Discurso no Senado Federal

PREOCUPAÇÃO DE S.EXA. COM A PROPAGANDA NEGATIVA, ACARRETANDO EM GRAVES PREJUIZOS AO SETOR DE TURISMO DE SANTA CATARINA, APRESENTADA PELOS NOTICIARIOS ACERCA DOS EFEITOS DO FENOMENO EL NIÑO NA REGIÃO SUL DO PAIS.

Autor
Esperidião Amin (PPB - Partido Progressista Brasileiro/SC)
Nome completo: Esperidião Amin Helou Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
TURISMO.:
  • PREOCUPAÇÃO DE S.EXA. COM A PROPAGANDA NEGATIVA, ACARRETANDO EM GRAVES PREJUIZOS AO SETOR DE TURISMO DE SANTA CATARINA, APRESENTADA PELOS NOTICIARIOS ACERCA DOS EFEITOS DO FENOMENO EL NIÑO NA REGIÃO SUL DO PAIS.
Publicação
Publicação no DSF de 10/12/1997 - Página 27577
Assunto
Outros > TURISMO.
Indexação
  • CRITICA, INEXATIDÃO, INFORMAÇÃO, DIVULGAÇÃO, AMBITO NACIONAL, NOTICIARIO, MEIOS DE COMUNICAÇÃO, REFERENCIA, FALTA, IDENTIFICAÇÃO, LOCAL, INUNDAÇÃO, REGIÃO SUL, PROVOCAÇÃO, REDUÇÃO, TURISMO, ATIVIDADE ECONOMICA, ESTADO DE SANTA CATARINA (SC).

           O SR. ESPERIDIÃO AMIN (PPB-SC. Pronuncia o seguinte discurso) - Sr. Presidente, Srª e Srs. Senadores, a chamada indústria do turismo tem grande importância econômica e, por via de conseqüência, social, para o meu Estado de Santa Catarina.

           Os motivos para que esse setor da atividade econômica tenha tanto prosperado, principalmente ao longo das duas últimas décadas, em meu Estado, são evidentes. Surpreendente, aliás, é que os turistas tenham demorado tanto a descobrir tudo que Santa Catarina tem a lhes oferecer.

           Do magnífico litoral às deslumbrantes montanhas, incontáveis passeios que enchem os olhos do turista que tem como prioridade o contato com a natureza. Da belíssima Capital às pitorescas cidades do interior, um harmônico padrão de desenvolvimento urbano que se diferencia nitidamente do observado no resto do País, constituindo aspecto de muito interesse para o turista que tem sua atenção voltada para a vasta diversidade sócio-política que o Brasil contém. Dos núcleos de colonização açoriana ao longo do litoral às comunidades de origem germânica nos vales e nas serras, um verdadeiro pot-pourri de culturas e etnias, cada qual com suas tradições e manifestações artísticas próprias.

           Com tantos e tão variados atrativos - seja para o turismo ecológico, seja para o turismo histórico-cultural -, Santa Catarina só poderia mesmo vir a se tornar - como de fato se tornou - importante pólo de atração turística, tanto para os brasileiros das demais Unidades da Federação quanto para nossos vizinhos da bacia do Rio da Prata.

           A preocupação que me traz hoje a esta tribuna, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores, diz respeito aos graves prejuízos que vêm sendo causados ao setor de turismo de Santa Catarina, ao longo dos últimos meses, pela propaganda negativa representada pelo noticiário tendencioso e impreciso acerca dos efeitos do fenômeno El Niño na Região Sul do País.

           Nós, catarinenses, estamos profundamente inconformados com o tratamento jornalístico que vem sendo dado pela mídia nacional, especialmente a televisionada, ao impacto do El Niño e à calamidade das cheias na Região Sul. Não sem motivo, o noticiário tem enfatizado a gravidade das cheias, que atingem algumas áreas, apresentando imagens dramáticas de zonas residenciais completamente cobertas pelas águas, até o nível dos telhados. O que não podemos aceitar, porém, é o caráter genérico dessas notícias, que, ao não precisarem as regiões afetadas pelas cheias, prejudicam de forma irreparável a atividade turística em nosso Estado.

           Com efeito, até o presente, as inundações têm flagelado a zona denominada Fronteira Oeste, do vizinho Estado do Rio Grande do Sul. Santa Catarina não foi, até este momento, atingida por qualquer outra inundação senão a de hipóteses meteorológicas alarmistas.

           Apesar de meu Estado vir escapando ileso à catástrofe natural que atinge o Rio Grande do Sul, o mesmo não se pode dizer quanto aos prejuízos resultantes da divulgação imprecisa desse desastre. Os efeitos negativos da propaganda adversa já se fizeram sentir por ocasião das festas típicas realizadas pela colônia germânica - principalmente aquela residente no Vale do Rio Itajaí - durante o mês de outubro. As tradicionais Oktoberfest receberam um fluxo de turistas bem abaixo do esperado, pois foi grande o volume de cancelamentos de pacotes turísticos destinados ao Estado, tudo por conta da abundante e genérica divulgação das cheias.

           O turista procura, logicamente, os locais onde se divulga imperar o sol e o tempo seco, caso típico da Região Nordeste. Nessa medida, a propaganda negativa representada pelo noticiário impreciso acerca das cheias constitui uma séria ameaça para o grande número de catarinenses que tiram seu sustento do turismo receptivo.

           Por outro lado, ao desviar volumoso fluxo turístico para outros destinos, inclusive no exterior, essa propaganda negativa não prejudica apenas os milhares de empreendedores privados catarinenses que apostam no turismo, mas também, indiretamente, os Municípios e o próprio Estado, que têm suas arrecadações tributárias solapadas pelo desaquecimento das atividades do setor.

           Felizmente temos, os catarinenses, enorme capacidade de reação. Somos gente de fibra. Não somos de ficar inertes frente a ameaças e desafios. Estamos, portanto, unindo as forças de nossas entidades do setor público e do privado, as vozes de nossas personalidades de destaque e de nossos homens públicos, os esforços, enfim, de todos os catarinenses, para responder a esse desafio, para mostrar, aos brasileiros e aos estrangeiros, que Santa Catarina continua a ser o mais privilegiado dos destinos turísticos.

           Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, dentro desse espírito de união das forças vivas de Santa Catarina para reagir à propaganda adversa que vem prejudicando o turismo no Estado, recebi, recentemente, correspondência encaminhada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Balneário Camboriú, assinada por seu Presidente, Anésio Fenner. O documento expressa, de forma vigorosa, o inconformismo dos comerciantes daquele importante balneário catarinense em relação aos “noticiários tendenciosos, que generalizam e não identificam as regiões afetadas, prejudicando de forma irreparável o setor de turismo em nosso Estado”.

           Referindo os prejuízos já infligidos à economia catarinense por esses noticiários, o documento nos conclama ao “engajamento no propósito de divulgar, em nível nacional, as belezas naturais de Santa Catarina e a atual situação do Estado, que, até o momento, vem sofrendo somente com as inundações de hipóteses meteorológicas, as quais têm contribuído para o afastamento do turista”.

           De fato, quando um turista desiste de visitar Santa Catarina, influenciado por informações imprecisas, perdemos não apenas os catarinenses, que tanto gostamos de exercer a hospitalidade; perde também - e muito - o próprio turista, que deixa de conhecer uma terra que merece, sob qualquer enfoque que se a analise, o qualificativo de maravilhosa.

           Reforçamos, portanto, o nosso convite a todos os turistas: venha conhecer Santa Catarina.

           O visitante pode começar seu passeio por Florianópolis, nossa ilha da magia, onde poderá desfrutar de algumas das cerca de meia centena de praias, das mais sofisticadas, com comércio e infra-estrutura bem desenvolvidos, até as completamente selvagens, onde a natureza permanece intocada. Também na Capital, poderá apreciar a deslumbrante vista da Lagoa da Conceição, avistada do alto de um imponente morro. Descendo até suas margens, conhecerá o caprichoso trabalho das rendeiras, bem como a deliciosa culinária de frutos do mar. Ao aventurar-se pelo pacato lado oeste da ilha, irá apreciar os antigos prédios de típica arquitetura colonial açoriana.

           Caso o turista deseje conhecer mais da bela orla marítima catarinense, vale rumar para o Litoral Norte, e mergulhar nas águas extraordinariamente límpidas da região de Portobelo e Bombinhas; bem como conhecer a sofisticação e a agitação cosmopolita de Balneário Camboriú. Alternativamente, sua opção pode ser pelo Litoral Sul, onde podem ser visitadas as esplêndidas praias da região de Garopaba, Imbituba e Laguna. Qualquer que seja a opção do visitante, ao longo de todo o litoral catarinense a Serra do Mar corre muito próxima às praias, compondo cenários de indescritível beleza, nos quais o verde luxuriante da Serra chega até a faixa de areias brancas que, por sua vez, margeia o mar de belos tons de verde e azul.

           Caso a preferência de nosso hóspede seja pelo clima de montanha, poderá tomar a moderna estrada que sobe a Serra do Rio do Rastro, proporcionando deslumbrantes vistas dos vales. Nos altos da Serra, a mais de mil metros de altitude, está São Joaquim, a cidade mais fria do Brasil, onde se cultivam deliciosas maçãs.

           O turista pode também conhecer outras cidades importantes de Santa Catarina, além de Florianópolis, pois, diferentemente de outros Estados da Federação, a terra barriga-verde não se caracteriza por uma gigantesca região metropolitana, mas sim pela existência de uma multiplicidade de pólos regionais, que garantem um desenvolvimento econômico harmonioso e bem distribuído geograficamente. Criciúma, Joinville e Blumenau são ótimas sugestões para visitas agradáveis. Em Blumenau e demais cidades do Vale do Itajaí, o visitante poderá fazer boas compras diretamente nos pontos de venda de nosso poderoso parque industrial têxtil. Em muitas localidades do território catarinense, encontram-se incontáveis oportunidades para mergulhar na cultura, na música e na culinária de nossas colônias alemãs e italianas. Por toda parte, a hospitalidade e o carinho da boa gente catarinense.

           Em anos passados, Santa Catarina já pagou pesado tributo à destruição provocada pelas cheias. Não é justo - não é justo de forma alguma - que agora, quando o Estado vem sendo poupado da inclemência das forças da natureza, sua economia seja sacrificada pelo noticiário equivocado e impreciso a respeito das inundações que atingem o Estado vizinho, mas não o nosso.

           A economia catarinense precisa do turista; o turista merece conhecer esse Estado singular no contexto da geografia física e humana do Brasil. Basta de informações distorcidas e tendenciosas! Que a verdade seja restabelecida! Santa Catarina não está sofrendo com o flagelo das cheias e espera, de braços e coração abertos, a visita dos turistas brasileiros e de todo o mundo.

           Era o que eu tinha a dizer.

           Muito obrigado!


Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/12/1997 - Página 27577