4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 15 de junho de 2026
(segunda-feira)
Às 14 horas
81ª SESSÃO
(Sessão Não Deliberativa)

Oradores
Horário

Texto com revisão

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A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF. Fala da Presidência.) - Havendo número regimental, declaro aberta a sessão.

Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão não deliberativa semipresencial destina-se a discursos, comunicações e outros assuntos de interesse partidário ou parlamentar.

As Senadoras e os Senadores poderão se inscrever para o uso da palavra por meio do aplicativo Senado Digital, por intermédio dos totens disponibilizados na Casa ou por solicitação à Mesa durante a sessão.

Os Senadores presentes remotamente e inscritos para o uso da palavra poderão fazê-lo através do sistema de videoconferência.

Passamos à lista de oradores.

Convido, para ocupar a tribuna, o Senador Paulo Paim, do PT, Rio Grande do Sul.

Enquanto ele vem em direção à mesa, temos que lembrar que estamos no Junho Violeta - eu estou de violeta hoje, Senador -, um mês de enfrentamento à violência contra a pessoa idosa, um mês de conscientização sobre a proteção e defesa das pessoas idosas. E não podemos falar de idoso no país sem nos lembrar do senhor, o senhor que é o autor do Estatuto do Idoso.

Que neste mês a gente possa chegar ao coração de todos os brasileiros sobre o respeito intergeracional, sobre a proteção, sobre o acesso, sobre a inclusão, sobre o cuidado à pessoa idosa.

O senhor tem a sua fala, Presidente.

O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Para discursar.) - Meus cumprimentos, Presidente Damares. V. Exa. é sempre muito sensível e, nessa questão de idoso, V. Exa. está sempre com a razão.

É preciso que todos lembrem - e eu gosto de repetir essa frase - que a forma como nós tratamos os nossos idosos - nós todos vamos envelhecendo, eu já envelheci e não tenho vergonha de dizer isso, mas sempre tratei com muito carinho os idosos - é a forma como nós seremos tratados no futuro, como nós tratamos nossos filhos e netos.

Sra. Presidenta, Srs. Senadores e Sras. Senadoras, a Câmara vai votar, amanhã, o Projeto de Lei 1.838, de 2026, encaminhado em abril pelo Governo Federal, sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Amanhã, o Plenário deve se dedicar exclusivamente - o Plenário da Câmara - à análise desse texto. A matéria tramita em regime de urgência.

Alguém pode estar a se perguntar por que votar outra proposta se a Câmara já votou a redução de jornada para 40 horas sem redução de salário. Ora, por quê? Porque o que foi votado lá na Câmara foi uma PEC, a Proposta de Emenda Constitucional 221, de 2019, que está aqui tramitando no Senado.

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O que a Câmara vota amanhã? Amanhã a Câmara vota um projeto de lei, e esse projeto de lei está em regime de urgência - muitos dizem "urgência urgentíssima". Ele tranca a pauta. Por isso, ele tem que ser votado. Claro, se a PEC já tivesse sido votada aqui ou for votada rapidamente, ajuda. Naturalmente, uma vez aprovada, aquele perde, então, a razão de ser.

Senhoras e senhores, falamos de novo desse tema que me é tão caro, tão importante para o conjunto da população do Brasil. Pesquisas indicam que a ampla maioria da população é favorável à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. Os Deputados entenderam isso. Por isso, de 513, somente 22 no primeiro turno votaram contra; e, no segundo turno, somente 19.

Enfim, qual é a pergunta que não quer calar na população brasileira? O que afinal está faltando para que o Senado vote a matéria, já que esse tema nós estamos debatendo aqui há anos? Vou lembrar, porque eu tenho um projeto que vai na mesma linha do aprovado na Câmara desde 2015, inclusive foi aprovado pela CCJ e veio para o Plenário.

Eu sou daqueles que cumprem muito o Regimento. Eu sempre digo que um projeto que é aprovado numa Casa lidera quando ele chega à outra Casa, se a mesma matéria aqui não foi votada ainda no Plenário. É por isso que nós vamos nos debruçar e vamos votar - espero eu, estou muito animado - esse projeto que chegou aqui da Câmara dos Deputados.

Não temos mais por que demorar. O Brasil todo e inúmeros empresários já estão inclusive aplicando a jornada de 40 horas semanais. Esse projeto impacta positivamente a vida de milhões e milhões de pessoas.

Sra. Presidenta, Damares, no próximo dia 1º de julho, por iniciativa do Senador Laércio, este Plenário realiza uma sessão especial de debates sobre o fim da escala 6x1 e a redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. Era para ser no dia 24, mas, por motivo de força maior, assim entendeu o primeiro signatário desta sessão de debates, conversando com outros Senadores. Eu conversei, ele estava em Genebra, eu falei com ele, ele me atendeu de pronto e disse: "Paim, tivemos que mudar, mas dia 1º está garantido", mas vamos em frente.

A proposta da PEC 221, de 2019, dos Deputados Federais Reginaldo Lopes e Erika Hilton, avançou e está aqui no Senado. Encontra-se agora em tramitação nesta Casa, sob a análise da Comissão de Constituição e Justiça, que é presidida pelo querido Senador, grande Senador, uma referência para nós todos, Otto Alencar.

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Este Plenário aqui receberá, no dia 1º de julho, além de Senadores e Senadoras, Deputados e Deputadas, representantes das centrais sindicais, representantes de lideranças empresariais, movimentos sociais e estudantes, pesquisadores, especialistas e representantes, enfim, do conjunto da sociedade civil. Será um espaço democrático, de diálogo, reflexão e construção coletiva; um momento para apresentação de argumentos, experiências e propostas. Estarei aqui na quarta-feira. Estarei aqui até votar, não pretendo ir para o meu estado enquanto não votar essa matéria.

Claro que eu, viajando no tempo, me lembro desse debate na Assembleia Nacional Constituinte. Lá, nós já defendíamos as 40 horas, eram 48 horas, porque é desde a época de Getúlio, só que era mediante um amplo diálogo com o chamado centrão da época - com os quais eu conversava com todos, e me lembro aqui do já falecido Jarbas Passarinho, que era um homem de muito diálogo - e nós conseguimos chegar às 44 horas.

Agora, 40 anos depois, nós estamos nos aproximando das 40 horas semanais. Enfim, será um grande debate sobre o mundo do trabalho e o futuro do Brasil. E não poderia ser diferente. Neste mesmo Plenário... Aqui do Senado, muitas vezes, eu estava nas galerias, eu diria que - há 42 anos - eu estive aqui nas galerias tanto do Senado como da Câmara. Eu diria que foram debates que marcaram a história do nosso país.

A história do Senado Federal e da própria Câmara confundem-se com a própria história do nosso país. Aqui ecoaram vozes que defenderam a liberdade, a democracia, a justiça social, os direitos humanos, Presidenta Damares - que é Presidenta da Comissão de Direitos Humanos -, e a dignidade da pessoa humana.

Aqui tivemos debates profundos da época da abolição da escravatura à construção da Constituição Cidadã de 1988, dos embates pela redemocratização, às conquistas sociais que ampliaram direitos e oportunidades para milhões de brasileiros.

O Senado consolidou-se como uma das grandes tribunas desta República: guardião da Federação e da esperança do povo brasileiro. Quando aqui aprovada a Lei Áurea, as galerias jogaram, eu diria que encaminharam, com muito carinho aos Senadores e às Senadoras, cravos e orquídeas, que os Senadores recebiam com muito carinho aquelas pétalas de rosas, de orquídeas e de flores que vinham do alto como um carinho, como um abraço aos Senadores e às Senadoras.

Foi neste Parlamento que se travaram discussões decisivas para o rumo da nossa nação. A memória registra - e aqui eu aprofundo um pouquinho - momentos como a aprovação da Lei Áurea em 1888. Quando as pétalas das rosas e das orquídeas foram lançadas das galerias em celebração à libertação dos escravizados, muitos choraram, outros batiam palma, outros se sentiam realizados, mas o Senado cumpriu o seu papel.

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Com a proclamação da República e a reorganização institucional do país, entre 1889 e 1891, o Senado passou a representar os estados da Federação, assumindo a configuração que preserva até os dias de hoje.

Ao longo de sua trajetória, esta Casa debateu crises, soluções, desafios, avanços, desenvolvimento econômico, inclusão social e a defesa do meio ambiente. Sim, aprovou marcos históricos que transformaram a vida da população brasileira. Quero aqui destacar alguns que eu tive a satisfação de participar.

Destaco - e a Senadora Damares já falou aqui na abertura - o Estatuto da Pessoa Idosa, o Estatuto da Igualdade Racial, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, o Estatuto da Juventude, as leis de cotas na área pública e também nas universidades, a PEC das Domésticas, a Lei dos Autistas, a Política Nacional do Alzheimer e inúmeras medidas de proteção a todos - os trabalhadores, as trabalhadoras; aposentados, aposentadas; pensionistas; crianças, jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Foi aqui no Senado, Presidenta, que iniciamos o debate da valorização do salário mínimo - foi aqui que começou. Em 2005, o então Presidente do Senado Renan Calheiros criou uma Comissão Mista Especial do Salário Mínimo. O Deputado Jackson Barreto foi eleito como Presidente, o Deputado Walter Barelli foi o Vice, e eu fui escolhido por esta Comissão para ser o Relator. Percorremos o país inteiro, ouvindo a população e a sociedade.

Em 2006, apresentei, então, o relatório - relatório não meu, mas de todo esse grupo, de que faziam parte Senadores e Deputados - sugerindo então a política nacional de valorização do salário mínimo (inflação + PIB). Foi uma construção, de fato, coletiva, por isso fomos aos estados ouvir a população.

Também lembro eu que tivemos pronunciamentos memoráveis, que ajudaram a moldar a consciência democrática do nosso país. O próprio Senado mantém um acervo, denominado Grandes Momentos do Parlamento Brasileiro, reunindo discursos históricos de personalidades - só como exemplo, Afonso Arinos; o autor da Lei Áurea; Juscelino Kubitschek; Tancredo Neves; Darcy Ribeiro; Teotônio Vilela; Benedita da Silva e Eunice Michiles, primeira mulher a ocupar o cargo de Senadora no Brasil; Abdias Nascimento; e vou lembrar aqui do meu querido amigo Pedro Simon, porque eu tive o prazer de, há poucos dias, fazer uma gravação para a autobiografia dele.

Pois bem, Sra. Presidenta, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, Senador Girão, que já está no Plenário e a quem eu agradeço, porque me cedeu para falar primeiro, porque eu disse a ele que eu tinha outro compromisso - "Fique tranquilo, que eu estarei lá para cumprir o meu papel de usar a tribuna, logo após sua fala, Paim."

Obrigado, Senador Girão.

Enfim, Presidenta, mais uma vez, a história bate à porta desta Casa. Mais uma vez, o Senado da República é chamado a cumprir o seu papel mediante a história, diante de uma grande causa nacional, que é qualidade de vida: a jornada de 40 horas semanais. O mundo todo já caminha nesse sentido. Eu só não vou repetir todos os países, que já são 36, 38, 40, 42, mas todos caminham pela estrada da redução da jornada sem redução do salário. Repito, no dia 1º de julho, este Plenário debaterá o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução do salário.

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Sra. Presidente, por que essa é uma grande causa? Eu uso muito uma frase: eu aprendi a defender causas e, graças a Deus, nunca defendi coisas, porque defender causas, por exemplo, é tratar da saúde física, mental, da vida de milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadoras. É porque fala da convivência familiar, do tempo para cuidar dos filhos, mas de cuidar também dos netos, dos pais, dos avós; porque é a geração se encontrando, como a senhora falou na abertura; porque trata da possibilidade de estudar mais, qualificar-se melhor e ampliar horizontes para ter um salário mais qualificado, mais decente, poderíamos dizer; porque defende o direito de viver além do trabalho. A vida não é só o trabalho. A vida é lazer, é estudo, é poder ir a um parque naqueles dois dias, no sábado ou no domingo.

Senadora Damares, eu disse há um tempo, vou repetir hoje: eu nunca trabalhei 6x1. Nunca! E olhe que eu estava nas fábricas há mais de 40 anos, mas eu já trabalhava 5x2, porque o próprio empregador entendia - e trabalhei em grandes empresas: Tramontina, Eberle (Maesa), Dal Sochio & Menegotto, Varig em Porto Alegre; foi nessas que eu trabalhei. Ele já entendia que não valia a pena abrir o seu estabelecimento, a sua fábrica, botar um maquinário todo para trabalhar só quatro horas no sábado de manhã. O que ele fazia? Ele distribuiu aquelas quatro horas durante a semana, e nós aceitávamos tranquilamente.

Então, nós estamos tratando aqui é de um debate de minutos. São menos minutos a mais por dia que vão, então, dar oito horas: cinco vezes oito, quarenta. Hoje nós trabalhamos, em vez de oito horas, oito horas e quarenta e poucos minutos, se não me engano. Nós estamos tratando é disso: alguns minutos por dia. Ampla maioria. Se eu estou dizendo aqui - podem pegar minha carteira de trabalho; está no meu gabinete - que 50 anos atrás eu já trabalhava assim... E graças a Deus! No sábado à tarde eu caminhava, eu viajava, jogava futebol, namorava - afinal, tinha que namorar, né? -, estudava, fazia excursões do colégio. Era no sábado a excursão, para domingo estar em casa. Então, por que, passado tanto tempo, a gente não pode fazer com que essa prática saudável - saudável - possa se tornar realidade para todos os brasileiros?

Porque diz respeito à geração de emprego, à distribuição de renda, ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social; porque nos convida a refletir como repartir, de forma mais justa, os ganhos proporcionados pelos próprios avanços tecnológicos.

O mundo mudou. O tempo em que eu estava nas fábricas, 50 anos atrás, porque eu estou há 40 aqui dentro e fiquei um tempão como sindicalista e como líder estudantil, mostra que essa inovação toda... Nós temos que torcer, cada vez mais, que venha um avanço tecnológico, que venha também a se reduzir a jornada, e vamos produzir muito mais, aumentar a produtividade, aumentar a qualidade, inclusive, da nossa produção.

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Em última análise, Presidente, terminando, estamos diante de um debate sobre dignidade humana, justiça social e qualidade de vida. Por isso, afirmo desta tribuna: a responsabilidade deste Senado é enorme. Que saibamos ouvir, dialogar, construir caminhos que estejam à altura da história desta Casa, do Congresso, do Senado, Câmara e Senado.

O Congresso é o símbolo da própria democracia. Sim, o coração da democracia é este Congresso. Se não tivéssemos um Estado democrático de direito, o Congresso estaria fechado e eu não estaria na tribuna fazendo esta fala, V. Exa. não estaria presidindo, o Senador Girão não estaria ali preparando já o seu pronunciamento.

Enfim, vida longa à democracia. Eu tenho certeza de que o Senado vai estar à altura da democracia, vai estar à altura da importância que tem o Congresso, vai estar à altura do povo brasileiro.

Era isso, Presidenta. Agradeço a tolerância e a paciência de V. Exa.

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada, Senador Paim.

Eu aproveito a oportunidade para registrar a presença, na galeria, dos alunos do curso de Geografia da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia. Sejam bem-vindos.

Vocês tiveram a honra de assistir ao discurso do Senador Paulo Paim, que é do Rio Grande do Sul e que já está no Parlamento há 40 anos. Quarenta anos!

Inclusive, eu quero chamar a atenção dos alunos para que eu estou vestida com uma blusa lilás. Nós estamos em Junho Violeta. Foi difícil achar uma violeta. Junho Violeta é o mês de enfrentamento à violência contra a pessoa idosa, e está diante de vocês o Senador que foi autor do Estatuto da Pessoa Idosa.

Mas esse homem também, gente, foi o autor do Estatuto da Pessoa com Deficiência, do Estatuto da Igualdade Racial, da valorização do salário mínimo. Ele foi autor de tudo que é de bom que está aqui no Brasil.

(Intervenção fora do microfone.) (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Faço questão. Um dos primeiros Parlamentares negros, foi Constituinte, a ocupar a cadeira nesta Casa. Então, conheçam a vida desse ilustre Senador, que é do PT, do Rio Grande do Sul. Meu amigo, foi meu Presidente, e eu fui assessora, nos bastidores, e ficava olhando esse homem trabalhar e dizia: "Um dia eu quero ser igual a ele". Estou tentando, estou tentando.

O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) - Ela já é Presidente da Comissão que eu presidia. (Risos.) (Palmas.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Sejam bem-vindos.

Obrigada, Senador Paulo Paim.

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Eu aproveito para fazer um convite aos estudantes de Geografia da Universidade de Goiás.

Duas semanas atrás, esta Casa fez dois grandes debates sobre o El Niño: um debate em uma Comissão; outro, aqui no Plenário, conduzido pelo Senador Astronauta Marcos Pontes. Foi uma aula. Na verdade, os debates se tornaram, para nós, um doutorado. Convido vocês a acessarem, pelo YouTube, depois. Acho que é uma matéria que interessa a todos vocês. Assistam aos debates que aconteceram. Foram dois: um na Comissão e um aqui no Plenário.

Sejam bem-vindos. Eu sou a Senadora Damares, aqui do Distrito Federal. Eu sou... Já está homologado pelo IBGE e por todos os órgãos de estatística e de dados do Brasil, já está confirmado que eu sou a Senadora mais bonita do Brasil. (Risos.)

Sejam todos bem-vindos.

Vai ocupar a tribuna agora... Eu convido...

O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Pela ordem.) - Eu vou ocupar, Presidente, querida Senadora Damares, também cumprimentando todos os alunos e professores da Universidade de Goiás.

Senadora Damares, eu tenho um assunto triste, infelizmente, para trazer aqui para todos nós. Eu não gosto de dar notícias tristes, mas é o que tenho o dever de fazer aqui.

Nós recebemos com profunda tristeza a notícia do gravíssimo acidente ocorrido na madrugada desta segunda-feira na CE-187, que é uma estrada estadual, em Tauá, no Ceará, envolvendo um ônibus que transportava uma delegação esportiva de jovens atletas cearenses.

Segundo as informações divulgadas até o momento, a tragédia já deixou sete vítimas fatais e dezenas de feridos, provocando enorme comoção no Ceará e no Brasil. São vidas interrompidas de forma precoce, jovens que carregavam sonhos, projetos e esperanças, além da dor imensurável imposta às suas famílias, amigos, treinadores, companheiros de equipe. Eles participaram, Presidente, de um torneio em Sobral, da Copa Sobral de basquete e foram, inclusive, os campeões. Então, foi um domingo, segundo os organizadores do evento, perfeito, o dia de ontem. Era a despedida e ninguém sabia.

O esporte é um instrumento de transformação social, disciplina e superação. Por isso, quando uma tragédia atinge jovens atletas, atinge também toda a sociedade que acredita no esporte como um caminho de oportunidades e de construção de um futuro melhor.

Neste momento de profunda dor, eu quero manifestar a minha solidariedade às famílias das vítimas, aos feridos, que seguem recebendo atendimento médico, e a toda a comunidade esportiva cearense.

Eu também tenho uma passagem pelo esporte. Sempre fui desportista, mas tive uma passagem no esporte como Presidente do Fortaleza, um clube de futebol nosso.

Que Deus conceda a todos os familiares envolvidos nessa tragédia conforto, fé e esperança na recuperação dos feridos e toda a serenidade, toda a força, aos que enfrentam este momento tão difícil da perda de um ente querido.

Eu posso dizer que, pela minha fé... Eu digo: confiem! Tudo está no controle de Deus e a vida continua.

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Esperamos que estejam todos restabelecidos.

Quem ama o próximo estará junto o resto da vida. A separação é uma questão momentânea, mas quem ama eternamente está ligado. Esse é um breve até logo.

Então, Sra. Presidente, diante da gravidade dessa tragédia, eu solicito a V. Exa. que esta Casa possa observar um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente ocorrido em Tauá.

Senadora Damares, se a gente puder fazer um minuto de silêncio, se a senhora puder, eu lhe agradeço.

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Sim, Senador.

Todos em posição de respeito, por favor.

(Soa a campainha.)
(Faz-se um minuto de silêncio.)

A SRA. PRESIDENTE (Damares Alves. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - DF) - Obrigada.

Também estendo meus abraços à família, às famílias das vítimas. Eu fico imaginando o coração da mãe e do pai nesse exato momento.

Senador Girão, tenha também a nossa solidariedade.

Vamos agora ouvir, da tribuna, o Senador Girão, do Ceará.

O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) - Minha querida Senadora Damares Alves, eu agradeço a sua deferência com o cearense, a sua sensibilidade neste momento de dor do nosso povo, especialmente das famílias que perderam ou sofrem com esse acidente, que tiveram aí essa tragédia marcada nas suas vidas.

Sra. Presidente, Sr. Senador Izalci, que agora assume a Presidência da Casa, eu quero, nesta tarde de segunda-feira, dia 15 de junho, fazer um pronunciamento aqui com muita responsabilidade para que você, brasileira, brasileiro, que está nos acompanhando no reinício de trabalhos nesta semana procure entender tudo o que aconteceu de sexta-feira para cá no aspecto do impacto de uma hecatombe política, das revelações trazidas nesse escândalo do Banco Master, a maior fraude do sistema financeiro do mundo.

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E é nosso dever procurar jogar luz, porque os grandes poderosos deste país estão insistindo em colocar a sujeira embaixo do tapete. Mas, quando a luz chega, não tem jeito, é bênção. E a gente precisa olhar para todos juntos, vendo essa sombra, agora, que está se dissipando, e procurar limpar a nossa nação para os nossos filhos, netos, bisnetos, enfim, para as próximas gerações. É nosso dever. Não temos o direito de nos calar, seja por uma amizade, seja pelo coleguismo. Nós, que fomos eleitos pela população de forma livre, espontânea, autêntica, que nos escolheu como instrumento da mudança por acreditar em nós - e eu falo aqui para os colegas Senadores e Senadoras -, não temos o direito de fazer de conta que não está acontecendo nada.

O que é que precisa acontecer mais para a gente acordar? Para a gente fazer o que tem que ser feito? Porque esta Casa é um dos problemas deste país, talvez o maior deles, o Senado Federal. Muitos querem jogar a culpa no Supremo, que tem a sua parcela gigantesca. Mas eles só fazem isso do outro lado da Praça porque nós, aqui, nos acovardamos durante anos e anos dos abusos deles, de alguns Ministros, de arbítrios, de conflitos de interesse. E eles cresceram, ficaram com o pescoço grosso e não se dobram mais, não respeitam a Constituição. E nós juramos aqui porque, diferentemente deles, a gente foi eleito pelo voto popular. Eles não têm um voto do povo; nós temos o voto popular.

Então, eu me sinto muito à vontade para cumprir o meu dever aqui e vou trazer esse discurso, que foi preparado com muita tranquilidade, com muita razão, para que a gente se estimule de vez a passar este Brasil nosso a limpo. Porque o que está faltando eu não sei mais.

O que tem saído de informações nessa segunda delação do Vorcaro...! Na primeira, já saiu muita coisa, envolvendo, inclusive, Senadores da República. O que teve de dados trazidos pela imprensa brasileira independente - e parabéns a toda a imprensa -, mostrando contratos de centenas de milhões de reais com Ministros do STF, é injustificável.

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Se a gente não fizer a nossa parte, feche esta Casa, entregue a chave lá para o Supremo e não gaste o dinheiro de quem paga imposto com uma estrutura dessa, bicentenária, que vale R$6 bilhões do seu dinheiro, do seu imposto - seis bi, "b" de bola e "i" de índio -, bilhões de reais para não fazer nada? Para fazer vista grossa? Para tapar o sol com a peneira? Não, Sr. Presidente.

Hoje eu procurarei analisar o que foi corajosamente apresentado pela jornalista Malu Gaspar sobre as expectativas do, abro aspas, "socorro institucional", manifestadas pelo responsável daquela que já é a maior fraude bilionária do planeta, envolvendo diretamente autoridades dos três Poderes da República. Mas, para fundamentar essa análise, é necessário estabelecer o contexto em que estão acontecendo essas negociações da Polícia Federal e da PGR, Procuradoria-Geral da República, para concluir a colaboração premiada de quem? Do Daniel Vorcaro, do criminoso Daniel Vorcaro, que comprou meia Brasília, as autoridades mais influentes!

Em novembro de 2025, Sr. Presidente, explodiu esse monstruoso escândalo que, tudo indica, conseguirá suplantar em valores outro grande escândalo bilionário recente, que foi o petrolão, descoberto pela Operação Lava Jato em 2014. Essa não é a primeira vez que o Banco Central precisa intervir liquidando um banco no nosso país. Dentre os mais recentes, estão o Banco Nacional, na década de 90, e o Banco Santos, nos anos 2000; porém, nenhum deles chegou nem perto dos valores estratosféricos desviados pelo Master e, principalmente, do número de autoridades corrompidas.

Dessa vez, foi a Operação Compliance Zero, a cargo da Polícia Federal. Ao mesmo tempo em que o Banco Central do Brasil decidia pela liquidação do Banco Master, a PF fazia a primeira prisão preventiva de Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, quando ele tentava sair do Brasil num jato particular em direção a Dubai. Paralelamente, através de mandados de busca e apreensão, foram confiscados celulares, computadores e muitos documentos que permitiram o aprofundamento das investigações.

O Banco Master teve um crescimento assombroso, principalmente entre 2024 e 2025, através da captação de grandes volumes de recursos, oferecendo elevada remuneração, sempre muito acima da média do mercado, utilizando produtos protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito. Hoje está escancarado esse mecanismo, pelo grau de corrupção realizado, junto a alguns Parlamentares, visando à aprovação da emenda, aumentando o limite individual garantido pelo FGC, que é o Fundo Garantidor de Crédito, para R$1 milhão, o que acabou não acontecendo.

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Eu quero dar os parabéns ao Senador Plínio Valério, porque uma emenda que foi proposta pelo Senador Ciro Nogueira foi rejeitada, a chamada Emenda Master. O Senador Plínio Valério rejeitou esse jabuti que estavam colocando lá num projeto que foi deliberado aqui na Casa.

Ainda em novembro de 2025, o Tribunal Federal da 1ª Região concedeu liberdade a quem? A Vorcaro, mas, no dia 4 de março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, foi feita nova prisão de Vorcaro, pois o material apreendido pela PF já tinha confirmado uma extensa rede de propinas pagas a muitos agentes públicos. Nesse mesmo mês de março, também ocorria o estranho suicídio na prisão de um personagem-chave do esquema de Vorcaro, conhecido como "Sicário", entre aspas, responsável por todos os trabalhos considerados sujos.

Em maio de 2026, foi realizada a sexta fase da Operação Compliance Zero, com 21 mandados de prisão preventiva e 116 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de R$27 bi - "b" de bola, "i" de ilha. É dinheiro demais, gente! É só de bilhão que eu estou falando aqui. Não cabe nem num Plenário desse o que eu estou falando aqui, de dinheiro, R$27 bilhões em bens que foram bloqueados dessa turma, mas é muito pouco em relação ao que eles roubaram.

E é você que está nos assistindo e nos ouvindo que vai pagar o pato disso. É por isso que a gente não pode descansar. Por isso que a gente precisa da transparência. É por isso que todo mundo precisa ser punido, porque quem vai pagar o pato disso aqui é você, com o aumento da taxa de juros, com mais taxas bancárias. Isso não fica de graça, não. É aquela velha história: quebra sempre no lombo do mais fraco.

Dentre os presos, Sr. Presidente, estão o pai e o primo do Vorcaro. Olha só. Nesse tempo, já tinha se tornado público o indecente contrato de R$129 milhões com o escritório de Viviane Barci, esposa do Ministro Alexandre Moraes,- além de gravíssimas ligações telefônicas entre ele, o Ministro, e o Vorcaro, no dia de sua prisão.

Rapaz, pelo amor de Deus, a sociedade precisa de uma resposta sobre isso! Ninguém vem a público falar nada sobre isso, porque é indefensável. Aí eu pergunto, e eu vou perguntar outras vezes: o que mais precisa acontecer? A República está paralisada, paralisada, por interesses pessoais, por blindagem, por corrupção.

Além de ocorrer a liquidação do Master, o escritório da Sra. Barci tinha já recebido R$80 milhões sem ter prestado nenhum serviço jurídico. Foi feito, então, com outra empresa do grupo, um novo contrato, empresa do grupo do Vorcaro. Essa turma tem um apetite muito grande, são gulosos. Já iam fazer um contrato de R$50 milhões - chegaram a fazer, R$50 milhões!

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Também o Ministro Dias Toffoli foi obrigado a entregar a relatoria do caso, sabe por quê? Ele se declarou suspeito, depois de muita pressão, em função dos negócios de sua família - da ordem de R$35 milhões - relacionados ao Resort Tayayá, no Paraná.

Mesmo assim, com tantas e sérias implicações, o Ministro Alexandre de Moraes desarquivou a ADPF 919, parada desde 2021, na qual 71 laudas embasam argumentos para restringir a aplicação da colaboração premiada.

Do que o senhor tem medo, Ministro? Como é que o senhor tira agora? Isso é oportunismo. O senhor tira isso debaixo da gaveta agora? É para se blindar? A mensagem que fica clara é essa.

Nas 71 laudas dessa ADPF 919, destacam-se os termos, Sr. Presidente: "sob pena de nulidade". Quer outro? Abro aspas: "invalidação de provas", fecho aspas, e, por último: "prisão cautelar manifestamente ilegal", entre aspas. Estão preparando a cama de gato, como a gente fala na linguagem que eu aprendi na infância. Armam a cama de gato ali.

Enquanto isso, também se tornavam públicas as gastanças milionárias de Vorcaro com festas e viagens de autoridades pelo mundo. Uma das mais emblemáticas e horrorosas, que mostra a degradação moral a que nós chegamos hoje, foi a degustação de uísque com charutos, em Londres, a um custo de R$3 milhões, na qual participaram Alexandre de Moraes, Toffoli, Gilmar Mendes e até o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet - o Diretor da Polícia Federal também estava lá.

O nível de degradação chegou ao ponto de necessitar a mobilização de tropa de choque governista no Senado, para impedir a aprovação do relatório final da CPI do Crime Organizado. A tropa de choque do Lula teve que atuar para apagar o incêndio lá, porque o Senador Alessandro Vieira indiciou três Ministros naquela CPI. Senadores que nunca participaram daquela CPI do Crime Organizado chegaram de paraquedas na hora só para votar, para blindar essa turma; só para fazer isso, inviabilizar o relatório, derrotar o relatório. Ora, ora, esse relatório pedia justamente o indiciamento dos Ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além do próprio Procurador Paulo Gonet.

Essa etapa das negociações para a colaboração premiada de Vorcaro é crucial agora, para que se chegue à verdade e, consequentemente, à devolução do dinheiro desviado para essa conta, para que essa conta não seja paga novamente pelo contribuinte brasileiro, ou seja, você que está nos ouvindo e nos assistindo agora.

Esse importante instrumento jurídico que é a colaboração premiada foi estruturado no Brasil através da Lei nº 12.850, de 2013, a partir dos bons resultados obtidos em democracias sólidas, como os Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, com a Operação Mãos Limpas, na década de 90.

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O grande teste brasileiro para a eficácia da colaboração premiada ocorreu já a partir da regulamentação da lei, em 2014, com a Operação Lava Jato, o maior legado no enfrentamento à corrupção, com a prisão de muitos empresários e políticos poderosos, incluindo um ex-Presidente da República. Mas a destruição da Lava Jato a partir de 2021... Na verdade, começou um pouquinho antes, mas, em 2021, foi o golpe de misericórdia pelo próprio STF. Os três Poderes da República conspiraram para acabar com a Lava Jato. O sistema reagiu, como reagiu na Itália, na Operação Mãos Limpas, mas o golpe de misericórdia veio do STF, o que permitiu que o câncer, em metástase no Brasil, da corrupção continuasse se expandindo, resultando em mais escândalos gigantescos.

Tivemos agora o do INSS, roubo de velhinhos, de velhinhas, de aposentados, pensionistas, viúvas, órfãos. Durante o Governo do Lula - agora, nesse último -, aumentaram bastante os descontos ilegais. Que coincidência, né? E o Lulinha recebendo, segundo o Careca do INSS... Suspeita-se até que o Lulinha seja o sócio oculto desse esquema. O maior operador é o Careca do INSS, com quem o filho do Presidente viajou para Portugal, fez transações milionárias, de quem ele teria recebido R$25 milhões e mais R$300 mil por mês de mesada. E eu não entendo, Senador Izalci, por que, até agora, não está indiciado. É estranho isso! Tem 14 pessoas presas dessas instituições, tem um monte de gente que está já, vamos dizer assim, sob a tutela do Estado, e o Lulinha parece que está no exterior e nem foragido é considerado ainda.

Mas, Sr. Presidente, igual a esse escândalo do Master é difícil. O do INSS foi terrível, foi covarde, com as pessoas mais humildes deste país, mais humildes, mais pobres. Mas, igual a esse do Banco Master é difícil.

E eu digo para o senhor: em função do inaceitável boicote do Presidente desta Casa, impedindo a instalação da CPI ou CPMI do Banco Master, desde o ano passado, eu dei entrada, com 53 Senadores assinando, inclusive o senhor, Senador Izalci - 53 Senadores de vários partidos, de quase todos -, em conjunto com os Senadores Alessandro Vieira, Marcos Pontes, Magno Malta e vários outros. Nós entramos no STF, pedindo para o STF obrigar, como ele fez na CPI da Pandemia - tem precedente, ele fez outras vezes...

(Soa a campainha.)

O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - ... a Presidência do Senado a abrir essa CPI ou CPMI. Já era para ter sido aberta há muito tempo. Essa varredura já tinha passado aqui, já tinha mostrado para a população, mesmo que tenha sabotagem do Governo Lula, porque, ao que tudo indica, tudo isso começou no Credcesta, lá do PT da Bahia. Com todo esse esquema, esse escândalo, foi gerado ali o ovo da serpente.

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Mesmo que o Governo Lula sabote, boicote, como fez em outras CPIs, inclusive na do INSS, negando convocação, negando quebra de sigilo, mesmo assim, o STF também fazendo a mesma coisa, não deixando convocações, que a gente aprovou, precisarem vir, liberando os depoentes para virarem as costas para o Senado, com todo tipo de sacanagem, desculpem a expressão...

(Soa a campainha.)

O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - O senhor estava lá, o senhor viu. Mesmo assim, tem 14 pessoas presas no roubo do INSS. E no do Banco Master? Você tem o Vorcaro, você tem o Presidente do banco aqui, você tem o primo do Vorcaro, o pai do Vorcaro... Parece que estão armando uma cama de gato para soltar, já quero deixar aqui.

E aí a gente precisa, Sr. Presidente, estar muito atento a tudo o que está acontecendo, porque esse meu pedido, lá no STF, está parado há mais de dois meses. Nós precisamos... Inclusive estamos reforçando, porque o Fachin, o Presidente, negou o pedido de suspeição do Nunes Marques que nós fizemos. Depois que a própria Polícia Federal revelou a participação do Senador, colega nosso aqui, Ciro Nogueira, que seria, sim, com o Vorcaro, amigo, irmão, viajando com ele para cima e para baixo, e depois dessa revelação da proximidade do Ministro Nunes Marques, ele tinha que se declarar impedido. E olhe que já vem o filho dele com o escritório de advocacia, o menino prodígio, que recebeu o dinheiro da JBS e do Banco Master, por tabela, no escritório de advocacia, o Ministro Nunes Marques viajando no avião do Vorcaro, e não se declara impedido o Ministro Nunes Marques.

E o Presidente do STF, que fala em código de ética dia sim, dia não, passa a mão na cabeça? E o senhor diz que a gente entrou de forma intempestiva com esse requerimento, para que ele se declarasse impedido? O que é isso, Ministro Fachin? O que é isso, Presidente? A gente não sabia dessas informações quando a gente entrou, não. Como é que pode ser intempestivo se a informação do Ciro Nogueira veio depois? Nós estamos reiterando, Presidente, exatamente essa questão do conflito de interesse.

Paira no ar uma outra importante pergunta: por que a colaboração premiada de Daniel Vorcaro vem se arrastando por tanto tempo? A primeira tentativa foi rejeitada pela PF por ser incompleta e seletiva, sem apresentar nenhuma prova adicional relevante. Já nessa segunda tentativa, foram oferecidas novas denúncias com sérias implicações... Inclusive, o que se diz aí, pela revista Veja, estaria envolvendo até o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o PT da Bahia, com destaque para Rui Costa, até há pouco tempo o poderoso Ministro da Casa Civil do Governo Lula.

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Ora, Sr. Presidente, certamente a Polícia Federal também rejeitou essa segunda tentativa porque, mais uma vez, Vorcaro não apresentou nada que já não fosse de conhecimento da Polícia Federal; por exemplo, o que ele está falando com relação ao Ministro Alexandre de Moraes, aos outros ministros, ao Toffoli, a outras autoridades poderosas deste país, desta nação?

É também, Sr. Presidente, muito suspeita a atitude tomada pelo Ministro Gilmar Mendes de pedir vista dos processos em que André Mendonça, corretamente, junto com o Ministro Fux decidiram pela prisão preventiva do pai e do primo do Vorcaro. É claro, eles não são santos! Tem bilhões de transações depois disso passando por eles. Há um risco muito grande, Sr. Presidente - já lhe agradecendo a tolerância e me encaminhando para o final -, de ser aberto um perigoso precedente pela Segunda Turma do STF, com a mudança para a prisão domiciliar dos parentes do criminoso Vorcaro.

O jornal O Globo publicou matéria denunciando a pressão feita por Gilmar Mendes sobre Nunes Marques. Isso é gravíssimo, Sr. Presidente - gravíssimo -, porque votam na Segunda Turma exatamente sabe quem? Gilmar Mendes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, pois o Toffoli não vota, porque ele se declarou suspeito. Um eventual empate de dois a dois favoreceria sabe quem? Os parentes do Vorcaro. Olhe aqui, é aqui que está a pegadinha!

O Brasil está vivendo a sua pior crise de degradação moral, ética, das instituições, na medida em que campeiam, sem controle, a corrupção e a impunidade. Nós não podemos permitir, Sr. Presidente, que se repita o trágico desastre ocorrido com a destruição da Lava Jato. Graças a Deus - repito, graças a Deus -, neste momento tão crítico da nossa história, não falta o corajoso Ministro André Mendonça, um homem técnico! Você vê que ele só fala do processo, diferentemente dos outros que vivem dando entrevista, passaram o tempo dando entrevista. Você vai aos Estados Unidos, você não ouve nem falar dos Ministros da Suprema Corte, eles são discretos. Aqui são espalhafatosos, mas o Ministro André Mendonça...

(Soa a campainha.)

O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - ... é uma das raras exceções ali, e ele tem um apoio espiritual do Alto. Ele encara essa missão lá no Supremo como uma missão de vida e não como meio de vida.

Para isso, vejo como medida protetiva indispensável a abertura do sigilo das investigações em curso, Sr. Presidente; tem que abrir esse sigilo, tem que abrir, tem que derrubar esse segredismo. Ministro André Mendonça, está na hora disso. O Brasil quer saber.

Eu, antes de encerrar, Sr. Presidente - não vou passar mais do que esse um minuto -, eu digo o seguinte: sabe qual a cena que mais mostra o retrato do Brasil? Foi na posse do Ministro Nunes Marques - eu vi pela televisão -, a Cármen Lúcia chegando, a Presidente do TSE, a tiracolo com o Presidente Lula. Como é que isso vai dar certo, meu Deus? Olhem só o nível de relacionamento, de intimidade! Aí eu volto para os Estados Unidos, uma referência do trabalho da Suprema Corte: eles vão para os eventos de toga, não dão entrevista, só cumprem um papel institucional e vão embora. Entrar a tiracolo com.... Rapaz, eu vou te falar uma coisa...

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Eu encerro, Sr. Presidente, com esse profundo pensamento retirado do livro O Príncipe, de Maquiavel: "Um povo que aceita passivamente a corrupção e os corruptos não merece liberdade, e, sim, a escravidão, pois as leis não podem ser lenientes beneficiando bandidos".

Olhe, Sr. Presidente, que nós tenhamos aí... Ontem teve um temporal aqui em Brasília, na sua querida Brasília. Eu sei que o senhor nasceu em Minas Gerais, mas é apaixonado por Brasília e eu sinto isso aqui no seu trabalho diariamente. Ontem caiu um toró, como a gente chama. Rapaz, eu nunca tinha visto aquilo. E fora de época! Nesta época, não era para estar tendo essas estações de chuva aqui, não. E eu vou dizer uma coisa: tomara que isso limpe os miasmas que estão aqui em Brasília, sabe? Que dê um surto de bom senso, que as pessoas tenham a capacidade de reflexão, principalmente os poderosos. Para quem que nós estamos servindo? Este Brasil não era para estar passando esse perrengue que ele está passando na economia. Este Brasil era para estar bem! Muitas causas são as nossas causas aqui, políticas, de falta de coragem, de ação pelo bem, pela justiça, Sr. Presidente.

(Soa a campainha.)

O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Então, que essa atmosfera de Brasília leve a essas autoridades dos três Poderes vergonha na cara. E olhe: tudo - tudo! - o que a gente faz a gente paga, mais cedo ou mais tarde; é a lei da semeadura. Não tenha dúvida disso!

E eu quero aqui fazer um apelo à consciência de cada um. Até os que estão calados estão sendo responsáveis, porque não agem pelo bem, pela restauração da justiça. Olhe a responsabilidade de cada um! Então, chegou a hora de a gente passar este país promissor a limpo, Sr. Presidente. Chegou a hora de passarmos este país a limpo, não dá mais para esperar.

Que Deus abençoe a nossa nação!

Muito obrigado pela sua benevolência.

(Durante o discurso do Sr. Eduardo Girão, a Sra. Damares Alves deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Izalci Lucas.)
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Senador Girão, queria que V. Exa. assumisse aqui para que eu possa também fazer meu pronunciamento. (Pausa.)
(O Sr. Izalci Lucas deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Eduardo Girão.)

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Com a palavra o Senador Izalci Lucas, aqui do Distrito Federal.

O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) - Sr. Presidente, eu poderia repetir aqui o discurso de V. Exa., até porque participei de várias CPIs como Deputado e como Senador, e lembrando que, a cada escândalo, sempre aparece um outro mais grave. Ninguém fala mais no INSS, não é?

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) - É.

O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) - Parece que morreu o assunto. Mas me lembro aqui de ter participado, como Deputado, do mensalão - que foi o primeiro de que participei -, em que o Governo pagava pelo voto aqui no Congresso Nacional.

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Depois participei da CPI da Petrobras. Nunca se viu tanto desvio de recursos como na Petrobras. Daí a gente não tem hoje nem distribuidor; não temos nem a refinaria mais, porque foram várias refinarias nas quais investimos bilhões e bilhões e nunca foram concluídas, como a Refinaria Abreu e Lima, que era, inclusive, uma parceria com a Venezuela, que até hoje não pagou sua dívida.

Depois veio a CPI dos Fundos de Pensão, com vários fundos de pensão - do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Correios, vários -, e em todos foram desviados bilhões e bilhões; inclusive, os servidores e os funcionários estão pagando até hoje. Tivemos que aprovar, aqui, uma lei, inclusive, para pelo menos dispensar do Imposto de Renda as contribuições que eles fizeram e que eles fazem ainda, basta ver agora de novo como é que estão os fundos aí.

Depois veio a CPI da Lei Rouanet, com bilhões e bilhões sem prestação de conta nenhuma. Tinha milhões de contas de que não foram prestadas contas - desvios de recursos da Lei Rouanet.

Depois veio a do Carf, que é exatamente o recurso administrativo da Receita Federal, uma maracutaia completa.

Nós tivemos aqui a CPMI do Cachoeira - foi aqui no Senado -, uma CPMI mista da qual eu participei como Deputado, das roletas aí fora. E aí eu me lembro de que ele disse uma vez que ele não investiria mais. Ele investia sempre em candidatos a Deputado; ele botava grana nas campanhas. E na CPMI ele disse que não ia fazer mais isso, porque era mais fácil investir lá no ministério, através dos ministros, etc. E é exatamente o que aconteceu com relação ao Carf, por exemplo, em que os incentivos fiscais eram conseguidos através de propina diretamente no ministério.

Depois vieram outras. E depois, aqui, a gente participou da CPI da Chapecoense, que, diferentemente, não foi corrupção, mas até hoje também as vítimas não receberam o seguro.

Depois tivemos, aqui, a CPI das Bets. V. Exa. lembra exatamente o que aconteceu, né? A gente não conseguiu nem aprovar o relatório. Gente que nunca participou de nenhuma sessão apareceu lá para votar contra. E você vê o estrago que está acontecendo no Brasil com relação às bets. Inclusive, hoje eu vi nos jornais aí todos que a Receita Federal recebe das bets, hoje, mais do que a própria Petrobras, para você ver como é que está a situação do jogo e das bets.

Depois veio a do INSS, da qual V. Exa. falou muito bem aqui. O filho do Lula sumiu; aliás, o Lulinha está na Europa curtindo lá. A gente não conseguiu sequer aprovar a quebra de sigilo dele.

Então, realmente, o que vai acontecer e o que eles devem estar apostando aí é que, daqui a algum tempo, daqui a alguns meses, deve aparecer um outro escândalo, e um vai sobrepondo o outro.

Mas, Presidente, eu subo a esta tribuna hoje, aqui, para tratar de um tema que, embora não ocupe as principais manchetes dos jornais todos os dias, está presente dentro de milhões de lares brasileiros e, silenciosamente, tem se tornado uma das maiores preocupações das famílias do nosso país: falo do crescente endividamento dos brasileiros.

Por trás dos números, das estatísticas e dos relatórios econômicos, existem pais e mães de família que acordam cedo, trabalham, lutam, fazem sacrifício e, ainda assim, chegam ao final do mês sem conseguir fechar as contas.

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Existem aposentados que precisam recorrer ao empréstimo para comprar remédios. Existem trabalhadores que se utilizam do cartão de crédito para colocar comida na mesa. Existem milhares de brasileiros que contraem uma dívida para pagar outra dívida e, sem perceber, acabam presos a um ciclo que parece não ter fim. E o que mais me preocupa, Sr. Presidente, é que essa realidade deixou de ser um problema pontual e passou a ser um problema estrutural.

Os dados mais recentes revelam que o Brasil chegou ao maior nível de endividamento de toda a série histórica: mais de 81% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida. Nunca tivemos um percentual tão elevado; e, quando olhamos para a inadimplência, o cenário é ainda mais preocupante: mais de 83 milhões de brasileiros estão negativados. São milhões de pessoas que vivem sob a pressão das cobranças, da incerteza e também da angústia de não saber se conseguirão honrar os seus compromissos. O mais grave é que esse problema atinge principalmente aqueles que menos têm. Nas famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento já alcança quase 85%, e a inadimplência se aproxima de 40%. Isso demonstra que o endividamento do Brasil tem rosto, tem nome e tem classe social. São justamente os brasileiros mais humildes, aqueles que trabalham honestamente e que lutam diariamente para sustentar suas famílias, os que mais sofrem com o peso dessa realidade.

E há um aspecto que merece uma reflexão mais profunda. Ao contrário do que muitos imaginam, o problema não está apenas na falta de emprego ou na ausência de renda. O Governo Federal, Senador Wellington, usa números fantasiosos falando que o Brasil diminuiu o desemprego. Na realidade, eles colocam pessoas que recebem os auxílios como se estivessem empregadas - lembrando que esse valor irrisório e a dependência da população ao Governo não os tiram da pobreza.

Isso nos leva a uma conclusão inevitável: o grande problema do Brasil não é o tamanho da dívida; o grande problema do Brasil é o custo da dívida, é o preço do dinheiro, é o crédito caro, é o juro excessivo. É a realidade de um país em que o cartão de crédito, que deveria ser um instrumento de facilitação, transformou-se em uma verdadeira armadilha para milhões de famílias. E é inaceitável que, em pleno século XXI, o brasileiro continue convivendo com juros que chegam a ultrapassar 400% ao ano no crédito rotativo. Nenhuma família consegue prosperar dessa forma. Nenhum trabalhador consegue construir um futuro quando uma parcela cada vez maior da sua renda é consumida pelos juros. Nenhum país consegue crescer de forma sustentável quando as suas famílias estão sufocadas pelas dívidas.

É por isso que esse tema precisa ser enfrentado com seriedade, porque, no final das contas, quando uma família perde a tranquilidade financeira, não é apenas o orçamento que é afetado, é a paz dentro de casa, é a saúde mental, é o sonho de empreender, é a esperança de construir um futuro melhor. E um país que permite que milhões de cidadãos vivam sob o peso permanente das dívidas é um país que precisa rever as suas prioridades.

Muito obrigado, Presidente.

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O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muitíssimo obrigado, meu querido Senador Izalci Lucas, sempre muito contundente nos seus pronunciamentos. Obrigado.

Já chamo aqui o nosso querido irmão, que é o grande Líder do Bloco Vanguarda, do qual eu faço parte com muita honra, muita alegria, Senador Wellington Fagundes, de Mato Grosso.

O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT. Para discursar.) - Boa tarde, Senador Izalci; Senador Girão, que preside hoje esta sessão; toda a população brasileira que nos assiste pela TV Senado, nos ouve pela Rádio Senado e também por todos os meios de comunicação desta Casa.

Falo aqui, Senador, como filho de um católico, de uma mãe católica; minha irmã mais velha, freira franciscana. Essa semana nós tivemos algo muito especial no nosso estado, que se trata exatamente do meu momento de vivenciar o histórico momento que foi o último sábado, no dia 13, do qual participei lá na cidade de Jauru, na região da grande Cáceres - Cáceres é tida como a nossa Princesinha do Paraguai, Princesinha do Pantanal. Lá eu pude participar de uma cerimônia, que foi a cerimônia de beatificação do Padre Nazareno Lanciotti, primeiro mato-grossense sendo beatificado, ele que foi um missionário italiano, que dedicou sua vida ao povo mato-grossense e que agora é reconhecido como o primeiro beato da história de Mato Grosso.

Confesso, Sr. Presidente, que esse foi um daqueles momentos que ficam marcados para sempre em nossa memória. Tive a graça e a honra de conhecer o Padre Nazareno - hoje o beato Padre Nazareno -, um homem muito simples, humilde, dedicado aos mais pobres principalmente, e, acima de tudo, um homem que transformou a vida de milhares de pessoas por meio da fé, da solidariedade e, acima de tudo, do amor ao próximo.

Nascido em Roma, na Itália, ele foi ordenado sacerdote em 1966, e, em 1971, tomou uma decisão que mudaria a história de Mato Grosso: deixou a segurança e o conforto da Europa para se tornar missionário no interior de Mato Grosso. Chegou a Mato Grosso no início da década de 70, e, depois de uma breve passagem por Poxoréu - a cidade que abrigou meu pai quando foi da Bahia para lá a pé -, o Padre Nazareno escolheu, então, Jauru como a sua missão de vida.

Ali, não se limitou a evangelizar. Ajudou a construir um verdadeiro legado de transformação social, com ações nas áreas de saúde, educação, assistência social, acolhimento de idosos, formação de jovens e fortalecimento das famílias. Fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar. Criou, então, dezenas de comunidades eclesiais e ainda rurais. Apoiou a estruturação de um hospital, de uma casa de acolhimento para idosos e, também, de um seminário para a formação de novas vocações religiosas.

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Mas, com certeza, o seu maior legado não está nas obras que ajudou a construir; está nas vidas que transformou e na esperança que semeou em toda a região oeste de Mato Grosso. Padre Nazareno - hoje, Beato Nazareno - também não se calou diante das injustiças. Denunciou o tráfico de drogas, combateu a exploração dos mais vulneráveis e também defendeu a dignidade humana até as últimas consequências.

E aí, Presidente, foi exatamente essa coragem que o levou ao martírio. Em fevereiro de 2001, a sua casa paroquial foi invadida por criminosos, todos encapuzados; ele foi baleado na cabeça e, mesmo diante de todo o sofrimento, manteve sua fé. Chegou a perdoar aos seus agressores depois, já na sua agonia, antes de falecer.

A sua beatificação representa o reconhecimento de uma vida entregue integralmente à defesa da fé e dos mais necessitados. E o mais bonito é que o seu exemplo ultrapassou as fronteiras de Mato Grosso e chegou ao mundo. Neste domingo, durante a oração do "Ângelus", o próprio Papa Leão XIV fez menção ao Beato Padre Nazareno e lembrou que ele foi um mártir que, em nome do Evangelho, defendeu os mais pobres.

Falo aqui, Sr. Presidente, que também tive a oportunidade de estar lá, quando o Papa Leão XIV, no conclave, teve ali a sua também promoção para Papa. Ele é uma figura também extremamente importante e culto. Eu tive a oportunidade, inclusive, de assistir à primeira missa do Papa Leão XIV.

O Santo Padre também pediu que o seu exemplo e a sua intercessão continuem sustentando a missão dos sacerdotes e também de toda a Igreja. Que orgulho para Mato Grosso! Que orgulho para Jauru! Que orgulho para o Brasil! Pela primeira vez, nossa terra passa a ter o Beato reconhecido pela Igreja Católica. É um marco que entra definitivamente para a história do nosso estado. A presença de milhares de fiéis e também peregrinos demonstrou a grandeza deste momento e a força do legado deixado pelo Beato Padre Nazareno.

Eu registro aqui também que o Padre, o Beato - hoje, Padre Nazareno - tinha uma amizade muito grande com o Jonas Pinheiro e com a Celcita Pinheiro. Tinha um quarto particular onde - quando ele ia visitar, estava lá o Jonas, que foi nosso companheiro Senador e a Deputada Celcita, que também foi Deputada Federal - recebiam-no sempre com muito carinho, dado a exatamente esse trabalho social que o Beato - hoje, Padre Nazareno - fazia. Portanto, em tempo marcado pelo individualismo e pela indiferença, sua história nos recorda o verdadeiro sentido da fé: servir, acolher e cuidar das pessoas.

A história do Beato Padre Nazareno nos ensina que a verdadeira grandeza de uma pessoa não está nos cargos que ocupa, mas principalmente nas vidas que transforma.

Rendo aqui, então, a minha homenagem à Diocese de São Luiz de Cáceres; aí, com isso, ao Bispo de São Luiz de Cáceres; à comunidade de Jauru; aos missionários religiosos e também aos leigos que mantiveram viva a sua memória e a sua causa de beatificação ao longo de todos esses anos.

Mato Grosso viveu um dia histórico! O Brasil celebrou o testemunho de um homem que fez da sua vida uma missão e, da sua missão, um legado que atravessa gerações.

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Que o exemplo do Padre Beato Nazareno continue nos inspirando a colocar a fé em prática, a servir ao próximo e também a defender com coragem a dignidade humana. Que ele abençoe a todos nós, as nossas famílias e especialmente o povo de Jauru, de Mato Grosso e de toda a região oeste, em especial; e o Brasil, como um todo.

Por isso eu deixo aqui também o meu grande abraço a toda a comunidade de Jauru, representada pelo Prefeito Passarinho, por todos os Vereadores e também por todos aqueles que estão ali construindo cada dia mais a edificação através da fé. Se não fosse o trabalho das igrejas - independente de religião -, com certeza essa vida que temos aqui hoje, em que o crime organizado cada dia mais toma conta deste país...

E aí, Sr. Presidente, a região de Cáceres hoje é uma das regiões que mais sofre, exatamente porque temos 720km de divisa seca com a Bolívia. Então, ali, sem a presença forte do Estado... Quando eu falo, é o Estado brasileiro. Hoje, o Estado de Mato Grosso, em vez de aumentar o número de policiais, diminuiu o número de policiais. O Governo de Mato Grosso insiste em não chamar todos os concursados e, por isso, o crime organizado está avançando muito no nosso estado. E, claro, nessa questão da droga, que atormenta a família brasileira, só quem tem alguém envolvido com droga na família é que sabe como é difícil.

Por isso, Sr. Presidente, eu quero me colocar aqui, inclusive, na condição de pré-candidato a Governador. Se Deus me der essa oportunidade e a população de Mato Grosso, eu quero ser um governo humano para cuidar, acima de tudo, das pessoas - daqueles que mais precisam, daqueles que a mão do Estado não alcança.

Por isso, Sr. Presidente, o meu governo vai ser principalmente de buscar concentrar o trabalho no social. Não é possível que, em um estado como o Mato Grosso, que hoje é considerado um estado rico, essa riqueza não esteja chegando para aqueles que mais precisam. A concentração de renda no Mato Grosso cada dia aumenta mais. Nós somos o grande produtor de soja, de milho, de algodão, mas, infelizmente, Sr. Presidente, falta casa para as pessoas.

O déficit habitacional em Mato Grosso são mais de 100 mil casas, no mínimo, só na Baixada Cuiabana, sem falar no resto do estado. No Dante de Oliveira foi criado um programa, que é o Fethab, fundo de habitação e transportes. Esse programa foi criado exatamente para melhorar a infraestrutura do estado e aplicar no social, principalmente na casa.

Eu sempre falo: quando eu vou entregar uma chave de uma casa num conjunto habitacional, eu faço questão de entregar na mão da mulher, porque só a mulher tem a capacidade divina de gerar um filho e ela sabe quanto representa uma casa para a solidez da família.

Nós não podemos viver com essa situação no meu estado, esse estado riquíssimo, onde hoje somos, por vários anos já, campeões de feminicídio. Olha, o Governador chegou a dizer que não dava para construir uma delegacia da mulher em Várzea Grande; as pessoas que viessem.

Olha, um estado rico tem que privilegiar, principalmente - prestigiar -, aqueles que mais precisam. Então, por isso, essa questão da segurança no Mato Grosso, no meu governo, será prioridade para atender, sim, chamar os policiais, equipar os policiais, dar atenção à família do policial. Porque é claro que o policial que está ali colocando a sua vida em risco também tem que ter a família sob cuidado.

Por isso, não é possível que, em um estado como o Mato Grosso, o Governo se negue a pagar o RGA. O que é o RGA?

É apenas a atualização, a correção monetária dos salários. Este Governo não quis fazê-lo, e o atual Governador insiste em continuar dizendo que não vai pagar o RGA, mas ao mesmo tempo tem recursos para fazer obras faraônicas. É importante fazer obras de toda natureza, mas mais importante que qualquer obra é a saúde, é a educação, é a creche. Por isso, nós não podemos conviver com obras inacabadas.

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Nós temos lá, Sr. Presidente, uma obra que é uma cicatriz no centro de Cuiabá e Várzea Grande, que até agora não concluíram. Temos lá o Portão do Inferno, que é o acesso à cidade de Chapada dos Guimarães. O Governo começou, fez uma lambança e até agora não terminou a obra. Aliás, foi desperdiçado o recurso porque foi feita uma contratação, inclusive, por dispensa de licitação. Portanto, nós queremos que se concluam as obras.

Olha, Sr. Presidente, lá foram feitas estradas. Em menos de um ano, o Presidente do Tribunal de Contas foi lá fazer uma investigação por denúncias de Vereadores, Prefeitos de várias regiões, e, simplesmente, como disse o Presidente do Tribunal de Contas, as estradas feitas há um ano estão esfarelando! Lá esteve o Presidente do Tribunal de Contas, Sérgio Ricardo, com toda a sua assessoria, com uma equipe olhando, pegando na mão o asfalto, todo ele sendo desmanchado. Então, o que isso representa? É desperdício de um recurso público. E não venham com essa de "governo eficiente". Governo eficiente é aquele governo que faz obras bem-feitas. Não adianta fazer muito e malfeito, porque tudo vai ser depois desperdiçado.

E o pior, Sr. Presidente: quando uma estrada é asfaltada e começa a ficar esburacada, a possibilidade de acidentes com mortes é muito grande. E é o que nós estamos vendo lá nessas estradas estaduais, inclusive em estrada pedagiada, estrada que foi concessionada, com recurso público do imposto do cidadão mato-grossense. Foi construída e entregue à iniciativa privada, que está cobrando pedágio, e as estradas, esburacadas. Isso é inaceitável!

Por isso, a minha crítica é à administração, à gestão, e não a pessoas. Eu nunca, Sr. Presidente, fui de usar esta tribuna e muito menos de estar lá para xingar ou para falar mal da família de alguém. Não! O meu trabalho aqui é buscar levar recursos para o Mato Grosso. E, se o Governo do estado, que nós apoiamos... Nós, o PL, coligamos. O Presidente Bolsonaro queria que eu fosse o candidato a Governador, insistiu que eu fosse o candidato a Governador, porque na pandemia o Governador teve um total desrespeito, e o Presidente Bolsonaro falou: "Não, esse não dá". E exatamente eu e o Valdemar, com muito diálogo, mostramos que seria o melhor para Mato Grosso. O nosso posicionamento foi claro: enquanto o Governador Mauro estiver, até o último dia do Governo, nós o apoiaremos. E assim o fizemos, sem exigir cargo nenhum. E foi bom para Mato Grosso? Foi. O Presidente Bolsonaro, o segundo estado em que ele foi mais votado foi o Mato Grosso. O Governador Mauro foi reeleito no primeiro turno. Eu tive a oportunidade de ser o segundo Senador mais votado da história do Brasil - o segundo mais votado proporcionalmente do Brasil. E tudo isso a bem do Mato Grosso, de a gente construir um estado de mais desenvolvimento e de progresso, e não de briga, de picuinha.

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Então, o PL fez a sua parte, nós ajudamos o Governo. Agora o atual Governador tem que assumir as suas posições, não pode ficar escondido na história do outro. A responsabilidade de governar o estado cabe ao atual Governador Pivetta, assim como as prioridades de atender, sim, aqueles que mais precisam, pagar o servidor público.

Servidor público... Quem faz? Não é o Governador. Tem um ditado muito claro: ninguém faz nada sozinho. Então, o servidor público de Mato Grosso hoje está desestimulado. Eu ouvi, essa semana, um depoimento do Presidente da Fecomércio, Wenceslau Júnior, em que ele colocava que realmente é um absurdo o fato de não pagar o RGA do servidor público de Mato Grosso. Sabe o que aconteceu com isso, Sr. Presidente? Deixaram de circular recursos no comércio, principalmente no comércio da capital, visto que o servidor público tem uma força econômica muito grande na capital.

Quando a gente fala capital, é Cuiabá, Várzea Grande, a Baixada Cuiabana, porque hoje a nossa cidade de Várzea Grande, que é a segunda cidade em população de Mato Grosso, tem o sétimo orçamento do estado. É uma cidade que está sofrendo por falta d'água, que está sofrendo por falta de investimento - e água, Sr. Presidente, tem a ver diretamente com a saúde da população.

Então, eu investiria, sim, prioritariamente naquilo que vai trazer qualidade de vida ao cidadão. Acima de tudo, nós temos hoje que dizer que esse estado rico está chegando, Sr. Presidente, a mais de 10% da população, o nível de pobreza. Como é que pode o Estado de Mato Grosso dizer que alguém está passando necessidade, passando fome, que estão morando, que se estão criando favelas na nossa capital, Cuiabá? Já me parece que são mais de seis favelas, e isso é inaceitável.

Por isso, sim, na condição de Senador da República, na minha experiência de seis mandatos como Deputado Federal, duas vezes o mais votado da história de Mato Grosso, e também reeleito Senador, tenho experiência, sim, e vou, aqui da tribuna, cobrar, porque hoje o nosso partido não participa dessa gestão que está lá hoje. Não participamos e não vamos participar. O nosso posicionamento é de oposição ao Governo que está lá.

O PL, por ser o maior partido do Brasil, também hoje o maior partido do Mato Grosso - de oito Deputados Federais, nós temos quatro Deputados Federais -, tem compromisso, sim. É uma decisão do partido nacional ter um candidato a Governador em Mato Grosso. Felizmente, quero aqui agradecer por o meu nome já estar indicado e apoiado pela direção nacional, através do Presidente Valdemar, também pelo diretório estadual, através do Presidente Ananias, e todo o diretório de um modo geral. Então, quero aqui agradecer.

Assim como também teremos um candidato a Senador, está definido: é o José Medeiros, o nosso candidato a Senador da República. Uma vaga só, para exatamente permitir que a gente possa fazer alianças.

A questão da vice-governadoria, vamos definir ainda.

Acima de tudo, nós temos um projeto maior, que é o projeto da eleição do Flávio Bolsonaro. É muito importante, e V. Exa. tem sido aqui um lutador, um homem que vem e fala...

(Soa a campainha.)

O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - ... mostrando exatamente o sofrimento que vive hoje o Presidente Bolsonaro. São dois pesos e duas medidas que nós não podemos aceitar.

Por isso, nós aqui assinamos, sim... A minha suplente, Senadora Rosana Martinelli, foi autora do projeto da anistia.

Nós não concordamos que uma mulher, com apenas um batom, usando-o como arma, que reproduziu uma frase irônica do Ministro do Supremo - "Perdeu, mané" -, esteja condenada a 14 anos de prisão.

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Sr. Presidente, é importante que a sociedade saiba que essa mulher, que era uma trabalhadora, uma cabeleireira, sustentava os seus filhos. Com essa mulher na prisão, quem que vai cuidar dos filhos dela? O Estado brasileiro? O Estado brasileiro não está dando conta de cuidar, praticamente, das nossas escolas, que estão aí abandonadas, das nossas penitenciárias, que estão com superlotação, e daí para a frente. Então, nós vamos continuar, sim, aqui, lutando.

Assinamos aqui - V. Exa. assinou, eu assinei também - o impeachment de Ministro do Supremo e vamos estar discutindo. Porque o importante é que nós fomos eleitos para discutir, votar e analisar caso a caso. Não podemos fugir de discutir, de analisar cada situação.

Eu ouvi o pronunciamento de V. Exa., agora, falando dessa questão do Banco Master. Também chegou ao meu estado, Sr. Presidente. No meu estado, também, os servidores públicos foram roubados: através de consignados dos servidores públicos, assinados pelo Governo do estado, autorização para o Banco Master chegar lá e roubar do servidor público mato-grossense. E não querem pagar o RGA. O servidor foi roubado. O RGA é apenas a correção do salário do servidor, e eles não querem pagar, querem insistir em massacrar o servidor público. Nós não vamos aceitar.

Por isso, nós fizemos aqui, inclusive... Olhem só, fizemos aqui a CPI do INSS. Quando começamos, falávamos que eram R$2 bilhões e foi para R$4 bilhões, R$7 bilhões, R$8 bilhões. Depois, chegamos ao Banco Master.

O Governo de Brasília, hoje, está, nessa situação... Eu vi aqui a Senadora Leila falando, Senador Izalci, sobre a situação do BRB, sobre a possibilidade de o BRB quebrar. Consequentemente, os servidores do Distrito Federal também poderão ter problemas seríssimos, porque quem acreditou, quem pagou a sua aposentadoria durante 30 anos, 35 anos, hoje vê quebrar a aposentadoria do estado, da União, e o servidor público ficar abandonado. Não dá para aceitar.

Eu agradeço muito a tolerância de V. Exa. Vamos aqui nos colocar na trincheira. O PL, sim, é um partido que está procurando fazer o seu papel de oposição. Eu agradeço muito a confiança de V. Exa., do Senador Izalci e dos outros companheiros do PL, por eu estar lá como o Líder do Bloco Vanguarda. Todas as terças-feiras nos reunimos exatamente para discutir a pauta e o que devemos fazer, o trabalho para a próxima semana.

Muito obrigado. E que Deus nos abençoe a todos.

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Muito obrigado, muitíssimo obrigado, Senador Wellington Fagundes.

O seu pronunciamento é forte, aqui da tribuna do Senado, nesta segunda-feira, dia 15 de junho.

Olha, um dos problemas graves do nosso país também, Senador Wellington, meu querido Izalci, é essa questão do vício em bets. O senhor deve estar ouvindo muito isso, vendo o sofrimento do seu povo. Lá no Ceará, é diariamente. Como as pessoas sabem que a gente está aqui, pedem, pelo amor de Deus, para terminar, para acabar, para fazermos um outro projeto, para acabarem com a publicidade.

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Olha só a notícia que eu acabo de receber aqui: "Auditora conta a história de irmão que morreu por causa do vício em bets". A profissional baiana se tornou ativista contra as bets. E aí tem muitas...

Graças a Deus, não há mal que não venha para um bem maior! Toda essa tragédia que nós acabamos liberando aqui no primeiro ano do Governo Lula, inclusive com o voto da base do Governo Lula, que foi decisivo ali... Nós estamos vendo essa tragédia, mas ao mesmo tempo vendo a sociedade reagir. Olha só a quantidade de grupos que já se formaram, de grupos que fazem esse trabalho de conscientização... Isso realmente mostra um povo solidário, um povo que não baixa a cabeça a poderosos, o povo brasileiro.

Então, se Deus quiser, Senadores, vamos juntos aqui... Eu sei que os dois Senadores aqui, Izalci e também o Senador Wellington, têm votado para a gente, se não acabar, o que é o nosso desejo, pelo menos, restringir brutalmente essas publicidades das bets, trazendo influencer... Acabar com isso.

Rapaz, na Copa do Mundo - eu sempre adorei Copa do Mundo -, você vê ali só o pessoal falando de bets, só aquelas coisas... Apostas, não sei quê... Rapaz, perdeu! Não é à toa que o Brasil não está bem.

Que Deus nos fortaleça nesta semana!

Um grande abraço.

E eu... O senhor quer...

O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - De futebol, V. Exa. entende muito bem, né?

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É, entendo um pouquinho.

O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT. Pela ordem.) - Do seu Fortaleza, né?

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - É.

O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - Está falando em Fortaleza... Está aí, registrando... Mas a gente é brasileiro, nós temos fé. Vamos acreditar que o Brasil, com todos os seus craques lá...

Falou-se muito da convocação de Neymar. Eu acho que ele é um grande craque, está com problema de saúde, mas acredito - tenho fé em Deus - que a seleção brasileira vai mostrar para nós brasileiros a garra. E a presença do Neymar lá, Sr. Presidente, eu não sou especialista em futebol, mas entendo que era muito importante, até porque um craque, uma pessoa de experiência, que foi recordista em todas as Copas, marcando posições nos seus jogos, principalmente por sua capacidade individual, essa pessoa vai saber, inclusive, orientar os seus companheiros. Por isso eu defendi, sim, a convocação do Neymar, assim como de todos aqueles que foram convocados. E acredito que o técnico saberá, com a sua competência, sua experiência, fazer com que o nosso time possa honrar a nossa tradição.

Todo brasileiro adora, todos os brasileiros dizem que são técnicos, porque querem realmente opinar, mas, é claro, a gente tem que acreditar principalmente nos nossos jogadores.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Perfeito.

Quando eu fui Presidente... O Senador Izalci gosta muito de futebol também, torcedor do Atlético Mineiro. Quando eu fui Presidente do Fortaleza, eu não deixei nem bebida alcoólica entrar em estádio. Eu fazia campanha mesmo contra isso - era um dos poucos dirigentes do Brasil, contava-se nos dedos - e também bet. Esse negócio de bet, eu lutei muito contra. Pode vir com o dinheiro do mundo, mas você está acabando com um torcedor que vai parar de... Vai se endividar, não vai mais colaborar com o clube, vai sair dos estádios. Por quê? Porque a família dele fica com ojeriza a isso - perde tudo...

Então, que o Brasil tenha juízo com relação a isso!

O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - É a questão dos consignados, né? Aquilo que parece que é bom para o aposentado... Está aí: criam-se quadrilhas especializadas para irem lá roubar os aposentados.

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) - Exato.

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O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) - Então, isso realmente é mais um problema que o Brasil vai ter que enfrentar.

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fala da Presidência.) - É mais uma armadilha, é isso.

A Presidência informa às Senadoras e aos Senadores que estão convocadas as seguintes sessões para amanhã, terça-feira, dia 16 de junho: sessão de premiações e condecorações, às 10h, destinada à Comenda Santa Dulce dos Pobres.

Estarei aqui nesse horário, porque é uma iniciativa, inclusive, que foi do nosso gabinete, essa comenda que vai ficar aí para a história do Senado. E isso é tudo no voto, tá? Os Senadores votam aqui, os Líderes, para onde vai essa comenda. É um negócio bem democrático mesmo.

E haverá uma sessão também deliberativa ordinária, semipresencial, às 14h, com pauta divulgada pela Secretaria-Geral da Mesa do Senado, à qual eu agradeço, agradeço à Sabrina e a todos os que aqui estão da Secretaria-Geral da Mesa, sempre muito competentes, e são funcionários exemplares.

Cumprida a finalidade desta sessão, a Presidência declara o seu encerramento.

Que Deus abençoe todos vocês. Muita paz. Ótima semana!

(Levanta-se a sessão às 15 horas e 41 minutos.)