Notas Taquigráficas
4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
57ª LEGISLATURA
Em 3 de junho de 2026
(quarta-feira)
Às 10 horas
14ª SESSÃO
(Sessão Solene)
| Horário | Texto com revisão |
|---|---|
| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF. Fala da Presidência.) - Bom dia a todas e a todos. Sejam todos muito bem-vindos aqui ao Plenário do Senado Federal. Declaro aberta a sessão solene do Congresso Nacional destinada a celebrar os 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil. A presente sessão foi convocada pelo Presidente do Congresso Nacional, em atendimento ao Requerimento nº 14, de 2026, de minha autoria e do Deputado Federal Saulo Pedroso. Compõem a mesa desta sessão solene com esta Presidência: o Sr. Deputado Federal, Presidente da Comissão do Esporte da Câmara Federal, Deputado Saulo Pedroso (Palmas.); a Sra. Secretária Nacional de Excelência Esportiva, Iziane Marques, representando o Sr. Ministro de Estado do Esporte (Palmas.); o Sr. Presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Marco La Porta (Palmas.); o Sr. Diretor-Geral do Comitê Olímpico do Brasil, Emanuel Rego, medalhista olímpico (Palmas.); o Sr. Vice-Presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil, Rafael Silva, o Baby, medalhista olímpico (Palmas.); e a Sra. Ketleyn Quadros, membro da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil e a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica individual. (Palmas.) Convido a todos para, em posição de respeito, entoarmos o Hino Nacional, que será executado pela Banda do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. (Procede-se à execução do Hino Nacional.) |
| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Neste momento, eu convido todos a assistirem ao vídeo preparado pelo Comitê Olímpico do Brasil especialmente para esta solenidade. (Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.) |
| R | A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF. Para discursar - Presidente.) - Queria prestar as boas-vindas às senhoras e aos senhores embaixadores, encarregados de negócios e representantes diplomáticos dos países de Cuba, Moçambique, República Dominicana e Rússia - sejam muito bem-vindos! -; também ao Sr. Presidente do Conselho Federal de Educação Física, Claudio Augusto Boschi; à Sra. Presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano, Cristiane Maekawa; ao Sr. Presidente da Confederação Brasileira de Saltos Ornamentais, Hugo Parisi; ao Sr. Presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Jodson Junior; ao Sr. Presidente da Confederação Brasileira de Squash, José Henrique Lopes; ao Sr. Presidente da Confederação Brasileira de Badminton, José Roberto Campos; ao Sr. Presidente da Confederação Brasileira de Voleibol, Radamés Lattari; ao Sr. Presidente da Federação Nacional dos Clubes, Arialdo Boscolo; ao Sr. Presidente da Federação de Remo de Brasília, Célio Dias Amorim; ao Sr. Presidente da Federação de Atletismo do Distrito Federal, Marcelo Pereira da Silva; ao Sr. Presidente da Federação Náutica de Brasília, Paulo Roberto Júnior; ao Sr. Presidente da Federação Maranhense de Voleibol, Ricardo Lins; ao Sr. Presidente da Associação Chelsea Esporte Clube, Juliano de Oliveira; ao Sr. Presidente do Instituto Pro Brasil, Ricardo Moreira; ao Sr. Presidente da Associação Rural da Samambaia, Antônio de Oliveira; à Sra. Suplente de Deputada Federal, Ruth Venceremos, do PT, do Distrito Federal; à Sra. Atleta do Futebol Feminino, Formiga; ao Sr. Deputado Marcos Braz, do PSDB, do Rio de Janeiro; ao Sr. Deputado Bandeira de Mello, do PV, do Rio de Janeiro; e ao Sr. Luiz Lima, nosso Deputado Federal, atleta olímpico também, do Novo, do Rio de Janeiro. Bom, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, demais autoridades presentes, dirigentes do Comitê Olímpico do Brasil, atletas, treinadores, gestores esportivos, senhoras e senhores, é uma grande honra participar desta sessão especial em celebração aos 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil. Tenho uma satisfação muito particular em estar nesta tribuna, nesta manhã, porque tive a oportunidade de apresentar, juntamente ao lado do Deputado Federal Saulo Pedroso, tal como eu aqui no Senado, Presidente da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, o requerimento que tornou possível esta homenagem do Congresso Nacional ao Comitê Olímpico do Brasil. Trata-se de um reconhecimento merecido a uma instituição que ocupa lugar central na história do esporte brasileiro e que, ao longo de mais de um século, ajudou a construir uma das mais importantes políticas de desenvolvimento humano, social e esportivo do nosso país. Fundado em 1914, o Comitê Olímpico do Brasil foi o primeiro comitê olímpico nacional da América do Sul. Desde então, sua trajetória acompanha a própria evolução do esporte brasileiro, desde os primeiros passos da organização esportiva nacional até a consolidação do Brasil como uma potência olímpica reconhecida internacionalmente. Ao celebrar os 112 anos do COB, celebramos também uma história de compromisso com os valores que orientam o movimento olímpico: excelência, respeito, amizade, solidariedade, inclusão e promoção da paz. Esses valores possuem enorme relevância para o Brasil. |
| R | Quando falamos de esporte, estamos falando de uma política pública capaz de produzir resultados simultaneamente em diversas áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional. O esporte contribui para a melhoria da saúde pública, reduzindo os fatores de risco e promovendo hábitos saudáveis; fortalece a educação ao estimular a disciplina, a responsabilidade, o trabalho em equipe e a perseverança; atua na segurança pública ao oferecer oportunidades e perspectivas para crianças e jovens que muitas vezes vivem em contextos marcados pela vulnerabilidade social; e promove a inclusão social, a igualdade de oportunidades e a formação cidadã. Por isso, defender o esporte significa defender uma sociedade mais saudável, mais justa e mais desenvolvida. Ao longo dos últimos anos, o Comitê Olímpico do Brasil tem desempenhado um papel fundamental nesse processo. Gostaria de registrar meu reconhecimento à atuação e direção da entidade na figura de seu Presidente, Marco La Porta, que promoveu avanços importantes na governança esportiva da entidade. O COB tem consolidado uma gestão marcada pela transparência, pela responsabilidade institucional, pela eficiência administrativa e pela busca permanente de resultados. Esse trabalho fortaleceu a credibilidade da instituição perante atletas, confederações, patrocinadores, órgãos de controle e toda a sociedade brasileira. Os resultados esportivos são evidentes ao longo dos anos. O Brasil vive um dos ciclos mais consistentes de sua história olímpica. Os excelentes resultados e desempenhos em competições internacionais... Isso eu falo com toda propriedade, porque toda semana, na Comissão de Esporte - eu tenho os companheiros aqui, os colegas da Comissão, que não me deixam mentir -, a gente registra os feitos de todos os atletas e de todas as modalidades do nosso país. Toda semana, nós registramos e, toda semana, nós temos brasileiros nos pódios, figurando nas primeiras colocações de vários campeonatos, sejam circuitos mundiais, sejam campeonatos mundiais. O Brasil, de fato, neste ciclo, como vem numa crescente dos demais ciclos, tem se destacado. Os excelentes desempenhos em competições internacionais, os recordes alcançados e o crescimento do esporte brasileiro em diversas modalidades refletem um planejamento cada vez mais profissional, uma atuação coordenada entre as entidades esportivas, os atletas, as comissões técnicas e, é claro, o apoio do poder público. Os avanços promovidos pelo COB vão muito além do alto rendimento. A instituição tem exercido liderança em temas fundamentais para o esporte contemporâneo. Eu destaco o compromisso com a equidade de gênero e o fortalecimento da participação feminina em todos os níveis da estrutura esportiva. Ressalto também a atuação pioneira em sustentabilidade e responsabilidade ambiental, aliando o esporte brasileiro aos grandes desafios globais do século XXI. Destaco ainda o esforço permanente de aproximação com a sociedade brasileira, democratizando o acesso aos valores olímpicos e fortalecendo vínculos entre o esporte e a população. Nesse contexto, merece reconhecimento especial o trabalho que o COB vem realizando em Brasília. Nos últimos anos, a entidade ampliou significativamente sua presença institucional - e eu falo também com muita propriedade, porque já estou há quase oito anos aqui no Senado - junto ao Congresso Nacional e ao Governo Federal. Mas não só o COB. |
| R | Ressalto o COB, mas todas as entidades esportivas, todo o ecossistema esportivo brasileiro tem tido uma atuação muito relevante aqui dentro, quando a pauta é esporte - e eu quero parabenizar a todos por estarem unidos, quando a pauta é esporte, dentro desta Casa -, contribuindo de forma qualificada para o debate das políticas públicas voltadas ao esporte. Tenho acompanhado de perto essa atuação e posso afirmar que ela tem sido decisiva para importantes conquistas legislativas alcançadas recentemente, algumas das quais eu tive a honra de participar diretamente: como Relatora da lei geral, pude acompanhar a construção de um marco legal moderno, abrangente e capaz de oferecer maior segurança jurídica ao sistema esportivo brasileiro; também participei dos esforços que garantiram e acompanhei também todo o movimento esportivo que garantiu a perenização da Lei de Incentivo ao Esporte, instrumento responsável por viabilizar milhares de projetos em todas as regiões do país e que se consolidou como uma das políticas públicas mais bem-sucedidas do setor; recentemente tivemos a aprovação da legislação para a realização da Copa do Mundo Feminina de Futebol, agora, em 2027, no Brasil, uma conquista histórica para o esporte nacional, especialmente para as mulheres brasileiras - trata-se de uma medida que fortalece o futebol feminino, amplia os investimentos que tanto esperamos, gera oportunidade e contribui para reduzir as desigualdades ainda existentes no ambiente esportivo, em especial o futebol. Essas conquistas foram resultado da construção coletiva entre o Parlamento, o Comitê Olímpico, as entidades esportivas, os atletas e os dirigentes e o Governo Federal. Eu faço questão de destacar a atuação do Ministério do Esporte e registrar o apoio decisivo do Presidente Lula e sua equipe na consolidação dessa agenda positiva para o esporte. O Governo compreendeu a importância estratégica do esporte para o desenvolvimento nacional e tem demonstrado disposição para dialogar e construir soluções permanentes para o setor. Esse compromisso também se manifesta em iniciativas que apontam para o futuro, entre elas eu destaco o projeto de lei que cria a Universidade do Esporte, com sede em Brasília. Nós estamos falando de uma instituição que poderá se tornar uma referência nacional e internacional na formação dos profissionais, dos gestores, dos pesquisadores e dos especialistas dedicados ao movimento esportivo. A criação dessa universidade, que nós já vamos colocar na pauta da próxima semana, representa um passo histórico para a consolidação de uma política de Estado voltada ao reconhecimento, à inovação e à excelência da gestão esportiva. Eu tenho convicção de que o Comitê Olímpico do Brasil terá papel relevante na construção desse projeto e será um dos principais parceiros em sua implementação. Naturalmente, ainda existem desafios importantes pela frente. O primeiro deles é a derrubada do veto relacionado à isenção para importação dos equipamentos esportivos, medida fundamental para reduzir os custos e ampliar as condições de treinamento de atletas em entidades esportivas (Palmas.) e que já tem - reforço aqui - o compromisso do Governo Federal em efetivar. Também merece atenção o Projeto de Lei Complementar nº 11, de 2026, de autoria do Senador Flávio Arns, que recompõe os 10% cortados da Lei de Incentivo ao Esporte e fortalece uma política pública que já demonstrou sua eficiência e sua capacidade de transformação social. (Palmas.) Já foi aprovado aqui no Senado, inclusive. |
| R | Da mesma forma, eu considero fundamental o avanço do Projeto de Lei Complementar nº 21, de 2026, que busca harmonizar o tratamento tributário entre clubes e sociedades anônimas do futebol. (Palmas.) Trata-se de outra discussão necessária para garantir maior apoio concorrencial, segurança jurídica e sustentabilidade econômica ao esporte brasileiro. Um projeto que também é fundamental para o desenvolvimento do esporte em nosso país é o PL 409, de 2022, que é o Plano Nacional do Esporte. Estou responsável pela relatoria desse PL na CCJ e preciso reconhecer o grande trabalho desenvolvido pelo Ministério do Esporte na oitiva dos diferentes segmentos e na proposição de ajustes ao texto original, apresentado antes da aprovação da lei geral - e nós vamos nos debruçar agora, a partir de agora, sobre o Plano Nacional do Esporte. São pautas que contam com o nosso empenho e que, certamente, encontrarão no COB um parceiro comprometido - não só o COB, mas acredito que todas as entidades do movimento esportivo - com o fortalecimento do ambiente institucional do esporte nacional. Senhoras e senhores, ao longo dos seus 112 anos de existência, o Comitê Olímpico do Brasil ajudou a construir muito mais do que resultados esportivos; ajudou a consolidar uma cultura esportiva nacional; ajudou a projetar internacionalmente a imagem do Brasil, inclusive promovendo a participação nacional nos Jogos Olímpicos; ajudou a formar gerações - e aí eu me incluo, e tantos outros aqui - de atletas que se tornaram exemplos de dedicação, de disciplina e superação; ajudou a demonstrar que o esporte pode ser um poderoso instrumento de desenvolvimento humano e de transformação social. Os desafios futuros serão grandes. A competição internacional se torna cada vez mais intensa. As demandas por inovação, por governança e sustentabilidade crescem a cada ciclo olímpico, mas eu estou convencida de que o esporte brasileiro reúne todas as condições para continuar avançando: temos talentos extraordinários, temos instituições cada vez mais fortalecidas, temos um Congresso que compreende a importância estratégica do setor, temos um Governo Federal hoje comprometido com a valorização do esporte e temos um Comitê Olímpico do Brasil, que segue cumprindo com responsabilidade e competência sua missão de liderar o desenvolvimento do movimento olímpico em nosso país. Por todas essas razões, esta homenagem é justa, necessária e merecida. Parabenizo todos aqueles que contribuíram para a construção desta trajetória centenária. Parabenizo os dirigentes, os atletas, os treinadores e suas comissões técnicas, profissionais e colaboradores que ajudaram a transformar o Comitê Olímpico do Brasil em uma das instituições mais respeitadas do esporte nacional. Que os próximos anos sejam marcados por novas conquistas, novos avanços institucionais e pela ampliação do papel do esporte como instrumento de desenvolvimento, inclusão e cidadania para o nosso povo brasileiro. Muito obrigada. (Palmas.) Vou continuar aqui a nominata de presença. Eu registro a presença da Sra. Presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem do Ministério do Esporte, Adriana Taboza; o Sr. Presidente da Associação Desportiva Cultural e Educacional Campeão no Esporte e na Vida do Distrito Federal, Marcelo Ferreira Henrique; o Sr. Weber Magalhães, Chefe da Delegação do Penta. |
| R | Convido, agora, para fazer uso da palavra... No decorrer eu vou citando as demais autoridades presentes. Eu convido, para fazer uso da palavra, o Sr. Deputado Federal Saulo Pedroso, Presidente da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados e também requerente da presente sessão. Bom dia, Deputado. O SR. SAULO PEDROSO (Bloco/PSD - SP. Para discursar. Sem revisão do orador.) - Bom dia a todos, bom dia a todas. Quero fazer aqui uma saudação inicial à Senadora Leila - que preside esta sessão, sessão de homenagem, sessão solene, representante também da Comissão de Esporte aqui do Senado, e, de maneira muito legítima, representando, como ex-atleta de sucesso, o esporte do nosso país aqui no Senado Federal -, a quem eu agradeço a oportunidade e a possibilidade de poder fazer, no dia de hoje aqui, esse importante reconhecimento a uma instituição centenária, que faz um belíssimo trabalho no nosso país. Quero fazer uma saudação aqui à Iziane Marques, representante do nosso Ministro Paulo Henrique e dizer também aqui da nossa disposição, Iziane - transmita isto ao nosso Ministro -, de fazer com que tanto a Comissão do Esporte da Câmara quanto a do Senado, entendo que esse é o sentimento e o desejo da Senadora Leila, sejam uma extensão dos desafios, do trabalho que o ministério tem pela frente, e que ambas as Comissões sejam um ambiente de muito debate e de um profundo avanço em relação a essa política pública fundamental no dia a dia da nossa sociedade, que é o esporte. Quero fazer uma saudação aqui ao Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o Marco La Porta. Na pessoa do Presidente Marco La Porta, quero saudar todos os integrantes do COB, mas, na mesa aqui, de maneira especial, o Emanuel, que também é Diretor-Geral do COB e também, assim como a Leila, representa os ex-atletas olímpicos do nosso país. Aliás, fiquei muito preocupado no momento em que a gente estava fazendo a composição da mesa, Presidente Bandeira, porque a cada nome que o cerimonial convocava, o Presidente Marco La Porta ia fazendo a anotação de quantas medalhas a mesa estava somando. E, quando o meu nome foi convocado, Senadora Leila, eu fiquei preocupado de ter derrubado a média do número de medalhas da mesa. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Tem no Plenário também. Você vai identificar daqui a pouco, a Virna, o Bernard. O SR. SAULO PEDROSO (Bloco/PSD - SP. Sem revisão do orador.) - Para não derrubar o número de conquistas do esporte, a Comissão convocou o Deputado Bandeira de Mello; o Deputado Luiz Lima, a quem eu agradeço aqui a presença; o Deputado Marcos Braz, aqui também - não sei se tem mais algum Deputado aí da Comissão do Esporte. E, quem sabe um dia, vai ocupar um espaço na Câmara Federal e na Comissão do Esporte, a ex-atleta Virna, que está aqui, muito bem representando também os ex-atletas olímpicos do nosso país. Vou pedir encarecidamente que ela empreste essa conquista de medalha para que eu me some às medalhas conquistadas da nossa mesa do Senado no dia de hoje. Quero fazer uma saudação aqui muito especial ao Rafael, também representando aqui, como Vice-Presidente do COB, e à Ketleyn, também representando o COB. A Senadora Leila trouxe aqui, com muita qualidade, todos os avanços que foram discutidos em relação ao esporte no Congresso Nacional à nossa disposição. Há abertura, há tranquilidade de debater esse tema com muita profundeza aqui no Congresso Nacional, porque é um tema transversal, que foge de todas essas confusões políticas que nós estamos vivendo no nosso país ultimamente. |
| R | Aliás, o ideal seria refletir, inclusive, sobre a possibilidade de que o esporte seja a saída, seja a construção, seja uma ponte de construção para um futuro promissor e próspero, que nós desejamos que o nosso país tenha, devido à importância do esporte como uma grande ferramenta de transformação social, de inclusão, de combate a índices - como disse muito bem a Leila aqui - na área da segurança pública, como uma grande e importante ferramenta de promoção e de prevenção à saúde. A Leila falou muito bem aqui dos desafios que nós temos pela frente: do sistema nacional e da necessidade aqui, Senadora, de discutir os vetos da lei geral, porque o que aconteceu aqui com os vetos da lei geral é algo não muito comum. O volume de vetos, diante de uma legislação muito bem discutida dentro do Congresso Nacional, faz com que a gente tenha aí o desafio pela frente de se debruçar diante, discutir uma legislação e sair dessa insegurança jurídica de ter, hoje, duas legislações tratando sobre o assunto no nosso país. A Senadora Leila trouxe aqui a preocupação em relação à mudança do regime tributário que pode afetar... E aí, ao final aqui da minha fala, eu também quero fazer um convite, uma convocação, para que a gente possa se debruçar diante de uma mobilização em relação a uma PEC que eu apresentei na Câmara Federal. Eu vou fazer uma fala muito breve, relacionada, aqui, Presidente Marco La Porta, a reconhecimento: reconhecimento pelos 112 anos de história, com certeza absoluta, construídos por um conjunto de pessoas que, ao longo do tempo, se dedicaram ao COB como atletas, como dirigentes, como investidores, como divulgadores. Nós não podemos esquecer aqui que o COB é formado pelos integrantes do comitê, mas também faz sentido à existência, dão sentido à existência do COB - e eu queria fazer um reconhecimento muito especial aqui também, no dia de hoje - as federações, as confederações, as entidades, os clubes. Os projetos de base acontecem nos quatro cantos do país, numa periferia, num bairro mais simples, numa cidade distante de um grande centro, graças, às vezes - na grande maioria das vezes -, a uma pequena associação formada por ex-atletas que constituem ali uma entidade sem fins lucrativos e levam, começam um projeto de base num determinado bairro que, sem dúvida nenhuma, é a porta de entrada para que, depois, esse atleta, que tem ali a sua habilidade reconhecida e a possibilidade de se desenvolver numa federação, num clube um pouco mais robusto, depois, ele, sem dúvida nenhuma, vai ter uma projeção nacional no alto rendimento, No final das contas, o COB acaba cuidando dessa carreira, dessa trajetória, mas todo esse ecossistema tem início, às vezes, numa pequena associação formada lá num bairro, numa comunidade, nos quatro cantos do nosso país. Então, acho que é importante fazer esse reconhecimento aqui a toda essa trajetória do COB, a todas as entidades que ajudam a dar vida e justificam a existência do COB. Quero fazer aqui também um trabalho de reconhecimento, na pessoa do nosso Presidente Marco La Porta, em especial a ele, mas que nós podemos estender aí a toda a diretoria e aos integrantes. Eu tive a oportunidade de conduzir, de participar de uma missão oficial da comissão recentemente, no COB, e de identificar ali aquilo que nós conhecemos. Quem é agente público... Eu, por exemplo, tive a oportunidade já de ser Vereador, Prefeito de uma cidade de médio porte, de ter investido muito no esporte na minha cidade e de ter reconhecido lá no período que fui Prefeito da cidade de Atibaia. |
| R | Portanto, aquilo que nós identificamos ali, enquanto ferramenta de transformação, eu particularmente já tive a oportunidade de conhecer, quando fui Prefeito da cidade de Atibaia; mas eu queria ressaltar aqui a seriedade do trabalho, o modelo de transparência, de governança, de planejamento de médio e longo prazo, de clareza em relação a onde é, em cada momento dos desafios futuros, que o COB pretende chegar. Eu não podia, no dia de hoje, deixar de dizer em público, como Presidente da Comissão - e tenho certeza de que esse é o entendimento de todos aqueles que nos acompanharam naquela missão -, em relação, Presidente Marco La Porta, à seriedade do trabalho que está sendo feito. O COB tem uma importância significativa no desenvolvimento do esporte do nosso país, é uma entidade que nos representa nos Jogos Olímpicos com muita qualidade. Portanto, eu queria trazer aqui o sentimento da nossa Comissão em relação à seriedade do trabalho e à tranquilidade da nossa parte de que os recursos, todos eles, que são destinados, seja qual for a fonte, estão sendo aplicados com muita seriedade, com muita eficiência e com muita eficácia. Por fim, eu acho que é importante aqui fazer o trabalho de reconhecimento - a Senadora Leila disse muito bem - sobre a importância do Congresso Nacional na discussão aqui das legislações que são importantes para garantir estabilidade, para garantir clareza, segurança jurídica, mas, principalmente, algo que é fundamental que eu avalio, Senadora Leila, que é um desafio que nós temos a que nos dedicar muito mais ainda, que é garantir mais financiamento para o esporte. A lei de incentivo é importante em todas as suas esferas, na esfera federal, na esfera estadual e na esfera municipal. Os convênios que, às vezes, nós estabelecemos com o terceiro setor são fundamentais. A segurança pública, como está sendo discutida aqui, através de uma PEC, também é importante, mas não mais importante do que o esporte, que é uma ferramenta, inclusive, de combate aos índices de segurança pública, porque nós podemos fazer uma discussão aqui, às vezes, muito superficial da segurança pública, jogando para a torcida, falando da possibilidade de aumento de pena... Hoje, nós estamos discutindo o aumento de pena, daqui a pouco o Brasil, se não tomar providência e não entender que estancar a porta de entrada do crime através da educação, da cultura do esporte é a solução... Daqui a pouco nós vamos estar discutindo aqui prisão perpétua, e aí nós não vamos resolver o problema; nós vamos discutir pena de morte. Não faz sentido nenhum, se o esporte é essa ferramenta que estanca a porta de entrada, retirar recurso de financiamento do esporte para garantir uma política pública que é importante, mas que tem que ser financiada, tem que ser encarada pelo Governo, através de um ajuste fiscal, de uma revisão de orçamento, de um corte, às vezes, de uma reforma administrativa, de uma despesa que não é tão interessante. Não é do esporte que nós vamos permitir, Deputado Luiz Lima, que recurso seja retirado para garantir o Sistema Nacional de Segurança Pública, que é importante, mas o esporte é a ferramenta que estanca a porta de entrada e, no futuro, não permite que os índices sejam aumentados. A gente sabe que tem uma discussão aqui para tirar aproximadamente 30% desse repasse. Isso é significativo, isso inviabiliza muito o projeto, projeto que transforma a vida de muita gente. Eu avalio que a gente precisa fazer um trabalho de mobilização, no sentido de resistir e sinalizar que o Governo, o Congresso Nacional, caminhe para outro formato de financiamento para a segurança pública que não seja retirando recursos do esporte. |
| R | Quero discutir aqui também sobre uma proposta que eu encaminhei recentemente - não alcancei ainda e queria aproveitar esta oportunidade - para solicitar a todos vocês, convocar a todos, para que a gente faça uma grande discussão aqui, uma mobilização, Senadora Leila, em relação à possibilidade de aprovar o que eu estou chamando de PEC da imunidade tributária. Nós tivemos recentemente aprovado, aqui, no Congresso Nacional, um novo modelo do regime tributário e, posteriormente, uma lei complementar que incluiu as entidades sem fins lucrativos, as associações. Na verdade, ainda é necessário um processo de entendimento, mas, no primeiro momento, a nossa interpretação chegou à conclusão de que as entidades sem fins lucrativos, as associações, seriam alcançadas pelo novo formato, pelo novo regime de tributação. A possibilidade de um destaque para esclarecer isso foi ventilada no processo de discussão na Câmara Federal, mas não avançou. O setor fez toda uma mobilização depois da aprovação desse texto, e aí, diante de uma articulação nossa, a Receita Federal publicou uma instrução normativa que traz, nesse primeiro momento, a tranquilidade de que as associações, as entidades sem fins lucrativos não serão alcançadas por esse novo modelo tributário. Mas, se não há uma expectativa, como publicamente o Governo já se posicionou, de buscar receita na atividade, nas diversas modalidades esportivas, no seu desenvolvimento no nosso país, se elas até este momento já gozavam de uma imunidade tributária, não há e não deve haver nenhum tipo de preocupação em relação à possibilidade de se cravar isso na nossa Constituição Federal, até para que não exista a possibilidade de outro tipo de interpretação, através da Receita Federal, que, a qualquer momento, pode sofrer uma mudança de comando. Nós podemos ter uma alteração na mudança do ano fiscal, na interpretação, às vezes, da norma, e garantir a imunidade tributária através de uma PEC, na nossa Constituição Federal, sem dúvida nenhuma, é o que traz para nós tranquilidade, a médio e longo prazo, para que os projetos continuem acontecendo, e é o que traz, inclusive, segurança jurídica na execução dos recursos, o que é fundamental (Palmas.), porque muitos dos recursos são fiscalizados pelos tribunais de contas, e nós não podemos fazer com que as associações, que, às vezes, trabalham apertadas nos seus orçamentos, em um determinado momento, tenham qualquer tipo de interpretação que coloque, inclusive, em risco a idoneidade de quem está na linha de frente de uma associação, de uma entidade, onde a grande maioria, com certeza absoluta, faz isso por vocação. Portanto, Senadora Leila, quero agradecer a possibilidade de promover este encontro aqui, em conjunto; reconhecer, Presidente La Porta, toda a história do Comitê Olímpico do Brasil (COB); e reforçar o nosso compromisso na Comissão do Esporte para debater tudo aquilo que foi importante para trazer estabilidade, prosperidade, um futuro promissor para o esporte no país, mas, principalmente, garantia de financiamento, porque, com recurso, a gente vai conseguir transformar ainda mais a vida das pessoas através do esporte. Um grande abraço, gente. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Grata pela fala e também pela parceria, Deputado querido, Saulo Pedroso, que é o Presidente da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados. Eu convido agora para fazer o uso da palavra a Sra. Secretária Nacional de Excelência Esportiva, Iziane Marques, representando o Sr. Ministro de Estado do Esporte, Paulo Henrique. |
| R | Quero registrar a presença aqui do Paulo Maciel, que é o Presidente do Comitê Brasileiro de Clubes; Bernard Rajzman, que é membro do Comitê Olímpico Internacional e medalhista olímpico; Ricardo Vidal, ex-atleta do atletismo e gestor esportivo; Michael Jackson, que é pioneira da Seleção Feminina de Futebol. Sejam todos bem-vindos! Também quero registrar a presença aqui da minha colega de quadra, companheira de uma longa vida, a Virna Dias. (Palmas.) Só fomos da base até o adulto juntas, pelo menos uns 15 anos juntas, vestindo a camisa do Brasil. É um prazer tê-la aqui, companheira, amiga. E a todos que eu citei anteriormente obrigada pela presença. Iziane, seja bem-vinda. A SRA. IZIANE CASTRO MARQUES DE OLIVEIRA (Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Senadora Leila, Presidente do Comitê Olímpico do Brasil, meu amigo Marco La Porta, autoridades presentes, atletas, dirigentes, senhoras e senhores, recebo, com muita honra, esta missão de representar o Ministério do Esporte nesta sessão solene em comemoração aos 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil. Celebrar a história do COB é celebrar a história do esporte olímpico brasileiro, uma trajetória construída por gerações de atletas, muitos destes aqui presentes, treinadores, dirigentes e profissionais que acreditaram que o Brasil poderia ocupar um lugar de destaque no cenário esportivo mundial. Tenho a felicidade de falar hoje sob duas perspectivas: como Secretária Nacional e também como atleta olímpica. Como atleta, vivi na prática a emoção de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos, na verdade em dois Jogos Olímpicos. Sei o quanto existe de dedicação, suor, renúncia e trabalho coletivo por trás de cada classificação, de cada participação e de cada conquista. Sei também da importância que o Comitê Olímpico do Brasil teve e tem na preparação e no desenvolvimento de todos esses atletas, assim como eu. Ao longo desses 112 anos, o COB consolidou-se como uma das instituições mais importantes do esporte nacional, contribuindo decisivamente para a evolução do alto rendimento brasileiro e para os resultados que hoje enchem nosso país de orgulho. Como gestora pública, reconheço que os avanços do esporte brasileiro dependem da atuação coordenada entre Governo, entidades esportivas, clubes, confederações e atletas. É justamente nessa construção conjunta entre o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico do Brasil que nós temos desenvolvido uma parceria estratégica em favor do esporte de excelência. O fortalecimento do Bolsa Atleta, os investimentos na preparação esportiva, a ampliação das oportunidades para nossos atletas e o planejamento para os próximos ciclos olímpicos demonstram que estamos construindo um legado que vai muito além das medalhas. Estamos formando talentos, transformando vidas e fortalecendo o papel do esporte como instrumento de desenvolvimento humano e social. Por isso, esta homenagem é mais do que justa. Ela reconhece uma instituição que, há mais de um século, contribui para levar a bandeira do Brasil aos maiores palcos esportivos do mundo. Em nome do Ministério do Esporte, parabenizo o Comitê Olímpico do Brasil pelos seus 112 anos de história e reafirmo também o nosso compromisso de seguir trabalhando juntos pelo futuro do esporte brasileiro. Parabéns ao COB, aos seus dirigentes, colaboradores e, principalmente, aos atletas, que são a razão e o sentido dessa missão. |
| R | E permitam-me aqui registrar também uma satisfação especial, Senadora Leila, por essa homenagem ser conduzida por uma Senadora mulher, também atleta, que sabe o valor transformador do esporte e continua neste Senado contribuindo para o desenvolvimento esportivo brasileiro, em outra missão, a serviço do país. Muito obrigada. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Grata, querida Iziane. Como ela já falou, medalhista olímpica, atleta olímpica e que representou muito bem o basquete brasileiro. Mande um abraço também ao Paulo Henrique, nosso Ministro de Estado do Esporte. Eu gostaria de citar a presença do Sr. Felipe Rêgo Barros, que é o Presidente da Confederação Brasileira de Handebol; Ana Elisa de Magalhães, Diplomata e neta do Major Sylvio de Magalhães Padilha, ex-Presidente do COB; Luciano Cabral, Vice-Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário; o Sr. José Antônio Freire, Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro; João Cleber, fundador da Lipocc, da Ceilândia, instituição da Ceilândia, terceiro setor da Ceilândia; e o Coronel Alex Minuzzi, que está representando aqui o Presidente da Comissão Desportiva Militar do Brasil, do Ministério da Defesa. Sejam todos muito bem-vindos. Eu convido agora, para fazer o uso da palavra, o Sr. Presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Marco La Porta. (Palmas.) O SR. MARCO ANTONIO LA PORTA (Para discursar. Sem revisão do orador.) - Exma. Senadora Leila Barros, Presidente da Comissão de Esporte do Senado Federal e medalhista olímpica, e Deputado Saulo Pedroso, Presidente da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, agradeço aos dois pelo requerimento desta sessão solene, que é muito importante para nós do Comitê Olímpico do Brasil. Saúdo o Deputado Federal Eduardo Bandeira de Mello, membro da Comissão do Esporte da Câmara; Deputado Federal Luiz Lima, membro da Comissão do Esporte da Câmara, atleta olímpico e campeão pan-americano; Sra. Iziane Marques, Secretária Nacional de Excelência Esportiva, atleta olímpica; Emanuel Rego, nosso Diretor-Geral do COB, campeão olímpico; Rafael Silva, o Baby, medalhista olímpico e Vice-Presidente da Comissão de Atletas do COB; Ketleyn Quadros, medalhista olímpica e membra da Comissão de Atletas do COB; Bernard Rajzman, membro do Comitê Olímpico Internacional e medalhista olímpico; Paulo Maciel, Presidente do Comitê Brasileiro de Clubes; José Antônio Ferreira, Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro; Luciano Cabral, Vice-Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário; Arialdo Bôscolo, Presidente da Confederação Nacional dos Clubes; Claudio Boschi, Presidente do Conselho Federal de Educação Física; Sra. Ana Elisa de Magalhães Padilha Pupo Netto, neta do ex-Presidente do COB, Sylvio de Magalhães Padilha, Presidente do COB durante 27 anos - obrigado pela sua presença -; senhoras e senhores patrocinadores do esporte olímpico, que nos ajudam cada dia a fazer a construção do esporte brasileiro - muito obrigado pelas presenças -; senhoras e senhores membros do Conselho de Administração do Comitê Olímpico do Brasil; senhoras e senhores presidentes de confederações, que fazem o esporte brasileiro dia a dia, batalhando, buscando recurso, buscando o melhor para os seus atletas; e, como a Iziane muito bem disse, os atletas olímpicos, nossa razão de ser. Como o Deputado Saulo falou ali, eu estava tentando contar as medalhas ali na mesa, foram dez, são dez, mas, mais do que isso, é a representatividade hoje que os atletas têm. |
| R | Então, nós estamos sentados na mesa em cargos de Deputados, Senadores aqui presentes, atletas representando. Fico muito feliz em ver sentados aqui a Formiga, o Fabiano Peçanha, que representam bastante a história do COB, a história do Comitê Olímpico. A história do Comitê Olímpico do Brasil é feita por atletas, e isso é muito importante. E receber essa homenagem dos 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil, neste Plenário, é motivo de enorme honra. Eu sou o décimo Presidente do Comitê Olímpico do Brasil. Mas talvez mais importante do que celebrar a história do COB seja refletirmos sobre aquilo que queremos construir para o futuro do esporte brasileiro. O esporte talvez seja uma das raras agendas capazes de unir diferentes setores da sociedade em torno de um propósito comum. Poucas pautas conseguem dialogar com todas as correntes políticas, com diferentes visões de país, com gerações distintas e com realidades tão diversas quanto o esporte, porque o esporte une. O esporte une pessoas, une comunidades, une instituições, une o Brasil. E talvez exatamente por isso o esporte tenha uma capacidade tão poderosa de transformação social. Nós, dentro do Comitê Olímpico, queremos muito as medalhas, trabalhamos por isso. Elas sempre serão importantes, especialmente em um país apaixonado por pódios, por conquistas e por grandes momentos olímpicos. Estamos sempre buscando nossos ídolos. Temos o Lucas Pinheiro, e agora estamos vendo o João Fonseca se destacando bastante. Então, esses momentos continuarão sendo sempre um importante parâmetro do nosso trabalho. Estamos trabalhando intensamente para proporcionar o melhor cenário possível para que o Time Brasil chegue muito forte aos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028. Mas talvez a missão mais importante dos próximos anos da nossa gestão não seja apenas colher resultados imediatos. Talvez nossa grande missão seja plantar sementes. Sementes de uma cultura esportiva mais forte, sementes de um país mais ativo, sementes de oportunidades para milhões de crianças e jovens, sementes de uma visão de longo prazo que transforme o esporte em política permanente de desenvolvimento nacional. E foi justamente entendendo isso que o COB passou a olhar para áreas que antes não estavam tão latentes dentro da nossa área de atuação. Hoje, seguimos comprometidos com o alto rendimento, mas entendemos que não podemos nos limitar apenas a ele. Precisamos olhar para toda a cadeia esportiva, precisamos ampliar a prática de atividade física, precisamos aumentar a base de praticantes, precisamos fortalecer clubes, escolas, universidades, projetos sociais e confederações. Precisamos fazer o esporte chegar a mais brasileiros, porque nenhuma potência olímpica sustentável é construída apenas no topo. Ela é construída na base, é construída no acesso, na oportunidade, na formação. É isso que chamamos de construção de uma verdadeira nação esportiva. Uma nação esportiva não é apenas um país que ganha medalhas, é um país que entende o esporte como ferramenta de saúde, educação, pertencimento, cidadania, sustentabilidade e segurança pública. E é exatamente por acreditarmos nisso que o Movimento Olímpico brasileiro acompanha com tanta atenção as pautas que hoje tramitam no Congresso Nacional. E temos desafios importantes em discussão. A mudança na legislação tributária exige atenção para o nosso ecossistema, principalmente para que os clubes associativos, históricos, formadores de atletas brasileiros não sejam enfraquecidos. Não estamos pedindo recursos a mais, estamos pedindo apenas que não nos tirem recursos que já são do esporte. O Deputado Saulo falou da PEC da segurança pública. É muito impactante para a gente. É um prejuízo de 30%. Em termos brutos de valores, só para que todos tenham uma ideia, é um impacto de 30 milhões no orçamento do Comitê Olímpico do Brasil. Os Jogos da Juventude, que são um evento que nós realizamos anualmente, conta com 2 milhões de jovens que participam das suas fases iniciais e 4,5 mil jovens na sua fase final - este ano será em Foz do Iguaçu. |
| R | O Comitê Olímpico não gasta; ele investe R$22 milhões por ano nos Jogos da Juventude. Então, para que os senhores e as senhoras entendam o impacto que tem um corte de R$30 milhões no orçamento do Comitê Olímpico do Brasil. É um pouco mais do que os Jogos da Juventude. A derrubada do veto sobre a isenção de tributos de importação para materiais esportivos também é fundamental. Um barco, um florete, uma espada, uma bicicleta chegam com um preço absurdamente maior para o atleta, e isso impacta muito nos recursos destinados ao esporte. E estamos defendendo apenas a preservação dos investimentos, como eu disse, que já foram conquistados, que hoje ajudam a transformar vidas, porque o esporte não é custo; o esporte é investimento: investimento em saúde, em educação, em segurança pública, em desenvolvimento humano. Existem estudos que mostram que cada real público investido no esporte retorna cerca de R$13 para a sociedade. Poucas ferramentas sociais possuem capacidade tão ampla de transformação. Por isso, temos confiança de que o Congresso Nacional, os Parlamentares e o Governo Federal continuarão sensíveis às nossas pautas. E o esporte não devolve apenas dinheiro; devolve oportunidade, devolve dignidade, devolve futuro. E talvez seja essa a grande mensagem dos 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil. Nenhuma instituição constrói algo relevante sozinha. O COB sozinho não realiza nada. O esporte brasileiro só evoluirá verdadeiramente através da união: união com o Congresso Nacional, que tem sido parceiro histórico do esporte brasileiro e fundamental para o avanço de pautas estratégicas; união com o Ministério do Esporte, instituição que nos abre sempre as portas e mantém um diálogo permanente; união com os comitês integrantes do Conselho Nacional dos Comitês Esportivos - CBC, CPB, CBCP, CBDE e CBDU -, fortalecendo o sistema esportivo cada vez mais integrado; união com as confederações brasileiras, que trabalham diariamente no desenvolvimento das modalidades; união com os clubes, com os atletas olímpicos, que inspiram o país e dão sentido ao nosso trabalho; união com os colaboradores do COB, que atuam diariamente com enorme comprometimento e responsabilidade. Temos plena consciência de que o caminho será longo, o trabalho será árduo, os desafios serão grandes, mas esse movimento precisa começar. E talvez não estejamos aqui apenas para colher os frutos. Nosso papel hoje é estar aqui para plantar sementes que germinarão, crescerão e se tornarão cada vez mais fortes, sementes de um Brasil mais esportivo, mais saudável, mais unido, mais desenvolvido; sementes de uma verdadeira nação esportiva. Muito obrigado. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Grata pela fala e presença sempre constante aqui neste Congresso, Presidente La Porta. Vou passar a palavra agora para o Vice-Presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil, Rafael Silva, medalhista olímpico, o Baby. O SR. RAFAEL CARLOS DA SILVA (Para discursar. Sem revisão do orador.) - Bom dia a todos e a todas. Quero agradecer muito o convite da Senadora Leila para participar desta festa de 112 anos do Comitê Olímpico; agradecer ao Deputado Saulo Pedroso pela requisição. É uma celebração de que a gente fica muito feliz de fazer parte. O COB só existe por conta dos atletas, para quem um dia quer se tornar atleta e para quem somente é entusiasta ou se inspira no esporte olímpico. Então, parabéns, Comitê Olímpico do Brasil. São 112 anos, são 171 medalhas - uma dessas é a medalha do esporte de neve do Lucas. |
| R | Só que a gente sabe que o movimento olímpico vai muito além dos resultados. Com todos esses anos de existência, a gente demorou um pouco para que a gente tivesse um entendimento de que o esporte é uma ferramenta transformadora: o esporte tira crianças da rua, das drogas. O esporte dá algo maior, que é um propósito. Quantas pessoas foram fazer voleibol porque assistiram à Leila, porque assistiram ao Bernard fazer o "jornada nas estrelas", assistiram à Virna, ao Emanuel? Quantas criancinhas quiseram comprar um esqueite e saíram andando por aí porque viram a Rayssa, viram a Bia Souza lutando judô, a Rebeca fazendo as suas acrobacias nas Olimpíadas? Ou, agora, quantas pessoas desejaram conhecer a neve por conta do nosso Lucas Pinheiro? Eu mesmo comecei a fazer judô por ter assistido ao Leandro Guilheiro, ao Tiago Camilo, assisti à Ketleyn lá em 2008 conquistando a medalha dela, e isso me inspirou muito a um dia querer ser um atleta. Você pensar que um gordinho lá do interior do Paraná, cidadezinha pequena de 40 mil habitantes, um dia poderia querer ir para uma Olimpíada, trazer uma medalha para o Brasil, representar o Brasil... Então, acho que o esporte é muito movido por esse sonho, por esse propósito, e a gente está aqui celebrando e fazendo parte disso. Essa cerimônia é um exemplo de que a gente está cada vez mais juntos por uma nação esportiva. O que aconteceu ano passado - falando da votação da lei de incentivo na Câmara dos Deputados, depois as aprovações que aconteceram de maneira unânime aqui no Senado - mostra que a gente está muito compromissado com a causa do esporte, e a gente entende desse poder transformador. Não é só o COB que cuida do esporte olímpico, mas tem muita gente nesse guarda-chuva e tem parcerias muito fortes para que isso aconteça: a gente tem academias, clubes, institutos, projetos sociais, as confederações aqui que estão representadas por seus presidentes, CBC, Fenaclubes, as Forças Armadas. A gente tem os Deputados aqui, os Senadores que estão nessa causa do esporte junto com a gente. O Deputado Saulo Pedroso falou das pequenas instituições sem fins lucrativos, que são feitas juntando os atletas ali, fazendo o esporte acontecer de verdade. E eu acho que é exatamente nisso que a gente pensa também, como parte do Comitê Olímpico. Eu conheço o projeto lá de Atibaia, do Pi. Quantas crianças foram impactadas ali por aquele projeto, quantas crianças não estavam na rua e estavam praticando judô, sonhando em um dia ser um atleta olímpico? Então a gente trabalha para que o esporte alcance e chegue ao maior número de pessoas possível. Da minha parte, nesses 112 anos, eu participei de quatro Olimpíadas e agora eu estou fazendo parte da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico. A gente teve alguns avanços significativos, pensando na Comissão de Atletas, com o art. 18-A da Lei Pelé, depois com a lei geral, que legitimou as comissões de atleta, que colocou os atletas a terem direito de ter voz, de votar, de participar de conselho de administração, de participar na gestão do esporte. Então, eu acho que essas mudanças na lei são fundamentais para que cada vez mais a gente consiga ter um esporte transparente, um esporte que funcione dessa maneira que realmente a gente reme para o mesmo lado, que todo mundo entenda o valor que o esporte tem. |
| R | Queria que os membros da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico e ex-membros também levantassem para a gente falar o nome de cada um, por favor. Fabiano, levante aí, por favor; o Roberto Maehler; a Luisa Baptista; o nosso Diretor-Geral, Emanuel. Esqueci alguém? A Iziane também, a nossa Secretária. (Palmas.) Então, eu tenho muito orgulho de fazer parte desta Comissão de Atletas, de a gente, de alguma maneira, contribuir com as nossas opiniões, de maneira consultiva, de maneira eletiva, para que os atletas tenham voz e contribuam de alguma maneira para que o nosso esporte avance. Quero agradecer sempre o apoio desta Casa, em todas as causas, principalmente nessa da Lei do Incentivo, dos 10%, nessa nova tributação que está vindo. Então, a gente, como atletas, agradece muito o apoio e vamos celebrar 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil. Obrigado. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Obrigada, Rafael Silva, o Baby, medalhista olímpico, pela participação, e Vice-Presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico, também cumprimentando os atletas membros da Comissão de Atletas do COB, sejam muito bem-vindos. Eu vou passar a palavra para o Sr. Diretor-Geral do Comitê Olímpico do Brasil, Emanuel Rego, medalhista olímpico - aliás, pódio olímpico que ele tem. (Palmas.) Eu gostaria de citar também a presença do Jamil Suaiden, que é o Presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo, e do Diogo de Assis, representante da Federação de Airsoft do DF. Sejam bem-vindos. O SR. EMANUEL FERNANDO SCHEFFER REGO (Para discursar. Sem revisão do orador.) - Senhoras e senhores, bom dia a todos. Senadora Leila Barros, a nossa família olímpica está muito feliz por você liderar este momento. Obrigado, Saulo Pedroso, também por liderar na Câmara. Eu estou muito feliz hoje, porque é um momento muito importante para o esporte olímpico, um reconhecimento, e eu sempre tenho que fazer algumas saudações. A gente sempre tem um protocolo, e eu queria dizer, Marco La Porta, que é um prazer trabalhar com você como décimo Presidente do Comitê Olímpico, e também é uma honra ter aqui na plenária a Ana Elisa, uma pessoa que representa um outro Presidente saudoso, que é o Sylvio Magalhães Padilha. Muito obrigado pela sua presença. Também queria saudar todos os atletas e heróis olímpicos. Nós temos que valorizar esses ídolos e atletas que chegam lá, e eu queria falar o nome de cada um, começando com o Bernard Rajzman, líder de uma geração que motivou nós todos a assistir o voleibol. Parabéns! (Palmas.) Queria dizer do Rafael Silva, o gigante, um gigante que tem três medalhas olímpicas. Meus parabéns, você está seguindo o caminho da liderança com os atletas. Isso é muito importante. (Palmas.) Queria falar da Virna Dias, que é uma liderança de uma geração que fez embates incríveis contra a Cuba, junto com a Senadora. Isso para nós é muito importante, todos nós lembramos desse momento, aquilo que demonstra a nossa garra, a nossa vontade de ser brasileiro. Muito obrigado. (Palmas.) Queria falar da Ketleyn, que está aqui na mesa, você é uma atleta de Brasília, fez história com a diferença de medalhas, a primeira e a segunda, 2008 e 2024, isso demonstra também a sua disciplina. Meus parabéns! (Palmas.) |
| R | Eu queria falar mais um pouco dos nomes que estão aqui, que não fazem parte desse grupo, como a Formiga. Formiga, você deu um show na corrida dos atletas do Brasil, fazendo embaixadinhas o tempo todo. Esse é o espírito, realmente. Muito obrigado. Luiz Lima, você é um lutador. Vocês também fazem a diferença. (Palmas.) Também queria falar do Fabiano Peçanha, que tem uma pista de corrida. Se vocês quiserem, é um espaço para a gente testar a nossa velocidade, que é com ele. (Palmas.) Roberto Maehler, que tem um projeto social muito especial com a canoagem. Faz tudo de melhor. (Palmas.) Luisa Baptista, meus parabéns! Eu a honro por toda sua liderança neste momento da sua carreira, da sua vida. Espero que você tenha muito sucesso. Você é uma mulher muito disciplinada. Esse é um exemplo olímpico. (Palmas.) Falo também com o Hugo Parisi: você faz um trabalho especial com os saltos ornamentais, uma luta em todos os lugares, seja no Rio, seja também aqui em Brasília. (Palmas.) Iziane Marques, sempre liderando. Você é uma gigante. Olha, você está no lugar certo, porque você traz tudo o que a gente precisa. (Palmas.) Enfim, queria também seguir só este meu início, porque acho que é muito mais comemoração e agradecer a todos os membros do Conselho de Administração. Vocês têm nos ajudado nesses dois anos, praticamente um ano e meio, para conseguirmos mudar muitas políticas internas, transformar o COB. Então, agradeço a todos vocês. Quero agradecer também ao Beto Santini, o novo integrante. Seja bem-vindo a esse grupo! Finalmente, quero falar dos patrocinadores. Na minha carreira esportiva, como atleta, eu tive muitos patrocinadores e eu sei o quanto é importante a gente ter apoiadores. Então, todos os que vieram aqui - todos vocês - são importantíssimos! Os atletas merecem reconhecimento, e vocês lhes dão. Então, muito obrigado, sinceramente. (Palmas.) Para falar um pouco da parte institucional, aí eu entro um pouco mais, agora, na parte mais como Diretor-Geral - Marco La Porta, me permita! Eu acredito que o COB chega aos seus 112 anos com uma história que merece respeito. É uma história feita por atletas, treinadores, dirigentes, colaboradores e clubes. Principalmente, aqui, em nome do CBC, quero agradecer a todos os clubes que formam os atletas. Obrigado, Paulo Maciel, Arialdo, vocês fazem um papel fundamental. (Palmas.) Eu acredito mesmo que o valor institucional é o que importa no esporte. Um atleta não consegue nada sozinho, tem os clubes, tem o COB... Nós todos fazemos o nosso papel. A gente sempre tem que celebrar, realmente, o passado para construir o futuro. E, ao pensar no futuro, eu queria dar o exemplo de um atleta que está aqui, hoje, nesta plenária - talvez a primeira vez no Senado -, que é um atleta da vela. Ele é do Cota Mil e é um atleta que pode ser o nosso futuro. Eu queria deixar uma mensagem, através do Davi, do quanto é importante a gente venerar o esporte olímpico. Davi, você pode levantar, por favor? (Palmas.) Davi, que você seja inspiração para todos esses gestores e dirigentes! Que a gente faça um movimento olímpico mais rico! É isso. Eu queria só deixar essas palavras e dizer que, quando o esporte cresce, o Brasil cresce também. Então, muito obrigado pela oportunidade de falar em meu nome. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Grata pela participação, nesta audiência, nesta sessão especial, do Emanuel Rego, que é o Diretor-Geral do Comitê Olímpico do Brasil - também é meu esposo para quem não sabe - e medalhista olímpico. (Risos.) Eu vou convidar agora para fazer o uso da palavra... Antes disso, eu também quero render minhas homenagens ao Bernard. Bernard, da mesma forma que o Baby teve os atletas que o inspiraram, na hora em que o Emanuel citou o Bernard, eu senti na Virna a mesma coisa. A gente se olhou e falou assim... Porque a nossa geração realmente se inspirou na geração de 1984, a Geração de Prata de Los Angeles. Então, a gente tem realmente uma referência aqui dentro deste Plenário, da nossa modalidade, com o Bernard representando essa geração e com todos os demais atletas. (Palmas.) |
| R | Eu queria fazer uma homenagem muito especial, in memoriam, à Isabel Salgado, Isabel do Vôlei, que foi também uma grande inspiração para nós da modalidade do voleibol e também para o esporte olímpico do nosso país. Eu gostaria de convidar agora para fazer uso da palavra a Sra. Ketleyn Quadros, que é membro da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil e a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica individual - e também minha conterrânea. Seja bem-vinda, Ketleyn. A SRA. KETLEYN LIMA QUADROS (Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Bom dia a todos. Bom dia, Senadora Leila. Bom dia, Presidente La Porta e todos os demais membros que aqui compõem a mesa, autoridades, meus colegas do esporte brasileiro - tenho muito orgulho de vocês. Para quem não me conhece, eu sou a judoca Ketleyn Quadros, bimedalhista olímpica. Eu me tornei a primeira mulher a conquistar uma medalha olímpica na história do Brasil. (Palmas.) Comecei o judô bem jovem aqui no Distrito Federal, mais especificamente na Ceilândia, e jamais imaginei que estaria aqui comemorando e celebrando os 112 anos de uma instituição que tanto fez parte da minha jornada esportiva e além dela. Eu trouxe aqui alguns momentos marcantes. Eu, como qualquer outra criança, como milhões de crianças, só pensava em treinar e ter a oportunidade de ter esses espaços. E, muito jovem, para continuar esse sonho, eu tive que ir para Belo Horizonte para viver a possibilidade desse sonho, estudar e ter essas pessoas que acreditavam na mesma convicção que a minha. A primeira lição que eu tive, depois dessa conquista, foi ao ver a minha mãe, que saiu da Ceilândia, ir lá para a China me assistir, e, juntas, a gente conquistou essa vitória. E essa primeira lição foi exatamente isto: eu percebi que a conquista de um atleta nunca é só sua, é da sua família, é dos treinadores, é das instituições que estão por trás. São os profissionais que estão por trás, são as pessoas que respiram o esporte 24 horas e, principalmente, que acreditam antes de nenhuma perspectiva de vitória. Com o passar dos anos, fui porta-bandeira nos Jogos Olímpicos de Tóquio, inclusive desfilando com o nosso Presidente, na época chefe de delegação, numa época de pandemia, em que não podíamos estar com todo mundo, mas foi um orgulho muito grande para mim representar o Brasil, todos os brasileiros, aqueles atletas que se dedicam o tempo inteiro, aquelas pessoas que acreditam no poder transformador do esporte. Em seguida, passados alguns anos, fui para os Jogos Olímpicos de Paris. E, exatamente depois de 16 anos da minha primeira conquista olímpica, tive a alegria de subir ao pódio novamente pela equipe do judô. Eu trago toda essa trajetória justamente para mostrar que eu sou essa experiência prática, vivida do poder transformador que o esporte é e proporciona. E, durante três décadas dedicadas ao esporte, eu também pude acompanhar a evolução do movimento olímpico brasileiro. Eu vi o movimento olímpico crescer, eu vi o movimento olímpico dando mais oportunidades e espaço para os atletas e, principalmente, se consolidando entre as melhores instituições do mundo. E isso não foi do dia para a noite. Com certeza, foi com muita dedicação, foi com muito desempenho, foi com muita abdicação de muitas coisas para isso acontecer, desde todos que estão envolvidos para viver esse sonho. E hoje o Comitê Olímpico é o homenageado do dia. Eu fico muito feliz e contente de estar aqui. Obrigada, Senadora Leila, pelo reconhecimento justíssimo. |
| R | Além disso, proporciona que muitas crianças e jovens possam sonhar alto e, mais que sonhar, ter a condição de realizar. Então, eu desejo ao Comitê Olímpico que, nos próximos 112 anos, a gente possa ter mais oportunidades, que a gente possa formar cada vez mais campeões e que esses sonhos sejam realidade. E hoje eu sou muito feliz por ter me tornado a primeira, e, além disso, por ser exemplo, e por abrir portas e oportunidades para outras pessoas e crianças que, sim, podem sonhar. E tem todo um Comitê Olímpico do Brasil pronto para receber e viver esse sonho com vocês. Muito obrigada. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Nós que agradecemos. Obrigada, Ketleyn, pela participação, por estar aqui conosco nessa celebração dos 112 anos do COB. Eu vou convidar agora, para fazer uso da palavra, o Deputado Federal Luiz Lima também, que é atleta olímpico. Seja bem-vindo, Luiz. Por favor, uma salva de palmas. (Palmas.) Quero registrar a presença do Presidente da Confederação Brasileira de Wrestling, Flavio Cabral Neves, da Sra. Triatleta Luisa Baptista e do Sr. Atleta de Canoagem de Velocidade Roberto Maehler. Vai lá, Luiz. O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ) - Saiu, né, Leila? (Risos.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Saiu, saiu. O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ. Para discursar. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Leila. Leila, primeiro, quero agradecer a presença do Baby, do Emanuel, da Iziane, do Deputado Saulo, do La Porta, da Ketleyn. Leila, eu não gostaria de perder esta oportunidade. Meu pai sempre me falou - meu pai faleceu em 2022 -, quando a gente tem a oportunidade de homenagear alguém... E eu vou homenagear você por estar aqui, há oito anos, comigo. Somos pouquíssimos atletas olímpicos que conseguem chegar aqui. Somos 4.218 atletas olímpicos desde Antuérpia, em 1920, quando a gente teve nossa primeira participação. Participamos de 24 Jogos Olímpicos, são 25 edições de lá para cá. E eu acho que não chegamos a... Deixe-me lembrar aqui: Leila, Romário, Danrlei, eu, Mauricio do Vôlei, Bernard Rajzman, que foi Deputado Estadual por dois mandatos, foi Secretário com status de Ministro no Governo Collor; são muito poucos, é muito raro um atleta olímpico chegar aqui, Virna. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - O João Derly. O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ) - O João Derly, do judô, exatamente, foi Deputado Federal, de 2014 a 2018, mas eu acho que não ultrapassam dez Deputados Federais. Eu acho que a gente ganha mais força de alguns anos para cá, com Bernard, em 1984, quando começa a ter um apelo mais midiático e o esporte tem um impacto maior na vida do brasileiro - hoje são 61 milhões de brasileiros que praticam atividade esportiva regularmente. Mas eu vou começar aqui com o meu discurso. Eu gostei muito de ouvir a Ketleyn, que falou muito com coração, se emocionou. Ela foi a primeira atleta brasileira a ganhar uma medalha individual. Tivemos a Jaqueline e Sandra, no vôlei de praia, em 1996, ganhando o ouro, e, desde 1932, a Maria Lenk, a primeira mulher, o Guilherme Paraense, conquistando, em 1920, na Antuérpia. Nós tivemos o Tetsuo Okamoto em Helsinque, em 1952. E, com tudo isso, eu estou falando de sonhos que essas pessoas viveram. |
| R | Em 1960, o basquete conquista a sua primeira medalha, a medalha de bronze, muito relevante. Em 1980, tivemos o João do Pulo. Eu era muito pequenininho, eu lembro do João do Pulo, que a gente diz que foi o bicampeão olímpico de bronze, porque a gente teve uma controvérsia muito grande, não foi, La Porta? Em 1984, a gente tem a medalha de prata, a gente tem o ouro do Joaquim Cruz. Em 1988, a gente tem o Robson Caetano, a gente tem a medalha de ouro do Aurélio Miguel. Em 1992, a gente tem o ouro olímpico do vôlei, que foi bem marcante. O Rogério Sampaio, campeão olímpico. A prata do Gustavo Borges. Aí eu já vivi, em 1996, com a Virna: a Virna ganhando medalha junto com a seleção de basquete, a de vôlei e a de basquete feminino - um resultado maravilhoso. Em 1996, a Jacqueline e a Sandra ganham o primeiro ouro do esporte feminino no país. Em 2000, a gente teve também resultados; apesar de termos trazido medalha de ouro olímpica, a gente teve novamente a Virna conquistando medalha. O basquete, novamente. Tivemos a natação. O César Cielo, em 2008, foi o primeiro atleta nadador campeão olímpico. Em 2016, o futebol conquista a medalha de ouro pela primeira vez. Em 2020, a Ana Marcela se torna a primeira nadadora campeã olímpica; a Poliana tinha sido em 2016. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Você esqueceu as medalhas do vôlei de praia. O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ. Sem revisão do orador.) - O vôlei de... Ah, é, o Emanuel! A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - É, tem o vôlei de praia. O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ) - É verdade, Emanuel. Em Atenas, em 2004, não foi, Emanuel? Foi em Atenas, junto com o Ricardo. São muitas medalhas, são muitos sonhos. Eu quero parabenizar o COB, porque o COB hoje é um agente de política pública e é um dos melhores agentes de política pública em termos de execução. Está cada vez melhor. Quando eu fui Secretário Nacional do Esporte, após o impeachment da Presidente Dilma, eu era um Secretário muito crítico às contas públicas e eu acho que esse ímpeto de querer fazer o bem e o certo foi o que me fez estar aqui, algo não planejado na minha vida. O COB melhorou muito nestes últimos anos, La Porta, parabéns. O COB hoje recebe recursos vindos da loteria esportiva, da lei de incentivo, de patrocinadores. A gente está falando de um universo pequeno - de pessoas que se tornam atletas olímpicos -, mas que desenvolve o sonho e a esperança nas pessoas, e isso o que a Ketleyn falou é importantíssimo. E o esporte olímpico brasileiro é responsável, Deputado Saulo, por incentivar políticas públicas esportivas nos municípios, é um grande fomentador. Então, eu só tenho a parabenizar o Comitê Olímpico Brasileiro. O esporte mudou muito nos últimos anos, não é? A gente estava falando da Maria Lenk, em 1932, em Los Angeles, quando ela foi de navio até Getúlio Vargas, na época. Getúlio ficou, na primeira era, de 1930 a 1945, e Getúlio foi levar a Maria Lenk até o navio. Aquela época era uma época de romantismo total do esporte. É claro que o romantismo existe hoje, mas hoje nós temos aspectos de mídia, aspectos de profissionalismo, financeiro, mas que não deixam de cativar o sonho das pessoas. Eu, por exemplo, hoje aos 48 anos, Bernard, eu sinto mais saudade, até, que da Olimpíada, o que é um presente... Eu sinto muita saudade de mim, criança, no Fluminense, nadando com meus pais na arquibancada - essa é a maior e principal lembrança que eu tenho. E eu acredito que esses 4.218 atletas, muitos já falecidos, obviamente, tiveram esse encanto pessoal e esse encanto que os seus familiares têm de dizer "O meu avô foi um atleta olímpico", "O meu pai foi um atleta olímpico". Então, eu carrego muito isso. |
| R | E tem outro que eu gostaria - outro momento - de deixar reservado aqui. O meu pai faleceu em 2022 e ele disse o seguinte para mim: "Filho, você não sabe como eu fiquei feliz de você ir para os Jogos Olímpicos". Foi um sonho da família. Eu morava no Grajaú, no Rio, meus pais se mudaram para Laranjeiras para eu ser atleta do Fluminense, mas o meu pai, Leila, em 2018, quando eu me elegi Deputado Federal, falou assim: "Poxa, filho, sabia que eu me senti ainda mais feliz e especial por você ter sido escolhido e eleito, ter sido eleito pelo Rio de Janeiro?". Porque - você sabe, né, Leila? - a gente chega aqui... Nós, em alguns momentos, tivemos opiniões divergentes, mas você é uma pessoa muito carinhosa, amorosa, dedicada ao esporte, então, por isso eu queria te homenagear, por quanto você lutou pelo esporte. E temos empatia um pelo outro, assim como eu tenho pelo Emanuel também, tá, Emanuel? Vocês são pessoas importantíssimas. Meu pai disse o seguinte para mim: "Filho, eu fiquei mais emocionado por você ser eleito porque as pessoas saírem num domingo e votarem na gente é algo muito especial". As pessoas terem você como ídolo é muito especial, mas as pessoas acreditarem que a gente pode chegar aqui e fazer algo positivo é muito especial. Então, eu gostaria aqui, ao longo de 112 anos de Comitê Olímpico Brasileiro, Bernard, de pedir encarecidamente para aqueles atletas que são assim como nós, que tivemos a vontade de nos tornarmos políticos, que se tornem candidatos e se tornem políticos. O primeiro momento é muito desafiador, porque, quando a gente era atleta, era só pauta positiva, a gente só era amado, praticamente. Quando você entra para a política, você passa a ser amado e odiado, e nós temos que vencer essa barreira, porque, independentemente das nossas escolhas políticas, a gente carrega um sentimento de quanto o esporte é importante. Então, Formiga, muito obrigado pela sua presença. Estava falando aqui com a Formiga que eu a via muito na Bandeirantes, no Luciano do Valle, que foi um grande incentivador do futebol. Mas muito obrigado a todos, aos clubes - a razão e a célula esportiva nacional são os clubes. Queira Deus que daqui a alguns anos passe para as escolas, para o ensino básico e para o sistema universitário, mas a contribuição dos clubes, no Brasil, ainda é quase na sua totalidade. Então muito obrigado pela dedicação de todos vocês. Obrigado, pessoal. Muito obrigado. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Na verdade, Luiz, esta é a máxima, a máxima é: "A gente sai do esporte, mas ele não sai da gente". A gente pode se arriscar em vários desafios pós-carreira, mas a gente carrega com a gente esse DNA, exatamente esse DNA de persistência, de resiliência, de empatia, de lidar com frustração e saber que tem outro dia para fazer diferente. E, aqui, dentro da política, o Luiz sabe muito bem - o Saulo também, o Deputado - que a gente, diariamente, acho que mais ainda... A frustração é diária, quase que... O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ. Sem revisão do orador. Fora do microfone.) - Você corrigiu o Bernard e comentou aqui, falando que ia citar um monte de gente: a Maurren Maggi. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - A Maurren... É, sim. O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ. Sem revisão do orador.) - Só para você lembrar da Maurren Maggi, senão ela vai me ligar aqui e ela vai brigar comigo. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Maravilhosa a Maurren Maggi também. O SR. LUIZ LIMA (NOVO - RJ. Sem revisão do orador.) - Em 2008. A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Vou passar a palavra agora ao Sr. Presidente da Confederação Brasileira de Handebol, representando as confederações e entidades, Felipe Rêgo Barros. (Palmas.) |
| R | O SR. FELIPE TADEU MOREIRA LIMA DO RÊGO BARROS (Para discursar. Sem revisão do orador.) - Senadora Leila, queria saudá-la; Sr. Presidente do COB, Marco La Porta; Deputado Saulo Pedroso; Secretária Iziane, que faz um trabalho fantástico à frente da Secretaria de Alto Rendimento; presidentes de confederações, atletas, autoridades presentes, dirigentes, amigos e amigas do esporte brasileiro, é uma grande honra participar desta sessão solene em celebração aos 112 anos do Comitê Olímpico do Brasil. Celebrar o COB é, acima de tudo, celebrar uma trajetória de construção coletiva. Quando olhamos para a história do movimento olímpico brasileiro, percebemos o quanto é forte a capacidade do COB de juntar as pessoas - essa também é uma vocação do Presidente Marco La Porta -, acreditando que nenhuma conquista acontece de forma isolada. Esta é uma marca do COB: acreditar na força do coletivo. Por isso, o COB é uma grande família, onde todos, do funcionário mais simples ao mais consagrado medalhista olímpico, estão envolvidos no mesmo sentimento de que fazem parte do mesmo time, o time COB. Um grande exemplo desse espírito agregador está no importante lema que o COB adotou: "Juntos por uma nação esportiva". Essa frase é muito mais do que um slogan de motivação. Esse lema, na verdade, é um compromisso de luta do COB, é uma convocatória para que cada segmento faça a sua parte em prol de uma nação que tem o esporte como um dos seus pilares, como seus alicerces, para que tenhamos, no futuro, uma sociedade em que a política pública priorize a prática esportiva. É com muito orgulho que vemos o COB, corajosamente, assumir o protagonismo desse processo, convocando todas aquelas entidades que compõem o sistema esportivo nacional para construir uma nação cujo esporte seja visto como prioridade. Nesse mesmo espírito de união, não podemos deixar de ressaltar o importante papel das confederações, que exercem um papel fundamental na construção. O sistema confederativo é o início, o fim e o meio deste processo de evolução. São as confederações que fazem a ligação entre a base e o alto rendimento, sendo este o roteiro que muitas vezes se materializa em um pódio olímpico. Quando o COB e as confederações caminham na mesma direção, quem ganha com isso é o atleta; e, quando esses três segmentos se juntam, quem ganha é o Brasil. Por fim, que o COB, Presidente La Porta, continue fazendo sonhar aquele menino e aquela menina que sonham em ser atletas; que essas crianças, como o menino Davi, continuem com seus sonhos vivos e que elas, num futuro próximo, encontrem uma nação esportiva capaz de fazer esse sonho ser realidade. E que assim tenhamos mais Rebecas, mais Isaquias, mais Formigas, mais Rafael, mais Ketleyns, mais Virnas, mais e mais Hortências, enfim. |
| R | Salve o Comitê Olímpico Brasileiro, parabéns pelos seus 112 anos. Obrigado. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Grata pela fala e a participação, Felipe Barros, que é o Presidente da Confederação Brasileira de Handebol. Vou convidar agora para fazer o uso da palavra a Sra. Virna Dias, medalhista olímpica: 1996 e 2000, ao meu lado, inclusive. (Palmas.) Gostaria de registrar a presença da Sra. Rosinha Estrela, ex-Deputada Federal e Diretora de Relações Institucionais - e paratleta também - do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos. Seja bem-vinda, Rosinha. (Palmas.) A SRA. VIRNA CRISTINE DANTAS DIAS (Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Bom dia a todos. Primeiramente, eu estou me sentindo muito chique aqui no Plenário, nunca imaginei que um dia eu estaria aqui. Eu queria agradecer ao Diretor do Comitê Olímpico Brasileiro, Emanuel Rego, e ao meu amigo, Presidente La Porta. E quanto a você, irmã, a gente tem histórias lindas da vida. Eu me emocionei diversas vezes quando eu vi a Ketleyn falando de um sonho, de um sonho de ser uma atleta, de um sonho a se realizar. Eu falei: "Caramba, passou um filme na minha cabeça". Eu sou nordestina, sou nascida em Natal, tinha grandes ídolos do esporte, o Ayrton Senna. Aos domingos a gente ficava na casa da vovó para comer aquela galinha caipira, para ver o Senna correr. A grande e querida Isabel, que Papai do Céu nos levou, sempre foi uma inspiração. Eu tenho até hoje a primeira joelheira que a Isabel me deu. O Zico, eu sou uma flamenguista roxa, apaixonada, e o número dez sempre me representou por causa do Zico. De repente, eu estou aqui no Plenário, numa homenagem aos 112 anos do Comitê Olímpico Brasileiro e vem um filme, porque fui aquela menina que sonhava, desbravava ser uma jogadora de vôlei, saiu de Natal muito novinha, aos 14 anos, com aquele sotaque diferente, aquele gosto musical do Beto Barbosa, do Chiclete com Banana, que era desconhecido na época. E estar aqui, hoje, comemorando 112 anos da história do Comitê Olímpico Brasileiro é muito emocionante. É emocionante ver, Bambi - eu a chamo de Bambi, gente, desculpa, eu sei que é uma solenidade, mas a gente tem muitas histórias, foram muitos anos jogando juntas, muitos anos concentradas no mesmo quarto, a gente brigava, se amava -, você aqui lutando pelo nosso esporte, ao lado de tantos atletas, como você, Luiz. Eu não preparei discursos, eu estou falando com o coração porque esporte é amor, esporte é paixão, esporte é doação. A vida do atleta não é uma vida fácil, é uma vida de muitos sacrifícios, de muitos sonhos, mas, quando ele se concretiza, é muito legal. Estou vendo esse moleque lindo, maravilhoso: que você tenha um futuro brilhante, que você se inspire, que você treine muito. É uma vida muito sacrificante, mas estude, se dedique, porque é transformador. Quando você está lá no lugar mais alto do pódio, ouve o seu hino sendo tocado e põe aquela medalha no peito - não importa a cor, é uma medalha olímpica -, você fala assim: "Nossa, eu estou aqui representando milhões de brasileiros". Sucesso, meu querido! |
| R | Eu queria aqui quebrar um protocolo: pedir para que todo mundo se levante, e a gente cantar um Parabéns para o Comitê Olímpico brasileiro, de 112 anos. É uma comemoração muito especial! A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Muito bom, Bambi! Excelente! Parabéns pra você Nesta data querida Muitas felicidades Muitos anos de vida! Viva o COB! Viva! (Palmas.) A SRA. VIRNA CRISTINE DANTAS DIAS (Sem revisão da oradora.) - Muito obrigada a todos. Que o Papai do Céu abençoe todos vocês. Um beijo bem grandão, do meu tamanho, e para o meu Presidente Radamés, ali, porque eu sempre fui a preferida dele. Te amo! (Risos.) (Palmas.) A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco/PDT - DF) - Excelente, Bambi! Gente, já me pediram para encerrar aqui a sessão. Eu peço desculpas, porque avançou um pouquinho o horário. Mas, olha, foi uma sessão maravilhosa! Quero mais uma vez parabenizar o Comitê Olímpico do Brasil na pessoa do seu Presidente, Marco La Porta. Quero agradecer a todas as entidades aqui sem... Todos vocês são fundamentais nesse processo e neste nosso trabalho legislativo. O Luiz foi muito assertivo, assim como o Sandro aqui - aliás, o Saulo, perdão -, a respeito do trabalho que é realizado aqui, em equipe, né? Toda vez em que debatemos o esporte, graças a Deus, nós não temos ideologia, e nós conseguimos aqui, dentro deste Congresso, tratar a pauta esporte como ela tem que ser: uma pauta universal, suprapartidária e necessária ao nosso país. Então, quero demais agradecer a presença de todos vocês, e que venham muitos anos de sucesso ao COB, às entidades e, acima de tudo, ao esporte brasileiro, nas figuras dos atletas, dos dirigentes, das famílias dos atletas, do terceiro setor, porque é a união que faz a força. O esporte não chegaria neste patamar se não fosse a dedicação e o empenho de inúmeras gerações que nos antecederam e nos ajudaram a chegar neste momento da história com um grande futuro pela frente, que eu tenho certeza de que teremos. Cumprida a finalidade desta sessão solene do Congresso Nacional, mais uma vez agradecendo aqui ao Deputado Saulo e a todas as personalidades que nos honraram com a sua presença, declaro encerrada a presente sessão. Parabéns COB e parabéns aos 112 anos! (Palmas.) (Levanta-se a sessão às 11 horas e 54 minutos.) |


