Discurso durante a 141ª Sessão Deliberativa Extraordinária, no Senado Federal

Críticas ao feriadão para economizar energia, decretado pelo governo federal à região Nordeste.

Autor
Carlos Wilson (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro/PE)
Nome completo: Carlos Wilson Rocha de Queiroz Campos
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ENERGIA ELETRICA.:
  • Críticas ao feriadão para economizar energia, decretado pelo governo federal à região Nordeste.
Publicação
Publicação no DSF de 25/10/2001 - Página 25994
Assunto
Outros > ENERGIA ELETRICA.
Indexação
  • CRITICA, AUTORITARISMO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, AUTORIDADE, GESTÃO, CRISE, ENERGIA ELETRICA, CRIAÇÃO, FERIADOS, REGIÃO NORDESTE, PARALISAÇÃO, ATIVIDADE ECONOMICA, AUSENCIA, CONSULTA, SOCIEDADE CIVIL, OMISSÃO, GOVERNADOR, RECLAMAÇÃO, DECISÃO.
  • SOLICITAÇÃO, SENADOR, ATENÇÃO, APRECIAÇÃO, MEDIDA PROVISORIA (MPV), CRIAÇÃO, FERIADOS.
  • APOIO, DENUNCIA, MARIA DO CARMO ALVES, SENADOR, ABUSO, EMPRESA, DISTRIBUIÇÃO, ENERGIA ELETRICA, REIVINDICAÇÃO, RESSARCIMENTO, GOVERNO, PERDA, LUCRO, PERIODO, RACIONAMENTO.

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. CARLOS WILSON (PTB - PE. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a criatividade do Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso atinge níveis cada vez mais surpreendentes. Agora, celebra com euforia uma economia de energia de 24,5%, conseguida durante a última segunda-feira, dia 22, no Nordeste.

            Para conseguir tão bem-sucedida racionalização, o Ministro Pedro Parente, responsável pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, fez cumprir um feriado extemporâneo, que simplesmente paralisou toda a atividade econômica da Região Nordeste. Compeliu todos os nordestinos a ficarem em casa ou irem para as praias, em uma segunda-feira, quando, em todo o País, o expediente era rigorosamente normal.

            Quanto aos governadores, a quem, em tese, caberia zelar pela economia de seus Estados, a maioria ficou em absoluto silêncio. Com honrosas exceções, poucos tiveram coragem ou convicção para denunciar mais essa violência que se comete contra o Nordeste.

            Apelo às Srªs e aos Srs. Senadores que reflitam bastante na apreciação da Medida Provisória nº 5/2001, em tramitação. O feriadão representa um atentado à economia regional e aumento do desemprego.

            Aliás, o Presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Recife, Eduardo Catão, tem absoluta razão na sua crítica à forma com que o Governo Federal trata essa questão. Diz ele: “As medidas estão sendo tomadas sem qualquer planejamento e sem que os diversos setores econômicos da região sejam consultados.”.

            Segundo Eduardo Catão, desde o início do racionamento, o comércio acumulou um prejuízo superior a 25%.

            Se o Governo não fosse tão imperial, tão prepotente, teria a humildade de ouvir os setores produtivos da região. Quem sabe, poderia encontrar uma solução menos traumática que o feriadão. Por que não a redução da jornada de trabalho? Por que não o escalonamento da atividade industrial e comercial?

            Os tecnocratas do Governo culpam o modelo hidroenergético e a seca. Mas não admitem que não investiram em novas hidrelétricas e em linhas de transmissão que poderiam agora, nesta crise, transportar a energia excedente do Norte e do Sul para o Nordeste e para o Sudeste.

            No decálogo do fundamentalismo monetarista, investimentos nesses setores seriam qualificados como pecados do déficit fiscal.

            Srªs e Srs. Senadores, a Senadora Maria do Carmo Alves, digna representante do Estado de Sergipe, denunciou neste plenário, no início desta semana, que as empresas distribuidoras, agora privatizadas, exigem o cumprimento do famigerado Anexo 5, um dispositivo contratual pelo qual, para cada quilowatt que deixarem de distribuir, corresponderá um ressarcimento de até dez vezes superior às tarifas normalmente praticadas. E quem arcará com o prejuízo? As estatais geradoras e, na essência, os contribuintes, seus principais acionistas, com certeza!

            Pena que o povo brasileiro não tenha o poder de decretar um feriadão que faça os tecnocratas do Governo encerrarem sua gestão na coisa pública em nosso País, pelo menos até que sejam substituídos por simples mortais que não têm linha direta com Deus.

            Muito obrigado, Sr. Presidente.


            Modelo17/14/244:26



Este texto não substitui o publicado no DSF de 25/10/2001 - Página 25994