Discurso no Senado Federal

REFERENCIAS A MANIFESTAÇÃO DO SENADOR EDISON LOBÃO, COMO LIDER DO PFL, CONTRARIA A PRIVATIZAÇÃO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE. CONGRATULANDO-SE COM O EMPRESARIO ANTONIO ERMIRIO DE MORAES POR SEU INTERESSE EM PARTICIPAR DO LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO DA VALE, CRIANDO, ASSIM, A POSSIBILIDADE DE AS RESERVAS DO SUBSOLO NACIONAL CONTINUAREM NAS MÃOS DOS BRASILEIROS.

Autor
Epitácio Cafeteira (PPB - Partido Progressista Brasileiro/MA)
Nome completo: Epitácio Cafeteira Afonso Pereira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
PRIVATIZAÇÃO.:
  • REFERENCIAS A MANIFESTAÇÃO DO SENADOR EDISON LOBÃO, COMO LIDER DO PFL, CONTRARIA A PRIVATIZAÇÃO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE. CONGRATULANDO-SE COM O EMPRESARIO ANTONIO ERMIRIO DE MORAES POR SEU INTERESSE EM PARTICIPAR DO LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO DA VALE, CRIANDO, ASSIM, A POSSIBILIDADE DE AS RESERVAS DO SUBSOLO NACIONAL CONTINUAREM NAS MÃOS DOS BRASILEIROS.
Aparteantes
Edison Lobão.
Publicação
Publicação no DSF de 07/02/1997 - Página 3927
Assunto
Outros > PRIVATIZAÇÃO.
Indexação
  • SOLIDARIEDADE, PRONUNCIAMENTO, EDISON LOBÃO, SENADOR, OPOSIÇÃO, PRETENSÃO, GOVERNO, PRIVATIZAÇÃO, COMPANHIA VALE DO RIO DOCE (CVRD).

O SR. EPITACIO CAFETEIRA (PPB-MA. Como Líder, pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o meu Partido fica realmente feliz quando vê que o Partido da Frente Liberal, através de seu Líder em exercício, acaba de dizer que é contra a privatização da Vale do Rio Doce.

Isso é motivo de alegria e de felicidade, porque o nobre Senador não falou em seu nome, mas como Líder, em comunicação de Liderança, e fico me perguntando por que o Partido da Frente Liberal não votou a favor do nosso projeto de resolução, que determinava que passasse pelo Senado a deliberação de vender a Vale do Rio Doce. Então, não podemos ficar reclamando daquilo que nós, Senadores, abrimos mão.

Entregamos realmente ao BNDES a decisão de vender a quem quiser, por quanto quiser, na forma que quiser, não só a companhia, mas também aquilo que a companhia havia recebido porque era do Governo: o subsolo das terras da Vale do Rio Doce.

Hoje, estamos vendo alguma coisa inusitada.

Diz O Globo: "Venda da Vale excluirá as reservas não avaliadas". Isso acontecerá da seguinte maneira: o que não estiver avaliado será colocado sob contrato de risco e a empresa ficará com metade.

Mas que risco existe para uma empresa que está montada em reservas de ouro? Qual é o risco que vai existir? O risco é para nós, porque vão levar essas reservas! O risco é para nós, porque a Constituição diz que essas reservas são do País.

O Sr. Edison Lobão - Permite-me V.Exª um aparte?

O SR. EPITACIO CAFETEIRA - Lamento, nobre Senador, mas nas comunicação de Liderança apenas a pessoa fala por seu Partido, sem direito a conceder aparte. De outra forma, concedê-lo-ia com alegria a V. Exª.

Não quero, nobre Senador Antonio Carlos Magalhães, no início de sua gestão, contribuir para que não seja respeitado o Regimento da Casa.

A única notícia sobre a Vale do Rio Doce que li com alegria, e alegria mesmo, foi a de que o empresário Antônio Ermírio de Morais se interessava em participar do leilão de privatização da Vale. E que estava atrás de encontrar parceiros para que a Companhia Vale do Rio Doce continuasse a ser do Brasil, para que as reservas do subsolo brasileiro continuassem a pertencer a pessoas brasileiras.

Lamentarei, Sr. Presidente, se não se encontrar uma fórmula de financiar, de alguma forma, grupos brasileiros que queiram participar dessa privatização.

Telefonei ao empresário Antônio Ermírio de Moraes e disse-lhe que o microfone que o povo do Maranhão me deu para usar nesta Casa está à disposição de qualquer grupo brasileiro que queira lutar para que o Governo entenda que é importante que essa empresa fique no Brasil.

Não se discute se o que foi gasto nos programas do Proer foi bem ou mal empregado, mas que se pense em muito menos do que isso para ajudar empresários brasileiros que queiram enterrar a bandeira do Brasil na serra da Vale do Rio Doce e dizer "isto é nosso", "isto é do Brasil".

Era o que tinha a dizer.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 07/02/1997 - Página 3927