Discurso no Senado Federal

HOMENAGEM A DOM HELDER CAMARA, ARCEBISPO EMERITO DE RECIFE E OLINDA, PERNAMBUCO, PELO TRANSCURSO DE SEUS NOVENTA ANOS.

Autor
Maria do Carmo Alves (PFL - Partido da Frente Liberal/SE)
Nome completo: Maria do Carmo do Nascimento Alves
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • HOMENAGEM A DOM HELDER CAMARA, ARCEBISPO EMERITO DE RECIFE E OLINDA, PERNAMBUCO, PELO TRANSCURSO DE SEUS NOVENTA ANOS.
Publicação
Publicação no DSF de 24/03/1999 - Página 6096
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM, ANIVERSARIO, HELDER CAMARA, ARCEBISPO, IGREJA CATOLICA, MUNICIPIO, RECIFE (PE), OLINDA (PE), ESTADO DE PERNAMBUCO (PE), ELOGIO, ATUAÇÃO, BENEFICIO, JUSTIÇA SOCIAL, DIREITOS HUMANOS.

A SRª MARIA DO CARMO ALVES (PFL-SE) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o Senado da República dedica os seus trabalhos iniciais desta tarde para homenagear uma das personalidades mais extraordinárias deste século, Dom Hélder Câmara, pelo transcurso dos seus 90 anos, uma vida dedicada aos seus semelhantes, à busca da verdade e à reivindicação de respeito e solidariedade à pessoa humana, especialmente aos desvalidos, aos rejeitados, aos marginalizados do progresso material.  

A exemplo da Câmara dos Deputados, que já reverenciou Dom Hélder Câmara pelos seus 80 anos, o Senado, hoje, como representante da Federação, do Estado brasileiro, também reconhece e louva a vida e a obra deste grande brasileiro, já distinguido como cidadão do mundo, pelos inúmeros títulos de doutor honoris causa e outros com que foi agraciado pelos foros de vários continentes.  

Autor de vários livros, também é personagem biografado por vários autores, entre eles Abelardo Baltar da Rocha, em seu "Um Furacão Varre a Esperança, O Caso D. Hélder", Marcos Cirano, com sua obra "Os Caminhos de D. Hélder", e um outro de homenagem da Câmara dos Deputados, intitulado "O Dom do Amor: Dom Hélder."  

Ordenado em 1931, aos 22 anos, sua vida sacerdotal tem sido pontilhada de realizações importantíssimas na vida da Igreja em nosso País. Foi um dos principais fundadores da CNBB; criou a Ação Católica que marcou tão profundamente a formação cristã e cívica da juventude brasileira em várias décadas a partir de 1950, incutindo-lhe, de forma pioneira, os fundamentos da doutrina social da Igreja, em sua opção preferencial pelos pobres, proclamada no Concílio Vaticano II, na década de 60; fundou o Banco e a Feira da Providência, que tanto realizou em benefício dos mais carentes. Também foi criada por ele a primeira Comissão de Justiça e Paz do Brasil.  

Entretanto, mais do que as suas obras institucionais, o que a Nação, o que os brasileiros admiram em Dom Hélder é o histórico de sua postura corajosa, firme e serena diante das adversidades. Nunca se abateu nem se intimidou.  

Nos tempos do silêncio, dos medos e das perplexidades, quando até alguns templos calaram, ele, movido pela pureza original dos Evangelhos, foi a voz que se fazia ouvir e até temer nos palácios, porque era a voz da verdade, desta verdade universal de eterna busca que é o fundamento da Igreja, em seu ideal de liberdade e justiça., porque a História da Igreja é a História da Verdade.  

Quando fez 50 anos de sacerdócio, em pronunciamento solene, confirmou sua vocação:  

"Se eu tivesse de nascer cem vezes, e cem vezes tivesse a liberdade de escolher um ofício, pediria cem vezes para ser padre".  

Arcebispo de Olinda, incompreendido por sua atuação em defesa das liberdades e dos direitos humanos, perseguido por prepostos do regime militar, quando vários religiosos de sua diocese foram presos e um deles assassinado, perguntaram-lhe se não temia morrer: ele respondeu que isto não fariam com ele porque o Papa viria ao seu enterro.  

E foi João Paulo II que o intitulou de "Irmão dos Pobres".  

O Brasil se alegra pelo transcurso dos 90 anos de D. Hélder Câmara, nós brasileiros nos enaltecemos com o seu exemplo virtuoso de fé e dignidade cristãs.  

São pessoas iluminadas como ele, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, que zelosos das verdades supremas e eternas do Evangelho, têm feito a Igreja fortalecida atravessar os séculos como horizonte de esperança para a humanidade.  

 


Este texto não substitui o publicado no DSF de 24/03/1999 - Página 6096