serviços educacionais, o UOL EdTech, e temos o AI/R, que é uma unidade de prestação de serviços tecnológicos para empresas, por meio de inteligência artificial. |
| R | Celebrar três décadas de uma corporação de tecnologia brasileira é importante, é algo muito importante, mas celebrar três décadas de relevância contínua é algo ainda mais extraordinário. Ao longo desses 30 anos, o UOL contribuiu para a formação de hábitos, para a democratização do acesso à informação e a diversos outros serviços digitais. Hoje, com uma audiência que alcança a imensa maioria dos brasileiros, seguimos ancorados em valores inegociáveis: credibilidade, ética, pluralidade e independência e com a convicção de que a informação e serviços de qualidade continuam sendo pilares muito importantes para o desenvolvimento do nosso país, que é o que queremos. Eu agradeço muito, então, novamente ao Senador e à Deputada pela proposição desta homenagem. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Agradeço à Sra. Maria Judith de Brito, Vice-Presidente de Áreas Corporativas do Grupo UOL, por sua presença e pelo seu pronunciamento. Convido para fazer uso da palavra o Sr. Paulo Samia, Diretor-Presidente e CEO do UOL. O SR. PAULO SAMIA (Para discursar. Sem revisão do orador.) - Muito obrigado. Sr. Presidente, requerente desta sessão, Senador Rodrigo Pacheco; senhora requerente desta sessão, Deputada Federal Tabata Amaral; demais componentes da mesa; meus colegas Judith e Murilo; senhoras e senhores, receber esta homenagem do Congresso Nacional tem um significado profundo para o UOL, para todos aqueles que ajudaram a construir essa grande empresa e, principalmente, para todos que acreditam no papel da informação com credibilidade como um bem público. Ao longo dessas três décadas, o UOL construiu uma trajetória única, de pioneiro da internet brasileira a uma das maiores plataformas digitais de conteúdo e serviços da América Latina. Hoje, alcançamos cerca de 90% dos brasileiros conectados todos os meses. São mais de 70 milhões de pessoas que passam pelo UOL em busca de informação, serviço, entretenimento e, sobretudo, confiança. Mas mais importante do que o tamanho é o propósito. Em um ambiente de excesso de informação e desinformação, o nosso papel não é apenas informar, é ajudar o brasileiro a entender o mundo, e isso exige responsabilidade: responsabilidade editorial, responsabilidade tecnológica e responsabilidade institucional. Seguimos, investindo fortemente em conteúdo; em novos formatos, como vídeo, streaming; em tecnologia e infraestrutura; em novos meios de distribuição, como TV e mídia exterior; e em parcerias que ampliam o alcance do jornalismo profissional. Mas há algo que não muda: o compromisso com a verdade, com a apuração rigorosa e com a independência editorial. Celebrar 30 anos do UOL não é olhar para trás com nostalgia, é renovar um compromisso com o futuro. E o futuro da informação, com credibilidade, responsabilidade, será cada vez mais decisivo para a qualidade da nossa democracia. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Agradeço ao CEO do UOL, Sr. Paulo Samia, por seu pronunciamento. Convido para fazer uso da palavra o Sr. Murilo Garavello, Diretor de Conteúdo do UOL. |
| R | O SR. MURILO GARAVELLO (Para discursar. Sem revisão do orador.) - Olá, senhoras e senhores, Presidente. É uma honra muito grande para mim estar aqui. É uma honra muito grande para mim ser o responsável pelo jornalismo do UOL hoje. Eu quero falar de presente e de futuro. Vivemos uma transformação sem precedentes. O mundo está cada vez mais fragmentado, mais polarizado, mais barulhento. A inteligência artificial acelera tudo isso. Corremos o risco de submergir, de navegar sem bússola num mar de informação, de inutilidades, de desinformação; sem saber em quem confiar, sem conseguir separar o que é relevante do que é ruído. Em meio a esse caos, o jornalismo profissional é essencial. A inquietude e capacidade de adaptação nos definem. Nunca nos acomodamos. Cada onda de mudança - a internet, os celulares, as redes sociais, agora a inteligência artificial - nos encontrou em movimento, nos reinventando. Num mundo que muda tão rápido, quem se acomoda tende a desaparecer. A missão do jornalismo do UOL é servir a sociedade. Noticiar com rigor e precisão, selecionar o que importa de tudo isso que acontece cada vez mais rápido. Analisar com profundidade e clareza para ajudar as pessoas a digerir, a entender. Investigar o que querem esconder. Fazer o escrutínio de quem tem poder e move o mundo. Iluminar o que importa, mesmo quando é incômodo, mesmo quando é difícil, mesmo quando contraria o que as pessoas querem ouvir. Num mundo que produz informação em excesso e em que falta confiança, fazer tudo isso não é pouco. É essencial; é nossa missão. Para cumprir esse papel, o UOL precisa ser ainda melhor. Melhores jornalistas - os mais talentosos, os mais rigorosos, os mais curiosos, os que falam de um jeito que as pessoas entendam. Equipes mais qualificadas, em constante desenvolvimento. E tecnologia usada com inteligência; não para substituir o jornalismo, mas para amplificá-lo, para torná-lo mais forte e abrangente. De nada adianta ter um melhor produto se ele não sai da fábrica. Uma reportagem que não chega às pessoas é uma reportagem perdida. Uma análise brilhante que ninguém ouve ou assiste não cumpre sua função. O jornalismo só existe de verdade quando encontra as pessoas e quando é útil para elas. Útil para a mãe que quer entender o que está acontecendo na economia antes de tomar uma decisão, para o jovem que tenta separar o que é verdade do que é mentira, para o cidadão que precisa saber o que seus representantes estão fazendo. Para quem quer entender o mundo, não apenas reagir a ele. E para chegar até essas pessoas, precisamos entender como elas vivem, em que momentos do dia têm atenção, em que formatos preferem receber o conteúdo. Você prefere ver um vídeo rápido no celular durante o intervalo de trabalho? Receber notícia pelo WhatsApp antes de dormir? Assistir ao vivo na TV? Ouvir seus analistas favoritos enquanto enfrenta o trânsito, se exercita ou lava a louça? Cada uma dessas pessoas é o nosso público. E cada uma delas merece que o UOL chegue até ela do jeito certo. O mundo dos algoritmos hoje premia quem grita e tem emoções fortes. Quem é razoável circula menos, passa despercebido. A verdade cheia de nuances é goleada pela mentira mais sexy e viral. Nesse mundo de estridência, o UOL precisa defender a verdade, ser a referência, âncora, clareza no meio desse caos - esse é o nosso compromisso. Não com o passado que construímos, mas com o futuro que ainda estamos a construir dia a dia, um futuro em que o jornalismo do UOL seja mais forte, mais relevante, mude mais vidas, seja mais útil para cada um e para a sociedade como um todo. Celebramos 30 anos com a convicção de que o melhor do UOL ainda está por vir. (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Agradeço ao Sr. Murilo Garavello, Diretor de Conteúdo do UOL. Concedo a palavra, pedindo que ocupe a tribuna do Senado Federal, ao Sr. Alexandre Gimenez, Diretor de Reportagem do UOL. O SR. ALEXANDRE GIMENEZ (Para discursar. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Rodrigo Pacheco, Sra. Deputada Tabata Amaral, colegas de luta que estão na mesa, Senador Randolfe, Senador Omar Aziz, eu ocupo esta tribuna para falar sobre um dos alicerces mais vitais e, por muitas vezes, mais atacados da nossa democracia: o jornalismo profissional. O jornalismo é, em sua essência, um exercício contínuo de responsabilidade. Não se trata apenas de publicar notícias; trata-se de um compromisso inegociável com os fatos, com o contexto e, acima de tudo, com o cidadão. Ao longo de três décadas, o UOL consolidou uma operação jornalística robusta e confiável. Hoje, contamos com centenas de profissionais, cuja missão é a apuração rigorosa e a checagem exaustiva. Em 30 anos de história, aprendemos que a credibilidade não se ganha por decreto, ela é construída tijolo a tijolo, matéria por matéria. Vivemos em um cenário de desinformação crescente e polarização acentuada. É, nesse contexto, que o jornalismo profissional deixa de ser apenas uma atividade econômica para se tornar um serviço essencial à sociedade. É o jornalismo que ilumina as decisões públicas. É ele que garante a transparência necessária ao exercício do poder. É ele que amplia o acesso do cidadão comum ao que realmente importa. Muitos questionam a relevância da imprensa tradicional em tempos de rede social e inteligências artificiais, mas a resposta é simples: quanto maior o ruído, mais necessária é a voz da precisão. No UOL temos uma premissa muito clara, a velocidade jamais pode substituir a precisão. Em um mundo que exige o furo a qualquer custo, reafirmamos que ser o primeiro é importante, mas ser correto é indispensável. O erro do jornalismo não é apenas um equívoco técnico, é uma falha com o público e um risco potencial para a democracia. Por isso, defendemos e praticamos diariamente um jornalismo baseado em três pilares muito sólidos: a pluralidade de vozes, a independência editorial e o compromisso com os fatos. Esses princípios não são conceitos abstratos guardados em manuais de redação, eles orientam cada decisão tomada por nossos editores e repórteres. Srs. Parlamentares, colegas, a liberdade de imprensa e o fortalecimento do jornalismo profissional são garantias de que a nossa democracia permanecerá vigilante e vibrante. A credibilidade que construímos ao longo desses 30 anos é o nosso maior patrimônio e continuaremos a honrá-lo, servindo ao Brasil com a verdade e o rigor que o povo brasileiro exige e merece. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Agradeço ao Sr. Alexandre Gimenez, Diretor de Reportagem do UOL, por seu pronunciamento. Concedo a palavra imediatamente à Sra. Carol Elizabeth Conway, Diretora de Assuntos Regulatórios e Institucionais do Grupo UOL. A SRA. CAROL ELIZABETH REIKDAL CONWAY (Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Bom dia a todas e a todos. Exmo. Sr. Presidente e requerente desta sessão, Senador Rodrigo Pacheco; Exma. Sra. Deputada Federal Tabata Amaral, que está de saída para um outro compromisso; Exmo. Senador Randolfe Rodrigues; Senador Omar Aziz, na pessoa de quem cumprimento os presentes; meus colegas, queridos colegas de UOL - Judith, Murilo, Paulo Samia - aqui presentes na mesa, é uma honra participar desta sessão solene do Senado Federal e do Congresso Nacional em homenagem aos 30 anos de UOL. |
| R | Celebrar o UOL é comemorar, em alguma medida e de uma só vez, o jornalismo profissional, a internet, a democracia e é também celebrar as instituições. Se Ruy Barbosa dizia que a imprensa é a vista da nação, o UOL honra há 30 anos este papel de levar diariamente jornalismo profissional e independente a mais de 70 milhões de brasileiros e brasileiras. Para entender o papel do UOL, basta imaginar um país sem acesso ao jornalismo digital, sem acesso 24 horas ao UOL, para compreender o papel que ele desempenha. O UOL, nesses 30 anos, nunca saiu do ar. Ele está ligado online e servindo a nação há 30 anos, ininterruptamente. Em 28 de abril de 1996, nascia o UOL, que se consolidou como uma empresa de conteúdo e serviços online do país, a maior de conteúdo e serviços online do país, e brasileira. E, ao se atualizar constantemente, incluiu em seus meios a inteligência artificial e outras inovações e continua a se reinventar a cada dia, questionando seus próprios formatos. Eu gosto muito de uma placa, de um quadro que tem na sala do Murilo. Esse quadro diz o seguinte: os velhos planos odeiam os novos planos. E esta é a nossa tônica no UOL: a cada dia, no dia a dia, se reinventar e se questionar. Quanto mais os meios, mais será a expansão do UOL. No UOL, não prevalece a hierarquia, o ego ou a predileção. No UOL, prevalece a matéria bem apurada e a verdade. Outra máxima que se estende pelas gerações e que vem do Sr. Frias, que eu pude vivenciar em alguns anos, 20 anos de casa, é: S. Exa. aqui é o leitor. Esse leitor, no UOL, virou o espectador, virou o que comenta, o que assiste, o que ouve, o que interage. E é esse o sentido que hoje o UOL dá às palavras de Ruy Barbosa, de ser a vista da nação. Em relação a esta Casa e também à área regulatória e institucional, que eu represento, o UOL participa e acompanha diversos marcos do setor digital e da liberdade de expressão. Cito aqui o marco civil da internet e agora o projeto de lei da inteligência artificial, de sua Comissão, que nós acompanhamos com olhares muito atentos. São marcos que mostram que é possível acompanhar o jornalismo de qualquer ferramenta e acompanhar o espírito do tempo, mas sempre mantendo os nossos princípios. Ao completar os 30 anos, estamos aqui não apenas comemorando, mas renovando, diante do Brasil, do nosso leitor e de cada um de nós, que o UOL mantém e amplia seu compromisso, a cada dia, de servir a S. Exa. o leitor, o espectador e de ser a vista da nação. Muito obrigada. (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Eu agradeço à Sra. Carol Elizabeth Conway, Diretora de Assuntos Regulatórios e Institucionais do Grupo UOL, e tenho a satisfação de conceder a palavra ao Sr. Josias de Souza, colunista do UOL, para o seu pronunciamento. O SR. JOSIAS DE SOUZA (Para discursar.) - Bom dia a todos. Esquisito estar aqui; parece que você está do outro lado do balcão, mas é uma honra muito grande. Bom dia ao Senador Pacheco, à Deputada Tabata, que já nos deixou, e aos Senadores aqui presentes. Eu começo por fazer uma confissão, a exposição de uma confissão de um grave erro de avaliação. No ano de 1996, quando o UOL nasceu, eu atuava no Grupo Folha, na chefia da redação. Nessa função, eu participei de algumas conversas nas quais se discutia a transferência de investimento do jornal para esse empreendimento digital. Eu me associei à minoria, que achava muito arriscado esse investimento, e, felizmente, não nos deram ouvidos. Eu ganhei ali um dos primeiros endereços de e-mail: josias@uol, sem nenhum acréscimo; migrei do papel para o tempo real do cristal líquido; muito antes da pandemia, conheci o futuro do home office; e, 30 anos depois, estou aqui falando sobre o êxito retumbante do UOL. O então Diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, que coordenava essas conversas, deve estar rindo de mim em algum lugar na estratosfera. O exercício da democracia, que nos é muito caro na prática do jornalismo no UOL, é mais ou menos como nadar: aprende-se praticando; a diferença é que, em vez de mover braços e pernas, movimenta-se a língua, e o êxito do modelo depende, fundamentalmente, do diálogo entre diferentes. A conversa nem sempre é harmoniosa, mas a beleza do regime está na conversão de ruídos em consensos que, sobrepondo-se às conveniências partidárias, atendam ao interesse público, que, no final das contas, é o que importa. Em plena "idade mídia", convulsionada pela algaravia das redes sociais, a democracia convive com vozes que ainda ecoam valores da Idade Média, e, na fricção entre passado e futuro, a informação, por vezes, é manipulada, é fragmentada, é distorcida. Foi nesse ambiente que o UOL se tornou um transmissor da conversa, da boa conversa que nutre a democracia: é uma conversa baseada em fatos, em contexto, em pluralidade. No UOL, as vozes da diferença se encontram, as opiniões divergem, e o cidadão é munido de dados que o levam a formar o seu próprio juízo. A saúde da democracia depende da sanidade dos cidadãos, algo que só é possível quando existe um compromisso muito sólido do jornalismo: a obrigação de servir não aos interesses partidários, mas ao interesse da coletividade. O apartidarismo não se confunde com a neutralidade diante dos fatos: é independência diante do poder, é liberdade de criticar, de questionar e analisar os acontecimentos sem ignorar a realidade. |
| R | O UOL chega aos 30 anos como parte dessa engrenagem democrática. Não ambiciona, pelo que percebo, o protagonismo. Desde a origem, que pude testemunhar, o UOL deseja ser um instrumento a serviço da informação, do debate e da sociedade brasileira. Enquanto houver democracia, haverá essa necessidade de informação confiável, hoje e sempre. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Agradeço ao Sr. Josias de Souza, colunista do UOL, por seu pronunciamento, e tenho a honra de passar a palavra ao meu colega Senador Omar Aziz para o seu pronunciamento, ao tempo em que registro também a presença do representante diplomático de Guiné-Bissau. Seja muito bem-vindo ao Senado Federal. O SR. OMAR AZIZ (Bloco/PSD - AM. Para discursar. Sem revisão do orador.) - Quero cumprimentar a todas e a todos. Bom dia a todas e a todos. Quero fazer uma deferência toda especial ao meu eterno Presidente desta Casa, que nos momentos mais difíceis dos últimos anos se manteve firme. E devemos muito a você, Rodrigo, que a gente tenha conseguido permanecer com uma democracia neste país. Você foi uma pessoa muito importante, talvez muito injustiçada, mas tem de mim um grande respeito e, tenho certeza, de todos os seus colegas aqui do Senado Federal. Eu o cumprimento por essa homenagem, cumprimento a Deputada Tabata, que teve que sair. Quero cumprimentar aqui a Sra. Maria Judith de Brito, que é Vice-Presidente de Áreas Corporativas do Grupo UOL; o Sr. Paulo Samia, CEO do UOL; o Sr. Diretor de Conteúdo, Murilo Garavello; Alexandre Gimenez, Diretor de Reportagem; Carol Elizabeth, Diretora de Assuntos Regulatórios; e o Jornalista Josias de Souza, a quem eu já tive a oportunidade de dar algumas entrevistas. O UOL - a plataforma, o site, o Portal UOL - nasce além do tempo, ele já olha uma visão. As primeiras vezes em que a gente entrava no portal era com aquele telefone que tocava, dava aquela musiquinha para a gente poder acessar a internet. E ele, de uma forma brilhante, enxergou o futuro. O próprio Josias, há pouco, disse: "Olha, eu fui uma das pessoas que era contra". Mas a vida evoluiu, e evoluiu muito - a ciência evoluiu bastante. E eu vim aqui, fiz questão de estar aqui hoje, Rodrigo, meu querido Presidente, tanto eu quanto o Randolfe, porque a importância que nós vimos da verdade feita pelo UOL na pandemia foi muito boa para todos nós, para o Brasil em si. |
| R | Hoje se confunde liberdade de expressão com libertinagem na internet, onde todos podem agredir a todos, e quando você se manifesta contra é porque você é contra a democracia e está cerceando a liberdade. A liberdade de expressão não é a libertinagem, e ao longo desses 30 anos em que eu acompanho... Eu sou político, eu faço política; eu não sou oportunista em dizer que eu não sou político - eu sou político. Eu tive a oportunidade de ser tudo no meu estado, de Vereador a Governador, e honro muito o meu estado, que é um estado de 1,57 milhão de quilômetros quadrados. Para vocês terem uma ideia, o Nordeste todinho cabe no Amazonas. Se você pegar os nove estados do Nordeste, cabem e ainda sobram 70 mil metros quadrados. E o que a gente vê hoje muito é uma discussão em que alguns grupos estão a serviço de quem está no plantão do momento, e o UOL não fez isso; sempre manteve uma linha de informar a verdade. Eu sei, como Líder de uma das maiores bancadas do Senado Federal, o quanto os profissionais dessa empresa trabalham aqui para não perder furo, porque a internet também trouxe um caos para os jornalistas, porque hoje tudo é online. Você sabe a informação, passa a informação; tem que checar, passa a informação. Antigamente não, você fazia um jornal, passava o dia todo, escrevia matéria, só ia sair no dia seguinte; você tinha tempo suficiente. Hoje eu vejo aqui o desespero de alguns profissionais, homens e mulheres que trabalham na UOL, para terem informações e serem os primeiros a dar essa informação. Então, eu quero parabenizar todos vocês. Vocês, às vezes, são insistentes em querer colher alguma informação da gente, até porque, como a gente vive esse meio político, é lógico que a gente tem algumas informações um pouco antes dos outros. Recebo muitos jornalistas, muitas jornalistas que trabalham nessa empresa no meu gabinete; a gente conversa sobre economia, sobre política, sobre o momento, e é a coisa mais natural do mundo. Não posso negar a vocês, nem eu, nem o Randolfe, que foi meu Vice-Presidente nessa CPI... E nós fizemos um trabalho com que mostramos ao Brasil que nós estávamos certos, a ciência salva, a ciência ajuda, a ciência é o futuro. Assim como vocês vislumbraram, há 30 anos, que portais, hoje copiados por todo o Brasil... São copiados da UOL. Todo mundo está criando portal hoje, até porque a notícia não espera para o dia seguinte. A gente sempre fala: olha, se você vai ver um telejornal, tudo que sai do telejornal, praticamente, se ele não fizer alguma coisa diferente, você já leu ou já viu em algum lugar. Se tem uma guerra que começa agora, a gente não precisa esperar a noite para saber como é que está a guerra; a gente já sabe agora. Se acontece um acidente, alguma coisa ruim no país ou no mundo, você sabe online. Hoje é a realidade que vivemos. Quando a gente vive uma realidade dessa, a pessoa, além de ter que ser uma boa jornalista, tem que ser uma boa especuladora, procurar se informar com rapidez - e isso vocês fazem muito bem. Mas não posso deixar de dizer para vocês, diretores - e principalmente para o Diretor de Reportagem, Alexandre, o Josias, de quem já falei tanto -, que nem tudo que vocês escrevem agrada a gente - nem tudo. Tem coisas com que a gente se chateia, mas faz parte. |
| R | Mas, quando é uma crítica construtiva, quando é uma matéria com conteúdo, a gente aprende, a gente faz adequação daquilo em que você está equivocado, quando não é pessoal. Infelizmente, hoje as redes sociais estragam a mente das pessoas, há maldade. Sabe o que mais me chama a atenção, Rodrigo? É de manhã uma pessoa colocar uma frase, um trecho da Bíblia ou coisa falando em Deus e daqui a pouco o cara está lá comentando: "Eu quero que tu morras, tomara que você morra", é assim hoje. Essa é uma realidade que nós vivemos. Os nossos filhos vivem isso hoje, é um perigo. Para não me alongar, primeiro, quero parabenizar muito você, Rodrigo. O meu carinho, o meu respeito por você. Você faz parte da história do Brasil, você vai ser lembrado, daqui a 50 anos, como uma pessoa que reconheceu a vitória nas urnas, reconheceu que as urnas eram corretas e, como Presidente do Congresso Nacional, você se posicionou, e se posicionou não por você, você se posicionou pela nossa Casa, pela democracia no país. E parabéns ao UOL pelos 30 anos. Espero que vocês, a gente passe... Aqui eu vejo jovens que devem trabalhar no UOL que nem tinham nascido quando o UOL já existia. O Josias, não, já é um pouco mais antigo. (Risos.) Já é um pouco mais antigo, assim, como os outros. E quero dizer o respeito que eu tenho pela liberdade de expressão, que não é um grupo a serviço do Presidente ou do Governador de plantão, é um grupo a serviço do Brasil e dos brasileiros. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Agradeço ao Senador Omar Aziz por suas palavras, em particular, dirigidas a mim. Muito obrigado, Senador Omar Aziz. Concedo a palavra, com muita satisfação, ao meu colega Senador da República Randolfe Rodrigues. O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco/PT - AP. Para discursar. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Rodrigo Pacheco, quanto às homenagens feitas pelo meu colega Omar Aziz, faço as mesmas e acrescento que - sempre faço questão de testemunhar -, quando defini o voto em Rodrigo pela primeira vez à Presidência do Senado, foi a partir de um diálogo que tivemos anteriormente, em que eu dizia para Rodrigo - e era um pouco antes dos notórios acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 -, eu dizia para Rodrigo que, certa feita, na Presidência do Congresso Nacional, lamentavelmente, um Presidente do Congresso, o Sr. Auro de Moura Andrade, legitimou um golpe de Estado no Brasil. O Rodrigo teria a chance, naquela quadra histórica, de cumprir um papel central para salvar a democracia. Eu reitero o que já disse mais de uma vez, o Rodrigo assim o fez e, desta forma, eu acho que salvaguardou a cadeira da Presidência do Congresso Nacional. Então, reiterando não só as homenagens aqui feitas, mas cumprimentando-o, Rodrigo, com todo carinho e afeto pessoal que tenho, mas, sobretudo, com as homenagens da democracia brasileira ao seu papel. Quero cumprimentar também a Deputada Tabata, por ser uma das autoras da sessão, assim como o Rodrigo; caríssima Maria Judith, Vice-Presidente do UOL; Sr. Paulo Samia; Sr. Murilo Garavello, Diretor de Conteúdo, também do UOL; da mesma forma como cumprimento quem aqui já se pronunciou: Sr. Alexandre Gimenez, Sra. Elizabeth Conway - espero ter acertado -, e caríssimo Josias. Josias, esta tribuna lhe coube bem. Fica a dica, entendeu? Fica a dica. |
| R | Cumprimentos também estendo, mais uma vez, ao meu caríssimo Omar Aziz, colega daqui do Senado e a todos e todas aqui presentes. Eu quero me ancorar... Eu acho que nós estamos aqui, nesta cerimônia, fazendo, veja, homenagem a um portal que também se transformou em plataforma, nesse mundo de sociedade algorítmica. Então, para falar desse mundo de sociedade algorítmica, me permitam, meus caros jornalistas, repórteres, âncoras aqui presentes, me ancorar em duas obras sobre as quais estava aqui refletindo que eu acho que são interessantes para definir essa sociedade algorítmica. Uma, primeiro, acho que conhecida de todos vocês, do Giuliano da Empoli, que define o que são os engenheiros do caos. Uma outra, de um ex-Ministro da Economia grega, Yanis Varoufakis, a obra Tecno Feudalismo, o que matou o capitalismo. Eu me ancoro nessas obras - e depois falarei de uma outra - porque eu acho que essas obras nos ajudam a entender a sociedade que eclode exatamente nesses últimos 30 anos, quando tem nascimento o UOL. Quando o UOL teve nascimento, não existia o mundo das redes sociais, não existia o mundo do smartphone. Nós ainda estávamos em uma fase de transição com o nascedouro da internet como nós conhecíamos, e, mesmo com o advento do celular, este era apenas um instrumento para você fazer ligação telefônica, nada mais do que isso. Só que, após o surgimento do UOL e mais precisamente nos últimos 15, 17 anos, o mundo se tornou mais caótico. Essas duas obras nos dão ciência de que nós estamos sob a égide, ainda, de uma sociedade denominada algorítmica. E é, sobretudo, o Empoli que diz para nós que nessa sociedade algorítmica, o espaço nosso, onde eu estou com o Omar e com o Rodrigo, aqui presentes, se tornou quântico. Numa definição de quântico, emoção e conforto de crenças passaram a ser mais importantes do que os fatos. É assim: eu acho que as urnas eletrônicas não funcionam, então vou dar golpe de Estado e acabar com a democracia, porque é a crença pessoal que mobiliza, algoritmicamente, alguns. Eu acho que, numa pandemia - é a crença pessoal de alguns, digo -, cloroquina resolve, e não vacina: isso pode levar 700 mil brasileiros à morte, como ocorreu aqui. Então, esse é o dilema da nossa sociedade algorítmica, que transformou a política em um universo quântico, em que a crença pessoal é mais importante do que a ciência, do que os fatos. Junto com isso, isso trouxe, e aí me ancoro no que dizem Levitsky e Ziblatt, em Como as democracias morrem, no que isso importou para a democracia neste século XXI e o xeque em que está sendo colocada a democracia no século XXI. Faço essa reflexão para, a partir dela, falar do papel do UOL. |
| R | E aí, complementando o que Ziblatt e Levitsky relatam para nós, esse tipo de sociedade algorítmica deu espaço... como dá o espaço para uma política quântica em que a emoção vale mais do que os fatos em si, isso tem uma consequência direta e concreta sobre a ascensão de populismos, que busca mobilizar única e exclusivamente na política a emoção pessoal no lugar da razão. Esses populismos novos dão lugar a uma prática na política velha, porque, veja, solapar a democracia distorcendo a verdade... Essa daí não é mérito dos populistas de extrema direita do século XXI - não é, não. Reporto a 1943, Presidente Rodrigo Pacheco, salvo melhor juízo, nos dias 27 e 28 de abril, o exército nazista tinha sido derrotado em Stalingrado. Estando na iminência de uma provável derrota com a reação soviética naquele momento da guerra, o regime nazista chama para o dia seguinte um grande comício. Quem é o principal orador do comício, meu caro Josias? Joseph Goebbels, o ministro da propaganda nazista e um belíssimo orador, que propaga, que inverte os fatos, que coloca no altar do sacrifício o que tinha ocorrido em Stalingrado. E, com aquele comício transmitido ao vivo pela rádio estatal alemã, pela rádio nazista para toda a Alemanha, mobiliza a Alemanha e termina o comício com a proclamação: "Quem quer a guerra total?". Ao que todos, em alusão ao führer, disseram: "Todos nós queremos a guerra total". Isso leva à hecatombe alemã, dois anos depois, com a rendição em 8 de maio. Distorcer a verdade, transformar fatos e tentar mobilizar as emoções não foi somente uma invenção da internet, está presente na história desde pelo menos o começo do século. A ascensão de movimentos populistas, com os mesmos valores de antes em que faz alusão às crenças pessoais no lugar dos fatos, não é uma invenção de hoje; é uma invenção que, lamentavelmente, está, em alguns momentos, presente na história humana e, via de regra, levou a tragédias. Eu faço esse destaque porque eu quero aqui cumprimentar o UOL por, no meio dessa sociedade algorítmica, no meio dessa sociedade que quer mobilizar crenças pessoais no lugar dos fatos, ter tido papel para pessoas como Josias. Ainda bem, Josias - o Omar disse ainda há pouco -, que nem sempre nós gostamos de suas críticas, porque esse é o princípio da democracia - esse é o princípio. As opiniões de uma imprensa livre não são feitas para nos agradar, mas a opinião celebrada, a opinião detalhada, a análise dos fatos, diante da lógica algorítmica, essa é a lealdade aos fatos que faz as democracias persistirem. Então, quero concluir aqui. Eu acho que o principal cumprimento que tem que ser feito ao UOL e ao papel de vocês não é o fato de ter... Poderia somente destacar que, pioneiristicamente, surgiu como portal em 2006, 30 anos, não tinha advento de redes sociais; pioneiristicamente, logo passou de portal para condição de plataforma, como foi relatado nesta tribuna. Poderia destacar tudo isso, mas eu quero destacar um fato: não ter se curvado à sociedade algorítmica, não ter feito com que crenças valham mais do que os fatos. |
| R | Esse é o papel que a imprensa livre tem que cumprir em uma democracia. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Cumprimento o Senador Randolfe Rodrigues por seu pronunciamento, pelo qual agradeço, inclusive, as referências feitas a mim. Antes de encerrarmos a sessão, vamos transmitir um último vídeo também preparado pelo UOL especialmente para esta sessão, por favor. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | O SR. PRESIDENTE (Rodrigo Pacheco. Bloco/PSB - MG) - Talvez esse último vídeo seja uma expressão muito pura e verdadeira deste reconhecimento nacional: a competência e a qualidade do UOL, a pluralidade de ideias, personagens diversos, diversos segmentos, diversas linhas de pensamento e de ideologia, diversas linhas de pensamento político. Portanto, esse reconhecimento geral e amplo demonstra a veracidade e a razão de ser desta sessão solene de homenagem pelos 30 anos do UOL. E, de fato, Carla, tivemos uma manhã muito bonita, muito rica, de reconhecimento público pela Casa do Povo, o Congresso Nacional brasileiro, a esse veículo absolutamente indispensável. De todas as falas que aqui ouvi, eu gostaria de destacar a fala que vi agora, no vídeo, do ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, um dos homens mais inteligentes deste país, Luís Roberto Barroso, quando ele disse que vocês nunca foram tão importantes quanto agora. E, de fato, eu tenho sistematicamente dito isto, e ouvindo as palavras do Senador Omar Aziz e, em especial, do Senador Randolfe Rodrigues: em tempos sombrios, em tempos difíceis de desinformação, de ódio, de intolerância, movidos, sobretudo, pelos algoritmos de razão de ser ainda desconhecida - e não é por outra razão que temos trabalhado na regulação da inteligência artificial, num projeto de minha autoria, também na regulamentação das plataformas digitais -, de fato, ter uma imprensa formal, constituída, que cheque a fonte, que tenha responsabilidade é absolutamente essencial para a democracia brasileira. De modo que a relação, por vezes, ruidosa da imprensa com a política - como disse o Josias, do outro lado do balcão, aqui representando os colunistas do UOL no seu belo pronunciamento -, na verdade, isso tudo faz parte de uma normalidade democrática de adversidade. O que não faz parte da normalidade, Carla, Paulo, é se curvar a movimentos absolutamente insanos, frutos, eventualmente, de uma dissonância cognitiva, que negue vacina, que negue uma pandemia, porque isso causa a morte de pessoas. É inaceitável que se possa admitir o questionamento e a busca de ruptura de um regime democrático a duras penas conseguido e constituído neste país. E, em todas essas duas situações que - quero crer - marcaram esse último quinquênio dos 30 anos do UOL, eu quero aqui fazer o reconhecimento público de que o UOL, e outros importantes veículos de imprensa do Brasil, de fato, Senador Randolfe, não se curvou a movimentos autoritários, antidemocráticos, anticiência e prestou um papel relevantíssimo a este país. E não é por outra razão que hoje nós fazemos o reconhecimento público do Congresso Nacional a cada um dos senhores, das senhoras que constituem esse veículo de informação, essa família UOL, que faz parte da civilização, faz parte da cultura do nosso país, do jornalismo do nosso país e da sociedade brasileira. Esse reconhecimento é muito importante, porque há um inimigo muito evidente das democracias, da ciência, das pessoas, dos países mundo afora, movido por um algoritmo que precisa ser combatido, que é o do ódio, da intolerância, da divisão, do oportunismo, do populismo - isso deve ser combatido por uma imprensa livre. Portanto, de fato, vocês nunca foram tão importantes para a vida de um país quanto agora. |
| R | Que estes 30 anos ora celebrados possam ser um combustível para que, nos próximos 30 anos, continuem nessa luta bonita que empreendem no dia a dia do trabalho de cada um dos senhores e cada uma das senhoras. O meu reconhecimento, o reconhecimento do Senado Federal, do Congresso Nacional. E, cumprida a finalidade desta sessão solene do Congresso, agradeço a todas as pessoas que nos honraram com as suas presenças e declaro encerrada a presente sessão. (Levanta-se a sessão às 11 horas e 40 minutos.) |


