Discurso no Senado Federal

HOMENAGEM AOS 100 ANOS DO CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO.

Autor
Carlos Patrocínio (PFL - Partido da Frente Liberal/TO)
Nome completo: Carlos do Patrocinio Silveira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • HOMENAGEM AOS 100 ANOS DO CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO.
Publicação
Publicação no DSF de 06/12/1995 - Página 4753
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, CLUBE, FUTEBOL, ESTADO DO RIO DE JANEIRO (RJ).

O SR. CARLOS PATROCÍNIO (PFL-TO. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, ilustre Ex-Deputado Márcio Braga, Ex-Presidente do Clube de Regatas Flamengo e Ex-Titular da Secretaria Nacional do Desporto, Srªs e Srs. Senadores, desportistas flamenguistas aqui presentes, assomo à tribuna nesta tarde até por exigência dos meus filhos, que um dia fizeram-me pedir ao então Presidente do Flamengo, Sr. Márcio Braga, uma camisa para que pudessem ser gandulas num jogo, se não me engano, contra a seleção do Peru.

Gostaria, também, nesta oportunidade, de prestar a minha homenagem à lucidez do eminente Senador Artur da Távola, que, mesmo não sendo flamenguista, soube reconhecer que a nação rubro-negra transcende todas as paixões políticas, está acima de qualquer paixão política. Como a Câmara dos Deputados já havia reverenciado o Centenário do Flamengo, S. Exª propôs esta sessão em homenagem ao Clube de Regatas Flamengo. Portanto, meus cumprimentos efusivos ao eminente Senador Artur da Távola.

Gostaria de mencionar algumas particularidades, já que a história do Flamengo foi aqui lembrada pelo eminente Senador que me antecedeu. O Clube de Regatas Flamengo é uma legenda do futebol e do desporto nacional. Os seus títulos mais importantes são os 23 de campeão carioca, os 5 de campeão brasileiro, em 1980, 1982, 1983, 1987 e 1992; o de campeão da Copa do Brasil em 1990; da Taça Rio-São Paulo, em 1961; da Taça Libertadores da América, em 1981, que culminou com o Campeonato Mundial Interclubes também em 1981.

E gostaria de chamar a atenção para uma particularidade: parece que o Flamengo une as famílias. Às vezes tenho um compromisso à noite, mas os meus meninos me telefonam e dizem que tem jogo do Flamengo.

O Flamengo é um time que nos tem feito sofrer muito. As últimas duas vezes que assistimos, em casa, às partidas do Flamengo, perdemos de 3 a 0, vergonhosamente, para o Santos, e, agora, de 2 a 0 para os Independientes de La Plata, na Argentina.

Mas eu gostaria também de dizer que o Flamengo quase sempre está nas finais dos campeonatos de que participa. Ele tem perdido mais do que ganho as finalíssimas, mas ainda amanhã estaremos torcendo para que o Flamengo supere as dificuldades que encontrou no decorrer deste ano, tornando-se o campeão da Supercopa dos Campeões, vencendo, por margem de 3 gols, o Independientes de La Plata. Estaremos torcendo.

Estou muito satisfeito por ver aqui também a campeoníssima Patrícia Amorim, de quem tive a oportunidade de receber uma medalha - não sei se ela se lembra -, em Araguaína, minha cidade, no Estado do Tocantins, onde ela representava o Presidente da Confederação Brasileira de Natação, esta que também é um mito da história da nossa querida nação rubro-negra.

Temos que pedir a São Judas Tadeu que dê mais títulos ao Flamengo - não sei se teremos que fazer uma oração mais forte. Como dizia Luiz Gonzaga, a oração de São Raimundo, em certa oportunidade, estava muito fraca e teríamos que arranjar uma outra mais forte.

Sei que, ganhando ou perdendo, continuaremos sempre sendo flamenguistas e transmitiremos essa mensagem aos nossos descendentes. Creio que o velho Lamartine Babo, o velho Lalá, estava absolutamente correto: "Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!"

Parabéns, Flamengo, pelos seus 100 anos de vitórias.

O Sr. Valmir Campelo - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. CARLOS PATROCÍNIO - Com muita honra, eminente Senador.

O Sr. Valmir Campelo - Nobre Senador Carlos Patrocínio, eu gostaria, em meu nome, em nome da Liderança do meu Partido, o PTB, e em nome da comunidade do Distrito Federal de me associar às homenagens que hoje são prestadas pelo Senado Federal ao Clube de Regatas Flamengo, quando se está comemorando 100 anos de vida deste clube que trouxe muitas alegrias ao povo brasileiro. Também comungo da tese de que o Flamengo une o amor, é uma integração de todas as raças do nosso País. O nobre Senador Artur da Távola, mais uma vez, diante da sua inteligência e da sua capacidade, assim como V. Exª também o faz com muito brilhantismo neste momento, traduzem a expressão do sentimento de todos nós, que, mesmo não torcendo pelo Flamengo, como é o meu caso - sou vascaíno -, respeitamos o Flamengo como time e porque traz alegria ao povo brasileiro. Tenho certeza absoluta de que o povo do Distrito Federal, neste momento, une-se às homenagens justas que são prestadas ao Flamengo. Parabéns a V. Exª.

O SR. CARLOS PATROCÍNIO - Agradeço o aparte do eminente Senador Valmir Campelo, que fala em nome do Partido Trabalhista Brasileiro.

Mas, antes de encerrar, eu gostaria de dizer que se as nossas agremiações políticas tivessem a fidelidade partidária que têm as agremiações futebolísticas, este País seria uma maravilha. Ninguém, jamais, abandona a sua fidelidade ao Flamengo.

O Sr. José Eduardo Dutra - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. CARLOS PATROCÍNIO - Concedo um aparte ao nobre Senador José Eduardo Dutra.

O Sr. José Eduardo Dutra - Em nome da Bancada do Partido dos Trabalhadores, em primeiro lugar eu gostaria de parabenizar o Senador Artur da Távola pelo requerimento e parabenizar todos os flamenguistas, mesmo sendo botafoguense. Falo inclusive a pedido da Senadora Benedita da Silva, do Rio de Janeiro - também botafoguense, diga-se de passagem -, que, por não poder está presente hoje, solicitou que fizéssemos esta manifestação. Como botafoguense, existe algo que sempre invejei no Flamengo. Primeiro, naturalmente, a sua torcida e o poder que ela tem de, muitas vezes, virar resultados; de fazer com que times, às veze nem tão brilhantes, acabem sendo vencedores. Como botafoguense, aliás, lembro-me da final do Brasileiro de 1992, quando o Botafogo tinha um time francamente superior ao do Flamengo, mas "levou um chocolate" no primeiro jogo: 3 a 0. Em parte, esse resultado deveu-se à presença do Júnior e, em parte ainda maior, à ação da torcida do Flamengo. O segundo motivo de inveja é o de ver que o referido time era caracterizado por alguns jogadores medianos, se fôssemos analisá-los apenas pelo desempenho técnico. Talvez, se jogassem em outros times, não tivessem o mesmo destaque, mas esses jogadores tinham a capacidade de incorporar a mística da camisa rubro-negra e de se superarem. Citaria, como exemplo, o deus da raça, Rondinelli; e citaria um sergipano, em homenagem ao meu Estado, que inclusive foi o autor de um gol na final contra o Liverpool: o Nunes. Este, sem dúvida alguma, deu uma grande contribuição ao Flamengo. E há mais dois jogadores, nesse momento de comemoração dos 100 anos, que gostaria de homenagear; dois jogadores que gostaria muito que tivessem envergado a camisa alvinegra e que também incorporavam essa raça; tinham habilidade suficiente para chegar à seleção brasileira. Um deles, inclusive, não era brasileiro, mas incorporou a raça, que foi o argentino Durval - salvo engano, já faleceu. O outro foi o Geraldo, um jovem que também morreu estupidamente em 1975, vítima de uma operação de amígdala, salvo engano, a quem nós, botafoguenses, gostaríamos muito de ver fazendo um meio de campo com o Ney Conceição. Realmente, seria, a meu ver, um meio de campo imbatível. Para concluir, nobre Senador, gostaria aqui de reconhecer a superioridade do Flamengo sobre o Botafogo, não do Clube Flamengo, não do time Flamengo - porque isso o botafoguense que se preza não poderá fazer nunca -, mas por entender que o Flamengo é muito mais do que um time, muito mais do que um clube: o Flamengo é um país, é a nação rubro-negra. Muito obrigado e parabéns a V. Exª.

O SR. CARLOS PATROCÍNIO - Agradeço as observações de V. Exª, que reconhece no Clube de Regatas Flamengo uma verdadeira nação de aficcionados. V. Exª cita jogadores dos mais renomados e um detalhe muito importante: que a camisa rubro-negra inspira amor, raça, vontade de vencer. Normalmente, o Flamengo, ainda que não tenha uma grande equipe, acaba por se superar e vencer as adversidades.

Aproveitando a oportunidade, não me lembro de o Flamengo ter composto grandes quadros, comprando vários jogadores de renome, nacionais e internacionais, como tem acontecido. Nada contra esses grandes ídolos nacionais e mundiais, como Romário e Edmundo, mas ele sempre procurou fazer, dentro de suas escolinhas, os seus grandes ídolos. Posso citar o Dida, alagoano, perto da sua terra; posso citar o Zico, que é exemplo ímpar, juntamente com Pelé - talvez o maior exemplo de desportista que se pode ter em uma nação. São dois homens a quem o Brasil deve muito. Sávio, que desponta agora com todo o lampejo de grande futebolista, que haverá de dar muitas alegrias à nação rubro-negra.

Portanto, eu gostaria de chamar a atenção para esse detalhe, eminente ex-Deputado, ex-Presidente e certamente futuro Presidente do Flamengo, Márcio Braga. É bom que se dê muito valor e que se continue a cultivar a escolinha do Flamengo, porque foi nela que nasceram grandes ídolos do futebol nacional e mundial.

Dessa forma, é uma satisfação muito grande poder falar, nesta tarde, e enaltecer essa equipe de futebol, que é exemplo para toda a juventude, exemplo para o nosso País e, principalmente, um exemplo de agremiação em todos os sentidos para todo o mundo.

O SR. Eduardo Suplicy - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. CARLOS PATROCÍNIO - Pois não, nobre Senador.

O SR. Eduardo Suplicy - Também quero cumprimentar os 100 anos do Clube de Regatas Flamengo, em nome da Liderança do Partido dos Trabalhadores e como torcedor do Santos. Eu gostaria de externar a importância do que certamente representa para o esporte nacional e para a cultura do povo brasileiro os 100 anos de Flamengo em nosso País.

O SR. CARLOS PATROCÍNIO - Acolho, com muita alegria e satisfação, a manifestação do eminente Líder do PT, Senador Eduardo Suplicy.

Eu gostaria de retomar o que disse o eminente Senador José Eduardo Dutra, que o Botafogo estava melhor do que o Flamengo - e o Flamengo foi campeão -, para dizer ao eminente Senador Artur da Távola que não concordamos com essa vitória do Fluminense sobre o Flamengo, porque o Flamengo era muito mais time - não sei se São Pedro ajudou o Fluminense, ou foi o Renato Gaúcho, ou qualquer outra coisa; mas sei que foi uma catástrofe.

Acolho, com muita alegria e satisfação, todos os apartes que foram aqui oferecidos.

Gostaria de dizer, para finalizar, que a minha palavra é também a do Partido da Frente Liberal, que se sente muito honrado em poder homenagear o Clube de Regatas Flamengo no centenário de sua fundação.

Muito obrigado.(Palmas!)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 06/12/1995 - Página 4753