4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 8 de junho de 2026
(segunda-feira)
Às 11 horas
72ª SESSÃO
(Sessão Especial)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Fala da Presidência.) - Muito bom dia a todas as senhoras e aos senhores.
Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.
A presente sessão especial foi convocada em atendimento ao Requerimento 305, de 2026, de autoria desta Presidência - Senador Nelsinho Trad - e de outros Senadores, aprovado pelo Plenário do Senado Federal.
A sessão é destinada a comemorar os 80 anos da Comissão Fulbright do Brasil.
Convido, com muita honra, para compor a mesa desta sessão especial os seguintes convidados: ao meu lado, já aqui, minha colega Senadora Teresa Leitão, Presidente da Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal (Palmas.) - obrigado; o Exmo. Sr. Ministro Herman Benjamin, Presidente do Superior Tribunal de Justiça - pode vir à mesa (Palmas.); Sra. Kimberly Kelly, Encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos - pode vir à mesa (Palmas.); Sr. Embaixador Marco Antonio Nakata, Diretor do Instituto Guimarães Rosa (Palmas.); Sra. Idê Talhavini, representante da Presidência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). (Palmas.)
É uma honra receber a todas as senhoras e aos senhores.
Todos devidamente alocados, convido-os para, em posição de respeito, acompanharmos o Hino Nacional.
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(Procede-se à execução do Hino Nacional.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Para discursar - Presidente.) - Mais uma vez, muito bom dia a todas as senhoras e os senhores.
Cumprimento aqui o Ministro Herman Benjamin e a Senadora Teresa Leitão, nas pessoas das quais gostaria de saudar os outros componentes da mesa diretiva.
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Senhoras e senhores, na condição de primeiro signatário do Requerimento 305, de 2026, que determinou a realização da presente reunião, faço o discurso de abertura desta sessão especial destinada a comemorar os 80 anos da existência do Programa Fulbright e dos 69 anos em que ele está no nosso país.
O intercâmbio de conhecimento de nível superior entre nações é uma das formas mais eficazes e sólidas de estreitar laços entre povos diferentes. É o que faz, há 80 anos, esse programa de concessão mútua de bolsas de estudo entre os Estados Unidos e seus países amigos.
O programa foi criado nos Estados Unidos, em 1946, pelo Senador J. William Fulbright. Onze anos depois, em 1957, era inaugurada a Comissão Fulbright no Brasil, que é uma organização internacional vinculada aos Governos dos dois países.
Fulbright era um idealista, um entusiasta do estudo e da cultura. Também tinha visão geopolítica suficientemente clara para promover o conhecimento compartilhado com outras nações no período do pós-guerra como uma das principais iniciativas de soft power dos Estados Unidos.
Em 1946, lembremos, começava a configurar-se o período histórico da Guerra Fria.
O octogenário programa não está presente apenas no Brasil, está presente em mais 143 países. No caso do Brasil, ao longo da sua existência, o programa já levou mais de 4,9 mil brasileiros para estudar nos Estados Unidos e já trouxe quase 3,4 mil estadunidenses para estudar no Brasil.
Menciono quatro conhecidos brasileiros que participaram do programa: o ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, a ex-Ministra Ellen Gracie; a advogada e ex-Deputada Federal pelo PT, de origem indígena, Joenia Wapichana; e o ator e diretor de teatro Antônio Abujamra, já falecido.
No mundo, entre os que participaram desse programa de concessão de bolsas de estudo, contam-se 60 Prêmios Nobel, 88 ganhadores do Prêmio Pulitzer e 39 chefes de Estado.
Em função da excelência dessa iniciativa, em função de o nosso país ter sido escolhido para dela participar - e isso já faz 69 anos -, quero deixar aqui o meu reconhecimento e a minha homenagem ao Programa Fulbright, bem como à comissão do programa no Brasil.
Não resta dúvida de que parte da nossa elite, nas mais diversas áreas de conhecimento, tem sido influenciada e beneficiada por participar do mundo acadêmico, de reconhecida excelência, dos Estados Unidos da América. Em contrapartida, muitos estudiosos do país-irmão têm tido oportunidade de conhecer e de participar da nossa realidade acadêmica. E sempre buscamos oferecer-lhes o que temos de melhor.
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Que a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos continue a florescer em meio a esse mundo conturbado, mantendo-nos juntos como coparticipantes do chamado mundo livre. É o que esperamos.
Muito obrigado. (Palmas.)
Agora eu peço licença a todos para solicitar à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Gostaria de registrar e agradecer a presença do Sr. Embaixador da Áustria no Brasil, Andreas Stadler (Palmas.); do Sr. Terceiro-Secretário do Reino da Arábia Saudita, Abdullah Mohammed (Palmas.); representando a Academia Brasileira de Ciências, da Sra. Vice-Presidente regional para a Região de Minas Gerais e Centro-Oeste da instituição, Profa. Mercedes Bustamante (Palmas.); da Sra. Presidente do Instituto Heringer, Rachel Heringer (Palmas.); e do Sr. Diretor Executivo da Comissão Fulbright do Brasil, Luiz Loureiro. (Palmas.)
Neste momento, concedo a palavra, pelo tempo de cinco minutos, à Senadora Teresa Leitão, Presidente da Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal.
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A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Para discursar.) - Bom dia a todos e a todas.
Senador Nelsinho Trad, Presidente desta sessão, requerente também desta homenagem, à qual agregou a minha condição de Presidente da Comissão de Educação e Cultura, o que muito nos honra.
Sr. Presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ministro Herman Benjamin, membro do Conselho Diretor da Fulbright no Brasil; Sra. Embaixadora em exercício da Embaixada dos Estados Unidos, Kimberly Kelly; Sr. Diretor do Instituto Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Marco Antonio Nakata; e, representando a Presidenta da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Sra. Coordenadora-Geral de Monitoramento de Resultados e Planejamento, Idê Talhavini; todos e todas, sejam muito bem-vindos. É uma homenagem justa e que nós estamos fazendo também em um momento muito importante para as relações entre Brasil e Estados Unidos.
A qualidade da relação entre duas nações pode ser medida pelos tipos de intercâmbio que ocorrem entre elas e pela sua resiliência ao longo de todo esse tempo - no caso, 80 anos de vida desta Comissão -, independentemente de contextos políticos e econômicos de cada época. Quando dois países se aproximam por meio da educação e da cultura, com trocas que enriquecem os dois lados, tem-se mais do que um sinal de respeito mútuo e admiração de parte a parte. Tem-se também a importância de uma construção coletiva, de uma construção entre partes diferentes, mas que podem construir consensos.
Tantas décadas da Comissão Fulbright no Brasil demonstram o alto nível que sempre pautou a união entre o nosso país e os Estados Unidos da América. Ao longo de todo esse tempo, programas educacionais das mais diversas áreas do conhecimento tanto trouxeram pesquisadores e especialistas de renome ao nosso país, como levaram brasileiros para universidades norte-americanas. Essa é uma via de mão dupla, portanto, que remove barreiras e aproxima pessoas que jamais se encontrariam de outro modo.
É claro que o sucesso da Comissão Fulbright no Brasil se deve também, em grande parte, a outras instituições, norte-americanas e brasileiras, que se esforçam no mesmo sentido de valorizar a educação e a ciência. Uma delas é a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, parceira essencial no apoio aos intercâmbios educacionais e culturais. Sua atuação contribui tanto para orientar brasileiros que seguem para universidades e institutos de pesquisa norte-americanos quanto para acolher cidadãos e cidadãs dos Estados Unidos que vêm ao Brasil por intermédio do programa.
Do lado de cá, temos o Instituto Guimarães Rosa, órgão do Ministério das Relações Exteriores voltado à promoção da cultura brasileira no exterior e à difusão da língua portuguesa falada no Brasil. Sua atuação reforça a diplomacia cultural e educacional brasileira, em diálogo com instituições e programas de intercâmbio que aproximam o Brasil de outros países.
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(Soa a campainha.)
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) - Também é de se ressaltar o papel da Capes e do CNPq, instituições federais indispensáveis ao financiamento de bolsas de estudo, à formação de pesquisadores e à internacionalização da ciência brasileira. Ao longo dos anos, essas instituições ajudaram a construir parcerias estratégicas com programas de excelência, como as celebradas com a comissão, ampliando oportunidades para estudantes, professores e pesquisadores brasileiros.
Já me encaminhando para o fim, Sr. Presidente, quero destacar o momento atual, marcado por desafios tecnológicos, ambientais e geopolíticos. Este momento pede, mais do que nunca, diálogo, empatia, compreensão mútua e equilíbrio.
(Soa a campainha.)
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) - Esses atributos têm sustentado, ao longo do tempo, a relação entre Brasil e Estados Unidos e devem continuar orientando uma parceria construída pela educação, pela ciência, pela cultura e pelo respeito entre os povos. Não é apenas sobre levar jovens alunos e professores aos Estados Unidos ou trazer experts americanos para o nosso país; é sobre amizade, amizade entre dois povos, entre duas nações soberanas e protagonistas no cenário internacional. Cooperação entre países se constrói no respeito mútuo, na autonomia dos povos e no compromisso compartilhado com a ciência, a educação e o desenvolvimento.
Nessa perspectiva, a nossa saudação é de que a Comissão Fulbright do Brasil...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) - ... continue por muitos anos, vida longa, com resiliência, com autonomia e buscando construir, através da educação, um outro mundo possível para todas as gerações que seguirão após a nossa.
Muito obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Agradeço as palavras da Senadora Teresa Leitão, Presidente da Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal.
Concedo, de pronto, a palavra ao Exmo. Sr. Ministro Herman Benjamin, Presidente do Superior Tribunal de Justiça.
O SR. HERMAN BENJAMIN (Para discursar.) - Muito bom dia!
Eu inicio saudando o Senador Nelsinho Trad, Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado; a Senadora Teresa Leitão, Presidente da Comissão de Educação e Cultura; o Embaixador Marco Antonio Nakata, que representa a política externa de educação e cultura do nosso país; o Professor e querido amigo Luiz Loureiro, que se confunde com a Comissão Fulbright no Brasil; a Vice-Chefe de Missão dos Estados Unidos no Brasil, Kimberly Kelly. E aqui eu peço permissão para sair um pouco do protocolo e saudar também a Elizabeth Detmeister e a Ruth Urry. São três mulheres que representam o que há de melhor da diplomacia norte-americana. Nós somos muito gratos a essas três extraordinárias mulheres.
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Queria saudar todas e todos que se encontram aqui, em especial os ex-bolsistas Fulbright.
A menos de um mês dos 250 anos da declaração de independência dos Estados Unidos, é uma honra participar desta sessão solene em comemoração aos 80 anos do Programa Fulbright, uma iniciativa que se tornou uma das mais bem-sucedidas e duradouras experiências de diplomacia educacional e cultural da história contemporânea.
Talvez não exista local mais apropriado para esta celebração do que o Senado brasileiro, afinal o Programa Fulbright nasceu da visão de um Senador, o Senador William Fulbright, do Arkansas, um dos mais respeitados membros da história do Senado dos Estados Unidos.
Esta é a Casa que melhor poderia homenagear o Programa Fulbright e William Fulbright. Em um mundo que emergia dos traumas da Segunda Guerra Mundial, como já o disse o Senador Nelsinho Trad, ele compreendeu algo fundamental: a paz duradoura não poderia ser construída apenas por tratados, governos ou forças militares, ela dependeria, sobretudo, do conhecimento mútuo entre os povos.
Sua resposta foi inovadora e visionária. E aqui eu prefiro que ele o diga com suas próprias palavras, aspas: "O intercâmbio educacional pode transformar nações em pessoas, contribuindo, como nenhuma outra forma de comunicação, para a humanização das relações internacionais", fecho aspas.
O resultado dessa ideia visionária é impressionante, mais ainda quando, repito, celebramos, em poucos dias, 250 anos de independência dos Estados Unidos e da república-mãe moderna desta ideia de Estado, a República.
Ao longo dessas oito décadas, o Programa Fulbright apoiou centenas de milhares de bolsistas, entre os quais eu mesmo. Como fundador e primeiro Presidente da Associação dos Ex-Bolsistas Fulbright, eu queria aqui homenagear o programa, as pessoas por ele responsáveis e, in memoriam, William Fulbright.
Milhares de brasileiros e norte-americanos - já disse aqui a Senadora Teresa Leitão - tiveram a oportunidade de estudar, pesquisar, ensinar e colaborar em instituições dos dois países. Muitas das parcerias acadêmicas e científicas hoje existentes entre universidades brasileiras e americanas tiveram sua origem ou foram fortalecidas graças ao programa Fulbright. Não é um programa de indivíduos, é um programa de instituições por meio de indivíduos. Mais do que formar especialistas, o programa ajudou a formar pontes fortíssimas entre Brasil e Estados Unidos: pontes entre instituições, pontes entre comunidades científicas, pontes entre culturas e, sobretudo, pontes entre nós, as pessoas. Essa missão continua mais relevante do que nunca: William Fulbright, se estivesse vivo hoje e fosse Senador, certamente proporia de novo o mesmo Programa William Fulbright. É precisamente nesse contexto que o legado de Fulbright se mostra tão atual. Para ele, permitam-me citá-lo de novo, aspas: "A essência da educação intercultural é a aquisição da empatia", fecho aspas. Isso é profundo. Pela educação, nós aprendemos a nos entender, a nos respeitar e, sobretudo, respeitar a diversidade.
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Finalizo dizendo que a Comissão Fulbright no Brasil se tornou uma das mais respeitadas do mundo por conta de pessoas extraordinárias como o Luiz Loureiro e a sua equipe, que eu homenageio neste momento.
Termino com uma outra passagem de William Fulbright nos seus muitos discursos, aspas: "A aproximação entre os povos só é possível quando as diferenças de cultura e de visão de mundo são respeitadas e valorizadas, em vez de temidas e condenadas", fecho aspas. Muito obrigado a William Fulbright. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Agradecemos as palavras do Ministro Herman Benjamin e, de pronto, passamos a palavra à Sra. Kimberly Kelly, Encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos.
A SRA. KIMBERLY KELLY (Para discursar.) - Distintos Senadores, Deputados, colegas, ex-alunos e amigos, estou encantada em ver tantas referências em excelência em academia e intercâmbio intelectual reunidas.
Hoje, estamos aqui para celebrar um marco extraordinário: os 80 anos do Programa Fulbright e as gerações de mentes brilhantes que ele reuniu. O aniversário do Programa Fulbright é também especial porque coincide com os 250 anos da independência dos Estados Unidos. Isso é uma ocasião que também celebra as contribuições dos Estados Unidos para inovação, o conhecimento e a educação.
Gostaria de expressar minha sincera gratidão ao Presidente Nelsinho Trad, bem como aos Senadores Eliziane Gama, Damares Alves, Otto Alencar, Marcelo Castro e Jorge Seif, por reunirem esta sessão. Também quero reconhecer Teresa Leitão e o seu apoio para a educação e cultura aqui no Brasil.
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Faço também um agradecimento - desculpem o meu português - especial ao Presidente do Superior Tribunal de Justiça, meu amigo Ministro Herman Benjamin, ele próprio um ex-aluno Fulbright com orgulho, por sua visão e liderança em tornar esta homenagem possível. Obrigada, senhor.
O 80º aniversário do programa Fulbright nos lembra que o progresso depende não apenas das conquistas nacionais, mas da colaboração além das fronteiras, do intercâmbio das ideias, do conhecimento e das pessoas.
Por 69 anos, os Estados Unidos e o Brasil trabalharam juntos por meio da Comissão Fulbright Brasil-Estados Unidos, permitindo que mais de 8 mil estudantes, pesquisadores e acadêmicos brasileiros e americanos realizassem pesquisas de ponta e trabalhos de campo em ambos os países. O programa Fulbright fortaleceu os laços entre os povos, fomentou a inovação e reforçou a nossa crença compartilhada de que a educação e a pesquisa são essenciais para construir sociedades mais prósperas e democráticas.
Vemos esse legado vivo do programa nos indivíduos extraordinários que ele apoia, visionários que se tornaram líderes nos campos da ciência, das políticas públicas, da academia e das artes. Muitos destes distintos ex-alunos estão conosco na Câmara dos Deputados hoje, e temos com eles uma dívida de gratidão por suas importantes contribuições em áreas que vão desde saúde pública até energias renováveis, inteligência artificial, biotecnologia e outros.
Vejamos algumas dessas realizações notáveis.
Graças ao programa Fulbright, Murilo Hauser obteve um Mestrado em Belas Artes em Roteiro pela Universidade do Sul da Califórnia, em 2013. Talvez vocês reconheçam seu nome como o do roteirista de Ainda Estou Aqui, o primeiro filme brasileiro que venceu o Oscar de melhor filme internacional.
Outro ex-aluno Fulbright de destaque é Rômulo Neris, pesquisador brasileiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que estudou na Universidade da Califórnia. Sua pesquisa pioneira sobre a resposta imunológica humana ao vírus da covid-19 levou ao seu reconhecimento pela revista Forbes como líder Forbes Under 30.
Um dos ex-alunos brasileiros Fulbright mais renomados foi membro desta ilustre Casa por nove anos; foi também ex-Ministro da Fazenda, das Relações Exteriores e Presidente.
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Fernando Henrique Cardoso era sociólogo de formação e foi selecionado como Professor visitante ilustre do 40º aniversário do programa Fulbright, na Universidade Columbia. Sua trajetória é um testemunho irrefutável de como a educação superior e o intercâmbio intelectual aberto podem enriquecer o serviço público em seus mais altos níveis.
Para encerrar, gostaria de expressar a minha profunda gratidão à liderança e aos funcionários da Comissão Fulbright e aos educadores e administradores que encabeçam esse trabalho todos os dias.
Agradeço também aos distintos membros da Câmara e do Senado por sua presença e seu compromisso constante com o poder da educação.
Celebramos hoje as pessoas incríveis que trilharam esse caminho nos últimos 80 anos e olhamos para o futuro desse programa com ambição e otimismo.
Obrigada. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Agradecemos as palavras da Sra. Kimberly Kelly, Encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
Concedo a palavra ao Sr. Embaixador Marco Antonio Nakata, Diretor do Instituto Guimarães Rosa.
O SR. MARCO ANTONIO NAKATA (Para discursar.) - Quero agradecer, em primeiro lugar, ao Senador Nelsinho Trad, à Senadora Teresa Leitão, ao Ministro Herman Benjamin, por meio de quem eu cumprimento os outros membros da mesa e também todos os participantes deste evento, sobretudo os funcionários da Comissão Fulbright e o Sr. Diretor Executivo Luiz Loureiro.
É uma grande honra falar nesta Casa sobre uma parceria de oito décadas, a cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos por meio do programa Fulbright.
Desde que assumi a direção do Instituto Guimarães Rosa, testemunho, como membro do Conselho Diretor da Fulbright Brasil, a importância da Fulbright na construção de pontes entre Brasil e Estados Unidos.
O Instituto Guimarães Rosa é o órgão do Ministério das Relações Exteriores responsável pela diplomacia cultural e educacional brasileira, transformando ativos culturais, linguísticos e educacionais em instrumentos de cooperação e desenvolvimento.
Senhoras e senhores, organizarei minhas observações sobre a parceria do Brasil com a Fulbright em torno de três palavras-chave: história, prioridades e pessoas. Começo pela história.
A história de 80 anos do programa Fulbright tem sido marcada por uma estreita cooperação com o Brasil, onde o programa está ativo desde 1957. Mais de 5 mil brasileiros tiveram a oportunidade de estudar, lecionar e realizar pesquisas nos Estados Unidos. E mais de 3,5 mil americanos vieram ao Brasil para dar aulas, conduzir pesquisas e realizar cursos também aqui nas instituições acadêmicas brasileiras.
Essa reciprocidade é fruto de compreensão mútua, excelência acadêmica e confiança institucional de longo prazo.
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Sobre história, eu passo agora a falar de prioridades.
Para o Brasil, a cooperação educacional internacional não é uma questão menor; a cooperação educacional é um instrumento estratégico de política externa. Ao longo do tempo, o Brasil priorizou a formação de capital humano altamente qualificado, investiu na internacionalização das suas universidades e trabalhou para fortalecer suas capacidades de pesquisa e inovação. O programa Fulbright vem desempenhando papel central no avanço dessas prioridades. Por meio da Fulbright Brasil, Brasil e Estados Unidos alinham sua cooperação educacional aos desafios contemporâneos, apoiando iniciativas temáticas em áreas como direitos humanos, sustentabilidade, saúde pública, educação, tecnologia e inovação.
Senhoras e senhores, só conseguimos alcançar este estágio de colaboração graças ao fator humano. Por isso, gostaria de reconhecer a contribuição dos milhares de participantes dos programas Fulbright, que promoveram o desenvolvimento mútuo dos ambientes acadêmicos e, por extensão, das sociedades de nossos países.
Entre os ex-bolsistas da Fulbright encontram-se nomes que testemunham o poder transformador do intercâmbio educacional, como já foi mencionado aqui. Eu gostaria de destacar um dos ex-bolsistas, o Ministro Herman Benjamin, cuja presença nesta sessão solene e participação no Conselho Diretor da Fulbright muito nos honra.
Gostaria também de expressar meu agradecimento a todos os demais membros do Conselho Diretor da Fulbright Brasil, bem como ao Diretor Executivo Luiz Loureiro, e gostaria de deixar um agradecimento muito especial à Presidente da Capes, Profa. Denise Carvalho, e ao Prof. Rui Oppermann, sem cuja colaboração esta celebração não seria possível.
Ao olharmos para o futuro, reafirmar esse espírito de cooperação continua sendo essencial para garantir que a educação continue a servir como uma ponte entre nossos povos. Sigamos trabalhando juntos por esse propósito.
Muito obrigado a todos. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS) - Agradecemos ao Sr. Embaixador Marco Antonio Nakata.
Cumprida a finalidade desta sessão especial do Senado Federal, agradeço às personalidades que nos honraram com as suas participações, sem antes, porém, agradecer a todos os assessores que nos auxiliaram para fazer com que esta sessão fosse realidade, na pessoa da Bruna Macedo, minha assessora, que realmente se destacou muito nessa organização.
Agradeço a todas e a todos.
Sob a proteção de Deus, declaro encerrada a presente sessão.
(Levanta-se a sessão às 11 horas e 55 minutos.)